sexta-feira, agosto 17, 2012

Coleção Zecharia Sitchin Livro 9 - CÓDIGO CÓSMICO


Zecharia Sitchin

O CÓDIGO CÓSMICO

A fantástica História dos Extraterrestres que
Revelaram os Segredos Cósmicos à
Humanidade
TRADUÇÃO
Luiz Fernando Martins Esteves
2003
EDITORA BEST SELLER
SUMÁRIO

1. Pedras das Estrelas
2. A Sorte Possui 12 Estações
3. Gerações Divinas
4. Entre a Sorte e o Destino
5. Sobre Morte e Ressurreição
6. A Conexão Cósmica: DNA
7. Sabedoria Secreta, Textos Sagrados
8. Códigos Ocul tos, Números Místicos
9. Profecia: Escritos do Passado
10. Umbigo da Terra
11. Um Tempo de Profecia
12. O Deus que Retornou do Céu
Epíl ogo
1
PEDRAS DAS ESTRELAS

Foi necessária uma guerra - cruel e sangrenta - para trazer à luz, há poucas décadas, um dos mais
enigmáticos sítios arqueol ógicos no Oriente Médio. Se não o mais enigmático, certamente o mais
intrigante e, sem dúvida, enraizado em um passado muito distante. É uma estrutura que não possui
paralelo entre as ruínas das grandes civil izações que fl oresceram no Oriente Médio no milênio passado -pel o menos o que foi descoberto até agora. As estruturas paralel as mais parecidas situam-se a milhares
de quil ômetros, além do mar e em outro continente; o que vem à mente é Stonehenge, na distante
Inglaterra.
Lá, numa planície varrida pelo vento, a cerca de 130 km de Londres, círcul os de imponentes megál itos
formam o tesouro pré-histórico mais importante da Ingl aterra. Enormes pedras erguidas em semicírcul o
estão ligadas na parte superior por l intéis feitos de outras pedras, contido num semicírcul o de pedras
menores, cercado por sua vez de dois círculos de outros megál itos. As mul tidões que visitam o local
descobrem que al guns dos megál itos ainda estão em pé, enquanto outros caíram ou de alguma forma
foram retirados do local. Mas os estudiosos e pesquisadores conseguiram descobrir as configurações dos
círcul os-dentro-de-círcul os e observaram os orifícios onde dois outros círculos - de pedras ou de estacas
de madeira - existiram numa fase inicial de Stonehenge.
Os semicírcul os em forma de ferradura e um grande megálito caído, apelidado de Pedra da Matança,
indicam, fora de qualquer dúvida, que a estrutura estava orientada segundo um eixo nordeste-sudoeste.
Eles apontam para uma l inha de orientação que passa entre duas pedras eretas através de uma l onga
avenida de pedras, diretamente para a chamada Pedra do Calcanhar. Todos os estudos concluíram que os
al inhamentos tinham propósitos astronômicos; foram primeiro orientados, em cerca de 2900 a.C. (um
século a mais ou a menos), para o nascer do sol no dia do sol stício de verão; foram reorientados, em
cerca de 2000 a.C. e depois em 1550 a.C. na direção do pôr-do-sol no solstício de verão daquela época.
Um dos mais curtos, no entanto, mais sangrentos episódios de guerra recente no Oriente Médio foi a
Guerra dos Seis Dias, em 1967, quando o Exército israel ense, cercado e encurral ado, derrotou os
exércitos do Egito, da Jordânia e da Síria e capturou a penínsul a do Sinai, a margem ocidental do rio
Jordão e as colinas de Golã. Nos anos que se seguiram, arqueól ogos israel enses conduziram extensa
pesquisa e escavações em toda a área, trazendo à l uz acampamentos do período Neolítico, desde os
tempos bíblicos até os períodos grego, romano e bizantino. Apesar de tudo isso, em nenhum l ugar a
surpresa foi maior do que na área escassamente habitada, o pl atô quase vazio chamado de colinas de
Galã. Descobriu-se que fora uma área densamente habitada e cul tivada no início das habitações
humanas; eram restos de acampamentos do sétimo milênio que precede a Era Cristã.
Virtualmente no meio do nada, numa pl anície varrida pelo vento (que fora util izada pelo Exército
israel ense para prática de tiro), pil has de pedras arranjadas em círcul o apareceram - quando vistas do
al to - como uma espécie de Stonehenge do Oriente Médio.
A estrutura única consiste em vários círcul os concêntricos de pedras, três deles circul ares e dois
formando semicírcul os ou "ferraduras". O círcul o exterior mede quase meio quilômetro de
circunferência, e os outros diminuem à medida que se aproximam do centro da estrutura. As paredes dos
três círculos principais el evam-se a dois metros ou mais, e a largura excede três metros. São feitas de
pedras brutas, variando desde um tamanho pequeno até megál itos de proporções enormes, que pesam 5
toneladas e até mais. Em vários pontos as paredes circulares estão l igadas umas às outras por paredes
radiais, mais estreitas porém com aproximadamente a mesma al tura das pilhas circul ares. No centro
exato da compl exa estrutura, ergue-se uma pil ha grande e bem definida de rochas, medindo cerca de 20
m de largura.
Mesmo deixando de lado sua forma única, essa é, de longe, uma das maiores estruturas de uma só
pedra na Ásia, tão grande que pode ser vista do espaço por uma nave orbitando a Terra.
Engenheiros que estudaram o sítio estimaram que, mesmo em suas condições atuais, contém mais de
3.540 m3 de pedras, pesando juntas cerca de 45 mil tonel adas. Calcul aram que teriam sido necessários
cem trabalhadores durante pel o menos seis anos para construir aquel e monumento - cortar as pedras de
basalto, transportá-as até o l ocal , arrumá-las segundo um pl ano arquitetural preconcebido, e erguer as
paredes (sem dúvida, mais al tas do que as ruínas agora visíveis) para formar a estrutura compl exa.
O que nos l eva a indagar: por quem foi construída a estrutura, quando e com que propósito?
A pergunta mais fácil de responder é a última, pois a própria estrutura parece indicar seu propósito -pel o menos seu propósito original. O círculo mais externo mostra claramente que havia duas
interrupções ou aberturas, uma l ocal izada a nordeste e outra a sudeste - l ocal izações que indicam uma
orientação de acordo com os solstícios de verão e de inverno.
Trabalhando para retirar rochas caídas e fora do desenho original , os arqueólogos israelenses expuseram
na abertura a nordeste uma estrutura enorme e quadrada, com duas "asas" que protegem e escondem
aberturas menores nas duas paredes concêntricas, atrás; assim, a construção servia como portão
monumental , projetando (e guardando) uma entrada para o coração do compl exo de pedra. Foi nas
paredes dessa entrada que encontraram os maiores blocos de basalto, chegando a pesar 5,5 toneladas
cada. O intervalo a sudoeste no círcul o maior também serve de acesso ao interior da estrutura, porém l á
os blocos não apresentam dimensões monumentais, mas pil has de rochas caídas começam no interior e
vão para fora, sugerindo o contorno de uma avenida de pedras estendendo-se para sudoeste - uma
avenida que teria determinado uma linha de mira astronômica.
Essas indicações confirmam que, assim como Stonehenge na Ingl aterra, a estrutura foi construída para
servir de observatório astronômico (a princípio para determinar os sol stícios), e a idéia é reforçada pel a
existência de observatórios em outros l ugares - estruturas simil ares àquela em Golã, já que apresentam
não apenas os círculos, mas as paredes radiais que os l igavam. O que impressiona é que estruturas
semel hantes encontram-se do outro lado do planeta, nas Américas.
Uma del as são as ruínas de Chichén Itzá, na penínsul a do Yucatán, no México, apelidada de Caracol por
causa do formato das escadas no interior da torre de observação. Outra é o observatório circular sobre o
promontório de Sacsahuaman, no Peru, que domina a vista da capital inca, Cuzco; lá, assim como em
Chichén Itzá, provavelmente existia uma torre de observação; os alicerces revelam os contornos e
al inhamentos astronômicos da estrutura e mostram claramente os círcul os concêntricos e radiais que os
uniam.
Tais semelhanças foram motivos suficientes para que os cientistas israel enses chamassem o Dr. Anthony
Aveni dos Estados Unidos, uma autoridade internacionalmente renomada em astronomia antiga,
sobretudo em civil izações pré-colombianas das Américas. A tarefa dele não era apenas confirmar as
orientações astronômicas do local em Golã, mas principalmente ajudar a determinar a idade da
construção - assim, além de compreender a utilidade, também saberiam quando.
A orientação das estruturas - se alinhadas aos sol stícios - pode revelar a época da construção, um fato
aceito na arqueoastronomia desde a publ icação de The Dawn of Astronomy ("O Alvorecer da
Astronomia") por sir Joseph Norman Lockyer, em 1894. O movimento aparente do Sol entre norte e sul
e de retorno, à medida que as estações vão e vol tam, é causado pel o fato de que o eixo da Terra (ao
redor do qual a Terra gira para causar o ciclo que produz o efeito dia/noite) está incl inado para o pl ano
("eclíptico") no qual a Terra orbita ao redor do Sol. Nessa dança cel estial - embora seja a Terra quem se
move, e não o Sol - aos observadores da Terra parece que o Sol , movendo-se para a frente e para trás,
atinge um ponto distante, hesita, pára e depois, como se mudasse de idéia, retorna; atravessa o equador,
vai até o outro extremo, hesita, pára lá, depois vol ta. As duas passagens anuais pel o equador (em março
e setembro) são chamadas de equinócios; as duas paradas uma ao norte, em junho, e uma ao sul, em
dezembro, são chamadas de solstícios ("paradas do Sol"), os solstícios de verão e de inverno para os
observadores do hemisfério norte da Terra, como as pessoas em Golã e Stonehenge.
Ao estudar templos antigos, Lockyer dividiu-os em dois tipos. Alguns, como o Templo de Salomão, em
Jerusal ém, e o templ o consagrado a Zeus, em Baalbek, no Líbano, foram construídos segundo um eixo
leste-oeste que os orientava para o nascer do sol no dia dos equinócios. Outros, como os templ os
faraônicos no Egito, estavam al inhados num eixo sudoeste-nordeste, o que significava que eram
orientados para os sol stícios. Ele ficou surpreso, entretanto, ao descobrir que enquanto nos primeiros a
orientação jamais mudava (por isso ele os chamava de Templ os Eternos), os últimos - tal como os
grandes templ os egípcios em Karnak - mostravam que os sucessivos faraós precisavam enxergar os raios
do Sol atingindo o santo dos santos no dia do sol stício, portanto mudavam a direção das avenidas e
corredores para um ponto ligeiramente diferente do anterior. Tais correções de alinhamentos também
foram feitas em Stonehenge.
O que causava aquelas mudanças direcionais? A resposta de Lockyer foi: mudanças na inclinação da
Terra, resultado de sua oscilação.
Hoje em dia a inclinação do eixo da Terra ("obl iqüidade") em relação a seu caminho orbital ("ecl íptico")
é de 23,5 graus, e é essa inclinação que determina quanto ao norte ou ao sul o Sol parece mover-se
regularmente. Se esse ângulo de incl inação permanecesse inal terado para sempre, os pontos de solstício
continuariam os mesmos. Porém os astrônomos concluíram que a incl inação da Terra (causada por sua
oscilação) varia ao longo dos séculos e mil ênios, aumentando e diminuindo repetidamente.
No momento, assim como nos vários milênios que nos precederam, a oscilação está em sua fase de
diminuição. Era cerca de 24 graus por volta de 4000 a.C., diminuiu para 23,8 por vol ta de 1000 a.C. e
continuou a diminuir até o patamar atual de 23,5 graus. A grande inovação de sir Norman Lockyer foi
apl icar essa mudança da obliqüidade da Terra às várias fases de construção do Grande Templ o em
Karnak, assim como às fases de Stonehenge (como indicado pelas mudanças da Pedra do Cal canhar).
Os mesmos princípios têm sido usados desde então para determinar a idade de estruturas
astronomicamente orientadas na América do Sul - no início do século XX, por Arthur Posnansky, a
respeito das ruínas de Tiahuanaco, às margens do l ago Titicaca, e por Rol f Müll er, para o torreão
semicircular em Machu Picchu e o afamado Templ o do Sol , em Cuzco. As pesquisas meticulosas
mostraram que, para determinar exatamente o ângulo de inclinação da Terra - o que indica, quando se
leva em conta a posição geográfica e a idade da estrutura, é essencial determinar precisamente onde é o
norte. Com isso, adquiriu significância especial o fato de que os pesquisadores descobriram que, nos
dias claros, o monte Hermon fica precisamente ao norte em relação ao centro da estrutura. O Dr. Aveni
e seus col egas israel enses, Yonathan Mizrachi e Mattanyah Zohar, puderam determinar que o l ocal fora
orientado de forma a permitir que um observador em pé no centro e seguindo uma linha de mira através
do meio do portão nordeste assistisse ao nascer do sol numa madrugada de junho, em cerca de 3000
a.C.!
Os cientistas concluíram também que, por vol ta de 2000 a.C. o Sol teria parecido a um observador
similar fora do centro, mas provavelmente ainda no interior do portão. Quinhentos anos depois, a
estrutura perde seu valor como observatório astronômico de precisão. Foi nessa época, conforme foi
confirmado pela datação de carbono dos pequenos artefatos encontrados al i, que a pil ha de pedras
centrais foi ampliada para formar um cairn (palavra celta que significa "pico"; túmulo cel ta, na Gál ia e
na Grã-Bretanha) - um monte de pedras sob o qual uma cavidade foi escavada, provavelmente para
servir de câmara funerária.
As datas dessas fases, sem estranheza, são virtualmente idênticas às datas atribuídas às três fases de
Stonehenge.
A cavidade protegida pelo monte de pedras, a presumida câmara mortuária, permaneceu como a parte
mais intocada do antigo sítio arqueológico. Foi localizada com a ajuda de sofisticados instrumentos
sísmicos e de um radar que penetra o sol o. Uma vez indica da uma grande cavidade, os trabal hadores
(l iderados pel o Dr. Yonathan Mizrachi) cavaram uma trincheira que os l evou a uma câmara circul ar,
com cerca de 2 m de diâmetro, 1,5 m de altura e 1,20 m de largura. Conduzia a uma câmara maior, com
cerca de 3,30 x 1,20 m de l argura. As paredes dessa úl tima câmara foram construídas com seis camadas
de pedras de basal to, erguendo-se em forma de corbelha (curvando-se para dentro à medida que as
paredes se erguiam). O teto da câmara era formado por dois bl ocos enormes de basalto, cada um
pesando cerca de 5 tonel adas.
Não havia caixão ou corpo, nem quaisquer restos animais ou humanos no interior da câmara nem na
antecâmara. Porém os arqueól ogos encontraram, como resultado de peneiragem no sol o, al guns brincos
de ouro, várias contas de cornalina, uma pedra semi-preciosa, pederneiras, pontas de pedra feitas de
bronze e cacos de cerâmica. Com isso, concluíram que realmente se tratava de uma câmara mortuária,
porém uma que fora saqueada, provavelmente na Antiguidade. O fato de algumas das pedras usadas
para pavimentar o assoalho da câmara estarem fora do lugar reforça a impressão de que o l ocal fora
arrombado por ladrões de sepul turas.
As descobertas foram datadas até o período conhecido como o final da Idade do Bronze, que se estendeu
de cerca de 1500 a 1200 a.C. Essa foi a época do êxodo dos judeus do Egito sob a liderança de Moisés, e
da conquista da Terra Prometida sob a liderança de Josué. Das doze tribos, as tribos de Rubem e Gad e
metade da tribo de Manassés assentaram-se em l ocais da Transjordânia, desde o rio Amon ao sul até o
sopé das col inas do monte Hermon ao norte. Tais domínios incl uíam a serra montanhosa de Galaad, a
leste do rio Jordão, e o pl atô onde hoje se l ocal iza Golã. Era, portanto, inevitável que os pesquisadores
israel enses se voltassem para a Bíbl ia a fim de responder à questão: quem?
Segundo os livros de Números e de Josué, a parte norte das montanhas Gal aad era governada por um rei
chamado Og, de sua capital, Basã. A captura dos domínios de Og é descrita no Deuteronômio (capítul o
3). A narrativa afirma: "Og e todos os seus homens saíram para dar batal ha aos fil hos de Israel". Ao
vencerem a batal ha, os israelitas capturaram sessenta cidades, "fortificadas com muros altíssimos, e
portas e trancas, afora inumeráveis povoações que não tinham muros". A construção de muros al tos e
portões - aspectos do enigmático local em Golã - estava dentro das capacidades dos reinados na época
do rei Og.
Og, segundo a Bíblia, era um homem grande e forte: "Sua cama de ferro mede 9 cúbitos de
comprimento e 4 cúbitos de largura" (o equival ente a cerca de 4,5 m x 2 m). O tamanho gigante, afirma
a Bíblia, era devido a ele ser descendente dos refa'im, uma raça gigante de semi-deuses que haviam
vivido naquel a terra. (Outros gigantes descendentes dos refa' im, inclusive Golias, são mencionados na
Bíbl ia como ao lado dos filisteus, na época de Davi.) Combinando as referências sobre os refa' im e a
narrativa bíbl ica a respeito da estrutura circul ar de pedra erigida por Josué após a passagem do rio
Jordão, batizada de Gilgal - O Monte Circular de Pedras - alguns em Israel apel idaram o sítio em Golã de
Gilgal Refa'im - O Monte Circular de Pedras dos Refa' im.
Ainda que os versos bíbl icos não confirmem tal nome, nem apontem o túmul o do rei Og, as afirmativas
bíblicas de que a área já fora domínio dos refa' im e que Og seria descendente del es eram bastante
intrigantes, pois descobrimos que os refa' im e sua descendência foram mencionados nos mitos e
histórias épicas dos cananeus. Os textos, que cl aramente ambientam eventos e ações divinas e semi-divinas na área que estamos estudando, foram escritos em tabletes de argila descobertos na década de 30
num sítio arqueol ógico na costa norte da Síria, cujo antigo nome era Ugarit. Os textos descrevem um
grupo de divindades cujo pai era El ("Deus, o Magnificente") e cujos negócios central izavam-se no fil ho
de El , Baal (O Senhor) e sua irmã, Anat ("Aquela que responde"). O foco da atenção de Baal era a
fortaleza na montanha, o l ugar sagrado chamado de Zaphon (significando tanto "um lugar ao norte"
quanto "o lugar dos segredos"), arena de Baal e de sua irmã, que hoje em dia é o norte de Israel , as
col inas de Golã. Pel os céus do l ocal andava com eles a irmã, Shepesh (o significado incerto do nome
sugere associação com o Sol ), a respeito da qual o texto afirma claramente que "el a governa os refa'im,
os divinos" e reina sobre semi-deuses e mortais.
Vários dos textos descobertos lidam com esse envol vimento por parte do trio. Um, intitulado por
acadêmicos A História de Aqhat, pertencente a Daniel ("Aquel e a quem Deus Julga"), que, embora fosse
um descendente dos refa' im, não podia ter filhos. Envelhecendo e agastado com o fato de não poder ter
um herdeiro, Daniel apela a Baal e Anat, que intercedem junto a El. Concedendo o pedido do homem-refa'im, El instil a nele um "rápido fogo de vida", que permite que el e tenha rel ações com sua esposa e a
engravide, concebendo um filho, a quem os deuses chamaram de Aqhat.
Outra l enda, A Lenda do Rei Keret (Keret, "A Capital, a Metrópole", é aplicada para designar tanto o rei
quanto a cidade), diz respeito à imortalidade de Keret, decorrente de sua ascendência divina. El e cai
doente, e os fil hos ficam a pensar em voz alta: "Como é possível que um filho de El, o Misericordioso,
morra? É possível que os divinos morram?". E antevendo a incrível morte de um semideus, os fil hos não
apenas divisaram o pico de Zaphon, mas também o Circuito do Grande Período, lamentando Keret:
Por ti, pai,
Irá chorar Zaphon, o monte de Baal.
O circuito sagrado, o circuito poderoso,
O circuito do grande período,
[por ti] irá lamentar.
Aqui está, então, uma referência a dois lugares altamente venerados que iriam lamentar a morte do
semideus: o monte Zaphon, o monte de Baal, e uma renomada estrutura circular – o "circuito sagrado, o
circuito poderoso, o circuito do grande período". Se o monte Zaphon, a "Montanha do Norte", era o
monte Hermon, que fica precisamente ao norte do sítio de Golã, seria este o enigmático Circuito
Sagrado?
Aceitando os pedidos de misericórdia, no úl timo minuto El enviou a deusa Shataqat, uma "mul her que
remove a doença", para sal var Keret. "Ela voa sobre centenas de cidades, ela voa sobre uma infinidade
de vil as" em sua missão de sal vamento; chega à casa de Keret exatamente a tempo de revivê-lo.
Porém, sendo apenas semideus, Keret termina morrendo. Teria sido afinal , enterrado no interior do
"circuito sagrado, no circuito poderoso, no circuito do grande período". Embora os textos cananeus não
forneçam uma pista cronológica, torna-se evidente que rel atam eventos da Idade do Bronze - uma idade
que poderia muito bem adaptar-se à datação dos artefatos descobertos numa tumba, no sítio de Golã.
Se algum daqueles governantes legendários terminou sepultado no sítio de Gol ã, pode ser que nunca
saibamos com certeza; sobretudo depois que os arqueólogos que estudaram o local sugeriram a
possibilidade de enterros intrusos, envolvendo remoção dos despojos anteriores em cerca de metade dos
casos. Contudo estão certos de que (baseados em aspectos estruturais e várias técnicas de datação) a
construção do henge - paredes concêntricas do que poderíamos chamar Pedras das Estrel as, por causa da
função astronômica - precedeu em 1.000 a 1.500 anos a adição do cairn e de suas câmaras funerárias.
Como em Stonehenge e em outros locais megalíticos, assim também em relação ao sítio de Gol ã
permanece o enigma sobre quem os construiu, agora intensificado pela determinação da idade e do
sofisticado sistema astronômico embutido na orientação das pedras. A menos que fossem os próprios
seres divinos, quem seria capaz de uma façanha dessas - cerca de 3.000 anos antes de Cristo, no caso do
sítio em Golã?
Em 3000 a.C. só havia uma civil ização na Ásia ocidental sofisticada e desenvolvida o suficiente,
possuidora de extraordinários conhecimentos astronômicos, capaz de pl anejar, orientar
astronomicamente e construir o tipo de estruturas gigantescas aqui consideradas: a civilização dos
sumérios. Fl oresceu no local onde hoje em dia seria o sul do Iraque. "Repentinamente, inesperadamente,
vinda do nada", segundo todos os cientistas. No espaço de alguns séculos - um instante breve em termos
de evolução humana - demos todos os primeiros passos naquilo que julgamos essencial para a
civil ização, da roda ao fogo, dos tijolos aos prédios altos, da escrita e da poesia à música. Surgiram os
códigos de l eis e tribunais, juízes e contratos, templ os e sacerdotes, reis e administradores, médicos e
enfermeiras, além de um surpreendente conhecimento na área de matemática, ciências exatas e
astronomia. O calendário, ainda em uso como cal endário hebraico, foi inaugurado numa cidade chamada
Nipur, em 3760 a.C. - envolvendo todos os sofisticados conhecimentos necessários para as estruturas
que estamos discutindo.
Trata-se de uma civilização que precedeu a egípcia em 800 anos e em cerca de 1.000 a do vale do Indo.
Os babil ônios, assírios, hititas, elamitas, cananeus e fenícios vieram depois, alguns muito depois. Todos
traziam a marca dos sumérios e util izavam suas descobertas, assim como as civil izações que a seu
tempo se iniciaram na Grécia e nas il has do Mediterrâneo.
Teriam os sumérios chegado até as colinas de Gol ã? Sem dúvida, pois seus reis e mercadores se
deslocaram para o oeste, na direção do Mediterrâneo (que chamavam de mar Superior), e navegaram as
águas do mar Inferior (o gol fo Pérsico) até terras distantes. Quando Ur era a capital, seus mercadores
eram conhecidos em todas as partes do antigo Oriente Médio. Um dos mais afamados reis sumérios,
Gil gamesh - um famoso rei de Uruk (a Erech bíblica) -, passou lá com certeza. A época foi por vol ta de
2000 a.C. l ogo após a construção inicial do local em Gol ã.
O pai de Gil gamesh era o sumo sacerdote da cidade; sua mãe era a deusa Ninsun. Pretendendo ser um
rei poderoso, para engrandecer sua cidade, Gilgamesh começou seu reino desafiando a autoridade da
então cidade principal da Suméria, Kish. Um tabl ete de argila narra o episódio e cita o rei de Kish,
Agga, descrevendo-o por duas vezes como "corpulento". Kish, naquela época, era a capital de um ampl o
domínio, que pode ter se estendido al ém do rio Eufrates. Ficamos conjecturando se o corpul ento rei
Agga poderia ser um antepassado do gigante rei Og, citado pela Bíbl ia, já que a prática dos reis usarem
os mesmos nomes dos antecessores era comum no Oriente Médio.
Orgul hoso, ambicioso e impetuoso em sua juventude, Gil gamesh não aceitou bem o início da vel hice.
Para manter sua reputação, ele começou a usufruir as noivas jovens da cidade, recl amando o direito real
de fazer sexo com a noiva antes do marido. Quando o povo da cidade já não podia agüentar, pediu ajuda
aos deuses, que responderam criando um dupl o para Gilgamesh, que fez com que o rei cessasse suas
conquistas. Subjugado, Gil gamesh ficou acabrunhado e pensativo. Testemunhou a morte de pessoas de
sua idade e mesmo mais jovens; afinal, el e era parte divino - não apenas um semideus, mas dois terços
divino, já que era sua mãe a deusa, e não o pai!
Deveria el e, Gil gamesh, então morrer como um mortal, ou teria direito à vida eterna dos deuses?
Apresentou o caso à mãe. "Sim", el a l he disse, "você tem razão. Mas para conseguir o tempo divino de
vida, você precisa subir aos céus, até a morada dos deuses. E os lugares de onde tal ascensão é possível
estão sob o comando de Utu, seu padrinho [mais tarde conhecido como Shamash]”.
Utu/Shamash tentou dissuadir Gilgamesh: "Por que, Gil gamesh, você quer ir até o céu? Só os deuses
podem viver para sempre. Os humanos têm seus dias contados. Volte para junto de sua famíl ia e de seus
amigos na cidade e aprecie o resto de seus dias", disse o deus a el e.
A história de Gil gamesh e sua busca pela imortalidade são narradas na Epopéia de Gilgamesh, um l ongo
texto escrito em tabletes de argila e descoberto por arqueólogos, tanto no original sumério quanto em
várias traduções. À medida que a história se desenrol a, ficamos sabendo que Gilgamesh não foi
dissuadido, e que um objeto que caiu dos céus foi tomado por ele como um sinal dos céus de que não
deveria desistir. Concordando em ajudar, Ninsun revel ou a ele que existe um lugar nas montanhas de
Cedro – o Campo de Pouso - de onde Gil gamesh poderia subir até a habitação divina. Seria uma jornada
cheia de perigos, avisou ela. Mas que alternativa tinha? Indagou el e. "Se eu fal har em minha busca, pel o
menos as gerações futuras saberão que tentei."
Dando a bênção para a jornada de seu fil ho, Ninsun insistiu que um homem artificial , Enkidu, fosse à
frente de Gil gamesh para protegê-lo ao longo do caminho. A escol ha foi oportuna, pois o l ocal de
destino era o mesmo de onde viera Enkidu, as col inas nas quais convivera com os animais sel vagens.
Ele expl icou a Gilgamesh quão perigosa poderia ser a empreitada; mesmo assim, Gilgamesh insistiu em
partir.
Para atingir as montanhas de Cedro, onde atualmente se encontra o Líbano, partindo da Suméria
(l ocal izada no Iraque atual), Gilgamesh teve de atravessar Golã. E realmente encontramos a afirmação,
no preâmbul o do épico, onde são l ouvadas as qualidades do rei, uma das referências é: "aquele que abriu
os passos das montanhas". Foi um feito digno de nota, já que na Suméria não existem montanhas.
Durante o caminho, Gilgamesh parou várias vezes para procurar orácul os divinos do deus Sol . Quando
atingiram a terra das col inas e dos bosques (que não eram daquel a forma na Suméria), Gilgamesh teve
uma série de sonhos premonitórios. Numa parada crucial , de onde já avistavam as montanhas de Cedro,
Gil gamesh procurou induzir um presságio no sonho, em que estava sentado num círculo feito para el e
por Enkidu. Teria sido este úl timo, possuidor de força sobre-humana, quem arranjou as pedras para que
Gil gamesh formasse suas Pedras das Estrelas?
Só podemos adivinhar. Porém evidências físicas atestando a famil iaridade daqueles que moraram perto
de Golã com Gilgamesh e sua história foram recentemente encontradas nas colinas.
Um dos mais recentes episódios das aventuras do rei foi o incidente que ele teve ao encontrar dois l eões,
lutar com el es e matá-los, usando apenas as mãos. O feito heróico era um assunto favorito entre os
artistas do Oriente Médio. Ainda assim, foi uma coisa totalmente inesperada encontrar, num local
próximo aos círcul os concêntricos, uma lasca de pedra mostrando tal cena (O artefato está exposto no
novo e interessante Museu Arqueol ógico de Golã, em Qatzrin).
Apesar de as referências do texto e a descoberta da pedra com a imagem não constituírem evidências
conclusivas de que Gil gamesh atingiu o l ocal em sua viagem para as montanhas de Cedro, no Líbano,
existe uma pista ainda mais intrigante a ser considerada. Depois que o l ocal foi identificado do al to,
arqueólogos israelenses descobriram que estava marcado nos mapas do Exército sírio capturado com o
nome de Rugum el-Hiri - um nome intrigante, pois significa em árabe "A pilha de pedras do l ince".
Sugerimos que a explicação para o intrigante nome pode estar na Epopéia de Gilgamesh, refletindo uma
lembrança do Rei Que Lutou Contra os Leões.
E, como veremos, é apenas o começo de associações entrel açadas.
2
A SORTE POSSUI 12 ESTAÇÕES
Os estudiosos há muito reconheceram que no folcl ore de várias nações sobre um tema determinado, a
mesma história básica aparece e reaparece por meio de disfarces, nomes e localidades diferentes. Tal vez
não seja tão estranho que a pedra de basalto na qual Gil gamesh é representado l utando com os leões
tenha sido descoberta próxima a uma vila com o nome Ein Samsum - "A Fonte de Sansão". Pois,
segundo a lenda, Sansão também lutou contra um leão com as mãos nuas e matou-o. Isso ocorreu cerca
de 2.000 anos depois de Gilgamesh e certamente não foi nas col inas de Golã. Seria o nome do vil arejo
uma simples coincidência, ou a lembrança de um visitante chamado Gilgamesh tornou-se Sansão?
De maior significado é a associação com o rei Keret. Embora o local da lenda Cananéia não seja
mencionado, é presumido por muitos (por exemplo, Cyrus H. Gordon, Notes on the Legend of Keret -"Notas sobre a Lenda de Keret") que o nome combinado do rei com sua capital na verdade identificava a
il ha de Creta. Lá, segundo as lendas gregas e cretenses, a civilização começou quando o deus Zeus
avistou Europa, a bela filha do rei da Fenícia (onde atualmente é o Líbano) e, para aproximar-se, tomou
a forma de um touro; raptou-a e nadou com ela nas costas, atravessou o Mediterrâneo e chegou à ilha de
Creta. Lá, teve três filhos com Europa, entre os quais Minos, que a seu tempo seria associado com o
início da civil ização em Creta.
Imbuído em suas aspirações de usurpar o trono, Minos apel ou a Posêidon, deus dos mares, para que l he
concedesse um sinal de favor divino. Em resposta, Posêidon fez um Touro Divino, branco imacu1ado,
aparecer no mar. Minos anunciou que ofereceria o bel o touro como um sacrifício aos deuses, mas ficou
tão impressionado com ele que, em vez disso, conservou-o para si mesmo. Como castigo, o deus fez
com que a esposa de Minos se apaixonasse pelo touro e copulasse com el e; o produto desse encontro foi
o legendário Minotauro, uma criatura metade homem, metade touro. Minos então pediu que o arquiteto
divino, Dédal o, construísse em Cnossos, a capital de Creta, um labirinto subterrâneo de onde o homem-touro fosse incapaz de escapar. Foi chamado de Labirinto.
Uma grande escultura em pedra mostrando chifres de touro saúda o visitante dos restos escavados nas
ruínas de Cnossos, onde não encontramos as ruínas do Labirinto. No entanto sua lembrança permanece:
a forma circul ar, com um caminho concêntrico com as passagens bloqueadas por paredes radiais, não foi
esquecida.
Certamente lembra o sítio arqueol ógico descoberto em Golã, e faz com que nos voltemos outra vez para
a lenda de Gil gamesh, na passagem do encontro com o Touro do Céu.
Conforme a narrativa do épico, durante a úl tima noite antes de tentar entrar na Floresta de Cedros,
Gil gamesh e Enkidu divisaram um foguete subindo aos céus em meio a l abaredas, saído do Campo de
Pouso. Na manhã seguinte encontraram a entrada oculta para o l ocal proibido; mal haviam começado a
percorrer esse caminho, quando um guardião bloqueou-lhes a passagem. Era "poderoso como os dentes
de um dragão, o rosto de um leão feroz, seu avanço como o das águas de uma torrente". Uma "l uz
radiante" emanava da testa del e, "devorando árvores e arbustos"; dessa força letal , ninguém podia
escapar.
Vendo a situação de Gilgamesh e Enkidu, Utu/Shamash "falou do céu aos heróis". Aconselhou-os a não
correr, mas a se aproximar do monstro, l ogo que o deus produzisse um vento forte para atirar poeira
sobre o guardião. Assim que isso aconteceu, Enkidu avançou e matou-o. Antigas representações dos
artistas em selos cil índricos mostram Gil gamesh, Enkidu e Utu/Shamash juntos contra o robô
ameaçador; sua figura l embra a descrição bíbl ica do "anjo com a espada fl amejante" que Deus postou à
entrada do Jardim do Éden para certificar-se de que Adão e Eva não retornassem.
A l uta foi também observada por Inana (mais tarde conhecida como Ishtar), irmã-gêmea de
Utu/Shamash. Inana/Ishtar possuía um histórico de convencer machos humanos a passarem a noite com
el a - uma noite à qual raramente sobreviviam. Cativada pela beleza de Gil gamesh, que depois da luta
banhava-se, nu, numa cachoeira próxima, ela o convidou. "Venha, Gilgamesh, seja meu amante! "
Sabendo da fama del a, el e recusou.
Enraivecida e ofendida pel a recusa, Ishtar invocou o Touro do Céu para atormentar Gilgamesh.
Correndo para sal var suas vidas, Gil gamesh e Enkidu apressaram-se para Uruk, porém o Touro do Céu
al cançou-os às margens do rio Eufrates. Naquele instante de perigo mortal, foi Enkidu outra vez quem
avançou e conseguiu atacar e matar o Touro do Céu.
Furiosa, Inana/Ishtar "mandou um grito para os Céus", exigindo que os dois companheiros morressem.
Embora temporariamente poupado, Enkidu morre primeiro; mais tarde, morre também Gil gamesh
(depois de uma segunda jornada que o l evou ao espaçoporto na penínsul a do Sinai).
O que era o Touro do Céu - GUD.ANNA em sumério? Muitos estudiosos do épico, tal como Giorgio de
Santil lana e Hertha Von Dechend em Hamlet' s Mill, chegaram à conclusão de que os eventos do épico,
acontecendo na Terra, não foram senão uma imagem espel hada dos eventos no céu. Utu/Shamash é o
Sol , Inana/Ishtar é a que foi chamada mais tarde de Afrodite pelos gregos e de Vênus pel os romanos. O
ameaçador guardião das montanhas de Cedro com o rosto de l eão era a constelação de Leão, e o Touro
dos Céus representa o grupo de estrelas que tem sido chamado, desde o tempo dos sumérios, a
constel ação de Touro.
De fato, existem representações da Mesopotâmia que mostram o tema do Leão e do Touro; e como foi
afirmado pela primeira vez por Wil ly Hartner (The Earliest Story of the Constellations in the Near
East), no IV milênio a.C. os sumérios teriam observado as duas constel ações em posições-chave no
Zodíaco: a constelação de Touro como a constelação do equinócio de primavera e a constel ação de Leão
era o sol stício de verão.
As conotações zodiacais sobre eventos épicos na Terra, conforme os sumérios fizeram, impl ica que el es
possuíam um enorme conhecimento do espaço - no IV milênio a.C., 3.000 mil anos antes de os gregos
agruparem as estrel as em constelações e apresentaram os doze signos do Zodíaco. Na verdade, os
próprios gregos (da Ásia Menor) expl icaram que a sabedoria veio dos "cal deus" da Mesopotâmia, como
atestam os textos e representações gráficas dos sumérios, que deveriam ter o crédito por isso. Os nomes
e símbol os das constel ações zodiacais permaneceram inal terados até o nosso tempo.
A l ista zodiacal dos sumérios inicia-se com o signo de Touro, que realmente era a constel ação na qual o
Sol era observado nascendo ou se pondo, no IV milênio a.C. Era chamado em sumério de GUD.ANNA
(O Touro do Céu, ou Touro Cel estial ), o mesmo termo usado na Epopéia de Gilgamesh para a divina
criatura que Inana/Ishtar conjurou dos céus e que os dois amigos mataram.
Será que a morte representa ou simboliza um evento celestial, por volta de 2900 a.C.? Embora a
possibilidade não possa ser verificada, os dados históricos indicam que eventos e mudanças importantes
ocorreram na Terra nessa época, e o assassinato do Touro do Céu poderia representar um presságio
cel estial , predizendo ou mesmo acionando acontecimentos na Terra.
Durante a maior parte do IV milênio a.C. a civilização suméria não apenas foi a maior na Terra, mas
também a única. Porém por vol ta de 3100 a.C. as civil izações do Nilo (Egito e Núbia) juntaram-se às do
Tigre e Eufrates. Teria essa separação na Terra aludida também na história bíblica da Torre de Babel , ao
final da era em que a humanidade falava uma só l íngua - encontrado expressão na descrição (feita pel a
Epopéia de Gilgamesh) do golpe de graça dado ao touro, quando Enkidu arrancou suas patas da frente?
As representações zodíacos-cel estiais dos egípcios de fato associam o início de sua civilização ao corte
das patas dianteiras do Touro.
Assim como expl icamos com detalhes em The Wars of God and Men, Inana/Ishtar esperava naquel a
época tornar-se senhora da nova civilização, porém isso foi arrancado del a, literal e simbolicamente. El a
ficou particularmente contente quando uma terceira civil ização, a do vale do Indo, foi colocada sob sua
tutel a, por vol ta de 2900 a.C.
Por mais significativos que possam ter sido os eventos para os deuses, tiveram ainda mais
conseqüências para os mortais na Terra; testemunharam a sina que caiu sobre seus dois camaradas.
Enkidu, um ser artificialmente criado, morreu como mortal, e Gilgamesh, dois terços divino, não
conseguiu escapar da mortal idade. Embora saísse numa segunda jornada, suportando provações e
perigos, e tivesse encontrado a Planta da Juventude Eterna, voltou para Uruk de mãos vazias. Segundo a
Lista de Reis Sumérios, "o divino Gilgamesh, cujo pai foi humano, sumo sacerdote do Templo,
governou 126 anos; Url ugal, fil ho de Gilgamesh, governou depois del e".
Quase podemos escutar o filho de Gilgamesh gritando, como fizeram os filhos do rei Keret: "Como é
possível que um filho de El, o Misericordioso, morra? Um ser tão divino morrer?". Porém Gilgamesh,
que se considerava mais do que um semideus, brincou com seu destino. A Idade do Touro era dele, e el e
a terminou; seu Destino, fabricado no céu, al terou-se de uma chance de imortalidade para o fal ecimento
de um mortal.
Mil anos depois da provável estadia de Gilgamesh no local em Golã, ali esteve outro visitante il ustre da
Antiguidade, que também enxergou o Destino nas constelações do Zodíaco. Foi Jacó, o neto de Abraão;
a época, de acordo com nossos cál cul os, foi por volta de 1900 a.C.
Uma pergunta ignorada com freqüência em rel ação às estruturas megalíticas ao redor do gl obo é: por
que foram construídas no lugar em que se encontram? A localização obviamente está relacionada ao
propósito de uso em particular. As duas Grandes Pirâmides de Gizé, conforme insinuamos em nossos
textos, serviam como Guia de Aterrissagem para um espaçoporto na penínsul a do Sinai, e foram
col ocadas al i exatamente por sua ligação com o paral elo 13 norte. Stonehenge, conforme sugerido por
astrônomos importantes, foi erigida onde está por ser al i exatamente o local que combinava observações
sol ares e l unares. Até que mais alguma luz seja lançada sobre os círculos em Golã, o motivo mais
provável para estar ali é que se trata de um dos poucos caminhos que ligavam duas rotas importantes (na
Antiguidade e agora também): a Estrada do Rei, que corria ao longo das colinas a leste do rio Jordão, e o
Caminho do Mar, que passava pelo oeste, ao l ongo do mar Mediterrâneo. As duas rotas l igavam a
Mesopotâmia ao Egito, a Ásia à África, seja para comércio pacífico ou para exércitos invasores. As
ligações entre os dois caminhos eram ditadas pel as condições geográficas e topográficas. Em Gol ã, isso
pode ser feito por qualquer uma das margens do mar da Galiléia (lago Kinnereth); o preferido, naquel a
época e agora, é o do norte, onde a ponte ainda conserva seu nome antigo: a Ponte das Filhas de Jacó.
O l ocal em Golã estava, dessa forma, situado onde os viajantes de diferentes países pudessem parar e
observar o céu à procura de presságios em relação a seu Destino e talvez social izar num local neutro que
era sagrado, e l á negociar questões de guerra e paz.
Baseados em dados bíblicos e da Mesopotâmia, acreditamos que era para isso que Jacó utilizava o local.
A história começou dois sécul os antes, na Suméria; e não teve início com Abraão, o avô, mas com Taré,
o bisavô. O nome sugeria que el e era um sacerdote do oráculo (tirhu); o cuidado da família em ser
conhecida como ibri (hebreu) sugere que el es se consideravam nippurianos - pessoas da cidade de
Nippur, que em sumério dizia-se NI.IBRU - "A Bel a e Agradável Morada da Passagem". Centro
religioso e científico da Suméria, Nippur era o local do DUR.AN.KI, a "Ligação Céu-Terra", situado no
bairro sagrado da cidade. Era o ponto focal para a preservação, o estudo e a interpretação de dados
astronômicos, do cal endário e celestiais; o pai de Abraão, Taré, era um dos sacerdotes.
Por vol ta de 2100 a.C. Taré foi transferido para Ur. A época era um período conhecido pel os estudiosos
da Suméria como Ur III, pois pel a terceira vez a cidade se tornou a capital não apenas da Suméria, ou do
que ficou conhecido como Suméria e Acádia, mas também de um império virtual que florescia e se
mantinha junto não apenas pela força das armas, mas por uma cultura superior, um panteão (o que ficou
conhecido como Rel igião) unificado e pelos negócios. Ur era também o centro cultural do deus lunar
chamado Nanar (que depois ficou conhecido do povo semita como Sin). Acontecimentos que se
desenrol avam com rapidez na Suméria e além deflagraram primeiro a transferência de Taré para Ur,
depois para uma cidade distante chamada Haran. Situada no Al to Eufrates e seus tributários, a cidade era
uma encruzilhada e um centro comercial (indicado por seu nome, Caravana). Fundada por mercadores
sumérios, Haran também abrigava um grande templo em honra ao deus da Lua, tanto que a cidade era
considerada uma "Ur fora de Ur".
Numa dessas mudanças, Taré l evou consigo sua famíl ia. A mudança incluiu Abrão (como ele era
chamado na época), um filho chamado Naor, as duas esposas, Sarai (mais tarde Sara) e Mil ca e o
sobrinho de Taré, Lot (filho de Haran, irmão de Abrão, que morrera em Ur). Viveram em Haran muitos
anos, segundo a Bíbl ia, e foi lá que Taré faleceu, com a idade de 205 anos.
Foi depois disso que Deus disse a Abrão: "Saia da tua terra e da tua parentel a e da casa do teu pai e vem
para a terra que eu te mostrarei. E eu te farei pai de um grande povo e te abençoarei: eu farei cél ebre o
teu nome e tu serás bendito". E Abrão tomou sua esposa, Sarai, e Lot, seu sobrinho, e todo o povo de
sua casa e todos os pertences, e partiu para a terra de Canaã. "Tinha Abrão 75 anos quando saiu de
Haran”. Seu irmão Naor ficou, com a família, em Haran.
Agindo por meio de instruções divinas, Abrão moveu-se com rapidez em Canaã para estabel ecer uma
base no Neguev, a terra árida que bordejava a península do Sinai. Numa visita ao Egito, foi recebido na
corte do faraó; de vol ta, negociou com os dirigentes locais. Em seguida participou de um conflito
internacional, conhecido na Bíblia (Gênesis 14) como a Guerra dos Reis. Foi depois disso que Deus
prometeu a Abrão que sua "semente" herdaria as terras entre o rio do Egito e o rio Eufrates. Duvidando
da promessa, Abrão lembrou que el e e sua esposa Sarai não tinham fil hos. Deus disse que Abrão não se
preocupasse: "Olha para o céu e conta as estrelas se puderes... assim numerosa será sua semente". Porém
Sarai permaneceu estéril mesmo depois disso.
Portanto, segundo sugestão del a, Abrão tomou a serva dela, Agar, que lhe deu um filho, Ismael . Depois,
miraculosamente em seguida à revol ta de Sodoma e Gomorra, quando o nome do casal foi mudado para
Abraão e Sara -, Abraão, com a idade de cem anos, teve um filho de sua mul her Sara, com noventa.
Embora não fosse o primogênito, o fil ho de Sara, Isaac, era o l egítimo herdeiro de acordo com as regras
sumérias de sucessão, que Abraão respeitava, pois era fil ha da meia-irmã de seu pai. "Por outra parte,
el a é verdadeiramente minha irmã, como fil ha que é do meu pai, ainda que não filha da minha mãe, e eu
a recebi por mulher", disse Abraão, referindo-se a Sara (Gênesis 20: 12).
Foi depois da morte de Sara, sua companheira da vida inteira, que Abraão, "velho e avançado nos anos"
(137 anos, pelos nossos cál culos), preocupou-se com seu fil ho Isaac, ainda sol teiro. Temendo que Isaac
casasse com uma Cananéia, mandou o chefe de sua casa para Haran, a fim de l á encontrar uma noiva
para Isaac entre os parentes que haviam permanecido na cidade. Ao chegar à vil a onde morava Naor,
Isaac encontrou Rebeca no poço, e el a revel ou ser a neta de Naor e acabou indo para Canaã a fim de
tornar-se esposa dele.
Vinte anos depois de terem se casado, Rebeca deu à l uz irmãos gêmeos, Esaú e Jacó. Esaú foi o primeiro
a casar, tomando duas esposas de uma vez, ambas hititas. "Eram uma fonte de preocupação para Isaac e
Rebeca." O tipo de probl ema não é descrito na Bíblia, mas a situação entre mãe e noras era tão ruim que
Rebeca disse a Isaac: "Estou desapontada com a vida por causa dessas mulheres hititas. Se Jacó casar
com mais uma dessas mul heres hititas, das que moram por aqui, que prazer terá a vida para mim?".
Então Isaac chamou Jacó e o instruiu a viajar até Haran, onde estava a famíl ia de sua mãe, para
encontrar uma esposa l á. Prestando atenção às pal avras do pai, "Jacó saiu de Beersheba e partiu para
Haran".
Da jornada de Jacó do sul de Canaã para a distante Haran, a Bíblia conta apenas um episódio - embora
bastante significativo. Foi uma visão noturna por parte de Jacó "como chegasse depois do sol posto a um
certo lugar" de uma escadaria no céu, pela qual os Anjos do Senhor desciam e subiam. Acordado, Jacó
percebeu que deparara com um "lugar dos elohim e um portão para o céu. Marcou o l ugar com uma
pedra comemorativa e batizou o l ugar de Beth-El - "A Casa de El", o Senhor. Depois, por um caminho
que não é descrito, continuou para Haran.
Nos arredores da cidade, viu pastores com seus rebanhos e um poço no campo. Dirigindo-se a el es, Jacó
perguntou se conheciam Labão, o irmão de sua mãe. De fato nós o conhecemos, responderam os
pastores, e ali vem sua filha Raquel , com os rebanhos del e. Irrompendo em l ágrimas, Jacó apresentou-se
como fil ho de Rebeca, tia dela. Assim que Labão ouviu a notícia, também veio correndo, abraçou e
beijou seu sobrinho, convidando-o a ficar com el e e conhecer sua fil ha mais velha, Lia. O casamento
estava nitidamente na mente do pai, mas Jacó apaixonou-se por Raquel, e ofereceu-se para trabalhar
durante sete anos para compl etar seu dote e casar com el a. Porém depois do banquete nupcial , Labão
substituiu Raquel por Lia no leito...
Quando, de manhã, Jacó deu pela identidade da noiva, Labão foi irredutível . Aqui, respondeu el e, não
casamos a filha mais nova antes da mais vel ha. Por que você não trabal ha por mais sete anos para mim e
depois casa com Raquel também? Jacó concordou, pois ainda estava apaixonado por Raquel. Depois de
sete anos conseguiu casar com ela, mas o ardil oso Labão sabendo como Jacó era bom pastor e
trabal hador, não pretendia deixá-lo ir com facilidade. Para evitar que o genro partisse, deixou que el e
começasse a pastorear os próprios rebanhos; devido ao sucesso obtido por Jacó, os filhos de Labão
ficaram cada vez mais com inveja.
Dessa forma, quando Labão e seus fil hos estavam fora para tosquiar os rebanhos, Jacó reuniu suas
esposas, fil hos e partiu para Haran. "Ele cruzou o rio (Eufrates) e se dirigiu para o monte Gilad."
"No terceiro dia, contaram a Labão que Jacó fugira; Labão juntou seus parentes e foi atrás de Jacó;
depois de sete dias, ele o encontrou no monte Gil ad”.
Gilad - "O Monte de Pedras Eterno" em hebraico - o local do observatório circular em Golã!
O encontro começou com trocas de ofensas e acusações recíprocas. Terminou com um tratado de paz. À
maneira dos tratados de paz daquel a época, Jacó escolheu uma pedra e a erigiu para ser a Pedra do
Testemunho, a fim de marcar a fronteira al ém da qual Labão não podia atravessar para os domínios de
Jacó. Tais marcos de pedras eram chamados kudurru em acadiano por causa de seus topos
arredondados, e foram descobertos em vários l ocais do Oriente Próximo. Como regra, continham
inscrições com detalhes dos tratados e incluíam a invocação dos deuses de ambas as partes como
testemunhas e fiadores. De acordo com o costume, Labão invocou "o Deus de Abraão e os deuses de
Naor" para garantir o tratado. Apreensivo, Jacó jurou pelo Deus "que seu pai, Isaac, temia". Então
acrescentou:
E Jacó disse a seus filhos:
Reúnam pedras;
E eles reuniram muitas pedras
E as arranjaram num monte...
E Jacó chamou ao monte de pedra
Galaad.
Por uma mera troca de pronúncia, de Gilad para Galaad, Jacó mudou o significado do nome do antigo
"Monte de Pedras Eterno" para "Monte da Testemunha".
Qual a certeza que podemos ter de que o l ocal era aquele do sítio em Gol ã? Aqui, acreditamos está a
pista final : no texto do tratado, Jacó também descreve o local como Ha-Mitzpeh - O Observatório!
O Livro dos Jubileus, uma narrativa extra-bíblica que relata as mesmas histórias vindas de fontes mais
antigas, adiciona um adendo ao evento narrado: "E Jacó fez l á um monte por testemunha, de onde o
nome do l ocal passou a ser Monte do Testemunho; porém antes a terra era chamada, em vez de terra de
Gil ad, a terra dos refa'im”.
E assim estamos de volta ao enigmático l ocal em Golã e seu apel ido Gil gal Refa' im.
Os marcos de pedra chamados kudurru, que foram encontrados no Oriente Médio, como regra geral não
ostentavam apenas os termos do compromisso e os nomes dos deuses envolvidos, mas também símbol os
cel estiais - algumas vezes o Sol, a Lua e os pl anetas, al gumas vezes as constel ações do Zodíaco - todas
as doze. Esse, desde o tempo dos sumérios, era o número das constel ações do Zodíaco (12), como ficou
evidenciado pelos nomes:
GUD.ANNA - O Touro do Céu (Touro)
MASH.TAB.BA - Gêmeos
DUB - Tenazes, Espetos (Câncer)
UR.GULA - Leão
AB.SIN - Cujo Pai Foi o Pecado (A Donzela = Virgem)
ZI.BA.AN.NA - Destino Celestial (A Bal ança = Libra)
GIR.TAB - Que Agarra e Corta (Escorpião)
PA.BIL - O Defensor (O Arqueiro = Sagitário)
SUHUR.MASH - Peixe-Cabra (Capricórnio)
GU - O Senhor das Águas (Aquário)
SIM.MAH - Peixes
KU.MAL - Habitante do Campo (Áries/Carneiro)
Enquanto nem todos os símbol os representantes das doze constelações tenham sobrevivido dos tempos
dos sumérios, ou mesmo dos babilônios, foram encontrados em monumentos egípcios, com idêntica
atribuição de nomes.
Alguém duvida de que Abraão, fil ho do sacerdote astrônomo Taré, estava consciente dos doze signos do
Zodíaco quando Deus lhe disse para observar os céus e assim prever o futuro? Assim como as estrel as
que tu vês nos céus, será tua descendência, disse Deus a Abraão, e quando o primeiro fil ho nasceu da
escrava Agar, Deus abençoou o menino, Ismael ("Ouvido por Deus"), com esta profecia:
Quanto a Ismael:
De fato eu o escutei.
Com isso eu o abençôo:
Eu o tornarei fértil
E o multiplicarei com fartura;
Dele nascerão doze chefes,
E sua nação será grande.
Gênesis 17:20
Com essa bênção profética, l igada aos céus estrel ados observados por Abraão, pel a primeira vez a Bíblia
menciona o número 12 e seu significado. Relata então (Gênesis 25) que os fil hos de Ismael - cada qual
chefe de um estado tribal - realmente foram doze. Citando os nomes, a Bíblia enfatiza: "Estes foram os
filhos de Ismael de acordo com suas cortes e fortalezas - doze chefes, cada um com sua própria nação".
O domínio deles incl uía a Arábia e os desertos ao norte.
A vez seguinte que a Bíblia emprega o número 12 é quando cita os fil hos de Jacó, na época em que
estava de vol ta à propriedade do pai, em Hebron. "E o número dos fil hos de Jacó foi doze", afirma a
Bíbl ia em Gênesis 35, citando os nomes que mais tarde se tornaram famil iares como os nomes das Doze
Tribos de Israel:
Seis de Lia:
Rubem, Simão, Levi, Judá, Issacar, Zabulão
Dois de Raquel:
José, Benjamim
Dois de Bilá, escrava de Raquel:
Dan, Naftali
Dois de Zelfa, escrava de Lia:
Gad, Aser
Existe, entretanto, uma alteração nessa lista: aquel a não era a conta original de doze fil hos que voltaram
com Jacó de Canaã: Benjamim, o mais novo, nasceu de Raquel quando a família já estava em Canaã, em
Belém, onde el a morreu ao dar à luz. Ainda assim, o número de filhos de Jacó era doze antes disso: o
úl timo bebê de Lia foi uma fil ha, Diná. A lista, tal vez por mais do que uma coincidência -, ficou
composta de onze homens e uma mulher, combinando com a lista das constelações do Zodíaco, formada
por uma feminina (a Virgem) e onze "mascul inas".
As implicações zodiacais dos doze fil hos de Jacó (rebatizado Israel depois de lutar com um ser divino
na travessia do rio Jordão) podem ser percebidas duas vezes nas narrativas bíblicas. Uma vez, quando
José - um mestre para resol ver sonhos proféticos - se gabou aos irmãos, dizendo que havia sonhado que
o Sol e a Lua (os mais velhos, Jacó e Lia) e onze kokhavim se curvavam perante el e. A palavra
geralmente é traduzida por "estrel as", porém o termo (cuja raiz é acadiana) servia igualmente para
designar "constelações". Com a de José, o total seria doze. A implicação de que ele era uma constelação
superior irritou profundamente seus irmãos.
A outra vez foi quando Jacó, sentindo que iria morrer, chamou seus filhos para abençoá-los e predizer-lhes o futuro. Conhecidas como a Profecia de Jacó, as últimas palavras do patriarca começam
comparando o filho mais vel ho, Rubem, com Az – a constelação zodiacal de Áries (que, naquela época,
era a constelação no equinócio de primavera, em vez de Touro). Simão e Levi foram colocados juntos
como Gêmeos; por haverem matado muitos homens para vingar o estupro de sua irmã, Jacó profetizara
que ficariam dispersos entre as outras tribos e desistiriam de seus próprios domínios. Judá foi
comparado a um leão, e foi previsto que carregaria o cetro real - uma previsão do reinado da Judéia.
Zabul ão foi visto como um Andarilho dos Mares (Aquário), o que realmente aconteceu. As previsões do
futuro dos filhos e das doze tribos continua, ligando os nomes aos símbol os das constel ações do
Zodíaco. Os últimos foram os filhos de Raquel : José foi descrito como o arqueiro (Sagitário); e o último,
Benjamim - tendo substituído sua irmã, Diná (Virgem) - foi descrito como um predador que se alimenta
de outros.
