sexta-feira, agosto 17, 2012

Coleção Zecharia Sitchin Livro 8 - Encontros Divinos - 4º PARTE


......"E vieram os dois anjos a Sodoma, de tarde, e Lot estava senta do à
porta de Sodoma; e viu-os Lot, e levantou-se indo ao seu encontro,
prostrou seu rosto em terra e disse: Eis que vos rogo, meus
senhores, vinde, rogo, à casa de vosso servo e dormi, e lavai vossos
pés e madrugareis e seguireis vosso caminho." Sendo que os dois
concordaram em ficar na casa de Lot, "os homens da cidade, os
homens de Sodoma, desde o jovem até o velho, todo povo de todo
lado chamaram a Lot e disseram: 'Onde estão os homens que
vieram a ti esta noite? Faze-os sair para nós, e os conheceremos"'.
E quando o povo insistiu, chegando a tentar arrombar a porta da
casa de Lot, os anjos "feriram de cegueira, desde o pequeno até o
grande, e cansaram-se para encontrar a porta".
Teriam os anjos usado algum tipo de cajado mágico, um emissor de
raios, contra as pessoas que tentavam arrombar a porta? Na
resposta a essa pergunta encontra-se a resposta a um mistério
maior. Ao descrever a chegada dos visitantes de Abraão e depois de
Lot, esses visitantes são chamados de Anashim - "pessoas" (não
necessariamente "homens", como o termo é traduzido muitas
vezes). Ainda assim, em ambas as instâncias, os anfitriões
reconhecem imediatamente algo que os faz parecer diferentes, algo"
divino" neles. Os anfitriões logo os chamam de Senhores e se
prostram. Se, conforme a descrição, os visitantes eram
completamente antropomórficos, o quê, apesar disso, era tão
diferente e distinto neles?
A resposta que vem instantaneamente à mente seria – claro - suas
asas! Mas, como demonstraremos a seguir, veremos que a resposta
não é necessariamente essa.
A noção popular de anjos, uma imagem sustentada e ampliada por
séculos de arte religiosa, é a de seres idênticos aos humanos, mas
que, ao contrário deles, estão equipados com asas. Na verdade, se
lhes fossem retiradas as asas, seriam indistinguíveis de seres
humanos. Trazidos para a iconografia ocidental pelos primeiros
cristãos, a origem indubitável de tal representação de anjos foi o
Oriente Médio. Nós os encontramos na arte suméria - o emissário
alado que levou Enkidu, os guardiões com os raios mortais. Nós os
encontramos na arte religiosa da Assíria e do Egito, de Canaã e da
Fenícia (fig. 87). Representações similares dos hititas (fig. 88a)
chegaram a ser duplicadas na América do Sul, em Tiahuanaco, na
Porta do Sol (fig. 88b) - evidência de contatos hititas com aquele
local distante.


Embora os modernos estudiosos, desejando evitar conotações
religiosas, se refiram aos seres representados como "gênios
protetores", os povos antigos os consideravam uma espécie de
deuses menores, que apenas executam as ordens dos "Grandes
Senhores", que eram "Deuses do Céu e da Terra".
A representação deles como seres alados era claramente uma
indicação da capacidade de voar pelos céus da Terra; nisso eles
imitavam os próprios deuses, e especificamente aqueles
representados como divindades aladas - Utu/Shamash e sua irmã
gêmea, Inana/Ishtar (fig. 90). A afinidade dos homens-águias com
seu comandante, Utu/Shamash, também era óbvia. Sobre isso, a
afirmação do Senhor (Êxodo 19:4) de que ele carregaria os Filhos de
Israel "sobre as asas das águias" pode ter sido mais do que
alegórica; também traz à lembrança a história de Etana (veja fig. 30),
a quem uma águia ou Homem-Águia carregou pelos ares por ordem
de Shamash.
Porém, como as traduções textuais da Bíblia atestam, tais auxiliares
divinos alados eram chamados Querubim em vez de Mal'akhim.
Querub (singular de Querubim) deriva do acadiano Karabu -"abençoar, consagrar". Um Karibu (macho) era um "abençoado,
consagrado", e uma fêmea, Kuribi, significava Deusa Protetora. Tal
como o Querubim bíblico foi designado para guardar" o caminho
para a Árvore da Vida", a fim de prevenir a entrada de Adão e Eva
no Jardim do Éden; proteger com suas asas a Arca da Aliança;
servir de portadores do Senhor, seja segurando o Trono Divino,
como na visão de Ezequiel, seja simplesmente carregando Iavé: "Ele
cavalgou um Querub e voou para longe", lemos em II Samuel 22:11
e em Salmos 18:11 (outro paralelo com a história de Etana).
Segundo a Bíblia, então, o Querubim alado tinha funções específicas
e limitadas; não era assim com os Mal'akhim, os emissários que
tinham ido e vindo em missões determinadas, e, como
embaixadores plenipotenciários, possuíam poder de decisão.
Isso fica claro nos eventos em Sodoma. Tendo visto por si mes mos
a maldade do povo de Sodoma, os dois Mal'akhim instruíram Lot e
sua família para que partissem imediatamente, "pois Iavé destruirá
esta cidade". Mas Lot demorou e pediu aos" anjos" que adiassem o
cataclismo da cidade até que ele, sua esposa e duas filhas
pudessem alcançar a segurança das montanhas, que não ficavam
tão perto. E os emissários concederam o pedido dele, prometendo
adiar a destruição da cidade, a fim de dar a ele e à família tempo
necessário para escapar.
Em ambas as circunstâncias (o súbito aparecimento a Abraão e a
chegada aos portões de Sodoma), os" anjos" são chamados de
"pessoas", de aparência humana; se não são alados, então o que os
torna reconhecíveis como Emissários Divinos?
Encontramos uma pista na representação do panteão hitita,
esculpido num santuário rochoso, num local chamado Yazilikaya, na
Turquia, não muito longe das impressionantes ruínas da capital
hitita. As divindades estão arranjadas em duas procissões, os
machos marchando da esquerda para a direita e as fêmeas em
sentido contrário. Cada procissão é liderada por um dos grandes
deuses (Teshub comandando os machos e Hebat liderando as
fêmeas), seguidos pelos filhos, ajudantes e por deuses menores. Na
procissão dos machos, os últimos são doze" emissários" cuja
divindade ou papel e status são reconhecidos pelo que usam na
cabeça e pela arma curva que empunham (fig. 91a); à frente deles
marcha um grupo bem mais importante de doze, também
identificados pelos chapéus e pelo instrumento - um cajado com um
aro ou disco no topo que empunham (fig. 91b). Esse cajado também
é utilizado pelas duas principais divindades (fig. 91c).
Os grupos de doze homens desses deuses menores nas
representações hititas trazem inevitavelmente à lembrança os
Mal'akhim que Jacó encontrou em seu caminho de volta de Haran -que fica na atual Turquia - para Canaã. O que vem à mente, então, é
que a posse de um dispositivo levado nas mãos foi O que tornou os
anjos reconhecíveis pelo que eram (juntamente, pelo menos em
algumas oportunidades, com os chapéus únicos).
Feitos miraculosos realizados por Mal'akhim na Bíblia, como cegar a
multidão descontrolada em Sodoma, se repetem; é narrado um
incidente similar ligado com as atividades e profecias de Elisha, o
discípulo e sucessor do profeta Elias. Em outra oportunidade, o
próprio Elias, escapando para salvar a vida depois de matar
centenas de sacerdotes de Baal, foi salvo por um "anjo de Iavé" ao
ficar exausto, sem comida e sem água no deserto de Neguev - na
mesma área onde o anjo salvou Hagar, faminta, sedenta e sem
destino. Quando Elias, cansado, deitou-se para dormir sob uma
árvore, um Mal'akh de repente o toca, dizendo: "Levanta-te e come".
Ele comeu, bebeu um pouco e dormiu - apenas para ser outra vez
tocado pelo anjo, que lhe disse para consumir a comida e a água,
pois havia um longo caminho pela frente (o destino era "o monte dos
Elohim”, o Sinai, no deserto do Sinai). Embora a narrativa (I Reis
19:5-7) não revele como o anjo tocou Elias, pode-se admitir com
relativa segurança que não foi com a mão, e sim com o cajado
divino.
O uso de tal dispositivo é narrado com clareza na história de Gideão
(Juízes, capítulo 6). Para convencer Gideão de que sua escolha de
liderar os israelitas contra seus inimigos foi ordenada por Iavé, o
"anjo de Iavé" o instrui a colocar sua oferenda de carne e pão sobre
uma rocha; quando Gideão fez o que fora pedido,
O anjo de Iavé esticou o braço
e com a ponta do cajado
tocou a carne e os pãezinhos.
Então uma chama acendeu-se na pedra
e consumiu a carne e os pães.
Depois, o anjo de Iavé desapareceu de vista;
e Gideão percebeu que ele era [de fato]
um anjo de Iavé.
Em tais instâncias, o cajado mágico podia ter parecido o bastão que
o grupo mais importante de doze empunhava na procissão de
Yazilikaya. O instrumento curvo que o último grupo levava nas mãos
pode ter sido a "espada" vista com os Mal'akhim quando enviados
em missões de destruição. Tal visão é narrada em Josué, capítulo 5.
Quando o líder israelita da conquista de Canaã enfrentou seu alvo
mais difícil - a fortificada cidade de Jericó -, um Emissário Divino
apareceu para dar instruções:
Estando Josué no campo da cidade de Jericó,
ergueu os olhos, e eis que
viu um homem posto em pé diante dele,
com a espada desembainhada na mão.
E Josué foi ter com ele
e disse-lhe:
"Tu és dos nossos ou dos inimigos?".
E ele respondeu:
"Nenhum; sou o capitão das hostes de Iavé".
Outra ocorrência, em que um Mal'akh guerreiro apareceu com um
objeto como uma espada na mão, se deu na época de Davi. Por não
observar a proibição de fazer o censo dos homens de armas do
povo, o rei recebeu a palavra do Senhor por intermédio de Gad, o
profeta, para escolher qual dos três castigos seria enviado pelo
Senhor.
E Davi, ao erguer os olhos,
viu o anjo do Senhor
que pairava entre o céu e a terra,
uma espada desembainhada na mão,
voltada na direção de Jerusalém.
E Davi e os Anciãos, cobertos com cilícios,
se prostraram com o rosto por terra.
(I Crônicas 21:16)
Igualmente ilustrativas são as ocasiões em que os anjos apareciam
sem um objeto específico nas mãos, pois então precisavam recorrer
a outros atos mágicos para convencer os ouvintes da palavra divina
de que sua embaixada era autêntica. Enquanto no caso do encontro
com Gideão o cajado mágico foi especificamente mencionado, tal
objeto não estava à vista quando o anjo de Iavé apareceu para a
mulher estéril de Manoé e predisse o nascimento de Sansão, desde
que ele fosse um nazareno, e a mulher, assim como o filho quando
nascesse, se abstivessem de consumir vinho, cerveja e alimentos
impuros (adicionalmente, o cabelo do menino jamais seria cortado).
Quando o anjo apareceu uma segunda vez para certificar-se de que
as instruções para conceber e criar o menino estavam sendo
cumpridas, Manoé procurou verificar a identidade do interlocutor,
pois ele parecia um "homem". Então ele perguntou ao emissário:
"Qual o seu nome?".
Em vez de revelar sua identidade, o anjo fez uma "maravilha":
O anjo disse a ele:
"Por que queres saber meu nome,
que é secreto?".
Tomou pois Manoé um cabrito com as suas libações
e colocou-o sobre a pedra
como oferta a Iavé.
E o anjo realizou uma maravilha,
e Manoé e sua mulher estavam vendo:
quando subiu a chama do altar ao céu,
subiu também o anjo de Iavé no interior da chama.
E tendo Manoé e sua mulher visto isso,
caíram com o rosto em terra.
E depois não se mostrou mais o anjo de Iavé
a Manoé e sua mulher.
Então conheceu Manoé que aquele era um anjo de Iavé.
Um acontecimento mais famoso no qual o fogo foi usado
magicamente para convencer o observador de que de fato estava
recebendo uma mensagem divina é o incidente do Espinheiro
Ardente. Foi quando Iavé escolheu Moisés, um hebreu criado como
príncipe egípcio, para liderar os israelitas na saída do Egito. Tendo
escapado da ira do faraó para o deserto do Sinai, Moisés estava
pastoreando o rebanho do sogro, o sacerdote midianita, "e ele veio
ao monte dos Elohim, em Horeb", onde uma visão miraculosa
chamou sua atenção:
E apareceu-lhe um anjo de Iavé
numa chama de fogo, no meio da sarça.
Ele olhou, e eis que a sarça ardia no fogo
e não se consumia.
E disse Moisés [para si mesmo]:
"Eu me aproximarei
e verei esta grande visão.
Por que a sarça não queima?"
E quando Iavé viu que Moisés se aproximou para ver,
chamou-o Elohim de dentro da sarça
e disse: "Moisés, Moisés!".
E disse (Moisés): "Eis-me aqui".
Tais milagres não precisam identificar o interlocutor como ser divino,
conforme afirmamos quando este empunhava a arma curva ou o
cajado mágico.
Representações antigas sugerem que provavelmente, pelo menos
em alguns casos, foi outro aspecto distinto pelo qual as "pessoas" ou
os "homens" foram reconhecidos como emissários divinos: "óculos"
especiais que eles usavam, em geral como parte do capacete. O
pictograma hitita que expressa o termo "divino" (fig. 92a) é
revelador, pois representa os símbolos do "Olho" que proliferaram na
região do Alto Eufrates como ídolos (fig. 92b) colocados no alto dos
altares ou pedestais. O último claramente imitava representações de
divindades cujo aspecto mais aparente (além do capacete divino)
eram os olhos protegidos por óculos (fig. 92c).
Em um caso, a estatueta que representa uma cabeça com capacete
e óculos e tem na mão um instrumento curvo (fig. 93), pode ter
representado a forma como os anjos bíblicos apareceram a Abraão
e Lot.
(Se, nessas ocasiões, a arma-cajado foi usada para cegar com seu
raio, os óculos podem ter sido uma proteção necessária para o
"anjo" contra os efeitos cegantes. Essa possibilidade é sugerida por
recentes aperfeiçoamentos nos Estados Unidos e em outros países
de armas cegantes como uma espécie de arma "não-letal".
Chamada Rifles Laser Cobra, tais armas empregam uma técnica
derivada tanto do laser cirúrgico quanto do feixe que guia os
mísseis. Os soldados que as utilizam precisam usar óculos
protetores.)
Como sugere a comparação das representações com Ishtar de
capacete e óculos protetores, os equipamentos e armas dos
Mal’akhim apenas imitam os dos próprios Grandes Deuses. O
grande Enlil podia" erguer os raios que procuram o coração de todas
as terras" de seu zigurate em Nippur, e possuía lá "olhos que
podiam ver todas as terras", assim como uma "rede" que podia
aprisionar quaisquer transgressores. Ninurta estava equipado com a
"arma que despedaça e rouba os sentidos" e com um Brilho que
podia pulverizar montanhas, assim como um único IB - uma "arma
com cinqüenta cabeças mortais". Teshub/Adad estava armado com
um "trovão-tempestade que despedaça as rochas" e com o "raio
assustador que dispara".
Os reis da Mesopotâmia afirmavam de tempos em tempos que sua
divindade padroeira fornecia armas divinas para assegurar a vitória;
era assim mais plausível que os deuses providenciassem armas ou
cajados mágicos para os próprios emissários, os anjos.
De fato, a própria noção de Emissário Divino pode ser rastreada até
os deuses da Suméria, os Anunnaki, quando enviavam emissários
em suas negociações uns com os outros em vez de com os
terrestres.
Aquele a quem os estudiosos se referem como "o ajudante dos
grandes deuses" era Papsukal; seu nome-epíteto significava
"Pai/Ancestral dos Emissários". Ele desempenhava missões
representando Anu, executando as decisões de Anu ou
aconselhando os líderes Anunnaki na Terra; metade das vezes
demonstrava consideráveis habilidades diplomáticas. O texto sugere
que às vezes, talvez quando Anu estivesse longe da Terra, Papsukal
servia como emissário de Ninurta (embora, durante a batalha contra
Zu, Ninurta empregasse seu principal portador de armas, Sharur,
como emissário divino).
O principal Sukkal, ou emissário de Enlil, era chamado Nusku; ele é
mencionado numa variedade de papéis na maioria dos "mitos" em
relação a Enlil. Quando os Anunnaki que trabalhavam nas minas do
Abzu (sudoeste da África) se amotinaram e cercaram a casa onde
Enlil residia, foi Nusku que lhes bloqueou o caminho com suas
armas; foi também ele que agiu como intermediário para evitar o
confronto. Na época dos sumérios, ele foi o emissário que trouxe a
"palavra de Ekur" (o zigurate de Enlil, em Nippur) àqueles tanto
deuses como homens - cujo destino Enlil decretara. Um Hino a Enlil,
o Todo-Benevolente afirma que "apenas a seu excelso ajudante, o
camareiro (Sukkal) Nusku, ele (Enlil) comanda, as palavras em seu
coração são conhecidas". Mencionamos antes um exemplo no qual
Nusku, em frente ao templo de Haran, com Sin, informou o rei
assírio Esardon sobre a permissão divina para invadir o Egito.
Assurbanipal, em seus anais, afirma que foi "Nusku, o emissário
fiel", quem participou a decisão divina de torná-lo rei da Assíria;
depois, por ordem dos deuses, Nusku acompanhou Assurbanipal em
sua campanha militar para assegurar a vitória. Nusku, escreveu
Assurbanipal, "assumiu a liderança de meu exército e derrubou
meus inimigos com sua arma divina". Essa afirmativa lembra o
incidente reverso assinalado na Bíblia, quando o anjo de Iavé
desbarata o exército da Assíria que sitiava Jerusalém:
Aconteceu, pois, que naquela noite
veio o anjo de Iavé
e matou no campo dos assírios
cento e oitenta e cinco mil.
E quando eles (o povo de Jerusalém)
acordaram cedo de manhã, viram:
eles (os assírios) eram todos cadáveres.
(II Reis 19:35)
O emissário-chefe de Enki, chamado Isimud nos textos sumérios e
Usmu nas versões acadianas, desempenhou um papel importante
nas escapadas sexuais de seu amo. No "mito" de Enki e Ninharsag,
que relata os esforços de Enki para obter um sucessor masculino de
sua meia-irmã, Isimud/Usmu agiu primeiro corno confidente e depois
trazendo uma variedade de frutas com as quais Enki tentou curar a
si mesmo da paralisia que Ninharsag lhe impusera. Quando
Inana/lshtar foi a Eridu para obter os ME, foi Isimud/Usmu quem fez
os arranjos para a visita. Mais tarde, quando Enki ficou sóbrio e
percebeu que fora enganado e ficara sem os importantes ME, foi o
fiel Sukkall quem ordenou a perseguição de Inana (que fugira em
seu "Barco do Céu") para recuperá-las.
Isimud/Usmu era referido algumas vezes nos textos como "de duas
faces". Essa curiosa descrição, descobriu-se, era factual; em duas
estátuas e nos selos cilíndricos, ele era representado com dois
rostos (fig. 94). Teria sido um defeito de nascimento, uma aberração
genética, ou havia algum motivo profundo para representá -la assim?
Já que ninguém parece saber, ocorreu-nos que essa curiosa
propriedade poderia refletir a associação celeste desse emissário
(veja o texto no fim deste capítulo).
Havia alguma coisa incomum também a respeito do Sukkal de
Inana/Ishtar, cujo nome era Ninshubur. O enigma era que Ninshubur
algumas vezes parecia ser masculino, quando os estudiosos
traduziam seu título como "camareiro, ajudante"; e em outras
ocasiões Ninshubur parecia ser feminino, quando era chamado de
"camareira". A pergunta é: seria Ninshubur bissexual ou assexuado?
Um andrógino, um eunuco, ou o quê?
Ninshubur age como confidente de Inana/Ishtar durante o namoro
com Dumuzi, papel no qual é tratado(a) como mulher; Thorkild
Jacobsen, em "Os Tesouros da Escuridão", traduz o título como
"criada de quarto". Mas na história da fuga de Inana/Ishtar com os
ME que obtivera enganando Enki, Ninshubur é páreo para
Isimud/Usmu, um macho, e é chamado pela deusa de "meu
guerreiro que luta ao meu lado" - um papel nitidamente masculino.
Os talentos diplomáticos desse emissário foram empregados por
completo quando Inana/Ishtar resolveu visitar sua irmã Ereshkigal no
Mundo Inferior, desafiando a proibição: nessa narrativa, o grande
sumeriólogo Samuel N. Kramer (A Descida de Inana ao Mundo
Inferior) refere-se a Ninshubur como "ele"; assim também Leo
Oppenheim (Mitologia da Mesopotâmia).
A enigmática bissexualidade ou assexualidade de Ninshubur é
refletida pela relação com outros seres - a maioria, mas não todos,
criações de Enki -, que parecem não ser nem machos nem fêmeas,
assim como nem divinos nem humanos, uma espécie de andróides -robôs em forma humana.
A existência de tais emissários enigmáticos e suas características
espantosas aflora no texto acima mencionado, que lida com a visita
não autorizada de Inana ao domínio de sua irmã mais velha,
Ereshkigal, no Mundo Inferior (Sudoeste africano). Para a viagem,
Inana veste sua roupa de astronauta; os sete itens listados nesse
texto combinam com a representação de uma das estátuas
desenterrada em Mari (figs. 95a e 95b). Como uma taxa de
admissão a essa zona restrita, Inana teve de dar suas posses, uma
de cada vez, enquanto passava pelos sete portões; só então, "nua e
curvando-se baixo, Inana entrou na sala do trono". Assim que as
duas irmãs puseram os olhos uma na outra, ambas ficaram
enraivecidas; Ereshkigal ordenou que sua Sukkal Namtar apanhasse
Inana e a ferisse da cabeça ao pescoço. "Inana foi transformada
num cadáver pendendo numa estaca."
Prevendo problemas, Inana instruíra seu emissário, Ninshubur,
antes de sair na arriscada empresa, para que levantasse um
protesto em seu nome, se ela não voltasse em três dias.
Percebendo que Inana encontrara problemas, Ninshubur foi de
divindade em divindade para procurar ajuda; contudo, ninguém, a
não ser Enki, era capaz de enfrentar Namtar, que lidava com a
morte. Seu nome significava "Exterminador", os assírios e babilônios
o apelidaram de Memittu -"O Assassino", um Anjo da Morte. Ao
contrário das divindades ou humanos, "ele não possuía mãos nem
pés; não bebia água nem comia comida". Assim, para salvar Inana,
Enki resolveu fabricar andróides similares que pudessem ir à "Terra
Sem Retorno" e realizar sua missão em segurança.
Na versão suméria do "mito", lemos que Enki fabricou dois andróides
de barro e os ativou dando a um deles o Alimento da Vida e ao
outro, a Água da Vida. O texto chama a um deles Kurgarru, e ao
outro, Kalaturru, termos que os estudiosos deixam sem traduzir por
sua complexidade; referem-se às "partes particulares" dos seres, os
termos sugerem órgãos sexuais peculiares: traduzidos literalmente,
um cuja "abertura" está "trancada", o outro cujo "penetrador" está
"doente".
Vendo-os aparecer na sala do trono, Ereshkigal perguntou quem
eram eles: "Vocês são deuses? São mortais? O que desejam?". Eles
pediram então o corpo sem vida de Inana, e o conseguiram. Em
seguida "sobre o cadáver dirigiram o Pulsador e o Emissor";
aspergiram a Água da Vida sobre o corpo e lhe deram a Planta da
Vida, "e Inana ergueu-se".
Comentando a descrição dos dois emissários, A. Leo Oppenheim
(Mitologia da Mesopotâmia) descreve os atributos que qualificaram
os emissários a penetrar no domínio de Ereshkigal e salvar Inana
como (a) não sendo machos nem fêmeas, e (b) não terem saído de
nenhum ventre. Além do mais, no Enuma Elish, a versão babilônica
da Epopéia da Criação, ele encontrou uma referência à habilidade
dos deuses para criar "robôs". No Enuma Elish, a batalha celeste
com Tiamat e as maravilhosas criações que se seguiram são
atribuídas a Marduk - incluindo a idéia de criar o homem.
