terça-feira, agosto 21, 2012

Identidades Alienigenas / Richard Thompson PARTE 2

.......PARTE 2

De forma semelhante, segundo se relata, muitas
entidades ufológicas tratam as pessoas de
maneira alienada e impessoal, sendo ainda
notórias por aparecerem, desaparecerem e
atravessarem paredes. Como argumentei no
Capítulo 5, estes seres costumam apresentar
mensagens às pessoas que soam absurdas ou
enganosas. Estes aspectos são característicos de
alguns dos humanóides védicos, tais como os
bhütas, cujo modo preponderante é o tamo-guna.
Mutilações de gado
Uma intrigante ocorrência de anos recentes é o
fenômeno da mutilação de animais — cadáveres
de animais domésticos, como vacas e cavalos, são
encontrados em campos agrícolas com ferimentos
bizarros. Em casos típicos, constata-se a remoção,
com precisão cirúrgica, de diversos órgãos da
vítima, tais como úberes, órgãos genitais ou o
reto. É possível que amputem olhos ou orelhas ou
extraiam dentes. Há casos de cortes serreados
como que feitos com instrumentos inadequados, e
às vezes se remove um única junta de uma perna.
Repara-se, em quase todos os casos, um corpo
desprovido de sangue, não havendo, porém, sinal
algum de sangue na área circunjacente.
As primeiras ocorrências de casos de mutilação
datam de fins da década de 1960, a partir de
quando são registrados inúmeros destes casos.
Deste modo, em Elbert, Colorado, o delegado de
polícia George Yarnell registrou 64 casos de
mutilação entre 6 de abril de 1975 e 23 de
setembro de 1977. No mesmo período, mais de
cem relatos foram registrados na delegacia de
polícia de Logan, na região nordeste de Colorado.
Entre 1967 e 1989, em quase todos os estados
contíguos, exceto cinco ou seis, houve registro de
casos de mutilação, que também foram
registrados em seis das províncias meridionais do
Canadá, bem como no México, Panamá, Porto
Rico, Brasil, Europa, Ilhas Canárias e Austrália.
Em 1975, as mutilações de gado se tornaram tão
comuns no Colorado que o governador Richard
Lamm se pronunciou contra elas numa reunião da
Associação de Pecuaristas de seu estado. Disse
ele: "As mutilações são um dos maiores ultrajes na
história da indústria bovina do oeste. É importante
que solucionemos este mistério o quanto antes. A
indústria bovina já está muito prejudicada do
ponto de vista econômico. Do ponto de vista
humano, não podemos permitir que estas
mutilações continuem a acontecer." Não posso
aqui deixar de reparar a existência de certa
parcela de ironia na preocupação humanitária do
governador. Afinal, o objetivo da indústria bovina é
criar animais para o abate, um procedimento que
só difere das misteriosas mutilações pelo fato de
ser levado a cabo por meios conhecidos, entre
quatro paredes e sob circunstâncias lucrativas do
ponto de vista econômico.
Segundo muitos têm sugerido, os predadores são
responsáveis pelas mutilações de animais, mas,
conforme outros têm salientado, os predadores
conhecidos não produzem cortes longos e limpos
do tipo visto nos animais mutilados. Outra teoria
responsabiliza cultos satânicos pelo fenômeno.
Esta, além de parecer mais plausível, pode ser a
explicação para alguns casos. No entanto, a taxa
de mutilação de animais observada é tão alta que,
se os cultistas fossem os únicos responsáveis pelo
fenômeno, na certa a polícia já teria apreendido
muitos deles e suas histórias já teriam vindo ao
conhecimento do público.
Como seria de se esperar, algumas pessoas têm
sugerido haver uma ligação entre as mutilações de
animais e os óvnis. Tudo por conta da observação
de que os cortes feitos em animais mutilados
apresentam características difíceis de serem
duplicadas no campo com o uso da tecnologia
humana conhecida.
Um depoimento que parece ratificar esta teoria foi
feito por John Henry Altshuler, M.D., médico
patologista e hematologista que estudou na
Universidade McGill e trabalhava no Rose Medical
Center, em Denver, 1967. Em setembro daquele
ano, mostraram-lhe o cadáver de uma égua
chamada Lady, na fazenda Harry King, no vale San
Luis, Colorado. A égua havia sido morta e mutilada
na noite de 7 de setembro de 1967. Ao ser levado
pela polícia para ver o animal cerca de dez dias
após a noite do ocorrido, o Dr. Altshuler disse: "As
bordas externas da pele cortada estavam firmes,
quase como se tivessem sido cauterizadas com
um laser moderno. Mas em 1967 ainda não existia
tecnologia de cirurgia a laser como aquela." Ele
prosseguiu:
Cortei amostras de tecido da borda firme e mais
escura. Mais tarde, observei o tecido com um
microscópio. Em nível celular, havia descoloração
e destruição compatíveis com alterações causadas
por queimadura.
O mais espantoso era a ausência de sangue. Devo
já ter feito centenas de autópsias. E impossível
cortar um corpo sem encontrar um pouco de
sangue. Mas não havia sangue na pele nem no
solo. Nada de sangue. Aquilo foi o que mais me
impressionou.
E depois me lembro de ter dado pela falta de
órgãos dentro do peito da égua. Quem quer que
tivesse feito o corte, levou o coração, os pulmões e
a tiróide da égua. O mediastino estava
completamente vazio — e seco. Como seria
possível tirar o coração sem uma gota de sangue?
Tratava-se de uma inacreditável dissecação de
órgãos sem nenhuma prova de sangue.
Há quem pense ser possível que entidades
ufológicas dotadas de alta tecnologia fizessem
incisões para as quais fosse necessária uma
tecnologia desconhecida do homem. É
interessante observar a tendência a se descartar
cultos satânicos pelo fato de seus participantes
terem apenas faculdades humanas comuns. Em
época anterior, quando acreditavam nos poderes
sobrenaturais da bruxaria, a teoria do culto
satânico teria parecido bem mais convincente.
Grande parte das provas de uma possível ligação
entre os óvnis e as mutilações de animais tem sido
circunstancial, embora existam alguns relatos de
testemunhas oculares quanto ao direto
envolvimento dos óvnis neste caso. Muitos têm
sido os relatos sobre luzes estranhas no céu nos
mesmos momentos e nos mesmos lugares onde
ocorriam mutilações, e já foram encontradas pistas
de solo típicas de óvnis perto dos corpos de
animais mutilados. Também já foram vistos
estranhos helicópteros não-identificados — um
fenômeno inexplicado tantas vezes constatado em
relação a contatos com óvnis.
A ligação com o helicóptero
Para muitos, a ligação helicóptero/óvni parece um
tanto sinistra e ameaçadora por si só e por isso
farei aqui algumas observações a respeito dela. No
famoso caso Cash-Landrum, segundo foi relatado,
duas mulheres e uma criança sofreram
aparentemente queimaduras de radiação num
contato com um objeto voador ígneo com forma
de diamante e acompanhado por cerca de 23
helicópteros bimotores. Neste caso, o objeto, e
com certeza os helicópteros, pareciam pertencer
às forças armadas americanas, apesar de isto ter
sido negado por oficiais militares quando o assunto
foi levado à justiça pelas duas mulheres.
Em outro caso, os contatos Betty e Bob Luca
relataram que negros helicópteros não-identificados fizeram repetidos vôos rasantes
sobre a casa deles, seguiram seu carro, chegando
inclusive a voar de forma rasante sobre áreas
onde eles estiveram acampados. (Betty Luca é o
nome de Betty Andreasson após seu segundo
casamento.) Esta parece ser uma experiência
típica de testemunhas de contato imediato. Houve
quem especulasse que oficiais militares a bordo de
helicópteros estivessem confundindo testemunhas
de óvnis em vão, ou que óvnis disfarçados de
helicópteros as estivessem atormentando. De
qualquer modo, o fenômeno tem a qualidade
negativa e insensata associada ao tamo-guna.
Ed Conroy, jornalista e escritor de um livro sobre
Whitley Strieber, também relatou ter sido
repetidas vezes perseguido por helicópteros
misteriosos.
Em certa ocasião, ele viu um helicóptero voar por
trás do Tower Life Building, em San Antonio,
Texas, e não aparecer do outro lado. Noutra, viu
dois helicópteros voando tão próximos um do
outro que era para seus rotores terem se
emaranhado como batedeiras de ovos. Sua
vizinha, Linda Winchester, também viu a mesma
coisa. Curiosamente, Whitley Strieber relatou um
incidente quase idêntico: "Certa vez, vi — na
presença de duas outras testemunhas — dois
desses helicópteros em vôo rasante sobre uma
área populosa com seus rotores emaranhados
como se fossem batedeiras de ovos."
Em casos como estes, os helicópteros parecem ser
ilusões. Como os óvnis são, segundo se relata,
capazes de se fazerem invisíveis, nada indica que
semelhantes ilusões pudessem ser meros disfarces
destinados a fazer os óvnis parecerem naves
aéreas comuns. Assim como acontece com muitas
manifestações de óvnis, os helicópteros-mistério
são difíceis de explicar. Talvez, segundo uma
interpretação mais simples, eles funcionem para
mostrar às pessoas que certos poderes do mundo
fogem ao entendimento humano.
Pistas de solo em casos de mutilação
Marcas de solo semelhantes a típicas pistas de
óvnis também têm sido vistas nos locais das
mutilações. No caso de Lady, por exemplo, foi
encontrado um arbusto quebrado a cerca de 12
metros do corpo da égua, e "ao redor do arbusto
havia um círculo de noventa centímetros formado
por seis ou oito orifícios no solo, cada um com
cerca de dez centímetros de lado a lado por oito a
dez centímetros de profundidade".
Desde fins da década de 1960, muitos artigos de
jornal têm analisado as possíveis ligações entre os
óvnis e as mutilações de animais. Exemplo disto é
a matéria "Óvnis atacando vacas? isto não é deste
mundo", publicado em The Dispatch, de St. Paul,
Minnesota, em 27 de dezembro de 1974. Ela
relacionava declarações do pesquisador ufológico
Terrance Mitchell, tais como: "Estou convencido de
que a extração de orelhas, úberes e outras partes
de animais faz parte de uma investigação
científica realizada por seres usuários de óvnis."
Para ele, o argumento definitivo foi uma novilha de
210 quilos encontrada morta no dia 1º de
dezembro de 1974, em terras do fazendeiro Frank
Schifelbien, de Meeker, Minnesota. "A novilha foi
encontrada morta num perfeito círculo de terreno
sem vegetação, sobre um campo coberto de neve,
sem que nenhuma pegada tivesse sido encontrada
em parte alguma da vizinhança, segundo
depoimentos de policiais a Mitchell." Mitchell
descartou a teoria segundo a qual membros de
seitas teriam sido responsáveis por aquilo pelo
fato de não terem, neste caso, deixado pegadas
visíveis na área. Salientou ainda o fato de fotos
aéreas terem revelado uma série de descoloridos
círculos perfeitos, com diversos centímetros de
diâmetro, num pasto próximo ao corpo da novilha.
Uma história de mutilação semelhante ocorreu em
Cochran, Texas, em 1975. Uma novilha morta foi
encontrada na fazenda de Darwood Marshall no
meio de um "círculo perfeitamente redondo",
segundo relato do delegado Richards de Cochran.
Não havia, segundo o relato, sinal de sangue no
corpo da vaca nem no solo em volta dela.
Enquanto Richards investigava este caso, Darwood
Marshall encontrou um bezerro morto e mutilado a
cerca de meio quilômetro à oeste. Este animal
jazia no meio de um círculo com cerca de 90
centímetros de lado a lado. Este círculo, tal como o
primeiro, era um queimado trecho de terra num
campo de trigo novo de cerca de dez centímetros
de altura.
Richards especulava sobre uma possível ligação
com as visões de óvnis:
Apesar de ter ouvido relatos sobre óvnis na área,
eu próprio ainda não vi um sequer. As pessoas que
fazem estes relatos sempre contam a mesma
história. Ele (o óvni) é quase tão largo quanto uma
rodovia de duas pistas, redondo e de cor parecida
com a do Sol poente, além de ter um fulgor
azulado ao seu redor. Dois ou três dias após
alguém dizer ter visto esta coisa, ficamos sabendo
da mutilação de alguma vaca. Embora eu
desconheça a identidade deste fenômeno, sem
dúvida, trata-se de algo que tem incomodado todo
mundo por aqui.
Relatos humanóides em casos de
mutilação
A pesquisadora Linda Howe relata ter ouvido
delegados, fazendeiros e colegas jornalistas
contarem muitas histórias confidenciais que
associam os óvnis a mutilações de gado. Ela
também cita depoimentos diretos ligando os óvnis
e as entidades humanóides a casos de mutilação
de gado. Em abril de 1980, por exemplo, perto de
Waco, Texas, um pecuarista caminhava em sua
terra à procura de uma vaca perdida quando
avistou duas criaturas de l,20m de altura a cerca
de noventa metros de distância. Eram verdes ou
vestiam verde, tinham cabeças ovais e
carregavam um bezerro. Ele disse ter conseguido
ver os olhos delas, os quais descreveu como "olhos
de abrunho, como grandes amêndoas negras".
Como já havia lido a respeito de raptos por óvnis
(fato que deveria ser levado em conta ao se
avaliar seu depoimento), ele correu para seu
caminhão com medo de ser raptado. Dois dias
mais tarde, voltou ao local com sua esposa e filho
para encontrar o traseiro vazio de um bezerro
revirado por cima de seu crânio, junto de uma
coluna vertebral completa, mas sem as costelas.
Ele relatou não haver sangue sobre os restos e
nenhum sinal de aves de rapina.
Em maio de 1973, aconteceu, perto de Houston,
Texas, segundo se relatou, um contato imediato
no qual uma testemunha observou um bezerro
sendo mutilado por entidades ufológicas.
Mencionei este caso no Capítulo 5 como exemplo
de comunicações de óvnis advertindo quanto aos
efeitos adversos da poluição ambiental e dos
testes nucleares.
A testemunha, Judy Doraty, dirigia acompanhada
de quatro familiares quando os cinco viram no céu
uma luz muito brilhante que lhes seguia o carro.
Os familiares se lembraram de Judy estacionando
no acostamento da estrada e saindo na direção da
traseira do carro, depois voltando, entrando e se
queixando de sede e náuseas. Este episódio
parece ter incluído um lapso de uma hora e quinze
minutos na memória de Judy, o qual foi apurado
mediante a hipnose administrada em 3 de março
de 1980 pelo psicólogo Leo Sprinkle.
Sob hipnose, Judy Doraty se recordou de uma
experiência de bilocação, durante a qual ela
parecia estar tanto ao lado do carro quanto dentro
de um óvni onde seres estranhos mutilavam um
bezerro. Também viu os seres examinando sua
filha na nave. Aquelas criaturas, apesar de
semelhantes aos grays típicos, não eram
exatamente idênticas a eles. Tinham pele fina e de
aparência pastosa, narizes e bocas imperceptíveis
e olhos bem grandes que não piscavam. Os olhos,
porém, em vez de serem negros, tinham pupilas
verticais e íris de um amarelo empalidecido.
Falavam inglês produzindo um som bastante
monótono, mas sem usar a boca. Aquilo parecia se
tratar de comunicação mental, como de costume.
O bezerro foi içado para a nave, contorcendo-se e
se debatendo, por um feixe de pálida luz amarela,
que parecia ter solidez. A luz parecia ser sólida ao
tato, e formigava com partículas como grãos de
poeira num raio de sol. Uma vez a bordo da nave,
o bezerro teve partes de seu corpo amputadas
enquanto ainda estava vivo. Fluidos e outras
secreções do corpo foram sugados por intermédio
de tubos, e diferentes órgãos foram colocados em
diferentes "bacias" ou áreas côncavas. Segundo os
seres explicaram a Judy mentalmente, sua
intenção, ao esquartejarem vacas e outros
animais, é de controlar a disseminação, pelo
ambiente, de alguma espécie de veneno que
acabará afetando os humanos. Por fim, encerrada
a operação, o cadáver do bezerro foi devolvido ao
solo pelo feixe de luz.
Este relato tem a qualidade surrealista de muitas
histórias de contato imediato com óvnis. Quer
tenha sido real ou ilusória, a experiência de Judy
Doraty com os seres foi de uma vividez
surpreendente. Seu conteúdo, no entanto, parece
ilógico. Não parece ser necessário mutilar animais
de maneira grotesca para controlar a poluição.
Seria de presumir que seres capazes de produzir
feixes antigravitacionais tivessem capacidade de
detectar poluentes em animais sem precisar feri-los. E, mesmo sendo necessário cortar os animais,
não seria preciso deixar seus corpos jazendo nas
fazendas. Talvez esta atividade seja planejada —
por quem quer que seja responsável pelas
mutilações — como uma forma de amedrontar as
pessoas com alguma ameaça desconhecida.
Assim como os casos das criaturas da Pensilvânia,
as mutilações de gado parecem combinar as
qualidades negativas do tamo-guna com eventos
misteriosos envolvendo poderes paranormais. O
depoimento de Doraty é interessante em especial
por envolver uma experiência de ingresso num
óvni em estado de consciência extracorporal,
assunto que analisarei com mais minúcia no
Capítulo 10. Segundo Doraty, sua experiência
extracorporal foi de algum modo espontânea e,
segundo lhe disseram os seres, não fora intenção
deles trazê-la a bordo. Não obstante, mesmo
estando eles empenhados na grosseira operação
física de esquartejamento de um bezerro, não lhes
foi difícil vê- la e se comunicarem com ela num
nível sutil.
Esta faculdade de atuar nos níveis grosseiro e sutil
é típica de muitos dos humanóides descritos na
literatura védica, e os macabros atos de mutilação
fazem lembrar determinados grupos de seres
influenciados pelo modo da ignorância. Se tais
seres estão mesmo mutilando animais, seria de se
perguntar o motivo para estarem fazendo isto
neste período em particular. Não tenho como
responder a esta pergunta com certeza, é claro.
Mas, como uma possível resposta, os seres
estariam perturbados com atividades humanas
atuais envolvendo os testes nucleares e a poluição
do meio ambiente. Afinal, foi este o motivo que
eles deram a Judy Doraty. Se é mesmo verdade
que certas atividades humanas têm perturbado
seres influenciados pelo modo da ignorância,
talvez as mutilações de animais sejam, então,
apenas a forma de eles manifestarem seu
descontentamento.
Entidades ufológicas hostis aos
humanos
A mutilação de animais acaba preocupando as
pessoas pelo fato de sugerir a possibilidade de os
seres humanos também estarem sujeitos a danos
ou morte deliberados infligidos pelas entidades
ufológicas. Diversas categorias de provas sugerem
a possibilidade de que semelhante comportamento
hostil venha a se concretizar. Estas provas variam
num continuam de aterrorizantes e traumáticos
casos de rapto a raros casos de violência explícita.
Nesta seção, darei alguns exemplos destas provas.
Começarei com uma história de rapto que, além
de ter sido incomumente traumática, apóia a idéia
de uma ligação entre os óvnis e as mutilações de
animais, contendo, ainda, sombrias pistas de mais
atividades hostis praticadas contra os seres
humanos. Devo avisar ao leitor, contudo, que no
Capítulo 10 darei outra possível interpretação para
este caso.
O caso de Cimarron, Novo México
Uma mulher de 28 anos e seu filho de seis alegam
ter visto cinco óvnis descendo perto de uma
pastagem, enquanto voltavam para casa, de carro,
por uma estrada próxima à Cimarron, Novo
México. Ela guardava lembranças confusas de um
contato imediato e relatou um tempo perdido de
cerca de quatro horas. Mais tarde, a mulher
passou por uma série de sessões de hipnose com o
Dr. Leo Sprinkle, de 11 de maio a 3 de junho de
1980, na presença de Paul Bennewitz, que fazia
investigações como representante da Organização
de Pesquisa de Fenômenos Aéreos (APRO).
Aflorou daí um relato de rapto muito perturbador.
Embora este seja um relato por demais bizarro e
horripilante, acho importante apresentá-lo de
modo a estabelecer uma visão equilibrada das
experiências recontadas por testemunhas de
óvnis. O resumo a seguir se baseia em notas feitas
por Leo Sprinkle durante as sessões de hipnose.
Sob hipnose, a mulher primeiro relatou ter visto
luzes brilhantes e testemunhado a mutilação de
uma vaca. "Eles estão pousando. Meu Deus!... A
vaca está ganindo; é horrível, é horrível! É muita
dor. É dor demais!" Ela descreveu uma fina faca
prateada de cerca de 45 centímetros de
comprimento por um centímetro de espessura,
que foi enfiada no peito da vaca. Enquanto a vaca
ainda estava viva e se debatendo, as entidades
amputaram-lhe os órgãos genitais com um
movimento de corte circular.
Em seguida, ela relatou ter sido capturada com
seu filho por vários seres de aparência estranha,
sendo levados para dentro de naves diferentes.
Estes seres usavam uniformes de cor marrom-escura com uma insígnia laranja e azul composta
por "três linhas verticais e uma linha horizontal
inferior".
A princípio, ela não conseguiu se mexer, mas, tão
logo recuperou a capacidade de movimento,
começou a fazer um esforço violento. Embora
estivesse presa, conseguia chutar e gritar e xingar
seus captores. Lembrou-se de ter sido despida à
força e relatou um exame físico forçado, incluindo
uma sonda vaginal. Segundo dizem, depois ela
passou a sofrer de uma infecção vaginal
gravíssima.
Embora alguns dos seres a tratassem com
aspereza, outros mostravam curiosidade: "Eles
acham engraçado — adoram meu cabelo. Suas
cabeças são grandes. Mas não têm cabelo algum,
nem sobrancelhas. O ser amável da primeira nave
ficou fascinado com minhas sobrancelhas e meus
cílios. Eles não piscam!"
Enquanto tudo isto acontecia, um homem alto e
parecendo ictérico, vestido de branco e de
aparência diferente da dos outros, irritou-se.
Conforme declarou, não era para terem trazido a
mulher: "Eles me pedem desculpas. Justificam-se
dizendo: 'Essas coisas acontecem; é uma pena.
Mas o menino está bem. (...) Pedem-me para
entender que aquilo [a mutilação da vaca] era
necessário." Os seres lhe fizeram este comunicado
por via telepática, mas se comunicavam entre si
usando a linguagem falada. Outro detalhe: o
homem alto queimou o rosto dela, talvez sem
querer, ao tocá-lo com a mão.
Então, ele pareceu ordenar que castigassem os
outros seres: "Lembro-me de tê-los visto nus da
cintura para cima, magros, costelas, clavículas,
mais costelas que nós — não sei. A magreza deles,
suas mãos tão finas, e mesmo assim conseguiam
me erguer. (...) Garras não, unhas compridas e
nodosas. Parecem ríspidos, ossos tão pequenos e
finos. (...) Um deles tem nariz torto, arrebitado e
torto. Andam arrastando os pés."
Estes seres também ostentavam roupas bizarras,
mas de aparência distintamente humana. "Havia
uma gola de monge franciscano. Cinto, botas do
tipo militar, remendo. Feios, brigões, rudes. Um
era feminino. Usava uma gola franzida — período
vitoriano? Não parecia confortável. Remendo.
Cabeça achatada, orifícios fazendo às vezes de um
pequeno nariz — ou apenas dois orifícios. Verde-ervilha. Honestamente: ela era verde! Ainda não
consigo acreditar no que vi! (...) Como eles podem
ser assim?"
Em seguida, o homem alto levou-a a um tortuoso
passeio por uma série de lugares estranhos, talvez
em naves diferentes. Há descrições de um cômodo
imenso com painéis de controle e telas de tevê de
24 polegadas, e alguma espécie de elevador. A
certa altura, ela viu um planeta: "Sobre a mesa,
luz branca em meus olhos, a decolagem, como
meu corpo engordou — comando! Pesado! (...)
Entramos num cilindro redondo — swoosh! Sala
enorme! De tirar o fôlego! Estrelas para todo lado.
Bonito, muito bonito. Vejo um planeta. É grande,
branco, preto, branco aqui e preto. Só vejo a
metade de cima. Eles não precisam me dizer que
não posso me aproximar da janela — dá para
perceber."
A seqüência de eventos é confusa, e ela também
atribuiu confusão a seus captores. "Quando o
homem de branco entra e restaura a ordem, sinto
que ele me respeita. Ele parece velho, bem velho.
(...) Parece irritado, mas não comigo. (...) Tenho
medo, não dele, mas de sua confusão. Preocupa-me o fato de eles não saberem o que estão
fazendo." Repetidas vezes lhe disseram ser
"lamentável eles terem de fazer aquilo".
A nave em que ela estava pareceu pousar. "Estou
excitada, em êxtase, e não amedrontada. Acho
que eles me levaram para algum lugar importante.
(...) Entram mais pessoas como o homem de
branco, embora nem todas estejam vestidas de
branco. São cinco pessoas, duas olham de forma
diferente: olhos estreitos. Não são esverdeados
nem fendidos, como os dos seres da primeira
nave, mas não são grandes. Parecem ser
importantes! Talvez médicos ou cientistas. Não sei
por que não sabem o que fazer comigo. Não me
deixam ir até a janela, mas posso ver naves,
atividade, o esboço do terreno, íngreme, mas não
da altura de uma montanha." Nesse momento, ela
observou que fazia muito frio, tendo também se
apercebido de um zunido perturbador.
"São muito gentis; é bela a forma como se
movimentam. Todos andam arrastando os pés,
grandes passadas. Mais altos que eu. Um metro e
oitenta ou mais." Como os demais, estes seres
careciam de cabelo, mas estavam vestidos de
forma atraente, e três tinham aparência bastante
humana. Apesar de terem lhe pedido perdão, não
lhe deram permissão para falar a respeito da
experiência.
Em outra sessão, ela também disse que eles
mencionaram alterações: "Não quero mais falar
sobre ele. Deixa pra lá. (...) Alterações — falaram
das 'alterações necessárias' para me trazerem de
volta." A palavra alterações parecia se referir aos
implantes colocados pelas entidades no corpo da
mulher, implantes supostamente encontrados no
corpo dela por meio de tomografia.
Enquanto era conduzida para fora da nave, ela
reconheceu o panorama: parecia ser a área de
Roswell, Novo México, a oeste de Las Cruces. Um
elevador levou-a a um complexo subterrâneo
infestado de seres estranhos e troando com a
água de um rio subterrâneo. "Eles gostam de
minha reação — espanto! Incrível! Cidade-base de
operação." Nessa altura, ela viu seu filho num
relance e foi outra vez separada dele.
Então, reagindo horrorizada, ela conseguiu se
desvencilhar e fugiu para um recinto com grandes
tanques que pareciam estar cheios de alguma
espécie de peças de anatomia, boiando em fluido
corrente: "Abaixo de mim, vejo tanques d'água.
Algo me aterroriza. (...) Parte superior de cabeça
calva. Luz fraca. (...) Acho que estou vendo um
braço com a mão — humano! Mais alguma coisa
vermelha e parecida com sangue. Meu Deus! Esta
visão me apavora. Ahh! Línguas, enormes; elas
parecem bem grandes. Estão imersos em líquido,
bem escuro. (...) Eles me encontraram, mas,
quando me encontraram, eu estava num canto,
chorando sentada no chão."
Ao ser recapturada, ela foi levada para uma sala
onde foi submetida a tratamento traumático,
talvez com o propósito de obliterar sua memória.
"Ai! É uma dor tão intensa! Clarões, luz brilhante
cintilando, alguma coisa parecida com dois fios
ligados a uma lâmpada. Whoosh, whoosh, luz!
Estou gritando. Meu filho chora. Estão fazendo o
mesmo com ele. (...) Quer saber de uma coisa?
Eles não gostam de nós. Agora os vejo como algo
monstruoso. Sinto como se tivesse estado em
Auschwitz."
Após este tratamento, ela e o filho foram levados
de volta a uma das naves. Enquanto a nave voava
pelo ar, mostraram-lhe seu carro, estacionado a
bordo. Mãe e filho foram colocados nele, e o carro
foi transferido delicadamente para o solo. Em
seguida, ela dirigiu para casa sem nenhuma
memória consciente de suas experiências a bordo
dos óvnis.
Muitos elementos desta história extraordinária
aparecem com freqüência em casos de rapto por
óvnis, inclusive o exame físico, a comunicação
telepática, o estranho zunido ouvido pela mulher,
a manifestação de emoções, tais como a irritação
e a curiosidade, por parte das entidades
humanóides e a transferência do carro da mulher
para um dos óvnis. A possível inserção de
implantes no corpo da mulher é também uma
característica que este caso compartilha com
outros descritos por Budd Hopkins e Raymond
Fowler.
Há ainda aspectos desta história que são
incomuns. Um deles, claro, é a alusão a uma base
subterrânea infestada de seres alienígenas e
localizada em alguma parte do Novo México. Este
assunto é bastante controvertido, tendo sido
analisado por alto no Capítulo 3 (páginas 137-42)
em relação a teorias de conspiração entre o
governo e os alienígenas. Ali, mencionei as
alegações, pelo jornalista Howard Blum, de que
Paul Bennewitz teria sido desinformado a respeito
de conspirações do governo e bases alienígenas
subterrâneas por agentes militares americanos
trabalhando em cooperação com o pesquisador
ufológico William Moore.
Deste modo, o caso Cimarron está envolvido numa
controvérsia sobremaneira convulsionada e
repleta de especulações e contra-especulações
paranóicas. Segundo Blum, a regressão hipnótica
da mulher feita por Leo Sprinkle ocorreu antes do
período de campanha de desinformação do
governo contra Bennewitz. Ao mesmo tempo,
parece haver discrepâncias na versão da história
apresentada por Blum. Ele diz, por exemplo, que
Sprinkle consultou Bennewitz porque estava
perplexo com o caso da mulher, ao passo que,
segundo indica a documentação de Linda Howe,
Bennewitz conheceu a mulher primeiro e em
seguida encaminhou-a a Sprinkle.
Ao avaliarmos este caso, devemos ter em mente
esta informação de fundo. Também devemos levar
em consideração o fato de haver outras provas,
extraídas de relatos sobre óvnis, sugerindo a
possibilidade de diversas raças humanóides terem
bases subterrâneas ou submarinas na Terra —
embora estas talvez não tenham nenhuma ligação
com o governo americano. Filiberto Cardenas, por
exemplo, relatou que o levaram a uma base
submarina (páginas 207-09). De forma
semelhante, Betty Andreasson disse ter vivido
uma experiência de rapto aos treze anos de idade,
quando levaram-na através da água até um
complexo subterrâneo.
Um aspecto surpreendente do caso Cimarron é o
fato de as entidades alienígenas parecerem ser de
diversos tipos físicos. Por estranho que pareça, a
declaração da mulher, de que alguns dos seres
têm "mais costelas do que nós", equipara-se à
descrição de um corpo alienígena supostamente
resgatado por oficiais militares americanos de um
disco voador que colidiu em 1948 no México, perto
do rio Sabrinas, ao sul de Laredo, Texas. Segundo
sustentou um participante anônimo desta
operação de resgate, em cartas escritas entre
1978-80, naquele corpo, "todo o abdome estava
coberto por uma espécie de estrutura de costelas
que ia até os quadris".
Incomum vestuário alienígena
Talvez o aspecto mais bizarro da história de
Cimarron seja o vestuário das entidades, parecido
com algo que se poderia encontrar numa loja de
fantasias. Todavia, este mesmo aspecto é
confirmado pela história de Filiberto Cardenas,
cuja viagem a uma base submarina em 1979
incluiu um encontro com uma personagem
alienígena entronizada, usando um manto e uma
corrente com jóias. Também é confirmado por
outro caso de contato, aparentemente
independente, acontecido, segundo se relatou,
alguns meses após o incidente em Cimarron, na
mesma região dos Estados Unidos.
Em 1980, uma semana antes do Dia de Ação de
Graças, um casal dirigia ao norte de Denver. O
homem, um artista comercial, relatou ter visto
uma "luz azul-celeste", após o que o casal passou
por uma hora de perda de tempo. A regressão
hipnótica foi realizada em 5 de julho de 1984 por
Richard Sigismund, um sociólogo de Boulder,
Colorado. Sob hipnose, a mulher disse que eles
foram içados em seu carro por um feixe luminoso
e transportados para uma nave próxima dali,
pousada sobre esteios. Um "homem" alto e calvo
num manto azul os chamou por hipnose.
Em sua descrição desta cena, o homem reagiu ao
aparente absurdo do traje do ser:
Ele está olhando para nós, dizendo-nos para
entrar. Ele é o líder. O líder vestido num manto
azul. Que estupidez! Isto não tem lógica. Este
manto é ilógico. Ele não precisa de um manto. Não
um manto desses. (...) Ele não fala com a boca. Ele
fala com a mente.
Atraídos pela influência do ser, eles entraram na
nave e foram submetidos a um exame físico feito
por um humanóide vestindo uma túnica amarela
com gola de renda. A mulher, grávida na época,
sentiu-se violada e estuprada, e contraiu uma
doença grave após o rapto. No entanto, constatou-se mais tarde que seu filho tinha 170 de QI.
Existem outros relatos apresentando entidades
vestidas em trajes estranhos. Um exemplo disto é
o contato amistoso da Sra. Cynthia Appleton com
belos e altos seres vestidos em roupas de plástico
com golas "elisabetanas" (veja página 448). Outros
exemplos são os apliques com emblemas de
serpente usados pelos seres nos três casos de
rapto envolvendo Filiberto Cardenas, William
Hermann e Herbert Schirmer (veja página 231).