A rígida aderência ao número 12, emul ando as doze casas do Zodíaco, envolve outro aspecto que
geralmente passa despercebido. Depois do Êxodo e da divisão da Terra Prometida entre as Doze Tribos,
novamente vol taram a essa disposição. De repente, a conta das Doze Tribos que partilhavam seu
território inclui os dois fil hos de José - Manassés e Efraim. A l ista, no entanto, permaneceu na contagem
de doze; como fora profetizado por Jacó, pois as tribos de Simão e Levi não participaram da distribuição
territorial , e como foi previsto, dispersaram-se entre as outras tribos. A exigência - santidade - do Doze
Celeste foi outra vez preservada.
Arqueól ogos que escavam os restos de sinagogas judias na Terra Santa algumas vezes ficam intrigados
em encontrar o solo dessas sinagogas decorado com o círcul o zodiacal das doze constelações, mostradas
com seus símbolos tradicionais. Tendem a considerá-las aberrações resultantes de influência greco-romana nos séculos iniciais da cristandade. Tal atitude, derivando da crença de que a prática era proibida
pel o Vel ho Testamento, ignora os dados históricos - a familiaridade dos hebreus com as constelações do
Zodíaco e suas associações com previsões do futuro - com o Destino.
Por muitas gerações e até os dias de hoje, podem-se ouvir os gritos de Mazal-tov! Mazal-tov! Nos
casamentos judeus, ou quando um garoto é circuncidado. Se você perguntar a alguém o que significa, a
resposta será "Boa Sorte".
Poucos compreendem, entretanto, que esse desejo pode ser o de todos, mas não é a tradução correta.
Mazal-tov l iteralmente significa "uma boa e favorável constelação zodiacal". O termo deriva do
acadiano (a primeira ou Mãe das l ínguas semitas), em que manzalu significa "estação" - a estação
zodiacal na qual o Sol "estacionava" no dia do casamento ou nascimento.
Tais associações de nossa casa zodiacal com o destino da própria pessoa estão na moda e representam a
astrol ogia de horóscopo, que começa estabelecendo (mediante a data do nascimento) a qual signo
al guém pertence - se é Peixes, Câncer ou outro signo qual quer. Retornando ao nosso assunto, podemos
afirmar que, de acordo com a profecia de Jacó, Judá era Leão, Gad era Escorpião e Naftal i era
Capricórnio.
A observação dos céus para obter indicações precisas era uma tarefa real izada por vários astrônomos-sacerdotes, que desempenhavam um papel -chave nas decisões, nos tempos babilônicos. O destino do rei,
o destino da terra e das nações era adivinhado a partir da posição dos planetas numa determinada
constel ação. As decisões reais aguardavam o parecer dos astrônomos. Teria a Lua, esperada na
constel ação de Sagitário, ficado oculta pel as nuvens? Teria o cometa visto em Touro se movido para
outra constelação? O que resul taria para o rei ou para a terra da observação de que, na mesma noite,
Júpiter tenha surgido em Sagitário, Mercúrio em Gêmeos e Saturno em Escorpião? Registros
abrangendo centenas de tabletes revel am que esses eventos celestes eram util izados para prever
invasões, ondas de fome, enchentes, revol ução civil - ou, por outro lado, l onga vida para o rei, uma
dinastia estável, vitória nas guerras, prosperidade. A maior parte dos registros de tais observações era
escrita em prosa nos tabletes de argila; algumas vezes os almanaques astrol ógicos, assim como os
manuais de horóscopos, eram il ustrados com os símbol os das respectivas constelações zodiacais. De
qual quer forma, o Destino era indicado pel os céus.
As raízes atuais da astrologia de horóscopo remontam a tempos anteriores aos babil ônicos, os caldeus
mencionados pelos gregos. Junto com a noção do calendário de doze meses, de Destino e do Zodíaco,
estão dois aspectos do mesmo curso de acontecimentos que sem dúvida se iniciaram no mínimo quando
começou a contagem do cal endário - em Nippur, em 3760 a.C. (no início da contagem do cal endário
judeu). Que tal associação seja tão antiga pode ser comprovada, em nossa opinião, por um dos nomes
das constelações sumérias: ZI.BA.AN.NA. O termo geralmente traduzido por "Destino Celestial",
significa l iteralmente "Decisão da Vida no Céu", ou "As Bal anças Cel estiais da Vida".
Esse era um conceito registrado no Egito, no Livro dos Mortos; era crença vigente que, se alguém
esperava ter vida eterna, dependia do julgamento de seu coração no Dia do Juízo Final. A cena foi
representada magnificamente no Papiro de Ani, no qual o deus Anúbis é mostrado no ato de pesar o
coração na balança, no Dia do Jul gamento, e o deus Tot, o Escriba Divino, registrando o resultado num
tablete.
Um enigma não resol vido nas tradições judaicas é por que o Senhor escolheu o sétimo mês, Tishrei,
como o mês em que é celebrado o Ano-Novo, em vez de iniciar no mês contado na Mesopotâmia como
o primeiro, Nissan. Foi sugerido como explicação o desejo de indicar uma quebra da veneração de
estrel as e planetas dos povos mesopotâmicos; mesmo assim, qual o propósito de iniciar no sétimo mês
sem renumerar?
Parece a nós que o oposto seja verdadeiro, e que a resposta encontra-se no próprio nome da constelação
ZI.BA.AN.NA e sua conotação de Bal ança do Destino. Acreditamos que a primeira pista importante é a
ligação do calendário com o Zodíaco. Na época do Êxodo (a metade do II milênio a.C.), a primeira
constel ação no equinócio de primavera era Áries, não Touro. Se começarmos com Áries, a constelação
da Balança Celestial da Vida era de fato a sétima. O mês em que o Ano-Novo judeu devia começar, o
mês em que seria decidido no céu quem vive e quem morre, quem será sadio ou doente, mais rico ou
mais pobre, mais feliz ou mais triste - era o mês em paralelo com o mês zodiacal da Balança Cel este.
E nos céus, o Destino tinha 12 estações.
3
GERAÇÕES DIVINAS
O Zodíaco de doze partes e sua antiguidade geraram dois enigmas: quem o originou e por que estava o
círcul o celestial dividido em doze partes?
As respostas requerem o cruzamento de uma fronteira para uma compreensão de que sob o delinear de
um sistema factível de significado astrológico, o dividir o céu em doze partes representa uma astronomia
al tamente desenvol vida - uma astronomia, na verdade, tão avançada que o homem, por si só, não a
poderia ter possuído quando a divisão do círculo cel estial se iniciou.
Em sua órbita ao redor do Sol , este parece nascer a cada mês - um doze avos do ano - numa estação
diferente. Porém a que importa mais, que era tida como crucial na Antiguidade e que determina a
transição de Era para Era (de Touro para Áries, para Peixes e em breve para Aquário) é aquel a em que o
Sol é visto nascendo no dia do equinócio de primavera. Acontece que a Terra, em sua volta anual ao
redor do Sol , não retorna exatamente para o mesmo local. Devido a um fenômeno chamado precessão,
existe um l igeiro retardo; acumul a-se 1 grau a cada 72 anos. O retardo (presumindo que cada um dos
segmentos seja igual , de 30 graus cada) requer dessa forma 2.160 anos (72 x 30) para executar um giro
do nascer do sol no dia do equinócio contra o fundo estrelado de uma constelação (Touro, por exemplo),
para aquela imediatamente anterior (Áries, nesse caso) - enquanto a Terra gira ao redor do Sol num
movimento anti-horário, o retardo causa um recuo para trás do dia do equinócio.
Agora, mesmo considerando a grande l ongevidade dos tempos sumérios/bíblicos, (Taré 205, Abraão
175), teria sido necessária uma vida inteira para reparar um retardo de 1 ou 2 graus (72 e 144) - um
conhecimento altamente duvidoso sem os instrumentos astronômicos sofisticados necessários para
medidas precisas. Ainda mais para compreender e confirmar o ciclo de uma idade zodiacal compl eta.
Mesmo os patriarcas antediluvianos, para os quais os estudiosos consideram l ongevidades "fantásticas" -969 anos para o recordista Matusalém e 930 para Adão -, não viveram tempo suficiente para observar
um período zodiacal completo. Noé, o herói do dil úvio, viveu apenas 950 anos; ainda assim, os registros
do evento pelos sumérios mencionam a constelação zodiacal envolvida - Leão - na qual aconteceu.
Foi apenas parte do conhecimento impossível possuído pelos sumérios. Como podiam saber tudo
aquilo? Eles mesmos fornecem a resposta: Tudo o que sabemos nos foi ensinado pel os anunnaki -"Aquel es de Quem Veio à Terra". Eles, vindo de outro pl aneta com um enorme período orbital e uma
longevidade na qual um ano corresponde a 3.600 dos terrestres, não tiveram dificuldade para perceber a
precessão e idealizar o Zodíaco de doze partes.
Numa série de textos que formaram a base da antiga ciência e religião, que foram por sua vez copiados
em outras l ínguas, incl uindo o hebraico da Bíblia, as histórias sumérias sobre os anunnaki - os deuses
antigos - têm sido o material do que a "mitologia" é feita. Nas cul turas ocidentais, uma das que primeiro
sal tam à vista é a cultura grega. Porém como todas as mitol ogias antigas e panteões divinos de todas as
nações - pelo mundo inteiro -, também deriva das crenças e textos originais dos sumérios.
Houve uma época, diziam os sumérios, quando o homem civilizado ainda não estava na Terra, quando
os animais eram sel vagens e não domesticados, e as plantas, não cultivadas. Nessa era, distante no
tempo, chegou à Terra um grupo de cinqüenta anunnaki. Liderados por um chefe chamado E.A.
(significando "aquel e cujo lar é a água"), el es viajaram de seu planeta NIBIRU ("planeta da travessia"),
e, ao alcançar a Terra, mergulharam nas águas do golfo Pérsico. Um texto, conhecido dos estudiosos
como o "mito" de Ea e a Terra, descreve como o primeiro grupo caminhou para a terra firme,
encontrando-se num pântano. A primeira tarefa foi drenar esse terreno alagado, limpar os riachos e
regatos, verificar as fontes de comida (que revelaram ser peixe e aves). Começaram então a fazer tijol os
com o barro da terra e fundaram o primeiro povoado extraterrestre do planeta. Chamaram sua cidade de
ERIDU, que significa "Casa na Distância" ou "Casa Fora de Casa". Esse nome originou o nome Terra
nas l inguagens mais antigas. A época: 445.000 anos atrás.
A missão dos astronautas era obter ouro, extraindo-o das águas do golfo - ouro necessário para a
sobrevivência em Nibiru, pois l á o pl aneta perdia sua atmosfera, col ocando assim em perigo toda a vida
existente. Porém o pl ano provou ser impraticável , e os líderes no planeta natal decidiram que o ouro
poderia ser obtido da forma mais difícil - mineração onde ele era abundante, no sudeste da África.
Agora o plano pedia um aumento substancial no número de anunnaki na Terra, e com o tempo chegaram
a seiscentos. Havia também necessidade de uma operação elaborada de embarque da Terra do ouro
refinado e de entrega de suprimentos variados. Para isso, trezentos habitantes de Nibiru foram
empregados como IGI.GI ("Aqueles Que Observam e Vêem"), operando pl ataformas orbitais e
espaçonaves de carga. O governante de Nibiru, AN ("O Celestial" - Anu em acadiano), veio à Terra para
supervisionar a presença expandida e as operações de instalação. Veio acompanhado de dois de seus
filhos: EN.LIL ("Senhor do Governo"), um disciplinador rígido, para trabal har como Chefe de
Operações; e uma fil ha, NIN.MAH ("Senhora Poderosa"), como Chefe Médica Oficial.
A divisão de tarefas entre o pioneiro Ea e o recém-chegado Enlil provou ser espinhosa, e em
determinado momento do impasse, Anu teve vontade de ficar na Terra e deixar um de seus filhos agir
como vice-rei em Nibiru. Ao final, os três se acertaram. A missão de Enl il era permanecer na zona da
aterrissagem inicial e expandi-la para E.DIN ("Lar dos Justos"). Sua tarefa era estabelecer
acampamentos adicionais, cada um com uma função específica (um Espaçoporto, um Centro de
Controle de Missão, um Centro Metalúrgico, um Centro Médico, e marcos para aterrissagem); a tarefa
de Ea era estabelecer a operação de mineração no sudeste da África - uma tarefa para a qual el e, como
cientista excepcional , estava sobejamente preparado.
O fato de a tarefa estar à al tura de sua competência não significava que Ea gostasse del a, pois o
mantinha longe dos outros. Como compensação da transferência, ele recebeu o nome-títul o de EN.KI -"Senhor da Terra".
Enlil pode ter pensado que se tratava apenas de um título simból ico; Ea/Enki, porém, levou-o a sério.
Embora ambos fossem fil hos de Anu, eram apenas meios-irmãos. Ea/Enki era o Primogênito e
normalmente teria sucedido a seu pai no trono. Porém Enl il era fil ho de Anu com uma meia-irmã deste;
segundo as regras de sucessão em Nibiru, aquilo tornava Enl il o Herdeiro Real, mesmo que não fosse
primogênito. Agora, os dois irmãos encontravam-se em outro pl aneta, enfrentando um conflito em
potencial: se a missão na Terra se tornasse prolongada - talvez até a fundação de uma colônia
permanente de outro planeta -, quem seria a autoridade suprema, o Senhor da Terra ou o Senhor do
Governo?
A questão tornou-se um problema agudo para Enki em virtude da presença na Terra de seu fil ho
Marduk, assim como o fil ho de Enlil, Ninurta; enquanto o filho de Enki nascera da união com sua
consorte oficial , Ninurta nascera da união de Enlil (em Nibiru) com a meia-irmã Ninmah (quando ambos
eram sol teiros; Enl il casou com Ninlil na Terra e Ninmah jamais se casou). Esse fato dava a Ninurta
precedência sobre Marduk na linha de sucessão.
Mul herengo incorrigível , Enki resolveu remediar a situação fazendo sexo também com sua meia-irmã,
esperando ter com el a um filho. Em vez disso, essa união produziu uma mulher. Sem se dar por vencido,
Enki não perdeu tempo em dormir com a fil ha, assim que ela atingiu idade suficiente; porém ela também
deu à l uz uma mul her. Ninmah precisou imobilizar Enki temporariamente para que ele pusesse fim às
suas escapadas conjugais.
Embora não conseguisse obter um filho de sua meia-irmã, Enki não tinha falta de outros filhos homens.
Além de MAR.DUK ("Fil ho do Monte Puro"), que também viera de Nibiru, havia os irmãos NER.GAL
("Grande Observador"), GIBIL ("El e do Fogo"), NIN.A.GAL ("Príncipe das Grandes Águas") e
DUMU.ZI ("Filho que É Vida"). Não temos certeza se todos eram filhos da esposa oficial de Enki,
NIN.KI ("Senhora da Terra"); é certo que seu sexto fil ho, NIN.GISH.ZID.DA ("Senhor dos Dis-positivos/ Árvore da Vida") foi o resultado da ligação entre Enki e a neta de Enl il , quando el a embarcou
em sua nave, de Edin para a África. Um tablete de argila representa Enki com seus filhos.
Uma vez casado com sua consorte oficial , uma jovem enfermeira que recebeu o nome-epíteto de
NIN.LIL ("Senhora do Comando"), Enl il jamais vacilou em sua fidel idade por el a. Juntos, tiveram dois
filhos, o deus lunar NANAR ("O iluminado"), mais tarde conhecido por Sin pel os povos de língua
semita; e um fil ho mais novo, chamado ISH.KUR (“Aquele das Montanhas"), mais conhecido pel o
nome de Adad, “O Amado". Essa escassez de descendentes, comparada com o clã de Enki, poderia
expl icar por que os três fil hos de Nanar/Sin e sua esposa, NIN.GAL, (“Grande Dama"), a despeito de
estarem fora de Nibiru por três gerações, foram rapidamente incl uídos na l iderança dos anunnaki. Eram
os já mencionados ERESH.KI.GAL (“Senhora das Terras Vastas”), e os gêmeos UTU (“O Il uminado")
e IN.ANA ("O Amado de An") - Shamash (“Deus do Sol ") e Ishtar (Astarte/Vênus) de panteões mais
recentes.
No auge de sua presença na Terra, os anunnaki total izavam seiscentos, e os textos mencionavam um
bocado del es - indicando suas atividades em cerca de metade dos casos. O primeiro texto se refere ao
amerissar de Enki, com os nomes de seus oficiais e as tarefas designadas a el es. Os governadores de
cada um dos agrupamentos estabelecidos pelos anunnaki eram mencionados, assim como os dez
governantes antediluvianos. As mul heres nascidas das escapadas de Enki foram localizadas, assim como
os maridos que lhes foram designados. Foram também l embrados os camareiros e os emissários dos
deuses principais, assim como as divindades femininas e masculinas encarregadas de atividades
específicas (por exempl o, Ninkashi, encarregado da produção de cerveja).
Ao contrário da total ausência de genealogia para Javé, o deus bíblico, os “deuses" anunnaki eram
conhecedores de genealogias e das mudanças de gerações que existiam, como parte da sabedoria secreta
das listas de deuses nos templos, nos quais os "deuses" anunnaki eram l istados por ordem genealógica
de gerações. Algumas dessas listas descobertas mencionam nada menos do que 23 Casais Divinos, que
eram precursores de Anu (também de Enl il e Enki) em Nibiru. Al gumas l istas simplesmente
mencionavam os nomes dos deuses anunnaki em ordem de sucessão cronológica; outras assinalavam
cuidadosamente o nome divino ao lado do nome dos pais divinos, pois era a mãe quem determinava a
Regra de Sucessão entre os anunnaki.
Acima de todos havia sempre um círculo de doze Grandes Deuses, numa prévia do que seriam os Doze
Olímpicos do panteão grego. Começando com os Deuses Antigos, depois mudando com os tempos e as
gerações, a composição do Círcul o dos Doze variou - porém sempre permaneceu o número 12; quando
al guém saía, outro tomava seu lugar instantaneamente; quando alguém era promovido, outro precisava
ser rebaixado.
Os sumérios representavam seus deuses usando chapéus providos de chifres. Temos sugerido que o
número de pares de chifres refletia a posição rel ativa na classificação geral das divindades. A
cl assificação do panteão sumério começava em 60 (o número básico na matemática dos sumérios) para
Anu, continuando com 50 para seu herdeiro oficial , Enlil, 40 para Enki, 30 para Nanar/Sin, 20 para
Utu/Shamash e 10 para Ishkur/ Adad. As mulheres assumiam a cl assificação 55, 45, 35 e 25, para as
esposas Antu, Ninlil, Ninki e Ningal, depois 15 para a sol teira Ninmah e 5 para Inana/lshtar; esta úl tima,
refletindo a mudança de gerações, atinge depois a cl assificação 15, e Ninmah cai para 5.
É digno de nota que os dois candidatos à sucessão na Terra, Ninurta e Marduk, tenham ficado fora da
lista "ol ímpica" inicial . Quando as coisas esquentaram, porém, o Conselho de Deuses reconheceu
Ninurta como o sucessor legal e o incl uiu na classificação 50 - a mesma que o pai, Enlil. Marduk, por
outro lado, recebeu a cl assificação 10.
Essas classificações, porém, eram segredos divinos, revel ados apenas a sacerdotes escol hidos e
"iniciados". Os tabletes nos quais foram inscritos os "nomes secretos dos deuses" (tal como o tablete
K.170, do templ o de Nínive) continham uma proibição estrita contra mostrar aos la mudu'u - os "não-iniciados". Muitas vezes as informações sobre os deuses eram gravadas sem mencioná-l os pelo nome;
em vez disso, eram usados os números secretos, por exemplo, o número 30 para Nanar\Sin.
Mas por que doze?
A resposta, acreditamos, está em outro problema que os anunnaki enfrentaram, tendo resol vido mudar
sua missão de extração de minerais para uma col onização a l ongo prazo, com quase mil del es
envol vidos. Do ponto de vista dos anunnaki, eles haviam saído de um planeta com uma órbita "normal "
para um que corria loucamente ao redor do Sol, orbitando-o 3.600 vezes em um ano de Nibiru (um
período orbital). Al ém dos ajustes físicos, havia uma necessidade de rel acionar o tempo da Terra com o
de Nibiru.
Ao instal arem seu sofisticado equipamento no Controle de Missão em Nippur (uma instalação
conhecida como DUR.AN.KI - "Ligação Céu-Terra"), el es certamente se tornaram conscientes da
retardação gradual que chamamos de precessão, e compreenderam que a Terra, al ém do ano rápido
orbital, tinha também outro ciclo maior - os 25.920 anos que o pl aneta l evava para retornar ao mesmo
lugar do céu, um cicl o que ficou conhecido como o Grande Ano.
Como mostrado nos cil indros, os anunnaki consideravam a "Famíl ia do Sol" tendo doze membros: o Sol
(ao centro), a Lua (pelos motivos já explicados), os nove planetas que conhecemos no presente e mais
um - o próprio planeta Nibiru. Para el es, o 12 era um número básico, aplicado a qual quer assunto
cel estial que afetasse a Ligação Céu-Terra, incluindo a divisão do círculo de estrelas ao redor do Sol.
Usando cartas cel estes detalhadas, el es agruparam as estrel as em cada segmento do céu em constel ações.
Como as chamariam? Por que não dar nomes dos próprios líderes?
Ali estava Ea, "Cujo Lar É a Água", que adorava cruzar os pântanos num barco, que enchia os lagos
com peixes. El es o honraram nomeando duas constel ações, a do Aguadeiro (Aquário) e de Peixes; na
época dos sumérios, el e foi representado nos cilindros de argil a, e os sacerdotes que conduziam seu
cul to vestiam-se como pescadores. Enlil - forte, temperamental e freqüentemente comparado a um touro,
foi honrado com seu nome da constelação do Touro. Ninmah, desejada mas sem se casar, teve a
constel ação de Virgem em sua honra. Ninurta, muitas vezes chamado de Maior Guerreiro de Enlil, foi
homenageado como o Arqueiro (Sagitário); o primogênito de Ea, teimoso e decidido, foi comparado a
um carneiro atacando. Quando os gêmeos Utu/Shamash e Inana/l shtar nasceram, foi apropriado que l hes
consagrassem uma constelação (Gêmeos). (Em reconhecimento dos papéis de Enlil e Utu nas atividades
espaciais dos anunnaki, os sacerdotes enlilitas vestiam-se como homens-águia. À medida que os papéis
hierárquicos se alteravam e uma segunda e uma terceira geração de anunnaki chegavam à Terra, as doze
constel ações do Zodíaco foram designadas aos novos colonizadores.
Não foram os homens, mas deuses, que idealizaram o Zodíaco. E o número, não importam as rel ações,
sempre totalizava 12.
Depois de quarenta "Repetições" (órbitas) de Nibiru, desde a primeira chegada, os anunnaki designados
para as minas de ouro se amotinaram. Um texto chamado Atra Hasis descreve os eventos que
precederam o motim, a própria revolta e as conseqüências. A mais importante conseqüência foi a
criação de O Adão; o texto narra como a Humanidade foi desenvol vida. Encorajado por Enki, o motim
foi dirigido a princípio contra Enl il e seu filho NIN.UR.TA ("O Senhor que Completa a Fundação").
Enlil exigiu que os amotinados recebessem pena máxima; Enki descreve a impossibil idade de continuar
a árdua tarefa; Anu estava a seu lado. Porém o ouro ainda era necessário para a sobrevivência; como
poderia ser obtido?
No momento do impasse, Enki forneceu aos anunnaki sua surpreendente sugestão: "Vamos criar um
trabal hador primitivo que seja capaz de fazer o trabal ho!", disse el e. Quando o surpreso Conselho dos
Deuses perguntou como poderiam criar um novo ser, Enki expl icou que o ser que ele considerava "já
existia" - um hominídeo que evoluíra na Terra, mas ainda não atingira o estágio evolucionário dos
anunnaki. Tudo o que temos a fazer, disse ele, é "colocar a marca dos deuses" nele - al terá-l o
geneticamente para que se pareça com os anunnaki.
A discussão e a solução sugerida são ecoadas na Bíbl ia:
E Elohim disse:
"Façamos o Homem à nossa imagem
E à nossa semelhança"
- um ser que pareceria um anunnaki tanto fisicamente quanto mentalmente. Esse ser, prometeu Enki,
"será encarregado do serviço dos deuses, que poderão descansar". Tentados com o al ívio da árdua tarefa,
os deuses concordaram.
Vários textos sumérios descrevem como, com a ajuda de Ninmah, e depois de muitas experiências e
erros, um Lulu - um "Misturado" - foi criado. Satisfeita por haver criado um modelo perfeito, Ninmah
ergueu-se e gritou: "Minhas mãos fizeram isso!".
Ela considerou o momento um evento importante. Nós também - pois na representação do momento por
um artista sumério num cil indro de argil a, nos mostram o instante mais importante na história da
Humanidade: o instante em que nós, Homo sapiens, surgimos na Terra.
Usando a bem-sucedida combinação genética, o lento processo de fabricar duplicatas - um processo que
agora chamamos de cl onação - havia começado. A reprodução, envol vendo a necessidade de que as
mulheres anunnaki servissem como Deusas do Nascimento, cl onou o Trabalhador Primitivo em grupos
de sete machos e sete fêmeas. A Bíbl ia (capítulos 1 e 5) nos rel ata:
E um dia Elohim criou O Adão,
À imagem de Elohim Ele o fez;
Macho e fêmea Ele os criou.
A cl onação foi um processo lento, exigindo o serviço de uma Deusa do Nascimento, porque o novo ser,
como híbrido, não procriava sozinho. Para acel erar tudo, Enki realizou um segundo feito de engenharia
genética - porém dessa vez por sua própria iniciativa. Util izando o que chamamos agora de
cromossomos X e Y, ele conferiu à raça humana a capacidade de se reproduzir. A Bíblia registrou o
evento com a história de Adão e Eva no Paraíso (o E.DIN sumério), no qual Enki representou o papel de
Nachash - um termo traduzido como "serpente", mas que também significa "Aquel e que conhece/possui
segredos".
Embora ele tivesse optado pel a experiência genética, Enl il o fez com rel utância. Ao contrário do grande
cientista Enki, el e não se deixou arrebatar pelo desafio científico. Podemos até imaginá-lo dizendo:
"Não viemos a outro planeta para brincar de Deus...". Enl il ficou furioso quando Enki real izou a
segunda e não-autorizada al teração genética. "Você fez O Adão como qual quer um de nós, capaz de
procriar", gritou. "Mais um pouco e ele vai querer partilhar a Árvore da Vida! "
Assim, a Humanidade foi banida do Jardim do Éden, para sobreviver por si mesma; porém em vez de
desaparecer, proliferou e encheu a Terra. O desprazer de Enlil cresceu quando os jovens anunnaki
começaram a fraternizar com as Filhas do Homem, chegando mesmo a ter filhos com el as. Na Bíblia
(Gênesis, cap. 6) a história dos nefilim (Aqueles que Desceram), os "filhos de Elohim" que acasal aram
com fêmeas humanas, serviu como preâmbul o da história do Dil úvio, a expl icação para a decisão de
varrer a Humanidade da face da Terra.
Enlil expôs seus planos perante o Consel ho dos Deuses. Uma grande calamidade, disse el e, está a ponto
de acontecer. Em sua próxima passagem, Nibiru causará uma onda enorme que cobrirá a Terra. Não
vamos avisar a Humanidade - deixemos que toda a carne pereça! Os deuses concordaram e juraram
segredo. Enki também; mas descobriu uma forma de avisar seu fiel adorador Ziusudra (Noé, na Bíblia) e
o instruiu sobre como construir a Arca para salvar sua famíl ia e amigos, assim como preservar a
"semente" dos animais vivos.
A história do Grande Dil úvio é uma das mais l ongas na Bíblia; ainda assim, é uma versão curta dos
relatos maiores e mais detalhados dos textos sumérios e acadianos que relatam essa inundação. No
tempo que se seguiu, até mesmo Enlil comoveu-se. Sendo que tudo o que os anunnaki haviam
construído na Terra fora destruído, percebeu que precisavam da Humanidade como col aboradores para
tornar o planeta habitável outra vez. Com o consentimento de Enl il , os anunnaki começaram a avançar a
Humanidade culturalmente em períodos que duravam 3.600 anos (igualando o período orbital de
Nibiru). O processo culminou com a grande civilização suméria.
Na véspera do Dilúvio, os anunnaki embarcaram em suas naves para evitar a calamidade e observar o
desastre e a total destruição da atmosfera terrestre. O que os anunnaki haviam construído nos 432.000
anos anteriores fora varrido da face da Terra, ou enterrado sob camadas quil ométricas de lama; isso
incluía o espaçoporto que possuíam em E.DIN.
Assim que a onda descomunal começou a retroceder, as naves que orbitavam puderam aterrissar nos
picos mais elevados do Oriente Próximo, no monte Ararat. Quando mais terra seca apareceu, puderam
usar o Campo de Pouso - uma enorme plataforma de pedra que haviam erigido antes do Dilúvio nas
montanhas de Cedro, onde atualmente é o Líbano. Porém para levar a cabo as operações espaciais,
precisavam de um espaçoporto; tomaram a decisão de erigi-lo na península do Sinai. O Corredor de
Aterrissagem foi incorporado; um novo Centro de Control e da Missão foi escol hido (para substituir o
que existira na Nippur antedil uviana); dois picos artificiais foram construídos para determinar o término
do Corredor de Aterrissagem - as duas Grandes Pirâmides de Gizé, ainda existentes no Egito.
Preocupados com as rival idades entre o que parecia dois cl ãs diferentes na Terra, fizeram com que a
localização do espaçoporto e suas instal ações auxiliares assumissem importância capital. Para minimizar
os atritos, as divisões de domínio entre Enl il no Edin e de Enki em Abzu foram formal izadas, ficando o
primeiro e seus descendentes com o domínio sobre a Ásia e parte da Europa, enquanto o último ficava
com o continente africano. Isso significava que a Pista de Aterrissagem antedil uviana e o novo Centro
de Control e de Missão ficavam no território de Enl il , e as grandes pirâmides com seus intrincados
sistemas de direcionamento permaneciam nas mãos de Enki. Portanto foi decidido que o Centro de
Controle de Missão fosse erigido na penínsul a do Sinai, sob o control e neutro de Ninmah. Para marcar o
evento, el a recebeu o epíteto de NIN.HAR.SAG - "Senhora dos Picos".
Nossa sugestão de que os deuses do Egito nada mais eram do que Enki e seu clã pode parecer inusitada
à primeira vista. Não eram seus nomes, para começar, diferentes? O grande deus antigo dos egípcios,
por exempl o, era chamado de PTAH, "O que Desenvolve"; porém esse era também o epíteto sumério de
Enki, NUDIMMUD,"O que Faz Coisas Artísticas". Era o Conhecedor de Segredos, a Serpente Divina,
em ambos os panteões; l embrando seu epíteto "cujo l ar é a água", nosso Aquário. No panteão egípcio, a
Senhora do Sinai era HATHOR, cognominada "A Vaca" em sua vel hice; assim também Ninharsag era
apel idada na Suméria à medida que envelhecia.
O filho principal de Enki no Egito foi RÁ, "O Puro", estabelecendo um paralel o com Marduk, "Filho do
Monte Puro", na Mesopotâmia. As muitas outras similaridades entre os dois foram explicadas em As
Guerras de Deuses e Homens, assim como os motivos para identificar o deus egípcio TOT, um filho de
Ptah e guardião da sabedoria secreta dos deuses, assim como o deus Ningishzida dos textos sumérios.
A seu tempo, Ptah/Enki entregou o reino do Egito a seu fil ho Marduk/Rá; porém este não gostou. Seu
direito de nascença era o de reinar sobre toda a Terra, costumava dizer; isso l evou a confl itos com os
enl il itas que descrevemos como a Guerra das Pirâmides. Em determinada época - por volta de 8700 a.C.
segundo nossos cál cul os -, el e foi forçado a deixar o Egito; segundo Máneton (um sacerdote egípcio que
escreveu a história e a pré-história do Egito nos tempos gregos), o reino foi então designado para o
irmão de Marduk, Tot. Aonde foi Marduk/Rá? A possibilidade de que tenha sido enviado de volta para
Nibiru (os egípcios o chamavam de o Planeta de Um Milhão de Anos) não pode ser descartada. Um
texto egípcio encontrado nas tumbas faraônicas, chamado A Atribuição de Funções para Tot, rel ata Rá
transferindo poderes para Tot, e designando-o como "Tot, o Usurpador"; "Ficarás em meu l ugar. Estou
aqui no céu, meu lugar apropriado", anuncia Rá. O fato de que um segmento de ausência dos
semideuses durava 3.650 anos - quase o mesmo período da órbita média de Nibiru, 3.600 anos - sugere
que Rá/Marduk tenha passado lá sua ausência da Terra. Textos, tanto egípcios quanto mesopotâmicos,
descrevem uma difícil viagem espacial que se tornou perigosa principalmente próxima a Saturno, e pode
se referir ao retorno de Rá/Marduk para a Terra.
Ao vol tar, Rá/Marduk quase não reconheceu a Terra. Durante esse período, a civilização suméria
desabrochara. Lá, além da expansão dos quartéis-generais de Enl il e Enki na forma de templ os sagrados
cercados por cidades que se agrupavam (Nippur e Eridu respectivamente), as cidades dos Homens
haviam se estabel ecido. A nova instituição da real eza fora inaugurada em uma nova cidade, Kish, sob a
proteção de Ninurta. Nanar/Sin ganhou domínio sobre um novo centro urbano chamado Ur. Um templ o
sagrado, construído para a visita de Anu e Antu, foi expandido para tornar-se a cidade de Uruk (a Erech
bíblica), que foi dada de presente a Inana/Ishtar. As funções de sacerdote foram formalizadas; um
cal endário - o famoso Calendário de Nippur - foi introduzido, baseado em sofisticados conhecimentos
astronômicos e festivais oficiais. Iniciado em 3760 a.C. ainda está em uso como cal endário hebreu.
Ao seu retorno, Marduk deve ter perguntado a seu pai e ao Conselho dos Deuses: e quanto a mim?
Ele reparou num local não muito l onge de onde fora o campo de pouso e determinou-se a fazer uma
Bab-Ili - "Portão dos Deuses" (de onde se derivou o nome posterior de Babilônia). Seria uma expressão
real e um símbol o de sua supremacia.
O que se seguiu é lembrado na Bíbl ia como o incidente da Torre de Babel ; ocorreu no l ugar chamado
Shine' ar (o nome bíbl ico para Suméria). Lá, os seguidores do deus da Babil ônia começaram a construir
"uma torre cujo topo alcançasse os céus" - hoje em dia chamaríamos de Plataforma de Lançamento.
"Vamos fazer um shem", disseram - não um "nome", como geralmente é traduzida a pal avra, mas o
significado original da palavra MU - um objeto em forma de foguete. A época, pelos nossos cálculos,
era 3450 a.C.
Ao descer dos céus, o l íder dos elohim ordenou que a torre fosse destruída. Tanto a versão bíblica
quanto a mesopotâmica relatam que, no período que se seguiu a esse evento, os elohim resol veram
"confundir a linguagem da Humanidade" para prevenir que ela agisse de comum acordo. Até então
"Ora, na Terra havia uma mesma l íngua e um só modo de falar" (Gênesis 11:1). Até então, realmente, só
existia uma civil ização, a da Suméria, com uma linguagem simpl es e uma forma de escrita. No período
que se seguiu ao incidente na Babilônia, uma segunda civil ização, a nil ótica (Egito e Núbia),
estabel eceu-se, com sua própria l inguagem e escrita; e vários sécul os mais tarde, a terceira civilização, a
do val e do Indo, iniciou-se com sua própria linguagem e escrita, ainda não decifrada. Assim, a
Humanidade ficou restrita a três regiões; a quarta região permaneceu sob o domínio dos deuses: a
penínsul a do Sinai, onde se l ocal izava o espaçoporto.
Desafiado na Mesopotâmia, Rá/Marduk retornou ao Egito, para reassumir sua supremacia lá, como
grande deus da civilização que emergia. A época foi 3100 a.C. Houve, naturalmente, um pequeno
problema com Tot, a divindade reinante no Egito e na Núbia, enquanto Rá/Marduk estava fora. Sem a
menor cerimônia, ele foi mandado embora... Em Os Reinos Perdidos, sugerimos que el e tivesse levado
um grupo de seguidores africanos para a América Central , tornando-se Quetzalcoatl , o deus-serpente
com asas. O primeiro cal endário instituído por ele na América Central (o Cal endário da Longa
Contagem) inicia-se no ano 3113 a.C. Foi essa, acreditamos, a data exata da chegada de Tot/
Quetzalcoatl ao Novo Mundo.
Ainda ressentido por seu fracasso na Mesopotâmia, o amargurado Marduk voltou-se para outros
objetivos. Durante sua ausência, formara-se um "Romeu e Jul ieta" divino - seu irmão Dumuzi e
Inana/Ishtar, a neta de Enlil - e estava a ponto de resultar em casamento. A união era um anátema para
Rá/Marduk; ele ficara especialmente preocupado com as esperanças de Inana tornar-se Senhora do Egito
por meio do casamento. Quando os emissários de Marduk tentaram capturar Dumuzi, ele acidentalmente
morreu ao tentar escapar. A cul pa por sua morte foi atribuída a Marduk.
Foram descobertos textos em várias formas e versões narrando os detal hes do julgamento de Marduk e
seu castigo: ser enterrado vivo na Grande Pirâmide, que foi sel ada de modo a criar uma prisão divina.
Tendo apenas ar para respirar, mas sem comida ou água, Marduk foi sentenciado a morrer na tumba
col ossal. Porém sua esposa e sua mãe apelaram com sucesso para que Anu comutasse a pena de morte
para a de exíl io. Usando os planos originais de construção, um túnel de escape foi cavado e penetrou
através dos orifícios de ventil ação. A vol ta de Marduk da morte certa e sua saída da tumba eram
aspectos da visão nos textos, chamada pelos úl timos tradutores de "Morte e Ressurreição do Senhor" -foram precursores do Novo Testamento, no tocante à morte e ressurreição de Jesus.
Sentenciado ao exílio, Rá/Marduk tornou-se Amon-Rá, o deus invisível. Dessa vez, porém, el e
percorreu a Terra. Num texto autobiográfico no qual o retorno foi profetizado, Marduk descreve suas
andanças:
Sou o divino Marduk, um grande deus.
Fui afastado por meus pecados.
Fui para as montanhas,
Em muitas terras tenho sido um andarilho.
De onde o Sol se ergue,
Até onde ele se põe.
Onde quer que ele andasse, perguntava aos deuses do destino: “Até quando”?
A resposta com rel ação ao seu destino veio dos céus. A Idade do Touro, zodiacalmente pertencente a
Enlil e seu clã, estava terminando. A aurora do primeiro dia em que o Sol se levantaria na primavera da
Mesopotâmia, na constel ação zodiacal de Áries a constelação del e. O ciclo celestial do Destino
favorecia a supremacia de Marduk!
Nem todos concordavam. Seriam apenas cál culos, ou se tratava de um fenômeno observável? Marduk
não podia importa-se menos; l ançou uma marcha contra a Mesopotâmia enquanto os seguidores
organizados de seu filho, Nabu, invadiam o Sinai para tomar o espaçoporto. O confl ito em escala é
descrito num texto conhecido como o Erra Epos; nos relata como, sem enxergar al ternativa, os deuses
em oposição a Marduk utilizaram armas nucleares para destruir o espaçoporto (e como espetáculo à
parte, as cidades de Sodoma e Gomorra).
Porém o destino interveio para auxiliar Marduk. Os ventos dominantes de oeste levaram a nuvem mortal
para l este, na direção da Suméria. Babilônia, mais ao norte, foi poupada. Porém ao sul da Mesopotâmia,
o Vento Mal éfico causou morte e desolação súbita. A grande capital da Suméria, Ur, tornou-se um lugar
onde os cães selvagens reinavam.
Assim, a despeito dos esforços extraordinários dos oponentes de Marduk, a Idade de Áries iniciou-se
com a ascensão de Babilônia.
4
ENTRE A SORTE E O DESTINO
Foi a Sorte ou foi o Destino que l evou Marduk pel a mão invisível através de todas as dificul dades e
atribulações, ao longo dos milênios, até seu objetivo final : supremacia na Terra?
Não existem muitas línguas que possuam tal escolha de pal avras para designar aquel e "algo" que
predetermina o desenrol ar dos eventos antes que el es aconteçam, e mesmo em nossa língua seria difícil
expl icar a diferença. Os melhores dicionários usam um termo para expl icar o outro, encarando-os como
sinônimos para "fado", "sina" ou "fortuna". Tanto na l inguagem quanto na fil osofia e na rel igião dos
sumérios existe uma clara diferença entre os dois. Destino, NAM, era o curso predeterminado de
eventos que não podia ser alterado. A Sorte era NAM.TAR - um curso predeterminado de eventos que
podia ser alterado; l iteralmente, TAR significava quebrar, cortar, interromper, mudar.
A distinção não era apenas um assunto semântico; ia até o cerne das coisas, afetando e dominando os
assuntos de deuses e homens, terras e cidades. Era algo que estava para acontecer, ou mesmo que já
acontecera - um Destino, o desfecho (e, se quiserem, os eventos aos quais aquele aspecto conduzia) era
inalterável; ou então se tratava da combinação de eventos aleatórios, ou decisões intencionais, ou
ascensões e quedas temporárias que poderiam ou não ser fatais, que outro evento ou Sorte, uma oração
ou mudança do estil o de vida poderiam levar a um diferente resul tado final. Nesse caso, o que poderia
ter sido diferente?
A l inha final de distinção pode ser mais indefinida hoje em dia, mas havia uma diferença bem definida
para os sumérios, nos tempos bíblicos. Para os sumérios, o Destino começava nos céus, iniciando nas
órbitas estabelecidas nos pl anetas. Uma vez que o Sistema Solar assumira sua forma e composição finais
depois da Batalha Celestial , as órbitas dos planetas se tornaram destinos eternos; o termo e o conceito
podiam ser apl icados ao futuro da Terra, começando com os deuses que possuíam correspondência
cel este.
Nos reinos bíbl icos, era Javé quem controlava tanto o Destino quando a Sorte, porém enquanto o
primeiro era predeterminado e inalterável, a Sorte podia ser afetada pelas decisões humanas. Em virtude
de poderes anteriores, o curso de acontecimentos futuros podia ser previsto com antecedência de anos,
séculos e até mil ênios, como quando Javé anunciou a Abraão o futuro de seus descendentes, inclusive os
quatrocentos anos de escravidão no Egito (Gênesis 15:13-16). Como a estadia se transformaria (foi uma
procura por comida durante uma estação de grande carência de alimentos), era uma questão de Sorte;
que começasse com uma boa acol hida (porque José, mediante uma série de ocorrências, se tornara uma
espécie de ministro de todo o Egito), era uma questão de Sorte; mas que a escravidão terminasse com
um Êxodo libertador numa época predeterminada era Destino, ordenado por Javé.
Como el es foram chamados à profecia por Deus, os profetas bíbl icos podiam saber o futuro de reinos e
países, cidades, reis e indivíduos. Porém tornavam cl aro que suas profecias eram apenas expressões das
decisões divinas. "Assim falou Javé, o Senhor dos Exércitos", era uma forma comum de falar do profeta
Jeremias como introdução sobre o futuro dos países e dos governantes. "Assim falou o Senhor Javé",
dizia o profeta Amós.
Porém quando se tratava de Sorte, o livre-arbítrio e a l ivre escolha das pessoas e nações podiam e
entravam em jogo. Ao contrário dos Destinos, a Sorte podia ser mudada e os castigos evitados se a reta
intenção substituísse o pecado, se a piedade substituísse o profano, se a justiça preval ecesse sobre a
injustiça. "Eu não quero a morte do ímpio, mas sim que o ímpio se afaste do seu caminho e viva", disse
o Senhor ao profeta Ezequiel (Ezequiel 33:11).
A distinção feita pel os sumérios entre Sorte e Destino, assim como o papel que podem desempenhar na
vida de um indivíduo, se torna aparente na história de Gilgamesh. El e era, como já mencionamos, o
filho do sumo sacerdote de Uruk e da deusa Ninsun. Ao ficar mais vel ho e começar a contempl ar as
questões de vida e morte, el e fez uma pergunta a seu padrinho, o deus Utu/Shamash:
Em minha cidade o homem morre; oprimido está meu coração.
O homem perece, meu coração fica pesado...
O mais alto dos homens não pode esticar-se até o céu;
O mais largo dos homens não pode cobrir a Terra.
Será que eu também vou "desaparecer por sobre o muro?"
Estarei também fadado a isso?
A resposta de Utu/Shamash não foi encorajadora. "Quando os deuses criaram a Humanidade, deram-l he
a morte. Retiveram a vida para si mesmos", disse el e. Esse é seu próprio Destino; portanto, enquanto
você está vivo, o que faz nesse tempo é uma Sorte que você pode al terar ou afetar; aprecie e saiba
extrair o mel hor disso.
Que seu ventre esteja repleto, Gilgamesh;
Torne-o feliz de dia e de noite!
Em cada dia, festeje seu regozijo;
Dia e noite, dance e toque!
Que suas vestes sejam frescas e limpas,
Banhe-se na água, que sua cabeça seja lavada.
Preste atenção ao pequenino que segura sua mão.
Deixe que sua esposa se delicie em seu colo.
Esse é o Destino da Humanidade.
Ao receber essa resposta, Gil gamesh compreendeu que precisava tomar alguma atitude drástica para
al terar o Destino, não apenas a Sorte. Do contrário, ele teria o mesmo fim de qual quer outro mortal.
Com a relutante bênção materna, el e embarcou na jornada para o Local de Pouso nas Montanhas de
Cedro e embarcou numa viagem, querendo encontrar-se com os deuses. Porém o Fado interveio mais
uma vez. Primeiro na forma de Huwawa, o guardião robótico da Floresta de Cedros, depois na l uxúria
de Inana/Ishtar pel o rei, e na luta que resultou na morte do Touro dos Céus. O papel do Destino -Namtar - foi reconhecido e considerado por Gilgamesh e seu companheiro Enkidu naquela época,
mesmo depois de ter matado Huwawa. O texto épico narra que os dois camaradas se sentaram e
contemplaram a punição esperada. Como assassino, Enkidu pondera o que acontecerá com ele.
Gil gamesh o conforta: "Não se preocupe, o Inquisidor Namtar pode devorar... mas também pode deixar
que o pássaro apanhado retorne ao seu l ocal , permitir que o homem apanhado retorne ao ventre de sua
mãe". Cair nas mãos de Namtar não é uma ocorrência inal terável ; a sorte se reverte um igual número de
vezes.
Recusando-se a desistir, Gilgamesh embarca numa segunda jornada, dessa vez ao espaçoporto na
penínsul a do Sinai. Suas atribulações e aventuras no caminho foram incontáveis e, no entanto el e
perseverou. Finalmente conseguiu obter o fruto que l he possibilitaria eterna juventude; exausto,
Gil gamesh deita-se para dormir, e uma serpente a leva embora; el e vol ta para Uruk de mãos vazias, para
lá morrer.
Uma série de perguntas do tipo E se? Vem com naturalidade à mente. E se as coisas tivessem ocorrido
de forma diferente nas Montanhas de Cedro - Gilgamesh teria sido bem-sucedido em subir aos céus e
juntar-se aos deuses em seu pl aneta? E se el e não tivesse adormecido e continuasse com a Pl anta da
Eterna Juventude?
Um texto sumério, que recebeu dos estudiosos o nome de A Morte de Gilgamesh, é que fornece a
resposta. O final , expl icam eles, estava predeterminado; não havia nenhuma forma de Gilgamesh tomar
o destino em suas próprias mãos e alterá-l o. O texto traz esta conclusão, referindo-se a um sonho
premonitório de Gilgamesh que contém uma previsão sobre seu final. Aqui está o que dizia:
Oh, Gilgamesh,
Este é o significado do sonho:
O grande deus Enlil, pai dos deuses,
Decretou seu destino.
Seu destino para ser rei ele determinou.
Para a vida eterna ele não estava destinado.
A Sorte de Gilgamesh foi atropel ada pelo Destino. El e estava destinado a ser rei; não estava destinado à
vida eterna. Assim, el e é descrito morrendo. "Ele, que tinha os músculos firmes, jaz incapaz de
levantar... Ele, que subia montanhas, está deitado, não se ergue." "Na cama de Namtar ele jaz, não se
ergue”.
O texto menciona todos os bons acontecimentos que Gilgamesh experimentou - a realeza, vitórias nas
batalhas, uma família abençoada, servos fiéis, belas roupas, mas reconhecendo o papel da Sorte e do
Destino, conclui explicando a Gilgamesh: Ambos, "tanto a luz quanto a escuridão da Humanidade foram
concedidas a ti". Mas, ao final, como o Destino sobrepujou a Sorte, "Gil gamesh, o filho de Ninsun, jaz
morto".
A pergunta E se? Ao final pode ser expandida de um indivíduo para a Humanidade como um todo.
Qual teria sido o curso dos eventos na Terra (e em outros l ugares do Sistema Solar) se o pl ano original
de Ea para obter ouro das águas do golfo Pérsico tivesse sido bem-sucedido? Nesse ponto crucial dos
eventos, Anu, Enl il e Ea tentaram ao máximo saber quem iria governar Nibiru, quem iria para as minas
ao sul da África, e quem ficaria encarregado do Edin em expansão. Ea/Enki foi para a África, encontrou
lá os hominídeos em evolução e voltou para rel atar aos deuses reunidos que o ser do qual necessitavam
já existia - tudo o que precisavam fazer era col ocar a marca genética apropriada.
O texto do Atra Hasis, reunido de vários achados e muitos fragmentos por W. G. Lambert e A. R.
Mill ard, descreve esse momento:
Os deuses esfregaram as mãos,
Fizeram previsões e se dividiram.
Teria esse feito de engenharia genética ocorrido se Anu ou Enlil tivessem sido os que governaram a
África do sudeste? Teríamos aparecido no pl aneta de qualquer forma, por intermédio da evolução,
apenas? Provavelmente sim, pois foi essa a forma como os anunnaki apareceram (da mesma semente de
vida!) em Nibiru, só que bem à nossa frente. Porém na Terra surgimos por meio da engenharia genética,
quando Enki e Ninmah abreviaram a evolução e fizeram de O Adão o primeiro ' ' bebê de tubo de
ensaio".
A l ição da Epopéia de Gilgamesh é que a Sorte não é capaz de al terar o Destino. Acreditamos que o
surgimento do Homo sapiens na Terra era uma questão de Destino, um desfecho que teria sido adiado
ou atingido de alguma outra forma, embora os anunnaki tivessem tomado a decisão por suas próprias
necessidades, acreditamos ter esse fato sido pré-ordenado, encaixado num pl ano cósmico. Assim como
acreditamos ser o Destino da Humanidade: repetir o que os anunnaki fizeram a nós indo até outro
pl aneta para recomeçar o processo.
Um dos que entenderam a conexão entre a Sorte e as doze constelações zodiacais foi o próprio Marduk.
Constituíram o que foi chamado de Tempo Celestial, a ligação entre o Tempo Divino (o período orbital
de Nibiru) e o Tempo Terrestre (o ano, os meses, as estações, dias e noites resultando da órbita terrestre,
da incl inação e das revol uções sobre o próprio eixo). Os sinais celestes que Marduk invocou - a chegada
da Era Zodiacal de Áries - eram parte do Destino. O que ele necessitava para afirmar sua supremacia,
para eliminar dela a noção de que, como a Sorte, podia ser mudada, al terada ou revisada, era um Destino
Celestial . E que, nesse sentido, el e ordenou o que podemos considerar a maior falsificação jamais
praticada.
Estamos nos referindo ao texto mais básico e sagrado dos povos antigos: a Epopéia da Criação, cerne e
corpo da fé, da rel igião e da ciência dos sumérios. Al gumas vezes chamado pel as linhas de abertura
Enuma elish (Quando nas Alturas do Céu), era uma história de eventos no céu e uma Batalha Celestial,
o resultado favorável que tornou possível todas as boas coisas na Terra, incluindo a criação da
Humanidade.
Sem exceção, o texto foi encarado como um mito celestial pelos estudiosos que começaram a montá-lo a
partir dos vários fragmentos, uma al egoria à eterna luta entre o bem e o mal. O fato de que escul turas
descobertas na Mesopotâmia representassem um deus al ado (portanto cel estial ) l utando contra um
monstro al ado (portanto também celestial) sol idificou a noção de que ali se encontrava uma versão
primitiva da história de São Jorge e do dragão. Realmente, uma das mais modernas traduções parciais do
texto era intitulada Bel e o Dragão. Nesses textos, o Dragão era chamado Tiamat, e Bel ("O Senhor")
não era outro senão Marduk.
Foi apenas em 1876 que George Smith, trabal hando no Museu Britânico, juntou fragmentos de tabl etes
inscritos da Mesopotâmia, publicou a obra-prima O Gênesis Caldeu, que sugeria a existência de uma
história babil ônica que se comparava às partes do Gênesis na Bíblia; seguiu-se então o Curador de
Antiguidades Babilônicas do Museu, L. W. King, que publicou seu reconhecido trabalho, Os Sete
Tabletes da Criação, para estabel ecer de forma conclusiva a rel ação entre os sete dias bíblicos da
criação e as fontes mais antigas da Mesopotâmia.
Porém, se fosse esse o caso, como poderiam os textos babil ônicos ser chamados de alegorias? Ao
proceder assim, caracterizava-se também a história do Gênesis como uma alegoria, e não um Ato
Divino, que foi a base do monoteísmo e das crenças judaico-cristãs.
Em nosso livro de 1976, O 12º. Planeta, sugerimos que nem o texto da Mesopotâmia nem a versão
bíblica condensada eram mito ou al egoria. Eram baseados numa cosmogonia muito sofisticada, apoiada
em ciência avançada, que descrevia a criação de nosso Sistema Sol ar passo a passo; depois o surgimento
de um planeta errante do espaço exterior que foi gradualmente introduzido em nosso Sistema Sol ar,
resultando numa col isão entre ele e um membro antigo da família do Sol . A Batal ha Cel estial entre o
invasor - Marduk - e o planeta mais antigo – Tiamat levou à destruição de Tiamat. Metade esfacel ou-se
em pequenos pedaços que se tomaram um Cinturão Pul verizado; a outra metade, forçada a uma nova
órbita, tornou-se o planeta Terra, carregando com ela o maior satélite de Tiamat, que chamamos Lua. E
o invasor, atraído para o centro de nosso Sistema Sol ar, com sua velocidade diminuída pela colisão,
tornou-se permanentemente o 12° planeta do nosso sistema.
No livro publicado em seguida (1990), mostramos que nossos avanços em tecnologia astronômica
corroboravam a antiga história dos sumérios - uma história que explicava satisfatoriamente a origem do
Sistema Solar, o enigma de todas as terras [no nosso planeta] começarem agrupadas em um dos l ados,
com um enorme vazio do outro (a bacia do Pacífico), a origem do Cinturão de Asteróides e da Lua, o
motivo de Urano orbitar o Sol "deitado" (o eixo de rotação de Urano é quase perpendicul ar ao plano de
sua órbita, com uma incl inação de 88°, enquanto o da Terra é de 23,5°) e Plutão possuir uma órbita
excêntrica (Às vezes Pl utão chega mais perto do Sol do que Netuno, embora seja o planeta mais distante
do Sistema Sol ar), e assim por diante. O conhecimento extra que conseguimos mediante o estudo dos
cometas, a utilização do telescópio Hubbl e, os vôos tripul ados para a Lua e não-tripulados para outros
pl anetas continuou a corroborar os dados sumérios assim como os entendemos.
Ao chamar de suméria, e não de babil ônica, a cosmogonia da Epopéia da Criação, fornecemos uma
pista para a fonte e natureza verdadeiras do texto. A descoberta de fragmentos de uma versão suméria
anterior do Enuma elish convenceu os estudiosos de que a Epopéia da Criação era originalmente um
texto sumério, no qual o pl aneta invasor era chamado de NIBIRU, não "Marduk". Agora estão
convencidos de que a versão existente, babilônica, era uma falsificação deliberada, destinada a fazer crer
que Marduk estava na Terra com o "deus" celeste/planetário que alterou a forma dos céus, deu ao nosso
sistema o formato atual, e - numa figura de l inguagem - criou a Terra e tudo o que estava nel a. Isso
incluía a Humanidade, pois de acordo com a versão suméria original, foi Nibiru, vindo de outra parte do
Universo, que trouxe com ele e transmitiu à Terra durante a colisão a "Semente da Vida".
(Sobre esse assunto, deveria ser compreendido que a ilustração que se acreditou por tanto tempo
representar Marduk lutando contra o Dragão também está errada. É uma representação assíria, onde o
deus supremo era Ashur, e não da Babil ônia; a divindade está representada como homem-águia, o que
indica um ser dedicado a Enl il ; o chapéu divino que ele usa possui três pares de chifres, indicando o
posto de 30, que não era o de Marduk; sua arma era um forcado de raios, que era a arma divina de
Ishkur /Adad, fil ho de Enl il , não de Enki.)
Assim que Marduk conseguiu a soberania na Babilônia, os ritos de Ano-Novo foram alterados para
incluir a leitura pública (na quarta noite do festival ) do Enuma elish em sua nova versão babil ônica;
nel e, a supremacia de Marduk na Terra só encontrava paralelo na supremacia del e nos céus, como o
pl aneta com maior órbita, aquel e que abraça todos os outros em seu percurso.
A chave para essa distinção era o termo "Destino". Este era o termo usado para descrever os caminhos
orbitais. A órbita eterna e imutável de um planeta era o Destino desse planeta; era isso o que Marduk
representava segundo o Enuma elish.