Nessa leitura do texto babilônico, foi Marduk que, "enquanto
escutava as palavras dos deuses, concebeu um dispositivo
engenhoso para ajudá-los". Revelando essa idéia ao pai, Ea/Enki,
Marduk disse: "Vou trazer à existência um robô; seu nome será
'Homem' (...) Ele será encarregado do trabalho dos deuses, e assim
eles serão aliviados". Mas "Ea respondeu fazendo outra proposta, a
fim de mudar de idéia em relação à intenção de aliviar os deuses";
como já abordamos, mudou para "colocar a marca" dos deuses - a
impressão genética - "num ser que já existia" (produzindo assim o
Homo sapiens) .
Numa tradução atualizada da versão suméria, Kiane Wilkstein
(Inana, Rainha do Céu e da Terra) explica a natureza dos emissários
como sendo "criaturas nem machos nem fêmeas". Uma explicação
mais precisa é fornecida, entretanto, pela versão acadiana, na qual
Enki/Ea cria apenas um ser para salvar Ishtar. Conforme tradução
de E. A. Speiser (Descida de Ishtar ao Mundo Inferior), os versos
relevantes são:
Ea, em seu sábio coração, concebeu uma imagem
e criou Ashushunamir, um eunuco.
O termo acadiano, que é traduzido livremente como "eunuco", é
assinnu, que significa literalmente "pênis-vagina" - um ser bissexual
em vez de macho castrado (que é o significado de “eunuco"). Que
essa fosse a verdadeira natureza da criatura ou criaturas que
surpreenderam Ereshkigal é evidente pelas representações
descobertas por arqueólogos (fig. 96a); eles parecem ter tanto
órgãos masculinos quanto femininos, dessa forma não possuindo
um sexo verdadeiro.
Empunhando um cajado ou uma arma, esses andróides pertenciam
a uma classe de emissários chamados Gallu - termo geralmente
traduzido como “demônios" -, que já encontramos na história da
morte de Dumuzi, quando Marduk enviou os "xerifes" - os Gallu -para apanhá-lo. Numa história que lida com um filho de Enki, Nergal,
que viera desposar Ereshkigal, é mencionado que a guarda do filho
nessa visita aos perigosos domínios constava de catorze Gallu
criados por Enki para acompanhar e proteger Nergal. Na história da
descida de Inana/lshtar a esse domínio, é narrado que Namtar
tentou evitar a fuga da deusa revivida enviando Gallu para bloquear
sua subida.
Todos esses textos apontam que, embora os Gallu não tivessem
nem o rosto nem o corpo dos Sukkal divinos, que serviam de
emissários entre os próprios deuses, eles “empunhavam um cajado
nas mãos e carregavam uma arma na cintura". Não sendo de carne
e osso, eram descritos como seres "que não têm mãe, que não têm
pai nem irmão ou irmã nem esposa nem filhos; não conhecem
comida, não conhecem água. Voam pelos céus como guardiões".
Teriam esses andróides do folclore antigo voltado nos tempos
modernos?
A pergunta é pertinente por causa da forma como são descritos os
ocupantes de Ovni por pessoas que afirmam tê-las visto (ou mesmo
ter sido abduzidas por eles): de sexo indeterminado, pele com
textura plástica, cabeça cônica, olhos ovais - de aparência
humanóide, mas definitivamente não-humanos, comportando-se
como andróides. Que suas representações (fig. 96b) por aqueles
que afirmam tê-los visto seja tão similar às antigas representações
dos Gallu provavelmente não é acidental.
Havia ainda outra classe de Emissários Divinos - seres demoníacos.
Alguns estavam a serviço de Enki, alguns a serviço de Enlil. Alguns
eram considerados descendentes do malévolo Zu, "maus espíritos"
que não faziam o bem, portadores de doenças e pestilências;
demônios que metade das vezes possuíam feições de pássaros.
No "mito" de Inana e Enki, é narrado que quando Enki ordenou que
Isimud recuperasse os ME levados por Inana, ele enviou junto uma
série de emissários monstruosos, capazes de alcançar o Barco do
Céu: gigantes Uru, monstros Lahama, Kugalgal "berradores" e os
"gigantes celestes" Enunun. Todos pertenciam, aparentemente, à
classe de criaturas chamadas Enkum - "parte humanas, parte
animais" segundo uma interpretação por Margaret Whitney Green
(Eridu na Literatura Suméria) -, que pareciam, talvez, com os
temíveis "grifos” (fig. 97), que foram criados para guardar tesouros
do templo.

Um encontro com um batalhão de tais seres é narrado num texto
conhecido como A Lenda de Naram-Sin; ele era o neto de Sargão I
(fundador da dinastia acadiana) e empenhado em várias campanhas
militares - sob as ordens dos deuses enlilitas, segundo seus anais.
Porém, pelo menos em uma oportunidade, quando os oráculos
divinos desencorajaram atitudes belicosas, ele assumiu a
responsabilidade da ações. Foi então que uma haste de "espíritos"
foi enviada contra ele, aparentemente por uma decisão ou ordem de
Shamash. Eles eram:
Guerreiros com corpo de pássaros das cavernas,
uma raça com rosto de corvos.
Os grandes deuses os criaram;
na planície dos deuses construíram para eles uma cidade.
Estarrecido pela aparência e natureza deles, Naram-Sin instruiu um
de seus oficiais para espionar um desses seres e atingir um deles
com sua lança. "Se sair sangue, são homens como nós", disse o rei;
"se não sair sangue, são demônios, criaturas criadas por Enlil". (O
relatório do oficial dizia que ele viu sangue, portanto Naram-Sin
ordenou um ataque; nenhum de seus soldados retornou vivo.)
Especialmente destacada entre os demônios parte antropomórficos
parte pássaros foi a fêmea Lilith (fig. 98), cujo nome significava "Ela
da noite" e "A que uiva", e segundo a crença (ou como alguns
preferem, superstições), ela durou milênios, provocando homens até
a morte e arrancando os recém-nascidos das mães. Embora em
algumas lendas judaicas pós-bíblicas ela fosse consorte do malévolo
Zu (ou AN.ZU, "O Celestial Zu"), na história suméria conhecida como
Inana e a Árvore Haluppu, a árvore incomum era habitação tanto do
Anzu meio-pássaro quanto da "dama escura" Lilith. Quando a árvore
foi cortada a fim de fazer móveis para Inana e Shamash, Anzu voou
e Lilith "fugiu para partes desertas e desabitadas".
Com a passagem do tempo e os próprios deuses tornando-se mais
distantes e menos visíveis, os "demônios" foram culpados por todas
as doenças, pelos infortúnios e azares. Fizeram-se encantamentos
agradáveis aos deuses para exorcizar os maléficos; foram
fabricados amuletos (para serem usados ou fixados às portas) cujas
"palavras sagradas" eram capazes de desafiar o demônio
representado no amuleto - uma prática que continuou bem depois da
época pré-cristã (fig. 99) e persistiu depois.
Por outro lado, em épocas pós-bíblicas e na idade helenística que se
seguiu às conquistas de Alexandre, os anjos como imaginamos
atualmente vieram a dominar as crenças populares e religiosas. Na
Bíblia Hebraica, apenas Gabriel e Miguel são mencionados, no Livro
de Daniel, dos sete arcanjos listados em épocas pós-bíblicas. As
histórias angélicas no Livro de Enoque e em outros livros apócrifos
foram apenas a fundação de uma ampla gama de anjos que
habitavam os vários céus e executavam as ordens divinas -componentes de uma angelologia que cativou a imaginação e os
anseios humanos desde então. E até hoje, quem não deseja seu
Anjo da Guarda?
As Duas Faces de Plutão
A menção mais antiga a Usmu é na Epopéia da Criação, na parte
que trata da modificação do Sistema Solar por Nibiru/Marduk depois
da colisão celeste. Tendo rachado Tiamat, desviando a metade
intacta para ser a Terra (com sua companheira, a Lua) e criando
com a metade despedaçada o cinturão de asteróides entre Marte e
Júpiter (e os cometas), o invasor agora voltava sua atenção aos
planetas externos.
Lá, Gaga, um satélite de Anshar (Saturno), foi arrancado de sua
órbita para ''visitar'' os outros planetas. Agora, Nibiru/Marduk,
contemplando o planeta que o havia "gerado" em primeiro lugar -Nudimmud/Ea (o que chamamos Netuno) -, apresentou o pequeno
planeta como "presente à esposa de Ea, Damkina: "Para Damkina,
sua mãe, ele o ofereceu como um alegre presente; como Usmu ele o
levou a ela num local desconhecido, confiando a ele a chancelaria
das Profundezas".
O nome sumério desse deus planetário, Isimud, significa "na ponta,
no extremo". O nome acadiano, Usmu, significa "Duas Faces". De
fato, trata-se de uma perfeita descrição da estranha órbita do planeta
mais distante (excluindo Nibiru). Não apenas a órbita é incomum
pelo fato de ser inclinada em relação ao plano orbital dos planetas
regulares em nosso Sistema Solar - também é de tal forma que leva
Plutão para fora, além de Netuno, o resto do tempo (veja a ilustração
da página seguinte). Plutão, assim, mostra duas faces a seu
"mestre" Enki/Netuno: uma quando está além dele, outra quando
está em frente.
Os astrônomos têm especulado, desde a descoberta de Plutão em
1930, que presumivelmente já tenha sido satélite de Netuno; porém,
de acordo com a Epopéia da Criação, foi de Saturno. Os
astrônomos, entretanto, não podem explicar a estranha órbita
inclinada de Plutão. A cosmogonia suméria, revelada pelos
Anunnaki, possui a resposta, foi Nibiru...

12
A MAIOR TEOFANIA
Imagine que extraterrestres, tendo observado acontecimentos na
Terra, resolveram estabelecer contato com os terrestres. Usando
sua tecnologia avançada para comunicar-se, eles chamam os
dirigentes das nações para que desistam e cessem as guerras e a
opressão, a fim de terminar a escravidão humana e trazer a
liberdade para a humanidade.
Porém as mensagens são tratadas como brincadeiras, pois os
líderes políticos e sábios acadêmicos sabem que os Ovni são uma
piada, e se existisse vida inteligente em outros pontos do Universo,
ficaria a muitos anos-luz da Terra. Assim, os extraterrestres
recorrem a "milagres", aumentando seu impacto sobre a Terra e
seus habitantes em maravilhas cada vez mais fabulosas, até que
recorrem à maior demonstração de força: parar a rotação da Terra –
onde era dia na Terra, o Sol não se pôs; onde era noite, o Sol não
nasceu.
Concentrando dessa forma a mente dos terrestres e de seus líderes,
os extraterrestres decidem que é chegada a hora de se mostrar.
Urna enorme espaçonave em forma de disco aparece nos céus da
Terra; envolta em brilho, flutua sobre raios de luz. Seu destino é a
mais poderosa capital do planeta. Lá, aterrissa à vista de uma
enorme multidão estupefata. Urna abertura se revela
silenciosamente e surge uma luz extremamente brilhante. Um
enorme robô sai, avança e pára. À medida que as pessoas caem de
joelhos com medo do desconhecido, uma figura humanóide aparece
- o verdadeiro extraterrestre. "Eu trago a paz", afirma ele.
Na verdade, o cenário acima não precisa ser imaginado, pois é a
parte principal de um filme de 1952, chamado O Dia em Que a Terra
Parou, no qual o memorável Michael Rennie interpretava o
extraterrestre que saiu da nave em Washington D.C. e pronunciou
sua famosa frase.
Na verdade, o cenário acima não precisa ser o roteiro de um filme de
ficção científica; já o descrevemos - em essência, se não em
detalhes - e realmente aconteceu. Não em tempos modernos, mas
na Antiguidade; não nos Estados Unidos, e sim no Oriente Médio; e
na seqüência real, a Terra parou não antes, mas algum tempo
depois que a espaçonave apareceu.
Foi, sem dúvida, o maior Encontro Divino na memória humana - a
maior teofania jamais registrada, testemunhada por uma multidão de
não menos do que 600 mil pessoas.
O local da teofania foi o monte Sinai, o "Monte dos Elohim", na
península do Sinai; a ocasião foi a entrega das Leis da Aliança aos
Filhos de Israel, o ponto alto do Êxodo do Egito, repleto de milagres.
Uma breve revisão da cadeia de eventos que culminou no Êxodo
ajudaria; foi um caminho cujos marcos foram os Encontros Divinos.
Abraão - ainda chamado, na Bíblia, por seu nome sumério mudou-se com seu pai, Terah (um sacerdote de um oráculo, a julgar pelo
significado de seu nome), de Ur, na Suméria, para Haran, no Alto
Eufrates. Pelos nossos cálculos, isso aconteceu em 2.096 a.C.,
quando o grande rei sumério Ur-Namu morreu inesperadamente e o
povo queixou-se de que a morte ocorreu porque "Enlil mudou a
palavra" dada a Ur-Namu. Contra um cenário de preocupação
crescente na Suméria com cidades "pecadoras" no oeste, ao longo
da costa do Mediterrâneo, Abrão/Abraão recebeu a ordem de Iavé
para mover-se na direção sul com sua família, servos e rebanhos
para posicionar-se no Neguev, a área desértica que circunda o Sinai.
A mudança ocorreu com a morte do sucessor de Ur-Namu, (Shulgi),
em 2.048 a.C, quando o patriarca hebreu tinha 75 anos de idade. Foi
no mesmo ano que Marduk, em preparação para conseguir
supremacia entre os deuses, chegou à terra dos Hititas, norte da
Mesopotâmia.
Ao encontrar uma fome causada pela seca, Abraão continuou até o
Egito. Lá, ele foi recebido pelo faraó - o último faraó da X dinastia do
norte, que poucos anos depois (em 2.040 a.C) foi derrubado pela
princesa e pelos sacerdotes de Tebas, ao sul.
Dois anos antes, em 2042 a.C. segundo nossos cálculos, Abraão
voltou ao seu posto avançado no Neguev; agora comandava uma
coluna de cavalaria (provavelmente velozes montadores de
camelos). Ele retornou a tempo de evitar um atentado por parte de
uma coalizão de "Reis do Leste" para invadir as terras do
Mediterrâneo e alcançar o Espaçoporto do Sinai. A missão de
Abraão era guardar as aproximações ao Espaçoporto, e não tomar
partido na guerra do Leste contra as nações de Canaã. Mas quando
os invasores rechaçados venceram Sodoma e levaram o sobrinho
de Abraão, Lot, como cativo, ele os perseguiu com a cavalaria até
Damasco, salvou seu sobrinho e o saque. Em sua volta, foi saudado
como vitorioso nas cercanias de Salém (a futura Jerusalém); as
saudações trocadas foram repletas de significado:
E Melquisedeque, rei de Salém,
trouxe pão e vinho,
e ele servia ao Deus Altíssimo.
E o abençoou dizendo:
"Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo,
que entregou os inimigos nas tuas mãos".
E os reis cananeus, que estavam presentes à cerimônia, ofereceram
a Abrão todo o saque, só pedindo os cativos. Porém Abrão recusou
qualquer pagamento, dizendo:
"Eu ergo minha mão ao Eterno,
Deus Altíssimo, Criador do Céu e da Terra:
nem um fio, nem uma correia de sapato
tomarei - nada que é teu".
"E depois dessas coisas" - depois que Abrão realizou sua missão em
Canaã protegendo o Espaçoporto - "manifestou-se a palavra de Iavé
a Abrão, na visão" (Gênesis 15:1). "Não temas, Abrão", disse o
Senhor, "Eu serei teu escudo, teu prêmio é muito grande". Mas
Abrão respondeu que na ausência de um herdeiro, que valor teria
qualquer recompensa? Então "eis que foi a palavra de Iavé a ele",
assegurando que ele teria seu filho natural, e sua descendência
seria tão numerosa quanto as estrelas do céu, e que herdaria a terra
onde pisava.
Para não deixar dúvida na mente de Abrão de que essa promessa
se realizaria, a divindade fala a ele, revelando sua identidade para
Abrão sem filhos. Até então, tínhamos de aceitar a palavra da Bíblia
de que era Iavé quem falava ou aparecia a Abrão. Agora, pela
primeira vez, o Senhor se identifica pelo nome:
"Eu sou Iavé
que te tirei de Ur dos caldeus
para dar-te esta terra por herança."
E disse Abrão:
"Meu Senhor Iavé,
como saberei que a hei de herdar?".
Então, para convencer um Abrão cheio de dúvidas, "contratou Iavé
com Abrão uma aliança, dizendo: À tua semente dei esta terra,
desde o rio do Egito até o Eufrates, o grande rio".
A "celebração da Aliança" entre Iavé - "Deus Supremo, Criador do
Céu e da Terra" - e o patriarca abençoado envolveu um ritual mágico
do qual não se encontra nada parecido na Bíblia, nem antes nem
depois. O patriarca foi instruído para tomar um novilho, uma cabra,
um carneiro, uma rolinha e um pombo, cortá-los ao meio e colocar
os pedaços um em frente ao outro. "E foi quando o sol estava para
se pôr, um sono pesado caiu sobre Abrão, e eis que medo e grande
escuridão caíram sobre ele." A profecia - um destino pelo qual Iavé
declarou-se comprometido - foi então proclamada: depois de uma
estada de quatrocentos anos no cativeiro numa terra estranha, os
descendentes de Abrão herdarão a Terra Prometida. Assim que o
Senhor pronunciou essa profecia, "um forno fumegante e uma tocha
de fogo passaram por estas metades". Nesse dia, afirma a Bíblia,
"contratou Iavé com Abrão uma aliança".
(Cerca de quinze séculos mais tarde, o rei assírio Asaradão,
"procurando a decisão dos deuses Shamash e Adad, prostrou-se
com reverência". Para obter uma "visão em relação à Assíria,
Babilônia e Nínive", o rei escreveu, "Coloquei as partes dos animais
sacrificados nos dois lados; os sinais do oráculo estavam em perfeita
concordância e me deram uma resposta favorável". Mas, nesse
caso, não havia fogo divino entre as partes dos animais
sacrificados.)
Com a idade de 86 anos, Abrão teve seu filho, com a criada Hagar,
mas não com sua esposa Sarai (como ela ainda era chamada por
seu nome sumério). Foi treze anos mais tarde, na véspera de
eventos importantes em relação a deuses e homens, que Iavé
"apareceu a Abrão" e preparou-o para a nova era: a mudança de
nomes do sumério Abrão e Sarai para o semita Abraão e Sara, e a
circuncisão de todos os homens como sinal de uma aliança eterna.
Foi em 2.024 a.C., pelos nossos cálculos (baseados em
sincronismos com as cronologias suméria e egípcia), que Abraão
testemunhou a revolta de Sodoma e Gomorra, seguida pela visita de
Iavé e os dois anjos. A destruição, conforme descrevemos em As
Guerras de Deuses e Homens, foi apenas um evento periférico em
relação ao principal - a vaporização, com armas nucleares, do
Espaçoporto no centro da península do Sinai, por Ninurta e Nergal a
fim de privar Marduk de instalações espaciais. O resultado não
intencional do holocausto nuclear foi o deslocamento da nuvem
mortal para o leste; causou morte (mas não destruição) na Suméria,
levando a um fim amargo a grande civilização.
Agora, apenas Abrão/Abraão e sua semente - seus descendentes -permaneceram para levar adiante as tradições antigas, para "chamar
o nome de Iavé" e manter a ligação sagrada com o início dos
tempos.
Para permanecer intocado pela radiação nuclear, Abraão recebeu a
ordem de sair do Neguev (a área desértica ao redor do Sinai) e
procurar abrigo próximo à costa do Mediterrâneo, na terra dos
filisteus. Um ano depois do evento, Isaac nasceu a Abraão, por sua
esposa e meia-irmã, Sara, conforme Iavé previra.
Trinta e sete anos depois Sara morreu e o velho patriarca ficou
preocupado com sua sucessão. Temendo morrer antes de ver seu
filho Isaac casado, fez com que o chefe de seus criados jurasse "por
Iavé, o Deus do Céu e o Deus da Terra", que de jeito algum ele
arranjasse para Isaac um casamento com uma cananéia.
Para certificar-se, enviou-o para Haran, no Alto Eufrates, a fim de
conseguir para Isaac uma noiva entre os parentes que lá ficaram.
Com a idade de 40 anos Isaac casou-se com sua noiva estrangeira,
Rebeca; vinte anos depois ela lhe deu dois filhos, Esaú e Jacó. O
ano, por nossos cálculos, era 1.963 a.C.
Algum tempo depois, quando os meninos cresceram, "houve fome
na terra, além da fome primeira que ocorrera na época de Abraão".
Isaac pensou em imitar o pai indo até o Egito, cuja agricul tura não
dependia das chuvas, e sim da elevação anual das águas do Nilo.
Mas, para fazer isso, ele teria de atravessar o Sinai, e isso
aparentemente ainda era perigoso, mesmo décadas depois da
explosão nuclear. Então "apareceu-lhe Iavé", que o instruiu para não
ir ao Egito; em vez disso, deveria ir até Canaã, para uma região
onde se podia cavar poços para obter água. Lá, Isaac e sua família
permaneceram por muitos anos, tempo suficiente para que Esaú
casasse com habitantes locais e Jacó fosse até Haran, onde casou
com Lia e Raquel.
Com o tempo, Jacó teve vinte filhos: seis com Lia, quatro com
concubinas e dois com Raquel: José e o mais novo, Benjamim (em
cujo parto Raquel morreu). Um deles, José, era o favorito; então
seus irmãos mais velhos, com inveja de José, o venderam a
mercadores ismaelitas que iam para o Egito. Assim a profecia divina,
sobre a permanência dos descendentes de Abraão em terras
estrangeiras, começava a cumprir-se.
Por meio de uma série bem-sucedida de interpretações de sonhos,
José tornou-se Ouvidor do Egito, encarregado da tarefa de preparar
a terra durante sete anos de fartura para sete anos de fome em
seguida. (É nossa crença que em sua ingenuidade José usou uma
depressão natural para criar um lago artificial e enchê-lo de água
quando o Nilo ainda se elevava, e depois utilizar essa água para
irrigar a terra seca. O lago, encolhido, ainda irriga a maior parte da
área fértil do Egito, chamada Elfaium; o canal que liga o lago ao Nilo
ainda é chamado de O Canal de José.)
Quando a fome se tornou difícil de suportar, Jacó enviou seus outros
filhos (com exceção de Benjamim) ao Egito para trazer ali mento -onde descobriram, depois de vários encontros dramáticos com o
Ouvidor, que ele não era outro senão seu irmão mais moço, José.
Revelando a eles que a fome duraria mais cinco anos, José lhes
disse para retornarem e trazerem para o Egito seu pai e o irmão que
faltava, assim como o restante das posses de Jacó. Pelos nossos
cálculos, o ano era 1.833 a.C., e o faraó reinante era Amenemés III,
da XX dinastia.
(Uma representação encontrada numa tumba daquela época
representa um grupo de homens, mulheres e crianças com alguns
animais domésticos chegando ao Egito. Os imigrantes eram
representados acompanhados da inscrição "asiáticos" (fig. 100);
suas túnicas coloridas, representadas em cores vivas, apresentam
um padrão de listras que José usara quando em Canaã. Embora os
Asiáticos aqui representados não sejam necessariamente a
caravana de Jacó e sua família, a pintura mostra a aparência que
deviam ter.)
A presença de Jacó no Egito é diretamente mencionada, segundo A.
Mallon em Os Hebreus no Egito, também em várias inscrições em
escaravelhos que representam o nome Ia'a-cob (o nome hebraico
para Jacó). Escrito algumas vezes no interior de um cartucho real
(fig. 101), é soletrado em hieróglifos Ii-A-Q-B com o sufixo H-R, for-necendo à inscrição o significado "Jacó está satisfeito" ou "Jacó está
em paz".
Jacó tinha 130 anos de idade quando os Filhos de Israel começaram
sua permanência no Egito, a qual, conforme a profecia, terminaria
em escravidão quatrocentos anos mais tarde. Com a morte e o
enterro de Jacó e a subseqüente morte de José, o Livro do Gênesis
se encerra.
O Livro do Êxodo retoma a história, séculos mais tarde, quando
"levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conheceu a José".
Nos séculos intermediários muita coisa aconteceu no Egito. Houve
guerras civis, a capital mudou para o sul e para o norte, a era do
Reinado do Meio passou, o assim chamado Segundo Período
Intermediário, de caos, aconteceu. Em 1.650 a.C., o Novo Reinado
começou com a XVII dinastia, e, em 1.570 a.C., a renomada XVIII
dinastia assumiu o trono faraônico em Tebas, no Alto Egito (ao sul),
deixando-nos seus magníficos monumentos, templos e estátuas em
Kamak e Luxor, assim como as esplêndidas tumbas escavadas na
montanha, no Vale dos Reis.