Em muitos casos de óvnis os seres são descritos
como estando vestidos em uniformes justos e
nada interessantes, ao passo que, em outros,
descrevem-se uniformes espaciais ou trajes de
"mergulho".
O estranho vestuário às vezes relatado no caso de
contatos com óvnis parece ressoar com a
psicologia humana. Em especial, as fantasias de
bruxas com cinturões, mantos e insígnias parecem
se enquadrar na categoria do tamo-guna, que se
caracteriza por sonhos e loucura. É tentador supor,
então, que contatos envolvendo indumentárias
estranhas são uma projeção de mentes humanas
perturbadas. Porém, conforme indicam provas já
analisadas neste livro, pessoas avaliadas como
normais do ponto de visto psicológico também têm
relatado semelhantes contatos. Existem, ainda,
muitas provas indicativas da realidade física de
certos óvnis. Cabe, portanto, considerar o fato de
seres reais influenciados pelo tamo-guna estarem
envolvidos em alguns casos nos quais se
observam trajes estranhos. Nestes casos, o
vestuário poderia ser costumeiro para as
entidades, ou ser adotado por elas para
impressionar testemunhas humanas.
Não sei de nenhum caso de contato imediato em
cujo relato constassem entidades ufológicas
usando as roupas comuns do país onde o mesmo
ocorreu. Por exemplo: imagine-se sendo levado a
bordo de um óvni por seres olhudos vestindo
ternos e gravatas convencionais. Há, contudo, as
visitas dos "homens de preto", que analisarei mais
adiante neste capítulo (páginas 400-03).
Além dos casos onde se relatam trajes bizarros, há
também contatos envolvendo belas
indumentárias, ou pelo menos um efeito genérico
de beleza. O caso de Fátima (páginas 360-74) é
um exemplo disto, e outro exemplo é o caso da
dama da varíola constante no Apêndice 3. Vallee
cita um exemplo, que remonta a 1491 e foi
relatado por um famoso matemático italiano
chamado Jerome Cardan (1501-76). Em seu livro
De subtilitate, Cardan conta a seguinte história,
testemunhada por seu pai:
13 de agosto de 1491. Tendo eu já encerrado os
ritos costumeiros, por volta da 12
a
hora do dia,
sete homens apareceram para mim vestidos em
trajes de seda, semelhantes às togas gregas, e
calçados, por assim dizer, com sapatos brilhantes.
As roupas de baixo sob seus peitorais cintilantes e
avermelhados pareciam ornadas de carmesim e
eram de glória e beleza extraordinárias.
Os homens disseram que eram "compostos, por
assim dizer, de ar", viviam cerca de trezentos anos
e estavam sujeitos a nascimento e morte.
Conversaram com o Cardan pai por mais de três
horas sobre diversos assuntos filosóficos e
discordaram entre si sobre a causa do universo.
Jerome Cardan concluiu seu relato do encontro do
pai dizendo: "Quer isto seja fato ou fábula, assim o
foi."
Para efeitos de comparação, eis como o
Mahãbhãrata descreve o vestuário dos devas, nas
palavras do sábio Vyãsadeva a um rei chamado
Drupada:
Em seguida, Srila Vyãsa, o sábio puro cujas obras
são tão magnânimas, conferiu, com sua força
ascética, visão divina ao rei, que viu então todos
os filhos de Pãndu tal como eles eram em seus
corpos anteriores. O rei viu os cinco jovens sob
suas formas celestiais de regentes do cosmo, com
elmos dourados e guirlandas, da cor do fogo e do
Sol, de peito amplo, esbeltos, com ornamentos
coroando suas cabeças. Não havia uma partícula
sequer de poeira em suas vestes celestiais, que
eram tecidas em ouro, e os Indras brilhavam
sobremaneira com valiosíssimos colares e
guirlandas. Dotados de todas as boas qualidades,
eles eram como expansões do próprio Siva, ou
como os vasus e ãdityas celestiais.
Segundo consta, os devas estão no sattva-guna,
ou modo da bondade. Suas vestes costumam ser
de imaculada beleza, e sempre são descritos com
ênfase para sua brilhante refulgência. Isto pode
ser contrastado com casos envolvendo
humanóides estranhos ou amedrontadores com
suas roupas às vezes bizarras. Nestes casos,
parece haver uma justaposição de aspectos
característicos do tamo-guna.
Ataques diretos a seres humanos
É evidente o paralelo existente entre uma série de
aspectos do caso Cimarron e outros casos de
óvnis. Isto não prova a autenticidade da história da
mulher, é claro, mas nossa credulidade por certo
há de ficar enfraquecida por meu próximo tema de
análise — a parte a respeito dos órgãos flutuando
em tanques. Estes órgãos poderiam ser da vaca
que a mulher viu sendo mutilada, mas ela também
mencionou uma cabeça e uma mão flutuando.
Seriam estas partes de vítimas humanas? Até o
momento, não são muito significativas as poucas
provas diretas que encontrei em publicações
sérias sugerindo já ter havido alguma mutilação de
humanos.
Eis um possível incidente de mutilação humana,
ocorrido na Índia em 1958 e relatado pela
pesquisadora ufológica britânica Jenny Randles. A
testemunha, um negociante indiano, preferiu se
manter no anonimato e não permitiu que a
gravação de seu depoimento fosse publicada.
Segundo sua história, em plena luz do dia ele viu
aterrissar um óvni e dele saírem quatro entidades
de um metro de altura. Logo em seguida, dois
meninos que brincavam em rochedos próximos da
área foram dados como desaparecidos. Um deles
foi encontrado morto mais tarde, com diversos de
seus órgãos removidos, como que por meio de
"hábil cirurgia". O outro estava em transe
catatônico, morrendo cinco dias depois num
hospital sem falar uma palavra. Este caso se
enquadra no padrão de mutilação de animais, mas
as provas relativas a ele são fracas devido à
reticência da testemunha.
Jacques Vallee relata casos envolvendo ataques a
seres humanos, por óvnis equipados com armas
de feixe luminoso, nas florestas tropicais do norte
do Brasil. Nestes casos, um pequeno e peculiar
objeto em forma de caixa, conhecido na região
como chupa, é visto sobrevoando alguma área e
projetando um feixe brilhante de luz sobre o solo.
Às vezes, estes objetos atacam as pessoas
"espancando-as" com um feixe de luz de foco
exíguo. Estes feixes parecem ter uma variedade
de efeitos. Em alguns casos, eles provocam
doenças e, em outros, a vítima morre — ou devido
aos efeitos diretos do feixe ou devido a efeitos
colaterais tais como ataques cardíacos.
O caso de Raimundo Souza é um exemplo desta
última categoria. Raimundo era um caçador
profissional de quarenta anos, famoso por seu bom
estado de saúde, que morava em Parnarama,
perto de São Luís do Maranhão. A técnica de caça
usada por Raimundo e seus amigos era se
esconder à noite na floresta numa rede armada
nos galhos de uma árvore. Quando um veado
passava pela área, eles lhe ofuscavam os olhos
com a luz de uma lanterna. O veado ficava
paralisado de medo, tornando-se fácil atirar nele.
Certa noite de agosto de 1981, enquanto esperava
caça em sua rede, Raimundo riscou um fósforo
para acender um cigarro. Um objeto voador veio
disparado para cima da cabeça dele e apontou um
feixe luminoso para ele e seu companheiro de
caça, Anastácio Barbosa. Ao ver aquilo, Anastácio
saiu de sua rede e se escondeu sob alguns
arbustos, observando o objeto circular por cima da
sua cabeça. Na manhã seguinte, ele encontrou o
cadáver de Raimundo no chão com um braço
quebrado pela queda e com marcas roxas em
diversas partes do corpo, exceto o rosto. As
marcas eram circulares e raspadas como uma
machucadura, medindo de 2,5 a seis centímetros,
e não havia marcas de perfuração. Como não
fizeram autópsia, não se sabe ao certo a causa da
morte. No entanto, não houve suspeita de que
Anastácio fosse o assassino. Vallee conseguiu boa
parte da informação a respeito de Raimundo
Souza com o tenente Magela, que era chefe de
polícia em Parnarama em 1981-82.
De todo o material a que tive acesso, estes relatos
do Brasil são os únicos a sugerirem que feixes
luminosos projetados por óvnis teriam causado
fatalidades humanas. No entanto, existem
histórias comprobatórias segundo as quais as
pessoas teriam sido atacadas de forma violenta
por semelhantes feixes.
Vejamos este exemplo da Espanha. Em 28 de
janeiro de 1976, pouco após a meia-noite, um
fazendeiro de 24 anos chamado Miguel Carrasco
voltava a pé para casa, vindo da casa de sua
namorada em Bencazon, quando avistou um
poderoso feixe luminoso sendo disparado por uma
estranha nave pairando no ar. Tão logo ele
começou a correr, duas entidades magras e altas
emergiram da nave, cegando-o e paralisando-o
com um feixe. Ele voltou a si às 2h30, na soleira
da porta dianteira da sua casa, batendo com
violência e gritando: "O homem da estrela vai
voltar — deixe-me entrar e feche a porta!" Um
médico da região reparou, na bochecha de Miguel,
queimaduras estranhas, tratadas num hospital
local. Contudo, elas desapareceram em sete horas,
e o Dr. Mauricio Geara, o médico que tratou delas,
disse mais tarde: "Na verdade, não sabemos a que
se deveram aquelas queimaduras."
Eis outro exemplo, este do Arizona. Na noite de 5
de novembro de 1975, sete lenhadores voltavam
para casa após um longo dia de trabalho no
Parque Nacional Apache-Sitgreaves. Enquanto iam
de carro ao longo de uma esburacada estrada
floresta afora, viram uma luz amarela por entre as
árvores e, em breve, aproximaram-se a ponto de
conseguirem ver um óvni discóide pairando.
Movido pela curiosidade, um deles, Travis Walton,
saiu do caminhão e se aproximou da nave. Seus
seis colegas o viram cair estatelado pelo golpe de
um brilhante feixe luminoso verde-azulado que
emanava do óvni. Os homens fugiram apavorados
e, regressando após alguns minutos, já não
acharam Walton em lugar algum.
Quando os homens contaram sua história à oficiais
da justiça, estes a princípio suspeitaram de
homicídio. Entretanto, todos exceto um passaram
num teste de polígrafo indicando acreditarem na
veracidade de sua história de óvni. (Segundo se
avaliou, o homem que não passou no teste estava
abalado demais para fazer um teste de polígrafo.)
Após ampla revista, grupos de busca orientados
pela polícia não encontraram nem sinal de Travis
Walton. Porém, após cinco dias, ele reapareceu
contando ter voltado a si na presença de
estranhos alienígenas a bordo de um óvni.
Aparentemente, eles o haviam mantido entre eles
durante os cinco dias para em seguida o
libertarem à beira de uma estrada rural deserta.
Embora este seja só o começo da história de
Walton, neste caso apenas estou interessado no
fato de o relato do ataque pelo feixe luminoso ter
sido confirmado por seis testemunhas.
Em 1989, Francis P. Wall contou ao investigador
ufológico John Timmerman outra história
envolvendo um ataque por um feixe de irradiação.
Wall disse ter servido como cabo de primeira
classe do exército americano durante a guerra na
Coréia. No início da primavera de 1951, sua
companhia preparava um ataque de artilharia
contra uma aldeia na região de Iron Triangle, perto
de Chorwon. Um cintilante óvni discóide se
aproximou deles, e Wall pediu permissão ao
comandante de sua companhia para atirar nele.
Para tal, ele usou uma carabina M-l com balas
próprias para perfurar blindagem e ouviu o som de
metal atingindo metal. O objeto "se descontrolou"
e começou a se mexer de forma desordenada e a
acender e apagar sua luz. Então, o óvni pareceu se
preparar para atacar os homens ao aumentar a
rotação de alguma espécie de gerador:
Aí, veio um som, de um tipo que jamais tínhamos
ouvido antes, o som de... como de... locomotivas a
diesel aumentando de rotação. Era como aquilo
soava. E então veio o ataque — dava para chamá-lo assim, eu acho. De qualquer modo, fomos
varridos por alguma forma de raio que era emitido
em pulsações, em ondas só visíveis quando o raio
era apontado bem na nossa direção. (...) Tínhamos
a sensação de estar sendo queimados, um
formigamento no corpo todo, como se algo
estivesse entrando em nós.
Segundo declarou Wall, a princípio a irradiação
não pareceu causar efeitos nocivos. Porém, dando
prosseguimento a seu relato, ele disse: "Três dias
mais tarde, foi preciso evacuar toda a companhia
de ambulância. Como todos estavam fracos
demais para andar, foi preciso abrir estradas para
levá-los dali." Neste incidente, o feixe de
irradiação era diferente do relatado no caso
Walton. Entretanto, o ataque contra Walton
também foi precedido por um som que fazia
lembrar um motor possante. Ao descrever o
sucedido antes de ser atingido pelo feixe, Walton
disse: "De repente, fui surpreendido por uma
poderosa e ensurdecedora dilatação no volume
das vibrações oriundas da nave. Dei um pulo ao
ouvir o som, que era como aquele de uma
multidão de geradores de turbina dando a
partida."
Homens de preto
Os chamados Homens de Preto (Man in Black —
MIB) se enquadrariam em outra categoria de
provas envolvendo um possível comportamento
hostil de entidades alienígenas para com os
humanos. Numa história típica, um ou mais
homens estranhos visitam uma testemunha ou um
investigador ufológico e lhe ordenam que oculte
qualquer informação acerca do fenômeno
ufológico sob ameaça de violência se a ordem for
desobedecida. Em muitos casos, estes homens,
por serem de aparência tão perfeitamente
humana, acabam sendo encarados como agentes
do governo. Isto é típico de histórias envolvendo
oficiais militares que revelam informações sobre
óvnis em violação a seus juramentos de sigilo.
Em muitos casos, contudo, os visitantes
ameaçadores não parecem humanos em absoluto.
Em geral, estão vestidos em desconfortáveis trajes
negros, têm características corpóreas anormais e
manifestam formas de comportamento bizarras e
impróprias. Quando isto se combina a
demonstrações de estranhas faculdades
paranormais, tem-se a impressão de estar diante
de alguma espécie de ser espectral e não-humano
sob um tosco disfarce humano.
O psiquiatra Berthold Schwarz relata um típico
caso de MIB desta espécie, vinculado ao Dr.
Herbert Hopkins, médico morador de Orchard
Beach, Maine. Hopkins se envolveu com
investigações sobre óvnis ao usar a hipnose para
sondar as recordações de David Stephens,
testemunha de um contato imediato. Isto parece
tê-lo feito atrair a atenção de uma personalidade
um tanto estranha.
Na noite de sábado, 11 de setembro de 1976,
enquanto a esposa e o filho de Hopkins estavam
fora assistindo a um filme, seu telefone tocou. A
voz ao telefone se identificou como sendo do vice-presidente de uma organização de estudos sobre
óvnis de New Jersey que mais tarde Hopkins
constatou não existir. Como era desejo dele vir
conversar com Hopkins sobre o caso de rapto que
este estava investigando, Hopkins o convidou para
vir a sua casa.
O homem assomou quase que de imediato à porta
de Hopkins — aparentemente, sem ter havido
tempo para ele viajar de onde tinha feito a
chamada telefônica. Estava vestido como um
agente funerário num impecável terno preto, era
calvo e não tinha sobrancelhas nem cílios. Sentado
como um imóvel manequim de loja, pôs-se a fazer
uma série de perguntas a Hopkins em inglês
fluente, mas numa inexpressiva monotonia de
palavras proferidas a intervalos iguais. Quando
esfregou a boca reta e sem lábios com a mão
enluvada, deu para notar que estava usando
batom.
Após algum tempo de conversa, o homem disse
que Hopkins tinha duas moedas no bolso
esquerdo, o que era verdade, e pediu para ele
pegar uma delas. Tendo Hopkins tirado um
centavo do bolso, o homem pediu para o colocar
na palma da mão. Segundo Hopkins, "a nova e
cintilante moeda de um centavo tinha agora uma
brilhante cor de prata... aos poucos, a moeda
assumiu a cor azul-clara para em seguida se tornar
quase indistinta aos meus olhos. (...) Ficou mais
indistinta ainda, depois vaporosa, e foi sumindo
aos poucos". Declarando ser aquele um "truque
limpo", Hopkins pediu ao homem para fazer a
moeda reaparecer. Ele replicou: "Nem você nem
ninguém mais neste plano (e não planeta) jamais
verá aquela moeda outra vez."
O homem então perguntou a Hopkins se ele sabia
por que Barney Hill tinha morrido. Hopkins disse
achar que fora por uma doença prolongada. Mas o
homem respondeu que não: Barney morrera por
ter ficado sem o coração, assim como Hopkins
ficara sem sua moeda. Com isto, ele mandou
Hopkins destruir todas as suas fitas e outros
documentos relacionados ao caso de rapto de
Stephens, ao que Hopkins, amedrontado,
obedeceu.
Nessa altura, o homem, parecendo exaurido, disse
devagar: "Minha energia está se esgotando —
preciso ir agora — adeus." Ao sair, desceu os
degraus cambaleando. Enquanto o homem virava
a esquina de sua casa, Hopkins viu uma estranha
luz branco-azulada iluminando a entrada da
garagem. O homem prosseguiu na direção da
garagem, muito embora dali não tivesse para onde
ir. Depois, não foi visto mais.
Segundo Betty Hill, Barney Hill morreu de
derrame, e não de ataque cardíaco. Sendo assim,
eram incorretas as declarações do visitante sobre
a retirada do coração de Barney Hill. Não obstante,
tiveram o efeito pretendido, pois Hopkins logo
destruiu suas fitas e outros registros relacionados
ao caso de rapto de Stephens.
Que poderia servir de prova da veracidade da
história de Herbert Hopkins? Segundo depoimento
da sua esposa, voltando para casa após aquela
experiência, ela reparou que ele havia acendido
todas as luzes da casa e estava sentado à mesa da
cozinha com uma arma. Este comportamento
incomum, aliado à sua sinceridade ao contar a
história, foi suficiente para a convencer. Mas,
mesmo que houvesse outras testemunhas
oculares da história de Hopkins, isto ainda não
constituiria uma prova. Talvez, pode-se
argumentar, as testemunhas oculares estivessem
mentindo ou alucinando. E, se alguém alegasse ter
fotografado o homem de preto, seria possível
argumentar que talvez a fotografia fosse um
embuste.
Embora não haja como prová-la, a história pode
muito bem ser verdadeira. Caso o seja, trata-se de
um exemplo de comportamento sem dúvida hostil
e manipulatório. Como parecia anormal e
atrofiado, e usava poderes ocultos para causar
medo, o estranho homem se enquadra
perfeitamente na categoria védica de seres no
tamo-guna, ou modo da escuridão. Temos aqui
mais uma evidência associando pelo menos
algumas entidades ufológicas a seres desta
categoria.
Hostilidade de humanóides védicos
contra humanos
Até aqui, fiz menção sucinta dos seguintes tipos de
prova de hostilidade por parte de desconhecidos
seres inteligentes: (1) casos envolvendo monstros
amedrontadores, (2) macabras mutilações de
animais, (3) horrorosas experiências de rapto, (4)
ataques com armas de feixe luminoso, e (5) visitas
de "homens de preto" demoníacos. Além disso,
segundo sugerem algumas histórias, alienígenas
têm capturado e morto seres humanos, havendo,
ainda, uma ampla literatura sobre
desaparecimentos misteriosos que eu não me
detive em analisar aqui.
Todos estes eventos parecem ocorrer à margem
da consciência social humana. Embora alguns
deles causem sensação nos noticiários por algum
tempo, nenhum jamais sobressaiu o bastante para
ser reconhecido abertamente como verdadeiro por
órgãos civis e acadêmicos de caráter oficial. Em
parte, isto pode se dar em virtude de as pessoas
terem uma forte tendência a negar coisas que
pareçam incompreensíveis ou ameaçadoras. Esta
negação começa, claro, em nível individual,
podendo ser formalizada por políticas
estabelecidas dentro de instituições
governamentais e acadêmicas.
Também é evidente que os eventos ameaçadores
aqui analisados são mesmo marginais em função
do fato de não estarem representando, no
momento, graves interferências às atividades
humanas. As coisas seriam diferentes, por
exemplo, se uma força de invasão alienígena
ocupasse Londres, ou ainda se as pessoas
sofressem ataques regulares de armas aéreas de
feixe luminoso nas ruas de Nova York.
A pergunta natural é: "Se existem mesmo estes
seres desconhecidos e se eles estão fazendo todas
essas coisas, qual é, então, o plano deles e que
perspectivas têm para o futuro? Será que vão
invadir e ocupar o planeta, como talvez o
fizéssemos se estivéssemos na posição deles e,
caso contrário, por que não?" É difícil responder a
estas perguntas pelo exame dos relatos sobre
óvnis, pois, segundo tais relatos, as misteriosas
entidades ufológicas não se sentem inclinadas a
explicar com clareza seus planos às pessoas com
quem fazem contato.
No entanto, a literatura védica contém vasta
informação acerca das relações entre diversas
raças humanas e humanóides, tanto na Terra
quanto no espaço interplanetário. Como existem
fortes paralelos entre os relatos de fenômenos
ufológicos e as descrições védicas de raças
humanóides, esta informação poderá proporcionar
alguma compreensão a respeito das ações
ameaçadoras que as pessoas têm associado aos
óvnis. Nesta seção, portanto, analisarei alguns
exemplos, extraídos do Mahãbhãrata e do
Rãmãyana, da forma hostil com que raças não-humanas tratam os seres humanos.
Guerras nas estrelas e suas
conseqüências
Conforme um tema comum abordado pela
literatura védica, existem guerras nos céus entre
os devas e os asuras. Há uma hierarquia cósmica
que governa o universo de acordo com a lei divina,
havendo, também, elementos rebeldes que se
opõem a esta hierarquia. Como mencionei no
Capítulo 6 (páginas 258-59), o nível superior da
hierarquia universal é predominado por sábios
(chamados rsis e prajãpatis) que se interessam,
sobretudo, em meditação e desenvolvimento
espiritual e não se ocupam de contendas políticas.
O nível inferior, contudo, é controlado pelos devas,
que realmente se envolvem com política.
Em geral, os devas atuam como administradores
universais sob a autoridade dos sábios, que, por
sua vez, atuam sob a autoridade de Brahmã, a
primeira criatura do universo. No entanto, como
certos parentes dos devas se rebelaram contra
este sistema, seus descendentes têm travado
repetidas e extensas guerras contra os devas.
Entre estes seres, conhecidos como asuras,
incluem-se diversos subgrupos tais como os
daityas, descendentes de Diti, e os danavas,
descendentes de Danu.
Como seria de se esperar, as guerras entre os
devas e os asuras envolveram diversos reveses
causados por artimanhas políticas e técnicas de
ambos os lados. Eis uma ilustração disto extraída
do Bhãgavata Purãna, conforme narra o Rsi
Nãrada a um rei terrestre chamado Yudhisthira:
Maya Danava, o grande líder dos asuras, preparou
três residências [pura] invisíveis e deu-as aos
asuras. Estas moradas, semelhantes a aviões
feitos de ouro, prata e ferro, continham apetrechos
incomuns. Meu caro rei Yudhisthira, por causa
destas três moradas, os comandantes dos asuras
ficavam invisíveis para os devas. Aproveitando-se
desta oportunidade e se lembrando de sua antiga
inimizade, os asuras se puseram a conquistar os
três mundos — os sistemas planetários superior,
intermediário e inferior.
Nesta passagem, a palavra pura pode significar
residência ou cidade. Neste caso, os devas foram
salvos pelo Senhor Siva, que destruiu as três
cidades voadoras e desse modo obteve o nome
Tripurãri ("Inimigo das três cidades"). Eis outra
referência do Bhãgavata Purãna a guerras
interplanetárias:
Quando os ateístas, após se tornarem bem
versados no conhecimento científico védico,
aniquilarem habitantes de diferentes planetas,
voando invisíveis no céu em foguetes bem
construídos e projetados pelo grande cientista
Maya, o Senhor confundirá as mentes se vestindo
de forma atraente como Buda e pregará sobre
princípios sub-religiosos.
Conforme salienta Srila Jiva Gosvãmi, o
comentador deste texto, o Buda mencionado aqui
não é o Buda histórico que conhecemos, mas sim
um Buda que viveu numa era diferente. Neste
contexto, usa-se a palavra ateístas para traduzir
deva-dvisãm, cujo significado literal é inimigos dos
devas. Neste caso, os inimigos dos devas tornaram
a obter extraordinárias naves aéreas de Maya
Dãnava. Foram impedidos, contudo, por uma
encarnação de Buda, que os cativou mediante
características materiais externas, tais como
roupas vistosas, e então os persuadiu a adotarem
a filosofia da não-violência.
Um aspecto importante das guerras entre os devas
e os asuras é que jamais lhes era permitido se
desgovernarem em excesso. De quando em
quando, autoridades superiores intervinham com o
intuito de restaurar a ordem divina, o que
costumava proporcionar a avatãras do Ser
Supremo a ocasião para apresentarem sublimes
ensinamentos filosóficos e se entreterem em
passatempos extraordinários.
Às vezes, contudo, estas guerras repercutiam na
Terra e em sua população humana. Indra, o rei dos
devas, por exemplo, certa vez matou Vrtrãsura, o
líder de um grupo de asuras. Como os seguidores
de Vrtrãsura foram completamente derrotados, um
contingente deles, chamados kãleya danavas,
resolveu se vingar aterrorizando os humanos na
Terra. O plano elaborado por eles foi de implantar
uma base de operações no fundo dos oceanos da
Terra, de onde sairiam à noite para atacar os
sábios e ascetas que orientavam a sociedade
humana da época:
No eremitério de Vasistha, o grupo de canalhas
devorou 188 brãhmanas e nove outros ascetas.
Eles foram até o eremitério sagrado de Cyavana,
sempre visitado pelos duas-vezes-nascidos, e
comeram uma centena de eremitas, que viviam de
frutas e raízes. Eles faziam isto à noite; durante o
dia, escondiam-se no oceano. No eremitério de
Bharadvãja, destruíram vinte sóbrios celibatários
que viviam de brisa e água. Desta maneira, os
kãleya danavas foram aos poucos invadindo todos
os eremitérios, enlouquecidos por sua confiança
na força de suas armas, matando muitos anfitriões
dos duas-vezes-nascidos, até que o Tempo veio no
encalço deles. As pessoas nada sabiam a respeito
dos daityas, O melhor dos homens, nem sequer
quando eles oprimiam os sofridos ascetas. De
manhã, encontravam os eremitas, macilentos em
virtude de seus jejuns, jazendo no solo em corpos
sem vida. A terra andava cheia de cadáveres
descarnados, exangues, sem tutano,
desentranhados e desconjuntados como pilhas de
conchas. (...)
Os homens, acabando-se desta maneira, Ó senhor
dos homens, fugiam de medo para todos os lados
para se porem a salvo. Alguns se escondiam em
cavernas, outros atrás de cachoeiras, e ainda
outros temiam tanto a morte que o medo os
matava. Havia, também, altivos e heróicos
arqueiros dando o máximo de si para encurralar os
danavas; mas não conseguiam achá-los, pois eles
estavam escondidos no oceano. Assim, os
arqueiros sucumbiam à exaustão e à morte.
Existe pelo menos uma semelhança superficial
entre esta história e os relatos modernos de
mutilações de gado e de ataques a humanos por
óvnis. Em ambos os casos, a morte é infligida por
seres desconhecidos que atuam à noite, valendo-se de poderes tidos como extraordinários do ponto
de vista hu¬mano. Em ambos os casos, há
cadáveres exangues. Também é interessante
notar que é comum óvnis serem vistos entrando e
saindo de oceanos e lagos, como se talvez eles
mantivessem bases de operação escondidas
dentro das águas. (Veja Sanderson, 1970.)
O impacto do ataque dos danavas contra os
ascetas foi, é claro, muito mais forte sobre a
sociedade humana daquela época do que é hoje
em dia o impacto das mutilações de gado e das
atividades dos óvnis. Não obstante, encaixava-se,
mesmo assim, no nível do terrorismo. Muito
embora os dãnavas viessem lutando contra os
devas pela supremacia total, em vez de tentarem
invadir e ocupar abertamente a Terra, eles só
faziam amedrontar as pessoas com nefastas
táticas de terror. Como isto se assemelha ao que
ocorre com as mutilações de gado e as
manifestações de óvnis mais aterradoras, seria
possível questionar o porquê desta forma de fazer
as coisas. Com a análise de alguns outros
exemplos, ficaremos conhecendo alguns motivos
para isto.
A trama do Râmayana
Segundo a trama básica do Rãmãyana, um ser
poderoso chamado Rãvana ocupara uma região
chamada Lankã na superfície da Terra e, daquela
base de operações, andava causando
consideráveis transtornos a grupos de seres muito
diferenciados. Por esta razão, um grupo de devas,
gandharvas e sábios, preocupados que eram com
os assuntos da Terra, reuniram-se e fizeram o
seguinte apelo ao Senhor Brahmã:
Ó abençoado Senhor, tendo sido favorecido por ti
pela concessão de uma dádiva, o rãksasa Rãvana
tem nos importunado sem parar. Vemo-nos,
portanto, desamparados e forçados a suportar a
terrível opressão dele! O Senhor dos rãksasas tem
inspirado terror nos Três Mundos e, como subjugou
os Guardiões da Terra, tem humilhado até o
próprio Indra. Provocando os sábios, os yaksas,
gandharvas, brãhmanas e outros seres, agora que
se tornou intolerável pelo orgulho de estar sob tua
proteção, ele vive os pisoteando.
Um detalhe importante revelado por esta
declaração é que Rãvana conquistara a Terra. Pelo
menos, ele havia subjugado os Guardiões da Terra.
A Terra e suas redondezas eram, àquela época,
habitadas por certos seres quase tão poderosos
quanto o próprio Rãvana, que os enfrentava com o
fim de estabelecer sua hegemonia. Afora isso, ele
mandava saqueadores rãksasas fazerem ataques
noturnos a brãhmanas e ascetas que viviam na
floresta, distantes das principais concentrações
humanas. Isto lembra, é claro, as histórias sobre
pessoas de remotas regiões do Brasil, atacadas
por armas de feixe luminoso oriundas de óvnis.
No entanto, Rãvana não tentou ocupar terras
humanas nem arrebanhar pessoas em reservas,
como os colonizadores europeus fizeram com os
índios americanos. Ao invés disso, ele só fazia
gozar do luxo de sua mansão aérea (veja páginas
319-21), enquanto mandava capangas perpetrar
atos de terrorismo. Na minha opinião, é possível
fazer duas observações quanto a isto: em primeiro
lugar, Rãvana não sentia atração pela vida na
Terra e pelo ambiente humano. Tendo conquistado
os Guardiões, a Terra era dele, mas ele e seu povo
não tinham o menor interesse em invadir o nicho
ecológico humano.
Em segundo lugar, o hábito de aterrorizar pessoas
à noite revela algo sobre a psicologia de Rãvana.
Tanto ele quanto os rãksasas e danavas em geral
tinham um forte traço do tamo-guna, ou modo da
ignorância. No nível da psicologia humana comum,
encontramos a mesma espécie de característica
em assassinos psicóticos ou ditadores loucos.
Rãvana tinha um interesse especial em atormentar
brãhmanas e ascetas por estas pessoas serem
adoradoras dos devas, que eram velhos inimigos
de Rãvana.
Podemos aprofundar nossa compreensão do ponto
de vista de Rãvana a partir da resposta dada por
Brahmã aos devas, gandharvas e sábios:
Eis uma maneira de causar o fim daquele ser
perverso! "Que eu não seja destruído por
gandharvas, yaksas, deuses ou rãksasas" — este
foi o pedido de Rãvana. Mas, não ligando a menor
importância à raça humana, ele não me pediu para
fazê-lo invulnerável em relação ao homem;
portanto, ninguém senão um homem poderá
destruí-lo.
Rãvana achava os seres humanos de todo
insignificantes, outro indício do motivo para ele
não ter se preocupado com eles em particular. Mas
foi justamente aí que ele caiu. Seguindo o
conselho de Brahmã, os seres celestiais reunidos
pediram ao Senhor Visnu que encarnasse na Terra
como um aparente ser humano para exterminar
Rãvana. Assentindo a tal pedido, o Senhor Visnu
nasceu como Rãma, filho do rei Dasaratha de
Ayodhyã.
Passado algum tempo, Rãvana ouviu falar da
beleza de Sitã, a esposa de Rãma, e arquitetou um
plano para raptá-la (veja páginas 292-93). Isto
gerou um conflito entre Rãvana e Rãma, que
acabou exterminando Rãvana com armas
celestiais numa grande batalha.
Isto traz à tona outro ponto relativo aos seres
humanos. Do ponto de vista de seres celestiais
como Rãvana, os humanos são absolutamente
inferiores e desimportantes. Por que, então, o
Senhor Visnu, a fonte original de Brahmã e de
todos os devas, concordou em viver entre eles
como um deles?
A resposta, segundo a literatura védica, é que a
forma humana de vida constitui uma vantagem
singular para se fazer avanço espiritual. As formas
subumanas de vida carecem da inteligência
necessária para a contemplação espiritual, ao
passo que os seres sobre-humanos tendem a se
enredar no prazer de grande poder, beleza e
longevidade. Mas a forma humana, com todas as
suas provas e atribulações, proporciona uma
passagem através da qual a alma pode ascender
prontamente a etapas espirituais superiores. Uma
vez que a preocupação primária do Senhor Visnu é
com o destino da alma, para Ele era natural o
interesse pela raça humana.