Uma vez que se compreenda que esse é o significado antigo para a pal avra "órbita", é possível seguir os
passos pelos quais Marduk chegou ao seu Destino. O termo foi usado pel a primeira vez no texto em
ligação com o satél ite principal de Tiamat (que o texto chama de Kingu). A princípio é apenas um dos
onze satélites (l uas) de Tiamat; porém à medida que "cresce em estatura" se torna o "l íder de seu
hospedeiro".
Uma vez que o grande pl aneta e consorte de Apsu (o Sol), Tiamat, "ficou arrogante" e não gostou de ver
outros deuses celestiais aparecerem aos pares: Lahmu e Lahamu (Marte e Vênus) entre ela e o Sol (onde
existia apenas o mensageiro sol ar, Mumu/Mercúrio), e os pares Kishar e Anshar (Júpiter e Saturno, este
úl timo com seu mensageiro Gaga/Plutão); depois Anu e Nudimmud (Urano e Netuno). Tiamat e seu
grupo de luas por um lado e os novos planetas do outro, num Sistema Sol ar ainda instável , começaram a
invadir os domínios alheios. Os outros se tornaram especialmente preocupados quando Tiamat "de
forma profana" estendeu a Kingu, seu maior satélite, o status privilegiado de possuir uma órbita própria
- tomando-se um pl aneta completo:
Ela estabeleceu uma Assembléia...
Deu à luz deuses-monstros;
No total trouxe à existência onze desse tipo.
Entre os deuses que formavam sua Assembléia
Ela elevou Kingu, o primogênito,
Tornou-o chefe entre os deuses;
Exaltou Kingu e em seu meio tornou-o grande...
Deu-lhe uma Tabela de Destinos,
Prendeu-a no peito dele, [dizendo:]
"Agora a ordem nunca mais será alterada,
O decreto será "imutável"!
Incapazes de enfrentar a "haste irada" de Tiamat, os deuses celestiais enxergaram a salvação vinda de
fora do Sistema Solar. Como foi o caso na criação de O Adão quando o impasse surgiu, assim foi nos
céus primitivos: foi EA ("Nudimmud, o "Criador Artista" em sumério) quem trouxe a criatura sal vadora.
Como o pl aneta mais distante, em face ao "Profundo" - espaço exterior -, ele atraiu um estranho, um
novo planeta. Passando na vizinhança do nosso Sistema Solar, como resul tado de uma catástrofe, um
acidente cósmico muito distante, o novo planeta foi o resul tado da Sorte, e não orbitava nosso Sol -ainda não possuía Destino:
Na Câmara da Sorte,
No Saguão dos Projetos,
Bel, muito sábio, o mais sábio dos deuses,
Foi engendrado;
No coração do Profundo, o deus foi criado.
É digno de nota o fato de que o planeta recém-chegado, um deus celestial, foi chamado de Bel , "o
Senhor", na versão babilônica; na versão assíria, a pal avra Bel foi substituída por "Ashur". A mais
comum hoje em dia, a babilônica, repete a última linha, e da segunda vez afirma: "No coração do puro
Profundo, Marduk foi criado". Sem dúvida, a adição da pal avra "puro" tenciona expl icar a origem do
nome MAR.DUK, "Filho do Lugar Puro". (Essa repetição é uma das pistas expondo a fal sificação.)
Além de Ea (Netuno), Anu (Urano) deu boas-vindas ao forasteiro. O impulso gravitacional, que
aumentava, fez com que o invasor criasse quatro l uas e que se desl ocasse mais para o centro do Sistema
Sol ar. À al tura de Anshar (Saturno), mais três l uas brotaram e o invasor foi apanhado inexoravelmente
pel a força gravitacional do Sol. Sua trajetória vol tou-se para o interior, começando a traçar um caminho
orbital ao redor do Sol. O invasor, em outras palavras, estava preparando um Destino para si mesmo!
Recebera o ' ' beijo' ' de Anshar /Saturno.
Os deuses, seus antepassados,
Determinaram então o destino de Bel;
Eles o colocaram na trajetória,
O caminho para o sucesso e a realização.
Com a trajetória determinada para ele, Bel descobriu que estava em curso de colisão com Tiamat.
Queria aceitar seu destino, mas com uma condição. Tornando-se Marduk (tanto no céu quanto na Terra),
el e disse a Anshar:
Senhor dos deuses,
Regente dos destinos dos grandes deuses:
Se realmente serei seu Vingador,
Para vencer Tiamat e salvar vossas vidas,
Convoque a Assembléia divina,
Proclame meu Destino supremo!
Os deuses aceitaram as condições de Marduk. "Para Marduk, o Vingador, decretaram um destino"; e
esse Destino, essa órbita "será inigualada". Agora, disseram, vá e mate Tiamat!
A Batalha Celestial que se seguiu é descrita no quarto vol ume do Enuma elish. Sem sombra de dúvida,
os dois estabel eceram suas rotas de colisão, Marduk e Tiamat lançando chamas e redes gravitacionais
um contra o outro, "tremendo de fúria". À medida que se aproximavam um do outro, Tiamat movendo-se em sentido anti-horário, como todos os outros, Marduk aproximando-se em sentido horário. Foi uma
das luas que se chocou com Tiamat primeiro; em seguida outra e uma terceira chocaram-se com Tiamat
- "rasgando-lhe as entranhas, partindo-o". Um "raio divino", uma enorme fagul ha el étrica saiu de
Marduk para a fissura, e o "sopro de vida de Tiamat extinguiu-se".
Marduk, intacto, passou, realizou uma órbita e voltou ao l ocal da batalha. Dessa vez ele mesmo atingiu
Tiamat, com conseqüências maiores. Atingiu metade del e, que transformou em poeira e pequenos
pedaços, que vieram a tornar-se o Grande Cinturão (o Cinturão de Asteróides); a outra metade, atingida
pel a l ua de Marduk que se chamava Vento Norte, foi atirada para um novo l ocal nos céus, tornando-se a
Terra em outra órbita. Seu nome sumério, Ki (de onde deriva o acadiano/hebraico "Gei" e o grego
"Gea"), significa "a dividida".
Enquanto as l uas de Tiamat se dispersaram - muitas mudando de direção para uma órbita em sentido
horário (retrógrada) - um destino especial foi determinado por Marduk para Kingu, a maior das l uas de
Tiamat:
Ele o apanhou da Tabela de Destinos,
Não era por direito de Kingu,
Selou-a com um selo,
E a atou ao próprio colo.
Então Marduk obteve permissão permanente e inal terável do Destino - um caminho orbital que, desde
então, vem trazendo o invasor para o l ocal da batal ha, onde Kingu outrora existira. Junto com Marduk, e
contando Kingu (nossa Lua), que agora possuía um Destino, o Sol e sua família alcançaram a contagem
de doze.
Sugerimos que foi essa contagem que determinou o número celestial como 12, e assim as 12
estações ("casas") do Zodíaco, 12 meses do ano, 12 horas duplas no ciclo dia-noite, 12 tribos de
Israel, 12 apóstolos de Jesus.
Os sumérios consideravam a habitação de Enlil (chamada de "centro de cultos" por muitos estudiosos) o
Umbigo da Terra, o l ocal onde l ocalizações-chave eram eqüidistantes, o epicentro de l ocais concêntricos
divinamente ordenados. Melhor conhecida por seu nome posterior acadiano/semita, Nippur, o nome
sumério era NIBRUKI - "O Local da Travessia", representando na Terra o Local Celestial da Travessia,
o local da Batal ha Cel estial ao qual Nibiru retorna a cada 3.600 anos.
Funcionando como Centro de Control e de Missão, Nippur era o l ocal dos DUR.AN.KI, a "Ligação Céu-Terra" da qual as operações espaciais dos anunnaki eram controladas, e onde eram mantidos e
cal cul ados todos os movimentos cel estiais dos membros do nosso Sistema Sol ar e o acompanhamento
do Tempo Divino, Tempo Cel estial e Tempo Terrestre, assim como a inter-rel ação entre el es.
Esse acompanhamento do que seriam tratados orbitais eram realizados com a ajuda das Tabelas de
Destinos. Podemos ter uma noção de seu funcionamento e da câmara sagrada onde eram murmurados e
recitados pel os iniciados; então a operação chegou a um final súbito, O texto sumério que descreve isso,
batizado pel os tradutores de O Mito de Zu, lida com o pl ano do deus Zu (o nome completo, conforme
descobertas posteriores revelaram, era AN.ZU, "O Conhecedor dos Céus") para usurpar a Ligação Céu-Terra, apossando-se e removendo as Tabel as de Destinos. Tudo cessou; "o brilho da l uz apagou-se; o
silêncio preval eceu"; nos céus, aquel es que manejavam os ônibus e as naves espaciais, "os igigi, no
espaço, ficaram confusos", (O épico termina com a dominação de Zu pel o fil ho de Enlil, Ninurta, e a
reinstalação das Tabel as de Destinos em Duranki, al ém da execução de Zu).
A diferença entre o Destino inalterável e a Sorte que pode ser mudada ou desviada era expressa em duas
partes num Hino a Enlil, que descrevia seus poderes como proclamador de Sortes e decretador de
Destinos:
Enlil:
Nos céus ele é o Príncipe,
Na Terra é o Chefe.
Sua ordem tem longo alcance,
Sua decisão é sublime e sagrada;
O pastor Enlil decreta as Sortes.
Enlil:
Seu comando nas alturas faz os céus tremerem,
Abaixo produz um terremoto.
Decreta os destinos no futuro distante,
Seus decretos são imutáveis.
É o Senhor que conhece o Destino da Terra.
Os sumérios acreditavam que os destinos eram de natureza celestial. Mesmo sendo de grande
autoridade, Enl il não pronunciava seus Destinos inalteráveis como fruto das próprias decisões ou pl anos.
A informação era conhecida por ele. Era o "senhor que conhecia o Destino da Terra", era um "Eleito de
Confiança", não um profeta humano, mas um profeta divino.
Isso era muito diferente das ocasiões nas quais, em consul ta com outros deuses, ele decretava Sortes.
Algumas vezes ele consultava seu vizir de confiança, Nusku:
Quando em sua inspiração, ele decreta as Sortes -Sua ordem, a palavra que está em seu coração -A seu nobre vizir, o camareiro Nusku,
A quem informa e consulta.
Não apenas Nusku, o camareiro de Enl il , mas também sua esposa, Ninl il , é representada nesse hino
como participante da decisão das Sortes:
Mãe Ninlil, a esposa sagrada,
Cujas palavras são graciosas...
A eloqüente cujo discurso é elegante,
Tomou assento a seu lado...
Ela fala a ti com eloqüência,
Sussurra palavras a seu lado,
Decreta as Sortes.
Os sumérios acreditavam que todas as Sortes eram determinadas, decretadas e al teradas na Terra; a
despeito das palavras de adoração ou consulta mínima, parece que a determinação das Sortes - incluindo
a do próprio Enlil - era conseguida por um processo mais democrático, mais de acordo com a
constituição monárquica. Os poderes de Enl il pareciam derivar não apenas de cima, de Anu e Nibiru,
mas também de baixo, da Assembl éia dos Deuses (uma espécie de Parl amento ou Congresso). As
decisões mais importantes - que decidiam as sortes - eram tomadas por um Conselho dos Grandes
Deuses, uma espécie de Gabinete Ministerial no qual as discussões al gumas vezes se tornavam debates e
metade das vezes se tornavam discussões acaloradas...
As referências ao Conselho e à Assembléia dos anunnaki eram numerosas. A criação de O Adão foi um
assunto de discussão; da mesma forma foi a decisão de varrer a Humanidade da Terra na época do
Dil úvio. A esse respeito, o texto afirma claramente que "Enlil abriu a boca para falar e dirigiu-se à
Assembl éia dos Deuses". A sugestão de aniquil ar a Humanidade encontrou oposição por parte de Enki,
que, tendo fal hado para mudar a opinião da Assembl éia, "ficou desgostoso com sua cadeira na
Assembl éia dos Deuses". Lemos mais tarde que, quando os deuses orbitavam a Terra em suas
espaçonaves, observando o turbilhão abaixo, Ishtar gemeu com o que viu e perguntou-se como podia ter
votado pela aniquil ação da Humanidade: "Como pude, na Assembl éia dos Deuses, eu mesma dar uma
má opinião?".
Depois do Dil úvio, quando os remanescentes da Humanidade começaram outra vez a encher a Terra, os
anunnaki resol veram civilizar a Humanidade e instituir a monarquia como forma de lidar com as
crescentes massas humanas.
Os grandes anunnaki que decretam as Sortes
Sentavam-se trocando opiniões a respeito da Terra.
Essa forma de determinar as Sortes não se l imitava aos negócios dos homens; também se apl icava aos
próprios deuses. Assim, quando Enl il , nos primórdios da chegada à Terra, gostou de uma jovem
anunnaki e tomou-a sexualmente, apesar das objeções del a, Enlil foi banido, primeiro pelos "cinqüenta
Deuses Maiores" reunidos em assembl éia, depois por "todos os sete deuses que decretavam a Sorte".
Tal foi a forma, segundo a versão babil ônica do Enuma elish, que o Destino de Marduk, ser supremo na
Terra (e no correspondente celeste), foi confirmado. Naquele texto, a Assembl éia dos Deuses é descrita
como uma reunião de Deuses Maiores, vindos de vários lugares (talvez não apenas da Terra, pois além
dos anunnaki, a delegação também incl uía os igigi). O número dos que se reuniram era cinqüenta - um
número que combinava com a representação numérica de Enl il . Nos textos acadianos, eles eram
designados como Ilani rabuti sha mushimu shimati - "Superiores / Grandes Deuses que determinam as
Sortes".
Ao narrar como tais Grandes Deuses se reuniram para proclamar a supremacia de Marduk, o Enuma
elish descreve um cenário de camaradagem, de amigos que não se viam havia muito tempo. Chegaram a
um Local Especial ; ' ' beijaram uns aos outros...Sentaram-se para banquetear-se; comeram pão
comemorativo e tomaram o vinho escol hido". Então o clima de camaradagem tornou-se sol ene enquanto
os "Sete Deuses do Destino" entraram no Saguão da Assembléia e sentaram-se para discutir o assunto a
ser tratado.
Por motivos inexplicados, Marduk foi testado em seus poderes magnéticos. Mostre-nos, pediram os
anunnaki reunidos, como você pode "ordenar destruição, assim como ordenar criação”!
Formaram um círculo e colocaram "no interior as imagens das constelações". O termo Lamashu sem
dúvida significa os símbolos / imagens do Zodíaco. "Abra sua boca, deixe que as imagens desapareçam.
Fal e outra vez e que as constel ações reapareçam!", disseram eles.
Concordando, Marduk realizou o mil agre:
Ele falou, e as constelações desapareceram;
Falou outra vez, e as imagens foram restauradas.
Quando os deuses, seus superiores,
Viram o poder de suas invocações,
Alegraram-se e proclamaram:
"Marduk é supremo!"
"El es l he conferiram o cetro, o trono e o manto real " - um manto resplandecente, como a ilustração
babilônica mostra. "Desse dia em diante, seu decreto não possui rival, sua ordem será como a de Anu...
Ninguém, entre os deuses, deverá transgredir suas fronteiras."
Enquanto o texto babilônico sugere que a supremacia de Marduk foi testada, confirmada e reconhecida
em uma só sessão, outros textos que se referem ao processo decisório sugerem que o estágio da
Assembl éia dos cinqüenta Grandes Deuses foi seguido por um estágio separado de uma reunião dos Sete
Grandes Deuses Que Jul gam; então veio o pronunciamento da decisão, da Sorte ou do Destino, que foi
feito por Enlil em acordo ou com aprovação de Anu. De fato, a necessidade desse procedimento de
estágio a estágio e o pronunciamento final de Enl il por parte de Anu foram reconhecidos até mesmo
pel os seguidores de Marduk. O rei babilônico Hamurabi, no preâmbul o de seu famoso código de l eis,
exal tou a supremacia de seu deus Marduk com estas pal avras:
Excelso Anu,
Senhor dos deuses que vieram do céu para a Terra,
E Enlil, Senhor do céu e da Terra,
Que determina os destinos da Terra,
Determinou para Marduk, o primogênito de Enki,
As funções de Enlil sobre toda a humanidade.
Tal transferência da autoridade de Enlil para Marduk, afirmavam os textos babilônicos, foi executada e
simbolizada pela oferta a Marduk dos cinqüenta nomes. O último e mais importante dos nomes de poder
ofertados a ele foi o de Nibiru - o próprio nome do planeta que os babil ônios rebatizaram de Marduk.
As assembléias de deuses eram al gumas vezes convocadas não para proclamar novas Sortes, mas para
confirmar o que fora determinado anteriormente nas Tabel as de Destinos.
Afirmações bíblicas refletem não apenas o costume real de anotar as coisas num pergaminho ou tábua, e
depois selando o documento como evidência preservada; o hábito era atribuído aos (e, sem dúvida,
aprendido dos) deuses. A culminação dessas referências é encontrada no Cântico de Moisés, seu
testamento e profecia antes de morrer. Exaltando o Todo-Poderoso Javé e sua capacidade de procl amar e
prever Destinos, Moisés cita o Senhor referindo-se ao futuro:
Veja e contemple:
É um segredo oculto comigo,
Guardado e selado no interior de meus tesouros.
Textos hititas, descobertos na biblioteca real da capital Hatusas, continham histórias de conflitos entre
os deuses que certamente serviram como fonte para os mitos gregos. Nesses textos, os nomes dos
Deuses Antigos são fornecidos da forma como eram conhecidos da época dos sumérios (tal como Anu,
Enlil e Enki); ou em hitita para os deuses conhecidos do panteão dos sumérios (tal como Teshub, "O
Soprador de Ventos", para Ishkur/ Adad); ou al gumas vezes para divindades cujas identidades
permanecem obscuras. Dois cantos épicos pertencentes a deuses chamados Kumarbis e Iluiankas. No
primeiro, Teshub determinou que as Tabelas da Sorte - “antigos tabletes contendo as palavras da Sorte"
- fossem recuperadas dos domínios de Enki no sudeste da África e trazidas para a Assembl éia dos
Deuses. No outro, depois do confl ito e da competição, os deuses se reuniram em assembléia para ter sua
ordem e os postos definidos - uma ordem e cargos representados graficamente nas paredes rochosas do
santuário sagrado agora conhecido como Yazilikaya.
Mas, sem dúvida, uma das mais importantes, l ongas, amargas e l iteralmente cruciais foi a Assembléia
dos Deuses para a aprovação do uso de armas nucl eares para vaporizar o espaçoporto na península do
Sinai. Usando a princípio os dados extensos e detalhados conhecidos como Erra Epos, reconstruímos os
eventos que se desenrolaram, identificamos os protagonistas e antagonistas, e apresentamos quase ao pé
da l etra (em As Guerras de Deuses e Homens) os procedimentos da Assembléia. Os resultados não
intencionais, como já foi mencionado, foram a destruição da Suméria e o final da vida em suas cidades.
A ocorrência também é um dos mais cl aros e trágicos exempl os de como a Sorte e o Destino podem
estar entrel açados.
O maior golpe para a Suméria foi a destruição de sua gl oriosa capital, Ur, centro e morada de seu amado
deus Nanar/Sin (o deus da Lua) e sua esposa, Ningal. Os textos de l amentações (Lamentações Sobre a
Destruição da Suméria e Ur, Lamentações sobre a Destruição de Ur) descrevem como, quando se
percebeu que o Vento Mau, portador da nuvem mortal , se dirigia para a Suméria, Nanar/Sin apressou-se
a pedir ajuda ao pai, Enl il , para que fosse real izado al gum mil agre divino a fim de afastar a calamidade
de Ur. Pois não era impensável que a orgulhosa Ur, uma cidade de renome, desaparecesse? Ele apelou a
Anu: "Decl are ser o suficiente! ". Pediu el e a Enlil: "Pronuncie uma Sorte favorável! ". Porém Enlil não
viu nenhuma forma de al terar o final inexorável .
Em desespero, Nanar/Sin insistiu que os deuses se reunissem em Assembléia. Enquanto os anunnaki
mais respeitáveis se acomodavam, Nanar/Sin chorou para Anu, suplicou a Enlil. "Não deixem minha
cidade ser destruída, eu disse a eles. Não deixem o povo morrer", recordou Nanar/Sin mais tarde.
Porém a resposta, vinda de Enlil, foi dura e decisiva:
Ur teve garantida a Realeza;
Não teve garantido o Eterno Reinar.
5
SOBRE MORTE E RESSURREIÇÃO
A lição da destruição da Suméria e de Ur foi que o acaso e a Sorte alterável não podem suplantar o
inalterável Destino. Mas, e quanto ao inverso: pode a Sorte, sem importar por quem seja decretada, ser
supl antada pelo Destino?
A questão certamente foi considerada na Antigüidade, pois de outra forma, qual seria o motivo para as
preces e súplicas que então se haviam iniciado, e dos incentivos por parte dos profetas para o reto agir e
o arrependimento? O bíbl ico Livro de Jó l evanta a questão sobre se a Sorte - ainda que ocorra até o
ponto de eliminar todas as esperanças - devia prevalecer, ainda que o reto agir e a piedade de Jó o
houvessem destinado a uma vida l onga?
É um tema cujas origens podem ser encontradas no poema sumério que os estudiosos chamaram de O
Homem e Seu Deus, cujo assunto é o sofrimento dos justos, uma vítima da sorte cruel e de infortúnios
não merecidos. "A Sorte me carregou nas mãos e levou o fôl ego de minha vida", l amenta-se o sofredor
anônimo; porém ele vê os Portões da Piedade se abrirem para ele, "agora que tu, meu deus, me
mostraste os pecados que cometi". A confissão e o arrependimento fizeram o deus del e "virar o
Demônio da Sorte", e o pecador arrependido vive uma vida longa e feliz.
Assim como a história de Gil gamesh demonstra que a Sorte não pode al terar seu Destino final (morrer
como mortal ), outras histórias apresentam a moral de que nem a Sorte pode trazer a morte, se assim não
for destinado. Um bom exemplo é o próprio Marduk, que de todos os deuses da Antigüidade estabeleceu
um recorde em sofrimento e reveses, de desaparecimentos e reaparecimentos, exílios e retornos, morte
aparente e ressurreição inesperada; tantos que, quando todos os eventos em relação a Marduk se
tornaram conhecidos depois da descoberta dos textos, os estudiosos debateram, na virada do sécul o
[1800-1900] se aquel a história seria um protótipo da de Cristo. (A idéia baseou-se na afinidade entre
Marduk e seu pai Enki por um lado e com seu filho Nabu por outro, criando a impressão de um
protótipo da Divina Trindade).
O impacto do sofrimento de Marduk e sua moral para a humanidade ficaram evidenciados por uma Peça
de Mistério na qual sua morte aparente e retorno dos mortos eram representados por atores. A Peça de
Mistério era representada na Babilônia como parte das cerimônias de Ano-Novo, e vários textos antigos
sugerem que ela também servia a propósitos mais escusos - apontar um dedo acusador nos inimigos e
julgar quem eram os responsáveis pel a sua sentença de morte e sepultamento. Como vários relatos
comprovam, a identidade dos responsáveis mudava de tempos em tempos, para se adaptar ao cenário
pol ítico-rel igioso.
Originalmente, uma das acusadas era Inana/Ishtar, e é irônico que el a mesma tenha genuinamente
morrido e ressuscitado, apesar de sua experiência jamais ter sido encenada (como a de Marduk) ou
lembrada no calendário (assim como a morte de seu amado Dumuzi, que deu o nome ao mês de Tamuz).
Tratava-se de uma dupl a ironia, pois devido à morte dele, Inana/Ishtar acabou morrendo.
Nem mesmo um Shakespeare poderia ter concebido a trágica ironia dos eventos que vieram depois do
sepultamento e da ressurreição de Marduk, como resultado dos protestos de Inana. Ao final, como as
coisas ocorreram, enquanto el e na realidade não morreu nem ressurgiu verdadeiramente, sua acusadora
Inana encontrou a morte real, e depois a verdadeira ressurreição. E enquanto a morte de Dumuzi foi a
causa oculta de ambas as ocorrências, a causa da morte e ressurreição de Inana foi sua própria decisão.
Porém Inana encontrou a morte por puro acaso, e não devido ao seu Destino; em virtude dessa
diferença, Inana pôde ressurgir. A narrativa desses assuntos de Vida, Morte e Ressurreição ocorre não
como na Epopéia de Gilgamesh, entre mortais ou semideuses, mas entre os próprios deuses. Em sua
história de Sorte versus Destino, existem pistas para a resolução de enigmas que exigem sol uções.
A história cheia de suspense sobre a morte e ressurreição de Inana/Ishtar revela, desde o início, que el a
encontrou a morte - morte verdadeira, não apenas sepul tamento - como resultado das próprias decisões.
Ela criou a própria Sorte; porém desde que a morte (pel o menos naquele instante) não era seu Destino -ao final el a foi revivida e ressurgiu.
A princípio, a história foi registrada em textos sumérios, com versões posteriores em acadiano. Os
estudiosos se referem à várias versões da Descida de Inana ao Mundo Inferior, embora alguns prefiram
o termo Mundo do Inferno, impl icando um domínio infernal dos mortos. Porém, na verdade, Inana
estabel eceu o próprio curso para o Mundo Inferior, que em termos geográficos se localizava ao sul da
África. Era o domínio de sua irmã Ereshkigal e de Nergal , seu esposo; este, como irmão de Dumuzi,
tinha a incumbência de fazer os arranjos para o funeral . Embora Inana estivesse avisada para não ir até
lá, ela resol veu fazer a viagem de qualquer jeito.
Comparecer aos ritos do funeral de seu amado Dumuzi foi o motivo que Inana deu para empreender a
jornada, porém fica evidente que ninguém acredita nela... De acordo com nossas deduções, segundo um
costume (que mais tarde orientou as l eis bíblicas), Inana pretendia exigir que Nergal , como irmão mais
vel ho de Dumuzi, dormisse com ela para que um filho nascesse como se fosse de Dumuzi (que morrera
sem filhos). E que essa intenção enfureceu Ereshkigal.
Outros textos descrevem os sete objetos que Inana separou para seu uso durante as viagens no Barco do
Céu - um capacete, "brincos" e um ' ' bastão de medir" entre eles -, todos presos firmemente por correias.
Algumas escul turas também a representam equipada dessa forma. À medida que ela alcançava os
portões dos domínios de sua irmã - sete deles -, cada guarda retirava suas proteções, uma por uma.
Quando ela finalmente penetrou na sal a do trono para ver a irmã, Ereshkigal teve um ataque de raiva.
Houve uma discussão. Segundo um texto sumério, Ereshkigal ordenou que Inana se sujeitasse aos
"Olhos da Morte" - al gum tipo de raio l etal -, que transformou o corpo de Inana em cadáver; esse
cadáver foi pendurado numa estaca. Segundo a versão acadiana, Ereshkigal ordenou que sua camareira
Namtar "apl icasse em Ishtar os sessenta sofrimentos" - a praga dos olhos, do coração, da cabeça, dos
pés, "de todas as partes dela, contra seu corpo inteiro” - terminando por matar Ishtar.
Antecipando algum problema, Inana/Ishtar havia instruído o próprio camareiro, Ninshubur, para
reclamar caso el a não retornasse em três dias. Quando de fato el a não deu notícias depois desse tempo,
Ninshubur foi até a presença de Enlil a fim de suplicar para que Inana fosse salva da morte, porém Enlil
não pôde ajudar. Ninshubur apelou para Nanar, o pai de Inana, mas el e também não pôde fazer nada.
Então Ninshubur apelou para Enki, que foi capaz de ajudar: fabricou dois seres artificiais que não
podiam ser danificados pel os Olhos da Morte e os enviou em missão de sal vamento. Para um andróide,
el e deu o Al imento da Vida; para outro, a Água da Vida, e dessa forma equipados el es desceram até os
domínios de Ereshkigal a fim de reclamar o corpo sem vida de Inana. Então:
Por sobre o cadáver, pendurado numa estaca,
Eles dirigiram o Pulsador e o Emissor.
Por sobre a pele que fora ferida, aspergiram
Sessenta vezes o Alimento da Vida,
E sessenta vezes a Água da Vida;
E Inana ergueu-se.
O uso de radiação - um Pulsador e um Emissor - para reviver um morto foi representado num cilindro
no qual vemos um paciente cujo rosto se encontra coberto por uma máscara, sendo tratado com
radiação. O paciente que está sendo revivido (se é homem ou deus não fica cl aro), deitado numa laje, foi
cercado por Homens-peixe - representantes de Enki. É uma pista que devemos combinar com os
detalhes da história, pois nem Enlil nem Nanar puderam ajudar. Os andróides que Enki fabricou para
retirar Inana dos mortos, entretanto, não eram os Homens-peixe/médicos/sacerdotes que aparecem na
descrição acima. Sem pedir água nem comida, sem sexo e sem sangue, el es devem ter parecido mais
com a representação de andróides mensageiros divinos. Como andróides, eles não podiam ser afetados
pel os raios mortais de Ereshkigal .
Tendo ressuscitado Inana/Ishtar, el es a acompanharam em seu regresso ao Mundo Superior.
Aguardando-a estava seu fiel camareiro Ninshubur. Ela teve muitas pal avras de gratidão para ele.
Depois foi até Eridu, onde habitava Enki, "aquele que a trouxe de volta à vida".
Se A Descida de Inana ao Mundo Inferior tivesse sido transformada numa peça teatral, assim como a
história de Marduk, certamente teria mantido os espectadores eletrizados em seus assentos. Enquanto a
"morte" de Marduk foi na verdade apenas um sepul tamento em virtude de uma sentença de morte, e sua
"ressurreição" na verdade foi um salvamento antes do ponto em que el e morreria, a morte de
Inana/Ishtar foi verdadeira, assim como sua ressurreição. Porém se os espectadores estivessem
familiarizados com as nuances da terminologia suméria, teriam percebido desde a metade da história
que tudo daria certo... Pois aquele a quem Ereshkigal ordenou que matasse Inana foi seu camareiro
Namtar - não NAM, o Destino imutável , mas NAM.TAR, a Sorte, que podia ser al terada.
Foi Namtar quem matou Ishtar, "l iberando contra ela os sessenta sofrimentos", e também quem, depois
da ressurreição, levou-a através dos sete portões, devol vendo a el a em cada um a peça especial que al i
fora retirada, assim como os adornos e atributos de poder.
A imagem do reino de Namtar como o Mundo Inferior, um l ugar dos mortos, mas ao mesmo tempo um
local do qual se podia escapar e retornar ao convívio dos vivos, formou a base para um texto assírio que
relatou a experiência de quase-morte de um príncipe chamado Kuma.
Como num episódio do seriado de tel evisão Além da Imaginação, o príncipe repentinamente se vê
chegando ao Mundo Inferior. Logo enxerga um homem à frente de Namtar: "Em sua mão esquerda el e
segura os cabelos na cabeça, e com a direita empunha uma espada". Namtaru, a concubina de Namtar,
estava por perto. Animais monstruosos os cercavam: um dragão-serpente com pés e mãos humanos, um
animal com cabeça de leão e quatro mãos humanas. Havia Mukil (O que Bate), parecendo um pássaro
com mãos e pés humanos, e Nedu (O que Derruba), possuindo a cabeça de l eão, mãos de homem e pés
de pássaro. Outros monstros tinham membros de humanos, carneiros, pássaros e leões misturados.
Continuando, o príncipe aproximou-se de uma cena de julgamento. O homem sendo julgado possuía o
corpo negro como azeviche e usava um manto vermel ho. Numa das mãos levava um arco; em outra,
uma espada, e com o pé esquerdo pisava numa cobra. Porém seu juiz não era Namtar, este sendo apenas
o "vizir do Mundo Inferior"; o juiz era Nergal, senhor do Mundo Inferior. O príncipe o vê "sentado num
trono magnífico, usando uma coroa divina". Dos braços partem raios, e o "Mundo Inferior se enche de
terror".
Tremendo, o príncipe se curva. Quando se l evanta, Nergal grita para el e: "Por que ofendeu minha amada
esposa, Rainha do Mundo Inferior?! ".
O príncipe ficou embasbacado e sem fal a. Seria seu fim?
Mas não, não seria o fim. Revela-se o mal-entendido: tratava-se de um caso de identidades trocadas. A
própria rainha ordenou sua l ibertação e que el e voltasse para o reino de Shamash, o Mundo Superior da
luz solar. Porém Nergal interveio; a vida do príncipe poderia ser poupada, mas ele não poderia voltar
incólume. Era preciso sofrer com a experiência quase mortal , afligir-se com dores e insônia... Precisava
sofrer com pesadelos.
A vol ta de Dumuzi do Mundo Inferior foi muito diferente. Revivida e l iberta para voltar ao Mundo
Superior, Inana não esqueceu seu amado morto. Sob suas ordens, os dois mensageiros apanharam o
corpo sem vida de Dumuzi. Levaram o corpo para Bad-Tibira, no Edin; lá, foi embal samado a pedido de
Inana:
Quanto a Dumuzi, o amante de minha juventude:
Lave-o em água pura,
Unte-o com óleo doce,
Vista-o com uma túnica vermelha
E deite-o numa mesa de lápis-lazúli.
Inana ordenou que o corpo preservado fosse colocado sobre uma mesa de l ápis-l azúl i e mantido num
santuário especial . Deveria ser preservado, afirmou ela, assim num dia, o dia do Juízo Final , Dumuzi
poderia retornar dos mortos e "vir até mim". Seria no dia quando:
Os mortos se levantassem
E sentissem o aroma do doce incenso.
É bom reparar que essa é a primeira versão de uma crença no Juízo Final , quando os mortos se
levantarão. Era tal essa crença que originou a lamentação anual pel o Tamuz (o nome semita para
Dumuzi), que continuou por milênios até a época do profeta Ezequiel.
A morte e a mumificação de Dumuzi, embora brevemente rel atadas aqui, fornecem pistas importantes.
Quando ele e Inana/Ishtar se apaixonaram - el e um enkita, el a uma enl il ita - no meio dos confl itos entre
os dois cl ãs divinos, a união recebeu a bênção dos parentes de Inana, Nanar/Sin e sua esposa
Ningal /Nikal. Em um dos textos na série das canções de amor de Dumuzi e Inana, aparece Ningal
"falando com autoridade" e dizendo a Dumuzi:
Dumuzi, o desejado e amor de Inana:
Darei a você vida em dias distantes;
Eu a preservarei para você,
Vigiarei sua Casa da Vida.
Mas, na verdade, Ningal não possuía essa autoridade, pois todos os assuntos sobre Destino e Sorte
estavam nas mãos de Anu e Enlil. Como todos ficamos sabendo mais tarde, uma morte trágica e
definitiva caiu sobre Dumuzi.
A falha de uma promessa divina em assunto de vida e morte não é o único aspecto perturbador no
trágico destino de Dumuzi. Levanta a questão da imortalidade dos deuses; temos explicado em nossos
textos que se tratava apenas de uma longevidade relativa, um período de vida resul tante do fato de que
um ano em Nibiru equival ia a 3.600 anos terrestres. Mas para aqueles que na Antiguidade consideravam
os anunnaki deuses, a história da morte de Dumuzi veio como um choque. Seria porque realmente
esperava que ele retornasse à vida no dia do Juízo Final que Inana ordenou seu embal samamento e
acomodação numa mesa de pedra, em vez de enterrá-l o, ou para preservar a ilusão da imortal idade para
o povo? Sim, o deus podia ter morrido, parecia dizer Inana, mas se tratava de uma coisa transitória,
passageira, já que na época devida el e ressurgiria, se ergueria e sentiria o perfume de doces incensos.
As histórias cananéias a respeito de Baal , "o Senhor", pareciam divul gar a posição de que era preciso
distinguir entre os bons e os maus. Procurando afirmar sua supremacia e estabelecer o pico de Zafon (o
Local Secreto do Norte), Baal lutou até a morte contra seus irmãos-adversários. Contudo numa feroz
batalha com o "divino Mot" ("Morte"), Baal perece.
Anat, a irmã-amante de Baal , e a irmã Shepesh levam a notícia para o pai de Baal , El: "O Poderoso Baal
está morto; o Príncipe, Senhor da Terra, pereceu! ", disseram el as ao pai chocado. Nos campos da terra
de Dabr "encontramos Baal caído no chão". Ao ouvir as novas, El sai de seu trono e senta-se num
tamborete, como era um costume de luto naquel a época e até agora (entre os judeus). "Passou a cinza da
lamentação na cabeça, colocou uma túnica de aniagem”. Com uma faca de pedra cortou a si mesmo;
"ergue a voz e l amenta-se: Baal está morto”!
Anat, enlutada, retorna ao campo onde Baal havia caído e, como El , coloca uma túnica de aniagem,
corta-se e depois chora "tudo o que havia para chorar". Em seguida, chama sua irmã Shepesh para
ajudá-l a a carregar o corpo sem vida até a fortaleza de Zafon, para enterrar o deus morto:
Atendendo, Shepesh, a donzela dos deuses, apanha o Poderoso Baal,
Coloca-o nos ombros de Anat.
Para a fortaleza de Zafon ela o carrega, lamenta-o e o enterra;
Deposita-o numa cova,
Para ficar com os fantasmas da terra.
Para compl etar os requisitos do l uto, Anat retorna à habitação de El . Amargamente diz aos que al i estão
reunidos: agora podem alegrar-se, pois Baal está morto, e seu trono está vago! A deusa El ath e os de seu
cl ã, ignorando a ironia de Anat, al egremente começam a discutir a sucessão. Quando um dos fil hos de El
é recomendado, El nega, afirmando que era fraco. Mais um candidato recebe a permissão de ir para
Zafon experimentar o trono de Baal : porém os pés não alcançam o solo ao sentar-se, e el e também é
el iminado. Ao que parecia, ninguém poderia substituir Baal.
Aquil o dá uma esperança a Anat: a ressurreição. Mais uma vez sol icitando a ajuda de Shepesh, el a
penetra na morada de Mot. Usando subterfúgios, "se aproxima del e como uma ovelha de seu carneiro...
Agarra o divino Mot e com uma espada ela o trucida". Depois queima o corpo sem vida de Mot,
pul veriza o que restou e espalha as cinzas pel os campos.
E o assassinato de Mot, que matou Baal , realiza um milagre: Baal retorna à vida!
Verdadeiramente o Poderoso Baal morre;
Verdadeiramente o Senhor da Terra perece.
Porém veja e contemple:
Vivo está o Poderoso Baal!
Existe o príncipe, o Senhor da Terra!
Ao receber a notícia, El se pergunta se é tudo um sonho, "uma visão". Porém é verdade! Retirando a
túnica de aniagem e deixando os costumes do luto, El se al egra:
Agora vou sentar e descansar,
E meu coração ficará tranqüilo;
Pois vivo está o Poderoso Baal,
Existe o príncipe, o Senhor da Terra.
A despeito da evidente incerteza de El, se a ressurreição é um sonho ou uma visão ilusória, o contador
de histórias cananeu assegura ao povo que no final até mesmo El aceita o mil agre. A certeza ecoa na
história de Keret, que é apenas um semideus; ainda assim, seus filhos, vendo-o apanhado pela morte,
não acreditam que "um fil ho de El deva morrer".
Tal vez à l uz da não-aceitação da morte de um deus é que a noção de ressurreição tenha vindo à tona. Se
a própria Inana acreditava ou não que seu bem-amado devesse ressurgir dos mortos, a preservação
el aborada do corpo de Dumuzi e as pal avras que o acompanharam também ajudaram a preservar, entre
as massas humanas, a imortalidade dos deuses.
O procedimento que el a pessoalmente del ineou para a preservação, a fim de que no dia do Juízo Final
Dumuzi pudesse erguer-se e juntar-se a ela, sem dúvida é o procedimento conhecido como
mumificação. Isso pode ser um choque para os egiptólogos, que sustentam ter a mumificação surgido no
Egito na Terceira Dinastia, por volta de 2800 a.C. Lá, o procedimento consistia em lavar o corpo do
faraó, esfregá-l o com óleos e enrolá-lo num tecido - preservando o corpo de forma que o faraó pudesse
empreender sua jornada para o Após-Vida.
Porém aqui temos um texto sumério que descreve a mumificação sécul os antes!
Os detal hes dos procedimentos eram idênticos, passo a passo, aos que foram praticados mais tarde no
Egito, até mesmo a cor do pano envolvente.
Inana ordenou que o corpo preservado fosse colocado sobre uma laje de l ápis-l azúl i e guardado num
santuário especial . Batizou o santuário de E.MASH - "Casa/Templo da Serpente". Talvez se tratasse de
um gesto simbólico para colocar o fil ho morto de Enki nas mãos do pai, pois Enki não era apenas
Nachash – a Serpente, assim como o Conhecedor de Segredos - da Bíblia. Também no Egito, seu
símbolo era a serpente, e o hieróglifo com seu nome, PTAH, representava a hél ice dupl a do DNA, pois
essa era a chave para todos os processos de vida e morte.
Através de veneração na Suméria e na Acádia como o amado de Inana, e pranteado na Mesopotâmia e
al ém como o Tamuz de Ishtar, Dumuzi era um deus africano. Sendo assim, talvez fosse inevitável que
sua morte e embal samamento fossem comparados pelos estudiosos à história trágica do grande deus
egípcio Osíris.
A história de Osíris é semel hante à história bíbl ica de Caim e Abel, na qual a rivalidade terminou em
fratricídio. Começa com dois casais divinos, dois meios-irmãos (Osíris e Seth) casados com duas irmãs
(Ísis e Néftis). Para evitar recriminações, o reino do Nilo foi dividido entre os dois irmãos: o Baixo Egito
(a parte norte) foi designado para Osíris e o Al to Egito (a parte sul), para Seth. Porém as complexas
regras divinas de sucessão davam preferência ao Legítimo Herdeiro em detrimento ao Primogênito, e
inflamaram a rivalidade até um ponto em que Seth, usando um pretexto, encurralou Osíris no interior de
um baú, que foi trancado e atirado ao mar Mediterrâneo; Osíris afogou-se.
Ísis, a esposa de Osíris, descobriu o baú, que veio à terra firme no local que hoje conhecemos por
Líbano. Ela apanhou o corpo do marido e l evou Osíris de volta ao Egito, procurando a ajuda do deus Tot
para real izar a ressurreição do marido. Porém Seth descobriu o que estava acontecendo, tomou posse do
corpo e o partiu em catorze pedaços, que espal hou pelo Egito.
Sem se dar por vencida, Ísis procurou os pedaços e encontrou a todos, exceto (segundo a lenda) o fal o
de Osíris. Reuniu outra vez os pedaços, costurando-os num tecido púrpura, e assim dando origem à
técnica da mumificação no Egito. Todas as representações de Osíris, dos tempos faraônicos, o mostram
firmemente enrolado nesse manto.
Como Inana fizera antes dela na Suméria e na Acádia, Ísis mumificou seu marido falecido, fazendo
nascer no Egito a idéia da ressurreição de um deus. Enquanto no caso de Inana havia uma negação
pessoal da perda, assim como uma afirmação da imortal idade dos deuses, no Egito o ato se tornou um
pilar para a crença faraônica de que o rei humano também poderia passar pel a transfiguração, e,
emulando Osíris, obter a imortal idade no pós-vida, com os deuses. Nas palavras de E. A. Wal lis Budge,
no prefácio de sua obra-prima Osiris & The Egyptian Resurrection (“Osíris e a Ressurreição Egípcia"),
“A figura central da antiga religião egípcia era Osíris, e a parte fundamental de seu culto, a crença em
sua divindade, morte, ressurreição e absoluto control e sobre os destinos e corpos dos homens". Os
principais santuários de Osíris em Abidos e Denderah representavam os passos na ressurreição do deus.
Wal lis Budge e outros estudiosos acreditavam que essas representações eram retiradas de uma peça de
Paixão ou Mistérios, que era encenada todos os anos nesses lugares - um ritual religioso que, na
Mesopotâmia, atribuía-se a Marduk.
Os Textos das Pirâmides e outras citações funerárias do Livro dos Mortos relatam como o faraó morto,
embal samado e mumificado, era preparado para deixar sua tumba (considerada apenas um local
temporário de descanso), através de uma porta fal sa pel a face l este, e começar a jornada para a Vida
depois da Morte. Presumivelmente, era uma jornada simul ando a viagem da ressurreição de Osíris para
seu trono celestial na Habitação Eterna; era uma viagem que fazia o faraó voar em direção ao céu como
um falcão divino, iniciando por passar através de uma série de aposentos e corredores subterrâneos
repletos de visões e seres miracul osos. Em A Escada para o Céu, anal isamos a geografia e topografia
dos textos antigos e concluímos que seria uma simulação de uma viagem para o sil o subterrâneo da
penínsul a do Sinai - não muito diferente da atual tumba de Hui, um governador faraônico da penínsul a
do Sinai.
A ressurreição de Osíris foi combinada com outro feito miraculoso, o do nascimento de seu filho Hórus,
bem depois que o próprio Osíris morreu e foi desmembrado. Em ambos os eventos, que os egípcios
consideram mágicos com razão, um deus chamado Tot (sempre representado na arte egípcia como tendo
cabeça de íbis) representou o papel decisivo. Foi ele quem ajudou Ísis a juntar o desmembrado Osíris,
depois a instruiu sobre como retirar a "essência" de Osíris do corpo desmembrado e morto, e em seguida
emprenhá-l a artificialmente. Assim fazendo, el a ficou grávida e deu à luz um fil ho, Hórus.
Mesmo aqueles que acreditam que a história seja apenas uma l embrança de acontecimentos verdadeiros,
e não apenas um "mito", presumem que o que Ísis fez foi extrair do corpo morto de Osíris o sêmen, sua
"essência". Porém isso seria impossível, já que a única parte que Ísis não conseguiu encontrar e
reconstituir foi o órgão masculino. O feito mágico de Tot foi além da inseminação artificial, agora
bastante comum. O que el e precisava fazer seria obter para el a a "essência" genética de Osíris. Os textos
e as representações vindas até nós do Egito Antigo confirmam que Tot, na verdade, possuía a "sabedoria
secreta" necessária para tais eventos.
As capacidades biomédicas - mágicas aos ol hos humanos de Tot eram exigidas mais uma vez pel os
cuidados com Hórus. Para proteger o rapaz do impiedoso Seth, Ísis manteve secreto o nascimento de
Hórus, escondendo-o numa área pantanosa. Sem estar consciente da existência de um fil ho de Osíris,
Seth – assim como Enki tentara obter um filho de sua meia-irmã Ninmah - tentou forçar Ísis, sua meia-irmã, a ter rel ações com el e a fim de que pudesse ter um fil ho com ela, que seria herdeiro inconteste.
Atraindo Ísis para sua casa, ele a manteve cativa por al gum tempo; porém Ísis conseguiu escapar e
vol tar ao pântano onde Hórus estava escondido. Para seu desgosto, o encontrou morto pela picada de um
escorpião. Não perdeu tempo em pedir a ajuda de Tot:
Então Ísis gritou para os céus
E dirigiu seu apelo ao
Barco de Um Milhão de Anos...
E Tot desceu;
Ele era provido de poderes mágicos,
E possuía o grande poder que transformava
A palavra em realidade...
E disse a Ísis:
Eu vim nesse dia com o Barco do Disco
Celestial do lugar onde estava ontem.
Quando a noite vier,
Essa Luz (raio de) vai afastar (o veneno)
Para a cura de Hórus...
Eu vim dos céus para salvar a criança
Por sua mãe.
Assim revivido e ressuscitado dos mortos (talvez imunizado para sempre) pelos poderes mágicos de Tot,
Hórus cresceu para se tomar Netch-Atef, o "Vingador" de seu pai.
Os poderes biomédicos de Tot em questão de vida ou morte também foram gravados numa série de
textos egípcios antigos, conhecidos como Histórias dos Mágicos. Em um deles (Papiro do Cairo 30646),
há uma longa história de dois descendentes reais que se apossam do Livro dos Segredos de Tot. Como
castigo, Tot os enterrou numa câmara subterrânea, em estado de animação suspensa - mumificados
como mortos, mas capazes de ouvir, ver e fal ar. Em outra história, escrita nos Papiros Westcar, um fil ho
do faraó Khufu (Quéops) contou a seu pai sobre um velho "versado nos mistérios de Tot", que, entre
outras coisas, possuía a habil idade de restaurar a vida aos mortos. Desejando ver essa maravil ha, o faraó
ordenou que a cabeça de um prisioneiro fosse cortada, desafiando o sábio a recolocar a cabeça e
devol ver o homem à vida. O sábio recusou-se a real izar a "magia de Tot" num ser humano; então a
cabeça de um ganso foi cortada. O sábio "pronunciou certas palavras de poder" contidas no Livro de
Tot. Em seguida admiraram-se todos, pois a cabeça voltou a unir-se ao corpo do ganso, que se levantou,
cambal eou um pouco... E vol tou a grasnar... Vivo como antes.
Que Tot realmente possuía a habilidade de ressuscitar uma pessoa morta que tivesse sido decapitada, e
devol ver a vida à vítima era sabido no Egito Antigo por causa de um incidente que acontecera quando
Hórus pegara em armas contra seu tio Seth. Depois das batalhas que enfrentaram em terra e no ar, Hórus
finalmente capturou seu oponente Seth e seus l ugar-tenentes. Levado perante Rá para julgamento, este
col ocou o destino dos julgados nas mãos de Hórus e Ísis. Hórus começou a decapitar seus prisioneiros,
cortando-lhes a cabeça; quando chegou a vez de Seth, Ísis não pôde ver aquilo feito a seu irmão e
intercedeu para que Hórus não executasse Seth. Enraivecido, Hórus vol tou-se para sua própria mãe e
decapitou-a! Ela sobreviveu apenas porque Tot apressou-se para chegar ao local e recolocou-lhe a
cabeça no l ugar e a ressuscitou.
Para apreciar a habilidade de Tot em conseguir essas maravilhas, vamos lembrar que já identificamos
esse fil ho de Ptah como Ningishzida (filho de Enki no fol clore sumério), cujo nome significa "Senhor da
Árvore/ Artefato da Vida". El e era o guardião dos Segredos Divinos das ciências exatas, entre os quais
estavam os segredos da genética e da biomedicina que haviam servido a Enki, seu pai, na época da
Criação do Homem. Textos sumérios, na verdade, atestam que em determinada época Marduk queixou-se a seu pai Enki que não aprendera todos os segredos del e.
"Meu fil ho, o que você não sabe? O que mais eu poderia dar a você?", perguntou Enki. A sabedoria
ocul ta, respondeu Marduk, o segredo da ressurreição dos mortos; aquel a sabedoria que fora passada ao
irmão de Marduk, Ningishzida/Tot, mas não a Marduk/Rá.
Essa sabedoria secreta, cujos poderes foram para Tot/Ningishzida, encontrou expressão na arte
mesopotâmica e na adoração ao ser representada ao l ado do símbolo das duas serpentes entrelaçadas -símbolo que já identificamos como representação da hélice dupla de DNA e que sobreviveu até os
tempos atuais como emblema de medicina e cura.
Havia, sem dúvida, uma conexão entre tudo isso e a fabricação, por Moisés, de uma serpente de bronze
para combater uma pestil ência que ceifou incontáveis israelitas durante o Êxodo. Criado na corte do
faraó e treinado por magos egípcios, Moisés, a mando do Senhor, "fabricou uma serpente de bronze e a
col ocou sobre um Poste Milagroso". E quando aquel es atingidos pela peste olhavam para a serpente de
bronze, permaneciam vivos (Números 21:8-10).
Tal vez seja mais do que uma coincidência que uma das maiores autoridades mundiais em mineração de
cobre e metalurgia antiga, o prof. Benno Rothenberg (Midianite Timna e outras publicações), descobriu
na península do Sinai um santuário remontando ao período midianita - época em que Moisés, tendo
escapado da vastidão do Sinai para salvar a vida, lidou com os midianitas e chegou a casar com a fil ha
do sumo sacerdote midianita. Na área onde as minerações mais antigas de cobre aconteceram, o prof.
Rothenberg encontrou, nos restos de um santuário, uma pequena serpente de cobre; era o único objeto
votivo lá. (O santuário foi reconstruído para exibição no pavilhão Nechustan do Eretz Israel Museum,
em Tel -Aviv, onde a serpente de cobre pode ser vista.)
O rel ato bíbl ico e os objetos recuperados na penínsul a do Sinai possuem uma relação direta da
representação de Enki como Nachash. O termo não tem apenas os dois significados que já mencionamos
("Serpente" e "Aquel e que Conhece Segredos"), mas também um terceiro - "Ele do Cobre", pois a
pal avra hebraica para cobre, nechoshet, deriva da mesma raiz. Um dos epítetos de Enki em sumério,
BUZUR, também possui dupl o significado: "Aquele que conhece/resolve segredos" e "El e das minas de
cobre".
Essas várias ligações podem oferecer uma explicação da escolha, de outra forma intrigante, por Inana de
um l ugar de descanso para Dumuzi: Bad-Tibira. Em nenhum ponto dos textos relevantes existe qualquer
indicação ou conexão entre Dumuzi (e também Inana) e a Cidade dos Deuses. A única conexão possível
é o fato de que Bad-Tibira estabeleceu-se como o centro metal úrgico dos anunnaki. Será que Inana,
então, col ocou Dumuzi embalsamado perto não apenas de onde havia ouro, mas de onde o cobre era
refinado?
Outra pequena informação possivelmente rel evante se relaciona com a construção do Tabernácul o e da
Tenda da Al iança no deserto durante o Êxodo, de acordo com todos os detalhes e as instruções expl ícitas
dadas a Moisés por Javé: onde e como o ouro e a prata seriam usados, que tipos de madeira e em que
tamanho, que tipo de tecido ou pel es, como seriam costurados, como seriam decorados. Um grande
cuidado nos detal hes é também tomado nas instruções em relação aos ritos que seriam realizados pel os
sacerdotes (apenas Aarão e seus filhos nessa época): os objetos sagrados que usariam, a combinação
expl ícita de ingredientes que formariam o incenso único cuja fumaça os protegeria da radiação mortal da
Arca da Al iança. E ainda mais uma exigência: a feitura de uma pia na qual deveriam lavar as mãos e os
pés "para que não morressem quando entrassem em contato com a Arca da Al iança". E a pia, conforme
está especificado em Êxodo 30: 17, devia ser feita de cobre.
Todos esses fatos dispersos, mas aparentemente conexos em detalhes, sugerem que o cobre de alguma
maneira desempenhou um papel importante na biogenética humana - um papel que a ciência moderna
está apenas começando a descobrir (um exemplo recente é um estudo, publicado no periódico Science
de 8 de março de 1996, sobre a perturbação do metabolismo do cobre no cérebro, associado com o mal
de Alzheimer.
Tal papel não é parte da primeira tarefa genética de Enki e Ninmah para produzir O Adão, mas parece
ter entrado no genoma humano com certeza quando Enki, como Nachash, resol veu envolver-se na
segunda manipulação, na ocasião em que a Humanidade foi dotada da capacidade de procriar.
Em outras palavras, o cobre era aparentemente um componente do nosso Destino, e uma análise dos
textos sumérios por parte de peritos e estudiosos pode nos conduzir a progressos médicos capazes de
afetar nossas vidas no dia-a-dia.
Em rel ação aos deuses, pelo menos Inana acreditava que o cobre podia ajudar na ressurreição de seu
amado.
6
A CONEXÃO CÓSMICA: DNA
Mesmo antes da televisão, os dramas sobre tribunais atraíram muitos, e os tribunais fizeram história.
Caminhamos bastante desde as regras bíbl icas "por duas testemunhas será dado o veredicto". De
testemunhos ocul ares, as provas na corte passaram a ser documentais, forenses e - o que parece ser a
sensação do momento, para evidências de DNA.
Tendo descoberto que toda a vida é determinada pel os minúscul os pedaços do ácido nucl éico, que
transmite a hereditariedade e a individual idade em cadeias chamadas cromossomos, a ciência moderna
adquiriu a capacidade de ler essas letras entrel açadas de DNA para distinguir a individualidade das
"palavras" formadas. Usar leituras de DNA para provar inocência ou culpa tornou-se o ponto al to dos
dramas no tribunal.
Um feito sem paral el o da sofisticação de nosso século? Não, um feito da sofisticação do 100º. Século no
passado - um drama de tribunal remontando a 10000 a.C.
O caso ao qual nos referimos ocorreu no Egito, numa época em que os deuses, e não os homens,
reinavam sobre a Terra; não se referia a homens, mas aos próprios deuses. Era rel ativo aos adversários
Seth e Hórus, possuindo suas raízes na rival idade entre os meios-irmãos Seth e Osíris. Seth, conforme
lembramos, recorreu à desonestidade para l ivrar-se de Osíris e assumir seus domínios. Da primeira vez
el e l evou Osíris a entrar num baú, que se apressou a selar e atirar nas águas do Mediterrâneo; contudo
Ísis encontrou o baú e, com a ajuda de Tot, reviveu Osíris. Na outra oportunidade, Seth cortou Osíris em
catorze pedaços, e Ísis os reuniu pelo Egito, juntou-os e mumificou Osíris para iniciar a l enda do Reino
Após-Vida. Entretanto faltou o órgão sexual do deus, que ela não conseguiu encontrar, já que Seth
livrara-se dele para que o deus não tivesse herdeiro.
Determinada a dar à luz um fil ho que pudesse vingar a morte do pai, Ísis apelou para Tot, o Guardião
dos Segredos Divinos, pedindo que a ajudasse. Ao extrair a "essência" de Osíris das partes disponíveis
do deus, Tot ajudou Ísis a emprenhar-se e ter um filho, Hórus.
A "essência" (não a semente), agora sabemos, era o que hoje em dia chamamos de DNA - os ácidos
nucl éicos que formam as cadeias de cromossomos, cadeias essas dispostas em forma de dupl a hélice. No
ato da concepção, quando o espermatozóide do macho penetra o óvulo da fêmea, a cadeia entrelaçada
separa-se, e uma das metades do macho combina-se com uma da fêmea para formar a nova cadeia dupl a
do fil ho. Dessa forma, não apenas é essencial que se juntem as cadeias de hélices dupl as, mas também
que se consiga uma separação - um desenrol ar - das hélices duplas, e depois que se recombinem
utilizando uma parte de cada doador para o novo DNA.