Muitos dos nomes escolhidos pelos faraós dessas novas dinastias
eram epítetos com os quais eles afirmavam sua condição de
semideuses; como o nome Ra-Ms-S (Ramsés), que significava "Do
deus Rá emanado". O fundador da XVI dinastia chamava a si
mesmo Ah-Ms-S (Ah-Mósis) (fig. 102), significando "Do deus Ah
emanado" (sendo Ah o nome do deus da Lua). Essa nova dinastia
começou o Novo Reinado, que, como sugerimos, esqueceu tudo
sobre José depois da passagem de cerca de três séculos. Em
concordância, um sucessor de Ahmósis chamado Tehuti-Ms-S (fig.
102b) (Tutmés ou Tutmósis I) - "Do deus Tot emanado" - foi,
concluímos, o governante na época em que a história de Moisés e
os eventos do Êxodo começaram.
Foi esse faraó que, usando o poder de um Egito revigorado e
fortalecido, enviou seus exércitos para o norte até o Alto Eufrates a
região onde os descendentes de Abraão haviam ficado e se
desenvolvido. Reinou de 1.525 a 1.512 a.C. e foi, conforme
sugerimos em As Guerras de Deuses e Homens, quem temeu que
os Filhos de Israel aderissem à luta em apoio a seus parentes do
Eufrates. Impôs trabalho pesado aos israelitas e ordenou que
qualquer recém-nascido do sexo masculino fosse morto ao nascer.
Foi em 1513 a.C. que um hebreu levita e sua esposa também levita
tiveram um filho. Temendo que fosse assassinado, a mãe o
acomodou num cesto de papiros impermeabilizado e o colocou no
rio Nilo. Acontece que a corrente carregou o cesto para onde a filha
do faraó se banhava; ela acabou por adotar o menino como filho, "e
o chamou Moisés" - Mosché em hebraico. A Bíblia explica que ela o
chamou assim porque ele fora "das águas extraído". Não temos
dúvida, porém, de que a filha do faraó deu ao menino o epíteto
comum em sua dinastia, com o componente Mss (Mose, Mósis),
com um prefixo que, acreditamos, a Bíblia prefere omitir.
A cronologia sugerida por nós, ao colocar o nascimento de Moisés
em 1513 a.C., combina a história bíblica com a cronologia egípcia e
com uma rede de intrigas e lutas pelo poder na corte do Egito.
Filha única de Tutmés I e sua esposa meia-irmã, chamada
Hatshepsut, realmente ela ostentava o título exclusivo de Filha do
Faraó. Quando Tutmés I morreu, em 1.512 a.C., o único herdeiro era
um filho nascido de uma das concubinas do harém. Ao subir ao
trono como Tutmés II, ele casou com sua meia-irmã Hatshepsut para
conseguir legitimidade para si mesmo e para os filhos. Porém esse
casal só teve filhas, e o único filho do rei foi com uma concubina.
Tutmés II reinou por pouco tempo, apenas nove anos. Assim,
quando ele morreu, o filho - o futuro Tutmés III - era apenas um
menino, jovem demais para ser faraó. Hatshepsut foi indicada como
Regente, e depois de alguns anos coroou-se rainha - um faraó
feminino (que chegou a ordenar que suas imagens esculpidas a
representassem com uma barba falsa). Como se pode imaginar, foi
nessas circunstâncias que a inimizade entre o filho do rei e o filho
adotado da rainha se criou e intensificou-se.
Finalmente, em 1.482 a.C., Hatshepsut morreu (ou foi assassinada),
e o filho da concubina assumiu o trono como Tutmés III. Não perdeu
tempo em partir para conquistas estrangeiras (alguns estudiosos se
referem a ele como o "Napoleão do Egito antigo") e opri mir os
israelitas. "E foi naqueles dias que cresceu Moisés e foi ter com seus
irmãos e viu suas pesadas tarefas". Ao matar um feitor egípcio, deu
ao rei uma desculpa para decretar sua morte. "E Moisés fugiu da
presença do faraó e deteve-se na terra dos midianitas", na península
do Sinai. Acabou por casar com a filha do sacerdote midianita.
"E foi naqueles dias que morreu o rei do Egito; e suspiraram os
Filhos de Israel pelo trabalho e gemeram, e subiram os seus
clamores a Elohim pelo trabalho. E ouviu Elohim os seus gemidos e
lembrou-se Elohim de sua aliança com Abraão, com Isaac e com
Jacó. E viu Elohim os Filhos de Israel e levou em conta."
Quase quatrocentos anos se passaram desde que o Senhor falara
pela última vez a Jacó "numa visão noturna", até que ele viesse a
olhar para os filhos de Jacó/Israel gemendo em seu cativeiro. Que o
Elohim mencionado era Iavé se toma claro na narrativa
subseqüente. Onde estava ele durante esses longos quatro séculos?
A Bíblia não diz; mas é uma questão a ser ponderada.
Seja como for, era chegado o momento para uma ação dramática.
Como a narrativa bíblica deixa claro, essa corrente de novos
desenvolvimentos foi iniciada pela morte do faraó "depois de um
longo tempo" de reinado. Dos registros egípcios consta que Tutmés
li, que ordenara a morte de Moisés, faleceu em 1.450 a.C. Seu
sucessor ao trono, Amenhotep II, era um governante fraco, que teve
problemas para manter o Egito unido; com sua ascensão ao trono, a
sentença de morte contra Moisés havia expirado.
Foi então que Iavé chamou Moisés do interior da Sarça Ardente,
dizendo que Ele decidira "descer e salvar" os israelitas de seu jugo
no Egito e liderá-los de volta à Terra Prometida, e dizendo a Moisés
que ele fora escolhido para ser o embaixador divino para conquistar
a liberdade do povo perante o faraó e liderar os israelitas em seu
Êxodo para fora do Egito.
No capítulo 3 do Êxodo ficamos sabendo que isso aconteceu
quando Moisés estava pastoreando os rebanhos do sogro, "conduziu
o rebanho para trás do deserto, veio ao monte dos Elohim, em
Horeb" e viu lá o espinheiro queimando sem se consumir;
aproximou-se então para verificar aquele fato incrível.
A narrativa bíblica se refere ao "Monte dos Elohim" como se fosse
um local conhecido; o incomum do evento não foi que Moisés tenha
levado para lá o rebanho, nem que lá houvesse espinheiros como a
sarça. O aspecto excepcional foi que o espinheiro estivesse
queimando sem se consumir!
Foi apenas o primeiro de uma série de impressionantes atos
mágicos que o Senhor empregou para convencer Moisés, os
israelitas e o faraó da autenticidade de sua missão e da
determinação divina que a motivava. Para esse propósito, Iavé
concedeu a Moisés três atos mágicos: seu cajado podia virar um
cobra, depois voltar a ser cajado; sua mão podia ser leprosa e voltar
a ser saudável; e ele podia derramar água do Nilo no solo e este
continuava seco. "As pessoas que desejavam sua morte estão todas
mortas", disse Iavé a Moisés; não temas; enfrenta o novo faraó e
realiza as mágicas que concedi, e dize a ele que os israelitas devem
ir livres para adorar seu Deus no deserto. Como auxiliar, Iavé indicou
Aarão, irmão de Moisés, para o acompanhar.
No primeiro encontro com o faraó, o rei não se deixou convencer.
"Quem é Iavé para que eu atenda seu chamado e liberte os
israelitas? Não conheço Iavé e também não libertarei os israelitas."
E em vez de libertar os israelitas, dobrou e triplicou sua cota de
tijolos. Quando as mágicas com o cajado não impressionaram o
faraó, Moisés foi instruído pelo Senhor a começar a série de pragas -"golpes", se formos traduzir literalmente a palavra hebraica -, que
aumentaram em severidade quando o rei a princípio se recusou a
libertar os israelitas; depois vacilou, depois concordou e mudou de
idéia. Dez ao todo, foram desde a transformação das águas do Nilo
em sangue por uma semana, passando pela infestação do rio e
lagos com sapos; infestação de percevejos nas pessoas e pestes no
gado; devastação por granizo, enxofre e gafanhotos; e uma
escuridão que durou três dias. Quando nada disso conseguiu a
liberdade dos israelitas, quando todas as "maravilhas de Iavé"
falharam, veio o último e decisivo golpe: todos os primogênitos do
Egito, homens e gado, foram exterminados "quando Iavé passou
pela terra do Egito. Mas as casas dos israelitas, marcadas com
sangue nas portas, foram poupadas. Naquela mesma noite, o faraó
os deixou sair da terra do Egito; desde então esse evento é
comemorado até hoje pelos judeus como a Pesach, a Páscoa
Hebraica. Aconteceu na noite do décimo quarto dia do mês de
Nissan, quando Moisés tinha oitenta anos de idade - em 1.433 a.C.
segundo nossos cálculos.
O Êxodo do Egito se iniciou - porém não foi o final dos problemas
com o faraó. Quando os israelitas alcançaram a orla do deserto,
onde o conjunto de lagos formava uma barreira aquática além das
fortificações egípcias, o faraó concluiu que os fugitivos estavam
encurralados e enviou carruagens rápidas para capturá-los. Foi
então que Iavé chamou um anjo: "E moveu-se o anjo de Elohim
diante do acampamento de Israel", colocou a si mesmo e um pilar de
nuvens escuras entre os israelitas e os perseguidores egípcios, para
separar os acampamentos. E durante aquela noite, "Iavé retirou o
mar, com um forte vento oriental, a noite toda, e fez do mar terra
seca, e foram divididas as águas. E entraram os Filhos de Israel no
meio do mar, no seco".
De manhã cedo os egípcios tentaram seguir os israelitas através das
águas divididas, mas assim que tentaram isso, a muralha de água os
engolfou e eles pereceram.
Só depois desse evento - artística e vividamente recriado por Cecil
B. DeMille no filme épico Os Dez Mandamentos - é que os Filhos de
Israel se tornaram livres para prosseguir através do deser to e suas
vicissitudes até a ponta da península do Sinai - o tempo todo
guiados pelo Pilar Divino, que era uma nuvem escura durante o dia e
uma chama brilhante à noite. Água e comida foram milagrosamente
providenciadas, e ainda havia uma guerra com inimigos amalecitas.
Finalmente, "no terceiro mês", chegaram ao deserto do Sinai e
"acampou ali Israel em frente ao monte".
Haviam chegado ao destino predeterminado: o "Monte dos Elohim".
A maior de todas as teofanias estava a ponto de começar.
Houve preparações e estágios nesse Encontro Divino memorável e
único, e um preço a pagar por suas testemunhas escolhidas, que
começaram com "Moisés subiu a Elohim" e "chamou-o Iavé do
monte", para ouvir as condições para a Teofania e suas
conseqüências. Moisés recebeu instruções para repetir aos Filhos
de Israel as palavras exatas do Senhor.
Agora, se ouvirdes atentamente minha voz
e guardardes minha Aliança,
sereis para Mim o tesouro de todos os povos,
porque toda a Terra é minha.
E vós sereis para mim um reino de sacerdotes
e um povo santo.
Antes disso, quando Moisés recebera sua missão no mesmo monte,
Iavé afirmara sua intenção de "adotar os Filhos de Israel como seu
povo", e em troca "ser Elohim para eles". Agora o Senhor explicava
esse "acordo" envolvendo a Teofania - um evento único pelo qual os
israelitas se tomariam um Povo Eleito, consagrado a Deus.
"E veio Moisés, chamou os anciãos do povo e expôs diante deles
todas estas palavras que lhe ordenara Iavé. E respondeu todo o
povo conjuntamente, dizendo: tudo o que falou Iavé, faremos. E
Moisés levou as palavras do povo a Iavé."
Tendo recebido essa aceitação, "Iavé disse a Moisés: Eis que venho
a ti na espessura da nuvem, para que ouça o povo enquanto Eu falo
contigo, e também em ti crerão para sempre". E o Senhor ordenou a
Moisés que santificasse o povo e o aprontasse para dali a três dias,
informando-os que "no terceiro dia descerá Iavé aos olhos de todo o
povo sobre o monte Sinai".
A aterrissagem, conforme Iavé indicou a Moisés, iria criar um perigo
para todos que se aproximassem muito. Disse a Moisés: "Marcarás
limites ao povo em redor" do monte, para que mantivessem
distância, dizendo a eles que não ousassem subir, ou mesmo tocar
os limites do monte, pois "todo aquele que tocar o monte certamente
será morto".
Quando essas instruções foram seguidas, "foi no terceiro dia, ao
raiar da manhã" que a prometida Aterrissagem de Iavé sobre o
monte dos Elohim começou. Foi envolta em fumaça e fogo: "E houve
relâmpagos e trovões e nuvens pesadas por todo o monte, e o som
de shofar muito forte; e estremeceu todo o povo que estava no
acampamento" .
Quando começou a descida do Senhor Iavé, "Moisés levou o povo
do acampamento ao encontro de Elohim, e ficaram ao pé do monte",
no limite que Moisés marcara ao redor do monte.
E o monte Sinai fumegava todo
porque apareceu sobre ele Iavé em fogo.
E subiu sua fumaça como fumo de fornalha,
e estremeceu muito todo o monte.
E o som do shofar foi andando e aumentando muito.
Moisés falava, e Elohim lhe respondia em voz alta.
(O termo shofar, associado nesse texto com os sons que emanavam
do monte, é em geral traduzido como "trombeta". Literalmente,
entretanto, significa "amplificador" - um dispositivo, acreditamos,
para que a multidão israelita, ao pé da montanha, escutasse a voz
de Iavé e sua conversa com Moisés.)
Assim procedeu Iavé, à vista de todas as pessoas - 600 mil delas -"E desceu Iavé sobre o monte Sinai, no cume do monte, e chamou
Iavé a Moisés, ao cume do monte, e subiu Moisés."
Então, do alto do monte, do interior da densa fumaça, "falou Elohim
todas essas palavras: "pronunciando em seguida os Dez
Mandamentos - a essência da fé judaica, um guia de justiça social e
moralidade humana: um sumário da Aliança entre o Homem e Deus,
todos os ensinamentos divinos expressos de modo sucinto.
Os primeiros três Mandamentos estabelecem o monoteísmo,
proclamam Iavé como o Elohim de Israel, Deus único, e proibia a
fabricação de ídolos e sua adoração:
I - Eu sou Iavé, teu Elohim, que te tirei da terra
do Egito, da casa dos escravos.
II - Não terás outros deuses além de mim; não farás para
ti imagem de escultura, figura alguma do
que há em cima, nos céus e abaixo, na terra, e
nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás
diante delas nem as servirás...
III - Não proferirás o nome de Iavé, teu Elohim, em vão.
A seguir veio um Mandamento cuja intenção é exprimir a santidade
do Povo de Israel e sua aceitação de um padrão de vida mais
elevado, ao guardar um dia da semana para ser o Sabá - um dia
devotado à contemplação e ao descanso, aplicado da mesma forma
a todas as pessoas, tanto humanos como seus animais:
IV - Seis dias trabalharás e farás toda tua obra; e no
sétimo dia, o sábado de Iavé, teu Elohim, não
farás nenhuma obra tu, teu filho, teu servo, tua
serva, teu animal e o peregrino que estiver em tuas cidades.
O quinto Mandamento afirmativo estabelece a unidade da família
assim como a unidade humana, liderada pelo patriarca e pela
matriarca:
V - Honrarás teu pai e tua mãe, para que se prolonguem
teus dias sobre a Terra que Iavé, teu Elohim, te dá.
A seguir vêm os cinco Mandamentos negativos, que estabelecem o
código moral e social entre o Homem e o Homem, em vez de, como
no início, entre o Homem e Deus.
VI - Não matarás.
VII - Não cometerás adultério.
VIII - Não furtarás.
IX - Não darás falso testemunho contra teu próximo.
X - Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a
mulher do teu próximo nem seu servo, sua serva, seu
boi, seu asno e tudo que seja do teu próximo.
Muito foi dito, em livros incontáveis, sobre as Leis de Hamurábi, o rei
babilônio do século XVIII a.C. que ele gravou numa estela
(atualmente no Museu do Louvre), sobre a qual o monarca é
mostrado recebendo as leis do deus Shamash. Mas se tratava
apenas de uma lista de crimes e castigos correspondentes. Mil anos
antes de Hamurábi, os reis sumérios estabeleceram leis de justiça
social não tomarás o jumento de uma viúva, decretaram eles, nem
adiarás o salário de um trabalhador diarista (para citar dois
exemplos). Porém nunca antes (e talvez nem depois) dez
mandamentos afirmaram, com tanta clareza, todos os essenciais
que um povo íntegro e qualquer ser humano possam usar para se
guiar!
Escutar a retumbante voz divina vinda do alto do monte deve ter sido
uma experiência impressionante. De fato, lemos que "todas as
pessoas viam trovões, as tochas e o monte fumegando, escutaram o
som do shofar; e viu o povo e tremeu, e ficou de longe, e disseram a
Moisés: Fala tu conosco e ouviremos, e não fale conosco Elohim,
para que não morramos". Tendo pedido a Moisés para ser o porta-voz das palavras divinas, em vez de ouvi-las diretamente, "o povo
afastou-se; e Moisés caminhou em direção às trevas espessas, onde
estava a glória de Deus".
E disse Iavé a Moisés:
"Sobe a mim, ao monte, e fica ali;
e dar-te-ei as tábuas de pedra,
a lei e os mandamentos que escrevi
para os ensinar".
Assim (Êxodo, capítulo 24), é a primeira menção às Tábuas da Lei e
a asserção de que foram escritas pelo próprio Iavé. Isso é
reafirmado no capítulo 31, em que o número de tábuas é declarado
(duas), "tábuas de pedra, escritas com o dedo de Elohim"; outra vez
no capítulo 32: "tábuas inscritas em seus dois lados; de ambos os
lados estavam inscritas. E as tábuas eram obra de Elohim e a
escritura eram as letras de Elohim, gravadas sobre as tábuas". (Isso
é reafirmado no Deuteronômio. )
Escritos nas Tábuas estavam os Dez Mandamentos, assim como
ordens mais detalhadas para governar o comportamento diário do
povo, algumas regras de adoração de Iavé e proibições estritas
sobre a adoração ou mesmo a pronúncia dos deuses dos vizinhos
de Israel. Tudo o que o Senhor pretendia dar a Moisés como as
Tábuas da Aliança, para ser mantido na Arca da Aliança, que seria
construída de acordo com especificações detalhadas.
O recebimento das Tábuas foi um evento de significância duradoura,
embutido na memória dos Filhos de Israel e portanto necessitando
de testemunhas do mais alto grau. Portanto Iavé instruiu a Moisés
que viesse receber as Tábuas, acompanhado por seu irmão Aarão,
dois filhos de Aarão que eram sacerdotes e setenta anciãos da
aldeia. Eles não puderam subir até o alto (apenas Moisés teve
permissão para isso), mas o suficiente para "ver o Elohim de Israel".
Mesmo então, tudo o que podiam ver era o espaço sob os pés do
Senhor, "obra de pura safira, e como a visão dos céus, em sua
limpidez". Chegando assim tão perto, eles teriam normalmente
perdido suas vidas; porém daquela vez, tendo-os convidado, "Iavé
contra os grandes do povo de Israel não estendeu sua mão". Eles
não foram abatidos e viveram para comemorar o Encontro Divino e
testemunhar Moisés subindo para receber as tábuas:
E subiu Moisés ao monte,
e a nuvem cobriu o monte.
e a glória de Iavé pousou sobre o monte Sinai,
e cobriu-o a nuvem seis dias;
e Ele chamou a Moisés no sétimo dia,
do meio da nuvem...
E entrou Moisés pelo meio da nuvem
e subiu ao monte;
e esteve Moisés no monte por quarenta dias
e quarenta noites.
Desde que as duas tábuas já haviam sido escritas, o longo tempo
que Moisés passou no monte foi usado para instruí-lo sobre a
construção do Tabernáculo, o Mishkan ("Residência"), na qual Iavé
tomaria sua presença conhecida aos Filhos de Israel. Foi então que,
além dos detalhes arquitetônicos dados oralmente, Iavé também
mostrou a Moisés o "modelo estrutural da Residência e o modelo de
todos os instrumentos". Estes incluíam a Arca da Aliança, o baú de
madeira marchetado com ouro, no qual as duas tábuas seriam
guardadas, e no alto da qual os dois Querubins de ouro seriam
colocados; aquilo, explicou o Senhor, seria o Dvir - iteralmente, o
Falador - "Falarei de cima do tampo, de entre os dois Querubins" .
Foi também durante esse Encontro Divino no alto do monte que
Moisés foi instruído sobre o sacerdócio, nomeando os únicos que
podiam aproximar-se do Senhor (além de Moisés) e oficiar no
Tabernáculo: Aarão, irmão de Moisés, e seus quatro filhos. Suas
vestes foram elaboradamente prescritas, em todos os detalhes,
incluindo o Peitoral do Julgamento, contendo doze pedras preciosas
inscritas com os nomes das tribos de Israel. O Peitoral também era
usado para manter no lugar - exatamente sobre o coração do
sacerdote - o Urim e o Tumim. Embora o significado exato dos
termos tenha iludido os estudiosos, fica claro de outras referências
bíblicas (Números 27:21) que serviam como um painel de oráculo
para obter um Sim ou um Não do Senhor como resposta a uma
pergunta. A pergunta que a pessoa queria fazer era colocada
perante o Senhor pelo sacerdote "para pedir a decisão do Urim
perante Iavé, e depois agir de acordo". Quando o rei Saul (I Samuel
28:6) procurou a orientação de Iavé sobre entrar ou não em guerra
contra os filisteus, ele perguntou a Iavé em sonhos, pelo Urim, e por
intermédio dos profetas" .
Enquanto Moisés estava em presença do Senhor, lá no
acampamento sua longa ausência foi interpretada como má notícia,
e o fato de ele não aparecer depois de algumas semanas foi uma
indicação de que talvez ele tivesse perecido ao encontrar Deus;
"quem já ouviu a voz de um Elohim vivo falando do interior do fogo e
ficou vivo?". Então, assim que "o povo viu que Moisés demorava em
descer do monte, dirigiu-se a Aarão e disse-lhe: "Levanta-te, faze-nos deuses que andem diante de nós porque a esse Moisés, o
homem que nos fez subir da terra do Egito, não sabemos o que
aconteceu". Então Aarão, procurando invocar Iavé, construiu um
altar para Iavé e colocou perante este a escultura de um bezerro
folheada a ouro.
Alertado por Iavé, "Moisés desceu do monte, e as duas Tábuas da
Aliança estavam em suas mãos". Quando se aproximou do
acampamento e viu o bezerro de ouro, ficou furioso "e jogou de suas
mãos as tábuas e quebrou-as aos pés do monte; e tomou o bezerro
que fizeram, queimou-o no fogo e o moeu até que se desmanchou
em pó e o espalhou sobre a superfície das águas". Procurando os
instigadores da abominação e tendo-os passado a fio de espada,
Moisés implorou para que o Senhor não abandonasse os Filhos de
Israel. Que se o pecado fosse grande demais, que riscasse a ele,
Moisés, do "livro que escrevestes". Mas o Senhor não se aplacou
completamente, mantendo aberta a opção de retribuição posterior.
"Aquele que pecou contra Mim, riscá-lo-ei do Meu livro."
"E escutou o povo essa coisa ruim e entristeceu-se." O próprio
Moisés, sem forças e desesperado, apanhou sua tenda e a montou
longe do acampamento. "E quando Moisés saía da tenda, levanta va-se todo o povo e punha-se de pé, cada um à entrada da própria
tenda, e olhava Moisés por trás, até ele entrar de novo em sua
tenda." Um sentido de missão fracassada pairava nele e em todos
ao redor.
Mas então um milagre aconteceu; a compaixão de Iavé se tornou
manifesta:
E ao entrar Moisés na tenda,
a coluna da nuvem descia
parava à entrada da tenda
e uma voz falava com Moisés.
E todo o povo via a coluna de nuvens
à entrada da tenda, e todo o povo se levantava
e se prostrava à entrada de sua tenda.
E Iavé falava com Moisés face a face,
como um homem falando com seu companheiro.
Quando o Senhor falou a Moisés do interior da Sarça Ardente,
"escondeu Moisés sua face porque teve medo de olhar para o
Elohim". Os anciãos e os nobres que haviam acompanhado Moisés
para o alto do monte foram apenas até metade e conseguiram ver
somente o pedestal do Senhor - mesmo assim foi espantoso que
não tenham morrido. Ao final dos quarenta anos de andanças, os
israelitas estavam prontos para entrar em Canaã, e Moisés em sua
revisão do Êxodo e da grande Teofania, não deixou de reforçar que
"no dia em que Iavé falou a vós em Horeb, do meio do fogo, não
vistes rosto de nenhum tipo":
E vós chegastes e estivestes ao pé do monte;
e o monte ardia em fogo até o meio do céu,
e havia uma nuvem negra e um denso nevoeiro.