É curioso que esta mesma idéia tenha vindo à tona
em uma das mensagens ufológicas canalizadas —
seja qual for a verdadeira fonte delas. Eis uma
citação de um comunicador chamado Hatonn, que
disse representar a "Confederação de Planetas a
Serviço do Criador Infinito":
Muitos de nós ora circulando em seu planeta
desejaríamos ter a oportunidade que vocês têm, a
oportunidade de estar dentro da ilusão e depois,
pela geração do entendimento, usar os potenciais
da ilusão. Esta é uma forma de granjear progresso
no caminho espiritual e tem sido o anseio de
muitos de nossos irmãos.
Eis uma citação do Bhãgavata Purãna acerca de
uma consideração muito semelhante:
Como a forma de vida humana constitui a posição
sublime para se atingir a realização espiritual,
todos os semideuses celestes falam o seguinte:
Que maravilhoso estes seres humanos terem
podido nascer na terra de Bhãrata-varsa. (...) Tudo
o que nós, semideuses, podemos fazer é aspirar a
nascer como humanos em Bhãrata-varsa para
praticar serviço devocional, mas aqueles seres
humanos já o estão praticando.
Bhãrata-varsa é o domínio da breve forma de vida
humana, e, portanto, se refere a este planeta
Terra. Como a raça humana é importante do ponto
de vista espiritual, autoridades superiores dentro
do universo tendem a protegê-la, motivo pelo qual
não é fácil seres mais poderosos a dominarem.
Esta idéia também se manifesta sob outra forma
na seguinte descrição das fadas, registrada na
Irlanda pelo etnólogo Evans-Wentz:
As fadas são os seres mais magníficos que eu já vi.
Elas são em muito superiores a nós, motivo pelo
qual são chamadas de nobres. Não são uma classe
trabalhadora, mas sim uma classe militar-aristocrática, são altas e de aparência nobre. São
uma raça distinta entre a nossa e a dos espíritos,
foi o que me disseram. Suas habilitações são
tremendas. "Poderíamos eliminar metade da raça
humana, mas jamais o faríamos", disseram, "pois
estamos esperando a salvação."
Em suma, a literatura védica, muitas
comunicações de óvnis e o folclore celta — todos
sugerem a possibilidade de às vezes a sociedade
humana ser afetada pelas atividades de seres
mais poderosos, envolvidos sobretudo com seus
próprios interesses. No cumprimento de suas
próprias incumbências, estes seres podem de
quando em quando intervir na sociedade humana
de formas que parecem misteriosas se encaradas
a partir de uma limitada perspectiva humana, mas
que fazem sentido dentro do complexo contexto
de atividade deles. Estas intervenções poderão
parecer nocivas ou benéficas, dependendo dos
motivos subjacentes dos seres envolvidos. Elas
não chegam a revelar os plenos poderes destes
seres por uma série de motivos, variando desde
leis de não-interferência de embasamento
espiritual ao desprezo pela fraqueza dos
insignificantes humanos.
A trama do Mahabharata
Até aqui, analisei dois exemplos védicos de
invasão da Terra por alienígenas. Em cada um dos
casos, a maioria dos seres humanos experimentou
estas invasões sob a forma de ataques noturnos
esporádicos por parte de seres aterrorizantes que
pareciam surgir do nada. Embora provocassem
grande perturbação em quantos ouviam falar
deles e fossem devastadores para quantos os
experimentavam, os ataques não exerciam muito
impacto sobre a sociedade humana como um todo.
Há um exemplo, contudo, da tentativa, dos daityas
e danavas de tomarem e governarem a sociedade
humana, que forma a trama principal do
Mahãbhãrata.
A história começa há muito tempo, quando a
sociedade humana prosperava. As pessoas se
dedicavam aos princípios da virtude, não
pendendo à decadência caso passassem a
experimentar algum sucesso material. No entanto,
esta situação auspiciosa não perdurou. Assim
como na história dos kãleya dãnavas, a sociedade
humana começou a ser afetada por eventos
ocorridos em sistemas planetários celestiais. Eis o
que sucedeu, conforme narrou o sábio
Vaisampãyana ao rei Janamejaya:
Mas então, Ó melhor dos monarcas, justo quando
a humanidade florescia, criaturas poderosas e
demoníacas passaram a nascer das esposas de
reis terrestres.
Certa feita, os divinos ãdityas, administradores do
universo, lutaram contra seus perversos primos, os
daityas, e os eliminaram. Vendo-se privados de
seu poder e de suas posições, os daityas
começaram a nascer neste planeta, tendo o
cuidado de calcular que seria fácil para eles se
tornarem os deuses da Terra, submetendo-a a seu
jugo demoníaco. E assim aconteceu, Ó poderoso,
de os asuras passarem a aparecer entre diferentes
criatu¬ras e comunidades.
Tanto como no caso dos kãleya dãnavas, esta
tentativa envolveu atividades ocultas, e não uma
invasão ostensiva da Terra por exércitos
alienígenas. A técnica adotada pelas forças
invasoras era entrar com seus corpos sutis nos
ventres das esposas dos reis e desta maneira
nascer em famílias reais. Deste modo, assumiam
controle dos governos terrestres e conseguiam
explorar a Terra como bem entendiam.
Quanto mais estas criaturas demoníacas nasciam
na Terra, menos a própria Terra conseguia
suportar o peso da presença delas. Tendo caído de
suas posições nos planetas superiores, os filhos de
Diti e Danu surgiram então neste mundo como
monarcas, dotados de força descomunal, e sob
muitas outras formas. Ousados e arrogantes,
virtualmente cercaram a Terra e suas águas,
dispostos a eliminar quem se opusesse a eles.
Perseguiam os mestres, os regentes, os
comerciantes e os trabalhadores da Terra, bem
como todas as outras criaturas. Andando de um
lado para o outro às centenas e aos milhares,
passaram a exterminar as criaturas da Terra,
deixando o mundo em pânico. Indiferentes à
cultura divina dos brãhmanas, ameaçavam os
sábios sentados na paz de seus ãsramas na
floresta, pois os chamados reis enlouqueciam com
a força de seus corpos.
Reagindo a esta invasão, Bhümi, a deusa da Terra,
aproximou-se do Senhor Brahmã e rogou a ele que
a salvasse. Brahmã atendeu o pedido, ordenando
que os devas encarnassem na Terra se valendo do
mesmo estratagema dos asuras: "A fim de libertar
a Terra deste fardo, cada um de vós deve nascer
lá, por intermédio de vossas expansões dotadas de
poder, e sustar a disseminação das forças
demoníacas." Brahmã também solicitou ao Senhor
Visnu que aparecesse na Terra como um avatãra a
fim de fazer frente às forças demoníacas, ao que
Ele aquiesceu.
Passado algum tempo, diversos devas apareceram
na Terra, quer entrando eles mesmos nos ventres
de mães terrestres, quer fecundando mulheres
terrestres e tendo com elas filhos que herdaram
parte da natureza dévica paterna. Então, o Senhor
Visnu apareceu como Krsna, o filho de Vasudeva e
Deváki.
Com o auxílio dos devas encarnados, Krsna foi aos
poucos aniquilando as forças dos dãnavas. Isto
envolveu muitos estratagemas complexos, um dos
quais, a batalha fratricida entre os Pãndavas e os
filhos de Dhrtarãstra, é o tema principal do
Mahãbhãrata. Nesta batalha, a guerra celestial
entre os devas e os asuras foi reencenada na Terra
e, por arranjo de Krsna, as forças dos asuras foram
enfim derrotadas.
Esta história complexa nos remete a diversas
questões. Em primeiro lugar, muito se tem escrito
hoje em dia a respeito de seres de outros planetas
que reencarnam em corpos humanos como
"Peregrinos" com o objetivo de levar a cabo algum
propósito superior. Também se fala de "Intrusos",
ou almas que se apossam de corpos já existentes
cujas almas originais são desalojadas. Estes
conceitos são semelhantes à idéia apresentada no
Mahãbhãrata, segundo a qual os devas e asuras
poderiam nascer na Terra para cumprir missões
específicas.
Para entender esta idéia, é necessário ter um
entendimento preliminar acerca da alma, do corpo
sutil e do processo de reencarnação.
Curiosamente, estes assuntos, por mim abordados
no próximo capítulo, vêm à tona repetidas vezes
em casos de contato imediato com óvnis.
Outro detalhe: as invasões da Terra por forças
hostis costumam proporcionar uma excelente
oportunidade para a introdução de profundos
ensinamentos éticos e espirituais na sociedade
humana. Assim, a invasão de Rãvana resultou no
advento do Senhor Rãmacandra, que ensinou a
vida de um rei ideal. De forma semelhante, a
invasão do Mahãbhãrata culminou em Krsna
falando o Bbagavad-gitã. Uma pergunta
interessante é: "Será que algo semelhante
ocorrerá como resultado da situação de hoje?"
10
Energias grosseiras e sutis
Em agosto de 1975, um homem de 48 anos de
idade se submetia a uma cirurgia de coração
exposto. Meia hora após lhe tirarem o desvio
cardiopulmonar, ele sofreu uma parada cardíaca e
foi preciso revivê-lo com uma injeção de epinefrina
no coração e dois tratamentos de choque elétrico.
Ao acordar, ele se recordou da seguinte
experiência:
Eu atravessava uma ponte de madeira por sobre
um belo riacho de água cristalina e, do outro lado,
vi Jesus Cristo trajando um manto branquíssimo.
Ele tinha cabelos negros e barba curta e muito
negra. Seus dentes eram extremamente brancos e
seus olhos, azuis, muito azuis. (...) Era diferente de
quaisquer imagens que eu já vira. (...) Concentrei-me no manto branco e na possibilidade de provar
a mim mesmo que de fato se tratava do Cristo. (...)
Enquanto ali estive, o conhecimento, o
conhecimento universal, descortinou-se para mim
e eu desejei assimilar tudo aquilo para que,
quando me fosse possível, eu pudesse mostrar às
pessoas o que havia de fato ao redor delas. Só que
não consegui trazer nada daquilo de volta comigo.
Este é um exemplo típico de experiência
extracorporal, ou EEC. Em semelhante
experiência, a pessoa tem a impressão de estar
deixando seu corpo físico mas, ao mesmo tempo,
continua a ver, ouvir e pensar como um ser
consciente. Por serem ocorrências comuns entre
pessoas em condição física quase fatal, as
experiências extracorporais também são
chamadas de experiências de quase-morte, ou
EQMs. Com o recente desenvolvimento de técnicas
de reavivamento de pessoas que estão perto de
morrer, tem aumentado bastante o número de
relatos sobre semelhantes experiências, acerca
das quais médicos, psicólogos e pesquisadores de
fenômenos metapsíquicos têm escrito uma série
de livros.
Embora para um observador externo seja difícil
distinguir EECs de sonhos, quem as experimenta
tende a julgá-las reais porque as mesmas, além de
serem muito vívidas, acarretam um impacto
psicológico profundo. Isto se aplica à EEC
supramencionada, toda ela ocorrida numa espécie
de mundo onírico. Em muitos casos de EEC,
contudo, a pessoa vê seu próprio corpo
inconsciente a distância. Em alguns destes casos,
pacientes dados como inconscientes em
decorrência de uma parada cardíaca foram
capazes de descrever com precisão os
procedimentos médicos usados para reanimá-los.
Eis o resumo do cardiologista Michael Sabom da
descrição do revivescimento pós-ataque-cardíaco
de um paciente, conforme este o presenciou
durante uma EEC:
Sua descrição é de extrema precisão ao retratar a
ocorrência, tanto da técnica de ressuscitamento
cardiopulmonar quanto da seqüência em si do
emprego desta técnica — i.e., choque no peito,
massagem cardíaca externa, inserção de conduto
de ventilação, administração de medicamentos e
desfibrilação.
Sabom disse ter tido oportunidade de conhecer
este homem muito bem, podendo constatar que
ele não tinha mais que os conhecimentos de um
leigo em medicina. Segundo também frisou o
paciente de Sabom, antes daquela experiência, ele
jamais assistira a documentários de tevê sobre
casos de ressuscitamento cardíaco. Em sua EEC,
ele presenciara detalhes vívidos dos
procedimentos de ressuscitamento, muito embora
seu coração não estivesse funcionando naquele
momento e seu cérebro estivesse desoxigenado.
Se a experiência não passou de um sonho, como,
então, o homem foi capaz de adquirir o
conhecimento preciso dos detalhados
procedimentos médicos contidos naquele sonho?
EECs e óvnis
Tem havido bastante controvérsia quanto a como
interpretar as experiências extracorporais — uns
favorecem teorias baseadas em sonhos ou
alucinações, outros advogam explicações
paranormais. Em geral não incluem o assunto
ufolõgico nestas discussões. No entanto, segundo
constatações recentes, estariam sucedendo
experiências extracorporais durante contatos com
óvnis. Muitas testemunhas relatam ter
experimentado viagens extracorporais durante
raptos por óvnis, e outras relatam ter
experimentado EECs espontâ¬neas após seus
contatos com óvnis. Isto acarreta toda uma nova
controvérsia acerca das experiências
extracorporais — controvérsia inevitavelmente
vinculada ao corpo de observações e teorias
desenvolvido em torno do fenômeno ufológico.
Segundo uma dessas teorias, as experiências
extracorporais associadas a óvnis são, na verdade,
percepções equivocadas de experiências de rapto
fisicamente reais. Segundo outra teoria, na sua
essência, os raptos por óvnis são ilusórios. Ainda
segundo esta teoria, as EECs também são
experiências alucinatórias geradas pela mente,
talvez devido à influência de alguma energia
externa. Os raptos por óvnis e as EECs seriam
compatíveis por ambos serem de natureza ilusória
semelhante.
Segundo uma terceira teoria, os raptos por óvnis
são eventos reais, podendo acontecer em nível
grosseiro ou sutil de energia material; já as EECs
são eventos reais em que a mente sutil se separa
do corpo físico em caráter temporário. Num rapto
por óvni, o corpo físico poderá ser levado a bordo
de um óvni e, durante esta experiência, poderá
ocorrer uma EEC ou não. Além disso, talvez alguns
raptos por óvni façam parte de EECs e, neste caso,
a mente sutil será levada a bordo de um óvni e o
corpo grosseiro será deixado para trás. Examinarei
estas teorias após dar alguns exemplos de
experiências extracorporais associadas a óvnis.
Em primeiro lugar, conforme indicam certos
relatos, as EECs são eventualmente induzidas por
entidades humanóides do tipo associado aos óvnis.
Exemplo disto é uma experiência relatada por
Betty Andreasson. Em julho de 1986, diz ela,
enquanto lia a Bíblia deitada no sofá de seu trailer,
ela ouviu um zunido e viu um ser estranho se
aproximar.
Naquela altura, teve a experiência de ver seu
próprio corpo de um ponto de observação externo:
Vejo-me de pé e ao mesmo tempo deitada no sofá!
Primeiro, o ser havia colocado uma caixinha ou
algo parecido sobre o sofá e, então, eu me vi
aparecer ali. Vejo-me de pé. (...) E me vejo
andando na direção do ser. E depois me viro na
direção do sofá e me abaixo para tocar em mim
mesma e — Ahhhh! — quando o faço, minha mão
atravessa meu corpo!
Neste caso, o ser era do tipo gray padrão: "Ele tem
uma cabeça calva e bem grande, pele
acinzentada, grandes olhos castanho-escuros —
olhos grandes — do tipo oblíquo, pequenos
orifícios nas narinas e uma espécie de fenda no
lugar da boca." Após assumir o estado
extracorporal, Betty passou por uma experiência
estranha envolvendo visões de esferas de cristal, a
sombra transitória de uma ave gigantesca e uma
nave esférica flutuando no ar. De certa maneira,
isto faz lembrar as experiências de outros mundos
que costumam ocorrer em EECs. No entanto, os
alienígenas gray estiveram presentes durante toda
a experiência.
Whitley Strieber recontou uma experiência muito
semelhante: tendo acordado por volta das 4h30
em sua casa de campo, ele tentou induzir uma
EEC usando métodos recomendados por Robert
Monroe, famoso investigador de estados
extracorporais. Ele disse ter visto a imagem de
uma comprida e ossuda mão de quatro dedos de
um ser gray apontando para uma caixa de
sessenta centímetros quadrados sobre um piso
acinzentado. Então, experimentou uma onda
imprópria de desejo sexual, seguida de uma EEC.
Viu-se flutuando acima de seu corpo. Viu seu gato,
que devia estar em Nova York, e viu o rosto de um
visitante gray do lado de fora de uma das janelas.
Descobriu sua capacidade para se mover naquele
estado extracorporal, e descreveu suas aventuras
ao passar por uma janela fechada e voltar por ela.
Durante tudo isto, experimentou ser um "campo
aproximadamente esférico".
Há, ainda, casos de pessoas tendo experiências
extracorporais sem nenhuma causa óbvia,
entrando em óvnis em estado extracorporal e
fazendo contato com entidades ufológicas. Betty
Andreasson, por exemplo, após voltar a se casar,
desta vez com Bob Luca, relatou uma EEC
conjunta durante a qual ambos entraram num óvni
ocupado por típicos seres gray. Ali, ela encontrou
descaracterizadas formas humanas envoltas em
luz e reparou também estar naquele estado.
Também viu as formas-luz descaracterizadas se
transformando em bolas de luz e então de novo
em formas-luz humanas.
Em outra experiência extracorporal com óvni, uma
pessoa chamada Emily Cronin teve a experiência
de estar parada ao lado de seu carro e, ao mesmo
tempo, ver seu corpo adormecido dentro do carro.
Aqui ela reconta esta experiência sob hipnose:
Emily: Não no carro. Mas estou no carro. Isto é
absurdo.
McCall: Não se preocupe com isto. Só me diga o
que está acontecendo.
Emily: Isto é absurdo! Não dá para fazer isto!
McCall: Não dá para fazer isto?
Emily: Você não pode estar no carro e fora do
carro ao mesmo tempo. Isto é absurdo! Mas eu
estou?
Depois disso, ela viu uma grande "bolha" brilhante
pairando acima de algumas árvores à margem da
estrada. Além de ter se comunicado por telepatia
com inteligências invisíveis associadas àquele
objeto, ela se deu conta de que toda manifestação
de vida é uma coisa só e as inteligências não
eram, na verdade, alienígenas.
No caso de Judy Doraty analisado no Capítulo 9
(páginas 387-89), a testemunha, Judy,
experimentou estar parada ao lado de seu carro e,
ao mesmo tempo, entrar num óvni e observar os
acontecimentos dentro dele. Neste caso, Judy e
outras testemunhas já tinham visto o óvni, a partir
do ponto de vista normal de seus respectivos
corpos físicos. Dentro do óvni, Judy alega ter
presenciado entidades humanóides esquartejando
um bezerro vivo para em seguida lançar seu corpo
ao solo fazendo uso de uma haste de luz. A cena
dentro do óvni, conforme isto parece sugerir, teve
realidade física, e Judy a estava vendo assim como
as pessoas às vezes observam seus próprios
corpos em EECs.
Em geral, pessoas em sua condição corpórea
normal não conseguem perceber alguém que
esteja presente perto delas em estado
extracorporal. Segundo Judy relatou, no entanto,
as entidades vistas por ela no óvni estavam
cônscias da presença dela, tendo-se comunicado
com ela por telepatia.
Os seres de manto branco
Sob hipnose, Betty Andreasson se lembrou de,
ainda adolescente, ter sido levada a bordo de uma
nave alienígena, que adentrou um corpo d'água e
foi até um complexo subterrâneo. Até esta altura,
ela parecia estar viajando em seu corpo físico, pois
a viagem parecia envolver grandes forças de m/s
2
do tipo produzido por aceleração comum. No
complexo subterrâneo, seres gray lhe disseram
que ela seria levada para casa para ver o Uno. Eis
a experiência desenrolada em seguida, conforme
revivida através da regressão hipnótica:
Betty: Chegamos a uma parede de vidro e a uma
porta grande, grande, grande, grande, grande. Ela
é feita de vidro.
Fred Max: Tem dobradiças?
Betty: Não. Ela é tão grande e há... não consigo
explicar. É como se fosse porta depois de porta
depois de porta depois de porta. Ele pára ali e
manda que eu pare também. Eu paro. Ele diz:
"Agora você entrará pela porta para ver o Uno."
Estou ali parada e saindo de mim mesma! Há duas
de mim! Há duas de mim ali! (...) a outra parece
minha gêmea.
Assim após entrar em estado extracorporal, ela
atravessou a porta:
Betty: Entrei pela porta e ela é muito brilhante.
Não posso levá-lo mais à frente.
Fred Max: Por quê?
Betty: Porque... não posso fazê-lo atravessar esta
porta.
Fred Max: Por que você está tão feliz?
Betty: É que, ah, não posso lhe falar sobre isto. (...)
Não há palavras para explicar. É maravilhoso. É
para todos. Só não posso explicar. Posso entender
que tudo é uma coisa só. Tudo se encaixa
perfeitamente. É lindo!
Isto soa como uma descrição típica da experiência
da percepção de Brahman, estado de consciência
almejado por yogues e místicos no mundo inteiro.
Na tradição védica, existem diversas escolas de
pensamento filosófico que abordam a natureza da
percepção de Brahman. Analisarei este assunto
com certa minúcia no Capítulo 11. Por ora, estou
interessado no que aconteceu depois de concluída
esta experiência.
Após deixar a porta do Uno, Betty alega ter
encontrado misteriosos seres de manto branco:
"Bem, estou do lado de fora da porta e há uma
pessoa alta ali. Ele tem cabelo branco, veste um
camisão branco e gesticula para que eu me
aproxime dele. Seu camisão é cintilante, seu
cabelo é branco, e seus olhos são azuis." Em
contraste com os pequenos seres gray
encontrados por ela até então, esta pessoa parecia
um humano normal.
Ao analisar este caso, Raymond Fowler assinala a
possibilidade de seres semelhantes terem sido
avistados por oficiais da marinha italiana durante
uma visão de óvni nas encostas do monte Etna em
4 de julho de 1978. Nesta ocasião, aterrissou um
disco vermelho, pulsante e abobadado, e as
testemunhas fizeram contato com "dois seres altos
de manto branco e cabelos dourados
acompanhados por três ou quatro seres mais
baixos que usavam elmos e trajes espaciais".
Neste caso, os seres altos de manto branco foram
vistos por oficiais militares que, segundo se
presume, estavam em seus corpos físicos e num
estado de consciência tido como normal.
Em EECs sem vinculação a óvnis, são freqüentes
as referências a seres trajando mantos brancos.
Um exemplo disto seria a EEC do cardiopata
mencionada no início deste capítulo. É significativo
que, apesar de esta testemunha ter encarado o
ser de manto branco como sendo o Cristo, ele
tenha mesmo assim observado: "Ele parecia
diferente de quaisquer imagens que eu já vira." Ele
nutria, é claro, certas dúvidas quanto a esta
identificação. Também é interessante o fato de o
encontro do homem com aquele ser ter sido
acompanhado, tal como no caso de Betty
Andreasson, por uma experiência mística
envolvendo insinuações de conhecimento
universal.
Temos aqui, portanto, três casos descrevendo
seres com mantos brancos. Num deles, alguém
parece ter sofrido um rapto por óvni em nível
físico, para em seguida ter uma EEC acompanhada
de experiência mística e por fim se encontrar com
um ser deste tipo. Em outro caso, estes seres
foram vistos junto de um óvni por oficiais militares
que caminhavam em estado aparentemente
normal. Em outro caso ainda, um ser deste tipo foi
encontrado numa EEC desvinculada de óvnis e
ocorrida durante uma emergência médica.
Jenny Randles analisa um caso, talvez relacionado
aos acima citados, no qual uma EEC ocorrida por
indução médica resultou num encontro com um
ser alto de cabelos brancos surgido de um óvni.
Esta experiência lhe foi relatada por Robert
Harland, mágico profissional e, infelizmente, falso
médium confesso. Segundo Harland contou a
Randles, em 1964 ele precisou ir ao dentista para
se submeter a uma delicada cirurgia oral. Ao lhe
ser administrado um gás anestético, ele teve uma
EEC. De uma perspectiva extracorporal, viu o
dentista lhe martelar o joelho, fato mais tarde
confirmado por este.
Até aqui, esta foi uma EEC típica da categoria
associada a traumas físicos. Mas depois Harland
viu um ser alto com longos cabelos brancos surgir
através do teto e lhe explicar por telepatia que
eles precisavam sair juntos. Ambos atravessaram
o telhado e flutuaram para dentro de um óvni.
Então, levaram-no para conhecer a nave,
explicaram-lhe como ela funcionava e o
incumbiram de transmitir uma mensagem sobre
um holocausto terrível durante o qual a crosta da
Terra se fenderia. Em seguida lhe disseram que
ele teria de lutar para conseguir voltar a seu
corpo. De fato, umas criaturinhas feias tentaram
lhe impedir o regresso, mas ele logrou voltar
mesmo assim — ao despertar, viu o dentista,
preocupadíssimo, tentando o reanimar com golpes
no peito. Ele quase morreu na cadeira.
Embora sempre se possa supor que os seres vistos
nestes quatro casos não passavam de sonhos ou
alucinações, isto suscita a pergunte de por que
pessoas, em situações independentes umas das
outras, teriam sonhos tão semelhantes. Se
deixamos a hipótese do sonho em segundo plano
e consideramos a possibilidade de os seres
existirem de fato, então a pergunta é: estes seres
atuam em corpos físicos grosseiros ou em corpos
feitos de algum tipo de energia sutil? As
observações dos oficiais da marinha italiana
sugeririam aqueles, enquanto as histórias do
cardiopata e do Sr. Harland sugeririam estes.
Forma física ou forma sutil?
Uma possível interpretação para estes dados
desnorteantes seria aquela segundo a qual todos
os raptos por óvnis são de natureza estritamente
física. Nesta hipótese, as EECs são rejeitadas por
serem tidas como uma idéia equivocada. Esta é a
abordagem de David Jacobs, professor adjunto de
história da Universidade de Temple, na Filadélfia,
e ativo investigador de raptos por óvnis. Jacobs
escreve o seguinte a respeito das percepções dos
raptados.
Parte destas memórias e sonhos anômalos seria
fruto da noção inconsciente que os raptados têm
da ocorrência de suas Experiências Extracorporais.
E comum a sensação, entre os raptados, de ter
deixado o corpo de alguma forma, em geral na
cama durante a noite. (...) Alguns raptados
inconscientes alegam ter, não apenas
Experiências Extracorporais, como também ex-perimentado Viagens Astrais. Eles sabem que, de
alguma forma misteriosa, experimentaram um
estranho fenômeno de deslocamento. (...) A única
maneira pela qual logram conciliar o que lhes
sucedeu é por intermédio da única explicação
disponível — a viagem astral, por mais mal
definida que esta seja.
De acordo com a idéia de Jacobs, os raptos por
entidades ufológicas acontecem de fato, mas as
experiências extracorporais constituem um
conceito errôneo do estilo "nova era" adotado por
raptados "inconscientes". Os raptados, sustenta
ele, em geral abandonam suas idéias falsas sobre
EECs tão logo se inteirem do que em verdade lhes
aconteceu. Logo, "o conhecimento dos raptos
acaba lhes proporcionando as respostas que eles
procuravam, e a maioria deles se desvencilha de
suas anteriores estruturas de crença, que jamais
foram de todo satisfatórias".
Esta interpretação parece insatisfatória por
anuviar a distinção entre (1) experiências de rapto
no corpo físico durante as quais ocorre uma EEC e
(2) experiências de rapto ocorridas em pleno
estado extracorporal e acompanhadas por
lembranças do corpo grosseiro sendo visto
deixado para trás.
O mesmo pode ser dito da interpretação segundo
a qual todas as experiências de rapto são de todo
psíquicas ou mentais. Jenny Randles, por exemplo,
utiliza relatos como o de Robert Harland para
argumentar que os raptos por óvnis são
experiências induzidas, apenas em nível mental,
em indivíduos dotados de susceptibilidade
psíquica e criatividade visual, por alienígenas que
"têm se aproveitado do poder da consciência para
atravessar os abismos de espaço e buscar novas
formas de vida".
Esta interpretação também anuvia a distinção
entre os pontos (1) e (2). Se todas as experiências
de rapto ocorrem inteiramente na mente, por que
será, então, que algumas parecem, segundo as
testemunhas, ocorrer no nível de experiência
corpórea, enquanto outras, como a de Harland ou
a de Emily Cronin, ocorrem em estado
extracorporal?
Efeitos físicos posteriores aos raptos
por óvnis
Outra evidente objeção à teoria do tudo-mental é
o fato de cicatrizes e doenças infecciosas terem
sido associadas aos raptos por óvnis. Budd
Hopkins é famoso por alegar que às vezes os
raptados trazem cicatrizes, que eles atribuem
direta ou indiretamente a contatos com óvnis. Um
exemplo disto é Virgínia Horton, cujo contato com
uma corça ilusório já foi mencionado aqui (páginas
290-91). Ela também falou de um corte profundo
com sangramento profuso, mas indolor, contraído
aos seis anos de idade. Em suas recordações
conscientes, o corte era memorável porque na
época ela não conseguia explicar a origem dele à
seus familiares. Sob hipnose, ela revelou um
elaborado cenário de rapto protagonizado por
alienígenas da típica variedadegrayque a
levaram para dentro de um recinto circular
iluminado por uma difusa luz cinzenta perolada e
fizeram o corte com alguma espécie de máquina.
Conforme lhe explicaram, "precisamos de um
pedacinho mínimo de você para nosso
entendimento".
O célebre pesquisador ufológico Raymond Fowler
também descreve, sob hipnose, uma apavorante e
onírica experiência onde ele parece ter sido mani-pulado por seres que não podia ver. Esta pareceria
ser uma boa candidata para uma experiência em
nível apenas mental não fosse o fato de ter
ocorrido na noite anterior ao aparecimento de
uma misteriosa e inexplicada cicatriz em sua
perna. Segundo disse um dermatologista, esta
cicatriz se assemelhava à marca feita por uma
biópsia de punção.
Fowler citou uma pesquisa sobre cicatrizes e
outras seqüelas médicas deixadas por contatos
com óvnis, realizada pelo Dr. Richard N. Neal,
especialista em obstetrícia e ginecologia do Beach
Medicai Center, em Lawndale, Califórnia.
Conforme sustenta Neal, as cicatrizes tendem a
aparecer nos corpos de raptados de maneira
coerente. Assim, "foram observadas cicatrizes na
barriga da perna (incluindo algumas bem acima da
tíbia), coxas, quadris, ombros, joelhos, coluna
vertebral e nas laterais direitas das costas e da
testa". Estas cicatrizes tendem a ser cortes bem
finos e retos com cerca de cinco ou sete
centímetros de comprimento ou depressões
circulares com cerca de 0,3 a um centímetro de
diâmetro e com profundidade de no máximo 0,6
centímetro.
Também foram notadas outras espécies de
marcas no corpo, tais como erupções, em geral de
formato geométrico, na parte superior do peito ou
nas pernas. Notaram-se ainda queimaduras de
primeiro e segundo graus, bem como infecções e
tumores incomuns. No Capítulo 9 (páginas 390 e
395), por exemplo, há dois exemplos de mulheres
alegando graves infecções vaginais após raptos
por óvnis envolvendo exames ginecológicos.
O próprio fato de as testemunhas de rapto
relatarem exames físicos forçados sugere que
suas experiências não são apenas mentais. O Dr.
Neal salienta: "Os alienígenas tiram sangue,
oócitos (óvulos) das fêmeas e espermatozóides
dos machos, além de fazerem raspagem de tecido
das orelhas, olhos, narizes, panturrilhas, coxas e
quadris de suas 'cobaias'." Às vezes são inseridos
tubos pelos umbigos das mulheres — uma
operação descrita pelos captores de Betty Hill
como sendo um teste de gravidez. Segundo foi
observado, esta operação é semelhante a um
procedimento de testagem ginecológica chamado
laparoscopia, desenvolvido anos depois da
experiência de rapto de Betty e Barney Hill em
setembro de 1961.
Por fim, não devemos subestimar o controvertido
assunto das sondas inseridas pelas entidades
alienígenas no nariz de suas "cobaias". Segundo
afirma o Dr. Neal, "muitos raptados descrevem
uma sonda fina com uma bola minúscula em sua
extremidade sendo inserida narina adentro — em
geral, no lado direito. Eles chegam a ouvir um som
de 'espremedura' à medida que a sonda parece ir
penetrando o osso desta parte do corpo. Muitos
terão hemorragia nasal logo após estes exames".
Fowler e Hopkins dão exemplos destas
ocorrências, tão comuns em relatos sobre óvnis.
Até aqui, no entanto, ninguém parece ter
conseguido examinar nem recuperar nenhuma
destas sondas dos corpos das pessoas.
Seria possível postular que as pessoas
imaginaram o motivo interno para elas
imaginarem semelhantes coisas não está claro.
Muitas pessoas raptadas por óvnis e que alegam
ter passado por estas experiências são dadas
como normais ao serem submetidas a testes de
avaliação psicológica. Logo, não se pode atribuir o
depoimento delas à processos mentais anormais.
Conforme ainda se poderia postular, seres
atuando num nível sutil teriam como invocar, nas
mentes das pessoas, experiências traumáticas
que resultariam em sintomas físicos. Há casos de
pessoas que contraem ferimentos sangrentos
chamados estigmas, aparentemente sob a
influência de emoções religiosas intensas.
Segundo também se relata, pode-se produzir um
padrão específico de pele avermelhada, como se
fosse uma cruz, por sugestão hipnótica. Será que
os sintomas físicos de raptos por óvnis poderiam
ser de igual maneira produzidos por alguma forma
de influência psíquica?