As representações pictóricas do Egito Antigo indicam que Tot - o filho de Ptah/Enki - era conhecedor
desses processos genético-biológicos, e os empregava em seus feitos genéticos. Em Abidos, um afresco
no qual o faraó Seti I faz o papel de Osíris mostra Tot dando a Vida (a cruz Ankh) ao deus morto,
enquanto obtém para el e as duas correntes distintas de DNA. Numa representação do Livro dos Mortos,
que trata do subseqüente nascimento de Hórus, vemos como as duas Deusas do Nascimento que
auxiliam Tot seguram um cetro de DNA cada uma, tendo a cadeia dupla de DNA sido separada de
forma que apenas uma del as se recombina com a de Ísis (mostrada segurando Hórus recém-nascido).
Ísis criou o rapaz em segredo. Quando o fil ho atingiu idade suficiente, el a decidiu que era tempo de
reclamar a herança do pai. Assim, um dia, para surpresa de Seth, Hórus apareceu perante o Consel ho
dos Grandes Deuses e anunciou ser filho e herdeiro de Osíris. Foi uma afirmação inacreditável , porém
não se poderia ignorá-la. Seria aquele jovem realmente fil ho de Osíris morto?
Conforme gravado no texto chamado de Papiro Chester Beauty No. 1, o aparecimento de Hórus
surpreendeu os deuses da Assembléia, e naturalmente Seth mais do que os outros. Assim que o consel ho
começou a deliberar sobre a afirmação, Seth apresentou uma proposta concil iatória: que cessassem as
del iberações, de forma que el e tivesse chance de conhecer Hórus e tal vez chegar a uma sol ução
amigável. Convidou-o, "Vamos, passe um dia agradável em minha casa", e Hórus concordou. Mas Seth,
que já conseguira enganar Osíris para matá-lo, tinha mais traições em mente:
Quando a noite chegou,
A cama estava posta para eles,
E os dois ali deitaram.
Durante a noite
Seth deixou seu membro rígido,
E o colocou entre as coxas de Hórus.
Quando a del iberação seguinte recomeçou, Seth deu uma notícia surpreendente. Fosse ou não Hórus
filho de Osíris, argumentou ele, não importava mais. Agora a semente del e, Seth, estava em Hórus, e
aquilo o tornava sucessor de Seth em vez de al guém disputando o poder atual!
Em seguida, Hórus fez um anúncio ainda mais surpreendente. Não sou eu quem está desqual ificado para
o poder, e sim Seth, afirmou ele. Continuou rel atando que não estava verdadeiramente adormecido
quando Seth derramou seu sêmen. Não entrou em meu corpo, explicou ele, porque "eu o apanhei entre
minhas mãos". Pela manhã ele levou o sêmen para mostrar à sua mãe, Ísis, e tiveram uma idéia. El a fez
com que o membro de Hórus ficasse rígido e ejacul ou o sêmen numa xícara. Depois espalhou-o num pé
de alface na horta de Seth, já que era um dos pratos preferidos deste pela manhã. Sem saber, o anfitrião
acabou ingerindo o sêmen de Hórus. Portanto, concl uiu Hórus, é minha semente que está em Seth, e
agora ele pode me suceder, porém não me preceder no trono divino...
Embasbacado, o Conselho dos Deuses entregou o assunto para Tot resol ver. Usando seus poderes de
sabedoria genética, el e verificou o sêmen que Ísis l evara num pote, e descobriu que de fato pertencia a
Seth. Examinou Hórus e verificou que não havia nele qual quer traço do DNA de Seth. Depois examinou
Seth, e descobriu que ele ingerira o DNA de Hórus.
Agindo como um perito forense num tribunal moderno, porém evidentemente armado de habil idades
técnicas que ainda iremos descobrir, ele submeteu a análise aos deuses do Consel ho. Votaram
unanimemente para que o domínio do Egito fosse entregue a Hórus.
(A recusa de Seth em permitir o domínio levou ao que chamamos de a Primeira Guerra das Pirâmides,
na qual Hórus alistou, pel a primeira vez, humanos numa guerra entre deuses. Detalhamos tais eventos
em As Guerras de Deuses e Homens).
Recentes descobertas em genética esclareceram um antigo, persistente e aparentemente estranho
costume dos deuses, e ao mesmo tempo enfatizam sua sofisticação biogenética.
A importância da esposa-irmã nas regras de sucessão dos deuses da Mesopotâmia e do Egito, evidente
por tudo o que aprendemos até aqui, ecoou também nos mitos gregos relativos a seus deuses. Os gregos
chamaram ao primeiro casal divino que surgiu do Caos, de Gaia ("Terra") e Urano ("Céu"). Del es
nasceram doze Titãs, seis machos e seis fêmeas. Os casamentos cruzados e os vários descendentes
estabel eceram o clima para as l utas pela supremacia. Depois dos primeiros embates, destacou-se o mais
jovem dos Titãs, Cronos, cuja esposa era sua irmã, Rea; seus filhos foram Hades, Posêidon e Zeus, e as
três fil has foram Héstia, Deméter e Hera. Embora Zeus l utasse para obter a supremacia, precisou
partilhar o poder com seus irmãos. Os três dividiram os domínios entre el es - algumas versões dizem
que foi feito um desenho para isso, muito parecido com o de Anu, Enlil e Enki. Zeus era o senhor do céu
(ainda que residindo na Terra, no monte Olimpo), Hades ficou com o Mundo Inferior; e Posêidon com
os mares.
Os três irmãos e as três irmãs, todos fil hos de Cronos e Rea, constituíram a primeira metade do Círcul o
Olímpico de doze. A segunda veio quando Zeus l igou-se a uma série de outras deusas. De uma delas,
Leto, teve seu primogênito, o grande deus grego e romano Apolo. Quando foi a época, entretanto, para
obter um herdeiro homem de acordo com as regras de sucessão dos deuses, Zeus procurou as irmãs.
Héstia, a mais velha, era idosa demais e estava sempre doente, portanto não se prestava para o
casamento e a procriação. Zeus então buscou sua irmã do meio, Deméter, porém, em vez de um filho,
el a l he deu uma filha, Perséfone. Isso abriu caminho para que Zeus casasse com Hera, a irmã mais nova;
dessa vez sim, ele teve um fil ho, Áries, e duas fil has (Ilítia e Hebe). Quando os gregos e romanos, que
haviam perdido o conhecimento dos pl anetas além de Saturno, deram nomes aos planetas conhecidos,
assinal aram um del es, Marte, para Áries, que, embora não fosse o primogênito, era o mais importante.
Tudo isso reforça a importância da esposa-irmã nos anais dos deuses. Em matéria de sucessão, a questão
se apresenta repetidamente: quem será o sucessor do trono - o primogênito ou o mais importante, desde
que esse úl timo tenha nascido de uma meia-irmã e o outro, não? Essa questão parece ter se introduzido
em nossa corrente de eventos na Terra desde que Enl il juntou-se a Enki neste planeta, e a rivalidade
continuou com os filhos (Ninurta e Marduk, respectivamente). Nas histórias do panteão egípcio, um
conflito por motivos semelhantes ocorreu entre os descendentes de Rá, Seth e Osíris.
A rivalidade, que de tempos em tempos terminava em guerra de verdade (Hórus, ao final , acabou
enfrentando Seth em combate singul ar, nos céus da penínsul a do Sinai), por todas as narrativas não se
iniciou na Terra. Havia confl itos simil ares pela sucessão em Nibiru, e Anu não chegou a reinar sem lutas
e batalhas.
Como o costume de que uma viúva sem fil hos poderia pedir que o irmão do marido a "conhecesse"
como marido substituto para dar-l he um filho, assim também as regras de sucessão dos anunnaki davam
prioridade a um filho nascido de uma meia-irmã, o que influenciou os costumes de Abraão e seus
descendentes. Nesse caso, o primeiro fil ho foi Ismael , nascido de Agar, criada de Sara. Porém quando
numa idade incrivelmente tardia, depois de intervenção divina, Sara deu à l uz Isaac, este passou a ser o
herdeiro l egítimo. Por quê? Porque Sara era meia-irmã de Abraão. "El a é minha irmã, a fil ha de meu
pai, mas não de minha mãe", explicou Abraão (Gênesis 20: 12).
O casamento com uma meia-irmã tinha precedência entre os faraós do Egito, como forma de l egitimar o
reino e a sucessão. Esse costume também era encontrado entre os incas, no Peru, de tal forma que a
ocorrência de cal amidades durante o reinado era atribuída ao fato de o rei não ter casado com uma
mulher que fosse sua meia-irmã. O costume dos incas teve suas raízes nas Lendas do Início dos povos
andinos, em que o deus Viracocha criou quatro irmãos e quatro irmãs que casaram entre si e foram
guiados a várias terras. Um desses casais de meios-irmãos recebeu um cajado de ouro com o qual
pudesse encontrar o Umbigo da Terra na América do Sul , e fundou Cuzco (a antiga capital inca). Por
esse motivo os reis incas - desde que tivessem nascido de uma sucessão de casais de irmãos - podiam
al egar l inhagem direta com o deus Viracocha, o Criador.
(Viracocha, de acordo com as antigas lendas dos Andes, foi um grande deus do Céu que veio à Terra na
Antiguidade e escolheu as montanhas dos Andes como sua arena. Em Os Reinos Perdidos, nós o
identificamos como o deus mesopotâmico Adad = o deus hitita Teshub, e apontamos várias outras
semel hanças, além dos costumes de casamentos fraternos, entre a civil ização inca e as do Oriente
Médio.)
A persistência do casamento irmão-irmã e a importância, aparentemente fora de proporção dada a esse
fato na Antigüidade, tanto entre mortais quanto entre os deuses, são um assunto intrigante. O costume
parece ser mais do que uma atitude l ocal izada, como "vamos manter o trono em família", e do lado pior
lembra uma proximidade perigosa da degradação genética. Por que, então, as coisas que os anunnaki
realizavam para conseguir um filho (como exemplo podemos l embrar os sacrifícios que Enki fez para
ter um fil ho com Ninmah) com tal tipo de união? O que havia de tão especial nos genes de uma meia-irmã - a filha, vamos manter em mente, da mãe, mas, definitivamente, não do pai?
Enquanto procuramos a resposta, vai ajudar reparar em outros costumes bíblicos que afetam a questão
materna/paterna. É hábito referir-se à época de Abraão, Isaac, Jacó e José como a Era dos Patriarcas, e
quando perguntamos, a maior parte das pessoas responde que a história narrada no Velho Testamento
tem sido apresentada de um ponto de vista orientado pel a visão mascul ina. O fato é que as mães, e não
os pais, control avam o ato que, na visão dos antigos, conferia o status de "ser" - o nome da criança. Na
verdade, não apenas uma pessoa, mas também um l ugar, uma cidade, uma terra inteira não chegavam à
existência real antes de receber um nome.
Essa noção, na verdade, remonta à origem do tempo, pois a abertura da Epopéia da Criação, desejando
imprimir no ouvinte que a história começa antes que o Sistema Sol ar estivesse completo, decl ara que a
história de Tiamat e os outros planetas se inicia
Enuma el ish l a nabu shamamu
Quando nas alturas o céu ainda não recebera um nome
Shapil tu ammatum shuma la zakrat
E abaixo, a terra firme (Terra) ainda não fora chamada
E num assunto importante como dar nome a um filho, ou eram os próprios deuses ou a mãe que
possuíam esse privilégio. Dessa forma descobrimos que quando os elohim criaram o Homo sapiens,
foram el es quem deram nome ao novo ser" Adão" (Gênesis 5: 2). Porém quando o homem adquiriu a
capacidade de procriar por si, foi Eva, e não Adão, quem teve o direito e o privil égio de dar o nome de
Caim ao seu primeiro filho homem (Gênesis 4:1), assim como Seth, que substituiu Abel , assassinado
(Gênesis 4: 25).
No início da "Era dos Patriarcas", descobrimos que o privil égio de dar nome aos dois fil hos de Abraão
foi assumido por seres divinos. Seu primeiro fil ho, com Agar, a criada da esposa, foi chamado de Ismael
por um anjo de Javé (Gênesis 16: 11); e o herdeiro legítimo, Isaac (Itzhak, "O que causa riso"), recebeu
esse nome de um dos três seres divinos que visitaram Abraão antes da destruição de Sodoma e Gomorra
(porque quando Sara escutou Deus lhe dizer que teria um fil ho, el a riu; Gênesis 17: 19; 18: 12). Nenhuma
expl icação é dada na Bíbl ia em relação aos dois filhos de Isaac com Rebeca: Esaú e Jacó (simplesmente
se afirma que se chamavam assim). Por outro l ado, afirma-se claramente que foi Lia quem deu nome aos
filhos de Jacó com ela e com sua criada, assim como Raquel (Gênesis, capítulos 29 e 30). Sécul os mais
tarde, depois que os israel itas haviam se estabelecido em Canaã, foi a mãe de Sansão quem lhe deu
nome Juízes 13:24); da mesma forma ocorreu com a mãe do Homem de Deus, Samuel (Samuel I, 1:20).
Os textos sumérios não fornecem esse tipo de informação. Não sabemos, por exempl o, quem deu nome
a Gilgamesh – sua mãe, a deusa, ou seu pai, o sumo sacerdote. Porém a história de Gil gamesh fornece
uma pista importante para a sol ução desse enigma: a importância da mãe para determinar a posição
hierárquica do filho.
A busca da longevidade dos deuses, como lembramos, o l evou em primeiro lugar até as Montanhas de
Cedro; porém ele e seu companheiro Enkidu não conseguiram passar pel o guardião robótico e pel o
Touro do Céu. Gilgamesh então viajou até o espaçoporto na península do Sinai. O acesso era guardado
pel os espantosos homens-foguete, que apontaram para el e" o temido holofote que varria as montanhas"
cujo "olhar era morte"; mas Gil gamesh não foi afetado; foi então que um dos homens-foguete gritou
para seu companheiro:
Ele que vem,
Da carne dos deuses
É feito seu corpo!
Permitida sua aproximação, Gil gamesh confirmou a concl usão do guarda: de fato, ele era imune aos
raios mortais porque seu corpo era feito de "carne dos deuses". Explicou que el e era não apenas um
semideus – era "dois terços divino", porque não seu pai, mas sua mãe era divina, uma das mulheres
anunnaki.
Aqui acreditamos estar a chave do enigma das regras de sucessão e outras ênfases na mãe. Foi por
meio dela que uma "dose de qualificação" extra passava para o herói ou o herdeiro (fosse
anunnaki ou um patriarca).
Aquil o não parecia fazer sentido mesmo depois da descoberta, em 1953, da estrutura de hélice dupla do
DNA e da compreensão sobre como as duas metades se separavam, de forma que apenas uma del as
viesse do pai e a outra, da mãe, tornando o filho uma combinação meio a meio entre a herança paterna e
materna. De fato, essa descoberta confirmava a expl icação dos semideuses, mas desafiava a afirmação
de Gilgamesh sobre ser dois terços divino.
Apenas nos anos 80 tais afirmações começaram a fazer sentido. Veio com a descoberta de que, al ém do
DNA guardado nas cél ulas tanto de homens quanto de mul heres das hélices duplas contidas nos
cromossomos, formando o núcl eo celul ar, havia outro tipo de DNA que flutuava na célul a, fora do
núcl eo. Recebeu a denominação de DNA mitocondrial (mtDNA) e descobriu-se que era transmitido
apenas pela mãe no estado em que se encontrava, ou seja, sem se partir nem recombinar com o do pai.
Em outras palavras, se a mãe de Gil gamesh era uma deusa, então ele também herdara tanto o DNA
regular dela quanto o mitocondrial , tornando-se assim dois terços divino.
Foi a descoberta dessa existência e a transmissão do DNA mitocondrial que permitiram aos cientistas, a
partir de 1986, traçar uma retrospectiva desde os humanos modernos até uma "Eva" que viveu na África
há 250.000 anos.
No início, os cientistas acreditavam que a única função do DNA mitocondrial era servir como "usina de
força" para a célula, produzindo a energia necessária para a miríade de reações químicas e biológicas.
Porém descobriu-se que esse DNA era feito de mitocôndrias contendo 37 genes em círcul o fechado,
como uma pulseira; tal "pul seira genética" continha cerca de 16.000 pares de bases do alfabeto genético
(por comparação, cada um dos cromossomos do núcl eo celular, herdados metade de cada parte do casal,
contém por vol ta de 100.000 genes e agrega mais de 3 bil hões de pares de bases).
Levou mais uma década para se compreender que probl emas na formação ou no funcionamento do
DNA mitocondrial podem causar doenças debilitantes no corpo humano, especialmente no sistema
nervoso, coração, muscul atura, ossos e rins. Nos anos 90, os pesquisadores descobriram que defeitos
("mutações") no mtDNA também alteram a produção de treze proteínas importantes, resultando em
várias doenças graves. Uma lista publ icada em 1997 no Scientific American começa com o mal de
Alzheimer e continua com uma variedade de al terações na visão, audição, sistema muscul ar, medul a
óssea, coração, rins e cérebro.
Essas doenças genéticas se juntam a uma lista maior de disfunções e moléstias que defeitos no DNA
nucl ear podem causar. À medida que os cientistas decifram e compreendem o genoma humano - o
código genético completo - (uma façanha que só recentemente foi conseguida para uma bactéria
simpl es), o funcionamento de cada gene (e o outro lado da moeda, o problema causado pel a ausência
del e) está se tornando conhecido pouco a pouco. Pel o fato de não produzir uma determinada proteína, ou
enzima, ou outro composto, o gene regul ando esse aspecto pode produzir câncer de mama, obstruir a
formação de ossos, causar surdez, perda de visão, problemas no coração, ganho ou perda excessiva de
peso, e assim por diante.
O interessante a esse respeito é que encontramos uma lista de defeitos genéticos à medida que lemos os
textos sumérios sobre a criação do Trabal hador Primitivo por Enki, com o auxílio de Ninmah. A
experiência de combinar as l inhagens de DNA dos hominídeos com as dos anunnaki, para criar um novo
ser híbrido, era um processo de tentativa e erro, e os seres produzidos inicialmente muitas vezes não
possuíam alguns órgãos ou membros - ou os tinham em excesso. O sacerdote babil ônico Beroso, que no
III sécul o a.C. compil ou para os gregos a história e a sabedoria dos sumérios primitivos, descreve os
resultados fal hos dos criadores do homem, afirmando que al guns dos seres "tentativa-e-erro" possuíam
duas cabeças num só corpo. Tais "monstros" de fato foram desenhados pelos sumérios, assim como
outra anomalia - um ser com apenas uma cabeça, mas dois rostos, chamado Usmu. Foi especificamente
mencionado nos textos um ser que não conseguia segurar sua urina, e uma variedade de outros
funcionamentos deficientes, incl uindo visão e olhos defeituosos, mãos que tremem, problemas de fígado
e coração e doenças da idade. Um texto chamado Enki e Ninmah: A Criação da Humanidade, al ém de
listar outras disfunções (mãos rígidas, pés paralisados, sêmen gotejante), também mostrava Enki como
um deus caridoso, que, em vez de destruir tais seres deformados, encontrava uma vida útil para eles.
Assim, quando um homem saía com a vista defeituosa, por exempl o, Enki lhe ensinava uma arte na qual
a visão não fosse essencial - a arte de cantar e tocar a lira, por exempl o.
O texto afirma que, para todos, Enki decretava essa ou aquela Sina. Depois, então, desafiou Ninmah a
experimentar ela mesma a engenharia genética. Os resultados se mostraram terríveis: os seres que el a
criou possuíam a boca em l ugar errado, cabeça alterada, olhos inchados, pescoço com dores, costel as
sem firmeza, pulmões defeituosos, coração com probl emas, incapacidade de os intestinos funcionarem,
mãos curtas demais para alcançar a boca, e assim por diante. Mas à medida que as tentativas e erros
prosseguiam, Ninmah conseguiu corrigir os vários defeitos. Na verdade, ela atingiu um ponto no qual
ficou tão conhecedora dos genomas de anunnakis e humanos que se vangloriava de poder fazer o novo
ser tão perfeito ou imperfeito quanto desejasse:
Quão bom ou ruim é o corpo de um homem?
Conforme meu coração aconselha,
eu posso fazer sua sorte boa ou ruim.
Também nós atingimos agora um estágio em que podemos inserir ou trocar um determinado gene, cujo
papel descobrimos, e tentar prevenir ou curar um doença ou limitação. Na verdade, uma nova indústria,
a biotecnologia, surgiu, com um potencial aparentemente il imitado na medicina (e no mercado de
ações). Chegamos a praticar o que chamamos de engenharia genética a transferência de genes entre
espécies diferentes, uma tarefa realizada porque toda a vida deste pl aneta, desde a bactéria mais simpl es
até o ser mais compl exo (homem), todos os organismos que rastejam, voam, nadam e crescem, são fruto
do mesmo material genético - os mesmos ácidos nucléicos que formam a "semente" trazida ao nosso
Sistema Solar por Nibiru.
Nossos genes são, na verdade, nossa ligação cósmica.
Os avanços na genética se realizam em duas linhas paralel as, porém relacionadas. Uma é a investigação
do genoma humano, a fabricação total de um ser humano; isso envolve um código que, embora escrito
com apenas quatro l etras (A-G-C-T, as iniciais dos nomes dados aos quatro ácidos nucléicos que
formam todo o DNA), é feito de inúmeras combinações dessas l etras, que formam "palavras" que se
combinam em "sentenças" e "parágrafos", para compl etar por fim o "livro da vida". A outra rota de
pesquisa é determinar a função de cada gene; uma tarefa ainda mais desafiadora, facil itada pel o fato de
que o mesmo gene ("palavra genética") pode ser encontrado numa criatura simpl es (como uma bactéria
primitiva ou um rato de laboratório) e essa função pode ser experimentalmente determinada, e é
virtualmente verdadeiro que o mesmo gene em seres humanos teria as mesmas funções (ou uma
ausência das mesmas funções). A descoberta dos genes relativos à obesidade, por exemplo, foi
conseguida dessa forma.
O objetivo principal dessa busca pel a causa, e, assim, a cura, se desdobra em duas partes: encontrar os
genes que control am a fisiol ogia do corpo e aquel es que controlam as funções neurol ógicas do cérebro.
Encontrar os genes que control am o processo do envel hecimento, o rel ógio cel ular interno - os genes da
longevidade - e os que control am a memória, o raciocínio, a intel igência. Experiências com ratos de
laboratório por um lado e com gêmeos humanos de outro, al ém de muitos tipos entre esses dois, indicam
a existência de genes e grupos de genes que fazem os dois. Quão tediosa e enganadora pode ser essa
pesquisa é ilustrado pel a conclusão da busca de um "gene da inteligência" comparando gêmeos; os
pesquisadores concl uíram que devem existir pel o menos 10.000 "locais genéticos" ou "pal avras
genéticas" responsáveis pel a intel igência e pel as doenças cognitivas, cada um desempenhando um
pequeno papel por si.
Em vista de tamanha complexidade, seria de desejar que os cientistas modernos se aproveitassem
de um mapa fornecido pelos - sim! - pelos sumérios. Os admiráveis avanços em astronomia
continuam corroborando a cosmogonia dos sumérios e os dados científicos fornecidos na Epopéia da
Criação: a existência de outros sistemas sol ares, órbitas altamente elípticas, retrógradas, catastrofismo,
água nos planetas exteriores... Além de explicações tais como por que Urano orbita "deitado", a origem
do Cinturão de Asteróides e da Lua, a cavidade da Terra de um lado, enquanto os continentes estão do
outro. Tudo isso é explicado pela sofisticada narrativa científica da Batalha Cel estial .
Então, por que não l evar a sério, como um mapa cientificamente acurado, a outra parte da narrativa da
criação dos sumérios - a da criação de O Adão?
Os textos sumérios nos informam em primeiro lugar que a "semente da vida"- o alfabeto genético - foi
transmitida para a Terra por Nibiru durante a Batalha Cel estial , há cerca de 4 bilhões de anos. Se o
processo evol ucionário em Nibiru começou há mero um por cento desse tempo antes que eles viessem
para a Terra, ainda assim a evolução l á teve início 40 mil hões de anos antes de iniciar na Terra. Dessa
forma, é perfeitamente plausível que esses avançados super-humanos, os anunnaki, fossem capazes de
realizar viagens espaciais há meio mil hão de anos. Também é plausível que, quando tivessem vindo
aqui, encontrassem na Terra seres de inteligência paral ela, ainda no estágio hominídeo.
Porém, vinda da mesma "semente", a manipulação transgênica era possível, como Enki descobriu e
sugeriu: "O ser que procuramos já existe! Só precisamos col ocar nossa marca [genética] nele".
É preciso presumir que a essa altura os anunnaki estivessem conscientes do genoma compl eto dos
habitantes de Nibiru, e fossem capazes de determinar o mesmo no genoma dos hominídeos. Que
características exatamente teriam Enki e Ninmah escol hido transferir dos anunnaki para os hominídeos?
Tanto os textos sumérios quanto os versículos bíbl icos indicam que os primeiros humanos possuíam um
pouco da longevidade anunnaki (mas não toda), o casal criador deixou deliberadamente de col ocar em O
Adão o gene da imortal idade (como a enorme longevidade dos anunnaki, que combinava com o período
orbital de Nibiru). Por outro l ado, que defeitos permaneceram escondidos nas profundezas do genoma
recombinado de O Adão?
Acreditamos com sinceridade que, se cientistas qualificados estudassem em detalhes os dados
ocultos nos textos sumérios, poderiam obter valiosas informações biogenéticas e médicas. Um caso
impressionante é o da deficiência chamada de Síndrome de Will iams, cuja freqüência é de quase um
caso para 20.000 nascimentos, sendo que suas vítimas possuem um QI muito baixo, beirando o de
retardados mentais; ao mesmo tempo, porém, excel em em algum campo artístico. Uma pesquisa recente
descobriu que esses "idiotas sábios", como às vezes são descritos, são assim devido a uma falha no
cromossomo 7, privando a pessoa de cerca de quinze genes. Um dos efeitos mais comuns é a
incapacidade de que o cérebro reconheça o que os olhos enxergam - diminuição de visão -,
acompanhada com grande freqüência por um incrível talento musical. Esse é exatamente o caso gravado
no texto sumério do homem com visão comprometida a quem Enki ensinou a cantar e a tocar música.
Como O Adão, a princípio, não podia procriar (exigindo que os anunnaki participassem com a
cl onagem), concluímos que, nesse estágio, o híbrido possuía apenas os 22 cromossomos básicos. Os
tipos de doenças, deficiências (e curas) que a moderna biomedicina espera encontrar nesses
cromossomos são os tipos listados nos textos de Enki e Ninmah.
A manipulação seguinte (ecoa na Bíbl ia na história de Adão e Eva no Jardim do Éden) foi a garantia da
capacidade de procriar - a adição do cromossomo X (feminino) e do cromossomo Y (masculino) aos 22
básicos. Ao contrário das crenças antigas de que esses dois cromossomos não possuem outras funções
que não determinar o sexo, pesquisas recentes revelaram que el es desempenham funções mais ampl as e
diversas. Por algum motivo isso surpreendeu os cientistas, em particul ar no que se referia ao
cromossomo Y (masculino). Estudos publ icados no final de 1997 sob o títul o de "Coerência Funcional
do Cromossomo Y Humano" receberam grandes manchetes na imprensa, tais como "Cromossomo
Mascul ino Não É Desperdício Genético, Afinal" (New York Times, 28 de outubro de 1997). (Tais
descobertas tiveram como bônus inesperado a concl usão de que Adão e Eva vieram do sudeste da
África).
Onde foi que Enki - o Nachash - obteve os cromossomos X e Y? E qual a fonte de DNA mitocondrial ?
Existem nos textos sumérios, sugestões no sentido de que Ninki, a esposa de Enki, desempenhou um
papel importante no estágio final da criação humana. Seria ela, decidiu Enki, quem daria o toque final,
mais uma herança genética:
A Sorte do recém-nascido
tu pronunciarás;
Ninki iria ali fixar
a imagem dos deuses.
As palavras ecoam a afirmação bíbl ica "à Sua imagem e semelhança Elohim criou Adão". Na realidade,
foi a esposa de Enki, Ninki, mãe de Marduk, a fonte do DNA mitocondrial de "Eva". A importância
dada à l inhagem irmã-esposa começa a fazer sentido; constituía-se em mais um elo para as origens do
homem cósmico.
Os textos sumérios afirmam que os deuses conservaram a "Vida Eterna" para si mesmos, e deram ao
homem "Sabedoria", uma série extra de genes da inteligência. Acreditamos ser essa contribuição
genética adicional o assunto que os estudiosos chamam de A Lenda de Adapa.
Claramente identificado no texto como "Fil ho de Eridu", o "centro de cultura" de Ea/Enki, em Edin, foi
também chamado de "filho de Ea" - um resul tado, assim como sugerem outros trechos de dados, do
próprio Ea/Enki, por uma mulher que não era sua esposa. Pela natureza de sua linhagem, assim como
por ação deliberada, Adapa foi l embrado por muitas gerações como o mais sábio dos homens e foi
apel idado de o Sábio de Eridu:
Naqueles dias, naqueles anos,
Ea criou o Sábio de Eridu
como modelo para os homens.
Aperfeiçoou uma vasta compreensão para ele,
revelando os segredos da Terra.
A ele foi dada Sabedoria;
Vida Eterna não recebeu.
Esse embate entre Sorte e Destino nos l eva ao momento quando o Homo sapiens sapiens surgiu; Adapa,
também sendo filho de deuses, pediu imortal idade. Como recordamos da época de Gilgamesh, ela podia
ser obtida subindo para os céus na direção das habitações dos anunnaki; foi o que Ea/Enki disse a
Adapa. Sem se dar por vencido, Adapa pediu e recebeu o "mapa" para chegar ao l ocal. "Ele fez com que
Adapa partisse para o céu, e para lá ele ascendeu”. Enki forneceu as instruções corretas sobre como se
aproximar do trono de Anu; porém explicações erradas sobre como comportar-se quando l he
oferecessem o Pão da Vida e a Água da Vida. Se você os aceitar e partil har, disse Enki, certamente
morrerá! Assim, enganado pel o próprio pai, Adapa recusou a comida e as águas dos deuses e terminou
sujeito ao destino mortal .
Porém Adapa aceitou uma roupa que lhe foi trazida e envol veu-se nela. Também aceitou o ól eo que l he
deram, ungindo-se com el e. Portanto Anu declarou que Adapa seria iniciado na sabedoria secreta dos
deuses. Mostrou a el e o espaço celeste, "do horizonte ao zênite do céu". Seria permitido que retornasse
são e salvo a Eridu, e lá fosse iniciado pela deusa Ninkarrak nos segredos das "doenças que estavam
destinadas à humanidade, as doenças que recaíam sobre os corpos dos mortais", e aprenderia a curar tais
males.
Seria rel evante aqui recordar as afirmações bíbl icas por parte de Javé aos israel itas no sopé do monte
Sinai. Vagando sem água por três dias, atingiram um ponto onde as águas não eram potáveis. Deus
apontou para Moisés uma determinada árvore e mandou que a jogasse nas águas, que se tornaram
potáveis. E Javé disse aos israelitas: "Se obedecerdes às minhas ordens, não imporei sobre vocês as
doenças do Egito. Eu, Javé, serei vosso curador" (Êxodo 15: 26). A promessa de Javé de agir como
curador do povo escolhido é repetida em Êxodo 23:25, em que é feita uma referência específica a uma
mulher que não podia ter filhos. (Essa promessa em particular foi mantida em relação a Sara e a outras
heroínas das narrativas bíbl icas).
Como estamos lidando com uma entidade divina, é seguro presumir que estamos lidando aqui também
com cura genética. O incidente com os nefilim, que às vésperas do Dil úvio descobriram que as "fil has
de O Adão" eram compatíveis o suficiente para que tivessem filhos juntos, também envol via genética.
Teria sido tal conhecimento de genética, para propósitos de cura, revel ado a Adapa ou a outros iniciados
ou semideuses? Se assim foi - como? Como poderia o complexo código genético ser ensinado aos
habitantes da Terra naquela época "primitiva"?
Para obter a resposta, acreditamos, temos de procurar entre letras e números.
7
SABEDORIA SECRETA, TEXTOS SAGRADOS
A ciência - a compreensão do funcionamento dos céus e da Terra - era posse dos deuses; assim as
pessoas acreditavam, sem sombra de dúvida. Era um segredo dos deuses a ser escondido da
Humanidade, ou revelado, de tempos em tempos e apenas parcialmente a indivíduos sel ecionados -iniciados nos segredos divinos.
"Tudo o que sabemos nos foi ensinado pelos deuses", afirmavam os sumérios em seus escritos; nisso
estão os fundamentos, ao l ongo dos mil ênios e em nossos próprios tempos, da Ciência e Rel igião, do
revelado e do oculto.
Em primeiro lugar havia a Sabedoria Secreta; o que foi revel ado quando a Humanidade recebeu o
Entendimento tornou-se Sabedoria Sagrada, o al icerce das civilizações e avanço humanos. Quanto aos
segredos que os deuses guardaram, no final provaram ser os mais devastadores para a espécie humana. É
preciso também considerar a busca infindável pelo que está ocul to, al gumas vezes sob a bandeira do
misticismo, que não deriva do desejo de conseguir o divino, e sim de um medo da Sorte que os deuses -em seus concl aves secretos ou códigos ocultos - reservaram para a Humanidade.
Uma parte dessa sabedoria foi ou pôde ser revel ada aos homens quando a Sabedoria e o Entendimento
foram recuperados pelo desafio de Deus a Jó em relação ao que el e não sabia (mas Deus sabia). "Diz se
tiver ciência", disse o Senhor a Jó, que sofria:
Quem mediu a Terra,
que se saiba?
Quem esticou uma corda sobre ela?
Em que plataforma foi erguida?
Quem lançou a pedra fundamental?
De onde veio a Sabedoria?
Qual o lugar da Inteligência?
Escondida está aos olhos
de todos os seres viventes.
Deus entende os caminhos,
Ele mesmo conhece o lugar.
Porque vê as extremidades do mundo,
vê tudo debaixo do céu.
Com tais pal avras, o Senhor da Bíblia desafia Jó (no capítulo 28) para que pare de questionar sobre sua
Sorte ou sobre o propósito principal; pois o conhecimento do homem - Sabedoria e Entendimento - fica
tão l onge do divino que não serve a nenhum propósito questionar ou tentar adivinhar os desígnios de
Deus.
Esse tratamento antigo de Sabedoria e Intel igência (Entendimento) dos segredos do céu e da Terra - da
ciência -, como domínio divino ao qual poucos humanos possuem acesso, encontrou expressão não
apenas nos escritos canônicos, mas também no misticismo judeu, nos ensinamentos da Cabala. De
acordo com eles, a Presença Divina, simbolizada pela Coroa de Deus, apóia-se nos dois penúltimos
estágios, denominados Sabedoria (Hochma) e Entendimento (Binah). São os mesmos componentes da
sabedoria científica em relação à qual Jó foi desafiado.
As referências à Hochma (Sabedoria) no Vel ho Testamento revelam que foi considerada um presente
divino, porque o Senhor do Universo era o dono da Sabedoria necessária para criar o céu e a Terra.
"Como são grandes Teus feitos, ó Senhor; com sabedoria os atastes", afirma o Salmo 104 enquanto
descreve e louva, passo a passo, o trabal ho do Criador. Quando o Senhor garante a Sabedoria a al guns
humanos, afirma a Bíblia, ele na verdade partilha com el es sabedoria secreta em relação aos céus e à
Terra, e a tudo o que está sobre a Terra. O Livro de Jó descreve tal sabedoria como "Segredos de
Sabedoria" que não l he tinham sido revel ados.
Revel ação, a partil ha de sabedoria secreta com a humanidade por intermédio de iniciados escol hidos,
começou antes do Dilúvio. Adapa, o fil ho de Enki a quem Sabedoria e Entendimento (mas não Vida
Eterna) foram garantidos, conheceu por intermédio de Anu a extensão do céu, não como mera viagem
excitante. Referências pós-diluvianas a ele l he atribuíam a autoria de um trabalho conhecido como
Escritos Relativos ao Tempo, Divino Anu e Divino Enlil - um tratado que l ida com a passagem do tempo
e o cal endário. A História de Adapa, por outro lado, menciona especificamente que el e aprendeu, em
Eridu, as artes da medicina e da cura. Assim, foi um cientista equil ibrado, entendido tanto em assuntos
cel estes quanto terrestres: foi também ungido como o Sacerdote de Eridu - talvez o primeiro a combinar
Ciência e Religião.
Os registros sumérios falam de outro Escol hido antediluviano, que foi iniciado nos segredos divinos ao
ser l evado à habitação divina dos anunnaki. Veio de Sippar ("Cidade dos Pássaros"), onde Utu/Shamash
governava, e provavelmente era filho dele, um semideus. Conhecido nos textos como
EN.ME.DUR.ANNA ou EN.MEDUR.AN.KI ("Mestre dos Divinos Tabletes que Falam do Céu" ou
"Mestre dos Divinos Tabl etes da Ligação Céu-Terra"), el e também foi receber sabedoria secreta fora da
Terra. Seus patrocinadores e professores foram os deuses Utu/Shamash e Ishkur/ Adad.
Shamash e Adad o (vestiram? Ungiram?),
Shamash e Adad o colocaram num grande trono de ouro.
Mostraram a ele como observar óleo e água,
um segredo de Anu, Enlil e Ea.
Deram-lhe um tablete divino,
o Kibbu, um segredo do Céu e da Terra.
Colocaram em sua mão um instrumento de cedro,
favorito entre os grandes deuses.
Ensinaram-no a fazer cálculos com números.
Embora a História de Adapa não diga explicitamente, parece que l he permitiram, senão exigiram, que
partilhasse um pouco sua sabedoria secreta com seus companheiros humanos; por que outro motivo el e
escreveria o renomado livro? No caso de Enmeduranki, a transmissão dos segredos aprendidos também
foi ordenada porém com a restrição que se limitasse à linhagem dos sacerdotes,de pai para filho,
começando com Enmeduranki:
O sábio que aprendeu
e guarda os segredos dos grandes deuses
comprometerá seu próprio filho com um juramento
perante Shamash e Adad.
Pelo Tablete Divino, com um estilo,
Irá instruí-lo nos segredos dos deuses.
O tablete no qual esse texto foi inscrito (atualmente guardado no Museu Britânico) possui um pós-escrito: "Assim foi criada a l inhagem de sacerdotes, aqueles que podem aproximar-se de Shamash e
Adad".
A Bíbl ia também guardou a ascensão do patriarca antedil uviano Enoch - o sétimo dos dez l istados,
assim como Enmeduranki na lista de reis sumérios. Dessa extraordinária experiência, a Bíblia apenas
aponta que, com a idade de 365 anos, Enoch foi levado para estar com Deus. Felizmente o apócrifo
Livro de Enoch, passado ao l ongo dos mil ênios e sobrevivendo em duas versões, providenciou muito
mais detal hes; quanto é originalmente antigo e quanto era especulação quando os livros foram
compil ados, no início da Era Cristã, não se pode dizer. Mas o conteúdo vale a pena ser sumariado,
mesmo que não seja por outro motivo que a história de Enmeduranki, e por causa de uma narrativa
breve em outro l ivro extrabíblico, o Livro dos Jubileus.
Dessas fontes emerge o fato de que Enoch não fez uma, mas duas jornadas cel estiais. Na primeira vez
em que el e aprendeu os Segredos do Céu, foi instruído para transmitir a sabedoria aos seus filhos em seu
retorno à Terra. Ao ascender em direção à Habitação Divina, foi levado através de uma série de esferas
cel estiais. Do lugar no Sétimo Céu el e podia enxergar a forma dos pl anetas; no Oitavo Céu el e
conseguia discernir as constel ações. O Nono Céu era a "Casa dos Doze Signos do Zodíaco", e o Décimo
Céu era o Divino Trono de Deus.
(Deve ser notado aqui que a habitação de Anu, segundo os textos sumérios, era em Nibiru, que já
identificamos como pl aneta de nosso Sistema Sol ar. Na crença da Cabala, o caminho para a habitação de
Deus passa através de dez sefirot, traduzidos como "bril hos", porém na verdade representados como dez
esferas concêntricas, sendo a central denominada Yessod ("Fundação"), a oitava e a nona, Binah e
Hochma ("Entendimento e Sabedoria"), e a décima e mais el evada, Ketter, a Coroa do Altíssimo. Além
disso estende-se Ein Soff ("o Infinito").
Acompanhado de dois anjos, Enoch finalmente chegou a seu destino final, a Habitação de Deus. Suas
vestes terrestres foram removidas; ele foi vestido com roupas divinas e ungido pelos anjos (como foi
feito com Adapa). Por ordem do Senhor, o arcanjo Pravuel ditou os "livros do armazém divino" e deu a
Enoch um estilo para que anotasse o que seria ditado. Por trinta dias e trinta noites Pravuel ditou e
Enoch escreveu" os segredos dos trabal hos dos céus, da Terra e dos mares; e de todos os elementos, suas
idas e vindas e o trovejar dos trovões; e [os segredos] do Sol e da Lua, e as mudanças dos planetas; as
estações do ano e os anos, dias e horas... e todas as coisas dos homens, as línguas de cada canção
humana... e todas as coisas que vale a pena aprender".
Segundo o Livro de Enoch, toda essa vasta sabedoria, "segredos de Anjos e Deus", foi anotada em 360
livros sagrados, quando Enoch os levou de volta à Terra. Enoch chamou seus filhos, mostrou-l hes os
livros e expl icou o conteúdo a eles. Ainda fal ava e ensinava quando sobreveio uma grande escuridão e o
devol veu aos céus; eram precisamente o dia e hora de seu 365º. aniversário. A Bíblia (Gênesis 5: 23-24)
afirma simpl esmente: "E todos os dias de Enoch foram 365; e Enoch caminhou com Deus, e cessou de
ser, pois foi levado por Elohim".
Uma importante simil aridade entre as três histórias (Adapa, Enmduranki e Enoch) é o envolvimento de
dois seres divinos na experiência celestial. Adapa foi recepcionado no Portão de Anu, e acompanhado
para entrar e para sair pel os dois jovens deuses Dumuzi e Gizida; os professores/patronos de
Enmeduranki foram Shamash e Adad; Enoch foi levado por dois arcanjos. As histórias sem dúvida
foram inspiração para uma representação assíria do portão celestial, guardado por dois homens-águia. O
portão ostenta o símbol o de Nibiru; o disco al ado e a localização cel estial são indicados pel os símbol os
cel estiais da Terra (como sétimo planeta), a Lua e o completo Sistema Sol ar.
Outro aspecto que chama a atenção - embora não expl icitamente no caso de Enoch - é a tradição de que
a cessão da Sabedoria e do Entendimento tornava o indivíduo escol hido não apenas um cientista, mas
também um sacerdote, e, al ém disso, progenitor de uma linhagem sacerdotal. Encontramos esse
princípio representado no deserto do Sinai durante o Êxodo, quando Javé, o Deus bíbl ico, escol he Aarão
(irmão de Moisés) e seus fil hos para serem sacerdotes (Êxodo 28: 1). Já diferenciados por pertencer à
tribo de Levi, tanto por parte de pai como de mãe (Êxodo 2:1), Moisés e Aarão foram iniciados em
poderes mágicos que os capacitaram a real izar milagres, assim como a deflagrar as calamidades
destinadas a convencer o faraó de que o povo israel ita devia partir. Aarão e seus filhos foram então
santificados - "elevados", segundo nosso vocabul ário atual - e se tornaram sacerdotes dotados de um
lastro respeitável de Sabedoria e Entendimento. O Levítico lança uma l uz em uma parte da sabedoria
que foi transmitida para Aarão e seus fil hos. Incluía segredos do calendário (bastante complexo, já que
era um calendário l unar-sol ar), de doenças e curas, tanto de humanos como de animais. Uma quantidade
considerável de informações anatômicas é incl uída nos capítulos rel evantes do Levítico, e a
possibilidade de que os sacerdotes israelitas recebessem aul as "à parte" não pode ser deixada de lado em
vista de que model os de partes anatômicas feitos em cerâmica, com instruções médicas gravadas, eram
comuns na Babil ônia mesmo antes da época do Êxodo.
(A Bíblia descreve o rei Salomão como o mais "sábio dos homens", que podia falar sobre a
biodiversidade de todas as pl antas, "desde os cedros do Líbano até o hissopo que cresce numa parede, de
animais, pássaros, coisas rastejantes e peixes". Podia fazer isso porque al ém de Sabedoria e
Entendimento, dados por Deus, ele adquirira Da'ath - o equilíbrio do conhecimento aprendido.)
A linhagem sacerdotal se iniciou com Aarão, que se sujeitou a várias l eis impondo restrições
matrimoniais e de procriação. Com quem el es podiam ter rel ações conjugais e, sobretudo, com quem
poderiam casar para que "a semente sacerdotal não fosse profanada"; e se a semente de alguém fosse
imperfeita - "tivesse uma imperfeição", uma mutação, um defeito genético -, então aquel e homem estava
proibido, por todas as gerações, de realizar deveres sacerdotais, "pois eu, Javé, santifiquei a linhagem
sacerdotal" de Aarão.
Tais restrições intrigaram centenas de estudiosos da Bíbl ia; porém o verdadeiro significado tornou-se
evidente com o advento das pesquisas sobre DNA. Foi apenas em janeiro de 1997, na revista Nature,
que um grupo internacional de cientistas anunciou a existência de um "Gene Sacerdotal " entre os judeus,
cuja l inhagem podia ser seguida até Aarão. A tradição judaica requer até hoje que no Sabat e nos Dias
Santos os serviços devam ser real izados por um Cohen. Este termo, que significa "sacerdote", foi usado
pel a primeira vez na Bíblia para descrever Aarão e seus filhos. Desde então, a designação tem passado
de pais para fil hos ao l ongo das gerações, e a única forma de ser um Cohen é nascer de um pai Cohen.
Esse status privil egiado tem sido confundido pelo uso de Cohen como sobrenome (alterado também
para Kahn, Kahane, Kuhn) ou como adjetivo acrescentado ao nome, ou como título: Ha-Cohen, "O
sacerdote".
Foi esse aspecto da natureza patriarcal da tradição Cohen dos judeus que intrigou um grupo de
pesquisadores de Israel , da Ingl aterra, do Canadá e dos Estados Unidos. Focalizando-se no cromossomo
Y, passado de pai para filho, testaram centenas de "Cohens" em vários países e descobriram a existência
óbvia de dois marcadores únicos no cromossomo. Isso provou ser verdadeiro tanto para os asquenazes
(do Leste europeu) quanto para os sefarditas (Oriente Médio/ África), judeus que se espal haram depois
da destruição do Templ o pelos romanos em 70 d.C. indicando a antiguidade dos marcadores genéticos.
"A explicação mais simples e direta é que esses homens possuem o cromossomo Y de Aarão", afirma o
Dr. Karl Skorecki, do Instituto Israelita de Tecnologia, em Haifa [Israel].
As histórias daqueles que foram iniciados na sabedoria secreta testemunham que a informação foi
escrita em "l ivros". Estes, na certa, não eram o que atualmente chamamos de "l ivros" - páginas escritas e
presas juntas. Os muitos textos descobertos nas cavernas próximas ao mar Morto, em Israel , são
chamados de Manuscritos do Mar Morto, pois eram textos inscritos em fol has de pergaminho (em sua
maior parte elaborados em couro de cabra) costurados juntos para formar rolos, na forma em que os
Rolos da Lei (os cinco primeiros livros da Bíbl ia Hebraica) são feitos e enrolados até hoje. Os profetas
bíblicos (especialmente Ezequiel ) mencionavam rol os como parte das mensagens divinas recebidas. Os
antigos textos egípcios eram el aborados em papiros - folhas feitas de pl antas aquáticas que crescem à
beira do Nil o; e os textos mais antigos que se conhecem foram inscritos em tabletes de argila; usando
um estilo de junco ou bambu, o escriba fazia marcas numa argil a ainda mol hada, que, depois de seca,
tornava o tabl ete um documento.
Em que forma teriam sido os "livros" escritos por Adapa, Enmeduranki e Enoch (este último com 360
del es! )? Levando em conta que teriam sido el aborados antes do Dilúvio - milhares de anos antes da
civil ização suméria -, provavelmente em nenhuma das formas pós-diluvianas - embora o rei assírio
Assurbanipal se jactasse de poder ler "escrita de antes da Enchente". Desde que a cada instância o que se
escreveu foi ditado pelo Senhor divino, seria lógico imaginar que a escrita teria sido no que al guns
textos sumérios e acadianos chamam de Kitab Ilani - "escrita dos deuses". Referências a tais escritos
feitos pelos anunnaki podem ser encontradas, por exempl o, em inscrições que l idam com a reconstrução
de templos caídos, nas quais é afirmado que a reconstrução fora baseada em desenhos dos tempos
antigos e na escrita do "Céu Superior". Os sumérios mencionavam uma deusa, Nisaba (algumas vezes
chamada Nidaba), como protetora dos escribas e dos que mantinham os registros para os deuses; seu
símbolo era o Estilo Sagrado.
Uma das referências aos escritos dos deuses na época primitiva é encontrada num texto hitita duplicado
por estudiosos, chamado A Música de Ullikummis. Escrito em tabletes de cera descobertos na antiga
capital hitita de Hatusas (perto da atual al deia de Boghaskoy, na Turquia central ), relata a história
intrigante de um "vigoroso deus feito de minério de diorito" que um antigo deus, a quem os hititas
chamavam de Kumarbis, inventara para desafiar outros deuses. Os deuses desafiados, incapazes de
enfrentar ou supl antar o desafiante Ull ikummis, apresentavam-se na habitação de Enki, no Mundo
Inferior, para obter del e os "antigos tabl etes com as palavras da sorte". Porém quando o "antigo
depósito" foi aberto, e depois foram removidos os "sel os de antanho" com os quais os tabl etes foram
lacrados, descobriu-se que os escritos tinham sido redigidos na "escrita antiga", sendo necessários os
Velhos Deuses para interpretá-l os.
No Egito, era Tot o venerado como o Escriba Divino. Foi ele quem, depois do Conselho dos Deuses,
resolveu reconhecer Hórus como herdeiro legítimo, inscreveu num tablete de metal o Decreto dos
Deuses, e o tablete então foi colocado na "Divina Câmara das Gravações". Al ém das gravações para uso
divino, os egípcios também acreditavam que Tot escrevia livros para instruir os mortais. O Livro dos
Mortos, afirmavam el es, era uma composição escrita por Tot "com os próprios dedos". E nas Histórias
dos Mágicos, ao qual já nos referimos anteriormente, era contado que o vivo mas inanimado rei e a
rainha a quem Tot punira guardavam, na câmara subterrânea, "o livro que o deus Tot escrevera com a
própria mão" e no qual revelava a sabedoria secreta referente ao Sistema Sol ar, à astronomia e ao
cal endário. Quando quem buscava tais conhecimentos penetrava na câmara subterrânea, via o livro
"emitindo uma luz forte como se o Sol bril hasse ali no interior".
O que eram esses "l ivros divinos" e que tipo de escrita se podia encontrar neles?
O nome-epíteto de Enmeduranna, "Mestre dos Divinos Tabletes Concernentes ao Céu", chama atenção
para o termo ME no nome, traduzido aqui como "Tabletes Divinos". Na verdade, ninguém sabia o que
eram esses tabletes, se eram verdadeiros tabl etes ou algo mais parecido com chips de memória de
computador ou com disquetes. Eram objetos pequenos o suficiente para serem segurados com uma mão,
pois foi dito que Inana/Ishtar, procurando el evar sua cidade Uruk até o status de capital , obteve de forma
ardil osa de Enki trechos de ME que estavam codificados com segredos de Supremo Domínio, Real eza,
Sacerdócio e outros aspectos de uma civilização avançada. E l embramos que o maldoso Zu roubou de
Duranki os Tabl etes dos Destinos e os ME que estavam codificados com as Fórmul as Divinas. Tal vez
possamos entender o que queriam se examinarmos a tecnol ogia al guns milênios à frente.
Colocando de l ado a questão dos próprios escritos do deus e a conservação dos dados para propósitos
próprios, a questão sobre que l inguagem e que sistema de escrita estavam usando na ocasião em que a
sabedoria secreta foi ditada aos habitantes da Terra se torna de grande significado quando chegamos à
Bíbl ia - e sobretudo em relação aos eventos no monte Sinai.
Em paralel o à história de Enoch, que permaneceu em sua habitação celestial "trinta dias e trinta noites"
fazendo um ditado, foi o relato bíbl ico de Moisés, que, tendo subido em direção ao Senhor Deus no topo
do monte Sinai, "ficou com Javé quarenta dias e quarenta noites - "pão não foi consumido e água não foi
bebida", enquanto escrevia nas tábuas as pal avras do Pacto de Al iança e dos Dez Mandamentos que
Deus ditava (Êxodo 34: 28).
Aquel es, na verdade, foram o segundo conjunto de tabl etes, substituindo o primeiro que Moisés atirara,
num acesso de ira, quando descera do monte Sinai numa ocasião anterior. A Bíbl ia fornece intrigantes
detalhes com rel ação à primeira apresentação dos textos sagrados; naquel a oportunidade, afirma a Bíblia
expl icitamente, Deus em pessoa fez as inscrições!
A história começa no capítulo 24 do l ivro do Êxodo, quando Moisés, Aarão e dois de seus filhos, além
de setenta dos Anciãos de Israel , foram convidados para aproximar-se do pico do monte Sinai, onde o
Senhor aterrissara em sua Kabod. Lá, os dignitários perceberam a presença divina como uma densa
nuvem, cegante como um "fogo devorador". Depois Moisés sozinho foi chamado ao topo para receber a
Torá (“Os Ensinamentos") e os Mandamentos que o Senhor Deus já escrevera:
E Javé disse a Moisés:
Sobe ao alto do monte onde estou
e fica aí,
e te darei umas tábuas de pedra –
a Lei e os Mandamentos -que eu escrevi,
para que instruas neles o povo.
Êxodo 24: 12
"E Moisés entrou no meio da nuvem e escalou o monte; ficou l á quarenta dias e quarenta noites."
Depois:
Tendo Javé acabado de falar dessa forma no monte Sinai,
deu a Moisés as duas Tábuas do Testemunho –
feitas de pedra,
e escritas pelo dedo de Elohim.
Êxodo 31: 17
Informações surpreendentes em relação às Tábuas e à maneira como foram escritas aparecem em Êxodo
32: 16-17, descrevendo os eventos que aconteceram enquanto Moisés descia do monte, depois de uma
longa e (para o povo) inexplicável ausência:
Regressou Moisés pois do topo do monte,
trazendo em sua mão as duas Tábuas do Testemunho –
inscritas em ambos os lados,
inscritas de um dos lados e do outro lado.
E as Tábuas eram obras de Deus,
E as tábuas eram o trabalho de Elohim,
como o era a escritura,
assim como era a caligrafia de Elohim
que estava gravada nelas.
Êxodo 32: 15
Duas tábuas feitas de pedra, divinamente trabalhadas. Inscritas na frente e no verso na "escrita
de Elohim" - o que deve significar tanto linguagem como escrita; e gravada na pedra pelo próprio
Deus!
E tudo numa linguagem e num contexto em que Moisés podia l er e entender, já que precisava ensinar a
todos os israelitas...
Como sabemos pel o restante do rel ato bíblico, Moisés arrebentou as duas tábuas quando, alcançando o
acampamento, viu que em sua ausência o povo construíra um bezerro de ouro para ser adorado segundo
os costumes egípcios. Quando a crise terminou:
Depois disse Javé a Moisés:
Corta duas tábuas de pedra,
que sejam iguais às primeiras,
e eu escreverei nelas
as palavras que estavam nas tábuas
que tu quebraste.
Êxodo 34:1
E assim fez Moisés, e subiu ao monte outra vez. Lá, Javé veio na direção dele, e Moisés se curvou e
repetiu os pedidos para que descul passe o povo. Em resposta, o Senhor Deus ditou a el e mandamentos
adicionais, dizendo: "Escreve estas palavras, porque de acordo com el as fiz uma Al iança contigo e com
o povo de Israel ". E Moisés ficou no monte quarenta dias e quarenta noites, gravando nas tábuas "as
pal avras da Aliança e os Dez Mandamentos" (Êxodo 35:27-28). Dessa vez, Moisés estava escrevendo o
que lhe era ditado.
Não apenas as seções do Êxodo, Levítico e Deuteronômio gravavam os Ensinamentos e Mandamentos;
mas todos os cinco primeiros livros da Torá (os já citados mais Gênesis e Números) tiveram a intenção,
desde o início, de ser escritos sagrados. Reunidos sob o termo geral Torá, também são conhecidos como
Os Cinco Livros de Moisés, por causa da tradição que o próprio Moisés escreveu ou foi autor dos cinco
como revel ações divinas a el e.
Portanto os rol os da Torá que são retirados de suas arcas durante os Sabat e Dias Santos devem ser
copiados (por escribas especiais) precisamente da forma que foram revelados ao longo das eras - livro a
livro, capítulo a capítulo, versículo a versículo, palavra a pal avra, l etra a letra. Um erro de uma l etra
invalida o rolo inteiro.
Embora essa precisão letra a letra tenha sido estudada pel os sábios judeus e estudiosos bíbl icos ao l ongo
do tempo (muito antes do recente interesse pel os "códigos secretos" da Torá), existe um aspecto
desafiador do ditado l ongo e da precisão letra a letra que tem sido compl etamente ignorado:
Tal método de escrita do monte Sinai não poderia ter sido a lenta escrita cuneiforme da
Mesopotâmia, geralmente gravada com um estilo em argila molhada, nem o método hieroglífico
pictórico para monumentos utilizado no Egito Antigo. O volume da escrita e a precisão letra a
letra exigiam uma escrita alfabética!