E vos falou Iavé do meio do fogo;
som de palavras ouvistes,
porém rosto algum não vistes -
somente uma voz.
(Deuteronômio 4:11-15)
Isso, obviamente, era um elemento essencial no "que fazer e o que
não fazer" nos encontros com Iavé. Porém naquele instante Deus
falava com Moisés "face a face" - mas ainda no interior do pilar de
nuvens -, Moisés aproveitou o momento para procurar uma rea-firmação em seu papel de líder escolhido pelo Senhor. Pediu para
ver-Lhe o rosto.
Respondendo enigmaticamente, Iavé disse: "Não poderás ver meu
rosto, pois não poderás ver-me o homem e viver".
Moisés pediu outra vez: "Rogo-te, mostra-me Tua glória!".
Iavé disse: "Eis aqui um lugar junto a Mim, e te porás de pé sobre o
penhasco e te protegerei à Minha maneira até que eu tenha
passado; retirarei, depois, a Minha glória e verás minhas costas, e o
meu rosto não será visto".
A palavra hebraica que forneceu o termo "glória" nas traduções, em
todos os locais acima, é Kabod; deriva da raiz KBD, cujo significado
seminal é "peso, pesado". Literalmente, então, Kabod significaria "o
peso, a coisa pesada". Que uma "coisa", um objeto físico, e não uma
glória abstrata seja o significado quando aplicada a Iavé, fica claro
desde a primeira menção na Bíblia, quando os israelenses
"contemplam o Kabod de Iavé", envolvido pela nuvem sempre
presente, depois que o Senhor concedeu o miraculoso maná para a
alimentação diária. No Êxodo 24:16, lemos que o Kabod de Iavé
pousou sobre o monte Sinai e cobriu-o de nuvem por seis dias", até
que, no sétimo dia, Ele chamou Moisés para subir; o verso 17
acrescenta, para aqueles que não estavam presentes, que "a
aparência do Kabod de Iavé era um fogo consumidor no alto do
monte, aos olhos dos Filhos de Israel".
Indicando uma manifestação de Iavé, o termo Kabod também é
usado nos outros cinco livros do Pentateuco - Gênesis, Êxodo,
Levítico, Números e Deuteronômio. Em todos os casos, o chamado
"Kabod de Iavé" é algo concreto que o povo pode enxergar - embora
esteja continuamente envolto numa nuvem, como se estivesse num
nevoeiro escuro.
O termo é repetidamente empregado pelo profeta Ezequiel em suas
descrições da Carruagem Divina (o pedestal é descrito de forma
quase idêntica aos versos que dizem respeito ao que os anciãos de
Israel viram na metade da subida do monte Sinai. A Carruagem,
narra Ezequiel, estava envolta num brilho radiante; aquela, disse ele,
foi a aparição do "Kabod de Iavé". Nessa primeira missão profética
no exílio, estando à margem do rio Khabur, o Senhor dirigiu-se a
Ezequiel num vale, onde "o Kabod de Iavé encontrava-se parado,
um Kabod como jamais se vira antes". Quando Ezequiel foi carrega-do para o alto, a fim de ver Jerusalém, "visões divinas", novamente
ele vê "o Kabod do Deus de Israel, como aquele que vi no vale". E
quando a visita em visão terminou, o "Kabod de Iavé" parou sobre o
Querubim, e o Querubim ergueu suas asas e "ergueu-se da terra",
levando consigo o Kabod.
Ezequiel escreveu que o Kabod possuía uma luminosidade que
brilhava através da nuvem que o escondia, uma espécie de
radiação. Esse detalhe fornece uma idéia nova em face do Encontro
Imediato de Moisés com o Senhor Iavé e seu Kabod. Foi depois que
Iavé controlou sua raiva e disse a Moisés para fazer duas novas
tábuas de pedra, idênticas às duas primeiras que Moisés quebrara, e
depois subir outra vez ao monte Sinai para receber os Dez
Mandamentos e outras instruções. Dessa vez, entretanto, as
palavras foram ditadas a Moisés pelo Senhor. De novo ele passou
quarenta dias e quarenta noites no topo do monte; e Iavé "ficou com
ele lá" - não falando a distância, mediante um Amplificador, "mas
ficando com ele".
E ao descer do monte Sinai,
estando as duas tábuas da Aliança
nas mãos de Moisés em sua descida do monte,
Moisés não sabia que resplandecia a pele de seu rosto
por (Deus) ter falado com ele.
E Aarão e todos os Filhos de Israel,
ao olhar para Moisés, viram que resplandecia
a pele de seu rosto;
e temeram aproximar-se dele.
Então "Moisés pôs um véu sobre o seu rosto”. E ao vir Moisés diante
de Iavé para falar com Ele, tirava o véu até sair; e ao sair, dizia aos
Filhos de Israel o que lhe fora ordenado. E viram os Filhos de Israel
o rosto de Moisés e que resplandecia a pele do rosto de Moisés, e
tomava a pôr Moisés o véu sobre o rosto até entrar para falar com o
Senhor.
Fica evidente nesse trecho que Moisés, quando estava na
proximidade do Kabod, ficava exposto a algum tipo de radiação que
afetava sua pele. O que era exatamente a fonte material dessa
radiação não sabemos, mas sabemos que os Anunnaki podiam e
(costumavam) empregar radiação para uma variedade de
propósitos. Lemos sobre isso na história da Descida de Inana ao
Mundo Inferior, quando ela foi revivida com uma radiação pulsante
(talvez não muito diferente daquela representada numa placa de
cerâmica da Mesopotâmia, na qual o paciente, protegido por uma
máscara, é tratado com radiação – fig. 103). Lemos a respeito disso,
usado como raio mortal, na narrativa de Gilgamesh, quando ele
tentou entrara na Zona Proibida na península do Sinai, e os
guardiões dirigiram o raio para ele. Lemos na História de Zu o que
aconteceu quando ele removeu a Tábua dos Destinos do Centro de
Controle de Missão em Nippur: "A ausência de ação espalhou-se, o
silêncio dominou; o brilho do santuário fora levado".
Um objeto físico, um que se podia mover, parar sobre uma
montanha, elevar-se e decolar, envolto numa nuvem de fumaça
escura, emitindo um brilho - é assim que a Bíblia descreve o Kabod -literalmente. O "objeto pesado" - no qual Iavé se movia. Tudo isso
descreve o que agora chamamos, em nossa ignorância ou
descrença, de Ovni - Objeto Voador Não-Identificado.
A esse respeito, será útil traçar as raízes acadianas e sumérias das
quais deriva a palavra hebraica. Enquanto o acadiano Kabbuttu
significa "peso, pesado", o termo de sonoridade parecida, Kabdu
(similar ao hebraico Kabod) significava "segurador de asa" - algo ao
qual as asas estão presas, ou talvez para onde elas pudessem se
retrair. O termo sumério KI.BAD.DU significava "pairar para um local
distante". Num caso, no qual o trono da divindade é descrito, o
adjetivo HUSH - "brilho vermelho" é usado para descrever o objeto
que "paira longe".
Só podemos especular se o Kabod parecia com o "Divino Pássaro
Preto" de Ninurta, os veículos bulbosos sem asas (ou de asas
retráteis) representados nos murais de Tell Ghassul - ou como no
objeto em forma de foguete que Gilgamesh viu decolar do Local de
Aterrissagem no Líbano (uma subida que, lida em sentido inverso, é
quase uma descrição como as que constam do capítulo 19 do
Êxodo).
Poderia ter semelhança com um ônibus espacial (fig. 104a)
americano? Formulamos tal pergunta em virtude da similaridade
com uma pequena figura, descoberta alguns anos atrás num local na
Turquia (a antiga Tuspa). Feita de argila, mostra uma máquina voa-dora que combina aspectos de um moderno ônibus espacial
(incluindo os tubos de descarga dos jatos), com a cabine de um
avião para uma só pessoa (fig. 104b). A imagem parcialmente
danificada do "piloto", sentado na cabine, assim como a totalidade
da pequena escultura, lembra representações mesoamericanas de
deuses barbados acompanhados por objetos em forma de foguetes
(figs. 104c e 104d). O Museu Arqueológico de Istambul, que guarda
essa peça, não a colocou à mostra; a desculpa oficial é que sua
"autenticidade" ainda não foi estabelecida. Se for autêntica, não
servirá apenas para ilustrar Ovni, mas também para lançar uma luz
na ligação entre o Oriente Médio e as Américas.

Depois que Moisés morreu e Josué foi escolhido pelo Senhor para
liderar os israelitas, estes avançaram ao longo da margem orien tal
do rio Jordão e o atravessaram junto a Jericó; em quase todo o
trajeto foram ajudados por milagres divinos. Um deles, que nossos
estudiosos e cientistas acham difícil de aceitar é a história da batalha
no vale de Gibeão quando - segundo o Livro de Josué, capítulo 10 -o Sol e a Lua pararam por um dia:
E o Sol parou e a Lua ficou
até que o povo se vingou dos inimigos.
De fato, está tudo escrito no Livro de Jashar:
O Sol parou no meio dos céus
e não se apressou para pôr-se
durante um dia inteiro.
O que poderia ter causado a parada do movimento de rotação da
Terra, de forma que o Sol, erguendo-se no leste e a Lua se pondo
no oeste pareceram parar pela maior parte de um dia (de 24 horas)?
Para aqueles que levam ao pé da letra sua fé na Bíblia foi apenas
mais uma intervenção divina a favor do Povo Escolhido de Deus. No
outro extremo ficam aqueles que acreditam ser toda a história uma
lenda, um mito. Entre esses ficam aqueles que, como no caso das
pragas do Egito e da separação das águas no mar Vermelho
(associando-os aos eventos com a explosão do vulcão na ilha de
Thera/Santini no Mediterrâneo), procuram um fenômeno ou uma
calamidade natural como causa. Alguns sugeriram um eclipse
extraordinariamente longo, contudo a Bíblia afirma que havia luz no
dia prolongado, e não que o sol tenha escurecido. Como o longo dia
iniciou-se com "grandes pedras" que caíam do céu, alguns
sugeriram como explicação a passagem próxima de um grande
cometa (Immanuel Velikovsky, em Mundos de Colísão, postulou que
tal cometa fora apanhado na órbita solar e tornou-se o planeta
Vênus).
Tanto textos sumérios quanto os antigos da Babilônia falam de
revoluções celestes observadas nos céus e que exigiam
encantamentos contra os "demônios" celestes. Tratados como
"textos de magia" (por exemplo, Charles Fossey, Textos Mágicos;
Morris Jastrow, As Religiões dos Babilônios e Assírios; e Eric
Ebeling, Tod und Leben) descrevem um "sete ruim, nascido nos
vastos céus, desconhecido no céu, desconhecido na Terra" que
"atacou Sin e Shamash" – a Lua e o Sol, preocupando ao mesmo
tempo Ishtar (Vênus) e Adad (Mercúrio). Antes de 1994 a
possibilidade de que sete cometas "atacassem" nossa região celeste
de uma vez era tão remota que o texto parecia mais uma fantasia do
que uma realidade testemunhada por astrônomos da Mesopotâmia.
Quando, porém, em julho de 1994 o cometa Shoemaker-Levy se
quebrou em 21 pedaços, que caíram em Júpiter em rápida sucessão
- à vista de observadores da Terra -, os textos mesopotâmicos
assumiram uma realidade impressionante.
Teria um cometa se quebrado em sete pedaços e causado celeuma
em nossa vizinhança celeste, caindo aqui e influenciando a rotação
do planeta? Ou, como fez Alfred Jeremias (O Velho Testamento à
Luz do Antigo Oriente Médio), ao reproduzir o que ele chamou de
"um importante texto astral mitológico", aventando a possibilidade de
alinhamento dos sete planetas que, com o resultado da enorme
força gravitacional, afetou o Sol e a Lua da perspectiva da Terra -fazendo com que o Sol e a Lua parecessem ficar parados, todavia a
realidade era que a Terra sofrera uma alteração temporária em suas
rotações.
Quaisquer que sejam as explicações, existe corroboração da
ocorrência em si no outro lado do mundo. Tanto na América Central
como na América do Sul, "lendas" - memórias coletivas - persistiram
a respeito de uma longa noite com cerca de vinte horas de duração,
durante as quais o Sol não se ergueu. Nossas investigações (num
relato completo em Os Reinos Perdidos) concluíram que essa longa
noite ocorreu nas Américas por volta de 1400 a.C. - a mesma época
em que o Sol não se pôs em Canaã por um período de tempo
similar. Desde que um fenômeno seria o oposto do outro, a mesma
causa - qualquer que fosse - que teria feito o Sol parar em Canaã
teria impedido que ele nascesse do outro lado da Terra, nas
Américas.
Lembranças da América Central e do Sul que validam a história do
Dia em que a Terra Parou - não o filme, mas a história bíblica. Não
precisamos nem de ficção científica nem de fantasias para aceitar a
história da maior teofania já ocorrida como o fato que foi.
Circuncisão: Sinal das Estrelas?
Quando Iavé "fez uma Aliança" com Abraão, todos os machos da
sua casa tiveram de ser circuncidados. "E circuncidareis a carne de
vosso prepúcio, e será por sinal de Aliança entre Mim e vós. E com a
idade de oito dias será circuncidado, entre vós, todo varão, nas
vossas gerações... Será minha Aliança em vossa carne, para uma
aliança eterna." (Gênesis 17:11-14). A falha em fazer isso teria
excluído o pecador do povo de Israel.
A circuncisão tinha, portanto, a intenção de ser um "sinal na carne",
único, distinguindo os descendentes de Abraão de seus vizinhos.
Alguns pesquisadores acreditam que a circuncisão era praticada
entre a realeza, no Egito, conforme evidenciado por uma ilustração
(figura da página seguinte) - embora a representação possa ser de
um rito de puberdade, em vez de uma circuncisão religiosa.
Com ou sem precedente, qual era o simbolismo implicado pelo
pedido de Mul (traduzido "circuncidar") os machos hebreus?
Ninguém sabe, na verdade. Inexplicada, também, é a origem do
termo; pesquisadores lingüistas procuraram algum paralelo em
acadiano ou linguagens semitas mais recentes e voltaram de mãos
vazias.
Sugerimos que a resposta ao enigma esteja na origem suméria de
Abraão. Procurando lá, a palavra assume um novo significado, pois
MUL era o termo sumério para "corpo celeste", uma estrela ou um
planeta!
Então, quando Iavé instruiu Abraão para Mul a si mesmo e os outros
machos, podia estar dizendo a ele para colocar o "sinal das estrelas"
em sua carne - símbolo eterno de uma conexão celeste.


13
PROFETAS DE UM DEUS INVISÍVEL
A maior teofania que jamais aconteceu não foi única apenas em seu
alcance - presenciada por 600 mil pessoas - nem apenas em sua
duração - vários meses - nem apenas em suas realizações: a
Aliança entre Deus e o Povo Escolhido e a Proclamação dos
Mandamentos e Leis de impacto duradouro. Revelou também um
aspectochave sobre a divindade - o de Deus Invisível. "Ninguém
pode ver meu rosto e viver", afirmou Ele; mesmo o fato de se
aproximar demais de onde repousava o Kabod constituía um perigo.
Ainda assim, se Ele fosse seguido e adorado, como podia ser
procurado, encontrado e ouvido? Como os Encontros Divinos com
Iavé podiam ocorrer?
A resposta imediata, no deserto do Sinai, era o Tabernáculo, o
Mishkan (literalmente: Residência) portátil, com sua Tenda da
Aliança.
No primeiro dia do primeiro mês do segundo ano do Êxodo, o
Tabernáculo foi completado de acordo com as especificações
detalhadas e exatas, ditadas pelo Senhor a Moisés, incluindo a
Tenda da Aliança com seu Santo dos Santos; lá, separada das
outras áreas por uma cortina pesada, ficava a Arca da Aliança, que
continha as duas Tábuas e sobre as quais as asas dos dois
Querubins de Ouro tocavam-se. Ali, onde as pontas se tocavam,
estava o Dvir - literalmente, o Falador -, pelo qual Iavé conversava
com Moisés.
E quando Moisés completou "todo o seu trabalho, conforme Iavé
ordenou" no dia previsto, uma nuvem grossa aterrissou e encobriu a
Tenda da Aliança. "A nuvem de Iavé", afirma o último verso do Livro
do Êxodo, "estava sobre a Residência durante o dia e um fogo
durante a noite, perante os olhos de toda a casa de Israel, através
de suas jornadas". Só quando a nuvem divina se erguia é que eles
continuavam; mas quando a nuvem não se erguia da Residência,
ficavam no local onde estavam acampados até que a nuvem se
levantasse.
Foi durante um desses períodos de descanso (como afirma o pri-meiro verso no livro seguinte do Pentateuco, o Levítico) que
"chamou Iavé a Moisés e falou-lhe de dentro da Tenda da Aliança".
As instruções cobriam a indicação da Descendência de Aarão como
linhagem dos sacerdotes, e os detalhes precisos sobre as vestes
dos sacerdotes, a consagração e os rituais do sacrifício sagrado
para Iavé.
Mesmo então, logo após a aterrissagem no monte e dentro dos
limites sagrados do Tabernáculo, era do interior de uma nuvem
grossa de fumaça escura, detrás da parte cortinada, de entre os
Querubins, é que a voz de Iavé podia ser ouvida - palavras de um
Deus Invisível. Com todas essas precauções e obscurecendo os
véus, até o sumo sacerdote precisava elevar um cortina de fumaça a
mais, ao queimar uma combinação específica de incensos, antes
que pudesse aproximar-se do véu que protegia a Arca da Aliança; e
quando os dois filhos de Aarão queimaram o incenso errado, criando
um "fogo estranho", um raio de fogo "emanando de Iavé" matou a
ambos.
Foi durante esses períodos de descanso que Moisés foi instruído em
relação a uma longa lista de outras regras e leis - para todos os tipos
de sacrifícios e homenagens ao Senhor por parte das pessoas
comuns, já que todos deveriam ser considerados "uma nação de
sacerdotes"; as relações apropriadas entre os membros da família e
entre uma pessoa e outra prescrevem o tratamento igualitário do
cidadão, do servo e dos estrangeiros. Havia instruções para saber
qual comida era própria e qual era imprópria, e na diagnose e
tratamento de vários males. Repetições exaustivas decretavam a
proibição total de costumes de "outras nações" que fossem
associados com a adoração de "outros deuses" - tal como rapar a
cabeça ou a barba, fazer tatuagens ou sacrificar crianças,
queimando-as no altar. Era proibido "voltar-se para videntes e
feiticeiros", e enfaticamente proibida era a "fabricação de ídolos e
imagens esculpidas, e a ereção de estátuas, ou uma pedra
esculpida, para curvar-se diante dela" .
"Assim serão distintos os Filhos de Israel dos outros - uma nação
santa, consagrada a Iavé", foi dito a Moisés.
À medida que os livros seguintes de Juízes, Samuel, Reis e Profetas
se desenrolam, percebe-se que a última proibição foi a mais difícil de
manter. Ao redor delas, as pessoas podiam "ver" os deuses a quem
adoravam - algumas vezes de verdade; na maior parte do tempo,
olhando para uma imagem esculpida. Porém Iavé dissera que
ninguém podia ver seu rosto e viver, e agora os israelitas tinham de
observar estritamente uma porção de mandamentos e manter a fé
em uma divindade apenas, que não podia ser representada por uma
estátua - adorar um Deus Invisível!
Esse era um rompimento total com as práticas de todos os locais, e
esse fato era prontamente admitido pelo próprio Iavé. "Segundo os
costumes na terra do Egito, onde ficastes, e segundo os costumes
da terra de Canaã, para onde os estou levando, não fareis, e os
preceitos deles não seguireis", decretou Iavé; ele sabia bem do que
estava falando.
O Egito, de onde os Filhos de Israel saíram - conforme atestam
amplamente antigas representações e achados arqueológicos -estava repleto de imagens e estátuas dos deuses do Egito. Ptah, o
patriarca do panteão (a quem identificamos como Enki); Rá, seu
filho, chefe do panteão (a quem identificamos como Marduk); e seus
descendentes, que reinaram sobre o Egito antes dos faraós e que
foram adorados depois disso, apareciam aos reis numa série de
Encontros Divinos, em outros (na maioria das vezes) eram
representados por suas imagens (fig. 105). Quanto mais distante os
deuses ficaram com o passar do tempo, mais os reis e o povo se
voltavam para sacerdotes e mágicos, videntes e adivinhos para
obter e interpretar a vontade divina. Não é de admirar que Moisés,
desejando impressionar o faraó em dúvida, tivesse de recorrer aos
poderes do Deus dos Hebreus, e precisasse primeiro suplantar os
mágicos reais.
Nos reinos dos enlilitas, a noção de um deus invisível era realmente
estranha. Recluso, talvez; seletivamente acessível, talvez; mas
invisível, com certeza, não. Virtualmente, todos os "grandes deuses"
da Suméria - com a exceção aparente de Anu - eram representados
de uma forma ou de outra, em esculturas, gravações ou em selos
cilíndricos. Que fossem vistos de verdade por mortais é evidente por
incontáveis selos cilíndricos (fig. 106) encon trados ao longo da
Mesopotâmia, da Anatólia e em terras do Mediterrâneo que
representam o que os estudiosos chamam de "cenas de
apresentação", em que um rei, metade das vezes vestido como
sacerdote, é conduzido por um deus (ou deusa) menor até um
"grande deus". Uma cena similar está representada numa grande
estela de pedra encontrada num local chamado Abu Habba, na
Mesopotâmia, na qual o rei-sacerdote está sendo apresentado ao
deus Shamash (fig. 107) - uma cena que lembra as de entrega dos
códigos de leis que reproduzimos em capítulos anteriores. Podemos
presumir também que, quando o deus tinha uma esposa humana, ou
durante Encontros Divinos do tipo Sagrado Casamento, o deus ou
deusa não eram invisíveis.


(Isso também aumentou a consternação dos israelitas, já que em
nenhum lugar da Bíblia existe a menção de uma esposa de Iavé,
fosse humana, fosse divina. Isso, acreditam os estudiosos bíblicos,
foi uma das maiores causas pelas quais os israelitas se voltavam
para a veneração de Asherá, a principal deusa do panteão
cananeu.)
Mesmo na Suméria, onde a presença dos deuses Anunnaki em seus
zigurates era um fato aceito e conhecido, a Palavra Divina era
passada às pessoas mediante um intermediário entre os sacerdotes
do templo. Na verdade, o nome Terah, do pai de Abraão, sugere que
ele era um Tirhu, um sacerdote do templo; o clã da família, Ibri
("hebreu"), indica, acreditamos, que a família vinha de Nippur (o
centro de culto de Enlil), cujo nome sumério era NI.IBRU - "Belo
lugar de passagem". Depois da queda da Suméria e da ascensão da
Babilônia (com Marduk como chefe do panteão), e depois da Assíria
(com Asur como chefe do panteão), surgiu uma pletora complexa de
oráculos e sacerdotes adivinhadores, videntes e oráculos que
enchiam os templos, palácios e casas mais simples - todos
afirmando ser capazes de saber a palavra divina, ou adivinharem a
Vontade Divina - "fortuna" - a partir do fígado dos animais, ou de
como o óleo se espalha na água, ou das conjunções celestes.
A esse respeito, também os israelitas deveriam agir de forma
diferente. "Não praticarás adivinhações ou mágicas", diz o
mandamento em Levítico 19:26. "Não procures videntes de espíritos
nem leitores de agouros", aconselha o Levítico 19:31. Em contraste
direto com os sacerdotes de outras nações da Antiguidade, os
sacerdotes israelitas e levitas escolhidos para servir no templo eram
qualificados a "ficar em pé perante Iavé" (entre outras restrições) por
nunca ter se tomado "um mágico, um adivinho, um mago ou
encantador, nem ninguém que encante ou veja espíritos, nem
oráculo, nem alguém que conjure os mortos; todas essas são
abominações que Iavé, teu Elohim, deve expulsar do teu caminho"
(Deuteronômio 18:10-12).
Práticas que eram - certamente na época do Êxodo, no século XV
a.C. - parte do repertório religioso do mundo antigo e da adoração
de "outros deuses" sofriam essa proibição rígida por Iavé na religião
e na adoração de Israel. Como podiam os Filhos de Israel, uma vez
na Terra Prometida, receber a Palavra Divina e conhecer a Vontade
Divina?
As respostas foram dadas pelo próprio Iavé.