Em resposta a isto, pode-se dizer, alguns casos de
rapto envolvem vestígios físicos sobre objetos ou
no solo que sugerem a presença de alguma inter-ferência real no plano físico. Exemplos disto
seriam os vestígios de solo relatados por Budd
Hopkins no caso Kathie Davis, ou as estranhas
manchas brilhantes surgidas no carro de Betty e
Barney Hill após sua experiência com o óvni. Além
disso, em certos casos de rapto, como aqueles de
Travis Walton, William Herrmann e Filiberto
Cardenas, o óvni deixa a pessoa raptada a
quilômetros de distância do local do rapto.
Experiências de quase-morte (EQMs)
com gafes administrativas
Há sem dúvida uma porção de provas indicando a
realidade física da manifestação dos óvnis
enquanto veículos, bem como muitas provas
sugerindo o transporte físico de pessoas para
estes mesmos veículos. No entanto, em vista do
fato de alguns raptos por óvnis parecerem
envolver efetivas experiências extracorporais,
devemos ter o cuidado de levar em conta a idéia
de que efeitos físicos grosseiros podem ser
ocasionados por traumas num plano mental sutil.
A título de ilustração do que poderia suceder,
consideremos o seguinte relato de uma
experiência de proximidade com a morte ocorrida
na Índia:
Em fins da década de 1940, um homem indiano
chamado Durga Jatav sofreu por diversas semanas
de uma doença diagnosticada como tifo. A certa
altura, devido à continuada frieza de seu corpo,
sua família o deu como morto. Ele ressuscitou,
contudo, e contou a sua família que dez pessoas o
haviam levado para outro lugar. Após ele ter
tentado escapar, elas lhe cortaram as pernas na
altura dos joelhos para evitar outras tentativas.
Em seguida, levaram-no para um lugar onde
estavam sentadas umas quarenta ou cinqüenta
pessoas. Examinando os "papéis" dele, elas
reconheceram ter pego o homem errado e
mandaram seus captores levá-lo de volta. Tendo
ele lhes chamado atenção para o fato de lhe
terem cortado as pernas, mostraram-lhe diversos
pares de pernas até ele reconhecer as suas.
Depois de elas serem de alguma forma religadas
ao seu corpo, advertiram-no para que não
"esticasse" os joelhos até eles se curarem.
Após seu ressuscitamento, tanto sua irmã quanto
uma vizinha repararam profundos vincos ou
fissuras na pele da parte dianteira de seus joelhos,
muito embora antes não existissem semelhantes
marcas ali. Apesar de as marcas ainda serem
visíveis em 1979, uma radiografia tirada em 1981
não acusou anormalidade alguma sob a superfície
da pele. Poderia a experiência de ter as pernas
cortadas num plano sutil ter causado aquelas
marcas em suas pernas físicas?
Ian Stevenson coligiu uma série de provas
indicando que os corpos de crianças dotadas de
memória espontânea de outras vidas trazem às
vezes sinais de nascença correspondentes a
feridas contraídas durante aquelas vidas. São
cerca de duzentos casos deste tipo e em quinze
deles Stevenson logrou associar sinais de
nascença a relatos póstumos descrevendo o corpo
anterior. Com relação a estes sinais de nascença,
ele faz a seguinte observação: "Algumas marcas
são apenas áreas de pigmentação mais
concentrada; em outros casos, o sinal de nascença
é tridimensional, numa área parcial ou inteiramen-te elevada, rebaixada ou franzida. Examinei no
mínimo duzentos casos deste tipo e em muitos
deles pelo menos eu não tive como distinguir das
marcas de feridas cicatrizadas." A questão das
cicatrizes é significativa em particular no que se
refere aos raptos por óvnis.
No caso de Durga Jatav, é possível imaginar
alguma influência psíquica injetando em seu
cérebro a idéia de lhe terem cortado as pernas, o
que, por sua vez, resultou nas fissuras em seus
joelhos. No entanto, se o ferimento de uma vida
pode afetar o corpo de outra, deve haver, então, o
envolvimento de algo além do cérebro.
Podemos urdir uma explicação se introduzimos a
idéia de que a alma, encerrada num corpo feito de
energia sutil, é capaz de transmigrar de um corpo
físico grosseiro para outro. Neste caso, pode-se
supor que o ferimento fatal em uma vida
traumatizou o corpo sutil, o que resultou em sinais
de nascença no embrião em desenvolvimento na
vida seguinte. De forma semelhante, seria
possível supor que o corpo sutil de Durga Jatav foi
traumatizado num plano sutil, o que resultou nas
fissuras dos joelhos quando seu corpo sutil foi
devolvido à seu corpo grosseiro.
A ação sutil parece poder produzir uma ampla
variedade de efeitos físicos. Eis um exemplo
envolvendo um homem chamado Mangal Singh,
que experimentou uma EQM aos setenta anos de
idade. Ele descreve sua experiência como segue:
Estávamos em 1977. Eu estava deitado num catre
quando duas pessoas apareceram, ergueram-me e
me levaram embora. Ouvi um zunido, mas não
consegui ver nada. Então, deparei com um portão.
Havia grama ali, e o solo parecia estar se
inclinando. Lá estava um terceiro homem, que
repreendeu os dois que haviam me trazido: "Por
que trouxeram a pessoa errada? Por que não
trouxeram o homem que mandamos vocês
buscarem?" Os dois homens saíram correndo, e o
terceiro homem lhes disse: "Voltem lá."
Subitamente, vi dois caldeirões de água fervente,
embora não houvesse fogo, nem lenha nem
lareira. Então, o homem me empurrou com a mão
e disse: "E melhor você voltar correndo." Só me
dei conta de como era quente a mão dele depois
daquele empurrão. Então compreendi por que a
água dos caldeirões estava fervendo. O calor
vinha das mãos dele.
Ao voltar a si, Mangal sentiu uma forte sensação
de queimadura em seu braço esquerdo. Esta área
ficou com o aspecto de um furúnculo e deixou
uma marca residual após a cicatrização. Ele não
parece ter conseguido descrever a aparência dos
"homens" com os quais se encontrara.
As histórias de Durga Jatav e Mangal Singh fazem
parte de um conjunto de dezesseis relatos
indianos de experiências de proximidade com a
morte, coligidos por Satwant Pasricha e Ian
Stevenson. Nestes casos, observaram eles, é
típico os mensageiros virem para levar a
testemunha, em contraste com os casos
ocidentais: nestes, em geral, a testemunha
encontra outros seres apenasapóso seu traslado
para "outro mundo". Conforme também repararam
Pasricha e Stevenson, suas testemunhas indianas
naturalmente identificam estes mensageiros com
os yamadütas, ou agentes de Yamarãja, o senhor
dos mortos segundo o hinduísmo tradicional.
Segundo também salientaram eles, as evidentes
diferenças culturais entre as EQMs indianas e as
ocidentais não demonstram necessariamente que
estas experiências sejam meras invenções irreais
da mente. É possível que pessoas à beira da
morte sejam tratadas de forma diferente em
culturas diferentes por personalidades do plano
sutil. Poderia haver diferentes políticas para
grupos de pessoas com situações cármicas
diferentes.
Segundo a literatura védica, a transmigração das
almas é regulamentada pelos yamadütas, ou
servos de Yamarãja. Os yamadütas, atuando como
funcionários na hierarquia celestial, são dotados
de poderes místicos, ousiddbis, que os capacitam
a cumprir seus deveres. Pelas descrições que são
feitas, tratam-se de criaturas de disposição muito
negativa e amedrontadora. Não obstante, são
incumbidos por autoridades superiores da tarefa
positiva de reformar a consciência de almas
enredadas na ilusão da matéria.
Em geral, quando os yamadütas levam uma
pessoa, esta não logra voltar para contar sua
história. Contudo, certos relatos védicos
efetivamente mencionam alguns casos de pessoas
que voltaram. OBhãgavata Purãnaconta a
história de Ajãmila, um homem pecaminoso que
proferiu "Nãrãyana", um nome de Deus, ao ver os
yamadütas no momento de sua morte. Como
resultado desta ação, diversos servos refulgentes
de Nãrãyana intervieram, mandando os
yamadütas não tocarem em Ajãmila. Seguiu-se
um debate entre os yamadütas e os servos de
Nãrãyana acerca das leis relativas a como se deve
tratar almas prestes a partir. Por fim, os
yamadütas, dando-se por vencidos naquele
debate, saíram de cena e Ajãmila foi então
ressuscitado da morte aparente.
Há casos de contatos com óvnis envolvendo o
tema captura-por-engano das EQMs indianas. No
Capítulo 9 (páginas 389-94), apresentei a história
de uma mulher e seu filho, raptados por seres
estranhos e levados a bordo de um óvni enquanto
andavam de carro perto de Cimarron, Novo
México. Neste caso, a mulher e o menino foram
fisicamente arrastados por "homens" estranhos. A
mulher foi submetida a um doloroso exame físico,
após o qual um "homem" alto e autoritário
apareceu em cena e, zangado, declarou que não
deviam ter trazido a mulher até ali e deviam levá-la de volta. Como se isso não bastasse, o homem
alto colocou sua mão sobre a testa da mulher e
queimou-a. Isto faz lembrar os casos indianos de
EQM, e o caso de Mangal Singh em particular.
No entanto, a mulher desenvolveu uma séria
infecção vaginal após a experiência,
aparentemente como resultado do exame feito no
óvni. Acaso isto é devido a um exame sutil, ou
teria sido provocado por um exame físico
malfeito?
Outro exemplo para ilustrar o tema da captura por
engano é uma história de contato relatada por
Emily Cronin. (Este contato é diferente do
mencionado antes, na página 419.) Naquela
ocasião, Emily, seu filho pequeno e sua amiga Jan
descansavam no acostamento de uma estrada
chamada Ridge Route, perto de Los Angeles.
Consciente, ela se lembrou de ter visto uma
brilhante luz amarela, ouvido um estridente zunido
que parecia ter efeito paralisante e sentido o carro
tremer. Sob hipnose, ela falou de uma alta e es-tranha figura de preto que olhava pela janela
traseira do carro e o sacudia. Dois outros seres
semelhantes, parados perto do primeiro,
alertavam-no por telepatia que aquilo era um
equívoco e eles não deviam estar ali. Tendo Emily
conseguido mexer um de seus dedos pelo forte
exercício de sua vontade, o ruído parou, a luz e as
criaturas sumiram e tudo voltou ao normal. Neste
caso, a forma como a experiência terminou sugere
ter a mesma ocorrido num plano sutil.
Ovnis e a reciclagem de almas
É natural as EECs ocidentais ocorridas durante
emergências médicas serem relacionadas à
morte, e quem as experimenta costuma vinculá-las ao destino da alma na vida seguinte. Na índia,
é claro, estas experiências são associadas ao
processo de transmigração, mediante o qual a
alma, boiando no corpo sutil, é transferida para
uma situação nova à hora da morte. Levando-se
em conta todos os paralelos existentes entre as
EECs e os raptos por óvnis, será que certas
entidades ufológicas estariam envolvidas com a
transmigração da alma? Aliás, a literatura sobre
óvnis analisa idéias relacionadas a este assunto.
Segundo Whitley Strieber, por exemplo, seus
visitantes lhe disseram: "Nós reciclamos almas."
As experiências de Strieber sendo visitado o
inspiraram com a seguinte idéia genérica: "Será
possível que, além de a alma ser real, o fluxo de
almas entre a vida e a morte seja um processo
gerido pela consciência e norteado por iniciativas
artísticas e tecnológicas?" Esta idéia é de todo
védica, tanto quanto o é o conseqüente fato de
nossas ações serem observadas e julgadas por
seres que controlam nosso destino após a morte.
Avaliando atitudes modernas, Strieber salienta:
"Por termos nos enredado na ilusão de ignorar a
realidade da alma, imaginamos que tudo quanto
fazemos seja alguma espécie de segredo", e
arremata indagando: "Quem nos está
observando?"
A história a seguir oferece alguma pista sobre
como estas idéias ocorreram a Strieber. Conforme
relatou ele, seus visitantes, invisíveis, dirigiram-lhe a palavra, alertando-o repetidas vezes para
que não comesse doces. Após diversas semanas
recebendo estas advertências, ele perguntou por
que não devia comer doces, e eles lhe
responderam: "Você verá."
Seis dias mais tarde, um conhecido lhe informou a
respeito de uma mulher na Austrália que estava
morrendo de diabete. Durante a noite anterior, a
mulher vira sete homenzinhos "parecidos com
cogumelos chineses" surgirem do teto acima da
cama dela. Eles ergueram a mulher doente na
direção do teto, mas, como ela protestasse,
colocaram-na no solo. Então, veio-lhe uma visão:
ela estava sentada num parque a vestir um
delicado manto azul e a observar o sol se pôr
enquanto um desolado vento soprava — todos
símbolos da morte. Após esta experiência, a
mulher definhou rapidamente. Segundo contaram
a Strieber, é provável que a mulher, sendo
bastante conservadora, não desse a mínima
importância a assuntos como óvnis e visitantes
humanóides.
Strieber tomou esta inesperada história da
Austrália como uma resposta gráfica a sua
pergunta a respeito de por que não comer doces.
A história envolvia seres semelhantes à seus
visitantes; envolvia a diabete, um distúrbio ligado
ao metabolismo do açúcar no corpo; e foi contada
por um conhecido do outro lado do mundo logo
depois de ele ter feito a pergunta. Como o contato
da mulher com os seres envolvia insinuações
simbólicas da morte dela, seus visitantes, concluiu
ele, talvez tivessem certa ligação com o que
acontece às pessoas após a morte.
É difícil determinar a relação entre os visitantes de
Strieber e os yamadütas védicos. Segundo
indicam certas diferenças entre estes dois grupos,
eles representam papéis diferentes; por outro
lado, conforme sugerem certas semelhanças,
talvez eles estejam intimamente relacionados
entre si. De acordo com uma diferença, por
exemplo, é normal os yamadütas só atuarem no
plano sutil, ao passo que, conforme sustentou
Strieber, ele levou seu gato consigo ao ser raptado
em certa ocasião — um indício de que sua viagem
se deu no plano físico. Não obstante, também
existem semelhanças. Por exemplo: os yamadütas
têm aparência estranha e amedrontadora,
emanam um humor de forte negatividade, podem
viajar no invisível e atravessar paredes e podem
induzir humanos a terem EECs.
Observações semelhantes podem ser feitas a
respeito dos seres responsáveis pelos diversos
raptos de Betty Andreasson mas, no caso dela, há
complicações adicionais. Durante um rapto por
óvni, por exemplo, ela passou por uma
experiência mística clássica, após o que viu seres
de manto branco semelhantes àqueles associados
às percepções místicas em EQMs ocidentais. Para
termos um entendimento maior do que acontece
neste caso, vamos precisar de muito mais
informação. Estamos conhecendo, suspeito eu,
alguns vestígios de um complexo sistema de
controle universal envolvendo muitos tipos de
seres inteligentes.
Reciclagem de almas e o governo
Não representa surpresa alguma o fato de
referências à alma, a EECs e à reencarnação virem
à tona no registro sobre os óvnis e o governo
americano. Além disso, parte deste material
mostra vínculos com o testemunho de Strieber. Eis
a história:
Nos sonhos ou visões descritos por Strieber, seus
visitantes viviam num estranho cenário deserto,
com prédios antigos construídos em penhascos,
sob um céu de cor castanha amarelada. Já de
acordo com Linda Howe, um oficial do serviço
secreto da Força Aérea chamado Richard Doty
informou- a em 1983 acerca de EBEs — Entidades
Biológicas Extraterrestres — que estariam em
contato com o governo americano. Supostamente,
estas EBEs vêm de um planeta deserto onde
vivem em prédios parecidos com aqueles dos
índios pueblos. Segundo consta, uma delas teria
informado a um coronel da Força Aérea que
"nossas almas se reciclam, que a reencarnação é
real. Trata-se do mecanismo do universo".
Isto estabelece um elo entre os visitantes de
Strieber, os alienígenas com traços bem físicos
mencionados em relação ao governo americano e
a reencarnação. As semelhanças, de tão próximas,
parecem nos colocar diante de duas alternativas.
Ou Strieber escreveu seu livro incluindo material
de histórias de EBEs vinculadas ao governo, ou
estava fazendo um relato independente sobre
experiências que tendem a corroborar algumas
daquelas histórias.
Há outra história que associa óvnis, EECs e o
governo americano. Ela envolve o caso de plena
realidade física ocorrido em outubro de 1973. Se-gundo consta, um óvni teria se aproximado de um
helicóptero do exército voando de Columbus,
Ohio, para Cleveland. Por volta das 11h02, os
membros da tripulação avistaram uma luz
vermelha no horizonte oriental que parecia estar
no curso de colisão com o helicóptero. O piloto,
capitão Lawrence J. Coyne, tentou se comunicar
pelo rádio com um aeroporto próximo mas, após
uma resposta inicial, perdeu o contato. Para evitar
a colisão, ele fez o helicóptero dar um mergulho.
Um objeto metálico em forma de charuto se
posicionou bem acima do helicóptero, inundando-lhe a cabina com uma luz verde. Após um breve
intervalo, o objeto prosseguiu na direção do oeste,
mas Coyne descobriu que o helicóptero estava a
mil metros e subindo a 300 metros por minuto,
muito embora eles tivessem iniciado um mergulho
a partir dos 750 metros. Bastou o objeto partir
para o rádio voltar a funcionar.
Tudo isto teve testemunhas de solo. Passando de
carro por uma estrada rural, uma família,
composta por mãe e quatro filhos adolescentes,
viu o encontro entre o objeto e o helicóptero e
notou a luz verde. Além disso, Jeanne Elias,
deitada em casa assistindo ao noticiário na
televisão, ouviu o mergulho do helicóptero e
escondeu a cabeça sob seu travesseiro. Seu filho
de quatorze anos acordou e viu a luz verde, que
iluminou todo o seu quarto. Conforme explicou o
famoso desmascarador de óvnis Philip Klass, o
objeto era um meteoro.
Logo após este caso, o capitão Coyne relatou ter
recebido uma chamada telefônica do "consultório
do Cirurgião Geral do Ministério do Exército",
perguntando-lhe se ele tinha tido algum sonho
incomum após o incidente com o óvni. De fato, ele
relatou um sonho vívido com uma EEC.
O sargento John Healey, um dos tripulantes do
helicóptero, relatou: "De vez em quando, o
Pentágono ligava para nós e nos perguntava se
aquele incidente voltara a ocorrer para nós. E em
duas das ocasiões de que me recordo, o que eles
me perguntaram foi: número um, se alguma vez
eu sonhara estar me separando de meu corpo;
respondi que sim — eu sonhara que estava morto
numa cama e que meu espírito ou algo
semelhante estava flutuando, olhando para meu
corpo jazendo morto na cama. (...) E também me
perguntaram se eu alguma vez sonhara com algo
de formato esférico. Isto na certa jamais ocorrera
para mim." O Pentágono, prosseguiu ele,
costumava ligar para Coyne para lhe fazer estas
perguntas, indagando acerca dos membros da tri-pulação, e as pessoas do Pentágono pareciam
acreditar no que ouviam. É de estranhar que
alguém no Pentágono estivesse interessado na
ligação entre óvnis e EECs.
O físico, o sutil e o que está além
Em suma, como sugerem as provas disponíveis, os
raptos por óvnis e os contatos imediatos podem
ocorrer tanto em estado corpóreo normal quanto
em estado extracorporal. Naquele estado, os
sentidos sutis da testemunha funcionam por
intermédio dos órgãos sensoriais grosseiros (tais
como os olhos e os ouvidos) e, neste, a percepção
se processa diretamente através dos sentidos do
corpo sutil. Também podem ocorrer experiências
envolvendo uma combinação de fases intra e
extracorporais. O caso Doraty (páginas 387-89),
por exemplo, sugere ser possível a percepção por
intermédio dos sentidos corpóreos grosseiros e
dos sentidos sutis ao mesmo tempo. Isto se
denomina bilocação.
Conforme também sugerem as provas, os próprios
ocupantes dos óvnis podem operar tanto no plano
físico quanto no sutil. Além de poderem perceber
a forma sutil de um ser humano, eles podem
providenciar para que um ser humano em estado
extracorporal os veja. Eles podem se fazer
manifestos no plano físico e visíveis aos olhos
comuns ou, então, tornar-se imanifestos e
invisíveis. Podem, ainda, visibilizar seus veículos e
outros acessórios, quer no plano grosseiro, quer
no sutil.
OMahãbhãratatambém contém histórias
indicando a capacidade, própria de determinados
tipos de seres humanóides, de operar tanto no
plano sutil quanto no plano corpóreo grosseiro. Eis
um exemplo indicando a possibilidade de isto ser
feito por rãksasas, uma raça negativa e auto-centrada de humanóides.
Conta este relato que um rei chamado
Kalmãsapãda certa vez teve a insolência de
insultar e golpear o sábio Sakti porque este não
quis lhe ceder passagem por uma estreita trilha na
floresta. Então Sakti, filho do famoso sábio
Vasistha, amaldiçoou o rei para ele se tornar um
canibal.
Enquanto o rei e Sakti brigavam, Visvãmitra,
inimigo de Vasistha e yogue poderoso, aproximou-se de modo invisível com o objetivo de conquistar
algo para si. Após presenciar o acontecido e
avaliar a condição mental do rei, Visvãmitra
esperou até o rei regressar à capital de seu reino
para então mandar um rãksasa se aproximar dele.
Pela maldição do sábio e a ordem de Visvãmitra, o
rãksasa conseguiu entrar no reino e obsedar o rei.
Apesar de ser sobremaneira fustigado no seu
íntimo pelo rãksasa, mesmo assim o rei lograva se
proteger com sua própria força de vontade. Certo
dia, umbrãhmanapediu uma refeição com carne
ao rei. A princípio, o rei pareceu se esquecer
daquele pedido, mas, já tarde da noite, ao se
lembrar, pediu a um cozinheiro que preparasse a
refeição para obrãhmana,que aguardava em
determinado lugar. Como não conseguisse
encontrar carne alguma, o cozinheiro perguntou o
que fazer ao rei. Naquele momento, influenciado
pelo rãksasa, o rei mandou o cozinheiro obter
carne humana. O cozinheiro obedeceu à ordem do
rei, usando a carne de um prisioneiro executado.
Ao ver a refeição pronta, obrãhmanase deu conta
de que ela era imprópria para comer, motivo pelo
qual também amaldiçoou o rei a se tornar um
canibal. Como resultado desta segunda maldição,
o rãksasa teve como dominar o rei por completo.
Assim, movido pela loucura e por um desejo de
vingança, o rei passou a matar e devorar, primeiro
Sakti e em seguida os demais filhos de Vasistha.
Os rãksasas foram mencionados no Capítulo 6
(páginas 292-93) com relação ao veado ilusório
usado por Rãvana para raptar Sitã, e no Capítulo 8
(páginas 336-37) com relação a Bhima e Hidimbã,
sua esposa rãksasi. Eram seres com corpos
grosseiros de constituição robusta, sendo também
conhecidos por sua mestria em poderes místicos.
Antes de conhecer Hidimbã, Bhima se empenhou
numa intensa luta corpo a corpo com Hidimbã, o
irmão dela, e o matou por estrangulamento depois
de o esgotar no confronto. Este embate aconteceu
todo no plano físico. Porém, na história do rei
Kalmãsapãda, o rãksasa ordenado por Visvãmitra
conseguiu atuar no plano sutil e obsedar o rei à
maneira de um espírito malévolo tradicional.
Isto ilustra a idéia segundo a qual seres motivados
sobretudo pela hostilidade seriam capazes de
atuar tanto no plano de existência sutil quanto no
grosseiro. A literatura védica descreve, ainda, um
nível completamente transcendental de
existência, sendo de igual maneira possível que
seres dotados da qualificação adequada atuem
tanto no plano transcendental quanto no físico.
Apresentarei três relatos ilustrativos disto, de
cerca de quinhentos anos atrás. Assim como as
histórias de óvnis aqui analisadas, estas histórias
revelam uma desnorteante combinação de
aparentes fenômenos físicos e fenômenos
ocorridos em outro plano de existência.
Todos os três relatos são de natureza religiosa,
pois têm a ver com adoração e meditação
espirituais. Embora haja quem seja categórico em
rejeitar a admissível evidência de semelhante
material, eu discordo desta posição. Se há a
possibilidade de os tantos e estranhos fenômenos
mencionados neste livro serem verdadeiros, não
faz sentido pensar que os fenômenos relatados
em contextos religiosos sejam todos
necessariamente falsos. De fato, será formada
uma impressão desequilibrada, creio eu, se forem
excluídos eventos de natureza espiritual positiva,
ao mesmo tempo em que se dá ênfase à
apresentação de eventos de caráter negativo ou,
na melhor das hipóteses, neutro.
O primeiro exemplo envolve o santo vaisnava
Narottama Dãsa Thãkura, que viveu na Índia do
século XVI. Com regularidade, Narottama
meditava sobre estar vivendo no mundo espiritual
com suasiddha-deba,ou forma espiritual
aperfeiçoada. Lá, ele servia a Krsna fervendo leite
para Ele e, sob todos os aspectos, aquela era uma
experiência concreta para ele. Na filosofia
vaisnava, Krsna é o Senhor Supremo e vive no
reino transcendental sob uma forma pessoal
eterna. Naquele reino, muitos atos simples de
serviço funcionam como meios para o intercâmbio
de amor intenso entre Krsna e Seus devotos.
De vez em quando, o leite derramava e, em sua
meditação, Narottama queimava as mãos
tentando impedir que isto acontecesse. Contudo,
ao despertar de seu devaneio, ele constatava
estar com as mãos efetivamente queimadas de
verdade.
Pode-se comparar esta história com as duas
supramencionadas experiências de proximidade
com a morte, nas quais resultaram efeitos físicos
de experiências sutis. Conforme se poderia
argumentar, em todos estes casos os efeitos
físicos foram de alguma forma impressos no corpo
por força do poder da mente, como conseqüência
de intensas experiências mentais. Do ponto de
vista védico, esta idéia é aceitável desde que
entendamos que a mente do indivíduo envolvido
estivera de fato funcionando em outro plano de
existência. Porém, há algo mais neste caso do que
alguma espécie de influência psicossomática da
mente sobre o corpo. Para ilustrar este ponto,
consideremos a seguinte história.
O santo vaisnava Srinivãsa Àcãrya foi
contemporâneo de Narottama Dãsa Thãkura. Em
certa ocasião, ele meditava nos passatempos do
Senhor Caitanya, que é uma encarnação de Krsna.
Srinivãsa meditava na forma de Krsna como o
Senhor Caitanya colocando uma guirlanda de
flores aromáticas ao redor de Seu pescoço e
abanando-O com um leque decâmara:
Enquanto servia ao Senhor desta maneira,
Srinivãsa não conseguia manter sua compostura
e, olhando para a forma magnífica do Senhor,
começava a manifestar sintomas de êxtase. Isto
agradou o Senhor Caitanya, que então pegou a
mesma guirlanda de flores que Srinivãsa Lhe dera
e a colocou ao redor do pescoço de Srinivãsa.
Depois deste gesto amoroso do Senhor, a
meditação de Srinivãsa se interrompeu; mas a
guirlanda ainda adornava o seu próprio peito. Sua
fragrância era diferente de todas quantas ele já
experimentara.
Neste caso, um objeto observado em estado de
transe em outro mundo apareceu sob forma física
neste mundo. Por certo, isto não é um efeito psi-cossomático; porém, seria possível imaginar que,
pelo poder paranormal da mente de Srinivãsa,
carregada como estava de intensa emoção
espiritual, a guirlanda se manifestara como um
objeto físico. Agora, contudo, volto-me para o
exemplo de um ser humano neste mundo se
encontrando pela primeira vez com alguém de um
reino superior e depois visitando aquele reino
mediante o transe meditativo para outra vez se
encontrar com a mesma pessoa.
Neste relato, um santo vaisnava chamado Duhkhi
Krsnadãsa cumpria o serviço diário de varrer uma
certa área sagrada na cidade de Vrndãvana, fa-moso lugar de peregrinação na Índia. Certo dia,
enquanto fazia isto, deparou com uma
tornozeleira dourada que parecia emanar uma
aura extraordinária. Impressionado pela influência
que o objeto exercia sobre sua consciência, ele o
considerou muito importante, e por isso o enterrou
num local secreto.
Pouco tempo depois, uma velha senhora veio ter
com ele, perguntando-lhe pela tornozeleira e
dizendo que ela pertencia a sua nora. Por causa
da influência espiritual da tornozeleira, Duhkhi
Krsnadãsa estava convencido de que ela devia
pertencer a Rãdhãrãni, a eterna consorte de
Krsna. Após uma longa conversa, a velha senhora
acabou admitindo que ele tinha razão, e revelou
sua verdadeira identidade como Lalitã-sundari,
uma das criadas de Rãdhãrãni.
Naquela altura, Duhkhi Krsnadãsa desejou ver a
forma verdadeira de sua visitante, mas ela disse
que ele não seria capaz de suportar semelhante
revelação. Após se convencer do desejo sincero de
Krsnadasa, contudo, ela por fim aquiesceu a seu
pedido e revelou sua verdadeira e incomparável
beleza. Após conceder a ele diversas bênçãos e
recuperar a tornozeleira, ela desapareceu, e ele
não conseguiu descobrir para onde ela fora.
Uma das bênçãos concedidas a Duhkhi Krsnadasa
foi uma marca especial detilakaem sua testa,
além de um novo nome, Syãmãnanda. Como Lalitã
o fizera jurar sigilo a respeito do seu encontro,
Syãmãnanda teve dificuldade para explicar a
tilakae o novo nome a seuguru,que ficou
achando que ele só fizera inventá-los. Enquanto
procurava resolver esta difícil situação, Syã-mãnanda se encontrou de novo com Lalitã-sundari. Desta vez, no entanto, ele se encontrou
com ela adentrando seu plano transcendental em
estado de meditação.
Neste caso, Duhkhi Krsnadasa se encontrou com
Lalitã-sundari neste mundo, em seu corpo físico,
além de também ter se encontrado com ela em
outro mundo, que ele, sob sua forma espiritual,
visitou por meio da meditação. Deste modo, tanto
Duhkhi Krsnadasa quanto Lalitã-sundari consegui-ram atuar em diferentes planos de existência.
Também é significativo o fato de Lalitã-sundari ter
sido capaz de assumir uma forma disfarçada.
Logo, tanto nas tradições védicas antigas quanto
nas recentes há relatos de seres capazes de atuar
em diferentes planos de existência. Estes seres
poderão ostentar orientação materialista, como
Visvãmitra Muni e o Rãksasa, ou poderão
demonstrar avanço espiritual. Da mesma forma, a
literatura sobre óvnis parece conter exemplos de
atividade tanto no plano sutil quanto no plano
físico grosseiro.
11
O v n is e R e lig iã o
Em capítulos anteriores, apesar de o tema religião
e óvnis ter vindo à tona numa série de ocasiões,
eu o contornei enquanto analisava outros
assuntos. Neste capítulo, tentarei confrontar este
tema de maneira direta e chegar a um quadro
coerente da relação entre a religião e as reve-lações associadas aos óvnis. Para começar,
cumpre destacar a existência de uma visão
proeminente da realidade, notória pela sua
ausência em comunicações relacionadas a óvnis. É
esta a visão de mundo da ciência moderna.
Segundo a moderna perspectiva científica, o
universo físico constitui toda a realidade
observável. Ele é composto de matéria e energia,
que se transformam de acordo com leis que
podem ser expressas em equações matemáticas.
Nas teorias da física moderna, todos os fenômenos
no universo se reduzem a estados vibracionais
mutáveis de um campo quântico universal. Uma
forma tosca de visualizar isto é imaginar ondas
colidindo entre si num mar encapelado. Na teoria
do campo quântico, todos os fenômenos podem
ser considerados padrões de onda dotados de
determinada qualidade imprecisa e parcialmente
definida, qualidade conhecida como incerteza
quântica.
Alguns cientistas sustentam a idéia de que o
campo quântico é consciente, tendo, inclusive,
procurado identificá-lo com a consciência
unificada universal. Isto tem sido explorado, por
exemplo, nas obras de Fritjof Capra, John Hagelin
e David Bohm. No entanto, todas estas são
tentativas de modificar a visão de mundo
científica, fazendo-lhe enxertos superficiais de
algumas idéias tiradas da escola filosófica védica
do Advaita Vedãnta. Na prática, os cálculos dos
físicos não fazem referência alguma à consciência.
Estes cálculos lidam estritamente com a causação
material — com interações entre diversos tipos de
ondas.
Outros cientistas, apesar de encararem Deus
como a base da realidade, insistem no fato de
Deus atuar exclusivamente no nível de
sustentador da causalidade física. Por vezes, esta
proposta traduz a intenção de acrescentar
categorias teológicas judaico-cristãs ã visão de
mundo científica, mas, também neste caso, os
acréscimos são apenas cosméticos. Todos os
fenômenos ocorrem de acordo com as leis da
física; logo, os mesmos só podem ser entendidos
com base nestas leis, não havendo nenhuma
necessidade verdadeira de se consultar a opinião
de Deus. Para os cientistas convencionais, todos
os fenômenos objetivamente observáveis podem,
em princípio, ser explicados com base na cega
causação física.
Segundo entendem os defensores desta visão, a
vida é um subproduto de processos físicos
ocorridos sob circunstâncias muito especiais, em
planetas de tamanho e composição determinados,
situados a distância certa de estrelas adequadas.