O problema é que na época do Êxodo, por volta de 1450 a.C. a escrita alfabética não existia em nenhum
lugar no mundo antigo.
O conceito de al fabeto é um trabalho de gênio; quem quer que tenha sido esse gênio, ele baseou-se em
conhecimentos existentes. A escrita hieroglífica do Egito avançou de sinais pictográficos, que
mostravam objetos, para sinais que representavam sílabas ou mesmo consoantes; porém permanecia um
sistema complexo de inumeráveis sinais pictográficos. Os sumérios avançaram de seus primeiros sinais
pictográficos para cuneiformes, e esses sinais adquiriram um som silábico; mas, para formar com el es
um vocabulário, eram necessárias centenas de sinais diferentes. O gênio que combinou a facilidade
cuneiforme com os avanços egípcios para consoantes conseguiu fazer isso com apenas 22 sinais!
Começando com aquilo, o engenhoso inventor perguntou a si mesmo, bem como a seu discípulo: qual a
pal avra para o que você vê? A resposta, na linguagem dos israelitas semíticos, foi Aluf. Muito bem,
disse o inventor, vamos chamar esse símbolo de Aleph e pronunciar simpl esmente "A". Em seguida,
desenhou o pictograma para casa. Como chama a este? Perguntou ele, e o discípul o respondeu: Bayit.
Muito bem, respondeu o inventor, daqui para a frente vamos chamar esse sinal de "Beth" e pronunciar
simpl esmente como "B".
Não podemos jurar que uma conversa assim tenha realmente acontecido, mas estamos certos de que foi
esse o processo de criação e invenção do al fabeto. A terceira letra, Gimel (pronunciado "G"), era a
imagem de um camel o (Gamal em hebraico); a seguinte, Daleth, que é o "D", representando Deleth,
"porta" (em seus gonzos), e assim por diante por meio das 22 l etras do alfabeto semítico, todas servindo
de consoantes e três del as que podiam dobrar funções como vogais.
Quem foi esse gênio inovador?
Se formos aceitar a opinião corrente, terá sido al gum trabal hador braçal, um escravo em alguma mina
egípcia de turquesas no Sinai ocidental, próxima do mar Vermelho, porque foi ali que sir Flinders Petrie
encontrou, em 1905, sinais desenhados nas paredes, que uma década mais tarde sir Alan Gardiner
decifrou como "acrofônicas" (Relativas à acrofonia, sistema gráfico antigo, evolução da escrita
hierogl ífica, que consistia em atribuir ao desenho ou ao ideograma de um objeto o valor fonético da l etra
ou da sílaba inicial do nome desse objeto) - sol etrando L-B-A-L-T; significava dedicado "à Senhora"
(presumivelmente a deusa Hátor) - porém em semítico, não em egípcio! Escritos posteriores descobertos
na área não deixaram dúvidas de que o alfabeto se originou lá; de l á, espalhou-se por Canaã e depois
para a Fenícia (onde uma tentativa de expressar a engenhosa idéia com sinais cuneiformes não durou
muito).
Executada com maestria, a "escrita do Sinai" serviu como escrita do Templ o de Jerusal ém e como
escrita real dos reis judeus, até ser substituída, durante a época do Segundo Templ o, por uma escrita
quadrada emprestada dos aramaicos (a escrita usada nos Manuscritos do Mar Morto até os tempos
modernos).
Ninguém ficou confortável com a atribuição da revol ucionária inovação, no final da Idade do Bronze, a
um escravo em minas de turquesa. Seria necessário um conhecimento extraordinário de fala, escrita e
lingüística, sem mencionar a Sabedoria e o Entendimento, que dificilmente poderiam ser reunidas num
simpl es escravo. E qual seria o propósito de inventar uma nova escrita quando, nas mesmas áreas de
mineração, monumentos e paredes estavam repl etos de inscrições hieroglíficas egípcias? Como podia
uma inovação obscura numa área restrita a Canaã e pouco além substituir um método de escrita que
vinha servindo bem havia dois mil ênios? Simplesmente não fazia sentido; porém na ausência de outra
sol ução, essa teoria ainda resiste.
Mas, se imaginamos direito a conversa que conduziu a esse alfabeto, então teria sido Moisés a
receber a primeira lição. Ele se encontrava no Sinai; estava lá na época certa; empenhou-se em
escrever longamente; e teve o professor supremo - o próprio Deus.
Pouca atenção recebeu nas narrativas bíbl icas o fato de que Moisés foi instruído por Javé a escrever as
coisas mesmo antes de subir ao monte Sinai para receber as Tábuas. A primeira vez foi antes da guerra
com os amalecitas, uma tribo que, em vez de agir como al iada, traiu os israelitas e os atacou. Aquel a
traição, afirmou Deus, devia ser l embrada por todas as gerações futuras: "E Javé disse a Moisés: Escreve
isso num livro para servir de lembrança" (Êxodo 17:14). A segunda menção de um livro para l embrar-se ocorre em Êxodo 24:4 e 24:7, em que se afirma que o Senhor Deus, falando numa voz retumbante do
al to do monte, enumerou as condições para uma Aliança eterna entre El e e os Fil hos de Israel:
"Escreveu Moisés todas as palavras de Javé, e erigiu um altar no sopé do monte e doze pilares de pedra,
conforme era o número das tribos de Israel ". E, então, "el e pegou o livro no qual estava registrada a
al iança e l eu-o para o povo ouvir".
O ditado e as anotações, portanto, iniciaram-se antes que Moisés subisse ao alto da montanha para obter
as tábuas escritas por duas vezes. É preciso examinar os primeiros capítul os do Êxodo para descobrir
quando (e como foram as primeiras inovações alfabéticas) - a linguagem e os escritos empregados na
comunicação entre o Senhor e Moisés - podiam ter ocorrido. Lá, ficamos sabendo que Moisés, adotado
como fil ho pela filha do faraó, fugiu para sal var sua vida quando matou um oficial egípcio. Seu destino
foi a penínsul a do Sinai, onde terminou se rel acionando com o sumo sacerdote midianita (e casando com
sua filha). E um dia, pastoreando, penetrou no deserto onde ficava o "monte de Elohim" e lá el e foi
chamado por Deus, de uma sarça ardente, e recebeu a tarefa de l iderar seu povo, os Filhos de Israel, para
fora do Egito.
Moisés retornou ao Egito apenas depois da morte do faraó que o havia sentenciado (Tutmés III, pel os
nossos cálculos), em 1450 a.C. e lutou com o faraó seguinte (Amenófis II, em nossa opinião) por sete
anos até que o Êxodo fosse permitido. Tendo começado a ouvir sobre o Senhor Deus ainda no deserto,
depois durante os sete anos, teve bastante tempo para inovar e dominar uma nova forma de escrita, uma
que fosse mais simpl es e muito mais rápida do que a dos grandes impérios daquel a época -mesopotâmico, egípcio e hitita.
A Bíbl ia relata extensivas comunicações entre Javé, Moisés e Aarão desde o momento em que Moisés
foi chamado para o arbusto fl amejante. Se as mensagens divinas, às vezes envolvendo informações
detalhadas, foram escritas ou não escritas, a Bíbl ia não afirma; parece significativo, porém, que os
mágicos da corte do faraó acreditavam ser instruções escritas: "Então disseram os mágicos ao faraó: o
dedo de Deus é o que obra aqui" (Êxodo 8: 19). Lembramos que "O dedo de Deus era o termo usado no
Egito para referir-se ao deus Tot, para indicar uma escrita pel o próprio Deus”.
Se tudo isso l eva à sugestão de que a escrita alfabética começou na península do Sinai - não deveria ser
surpreendente que os arqueólogos tenham chegado à mesma concl usão, porém sem ter como explicar tal
inovação tremenda e ingênua surgindo no meio do deserto.
Será que a conversa que imaginamos realmente se real izou, ou Moisés inventou o alfabeto por si
mesmo? Afinal de contas, ele estava na península do Sinai naquel a época, possuía a educação primorosa
da corte do Egito (onde a correspondência com a Mesopotâmia e os hititas continuava) e sem dúvida
aprendera a linguagem semita dos midianitas (se já não a conhecia por parte dos israel itas no Egito).
Será que el e, nas perambulações pel a penínsul a do Sinai, encontrou escravos semitas (israel itas
escravizados pel os egípcios) esboçarem rudemente nas paredes das minas sua idéia de uma nova forma
de escrita?
Seria bom atribuir a brilhante inovação a Moisés agindo sozinho; seria gratificante creditar ao l íder
bíblico do Êxodo, o único que conversara pessoalmente com Deus, segundo a Bíblia, a invenção do
al fabeto e a revol ução cultural deflagrada. Porém as repetidas referências à Escrita Divina, o próprio
Deus escrevendo e Moisés apenas anotando, sugerem que a escrita alfabética e o sistema de linguagem
falada e escrita eram um dos "segredos dos deuses". Sem dúvida, era o mesmo Javé ao qual a Bíblia
atribuía a invenção/inovação de outras linguagens e escritas numa ocasião anterior - l ogo depois do
episódio da Torre de Babel.
De uma forma ou de outra, sentimos que Moisés era o iniciado por meio do qual a inovação foi
revelada à Humanidade. Assim podemos chamar de Alfabeto Mosaico.
Existe mais ainda sobre o primeiro alfabeto do que um mero "segredo dos deuses". Em nossa
opinião, é baseado numa tecnologia mais sofisticada e importante - aquela do código genético.
Quando os gregos adotaram o alfabeto mosaico, mil anos depois (embora revertendo-o numa imagem
espelhada), acharam necessário adicionar mais l etras para cobrir todas as necessidades de pronúncia. Na
verdade, dentro dos limites das 22 l etras do alfabeto mosaico-semita, al gumas l etras são pronunciadas de
forma "suave" (V, Kh, S, Th) ou "forte" (B, K, SH, T); e outras l etras ainda dobram como vogais.
Na verdade, se contemplarmos esse número 22 - nem mais nem menos -, não podemos evitar de nos
lembrar da restrição aplicada ao número sagrado 12 (requerendo a adição ou abandono de divindades a
fim de manter o "Círculo Ol ímpico" em precisamente doze). Tal princípio oculto - divinamente
inspirado - se aplica à redução do al fabeto original para 22 letras?
O número devia ser famil iar naquela época. É o número de cromossomos humanos quando O Adão foi
criado, antes da segunda manipulação genética, que adicionou os cromos somos sexuais "Y" e "X"!
Teria o Todo-Poderoso revelado a Moisés o segredo do alfabeto, usando o código genético como
código secreto do alfabeto?
A resposta parece ser afirmativa.
Se essa conclusão se afigura estranha, vamos examinar a afirmação do Senhor em Isaías 45:11: "Fui eu
quem criou as l etras... Eu é que fiz a Terra e quem sobre ela criou o Homem", assim falou Javé, o Santo
de Israel. Quem quer que estivesse envol vido na criação do Homem estava envol vido na criação das
letras que formavam o al fabeto.
Os sistemas atuais de computadores para construir palavras e números a partir de apenas duas "l etras",
um sistema Sim-Não de zeros e uns combinando-se com um fluxo liga-desl iga de el étrons (por isso
chamado binário). Mas a atenção já se transferiu para o código genético de quatro l etras e para a
vel ocidade muito maior com a qual as mudanças se efetuam no interior da cél ula viva. Conceitualmente,
a atual l inguagem de computadores, expressa numa seqüência do tipo 0100110011110011000010100
etc. (e em incontáveis variações usando "O" e "I"), pode ser encarada como a l inguagem genética de um
fragmento de DNA, expressa como uma seqüência de nucleotídeos CGTAGAATTCTGCGAACCTT, e
assim por diante numa corrente de ligações de letras do DNA (são sempre agrupadas em "pal avras" de
três letras) - A se l iga com T, C l iga-se com G. O problema e o desafio é como criar e ler chips de
computador recobertos não por "0" e "1", mas por partícul as de material genético. Avanços desde 1991
em várias instituições acadêmicas, assim como em empresas comerciais envol vidas em tratamento
genético, tiveram sucesso em criar chips de silício recoberto com nucl eotídeos. Ao aval iar a vel ocidade
e as capacidades do computador de DNA, afirma uma pesquisa publicada em Science (outubro de 1997):
"A capacidade de armazenamento de informação do DNA é enorme".
Na natureza, a informação genética codificada no DNA é decodificada, à vel ocidade da luz, por um
mensageiro chamado RNA, que transcreve e combina as "l etras" do DNA em "palavras" de três letras.
Já foi estabelecido que esses agrupamentos de três l etras encontram-se no cerne de toda a vida na Terra,
porque sol etram química e biologicamente os vinte e dois aminoácidos cujas cadeias formam as
proteínas das quais toda a vida na Terra - e provavelmente em todos os outros l ugares do cosmos - se
forma.
O hebraico, uma linguagem rica e precisa, é baseado em "palavras-raízes", das quais derivam verbos,
substantivos, advérbios, adjetivos, pronomes, tempos verbais, conjugações e todas as formas
gramaticais. Por motivos que ninguém sabe expl icar, essas "palavras-raízes" são constituídas de três
letras. Essa é uma diferenciação do acadiano, a língua-mãe de todas as l ínguas semitas, que são
formadas por sílabas - algumas vezes apenas uma, e em outras, duas, três ou mais.
O motivo para as palavras-raízes de três letras no hebraico poderia ser a linguagem de três letras
no DNA - a fonte, conforme concluímos, do próprio alfabeto? Se assim for, então as palavras-raízes de três letras corroboram essa conclusão.
"A vida e a morte estão na linguagem", afirma a Bíblia em Provérbios (18:21). Essa afirmação tem sido
tratada alegoricamente. Tal vez seja hora de encará-l a l iteralmente: a linguagem da Bíblia Hebraica e do
código genético do DNA da vida (e da morte) não seria senão dois lados da mesma moeda.
Os mistérios codificados nesse interior são mais vastos do que se pode imaginar; incluem, entre outras
descobertas maravilhosas, os segredos da cura.
8
CÓDIGOS OCULTOS, NÚMEROS MÍSTICOS
Foi provavelmente inevitável que, com o advento da moderna era dos computadores, al guns mestres
dirigissem suas capacidades para um objetivo novo e inédito: a procura de um "código secreto" na
Bíbl ia.
Apesar de ter sido apresentado em artigos científicos e até mesmo em l ivros como o auge da sofisticação
moderna, a verdade é que essa busca está sendo renovada com ferramentas novas e avançadas, porém
não é nova.
A Bíblia Hebraica consiste em três partes: a Torá (Ensinamentos), que engloba o Pentateuco (os Cinco
Livros de Moisés) e, histórica e cronol ogicamente, vai desde a Criação até as andanças do Êxodo e a
morte de Moisés; Neviyim (Profetas), que engloba os l ivros de Josué e Juízes, Samuel, Provérbios e Jó -historicamente desde o acampamento israelita em Canaã através da destruição do Primeiro Templo de
Jerusal ém; e Ketuvim (Escritos), começando com o Cântico dos Cânticos através dos l ivros atribuídos
aos dois líderes que chefiaram os exilados de vol ta à Judéia para reconstruir o Templo (Esdras e
Neemias) e terminando com Crônicas I e II. Juntas, as três partes são chamadas pel o acrônimo TaNaKh;
e já na época dos Profetas foram feitas referências interpretativas à primeira parte, a Torá.
Discussões entre sábios judeus e l íderes rel igiosos pretendiam "ler nas entrel inhas" as pal avras da Torá,
depois de Profetas, e isso se intensificou durante o exíl io após a destruição (pel o rei da Babil ônia,
Nabucodonosor) do Primeiro Templo e mais ainda depois da destruição do Segundo Templo (pel os
romanos). O registro dessas considerações é o Talmude (O Estudo). O misticismo hebraico, conhecido
como a Cabala, assumiu e intensificou essa busca por significados ocultos.
Esses significados ocul tos existem realmente, atesta a própria Bíblia. A chave era o alfabeto, 22 l etras.
Um dispositivo codificador simples, com o qual até crianças em idade escol ar brincam, é a substituição
de l etras. Os sábios da Cabala na Idade Média usaram uma ferramenta de busca que consistia num
sistema chamado A TBSh, no qual a úl tima letra, Tav ("T"), é substituída pela primeira letra, Al eph
(“A"); a penúltima, Shin ("Sh"), pela segunda, Beth ("B"), e assim por diante. O cabalista Abraham ben
Jechiel Hacohen ilustrou o sistema e forneceu a chave para el e num livro publ icado em 1788.
Porém, na verdade, tal sistema de códigos foi usado pel o profeta Jeremias (sécul o VII a.C.), o qual,
profetizando a queda do Império Babilônico, substituiu a grafia B-B-L (Babel ) pelas letras Sh-Sh-Kh
para evitar ser preso (Jeremias 25:26 e 51:42). O Livro das Lamentações, atribuído ao profeta Jeremias,
no qual a queda e a destruição de Jerusalém são choradas, emprega outro código ocul to, chamado de
Acróstico, em que a primeira (algumas vezes a úl tima) pal avra de um verso forma uma pal avra ou um
nome, ou (no caso de Jeremias) revel a a identidade das letras sagradas do al fabeto. A primeira palavra
no primeiro verso começa com um Aleph, o segundo verso começa com um Beth, e assim por diante até
o vigésimo segundo verso. O mesmo acróstico é repetido pel o profeta no segundo capítul o; depois cada
letra começa dois versos no terceiro capítul o, revertendo a um no quarto. O Salmo 119 é construído com
acrósticos óctuplos!
A autenticidade de certos versos nos Salmos pode ser verificada ao reparar que cada verso possui duas
partes, cada uma del as começando em ordem al fabética (por exempl o, o Salmo 145); o mesmo recurso é
usado no arranjo dos versos de Provérbios 31. No Salmo 145, al ém disso, os três versos (11, 12, 13) que
louvam a real eza de Javé começam com as l etras Kh-L-M, que, ao contrário, são lidas MeLeKh, "Rei"
em hebraico.
O uso de acrósticos como código ocul to, evidente em outros l ivros da Bíbl ia, é encontrado em l ivros
pós-bíbl icos também (al guns incluídos no arranjo cristão do Velho Testamento). Um exempl o famoso
vem da época da revolta contra o domínio grego no sécul o II a.C. A revol ta leva o nome de seus l íderes,
os macabeus, nome que, na verdade, é um acrônimo baseado no verso do Cântico de Moisés (Êxodo
15: 11) - "Quem dentre os heróis é semelhante a Ti, Javé?" -; as primeiras l etras das quatro pal avras
hebraicas formam o acrônimo M-K-B-I, pronunciado Macabi.
Depois da destruição do Segundo Templo pel os romanos, no ano 70 d.C. o principal esteio rel igioso e
espiritual para os judeus foram as Escrituras Sagradas - o tesouro das palavras divinas e proféticas.
Estaria tudo predeterminado? Tudo previsto? E quanto ao que viria pela frente? As chaves para o
passado e para o futuro podiam estar ocul tas nas escrituras sagradas, canonizadas não apenas pel o
conteúdo como por cada palavra e cada l etra. Essa procura por significados ocul tos obscurecidos por
códigos secretos se tornou conhecida depois da destruição do Templo como "penetrar na cova proibida",
sendo a palavra para "cova" - PaRDeS - um acróstico criado com as primeiras l etras de quatro métodos
para extrair a mensagem das Escrituras: Peshat (significado l iteral), Remez (sugestão), Drash
(interpretação) e Sod (segredo). Uma história do Talmude pretende il ustrar os riscos de l idar
prematuramente com o que deve permanecer oculto, ao revel ar o que ocorreu com quatro rabinos que
entraram em Pardes; um del es "olhou e morreu", outro enlouqueceu, um terceiro ficou viol ento e
começou a "arrancar as plantas pel a raiz"; apenas um, o rabino Akiba, saiu inteiro.
Essa procura de significados ocultos foi resumida na época medieval pel os cabalistas e seus acólitos.
Como seriam as escrituras examinadas pel o código ATBSh? E se fosse possível ordenar as letras de
outra forma? E se uma pal avra tivesse sido incl uída apenas para ocul tar o sentido verdadeiro, porém
deveria ser retirada para transmitir o texto original? Com esse método, por exemplo, seria possível
provar que o Salmo 92 (Um Cântico para o Dia de Sabat) fora composto por Moisés no Sinai, e não pel o
rei Davi. Em outra instância foi afirmado que o grande sábio judeu Maimônides (Espanha e Egito,
século XII), era mencionado no livro do Êxodo, onde as primeiras l etras das últimas quatro palavras no
verso 11: 9 criavam o acrônimo R-M-B-M, combinando o acrônimo resul tante do nome compl eto de
Maimônides, Rabino Moisés Ben Maimón (explicando a referência a ele como Rambam).
Contudo os sábios medievais se perguntaram se a busca precisava l imitar-se apenas às primeiras ou
úl timas letras das palavras, ao início ou final dos versos. O que aconteceria se al guém procurasse
sentidos ocultos sal tando l etras? Cada segunda, cada quarta, cada quadragésima segunda? Era inevitável
que, com o advento dos computadores, alguém aplicasse essa tecnologia para realizar a busca metódica
de um "código" baseado no espaço entre as letras. A última centelha de interesse no assunto de fato
resultou de tal apl icação das técnicas de computação por vários cientistas israel enses: foi publicado, em
agosto de 1994, no prestigioso periódico Statistical Science, por Doron Witzum, Eliyahu Rips e Yoav
Rosenberg, um artigo intitulado: "Seqüências de Letras Eqüidistantes no Livro do Gênesis".
Análises, revisões e livros (O Código da Bíblia, de Michael Drosnin, e A Verdade por Trás do Código
da Bíblia, de Jeffrey Satinover) lidam, em essência, com uma premissa básica. Se você l istar todas as
304.805 l etras do Pentateuco em seqüência e arrumá-las em "blocos" que segmentem essas letras em
seções consistindo em um determinado número de l inhas, cada linha contendo certo número de letras, e
depois escolher um método de saltar as l etras, determinadas l etras formarão palavras que,
inacreditavelmente, mostram previsões para a nossa época e para todas as épocas, tais como a previsão
do assassinato do primeiro-ministro Rabin, de Israel , ou a descoberta da Teoria da Relatividade por
Albert Einstein.
Entretanto, para conseguir essas alegadas "previsões" de eventos futuros em textos escritos milhares de
anos atrás, os pesquisadores tiveram de atribuir regras arbitrárias e alteráveis para l er as "palavras do
código". As l etras formando as predições acabavam muitas vezes próximas umas das outras, al gumas
vezes espaçadas (com o espaço variando e fl exível), algumas vezes se l iam verticalmente, al gumas
vezes de forma horizontal , ou de trás para a frente, ou de baixo para cima...
Tais arbitrariedades em selecionar a extensão e número de l inhas, a direção da leitura, sal tar ou não
al gumas l etras, e assim por diante prejudica um pouco a aceitação sem críticas dos não iniciados sobre
basear-se unicamente nas letras da Bíbl ia; e fazer isso sem examinar a questão de o texto do Pentateuco
ser precisamente o original, divinamente transmitido, l etra a l etra. Afirmamos isso por saber que desvios
menores (exemplo: determinadas palavras com ou sem uma letra representando a vogal) ocorreram de
fato, e também por ser nossa crença (afirmada em Encontros Divinos) de que existia uma l etra a mais,
um Aleph, no início do Gênesis. Colocadas à parte as impl icações teológicas, a conseqüência imediata é
a distorção da contagem das letras.
Apesar disso, a decodificação de pal avras ou significados ocultos nos textos bíblicos deve ser aceita
como uma possibilidade séria, não apenas pelos exempl os citados acima, mas também por outras razões
importantes.
A primeira del as é que codificações e escritas cifradas foram descobertas em textos não hebreus na
Mesopotâmia, tanto na Babilônia quanto na Assíria. Incluem textos que começam ou terminam com o
al erta de que são secretos, para serem mostrados apenas aos iniciados (ou não serem expostos a ol hos
não-iniciados), sob pena de morte nas mãos dos deuses. Tais textos algumas vezes empregam métodos
de codificação decifráveis (tais como acrônimos), outras vezes permanecem um enigma. Entre os
primeiros, existe um hino do rei assírio Assurbanipal em l ouvor ao deus Marduk e à esposa de Marduk,
Zarpanit. Nel e, são utilizados os sinais silábicos cuneiformes no início das linhas para passar uma
mensagem ao deus Marduk. Além do método de acrônimos, o rei empregou um segundo método de
codificação: as sílabas que formavam a mensagem secreta começavam na linha 1, pul avam a linha 2,
continuavam na linha 3, pulavam a linha 4, e assim por diante, até a l inha 9. Daí em diante a mensagem
sal tava duas linhas por vez, retornando a uma na linha 26, retomando o espaço duplo na linha 36, depois
vol tando ao esquema inicial até o final do documento (inclusive o l ado de trás).
Nesse código dupl o, o rei assírio passava a seguinte mensagem ao deus (fornecemos a transcrição
horizontal, embora a mensagem fosse l ida verticalmente, de cima para baixo):
A-na-ku Ah-shur-ba-an-ni-ap-li
Eu sou Assurbanipal
Sha il-shu bu-ul-li-ta- ni-shu-ma Ma-ra-du-uk
Quem chamou a seu deus me deu a vida Marduk [e]
Da-li-le-ka lu-ud-lu
Louvo a vós
A descoberta de uma inscrição por um tal Shaggilkinamubbib, sacerdote do templ o de Marduk na
Babilônia, indica não apenas a acessibil idade do sacerdócio a tais códigos mas também l evanta questões
em relação à sua antiguidade. Naquele acrônimo (no qual existe um salto de onze l inhas entre as sílabas
codificadas), o nome do autor é cl aramente expresso. Tanto quanto se saiba, um sacerdote com esse
nome serviu no templo de Esagil na Babilônia por vol ta de 1400 a.C. Isso iria datar o conceito de
criptografia para a época do Êxodo. Como a maior parte dos estudiosos acha essa data muito remota
para digerir, prefere datá-l a no VIII sécul o a.C.
Um método bastante diferente foi util izado pel o rei assírio Esarhaddon, pai de Assurbanipal . Numa
estel a (conhecida pelos estudiosos como a Pedra Negra de Esarhaddon, atualmente no Museu Britânico,
que comemorava uma invasão histórica realizada por el e no Egito, afirmava que lançara uma campanha
mil itar não apenas com a bênção dos deuses, mas também sob a égide celestial das sete constelações que
"determinam as sortes" - uma referência às constel ações zodiacais. Na inscrição (localizada na lateral da
pedra), el e afirmava que os sinais cuneiformes que davam nome às constel ações "estão na semelhança
da grafia do meu nome, Asshur-Ah-Iddin" (Asarhaddon ou Esarhaddon).
Como funcionava exatamente esse código não fica claro; porém, pode-se perceber o significado oculto
mencionado pel o rei na mesma inscrição. Lidando com a restauração do templ o de Marduk, na
Babilônia, que o rei assírio assumiu como uma forma de ser também aceito como rei da Babilônia, el e
lembra que Marduk, zangado com os babilônios, decretou que a cidade e seu templ o deveriam
permanecer em ruínas por setenta anos. Esarhaddon conta que "Marduk escreveu no Livro das Sortes".
Entretanto respondeu aos apel os de Esarhaddon.
O misericordioso Marduk,
em um momento em que seu coração se agradou,
virou a tábua de cabeça para baixo
e, no décimo primeiro ano,
aprovou a restauração.
O que poderia ser deduzido ao observar esse oráculo oculto é que o ato do deus representou uma
manipulação dos números - com os símbolos, também cuneiformes que representavam os números. No
sistema sumério sexagesimal (de base 60), o símbolo para 1 podia significar tanto 1 como 60,
dependendo da posição. O sinal para 10 era um símbolo que parecia uma divisa mil itar. O que
Esarhaddon afirmou foi que o deus apanhou o Livro das Sortes, no qual o período do decreto era de 70
anos e o virou de cabeça para baixo, de forma que os caracteres cuneiformes representassem 11.
A associação entre mensagens ocultas e significados secretos não apenas com palavras, mas com
numerais e números chamava ainda mais atenção nos escritos de Sargão II, o avô de Assurbanipal.
Durante seu reinado (721-705 a.C.), ele fundou uma nova capital administrativo-militar ao l ado de uma
vila cerca de 32 km a nordeste da antiga capital real e centro rel igioso, Nínive. Seu nome assírio era
Sharru-kin (Rei Justo) e batizou a nova cidade de Dur Sharrukin (Forte Sargão - um sítio arqueológico
agora conhecido como Khorsabad). Na inscrição que comemora essa ocasião, escreveu que o sólido
muro construído ao redor da cidade tinha o comprimento de 16.283 cúbitos, "que é o número do meu
nome".
Tal uso de números para codificar palavras-sílabas aparece num texto conhecido como Exaltação a
Ishtar, em que o autor assina seu nome não com l etras, mas com números:
21-35-35-26-41
filho de 21-11-20-42
A chave para tais codificações numéricas permanece não-decifrada. Mas temos razões para crer
que esses métodos de codificação mesopotâmicos eram conhecidos dos profetas hebreus.
Uma das passagens mais difíceis na Bíblia é a profecia de Isaías sobre o tempo da Retribuição, quando
"uma grande trombeta será assoprada, e vol tarão todos os que se perderam nas terras da Assíria e
aqueles que se perderam nas terras do Egito, e serão submetidos a Javé na Montanha Sagrada em
Jerusal ém" Nesse tempo, Isaías profetizou, a confusão reinará e as pessoas perguntarão umas para as
outras "quem terá o entendimento" da mensagem que de alguma forma foi alterada para ocul tar o
significado:
Porque manda e torna a mandar,
manda e torna a mandar;
espera e torna a esperar,
espera e torna a esperar -Um pouco aí, um pouco aí;
porque em outra linguagem de lábio
e em língua estranha ele falará a este povo.
Isaías 28:10-11
Ninguém na verdade entendeu como "manda e torna a mandar" e "espera e torna a esperar" pode resultar
em "l íngua estranha" e "outra l inguagem". As pal avras hebraicas eram Tzav (ordem) e Kav (fil a) e em
mais de uma tradução moderna apareceram como "l ei" e "regra" respectivamente (The New American
Bible), "preceito" e "murmúrio" (Tanakh, as Escrituras Sagradas) ou mesmo" gritos agudos" e "berros
primais" (! ) (The New English Bible).
Que l inguagem pode ser confusa, ou seus sinais escritos assumirem um significado diferente, al terando a
ordem e a espera, aqui e ali? É nossa sugestão que o que o profeta Isaías - contemporâneo de Sargão II e
Senaqueribe - mencionava era a escrita cuneiforme dos assírios e babil ônios!
Naturalmente não se tratava de uma l inguagem desconhecida; porém, como o verso citado sobre os
estados, as mensagens que trazia não poderiam ser compreendidas porque haviam sido codificadas de
Kav a Kav, al terando uma linha aqui e outra l inha l á, portanto al terando a "ordem" do que a mensagem
dizia. A Tzav alterada sugere métodos de codificação (como o A/T-B/Sh) usando a ordem al terada das
letras.
A sol ução sugerida para o enigma dos versos 28: 10-11 pode servir para explicar as descrições
subseqüentes pelo profeta (29:10-12) da inabil idade de qual quer um compreender os escritos porque "as
pal avras do livro se tornaram para você como um livro sel ado". A última palavra, hatoom, geralmente é
traduzida como "selada", mas no uso bíblico possui a conotação de "ocul to", um segredo. Era um termo
empregado no mesmo sentido em que os mesopotâmicos guardavam escritos dos ol hos dos não
iniciados. Assim foi empregada no profético Cântico de Moisés (Deuteronômio 32: 34), em que Deus
afirma que as coisas que estão por vir "estão guardadas e seladas em meus tesouros". O termo também é
usado no sentido de "ocul to" ou "tornado secreto" em Isaías 8:17, e mais ainda no Livro de Daniel e no
simbolismo das coisas que virão ao Final das Coisas.
Isaías, cujas profecias estavam l igadas à área internacional e à codificação de mensagens reais em seu
tempo, tal vez tenha revelado a "pista" para a existência de um "Código Bíbl ico". Três vezes ele corrigiu
a palavra Ototh (sinais) para parecer Otioth - plural de Oth, que significa tanto "sinal" quanto "letra",
combinando o significado de l etras em sua profecia.
Já mencionamos a referência de Isaías a Javé como criador das Letras (do alfabeto). No verso 45:11 o
profeta, louvando a unidade de Javé, afirma que foi Javé quem "dispôs nas letras tudo aquil o que virá a
passar-se". E que tal disposição estaria codificada parece ser a forma para entender o enigmático verso
41: 23. Descrevendo como as pessoas desconcertadas na Terra irão procurar adivinhar o futuro pel o
passado, Isaías as menciona quando impl ora a Deus:
Diga-nos as letras de trás para a frente!
Em que a palavra Ototh teria significado: "Diga-nos os sinais desde o início das coisas". Porém o profeta
escolheu - três vezes - escrever Otioth, "l etras". O pedido cl aro é poder entender o plano divino
enxergando as letras de trás para a frente, como num código, no qual as l etras foram reordenadas.
Mas, como os exempl os da Mesopotâmia indicam, os acrósticos são um dispositivo simples demais, e o
verdadeiro código - ainda não decifrado, no caso de Sargão II – apoiava-se no valor numérico dos
caracteres cuneiformes. Já mencionamos o "segredo dos deuses" em rel ação ao número de classificação
del es - números que algumas vezes eram escritos ou evocados em l ugar dos nomes. Outros tabletes nos
quais a terminologia dos sumérios ficou retida, mesmo em textos acadianos (muitos permanecendo
obscuros por quebra das peças), apontam para o uso cl aro de numerol ogia como código secreto,
sobretudo quando os deuses estavam envolvidos.
Não é de admirar que, quando as letras do al fabeto hebraico recebessem val ores numéricos, tais valores
desempenhassem um valor maior na codificação e decodificação de sabedoria secreta do que como
letras. Quando os gregos adotaram o alfabeto, retiveram a prática de atribuir valores numéricos às letras;
e é pel os gregos que a arte e as regras para interpretação das letras, palavras ou grupos de pal avras
[conferindo um valor numérico convencionado a cada letra] recebem o nome de gematria.
Começando na época do Segundo Templo, a gematria numerológica se torna uma ferramenta nas mãos
dos estudiosos, assim como os gnósticos pesquisam os versos e palavras bíbl icas buscando números e
informações ocultas, ou para traçar novas regras onde as bíbl icas ficavam incompletas. Assim, quando
um homem jurava ser um nazirita, o período não especificado de abstenção devia ser de 30 dias, porque
a palavra que o definia YiHYeH (será) em Números, no capítul o 6, tem o val or numérico de 30. A
confrontação de pal avras e suas impl icações com seus equivalentes numéricos abria possibil idades
incontáveis de significados ocul tos. Por exemplo, foi sugerido que Moisés e Jacó tiveram uma
experiência divina similar, por causa de que a escada para o céu (Sulam em hebraico), que Jacó
enxergou em sua visão noturna, e o monte (Sinai), no qual Moisés recebeu as Tábuas da Lei, possuíam o
mesmo valor numérico, 130.
O emprego da numerologia e especialmente da gematria para detectar significados secretos atingiu
novos níveis com o crescimento, durante a Idade Média, do misticismo judaico conhecido como Cabala.
Naquel as buscas, uma atenção especial era dada a nomes divinos. Um dos mais importantes era o estudo
do nome que o Senhor Deus forneceu a Moisés, YHWH. "Eu sou aquele que sou, Javé é meu nome"
(Êxodo 3:14-15). Se forem simpl esmente adicionadas, as quatro letras do nome divino (o tetragrama)
total izam 26 (10+5+6+5), porém sob métodos mais compl exos advogados pelos cabalistas, nos quais os
nomes soletrados das quatro l etras (Yod, Hei, Wav, Hei) foram adicionados, o total perfaz 72. Os
equival entes numéricos desses números formam outras pal avras cheias de significado.
(No início da cristandade, um ramo de Alexandria sustentava que o nome do ser supremo e criador
primordial era Abraxas, a soma de cujas letras perfazia 365 - o número de dias num ano sol ar. Os
membros da seita costumavam usar camafeus feitos de pedras semi-preciosas, ostentando a imagem e o
nome do deus - freqüentemente IAW (abreviatura de Javé). Existem motivos para acreditar que Abraxas
derive de Abresheet, "Pai/Progenitor do Começo", que propusemos como a primeira pal avra compl eta,
iniciando com" A", do Gênesis, em vez da atual Bresheet que faz o Gênesis iniciar com "B". Se o
Gênesis realmente tivesse mais uma letra, a seqüência de códigos agora vigente teria de ser
reexaminada.)
Quanto valor se pode ligar a códigos ou significados numéricos - um código inerente às próprias
letras, e não um espaçamento arbitrário entre elas? Porque essas práticas eram utilizadas no
tempo dos sumérios, válidas entre os acadianos e em todas as épocas, eram consideradas um
"segredo dos deuses" que não devia ser revelado aos não iniciados, e por causa da ligação ao
DNA, acreditamos que os códigos secretos eram numéricos!
Na verdade, uma das pistas mais óbvias (e, como numa história de detetive, a mais ignorada) é o próprio
termo para "l ivro", SeFeR em hebraico. El e deriva da raiz SFR, assim como a pal avra para
escritor/escriba (Sofer), contar (Lesapher), e história ou narrativa (Sippur), e assim por diante.
Porém a mesma raiz também se refere a tudo que se rel aciona com números! Contar é Lisfor, numeral é
Sifrah, número é Mispar, contagem é Sephirah. Em outras pal avras, desde o instante em que a raiz
hebraica de três l etras surgiu, escrever com letras e contar com números foram considerados a mesma
coisa.
Realmente, existem momentos na Bíbl ia Hebraica em que os significados "l ivro" e "número" são
intercambiáveis, como em Crônicas I, 27: 24, onde, l embrando um censo conduzido pel o rei Davi, a
pal avra "número" foi usada duas vezes na mesma sentença, uma para mostrar o número (de pessoas
contadas), outra para mencionar o livro de registros de Davi.
Tal significado duplo, talvez triplo, desafiou os tradutores do verso 15 no salmo 71. Ao procurar a ajuda
de Deus, embora não conhecesse todos os milagres do Senhor, o salmista jurou contar todos os feitos de
sal vação e justiça, "embora eu não conheça Sefuroth". A versão do rei James traduz a pal avra como
"números"; tradutores mais modernos preferem a conotação de "dizer", - "contar". Porém nessa forma
incomum, o salmista incl uiu um terceiro significado, o de "mistérios".
À medida que a época se tomava mais turbulenta na Judéia, com uma revol ta (aquela dos macabeus
contra o domínio grego) seguida por outra (contra a opressão dos romanos), a busca de mensagens de
esperança - augúrios messiânicos - intensificou-se. A l eitura de textos antigos para encontrar números
codificados desenvolveu-se para o uso de números como códigos secretos. Um dos exempl os mais
enigmáticos e mel hores codificados passou para o Novo Testamento: o número de uma "besta"
codificou-se como "666" no Apocal ipse.
Aqui há Sabedoria;
quem tem Inteligência
calcule o número da besta.
Porque é Número de Homem;
e o número dele é 666.
Apocal ipse 13: 18
A passagem trata de expectativas messiânicas, da queda do mal, e em seguida de uma Segunda Vinda, o
retorno do Reino dos Céus para a Terra. Incontáveis tentativas foram feitas ao longo dos mil ênios para
decifrar o código numeral de "666" e assim compreender a profecia. O número aparece claramente no
manuscrito (grego) do livro cujo título completo é O Evangelho Segundo São João, que começa com a
afirmação: "No início era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" e está repl eto de
referências numéricas. Usando os val ores numéricos das letras gregas (que seguem de perto o sistema
hebraico) e os métodos de gematria, foi sugerido que a ' ' besta' ' era o cruel Império Romano, porque o
val or numérico da pal avra LATEINOS era 666. Outros sugeriram que o código numérico era rel ativo ao
próprio imperador (Trajano), cujo nome do meio, ULPIOS, também resul tava no número 666. Outra
sugestão ainda era que o código era em hebraico, para Neron Qesar (Nero, o Imperador), cuja grafia
hebraica era N-R-W-N + Q-S-R, que também somava 666; e assim por diante, numa variedade de
gematrias que usavam adição direta ou métodos de triangulação.
A possibilidade de que o segredo codificado de "666" seja relacionado com o hebraico em vez do grego
ou romano pode ser a chave para resolver finalmente o enigma. Descobrimos que 660, em hebraico, é o
equival ente numérico de SeTeR - uma coisa escondida, um mistério ocul to; foi empregado na Bíblia em
ligação com os divinos Sabedoria e Entendimento, ocultos do homem. Para torná-la 666, a letra Wav (6)
precisa ser adicionada, trocando o significado de "segredo" para "seu segredo" SiTRO, "sua coisa
escondida". Alguns acham que essa conotação de "seu segredo" descreve uma "escuridão aquosa" onde
a Batal ha Celestial com Tiamat é recordada:
A Terra balançou e tremeu,
os alicerces das colinas se abalaram...
Saiu fumaça das narinas dele,
um fogo devorador de sua boca...
Ele tornou a escuridão seu segredo,
com uma escuridão molhada e nuvens celestiais cobertas.
Salmos 18:8-12
Existem referências repetidas na Bíblia àquela Batalha Cel estial , que na Epopéia da Criação
mesopotâmica ocorreu entre Nibiru/Marduk e Tiamat, e na Bíbl ia foi entre Javé, como Criador
Primitivo, e Tehom, uma "profundeza mol hada". Tehom/Tiamat era al gumas vezes referido como
Rahab, o "apressado", ou escrito com uma inversão das l etras: RaBaH ("O grande") em vez de RaHaB.
As palavras no salmo 18 ecoam uma afirmação bastante anterior no Deuteronômio 29: 19, no qual os
julgamentos de Javé "na última geração" são profetizados e descritos numa época em que "sairá fumaça
das narinas" de Deus. Essa época de narração final muitas vezes é referida na Bíblia pelo advérbio Az -"então", naquel e futuro em particular.
Se o autor do Apocal ipse, como fica evidente, também tinha em mente aquel e Az, aquele "então" na
época da Úl tima Geração, quando o Senhor há de aparecer como fez quando o Céu e a Terra foram
criados, na época da batal ha com Tehom Rabah (um termo usado em combinação em Amós 7:4, Salmos
36: 7, Isaías 5: 10), depois uma aproximação numérica ao enigma do "666" iria sugerir que o Apocalipse
falava da Vol ta do Senhor Celestial num renascimento da Batal ha Cel estial : pois a soma total do valor
numérico de Az + Tehom + Rabah é 666.
Tal tentativa, feita por nós para decodificar o número “666”, reconvertendo-o em l etras e depois
procurando pal avras contendo essas l etras no Vel ho Testamento, não cobre todas as possibilidades. A
transmutação de Abresheet em Abraxas (com um val or numérico de 365) como uma divindade suave, as
referências bíblicas (citadas anteriormente) a códigos em escrita cuneiforme ao alterar as linhas dos
sinais, assim como a referência à leitura de trás para a frente, assim como o emprego do A-T-B-Sh para
esconder identidades de deuses estrangeiros, l evantam a questão: até que ponto, sobretudo quando o
destino dos hebreus misturou-se tanto ao de outros povos e seus deuses, as informações bíbl icas
codificadas escondiam mesmo dados secretos de escritos estrangeiros e seus panteões? Se as histórias da
criação no Gênesis eram mesmo versões mais curtas dos segredos da criação no Enuma elish, e quanto
àquelas partes secretas, revel adas a Enmeduranki, Adapa (e Enoch)?
Lemos no Gênesis que, quando o faraó promoveu José, que interpretava sonhos, a ministro, deu a el e
um nome apropriado para um egípcio ocupando aquele al to cargo: Zofnat-Pa' aneach.
Enquanto os estudiosos tentaram reconstruir a escrita hierogl ífica e o significado egípcio do nome-epíteto, o que se torna óbvio é que na real idade aquele era um nome codificado em hebraico, pois nessa
língua significava claramente "O que resol ve" (Pa' aneach) "coisas secretas/escondidas" (Zofnot).
Tais transfigurações de l inguagem/letra/número reforçam a questão (e a possibilidade) - não apenas em
relação ao motivo para o "666" - dos códigos incluírem al usões a outras divindades e panteões
conhecidos na Antiguidade.
Um dos aspectos inexpl icados do al fabeto hebraico é que cinco letras são escritas de forma diferente
quando col ocadas ao final da pal avra. Se formos nos aventurar em Pardes, a "al cova proibida", e adotar
a premissa de um código combinando números e letras, diríamos que, lendo ao contrário (da esquerda
para a direita), a razão codificada para essas cinco letras é um "código secreto" (Zofen) de "60" (M+Kh),
que é o número secreto de Anu!
Se for assim, é apenas uma coincidência que a primeira letra da palavra hebraica para "segredo" - SOD -("S") possua o valor numérico "60", e ainda mais que o val or numérico da palavra inteira seja "70" - o
número secreto da desol ação decretada por Marduk (depois revertida por ele mesmo) para a cidade de
Babilônia? Sobre o mesmo assunto, a afirmação (em Jeremias e outros l ugares) de que a desol ação de
Jerusal ém e seu Templ o duraria os mesmos setenta anos - uma profecia - foi apresentada como
revelação de um segredo, um Sod, de Deus?
É uma abordagem que aceita a possibil idade de que o Velho Testamento, assim como o Novo
Testamento foram aproveitados para conter antigos segredos mesopotâmicos, que poderiam levar a uma
nova sol ução possível para o enigma "666".
Uma das raras circunstâncias em que o número "6" foi revel ado como classificação divina foi num
tablete reconstruído por Alasdair Lvingstone em Mystical and Mythological Explanatory Works of
Assyrian and Babylonian Scholars ("Trabal hos de Expl icação Mística e Mitológica de Eruditos Assírios
e Babil ônicos"). O tabl ete reconstruído - que apresenta o aviso em rel ação aos segredos que contém -começa com 60 como o número do "deus preeminente, pai dos deuses" e depois, numa coluna separada,
revela sua identidade: Anu. Seguido por Enl il (50), Ea/Enki (40), Sin (30) e Shamash (20). Nessa lista,
Adad, "deus dos raios e trovões", corresponde a "6". À medida que a l ista continua, encontramos o
"600" como número secreto dos anunnaki.
O que emerge do tablete mesopotâmico em rel ação aos números secretos dos deuses pode muito bem ser
a chave para resolver por fim o mistério do "666", examinando-o como um número codificado à moda
suméria:
600 = Os anunnaki, "Aquel es que Vieram do Céu para a Terra".
60 = Anu, o governante supremo.
6 = Adad, um dos deuses que ensinam técnicas.
____
666 = "Aqui está a Sabedoria", "Contada por ele, que possui Entendimento".
(A proximidade de Anu e Adad começou no II mil ênio a.C. e não encontrou apenas expressões textuais,
mas também expressou-se no fato de possuírem templ os em conjunto. Por incrível que pareça, a Bíblia
também lista Anu e Adad um junto ao outro numa lista de deuses de "outras nações" - Reis II, 17: 31).
Os números secretos dos deuses servem como pistas para decifrar o significado oculto em outros nomes
divinos. Assim, quando o al fabeto foi concebido, a l etra "M" - Mem, de Ma'yim, água, igual ava-se aos
pictogramas egípcio e acadiano da água (um pictograma de ondas), assim como a pronúncia nessas
linguagens para "água". Teria sido apenas coincidência que o valor numérico para o "M" no al fabeto
hebraico seja "40" - o número secreto de Ea/Enki, "cujo lar é a água", o protótipo de Aquário?
Havia um código numérico igualmente secreto que se originou na Suméria para YaHU - a forma
abreviada para o tetragrama YaHWeH? Havia um iniciado sumério que procurava aplicar o código
secreto de números ao seu nome "teofórico" (como aquel es usados em prefixos e sufixos em nomes
pessoais). Poder-se-ia dizer que YHU é um código secreto para "50" (IA = 10, U = 5, IA.U = 10x5 =
50), com todas as implicações teol ógicas.
Enquanto a atenção se focal izou no "significado" do "666", achamos no verso críptico do Apocalipse
uma afirmação da maior importância. O código secreto se refere à Sabedoria, e só pode ser decifrado
pel os que possuem Entendimento.
Esses são precisamente os dois termos usados pelos sumérios, e pelos que vieram depois deles,
para indicar o conhecimento secreto que os anunnaki ensinavam apenas aos iniciados
privilegiados.
Na base do conhecimento incrível e abrangente dos sumérios, está uma quantidade comparável de
números. Como o assiriologista-matemático Herman V. Hil precht observava no início do sécul o XX,
após a descoberta de numerosos tabletes mesopotâmicos sobre matemática - The Babylonian Expedition
of the University of Pennsylvania ("A Expedição Babil ônica da Universidade da Pensilvânia") -, "todas
as tabelas de mul tipl icação e divisão das bibl iotecas do templ o em Nippur e Sippar, e da bibl ioteca de
Assurbanipal em Nínive, são baseadas no número 12.960.000” - um número virtualmente astronômico,
um número que requeria uma espantosa sofisticação para ser compreendido, e cuja utilidade para os
humanos no IV mil ênio a.C. parece completamente questionável .
Porém ao analisar esse número - com o qual começavam al guns tabl etes matemáticos -, o prof. Hil precht
concluiu que só podia ser relacionado ao fenômeno da precessão - o retardamento da Terra em sua
órbita ao redor do Sol, que l eva 25.920 anos para compl etar-se (até que a Terra retorne exatamente ao
mesmo l ugar). Esse círcul o completo das doze casas do Zodíaco foi chamado de Grande Ano. O número
astronômico 12.960.000 representa 500 Grandes Anos. Mas quem, a não ser um anunnaki, poderia
entender isso? Ou para quem, também a não ser um anunnaki, poderia ser útil um período tão grande de
tempo?
Ao considerar sistemas numéricos e de contagem, o sistema decimal (base dez) é obviamente agradável
ao homem, resul tado da contagem dos dedos das mãos. Mesmo o intrigante sistema do calendário maia,
que divide o ano em 18 meses de 20 dias cada (mais 5 dias especiais no final do ano), pode ser
relacionado com o número de dedos dos pés e das mãos, 20. Porém onde os sumérios foram buscar o
sistema sexagesimal (base 60), utilizado na contagem do tempo (60 minutos, 60 segundos), em
astronomia (o círculo cel este de 360 graus) e na geometria?
Em nosso l ivro When Times Began ("O Começo do Tempo"), sugerimos que os anunnaki, vindos de um
pl aneta cujo período orbital (um ano em Nibiru) equivalia a 3.600 órbitas do pl aneta Terra, precisavam
de algum tipo de fator determinante para períodos tão diversos - e encontramos um no fenômeno da
precessão (que apenas el es, não homens com períodos curtos de vida, determinados pel a órbita terrestre,
poderiam ter descoberto). Quando dividiram o círculo cel estial em doze partes, o retardo precessional -que poderia ser facilmente observado por el es - era de 2.160 anos por "casa". Sugerimos que isso levava
à razão de 3.600: 2.160, ou 10: 6 (a proporção áurea dos gregos) e o sistema sexagesimal que progride
segundo 6 x 10 x 6 x 10, e assim por diante (resul tando em 60, 360, 3.600, e assim por diante até o
imenso número de 12.960.000).
Nesse sistema, vários números de importância cel este ou sagrada parecem desl ocados. Um é o número
sete, cujo significado na história da criação é tão facilmente reconhecido, como o sétimo dia da Criação
ou o nome da casa de Abraão Beer-Sheba ("O Poço dos Sete"). Na Mesopotâmia era apl icado aos Sete
Que Julgam, Os Sete Sábios, os sete portões do Mundo Inferior, os sete tabletes do Enuma elish. Era um
epíteto de Enlil (Enl il é sete, afirmavam os sumérios); e, sem dúvida, o que deu origem ao significado:
era o número planetário da Terra. "A Terra (KI) é o sétimo" [planeta] afirmam todos os textos sumérios.
Isso, como já expl icamos, faz sentido apenas para al guém vindo do espaço exterior em direção ao centro
do Sistema Solar. Para quem vem, por exemplo, do distante Nibiru, Pl utão seria o primeiro planeta;
Netuno e Urano, o segundo e terceiro; Saturno e Júpiter, o quarto e quinto; Marte seria o sexto, a Terra
seria o sétimo; Vênus o oitavo - como, de fato, esses pl anetas foram representados nos monumentos e
nos cilindros e tabletes.
(Em hinos sumérios para Enl il "o Todo-Benemérito", ele era invocado para prover comida e bem-estar
à terra, e também para garantir tratados e acordos. Não é de espantar, então, que, em hebraico, a raiz de
onde deriva o numeral sete - Sh-V-A - seja a mesma de onde derivam as palavras para "estar saciado" e
para "jurar, fazer uma promessa".)
O número 7 é um número-chave em Apocalipse (7 anjos, 7 sel os, e assim por diante). Da mesma forma,
outro número extraordinário: o 12 e seus múl tiplos, como 144.000 em Apocalipse 7:3-5, 14:1 etc.). Já
mencionamos suas aplicações e seu significado como número de membros de nosso Sistema Sol ar (o
Sol , a Lua e 10 planetas - os 9 que conhecemos mais Nibiru).
Então vem o número pecul iar 72. Dizer, como já foi feito, que ele é simpl esmente o resul tado da
multipl icação de 12 por 6, ou que, quando multipl icado por 5 resulta em 360 (como o número de graus
num círculo), é afirmar o óbvio. Mas por que 72?
Já observamos que a Cabala chegou, por meio da gematria, ao número 72 como o número secreto de
Javé. Embora obscurecido pela passagem do tempo, quando Deus instruiu Moisés e Aarão a se
aproximarem do Monte Sagrado levando 70 dos anciãos de Israel , o fato é que Moisés e Aarão possuíam
72 companheiros: al ém dos 70 anciãos, Deus disse que convidassem dois dos fil hos de Aarão (embora
Aarão tivesse quatro), perfazendo um total de 72.
Entre outros l ugares, encontramos esse número na história egípcia que narra a contenda entre Hórus e
Seth. Ao rel atar a história a partir de textos em hieróglifos, Pl utarco (em De Iside et Osiride, em que
compara Seth com Tifão dos mitos gregos) afirma que Seth enganou Osíris para entrar no baú na
presença de 72 "camaradas divinos".
Por que então 72 nessas várias situações? A única resposta plausível, acreditamos, pode ser
encontrada no fenômeno da precessão, pois o número 72 representa a quantidade de anos
necessária para retardar a Terra em um grau.
Até hoje não é certo como surgiu o conceito de Jubileu, o período de 50 anos decretado na Bíbl ia e
usado como unidade de tempo no Livro dos Jubileus. Aqui está a resposta: para os anunnaki, cuja órbita
ao redor do Sol durava 3.600 anos terrestres, a órbita passava por 50 graus precessionais (50 x 72 =
3.600)!
Tal vez fosse mais do que uma coincidência que o número secreto de Enlil - e o número buscado por
Marduk - também era 50, já que era um dos números que expressavam o rel acionamento entre o Tempo
Divino (derivado dos movimentos de Nibiru), Tempo Terrestre (relativo aos movimentos da Terra e sua
Lua), e o Tempo Cel estial (ou zodiacal, resul tado da precessão). Os números 3.600, 2.160, 72 e 50 eram
números que pertenciam às Tabelas dos Destinos no coração de DUR.AN.KI, em Nippur. Eram
números que expressavam a verdadeira "Ligação Céu-Terra".
A Lista de Reis Sumérios afirma que 432.000 anos (120 órbitas de Nibiru) se passaram desde a chegada
dos anunnaki à Terra até o Dilúvio. O número 432.000 também é mencionado no conceito hindu de
passagem das Eras e catástrofes periódicas que se abateram sobre a Terra.
O número 432.000 também representa 72 x 6000. E talvez seja interessante lembrar que, de
acordo com os sábios judeus, a contagem de anos no calendário hebreu - 5763 em 2003 chegará a
um término quando alcançar 6.000; completará então seu ciclo.
Parece evidente, dos antigos registros rel acionados aos iniciados - Adapa, Enmeduranna, Enoch -, que o
cerne da sabedoria e da compreensão revelado a el es, não importando o resto, era astronomia, cal endário
e matemática (o "segredo dos números"). De fato, como ficou demonstrado pel as práticas de codificação
na Antiguidade, o elo comum entre el es, não importa qual a linguagem usada, eram os números. Se
houve al gum dia uma l inguagem universal na Terra (como afirmam os textos sumérios e a Bíblia), teria
de possuir uma base matemática; e se - ou melhor, quando - nos comunicamos com extraterrestres,
como já foi feito com os anunnaki em suas visitas, e como faremos quando nos lançarmos ao espaço
exterior, a l inguagem cósmica será de números.
Na verdade, os sistemas atuais de computação já adotaram uma linguagem de números universal.
Quando, numa máquina de escrever, a tecla para a l etra "A" é pressionada, uma al avanca se move e
atinge o papel com o tipo "A". Nos computadores, quando a tecl a "A" é pressionada, um sinal eletrônico
é ativado, usando "0s" e "l s" para expressar o "A": a letra foi digital izada. Os computadores modernos
possuem, em outras pal avras, letras convertidas em números; pode-se afirmar que eles apresentam uma
escrita "gematriada".
E, se levarmos a sério as afirmações bíbl icas e sumérias sobre a inclusão de conhecimento médico na
Sabedoria e no Entendimento passado a nós - em algum l ugar dos textos meticulosamente copiados ou
"canonizados", estará ali a chave para l idar com toda a sabedoria genética embutida em nossa criação,
que ainda nos acompanha na saúde, na doença e na morte?