Em primeiro lugar, havia os anjos, Emissários Divinos, que
comunicavam a Vontade Divina e agiam por Ele. "Estou enviando
um Mal'akh para ficar à frente de vós, para proteger-vos no caminho,
até chegardes ao lugar que preparei", disse o Senhor para os Filhos
de Israel por intermédio de Moisés; "cuidado com ele e obedecei-lhe,
pois ele não perdoará vossas transgressões; meu Shem está nele"
(Êxodo 23:20-21). "Se o atenderdes", disse o Senhor, "esse anjo vos
levará em segurança à Terra Prometida".
Também existiam outros canais de comunicação, disse Iavé. Foram
tornados explícitos como resultado de um incidente no qual Aarão, o
irmão de Moisés, e Míriam, sua irmã, tornaram-se invejosos do fato
de Moisés ser o único chamado à Tenda da Aliança para falar com
Iavé. No capítulo 12 de Números:
E Míriam e Aarão disseram:
"Porventura somente com Moisés falou Iavé”?
“Certamente, também conosco falou".
E ouviu isso Iavé.
E falou Iavé de repente
a Moisés, Aarão e Míriam, dizendo:
"Saí vós três à tenda da Aliança".
E os três avançaram.
E apareceu Iavé numa coluna de nuvem
e esteve à porta da tenda.
E chamou a Aarão e Míriam,
e os dois avançaram.
Conseguindo assim a atenção dos dois e trazendo-os o mais
próximo possível da "coluna de nuvens" que descera para
posicionar-se em frente à Tenda da Aliança, Iavé disse a eles:
"Escutai minhas palavras”:
Se houver um profeta de Iavé entre vós,
Eu, Iavé, em visão a ele me faço conhecer,
ou no sonho falo com ele.
Não é assim com meu servo Moisés,
em toda a minha casa ele é fiel!
Claramente falarei com ele,
com palavras claras, e não com enigmas.
E a glória de Iavé contemplará.
Por que razão ousastes falar
contra meu servo Moisés?
E acendeu-se a ira de Iavé contra eles;
e Ele retirou-se.
E a nuvem retirou-se de sobre a tenda;
e eis que Míriam estava leprosa,
branca como a neve.
Ali estava, então, claramente afirmado: seria por intermédio dos
Profetas de Iavé, aparecendo a eles numa visão ou num sonho, que
o Senhor se comunicaria com o povo.
O conceito geral de "profeta" é aquele da pessoa que se
compromete em profecias - predições do futuro (nesse caso, sob
orientação ou inspiração divina). Mas o dicionário define
corretamente "profeta" como "uma pessoa que fala por Deus" em
assuntos divinos, ou apenas "um porta-voz para alguma causa,
grupo ou governo". a aspecto da predição está presente ou é
presumido; porém a função-chave é a de porta-voz. E, de fato, isso é
o que significa o termo hebraico Nabih: um porta-voz. Um "Nabih de
Iavé", geralmente traduzido como "profeta de Iavé", significa
literalmente "um porta-voz de Iavé" (conforme explicado no capítulo
11 de Números), alguém "sobre quem o espírito de Deus foi
lançado", qualificando-o (a) para ser um Nabih, um porta-voz do
Senhor.
O termo aparece pela primeira vez na Bíblia no capítulo 20 do
Gênesis, que lida com a transgressão de Abimelec, o rei filisteu de
Gerar, prestes a incluir Sara em seu harém, sem saber que ela era
casada com Abraão. "E Elohim apareceu a Abimelec num sonho
noturno" para avisá-lo. Quando Abimelec protestou inocência, o
Senhor lhe disse para devolver Sara a seu marido intocada e pedir
que ele rezasse pelo perdão. "Ele é um Nabih e rezará por ti",
acrescentou o Senhor a respeito de Abraão.
A seguir o termo é usado (em Êxodo, capítulo 6) em seu significado
rudimentar. Quando a missão com o faraó foi imposta a Moisés, ele
se queixou que sua fala era "hesitante" e não seria levado em conta
pelo faraó. Então Iavé respondeu: "Contempla, como um Elohim te
farei perante o faraó, e Aarão, teu irmão, será teu Nabih" teu porta-voz. E mais uma vez, depois que os Filhos de Israel atravessam o
mar Vermelho, que se abriu miraculosamente, Míriam, irmã de
Moisés e Aarão, liderou as filhas de Israel numa dança e música
para honrar Iavé; e a Bíblia a chama: "Míriam, a Nebiah" - "Míriam, a
profetiza." Em outra ocasião, quando foi necessário incluir os líderes
tribais para administrar uma multidão de 600 mil,
E Moisés juntou setenta homens
dos anciãos do povo
e os fez ficar em redor da tenda.
E apareceu Iavé na nuvem
e falou-lhes;
e tirou do espírito que estava sobre ele
e o pôs sobre os setenta homens anciãos.
E quando o espírito pousou sobre eles,
se tornaram Nabih (porta-vozes), depois nunca mais.
Porém dois dos mais velhos, continua a narrativa, continuaram sob a
influência do Espírito Divino e estavam agindo como Nabih no
acampamento. Era esperado que fossem punidos; mas Moisés
encarou o fato de outra forma: "Gostaria que todo o povo fosse
Nabih, que Iavé colocasse seu espírito sobre eles", disse ele a seu
servo fiel, Josué.
O assunto dos Nabih como porta-vozes de Iavé ainda necessitou de
esclarecimento posterior - afirma o Deuteronômio. Ao contrário de
outros povos que" escutam adivinhos e mágicos", o Senhor afirmou
ao povo de Israel que Ele providenciaria um Nabih, um do próprio
povo, e "Minhas palavras estarão em sua boca, que irá falar para
eles segundo minha ordem". Reconhecendo que alguém poderia
afirmar estar falando por Deus sem que fosse verdade, Iavé avisou
que um profeta falso certamente morrerá. Mas como o povo saberia
a diferença? "Se surgir no meio de vós um profeta ou um sonhador
de sonhos e ele vos der um sinal ou um prodígio", mas apenas para
induzi-los a "seguir outro Elohim, desconhecido de vocês, e adorá-lo
- não dais atenção às palavras de tal Nabih", explicou Iavé por
intermédio de Moisés. Podia ainda haver outro teste sobre a
autenticidade do profeta, que foi explicado no Deuteronômio, no
capítulo 18: "Quando falar o profeta em nome de Iavé, e a coisa não
se cumprir e não suceder, o profeta falou com malícia, não são as
palavras de Iavé".
Que não fosse assunto simples distinguir entre os profetas
verdadeiros e falsos, foi antecipado desde o início; os eventos a
seguir confirmaram amargamente esse problema.
"E não se levantou mais em Israel Nabih algum como Moisés, a
quem Iavé conhecia face a face", é a afirmação na conclusão do
Deuteronômio (e assim a conclusão do Pentateuco, os assim
chamados cinco livros de Moisés). Pois Moisés, assim corno todos
os que haviam conhecido a escravidão no Egito, estava condenado
a não entrar na Terra Prometida. Antes de Moisés morrer, o Senhor
fez com que ele subisse ao monte Nebo, que ficava na margem leste
do rio Jordão, em frente a Jericó, para ver de lá a Terra Prometida.
De modo significativo ou ironicamente, o monte escolhido para esse
ato final, o monte Nebo, tinha esse nome por causa de Nabu, o filho
de Marduk. Il Nabium, o "deus que era um porta-voz", conforme era
chamado por inscrições babilônicas. De acordo com registros
históricos, foi ele quem, enquanto seu pai Marduk se encontrava no
exílio, percorreu as terras em volta do Mediterrâneo, convertendo as
pessoas à adoração de Marduk, na preparação da supremacia de
Marduk, à época de Abraão.
A função, a missão dos profetas de Iavé ao longo da era dos juízes,
encontra expressão nos livros bíblicos de Samuel e Reis e atinge
sua expressão máxima nas mensagens morais e religiosas, com
suas visões proféticas para toda a humanidade, nos livros dos
Profetas. Orientação, ira e consolo; ensinamentos, reprimendas e
elogios; as palavras e feitos simbólicos desses "porta-vozes" de Iavé
formam gradualmente, à medida que passam os anos e
acontecimentos, uma Imagem de Iavé e Seu papel no passado e no
futuro da Terra e seus habitantes.
"Foi depois da morte de Moisés, servo de Iavé, que Iavé falou com
Josué, filho de Nun, o ministro de Moisés, dizendo: Moisés, meu
servo, morreu”. Levanta-te, portanto, e atravessa o Jordão, tu e todo
esse povo, para a terra que dou a vocês, Filhos de Israel... assim
corno fui com Moisés serei com ti; não falharei e não te esquecerei...
apenas sê forte e firme em observar e agir segundo os
ensinamentos que Moisés, meu servo, passou a ti... não te voltes
para a direita nem para a esquerda." Assim começa o Livro de
Josué, com uma reiteração da promessa divina por uma lado e uma
exigência de observância absoluta aos mandamentos de Iavé por
outro. Logo em seguida Josué, reconhecendo que um dependia do
outro, percebeu que o problema residia no último.
Como na época de Moisés, a ajuda divina na forma de milagres foi
providenciada pelo novo líder, para tornar claro duas coisas: Iavé,
apesar de invisível, era onipresente, assim como onipotente. O
primeiro obstáculo que os israelitas enfrentaram ao atingir a margem
oriental do rio Jordão era como atravessar para a margem oeste; a
época era logo depois da estação chuvosa, e as águas estavam
elevadas e bravias. Infundindo segurança ao povo e dizendo "Iavé
irá mostrar maravilhas", Josué pediu que se santi ficassem e
estivessem prontos para a travessia, pois Iavé o instruíra para fazer
com que os sacerdotes que carregam a Arca da Aliança entrassem
no rio. Eis que no instante em que os pés dos sacerdotes tocaram a
água, as águas do Jordão, que correm do norte para o sul,
imobilizaram-se e ficaram paradas como uma parede, e os israelitas
atravessaram o leito seco do rio. E depois que os sacerdotes com a
Arca atravessaram também, as águas recomeçaram a fluir e o rio
ficou cheio outra vez.
"Com isso saberão que existe um Deus vivo entre vocês", anun ciou
Josué - prova de que, apesar de invisível, Ele está presente. Ele é
poderoso. Pode fazer milagres. Na verdade, os milagres não
cessaram; à travessia do Jordão segue-se a aparição de um Anjo de
Iavé com as instruções para a derrubada das muralhas de Jericó, e
o uso da lança de Josué da mesma forma que Moisés usava o
cajado - dessa vez para a prodigiosa derrota da fortaleza
montanhosa de Ai. Em seguida veio a miraculosa derrota de uma
aliança de reis cananeus no vale de Ajalon, quando o sol parou e
não se pôs por 24 horas.
"Eis que se passou depois de um longo tempo, depois que Iavé
descansou em Israel dos inimigos que os cercavam, que Josué
envelheceu e tornou-se avançado em anos", afirma o final do Livro
de Josué e o registro de eventos da conquista e colonização de
Canaã sob sua liderança. Termina, entretanto, assim como
começou: com a necessidade de reafirmar a existência e a presença
de Iavé; pois como a Bíblia explica, não apenas Josué, mas todos os
anciãos que podiam lembrar o Êxodo estavam saindo de cena.
Josué reuniu os líderes das tribos em Shechem para relembrar
perante elas a história dos hebreus desde o início até o presente. Do
outro lado do rio Eufrates viveram seus ancestrais, disse ele – Terah
e seus filhos Abraão e Nahor - "e eles adoravam outro Elohim". A
migração de Abraão, a história de seus descendentes, a escravatura
no Egito e os eventos do Êxodo sob a liderança de Moisés foram
lembrados brevemente, assim como a travessia do Jordão e o
acampamento sob a liderança de Josué. Agora, quando eu e minha
geração estamos passando, vocês estão livres para fazer uma
escolha: podem permanecer ligados a Iavé - ou podem adorar outros
deuses, disse Josué.
Agora, pois, temei ao Senhor
e servi-o com o coração perfeito e sincero -e tirai os deuses, a que vossos pais serviram
na Mesopotâmia e no Egito, e servi a Iavé.
Porém se vos achais mal com servir a Iavé,
na vossa mão está a escolha:
escolhei hoje o que mais vos agradar
e a quem principalmente deveis servir,
se aos Elohim a quem serviram
vossos pais do outro lado do rio,
ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais,
porque eu e minha casa havemos de servir a Iavé.
Confrontado com esse momento de escolha, "o povo respondeu e
disse: Longe de nós que abandonemos o Senhor e adoremos outros
Elohim... Nós, pois, serviremos a Iavé porque ele é nosso Deus".
E Josué disse ao povo: sois todos testemunhas de que vós mesmos
escolhestes Iavé para servir. E responderam: nós somos
testemunhas. Fez, portanto, Josué uma Aliança naquele dia e
"escreveu todas essas coisas no livro da lei de Iavé e tomou uma
pedra muito grande e a pôs debaixo de um carvalho que estava no
lado do Tabernáculo, como testemunho da aliança.
Mas não havia preleção ou alianças testemunhadas que pudessem
evitar a realidade da crença israelita monoteísta ilhada por uma
multidão de povos politeístas. Conforme apontado pelos escritos do
teólogo judeu Yehezkel Kaufmann (A Religião de Israel), o
"problema básico" dos israelitas era que a Bíblia era dedicada a
"combater a idolatria" - a adoração de ídolos, de estátuas feitas de
madeira e pedra ou ouro e prata -, mas reconhece que outros povos
adorem "outros deuses". "A religião israelita e o paganismo são
relacionados historicamente", escreveu ele. "Ambos são estágios na
evolução religiosa do homem. A religião israelita surgiu num
determinado período da história, e nem é preciso dizer que sua
ascensão não se realizou num vácuo."
Entre as dificuldades inerentes à Religião de Iavé, estavam a
ausência de uma genealogia e de um reino de onde os deuses
tivessem vindo. Os deuses que foram adorados pelos pais e
antepassados de Abraão "do outro lado do rio" - o primeiro conjunto
de "outros deuses" citados por Josué - incluíam Enlil e Enki, os filhos
de Anu, irmãos de Ninharsag. O próprio Anu tinha pais conhecidos.
Todos eles possuíam esposas, filhos, - Ninurta, Nanar, Adad,
Marduk e assim por diante. Havia ainda uma terceira geração -Shamash, Ishtar, Nabu. Havia um lar de procedência - um local
chamado Nibiru, outro mundo (planeta) de onde vieram para a Terra.
Havia ainda os "outros deuses" do Egito; Iavé mostrara seu poder
contra eles quando o país foi assolado pelas pragas para deixar sair
os Filhos de Israel, mas continuaram a ser venerados no Egito e
onde quer que o Egito tivesse alcançado. Eram liderados por Ptah, e
o grande Rá era filho dele - viajando em seu Barco Celeste entre a
Terra e o "Planeta de um Milhão de Anos", a primeira habitação. Tot,
Seth, Osíris, Hórus, Ísis, Néftis eram relacionados em genealogias
simples, nas quais os irmãos casavam com meias-irmãs. Quando os
israelitas, temendo que Moisés tivesse falecido no monte Sinai,
pediram a Aarão que fizesse outra divindade, ele fabricou um
bezerro de ouro - a imagem do boi Ápis - para representar o Touro
do Céu. E quando uma praga afligiu os israelitas, Moisés fez uma
serpente de cobre - símbolo de Enki/Ptah - para controlar a praga.
Não é de espantar que os deuses do Egito estivessem na lembrança
imediata dos israelitas.
E havia também os "outros deuses dos amorreus, em cuja terra
habitais" os deuses dos cananeus (asiáticos ocidentais), cujo
panteão era liderado pelo velho deus aposentado El (um nome
próprio ou epíteto singular da palavra Elohim) e sua esposa
Asherah; o ativo Baal (significando simplesmente "Senhor"), filho
dele; suas esposas favoritas Anat, Shepesh e Ashtoret, e os
adversários Mot e Yam. Seus territórios e campos de batalha eram
as terras que se estendiam da fronteira do Egito até as fronteiras da
Mesopotâmia; cada nação naquela área os adorava, algumas vezes
sob nomes adaptados ao local; e os Filhos de Israel agora viviam no
meio deles...
Para compor o "Problema Básico" dos ingredientes que faltavam
numa genealogia e habitação inicial, foi adicionada a grande
dificuldade dos israelitas: um Deus Invisível, que não podia ser
representado por imagens.
E assim foi que "os Filhos de Israel fizeram mal aos olhos de Iavé e
adoraram os falsos deuses; esqueceram Iavé, Elohim de seus
antepassados que os tirara do Egito, e seguiram outros Elohim de
entre os deuses das nações que os cercavam... e prestaram
homenagem a Baal e Ashtoreth" (Juízes 2:11-13). Repetidas vezes
os líderes - juízes eleitos - surgiram para devolver aos israelitas sua
fé verdadeira e portanto remover a ira de Iavé.
Um desses juízes, Débora, é lembrada pela Bíblia como Nebi'ah -uma profetiza. Inspirada por Iavé, ela escolheu o comandante e a
tática corretos para a derrota dos inimigos ao norte de Israel.
Registros bíblicos mostram sua canção da vitória - um poema
considerado por estudiosos uma obra literária única. Davi Ben-Gurion (ex-primeiro ministro do moderno Estado de Israel), em
Judeus em Sua Terra, escreveu que" esse despertar religioso-nacionalista foi expresso de forma comovida em A Canção de
Débora, com suas referências ao grande deus invisível". Na
verdade, esse hino da vitória fazia mais do que isso: referia-se à
natureza celestial de Iavé, afirmando que a vitória foi possível por
causa de Iavé, cuja aparição "fazia a terra tremer, os céus se
moverem e as montanhas derreterem", fazia com que os "planetas,
em suas órbitas", lutassem com o inimigo.
Tal aspecto celeste de Iavé, como veremos, se tornaria altamente
significativo nas profecias dos grandes profetas da Bíblia.
Cronologicamente, o termo Nabih - e seu detentor - entra em ação
outra vez no Livro de Samuel, o garoto que cresceu para ser uma
combinação profeta-sacerdote-juiz de seu povo. Temos descrito as
séries de sonhos-encontros pelas quais ele foi chamado a represen-tar Iavé; "e o garoto Samuel cresceu e Iavé estava com ele, e nenhu-ma de suas palavras ficou sem se realizar; de Dan a Beersheba,
todo Israel sabe que Samuel foi confirmado como Nabih de Iavé. E
Iavé continuou a aparecer em Shiloh, pois foi em Shiloh que Iavé se
revelou a Samuel, quando Iavé falou".
O ministério de Samuel coincidiu com a ascensão de um novo e
poderoso inimigo de Israel, os filisteus, que dominavam a planície
costeira de Canaã a partir de cinco fortalezas. O conflito, ou o
relacionamento tenso e instável, iniciara-se antes, na época de
Sansão, e em outro incidente quando os filisteus capturaram a Arca
da Aliança e a levaram ao templo de seu deus Dágon (cuja estátua,
relata a Bíblia, caía sempre perante a Arca). Foi depois que os
líderes das doze tribos se reuniram perante Samuel e pediram que
lhes escolhesse um rei - um sistema de governo "parecido com o de
todas as outras nações". Foi assim que Saul, filho de Kish, foi ungido
o primeiro rei dos Filhos de Israel. Depois de um reinado atribulado,
a monarquia passou para Davi, filho de Jessé, que ganhara fama
depois de matar o gigante Golias. E depois de ter sido ungido por
Samuel, "o espírito de Iavé desceu sobre ele, dali em diante" .
Tanto Saul quanto Davi, afirma a Bíblia, "perguntavam a Iavé",
buscando oráculos para guiar suas ações. Depois que Samuel
morreu, Saul buscou uma resposta de Iavé, mas "não a conseguiu
em sonhos nem em visões nem por meio de profetas". (Ele terminou
falando com o fantasma de Samuel por intermédio de um médium.)
Davi, segundo lemos em I Samuel 30:7, "falava com Iavé" quando
colocava a veste do sumo sacerdote, com a placa de oráculo.
Depois, porém, ele recebia a "palavra de Iavé" por intermédio de
profetas - primeiro um chamado Gad, e depois outro de nome Natã.
A Bíblia (II Samuel 24:11) chama o primeiro: "Gad, o Nabih, vidente
de Davi", mediante o qual a "palavra de Iavé" era conhecida do rei.
Natã foi o profeta por intermédio do qual Iavé disse a Davi que ele
não construiria o Templo de Jerusalém, mas sim seu filho (II Samuel
7:2-17) - "todas as palavras de acordo com a visão, Natã contou a
Davi".
A função do Nabih como professor e detentor de leis morais e de
justiça social, não apenas como canal para mensagens divinas,
emerge dos acontecimentos mesmo num profeta antigo como o
misterioso "Natã" ("Ele que recebeu"). Aconteceu quando Davi,
tendo visto Betsabá nua enquanto ela se lavava no telhado de sua
casa, ordenou a seu general que enviasse o marido dela ao local
mais perigoso do campo de batalha, de forma que o rei pudesse
tomar Betsabá como esposa, logo que ela enviuvasse. Foi então que
Natã, o profeta, veio ao rei e lhe contou a parábola de um homem
rico que possuía muitas ovelhas, mas mesmo assim cobiçava a
única ovelha de um homem pobre. Quando Davi exclamou" esse
homem deve ser punido com a morte!", respondeu o profeta: "Sois
tal homem!".
Reconhecendo o pecado e interrompendo sua rotina para
arrepender-se, Davi passou ainda mais tempo em meditações e
orações solitárias; muitas das reflexões sobre Deus e o Homem
encontraram expressão nos Salmos de Davi; neles, os aspectos
celestiais de Iavé ecoam e expandem as palavras da Canção de
Débora. "Essas são as palavras da canção que Davi cantou para
Iavé" (II Samuel 22 e Salmo 18):
Iavé é meu rochedo e minha fortaleza;
Ele é meu salvador...
Na minha tribulação invocarei Iavé
e clamarei ao meu Deus;
e Ele ouvirá minha voz em sua Grande Casa,
e o meu clamor chegará aos seus ouvidos.
A terra se comoveu e estremeceu.
Os fundamentos dos montes foram agitados...
Ele abaixou dos céus e desceu,
a fumaça densa jazia sob seus pés.
E subiu sobre os Querubins e voou,
e apareceu sobre as asas dos ventos...
Iavé troveja do céu,
o Altíssimo faz soar sua voz...
Do alto estendeu a mão e recebeu-me...
para me salvar do meu inimigo.
"Quarenta anos Davi governou sobre todo Israel - sete anos reinou
em Hebron e 33 em Jerusalém," afirma a conclusão de I Crônicas, "e
morreu em idade madura". "E tudo o que se refere a Davi, da
primeira à última palavra, está registrado nos livros de Samuel, o
Vidente, e no livro de Natã, o profeta, e no livro de Gad, o Homem
das Visões." Os livros de Natã e Gad desapareceram, assim como
outros livros - o Livro das Guerras de Iavé, o Livro de Jashar, para
mencionar dois outros - citados pela Bíblia. Mas Salmos atribui a
Davi (ou à sua interpretação) quase metade (73, para ser exato) dos
150 salmos mostrados na Bíblia. Todos providenciam uma riqueza
de idéias novas sobre a natureza e a identidade de Iavé.
O significado de que Davi governou Israel inteiro - sete anos ele
reinou em Hebron e 33 em Jerusalém, se torna claro com o
desenrolar da história, deixando o segundo milênio e entrando no
primeiro milênio a.C., quando Salomão subiu ao trono em
Jerusalém; logo depois de sua morte, o reino dividiu-se em Estados
separados, a Judéia ao sul e Israel ao norte. Separado de Jerusalém
e do Templo, o reino do norte ficou mais exposto a costumes
estrangeiros e influências religiosas. A fundação de uma nova capital
pelo sexto rei de Israel, por volta de 880 a.C., significa um
rompimento com a Judéia, assim como o culto a Iavé no templo de
Jerusalém; ele chamou a nova cidade de Shomron (Samaria), que
significa "Pequena Suméria", a qual começou a adorar deuses cujas
imagens podiam ser vistas.
Ao longo desses anos turbulentos, a palavra de Iavé foi levada aos
reis competidores por uma sucessão de "Homens de Deus" algumas
vezes chamados de Nabih (Profeta), outras vezes de Hozeh (Aquele
que vê visões) ou de Ro'eh (Vidente). Alguns escutavam diretamente
a palavra de Deus, outros eram guiados por um Anjo de Iavé; outros
precisaram provar que eram "profetas verdadeiros" realizando
milagres que os "falsos profetas" - aqueles cujas previsões sempre
buscavam agradar ao rei - não conseguiam imitar; todos estavam
envolvidos na luta contra o paganismo e em esforços para que o
trono fosse ocupado por um rei que fizesse o que" fosse correto aos
olhos de Iavé".