Em um de tais planetas, acumula-se uma sopa de
elementos químicos orgânicos, formando um
oceano primordial. Moléculas colidem entre si,
formam elos e, de alguma forma, evoluem pouco
a pouco até se transformarem em células vivas.
Então, ocorre um processo de evolução
darwiniana. Após centenas de milhões de anos, as
células, em seu processo de evolução gradual,
transformam-se em organismos multicelulares.
Alguns destes desenvolvem sentidos e sistemas
nervosos, e somente então surge o primeiro
vislumbre de consciência. Em alguns planetas, a
evolução poderá enfim produzir criaturas, tais
como os seres humanos, capazes de pensamento
introspectivo e consciente.
No entanto, esta consciência é um mero
subproduto de interações físicas de matéria
ocorridas no cérebro. Tão logo o cérebro seja
destruído, ou comece a ter graves lapsos de
funcionamento, a consciência se apaga. Nada so-brevive à morte do corpo senão o próprio corpo, e
este é um mero conjunto de moléculas que
acabam se decompondo e talvez se incorporando
a outros corpos.
Segundo esta filosofia, a humanidade é a única
forma de vida tecnicamente avançada a ter
evoluído neste sistema solar. Contudo, por haver a
possibilidade de ter surgido vida inteligente em
outros planetas do universo, foi desenvolvido o
programa chamado Busca de Inteligência
Extraterrestre (SETI) para serem ouvidos sinais de
rádio de civilizações extraterrestres.
Muitos cientistas duvidam que outros seres
inteligentes tenham sido capazes de superar os
obstáculos ao vôo interestelar. Mas se existem de
fato seres não-humanos operando naves aéreas
na atmosfera da Terra, então, segundo as idéias
científicas convencionais, estes seres devem ter
vindo de estrelas distantes mediante tecnologia
avançada. Não há outra possibilidade.
Ãtmã, Brahman e a evolução da
consciência
Sem dúvida, esta filosofia científica materialista é
aceita por muitas pessoas hoje em dia. Se ela é
verdadeira, os ufonautas devem ser
supercientistas cósmicos, sendo de se esperar que
façam e digam coisas incompreensíveis para nós.
Não seria de se esperar, contudo, que eles
fizessem declarações compreensíveis e em clara
contradição com princípios científicos
fundamentais. Todavia, segundo relatos, é
exatamente isto que eles estão fazendo.
Em muitos contatos com óvnis, os ufonautas
aparecem como taciturnos. Entretanto, há outros
contatos nos quais, segundo se diz, eles
transmitem elaborados discursos filosóficos. É
freqüente isto acontecer em casos envolvendo
contato amistoso. Também ocorre como uma das
fases de alguns raptos por óvnis, inclusive aqueles
que, sob outros aspectos, são assustadores e
traumáticos. A filosofia apresentada pelas
entidades, além da notória tendência em seguir
um padrão coerente, contradiz radicalmente a
ciência moderna. Esta filosofia pode ser resumida
como segue:
Existe vida em todo o universo, e isto inclui um
vasto número de seres que são muito
semelhantes a nós em forma e comportamento.
Podemos chamar estes seres de humanóides. Eles
são conscientes e têm emoções reconhecíveis por
humanos. Em geral, também são dotados de
faculdades psíquicas bastante desenvolvidas.
Estes seres, tanto como nós, são almas que
habitam corpos materiais. Sendo almas,
transmigram de um corpo físico para outro. Existe
um processo de evolução cósmica da consciência,
mediante o qual as almas progridem pouco a
pouco em seu desenvolvimento espiritual,
passando por experiências numa sucessão de
corpos materiais.
O avanço espiritual acarreta o desenvolvimento do
amor e da compaixão por todos os seres,
acarretando, também, o desenvolvimento de
conhecimento, inteligência e poderes psíquicos.
Seres em altos níveis de avanço espiritual
trabalham juntos e cooperativamente num
sistema organizado de governo universal. Em
contraste, a maioria dos humanos da Terra são
tidos como bárbaros rudes e retardados em
termos de desenvolvimento espiritual.
Afora o corpo grosseiro feito de elementos
materiais conhecidos, existe um corpo sutil feito
de energias mais refinadas e desconhecidas da
ciência moderna. Há, ainda, diferentes planos de
existência, o que podem ser considerados como
realidades paralelas ou supradimensionais. Estes
planos são habitados por humanóides, alguns dos
quais são capazes de viajar de um plano para
outro. Alguns destes seres também podem
exercer controle sobre os corpos grosseiros e sutis
de seres humanos e fazer com que estes se
movimentem e se transformem de maneiras
extraordinárias. (Por exemplo: eles podem fazer
um corpo humano atravessar uma parede sólida.)
As formas de vida passaram a existir no universo
por intermédio de um processo de criação. Apesar
de este processo não ser explicado com nitidez, a
idéia básica é que existe um Criador universal e
natural responsável pela geração dos seres vivos.
Mesmo soando bastante implausível do ponto de
vista da teoria darwiniana da evolução, isto
explica a maneira pela qual formas parecidas à
humana podem surgir em todo o universo.
Esta filosofia é panteísta. O Criador está presente
em toda parte e atua em toda parte por
intermédio da natureza. Encarado como
impessoal, o Criador é, segundo se costuma dizer,
quase incompreensível e inacessível.
No plano mais elevado, o Criador é considerado o
Uno — o ser eterno e não-dual, pleno de
consciência, amor e luz. A evolução da
consciência, dizem ainda, acabará nos levando à
fase de experimentar o Uno ou de nos fundirmos a
Ele.
Esta é, em resumo, a filosofia embutida, em
caráter pleno ou parcial, em muitas comunicações
relacionadas a óvnis, inclusive aquelas obtidas por
canalização e aquelas recebidas em contato direto
como entidades ufológicas. Esta filosofia muito
contradiz, e de maneiras muito importantes, o
materialismo científico. Além disso, é tudo menos
estranha, já que é exposta em inúmeros textos
humanos, sendo bem conhecida para muitas
pessoas.
Na Índia, esta filosofia de fusão no Absoluto
impessoal sobressai no budismo e no sistema
filosófico do Advaita Vedãnta. Embora este
sistema tenha sido identificado com o hinduísmo
por muitos ocidentais, na índia, tanto o Advaita
Vedãnta quanto o budismo contrastam com a
filosofia do monoteísmo pessoal, chamada
Vai.snava Vedãnta, que é apresentada em textos
védicos como oBbãgavata Purãna.Segundo
sustenta esta filosofia, a Verdade Absoluta é
pessoal por natureza, e por isso o Uno dos advaita
vedantistas é tido como uma concepção
incompleta do Ser Supremo. Falarei mais sobre o
Advaita Vedãnta e o Vaisnava Vedãnta mais
adiante neste capítulo.
Pelo menos para mim, a idéia de seres de
aparência não-humana promovendo uma filosofia
semelhante ao Advaita Vedãnta resultou
inesperada e surpreendente. Não obstante,
conforme sugerem muitas provas, algumas delas
constantes em capítulos anteriores, isto está
acontecendo. Passo agora a rever algumas destas
provas, além de apresentar algum material
adicional. Em seguida, farei algumas observações
sobre o que tudo isso faz subentender com
respeito à filosofia, ciência e religião.
Transmigração e planos superiores
Segundo mencionei no Capítulo 5, Betty
Andreasson, que foi raptada por óvni, falou de
seres alienígenas vivendo em outros "planos" ou
dimensões. Assim, ao lhe perguntarem se estes
seres tinham como viajar para outras estrelas, ela
respondeu que eles podiam viajar para algumas
próximas à nossa Terra e para outras além dela.
Ela esclareceu este ponto dizendo: "Além das
nossas existem outras, mas elas estão num plano
diferente. Encontram-se num espaço mais
pesado." Segundo também salientou ela, eles
podem ver o futuro e, embora o "tempo para eles
não seja como o nosso tempo, eles conhecem
nossa dimensão de tempo".
Ela relatou ter sido conduzida pelo interior de um
óvni por um ser do tipograyque se identificou
como Quazgaa. Ao falar por telepatia das inten-ções de seu grupo, este ser disse: "Motivados por
grande amor, eles não podem deixar o homem
prosseguir no rumo que está tomando. (...) Eles
detêm tecnologia que o homem poderia usar. (...)
O meio é o espírito — é uma pena o homem não
buscar por este lado. (...) Se o homem
simplesmente estudar a própria natureza,
encontrará muitas das respostas para suas
perguntas. (...) O homem as encontrará por
intermédio do espírito. O homem não é feito só de
carne e sangue."
Como Betty Andreasson é uma cristã
fundamentalista, é de se esperar que ela teça
comentários sobre o "amor" e "o espírito". No
entanto, a idéia de um "plano diferente", ou de um
"espaço mais pesado", não representa papel
algum no pensamento cristão tradicional. Ou seja:
também existem outros indícios de uma fonte
não-cristã para as comunicações alienígenas de
Betty.
Parece, por exemplo, que numa ocasião os
visitantes alienígenas de Betty se apoderaram de
sua fala durante uma sessão de hipnose. Naquele
momento, ela disse, com entonação mecânica:
"Vocês tentam buscar nas direções erradas. A
simplicidade rodeia vocês sempre. O ar que vocês
respiram, a água que vocês bebem, o fogo que os
aquece, a terra que os cura. Simplicidade, cinzas
— ninguém faz caso de coisas que são
necessárias. Poderes internos são subestimados.
Por que pensar que vocês sabem viver?
Simplicidade."
Esta declaração se refere aos elementos ar, água,
fogo e terra. Estes elementos representam uma
parte importante da filosofia sãrikhya da Índia, da
antiga filosofia grega e das tradições herméticas
medievais. Porém, como hoje em dia os cientistas
os consideram categorias obsoletas, parece
duvidoso que Betty Andreasson tenha sido
instruída de alguma outra maneira na escola ou na
igreja. A experiência de Betty da Fênix em cinzas
(páginas 236-37) também envolveu um tema que,
embora fizesse parte da antiga tradição egípcia,
decerto não sobressai no cristianismo de hoje.
A idéia da existência de outros planos ou
dimensões aflorou de maneira um tanto pungente
na experiência de um artista comercial e sua
esposa, que relataram terem sido mentalmente
atraídos para um óvni por um homem alto e calvo
trajando um bizarro manto azul (páginas 394-95).
Segundo relatou o artista, ele foi submetido a um
exame típico. Durante o exame, ele teve sua
mente invadida à força, e lhe foram reveladas
noções sobre dimensões superiores da realidade:
É como se eles estivessem escarafunchando a
minha mente... e como se eu não tivesse nenhum
controle sobre isto. Meu cérebro — é como se
houvesse um túnel atravessando a minha mente
até chegar na deles. (...) Nossas mentes estão
ligadas. Parece um tubo, talvez seja luz? E uma luz
cinza, uma luz marrom-acinzentada, cinza-acastanhada. Parece que tudo foi tirado da minha
cabeça. (...) Há um som terrível, mas não sei
distinguir o que seja — só sei que é penetrante,
agudíssimo. (...) E vem da minha cabeça! Minha
cabeça se foi... é como se eu pudesse ver todos os
meus pensamentos, como um grude. Tudo na
minha mente está desnudado. Eu sei disso, mas
eles também o sabem.
Em seguida, eles reapresentam a mesma idéia
com alguns acréscimos:
Há mais coisas ainda por conhecer. Há mais para
se conhecer sobre a vida, o mundo, tudo, enfim.
Mais dimensões, coisas coexistindo. Existem
outras dimensões... mais que três dimensões. Em
toda parte, tudo funciona em conjunto. Tudo
coexiste. Há diferentes dimensões às quais não
temos acesso.
O pesquisador ufológico Don Elkins coligiu
bastante material canalizado aparentemente
oriundo de entidades de outros mundos. Este
depoimento, observou ele, revela padrões
bastante coerentes, muito embora se origine de
muitos indivíduos de procedências e posições
sociais muito distintas. É comum fazerem
referências à alma, à reencarnação e a planos ou
dimensões superiores. Uma entidade canalizada
conhecida como Sut-ko, por exemplo, teria
comunicado a seguinte informação:
Desde tempos imemoriais, mestres da Luz têm
vindo à Terra, encarnando de outros planetas, de
outros sistemas, inclusive de outras galáxias e dos
reinos que vocês conhecem como os reinos de
existência não-física ou superior; e grandes
companhias de Luz encarnam, trazendo consigo a
bandeira da Verdade, do Amor e da Luz.
Esta declaração é uma referência típica a seres
superiores encarnando na Terra para ajudar a
humanidade sofredora. Elkin cita a declaração de
outro contato descrevendo a reencarnação
conforme esta se aplica às pessoas na Terra:
À medida que evoluirmos para planos superiores
de vida, encarnaremos em corpos muito mais
etéreos do que aqueles ora usados por nós, assim
como no passado usamos corpos quase
incrivelmente mais grosseiros e vulgares do que
aqueles que hoje consideramos nossos.
Já que muitas das comunicações citadas por Elkins
contêm afirmações desvairadas e dúbias, não é
possível provar que alguma delas tenha de fato se
originado de seres de outros mundos. Porém, dada
a surpreendente coerência temática destas
comunicações, não creio ser fácil explicar a
mesma em termos comuns. Elkins diz: "Pelo fato
de eu ter observado mais de cem pessoas
passarem por este processo [de canalização] e de
ter lido milhões de palavras, publicadas e não-publicadas, decontatos,creio contar agora com
elementos para selecionar material bastante
correlato deste grande volume de comunicações."
Fica parecendo que o inconsciente típico
americano nutre idéias de reencarnação e mundos
etéreos ou "alguém" está tentando transmitir
mensagens paranormais sobre estes temas.
Voltando-nos para um caso de contato face a face,
um pastor batista do sul de Porto Rico alegou ter
tido muitos encontros com humanóides do planeta
Koshnak, na direção da constelação de Orion.
Estes seres tinham aparência muito semelhante à
das conhecidas entidades gray. Tinham rostos
inexpressivos e em forma de melão, com lábios
finos, narinas e ouvidos pouco desenvolvidos e
grandes olhos "transpassados" e sem pupilas.
Eram olhos verdes com raios cintilantes, tidos
como intensos e interessantes.
Contudo, ao contrário dos contatos típicos com
grays, este foi um caso clássico decontato.Os
seres trataram o homem de maneira bem
amistosa. Um deles, que se chamava Ohneshto,
levou-o para passear em um de seus veículos,
mostrou bases submarinas na Terra e, por
telepatia, apresentou prolongados discursos
filosóficos sobre o tempo, o espaço e os motivos
da existência humana. Incluíam-se aí referências a
dimensões superiores:
Conforme disse ele, eles viajam nas sétima e
oitava dimensões, desconhecidas dos humanos da
Terra, estando cientes de 13 dimensões de ser.
Ohneshto salientou referências em nossa Bíblia
relativas a óvnis. A duração normal de vida deles,
disse ele, é de cerca de oitocentos a mil de nossos
anos. (...) Segundo explicou ainda, eles podiam
dar continuidade à vida para sempre com apenas
uma célula do corpo. O eixo da Terra, disse
Ohneshto, já mudou quatro vezes, segundo o que
eles puderam investigar, e inclina-se
aproximadamente a cada 20 ou 25 séculos.
Este caso se assemelha de muitas maneiras ao
caso de Filiberto Cardenas analisado no Capítulo 5
(páginas 207-09). Também neste caso, as
entidades contactantes falavam de outras
dimensões. Segundo afirmou Cardenas, durante
uma visita voluntária a uma das suas naves, eles
lhe disseram que "são seres de outras dimensões,
de outros mundos, mas que não são deuses, e não
pretendem ser considerados como tais".
Panteísmo e impersonalismo
Em uma série de relatos sobre comunicações
relacionadas a óvnis, faz-se menção direta de
alguma idéia sobre Deus. Que eu saiba,
praticamente todas elas apresentam uma
concepção panteísta ou impessoal do Supremo. As
concepções impessoais descrevem o Supremo
como uma força, energia ou estado último do ser
que, mesmo sendo a fonte de todos os
fenômenos, é desprovido de todos os atributos
pessoais. Nesta categoria está incluída a
concepção panteísta do Supremo, que identifica
Deus com o universo. É possível contrastar estas
idéias impessoais com a idéia de que Deus possui
características pessoais absolutas, bem como
diversas energias e aspectos pessoais.
A menção de alguma concepção de Deus em
comunicações de óvnis é compatível com o fato
de muitas destas comunicações enfatizarem a
espiritualidade. As idéias teológicas, todas em
natural harmonia com a idéia segundo a qual os
seres humanos têm uma dimensão espiritual, são
incompatíveis, portanto, com visões de vida
estritamente mecanicistas.
Ao mesmo tempo, concepções de Deus
estritamente impessoais são incompatíveis com a
devoção a um Ser Supremo pessoal. Embora bem
poucas comunicações relacionadas a óvnis
tendam a denegrir a concepção pessoal do
Supremo, outras o fazem ao alegarem que os
humanos da Terra costumavam por equívoco
adorar visitantes extraterrestres como Deus ou
como deuses. A implicação — às vezes detalhada
de maneira explícita — é que as idéias
antropomórficas acerca da Divindade surgiram a
partir dos contatos extraterrestres com seres
humanóides. Segundo outra evidente
possibilidade, todos os seres parecidos aos
humanos dentro do universo teriam tido a forma
deles derivada de um original Criador de forma
semelhante à humana, de modo que a forma
humana é, na verdade, "deomórfica".
Segundo se relata em alguns casos, as entidades
humanóides tecem breves comentários teológicos
no decorrer de contatos imediatos aparentemente
acidentais. Um homem de 25 anos de idade, por
exemplo, relatou seu contato com seres estranhos
em julho de 1968 no Grodner Pass nos alpes
dolomíticos italianos. Ele disse ter se encontrado
com seres altos e magros com cabeças
abobadadas e belos olhos orientais. Os seres, que
estavam acompanhados por um pequeno robô,
disseram-lhe por telepatia: "Vimos de um planeta
numa galáxia distante" e "Tudo é Deus". Também
advertiram quanto a uma vindoura alteração de
eixo, quando a crosta da Terra rachará e a vida
estará em grande perigo.
Outra revelação teológica foi transmitida a Cynthia
Appleton, 27 anos, mãe de dois filhos e morando
em Aston, Birmingham, Inglaterra. Às 15h do dia
18 de novembro de 1957, ela foi ver se estava
tudo bem com sua filhinha. De repente, sentiu
uma opressão, como aquela que antecede uma
tempestade, e viu um "homem" se materializar
com um zunido perto da lareira. Foi uma aparição
a princípio enevoada e depois nítida. Ele era alto e
bonito, trajando uma veste justa de matéria
parecida com o plástico encimada por uma gola
de estilo "elisabetano". Ele respondeu às
perguntas dela por telepatia, revelando ter vindo
de um mundo de paz e harmonia a bordo de uma
nave do tipo disco voador. Ele conseguiu
transmitir uma imagem mental de tudo isso de
maneira misteriosa.
Numa segunda ocasião, duas figuras semelhantes
falaram com ela num inglês de estilo estranho,
informando que eram projeções e que ela não
devia tocá-las. Segundo uma das observações
feitas por elas, "a própria Divindade habita o
âmago do átomo". Segundo consta, não havia
nenhum livro na casa da Sra. Appleton, apenas
jornais. As pessoas que a entrevistaram a
descreveram como uma mulher jovial, simpática e
sincera.
Embora esta afirmação sobre a Divindade pareça
panteísta, também se pode dar uma interpretação
mais ampla a ela. OBrahma-sanihitãdiz que Deus
habita dentro de cada átomo (em sânscrito,
paramãnu,ou amenor partícula) e que inúmeros
universos existem simultaneamente dentro de
Deus. A idéia aqui é que Deus é uma Pessoa
Suprema distinta da manifestação universal e, ao
mesmo tempo, plenamente presente dentro de
cada partícula de matéria.
O médium Robert Monroe, conhecido por suas
investigações sobre viagens extracorporais,
relatou ter recebido uma comunicação negando
veementemente suas concepções de Deus até
então. Isto envolveu um misterioso feixe de
radiação que parecia emanar de um ponto no céu:
De repente me senti banhado e transfixado por
um feixe luminoso poderosíssimo que parecia vir
do norte, cerca de trinta graus acima do horizonte.
Vi-me de todo impotente, sem nenhuma vontade
própria, e senti como se estivesse na presença de
um poder fortíssimo, em contato pessoal com ele.
Dotado de inteligência de uma forma além de
minha compreensão, desceu diretamente (pelo
feixe luminoso?) para a minha cabeça, e parecia
estar buscando cada detalhe de memória em
minha mente. Fiquei mesmo amedrontado porque
me sentia impotente para fazer algo quanto
àquela invasão.
Jacques Vallee comparou o feixe luminoso de
Monroe aos feixes de luz constantes em obras de
arte religiosa para retratar revelações de Deus. É
interessante que, durante uma de suas aparições,
o feixe luminoso transmitiu a Monroe um conceito
muito frio e impessoal de Deus. Foi algo tão
esmagador que chegou a fazer Monroe verter
lágrimas de amargura. Disse ele: "Naquele
momento, fiquei sabendo, sem nenhuma restrição
ou esperança futura de alteração, que o Deus da
minha infância, das igrejas, da religião no mundo
inteiro não era quem pensávamos estar
adorando."
Monroe parecia ter sempre pensado em Deus
como se este fosse uma pessoa capaz de mostrar
interesse por um de Seus adoradores. Porém,
quem quer que tivesse sido responsável pelo feixe
luminoso, fez questão de desiludi-lo deste
conceito.
Como existem muitos relatos sobre feixes
luminosos sondadores de mentes e oriundos do
céu, mencionarei outro exemplo para mostrar a
possível relação entre estes feixes e os óvnis.
Trata-se da história de uma mulher moradora de
Westchester, Nova York. Segundo a mulher
relatou para a equipe de investigadores de J. Allen
Hynek, em abril de 1983 ela foi despertada por um
feixe de luz que entrou pela janela de seu
dormitório. O feixe pareceu penetrar seu corpo e
ela se sentiu paralisada. Disse ela:
Fiquei ali deitada uns dez minutos, e o tempo todo
eu sentia como se minhas entranhas estivessem
sendo esquadrinhadas, como se um médico es-tivesse examinando minhas entranhas. Eu estava
aterrorizada, mas não havia nada que pudesse
fazer.
Então, enquanto eu jazia ali, aquelas imagens
começaram a lampejar em minha mente...
imagens de luzes emitindo toda sorte de cores. Aí,
pareceu haver alguém tentando falar comigo. Vi a
imagem de um ser com pele argilosa e uma
cabeça grande com olhos grandes. Ele não tinha
cabelo nem boca. Eu não seria prejudicada de
forma alguma, ele me assegurou, dizendo que
estavam apenas me examinando.
Isto se assemelha, é claro, a muitas descrições de
seres humanóides vistos em contatos imediatos
com ovnis. Poderiam tais seres estar transmitindo
doutrinas teológicas impessoais a Monroe?
Existem outros relatos compatíveis com esta idéia.
Segundo observo no Capítulo 10, o governo
americano alega ter hospedado uma Entidade
Biológica Extraterrestre, ou EBE, segundo a qual a
reencarnação é real e "se trata do mecanismo do
universo". Em 14 de outubro de 1988, um
documentário de televisão intituladoUFO Cover-up? Live (Acobertamento de óvnis? Ao vivo)foi
transmitido para todos os Estados Unidos. Este
programa apresentava o depoimento de um
suposto agente do serviço secreto americano
chamado Falcon, que fez várias declarações sobre
esta EBE e sua raça de seres. Ao lhe perguntarem
se esses alienígenas acreditam num Ser Supremo,
Falcon respondeu: "Eles têm uma religião, só que
é uma religião universal. Acreditam que o universo
é um Ser Supremo."
As histórias de EBEs se associam, é claro, à
complexa massa de alegações relativas a
acobertamentos de óvnis, conspirações do
governo e desinformação (páginas 137-42). Nelas
se inclui, também, a história de Jesus Cristo sendo
criado pelas EBEs. Como Cristo é adorado pelos
cristãos como um Deus pessoal, quem quer que
esteja por trás das histórias de EBEs parece ter
algum interesse em solapar o teísmo pessoal e
substituí-lo pelo panteísmo.
A história associando o governo a EBEs é um dos
muitos relatos ligados a óvnis que atribuem a
origem dos seres humanos modernos à
manipulação genética de humanos primitivos por
extraterrestres. Conforme salientei no Capítulo 5
(páginas 232-37), é comum estes relatos
parecerem ser projetados para repudiar
concepções pessoais de Deus. Como a história de
contato extraterrestre de Eduard Meier é um dos
exemplos mais elaborados disto, analisarei aqui
seus pontos de vista teológicos com certa minúcia.
Segundo Semjase, a entidade feminina que fez
contato com Meier: "Acima de tudo, apenas uma
entidade possui o poder da vida e da morte sobre
cada criatura. Esta é a CRIAÇÃO, e apenas ela,
que regulamenta as leis sobre tudo e todos, leis
irrefutáveis e dotadas de sua própria validade
eterna." Segundo enfatizou Semjase, não existe
um Criador pessoal — a Criação suprema é
estritamente impessoal. As religiões devotadas a
um Deus antropomórfico, sustentou ela, têm
gerado um efeito prejudicial sobre o espírito
humano. A missão de Meier, disse ela ainda, é
"trazer esta verdade à luz do mundo".
A filosofia apresentada por Semjase é muito
semelhante à filosofia sãrikhya ateísta da Índia.
Segundo entende esta escola de filosofia, dois são
os ingredientes básicos formadores do universo:
prakrti,ou matéria, epurusa,os seres vivos.
Prakrtifunciona segundo leis inerentes, sendo
deste modo comparável à matéria e à energia
como as entende a física moderna. No entanto,
nas subcategorias deprakrtiestão incluídos tipos
sutis e etéreos de energia desconhecidos dos
físicos de hoje.
Os seres vivos são partículas de consciência
embutidas na matriz deprakrti. Cada ser
consciente está situado dentro de coberturas
corpóreas grosseiras e sutis feitas deprakrti,e
todos estes seres transmigram de um corpo
grosseiro para outro de acordo com leis
universais. Também é possível seres vivos atua-
rem dentro de corpos de energia puramente sutil.
É possível comparar isto com a filosofia de
Semjase, que caracteriza almas em corpos
produzidos pelas leis da Criação.
A filosofia sãrikhya ateísta é assim denominada
por negar a existência de um supremo controlador
pessoal do universo, e sustenta queprakrtie suas
leis são supremas. Em contraste, oBbagavad-gitã,
oBhãgavata Purãnae outras obras védicas
importantes expõem a chamada filosofia sãrikhya
teísta. No sistema teísta, tanto aprakrtiquanto os
seres vivos conscientes são tidos como
emanações energéticas de uma Pessoa Suprema
eterna e consciente.
Na Índia, há uma antiga controvérsia entre
quantos consideram o Ser Supremo como uma
força impessoal e quantos O encaram como uma
pessoa transcendental. Embora eu ainda não
tenha podido dar a devida atenção a este assunto,
mencionarei um ponto interessante que aflora na
filosofia de Semjase.
Segundo salientou ela, as leis cósmicas que regem
a Criação não são como as leis da física, com suas
forças e cargas impessoais. Muito embora a
Criação seja impessoal, suas leis são pessoais por
natureza. Portanto, disse Semjase, as pessoas
espiritualizadas de fato não oram em troca da
satisfação de suas necessidades. Elas sabem que,
"por causa do espírito todo-poderoso presente
nelas, conseguirão tudo de que precisarem e,
além disso, tudo que desejarem, contanto que
tenham desejos afinados com a Lei Cósmica do
amor a todos".
Bem, amor é algo que tem a ver com pessoas. Se
a lei cósmica é impessoal por natureza, como
pode, então, basear-se no amor? Observe-se que
este problema não existe em teorias científicas
modernas. Segundo a ciência moderna, o amor
não passa de uma recente excrescência da
evolução homínida na África, nada tendo a ver
com a lei cósmica. Porém, se a qualidade pessoal
do amor está embutida na lei cósmica, então é
natural querer saber o porquê dela existir. Ora, se
existe uma Pessoa Transcendental por trás da lei
cósmica, em resposta, a mesma lei foi entalhada
de acordo com as intenções amorosas daquela
pessoa.
Em sua análise das leis da Criação, Semjase
também explica como matéria e energia são
produzidas por idéias universais: "A energia é o
resultado de — uma idéia... Isto remonta à própria
criação original, tendo a primeira energia nascido
de uma idéia. Em seguida, as forças do Espírito
concentram esta idéia/energia de alta vibração e,
quando a vibração diminui, resulta a matéria." A
pergunta aqui é: Se a Criação é uma força
impessoal, faz sentido dizer que ela tem idéias?
Afinal, é normal associarmos idéias a um ser
consciente.
Como os pontos filosóficos levantados por
Semjase não constituem nada de novo na
sociedade humana, isto nos leva a indagar de
onde Meier os teria tirado de fato. Todos estes
pontos são bem conhecidos na índia, onde, segun-do se sabe, Meier passou algum tempo. Talvez ele
estivesse simplesmente expondo, pela boca de
Semjase, idéias colhidas na índia. Ou talvez tenha
mesmo recebido uma visitante extraordinária que
lhe ensinou estas coisas.
Podemos obter maiores esclarecimentos sobre
este assunto considerando outra história de
contato que é um tanto diferente daquelas
analisadas até aqui. Em todas estas histórias, a
entidade contatante tem sido um ser de aparência
não-humana. Volto-me agora para uma história
cuja entidade consta como sendo humana.
Em novembro de 1919, Alice Anne Bailey, sentada
sob a sombra de uma árvore numa encosta da
Califórnia, descansava após ter deixado seus três
filhos na escola. De repente, ela se soergueu,
sobressaltada: "Ouvi algo semelhante a uma nota
musical soando do céu, passando pela colina até
chegar a mim. Depois, ouvi uma voz a dizer: 'Há
alguns livros que se deseja que sejam escritos
para o público. Você tem capacidade para
escrevê-los. Você o fará?'" Embora a princípio ela
se recusasse, mais tarde se deixou persuadir a
fazê-lo. Com o passar do tempo, escreveu uma
série de grossos volumes sobre metafísica e
ocultismo que lhe foram ditados por meio de
telepatia por um personagem conhecido como "o
Tibetano". Entre eles, está incluídoA treatise on
cosmic fire (Um tratado sobre o fogo cósmico),
uma obra de 1.282 páginas.
A experiência de Bailey na encosta faz lembrar
muitos contatos com óvnis, nos quais alguém
recebe uma mensagem telepática precedida por
um som agudo. No caso dela, no entanto, a
mensagem telepática veio, supõe-se, de um ser
humano vivendo no Tibete. (Ela também relatou
ter recebido comunicações de um adepto tibetano
por intermédio de um feixe de luz que veio parar
em seu quarto.)
Comunicações telepáticas de místicos tibetanos?
Alguém poderia se sentir tentado a rejeitar esta
história de imediato por a considerar um disparate
ultrajante, além de julgar Bailey uma tola iludida
ou uma charlatã conivente. Contudo, se é possível
humanóides estranhos transmitirem
comunicações telepáticas, por que deveríamos
descartar a possibilidade de yogues humanos as
transmitirem?
Como é comum acontecer, quanto menos se
conhece uma história, mais fácil é descartá-la. A
autobiografia de Bailey, que eu tive oportunidade
de ler, parece retratá-la como uma pessoa
racional e honesta. Bailey parece tão confiável
quanto muitas das testemunhas mencionadas
neste livro. Logo, é bem possível que tenha escrito
seus livros da maneira por ela descrita. Devo
enfatizar, é claro, que, não estou ao dizer isto,
imputando nenhuma autoridade em particular a
estes livros. Uma coisa é receber uma mensagem
por telepatia (ou por qualquer outro meio) e outra
coisa é a mensagem ser verdadeira.
Os livros de Bailey consistem em idéias tiradas do
cristianismo, do budismo, de textos védicos e de
tradições ocidentais de ocultismo, idéias organiza-das por um intelectual sofisticado. Em minha
opinião, embora representem uma síntese
brilhante de idéias, demonstram uma forte
tendência a distorcer alguns de seus elementos-
fonte. Podem ser encarados como uma tentativa
de incorporar o cristianismo no budismo.
Para entendermos a possível ligação deles com o
fenômeno ufológico, consideremos os seguintes
pontos dos ensinamentos do Tibetano:
1. Ele fez previsões de grandes desastres, inclusive
sérios distúrbios no Alasca e na Califórnia. Fez
menção, em particular, a ações vulcânicas.
2. Fez previsões sobre futuros desenvolvimentos
técnicos e políticos. Disse, por exemplo, que a
energia do átomo seria aproveitada.
3. Disse que os humanos da Terra têm qualidades
deploravelmente ruins: "O egoísmo, os motivos
sórdidos, a pronta reação a impulsos malévolos
pelos quais a raça humana tem se distinguido
ocasionaram um estado de coisas sem paralelos
no sistema."
4. Apresentou o Amor como sendo o "motivo
propulsor para a manifestação", tanto em nível
individual quanto em nível universal.
5. Os Mestres, disse ele, são adeptos ocultos que
fazem parte do sistema de controle planetário e
que vivem por períodos fabulosos de tempo.
Apesar de serem avançadíssimos, ainda estão
evoluindo. Deplorou os cultos à personalidade
desenvolvidos em torno dos Mestres.
6. Disse que a religião devocional deve ser
eliminada: "O Mestre Jesus está... trabalhando em
colaboração com certos adeptos da linha
científica, que — através da desejada união de
ciência e religião — buscam despedaçar o mate-rialismo do Ocidente por um lado e, por outro, a
devoção sentimental de muitos devotos de todas
as fés."