Atingimos o ponto em que nossos cientistas identificaram um gene específico - chamando-o, vamos
dizer, P51 - num local específico no cromossomo 1 ou 13 ou 22, rel acionando-o com uma doença
específica. Esse gene e essa localização podem ser expressos em computadores - agora em números, ou
em l etras, ou em combinações entre ambos.
Já existe, naqueles textos antigos, especialmente na Bíbl ia Hebraica, essa informação genética
codificada? Se apenas pudéssemos decifrar tal código, nos tornaríamos seres como o "Modelo Perfeito"
que Enki e Ninharsag pretenderam criar.
9
PROFECIA: ESCRITOS DO PASSADO
A crença da humanidade de que al guém no passado poderia prever o futuro - o que, na linguagem
suméria, significava conhecer o Destino e determinar a Sorte - era fundada na palavra escrita. Revel ada
ou secreta, direta ou codificada, a informação tinha de ser gravada e escrita. Um pacto, um tratado, uma
profecia - que val esse para aquel es al i presentes e também para aqueles que habitassem o futuro.
Quando os arqueólogos escavam um l ocal antigo, nada é mais excitante do que "alguma coisa" com
sinais escritos - um objeto, um tijolo, uma superfície de pedra, cacos de argila e, desnecessário dizer,
tabletes ou papiros com escrita cuneiforme ou hierogl ífica. Qual era o l ugar, qual o nome antigo, a que
cul tura pertencia, quem eram os governantes? Algumas cartas escritas e, claro, textos compl etos.
Um dos mais antigos antiquários, se não arqueólogo, foi o rei assírio Assurbanipal. Acreditando que seu
próprio destino e o da terra estavam determinados havia muito tempo, fez registros escritos desde os
primeiros saques das cidades por ele conquistadas; a bibl ioteca de Nínive tal vez fosse, naquel a época
(sécul o VII a.C.), a maior coleção de tabletes do mundo, contendo incontáveis textos antigos de "mitos"
e epopéias, anais reais e o que seriam "l ivros" sobre astronomia, matemática, medicina e outros textos
de valor incalculável. Os tabl etes eram arrumados cuidadosamente em pratel eiras de madeira, e cada
pratel eira começava com um tablete-catálogo, l istando tudo o que se encontrava na prateleira. No total:
um enorme tesouro de antiga sabedoria, registros e profecias. Boa parte dos textos agora conhecidos
vieram desses tabl etes, ou fragmentos del es, encontrados em Nínive. Ao mesmo tempo, os tabl etes-catálogo revel aram o que ainda está faltando e ainda não foi descoberto.
Uma das coisas que fal tavam - pois ninguém conseguira duplicatas em nenhum lugar - era o que o
próprio Assurbanipal identificou como "escritos anteriores ao Dil úvio"; sabemos que existiram porque
Assurbanipal se gabava de poder l er aquelas l etras.
A afirmativa do rei, convém observar, não foi l evada muito a sério pelos arqueólogos. Alguns
corrigiram as afirmações reais em seus textos para "escritos em sumério", pois parecia incrível não
apenas afirmar que havia escrita mil ênios antes das civilizações mesopotâmicas, como também que tal
escrita e os tabl etes houvessem sobrevivido a uma catástrofe gl obal .
Ainda assim, outros textos e fontes, não relacionados a Assurbanipal ou ao seu tempo, faziam as
mesmas afirmações. Adapa, um iniciado antedil uviano, escreveu um livro cujo título, em sumério, era
U.SAR Dingir ANUM Dingir ENLILA (Escritos do Tempo do Divino Anu e [do] Divino Enlil).
Enoch, outro ancestral antedil uviano, vol tou do céu com 360 "livros" - um número não apenas com uma
al usão celestial/matemática, mas que, convertido em letras SeQeR (60 + 100 + 200) - "o que está
escondido". O nome-lugar Sacara, no Egito, o "l ocal escondido" de pirâmides e funerais primitivos,
deriva da mesma raiz.
O Livro de Enoch (conhecido como Enoch 1) se apresenta como escrito pelo próprio Enoch, na primeira
pessoa. Embora para todas as autoridades tenha sido compil ado pouco antes do início da Era Cristã,
citações dele em trabalhos mais antigos e outros textos extrabíbl icos (Assim como o fato de ter sido
canonizado no início da Era Cristã) atestam que foi baseado em textos verdadeiramente antigos. No
livro em si, depois de uma breve introdução que expl ica quem eram os nefilim (do Gênesis 6), Enoch
afirma que o que se segue é "o livro dos justos e de repressão ao nefilim eterno" ouvido por el e durante
uma visão e que Enoch registra "em linguagem humana" - uma l inguagem "que o Altíssimo deu para
que os homens usassem naquele momento".
Tendo recebido conhecimento sobre os céus e a Terra com seus mistérios, Enoch recebeu ordem para
escrever as profecias de eventos futuros (segundo o Livro dos Jubileus, Enoch viu "0 que foi e o que
será"). Embora os estudiosos presumam que as "profecias" fossem percepções tardias, a incorporação de
textos antigos em Enoch I e sua subseqüente canonização atestam que, na época do Segundo Templo,
acreditava-se firmemente que o futuro podia ser previsto do passado por inspiração divina - mesmo
ditado pelo próprio Senhor ou por Seus anjos para os humanos, a fim de ser registrado e transmitido
para as gerações futuras.
Ainda mais enfática ao afirmar que Enoch trouxe com el e l ivros que continham não apenas sabedoria
científica, mas também profecias sobre o futuro é a versão conhecida como Enoch II, ou pel o títul o
completo de O Livro dos Segredos de Enoch. Afirma que Deus instruiu Enoch para "dar seus l ivros
escritos à mão para seus fil hos", de forma que pudessem ser passados "de geração em geração e de
nação em nação". Então Deus descerrou para el e os "segredos da Criação" e os ciclos dos
acontecimentos na Terra. "No início do oitavo mil ênio haverá uma época de não contagem [uma época]
sem anos, meses ou semanas, dias ou horas." (Enoch II, 33: 1-2)
Uma referência é feita a escritos ainda mais antigos que pertenciam aos ancestrais de Enoch, Adão e
Seth - "escrita que não deve ser destruída até o final dos tempos". Existe também referência a uma
"tabel a" que Deus "col ocou na Terra" e "ordenou que fosse preservada, e que a cal igrafia de seus pais
fosse preservada, e que não perecesse durante o Dilúvio que deverei produzir sobre tal raça".
A referência a um futuro Dil úvio, incl uída em Enoch II como uma revel ação profética de Deus a Enoch,
menciona "caligrafias" tanto de Adão como de seu filho Seth, e uma divina "tabel a" depositada na Terra
e que sobreviveria ao Dilúvio. Se tais "cal igrafias" existiram, devem ser contadas entre os escritos
antedil uvianos desaparecidos. Na época do Segundo Templ o, considerava-se que entre esses escritos
estava o Livro de Adão e Eva, no qual muitos detal hes eram fornecidos, aumentando a história bíblica.
Os estudiosos concordam que em Enoch I incorporou, ao pé da letra, partes de um manuscrito muito
anterior chamado o Livro de Noé, um trabalho mencionado em outros escritos além do Livro de Enoch.
Poderia bem ter sido a fonte dos enigmáticos oito versos no capítulo 6 do Gênesis, precedendo a
narrativa bíblica do Dil úvio e seu herói, Noé, cujos versos falam dos nefilim, os "fil hos do El ohim" que
casaram com as Fil has de Adão, como motivo para a decisão divina de varrer a humanidade da face da
Terra. Ali a história é contada inteira, os nefilim são identificados, a natureza da ira divina é explicada.
Retornando ao tempo dos sumérios, incl ui detal hes só conhecidos por intermédio do texto
mesopotâmico Atra Hasis.
É mais do que provável que os dois l ivros mencionados acima - o Livro de Adão e Eva e o Livro de Noé
- de fato tenham existido, de uma forma ou outra, e eram conhecidos pel os que compilaram o Vel ho
Testamento. Depois de descrever a criação de Adão e Eva, o incidente no Jardim do Éden, o nascimento
de Caim e Abel, e depois de Enoch, o Gênesis recomeça (no capítul o 5) o registro geneal ógico,
afirmando: "Este é o livro das gerações de Adão", e narra outra vez a história da criação. A palavra
hebraica traduzida como "gerações" (Toledoth) tem a conotação mais ampl a do que apenas "gerações" –
lembra "as histórias de" e os textos que se seguem dão a impressão de ser um sumário baseado em
al guma l ista bem maior.
O mesmo termo, Toledoth, começa a história de Noé e o Dilúvio. Mais uma vez traduzidas por "Essas
são as gerações de Noé", as pal avras realmente iniciam a história não só de Noé como a do Dilúvio -uma história baseada, sem dúvida, em textos sumérios (depois acadianos).
É interessante e intrigante imaginar o que o Livro de Noé continha para ser encontrado no Livro dos
Jubileus, mais um livro apócrifo (extrabíblico) da época do Segundo Templo (ou anterior). Afirma que
os anjos "expl icaram a Noé todos os remédios, todas as doenças e como curá-l as com as ervas da Terra,
e Noé anotou essas coisas num l ivro, sobre todas as curas". Depois do Dil úvio, Noé deu tudo o que
escreveu para seu fil ho Sem.
Iniciando um novo capítul o não apenas na Bíblia mas em todos os assuntos humanos, a palavra Toledoth
é encontrada outra vez no capítul o 10 do Gênesis. Ao lidar com épocas pósdiluvianas, começa: "Essas
são as ' gerações' dos fil hos de Noé: Sem, Cam e Jafé; deles nasceram filhos depois do Dil úvio". A l ista
geral, apelidada pelos estudiosos de Tábua das Nações, retrocede até Sem e seus descendentes e presta
atenção especial à linhagem do filho do meio, Arpakhshad, no mesmo capítulo, retornando ao assunto
no capítul o 11, com a abertura: "Essas são a geração de Sem". O significado, logo entendemos, é que el e
era ancestral direto da família de Abraão.
A existência de um livro que podemos arbitrariamente chamar de o Livro de Sem, ou mais
especificamente, o Livro de Arpakhshad, é sugerida por outra tradição em rel ação a escritos anteriores
ao Dilúvio. A referência é encontrada no Livro dos Jubileus; nos informa que Arpakhshad, um neto de
Noé, aprendeu com seu pai, Sem, a l er e escrever; ao procurar um l ocal para se estabelecer, "encontrou
um escrito que uma geração anterior havia deixado na pedra, leu e transcreveu o que estava escrito".
Entre outras informações, "incl uía os ensinamentos dos nefilim em relação a como observar os augúrios
no Sol e na Lua, nas estrelas e nos sinais do céu". Essa descrição do conteúdo dos escritos dos nefilim -portanto anteriores ao Dil úvio - é um paralelo com as pal avras no Livro de Enoch sobre o conhecimento
do Sol, da Lua e das estrel as/planetas do céu, que el e aprendeu a partir das "tabel as celestiais, e o que
estava escrito no interior". Tudo o que Enoch passou a seu fil ho Matusal ém, dizendo a el e:
Todas essas coisas eu transmito a ti
e escrevo para ti;
revelei tudo a ti
e lhe dei os livros que contêm tudo isso.
Portanto preserve, meu filho Matusalém,
os livros da mão de teu pai
e os entregue às gerações do mundo.
Uma referência não ambígua a escritos antedil uvianos e o que aconteceu a eles até a destruição pel as
águas foi em rel ação aos escritos de Beroso. Um sacerdote-historiador da Babil ônia que compil ou uma
história da Humanidade para os líderes gregos do Oriente Médio depois da morte de Alexandre, e teve
acesso a uma bibl ioteca de textos antigos em acadiano (e possivelmente em sumério: no primeiro
vol ume de seus escritos, descreveu eventos desde o pouso de Ea no mar até o Dilúvio, chamando o herói
da Grande Enchente por seu nome sumério, Ziusudra). Nos fragmentos dos escritos de Beroso ainda
disponíveis nos historiadores gregos, afirma-se que depois que Ea/Enki revelou a Sisithros (= Ziusudra)
que haveria um Dil úvio, "ordenou que el e escondesse todos os escritos disponíveis em Sippar, a cidade
de Shamash. Sisithros realizou todas essas coisas, vel ejou imediatamente para a Armênia e, então, o que
o deus anunciara aconteceu". Os escritos eram sobre "inícios, meios e finais".
Beroso continuou a relatar que entre os que se encontravam na arca e sobreviveram estava Sambethe, a
esposa de um dos fil hos de Ziusudra/Noé - seu nome provavelmente era uma corruptela do sumério ou
acadiano Sabitu (A Sétima). De acordo com Beroso, "ela foi a primeira das Sibil as e profetizou os
acontecimentos rel ativos à construção da Torre da Babil ônia e tudo o que aconteceu; isso se deu antes
da divisão da linguagem".
A essa primeira de uma l inhagem de profetisas de orácul o (a mais afamada foi a Sibil a de Del fos) foi
atribuído o papel de intermediária entre os deuses e os sobreviventes do Dilúvio. Ela transmitia a el es as
pal avras que "uma voz no ar" proferia, ensinando-os a sobreviver após o Dil úvio e a "como recuperar de
Sippar os livros que descreviam o futuro da Humanidade".
As tradições e lembranças em rel ação aos escritos de antes da Enchente claramente persistiam em
afirmar que, al ém de todas as formas de conhecimentos científicos, incluíam profecias em rel ação ao
futuro. Incl uíam, metade das vezes, não apenas eventos que afetariam al guns indivíduos ou nações, mas
também a humanidade toda e o futuro da Terra.
Enoch viu o "que passou e o que será" e escreveu para as futuras gerações sobre os segredos da criação e
os ciclos de eventos na Terra. Deus col ocou uma "tabela" na Terra, determinando o destino do planeta e
tudo o que havia sobre el e. Os escritos de antes do Dilúvio diziam respeito a "inícios, meios e finais".
De fato, quando se observam as crenças que dizem respeito a afirmações diversas, começa-se a entender
por que a edição do Gênesis em seu original hebraico omitiu o Al eph para iniciar com o Beth. A própria
noção de início traz com ela a idéia de fim. A própria admissão de que os escritos antigos, contendo
tudo o que havia para conter - os antigos ' ' bancos de dados", para usar l inguagem de computador -,
devem ser preservados até o "final dos tempos" ou "final dos dias" implica que tal final está previsto. Ao
começar com o Beth, os editores da Bíblia aceitavam essa crença.
Esses conceitos permeiam a Bíblia, desde o início no Gênesis, ao l ongo dos l ivros dos Profetas até o
livro final (da Bíblia Hebraica). "E Jacó chamou seus filhos e disse: venham e vou contar o que se
passará com vocês até o fim dos dias" (Gênesis 49:1). Temendo que os israelitas abandonassem seu
comando após sua morte, Moisés os al ertou para os "males que recairão sobre vocês nos últimos dias"
(Deuteronômio 31: 29). Al ém desse al erta, havia uma previsão - uma profecia - sobre a Sorte e o futuro
de cada uma das tribos de Israel. As visões proféticas de Isaías começavam com a afirmação: "E isso se
passará ao final dos dias" (2:2); e o profeta Jeremias explicou claramente que o que se passará "ao final
dos dias" fora planejado no "coração de Javé" desde o início (23: 20). "El e sabe o Fim e o Começo",
exal tou Isaías a Deus (46:10).
Deus é o maior profeta e fonte de todas as profecias. A visão bíblica encontra expressão mesmo onde o
texto parece apenas relatar eventos. O castigo imposto a Adão e Eva depois de terem comido o fruto
proibido no Jardim do Éden previa os caminhos futuros do homem. Caim recebeu uma marca de
proteção, pois de outra forma el e e seus descendentes seriam vingados por 77 gerações. Em um pacto
feito por Deus com Noé e seus filhos, Ele prometia que não haveria nunca mais outro Dil úvio. Em um
pacto com Abraão, Deus previu-l he o futuro como pai de uma profusão de nações, mas previu também o
tempo em que essas nações se veriam escravizadas numa terra estrangeira - uma experiência amarga que
duraria pel o menos 400 anos (como o jugo israelita no Egito de fato durou). Em rel ação à esterilidade de
Sara, Deus previu que el a teria um fil ho e que de seu ventre sairiam nações e reis.
Ao abranger a história humana desde Adão e Eva através da destruição do Primeiro Templ o de
Jerusal ém e sua reconstrução ao retornar do exílio no século VI a.C. o Velho Testamento também rel ata,
indireta e quase imperceptivelmente, a mudança da comunicação direta com Deus para uma por
intermédio de anjos (l iteralmente: Emissários) e depois por meio de profetas. Embora Moisés fosse
designado um profeta de Deus, a universal idade do fenômeno é revelada pel a história bíbl ica de Bil e' am
ou Bal aam. Ele era um vidente renomado na época do Êxodo, e foi contratado pelo rei moabita para
amaldiçoar os israelitas, que avançavam; porém a cada vez que se preparava um local e os rituais, Javé
aparecia para el e e o avisava para não amal diçoar Seu povo escol hido. Depois de várias tentativas,
Balaam foi persuadido pel o rei moabita a tentar mais uma vez; mas então, numa visão divina, el e
"escutou a voz de Deus e percebeu a sabedoria Daquel e que é o Altíssimo".
"Embora não esteja próxima, posso vê-la. Embora não seja agora, el a avança", disse Bal aam a respeito
da estrel a de Jacó. A mensagem divina é esta: os Filhos de Israel derrotarão e conquistarão as nações
que ficarem em seu caminho. Incrivelmente, a lista dessas nações incluía a Assíria - uma nação não
presente em Canaã na época do Êxodo, cujos reis atacaram muitos séculos depois os reis israelitas da
terra ainda a ser conquistada.
Um caso de vaticínios baseados em profecias passadas foi a futura grande batal ha de Gog e Magog,
revelada ao profeta Ezequiel (capítulos 38 e 39), uma batal ha que na literatura apocal íptica da época
assumiu o papel da batalha final – o Armagedão do Novo Testamento. Embora em escritos posteriores
Gog e Magog fossem tratados como pessoas ou nações diferentes, Ezequiel fal a de Gog como
governante da terra Magog e prediz que o final de seu domínio virá quando el e atacar a terra de
Jerusal ém, "o umbigo da Terra". Prevendo que isso acontecerá e que será um sinal do "Fim dos Dias",
Javé declarou, por intermédio de Ezequiel: Embora isso deva se passar apenas no fim dos dias, Gog...
És tu
de quem falei
nos dias antigos
por meio dos profetas de Israel
que profetizavam naqueles dias.
Nos dias finais, Javé anunciou por meio de Ezequiel, haverá um grande terremoto e uma grande
destruição e pragas e derramamento de sangue, e torrentes de chuvas, fogo e pedras caindo dos céus.
Outro profeta que lembrou os profetas anteriores - "Primeiros Profetas" - foi Zacarias (1: 4, 7:7, 7: 12),
que também viu o futuro em termos de passado, os assim chamados "Primeiros Dias". Isso estava de
acordo com todas as profecias bíbl icas: ao predizer o futuro, os profetas afirmavam que o Fim estava
ancorado no Começo. Prevendo as nações unidas para descobrirem juntas o que acontecia, o profeta
Isaías as imaginou perguntando umas para as outras: "Quem dentre nós pode dizer o futuro ao ouvir
sobre as Primeiras Coisas?". Zombando daquelas nações que perguntam sobre o passado e o futuro não
a Deus, mas umas às outras, Isaías declara que apenas Javé, o Senhor dos Exércitos, tem esse
conhecimento (Isaías, cap. 43). Há outra passagem em Isaías, cap. 48, em que Javé anuncia:
Sou o que disse as primeiras coisas,
de minha boca elas foram proferidas.
E devo anunciá-las de súbito;
e quando fizer isso, acontecerá.
A busca pel o passado ocul to para adivinhar o futuro permeia não apenas os l ivros dos Profetas, mas
também os livros bíblicos de Salmos, Provérbios e Jó. "Dêem ouvidos, meu povo, a meus ensinamentos,
apurem os ouvidos para as pal avras de minha boca; abrirei minha boca com parábolas e proporei
enigmas dos tempos antigos", o salmista (78:2-3) dizia a propósito das lembranças passadas de geração
em geração. Afirmava estar qualificado para propor tais enigmas, explicando: "Pois eu levei em conta os
dias antigos" (77:6).
Essa abordagem, de "vamos descobrir o que aconteceu no passado para podermos saber o que virá", era
baseada na experiência da Humanidade ao longo de milênios de memória humana - mitos para muitos,
lembranças de eventos reais para nós. A qual quer um consciente das histórias antigas - qualquer um não
apenas agora, mas também nos tempos bíblicos - deve ter sido óbvio que a cada vol ta do caminho, a
Humanidade depende dos planos e caprichos de seus criadores, os elohim.
No Início, nós hoje e pessoas (certamente os profetas) milênios atrás temos sido informados de que
viemos a existir como resul tado de discussões num conselho de deuses, encontrando-se para resolver um
motim nas minas de ouro. Nossa feitura genética foi determinada quando dois anunnaki - Enki e
Ninmah - agiram tanto com seriedade quanto com frivol idade. Foi num consel ho de Grandes Deuses que
el es votaram e juraram dar um fim à experiência de criação, deixando a Humanidade morrer no Dil úvio.
E foi assim, em conselho, que os deuses anunnaki resol veram, após o Dilúvio, dar ao homem "reinado"
sobre três regiões - as civilizações da Mesopotâmia, do val e do Nilo e do val e do Indo.
Curioso sobre os registros do Princípio, da história humana desde a Criação através do Dilúvio e do
surgimento de nações, o povo do úl timo milênio antes de Cristo - a época dos profetas bíblicos -também se indagava a respeito dos Tempos Antigos, os eventos de um ou dois mil ênios antes - a época
em que a Bíbl ia se desviou para Ur dos caldeus, na Suméria, e para Abraão, e para a Guerra dos Reis e o
surgimento de Sodoma e Gomorra. Conte-nos sobre esses Dias Antigos, para que possamos saber o que
esperar, as pessoas pediam aos que possuíam profecia e sabedoria.
A Bíbl ia menciona vários registros - l ivros - que podem ter contido as respostas, porém desapareceram
completamente. Um é o Livro de Jashar, o Livro do Reto Agir, se traduzido l iteralmente, mas
provavelmente significando o registro das Coisas Certas. O outro e mais importante era o Livro de
Guerras de Javé, impl icando, pel o título enigmático, que tratava das guerras e conflitos entre os elohim.
Tais conflitos, terminando às vezes em guerra aberta, apareciam registrados pelos sumérios; tais dados
do passado eram verdadeiramente Palavras Divinas, pois ou eram escritas pel os Escribas Divinos ou
ditadas pel os deuses para escribas humanos. Originalmente gravadas pelos próprios deuses eram os
eventos em Nibiru que envol viam a disputa do trono lá por Anu e a continuação da l uta por sucessão em
outro planeta, a Terra; a história de Zu; a contenda entre Hórus e Seth (que foi a primeira vez que se
usaram homens numa guerra entre os deuses). Na primeira categoria de escritos produzidos pelos deuses
estava o "Texto de Profecia", que chegou até nós em versão acadiana e que não era nada menos que uma
autobiografia de Marduk. Em outra categoria, a de livros ditados por uma divindade, estava um texto
conhecido como o Erra Epos, um registro de eventos como foram narrados por Nergal . Ambos esses
textos foram tentativas dos deuses de explicar para a Humanidade como dois mil ênios de civil ização - os
Dias Antigos - haviam chegado repentinamente a um fim.
Era mais do que irônico que os eventos que dispararam o final da grande civil ização suméria
coincidiram com sua época mais gl oriosa. Um "livro antigo" - um texto sumério - registrava o Consel ho
dos Grandes Deuses no qual a concessão de reino (civilização) para a espécie humana foi decidida:
O grande Anunnaki que decreta as Sortes
sentava-se trocando idéias em relação à terra.
Aqueles que criaram as quatro regiões,
que estabeleciam os colonizadores, que supervisionavam a terra,
eram elevados demais para a Humanidade.
E decidiram que a instituição de reino devia ser criada, tanto para fazer o papel de amortecedor como de
um el o de l igação entre os Subl imes e a massa da humanidade. De acordo com eles, os terrestres podiam
viver ao lado dos territórios sagrados na cidade dos deuses, depois teriam suas próprias cidades,
governadas por LU.GALs, "Grandes Homens" - reis -, que deviam agir como representantes dos
senhores divinos.
Quando os anunnaki vol taram para Edin, a pl anície entre o Tigre e o Eufrates, já suficientemente seca
após o Dil úvio, restabeleceram as Cidades dos Deuses exatamente de acordo com os planos
antedil uvianos. A primeira a ser reconstruída foi Eridu, a cidade de Enki; e foi l á, acreditamos, que
surgiu a decisão de l evar civil ização à Humanidade; a época, segundo evidências arqueológicas, era
aproximadamente 3800 a.C.
Porém, de acordo com a decisão dos deuses, o Reinado dos Homens tinha de começar numa Cidade de
Homens, um novo local chamado Kish. A data estava marcada pela garantia de um cal endário para a
Humanidade, um cal endário projetado no "centro de cul to" de Enlil, Nippur. Começou em 3760 a.C.
A Lista de Reis Sumérios registrava a freqüente transferência da capital de uma Cidade de Homens para
outra na Suméria. Tais mudanças eram rel acionadas com a sorte e com alternâncias de autoridade entre
os próprios deuses, ou mesmo com a rivalidade entre el es - tanto na Primeira Região (Mesopotâmia e
terras vizinhas) quanto na Segunda Região (val e do Nil o) e na Terceira Região (val e do Indo) (onde
civil izações se seguiram por volta de 3100 a 2900 a.C. Abaixo da superfície estremecia em crises o
conflito entre Marduk e Ninurta - os herdeiros de Enki e Enl il , respectivamente, que assumiram como
sendo del es a rival idade entre seus pais. Não houve paz na Terra até que Marduk - tendo causado a
morte de Dumuzi - teve sua sentença de ser enterrado vivo no interior da Grande Pirâmide alterada para
exílio. Era o mesmo castigo - banimento para uma terra distante - que Marduk impusera a seu meio-irmão Ningishzida/Tot, que atravessara o oceano para se tornar o deus da Serpente Empl umada
(Quetzal coatl), na América Central.
Foi durante esse período relativamente curto de paz, no início do III mil ênio a.C., que a civil ização
suméria se expandiu para terras vizinhas e fl oresceu com vários reis, como Gil gamesh. No espaço de
poucos séculos, a expansão para o norte incorporou tribos semitas; em cerca de 2400 a.C., um grande
domínio sob um rei Justo (Sharru-kin) - Sargão I - foi formado com a capital na nova cidade de Akkad.
Daí por diante ficou conhecido como o reino unificado de Suméria e Acádia.
Vários textos que registraram o curso dos eventos, a maior parte dos quais fragmentados, têm sido
encontrados - sobre assuntos divinos e humanos - nos úl timos séculos. Finalmente, em 2113 a.C.
começou o capítulo mais gl orioso na história da Suméria e da Acádia. Os historiadores se referem a esse
período como Ur III, por ter sido a terceira vez que Ur se tornou capital do império. Foi o "centro de
cul to" de Nanar/Sin, que residia no espaço sagrado com sua esposa, Ningal . Seu domínio foi iluminado
e benevol ente. O rei que havia sido entronado para começar uma nova dinastia, Ur-Nammu (" A Al egria
de Ur"), era sábio, justo e um mestre do comércio internacional pelo qual a Suméria trocava grãos e
produtos de l ã por metais e madeiras; seus casacos col oridos eram apreciados, segundo a Bíblia, na
distante Jericó. Os "mercadores de Ur" eram internacionalmente conhecidos e respeitados; por meio
del es a civil ização suméria, em todos os aspectos, espalhou-se largamente. Pel a necessidade de
conseguir mais lã, os sumérios ampliaram suas pastagens para as regiões ao norte, onde um grande
entreposto de comércio foi estabel ecido, como portal para a Ásia Menor, a terra dos hititas. Chamava-se
Haran - "Lugar de Caravanas". Destinado a servir como míni-Ur, uma Ur-distante-de-Ur, imitava o
formato do templo da própria Ur.
Enquanto isso, de seu exílio, Marduk observava esses desenvolvimentos com crescente sentimento de
frustração e raiva. Em sua autobiografia (uma cópia foi descoberta na bibl ioteca de Assurbanipal),
Marduk lembra como, depois de ter vagado por muitas terras - "de onde nasce o sol até onde el e se põe"
-, chegou a Hatti (a terra dos hititas). "Vinte e quatro anos no seio deles fiquei", escreveu el e. Durante
esses anos todos, Marduk continuou a perguntar ao conselho de deuses: "Até quando?".
Na ausência de uma resposta cl ara ou satisfatória, Marduk ol hou para os céus. A Sorte, dissemos, possui
doze estações; a Estação-Sina (casa zodiacal ) de Marduk era a constel ação de Carneiro (Áries); como a
precessão continuava afastando o primeiro dia de primavera da constel ação de Touro - a casa zodiacal
de Enlil -, aproximava-se cada vez mais a Estação-Sina de Marduk - Carneiro. Certo de que chegara o
tempo em que seu Destino seria realizado, Marduk via a si mesmo voltando para a Babilônia com
pompa e circunstância, apontando um rei valoroso, observando as nações em paz e as pessoas
prosperando - uma visão profética do que viria a se passar nos Úl timos Dias, quando a Babil ônia devia
viver segundo seu nome, Bab-ili, "Portal dos Deuses".
Outros textos daquela época, que os estudiosos consideram parte da col eção de Profecias Acadianas,
registravam rel atórios de astrônomos que observaram os céus à procura de augúrios pl anetários l igados
com a constel ação de Carneiro. Entretanto os sinais eram em sua maioria de guerra, matança, saque e
destruição; e foram essas profecias, em vez dos cenários otimistas de Marduk, que vieram a realizar-se.
Outros deuses, liderados por Ninurta e pel o próprio irmão de Marduk, Nergal, usando ferramentas
científicas dos "Dias Antigos", "artefatos da Terra e do Céu", afirmaram que a mudança para a Era de
Áries ainda não se processara. Impaciente, Marduk enviou seu filho, Nabu, para preparar um exército
humano entre seus seguidores nas terras do Oeste - a oeste do rio Eufrates. Em 2024 a.C., Nabu realizou
uma invasão bem-sucedida da Mesopotâmia e abriu os portões da Babilônia para seu pai, Marduk.
O Erra Epos rel ata esses acontecimentos monumentais do ponto de vista de Nergal (apelidado Erra, O
Aniquilador) e de Ninurta (apel idado Ishum, O Incendiário). Relata negociações frenéticas para resolver
a disputa pacificamente, pedidos para que Marduk fosse paciente; debates intermináveis no Consel ho
dos Anunnaki que, no final , reuniu-se em sessão permanente; o alarme com as intenções de Nabu e seu
exército humano; finalmente suspeitas de que, enquanto Marduk falava da Babilônia como o Portal dos
Deuses, seu fil ho - com seguidores nas áreas próximas às fronteiras do Sinai - na verdade pretendia
capturar o espaçoporto e assim controlar o contato com o pl aneta natal, Nibiru.
Não enxergando outra forma de impedir Marduk e Nabu, o Consel ho dos Grandes Deuses autorizou
Nergal e Ninurta a recuperarem as "Sete Armas Espantosas", que haviam permanecido ocul tas,
trancadas e sel adas no Abzu (a habitação de Enki no sudeste da África). Um hol ocausto nuclear foi
iniciado; vaporizou o espaçoporto, deixando uma grande fal ha na península e uma imensa área
escurecida ao redor. As "cidades pecadoras", que se uniram a Nabu no que era na época um vale fértil
ao sul do mar Morto, também foram varridas - um acontecimento que Abraão pôde observar de sua
habitação ao sul de Canaã.
Porém a Sorte iria prevalecer: a "nuvem da morte" nucl ear, carregada pelos ventos vindos do
Mediterrâneo, derivou na direção da Mesopotâmia; em seu rastro, tudo o que estava vivo - pessoas,
animais e pl antas - sofriam uma morte horrível . À medida que a nuvem se aproximava da Suméria, os
deuses anunnaki começaram a abandonar suas cidades. Porém Nanar/Sin não queria aceitar a sorte de
sua espl êndida Ur. Seus apelos a Anu e Enl il para encontrar outra Ur foram em vão; Enl il , sem poder
ajudar, disse: "Ur recebeu o reinado - um reino eterno não recebeu... Seu reinado, a soberania, foram
cortados". Não duraria para sempre a NAM.TAR, um Destino que podia ser cortado e quebrado, uma
Sorte.
Porém os ventos, ao atingirem a Mesopotâmia, mudaram de curso para sudeste. E enquanto a Suméria e
suas grandes cidades jaziam prostradas e desol adas, a cidade de Babil ônia, mais ao norte, foi poupada.
Até lá, Marduk ol hara para os céus na intenção de adivinhar sua Sorte. A miraculosa sal vação de
Babilônia da morte e desol ação nucl eares levou-o a concluir que agora sua supremacia era mais do que
Sorte - era seu Destino.
Se Marduk não fosse ainda uma divindade, se poderia dizer que o que se seguiu foi sua deificação.
Naquel as circunstâncias, podemos chamar de "celestialização". O veículo para isso foi uma alteração
(falsificação seria um termo apl icável) do texto do Enuma elish: chamou Nibiru de "Marduk" e,
portanto, tornou o supremo deus planetário e o deus supremo na Terra um só e o mesmo. Depois de
substituir Nibiru por "Marduk" na Batalha Cel estial , as palavras cruciais então foram aplicadas a ele:
obter a Tabela de Destinos de Kingu, o chefe das hostes de Tiamat.
A Tabela de Destinos [Marduk] tomou dele [Kingu],
Selou-a com um selo
E a seu (próprio) peito prendeu.
Agora era um Destino. E os deuses, em sua Assembléia, "l ouvaram essa decl aração". Curvavam-se e
gritavam: "Marduk é o rei!". Aceitando o inevitável, Anu e Enl il (nas palavras de uma inscrição de
autoria do rei babilônico Hamurabi):
Determinado por Marduk, o primogênito de Enki,
a função de Enlil sobre toda a humanidade,
tornou-o grande entre os deuses que observam e vêem,
chamou Babilônia por seu nome para ser exaltada,
tornou-a suprema no mundo;
E estabeleceu para Marduk, em seu meio,
um Reinado eterno.
A coroação - para usar um termo compreensível - de Marduk como "rei dos deuses" teve l ugar com uma
cerimônia sol ene, numa assembléia dos Cinqüenta Grandes Deuses e dos "Sete Deuses do Destino",
com centenas de anunnaki importantes presentes. Simbolicamente, Enlil depositou perante Marduk sua
arma divina, o Arco (que nos céus possuía a Estrela do Arco como companheira). Então a transferência
dos poderes de Enl il para Marduk foi comemorada pela transferência para Marduk do número 50. Isso
foi feito por uma repetição, um por um dos "cinqüenta nomes". Começavam com o nome próprio de
Marduk, afirmando que fora Anu quem o chamara assim ao nascer, e passando por todos os nomes-epíteto, terminando com Nibiru - a transformação do deus na Terra em deus supremo pl anetário.
Os cinqüenta nomes são feitos de pal avras sumérias ou combinação de sílabas - epítetos de quem quer
que tenha possuído os cinqüenta nomes antes que a Epopéia da Criação tivesse sido fal sificada para
acomodar Marduk; e embora os editores babil ônios do texto (escrito em l inguagem acadiana) tentassem
expl icar a seus contemporâneos as enigmáticas pal avras sumérias, parece evidente que não conseguiram
compreender completamente as mensagens secretas que cada nome continha. Tais significados secretos
ou codificados dos nomes-epíteto foram reconhecidos pel o renomado assiriólogo e estudioso bíblico E.
A. Speiser; traduzindo o Enuma elish para o inglês como Textos Antigos do Oriente Próximo Relativos
ao Velho Testamento, ele observou que "o texto coloca os nomes em palavras de uma forma tornada
familiar pela Bíbl ia; as etimol ogias, que acompanham virtualmente cada nome da l onga lista, são mais
cabalísticas e simból icas do que estritamente lingüísticas".
Existe mais nos Cinqüenta Nomes de natureza "cabalística" do que a observação permite. Os primeiros
nove nomes estão listados no final do sexto tabl ete do Enuma elish, e são acompanhados por vários
versos de l ouvor. Como foi observado por Franz M. Th. Böhl em seu Die fünfzig Namen des Marduk, a
autoria dos primeiros nove nomes era atribuída a antepassados não apenas de Marduk, mas do próprio
Anu; três deles continham significado tripl o; em um desses significados-dentro-de-significados, a
habilidade única (e até então inédita) de "reviver deuses mortos" era atribuída a Marduk. Isso, sugeriu
Franz Bõhl , poderia ser uma referência à morte e ressurreição de Osíris (da mitol ogia egípcia), porque
os três nomes seguintes (números 10, 11, 12) são variantes do nome-epíteto ASAR (Asaru em acadiano)
e, segundo Bohl, três epítetos que se assemelham a três epítetos do deus egípcio.
Com aquel es três nomes-epítetos, o Enuma elish passa ao sétimo tabl ete - não sem impl icações para o
Sétimo Dia da Criação, no Gênesis (do qual seis foram períodos de atividades e o sétimo um dia de
descanso e contemplação divina); e 7 era, como lembramos, o número planetário da Terra e de Enlil
como Comandante da Terra.
Os três epítetos ASAR, depois dos quais a l ista de epítetos se tornava diversa e variada, el evavam o total
de nomes para doze. São explicados adicionalmente em quatro versos que fornecem os quatro
significados internos de cada epíteto ASAR, sugerindo outra vez uma tentativa de incorporar 12 ao
texto. A repetição dos cinqüenta nomes incorpora o número divino de Enlil e seu número pl anetário, o
número de membros do Sistema Sol ar e o de constel ações.
"Todas as minhas instruções estão incorporadas nos cinqüenta nomes", anunciou Enki ao final da
cerimônia. Nesses nomes, "todos os ritos foram combinados". Com seu próprio punho, "ele os escreveu,
preservando-os para o futuro" e ordenou que a escrita fosse guardada no templo em Esagil, que os
deuses deveriam construir para Marduk na Babilônia. Lá, a sabedoria secreta seria preservada por uma
linhagem de sacerdotes iniciados, passando de pai para fil ho: "Que sejam guardadas [l á], que o mais
vel ho explique a todos; que o pai sábio e instruído possa passar ao filho".
Que significado mais profundo, que sabedoria secreta conteriam esses cinqüenta nomes, para, de acordo
com Enki, encerrar neles tudo o que havia para saber?
Tal vez um dia, quando uma nova descoberta nos capacite a decifrar os códigos numéricos dos reis
assírios e babilônicos, nós também saibamos tais segredos.
10
UMBIGO DA TERRA
Vinte e quatro anos antes da calamidade nucl ear, dois caminhos se cruzaram, não por acidente. Um foi o
de um deus cuja Sorte se tornou Destino; o outro foi o de um homem cujo Destino tornou-se Sorte. O
deus era Marduk, o homem era Abraão; o l ugar onde os caminhos se cruzaram foi Haran.
Um dos resultados disso iria durar até os dias de hoje, quando a Babil ônia (hoje Iraque) lançou mísseis
mortais sobre a terra de Jerusalém (hoje Israel).
Que Abraão vivesse em Haran é conhecido pela Bíbl ia. Que Marduk tivesse vagado por terras distantes
e tivesse ido à terra dos hititas sabemos por sua autobiografia. Que o l ugar específico onde el e passou 24
anos fosse Haran pode ser deduzido por nós a partir da abertura da "autobiografia" de Marduk; el e
inicia: "Até quando", dirigindo-se inicialmente aos "deuses de Haran" (ilu Haranim), depois aos deuses
presentes, e só depois aos distantes Grandes Deuses que Julgam.
De fato, estar em Haran era uma escol ha l ógica, pois tratava-se de um importante centro urbano e
religioso - situado na encruzilhada das rotas de comércio - e um núcleo de comunicações na fronteira da
Suméria e Acádia, mas ainda não no interior. Haran era um quartel -general perfeito para um deus cujo
filho estivesse preparando um exército de invasão.
Um período de 24 anos antes da invasão e do holocausto nucl ear ocorrido em 2024 a.C. significa que
Marduk chegou a Haran em 2048 a.C. Por nossos cálcul os (baseados num sincronismo cuidadoso de
dados bíbl icos, mesopotâmicos e egípcios), isso o col ocou nos calcanhares de Abrão/Abraão. Este
nasceu, de acordo com os nossos cál cul os, em 2123 a.C. Cada movimento de Taré e sua famíl ia,
conforme demonstramos em As Guerras de Deuses e Homens, estava ligado aos acontecimentos em Ur
e no Império Sumério. A Bíbl ia nos informa que Abrão/Abraão saiu de Haran, seguindo instruções
divinas, com a idade de 75 anos. O ano, então, seria 2048 a.C. - o mesmo em que Marduk chegou a
Haran! E foi então que Javé - não apenas o "Senhor Deus" - disse para Abraão: Sai de teu país, de tua
terra natal e do l ugar onde está teu pai e vai para a terra que vou te mostrar". Foi uma partida tripla - do
país de Abraão (Suméria), de seu local de nascimento (Nippur) e do l ugar onde seu pai morava (Haran);
com destino a um lugar que el e não conhecia, pois Javé iria mostrar o caminho a Abraão.
Levando sua esposa, Sarai, e seu sobrinho, Lot, com ele, Abraão foi para a "terra de Canaã". Chegando
do norte (atravessando o espaço que seu neto Jacó atravessaria mais tarde), moveu-se para o sul,
atingindo um local chamado Al on-Moreh - um nome significando literalmente "o carval ho que aponta",
aparentemente um marco que o viajante não podia deixar de encontrar. Para ter certeza de que viajava
corretamente, Abraão aguardou instruções; "Javé apareceu al i para Abraão", confirmando que se
encontrava no l ugar certo. Continuando, Abraão chegou a Beth-El ("Lar de Deus") e novamente"
chamou o nome de Javé", e prosseguiu depois sem parar até o Neguev (" A Secura"), a parte mais ao sul
de Canaã, próxima à península do Sinai.
Não ficou ali por muito tempo. A comida não era abundante no local. Abraão continuou até o Egito.
Costuma-se representá-lo como um chefe nômade beduíno, passando seus dias a pastorear rebanhos ou
descansando na tenda. Na verdade, ele tinha de ser muito mais do que isso, de outra forma por que teria
sido escol hido por Javé para sair em missão divina? El e descendia de uma l inhagem de sacerdotes; os
nomes de sua viúva, Sarai ("princesa"), e da viúva de seu irmão, Milcah ("real "), indicam uma l igação
com a l inha real suméria. Atingiu a fronteira do Egito enquanto instruía sua esposa em como se
comportar quando fossem recebidos na corte do faraó (e mais tarde, de vol ta a Canaã, el e lidou com reis
como seus iguais). Depois de uma estadia de cinco anos no Egito, Abraão retorna ao Neguev, recebendo
do faraó grande número de homens e mulheres para seu serviço, rebanhos de carneiros, de gado e de
jumentos machos e fêmeas - assim como uma manada de caros camel os. A incl usão dos camelos é
significativa, pois eles estavam adaptados para propósitos mil itares em condições desérticas.
Que um conflito militar se preparava ficamos sabendo no capítul o seguinte do Gênesis (capítul o 14);
seria a invasão de Canaã por uma coalizão de reis do Leste - da Suméria e seus protetorados (tais como
Elam, nas montanhas Zagros, um local renomado por seus guerreiros). Capturando cidade após cidade à
medida que seguiam a Estrada do Rei, fizeram uma volta ao redor do mar Morto e dirigiram-se
diretamente para a.penínsul a do Sinai. Mas lá, Abraão e seus homens bloquearam o caminho do invasor.
Desapontados, os invasores contentaram-se em saquear as cinco cidades da pl anície fértil (entre as quais
estavam Sodoma e Gomorra) ao sul do mar Morto; entre os prisioneiros que fizeram havia Lot, sobrinho
de Abraão.
Quando Abraão ficou sabendo que seu sobrinho se tornara cativo, perseguiu os invasores, com 318 de
seus melhores homens, até Damasco. Como algum tempo se passara até que um refugiado de Sodoma
contasse a Abraão sobre a captura de seu sobrinho, foi uma façanha e tanto o fato de Abraão alcançar os
invasores, que já se encontravam em Dan, ao norte de Canaã. Sugerimos que os "jovens treinados"
apontados pel o Gênesis eram guerreiros montados nos camelos de uma escul tura mesopotâmica.
"Foi depois desses eventos", afirma a Bíbl ia (Gênesis 15), "que Javé fal ou a Abraão numa visão: Não
temas, Abraão; eu sou teu protetor e a tua paga será infinitamente grande”.
É hora de rever a saga de Abraão até aqui e fazer al gumas indagações. Por que Abraão recebeu ordem
de esquecer tudo e partir para um lugar compl etamente estranho? O que havia de especial em Canaã?
Por que a pressa para atingir o Neguev, na fronteira da penínsul a do Sinai? Por que a recepção real no
Egito e a volta com um exército e uma divisão de camel os? Qual era o al vo dos invasores do Leste? E
por que a derrota del es por Abraão valeu uma promessa de paga "infinitamente grande" por parte de
Deus?
Distante da costumeira figura de Abraão como pastor nômade, el e era um excel ente l íder mil itar e um
ator importante no cenário da pol ítica internacional . Sugerimos que tudo pode ser expl icado se
aceitarmos a realidade da presença anunnaki e l evarmos em consideração os outros eventos importantes
ocorrendo simul taneamente. O único preço que valia um confl ito internacional - ao mesmo tempo que
Nabu estava organizando combatentes nas terras a oeste do rio Eufrates - era o espaçoporto do Sinai.
Esse foi o objetivo que Abraão - aliado aos hititas e treinado por eles em artes marciais - foi enviado às
pressas para defender. Para esse propósito, o faraó egípcio em Mênfis, ele mesmo enfrentando uma
invasão por seguidores de Rá/Marduk baseados em Tebas, ao sul , enviou Abraão com uma tropa de
camel os e grande número de servos e servas. E foi porque Abraão defendeu com sucesso o espaçoporto
que Javé lhe assegurou uma grande recompensa - assim como prometeu proteção de futuras represálias
pel o l ado derrotado.
A Guerra dos Reis aconteceu, por nossos cál culos, em 2041 a.C. No ano seguinte em que o príncipe do
sul capturou Mênfis, no Egito, e destronou o aliado de Abraão, decl arando al iança a Amon-Rá, o
"oculto" ou "invisível " Rá/Marduk, que ainda se encontrava no exílio. (Depois que Marduk assumiu a
supremacia, os novos governantes do Egito começaram a construir em Karnak, um subúrbio de Tebas, o
maior templ o egípcio em honra a Amon-Rá; alinharam, na majestosa avenida de entrada, uma fil eira
dupl a de esfinges com cabeça de carneiro em honra ao deus cuja época, a Era do Carneiro, chegara.)
As coisas eram um pouco menos confusas na Suméria e em seu império. Previsões cel estiais, incluindo
um eclipse lunar total em 2031 a.C., avisaram sobre o desastre. Sob a pressão dos guerreiros de Nabu, os
úl timos reis da Suméria retiraram suas forças e postos de proteção, aproximando-os de Ur, a capital.
Havia pouco conforto em agradar aos deuses, já que eles mesmos estavam envol vidos num confronto
total com Marduk. Assim como os homens, os próprios deuses ol havam para o céu à procura de
augúrios. Um humano, mesmo um qualificado ou escolhido como Abraão, não podia mais proteger a
instal ação essencial dos anunnaki, o espaçoporto. Assim, em 2024 a.C., com o consentimento do
Consel ho dos Grandes Deuses, Nergal e Ninurta usaram armas nucl eares para evitar que Marduk se
apoderasse daquele l ocal estratégico. Tudo é descrito com detal hes no Erra Epos; também é um
espetáculo à parte a revolta das "cidades pecadoras", Sodoma e Gomorra.
Abraão foi avisado de que isso aconteceria; a seu pedido, dois Anjos do Senhor foram a Sodoma um dia
antes da explosão nucl ear do espaçoporto e das cidades, para salvar Lot e sua famíl ia. Pedindo tempo
para reunir a famíl ia, Lot se prevaleceu dos dois seres divinos para adiar o evento até que estivessem
num l ocal seguro nas montanhas. Assim, o acontecimento não foi um fenômeno natural , e sim previsível
e adiável.
"Ora, tendo-se Abraão levantado ao amanhecer, veio ao lugar onde antes tinha estado com o Senhor. E
ao erguer os olhos para Sodoma, Gomorra, e para os países em torno, viu que se el evavam da terra,
cinzas inflamadas, como fumaça que sai de uma fornal ha."
Sob as ordens de Deus, Abraão afastou-se do l ocal e se aproximou do l itoral . Lot e suas fil has
escondiam-se nas montanhas, amedrontados; a esposa ficara para trás quando fugiam, e foi vaporizada
pel a explosão. (A crença de que ela se transformou numa estátua de sal deriva da palavra suméria, que
pode ser traduzida como "sal " e como "vapor".) Convencidas de que haviam testemunhado o fim do
mundo, as duas filhas de Lot concluíram que a única forma de sobrevivência para a raça humana era que
dormissem com o próprio pai. Cada uma teve um fil ho dessa forma; segundo a Bíbl ia, os progenitores
de duas tribos a l este do rio Jordão: os moabitas e os amonitas.
Em rel ação a Abraão: "O Senhor cumpriu Sua promessa em rel ação a Sara" (quando Ele aparecera a
el es com os dois Anjos, um ano antes), e Sara concebeu e deu a Abraão, em sua idade avançada, um
filho. Abraão tinha 100 anos nesse tempo, e Sara, 90.
Com o espaçoporto destruído, a missão de Abraão terminara. Agora dependia de Deus manter seu l ado
do acordo. El e fizera uma aliança com Abraão para dar a el e e a seus descendentes um l egado eterno
com as terras entre o rio do Egito e o rio Eufrates. Agora, por meio de Isaac, a promessa fora cumprida.
Havia também a questão sobre o que fazer com as outras instal ações espaciais.
Existiam com certeza mais duas instal ações além do espaçoporto em si. Uma del as era o Campo de
Pouso, para onde Gilgamesh se dirigira. O outro era o Centro de Control e da Missão - não mais
necessário, porém ainda intacto; um "Umbigo da Terra" pós-dil uviano, servindo à mesma função que o
"Umbigo da Terra" antediluviano, Nippur.
Para compreender as funções simil ares e, conseqüentemente, as construções similares, devem-se
comparar nossos esboços das instal ações espaciais antes e depois do Dilúvio. Antes do Dil úvio, Nippur,
designada o "Umbigo da Terra", servia como Centro de Controle de Missão, pois ficava no centro de
círcul os concêntricos que del ineavam o Corredor de Aterrissagem. Cidades dos deuses cujos nomes
significavam "Vendo a Luz Vermel ha" (Larsa), "Vendo o Halo às Seis" (Lagash) e "Vendo o Hal o
Brilhante" (Larak), marcavam tanto o espaço eqüidistante quanto a pista de pouso na direção de Sippar
("Cidade Pássaro"), o local do espaçoporto. O Corredor de Aterrissagem, al ongado, era baseado nos dois
picos gêmeos do monte Ararat - o acidente geográfico mais elevado no Oriente Médio. Onde a linha
cruzava com a linha precisa do norte, o espaçoporto deveria ser construído. Assim, o Corredor de
Aterrissagem formava um ângulo preciso de 45 graus com o paral elo geográfico.
Depois do Dilúvio, quando a humanidade recebeu a civilização em três regiões, os anunnaki retiveram
para si a Quarta Região - a penínsul a do Sinai. Lá, na planície central o terreno era pl ano e duro (perfeito
para tanques, como os exércitos modernos concluíram), ao contrário da planície barrenta e inundada
pós-dil úvio na Mesopotâmia. Escol hendo outra vez o pico do Ararat como referência, os anunnaki
projetaram uma pista de aterrissagem no mesmo ângul o de 45 graus que anteriormente: o paral elo 30
norte.
Na pl anície central do Sinai, onde a linha diagonal cruza o paral el o 30, deveria ser o espaçoporto. Para
completar o projeto, dois outros componentes eram necessários: estabel ecer um novo Centro de
Controle de Missão, esquematizar e ancorar o Corredor de Aterrissagem.
Acreditamos que a definição do Corredor de Aterrissagem precedeu a escol ha do l ocal para o Centro de
Controle de Missão. O motivo? A existência do Campo de Pouso nas Montanhas de Cedro, no Líbano.
Cada folclore, cada lenda ligada ao l ocal repete a mesma informação de que o l ocal existia antes do
Dil úvio. Assim que os anunnaki retornaram à Terra depois do Dilúvio, tiveram à disposição, no pico do
Ararat, um Campo de Pouso real e em funcionamento - não um espaçoporto aparel hado, mas um local
para aterrissar. Todos os textos sumérios que l idavam com a concessão à humanidade de animais e
pl antas "domesticados" (geneticamente alterados), descrevem um l aboratório de biogenética nas
Montanhas de Cedro, com Enl il agora cooperando com Enki para restaurar a vida na Terra. Todas as
modernas evidências científicas corroboram que foi dessa área em particular que o trigo, a cevada e os
primeiros animais domésticos vieram. (Aqui, mais um progresso da genética se junta às evidências: um
estudo publicado na revista científica Science, de novembro de 1997, aponta o l ugar onde o trigo
sel vagem foi geneticamente manipul ado para criar o Cereal Fundamental, ancestral de oito cereais
diferentes: por vol ta de 11.000 anos atrás, naquel e local em particular do Oriente Médio! ).
Houve todos os motivos para incluir esse l ocal - uma grande pl ataforma de pedra de enormes proporções
- nas novas instal ações. Por sua vez, determinado por círculos concêntricos eqüidistantes do l ocal do
Centro de Control e de Missão.
Para completar as instal ações espaciais, era necessário ancorar o Corredor de Aterrissagem. Pelo sul,
dois picos próximos um dos quais permaneceu santificado até hoje com o nome de monte Moisés -estavam à mão. A noroeste, na extremidade eqüidistante não havia picos, apenas um planalto achatado.
Os anunnaki, não um faraó mortal , construíram l á duas montanhas artificiais, as duas pirâmides de Gizé
(a pequena terceira Pirâmide, conforme sugerimos em A Escada para o Céu, foi construída como
modelo protótipo em escala). O projeto ficou completo com um animal "mitológico" esculpido na rocha
nativa: a esfinge. Esta ol ha precisamente ao longo do paralel o 30, para leste, na direção do espaçoporto
do Sinai.
Esses eram os componentes do espaçoporto pós-dilúvio dos anunnaki na península do Sinai, como foi
construído por eles por volta de 10500 a.C. E quando o campo de pouso e de decol agem na pl anície
central do Sinai foi destruído, os componentes auxiliares permaneceram: as pirâmides de Gizé e a
esfinge, o Campo de Pouso nas Montanhas de Cedro e o Centro de Control e de Missão.
O Campo de Pouso, como conhecemos das aventuras de Gil gamesh, estava l á por volta de 2900 a.C. Lá,
Gil gamesh testemunhou, uma noite antes de tentar entrar, o l ançamento de um foguete. O local
permaneceu operante após o Dil úvio - uma moeda fenícia representava em detal hes o que estivera por
sobre a pl ataforma de pedra. A enorme plataforma ainda existe. O l ugar é chamado Baalbek - pois era o
"Lugar Sagrado do Norte" do deus cananeu Baal. A Bíbl ia conhecia o l ugar como Beth-Shemesh,
"Casa/Habitação de Shamash" (o deus-sol), e ficava dentro dos domínios do rei Sal omão. Os gregos
depois de Alexandre chamaram o l ugar de Hel iópolis, significando "Cidade de Hélio", o deus-sol , e l á
construíram templos para Zeus, sua irmã Afrodite e seu filho Hermes. Os romanos, depois deles,
erigiram templ os para Júpiter, Vênus e Mercúrio. O templ o para Júpiter era o maior templo jamais
construído pelos romanos em qual quer lugar do império, pois acreditavam que o l ocal era o orácul o
mais importante do mundo, que podia prever o destino de Roma e de seu império.
Os restos dos templ os romanos ainda permanecem no alto da imensa pl ataforma de pedra. Da mesma
forma, sem se perturbar com a passagem do tempo, está a própria plataforma. A superfície pl ana
repousa sobre camadas ("andares") de grandes blocos de pedra, alguns pesando centenas de tonel adas.
De grande renome na Antiguidade é o Trílito - um grupo de três col ossais blocos de pedra, l ado a lado e
formando a parte central, onde a plataforma suportaria a maior carga de impacto. Cada um dos
megál itos col ossais pesava cerca de 1.100 (mil e cem) toneladas; trata-se de um peso que nenhum
equipamento moderno poderia sequer chegar perto de mover ou levantar.
Mas quem poderia ter feito tal coisa na Antiguidade? Lendas l ocais afirmam: os gigantes. Não apenas
col ocaram os blocos onde estão, mas também os retiraram, esculpiram e os carregaram por uma
distância de quase uma mil ha [1,6 km]; isso é certo, pois o l ocal de origem das rochas foi identificado.
Lá, outro bloco col ossal sobressai da montanha meio escul pido; um homem sentado nele fica parecido
com uma mosca num bl oco de gelo.
No extremo sul do Corredor de Aterrissagem, as pirâmides de Gizé ainda se elevam, desafiando todas as
expl icações tradicionais, desafiando os egiptólogos a aceitar que foram construídas milênios antes dos
faraós, e não por alguns del es. A esfinge ainda olha precisamente ao longo do paral elo 30, guardando
seus segredos - tal vez até os segredos do Livro de Tot.
E quanto ao Centro de Controle de Missão?
Ele também existe; é um lugar chamado Jerusalém.