Um, cujo ministério e registros se sobressaíram nessa época e
deixou uma expectativa messiânica por gerações que se seguiram,
foi o profeta Elias (Eli-yahu em hebraico, que significa "Iavé é meu
Deus"). Ele foi chamado a profetizar no reino de Acab (por volta de
870 a.C.), o rei de Israel que sucumbiu completamente às influências
religiosas de sua esposa sidonita, a infame Jezabel. Ele "começou a
adorar Baal e a curvar-se a ele e fazer um altar para Asherah. Dele a
Bíblia (I Reis, 16:31-33) afirma que "ele irritou Iavé, o Deus de Israel,
mais do que quaisquer outros reis de Israel que reinaram antes
dele".
Foi então que o Senhor chamou Elias para tornar-se porta-voz,
cuidadoso em assegurar-lhe a autoridade e a autenticidade por meio
de uma série de milagres.
O primeiro milagre registrado foi quando Elias veio a hospedar-se
com uma pobre viúva, e quando ela contou a ele que estava ficando
sem comida, ele lhe assegurou que a pouca farinha e o azeite que
ela guardara durariam por muitos dias. De fato, apesar de a
consumirem todos os dias, a comida não diminuiu.
Enquanto estava com essa mulher, o filho dela caiu gravemente
enfermo "até que seu fôlego cessasse". Pedindo a Iavé que
poupasse o menino, Elias levou o rapaz para cima e deitou-o na
cama, estendeu-se por cima do corpo três vezes, a cada vez
repetindo o pedido ao Senhor, "e a alma da criança voltou para ela,
e ela reviveu", "E a mulher disse a Elias: Agora, com isso, sei que és
um homem de Deus, e que a palavra de Iavé em tua boca é
verdadeira."
À medida que o tempo passou, Jezabel tinha "não menos do que
450 profetas de Baal" no palácio, e apenas Elias era "profeta de
Iavé". Instruído por Elias para organizar um duelo, o rei reuniu o
povo e os profetas de Baal no monte Carmelo. Dois novilhos foram
trazidos e preparados para o sacrifício em dois altares, mas não
havia fogo nos altares: cada lado precisava orar e pedir para que o
fogo dos céus atingisse o altar. O dia inteiro se passou sem que
nada acontecesse ao altar de Baal; mas quando foi a vez de Elias
buscar a intervenção divina, "caiu um fogo de Iavé e consumiu o
sacrifício" e o próprio altar. "E quando todas as pessoas viram,
prostraram-se e disseram: Iavé é o Elohim!" E Elias disse a eles para
matarem os profetas de Baal, sem deixar escapar nenhum.
Quando as notícias chegaram a Jezabel, ela ordenou que Elias
fosse morto; ele, porém, escapou para o sul, na direção do deserto
do Sinai. Com fome e com sede, estava exausto, pronto para morrer,
quando o Anjo de Iavé lhe deu água e comida e lhe mostrou o
caminho para uma caverna no monte Sinai, o "monte dos Elohim".
Lá, o Senhor, falando com ele do nada, instruiu-o a voltar para o
norte e ungir um novo rei em Damasco, a capital dos arameus, e um
novo rei para Israel; e para "ungir Eliseu, filho de Shaphat, para ser o
profeta depois de ti".
Foi apenas uma pista das coisas que iriam acontecer - o envol-vimento dos profetas de Iavé em assuntos de Estado -, predizendo a
queda de reis e ungindo os sucessores; não apenas em Israel e na
Judéia, mas também em capitais estrangeiras.
Em muitas outras vezes a atividade profética de Elias é declarada ter
acontecido depois que o "Anjo de Iavé" o instruiu, e parece que essa
era a forma pela qual Iavé se comunicava com ele. A Bíblia, porém,
não relata como Elias recebeu sua instrução mais importante (e
final) para sua subida aos céus em uma carruagem de fogo. O
evento, que lembra os tempos de Enmeduranki, Adapa e Enoque, é
descrito em detalhes em II Reis, capítulo 2. Torna-se claro pela
história que a subida não foi um acontecimento repentino ou
inesperado, e sim um evento planejado, e a operação, arranjada em
tempo e lugar que foram previamente comunicados a Elias.
"Aconteceu pois que, quando Iavé quis arrebatar Elias ao céu por
um remoinho, vinham Elias e Eliseu de Galgala - o lugar onde Josué
estabelecera um círculo de pedras para comemorar a miraculosa
travessia do rio Jordão. Elias procurou deixar seu discí pulo principal
e prosseguir sozinho, mas Eliseu não quis saber disso. Ao chegarem
a Bethel, os pupilos (chamados "filhos do profeta") também se
reuniram lá e disseram a Eliseu: "Acaso sabes que o Senhor há de
levar hoje teu amo?". Respondeu Eliseu: "Eu também o sei. Calai -vos".
Ainda tentando livrar-se de seus companheiros, Elias então afirmou
que seu destino era Jericó, e pediu a Eliseu para ficar atrás, mas
Eliseu não se deixou convencer e insistiu em continuar com ele.
Elias deixou claro que pretendia seguir sozinho depois do rio.
Enquanto os discípulos ficavam a distância e observavam, "Elias
tomou seu manto e o enrolou, batendo com ele nas águas; estas se
abriram e os dois atravessaram pelo leito seco".
Uma vez do outro lado - aproximadamente onde os israelitas haviam
chegado pela primeira vez a Canaã -, enquanto andavam, os dois
conversavam um com o outro.
Eis que um carro de fogo
e uns cavalos de fogo
os separaram um do outro.
E Elias subiu ao céu
por meio de um remoinho.
E Eliseu o via, e clamava:
"Meu pai! Meu pai!
A carruagem de Israel e seu condutor!".
E não o viu mais.
Como o detalhe bíblico da rota mostra, a subida de Elias num
remoinho de fogo ocorreu perto de (ou em) Tell Ghassul, onde os
veículos bulbosos com três pernas estendidas foram representados
(veja fig. 72).
Por três dias os discípulos sem líder procuraram seu mestre
desaparecido, embora Eliseu tenha afirmado que a busca seria vã.
De posse do manto de seu amo, que caíra durante a subida, Eliseu
agora podia fazer milagres, incluindo reviver os mortos e a expansão
de um pouco de comida para satisfazer multidões. Sua fama e
milagres não se limitaram ao domínio israelita, e dignitários
estrangeiros procuraram seus poderes de cura; depois de um
tratamento mágico, o rei arameu afirmou que "de fato, não há Elohim
na terra, a não ser o de Israel".
Assim como Elias antes dele, Eliseu também se envolveu em
sucessões reais por ordens divinas; quando ele morreu, o rei de
Israel Goás, por volta de 800 a.C. foi o quinto monarca depois de
Acab; e como os profetas antes dele, Eliseu era o Porta-voz Divino
em assuntos de guerra e paz. O livro II Reis, capítulo 3, relata a
rebelião de Mesha, rei dos moabitas, contra o domínio israelita
depois da morte de Acab, quando Eliseu foi consultado para saber
se Iavé desejava que se lutasse contra os moabitas. A veracidade
da fronteira de guerra foi confirmada por um achado extraordinário -uma estela pelo rei Mesha, na qual ele registrou sua versão dessa
guerra de fronteira. A estela (fig. 108a), agora no Museu do Louvre,
em Paris, está em semítico antigo, utilizado pelos hebreus naquela
época; ali consta o nome de Iavé, o deus dos hebreus YHVH -exatamente como era escrito - na linha 18 (fig. 108b).

Talvez não tenha sido coincidência que nos séculos em que ocorreu
a ocupação e a conquista israelense de Canaã, ao longo dos tempos
dos juízes e dos primeiros reis, houve um período intermediário nos
Assuntos Mundiais. Os poderosos impérios do Egito, da Babilônia,
da Assíria e dos hititas, que surgiram depois da queda da Suméria,
por volta de 2.000 a.C., e haviam feito das terras próximas ao
Mediterrâneo seu campo de batalha, retiraram-se e entraram em
declínio. As capitais foram vencidas ou abandonadas; ritos religiosos
muito antigos foram deixados de lado, e os templos ficaram em
ruínas.
Comentando essa época sobre a Babilônia e a Assíria, H. W. F.
Saggs (A Grandeza da Babilônia) afirma que "a migração era tanta
que uma crônica com data de aproximadamente 990 a.C registra
que "por nove anos sucessivamente Marduk não saiu e Nabu não
veio". Isso significa que no Festival do Ano-Novo o ritual no qual
Marduk da Babilônia saía para um santuário chamado a casa de
Akitu, e Nabu de Borsippa o visitava em seu retorno, não foi
cumprido.
Em 879 a.C., uma nova capital, Kalhu (a Calah bíblica), foi
cerimoniosamente inaugurada na Assíria; o evento pode ser
considerado o início do período neo-assírio. As idéias básicas eram
expansão, domínio, guerra, carnificina e brutalidade sem paralelo -tudo em nome do "grande deus Asur" e outras divindades do
panteão assírio. A dominação, com o tempo, atingiu a cidade de
Babilônia – um pálido fantasma de sua glória antiga. Assim, como
um gesto aos seguidores subjugados da Babilônia, os assírios
indicavam os "reis" da Babilônia, que não passavam de vassalos do
vice-rei. Mas em 721 a.C um líder nativo chamado Merocach-Baladã
recomeçou o Festival do Ano-Novo, "tomou a mão de Marduk" e
proclamou um reinado independente. A ação evoluiu para uma
rebelião completa, que produziu guerra intermitente por três
décadas. Em 689 a.C os assírios reconquistaram o controle total da
Babilônia e foram ao extremo de mudar o próprio Marduk para a
capital assíria, como deus cativo.
Mas a resistência continuou no que costumava ser a Suméria e a
Acádia, e os envolvimentos assírios em outras terras permitiram que
a Babilônia ressurgisse. Um líder chamado Nabopolassar declarou
independência e o começo de uma nova dinastia bab ilônica em 626
a.C. Era o começo da nova era neo-babilônica: agora era a
Babilônia que imitava a Assíria com suas conquistas próximas e
distantes - tudo em nome dos senhores Marduk e Nabu -, segundo
as inscrições, com a ajuda ativa de "Marduk, o rei dos deuses,
soberano do céu e da Terra", que depois de 21 anos cativo entre os
assírios, orquestrou a derrubada da Assíria e a nova ascensão da
Babilônia.
À medida que as guerras de fronteira se transformavam em guerras
mundiais (em termos e âmbitos antigos) e uma nação era lançada
contra outra, os profetas bíblicos também expandiam suas missões
para dimensões globais. Lendo-se as profecias, fica-se
impressionado e surpreso pelo conhecimento de geografia e política
das terras distantes, além da compreensão dos motivos para intrigas
e conflitos internacionais, e a visão ao predizer o resultado de
movimentos corretos e incorretos pelos reis de Israel e da Judéia no
perigoso jogo de xadrez de fazer e quebrar alianças.
Para os grandes profetas, julgados tão importantes que a Bíblia
dedica um livro em separado para cada palavra e exortação, o
torvelinho internacional que tomou conta da espécie Humana e até
envolveu as nações dos Elohim não foram ações em separado, mas
sim aspectos do mesmo Esquema Divino - tudo obra planejada por
Iavé para colocar um ponto final nas iniqüidades e transgres sões
internas. Como se houvesse um retorno aos dias que antecede ram
o Dilúvio, quando o Senhor expressou seu dissabor com a espécie
humana por meio da inundação que afetou toda a humanidade;
parecia no momento que a Insatisfação Divina se manifestava outra
vez com a queda de todos os reis - de Israel e da Judéia também, e
de todos os templos, incluindo o de Jerusalém - e o final das falsas
adorações, expressas em sacrifícios para encobrir injustiças
terríveis, e a elevação, depois da catarse global, de uma "Nova
Jerusalém", que seria uma "Luz para todas as nações".
J. A. Heschel, em Os Profetas, chama essa época de "Era da Ira".
Seus quinze "Profetas Literários" (como os estudiosos os chamam,
já que as palavras foram registradas em livros separados) duraram
quase três séculos, desde cerca de 750 a.C., quando Amos (na
Judéia) e Oséias (na Samaria) começaram a profetizar, até
Malaquias, por volta de 430 a.C.; incluiu os grandes profetas Isaías e
Jeremias, que nos séculos VIII e VII a.C. previram e viram a queda
dos dois reinos hebreus, e o grande profeta Ezequiel, que estava
entre os exilados na Babilônia e viu a destruição de Jerusalém por
Nabucodonosor em 587 e profetizou sobre a Nova Jerusalém.
Individualmente, os grandes profetas falavam com dureza contra a
piedade vazia - rituais que encobriam injustiças. "Odeio, desprezo
vossos banquetes, não tenho prazer em vossas assembléias
solenes", disse o Senhor por meio de Amos; em vez disso, "deixai
que a justiça aflore como a água nos poços e corra em leito de agir
reto como o de um rio poderoso" (5:21-24). "Com que propósito vêm
todos esses sacrifícios?", disse Isaías por Iavé; "não trazeis mais
oblações vazias... quando estenderdes as mãos, esconderei meus
olhos de vós; quando fizerdes muitas orações, não as ouvirei"; em
vez disso, "procurai a justiça, desfaçais a opressão, defendei os
órfãos, pedi pelas viúvas". (Isaías 1:17; Jeremias 22:3). Era uma
chamada para voltar à essência dos Dez Mandamentos, ao
procedimento correto e justo da antiga Suméria.
No ambiente nacional, os profetas viam futilidade e previam o
desastre na celebração e rompimento de alianças com reis vizinhos
num esforço para resistir aos ataques dos Grandes Poderes daquela
época, pois também as nações circundantes estariam condenadas
nos conflitos seguintes: "uma tempestade de Iavé, uma ira virá, uma
tempestade em espiral irá estourar sobre a cabeça dos ímpios",
Jeremias (23:19) previu, afirmando que suas palavras proféticas se
referiam a Israel e a Judá, e para todas as "nações não
circuncidadas" existentes em sua região - os sidonitas e tirianos,
amonitas e moabitas e edomitas, os filisteus e as nações do deserto
da Arábia.
Os dois Livros de Reis distinguem os vários reinados dos reis de
Israel e Judá de acordo com o que eles "fizeram certo" ou "se
desviaram" dos ensinamentos de Iavé; os profetas consideravam
essas alianças volúveis a maior causa dos desvios. Além do mais,
onde em tempos antigos era tolerável que "outras nações"
adorassem "outros deuses", os profetas afirmavam que aquilo
também era uma abominação, pois em sua época os "outros
deuses" não passavam de objetos feitos de madeira, metal ou pedra,
trabalhados pelo homem - ao contrário de Iavé, que era um deus
vivo. As pessoas que adoravam Baal e Astoreth, Dágon e Baal-zebub, Chemosh e Molech eram também pecadoras sem rumo.
Existiam ainda os "falsos profetas", contra os quais os verdadeiros
profetas de Iavé mantinham uma luta constante. Eram acusados não
apenas de falar em nome de deuses falsos mas também de fingir
pronunciar as palavras verdadeiras de Iavé. Em vez de dizer às
pessoas o que achavam errado e as listas de perigos à frente, eles
apenas diziam o que agradava aos reis e às pessoas. "Eles
proclamavam, Paz, Paz! Mas não havia paz", afirma Jeremias sobre
eles. Enquanto os Profetas Verdadeiros não poupavam reis nem
pessoas quando passavam as reprimendas e avisos necessários.
Na área internacional, na arena global, os profetas demonstravam
uma compreensão incomum de geopolítica, e suas visões e
premonições tinham amplo alcance. Sabiam do ressurgimento de
reinos antigos, como o de Elam, e do surgimento de um novo poder
no leste, o dos medos (mais tarde conhecidos como persas); mesmo
a China distante, a terra dos Sinim, era levada em conta. As
primeiras cidades-Estados dos gregos, na Ásia Menor, sua
ocupação das ilhas do Mediterrâneo, em Chipre e Creta, foram
reconhecidas. A situação de antigos e novos poderes nas fronteiras
do Egito e da África eram conhecidos. Na verdade, "todos os
habitantes do mundo e que viveram na Terra" serão julgados por
Iavé, pois todos se perderam.
No palco central, três poderes muito antigos: o Egito, a Assíria e a
Babilônia. Desses, os egípcios, com seu panteão, eram tratados
com menos respeito. Apesar do relacionamento às vezes estreito, às
vezes amigável, entre os reinados hebreus e egípcios (Salomão
casou com uma filha do faraó e ganhou do rei carruagens e
cavalos), o Egito era considerado traiçoeiro e não-confiável. Seu rei,
Sheshonq (o Shishac bíblico; I Reis 11 e 14) saqueou o templo em
Jerusalém, e Necau II, a caminho para combater a Mesopotâmia,
matou o rei judeu Josias, que saiu para cumprimentá-lo (II Reis 23).
Tanto Isaías como Jeremias falavam muito contra o Egito e seus
deuses, profetizando a queda de ambos.
Isaías, em a "Profecia do Egito" (capítulo 19), viu Iavé chegando ao
Egito pelo céu no dia em que iria julgar e punir o Egito e os egípcios:
Eis aí subirá o Senhor
por uma nuvem leve
e entrará no Egito,
e os simulacros do Egito
se comoverão perante Sua face,
e o coração do Egito se mirrará dentro dele.
Prevendo - corretamente - a ocorrência de lutas internas e da guerra
civil no Egito, o profeta enxergou o faraó futilmente buscando o
conselho de seus videntes e magos para descobrir as intenções de
Iavé. O plano divino, anunciou Isaías, era este: "No dia em que
houver um altar para Iavé no meio da terra do Egito, e um pilar para
Iavé em sua fronteira, será um sinal e um testemunho para Iavé,
Senhor dos Exércitos, na terra do Egito... e Iavé se fará conhecer no
Egito". Jeremias focalizou-se mais nos deuses do Egito, relatando
(no capítulo 43) o voto de Iavé de "acender um fogo nos templos dos
deuses do Egito e queimá-los... quebrar as estátuas de Heliópolis,
destruir pelo fogo os templos dos deuses do Egito". O profeta Joel
(3:19) explica por que o "Egito se tomará uma desola ção: por sua
violência contra os filhos de Judá e o derramamento de sangue
inocente em suas terras".
A ascensão de um império neo-assírio e as matanças contra seus
vizinhos com brutalidade sem paralelo eram conhecidas dos profetas
bíblicos, algumas vezes com tal riqueza de detalhes que chegavam
a incluir intrigas da Corte assíria. A expansão imperial assíria, a
princípio direcionada para o norte e nordeste, visava as terras da
Ásia ocidental à época de Salmanasar m (858-824 a.C.). Em um dos
obeliscos comemorativos, ele registrou o saque de Damasco, a
execução do rei Asael e o recebimento do tributo do vizinho de
Asael, Jeú, rei de Israel (Samaria). Acompanhando a inscrição havia
uma representação mostrando Jeú curvando-se diante de
Salmanasar sob o emblema do Disco Alado do deus Asur (fig. 109).


Um século mais tarde, quando Menahem, o filho de Gadi, era o rei
em Israel, "Pul, o rei da Assíria, veio contra a terra, e Menahem deu
a Pul mil talentos de prata para que sua mão permanecesse com
ele, a fim de conservar o reinado". Esse registro bíblico em Reis II,
15-19 revela a impressionante familiaridade com a política e os
negócios reais na Mesopotâmia distante. O nome do rei assírio que
invadiu outra vez as terras à beira do Mediterrâneo era Teglate
Falasar III (745-727 a.C.); ainda assim, a Bíblia tinha razão em
chamá-lo de Pul, porque esse rei também assumiu o trono da
Babilônia e mudou seu nome lá para Pulu - um fato confirmado pela
descoberta de uma estela ("Lista dos Reis da Babilônia B") que
atualmente se encontra no Museu Britânico. Alguns anos depois,
Ahaz, rei da Judéia, recorreu à mesma tática, "tomando a prata e o
ouro que estavam no Templo de Iavé e no tesouro do rei e
enviando-a para o rei da Assíria como suborno".
Tais gestos subservientes, em retrospecto, apenas aguçaram o
apetite dos reis assírios. O mesmo Teglate Falasar voltou e tomou
partes do reino israelita e exilou seus habitantes. Em 722 a.C., seu
sucessor, Salmanasar V, tomou o resto do reino israelita e dispersou
seu povo pelo império assírio; o paradeiro daquelas Dez Tribos
Perdidas e seus descendentes continua um mistério até os dias de
hoje.
De acordo com os profetas, o exílio foi desejado pelo próprio Iavé,
por causa das transgressões de Israel: "eles não prestaram atenção
às palavras de Iavé, seu Elohim, e transgrediram a Aliança e tudo
quanto Moisés, o servo de Iavé, ordenou." O profeta Oséias, em
palavras e feitos simbólicos, previu esses eventos como castigo pela
"prostituição" de Israel com outros deuses, mas deixou claro que
"uma questão tinha Iavé com os habitantes da Terra, pois não havia
verdade nem justiça, nem entendimento de Elohim sobre a Terra".
As profecias de Isaías especificavam que a Assíria seria o
instrumento do Senhor para o castigo: "Eu, o Senhor, trarei sobre
vós o rei da Assíria e todas as suas hostes", disse ele, como porta-voz de Iavé.
Mas isso era apenas o início. Em "Profecia sobre a Assíria", na qual
esse poder foi chamado de "cajado da ira de Deus (10:5), Iavé
também expressava sua raiva contra os excessos da Assíria,
usando sua combatividade para exterminar nações inteiras com
brutalidade sem paralelo na história, quando a intenção de Iavé era
apenas de castigar e sempre deixar um núcleo para ser redimido. Os
reis da Assíria não tiveram mais livre-arbítrio do que um machado
nas mãos de quem o empunha, Ele anunciou; e quando a Assíria
cumprir sua missão inicial, seu próprio dia de expiação chegará.
A Assíria não somente deixou de perceber que não passava de uma
ferramenta nas mãos de seu empunhador divino como também não
percebeu que Iavé era o Senhor, um "Elohim Vivo", Ao contrário dos
deuses pagãos. Os assírios exibiram essa falha quando, tendo
exilado o povo de Israel de suas terras, deixaram cada grupo
continuar a adorar seus deuses. A lista, podemos observar, inclui
entre os ídolos: o de Marduk pelos babilônios, o de Nergal pelos
cuteanos e o de Adad pelos palmirianos. Os recém-chegados à
Samaria foram devastados, entretanto, por leões selvagens e viram
aquilo como sinal de irritação do "deus local", Iavé. A solução assíria
foi mandar de volta para a Samaria um dos sacerdotes exila dos de
Iavé, para ensinar aos recém-chegados os "costumes do deus local".
Então, enquanto um dos sacerdotes israelitas estava mostrando a
eles" como adorar Iavé", foi apenas mais uma adição de um deus à
adoração politeísta...
Que Iavé era diferente e que a Assíria estava sujeita à Sua vontade
ficou demonstrado quando Senaqueribe (705-681 a.C.) invadiu a
Judéia, ignorou seu tributo e enviou seu general Rabshake ao
comando de um grande exército para capturar Jerusalém. Cercando
a cidade, Rabshake procurou sua rendição, sugerindo que o rei
assírio apenas executava a vontade de Iavé: "Pensam que foi sem a
vontade de Iavé que vim destruir este lugar? Pois foi Iavé que disse
para mim: 'Vai e destrói aquela terra'''.
Sendo que isso não era muito diferente do que o profeta Isaías
estava dizendo, os habitantes de Jerusalém poderiam ter se rendido
não fosse pela pressa crescente dos assírios. Se vocês pensam que
seu deus Iavé pode mudar de idéia e proteger vocês, então
esqueçam, disse o general. Em seguida listou as muitas nações que
a Assíria havia conquistado; "Por acaso os deuses de algumas
dessas nações, um em cada país, salvaram-nas do rei da Assíria?
Quem é esse Iavé para salvar Jerusalém de mim?".
A comparação de Iavé com os deuses pagãos foi uma blasfêmia tão
grande que o rei Ezequias rasgou suas roupas e colocou cilícios
para se lamentar. Juntando-se aos sacerdotes no templo, ele
mandou notícias para Isaías, pedindo a ele que buscasse a ajuda de
Iavé, "naquele dia de desgraça, humilhação e tristeza", um dia no
qual o emissário do rei da Assíria blasfemou contra um "Deus Vivo",
comparando-o aos deuses de outras nações, "que não eram Elohim,
mas feitos de madeira e pedra pelo homem".