Declarações como as acima são freqüentes em
relatos sobre comunicações ufológicas. São
comuns as previsões de desastres e previsões
políticas também são possíveis. Os humanóides
ufológicos quase sempre salientam as qualidades
deploráveis dos seres humanos e, em certos
casos, também enfatizam a importância do amor
universal. Costumam dizer que vêm visitando a
Terra há milhares de anos e que gozam de vidas
longuíssimas. Salientam, ainda, o fato de terem
sido adorados como deuses no passado, apesar de
não o serem, e de ainda estarem evoluindo rumo
à perfeição. Todos estes pontos afloram amiúde
nos casos de Eduard Meier e Filiberto Cardenas,
entre outros. Em particular, os pontos do Tibetano
podem ser comparados com seis comunicações
alienígenas relatadas por Cardenas:
1. Os alienígenas raptores de Cardenas previram
grandes desastres e disseram que a Califórnia
afundará no mar.
2. Fizeram diversas previsões sobre figuras
públicas e a política internacional.
3. Criticaram a vaidade dos humanos e falaram de
sua dificuldade ao tentarem lidar com eles.
4. Falaram longamente sobre o Amor universal.
5. Segundo disseram os alienígenas, eles vêm
visitando a sociedade humana há quatro mil anos.
Embora as pessoas costumassem adorá-los como
a deuses, eles não são deuses.
6. Criticaram as religiões da Terra.
É significativo o fato de o objetivo declarado das
comunicações de Bailey ser de "despedaçar o
materialismo do Ocidente por um lado e, por
outro, a devoção sentimental de muitos devotos
de todas as fés". Em particular, a concepção
pessoal de Deus deve ser substituída pela remota
e abstrata concepção do Supremo como "Aquele
Sobre Quem Nada Se Pode Dizer".
Conforme se pode argumentar, um dos efeitos
primários do fenômeno ufológico, para quantos o
levem a sério, é fraturar-lhes a ocidental visão
científica da realidade. Além disso, comunicações
de óvnis contendo material teológico costumam
promover uma concepção impessoal ou panteísta
de Deus. Algumas delas fazem ataques específicos
à base de fés devocionais em particular —
notadamente o cristianismo.
Uma hipótese para explicar tudo isto é aquela
segundo a qual certos seres dotados de
faculdades místicas estariam tentando doutrinar a
sociedade humana com uma filosofia espiritual
baseada na evolução cósmica da consciência e
numa concepção impessoal do absoluto. Alguns
destes seres são humanóides que visitam as
pessoas a bordo de óvnis e outros talvez sejam
humanos como nós que teriam adquirido
faculdades místicas pela prática da yoga. Quanto
a estes, sua filosofia impessoal pode ter suas
raízes em tradições históricas como obudismo e a
filosofia indiana do Advaita Vedãnta. O propósito
do programa de doutrinação poderia ser salvar a
humanidade e a Terra dos perigos causados pelo
materialismo moderno.
Segundo a perspectiva védica, não se descarta de
forma alguma um programa conjunto de
doutrinação levado a cabo por sábios humanos e
humanóides ufológicos. A literatura védica
descreve um mundo onde pessoas comuns e
yogues poderosos coexistem com variadas raças
humanóides. Estas raças são dotadas desiddhis
místicos, e muitas estão acostumadas a viajar em
vimãnas.Segundo consta, filosofias espirituais
baseadas em concepções impessoais de Deus são
bastante proeminentes tanto entre os yogues
quanto entre estes seres misticamente dotados.
Se algumas destas pessoas estão perturbadas
com o atual estado de coisas na Terra, é natural
que elas queiram usar suas próprias filosofias e
tecnologias num esforço para lidar com esta
situação. Isto poderia envolver a coordenação de
diversas atividades por seres de uma série de
grupos diferentes, com qualidades pessoais
variando detamo-gunaasattva-guna(páginas
379-80).
Compreensão de Brahman
No Capítulo 10 (páginas 420-21), narro o rapto por
óvni de Betty Andreasson, durante o qual a levam
até uma porta imensa num complexo subterrâneo.
Naquela altura, ela sai de seu corpo, atravessa a
porta e tem a experiência do encontro com o Uno.
Embora esta experiência lhe causasse grande
felicidade, ela não conseguiu explicá-la:
Betty.É... não tenho palavras para explicá-lo. É
algo maravilhoso. É para todos. Só não posso lhe
falar a respeito. Fred Max:Não pode? Por que
não?
Betty:Em primeiro lugar, é por demais
impressionante e é... é indescritível. Não tenho
palavras para descrevê-lo. Além do mais, me é
simplesmente impossível fazê-lo.
Fred Max: Disseram-lhe para não compartilhar a
experiência comigo?
Parece duvidoso que este depoimento tenha sido
evocado pelas perguntas capciosas de Fred Max, o
hipnotizador. Segundo tudo indica, na opinião
dele, Betty não conseguia descrever sua
experiência porque sua mente estava sob o
controle dos alienígenas — uma idéia comum
entre investigadores de raptos por óvnis. No
entanto, parece claro o fato de ela não ter como
descrever a experiência por esta estar
literalmente além das palavras.
Um método típico usado para se tentar contornar
bloqueios mentais inibindo a memória de uma
pessoa é pedir à mesma, enquanto sob hipnose,
para visualizar a experiência bloqueada como se a
estivesse assistindo na tevê. Quando esta
tentativa foi feita com relação à experiência de
Betty ter visto o Uno, ela reagiu dizendo:
Ohhhh! Há uma luz brilhante saindo da televisão!
Isto é fantástico! Há raios de luz, luz branca
brilhante, como se [pausa] eles tivessem um
projetor lançando sua luz para fora da televisão!
Esta luz está ferindo meus olhos!
A literatura védica fala do Brahman como sendo
uma luz branca indescritível que se caracteriza
pela unicidade, eternidade e felicidade ilimitada.
Os investigadores ufológicos que estavam
entrevistando Betty Andreasson não pareciam
saber disto e, provavelmente, ela também não
tinha a menor noção. Embora místicos católicos
como Mestre Eckhart descrevam a percepção da
unicidade última, em geral ela não figura em
tradições fundamentalistas protestantes. Parece
bastante provável que Betty tenha de fato tido
aquela experiência com o Uno.
Carla Rueckert recebeu comunicações canalizadas
da entidade Ra abordando idéias filosóficas
relativas ao Uno (página 235-36). Ra alegava ser
um complexo de seres ligados pela telepatia que
teriam vivido outrora num nível supradimensional
em Vénus e comunicado idéias monoteístas ao
faraó Ikhnaton no antigo Egito. Hoje, contudo, o
interesse de Ra é se fundir com o Uno e ensinar
aos outros esta possibilidade. Logo, Ra disse: "Não
podemos falar do que está além desta dissolução
do eu unificado com tudo que existe, pois ainda
almejamos nos tornar tudo que existe, e mesmo
assim somos Ra. Deste modo, nossos caminhos
prosseguem."
A compilação de material de contato por Don Elkin
contém muitos exemplos expressando esta idéia.
Eis três exemplos relatados por três contatos di-ferentes:
A separação é uma ilusão. Todas as coisas são
uma coisa só: a criação. (...) você e aqueles a
quem você serve são iguais: vocês são um só.
É impossível você se separar da criação, é
impossível você se isolar da criação. Você é ela e
ela é você.
E então, meus amigos, vocês e o Criador são um
só, e vocês e o Criador têm iguais poderes. Pois
esta é a verdade. Cada um de nós é o Criador.
Na Índia, há uma famosa escola filosófica
chamada Advaita Vedãnta, cuja meta é fundir o
ego individual no Brahman uno. Como esta escola
segue os ensinamentos védicos, ela sustenta que
existe uma hierarquia celestial de reinos habitados
e que as almas transmigram através de formas
grosseiras e sutis nesses reinos. Mas ela também
sustenta que, no nível final de entendimento,
todos esses reinos são ilusórios e nada existe
senão a Consciência Una, ou Brahman. Portanto,
entendimento último significa se tornar idêntico ao
Brahman, que é tudo que existe.
Esta filosofia é muito semelhante à filosofia
sãrikhya ateísta. Segundo esta, omahat-tattva,ou
substrato fundamental da matéria, é tido como a
causa final. Mas este substrato fundamental não é
como a matéria morta conforme a conhecemos.
Pelo contrário, "omahat-tattvaé a consciência
total porque parte dele é representada em todos
como o intelecto". Logo, omahat-tattva é
conceitualmente semelhante ao Brahman.
As duas filosofias diferem, sobretudo, na ênfase. A
filosofia sãrikhya ateísta atrai uma pessoa
desejosa de fazer progresso na vida material de
uma maneira harmoniosa com a lei universal. Em
contraste, a filosofia do Advaita Vedãnta atrai
quem deseja abandonar a vida material e se
fundir no absoluto. A meta dos pleiadianos, por
exemplo, conforme Meier a apresenta, é viver
uma vida material avançada obedecendo a Lei
Cósmica, ao passo que o objetivo de Ra é atingir a
Unicidade última.
Entretanto, a filosofia indiana não se resume
apenas às escolas de sãrikhya ateísta e Advaita
Vedãnta. Segundo a filosofia vaisnava, o Brahman
é a refulgência do corpo transcendental do Senhor
Supremo e forma a atmosfera do mundo
espiritual. A percepção de Brahman é apenas o
ponto de partida de uma experiência espiritual
superior — logo, encarar esta percepção como a
meta derradeira é um obstáculo ao progresso
espiritual.
OBhãgavata Purãna éum dos principais textos
védicos a apresentar a filosofia vaisnava do
monoteísmo pessoal. Eis uma descrição, extraída
deste texto, de uma jornada feita por Arjuna e
Krsna Brahman adentro e para além dele:
Seguindo o disco Sudarsana, a quadriga
ultrapassou a escuridão e atingiu a infindável luz
espiritual do onipenetrante brahma-jyoti.
Enquanto Arjuna contemplava essa ofuscante
refulgência, seus olhos doíam, e por isso ele os
fechou.
Daquela região, eles entraram num corpo aquático
resplendente com ondas imensas sendo batidas
por um vento poderoso. Dentro daquele oceano,
Arjuna viu um palácio surpreendente e mais
radiante do que qualquer coisa vista por ele até
então. Sua beleza era intensificada por milhares
de colunas ornamentais ornadas com jóias
brilhantes.
Naquele palácio estava a imensa e espantosa
serpente Ananta Sesa. Ela cintilava
brilhantemente com o resplendor emanando das
jóias em Seus milhares de dosséis e se refletindo
de Seus múltiplos e temíveis olhos. Parecia-se com
o branco monte Kailãsa, e Seus pescoços e línguas
eram azul- escuros.
Aí, Arjuna viu a onipresente e onipotente Suprema
Pessoa Divina, Mahã-Visnu, sentada à vontade
sobre a serpente-leito. Sua tez azulada era da cor
de uma densa nuvem de chuva, Ele trajava uma
bela veste amarela, Seu rosto era encantador,
Seus grandes olhos eram muito atraentes, e Ele
tinha oito belos e compridos braços. Suas copiosas
mechas de cabelo se banhavam por todos os lados
no brilho refletido de magotes de jóias preciosas
que Lhe decoravam a coroa e os brincos. Ele
portava a jóia Kaustubha, a marca de Srivatsa e
uma guirlanda de flores silvestres.
Servindo àquele supremo de todos os Senhores
estavam Seus criados pessoais encabeçados por
Sunanda e Nanda; Suacakrae outras armas sob
suas formas personificadas; as potências Suas
Consortes Pusti, Sri, Kirti e Ajã; e todos os Seus
diversos poderes místicos.
Nesta passagem, a palavrabrahma-jyotisignifica
resplendor Brahman. A potência chamada Ajã é a
energia da criação material. Entende-se que esta
cena se desenrola inteira além do reino material.
Se obrahma-jyotinada mais é que a atmosfera de
uma região espiritual superior, então, para
parafrasear Ra, existe algo além da dissolução do
eu unificado com tudo que existe. Segundo a
filosofia vaisnava, uma vez dissolvido o cativeiro
do ego material, a alma se torna livre para atuar
num plano puramente espiritual.
Visto que a alma emana do Ser Supremo, existe
uma relação de amor natural entre a alma e o
Supremo. Este amor natural fica obscurecido
quando a alma está em estado de consciência
material. Ao atingir o Brahman, a alma alcança um
estado neutro, quando sua natural tendência de
amar se manifesta sem um objeto para o amor.
Porém, ao ultrapassar este estado neutro, este
amor se expressa sob a forma de serviço ao
transcendental Senhor Supremo. Expressa-se,
também, sob a forma de compaixão para com
almas em cativeiro material que, embora perdidas
no esquecimento, são todas partes integrantes do
Senhor.
As três crianças para quem as revelações de
Fátima foram feitas também tiveram uma
aparente experiência dobrahma-jyoti.Após a
conversa inicial entre as crianças e a refulgente
senhora, "ela abriu suas mãos e torrentes de luz
intensa delas fluíram, comovendo as almas das
crianças e fazendo com que elas se sentissem
'perdidas em Deus', a Quem elas reconheceram
naquela luz". Esta descrição faz sentido do ponto
de vista védico e também ilustra a idéia segundo a
qual um ser superior pode induzir um ser humano
mais ou menos comum a ter uma experiência
temporária do Brahman. Algo semelhante parece
ter acontecido no caso Andreasson.
O contato Orfeo Angelucci também relatou uma
experiência de percepção do Brahman, ocorrida
enquanto ele estava a bordo de um óvni. Muitos
ufólogos tendem a rejeitar como falsas as
experiências de óvni de Angelucci, que foram de
natureza espiritual e positiva. Em geral, os relatos
sobre experiências prazerosas e satisfatórias são
tidos como menos verossímeis do que os relatos
sobre experiências desagradáveis ou
embaraçantes. Muitos são, no entanto, os relatos
sobre experiências positivas, e todos eles devem
ser incluídos em qualquer exposição completa do
fenômeno ufológico. Como sempre, a estratégia
seria estudar os padrões surgidos em inúmeros
relatos. É difícil dizer se Angelucci passou de fato
pelas experiências por ele relatadas ou não, já que
tudo de que dispomos é o seu depoimento
pessoal.
Segundo disse Angelucci, em 23 de julho de 1952,
como se sentisse mal, ele resolveu não ir trabalhar
como mecânico da Lockheed Aircraft Corporation
em Burbank, Califórnia. À noite, tendo saído para
uma caminhada num lugar solitário perto dos
aterros do rio Los Angeles, sentiu-se incomodado
por estranhas sensações de prurido e um
embotamento da consciência. De repente, viu
diante dele um objeto luminoso, indistinto e em
forma de iglu cuja solidez foi aumentando aos
poucos. Havia uma porta que levava ao interior
extremamente iluminado do objeto. Ao entrar, ele
se viu só num recinto abobadado com cerca de
cinco metros de diâmetro, rodeado por
bruxuleantes paredes de madrepérola. Vendo
diante dele uma cadeira reclinável feita da mesma
substância translúcida, sentiu-se impelido a se
sentar nela. A porta então fechou-se, não
deixando o menor sinal de sua existência, e o
objeto aparentemente viajou pelo espaço exterior.
Logo em seguida, uma janela se abriu na parede
do recinto, e ele viu a Terra de uma distância de
cerca de dois mil quilômetros. Uma voz passou a
lhe falar, descrevendo a posição infortunada das
pessoas materialistas da Terra e incitando-o a lhes
revelar sua verdadeira natureza espiritual. A voz
disse: "Cada pessoa na Terra tem um eu
espiritual, ou desconhecido, que transcende o
mundo e a consciência materiais e habita
eternamente fora da dimensão do Tempo em
perfeição espiritual dentro da unidade da supra-alma."
Após ouvir estes ensinamentos por algum tempo,
Angelucci passou pela seguinte experiência:
Um ofuscante feixe luminoso branco se projetou
da abóbada da nave. Momentaneamente,
pareceu-me sofrer uma perda parcial da
consciência. Tudo se expandiu numa grande e
bruxuleante luz branca. Pareceu-me ser projetado
para além do Tempo e do Espaço, ficando
consciente apenas da luz, luz, LUZ! Cada
passagem de minha vida na Terra resultou
cristalina para mim — e então recobrei a memória
de todas as minhas vidas anteriores na Terra...
Estou morrendo, pensei. Já passei por este tipo de
morte antes em outras vidas terrestres. Agora é a
morte! Só agora estou na ETERNIDADE, SEM
PRINCÍPIO E SEM FIM. Lentamente, então, tudo se
resolveu em luz radiante, paz e beleza
indescritível. Livre de toda a falsidade da morta-lidade, mergulhei num mar intemporal de bem-aventurança.
Ao despertar para sua consciência normal,
Angelucci se deu conta de que o objeto estava
regressando à Terra. Voltando para casa, lembrou-se de uma sensação de ardor que sentira abaixo
do coração enquanto esteve a bordo da nave.
Descobriu ter sido marcado por um estigma
consistindo num ponto vermelho rodeado por um
círculo vermelho com o tamanho aproximado de
um quarto de dólar. Esta foi a única prova tangível
que ficou para demonstrar que a experiência dele
ocorrera de fato.
O papel de Mãyã
Muitas ações e comunicações ligadas aos óvnis
são compatíveis com a antiga visão de mundo
védica. Algumas entidades ufológicas apresentam
filosofias representando subconjuntos específicos
do pensamento védico. Fala- se da alma e de sua
evolução de consciência. Existem demonstrações
práticas, não só de diferentes espécies de viagem
dos corpos grosseiro e sutil, mas também de
etapas espirituais de consciência até se atingir a
percepção de Brahman. Também há descrições
teóricas destas etapas, em especial em casos de
comunicação canalizada. Não sei, contudo, de
alguma análise do amor pessoal e direto a Deus.
Este material transmite uma mensagem em geral
positiva. Mas, ao mesmo tempo, muitos contatos
com óvnis têm um aspecto menos auspicioso. Não
é incomum serem relatadas comunicações de
entidades ufológicas contendo informação
duvidosa ou absurda, tais como a geringonça
técnica relatada por William Hermann, ou a
declaração de que os alienígenas vêm de "uma
pequena galáxia próxima a Netuno". Além disso,
conforme expus no Capítulo 9, existem os
perturbadores raptos por óvnis e os indícios de
atividade ufológica abertamente nociva.
De que maneira podemos entender tudo isto?
Segundo uma idéia intrigante constante em
algumas comunicações, existe uma lei cósmica de
confusão que regulamenta a disseminação de
informação para os seres humanos. Esta lei pode
ajudar a explicar o motivo pelo qual as
comunicações de óvnis parecem conter uma
mistura desnorteante de disparate e informação
possivelmente válida.
As entidades Ra mencionaram esta lei com
relação à história sobre como elas construíram a
Grande Pirâmide do Egito. Quando elas disseram
tê-la construído por meio de formas-pensamento,
perguntaram-lhes por que a criaram em blocos
distintos, como se a tivessem montado com
pedras extraídas de ardosieira. Ra replicou:
Há uma lei que acreditamos seja uma das mais
significativas distorções originais da Lei do Uno.
Trata-se da Lei da Confusão. Vocês a chamam de
Lei do Livre-Arbítrio. (...) Não era nosso desejo
permitir que o mistério [da Grande Pirâmide] fosse
desvendado pelos povos de modo a que passásse-mos a ser adorados como construtores de uma
pirâmide miraculosa. Logo, ela parece ter sido
feita, e não pensada.
Seja qual for a maneira pela qual a Grande
Pirâmide foi construída de fato, esta Lei da
Confusão merece ser levada em consideração. A
idéia básica é que, a fim de preservar o livre-arbítrio dos seres humanos, faz-se necessário
privá-los de certas informações e inclusive
confundi-los com informações falsas.
Este conceito pode ajudar a explicar, não apenas o
caráter desnorteante das comunicações de óvnis,
como também a natureza evasiva de provas
ufológicas em geral. É comum estas provas serem
fortes o bastante para impressionar quantos
tomam conhecimento delas, mas nunca chegam a
ser espantosas ao ponto de se negar a um cético o
seu próprio livre-arbítrio para resolver se deve as
aceitar ou não. Pode-se mesmo conceber cenários,
tais como a aterrissagem maciça de óvnis em
Washington, que seriam convincentes o suficiente
para excluir este exercício do livre-arbítrio. Acaso
seria possível a Lei da Confusão estar sendo
aplicada ao fenômeno óvni de modo a se preser-var a liberdade das pessoas de rejeitá-lo ou
desconsiderá-lo por um lado e, por outro,
simultaneamente se fornecer informações úteis
para pessoas dispostas a aceitá-lo?
As idéias védicas podem proporcionar muitos
esclarecimentos sobre a natureza da Lei da
Confusão. Segundo osVedas,o mundo material é
talhado a partir de uma energia chamadamãyã.
Mãyãsignifica ilusão, magia e o poder que cria a
ilusão. Segundo a idéia védica básica, o universo é
criado para ser um parque de diversões para
almas que procuram gozar a vida separadamente
do Ser Supremo. Se estas almas tivessem pleno
conhecimento da realidade, então conheceriam a
posição do Supremo e saberiam que semelhante
gozo separado é impossível. Logo, o universo é
criado como uma arena de ilusão, oumãyã,na
qual estas almas podem ir ao encalço de seus
interesses separados.
Segundo outro aspecto da visão de mundo védica,
o Ser Supremo deseja que as almas dominadas
pela ilusão material dentro do universo voltem
para Ele. Mas, para isto ter sentido, precisa ser
voluntário. A alma, por sua essência verdadeira,
tem liberdade para amar. Deste modo, se algum
poder superior força a alma a agir, então não lhe é
possível vivenciar esta essência. Por este motivo,
o Ser Supremo procura dar à alma o conhecimento
através do qual ela possa voltar ao Supremo de
uma maneira delicada que não sobrepuje o seu
livre-arbítrio.
Eis a perspectiva doBhãgavata Purãnaacerca da
relação entre o Supremo e o mundo da ilusão:
Presto minhas reverências a Vãsudeva, a Suprema
e Onipenetrante Pessoa Divina. Medito n’Ele, a
realidade transcendente, que é a causa primordial
de todas as causas, de quem surgem todos os
universos manifestos, em quem eles habitam e
por quem são destruídos. Ele é direta e
indiretamente consciente de todas as
manifestações, e é independente por não haver
nenhuma outra causa além d’Ele.
Foi Ele apenas quem no princípio transmitiu o
conhecimento védico ao coração de Brahmã, o ser
vivo original. Assim como nos deixamos iludir
pelas representações ilusórias de água vistas no
fogo, ou de terra vista na água, mesmo grandes
sábios e semideuses se deixam iludir por Ele. É
apenas por causa d’Ele que os universos
materiais, temporariamente manifestos pelas
reações dos três modos da natureza, parecem
reais, embora sejam irreais.
No Capítulo 7 (páginas 311-13), comparei o
universo a uma realidade virtual manifesta dentro
de um computador por obra de algum
programador perito. Os habitantes de uma
realidade virtual existem de fato fora do falso
mundo gerado no computador, mas
experimentam a ilusão de estarem dentro daquele
mundo. Se tivessem como se esquecer de sua
existência verdadeira, então a ilusão ficaria
completa, e eles se identificariam por inteiro com
seus corpos virtuais gerados no computador.
Segundo osVedas,esta é a situação das almas
condicionadas dentro do universo material.
Dentro da ilusão global demãyã,existem muitas
sub-ilusões. Enquanto a ilusão global nos faz
esquecer a onipotência do Supremo, as sub-ilusões nos fazem esquecer a hierarquia na
administração do cosmo, estabelecida pelo
Supremo dentro do universo material. Todas essas
ilusões dão margem a que a alma individual atue
por livre-arbítrio, apesar de ela estar na verdade
sob controle superior.
Ao mesmo tempo, as ilusões não chegam a ser
fortes a ponto de incapacitarem um indivíduo
desejoso de buscar a verdade. Semãyãtivesse
força suficiente para impedir qualquer esforço no
sentido de se encontrar a verdade, então ela
também teria força para bloquear o livre-arbítrio
das pessoas. Segundo o sistema védico, o Ser
Supremo providencia para que mestres desçam ao
mundo material e dêem conhecimento
transcendental às almas condicionadas. Por
arranjo demãyã,as pessoas sempre terão fartas
desculpas para rejeitar esses mestres se assim o
desejarem. No entanto, se desejarem conhe-cimento superior, também lhe serão fornecidas
provas adequadas para elas poderem distinguir
semelhante conhecimento da ilusão.
Nos últimos duzentos anos na Terra, tem-se
desenvolvido o ponto de vista segundo o qual a
vida é um mero processo fisioquímico cuja
evolução gradual teria durado milhões de anos.
Segundo este ponto de vista, somos os produtos
máximos da evolução neste planeta. Se existe
vida em alguma outra parte do universo, ela
também precisou passar por um lento processo de
evolução em planetas com condições adequadas.
Portanto, é provável que haja formas de vida
inteligente, quiçá superiores a nós, a salvo e
distantes, e não temos por que nos preocupar com
elas.
Este ponto de vista tem tudo para influenciar as
pessoas da Terra no sentido de adotarem um
programa de gozo e exploração livres.
Infelizmente, porém, semelhante programa não
apenas danifica a biosfera da Terra como também
impede o caminho de avanço de quantos
porventura desejem tomar conhecimento de sua
natureza espiritual. Isto significa que, muito
embora a moderna visão de mundo materialista
desembarace o livre-arbítrio de certas pessoas,
ela obstrui o livre-arbítrio de outras.
Talvez o fenômeno ufológico seja uma das formas
pelas quais estejam sendo tomando providências
superiores no sentido de paulatinamente se rever
a moderna perspectiva materialista. Os cientistas
estão tendo suas repreensões merecidas ao terem
que se confrontar com impossíveis aeronaves que
violam as leis da física. Seres dotados de poderes
mágicos parecem nos mostrar que não somos a
espécie máxima de vida. Todavia, ao mesmo
tempo, os fenômenos ufológicos são evasivos, as
comunicações são contraditórias e sempre há
motivos para dúvidas.
Se é isto o que está acontecendo, suspeito de algo
envolvendo arranjos complexos em torno de
muitas formas de vida diferentes. Talvez a causa
direta de alguns fenômenos sejam seres no modo
da escuridão que amedrontam as pessoas, mas,
ao mesmo tempo, expandem-lhes a compreensão
da vida e de suas faculdades. Talvez alguns
desses fenômenos envolvam um autêntico
protesto de seres vivendo em nosso próprio
mundo e perturbados com nossas desventuras
tecnológicas.
Outros fenômenos talvez envolvam programas de
pregação levados a cabo por seres que têm uma
mensagem a transmitir. Afinal, o proselitismo
religioso não precisa estar limitado a humanos
comuns. Estas mensagens poderão variar em
qualidade e em profundidade e, em última análise,
os indivíduos precisarão fazer uso de sua própria
discriminação para decidir o que aceitar e o que
rejeitar. Conforme sugeri acima, alguns seres que
produzem luzes, sons agudos e comunicações
telepáticas podem inclusive ser yogues humanos
com faculdades místicas desenvolvidíssimas. Os
eventos de Fátima (páginas 360-74) sugerem,
também, o possível aparecimento na Terra de
pessoas de planetas superiores, tomadas de
compaixão pelo sofrimento humano.
Todas essas possibilidades são compatíveis com a
tradição védica. Segundo antigos textos védicos,
houve época em que as pessoas da Terra manti-nham contato regular com muitas espécies de
seres, de entidades negativas no modo da
escuridão a grandes sábios em avançados estados
de consciência espiritual. Os fenômenos modernos
tendem a confirmar o quadro védico, o que
também pode fazer parte do plano por trás dos
mesmos. Apesar de ainda se encontrarem à nossa
disposição, os ensinamentos dos antigos sábios
têm sido eclipsados pelas conquistas modernas da
ciência e da tecnologia de orientação materialista.
Talvez esteja chegando o tempo de eles serem
levados a sério outra vez.
A p ê n d i c e s
A p ê n d i c e 1
C a s o s d e Ó v n i s v i s t o s p e l a F o r ç a A é r e a
Esta tabela de casos de óvnis vistos por oficiais da
Força Aérea americana foi extraída deThe UFO
Evidencede Richard Hall. Os relatos foram tirados
dos arquivos do Comitê Nacional de Investigações
sobre Fenômenos Aéreos (NICAP) em 1964, com
datas variando de 1944 a 1961 e maior
concentração de ocorrências em 1952 e 1953.
Segundo observa Hall, após a promulgação do
Regulamento 200-2 da Força Aérea em 26 de
agosto de 1953, diminuiu bastante o número de
relatos de visões de óvnis por oficiais da Força
Aérea (veja páginas 108-09).
A tabela relaciona 91 casos. Destes, os vinte
marcados com um asterisco são casos de óvnis
que parecem seguir deliberadamente um avião da
Força Aérea ou sobrevoar uma base militar a
baixa altitude. Há também 24 outros casos,
marcados por dois asteriscos, de aviões da Força
Aérea perseguindo óvnis, ou sendo perseguidos ou
repetidas vezes ameaçados por óvnis em vôo
rasante. É difícil conciliar estas estatísticas com a
conclusão da Força Aérea de que os óvnis jamais
foram encarados como uma possível ameaça
militar.
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
29/8/42 Columbus, Mississippi, Michael
Solomon, Operador de torre de
controle.
Dois objetos redondos e
avermelhados desceram perto da
Escola Aérea do Exército,
sobrevoaram a área, aceleraram
e desapareceram.
03/44 Carlsbad, Novo México. Piloto de
B-17.
Cintilante objeto verde em alta
velocidade iluminou cabine de
comando e sumiu de vista na
linha do horizonte.
8/10* Sumatra. Capitão Alvah Reida,
Piloto de B-29.
Pulsante objeto esférico seguiu
bombardeiro, manobrou à vista
do capitão.
11/44 França. Tenente Ed Schlueter,
piloto, 415° Esquadrão de
Combate Noturno.
Oito a dez objetos alaranjados em
forma de bola, enfileirados, às
vezes se locomovendo em alta
velocidade.
12/44* Áustria, Major William D. Leet,
Piloto de B-17.
Bombardeiro seguido por disco
ambárico. ,
01/45** Alemanha. Piloto do 415°
Esquadrão de Combate Noturno.
Avião seguido por três objetos
luminosos vermelhos e brancos;
óvnis acompanhavam manobras
evasivas do avião.
Cerca de 02/01/45* França, Tenente Donald Meiers,
piloto.
Duas visões de óvnis relatadas;
um objeto seguiu avião a 700
km/h, "em seguida sumiu no céu
fazendo um zunido".
01/08/46 Flórida. Capitão Jack Puckett.
Piloto.
Óvni em forma de charuto
manobrou perto de avião de
transporte de tropas da
Aeronáutica.
28/06/47 Base Aérea de Maxwell, Alabama.
Dois pilotos, dois agentes do
serviço secreto.
Brilhante fonte de luz
ziguezagueou com arrancadas de
velocidade, fez volta de 90 graus.
28/06/47 Perto do lago Meade, Nevada.
Piloto de F-51.
Cinco a seis óvnis circulares
alinhados à direita da nave aérea.
06/07/47 Tripulação de B-25. Óvni discóide abaixo do avião.
06/07/47 Base Aérea de Fairfield-Suisun,
Califórnia. Piloto.
Óvni "oscilando sobre seu eixo
lateral" cruzou o céu em poucos
segundos.
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
07/08/47 Base Aérea de Muroc, Califórnia.
Quatro visões distintas por pelo
menos quatro oficiais e uma
tripulação de técnicos.
Óvnis circulares ou discóides
vistos às 9h30, llh50, 12h e
15h50.
08/47 Media, Pensilvânia. Piloto de
monomotor.
Disco pairando no céu.
28/5/48** Tripulação de C-47. Três óvnis mergulharam na
direção do avião.
Verão de 1948 Labrador, Major Edwin Jerome.
Piloto de comando.
Relatos sobre rastreamento de
óvni a cerca 17.000 km/h, por
radares americanos e
canadenses.
15/10/48 Japão. Tripulação de F-61, radar. Óvni alongado, alternando
movimentos lentos e
acelerados até cerca de 2.300
km/h
18/11/48** Washington, D.C. Tenentes
Henry G. Combs e Kenwood W.
Jackson, pilotos.
Combate aéreo com cintilante
óvni oval que dava arrancadas
de velocidade de até 1.100
km/h
23/11/48 Fursten-Feldbruck, Alemanha.
Dois pilotos de F-80.
Fonte de brilhante luz
vermelha, detectada pelo radar
a 1.700 km/h
03/12/48 Base Aérea de Fairfield-Siusun,
Califórnia. Piloto.
Bola de luz surgida de repente,
sumindo de vista em ascensão
rápida.
03/11/49 Baja, México. Capitão William H.
Donnelly. Piloto.
Quatro discos em vôo
"cabriolado".
Outono, 1949 Base nuclear. Operador de
radar.
Cinco óvnis aparentemente
metálicos detectados a cerca
de 8.900 km/h
02/02/50** Base Aérea de Davis-Monthan,
Arizona. Tenente Roy L. Jones.
Piloto de B-29.
Perseguiu objeto não-identificado que deixava rastro
de fumaça.
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
08/03/50** Dayton, Ohio. Dois pilotos de F-51, diversos pilotos comerciais.
Óvni redondo observado do
solo, detectado pelo radar,
fugiu de aviões interceptadores
nuvens acima.
21/06/50** Base Aérea de Hamilton,
Califórnia. Sargento Ellis Lorimer
(operador de torre de controle
— otc), Garland Pryor (otc) e
sargento Virgil Cappuro.