Lá também, uma grande e sagrada plataforma repousa sobre blocos colossais de pedra que
nenhum homem ou máquina antiga poderia ter movido, erguidos e encaixados em seu lugar.
Os registros bíbl icos das idas e vindas de Abraão a Canaã incluem dois instantes de trajetos
desnecessários; nos dois, o lugar visitado foi o l ocal onde ficaria a futura Jerusal ém.
Da primeira vez, isso acontece como um epíl ogo para a história da Guerra dos Reis. Tendo alcançado e
derrotado os invasores em todo o Norte até Damasco, Abraão volta a Canaã com os cativos e o butim.
E o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro –
quando Abraão voltava de derrotar Codorlaomor
e os reis que estavam com ele
no vale do Save, chamado também Vale do Rei.
Mas Melquisedec, rei de Shalem -porque era sacerdote do Deus Altíssimo –
oferecendo pão e vinho,
abençoou a Abraão, dizendo:
"Bendito seja Abraão da parte do Altíssimo Deus,
que criou o Céu e a Terra;
e bendito seja o Altíssimo,
que entregou teus inimigos em tuas mãos".
Melquisedec (cujo nome, em hebraico, significa exatamente o mesmo que o acadiano Sharru-kin, "Rei
Justo") ofereceu a Abraão um décimo do que ele recuperara. O rei de Sodoma foi mais generoso. Fica
com as riquezas, disse el e, devol ve-me apenas os cativos. Porém Abraão não queria nada, invocando
"Javé, o Altíssimo, Criador do Céu e da Terra", disse que não ficaria nem com um l aço de sapato
(Gênesis cap. 14).
(Estudiosos debateram essa passagem, e sem dúvida continuam a debater, se Abraão invocou "o
Altíssimo" de Mel quisedec, ou se quis dizer: Não, Javé é o Al tíssimo, por quem vou jurar.)
Essa é a primeira vez que a Bíblia menciona Jerusal ém, aqui chamada Shalem. Essa referência ao que
mais tarde ficou conhecida como Jerusalém não é baseada apenas em tradições de l onga data, mas
também na identificação cl ara do Salmo 76:3. Geralmente se aceita que o nome compl eto Yeru-Shalem,
em hebraico, significa" A Cidade de Shal em". E também pode ser argumentado que a palavra Shalem
não fosse um nome e nem mesmo um substantivo, mas um adjetivo, significando "compl eta", "sem
defeito". Nesse caso, o significado seria "O Lugar Perfeito". Se Shalem fosse o nome de uma divindade,
o nome poderia ser traduzido por "Aquele que é Perfeito".
Seja honrando um deus, fundada por um Deus, ou o Lugar Perfeito, Shalem/Jerusalém estava local izada
num l ocal muito improvável no que se refere às cidades dos homens. Ficava entre montanhas desol adas,
longe de cruzamentos comerciais ou mil itares e distante de fontes de água e comida. Era um local
completamente sem água, e o próprio suprimento de água potável estava destinado a ser um dos
problemas e vulnerabilidades de Jerusal ém. A cidade não se encaixava nas migrações de Abraão nem na
rota de invasões pelo leste nem em sua perseguição aos invasores. Por que, então, fazer um desvio para
cel ebrar a vitória - estaríamos incl inados a dizer, para um "l ugar esquecido por Deus"? A resposta é que
a cidade não era, em definitivo, esquecida por Deus; tratava-se do único lugar, em Canaã, onde havia
um sacerdote servindo o Deus Altíssimo. A pergunta seria: por que ali? O que havia de especial naquel e
lugar?
O segundo desvio aparentemente desnecessário estava rel acionado com o teste da devoção de Abraão.
Ele realizara sua missão em Canaã. Deus já prometera que sua recompensa seria grande e garantira sua
proteção. O milagre de um fil ho e herdeiro l egal numa idade extrema já ocorrera; o nome de Abrão já
fora alterado para Abraão, "pai de muitas nações". A terra estava prometida a el e e seus descendentes; a
promessa fora incorporada num pacto que envolvera um ritual mágico. Sodoma e Gomorra tinham sido
destruídas e tudo estava pronto para que Abraão e seu filho aproveitassem a paz e quietude que sem
dúvida haviam merecido.
De repente, "depois de todas essas coisas", afirma a Bíblia (Gênesis cap. 22) “que Deus testou Abraão",
dizendo a ele que fosse a um determinado local e lá sacrificasse seu único e amado filho:
Toma Isaac, teu filho único,
a quem tu tanto amas,
vai à Terra da Visão (Moriá)
e oferecer-mo-ás em holocausto sobre um dos montes
que eu te mostrarei.
Por que Deus resolveu testar Abraão daquel a forma sofrida, a Bíblia não explica. Abraão, pronto a
cumprir a ordem divina, descobre a tempo ser apenas um teste; um Anjo do Senhor aponta um carneiro
preso aos arbustos, o qual deveria ser sacrificado, não Isaac. Mas qual seria o motivo do teste, se
realmente era necessário, e por que não poderia ser real izado em Beersheba, onde estavam Abraão e seu
filho? Por que a necessidade de empreender a jornada de três dias? Por que ir àquela parte de Canaã que
Deus identificou como a terra de Moriá, e lá l ocalizar um monte específico - apontado por Deus - para
conduzir o teste?
Em primeiro lugar, devia haver algo especial com a l ocal idade escolhida. Lemos no Gênesis 22:4 que
"No terceiro dia, tendo erguido os ol hos, Abraão viu o l ugar de longe". Se havia al go no qual a terra era
rica era em montes desol ados; de perto, e certamente a distância, eles deviam ser todos parecidos. Ainda
assim, Abraão reconheceu o monte. Tinha de haver algo que o distinguisse de todos os outros montes.
Tanto que, depois de terminada a provação, el e deu ao lugar um nome lembrado por muito tempo: O
Monte Onde Javé É Visto. Como Crônicas II, 3: 1 deixa claro, o monte Moriá era o pico de Jerusal ém no
qual o Templo foi construído.
Na época em que Jerusalém se tornou uma cidade, engl obava três montes. De nordeste para sudoeste,
havia o monte Zophim ("Monte dos Observadores", hoje chamado de monte Scopus); ao centro, o
monte Moriá ("Monte da Direção"); e o monte Sião ("Monte do Sinal "); esses nomes nos trazem à
lembrança a designação das cidades-farol dos anunnaki, marcando Nippur e a Rota de Aterrissagem
quando o espaçoporto era localizado na Mesopotâmia.
As lendas hebraicas rel atam que Abraão reconheceu o monte Moriá a distância porque viu sobre ele "um
pilar de fogo se dirigindo da terra para o céu, e uma nuvem pesada, onde a Gl ória de Deus era visível".
Essa l inguagem é quase idêntica à descrição bíbl ica da presença do Senhor sobre o monte Sinai durante
o Êxodo. Colocando o fol clore de l ado, acreditamos que Abraão viu a grande pl ataforma que havia no
monte.
Uma plataforma que, embora menor do que a de Baalbek, também fazia parte das instalações
espaciais dos anunnaki. Pois Jerusalém (antes que se tornasse Jerusalém) era o Centro de
Controle de Missão pós-Dilúvio.
E, como em Baal bek, essa plataforma ainda existe.
O motivo (para o primeiro) e o propósito (para o segundo) dos desvios agora podem ser focalizados. O
cumprimento de sua missão estaria marcado por uma comemoração formal, incluindo uma bênção
sacerdotal para Abraão com pão e vinho cerimoniais, no local - o único l ocal em Canaã - diretamente
ligado à presença dos elohim. O segundo desvio foi destinado a testar as qualidades de Abraão para um
estado determinado depois da destruição do espaçoporto e da desmontagem do Centro de Controle de
Missão; e para renovar lá o pacto em presença do sucessor de Abraão, Isaac. Tal renovação do voto
divino sem dúvida seguiu-se após o teste:
E o Anjo de Javé
chamou Abraão dos céus pela segunda vez
e lhe disse as palavras de Javé:
"Jurei por mim mesmo:
porque fizeste esta ação,
e que, por me obedeceres, não perdoaste
a teu filho único; eu te abençoarei
e multiplicarei tua raça...
E todas as gentes da Terra
serão benditas na tua posteridade".
Ao renovar os votos divinos nesse l ocal em particular, o próprio lugar - consagrado desde então -tornou-se parte da herança de Abraão, o Hebreu, e de seus descendentes.
A promessa divina a Abraão, que só se concretizou depois de muito tempo e escravidão numa terra
estrangeira por quatrocentos anos. No total, apenas mil anos mais tarde é que os descendentes de Abraão
tomariam posse do monte sagrado, monte Moriá. Quando os israel itas chegaram a Canaã depois do
Êxodo, encontraram uma tribo de jebusitas ao sul do monte sagrado e os deixaram ficar, pois o
momento de tomarem posse do monte sagrado ainda não chegara. Esse prêmio foi concedido, em cerca
de 1000 a.C., dez sécul os depois do teste de Abraão, quando o rei Davi capturou a vil a jebusita e mudou
a capital de Hebron para o que seria chamada, na Bíblia, a Cidade de Davi.
É importante compreender que o acampamento jebusita capturado por Davi e sua nova capital não era
toda Jerusalém, como agora existe, e nem ao menos é a cidade murada. Essa área capturada e depois
conhecida como cidade de Davi situava-se no monte Sião, não no monte Moriá. Mesmo quando o
sucessor de Davi, Sal omão, ampl iou a cidade para nordeste, para uma área chamada de Ophel, ainda
assim não engl obou a área única para o norte. Indica que a pl ataforma que se estendia sobre o monte
Moriá já existia na época de Davi e Salomão.
O acampamento jebusita, portanto, não ficava no monte Moriá com sua plataforma, porém mais para o
sul . (Habitações humanas nas proximidades, mas não no interior de áreas sagradas, eram comuns nos
"centros de cul to" da Mesopotâmia, como em Ur ou mesmo na Nippur de Enl il , como ficou evidenciado
por um mapa de Nippur desenhado num tablete.
Um dos primeiros atos de Davi foi transferir a Arca da Aliança de sua temporária l ocal ização na capital,
em preparação para que fosse construída a Casa de Javé, de acordo com os planos de Davi. Porém essa
honra, disse-l he o profeta Nathan, não seria sua, em virtude do sangue derramado durante as guerras
nacionais e os conflitos pessoais; a honra seria de seu filho Salomão. Tudo o que lhe foi permitido fazer
foi erigir um al tar; o local preciso foi mostrado a Davi por um "Anjo de Javé, postado entre o Céu e a
Terra, apontando-o com a ponta da espada". Também foi lhe mostrado um Tavnit - um model o em
escala - do futuro templ o, e recebeu instruções arquitetônicas detal hadas, as quais, quando o tempo certo
chegasse, Davi entregaria a Salomão numa cerimônia pública, dizendo:
Tudo isso, escrito pela mão Dele,
Javé me fez compreender –
Todos os trabalhos do Tavnit.
A extensão dessas especificações detalhadas para o templo e suas várias seções e utensíl ios rituais
podem ser julgadas em Crônicas I, 28: 11-19).
No quarto ano de seu reinado - 480 anos depois do início do Êxodo, a Bíblia afirma -, Salomão começa
a construção do Templo "no monte Moriá, conforme foi mostrado por seu pai, Davi". Enquanto as
madeiras cortadas dos cedros no Líbano e o mais puro ouro de Ophir eram importados, e o cobre para as
cubas especificadas era minerado e fundido nas famosas Minas do Rei Salomão, a estrutura em si teve
de ser erigida com "pedras cortadas e esculpidas, grandes e caras".
As cantarias de pedra precisavam ser preparadas e cortadas em outro l ocal , pois a construção estava
sujeita a uma proibição de uso de quaisquer instrumentos de ferro no Templo. Os bl ocos de pedra
deviam ser transportados e trazidos para o templ o apenas para serem montados. A Casa era feita de
pedras prontas antes de serem rejuntadas; de forma que nenhum machado, martel o ou ferramenta de
metal era ouvido na Casa enquanto estava, em construção (I Reis 6:7).
Levou sete anos para completar a construção do Templo e equipá-lo com todos os utensílios rituais.
Então no Ano-Novo seguinte ("no sétimo mês"), o rei, os sacerdotes e todo o povo presenciaram a
transferência da Arca da Al iança para seu local permanente, no Santo dos Santos, no interior do Templo.
"Não havia nada na Arca, exceto as duas tábuas de pedra que Moisés colocara em seu interior", no
monte Sinai. Assim que a Arca ficou em seu lugar, sob o querubim al ado, "uma nuvem preencheu a casa
de Javé", obrigando os sacerdotes a sair. Então Sal omão, em pé no altar que ficava no pátio, orou para
Deus "que habita no céu" para que viesse e morasse em Sua Casa. Foi mais tarde, naquel a noite, que
Javé apareceu a Salomão em um sonho e prometeu a ele uma presença divina: "Meus olhos e coração
estarão aí para sempre".
O Templo era dividido em três partes. Entrava-se por um grande portão fl anqueado por dois pilares
especialmente desenhados. A parte da frente era chamada Ulam (Saguão); a parte maior, do meio, era
denominada Ekhal, um termo hebraico que derivava do sumério E.GAL (Grande Habitação). Oculta
ficava a parte mais interna, o Santo dos Santos. Era chamado de Dvir - literalmente: o que Fala -, pois
continha a Arca da Al iança com os dois querubins sobre el a, de onde Deus havia falado a Moisés
durante o Êxodo. O Grande Altar e as pias ficavam no pátio, não no interior do Templ o.
Dados bíbl icos e referências, tradições de idade incontável e evidências arqueológicas não deixam
dúvidas de que o Templo que Salomão construiu (o Primeiro Templo) erguia-se sobre a grande
pl ataforma que ainda coroa o monte Moriá (também conhecido como Monte Sagrado, Monte do Senhor
ou Monte do Templo). Dadas as dimensões do Templ o e o tamanho da pl ataforma, é geralmente aceito
que a Arca da Aliança, no interior do Santo dos Santos, ficava sobre uma sal iência rochosa, uma Pedra
Sagrada que, de acordo com as tradições, foi a pedra sobre a qual Abraão deveria sacrificar Isaac. A
rocha foi chamada, nas escrituras hebraicas, de Even Sheti'yah - "Pedra do Al icerce" -, pois foi dessa
pedra que "o mundo inteiro foi tecido". O profeta Ezequiel (38:12) a identificou como o Umbigo da
Terra. A tradição estava tão enraizada que artistas cristãos da Idade Média representaram o lugar como o
Umbigo da Terra e continuaram a fazer assim até depois do descobrimento da América.
O Templ o que Salomão construiu (o Primeiro Templ o) foi destruído pelo rei da Babil ônia,
Nabucodonosor, em 576 a.C. e foi reconstruído por exilados judeus vol tando da Babil ônia setenta anos
depois. Esse Templ o reconstruído, conhecido como o Segundo Templo, foi mais tarde substancialmente
ampliado e engrandecido pel o rei Herodes, durante seu reinado de 36 a 4 a.C. Porém o Segundo
Templo, em todas as suas fases, aderiu ao projeto, local ização e situação original do Santo dos Santos
em relação à Rocha Sagrada. E quando os muçulmanos tomaram Jerusalém no sécul o VII, al egaram que
fora daquel a Rocha Sagrada que o profeta Maomé subira aos céus para uma visita noturna; fizeram um
santuário no l ocal , construindo um Domo da Rocha para abrigá-lo e aumentá-l o.
Geologicamente, a rocha é uma extensão das rochas naturais abaixo, elevando-se sobre o nível da
pl ataforma de pedra cerca de 1,50 m a 1,80 m (a superfície não é regul ar). Mas é uma "protuberância"
bastante incomum em mais de uma forma. Sua face visível foi cortada e moldada com impressionante
grau de precisão, para formar um receptáculo retangul ar, alongado, horizontal e vertical , al ém de nichos
de várias profundidades e tamanhos. Tais nichos artificiais tinham os mesmos propósitos para quem
quer que tivesse feito as incisões na rocha. O que foi apenas suposto há muito tempo (Hugo Gressmann,
Altorientalische Bilder zum Alten Testament) foi confirmado por pesquisadores recentes (tais como Leen
Ritmeyer, Locating the Original Temple Mount ("Local izando o Monte do Templ o Original"): a Arca da
Aliança e as paredes do Santo dos Santos foram colocadas onde o corte l ongo e os outros nichos foram
feitos na pedra.
As implicações dessas descobertas é que os cortes e nichos na face da rocha datam, no mínimo, da época
do Primeiro Templo. Não existe, entretanto, nenhuma menção nas passagens relevantes da Bíbl ia de tais
cortes efetuados por Salomão; teria sido virtualmente impossível por causa da proibição estrita contra o
uso de machados de metal e outras ferramentas no monte!
O enigma da Rocha Sagrada e o que havia sobre ela foram aumentados pelo mistério do que pode
ter estado abaixo. Pois a rocha não é uma simples protuberância. Ela é oca!
Na verdade, com a devida permissão, pode-se descer um lance de escadas construídas pel as autoridades
muçulmanas e chegar a uma caverna na rocha, cujo teto é a protuberância que forma o al tar da Rocha
Sagrada. Essa caverna - se é natural ou não fica incerto - também apresenta alguns nichos e
receptáculos, tanto nas paredes rochosas quanto (como podia ser constatado antes que o chão ficasse
coberto com tapetes de orações) no piso. Num dos l ocais, observamos o que parece uma abertura para
um túnel escuro; mas do que se trata e onde desemboca é um bem-guardado segredo muçulmano.
Viajantes do século XIX afirmaram que essa caverna não é a única cavidade subterrânea associada à
Rocha Sagrada; afirmam que existe outra ainda, mais abaixo. Pesquisadores israel enses, barrados
fanaticamente na área, determinaram, com a ajuda de radar subterrâneo e tecnologia de sonar, que
realmente existe outra cavidade enorme sob a Rocha Sagrada.
Essas cavidades misteriosas deram origem à especulação não apenas sobre possíveis tesouros do
Templo, ou registros do Templ o, que podem ter sido ocul tados al i quando o Primeiro Templo e o
Segundo Templo estivessem a ponto de serem invadidos e destruídos. Existem ainda especul ações sobre
se a Arca da Al iança, que a Bíblia cessa de mencionar depois que o faraó egípcio Sheshak saqueou (mas
não destruiu) o Templ o, por vol ta de 950 a.C., poderia estar escondida ali. Mas por enquanto não
passam de especulações.
O que é certo, todavia, é que os profetas e salmistas se referiam a essa Rocha Sagrada quando usavam o
termo "Rocha de Israel " como eufemismo para "Javé". E o profeta Isaías (30:29), fal ando de um tempo
futuro de redenção universal no Dia do Senhor, profetizou que as nações da Terra virão a Jerusal ém para
louvar o Senhor "no Monte de Javé, na Rocha de Israel ".
O Monte do Templo é coberto por uma plataforma horizontal de pedra, em forma de retângul o
levemente irregular (em virtude do formato do terreno), cujo tamanho é de cerca 490 m por 275 m, para
um total de aproximadamente 140.000 m2. Embora acredite-se que a pl ataforma atual inclua partes - no
extremo sul e possivelmente também ao norte - que foram acrescentadas entre a construção do Primeiro
Templo e a destruição do Segundo Templo, é certo que a maior parte da estrutura da plataforma é
original; é o que acontece sem dúvida na parte l evemente erguida onde a Rocha Sagrada e o Domo da
Rocha estão localizados.
As mais recentes escavações revel aram que, à medida que os l ados visíveis das paredes de retenção
aparecem, as encostas naturais do monte Moriá inclinam-se consideravelmente de norte para sul.
Embora não se possa dizer com certeza qual o tamanho da pl ataforma no tempo de Salomão, nem
aval iar com precisão a profundidade das encostas a serem preenchidas, uma estimativa arbitrária de uma
pl ataforma medindo apenas 90.000 m2 e uma profundidade média de 18 m (muito menos ao norte,
muito mais ao sul ), resul ta num vol ume de entulho (terra e rochas) de aproximadamente 1.700.000 m3.
Trata-se de uma obra de proporções consideráveis.
Ainda assim, não há na Bíbl ia menção ou mesmo sugestão de tal empreendimento. As instruções para o
Primeiro Templo cobrem páginas inteiras da Bíbl ia; cada detal he é fornecido, as medidas são precisas
em um grau impressionante, o l ocal em que esse ou aquele artefato deve estar é especificado, o
comprimento dos varais usados para carregar a Arca é dado, e assim por diante. Porém tudo se apl ica à
Casa de Javé. Nem uma palavra sobre a pl ataforma de sustentação; isso só poderia significar que a
pl ataforma já se encontrava al i, não havia necessidade de construí-la.
Em contraste com essa ausência de detal hes estão as repetidas referências, em Samuel II e Reis I, ao
Millo, literalmente "o preenchimento" - um projeto iniciado por Davi e ampliado por Sal omão para
preencher parte da incl inação no canto sudeste da sagrada plataforma, de forma que a Cidade de Davi
pudesse expandir-se para o norte, mais próxima à antiga pl ataforma. Fica cl aro que os dois reis se
sentiam orgul hosos do que real izaram e certificaram-se de que fosse registrado pelas crônicas reais.
(Escavações recentes na área indicam, entretanto, que a obra foi real izada construindo uma série de
terraços que diminuíam à medida que se elevavam; uma maneira mais fácil do que cercar com um muro
de contenção a área a ser nivelada e encher com entulho o espaço interior).
Esse contraste sem dúvida corrobora a conclusão de que nem Davi nem Salomão construíram a vasta
pl ataforma no monte Moriá, com as enormes paredes de retenção e a quantidade fabulosa de entul ho
requerida. Todas as evidências sugerem que a pl ataforma já existia quando a construção do Templ o foi
pl anejada.
Quem teria construído tal pl ataforma, com toda a terrapl enagem e trabalhos em pedras realizados?
Nossa resposta, cl aro, é: os mesmos mestres construtores que fizeram a pl ataforma em Baalbek (e
também a vasta e precisamente posicionada plataforma onde repousa a Grande Pirâmide de Gizé.)
A grande plataforma que cobre o Monte do Templ o é cercada por paredes que servem tanto como muros
de contenção quanto como fortificações. A Bíblia registra que Salomão construiu tais paredes, assim
como os reis judeus depois dele. Porções visíveis das paredes, sobretudo ao sul e a leste, apresentam
construções de vários períodos posteriores. Invariavelmente, a parte mais baixa (portanto a mais antiga)
é feita com bl ocos maiores e mais bem cortados. Dessas paredes, apenas a parede oeste, por tradição e
confirmado pela arqueologia, permaneceu santificada como um testemunho da época do Primeiro
Templo - pelo menos na parte inferior, onde as cantarias (blocos de pedra perfeitamente cortados e
aparelhados) são maiores. Por quase dois mil ênios, desde a destruição do Segundo Templ o, os judeus se
apegaram a essa relíquia, orando a Deus e procurando ajuda pessoal ao inserir pedacinhos de papel com
pedidos a Deus entre as pedras, lamentando-se da destruição do templo e da dispersão do povo judeu -tanto assim que os cruzados e outros conquistadores de Jerusal ém apel idaram o Muro Oeste de "Muro
das Lamentações".
Até a reunificação de Jerusalém por Israel em 1967, o Muro Oeste não era mais do que uma nesga de
parede, com cerca de 30 m aproximadamente, espremida entre residências. Em frente havia um espaço
estreito para os peregrinos, e em ambos os l ados, elevando-se por sobre as casas, encravava-se no
monte. Quando as casas foram removidas, uma grande praça formou-se em frente ao Muro Oeste e toda
a sua extensão até o lado sul foi revelada. Pela primeira vez em quase dois mil ênios, percebeu-se que as
paredes estendiam-se para baixo quase tanto quanto a parte que fora exposta ao que se considerou o
nível do sol o. Como ficou sugerido pel a parte visível do Muro das Lamentações, as pedras embaixo
eram maiores, mais bem trabal hadas e muito mais antigas.
Acenando com mistério e uma promessa de segredos antigos era a extensão do muro oeste para o
norte.
Lá, o capitão Charl es Wil son explorou, na década de 1860, um arco (que ainda leva o nome del e) que
levava para o norte por uma passagem como um túnel , e para oeste por uma série de câmaras e arcadas.
A remoção de entulho revelou que o nível da rua ficava várias camadas mais baixo, agora subterrâneo,
num compl exo de estruturas antigas que incl uíam mais passagens e abóbadas. Quanto para baixo e para
o norte as estruturas se estendiam? Era um quebra-cabeça que os arqueól ogos israel enses finalmente
começavam a montar.
No final, o que descobriram foi espantoso.
Usando dados da Bíbl ia, do Livro dos Macabeus e dos textos do historiador judeu-romano Josefo (e por
levar em conta uma lenda medieval pel a qual o rei Davi sabia de uma forma de subir o monte pela face
oeste), os arqueólogos concl uíram que o Arco de Wil son era a entrada do que parecia ter sido
anteriormente uma rua aberta que corria ao longo do Muro Oeste, e que o próprio muro se estendia para
o norte por dezenas de metros. A limpeza cuidadosa do material depositado confirmou essas previsões,
levando, em 1996, à abertura do Túnel Arqueológico (um acontecimento que ganhou as manchetes por
mais de um motivo).
Estendendo-se por cerca de 500 m desde seu início no Arco de Wil son até o final , na Via Dolorosa
(onde Jesus caminhou carregando a cruz), o túnel do Muro Oeste passa através de restos de ruas, túneis
de água, piscinas, arcos, estruturas e mercados de épocas bizantina, romana, herodiana, hasmoneanas e
dos tempos bíblicos. A emocionante experiência de andar ao l ongo do túnel, bem abaixo do nível do
sol o, é como ser transportado numa máquina do tempo - para trás a cada passo.
Entrementes, o visitante pode ver - e tocar - as pedras do muro de contenção oeste que pertenceram a
uma época mais remota. Caminhos ocul tos há milênios foram descobertos. Na seção mais ao norte, a
base rochosa natural pode ser vista, erguendo-se. Porém a maior surpresa para os visitantes, assim como
o foi para os arqueól ogos, está na porção sul do muro:
Lá, no antigo nível da rua, mas não ainda o nível mais baixo, foram empregados vários blocos, e
sobre eles quatro colossais blocos, cada um pesando centenas de toneladas!
Naquel a porção do Muro Oeste, uma secção de 36 m foi feita de bl ocos de pedra com extraordinários
3,3 m de altura, cerca do dobro do que os maiores blocos abaixo. Apenas quatro blocos formam essa
secção; um del es possui o descomunal comprimento de 12,8 m; outro tem um comprimento de 12 m, e
um terceiro mede 7,6 m. O maior dos três, portanto, possui uma massa de pedra com 184 m3 de rocha,
pesando cerca de 600 tonel adas! O outro, menor, pesa cerca de 570 toneladas, e o terceiro, por vol ta de
355.
São medidas e pesos col ossais por qualquer parâmetro; os blocos usados na construção da Grande
Pirâmide de Gizé pesam cerca de 2,5 tonel adas em média, com o maior de todos pesando cerca de 15
ton. De fato, a única comparação que vem à cabeça são os três Trílitos na grande pl ataforma de pedra
em Baalbek, que formam uma área um tanto menor, mas cujos bl ocos são, mesmo assim, col ossais.
Quem poderia ter instalado bl ocos tão col ossais, e para quê? Como os bl ocos possuem reentrâncias em
suas bordas, os arqueólogos presumem que eles sejam da época do Segundo Templ o (ou mais
especificamente do período de Herodes, do sécul o I a.C.) Mas mesmo aquel es que sustentam ser a
pl ataforma original menor do que a presente, concordam que a porção central que engl oba a Rocha
Sagrada, e à qual pertence o enorme muro de retenção, já existia na época do Primeiro Templ o. Naquel e
tempo, a proibição quanto ao uso de ferramentas metál icas (que data da época de Josué) era
rigorosamente respeitada. Todos os bl ocos utilizados por Sal omão, sem exceção, foram cortados,
esculpidos e preparados em outro l ocal e depois trazidos apenas para serem montados. Que esse tenha
sido o caso com os blocos colossais se torna cl aro pel o fato de que eles não fazem parte da rocha nativa;
estão bem acima e possuem uma tonal idade diferente. (Na verdade, as últimas descobertas a oeste de
Jerusal ém sugerem que podem ter vindo de lá). Como foram transportados e elevados até o nível
necessário, depois encaixados nos locais adequados, permanecem questões que os arqueól ogos são
incapazes de resol ver.
Foi sugerida, entretanto, uma resposta à pergunta "para quê?" O chefe dos arqueólogos do local, Dan
Bahat, numa matéria para a revista Biblical Archaeology Review, afirma: "Acreditamos que a outra face
[leste] do muro Oeste nesse ponto, sob o Monte do Templo, é um enorme salão; nossa teoria é que a
Viga Mestra [como essa secção veio a ser conhecida] foi instal ada para apoiar e servir de contrapeso
para a arcada interna".
Essa secção com os enormes bl ocos de pedra l ocaliza-se ligeiramente ao sul da Rocha Sagrada. A única
expl icação plausível parece ser a sugestão de que essa secção era necessária para suportar altos impactos
associados com a função do local como Centro de Control e de Missão, com o equipamento instalado no
interior e exterior da Rocha Sagrada.
11
UM TEMPO DE PROFECIA
Teria sido a demora para construir o Templo de Jerusalém devida à razão fornecida - o derramamento de
sangue por Davi em guerras e feudos - ou foi apenas uma desculpa, obscurecendo outro motivo mais
profundo?
Pode-se estranhar que o período de tempo que se passou do pacto renovado com Abraão (e naquel a
ocasião também com Isaac) no monte Moriá até quando o templ o foi construído, passaram-se
exatamente mil anos. É estranho porque o exílio de Marduk também durou mil anos; e isso parece ser
mais do que uma simples coincidência.
A Bíblia deixa claro que a época do início da construção do Templo foi determinada por Deus; embora
os detalhes arquitetônicos estivessem prontos, foi Ele quem disse, por intermédio do profeta Nathan:
Ainda não, Davi não, mas o próximo rei, Salomão. Da mesma forma, é evidente que não foi o próprio
Marduk quem estabel eceu o tempo de seu exílio. Na verdade, é evidente que el e, desesperado,
perguntou: até quando? Isso significa que ele não era conhecedor do tempo de seu exílio, que era
determinado pel o que se poderia chamar de Sorte - ou, del iberadamente, pel a mão invisível do Senhor
dos Senhores, o Deus que os hebreus chamavam de Javé.
A idéia de que um mil ênio - mil anos - significa mais do que um evento de calendário, prevendo eventos
apocalípticos, é tida como derivada de uma narrativa visionária no Apocal ipse, capítulo 20, em que é
profetizado que o "Dragão, aquel a vel ha serpente, que é o Diabo e Satã", ficará preso por mil anos,
atirado num poço e fechado lá por mil anos, incapaz de enganar as nações, até que o período de mil anos
tenha sido cumprido. Então Gog e Magog irão envol ver-se numa guerra mundial; a Primeira
Ressurreição dos mortos vai ocorrer, e a Era Messiânica começará.
Essas pal avras visionárias, introduzindo no Cristianismo a noção (e expectativa) de um milênio
apocalíptico, foram escritas no sécul o I d.C. Portanto, embora o livro mencione a Babilônia como
"império cruel", os estudiosos e teól ogos acreditam que se tratava de um codinome para Roma.
Mesmo assim, é significativo que as pal avras no Apocalipse ecoam as pal avras do profeta Ezequiel
(sécul o VI a.C.), que menciona uma visão da ressurreição dos mortos no Dia do Senhor (capítulo 37) e a
guerra mundial de Gog e Magog (capítul os 38, 39) deverá ocorrer no "final dos anos". Tudo foi revel ado
pel o profeta de Javé nos Dias Antigos, que "profetizara sobre os Anos".
"Os anos" a serem preenchidos, a contagem até o "Final dos Anos". Muitos séculos, sem dúvida,
passaram-se antes que chegasse a época de Ezequiel e a Bíblia oferecesse uma pista:
Mil anos,
aos olhos Dele,
não representam mais do que a passagem de um dia.
A afirmação, no Salmo 90:4, é atribuída na Bíblia ao próprio Moisés; a aplicação de um mil har de anos
a um tempo divino remonta, no mínimo, ao Êxodo. De fato, o Deuteronômio (7: 9) assinal a a duração do
Pacto Divino com Israel por um período de "mil gerações", e no salmo que Davi compôs quando a Arca
da Al iança foi trazida para a Cidade de Davi, a duração de um mil har de gerações é mencionada mais
uma vez (Crônicas 1,16: 15). Outros salmos repetidamente apl icam o número "mil " para falar de Javé e
suas maravil has; o Salmo 68: 18 fornece mil anos para a duração da Carruagem do Elohim.
A pal avra hebraica para "mil", Eleph, é escrita com três letras: Aleph ("A"), Lamed ("L") e Peh ("P" ou
"F"). Também pode ser l ida como Aleph, significando a primeira letra do alfabeto, numericamente igual
a "1". As três letras, somadas, perfazem o valor numérico de 111 (1+30+80), que pode ser encarado
como tríplice afirmação da Unidade de Javé e do monoteísmo; sendo "Um" a pal avra-código para
"Deus". Não foi por acaso que as três letras arranjadas de outra forma (P-L-A) formam a pal avra Peleh -a maravil ha das maravil has, um epíteto para o trabal ho de Deus e os mistérios do Céu e da Terra, que
estão fora da compreensão humana. Essa maravil ha das maravil has refere-se principalmente às coisas
criadas e previstas no passado remoto; também foram objeto das perguntas de Daniel , quando procurou
prever o Final dos Tempos (12:6).
Dessa forma, parecem existir rodas dentro de rodas, significados no interior de significados, códigos
dentro de códigos naquel es versos relacionados com o período de um milênio: não apenas no sentido
óbvio numérico da seqüência do passar do tempo, mas também uma duração da Al iança, uma afirmação
em código do monoteísmo e uma profecia em relação ao mil ênio e ao Final dos Tempos.
E como a Bíblia deixa claro, o milhar de anos cuja contagem se iniciou com a construção do Templo -coincidiu com o que é agora chamado de último mil ênio a.C. - era uma época de profecias.
Para compreender os eventos e profecias do último mil ênio, é preciso voltar no relógio ao milênio
anterior, à cal amidade nuclear e à aceitação da supremacia de Marduk.
O Texto das Lamentações descreve a destruição e a desol ação que tomaram conta da Suméria e Acádia à
medida que a nuvem radioativa mortal progredia na direção da Mesopotâmia, e descreve como os
deuses fugiram apressadamente de seus "centros de culto" enquanto o "Vento Mau" se aproximava
del es. Alguns se "escondiam nas montanhas", outros "escapavam para terras distantes". Inana, deixando
suas posses para trás, velejou para a África num navio submersível; a esposa de Enki, Ninki, "voando
como um pássaro, foi para o Abzu, na África, enquanto procurava um l ugar seguro ao norte; Enlil e
Ninl il partiram para um destino desconhecido, assim como a solteira Ninharsag. Em Lagash, a deusa
Bau viu-se sozinha, pois Ninurta partira desde a expl osão nuclear; “chorou amargamente por seu
templ o” e permaneceu; o resultado foi trágico, pois “Naquel e dia a tempestade a alcançou; Bau, como se
fosse mortal, a tempestade a al cançou”.
A l ista de deuses que fugiram continua, até chegar a Ur e suas divindades. Lá, conforme mencionamos,
Nanar/Sin se recusava a acreditar que o destino de sua cidade estava selado. Na lamentação que el a
mesma escreveu mais tarde, seu esposo, Ningal , descreveu como, a despeito do cheiro desagradável dos
mortos, cujos cadáveres l otavam a cidade, el es ficaram “e não fugiram”. Nem fugiram na noite que
seguiu o dia terrível . Porém pela manhã, as duas divindades, encol hidas na câmara subterrânea de seu
zigurate, compreenderam que a cidade estava condenada, e também partiram.
A nuvem nuclear, dirigindo-se para o sul em virtude dos ventos, poupou a Babil ônia; isso foi tomado
como um presságio, reforçando os cinqüenta nomes que Marduk recebeu como indicação de sua
merecida supremacia. Seu primeiro passo foi real izar a sugestão de seu pai, de que os próprios anunnaki
construíssem para el e sua casa/templo na Babilônia, a E.SAG.IL (“Casa da Cabeça El evada”). A esse
projeto na área sagrada foi adicionado um novo templo para a comemoração do Ano-Novo e para a
leitura da Enuma elish revisada; seu nome, E.TEMEN.AN.KI (“Casa da Fundação Céu-Terra"),
cl aramente indicava que substituíra a DUR.AN.KI (“Ligação Céu-Terra") de Enlil, que estivera no
centro de Nippur quando era o Centro de Control e de Missão.
Os estudiosos prestaram atenção a essas questões matemáticas na Bíbl ia, deixando intocado o que
deveria ter sido encarado como um enigma: por que a Bíblia Hebraica adotou completamente o sistema
decimal, embora Abraão fosse um Ibri – um sumério de Nippur - e todas as histórias no Gênesis (como
é indicado em Salmos e em todos os outros lugares) foram baseadas em textos sumérios? Por que o
sistema sexagesimal (' ' base 60”) sumério não encontrou eco na numerologia da Bíblia - a prática que
culminou no conceito de milênio?
Fica-se pensando se Marduk conhecia essa questão. El e marcou sua idéia de supremacia procl amando
uma Nova Era (a Era do Carneiro), revendo o cal endário e construindo um novo Portal dos Deuses.
Nesses degraus podem-se encontrar evidências de uma nova matemática - uma mudança silenciosa do
sistema sexagesimal para o decimal .
O ponto focal dessas mudanças foi o templ o-zigurate que o honrava, que Enki sugeriu que fosse
construído pelos próprios anunnaki. Descobertas arqueológicas das ruínas (depois de reconstruções
sucessivas), assim como informações contidas nos tabl etes, com detal hes precisos da construção,
revelam que o zigurate foi erguido em sete estágios, o mais elevado dos quais servia como residência de
Marduk. Planejado (como o próprio Marduk afirmou) "de acordo com os textos do Céu Superior",
tratava-se de uma estrutura quadrada cuja base ou primeiro estágio mediam 15 gar (cerca de 90 m de
cada l ado) e se elevava 5,5 gar (33 m). Acima desse havia outro estágio, menor e mais curto; assim por
diante, até que todo o templo al cançasse uma altura combinada de 300 m, como os lados da base. O
resultado era um cubo cuja circunferência era de 60 gar em cada uma das dimensões, conferindo à
estrutura o número celestial de 3.600 quando el evado ao quadrado (60 x 60), e 216.000 quando elevado
ao cubo (60 x 60 x 60). Porém nesse número estava ocul ta uma mudança para o sistema decimal, já que
representava o número zodiacal 2.160 mul tiplicado por 100.
Os quatro lados do zigurate eram orientados com precisão para os quatro pontos cardeais da bússola.
Um estudo feito por astro-arqueólogos demonstrou que a altura de cada um dos seis estágios era
cal cul ada com precisão para permitir observações do céu naquela região geográfica. O zigurate não
tivera apenas a intenção de ul trapassar o Ekur de Enlil, mas também de assumir funções astronômicas e
de produção de calendários.
Assim foi realizada a revisão do calendário - uma questão de prestígio teol ógico, além da necessidade,
por causa da alteração zodiacal (de Touro para Áries), também necessitava do ajuste de um mês no
cal endário se Nissan ("O Porta-Estandarte") continuasse o primeiro mês do calendário e o mês do
equinócio de primavera. Para conseguir isso, Marduk ordenou que o último mês do ano, Addar, deveria
ser dobrado naquel e ano. (O recurso de dobrar o mês de Addar sete vezes num cicl o de dezenove anos
foi adotado no cal endário hebraico como forma de real inhar periodicamente os anos sol ares e lunares).
Assim como na Mesopotâmia, o calendário também foi revisto no Egito. Originalmente idealizado por
Tot, cujo "número secreto" era 52, dividia o ano em 52 semanas de sete dias cada uma, resul tando num
ano sol ar de 364 dias (um assunto importante no Livro de Enoch). Marduk (como Rá) instituiu, em vez
disso, uma divisão do ano baseada em 10: dividiu o ano em 36 decans de dez dias cada; os 360 dias
resultantes eram então seguidos por cinco dias especiais, para compl etar 365.
A Nova Era introduzida por Marduk não era monoteísta. Marduk não se decl arou o único deus; na
verdade, el e precisava que os outros deuses estivessem presentes para saudá-l o como supremo. Para esse
propósito, providenciou santuários, pequenos templos e residências para os deuses principais, e os
convidou a irem morar l á. Nos textos não existe indicação de que tenham aceitado o convite. Na
verdade, quando a dinastia idealizada por Marduk finalmente foi instal ada na Babilônia por vol ta de
1890 a.C., os deuses dispersados começaram a estabelecer seus próprios domínios ao redor da
Mesopotâmia.
Importante entre eles foi El am no leste, com Susa (mais tarde a bíbl ica Shushan) como sua capital e
Ninurta como o "deus nacional ". Para o oeste, ficava um reino cuja capital era chamada Mari (do termo
Amurru, a Ocidental ), que fl oresceu às margens ocidentais do Eufrates; seus pal ácios magníficos eram
decorados com murais mostrando Ishtar coroando o rei, mais uma prova da al ta reputação da deusa al i.
Nas montanhas, terra dos Hatti, onde os hititas já adoravam o filho mais novo de Enlil, Adad, usando
seu nome hitita, Teshub (O Deus do Vento/Tempestade), começou a crescer um reino com força e
aspirações a tornar-se um império. E entre a terra dos hititas e a Babilônia havia um reino novo - o da
Assíria, com um panteão idêntico ao dos sumérios e acadianos, com exceção do deus nacional , que se
chamava Ashur - "Aquel e que Vê". Combinava os poderes de Enlil e Anu, e sua representação era feita
no interior de um objeto circular alado; dominava os monumentos assírios.
Na África distante, havia o Egito, o Reino do Nilo. Porém lá o período era caótico, chamado pel os
estudiosos o Segundo Período Intermediário, o que removeu o país do cenário internacional até que o
Novo Reinado começasse, por vol ta de 1650 a.C.
Os estudiosos acham difícil expl icar por que o Oriente Médio se agitou naquele período. A nova (17ª.)
dinastia que assumiu o control e do Egito foi tomada de fervor imperial, atirando-se contra a Núbia ao
sul , contra a Líbia a oeste e contra as terras da costa do Mediterrâneo. Na terra dos hititas, um novo rei
enviou seu exército através da barreira das montanhas Taurus, também ao l ongo da costa mediterrânea;
seu sucessor conquistou Mari. E na Babil ônia, o povo dos cassitas apareceu subitamente (vindo das
montanhas a nordeste da região ao longo do mar Cáspio) e atacou a Babil ônia, extinguindo
abruptamente a dinastia que começara com Hamurabi.
À medida que cada nação clamava por ir à guerra em nome e sob as ordens de seu deus nacional , os
conflitos poderiam representar uma luta entre os deuses, usando seus devotos humanos. Uma pista que
parece confirmar esse fato é que todos os nomes teofóricos dos faraós da 18º. dinastia l argaram o sufixo
ou prefixo Rá ou Amen em favor de Tot. A mudança, que se iniciou com Tutmés (al gumas vezes
chamado de Tutmósis) I em 1525 a.C., marcou também o início da opressão dos israel itas. O motivo
dado pel o faraó é revelador: ao empreender expedições militares contra os naharin, no Alto Eufrates, el e
temia que os israel itas se tornassem uma quinta-coluna interna. O motivo? Naharin era a própria área
onde se localizava Haran, e onde as pessoas descendiam dos parentes patriarcas.
Ainda que isso explique os motivos para a opressão dos israel itas, deixa inexplicado por que e com que
propósito os egípcios - agora venerando Tot - enviaram exércitos para conquistar a distante Haran. É um
mistério que é bom manter na memória.
As expedições mil itares por um l ado e a opressão dos israelitas por outro, que terminou com o edito
ordenando a matança de todos os recém-nascidos machos dos israel itas, atingiram seu ápice sob o
reinado de Tutmés III, forçando Moisés a fugir depois de ter optado por seu povo. Ele só pôde voltar do
deserto do Sinai para o Egito depois da morte de Tutmés III, em 1450 a.C. Dezessete anos mais tarde,
em seguida a reiterados pedidos e a uma série de pragas lançadas por Javé sobre o Egito e seus deuses,
os israel itas puderam partir e o Êxodo começou.
Dois incidentes mencionados na Bíbl ia e uma mudança importante no Egito indicam repercussões
teológicas entre outros povos como resul tados de mil agres e maravil has atribuídos a Javé em apoio a seu
povo escolhido.
"Ora Jetro, sacerdote de Madian e sogro de Moisés, tendo ouvido tudo o que Deus tinha feito a favor de
Moisés e do seu povo de Israel ", l emos no Êxodo, cap. 18, foi até o acampamento de Moisés e escutou
del e tudo o que se passara, comentando: "Agora conheço que Javé é grande sobre todos os deuses", e
ofereceu sacrifícios a Javé. O incidente seguinte (descrito em Números 22-24) ocorreu quando o rei
moabita reteve o vidente Balaan, pedindo que el e lançasse uma mal dição nos israelitas que avançavam.
Mas "O espírito de Deus desceu sobre Bal aan" e, numa "visão divina", el e viu que a Casa de Jacó era
abençoada por Javé, e que Sua pal avra não podia ser contrariada.
O reconhecimento por um sacerdote não-hebreu e pel o vidente dos poderes e da supremacia de Javé teve
um efeito inesperado na famíl ia real egípcia. Em 1379 a.C. - quando os israelitas entravam em Canaã -,
um novo faraó [Amenófis I] que substituiu seu nome por Akhenaton, representado pel o disco alado,
mudou sua capital para outro lugar e começou a adorar um deus único. Foi uma experiência breve,
encurtada pelos sacerdotes de Amon-Rá. Breve também foi o conceito de paz universal que
acompanhou a fé em um deus universal . Em 1296 a.C., o exército egípcio, sempre insistindo em atacar a
região de Haran, foi derrotado definitivamente pelos hititas na batalha de Kadesh (onde hoje é o
Líbano).
Enquanto os hititas e os egípcios fustigavam uns aos outros, havia mais espaço para os assírios se
estabel ecerem. Uma série de expansões virtualmente em todas as direções culminou na reconquista da
Babilônia pelo rei assírio Tukulti-Ninurta I – um nome teofórico que indicava uma aliança rel igiosa - e
na captura do deus da Babilônia, Marduk. O que se seguiu é típico do politeísmo da época: l onge de
denegrir o deus, el e foi trazido para a capital assíria e, quando chegou a hora da cerimônia do Ano-Novo, foi Marduk, não Ashur, quem presidiu os rituais antigos. Essa "unificação de igrejas", para forjar
uma expressão, não conseguiu evitar a crescente exaustão entre os reinos outrora imperiais; por muitos
séculos, os dois antigos poderes da Mesopotâmia juntaram-se ao Egito e aos hititas numa retração e
perda de fervor conquistador.
Sem dúvida foi essa retração de tentáculos imperiais que tornou possível o surgimento de cidades-Estados na Ásia Ocidental, sobretudo ao longo da costa do Mediterrâneo, na Ásia Menor e até mesmo
na Arábia. Esse surgimento, entretanto, tornou-se um ímã que atraiu imigrantes e invasores de todas as
direções. Invasores que vieram em navios - os "Povos do Mar", como os egípcios os chamavam -
tentaram acomodar-se no Egito e acabaram ocupando a costa de Canaã. Na Ásia Menor, os gregos
lançaram mil navios contra Tróia. Pessoas fal ando línguas indo-européias forçaram caminho pel a Ásia
Menor e rio Eufrates abaixo. Os primeiros persas invadiram Elam. Na Arábia, tribos que se tornaram
ricas control ando rotas de comércio começaram a vol tar os olhos para o norte.
Em Canaã, cansados de guerrear contra cidades-reinados ao redor, os israel itas enviaram, por intermédio
do alto sacerdote Samuel , um pedido a Javé: Torne-nos uma nação forte, dê-nos um rei!
O primeiro foi Saul ; depois dele veio Davi, e em seguida a transferência da capital para Jerusalém.
A Bíblia l ista Homens de Deus durante esse período, chegando a chamá-l os "profetas" no sentido estrito
da pal avra: "porta-vozes" de Deus. Entregavam mensagens divinas, mas apresentavam mais as
qual idades de sacerdotes de oráculo, conhecidos por todos na Antiguidade.
Foi apenas depois da construção do Templ o para Javé que a profecia - a predição das coisas que estão
para vir - fl oresceu. E não havia nada parecido com o Profeta Hebraico da Bíblia, que combinava a
oração por justiça e moralidade com a visão aberta para acontecimentos futuros, em qualquer l ugar do
mundo antigo.
O período que agora examinamos com detalhes, o mil ênio anterior a Cristo, na verdade foi o último
milênio na história humana de 4 mil anos iniciada com o surgimento da civilização suméria. O ponto
médio nesse drama humano, cuja história chamamos de Crônicas Terrestres, foi o holocausto nuclear, o
desaparecimento da Suméria e da Acádia e a passagem do bastão sumério para Abraão e sua semente.
Ali estava o divisor de águas depois dos primeiros 2 mil anos. Agora, a metade seguinte da história,
cujos últimos dois milênios começaram na Suméria, com uma visita de Anu à Terra, por volta de 3760
a.C., também chegava ao final .
Aquil o, sem dúvida, foi o fio que l igou os grandes profetas bíblicos da época. O ciclo iria fechar-se, o
que fora previsto no Início dos Anos deve se tornar verdadeiro ao Final dos Anos.
A humanidade recebeu uma oportunidade de arrepender-se, de retornar à justiça e à moral idade,
reconhecer que havia apenas um Deus verdadeiro, o Deus dos próprios elohim. Com cada palavra, visão,
ato simbólico, os profetas martelavam a mesma mensagem; o tempo terminou, grandes eventos estão
para acontecer. Javé não procura a morte dos ímpios - Ele busca a volta deles para o reto agir. O homem
não pode controlar seu Destino, mas pode controlar a Sorte; homens, reis e nações podem escol her o
caminho a seguir. Porém se o mal preval ecer, se a injustiça dominar as relações humanas, se uma nação
continuar a tomar da espada contra outras nações, tudo será jul gado e condenado no Dia do Senhor.
Como a própria Bíbl ia admite, não é uma mensagem para uma audiência receptiva. Cercados de pessoas
que pareciam saber a quem adoravam, era pedido aos judeus que aderissem a padrões estritos, exigidos
por um Deus invisível , cuja própria imagem não se conhecia. Os verdadeiros profetas de Javé l ogo
viram-se ocupados a l idar com os "fal sos profetas", que também diziam estar entregando a "mensagem
de Deus", Sacrifícios e doações ao Templ o irão anular todos os pecados, era o que se acreditava. Javé
não quer seus sacrifícios, mas quer que vivam em justiça, disse Isaías. Grandes cal amidades irão se
abater sobre os ímpios, disse Isaías. Não, não... A paz está chegando, afirmavam os fal sos profetas.
Para serem ouvidos, os profetas bíbl icos recorreram a milagres - assim como Moisés, instruído por
Deus, recorrera a milagres para obter a l ibertação dos israelitas pel o faraó, e depois para convencer os
próprios israelitas do poder de Javé.
A Bíblia descreve em detalhes as dificuldades enfrentadas pel o profeta Elias, durante o reinado (no reino
de Israel ) de Acab e sua esposa fenícia Jezebel , que trouxe com ela o cul to ao deus cananeu Baal . Tendo
já estabel ecido sua reputação ao fazer a farinha e o óleo de uma mul her durar e durar muito tempo, e
ressuscitando um garoto que havia morrido, o maior desafio de Elias foi um confronto com os "profetas"
de Baal, no monte Carmelo, para determinar quem era o profeta verdadeiro. Em frente a uma mul tidão
presidida pelo rei, devia-se realizar um mil agre: o sacrifício estava pronto sobre uma pilha de madeira,
porém nenhum fogo foi aceso, pois precisava vir do céu. E os profetas de Baal chamavam-l he o nome
desde a manhã até o meio-dia, sem obter resul tado al gum (Reis I, cap. 18). Escarnecendo deles, Elias
disse: Tal vez seu deus esteja dormindo. Por que não chamam mais alto? Foi o que fizeram, até a tarde,
mas nada aconteceu. Então Elias apanhou pedras e reconstruiu para Javé o al tar que estava em ruínas,
col ocou a rês sacrificial sobre ele e pediu ao povo para derramar água sobre o al tar, para se certificar de
que não havia al i nenhum fogo ocul to. Então chamou o nome de Javé, o deus de Abraão, Isaac e Jacó; "e
o fogo de Javé desceu sobre o sacrifício e tudo que havia ali se queimou". Convencidos da supremacia
de Javé, o povo apanhou os sacerdotes de Baal e os matou a todos.
Depois que Elias foi levado para o Céu num carro de fogo, seu discípulo e sucessor El iseu também
realizou mil agres para estabelecer sua autenticidade como profeta de Javé. Transformou a água em
sangue, ressuscitou um menino morto, encheu de azeite recipientes, al imentou algumas centenas de
pessoas com um pouco de comida que sobrara e fez uma barra de ferro fl utuar na água.
Quão críveis eram esses mil agres na época? Sabemos pel a Bíblia - as histórias da época de José e do
Êxodo -, assim como pelos próprios textos egípcios, como As Histórias dos Mágicos, que a corte
possuía seus magos e adivinhos. A Mesopotâmia tinha sacerdotes-adivinhos e oráculos, pitonisas e
videntes, além dos que interpretavam sonhos. Apesar disso, quando uma disciplina chamada Crítica da
Bíbl ia entrou na moda, no sécul o XIX d.C, tais histórias de mil agres cederam à exigência de que tudo na
Bíbl ia precisava ser apoiado por fontes independentes para ser acreditado. Fel izmente, entre os últimos
achados pelos arqueólogos do sécul o XIX estava uma estela do rei moabita Mesha, na qual ele não
apenas corroborava os dados em relação à Judéia do tempo de Elias, mas foi um dos poucos extra-bíblicos que mencionaram Javé pelo nome completo. Embora não constitua uma confirmação dos
mil agres em si, esse achado - como outros, depois - auxiliou a identificar eventos e personal idades
mencionados na Bíblia.
Ao mesmo tempo que os textos e artefatos descobertos por arqueól ogos forneceram corroboração,
também lançaram l uz sobre diferenças profundas entre profetas bíbl icos e adivinhos de outras nações.
Desde o início, a palavra hebraica Neb' im, traduzida por "profetas", mas literalmente significando
"porta-voz" de Deus, expl icava que a magia e a premonição não vinham deles, mas de Deus. Os
mil agres eram d’El e, e o que era previsto pel a boca dos profetas era a pal avra que Deus ordenara. Além
do mais, em vez de agir como empregados da corte, bajul ando e concordando, el es freqüentemente
criticavam e admoestavam os poderosos por erros pessoais ou decisões erradas para o país. Até mesmo
o rei Davi sofreu uma reprimenda por haver desejado a mulher [Betsabé] de Urias, o hitita.
Por outra estranha coincidência - se é que assim podemos encará-la -, ao mesmo tempo que Davi
conquistou Jerusal ém tomou as primeiras medidas para estabel ecer a Casa de Javé na Pl ataforma
Sagrada, o que era chamado de decadência da Vel ha Assíria terminou abruptamente, e, sob uma nova
dinastia, iniciou-se o que os historiadores chamam de período neo-assírio. Assim que o Templ o de Javé
foi construído, Jerusal ém começou a atrair a atenção de governantes distantes. Como conseqüência
direta, seus profetas também voltaram as visões para o cenário internacional, e juntaram profecias em
relação ao mundo no que se relacionavam com a Judéia, com o reino de Israel (norte) dividido, seus reis
e habitantes. Era uma visão mundial impressionante por sua abrangência e compreensão - por profetas
que, antes de serem chamados por Deus, não passavam de simpl es al deões.
Tal conhecimento profundo de terras e nações distantes, do nome dos reis (em alguns casos, até o
apel ido), de seu comércio e de rotas comerciais, dos exércitos e da formação de forças de luta, deve ter
impressionado os reis da Judéia na época. Certa feita, o profeta Ananias (al ertando o rei da Judéia contra
um tratado com os armênios) expl icou ao rei: Confie na pal avra de Javé, pois "são os ol hos de Javé que
varrem a Terra inteira".
No Egito, também, um período de desunião terminou quando uma nova dinastia, a 22º. uniu o país e
relançou o envol vimento nos negócios internacionais. O primeiro soberano, o faraó Sheshonk, detém a
fama histórica de ser o primeiro a entrar em Jerusalém e predar seus tesouros (sem, no entanto, danificar
ou saquear o Templo). O evento, ocorrido em 928 a.C., é rel atado em Reis I, cap. 14 e em Crônicas II,
cap. 12; tudo foi previsto por Javé ao rei da Judéia e seus nobres, antes de acontecer, pel o profeta
Semaías; foi também um dos casos em que a narrativa bíblica se confirmou a partir de outro texto,
independente - nesse caso, o do próprio faraó, nas paredes sul do templ o de Amon, em Karnak.
Invasões assírias dos reinados judeus, rel atadas com precisão na Bíbl ia, iniciaram-se com o reino do
norte, Israel . De novo os registros bíblicos são totalmente confirmados pel os anais dos reis assírios;
Salmanasar III (858-824 a.C.) chegou a representar o rei israel ita Jeú prostrando-se à sua frente, numa
cena dominada pel o símbolo do disco al ado, também símbol o de Nibiru. Algumas décadas mais tarde,
outro rei israel ita repel iu um ataque, pagando adiantadamente um tributo ao rei assírio Teglate-Falasar
III (745-727 a.C.). Porém isso só serviu para ganhar tempo: em 722 a.C., o rei assírio Salmanasar V
marchou sobre o reino norte, capturou a capital Samaria (Shomron - "Pequena Suméria" - em hebraico)
e exil ou seus reis e nobres. Dois anos depois, o rei assírio seguinte, Sargão II (721-705 a.C.) exilou o
restante do povo - dando início ao enigma das Dez Tribos Perdidas de Israel - e extinguiu a existência
independente daquel e Estado.