E Isaías, o profeta, respondeu a Ezequias a "palavra de Iavé" contra
o desrespeito de Senaqueribe, que ousou" erguer sua voz para
blasfemar contra o Deus de Israel. Aquele que está entronado acima
do Querubim". Portanto, declarou o profeta, Jerusalém será poupada
e Senaqueribe será punido.
"E sucedeu que naquela noite o Anjo do Senhor veio e atacou o
acampamento dos assírios, todos os 185 mil... e Senaqueribe
retornou para Nínive; enquanto se prostrava em adoração no templo
de seu deus, Nisroch, seus filhos Adarmelech e Sharezer o mataram
com a espada, escapando para a terra de Ararat; seu filho Esardão
tornou-se rei depois dele." (A forma como Senaqueribe morreu e sua
sucessão são confirmadas pelos registros assírios.)
Jerusalém fora poupada apenas temporariamente. O plano divino
para uma catarse global continuava; a diferença é que agora o
castigo deveria recair sobre a própria Assíria também. O processo,
conforme mencionamos, entrou em ação em 626 a.C.; o cajado
divino providencia para que a Babilônia tenha seu período imperial
sob o reinado de Nabucodonosor II (605-562 a.C.).
Aquelas formas de viver - injustiças sociais, sacrifícios sem
sinceridade e a adoração de ídolos - trariam sobre o povo da Judéia
seu castigo, previram os profetas ao rei e ao povo. Trariam sobre
eles a ira de Iavé na forma de uma "grande e feroz nação vinda do
norte". Foi no primeiro ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia, que
Jeremias tomou explícito o oráculo da punição contra a nação de
Judá, os que habitavam Jerusalém e nações vizinhas:
Pelo que isto diz o Senhor dos Exércitos:
Por que não ouvistes minhas palavras,
eis que mandarei vir todas as tribos do norte,
e ao meu servo Nabucodonosor, rei de Babilônia,
e os trarei sobre esta terra
e sobre todas as nações que estão em volta dela.
Não apenas a Babilônia era uma ferramenta nas mãos de Iavé o rei
especificado, Nabucodonosor, foi chamado por Iavé de "meu servo"!
A profecia do final do reinado judeu e da queda de Jerusalém, pelos
dados históricos, tornou-se verdadeira em 587 a.C. Porém, mesmo
enquanto o oráculo da punição era feito, os eventos que viriam
depois são descritos:
Toda esta terra virá a ser um medonho deserto
e um espanto: e todas essas gentes
servirão ao rei da Babilônia por setenta anos.
E completos que forem esses setenta anos,
irei com a minha visita ao rei de Babilônia,
e sobre aquela gente, diz o Senhor, para castigar
a sua iniqüidade, e sobre a terra dos caldeus,
e reduzi-la-ei a umas eternas solidões.
Prevendo o final amargo da Babilônia quando a nação apenas
iniciava seu período de ascendência, o profeta Isaías diz: "Babilô nia,
a jóia dos reinados, glória e orgulho dos caldeus, será aniquilada
pelo Elohim de Sodoma e Gomorra".
A Babilônia, conforme o previsto, caiu perante o poderio de uma
nova nação vinda do Oriente, os persas aquemênidas, sob a
liderança de seu rei, Ciro, em 539 a.C. Registros babilônicos
sugerem que a tomada da cidade foi possível pelo rompimento entre
o último rei babilônio, Nabunaid, e o deus Marduk: segundo os anais
de Ciro, quando ele capturou a cidade e seu terreno sagrado, e
entrou no santuário, Marduk estendeu-lhe as mãos, e ele, Ciro,
"segurou as mãos estendidas do deus".
Se Ciro, porém, imaginava que com isso ele obteria as bênçãos do
Altíssimo, estava enganado, disse o profeta, pois de fato ele estava
desempenhando o "desejo de Iavé, o Deus Único ", que chamou a
Ciro de "meu pastor escolhido" e "meu ungido". Iavé pronunciou-se
assim para Ciro, por intermédio de Isaías (cap. 45):
Embora não me conheças,
Eu sou aquele que te chama pelo nome...
Eu sou Iavé, o Senhor,
o Deus de Israel.
Eu te capacitarei a derrubar reis e governar nações, abrirei para ti
portas de bronze e quebrarei barras de ferro para ti, darei tesouros
escondidos; tudo porque és Meu escolhido para levar os Filhos de
Israel para casa - "por meu servo Jacó e meu Escolhido, Israel, Eu te
chamei pelo teu nome; selecionei a ti, embora não me conheças",
disse Iavé!
Foi no primeiro ano de reinado sobre a Babilônia que Ciro expediu
um edito, chamando para retornar os exilados da Judéia para a
própria terra, e permitindo a reconstrução do Templo de Jerusalém.
O ciclo das profecias se completara; as palavras de Iavé se tornaram
verdadeiras.
Porém, aos olhos do povo, Ele permaneceu um Deus Invisível.
Idolatria e Adoração de Estrelas
As preleções bíblicas sobre idolatria incluíam a adoração das
Kokhabim, as "estrelas" visíveis, que eram representadas por seus
símbolos nos monumentos e como emblemas erigidos nos
santuários e templos. Incluíam os doze membros do Sistema Solar e
as doze constelações do zodíaco.
Entre as advertências gerais, havia algumas proibições específicas,
como a de adorar a "Rainha do Céu" - Ishtar como planeta Vênus, o
Sol e a Lua, além da constelação zodiacal chamada Mazaloth
("Presságios da Fortuna"), um termo derivando da palavra acadiana
para esses corpos celestes.
Uma passagem em II Reis, capítulo 23, que lida com a destruição
desses emblemas idólatras, nomeia em particular um planeta
chamado "O Senhor", que estaria entre a Lua e o Sol. Acreditamos
serem referências a Nibiru, o décimo segundo membro do nosso
Sistema Solar.
Esses doze corpos celestes eram representados juntos pelos vários
símbolos como eram adorados na Mesopotâmia, numa estela do rei
Asaradão que atualmente se encontra no Museu Britânico. Nessa
estela o Sol é representado por uma estrela com raios, a lua por seu
crescente, Nibiru é o Disco Alado, e a Terra - o sétimo planeta de
fora para dentro - pelo símbolo dos sete pontos.
CONCLUSÃO
Deus, o Extraterrestre
Afinal, quem era Iavé?
Seria um deles? Um extraterrestre?
A pergunta, com a resposta que ela implica, não é tão descabida. A
menos que possamos afirmar que Iavé - "Deus" para todas aquelas
crenças religiosas encontradas na Bíblia - tenha sido um de nós,
terrestres, então Ele só poderia ser de fora da Terra - que é
exatamente o significado da palavra "extraterrestre". E a história dos
Encontros Divinos do homem, assunto deste livro, está tão repleta
de paralelos entre as experiências bíblicas e aquelas de encontros
com os Anunnaki de outros povos antigos que a possibilidade de
Iavé ser um "deles" deve ser considerada com seriedade.
A pergunta, com a resposta que ela implica, surge inevitavelmente.
Que a narrativa bíblica com a qual o Livro do Gênesis se inicia esteja
baseada diretamente no Enuma Elish, um texto mesopotâmico, fica
além de qualquer dúvida. Que o Éden bíblico é uma palavra
derivada do sumério E.DIN, fala pela própria forma. Que a história
do Dilúvio e de Noé com a Arca está baseada no Atra-Hasis, o texto
acadiano, e na história ainda anterior dos sumérios da Epopéia de
Gilgamesh, é certo. Que o plural "nós", no trecho da criação de O
Adão, reflete o registro das discussões dos líderes dos Anunnaki,
que levaram à engenharia genética que trouxe o Homo sapiens à
existência, deve ser óbvio.
Na versão mesopotâmica, é Enki, o cientista-chefe, que sugere a
engenharia genética envolvida para criar os terrestres que servissem
como Trabalhadores Primitivos, e teria de ser Enki que a Bíblia
registra ao dizer: "Vamos fazer o Adão à nossa imagem e
semelhança". Um epíteto de Enki era NU.DIM.MUD, "Ele que faz";
os egípcios também chamavam a Enki de Ptah - "O Que
Desenvolve", "Ele que fabrica coisas", e o representava fabricando o
homem de barro, como um oleiro. "O que Fez Adão", os profetas
repetidamente chamaram de Iavé ("Fazedor", e não "Criador"!) e o
comparavam a um oleiro fazendo o homem de barro, com um
freqüente sorriso bíblico.
Como mestre biólogo, o emblema de Enki era o das Serpentes
Entrelaçadas, representando a hélice dupla do DNA - o código
genético que capacitou Enki a realizar a mistura genética que trouxe
O Adão; depois (que é a história de Adão e Eva no Jardim do Éden)
a manipular os novos híbridos e os capacitar a procriar. Um dos
epítetos sumérios de Enki era BUZUR; significava tanto "Aquele que
resolve segredos" quanto "Ele das minas", pois o conhecimento de
mineralogia era considerado um dos segredos da terra, segredo das
entranhas escuras.
A história bíblica de Adão e Eva no Jardim do Éden - a história da
segunda manipulação genética - atribui à serpente o papel de
disparar a aquisição de "conhecer" (o termo bíblico para procriação
sexual). O termo em hebraico para serpente é Nahash; e, de forma
interessante, a mesma palavra se refere a um adivinho "Ele que
desvenda segredos", o mesmo significado do epíteto de Enki. Além
do mais, o termo deriva da mesma raiz que a palavra hebraica para
o minério de cobre, Nehoshet. Foi uma Nahash Nehoshet, uma
serpente de cobre, que Moisés fabricou e ergueu para cessar uma
epidemia que afligia os israelitas durante o Êxodo. Segundo nossa
análise, não temos outra saída senão concluir que o que ele usou
para invocar a intervenção divina foi um símbolo de Enki. Uma
passagem de II Reis, 18:4 revela que essa serpente de cobre, a
quem o povo chamou de Nehushtan (um jogo de palavras com o
significado triplo serpente-cobre-desvendador de segredos), foi
mantida no Templo de Jerusalém por quase sete séculos até a
época do rei Ezequias.
Pertinente a esse aspecto pode ser o fato de que, quando Iavé
tornou o cajado de pastoreio de Moisés um cajado mágico, o
primeiro milagre realizado foi transformá-lo em serpente. Seria,
então, Iavé o mesmo que Enki?
A combinação de biologia com mineralogia e com a habilidade de
desvendar segredos refletia o status de Enki como o deus da
sabedoria e das ciências, dos metais escondidos na terra; foi ele
quem implantou as operações de mineração no sudeste da África.
Todos esses aspectos eram atribuídos a Iavé. "É Iavé quem dá
sabedoria, de Sua boca saem a sabedoria e o entendimento", afirma
o Livro de Provérbios (2:6), e foi Ele quem trouxe sabedoria para
Salomão, assim como Enki dera ao Sábio Adapa. "O ouro é meu e a
prata é minha", anunciou Iavé (Haggai 2:8); "Darei a ti os tesouros
da escuridão e as riquezas ocultas dos locais secretos", prometeu
Iavé a Ciro (Isaías, 45:3).
A congruência mais clara entre as narrativas mesopotâmica e bíblica
pode ser encontrada na história do Dilúvio. Nas versões
mesopotâmicas, é Enki que se desloca para avisar seu seguidor fiel,
Ziuzudra/Utnapishtim, a respeito da catástrofe que se aproxima,
instruí-lo sobre como montar uma embarcação à prova d'água,
fornecer as especificações e dimensões, e, por fim, dirigi-lo para
salvar as sementes dos animais. Na Bíblia, tudo isso é feito por Iavé.
A idéia de identificar Iavé com Enki pode ser ampliada ao
examinarmos as referências dos domínios de Enki. Depois que a
Terra foi dividida entre os enlilitas e enkitas (segundo os textos
mesopotâmicos), Enki recebeu domínio sobre a África. Suas regiões
incluíam o Apsu (derivado de AB.ZU em sumério). O termo Apsu,
acreditamos, explica o termo bíblico Apsei-eretz, geralmente
traduzido como "os confins da Terra", a terra no final do continente -o sul da África, como o chamamos hoje. Na Bíblia, esse local
distante, o Apsei-eretz, é onde "Iavé vai julgar" (I Samuel 2:10), onde
ele governará quando Israel estiver reconstruído (Micah 5:3). Iavé
tem sido comparado com Enki em seu papel como governante do
Apsu.
Esse aspecto das similaridades entre Enki e Iavé se torna mais
enfático - e talvez mais embaraçoso para a Bíblia monoteísta -quando alcançamos uma passagem no Livro dos Provérbios no qual
a grandeza não ultrapassada de Iavé é trazida pelas perguntas
retóricas:
Quem subiu ao Céu e desceu dele?
Quem reteve os ventos em suas mãos?
Quem atou as águas como num manto?
Quem firmou o Apsei-eretz?
Qual é seu nome, e qual o nome de seu filho –
se é que o sabes?
Segundo fontes da Mesopotâmia, quando Enki dividiu o continente
africano entre seus filhos, ele garantiu o Apsu a seu filho Nergal. O
aspecto politeísta (em perguntar o nome de quem governa o Apsu e
o de seu filho) só pode ser explicado por uma retenção involuntária
editorial de uma passagem do texto sumério original - o mesmo
aspecto no uso de "nós" em "vamos criar o Adão" e em "vamos
descer", na história da Torre de Babel. Esse mesmo aspecto em
Provérbios (30:4) obviamente substitui Iavé por Enki.
Então Iavé seria Enki em trajes bíblico-hebraicos?
Se fosse tão simples assim... Se examinarmos de perto a história de
Adão e Eva no Jardim do Paraíso, descobriremos que enquanto é
Nahash - a serpente de Enki em seu disfarce de conhecedor dos
segredos biológicos - que motiva a vontade de Adão e Eva em
"conhecer" sexualmente um ao outro e lhes permite ter
descendentes, ele não é Iavé, e sim um antagonista de Iavé (assim
como Enki e Enlil). No texto sumério, é Enlil quem força Enki a
transferir alguns dos novos Trabalhadores Primitivos recém -fabricados (criados para trabalhar nas minas do Apsu) para o E.DIN,
na Mesopotâmia, a fim de que aprendessem a cultivar e pastorear.
Na Bíblia, é Iavé quem "tomou Adão e o colocou no Jardim do Éden
para cuidar de si e manter-se". Foi Iavé, não a serpente, que é
representado como o Senhor do Éden, que conversa com Adão e
Eva, descobre o que eles fizeram e os expulsa. Em tudo isso, a
Bíblia equaciona Iavé não com Enki, mas com Enlil.
De fato, na própria história - a história do Dilúvio - em que a
identificação de Iavé com Enki aparece de forma mais clara, é que a
confusão se estabelece. Os papéis são trocados, e de repente Iavé
faz o papel não de Enki, mas de seu rival, Enlil. No original
mesopotâmico, é Enlil que não está satisfeito com a humanidade,
quem procura a sua destruição na calamidade que se aproximava e
quem faz os outros líderes Anunnaki jurarem manter segredo da
humanidade. Na versão bíblica (Gênesis, capítulo 6), é Iavé quem
expressa seu descontentamento com a humanidade e toma a
decisão de varrer o homem da face da Terra. Na conclusão da
história, quando Ziusudra/Utnapishtim oferece sacrifícios no monte
Ararat, é Enlil a ser atraído pelo cheiro agradável de carne assada, e
(com alguma persuasão) aceita a sobrevivência da humanidade,
perdoa Enki e abençoa Ziusudra e sua esposa. No Gênesis, é para
Iavé que Noé constrói um altar e sacrifica animais, e foi Iavé quem
"sentiu o aroma agradável".
Então Iavé era Enlil?
Poder-se-ia construir um caso forte com essa identificação. Se
tivesse havido um "primeiro entre os iguais", no que se refere aos
dois meios-irmãos, filhos de Anu, o primeiro seria Enlil. Embora
fosse Enki o primeiro a chegar à Terra, foi EN.LIL ("Senhor do
Comando") que assumiu como chefe dos Anunnaki na Terra. Foi a
situação que correspondia à afirmação em Salmos 97:9: "Pois Tu, ó
Iavé, és supremo sobre toda a Terra; supremo és entre todos os
Elohim". A elevação de Enlil a esse status é descrita no Épico Atra-Hasis, nos versos introdutórios, antes do motim nas minas de ouro
dos Anunnaki:
Anu, pai deles, era o governante;
seu comandante era o herói Enlil.
Seu guerreiro era Ninurta;
seu provedor era Marduk.
Todos se deram as mãos,
fizeram lotes e os dividiram:
Anu subiu ao céu;
a Terra foi tornada um assunto de Enlil.
O reino da fronteira do mar
ao príncipe Enki foi dada.
Depois que Anu subiu ao céu,
Enki desceu para o Apsu.
(Enki, também chamado nos textos mesopotâmicos de E.A. "Ele,
Cuja Habitação é o mar" - era assim o protótipo do deus do mar,
Posêidon, da mitologia grega, irmão de Zeus, líder do panteão.)
Depois de Anu, o soberano de Nibiru, retornar a seu planeta da visita
à Terra, foi Enlil a convocar e presidir o Conselho dos Grandes
Anunnaki, sempre que isso se tornava necessário para tomar
decisões importantes. Em várias épocas de escolhas cruciais – tais
como criar O Adão, dividir a Terra em quatro regiões, instituir o
reinado tanto como amortecedor quanto como ligação dos Anunnaki
com a humanidade, assim como em épocas de crise entre os
próprios Anunnaki, quando suas rivalidades evoluíam para guerras,
chegando ao uso de armas nucleares - "Os Anunnaki que
decretavam o destino sentavam-se trocando conselhos". É típica a
forma como uma discussão era descrita: "Enki dirigiu a Enlil palavras
de louvor: 'Ó mais importante entre os irmãos, Touro do Céu, que
detém o destino do Homem"'. A não ser em épocas quando os
debates se tornavam aquecidos e repletos de gritos, o procedimento
era ordenado, com Enlil voltando-se para cada membro do Conselho
a fim de permitir a ele ou a ela que desse um aparte.
A Bíblia monoteísta deixa entrever várias vezes que Iavé foi descrito
dessa maneira, dirigindo uma assembléia de divindades menores,
geralmente chamados Bneí-elim - "filhos dos deuses". O Livro de Jó
começa sua história de sofrimento de um homem justo ao descrever
como o teste da fé em Deus seria o resultado de uma sugestão feita
por Satanás "um certo dia, como os filhos dos Elohim se tivessem
apresentado diante de Iavé". "O Senhor está presente no conselho
dos deuses, entre os Elohim Ele julga", lemos em Salmos 81:1.
"Entreguem-se a Iavé, ó filhos dos deuses, entreguem-se à glória e
poder de Iavé." Salmos 29:1 afirma: "curvem-se à Iavé, majestático
em santidade". O pedido que até os "filhos dos deuses" se
curvassem ao Senhor lembrava a descrição suméria do status de
Enlil como comandante-chefe: "Os Anunnaki se humilham perante
ele, os Igigi se curvam de boa vontade; aguardam fielmente ao lado,
esperando instruções".
É uma imagem de Enlil que se compara com a exaltação na Canção
de Miriam depois da travessia miraculosa do mar Vermelho: "Quem
é como Vós entre os deuses, Iavé? Quem é como Vós poderoso em
santidade, poderoso em louvores, o milagroso?" (Êxodo 15:11).
No que se refere a caráter pessoal, Enki, o criador da humanidade,
era mais permissivo, menos exigente, tanto com deuses como com
mortais. Enlil era mais severo, um tipo da "lei e da ordem", sem
compromissos nem hesitações em distribuir castigos quando esse
era o caso. Talvez por causa disso, enquanto Enki conseguia levar a
cabo promiscuidades sexuais, Enlil, que só transgredira uma vez
(quando teve um encontro/estupro com uma jovem enfermeira, que
acabou invertendo os valores da sedução), e foi sentenciado ao
exílio (sentença suspensa quando ele se casou com ela, a consorte
Ninlil). Ele via de forma adversa o casamento inter-racial entre
Nefilim e as "filhas de O Homem". Quando os males do homem se
tornaram demais, ele teve vontade de lidar com o assunto por meio
do Dilúvio. Sua rigidez com outros Anunnaki, mesmo seus próprios
filhos, foi ilustrada quando seu filho Nanar (o deus da lua, Sin)
lamentou a iminente desolação de sua cidade, Ur, em virtude da
nuvem nuclear mortal que derivou do Sinai. Enlil disse a ele: "Ur
recebeu o reinado; um reino eterno não foi concedido".
Apesar de seu caráter, Enlil, por outro lado, tinha o hábito de
recompensar. Quando as pessoas desempenhavam suas tarefas,
quando eram retas e tementes a Deus, Enlil, por sua vez, provia as
necessidades de todos, assegurando-se de que a terra e as pessoas
estivessem bem e prósperas. Os sumérios o chamavam
afetuosamente de "Pai Enlil" e "pastor das multidões abundantes".
Um Hino para Enlil, o Todo Benéfico, afirmava que sem ele
"nenhuma cidade seria construída, nenhuma colonização realizada,
nenhuma cerca ou estábulo erguidos, nenhum rei seria coroado,
nenhum sumo-sacerdote nascido. Esta última afirmação recordava o
fato de que Enlil precisava aprovar os reis e de que forma a
linhagem de sacerdotes se ampliava no terreno sagrado do "centro
de culto" em Nippur.
Essas duas características de Enlil - rigidez e punição pelas
transgressões, benevolência e proteção aos que mereciam - são
similares às de Iavé, conforme é mostrado na Bíblia. Iavé pode
abençoar e Iavé pode maldizer, afirma explicitamente o
Deuteronômio (11:26). Se os mandamentos divinos forem seguidos,
o povo e sua descendência serão benditos, suas colheitas serão
abundantes, sua criação se multiplicará, seus inimigos serão
derrotados, e o povo será bem-sucedido em tudo aquilo que
escolherem fazer; mas se esquecerem Iavé e seus mandamentos,
eles, suas casas e campos serão amaldiçoados e aflitos, com
perdas, privações e fome (Deuteronômio 28). "Iavé, teu Elohim, é um
deus piedoso", afirma Deuteronômio 4:31. Um capítulo mais adiante
(5:9), o mesmo livro declara que "Ele é um Deus vingativo..."
Foi Iavé quem determinou que existissem sacerdotes; foi Ele quem
ditou as regras para o reinado (Deuteronômio 17:16), e deixa claro
que será Ele quem vai escolher o rei - como sem dúvida foi o caso,
séculos depois, do Êxodo, começando com a escolha de Saul e
Davi. Em tudo isso, Iavé e Enlil imitavam um ao outro.
Um fato também significativo para essa comparação era a
importância dos números 7 e 50. Não são números fisiologicamente
óbvios (não temos 7 dedos numa mão), nem essa combinação é
típica de fenômenos naturais (7 X 50 é 350, não 365,25 o número de
dias num ano solar). A "semana" de 7 dias aproxima a extensão do
mês lunar (28,5 dias) quando multiplicada por 4, mas de onde viria
esse 4? Ainda assim, a Bíblia introduz a contagem de 7, e a
santidade do sétimo dia como o Sabá, desde o início da atividade
divina. A maldição de Caim durou sete vezes sete gerações; Jericó
deveria ser circulada sete vezes até que suas muralhas caíssem;
muitos dos ritos sacerdotais deveriam ser repetidos sete vezes, ou
durar sete dias. Num mandamento mais duradouro, o Festival do
Ano-Novo foi deliberadamente alterado do primeiro mês, Nissan,
para o sétimo mês, Tishrei, e as principais festas religiosas duram
sete dias. O número 50 foi um dos principais utilizados na
construção da Arca da Aliança e o Tabernáculo, além de elemento
importante na visão da reconstrução de Ezequiel. Era uma contagem
calendarista de dias nos ritos sacerdotais; Abraão persuadiu o
Senhor a poupar Sodoma se lá fossem encontrados cinqüenta
homens justos. Mais importante ainda, o conceito social e
econômico do Ano do Jubileu, no qual os escravos poderiam ser
libertados, as propriedades reverteriam para seus donos e assim por
diante. Era no qüinquagésimo ano: "Vós guardareis o
qüinquagésimo ano e proclamareis a liberdade na terra", afirma o
mandamento (Levítico 25).
Os dois números, 7 e 50, eram associados, na Mesopotâmia, a Enlil.
Ele era o "deus que é sete", porque, como o mais alto líder Anunnaki
na Terra, ele estava no comando do planeta que era o sétimo
planeta, e na hierarquia numérica dos Anunnaki, na qual Anu ostenta
o numeral mais alto (60), Enlil (como seu sucessor em Nibiru)
ostenta o número 50 (o número de Enki era 40). De forma
significativa, quando Marduk assumiu a supremacia na Terra por
volta de 2.000 a.C., uma das medidas para confirmar essa
ascendência era conceder a ele cinqüenta nomes, significando sua
ascensão ao Posto de 50.