Objeto ígneo passou diversas
vezes pela torre de controle.
12/50 Perto de Cheyenne, Wyomming.
Capitão J. E. Broyles.
Objeto oval e aparentemente
de alumínio com empenagem
cônica, movendo-se devagar.
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
20/01/52 Base Aérea de Fairchild,
Washington. Dois sargentos,
especialistas do serviço secreto.
Objetos esféricos azuis e
brancos voando velozes abaixo
da coberta de nuvens,
velocidade computada a 2.700
km/h
29/01/52* Wonsan, Coréia. Tripulação de
B- 29.
Disco seguiu bombardeiro por
cinco minutos, sumindo em
seguida.
29/03/52* Perto de Misawa, Japão. Tenente
D. C. Brigham, piloto de T-6.
Observou pequeno disco
manobrar em torno de um F-84.
17/04/52 Base Aérea de Nellis, Nevada.
Sargento Orville Lawson, outros
pilotos.
Dezoito óvnis circulares em
grupo, um ziguezagueando.
18/06/52* Califórnia, Tripulação de B-25. Ovni seguiu bombardeiro por
30 minutos. "Desconhecido"
oficial.
12/07/52 Chicago, Illinois. Capitão,
meteorologista.
Objeto avermelhado com
pequenas luzes brancas fez
volta de 180 graus,
desaparecendo na linha do
horizonte.
20/07/52 Base Aérea de Andrews,
Maryland. Betty Ann Behl,
meteorologista da Força Aérea.
Óvnis em alta velocidade
detectados por radar durante
visões em Washington, D.C.
22/07/52 Uvalde, Texas. De relatório do
Serviço Secreto da Aeronáutica.
Óvni redondo e prateado
girando em eixo vertical
atravessou veloz a 100 graus
do céu em 48 segundos,
passando entre duas massas
de nuvens.
23/07/52 South Bend, Indiana. Capitão
Harold W. Kloth, Jr. (mais de
2.000 horas de vôo.)
Dois objetos azuis e brancos
mudaram de curso.
23/07/52** Braintree, Massachusetts. Piloto
de F-94, outros.
Piloto detectou óvni pelo radar,
viu luz verde-azulada, radar
parou de funcionar, óvni sumiu
veloz.
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
24/07/52 Perto de Carson Sink, Nevada.
Dois coronéis do Pentágono em
B-25.
Três óvnis triangulares e
prateados passaram velozes
por bombardeiro a leste.
Velocidade acima de 1.900 km/
h. Oficiais "desconhecidos".
26107/52* Washington, D.C. Seguindo óvnis
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
28/01/53* Perto de Albany, Geórgia. Piloto
de F-86.
Ovni circular acelerou para
escapar do jato, sendo
observado pelo radar em terra.
29/01/53 Ilha Presque, Maine. Piloto de F-94 e outros.
Ovni oval cinza.
01/02/53 Terre Haute, Indiana. Pilot de T-33.
Ovni visto a olho nu.
06/02/53 Rosalia, Washington. Tripulação
de B-36.
Ovni rodopiante com luzes
piscando.
07/02/53* Coréia. Piloto de F-94. Visão por radar e a olho nu de
brilhante luz alaranjada, que
mudava de altitude e
escapava do jato em alta
velocidade.
11/02/53* Túnis-Tripoli. Tripulação de C-119.
Ovni aproximou-se do avião,
postou-se atrás dele e seguiu-o
por bastante tempo.
13/02/53 Fort Worth, Texas. Tripulação de
B-36.
Visões de óvni a olho nu e por
radar.
16/02/53** Perto de Anchorage, Alaska.
Pilotos de C-47.
Luz vermelha brilhante
aproximou-se do avião, pairou
sobre ele e fugiu veloz ao ser
perseguida.
17/02/53** Base Elmendorf da Força Aérea,
Alaska. Cinco jatos da polícia da
aeronáutica.
Luz vermelha perto do fim da
pista de decolagem,
ascendendo veloz quando jato
decolou.
07/03/53* Yuma, Arizona. Mais de vinte
oficiais.
Cerca de doze ovnis discóides
baixaram para sobrevoar base
durante encontro de artilharia.
Primavera de 1953 Laredo, Texas. Tenente Edward
B. Wilford III (instrutor de piloto
de jato) em T-33.
Óvni negro em forma de
charuto saindo da esteira do
jato em alta velocidade.
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
09/08/53* Moscow, Idaho. Pilotos de F-86. Grande disco cintilante,
localizado por equipe de
observadores em terra, fugiu
veloz dos jatos.
12/08/53** Base Aérea de Ellsworth, Dakota
do Sul. Pilotos de F-84.
Perseguição tipo "gato e rato"
detectada por radar e vista a
olho nu. Ovni fugiu do jato,
virou e o acompanhou até a
base.
26/08/53 Regulamento 200-2 da Força
Aérea é decretado pelo ministro
da Aeronáutica.
23/11/53** Base Aérea de Kinross,
Michigan. Tripulação de F-89.
F-89 perseguiu óvni, luzes do
avião e do óvni se fundiram na
tela do radar, avião nunca foi
encontrado.
1954** Dayton, Ohio. Tenente-coronel
da Força Aérea, piloto sênior.
Dois óvnis que sobrevoaram a
área, fazendo manobras
evasivas.
24/05/54* Perto de Dayton, Ohio.
Tripulação de RB-29.
Brilhante óvni circular acelerou
abaixo do avião a uma
velocidade aproximada de
1.100 km/h, sendo fotografado
pela tripulação. A fotografia
jamais foi revelada ao público.
30/06/54* Base Aérea de Brookley,
Alabama. Operadores da torre
de controle.
Visões de óvni a olho nu e por
radar que surgiu veloz do golfo
e girou, afastando-se na
direção nordeste.
03/07/54* Albuquerque, Novo México.
Operadores de radar.
Nove óvnis esféricos
esverdeados sobrevoaram a
área, e em seguida sumiram
velozes, tendo sido detectados
a cerca de 5.100 km/h.
11/07/54* Hunterdon, Pensilvânia.
Tripulações de jatos
bombardeiros.
Disco seguiu quatro
bombardeiros.
23/07/54** Franklin, Indiana. Dois pilotos de
jato interceptador.
Quatro grandes óvnis
cintilantes vistos por
observadores em terra; jatos
encurralaram um deles, em
seguida mudaram de direção e
saíram de cena. Incidente
oficialmente negado.
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
28/08/54 Base Aéra de Tinker, Oklahoma.
Pilotos de jato interceptador.
Visão por radar e a olho nu,
quinze óvnis em precisa
formação triangular, alterando-a para formação semicircular.
16/06/55** Leste dos Estados Unidos. Doze
pilotos de jato interceptador.
Relatos sobre óvnis vistos em
ampla área do leste americano,
jatos interceptaram-nos de
muitos pontos.
23/08/55** Cincinnati, Ohio. Pilotos de jato. Três óvnis redondos e
discóides, manobras evasivas
enquanto jatos tentavam
alcançá-los, primeiro
detectados pelo radar.
24 e 25/11/56 Rapid City, Dakota do Sul. Piltos
de jato.
Visões de muitos óvnis
manobráveis. Relatos extra-oficiais de visões por
esquadrão de jatos
interceptadores, óvnis
detectados por radar.
12/56** Extremo leste. Piloto de jato. Piloto teve seu radar desligado,
perseguiu óvni circular, que
ascendeu em retirada a mais
de 3.500 km/h.
27/02/57 Houston, Texas. Tenente J. R.
Poole.
Da central de radar,
escapamento ígneo de óvni
observado enquanto o mesmo
fazia diversos rodopios pelo
céu a uma velocidade
estimada de 3.900 km/h.
05/11/57 Base Aérea de Keesler,
Mississippi. William J. Mey.
Ovni elíptico que acelerava e
entrava pelas nuvens. Relato
coincidiu com visão da guarda
costeira de Cutter Sebago.
05/11/57 Long Beach, Califórnia. Major
Louis F. Baker, outros.
Seis brilhantes óvnis circulares
manobrando "como aviões em
combate".
DATA LOCALIDADE E TESTEMUNHAS DESCRIÇÃO
14/04/58 Albuquerque, Novo México.
Sargento Oliver Dean.
Cerca de 12 a 18 luzes
douradas-alaranjadas,
formação em V com formação
irregular menor de cada lado
do vôo integrado. Não houve
relatórios de vôo na área.
17/07/58* Hokkaido, Japão. Operador de
torre de controle, outros.
Óvni avermelhado e parecido
com uma estrela sobrevoou a
base e foi detectado pelo
radar. Visão negada
oficialmente.
08/09/58 Base Aérea de Offutt, Nebraska.
Major Paul A. Duich, navegador
chefe, outros.
Objeto alongado em ângulo
inclinado, pequenos objetos de
satélite.
20/05/61* Base Aérea de Tyndall, Flórida.
Polícia da aeronáutica, outros.
Relato sobre visão a olho nu e
por radar, óvni manobrou
sobre a base, baixou e
ascendeu. Relato do NICAP no
verão de 1961. Análise
posterior do consultor Webb
concluiu que os relatórios do
radar não coincidiam com
visões a olho nu. Relatos ainda
por explicar. (Relatório
confidencial enviado ao NICAP.
Atestado pelo diretor, pelo
assistente do diretor e pelo
consultor Walter N. Webb.)
A p ê n d ic e 2
S o b r e a i n t e r p r e t a ç ã o d a l i t e r a t u r a v é d i c a
No decorrer deste livro, procurei apresentar a
literatura védica como ela é, conforme o
significado direto dos textos que a compõem. Na-turalmente, muitas pessoas, questionando a
justificativa para esta abordagem, irão perguntar
se poderia haver ou não outras formas melhores
de interpretar a literatura védica. Por isso, farei
uma breve apreciação deste assunto neste
apêndice.
Em geral, as pessoas interessadas pela literatura
védica podem ser enquadradas em diversos
grupos, entre os quais se incluem os seguintes:
1. Seguidores estritos das principais sampradayas.
Sampradaya é uma escola de pensamento
baseada na literatura védica conforme a apresenta
um grande acarya, ou mestre. Todas as principais
sampradayas aceitam como verdadeira a
existência do Controlador Supremo (Deus), da
alma, do corpo sutil, da transmigração, dos
mundos sutis e espirituais e de seres sobre-humanos que habitam estes mundos. Aceitam,
também, a validade dos relatos históricos védicos.
Embora algumas das sampradayas discordem
entre si acerca da natureza de Deus, todas elas
aceitam a literatura védica como a autoridade em
que devem se basear quaisquer conclusões.
2. Aqueles que adotam a abordagem
acomodacional da literatura védica. Na
apologética cristã, “a condescendência é um
estratagema ou princípio interpretativo do qual o
interpretador lança mão para preservar o sentido
válido encontrado num texto sem um literalismo
estéril”. O método consiste em encarar o texto
como conhecimento autêntico expresso em
linguagem figurada e talvez acrescido de
caprichosos embelezamentos poéticos. Com a in-trodução da ciência ocidental na índia, a visão de
mundo védica deparou com um forte desafio.
Muitos hindus modernos têm reagido fazendo uso
da abordagem acomodatícia de modo a alinhar a
literatura védica à ciência moderna.
3. Aqueles que encaram a literatura védica como
mitologia. As pessoas deste grupo tendem a ver
esta literatura como um registro de fantasias
irreais que foi aos poucos tomando corpo por obra
de poetas pré-científicos. Este ponto de vista é
sustentado por muitos eruditos que estudam a
literatura védica em áreas tais como a indologia, a
antropologia e a religião comparada.
Farei agora uma análise sucinta das estratégias de
interpretação textual usadas por mim e pelas
pessoas destes três grupos. Antes de mais nada,
eu gostaria de distinguir entre uma apresentação
direta de um texto, uma interpretação literal e
uma interpretação figurada. Numa apresentação
direta, considera-se o texto tal como ele é, sem
necessariamente se arrogar o entendimento pleno
do que ele significa. Numa interpretação literal, o
intérprete presume poder entender por inteiro o
texto de acordo com as definições léxicas de suas
palavras. Numa interpretação figurada, as
palavras são interpretadas segundo significados
indiretos.
No caso de um texto oriundo de uma tradição
cultural desconhecida, eu recomendaria uma
apresentação direta, e é justamente esta a
abordagem por mim adotada neste livro. Eu não
recomendaria insistir de forma por demais
veemente numa interpretação literal ou figurada
— pelo menos não a princípio. Isto porque não é
fácil entender o significado de material escrito
oriundo de outra cultura.
É possível definir o significado verdadeiro de um
texto como sendo o significado pretendido pelo
autor. O significado verdadeiro pode ser literal do
ponto de vista do autor, ou pode ser figurado.
Porém, se prematuramente tentarmos chegar à
nossa própria interpretação literal ou figurada do
texto, poderemos deixar escapar por completo o
sentido pretendido pelo autor.
Que entendimento tinha o autor de suas próprias
palavras? Se ele trabalhava no âmbito de uma
tradição cultural consagrada, presume-se, então,
que usava palavras de acordo com os significados
aceitos naquela tradição. Mas uma pessoa
abordando a tradição a partir de um ponto de
observação estrangeiro poderá não achar tão fácil
entender aqueles significados. Para entendê-los, o
forasteiro poderá ter que se enfronhar naquela
tradição cultural por bastante tempo e aos poucos
assimilar significados através do uso e do con-texto.
Alguns significados poderão diferir de tal maneira
daquilo que uma pessoa está acostumada a
pensar que ela ficará sem assimilá-los por muito
tempo. Ela tenderá a tirar palavras do contexto
entendido pelo autor e incuti-las num contexto
imposto por seu próprio condicionamento cultural.
Isto poderá levá-la a rejeitar o texto por julgá-lo
absurdo, e semelhante rejeição poderá criar um
estorvo ao entendimento verdadeiro.
Consideremos, por exemplo, a afirmação védica
segundo a qual seres chamados devas vivem em
Svargaloka. Que significa Svargaloka? Segundo o
dicionário Sânscrito-Inglês de Apte, significa: "1. a
região celestial, 2. paraíso." Baseados em idéias
modernas de astronomia, podemos achar que isto
se refere a alguma região do espaço exterior.
Logo, talvez julguemos ser absurdo dizer que os
devas vivem em Svargaloka, já que isto
significaria que eles devem estar flutuando no
espaço junto de cometas e raios cósmicos.
Em capítulos anteriores, interpreto Svargaloka
como se referindo a um domínio supradimensional
que não se pode incluir no espaço tridimensional
comum. Mas qual é a minha justificativa para ter
apresentado esta idéia?
O dicionário não nos ajuda aqui, porque as
palavrasregião celestiale paraísonão nos dizem
se a região em questão é tridimensional ou
supradimensional. Não há motivo para sondarmos
os significados mais profundos decelestiale
paraíso, uma vez que estes significados se
relacionam com a cultura ocidental, e não à
cultura védica.
Se nos voltamos para os textos védicos, estes não
apresentam uma solução direta para este assunto,
pois, pelo que pude verificar, não há palavras
sânscritas que correspondam diretamente ao
termosupradimensional.Qual é, então, a
justificativa para eu introduzir este termo? Optei
pela inclusão da idéia matemática de espaço
supradimensional pelo fato de ela proporcionar
uma explicação coerente de muitos pontos
detalhados em textos védicos envolvendo
modalidades de viagem e relações entre lugares
no universo. Esta idéia, suspeito eu, aproxima-nos
mais do significado pretendido dos textos védicos
do que a idéia de Svargaloka como sendo uma
região comum do espaço exterior acima de nossas
cabeças. No entanto, não me resta dúvida de que
se trata apenas de uma aproximação. Para
podermos apreciar o significado verdadeiro,
teríamos de nos tornar profundos conhecedores
da visão de mundo védica.
Esta idéia de Svargaloka como sendo
supradimensional é uma interpretação literal, ou é
figurada? Na verdade, embora se trate de um uso
figurado do termosupradimensional,a idéia
procura nos aproximar do significado verdadeiro
de Svargaloka pretendido pelos autores védicos.
Em geral, recomendo os interessados a se aterem
rigorosamente aos textos originais, procurando, ao
mesmo tempo, apreciar o significado por eles
pretendido com base no contexto global. Como
este é um processo lento, nosso entendimento em
qualquer momento dado deverá ser encarado
como experimental.
Conforme seria possível objetar, os textos védicos
devem ter sido compostos por pessoas primitivas.
Logo, não poderia Svargaloka ser referência a algo
tão sofisticado quanto um reino supradimensional.
Na certa, refere-se apenas ao céu bem acima de
nossas cabeças.
O problema aqui é que mesmo pessoas em geral
tidas como primitivas, tais como os aborígenes
australianos, têm idéias sofisticadas que um
ocidental poderá achar difícil assimilar. Que
entendimento um aborígene tem do céu? Talvez
calhe de ser algo bastante difícil para o nosso
entendimento. Isto se aplica mais ainda à
literatura védica, que sem dúvida é sofisticada de
muitas maneiras.
Seria possível, portanto, formular a seguinte
pergunta: se é difícil apurar os significados
verdadeiros dos textos védicos, não seria sensato
consultar autoridades que tenham estudado estes
assuntos a fundo e se ater às interpretações
recomendadas por eles? A resposta é que, sem
dúvida, esta é uma boa idéia, mas que
autoridades deveremos escolher? As três opções
relacionadas acima apresentam três grupos de
possíveis autoridades: (1) assampradãyas
tradicionais, (2) pessoas que procuram acomodar
idéias tradicionais a idéias modernas, e (3)
eruditos em indologia.
Se quisermos realmente entender o significado
original pretendido da literatura védica, não
poderemos nos esquecer do primeiro grupo. A
maioria dassampradãyastradicionais enfatiza a
apresentação direta. Tenho estudado
particularmente os ensinamentos dasampradãya
gaudiya vaisnava, que foi fundada por Caitanya
Mahãprabhu no século XVI e descende da antiga
escola de Madhvãcãrya.
Conforme tenho observado em muitas ocasiões,
se um comentarista desta escola depara, num
texto, com dois pontos aparentemente
contraditórios entre si, ele só faz apresentá-los
tais como eles são, com contradição e tudo.
Alguém poderia dizer não ser inteligente fazer
isto. Porém, a intenção do comentarista é de
preservar a tradição tal como ela é, e pronto.
Chegando-se a um entendimento ou não, tal
entendimento deve se basear nos textos originais
que servem de alicerce para a tradição.
Em contraste, a abordagem das pessoas do
segundo grupo procura tornar a literatura védica
aceitável, dando uma interpretação indireta para
afirmações védicas que pareçam discordar de
idéias modernas. Isto acarreta interpretar certas
afirmações de forma figurada e descartar outras
por considerá-las embelezamentos feitos por
poetas imaginativos demais.
Consideremos como uma pessoa de formação
moderna reagiria à história do rapto de Arjuna por
Ulüpi (veja Capítulo 6). Caso esta pessoa seja
hindu, talvez opte por aceitar a existência de
Arjuna como uma personalidade histórica.
Contudo, poderá fazer objeção à história de Arjuna
sendo arrastado para Nãgaloka por Ulüpi por
concluir ser esta uma fantasiosa invenção poética.
De acordo com a história, Arjuna foi levado
Ganges abaixo; no entanto, em vez de chegar ao
fundo do rio, ele entrou no mundo dos nãgas. Uma
pessoa educada tende a rejeitar isto, porque sabe
que tais coisas são impossíveis.
Entretanto, os dados sobre óvnis analisados neste
livro contêm muitos relatos modernos de pessoas
que parecem ser levadas através de matéria sóli-da por um ser misterioso. Para uma pessoa
familiarizada com estes dados, o rapto de Arjuna
por Ulüpi poderá parecer enquadrado no âmbito
da possibilidade. Ao mesmo tempo, semelhante
pessoa poderá continuar julgando impossíveis
outras facetas da história de Arjuna.
Como nossas idéias sobre o que parece possível
tendem a mudar à medida que nosso
conhecimento muda, não podemos usar estas
idéias como o fundamento para uma interpretação
indireta e permanente da literatura védica. Logo,
ao invés de apresentar semelhante interpretação,
é melhor apresentar os textos védicos tais como
eles são e deixar que o entendimento do signifi-cado deles se desenvolva aos poucos. Isto se
aplica em especial a um livro como este, cuja
introdução de provas empíricas acerca de óvnis
tenderá a alterar nossa idéia do que seja possível
ou impossível.
Segundo se poderá objetar, no entanto, muitos
eruditos das universidades encaram a literatura
védica como mitologia acientífica que não se
baseia na realidade. Portanto, ela não pode nos
ajudar a entender o fenômeno ufológico.
Provavelmente, não será possível justificar amplos
estudos desta literatura, comparados com os
dados sobre óvnis, na expectativa de a ciência
evoluir assim.
Não seria difícil encontrar eruditos no campo da
indologia para apoiar esta posição. Porém, devo
salientar que os pontos de vista convencionais de
eruditos desta área talvez não sejam tão objetivos
e imparciais quanto seria de se esperar. De fato,
esta área de conhecimento tem um histórico de
preconceito religioso e étnico. Para verificar isto,
vale considerar a história inicial da indologia.
Quando os britânicos começaram a colonizar a
índia no século XVIII, eles entraram em contato
com os ensinamentos védicos. Isto logo deu ori-gem a um conflito entre a sua fé cristã e a religião
dos hindus. Este conflito envolvia, por um lado, a
constatação de uma ameaça ao cristianismo por
parte do hinduísmo e, por outro, a oportunidade
de difundir o cristianismo pela conversão dos
hindus. O aspecto ameaçador do hinduísmo foi
salientado pelo pioneiro indólogo John Bentley em
sua crítica a um inglês (provavelmente John
Playfair) que escrevera em louvor aos escritos
védicos. Bentley escreveu:
Ao tentar apoiar a antiguidade dos livros hindus
contra fatos absolutos, ele sustenta todos aqueles
horrendos abusos e imposições neles encontrados,
sob a pretensa sanção da antiguidade. (...) Como
se isso não bastasse, seu objetivo vai mais fundo
ainda; pois, pelo mesmo método, ele se esforça no
sentido de subverter o relato mosaico e
enfraquecer o próprio fundamento de nossa
religião: se acreditarmos na antiguidade dos livros
hindus, conforme é desejo dele que o façamos,
então o relato mosaico não passa de uma fábula,
ou uma ficção.
Adotou-se uma estratégia de traduzir os livros
védicos para o inglês de modo que pudessem ser
usados para convencer os hindus da inferioridade
e falsidade de sua religião. Com este objetivo, o
coronel Boden doou uma farta quantia à
Universidade de Oxford em 15 de agosto de 1811,
para a constituição de uma cadeira de Estudos
Orientais. Monier Williams, que dirigiu esta
cátedra até sua morte em 1899, escreveu:
O objetivo especial de sua [de Boden] magnânima
doação foi de promover a tradução das escrituras
para o inglês... de modo a capacitar seus compa-triotas a proceder à conversão dos nativos da
índia à Religião Cristã.
O erudito alemão Friedrich Max Müller, vindo para
a Inglaterra para assumir esta tarefa, publicou
muitas traduções de textos védicos que ainda são
considerados modelares. Em 1886, Müller
escreveu o seguinte para a sua esposa:
Espero concluir a obra e estou convencido de que,
ainda que não viva para ver isto acontecer,
mesmo assim, minha edição e a tradução do Veda
doravante darão testemunho de grande parte do
destino da índia e do crescimento de milhões de
almas no país. Trata-se da raiz da religião deles, e
estou certo de que lhes mostrar esta raiz é a única
maneira de erradicar tudo o que dela derivou
durante os últimos três mil anos.
A técnica usada por Müller e seus colegas era
semelhante àquela conhecida por quantos tenham
estudado o assunto ufológico: ridicularize o que
você não entender e modifique-o usando termos
corriqueiros. Por exemplo: os deuses são forças
naturais personificadas e convertidas em ídolos
fúteis por sacerdotes astutos que perpetraram
fraudes piedosas.
Hoje em dia, os indólogos em geral não estão
interessados em converter os hindus ao
cristianismo. No entanto, eles herdaram um
legado de ridículo e mal-entendido dos fundadores
de seu campo de conhecimento que continua a
exercer sua influência. Encerrarei citando uma
observação da usual tradução inglesa doVisnu
Purãna,de Horace H. Wilson (originalmente
publicada em 1865). Com relação aosPurãna,
Wilson disse:
Eles podem ser isentados de subserviência a
qualquer coisa exceto a impostura sectária. Foram
fraudes piedosas para fins temporários: jamais
emanaram de alguma combinação impossível dos
Brahmans de modo a engendrar, para a
antiguidade de todo o sistema hindu, quaisquer
pretensões que este sistema não tem como
sustentar por completo. Grande parte do conteúdo
de muitos, alguma parte do conteúdo de todos, é
autêntica e antiga. A interpolação ou o
embelezamento sectários são sempre
suficientemente palpáveis para serem excluídos,
sem prejudicar o material mais autêntico e
primitivo.
Nesta passagem, Wilson usa o tipo de linguagem
negativa que é típica dos fundadores da indologia.
Porém, admite que osPurãnacontêm material
antigo e autêntico. Este chamado material
"primitivo" poderá nos proporcionar uma inusitada
perspectiva da realidade que nos ajudará a
elucidar a natureza do fenômeno ufológico.
A p ê n d i c e 3
C a s o s In d ia n o s c o n t e m p o r â n e o s
Neste apêndice, apresentarei quatro histórias da
índia dos dias atuais que estão relacionadas aos
temas analisados neste livro. As duas primeiras
são acerca das experiências pessoais de Kannan
(pseudônimo), um quarentão do sul da Índia.
Nestas duas histórias, a única testemunha foi o
próprio Kannan. As duas outras, também contadas
por ele, envolvem testemunhas múltiplas, e a
primeira delas não envolveu diretamente o próprio
Kannan. Meu objetivo, ao apresentar estas
histórias, é demonstrar que os fenômenos sendo
relatados hoje na índia apresentam paralelos tanto
com fenômenos ufológicos americanos e europeus
quanto com temas védicos tradicionais.
Embora tivesse uma educação hindu tradicional,
Kannan se rebelou contra ela na juventude,
adotando idéias populares de ateísmo e ceticismo
racional. No fim dos anos 60 e no começo dos 70,
trabalhou para a TVS and Sons, importante
indústria automobilística do sul da índia. Durante
este período, retomou seu interesse inicial por
questões espirituais, passando a estudar diversos
movimentos religiosos indianos populares. Passou
algum tempo ligado à instituição de Sathya Sai
Baba, e mais tarde se envolveu com o Movimento
da Consciência de Krishna (ISKCON). Durante
vários anos, foi professor numa escola(gurukula)
administrada pela ISKCON na aldeia de Mãyãpura,
Bengala Ocidental, a terra natal de Caitanya
Mahãprabhu, mestre religioso do século XVI.
A dama da varíola
A primeira história tem a ver com os encontros
que Kannan teve em sua infância com uma mulher
misteriosa que o curou e alguns de seus amigos
da varíola. É tradição entre as pessoas do sul da
índia adorar uma deusa, às vezes chamada
Mariamma, que, segundo dizem, tem controle
sobre esta doença. Segundo sugere a história,
Kannan teve encontros com esta deusa ou com
um ser semelhante. Quem quer que tenha sido, a
chamarei de a dama da varíola.
Esta dama tem uma série de características que
fazem lembrar entidades ufológicas relatadas
amiúde. Ao mesmo tempo, a forma como Kannan
a descreve condiz estreitamente com tradicionais
relatos védicos sobre devas femininos (ou
deusas). Os seis pontos seguintes resumem as
características salientes da dama da varíola:
1. Ela aparecia em ocasiões de epidemias de
varíola e, de forma mística, curava os enfermos.
2. Tinha a aparência clássica de uma mulher
celestial, conforme a retratam esculturas de
templos do sul da Índia. Tinha testa grande,
cintura bem fina e seios fartos. Vestia-se com
bastante elegância na tradicional moda védica. Ti-nha um ar de autoridade, como o de uma pessoa
muito aristocrática.
3. Kannan pôde perceber que ela respirava.
Porém, ao mesmo tempo, o impacto que ela
exerceu sobre ele foi mais parecido com aquele de
uma bela pintura ou escultura do que o de um ser
humano de carne e osso.
4. Ela flutuava no ar e atravessava objetos. Parecia
estar "numa trilha diferente" e parecia usar portas
e escadas humanas apenas por convenção social.
5. Comunicava-se por telepatia. Em certa ocasião,
pareceu estar falando normalmente, mas o
movimento de seus lábios não combinava com o
som percebido. Kannan comparou isto à dublagem
de um filme.
6. Era capaz de bloquear o pensamento de uma
pessoa.
Os itens 4, 5 e 6 afloram repetidas vezes em
relatos sobre entidades ufológicas, e, conforme
salientei no Capítulo 6, estes itens se equiparam
aos siddhis,ou poderes místicos, védicos.
Segundo uma possível interpretação para estes
paralelos, as entidades ufológicas, a dama da
varíola e os humanóides descritos na literatura
védica podem ter algo em comum. Todos eles
podem ser seres reais da mesma natureza.
Além de ser apenas tosca a semelhança entre a
aparência física da maioria das entidades
ufológicas relatadas e aquela de humanóides
védicos clássicos, as entidades ufológicas
costumam ostentar roupas estranhas, variando de
estranhos macacões a algo encontrável numa loja
de fantasias. Em contraste, a dama da varíola se
enquadra perfeitamente na iconografia védica
clássica. Isto levanta a inevitável questão da
influência cultural. Acaso a experiência de Kannan
foi influenciada por seu condicionamento cultural
indiano? É interessante observar o fato de o
próprio Kannan não saber praticamente nada a
respeito dos contatos ocidentais com ovnis.
Porém, quando lhe contei a respeito dos raptos
por óvnis, ele aventou a hipótese de os seres
relatados pelas pessoas serem um produto do
condicionamento cultural ocidental.
Eis três possíveis relações entre os contatos com
entidades relatados e o condicionamento cultural
das testemunhas:
1. As pessoas relatam seres imaginários com
características determinadas por sua cultura.
2. Seres reais aparecem para as pessoas sob
formas que elas esperariam ver com base em sua
cultura.
3. Seres reais aparecem para as pessoas de
acordo com as normas culturais dos próprios
seres, e isto influencia o desenvolvimento da
cultura humana no decorrer dos séculos.
Como já analisei provas indicando o fato de muitos
relatos sobre óvnis envolverem seres reais, creio
poder sugerir que um levantamento minucioso de
casos atuais de contatos indianos poderia indicar
o fato de muitos deles também envolverem seres
reais. Isto sugere que deve haver muitos casos de
contato incompatíveis com a opção 1, embora
algumas pessoas possam de fato experimentar
fantasias compatíveis com ela.
Muitos casos de contato imediato, suspeito eu,
talvez envolvam uma combinação das opções 2 e
3. A opção 2 parece se aplicar a casos de seres
que adotam estilos de vestuário humano limitados
estritamente a um momento específico da
História. Um exemplo disto seriam os contatos
com óvnis nos quais, segundo relatam, as
entidades vestem trajes espaciais ou roupas oci-dentais modernas.
A opção 3 pode se aplicar a casos onde seres
aparecendo na sociedade indiana tradicional
ostentam antigos estilos de vestuário védico.
Também pode haver outras culturas tradicionais
onde grupos específicos de seres exercem
influência cultural por meio de suas próprias
normas culturais no decorrer de longos períodos
de tempo. (Isto lembra as culturas americana
nativa e celta.) Em tais casos, a sociedade
humana e os grupos de seres visitantes poderão
formar uma unidade cultural ampliada. Sem
dúvida, a antiga sociedade descrita na literatura
védica parece ser um exemplo disto.
No Capítulo 10, chamei atenção para o fato de que
as experiências indianas de proximidade com a
morte seguem um padrão diferente daquele das
EQMs ocidentais. Conforme sugere Ian Stevenson,
estas talvez não sejam meras diferenças culturais.
Talvez haja diferenças reais entre a experiência de
morte na Índia e no Ocidente, e estas diferenças
poderão depender de diferenças na política de
seres supradimensionais com relação aos indianos
e aos ocidentais. Na minha opinião, as diferenças
transculturais em experiências de contato
imediato podem depender de diferenças de
política semelhantes. Sendo assim, em culturas
tradicionais, os seres supradimensionais poderão
continuar a se relacionar com os humanos de
acordo com normas antigas mas, nas modernas
sociedadeshigh-tech,poderão adotar outras
modalidades de comportamento em resposta a
circunstâncias mutáveis.
A dama da varíola pode ser um exemplo da
modalidade tradicional de interação entre
humanos e seres supradimensionais. No entanto,
seja qual for a interpretação correta, eis a história:
A primeira vez foi quando tive varíola, e não havia
ninguém em casa. Era de dia, talvez meio-dia, e
eu vi aquela dama, com vestes compridas, com-pridas. Eram de um comprimento tão anormal
que, se tentasse entrar pela nossa porta adentro,
ela tropeçaria nelas. Ela estava na altura daquele
fichário [um fichário de cerca de 1,50m de altura].
Tinha fisionomia fina, rosto comprido e cabelos
encaracolados.
Eu estava cheio daquelas feridas de varíola, e
aquilo estava me incomodando muito. Como
minha mãe não estivesse ali, fiquei preocupado.
Aquilo era demais para mim. Eu pensava: "Minha
mãe não está aqui", e me sentia desamparado.