Os reis assírios começavam cada registro de suas campanhas militares com as pal avras "Sob as ordens
de meu deus Assur", o que conferia às conquistas um ar de guerras religiosas. A conquista e o domínio
de Israel foram tão importantes que Sargão, ao registrar suas vitórias nos muros de seu pal ácio, começou
a inscrição identificando-se como: "Sargão, conquistador da Samaria e de toda a terra de Israel". Com
esse feito, coroando suas conquistas, ele escrevia: "Aumentei o território que pertence a Assur, o rei dos
deuses".
Enquanto tais cal amidades, segundo a Bíblia, recaíam sobre Israel, porque seus líderes e o povo não
davam ouvidos aos consel hos e reprimendas dos profetas, os reis da Judéia, ao sul, eram mais atentos às
orientações dos profetas, e por algum tempo gozaram um período de paz relativa. Porém os assírios
mantinham um olho em Jerusal ém e no Templ o; os motivos não são expl icados, muitas expedições
guerreiras se iniciavam na região de Haran, depois estendiam-se na direção oeste, para a costa do
Mediterrâneo. De forma significativa, os anais dos reis assírios, descrevendo as conquistas e domínios
na área de Haran, identificaram pel o nome uma cidade chamada Naor e outra chamada Labão - cidades
que tinham os nomes do irmão e do cunhado de Abraão.
A vez da Judéia e especificamente de Jerusal ém não tardou a chegar. A tarefa de aumentar os territórios
a "comando" do deus Assur até a Casa de Javé recaiu sobre Senaqueribe, o fil ho de Sargão II e seu
sucessor em 704 a.C. Com o objetivo de consol idar as vitórias do pai e colocar um fim às intermitentes
revoltas nas províncias assírias, el e devotou sua terceira campanha (701 a.C.) à conquista da Judéia e de
Jerusal ém.
Os eventos e circunstâncias dessa tentativa foram extensivamente registrados, tanto nos anais dos
assírios quanto na Bíbl ia, tornando-se um dos episódios mais bem documentados de veracidade bíbl ica.
Foi também um fato que mostrou a veracidade da profecia bíblica, seu val or como guia de premonição,
e a magnitude de sua visão geopol ítica.
Além do mais, existe evidência física - até os dias atuais - corroborando e ilustrando um aspecto
importante desses eventos; assim todos podem ver com os próprios olhos quão real e verdadeiro
foi tudo.
À medida que iniciamos a relatar esses acontecimentos com as pal avras do próprio Senaqueribe,
convém observar que a campanha contra Jerusal ém começou com um desvio para a terra dos hititas, na
área de Haran, e só depois voltou-se para oeste até a costa do Mediterrâneo, onde a primeira cidade
atacada foi Sídon:
Em minha terceira campanha, marchei contra Hatti.
Luli, rei de Sídon, a quem o terror
da fama do meu domínio impressionou,
fugiu para além-mar e pereceu.
O esplendor, que inspira respeito pela Arma de Assur,
meu senhor, sobrepujou as cidades fortes da Grande Sídon...
Todos os reis de Sídon a Arvad, Biblos, Ashdod, Beth-Amon, Moab
e Adom
trouxeram suntuosos presentes;
o rei de Ascalon eu deportei para a Assíria...
A inscrição continua:
Quanto a Ezequias, o judeu
que não submeteu ao meu domínio
46 de suas cidades muradas,
assim como as pequenas cidades nas vizinhanças,
que eram sem-número...
Eu as sitiei e tomei e
200.150 pessoas, velhos e jovens, homens e mulheres,
cavalos, mulas, camelos, jumentos, gado e carneiros
eu retirei deles.
A despeito dessas perdas, Ezequias permaneceu irredutível - porque o profeta Isaías profetizara o
seguinte: Não tema o atacante, pois Javé vai impor seu espírito a el e, e el e vai ouvir um rumor, e
retornará à sua terra, e l á será derrubado pel a espada...
"Assim falou Javé: o rei dos assírios não entrará nessa cidade! Ele voltará pel o caminho por onde veio,
pois protegi a cidade para sal vá-l a, por mim e por meu servo Davi." (Reis II, capo 19).
Desafiado por Ezequias, Senaqueribe continuou em seus anais:
Em Jerusalém, tornei Ezequias
prisioneiro em seu palácio real,
como um pássaro na gaiola, cercando-o
com aterros, molestando aqueles
que saíam pelos portões da cidade.
"Depois retirei regiões do reino de Ezequias e as dei para os reis de Ashdod, Ekron e Gaza - cidades-Estados filistéias – e aumentei o tributo de Ezequias", escreveu Senaqueribe. Então l istou o tributo que
Ezequias "me mandou mais tarde, em Nínive".
Dessa forma, quase imperceptivelmente os anais deixam de mencionar a conquista de Jerusalém ou o
aprisionamento de seu rei - apenas impõe o tributo pesado: ouro, prata, pedras preciosas, antimônio,
pedras vermelhas cortadas, mobília incrustada em marfim, couros de elefante "e todos os tipos de
tesouros valiosos".
A fanfarronada omite o relato fiel do que verdadeiramente aconteceu em Jerusal ém; a fonte de história
mais detalhada é a Bíblia. Nos registros, em Reis II, capítul o 20, no l ivro do profeta Isaías e no Livro
das Crônicas, consta que "no décimo quarto ano de Ezequias, Senaqueribe, o rei da Assíria, atacou as
cidades fortificadas da Judéia e as tomou. Depois Ezequias, o rei da Judéia, enviou uma mensagem ao
rei da Assíria, que estava em Lachish, dizendo: Cometi um erro. Volte, e o que quer que resol va, eu
cumprirei. Então o rei da Assíria impôs a Ezequias, o rei da Judéia, 300 barras de prata e 30 barras de
ouro", e Ezequias pagou tudo, incl uindo um tributo extra de bronze, retirado das portas do palácio.
Porém o rei da Assíria renegou o acordo. Em vez de se retirar para a Assíria, enviou uma grande força
mil itar contra a capital da Judéia; e de acordo com a tática que vinha utilizando, sitiou a cidade e
capturou seus reservatórios de água. A tática funcionou em todos os l ugares, mas não em Jerusal ém.
Pois, sem que os assírios soubessem, Ezequias possuía um túnel escavado por sob as muralhas da
cidade que desviava as águas abundantes da Fonte de Gihon para a Cisterna de Silo no interior da
cidade. Esse túnel secreto subterrâneo abastecia de água fresca toda Jerusal ém, inutil izando os planos
dos assírios.
Frustrado pela fal ha de sua tática para subjugar a cidade, o comandante assírio se vol tou para a guerra
psicol ógica. Falando em hebraico para que os defensores entendessem, ele apontou a inutil idade da
resistência. Nenhum dos deuses das outras nações poderia sal vá-l os; quem era esse "Javé" e por que
faria melhor por Jerusalém? Era um deus tão fal ível quanto os outros....
Escutando aquil o, Ezequias rasgou suas roupas, colocou os sacos dos enl utados e foi até o Templo de
Javé, rezar para "Javé, o deus de Israel , que habita entre querubins, Deus único de todas as nações,
Criador do Céu e da Terra". Assegurando que sua prece seria ouvida, o profeta reiterou a promessa
divina: o rei assírio não entrará jamais na cidade; vai vol tar para a casa dele fracassado, e l á será
assassinado.
Naquel a noite aconteceu um milagre, e a primeira parte da profecia se realizou:
Aconteceu, pois, que naquela noite
veio o Anjo do Senhor
e matou no campo dos assírios
185 mil homens.
E Senaqueribe, tendo-se levantado ao amanhecer,
viu todos aqueles corpos dos mortos.
E Senaqueribe, rei dos assírios, retirou-se
e partiu para ficar em Nínive.
Reis II, 19: 35-36
Num post-scriptum, a Bíblia fez questão de registrar que a segunda parte da profecia também se
realizou: "E Senaqueribe foi embora e retornou a Nínive. E quando ele, no templo, adorava seu deus
Nesroc, Adramelec e Sarasar, seus filhos, o mataram com uma espada e fugiram para a terra dos
armênios, e em l ugar dele reinou seu filho Asaradão".
O texto bíbl ico em relação à forma como Senaqueribe morreu sempre intrigou os estudiosos, pois os
anais reais dos assírios tratavam a morte do rei como um mistério. Apenas recentemente os estudiosos,
com o auxíl io de achados arqueol ógicos, confirmaram os relatos bíblicos: Senaqueribe realmente foi
assassinado (no ano 681 a.C.) a gol pes de espada por dois de seus próprios filhos, e o herdeiro do trono
tornou-se outro fil ho, mais novo, chamado Asaradão.
Podemos também acrescentar outros dados para confirmar a veracidade da Bíblia.
No século XIX, arqueólogos expl orando Jerusalém descobriram que o Túnel de Ezequias era um fato,
não mito; que um túnel subterrâneo realmente servia para conduzir ao interior da cidade um suprimento
secreto de água - fora perfurado, através da rocha, por sob as mural has de defesa, na época dos reis
judeus!
Em 1838, o expl orador Edward Robinson foi o primeiro nos tempos modernos a atravessar todo o
comprimento do túnel , um total de 533 m. Nas décadas que se seguiram, outros expl oradores da antiga
Jerusal ém (Charles Warren, Charl es Wil son, Cl aude Conder, Conrad Schick) l imparam e examinaram o
túnel e suas várias saídas. Sem dúvida, ele ligava a Fonte de Gihon (ao l ado de fora das mural has
defensivas) com a Cisterna de Silo no interior da cidade. Então, em 1880, meninos brincando
descobriram no meio do túnel uma inscrição esculpida na parede.
As autoridades turcas da época ordenaram que o segmento de parede fosse retirado e levado a Istambul.
Foi então estabelecido que a inscrição, em hebraico antigo, a escrita corrente na época dos reis judeus,
comemorava o final das obras do túnel, quando os construtores do Túnel de Ezequias, cortando a rocha
dos dois l ados, encontraram-se exatamente no ponto onde a inscrição fora achada.
A inscrição (o pedaço de rocha retirado da parede do túnel ), narrava o seguinte:
...O túnel . E este é o relato do avanço. Quando [os operários ergueram] cada picareta na direção do
companheiro, e enquanto ainda havia três cúbitos para serem escavados, a voz de um homem foi ouvida
chamando seu companheiro, pois havia uma rachadura na rocha à direita... E no dia do encontro, os
operários golpearam cada um na direção de seu camarada, picareta contra picareta. E a água começou a
fl uir de sua fonte até a cisterna, 1.200 cúbitos; e a altura da pedra sobre as cabeças dos operários era de
100 cúbitos.
A precisão e a veracidade da narrativa bíbl ica dos eventos em Jerusalém estenderam-se até ocorrências
na distante Nínive, em rel ação à sucessão do trono da Assíria. Foi realmente um caso triste que atirou os
filhos de Senaqueribe contra ele e terminou com o filho mais novo, Asaradão, assumindo o trono. Os
eventos sangrentos são descritos nos Anais de Asaradão (no artefato conhecido como Prisma B), no
qual ele descreve sua escol ha de sucessão em detrimento de seus irmãos mais vel hos como resultado de
uma profecia feita a Senaqueribe pelos deuses Shamash e Adad - uma escol ha aprovada pel os grandes
deuses da Assíria e da Babilônia "e por todos os outros deuses residindo no Céu e na Terra".
O final trágico de Senaqueribe foi apenas um dos dramas em rel ação ao papel e posição do deus
Marduk. Os assírios tentaram subjugar os babil ônios e trazer Marduk para a capital assíria, mas não
funcionou, e em poucas décadas Marduk retornou à sua posição de honra na Babil ônia. Os textos
sugerem que um dos aspectos principais dessa volta foi a necessidade de cel ebrar o festival de Akitu, no
Ano-Novo, no qual o Enuma elish era l ido publicamente, e a ressurreição de Marduk, reencenada na
Babilônia, e em nenhum outro l ugar. No reinado de Teglate-Falasar III, a legitimação do rei requeria sua
humil dade perante Marduk, até que Marduk "tomasse ambas as mãos nas del e" (nas pal avras do rei).
Para solidificar a escol ha de Asaradão como seu sucessor, Senaqueribe o tinha indicado como vice-rei
da Babil ônia (e nomeara a si mesmo "rei da Suméria e da Acádia"). Quando subiu ao trono, Asaradão
fez o juramento solene "na presença dos deuses da Assíria: Ashur, Sin, Shamash, Nebo e Marduk".
(Ishtar, embora não estivesse presente, foi invocada em outros anais).
Mas todos esses esforços para reunir as religiões falharam na tentativa de trazer estabilidade ou paz.
Quando começou o VII sécul o a.C., na segunda metade do que seria, contando a partir do início
sumério, o Último Mil ênio, a agitação tomou conta das grandes capitais e espal hou-se pel o mundo
antigo.
Os profetas bíblicos previram o que estava chegando; era o começo do Fim, anunciaram eles, por
parte de Javé.
Nos cenários previstos pelos profetas, Jerusalém e sua Pl ataforma Sagrada seriam o ponto focal de uma
catarse mundial. A fúria divina iria manifestar-se em primeiro lugar contra a cidade e seus habitantes,
pois estes haviam abandonado Javé e seus mandamentos. Os reis das grandes nações seriam
instrumentos da ira de Javé. Mas, por outro l ado, cada um del es seria julgado no Dia do Jul gamento.
"Será um jul gamento para todos os viventes, pois Javé tem uma disputa com todas as nações", anunciou
o profeta Jeremias.
A Assíria, disse o profeta Isaías citando Javé, era o bastão de punição; el e a via caindo sobre várias
nações, inclusive invadindo o Egito (uma profecia que se realizou); mas, depois, a Assíria também seria
julgada por seus excessos. A Babil ônia seria a seguinte, disse o profeta Jeremias; seu rei conquistaria
Jerusal ém, mas, setenta anos mais tarde (conforme ocorreu), também Babil ônia cairia de joel hos. Os
pecados das nações grandes e pequenas, desde o Egito e a Núbia até a China distante (! ), seriam
julgados no Dia de Javé.
Uma por uma, as profecias se realizaram. A respeito do Egito, o profeta Isaías previa sua ocupação por
forças assírias, depois de uma guerra de três anos. A profecia se realizou pelas mãos de Asaradão, o
sucessor de Senaqueribe. O que parece notável, al ém do fato de a profecia real izar-se, é que antes de
levar seu exército para o oeste, depois para o sul, na direção do Egito, o rei assírio fez um desvio para
Haran!
Isso ocorreu em 675 a.C., e, no mesmo século, a sorte da Assíria já estava selada. Uma Babil ônia que
ressurgia sob o reinado de Nabopolasar conquistou a capital assíria, Nínive, derrubando os diques dos
rios e inundando a cidade - assim como o profeta Naum previra (1: 8). O ano era 612 a.C.
Os restos do exército assírio se retiraram - de todos os l ugares - para Haran; contudo, lá, o último
instrumento do julgamento divino apareceu. Javé disse a Jeremias (Jeremias 5: 15-16) que seria "uma
nação distante... uma nação cuja linguagem vós não conheceis":
Contemplai,
eis aqui que vem um povo de uma terra do norte,
e uma nação grande se levantará
dos confins da Terra.
Eles tomarão setas e escudos;
eles são cruéis e não terão piedade;
Suas vozes soarão como o mar,
e montarão em cavalos,
dispostos como homens valentes.
Jeremias 6:22-23
Os registros mesopotâmicos daquel e tempo falam de uma aparição súbita, vinda do norte, dos Umman-Manda - talvez hordas avançadas de citas da Ásia Central, tal vez precursores dos medas, das planícies
de onde hoje se l ocal iza o Irã. Em 610 a.C., el es tomaram Haran, onde os restos do exército assírio se
al ojavam, e conseguiram o controle daquela importante encruzilhada. Em 605 a.C. um exército egípcio,
liderado pel o faraó Necau II, mais uma vez atacou - como Tutmés III tentara, antes do Êxodo - e
conquistou Naharin, no Alto Eufrates. Porém uma força combinada de babil ônios e Umman-Manda
[liderada por Nabucodonosor] venceu os egípcios, na batal ha decisiva de Karkemish, perto de Haran,
dando um gol pe final na conquista egípcia. Era o que Jeremias profetizara em relação ao Egito arrogante
e seu faraó Necau II:
O Egito sobe à maneira de um rio,
e suas ondas se moverão como rios, e dirá:
Subindo, cobrirei a Terra.
Destruirei as cidades e os seus moradores...
E aquele dia,
o dia de Javé, Deus dos Exércitos,
será um dia de vingança,
na terra do norte, junto ao rio Eufrates...
O Senhor dos Exércitos, Deus de Israel, disse:
"O faraó Amenófis de Tebas e o Egito e seus deuses
e seus reis estarão nas mãos daqueles que procuram a sua alma,
e nas mãos de Nabucodonosor, rei de Babilônia,
e nas mãos dos seus servos
eu entregarei".
Jeremias cap. 46
A Assíria estava derrotada - o vencedor se tornara vítima. O Egito perdera e seus deuses tinham caído
em desgraça. Não havia poder suficiente para enfrentar a Babil ônia - não para a Babil ônia que
descarregava a raiva de Javé contra a Judéia, e depois encarava seu próprio destino.
À testa da Babilônia havia agora um rei com ambições imperiais. Recebeu o trono em virtude da vitória
em Karkemish e o nome real Nabucodonosor (II), um nome teofórico que incluía o de Nabu, filho e
porta-voz de Marduk. Ele não perdeu tempo em l ançar campanhas mil itares "pelos poderes de meus
senhores Nabu e Marduk". Em 597 a.C. enviou suas forças a Jerusalém, ostensivamente apenas para
remover dal i o rei pró-egípcio Joaquim II e substituí-l o por seu fil ho Joachin, ainda adol escente.
Tratava-se apenas de um teste; de uma forma ou de outra, ele estava destinado a cumprir o papel que
Javé l he destinara, como a mão que castigaria Jerusal ém pel os pecados de seu povo; entretanto a própria
Babilônia seria posteriormente jul gada:
Estas palavras Javé falou acerca de Babilônia –
Anunciai entre as nações,
e fazei-lho ouvir. Levantai bandeira, publicai-o e
não lho encubrais. Dizei:
Babilônia foi tomada,
Bel ficou confundido, Marduk foi destroçado,
confundidos têm sido os seus simulacros,
derrotados ficaram os ídolos deles.
Porque subiu contra ela gente do norte,
que tornará sua terra em solidão: e não haverá quem a povoe.
Jeremias 50:1-3
Também será uma catarse por toda a Terra, na qual não apenas nações, mas também seus deuses serão
chamados a prestar contas, Javé, o Senhor dos Exércitos, deixou cl aro. Porém ao final da catarse, depois
da vinda do Dia do Senhor, Sião deverá ser reconstruído, e todas as nações do mundo irão se reunir para
adorar a Javé em Jerusal ém.
Quando tudo estiver dito e feito, o profeta Isaías decl arou, Jerusalém e seu Templo serão a única "Luz
entre as nações".
Jerusalém deverá sofrer sua Sorte, mas se erguerá para cumprir seu Destino:
E nos Últimos Dias estará preparado
o Monte do Templo de Javé
no cume dos montes,
e se elevará sobre os outeiros;
e acorrerão a ele todas as gentes.
E irão muitos povos e dirão:
vinde, subamos ao Monte do Senhor,
ao Templo do Deus de Jacó,
e Ele nos ensinará os Seus caminhos,
e nós andaremos pelas Suas veredas.
Porque de Sião sairá a lei,
e de Jerusalém a palavra do Senhor.
Isaías 2: 2-3
Nesses eventos e profecias que se rel acionam com os grandes poderes, Jerusalém e o Templo, o que virá
nos Últimos Dias, os profetas na Terra Sagrada foram reunidos pelo profeta Ezequiel , que teve visões
divinas às margens do rio Khabur, na distante Haran.
Pois l á, em Haran, onde os dramas divino e humano se encontraram quando os caminhos de Marduk e
Abraão se cruzaram, também é o lugar onde tudo terminará - ao mesmo tempo em que Jerusal ém e seu
Templo estiverem cumprindo a Sorte.
12
O DEUS QUE RETORNOU DO CÉU
O encontro dos caminhos de Marduk e Abraão em Haran foi apenas uma coincidência ou Haran foi
escolhida pela mão invisível da Sorte?
É uma pergunta perturbadora, exigindo uma resposta divina, pois o l ugar onde Javé escol heu Abraão
para uma missão ousada e onde Marduk fez sua reaparição depois de uma ausência de mil anos foi, mais
tarde, o local onde uma série de eventos incríveis - até miraculosos, se poderia dizer - começaram a
desenrol ar-se. Ocorrências de al cance profético, afetando o curso tanto de negócios humanos quanto
divinos.
Os acontecimentos-chave, registrados para a posteridade por testemunhas ocul ares, começaram e
terminaram com o cumprimento de profecias bíblicas em rel ação ao Egito, à Assíria e à Babilônia; el as
incluíam a separação de um deus de seu templ o e de sua cidade, sua ascensão aos céus e seu retorno dos
céus, meio sécul o mais tarde.
E, por um motivo talvez mais metafísico do que geográfico ou geopolítico, tantos eventos importantes
nos dois últimos mil ênios, que começaram quando os deuses, em concíl io, resolveram dar à
Humanidade a civil ização, ocorreram em Haran ou nos arredores.
Já mencionamos de passagem o desvio que Asaradão fez para Haran. Os detalhes dessa peregrinação
foram registrados num tablete que fez parte da correspondência real de Assurbanipal , filho e sucessor de
Asaradão. Foi quando Asaradão, planejando um ataque ao Egito, virou para o norte em vez de para oeste
e procurou o "Templ o de Cedro", em Haran. Lá, "ele viu o deus Sin apoiado num cetro, com duas
coroas sobre a cabeça. O deus Nusku estava perante ele. O pai de minha majestade o rei entrou no
templ o dizendo: ' Tu vais para os países, e l á vais conquistá-los!' . Ele partiu e conquistou o Egito".
(Nusku, pela l ista de deuses sumérios, era membro do grupo de Sin).
A invasão do Egito por Asaradão é um fato histórico, cumprindo-se totalmente a profecia de Isaías. Os
detalhes da partida de Haran adicionalmente servem para confirmar a presença, em 675 a.C. do deus
Sin; pois só foi muitas décadas mais tarde que Sin "zangou-se com a cidade e seu povo" e partiu - para
os céus.
Hoje em dia, Haran ainda se encontra no local em que estava quando de l á partiram Abraão e sua
família. Ao lado de fora das muralhas exteriores, que estão desmoronando (mural has da época da
conquista muçulmana), encontramos, ainda fornecendo água, o poço em que Jacó conheceu Rebeca, e
nas planícies circundantes os carneiros ainda pastam como faziam há quatro milênios. Nos sécul os
anteriores, Haran foi um centro de aprendizado e l iteratura, onde os gregos, depois de Alexandre,
tiveram acesso a essa sabedoria "caldéia" acumul ada (os escritos de Beroso foram um dos resultados), e
bem depois os muçulmanos e cristãos trocaram culturas. Porém o orgul ho do l ocal foi o templ o
dedicado ao deus Sin, em rujas ruínas existem testemunhos, que sobreviveram milênios, de eventos
miraculosos em relação a Nanar/Sin.
O testemunho não era por ouvir contar; vinha de rel atos de testemunhas ocul ares. Não eram testemunhas
anônimas, tratava-se de uma mul her chamada Adda-Guppi e de seu fil ho, Nabônida. El es não eram,
como acontece hoje em dia, um xerife do interior e sua mãe relatando um caso de aparecimento de Óvni
numa área pouco habitada. Adda-Guppi era a sacerdotisa-mor do templo de Sin, um santuário sagrado e
reverenciado milênios antes da época dela; seu fil ho foi o último rei do maior império da Terra naquel a
época, a Babil ônia.
A sacerdotisa-mor e seu filho, o rei, gravaram os eventos em estelas - col unas de pedra gravadas em
caracteres cuneiformes, acompanhados de representações pictóricas. Quatro delas foram encontradas
neste sécul o [séc. XX] por arqueólogos, e acredita-se que tais estelas tenham sido posicionadas pelo rei
e sua mãe uma em cada canto do renomado templ o para o deus da Lua em Haran, o E.HUL.HUL
(Templ o da Dupla Alegria). Um par de estelas carregava o testemunho da mãe, e o outro, as palavras do
rei. Foi nas estel as de Adda-Guppi, a sacerdotisa-mor do templo, que a partida do deus Sin foi gravada;
e foi nas inscrições do rei Nabônida que o retorno único e miraculoso foi narrado. Com evidente sentido
de história e à maneira de uma escriba treinada pelo templ o, Adda-Guppi fornece em suas estelas dados
precisos para eventos surpreendentes; as datas, ligadas, como de costume, aos anos de reinado de reis
conhecidos, puderam ser verificadas pelos estudiosos modernos.
Na estel a mais bem preservada, catal ogada como H1B, Adda-Guppi começa seu testemunho escrito (em
linguagem acadiana) desta forma:
Sou a dama Adda-Guppi,
mãe de Nabônida, rei de Babilônia,
devota dos deuses Sin, Ningal, Nusku
e Sadarnuna, minhas divindades,
a cujo culto sempre fui pia
desde minha juventude.
Ela nasceu, escreveu Adda-Guppi, no vigésimo ano do reinado de Assurbanipal, rei da Assíria - na
metade do VII sécul o a.C. Embora em seu texto Adda-Guppi não forneça sua geneal ogia, outros textos
sugerem que el a possuía uma linhagem ilustre. De acordo com sua inscrição, el a viveu sob os reinados
de diversos reis assírios e babilônios, atingindo a idade de 95 anos, quando os miraculosos
acontecimentos ocorreram. Os estudiosos descobriram que sua lista de reis estava de acordo com os
anais da Assíria e da Babilônia.
Aqui está a narrativa dos primeiros acontecimentos notáveis, em suas próprias pal avras:
Era o décimo sexto ano de Nabopolasar,
rei da Babilônia, quando Sin, o senhor dos deuses,
ficou zangado com sua cidade e seu templo
e foi para o céu;
e a cidade e os habitantes
conheceram a ruína.
O ano era digno de nota por eventos - conhecido por outras fontes - que ocorreram naquela época,
corroborando aquil o que Adda-Guppi registrou. Pois o ano era 610 a.C. - quando o exército assírio,
derrotado, retirou-se para Haran, numa última tentativa de resistência.
Existem várias questões exigindo escl arecimento como resultado dessa afirmação: Estaria Sin "zangado
com a cidade e seus habitantes" porque deixaram os assírios entrar? Resolveu partir por causa da
aproximação dos assírios ou das hordas Umman-Manda? De que forma ele subiu aos céus - e aonde el e
foi? Para outro l ugar na Terra ou fora da Terra, para um local celestial ? O texto de Adda-Guppi passa
por cima dessas questões e, por ora, nós também as deixaremos pendentes.
O que a sacerdotisa afirma é que, depois da partida de Sin, "a cidade e seus habitantes conheceram a
ruína". Alguns estudiosos preferem traduzir o termo como "desol ação", por descrever mel hor o que
aconteceu à metrópole que fl orescia, uma cidade que o profeta Ezequiel (27: 23) descreveu como um dos
grandes centros de comércio internacional da época, especial izada "em todos os tipos de coisas, em
roupas azuis, em bordados e em baús de rica aparência, atados com cordas e feitos de cedro". Na
verdade, a desolação da Haran abandonada traz à l embrança as palavras de abertura do Livro das
Lamentações sobre a Jerusal ém desolada e profanada: "Quão solitária está a cidade, que já foi repleta de
gente! Certa vez grande entre as nações, agora torna-se uma viúva; rainha entre as províncias, agora se
torna súdita".
Enquanto outros fugiam, Adda-Guppi permaneceu. "Diariamente, sem cessar, de dia e de noite, por
meses, por anos", ela foi aos templos desolados. Lamentando-se, deixou os vestidos de fina l ã, retirou as
jóias, não usou nem prata nem ouro, desistiu dos perfumes e ól eos aromáticos. Como um fantasma,
percorria os templ os vazios. "Em vestes de espinhos eu me vestia, ia e vinha em silêncio", escreveu ela.
Então, no l ocal sagrado e abandonado, el a descobriu um traje que pertenceu a Sin. Deve ter sido um
traje magnífico, à maneira das túnicas que as divindades costumavam usar na época, conforme
representações nos monumentos da Mesopotâmia. Para a deprimida sacerdotisa, o achado pareceu um
sinal do deus, como se ela tivesse de repente uma prova da presença física del e. Não conseguia tirar os
ol hos da vestimenta sagrada, não ousando tocá-la, a não ser para "segurar a bainha". Como se o próprio
deus l á estivesse para escutá-la, ela se prostrou "em oração e humil dade" e fez o seguinte voto:
Se voltares para a tua cidade,
todos os Cabelos-Negros
adorarão tua divindade!
"Cabelos-Negros" era um termo usado pelos sumérios para descrever a si mesmos; e seu emprego pel a
sacerdotisa-mor de Haran era bastante incomum. A Suméria, como entidade pol ítico-rel igiosa, cessara
de existir quase 1.500 anos antes de Adda-Guppi, quando o país e sua capital , a cidade de Ur, foram
destruídos por uma nuvem radioativa em 2024 a.C. Na época de Adda-Guppi, a Suméria era apenas uma
lembrança vazia, e sua antiga capital, Ur, um local de ruínas e erosão, e o povo (os Cabelos-Negros)
encontrava-se disperso em várias terras. Como poderia uma sacerdotisa em Haran oferecer a seu deus,
Sin, a restauração de seu poder na distante Ur, e fazê-lo outra vez deus de todos os sumérios, onde quer
que el es estivessem?
Era uma visão verdadeira de Retorno dos Exil ados e da restauração de um deus em seu antigo centro de
cul to, digna das profecias bíblicas. Para conseguir isso, Adda-Guppi propôs uma troca: se o deus
regressasse e depois usasse sua autoridade e poderes divinos para tornar seu filho, Nabônida, o rei
seguinte, reinando na Babil ônia sobre domínios assírios e babilônicos, Nabônida restauraria o templo de
Sin em Ur e reviveria o culto de Sin em todas as terras onde os Cabelos-Negros vivessem!
O deus da Lua gostou da idéia. "Sin, senhor dos deuses do Céu e da Terra, pelas minhas boas ações
ol hou para mim com um sorriso; escutou minhas preces e aceitou meu voto. A ira em seu coração
abrandou-se; em relação a Ehulhul, o templo de Sin em Haran, a divina residência onde seu coração se
al egrava, el e mudou sua disposição".
O deus sorridente, escreveu Adda-Guppi, aceitou sua oferta:
Sin, o senhor dos deuses,
escutou com agrado minhas palavras.
Nabônida, meu único filho,
fruto de meu ventre,
para o trono convocou -o trono da Suméria e da Acádia.
Todas as terras desde a fronteira do Egito,
desde o Mar Superior ao Mar Inferior,
nas mãos dele confiou.
Grata e maravilhada, Adda-Guppi ergueu as mãos e, "reverentemente impl orando", agradeceu ao deus
por "pronunciar o nome de Nabônida, chamando-o para o trono real ". Em seguida implorou ao deus para
que assegurasse o sucesso de Nabônida - persuadisse os outros deuses para estarem a seu l ado quando
el e l utasse contra os inimigos, para permitir que ele cumprisse o voto de reconstruir o templ o Ehul hul e
levasse outra vez a glória para Haran.
Num adendo col ocado quando, aos 104 anos, Adda-Guppi estava em seu leito de morte (ou escrito a seu
pedido l ogo após a morte), o texto afirma que os dois lados cumpriram sua parte do acordo: "Eu mesma
o vi real izado". Sin "honrou a pal avra empenhada comigo", fazendo com que Nabônida se tornasse rei
de novas Suméria e Acádia (em 555 a.C.); e Nabônida manteve sua palavra de que iria restaurar o
templ o Ehul hul em Haran, e "aperfeiçoou sua estrutura". Renovou o culto a Sin e à sua esposa Ningal -"todos os ritos esquecidos ele os tornou novos". E o casal divino, acompanhado pel o emissário divino
Nusku e sua consorte (?) Sadamunna, vol tou para o templ o Ehul hul numa procissão solene e cerimonial .
As inscrições da estel a em dupl icata contém dezenove l inhas adicionais, sem dúvida acrescentadas pel o
filho de Adda-Guppi. No nono ano do reinado de Nabuna-id - em 546 a.C. -, "a própria Sorte a
carregou. Nabônida, rei da Babil ônia, seu fil ho, fruto do ventre del a, sepul tou seu corpo, envolto em
mantos [reais] e em puro l inho branco. Ele adornou-l he o corpo com esplêndidos ornamentos de ouro
providos de pedras preciosas. Com óleos aromáticos ele ungiu o corpo, e colocou-a para descansar num
lugar secreto".
O l uto pela mãe do rei foi disseminado. "As pessoas de Babilônia e de Borsipa, habitantes de regiões
distantes, reis, príncipes e governantes vieram da fronteira do Egito, no Mar Superior, até o Mar
Inferior" - desde o Mediterrâneo até o golfo Pérsico. O luto, que incl uía passar cinzas sobre a cabeça,
chorar e cortar-se propositalmente durou sete dias.
Antes que nos voltemos para as inscrições de Nabônida e suas histórias repl etas de mil agres, é preciso
parar para imaginar como - se o que Adda-Guppi escreveu era verdadeiro - ela conseguiu comunicar-se
com uma divindade que por suas próprias pal avras não se encontrava mais no templo ou na cidade na
verdade, partira e subira aos céus.
A primeira parte da proposta de Adda-Guppi ao deus é fácil: el a rezou, dirigindo as preces a ele. A
prece, como forma de relatar perante a divindade nossos temores e preocupações, pedir saúde, boa sorte
ou vida longa, e até pedir orientação para escol her entre alternativas, ainda existe entre nós. Desde a
época em que a escrita começou, na Suméria, as orações e pedidos aos deuses têm sido registrados.
Provavelmente a prece como meio de comunicação com a divindade precede a pal avra escrita, e, de
acordo com a Bíbl ia, começou quando os primeiros humanos se tornaram Homo sapiens: foi quando
Enoch ("Homem Homo sapiens"), neto de Adão e Eva, nasceu, "este começou a chamar pel o nome do
Senhor" (Gênesis 4:26).
Tocando a fímbria da túnica divina e prostrando-se em grande humildade, Adda-Guppi rezou para Sin.
Fez isso todos os dias, até que ele escutasse as preces e respondesse.
Agora vem a parte mais elaborada - como Sin pôde responder, como puderam suas pal avras ou
mensagens al cançar a sacerdotisa-mor? A própria inscrição fornece o escl arecimento: a resposta veio
por meio de um sonho. Quando ela adormeceu, talvez um sono de transe, a resposta do deus veio a el a
em um sonho:
No sonho,
Sin, o senhor dos deuses,
colocou as duas mãos sobre mim.
Falou comigo assim:
"Por tua causa,
os deuses vão voltar a habitar Haran.
Vou confiar em teu filho, Nabônida,
com as residências divinas em Haran.
Ele vai reconstruir o Ehulhul,
vai aperfeiçoar sua estrutura;
vai restaurar Haran e fazer que ela
fique melhor do que era antes".
Tal forma de comunicação, dirigida de uma divindade para um humano, estava l onge de ser incomum;
na verdade, era a mais empregada. Antigos reis e sacerdotes, patriarcas e profetas, receberam a palavra
divina por meio de sonhos. Podiam ser sonhos premonitórios ou de presságios, algumas vezes com
pal avras ouvidas, outras com visões completas e detalhadas. Na verdade, a própria Bíbl ia cita Javé
dizendo à irmã e ao irmão de Moisés, durante o Êxodo: "Se existe um profeta entre vocês, Eu, o Senhor,
me farei conhecido a el e em visão, e falarei com el e num sonho".
Nabônida também rel ata comunicações divinas recebidas pelos sonhos. Porém suas inscrições rel atam
muito mais: um evento único e uma teofania incomum. Suas duas estelas (chamadas de H2A e H2B
pel os estudiosos) são adornadas no topo com a representação do rei segurando um cetro incomum e
encarando os símbol os de três corpos celestiais, os deuses planetários que ele venerava. A l onga
inscrição abaixo dele começa com o grande milagre e sua original idade:
Este é o grande milagre de Sin
que por deuses e deusas
não acontecia na Terra
desde os dias do antigo desconhecido;
que o povo da Terra
não viu nem achou escrito
em tabletes desde os dias antigos:
que o divino Sin,
Senhor de deuses e deusas,
residindo nos céus,
desceu dos céus
à vista de Nabônida,
rei da Babilônia.
A afirmação de que aquele era um mil agre único não foi injustificada, pois o acontecimento reunia tanto
o retorno de uma divindade quanto uma teofania - dois aspectos da interação divina com humanos, que,
como a inscrição qualifica com cautel a, não eram desconhecidos nos Dias Antigos. Se Nabônida (a
quem al guns estudiosos apelidaram de "o primeiro arqueólogo" por conta da mania que el e tinha de
descobrir e escavar ruínas de l ocais mais antigos) tivesse adjetivado sua afirmação apenas por
segurança, ou se realmente era familiarizado, através de tabl etes antigos, com eventos que ocorreram
muito tempo antes de sua época, não sabemos; porém o fato é que tais eventos ocorreram realmente.
Assim, nos tempos turbulentos que terminaram com o final do Império Sumério por vol ta de 2000 a.C. o
deus Enlil, que estava em algum outro lugar, apressou-se a voltar para a Suméria quando ficou sabendo
que sua cidade, Nippur, estava em perigo. Segundo inscrições pel o rei sumério Shu-Sin, Enl il retornou
"voando de horizonte a horizonte; do sul para o norte el e atravessava; através dos céus, sobre a Terra,
el e se apressava".
Por vol ta de quinhentos anos mais tarde - quase mil anos antes do retorno e da teofania de Sin -, a maior
teofania registrada ocorreu na península do Sinai, durante o Êxodo de Israel do Egito. Avisados de
antemão para se prepararem, os Filhos de Israel - todos os 600.000 - testemunharam o Senhor descendo
para o monte Sinai. A Bíblia ressal ta que foi feito "à vista de todo o povo" (Êxodo 19: 11). Porém a
grande teofania não fora um retorno.
Tais idas e vindas divinas, incl uindo a ascensão e descida de Sin dos céus, implicam que os anunnaki
possuíam veícul os voadores - e realmente possuíam. Javé pousou no monte Sinai num objeto que a
Bíbl ia chamou de kabod, com a aparência de um "fogo devorador" (Êxodo 24:11); o profeta Ezequiel
descreveu o kabod (geralmente traduzido por "glória", mas que significa l iteralmente "a coisa pesada")
como um veículo luminoso e radiante, equipado com rodas dentro de rodas. Ele podia ter em mente al go
comparável à carruagem circular na qual o deus assírio Ashur era representado. Ninurta possuía o
imdugud, o "Divino Pássaro Preto"; e Marduk mandou construir uma acomodação especial para seu
"Viajante Supremo"; provavelmente era o mesmo veículo que os egípcios chamavam de Barco Cel estial
de Rá.
E quanto a Sin e suas idas e vindas cel estiais?
Que el e possuía de fato tal veículo voador - uma necessidade essencial para a ida ao céu e o retorno de
lá relatados nas inscrições de Haran - é atestado por muitos hinos a ele. Um sumério, descrevendo Sin a
voar por sobre sua amada cidade de Ur, chegava a referir-se ao Barco Celestial do deus como sendo sua
"gl ória":
Pai Nanar, Senhor de Ur,
cuja glória é o sagrado Barco do Céu...
Quando subistes no Barco do Céu,
éreis glorioso.
Enlil adornou vossa mão com um cetro,
e éreis eterno quando sobre Ur
no Barco Sagrado subistes.
Apesar de não constarem il ustrações mostrando o "Barco do Céu" do deus da Lua, identificadas até
agora, é possível que exista tal representação. Ao lado da maior rota que ligava o Leste com o Oeste ao
longo do rio Jordão, estava Jericó, uma das cidades conhecidas há mais tempo. A Bíblia (e outros textos
antigos) se refere a el a como a Cidade do Deus da Lua - que é o significado do nome bíblico Yericho.
Foi l á que o profeta Elias (século IX a.C.) recebeu ordens do Deus bíblico para atravessar o rio Jordão a
fim de ser levado para cima, na direção do céu, numa carruagem de fogo. Era, como fica descrito em
Reis II, capítul o 2, não um acontecimento casual, mas um encontro marcado. Começando sua jornada
final de um l ocal chamado Gil gal, o profeta estava acompanhado por seu ajudante Eliseu e um grupo de
discípulos. E quando chegaram a Jericó, os discípulos perguntaram a Eliseu: "Você sabia que o Senhor
vai l evar seu amo embora hoje?". E Eliseu, sabendo daquilo, exortou-os a ficar quietos.
Ao chegarem ao rio Jordão, Elias insistiu para que os outros ficassem para trás. Cinqüenta dos
discípulos avançaram até a margem do rio e pararam; porém El iseu não partiu. Então "Elias tomou seu
manto e, enrol ando-o, atingiu a água, que se dividiu para a direita e para a esquerda, e os dois
atravessaram pel a terra seca". Depois, do outro l ado do rio:
Uma carruagem flamejante com cavalos flamejantes
repentinamente apareceu
e os separou um do outro;
E Elias se elevou para o céu
num turbilhão.
Na década de 20, uma expedição arqueol ógica enviada pelo Vaticano começou a escavar um local da
Jordânia chamado "Monte do Mensageiro". Sua antiguidade é contada em milênios, e al guns dos
achados mais antigos do Oriente Médio foram escavados lá. Em algumas das paredes caídas, os
arqueólogos descobriram murais, bel os e incomuns, pintados com grande variedade de cores. Um del es
representa uma "estrela" que mais parece um compasso apontando os principais pontos cardeais e suas
subdivisões; outro mostrava uma divindade sentada recebendo uma procissão ritual. Outros ainda
representavam objetos negros e bulbosos, com aberturas para ol hos e pernas estendidas; O último
poderia representar uma "carruagem fl amejante", do tipo que levou Elias para o céu. Na verdade, o local
poderia ser o mesmo da subida de Elias; ali, no al to do monte, é possível enxergar o rio Jordão a pouca
distância, e al ém dele, a cidade de Jericó.
Segundo a tradição judaica, o profeta Elias retornará algum dia para anunciar o Tempo do Messias.
Que Adda-Guppi e seu fil ho Nabônida pensassem que tal época chegara, assinal ada e identificada pel o
deus da Lua, é evidente. Esperavam que sua época messiânica fosse um tempo de paz e prosperidade,
uma nova era que começaria com a reconstrução e uso do Templo de Haran.
As visões proféticas que ocorreram na mesma época em relação a Deus e ao Templo de Jerusal ém, por
outro lado, mal foram percebidas. Porém, na verdade, era esse o assunto das profecias de Ezequiel - que
começaram “quando os céus se abriram" e ele viu a carruagem celestial radiante vindo num turbilhão.
A cronologia providenciada pelas inscrições em Haran, conforme verificado por estudiosos dos anais
assírios e babilônios, indicam que Adda-Guppi nasceu por volta de 650 a.C.; que Sin partiu de seu
templ o em Haran em 610 a.C. - e retornou em 556 a.C. Foi exatamente nesse período que Ezequiel, um
sacerdote em Jerusalém, foi chamado a profetizar enquanto ainda estava entre os exilados judeus ao
norte da Mesopotâmia. El e nos fornece as datas exatas: foi no quinto dia do quarto mês do quinto ano do
exílio do rei judeu Joachin, "quando eu estava entre os exilados às margens do rio Kebar que o céu se
abriu e enxerguei visões divinas", escreveu Ezequiel l ogo ao início de suas profecias. A época era 592
a.C.
O rio Kebar (ou Khabur, como é conhecido agora) é um dos tributários do grande rio Eufrates, que
nasce nas montanhas de onde hoje é a Turquia oriental . Não muito longe do rio Khabur fica outro
tributário importante do Eufrates: o rio Balikh; Haran situa-se às margens do rio Balikh, há milênios.
Ezequiel descobriu-se tão distante de Jerusalém, nas margens de um rio na Mesopotâmia superior, na
fronteira do território hitita (terra de Hatti, em escrita cuneiforme), porque era um dos vários milhares de
nobres, sacerdotes, e outro líderes da Judéia que haviam sido capturados e l evados para o exíl io por
Nabucodonosor, o rei babilônio que arrasou Jerusalém em 597 a.C.
Tais eventos trágicos são detalhados no segundo livro de Reis, sobretudo em 24:8-12. Curiosamente um
tablete babil ônio (parte da série chamada de Crônicas Babilônias) registrava os mesmos
acontecimentos, com datas iguais.
Igualmente de forma admirável , essa expedição babil ônia como a anterior de Asaradão - também partiu
de um ponto próximo a Haran!
A inscrição babilônia detal ha a tomada de Jerusalém, a prisão de seu rei, sua substituição no trono da
Judéia por outro rei da escolha de Nabucodonosor e o exílio - "transferência para a Babilônia" - do rei
capturado e dos l íderes da terra. Foi assim que o sacerdote Ezequiel encontrou-se às margens do rio
Khabur, na província de Haran.
Por algum tempo - aparentemente os primeiros cinco anos - os exil ados acreditavam que a calamidade
que se abatera sobre sua cidade e o templo, e sobre el es mesmos, era temporária. Embora o rei judeu
Joachin estivesse cativo, estava vivo. Embora os tesouros do templ o tivessem sido carregados para a
Babilônia como saque, o templ o em si estava intacto; a maioria do povo permanecia na terra. Os
exilados, mantendo-se em contato com Jerusalém por meio de mensageiros, possuíam grandes
esperanças de que um dia Joachin seria reempossado e o templ o teria sua glória restaurada.
Mas assim que Ezequiel foi chamado a profetizar, no quinto ano de exílio (592 a.C.), o Senhor Deus o
instruiu para anunciar ao povo que o exíl io e o saque de Jerusalém e seu templ o não representavam o
final da provação. Era apenas um aviso para o povo, a fim de que se emendasse - se comportasse com
justiça um em rel ação ao outro, e adorasse Javé de acordo com os Mandamentos. Porém, disse Javé a
Ezequiel , em vez de corrigir seu comportamento, o povo começou a adorar "deuses de fora". Portanto,
disse o Senhor Deus, Jerusalém será atacada de novo, e dessa vez será completamente destruída, com
templ o e tudo.
O instrumento de sua ira, afirmou Javé, seria novamente o rei da Babil ônia. É um fato histórico
estabel ecido e conhecido que em 587 a.C. Nabucodonosor, desconfiando do rei que ele mesmo
empossara no trono da Judéia, outra vez cercou Jerusal ém. Porém naquela oportunidade, em 586 a.C. a
cidade capturada foi queimada e deixada em ruínas; incl usive o templ o de Javé que Salomão construíra
meio mil ênio antes.
Isso é sabido; porém não se sabe muito a respeito da razão por que o aviso foi ignorado pel o povo e
pel os líderes que ficaram em Jerusalém. Era crença del es que ''Javé deixara a Terra”!
Segundo o que se acreditava naqueles dias, Ezequiel descreve sua "visão remota", onde enxergou os
Anciãos de Jerusal ém atrás de suas portas fechadas; depois teve uma visão das ruas da cidade, onde
havia uma completa ausência de justiça e observância religiosa, pois a pal avra espalhada era:
Javé não nos enxerga mais –
Javé deixou a Terra!
Corria o ano de 610 a.C. de acordo com as inscrições em Haran, quando "Sin, o senhor dos deuses, ficou
zangado com sua cidade, seu templo e vol tou para o céu". Era 597 a.C. - pouco mais de uma década
depois -, quando Javé ficou zangado com Jerusalém, sua cidade e seu povo, e deixou o não-circuncidado
Nabucodonosor - rei pela graça de Marduk - entrar, saquear e destruir o templ o de Javé.
E o povo gritava: "Deus foi embora da Terra! ".
E não sabiam quando iria retornar nem se vol taria.
EPÍLOGO
As grandes expectativas de sua mãe para Nabônida, como unificador da Suméria e da Acádia e
restaurador dos gl oriosos Dias Antigos, não prepararam o novo rei para o turbilhão que el e l ogo
enfrentaria. Poderia ter esperado desafios militares; jamais teria esperado o fervor rel igioso que tomaria
conta de seus domínios.
Assim que subiu ao trono da Babilônia, a propósito de um negócio combinado entre sua mãe e Sin,
compreendeu que Marduk - uma vez removido e desejando voltar - precisava ser aplacado e receber sua
parte. Numa série de sonhos-previsões fingidos ou verdadeiros, Nabônida rel atou haver obtido a bênção
de Marduk (e de Nabu) não apenas para o seu reinado, mas também para a reconstrução do templo de
Sin, em Haran.
Para não deixar dúvidas sobre a importância daquel es sonhos-mensagens, o rei contou que Marduk
perguntara especificamente a el e se vira a "Grande Estrela, o planeta de Marduk" - uma referência
direta a Nibiru - e que outros pl anetas estavam em conjunção com ele. Quando o rei disse que eram o
"deus 30" (a Lua, a contraparte celestial de Sin) e o "deus 15" (Ishtar e sua contraparte, Vênus), Marduk
disse-lhe: "Não há indício ruim nessa conjunção".
Mas nem o povo de Haran nem o povo da Babilônia estavam contentes com esse "co-reinado" de
deuses, nem estavam os seguidores de Ishtar "e dos outros deuses". Sin, cujo templ o em Haran fora
restaurado, exigia que seu grande templo em Ur devesse outra vez tornar-se um centro de adoração.
Ishtar reclamava que seu templo dourado em Uruk (Erech) devia ser reconstruído e que ela deveria
receber outra vez sua carruagem puxada por sete l eões. À medida que se enxergam as entrelinhas do
texto escrito pel o rei, pode-se perceber que el e estava ficando agastado com a pressão dos múltipl os
deuses e seus sacerdotes.
Num texto chamado pel os estudiosos de Nabônida e o Clérigo da Babilônia (num tabl ete agora no
Museu Britânico), os sacerdotes de Marduk apresentaram uma espécie de l ista de acusações contra
Nabônida; discorriam desde assuntos civis ("a l ei e a ordem não são promulgadas por ele"), a respeito de
negl igência econômica ("os fazendeiros são corruptos", "as estradas de comércio estão bl oqueadas"), de
guerras malsucedidas ("os nobres são mortos na guerra") até os mais sérios, como sacril égio:
Ele fez a imagem de um deus
que ninguém jamais viu nesta terra; ele a colocou no templo,
elevou-a sobre um pedestal...
Com lápis-lazúli ela foi adornada, coroada com uma tiara...
Era a estátua de uma divindade estranha - nunca vista antes, afirmaram os sacerdotes - com "cabel o
caindo até o pedestal". Era tão incomum e improvável que nem Enki ou Ninmah a poderiam ter
concebido, tão estranha que "nem mesmo o sábio Adapa conhecia-l he o nome". Para tornar as coisas
piores, dois animais incomuns estavam escul pidos como guardiões: um representando o Demônio do
Dil úvio e o outro, um Touro Selvagem. Para adicionar insulto ao sacrilégio, o rei col ocou essa
abominação no templo de Marduk, e anunciou que o festival de Akitu (Ano-Novo), que era essencial ao
equilíbrio de Marduk com a cel estial Nibiru, não seria mais comemorado.
Os sacerdotes anunciaram para todos que quisessem ouvir que "a divindade protetora de Nabônida se
tomou hostil a el e" e que o "outrora favorito dos deuses caíra em desgraça". Assim, Nabônida anunciou
que sairia da Babilônia "numa expedição para uma terra distante". Nomeou a seu filho Bel-sharuzur
("Bel/ Marduk protege o rei" - o Baltasar do Livro de Daniel ) como regente.
Seu destino era a Arábia, e sua comitiva incl uía, como atestam as várias inscrições, judeus dos vários
exílios. Sua base principal era uma cidade chamada Teima (um nome encontrado na Bíbl ia) e
estabel eceu seis acampamentos para seus seguidores; cinco deles foram l istados, mil anos mais tarde,
por fontes islâmicas como cidades de judeus. Al guns acreditam que Nabônida procurasse a sol idão do
deserto para contemplar o monoteísmo; o fragmento de um texto descoberto entre os pergaminhos do
mar Morto afirma que Nabônida foi acometido de uma desagradável doença de pel e em Teima, e foi
curado apenas depois que "um judeu l he disse que honrasse ao Deus Altíssimo". As evidências sugerem,
entretanto, que el e estivesse propagando o cul to a Sin, o deus l unar, simbolizado pel o crescente - um
símbolo adotado mais tarde pelos seguidores árabes de Al á.
Quaisquer que tenham sido as crenças rel igiosas que Nabônida abrigasse, eram um anátema para os
sacerdotes da Babilônia. Assim, quando os dirigentes aquemênidas da Pérsia absorveram o reino dos
medas e se expandiram para a Mesopotâmia, Ciro, o rei persa, foi aclamado na Babilônia não apenas
como conquistador, mas como libertador. Habilmente, el e se apressou a ir até o templ o de Esagil assim
que entrou na cidade e "segurou as duas mãos de Marduk".
O ano era 539 a.C. marcou o final profetizado da existência independente da Babilônia.
Um de seus primeiros atos foi estabel ecer uma l ei permitindo que os exil ados judeus voltassem para a
Judéia e reconstruíssem o Templ o em Jerusalém. O edito, registrado no Cilindro de Ciro, agora mantido
no Museu Britânico, corrobora a narrativa bíblica segundo a qual Ciro "foi desafiado a fazer isso por
Javé, o Deus do Céu".
A reconstrução do Templ o, sob a l iderança de Esdras e Neemias, completou-se em 516 a.C. - setenta
anos depois de sua destruição, conforme profetizado por Jeremias.
A história do fim da Babilônia é narrada na Bíblia num dos livros mais enigmáticos, o de Daniel.
Apresentando Daniel como sendo um dos exil ados judeus no cativeiro da Babil ônia, rel ata como ele foi
sel ecionado, com três outros amigos, para servir na corte de Nabucodonosor e como (à semel hança de
José, no Egito) foi el evado à situação de alto oficial depois de interpretar os sonhos do rei sobre eventos
futuros.
O livro então enfoca eventos da época de Baltasar, quando, durante um grande banquete, uma mão
fl utuando no ar escreve na parede MENE MENE TEKEL UPHARSIN. Nenhum dos videntes e magos
do rei conseguiu decifrar a inscrição. Como último recurso, Daniel, havia muito aposentado, foi
chamado. Expl icou o significado ao rei da Babil ônia: Deus havia numerado os dias do reinado del e; o
rei fora pesado e julgado; os dias de seu reinado haviam terminado, que seria repartido entre os medas e
os persas.
Depois disso, o próprio Daniel começou a ter sonhos premonitórios e visões do futuro nas quais o
"Antigo em Dias" e seus arcanjos desempenhavam papéis-chave. Impressionado por suas visões, Daniel
pedia explicações aos anjos. A cada uma das vezes eram previsões de acontecimentos futuros, muito
al ém da queda da Babilônia, mesmo além da realização da profecia de setenta anos de reconstrução do
Templo. A ascensão e a queda do Império Persa foram previstas, a vinda dos gregos sob o comando de
Alexandre, a divisão de seus domínios depois da morte del e, e o que se seguiu.
Embora muitos estudiosos modernos - não sábios judeus ou sacerdotes cristãos - tenham anal isado
aquelas profecias (acuradas apenas em parte) como visão estreita, indicando um autor (ou vários
autores) posterior, o ponto central dos sonhos, visões e presságios experimentados por Daniel é uma
preocupação com a questão: Quando? Quando será o reino final , o único que irá sobreviver?
Será um que apenas os seguidores do Deus Al tíssimo, o "Antigo em Dias", viverão para ver (até mesmo
os mortos vão ressuscitar). Porém Daniel continuava perguntando aos anjos: quando?
Numa das ocasiões, o anjo respondeu que uma fase dos eventos futuros, uma época em que um rei infiel
tentará "alterar os tempos e as leis", irá durar "um tempo, tempos, e meio tempo", e só depois disso "os
reinos sob o céu serão entregues às pessoas, os sagrados do Altíssimo".
Em outra oportunidade, o anjo revelador disse: "Setenta semanas de anos foram decretadas para seu
povo e sua cidade até que a medida da transgressão seja preenchida e a visão profética ratificada".
Mais uma vez um emissário divino escutou de Daniel: "Quanto tempo até o final dessas coisas
horríveis?". Novamente recebeu a enigmática resposta: "Um tempo, tempos e meio tempo".
"Ouvi, mas não entendi", escreveu Daniel . "Meu Deus, qual será o desfecho dessas coisas?" Ainda
falando em código, o ser divino respondeu: "Da época em que a oferta regular for abol ida e uma
abominação depl orável se instal ar, serão 1.290 anos. Fel iz é aquel e que aguarda e atinge 1.335 dias".
Enquanto Daniel parecia intrigado, o anjo de Deus acrescentou:
Tu, Daniel, deves descansar e despertar
Para teu destino ao Final dos Dias...
Mas mantém as palavras secretas
E sela o livro até o Fim dos Tempos.
No Fim dos Tempos, quando as nações da Terra se reunirem em Jerusal ém, irão todos falar "numa
linguagem clara", afirmou o profeta Sofonias (cujo nome significa "Codificado por Javé") não haverá
necessidade de confundir a l inguagem nem de as pal avras serem l idas de trás para a frente nem de
códigos ocul tos.

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