Naquela vez, eu a vi àquela altura [1,50m]. Em-bora ela estivesse sentada, não havia nada ali,
nada em que ela pudesse se sentar. Ela estava
sentada assim, com uma perna sobre a outra. Ela
olhava para baixo e me dirigia a palavra — mas
sem palavras. Ela me dizia coisas, mas não se
ouvia som algum. Não era algo parecido com o
idioma que eu falo, mas ela dizia, ou se poderia
dizer que ela transmitia o seguinte de alguma
forma: "Não se preocupe, em dois dias você estará
bem. Tudo estará bem."
Aí ela disse que algumas crianças não resistiriam.
A dois quarteirões de nossa casa há o que
chamamos de setor policial. É onde ficam algumas
residências de policiais. São casas de um só piso,
alinhadas entre as cercas. Assim, ela me avisou:
"No setor policial, algumas crianças não resistirão,
mas nada lhe acontecerá."
Naquela ocasião, eu só estava preocupado com
minha doença, e não tive o menor medo nem
perguntei quem ela era ou por que pairava no es-paço. Estas coisas jamais me ocorreram. Eu só
queria saber de alguém que me dissesse: "Você
ficará bom." Se não me falha a memória, aquela
deve ter sido a primeira vez. Eu era bem pequeno.
Quantos anos eu tinha? Uns quatro ou cinco.
Talvez cinco. Aquela foi a primeira vez.
Encontrei-me com a dama de novo, pelo menos
duas vezes, talvez três vezes, mas ela sempre
aparecia quando havia um surto de varíola na
cidade. Por incrível que pareça, duas crianças, que
inclusive eram conhecidas nossas, morreram no
setor policial. E eu me recuperei no segundo dia,
muito embora ainda houvesse muitas feridas de
varíola em meu corpo. Durante a noite do segundo
dia, tive muita sede e quis beber um pouco
d'água. Disseram-me para não olhar no espelho,
porque a doença nos deixa com uma aparência
horrível. Porém, quando fui pegar um pouco
d'água para mim, olhei no espelho para constatar
que todas as feridas tinham secado. Embora isto
tivesse acontecido em dois dias, todos achavam
que eu ainda iria sofrer pelo menos mais duas
semanas, e por isso me traziam folhas denim e
outros remédios para amenizar a ardência que eu
sentia.
Mas eu percebi que aquela pessoa sempre
aparecia quando havia um surto de varíola — é
em pleno verão que ela irrompe. Hoje eles dizem
que a têm sob controle por conta da vacina. Eu
duvido muito, mas é o que eles dizem.
Tradicionalmente, costuma-se realizar um festival
nesta época porque dizem ser a varíola uma
expansão de Durgã [a universal Mãe Divina]. Ela a
traz e, estando satisfeita com você, não o deixa
sofrer. Mas estou cem por cento certo de que
aquela dama não era Durgã. Não se tratava de al-guém tão elevado. Ao mesmo tempo, ela não era
alguém deste planeta, disto tenho certeza. Ela
tinha um ar de autoridade.
Outra vez, vi-a descendo a escada da casa de um
amigo íntimo. Ali moravam quatro crianças, todas
com varíola. As pessoas costumavam pedir a
minha mãe que viesse ler as escrituras quando
havia semelhantes surtos, ou quando alguém
morria, ou quando estava para morrer. Existe uma
história sobre Durgã. Minha mãe costumava lê-la
como parte de uma cerimônia religiosa,
acompanhada de um banquete. Eu costumava ir
com ela. Todas as quatro crianças que estavam
com varíola estavam no andar superior da casa.
Disseram às outras crianças: "Não subam até lá
porque se trata de uma doença contagiosa. E é
fácil de pegar." Como as crianças fossem minhas
amigas, tive vontade de subir para vê-las. Mas
todos foram terminantemente proibidos de fazê-lo.
Só consegui subir para o piso superior quando
todos estavam entretidos com a cerimônia. À
medida que eu subia, vi-a vindo na direção
oposta, mas sem caminhar, sem galgar degrau por
degrau. E, sugestivamente, ela estava com
aquelas vestes compridas que não seriam
necessárias apenas para lhe cobrir o corpo — uma
roupa compridíssima. Era algo como um corte de
fazenda lindíssimo.
E como desta vez já estava mais crescido, eu
estudava as características dela. Antes, quando
também sofria, eu não ficava reparando nela.
Apenas via alguém me dizendo que eu ficaria
bom. Mas desta vez eu olhei para ela prestando
bastante atenção. Descrevo-a aqui segundo a
segunda ou terceira vez que a vi. Ela vestia
branco, branco puro — um branco especial, e não
um branco qualquer, do tipo da coisa branca
cremosa. Era uma roupa de alvura indescritível.
Seu cabelo era normal, mas talvez encaracolado.
Embora não fosse negro como o de uma mulher
do sul da Índia, não era alourado como o daqui
[Estados Unidos]. Chamou-me a atenção o fato de
a cintura dela ser finíssima. Mais tarde, estudei
nas escrituras a respeito de quatro categorias de
corpos de mulher, bem como das apsarãs e dos
gandharvas. Ela parecia um espírito celestial e
tinha a cintura finíssima. Seria difícil relacionar
uma cintura fina daquelas com o tamanho dos
seus seios. Com um par tão farto de seios e uma
cintura daquela finura, alguém daqui daria a
impressão de estar para despencar a qualquer
momento. Com aquela cintura finíssima e coxas
compridíssimas, ela estava vestida com umkacha
como se fosse umdhotidebrahmacãrida cintura
para baixo. E aquele tecido comprido estava
ligado por cima a um pedaço de tecido justo por
trás, como se vê nas esculturas. Mas o traje dela,
a roupa que ela usava, era compridíssimo.
Seu rosto tinha traços bem marcados. Ela era
lindíssima e não chocava o olhar. Quem a vê sente
estar demonstrando seu respeito a alguma pessoa
digna de reverência. Você não sente o mesmo
choque provocado por ver um duende [bhüta] ou
um fantasma. Não há choque algum. Eu já tive vi-sões de algumas formas de Durgã, mas a
sensação neste caso é de que se está diante de
um oficial militar. Durgã faz você se sentir assim,
mas ela fa dama da varíola] não nos faz sentir
isso. É como se um aluno cruzasse com o vice-
reitor da faculdade caminhando pela calçada da
universidade — mesmo sendo uma circunstância
extra-oficial, você sabe que se trata de uma
pessoa de alto cargo.
Enquanto descia a escada, ela me disse: "Seus
amigos estão bem. Por você estar tão preocupado
com eles, eu vim vê-los, e agora eles estão bem."
Foi então que nutri o desejo de manter algum
contato com aquela pessoa. É uma escadaria
assim e eu estou bem aqui. Fiquei ali parado de
propósito na passagem dela. Acho que eu
planejava dizer: "Por que não vem visitar nossa
casa?" ou "Quando posso vê-la de novo?", ou algo
assim. Mas algo que ocorre em muitos destes
incidentes é que olham para você e o fazem
"desligar o pensamento" — você fica sem
capacidade de pensar nas coisas. Você se sente
tão atraído a olhar para eles e apreciar a situação
que, antes mesmo de conseguir pensar em algo,
eles já se foram. Eles fazem isto sem o menor
esforço.
Era assim que ela se locomovia — flutuando. Mas
o movimento dela nada tinha a ver com o desenho
da escada. Ela percorria um caminho diferente. A
escada não fazia a menor diferença para ela, dava
para perceber isto. Mas eis um detalhe
interessante. Apesar de essas coisas não fazerem
a menor diferença, eles usam as escadas para
subir. Mas por que isto? Tenho uma resposta para
esta pergunta, mas ela não se aplica a este caso.
Eles usam a porta. Não precisam atravessar a
porta, mas usam ela. Também usam as escadas.
Em vez de pularem, usam as escadas.
Assim aparecia ela, para então simplesmente me
atravessar no sentido de que ali estava e depois
não estava mais. Eu olhava para trás de mim e lá
estava ela com um grande sorriso no rosto, como
se quisesse dizer: "Viu? Quando você tenta me
conter e me pede algo, eu já fui embora." Um
grande sorriso no rosto.
E ela tinha uma testa enorme. Temos estas quatro
espécies de corpos humanos femininos, as quais
são analisadas na escritura — nossas formas hu-manas femininas. Mas este ser não se enquadra
em nenhuma das quatro.
Logo ela não é daqui. Mas, sem dúvida, eu não
entendia essas coisas todas naquela época. É
difícil para mim remontar àquela época e dizer
exatamente o que eu sentia na ocasião, isto
porque nos últimos tempos tenho entendido
coisas que agora me confundem.
Na época acho que não dei muita importância a
esta experiência. Mais tarde, após ter tido tantas
outras experiências, isto se tornou muito impor-tante para mim. Ela é umakuladevata.Fui
descobrir isto bem mais tarde. Uma linhagem
familiar específica é protegida por semelhante
pessoa. Como eu pertenço àquela linhagem
familiar específica, ela teve um interesse especial
por mim. Assim, como eu estava preocupado com
aqueles meninos, ela os visitou, muito embora
eles não sejam de nossa família.
Talvez eu a tenha visto uma vez mais, mas desta
vez eu estava crescido. Não atingira aquele ponto
em minha vida em que passara a ter alguma es-
pécie de descrença. Isto ainda não me acontecera.
Disso eu me lembro.
Foi num festival. Existe um templo antiqüíssimo de
Durgã naquela cidade — ela protege a cidade.
Durante o festival de verão, eles fazem um
chafariz em frente ao salão do templo. Ali eles
colocam um limão, que sobe e desce na água. Eu
ia lá todo dia para ver aquilo, e ficava ali parado,
olhando para o limão por um bom tempo. "Como
conseguiram fazer isto com o limão?"
Tudo começava às quatro da tarde, quando ainda
não havia quase ninguém no templo. Por volta das
cinco, todos apareciam. Aí, eu dava um giro em
torno do templo e voltava para dentro. Porque,
como você sabe, quem dá um giro em torno do
templo pode receber alguma bênção ou alguma
coisa. Assim, se você se sente cansado, tenta
fazer duas coisas ao mesmo tempo — caminhar e
fazer alguma boa ação. Enquanto eu dava meu
giro, nos fundos do templo faziam adoração às
kanyãs,virgens.
De repente, num dos giros, lembrei-me daquela
dama — num estalo de dedos. Bastou eu lembrar
para ela de imediato aparecer sob uma figueira-de-bengala próxima a uma grande plataforma de
cimento. Ali estava ela, bem em frente da
plataforma. E ela estava numa ótima e bela pose,
com um gesto de quem abençoa — como numa
pose de dança. Eu andei com tanta rapidez na
direção daquele local que era como se algo
estivesse me puxando para lá. Cheguei tão perto
dela que, se ela respirasse, segundo costumamos
dizer, daria para sentir seu hálito no meu rosto.
Ela é muito alta comparada com nossas mulheres
do sul da índia e mesmo com as mulheres de
Rajput. Parado perto dela, não senti o que sinto
quando estou perto de pessoas normais, como
minha irmã, por exemplo. Era como se eu
estivesse diante de uma deidade ou de uma rosa.
Mas, neste ínterim, pude ver exatamente o
formato das mãos, os seios, as coxas e tudo. De
qualquer modo, eles não são como os membros do
meu corpo. Assim, aquela foi a primeira vez que
tive um bom entendimento de semelhante
experiência. Essas pessoas existem. Embora
tenham uma forma como nós, não é uma forma
como a nossa.
A pele dela tinha uma cor mais bonita que a da
minha mão. Mesmo diante daquela pele, não senti
o mesmo que sentiria se estivesse perto de uma
mocinha. Não foi bem assim. Era quase como se
eu estivesse diante de uma bela pintura de
Sarasvati, ou da forma de deidade de Durgã. Por-que, como você sabe, a deidade é uma pessoa, e
você não a encara como uma estátua de pedra.
Você não pensa se tratar de uma estátua, mas sim
de Sarasvati ou Durgã.
Mas, de qualquer modo, como eu estava bem
perto dela, vi que ela respirava. E não passou
nada de errado pela minha cabeça enquanto eu a
olhava. Eu era muito respeitoso. Ela impunha
aquele tipo de atmosfera quando estava presente.
Você sente vontade de se prostrar e pedir alguma
bênção ou algo assim.
Então ela disse que eles fazem um orifício no
limão e, quando montam o chafariz, eles o
colocam de jeito que ele suba e desça. Aí eu ri.
Olhei em volta para ver se havia alguém por perto
e não havia ninguém. Então, ela disse que, mesmo
havendo uma pessoa por perto, ela não se daria
conta de nada. Ela falou isto em meu idioma, e
havia som. Pude ouvir aquele som. Também pude
sentir o alento dela. Sua respiração era
comparativamente muito lenta — como a de uma
pessoa doente. Mas ela tinha traços muito finos,
belíssimos. E também notei que ela tinha uma
pinta na testa, pois eu estava bem perto dela.
Reparei nos seus lábios. Embora se mexessem,
não sincronizavam com as palavras. Na verdade,
ela falava alguma outra coisa. Segundo analisei,
ela devia estar falando alguma outra coisa, que eu
podia entender por estar ouvindo meu idioma.
Assim, achei que aquilo soava como uma
dublagem de filme.
E aí ela disse: "Você será capaz de ver todos nós.
Você verá muitos de nós." Ela me lembrou de que,
ainda criancinha, sempre que me levavam aos
templos, quando via Ganesa [um dos devas
principais], eu o chamava de irmão mais velho em
voz alta. Todos entoavam "jayaGanesa" ou algo
parecido, mas eu dizia"anna". Annasignifica: "Ó
irmão mais velho." Assim, ela mencionava que,
assim como eu chamava Ganesa deanna,da
mesma forma, disse ela: "Você tem contato
conosco. E você está protegido." E completou: "Se
não o estivesse, teria olhado para mim da mesma
maneira que olharia para outra pessoa [i.e., com
luxúria]." E arrematou: "Não, você está protegido.
Nós podemos protegê-lo disto."
Então, ela disse: "Na verdade, enquanto você
nutrir o desejo..." Embora eu esteja usando estas
palavras agora, não foi bem assim que ela falou.
Suas palavras eram mais simples e não tão
filosóficas. Se você nutrir o desejo de desfrutar,
então, não lhe daremos semelhante proteção.
Assim disse ela, e de forma bem distinta:
"Aprenda a ver em toda mulher uma expansão de
Durgã." E pôs a mão sobre minha cabeça. Aí, eu
senti: "O meu Deus, que é isto?" Não era como
aquilo que sentimos se alguém toca em nós. De
repente, senti meu corpo esfriar. Esfriou mas foi
uma experiência muito maravilhosa. Aquilo foi
mais uma experiência do que um mero toque.
Ela me acariciou assim por trás, na cabeça, como
se faz com um menino. E aquilo me confortou de
verdade, como se viesse de uma mãe afetuosa.
De alguma forma, senti um grande respeito por
aquela pessoa. Parecia uma pessoa muito
respeitável ocupando uma posição superior que
vem lidar com algum pobrezinho — como se a
rainha tivesse vindo cumprimentar alguém. Aí eu
lhe perguntei: "Será que vou vê-la outra vez, será
que vou encontrá-la de novo?" Aí ela disse: "Só se
você precisar de mim." Eu não a vi depois daquilo.
Aquela foi a última vez.
A lança de Karttikeya
A história a seguir apresenta uma indicação
adicional da educação de Kannan. Esta história,
apesar de ser bastante distinta de típicos relatos
sobre contatos imediatos com óvnis, não parecerá
incomum para pessoas familiarizadas com relatos
sobre santos e místicos indianos. A experiência
relatada por Kannan poderia ser classificada como
uma "visão religiosa". Tanto quanto a história da
dama da varíola e muitos relatos sobre óvnis, ela
apresenta fenômenos, orientados por alguma
forma de inteligência, que parecem emergir de
outra dimensão.
Neste caso, no entanto, os fenômenos estão
vinculados de modo explícito à tradicional deidade
védica chamada Kãrttikeya. Na literatura védica,
Kãrttikeya é o principal chefe militar dos devas.
Ele é filho do Senhor Siva, tendo sido criado por
virgens que habitam a constelação Krttikã (as
Plêiades). É notável que as pessoas da índia ainda
hoje relatem experiências explícitas relacionadas
a tais deidades védicas.
Conforme uma característica desta história,
Kannan parecia ter conhecimento incomum acerca
de Kãrttikeya — conhecimento este
presumivelmente adquirido numa vida anterior.
Isto combina com a afirmação da dama da varíola,
segundo a qual Kannan manteria contato regular
com seres superiores, estando ligado a eles de
alguma maneira. Conforme salientei em capítulos
anteriores, muitos contatos ufológicos também
alegam ter uma relação especial com seres
superiores, e alguns alegam, ainda, que isto
remonta a uma vida anterior.
Eis a história:
Certa vez, fugi de casa e fui parar no templo de
Sarigamesvara. É um templo de Siva, e Kãrttikeya
está ali. Eles têm a deidade de Kãrttikeya, e têm
um pavão e uma lança próxima do pavão. Este é o
costume de adoração em templos de Siva. Eles
mantêm o veículo da deidade à frente [i.e., o pa-vão] e, ao lado dele, a arma daquela deidade em
particular.
Fui ao templo e fiz todas as coisas que se deve
fazer neste caso. Eu costumava aprender que
coisas devem ser feitas num templo de Siva sem
fazer perguntas a ninguém. Eu sempre sabia onde
me virar, onde me sentar e onde ficar em pé.
Existe todo um cerimonial para se visitar o templo
de Siva. O templo de Siva é uma réplica de
Kailãsa, e o templo de Visnu é uma réplica de
Vaikuntha. De modo que a etiqueta observada ao
se entrar em Vaikuntha é a mesma que se deve
observar no templo de Visnu. E, se é um templo
de Siva, você faz tudo exatamente de acordo com
o costume em Kailãsa.
Assim, eu costumava fazer isto com muita
naturalidade. Eu dizia aos meus parentes: "Vocês
devem fazer isto aqui e aquilo lá. Por que não fize-ram isto aqui?" Apesar de haver algumas objeções
a princípio, mais tarde, eles passaram a me levar
sempre que queriam ir a algum templo de Siva.
"Levem o Kannan que ele lhes explicará tudo."
Eles achavam se tratar de alguma bênção especial
a mim concedida.
Assim, realizei todo o cerimonial. Ele todo demora
cerca de 45 minutos. Daí, vim até a área de
Kãrttikeya e me sentei. Eu costumava me sentar
em pose de yoga, mesmo quando era bem
pequeno, e ali me sentei e fiquei olhando para
Kãrttikeya. Esta deidade tem seis cabeças, monta
um pavão e porta uma lança. Terminada a
adoração no templo, o sacerdote saiu. Ele passou
por mim, mas não me viu. Depois de sair, trancou
a porta do templo. Não havia ninguém exceto os
deuses e eu. Assim, simplesmente fiquei ali
sentado. Não adormeci nem fiz mais nada.
Passou a noite toda. No dia seguinte, o sacerdote
apareceu e me perguntou se eu passei a noite
sentado ali. Havia mulheres que freqüentavam o
templo todos os dias, de manhã e à noite. Elas
repararam em mim e ficaram curiosas. Que este
menino está fazendo sentado aqui neste local? Eu
olhei para elas, mas logo voltei a olhar para a
lança. Aí, começaram a dizer "Sadhu",e logo uma
pequena multidão me cercou.
As pessoas deixavam algumas oferendas na
minha frente, algumas frutas. Então, apareceu o
sacerdote e, vendo aquilo, me perguntou: "Onde
está sua mãe? Que você está fazendo aqui? Por
que está sentado deste jeito?" Embora procurasse
encarar a situação normalmente, ele se sentia
nervoso pelo fato de eu estar sentado daquele
jeito. De modo que, naquela noite, após osandhya
ãrati,ele veio até mim e disse: "Você vai ficar
sentado aí deste jeito? Bem, se outro santo vier,
que haveremos de fazer? Quando tiver fome,
coma isto." Depois, disse: "Fique sabendo que não
existe banheiro neste templo. Estou trancando a
porta e saindo. Voltarei a vê-lo amanhã de
manhã." Não respondi nada. Enquanto ele saía, eu
simplesmente olhava para a lança.
Quando todo silenciou lá fora, surgiu uma lança de
dentro daquela sala. Existe uma lança de pedra
aqui, mas aquela lança parecia feita de luz. Ela
veio de lá para então parar bem no lugar onde
estava a lança de pedra — ficou pairando ali,
movimentando-se para lá e para cá. Embora
parecesse feita de luz, era como o ouro —
metálica. É de metal, mas contém tanto poder que
você só vê a luz. Senti ser aquilo o que eu estivera
esperando. Olhei para ela e fiquei muito feliz.
Juntei as mãos em sinal de reverência. Durante
todo aquele tempo, senti algo travado em meu
corpo. Mas aquela sensação passou por completo,
e eu me senti inteiramente normal.
Existe uma oração para a lança no idioma tâmil.
Na verdade, é um mantra.Ele contém poder de
semente. Surgiu aquele som. Ali estava o som —
uma poderosíssima voz de cem ou duzentas
pessoas cantando. Segundo diz a oração, a lança
na mão de Skanda [Kãrttikeya] dá proteção. Se al-guém encarar isto como um fato, a proteção se
consumará. Olhando para a lança, fazemos com
que todos os fantasmas desapareçam, e esta
lança é a destruidora de todos os inimigos dos
devas. Entre as oito Laksümis, ela oferece um
banquete para a Laksümi da coragem. Ela matou
Surapadma. Surapadma era um demônio que
obteve a bênção de só poder ser morto por uma
criança de cinco anos. A oração prossegue
narrando as glórias da lança. Assim, eu a ouvi
como se fosse o som do oceano. Era como se du-zentas pessoas estivessem cantando juntas.
Embora não houvesse ninguém no templo, eu não
sentia o menor constrangimento, choque, temor,
nada. Sentia-me inteiramente normal. Eu cantava
acompanhando todo aquele som. Aí cantei um
verso, e a lança veio desse jeito, talvez bem
próxima assim. Então me levantei e prestei a ela
minhas reverências plenas. Em seguida, pus-me
de pé e fiquei assim parado, e ela ficou bem ali,
por uns dois ou três minutos. Aí, ela desapareceu
num estalo de dedos. Enfim, sentei-me de novo e
comi um pouco de fruta.
De manhã, o sacerdote apareceu, olhou para mim
e disse: "Oh! Tão refulgente!" Aí, começou a vir a
multidão. Era um dia especial para o templo de
Sarigamesvara, terça-feira, dia de Siva. De modo
que havia uma multidão ainda maior sentada na
minha frente, e eu agora já estava normal. Uma
senhora me perguntou se seu neto doente ficaria
bom. Peguei uma fruta e dei a ela, e ela se foi. Eu
distribuía todas as frutas. Bastava alguém me
perguntar algo para eu lhe dar uma fruta.
Uma pessoa me fez uma pergunta a respeito de
um santo chamado Kumãra-gurupara. Este é tanto
o nome de um santo quanto um dos nomes de
Kãrttikeya. Esta pessoa me perguntou se Kumãra-gurupara era Kãrttikeya, e eu lhe disse que não.
Aquilo criou um certo rebuliço entre as pessoas.
Como é que este menino sabe responder às
perguntas? Aí, passaram a fazer perguntas sobre
Kãrttikeya. Quais são os diferentes lugares sagra-dos de Kãrttikeya? E eu dizia que este lugar é
especial para isto, este outro lugar é especial para
aquilo. E passei a contar a respeito das glórias de
Sarigamesvara, e depois falei dos sete templos de
Siva na cidade. Mencionei muitas coisas que a
maioria das pessoas desconhece.
Enquanto isso se desenrolava, apareceu uma
senhora no templo que conhece nossa família, e
ela os informou que eu lá estava. Ela disse: "Seu
filho se tornou um grandeswamijilá. Todos o
estão ouvindo." A essa altura, eles já estavam me
procurando fazia alguns dias. Naquele dia, meu ir-mão pegou sua bicicleta e apareceu no templo.
Ele entrou ali e foi na direção de onde eu estava e
me deu um tapa. "Você é um patife. Mamãe está
chorando." Todos ali presentes vinham até ele e
lhe diziam: "Estesadhu tem muito conhecimento,
portanto não faça isto." Mas meu irmão não ficou
nem um pouco impressionado, só fez me colocar
na bicicleta e me levar de volta à casa.
Encontro com uma Jaladevata
Na tradição indiana, Jaladevata é um ser que dá
proteção a pessoas cujas vidas estejam correndo
perigo num corpo natural de água em particular,
tal como um lago ou o trecho de um rio. Eis a
história de um encontro com uma Jaladevata
acontecido recentemente em Mãyãpura, perto da
cidade de Navadvipa na Bengala Ocidental (cerca
de três horas de carro ao norte de Calcutá). Isto
ocorreu perto do fim de junho de 1992. Mãyãpura
é uma área de pequenas aldeias e templos
rodeados por quilômetros de arrozais. Está situada
num trecho de terra demarcado por um braço do
Ganges, de um lado, e pelo rio Jalangi, do outro.
A história foi recontada pela esposa de Kannan,
que estava em Mãyãpura na ocasião e conhecia as
pessoas envolvidas. Kannan traduzia enquanto ela
contava a história em seu idioma nativo:
Alguns meninos da escolagurukulaforam nadar
no Ganges, e um menino de cinco anos chamado
Bhãgavat foi com eles. Apesar de não saber nadar,
ele resolveu acompanhar os outros porque todos
eles estavam indo para lá. Os pais dele vinham
bem atrás, e um dos meninos o levou de bicicleta.
Assim, quando todos mergulharam no Ganges, o
menino menor fez o mesmo, pensando: "Deve ser
isto que devo fazer."
Os pais chegaram à margem do rio cerca de cinco
ou seis minutos depois dos meninos, isto porque
os meninos estavam de bicicleta. Perguntaram:
"Onde está Bhãgavat?" E todos os meninos se
entreolharam, dizendo: "Ué! Onde está ele?"
Ninguém sabia. Então, Dvaipãyana, um dos meni-nos, mostrou à mãe: "Lá está Bhãgavat." Só dava
para ver o dedo dele apontado acima da superfície
da água. Apesar de a correnteza ser pode-rosíssima ali, eles o viram. Ele mantinha a mão
erguida, só dava para ver o dedo, mas ele
permanecia no mesmo lugar.
Ele não se mexia. Apesar da rapidez da
correnteza, ele não se mexia. Aí, como a sua mãe
já estivesse transtornada com a situação,
Dvaipãyana, que sabe nadar, mergulhou no rio.
Perto daquele lado do rio, há uma grande
correnteza, só que, a uma pequena distância dali,
há um banco de areia onde brincam as crianças
que sabem nadar. Mas o menino estava do lado de
lá, o lado da correnteza forte. Assim, Dvaipãyana
mergulhou, nadou até lá e trouxe o menino, que
não estava asfixiado. Ele estava normal.
Quando a mãe perguntou ao menino o que
acontecera, ele disse que a correnteza o arrastara
para dentro do rio. Quando estava prestes a se
afogar, avistou uma senhora que o ergueu de
dentro da água. Ela o segurava dentro da água.
Ela tinha uma coroa, tinha brincos, estava muito
bem vestida e parecia linda — e o mantinha
seguro. De modo que, por algum tempo, ele sentiu
que a correnteza o estava arrastando, mas, em
seguida, as mãos dela o mantiveram seguro
dentro da água. Foi isto o que ele disse. Ele não
parava de dizer para sua mãe: "Aquela senhora
era linda." E perguntava se aquela era a Mãe
Ganges.
Óvnis sobre Mãyãpura
A última história de Kannan é um típico relato
sobre visão de óvni da categoria de luz noturna.
Embora aquilo pudesse ser um meteoro, talvez
esta hipótese seja descartada pelo fato de se ter
dito que o objeto reduziu velocidade de rápida
para lenta e voltando à velocidade rápida. Incluo
esta história para demonstrar haver na índia
relatos sobre visões de óvnis.
A história demonstra, ainda, que uma pessoa de
cultura indiana nativa identifica naturalmente
semelhante fenômeno como umvimãna.É curioso
o fato de Kannan ter usado um exemplo do
Rãmãyanapara argumentar que o óvni conseguia
aumentar e diminuir de tamanho. Ele introduziu
esta idéia para explicar que alguém poderia estar
voando em algo que parecia tão pequeno.
Nesta visão, não se observou diretamente uma
mudança de tamanho, mas tais mudanças são
mencionadas de vez em quando em relatos sobre
óvnis. Betty Andreasson, por exemplo, relatou ter
visto um óvni encolher numa razão de duas ou
mais vezes, muito embora estivesse ocupado por
dois humanos raptados e uns tantos seres
ufológicos. Uma observação possivelmente rela-cionada a esta foi feita por Steven Kilburn, um
raptado entrevistado por Budd Hopkins. Kilburn
afirmou ter sido levado para um óvni que parecia
muito maior por dentro do que por fora.
Eis a história de Kannan:
Eu sei que isto aconteceu durante a guerra do
Golfo Pérsico, pois tive uma aula à noite ouvindo o
noticiário da BBC sobre a guerra com os meninos
do curso Bhakti Sãstri. Estávamos acompanhando
Saddam Hussein bem meticulosamente — todos
os movimentos dele. Então, eu colocava todos os
meninos em frente da minha casa ã noite.
Dispúnhamos uma esteira no chão, acendíamos as
luzes e depois ligávamos o rádio sob as estrelas.
Certa vez, porém, ainda não era hora do noticiário
da guerra, e eles estavam transmitindo uma
conversa sobre um assunto irrelevante — as aulas
de dança de Charlie Chaplin — que divertia os
meninos. Era por volta das oito da noite, e eles
estavam todos muito à vontade fazendo piadas
sobre o programa do rádio.
Nós tínhamos duas cabanas, uma de frente para a
outra, e estávamos sentados perto da cabana que
servia de sala de estar. Sentado ali, olhei de
repente para cima e vi uma luz azul muito
brilhante sobre a outra cabana. Ela começava na
estrela Dhruva, a estrela Polar, que pode ser vista
por trás de nosso prédio comprido. Ela começava
de lá e se locomovia com muita velocidade. Então,
ao se aproximar da área de nosso templo, passou
a se locomover bem devagar. Tinha uma cauda
que era pequena no começo e ficava maior perto
do fim. E dava para perceber com bastante nitidez
que havia um objeto concreto na frente dela. Não
era como uma estrela nem era muito alto.
Eu já o estava vendo quando um dos meninos
disse: "Que é aquilo, Prabhu?" Aí, outro menino
disse: "Que é aquilo? Que é aquilo?" Todos nos
levantamos e ficamos olhando para ele. Éramos
seis, cinco meninos e eu. Minha esposa estava na
cozinha cozinhando algo, mas ela também saiu
porque estávamos gritando: "Ei! Que é isto?"
Talvez o objeto estivesse a uma altura equivalente
a uma palmeira e meia acima do telhado da caba-na, que não é muito alta. Tratava-se nitidamente
de um objeto. A maioria dos meninos se
concentrava na luz. Eu olhava para a parte
dianteira, e pude constatar se tratar de um objeto.
Não era uma estrela nem estava muitodistante no
céu. Estava bem ali. Além disso, girava em torno
de si mesmo, mas foi bem lento ao sobrevoar a
área pertencente ao Movimento da Consciência
Krishna. Em seguida, tomou o rumo do rio Jalangi
para o lado do gosãla [estábulo] ou talvez um
pouco mais adiante. E então acelerou. Era como
se alguém reduzisse a velocidade do objeto para
examinar algo.
Era algo muito interessante, e os meninos não
paravam de fazer perguntas a respeito dele. Eu
disse: "Bem, como vocês sabem, as pessoas res-peitam Mãyãpura — deve haver alguém viajando
nele." Mas, se o objeto inteiro parecia tão pequeno
àquela altura, devia ser bem pequeno. Que
poderia ser, então? Os meninos faziam toda
espécie de perguntas. De qualquer modo, segundo
meu entendimento, era na verdade umvimãna.
Só que, por algum motivo, certosvimãnaspodem
aumentar ou diminuir de tamanho. Ao
atravessarem determinadas áreas, eles aumentam
ou diminuem de tamanho, conforme a área. Isto
fica nitidamente evidente quando Hanumãn
observa oPuspaka-vimãnaem Sri Lankã. A
princípio, tinha apenas dois assentos. Depois, foi
ficando cada vez maior. E, por fim, quando Rãma
voou nele, estava maior do que uma cidade. Ele
levou todo o exército de vãnaras a bordo do
vimãnapara Ayodhyã, onde Sua coroação seria
celebrada. Sendo assim, era um objeto maior do
que uma cidade.
Só aos nossos olhos ele parece pequeno. Na
verdade, estou certo de que era maior do que
nossas quatro cabanas juntas. Eles apenas o
diminuíram de tamanho naquela ocasião,
provavelmente para atravessarem esta área tão
respeitada...
Lembro-me distintamente de que pairava abaixo
da altura de nossa concha acústica. Estava tão
próximo que não dava para fazer nada a respeito.
Em Mãyãpura, os gaviões voam muito mais alto do
que aquilo. Embora fosse algo anormal, ficamos
de todo desamparados olhando para ele. Quando
descrevi o acontecido para um cavalheiro
muçulmano, um velho fazendeiro, ele me disse
que no céu acima de Mãyãpura havia muitas
coisas como aquela. As coisas vêm e vão. As
pessoas vêm e vão — tantas coisas acontecem
porque esta é a terra de Mahãprabhu. A terra dele
fica colada à nossa por trás dogosala.Ele
arrematou dizendo: "Não é de admirar que se
vejam tais coisas no céu acima de Mãyãpura."

FIM....

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