As similaridades entre Iavé e Enlil estendiam-se para outros
aspectos. Apesar de ter sido representado em selos cilíndricos (o
que não é certo, pois a representação pode ser de Ninurta), Enlil era
um deus invisível, encerrado nas câmaras mais ocultas de seu
zigurate, ou longe da Suméria. Numa passagem do Hino a Enlil, o
Benigno, afirma-se sobre ele:
Quando, em sua exaltação, ele decreta o destino,
nenhum deus ousa olhar para ele;
apenas a seu exaltado emissário, Nusku,
a ordem, a palavra de seu coração,
ele torna conhecida.
Nenhum homem pode me ver e viver, diz Iavé a Moisés numa
situação similar; e Suas palavras e mandamentos eram conhecidas
por intermédio de emissários e profetas.
Enquanto todos esses motivos para equacionar Iavé com Enlil estão
frescos na mente do leitor, vamos oferecer as evidências contrárias
a esse ponto, que indicam outra identificação.
Um dos epítetos mais poderosos da Bíblia para Iavé é El Shaddai.
De etimologia incerta, presume uma aura de mistério, e na época
medieval tornou-se uma palavra-código para o misticismo
cabalístico. Tradutores gregos e latinos da Bíblia colocaram Shaddai
como" onipotente", sendo que, na tradução do rei James, é "Deus
Todo-Poderoso", quando o epíteto aparece nas histórias dos
Patriarcas (ex.: "E Iavé apareceu a Abraão e disse a ele: Eu sou El
Shaddai, caminhe segundo meus ensinamentos e serás perfeito", no
Gênesis 17:1), ou em Ezequiel, em Salmos, ou várias vezes em
outros livros da Bíblia.
Nos últimos anos, o avanço no estudo do acadiano sugere que a
palavra hebraica é relativa a shaddu, que significa "montanha" em
acadiano; assim, El Shaddai significaria "Deus das Montanhas". Isso
pode ser uma compreensão correta do termo bíblico, indicado por
um incidente em I Reis, capítulo 20. Os arameus, que foram
derrotados numa tentativa de invadir Israel (Samaria), recuperaram
suas perdas e, cerca de um ano mais tarde, planejavam um segundo
ataque. Para vencer, os generais do rei arameu sugeriram que se
usasse um engodo para atrair os israelenses a saírem de suas
fortalezas nas montanhas para um campo de batalha nas planícies
costeiras. "O deus deles é um deus da montanha, por isso eles nos
venceram; se lutarem em terreno plano, nós somos mais fortes",
argumentaram os generais com o rei.
Não haveria forma de que Enlil pudesse ser chamado, ou tivesse a
reputação de ser um “deus das montanhas”, pois não existem
montanhas na grande planície que a Mesopotâmia era (e ainda é).
Nos domínios enlilitas, a terra chamada de “Terra montanhosa” era a
Ásia Menor, para o norte, iniciando com as montanhas do Touro; e
era a região de Adad, o filho mais novo de Enlil. O nome sumério
dele era ISH.KUR (e seu "animal de culto", o touro), que significa
"Ele da terra montanhosa". O sumério ISH era escrito como shaddu
em acadiano; assim, Il Shaddu pode ter se tomado o bíblico El
Shaddai.
Os estudiosos falam de Adad, a quem os hititas chamavam de
Teshub o “deus da tempestade”, sempre representado com um raio,
trovões e ventos, e assim era o deus da chuva. A Bíblia credita a
Iavé atributos similares. “Quando Iavé solta sua voz”, afirma
Jeremias, “há um troar de águas no céu e tempestades que chegam
dos confins da Terra; Ele faz raios com a chuva e sopra o vento em
suas fontes”. Salmos (135:7), o Livro de Jó e outros profetas
reafirmam o papel de Iavé como quem concede ou retira chuvas, um
papel inicialmente exposto aos Filhos de Israel durante o Êxodo.
Enquanto tais atributos maculam as similaridades entre Iavé e Enlil,
não devemos nos empolgar e presumir que Iavé seja a imagem
espelhada de Adad. A Bíblia reconhece a existência de Hadad
(como é escrito seu nome em hebraico) como um dos outros deuses
de outras nações, não de Israel, e menciona vários reis e príncipes
(na Damasco e em outras capitais vizinhas), chamados BenHadad
(Filho de Adad). Em Palmira (a Tadmor bíblica), capital da Síria
Oriental, o epíteto de Adad era Ba'al Sahmin, “Senhor do Céu”, por
isso alguns profetas o contavam como um dos deuses do panteão
de Baal, que eram uma abominação aos olhos de Iavé. Não existe
jeito, portanto, de Iavé ter sido o mesmo que Adad.
A compatibilidade entre Iavé e Enlil é ainda diminuída por outro
importante atributo de Iavé, o de guerreiro. "Iavé avança como um
guerreiro, como um herói ele chicoteia sua ira; ele troveja e grita, e
sobre seu inimigo prevalecerá", afirma Isaías (42:13), ecoando o
verso da Canção de Míriam, que afirma: "Um Guerreiro é Iavé"
(Números capítulo 15). Continuamente a Bíblia se refere a Iavé e o
descreve como "Senhor dos Exércitos", "Iavé, Senhor dos Exércitos,
comanda um exército de guerra", declara Isaías (13:4). Números 21:
14 refere-se ao Livro das Guerras de Iavé, no qual as guerras
divinas foram registradas.
Não existe nada nos registros da Mesopotâmia que sugira tal
imagem para Enlil. O guerreiro por excelência era seu filho, Ninurta,
que lutou e derrotou Zu, combateu na Guerra das Pirâmides com os
enkitas e capturou e aprisionou Marduk na Grande Pirâmide. Seus
epítetos mais freqüentes eram o de "guerreiro" e "herói", sendo
saudado pelos hinos como "Ninurta, Filho Principal, possuidor de
poderes divinos... herói cujas mãos carregam as divinas armas
brilhantes". Seus feitos como guerreiro foram descritos num texto
épico cujo título sumério é Lugal-e Ud Melam-bi, que os estudiosos
chamaram de O Livro dos Feitos e Explorações de Ninurta. Teria
sido o enigmático Livro das Guerras de Iavé, que a Bíblia menciona?
Em outras palavras, poderia Iavé ter sido Ninurta?
Como Filho Principal e aparente herdeiro de Enlil, Ninurta também
ostentava o número 50, e assim podia qualificar-se tanto quanto Enlil
para ser o Senhor que decreta o ano do Jubileu e outros aspectos
do número 50 mencionados pela Bíblia. Ele possuía um famoso
Divino Pássaro Negro, que usava tanto para combate quanto para
missões humanitárias; pode ter sido o Kabod que Iavé possuía. Ele
era ativo nos montes Zagros, a leste da Mesopotâmia, as terras de
Elam, e era reverenciado lá como Ninshushinak, "Senhor da Cidade
de Shushan" (a capital elamita). Em determinada época, ele
executou grandes trabalhos de represamento nos montes Zagros;
em outra oportunidade, ele represou e alterou o traçado de canais
na montanha, para tomar cultivável a parte montanhosa da
península do Sinai e a canalização dessas águas para sua mãe
Ninharsag; de uma certa maneira, ele também era um "deus de
montanhas". Sua associação com a península do Sinai e com a
canalização das águas ali, que só vinham com as chuvas de inverno,
com um sistema de irrigação, ainda é lembrada: o maior wadi (rio
que se enche no inverno e seca no verão) na península ainda é
chamado de Wadi El-Arish, o wadi do Urash - o Ceifador -, um
apelido antigo de Ninurta. Uma associação com a península do
Sinai, devido ao seu trabalho com irrigação e à residência de sua
mãe, também oferece ligações para uma relação com a identificação
de Iavé.
Outro aspecto interessante de Ninurta que invoca uma similaridade
com o Senhor da Bíblia vem à luz numa inscrição do rei assírio
Assurbanipal, que, em determinada época, invadiu Elam. Nela, o rei
o chamava de "Deus misterioso que fica num lugar secreto onde
ninguém pode ver como é esse ser divino". Um deus invisível!
Porém Ninurta, no tocante aos primeiros sumérios, não era um deus
escondido, e representações gráficas dele, conforme mostramos,
nem ao menos são raras. Em conflito com uma identificação Iavé
Ninurta, topamos com um grande texto antigo que lida com um
evento inesquecível, cujos detalhes deixam claro que Ninurta não
era Iavé.
Uma das ações mais decisivas atribuídas a Iavé na Bíblia, com
efeitos duradouros e lembranças indeléveis, foi a destruição de
Sodoma e Gomorra. O evento, como mostramos em detalhes no
livro As Guerras de Deuses e Homens, foi descrito e lembrado nos
textos mesopotâmicos, tornando possível uma comparação das
divindades envolvidas.
Na versão bíblica, Sodoma (onde morava o sobrinho de Abraão com
sua família) e Gomorra, cidades na planície verde ao sul do mar
Morto, eram pecaminosas. Iavé "desce", acompanhado por dois
anjos, para visitar Abraão e sua mulher, Sara, em seu acampamento
perto de Hebron. Depois que Iavé prediz que o casal idoso teria um
filho, os dois anjos partem para Sodoma a fim de verificar como
estão as cidades "pecadoras". Iavé então revela a Abraão que, se os
pecados fossem confirmados, as cidades e seus habitantes seriam
destruídos, Abraão pede a Iavé que poupe Sodoma se cinqüenta
homens justos forem lá encontrados. Iavé concorda (o número é
barganhado por Abraão até dez) e parte em seguida. Os anjos,
tendo verificado o mal nas cidades, avisam Lot para que retire sua
família de lá. Ele pede tempo para atingir as montanhas, e eles
concordam em adiar a destruição. Finalmente, começa o castigo das
cidades, "Iavé fez chover sobre Sodoma e Gomorra enxofre e fogo,
vindos de Iavé desde os céus. E destruiu essas cidades e toda a
planície e a todos os moradores das cidades e as plantas da terra...
E madrugou Abraão pela manhã ao lugar em que estivera diante de
Iavé, e olhou sobre a face de Sodoma e Gomorra, e sobre toda a
terra da planície, e viu, e eis que subia uma fumaça da terra, como a
fumaça de uma fornalha" (Gênesis 19).
O mesmo evento está bem documentado nos anais da Mesopotâmia
como a culminação do esforço de Marduk para conseguir a
supremacia na Terra. Vivendo no exílio, Marduk deu a seu filho
Nabu a tarefa de converter as pessoas na Ásia ocidental para se
tornarem seguidores de Marduk. Depois de uma série de
escaramuças, as forças de Nabu tornaram-se fortes o suficiente para
invadir a Mesopotâmia e possibilitar o regresso de Marduk para a
Babilônia, onde ele declarou sua intenção de torná-la o Portal dos
Deuses (que é o significado do nome Bab-Ili). Preocupados, os
Anunnaki reuniram-se num conselho de emergência, presidido por
Enlil. Ninurta e um filho alienado de Enki chamado Nergal (dos
domínios sul-africanos) recomendaram uma ação drástica para parar
Marduk. Enki protestou veementemente. Ishtar lembrou que
enquanto discutiam Marduk capturava cidade após cidade.
"Delegados" foram enviados para apanhar Nabu, mas ele escapou e
escondeu-se entre os seguidores de uma das "cidades pecadoras".
Por fim, Ninurta e Nergal foram autorizados a recuperar de um
esconderijo poderosas armas nucleares e usá-las para destruir o
Espaçoporto no Sinai (a fim de evitar que caíssem nas mãos de
Marduk) assim como a área onde Nabu se escondia.
O drama que se desenrolou, as discussões acirradas, as acusações
e as ações drásticas finais - o uso das armas nucleares em 2.024
a.C. - são descritos com detalhes num texto que os estudiosos
chamam de Erra Epic.
Nesse documento, Nergal é chamado de Erra "O Uivador", e
Ninurta, de Ishum ("O Calcinador"). Uma vez que receberam
permissão, recuperaram "as terríveis sete armas sem paralelo" e
foram para o Espaçoporto perto do Monte Supremo. A destruição do
Espaçoporto foi levada a cabo por Ninurta/Ishum: "Ele ergueu a
mão; o monte foi esmagado; a planície ao lado do Monte Supremo
então ele atingiu; em suas florestas nem um só tronco ficou em pé".
Chegara a vez das cidades da planície, e a tarefa foi desempenhada
por Nergal/Erra. Ele chegou lá seguindo a Estrada do Rei, que ligava
o Sinai e o mar Vermelho com a Mesopotâmia:
Então, imitando Ishum,
Erra seguiu a Estrada do Rei.
Extinguiu as cidades,
entregou-as à desolação.
O uso de armas nucleares naquela região destruiu uma ponta de
areia que ainda existe parcialmente (chamada EI Lissan), e as águas
do mar Morto avançaram para o sul, inundando a planície baixa. O
texto antigo registra que Erra/Nergal "cavou através do mar Salga do,
dividiu sua integridade". E a arma nuclear transformou o mar
Salgado na extensão de água chamado atualmente de mar Morto:
"O que vivia ali ele murchou", e o que costumava ser planície
verdejante; ele "com fogo calcinou os animais, queimou os grãos até
se tornarem pó".
Assim como no caso típico dos atores divinos na história do Dilúvio,
encontramos nessa, relativa à destruição de Sodoma, Gomorra e
outras cidades daquela planície na península do Sinai, material para
examinar a quem Iavé pode ou não corresponder quando
comparamos os textos bíblicos e sumérios. O texto mesopotâmico
associa claramente Nergal, e não Ninurta, como quem destruiu as
cidades rebeldes. Como a Bíblia afirma que não foram os dois anjos
a verificar a situação, mas o próprio Iavé quem destruíra as cidades,
Iavé não poderia ter sido Ninurta.
(A referência, no capítulo 10 do Gênesis, a Nimrod como aquele
creditado com o início dos reinados na Mesopotâmia, que já
discutimos, é interpretada como uma referência a um rei não-humano, mas divino, e de fato foi Ninurta quem recebeu a tarefa de
estabelecer os reinados na Terra. Sendo assim, a afirmativa bíblica
de que Nimrod "era caçador valente perante Iavé" anula a
possibilidade de Ninurta/ Nimrod ter sido Iavé.)
Mas Nergal também não era Iavé. Ele é mencionado pelo nome
como divindade dos cuteanos entre os estrangeiros trazidos pelos
assírios para substituir os israelitas que estavam exilados. Ele está
listado entre os "outros deuses" que os recém -chegados adoravam e
para quem faziam ídolos. Ele não poderia ter sido "Iavé" e
"Abominação de Iavé" ao mesmo tempo.
Se Enlil e seus dois filhos, Adad e Ninurta, não são finalistas em
nossa procura para identificar Iavé, que tal o terceiro filho de Enlil,
Nanar/Sin (o "deus da Lua")?
Seu" centro de culto" (como os estudiosos o chamam) na Suméria
ficava em Ur, a mesma cidade na qual a migração de Terah e sua
família se iniciou. De Ur, onde Terah realizava serviços sacerdotais,
foram para Haran, no Alto Eufrates - uma cidade na qual havia uma
duplicata (mesmo em escala menor) de Ur como um centro de culto
de Nanar. A migração naquele instante em particular acreditamos
estivesse ligada a mudanças religiosas e monárquicas que possam
ter afetado a adoração de Nanar. Teria sido ele quem instruiu
Abraão, o sumério, a apanhar suas coisas e partir?
Tendo trazido paz e prosperidade à Suméria quando Ur era capital,
Nanar foi venerado no maior zigurate de Ur (cujos restos se erguem
majestosamente até os dias de hoje) com sua bem-amada esposa
NIN.GAL ("Grande Senhora"). Na época da Lua nova, os hinos
cantados a esse casal divino expressavam a gratidão do povo a
eles; o escuro da Lua era considerado uma época de "mistério dos
grandes deuses, a época do oráculo de Nanar", quando ele enviava
"Zaqar, o deus dos sonhos durante a noite", para dar ordens, assim
como para perdoar pecados. Ele foi descrito nos hinos como "juiz
dos destinos no Céu e na Terra, líder das criaturas vivas... que dá
existência à verdade e à justiça".
Não parece muito diferente das preces do salmista a Iavé...
O nome acadiano/semítico de Nanar era Sin, e não resta dúvida de
que foi em honra de Nanar como Sin que aquela parte da península
foi chamada de deserto de Sin, aliás, toda a península. Foi nes sa
parte do mundo que Iavé apareceu a Moisés pela primeira vez, onde
o "monte dos deuses" ficava, onde aconteceu a Grande Teofania.
Além do mais, o principal hábitat na planície central do Sinai, na
vizinhança do que acreditamos ter sido o verdadeiro monte Sinai,
ainda é chamado, em árabe, de Nakhl, originário da deusa Ningal,
cujo nome semita era pronunciado Nikal.
Seria uma indicação da identificação Iavé = Nanar/Sin?
A descoberta, várias décadas atrás, de grande quantidade de
literatura de Canaã ("mitos" para os estudiosos) lidando com os
panteões deles revelam que enquanto um deus que eles chamavam
Ba'al (a palavra genérica para "Senhor", usada como nome pessoal)
dirigia as coisas, não era completamente independente de seu pai,
EI (um termo genérico que significa "deus", usado como nome).
Nesses textos, El é apresentado como um deus aposentado, que
vive com sua esposa Asherah longe das áreas povoadas, num lugar
sossegado, onde" as duas águas se encontram" - um lugar que
identificamos em A Escada para o Céu como a ponta sul da
península do Sinai, onde os dois golfos, estendendo-se desde o mar
Vermelho, se encontram. Esse fato e outras considerações nos
levaram à conclusão de que o cananeu El era Nanar/Sin
aposentado; incluindo nos motivos o fato, já exposto, de que um
"centro de culto" para Nanar/Sin existia como cruzamento vital de
caminhos no antigo Oriente Médio, e mesmo hoje em dia, a cidade
conhecida por nós como Jericó, cujo nome bíblico e semita é Yeriho,
que significa "Cidade do Deus Lua"; assim como a adoção, pelas
tribos do sul, de Alá - "El" em árabe - como o deus do Islã é
representado pela lua em fase crescente.
Descrito nos textos cananeus como um deus aposentado, El como
Nanar/Sin também teria sido forçado a aposentar-se: os textos
sumérios sobre os efeitos da nuvem nuclear que derivou para o leste
e lá alcançou a Suméria e sua capital, Ur, revelam que Nanar/Sin -recusando-se a deixar sua amada cidade - foi afetado pela nuvem
mortal, ficando parcialmente paralisado.
A imagem de Iavé, especialmente no período do Êxodo e na
colonização de Canaã - depois, não antes do final de Ur -, não
parece combinar com a divindade aflita, cansada e aposentada que
Nanar/Sin se tornou. A Bíblia o descreve como uma divindade ativa,
insistente e persistente, completamente no comando, desafiando
deuses no Egito, distribuindo pragas, despachando anjos,
percorrendo os céus; onipresente, realizando maravilhas, um
curador mágico, um Arquiteto Divino. Não encontramos nenhuma
dessas descrições em Nanar/Sin.
Tanto a veneração quanto o medo dele derivam da associação com
seu correspondente no espaço, a Lua; esse aspecto celeste serve
como argumento decisivo contra sua identificação com Iavé. Na
ordem divina da Bíblia, foi Iavé quem ordenou que o Sol e a Lua
servissem como luzeiros; "o Sol e a Lua louvam Iavé", declara o livro
dos Salmos (148:3). E na Terra, o desabar das muralhas de Jericó
perante as trombetas de Iavé simbolizam a supremacia de Iavé
sobre o deus da Lua, Sin.
Existe ainda o assunto de Baal, o deus cananeu cuja adoração era
um espinho constante para os fiéis de Iavé. Os textos descobertos
revelam que Baal era um filho de El. Sua moradia nas montanhas do
Líbano ainda é conhecida como Baalbek, "o vale de Baal" - o local
que foi o primeiro destino de Gilgamesh em sua busca da
imortalidade. O nome bíblico para isso era Beit-Shemesh - a
"Casa/habitação de Shamash"; Shamash, lembramos, era um filho
de Nanar/Sin. Os "mitos" cananeus devotaram bastante espaço em
suas estelas de argila ao relacionamento entre Baal e sua irmã,
Anat; a Bíblia lista na área de Beit-Shemesh um lugar chamado Beit
Anat; e temos como certo que o nome semita Anat era uma
corruptela de Anunitu (" Amada de Anu") - um apelido de
Inana/Ishtar, irmã gêmea de Utu/Shamash.
Isso tudo sugere que no trio cananeu El-Baal-Anat enxergamos a
tríade mesopotâmica de Nanar/Sin-Utu/Shamash-Inana/Ishtar - os
deuses associados com a Lua, o Sol e Vênus. E nenhum deles
poderia ter sido Iavé, pois a Bíblia está repleta de avisos contra a
adoração desses corpos celestes e seus emblemas.
Se nem Enlil nem qualquer de seus filhos (ou netos) se enquadram
como Iavé, a busca deve voltar-se para outro lado, em direção aos
filhos de Enki, para quem algumas das qualificações apontam.
As instruções dadas a Moisés durante a estada no monte Sinai
foram, em grande parte, de natureza médica. Cinco capítulos no
Levítico e muitas passagens em Números são devotados a
procedimentos médicos, diagnóstico e tratamento. "Curai-me, Iavé, e
serei curado", diz Jeremias (17:14); "Minha alma abençoa Iavé, que
cura todos os meus males", em Salmos (103:1-3). Por causa de sua
piedade, o rei Ezequias não apenas foi curado de uma doença fatal
pela palavra de Iavé, mas também ganhou mais quinze anos para
viver (II Reis, capítulo 19). Iavé não apenas era capaz de curar e
aumentar a vida, mas também podia (por intermédio de seus anjos e
profetas) reviver os mortos; um exemplo extremo foi providenciado
pela visão de Ezequiel de ossos espalhados e secos que voltavam à
vida, sua morte ressurgida pela vontade de Iavé.
O conhecimento biológico-médico com essas capacidades era
atribuição de Enki, e ele passou esse conhecimento para dois de
seus filhos: Marduk (conhecido como Rá no Egito) e Tot (a quem os
egípcios chamavam de Tehuti, e os sumérios de NIN.GISH.ZIDDA -"Senhor da Árvore da Vida"). Em relação a Marduk, muitos textos
babilônicos se referem às suas habilidades de cura; porém -conforme revelado por sua queixa ao pai - ele possuía poderes de
cura, mas não o de reviver os mortos. Por outro lado, Tot possuía tal
sabedoria que empregou-a em uma ocasião para reviver Hórus, filho
do deus Osíris e de sua esposa-irmã Ísis. Segundo o texto
hieroglífico que lida com esse acontecimento, Hórus foi picado por
um escorpião venenoso e morreu. Sua mãe, então, apela para "o
deus das coisas mágicas", Tot desce dos céus num barco espacial e
devolve a vida ao menino. .
Quando chegou o momento da construção e do equipamento do
Tabernáculo no deserto do Sinai, e depois mais tarde, no Templo de
Jerusalém, Iavé demonstrou um conhecimento impressionante de
arquitetura, alinhamentos sagrados, detalhes decorativos, uso de
materiais e procedimentos de construção, chegando ao ponto de
mostrar aos terrestres envolvidos modelos em escala do que Ele
havia projetado ou desejado. Marduk não era conhecido por uma
sabedoria tão ampla; porém Tot/Ningishzidda era. No Egito, ele era
chamado de guardião dos segredos da construção de pirâmides, e
como Ningishzidda foi convidado para ir até Lagash a fim de ajudar a
orientar, projetar e escolher materiais para o templo construído para
Ninurta.
Outro ponto de congruência entre Iavé e Tot é o assunto do
calendário. O primeiro calendário egípcio foi atribuído a Tot, e
quando, ao ser expulso do Egito por Rá/Marduk, foi (segundo
nossas descobertas) para a América Central, onde foi chamado de
"Serpente Alada" (Quetzalcoatl), ele criou lá os calendários maia e
asteca. Como fica claro pelos livros bíblicos do Êxodo, Levítico e
Números, Iavé não apenas mudou o ano-novo para o sétimo mês
como também instituiu a semana, o sabá e uma série de feriados.
Curador; ressuscitador dos mortos que desceu num barco do céu;
Arquiteto Divino; grande astrônomo e projetista de calendários. Os
atributos comuns a Tot e Iavé parecem exagerados.
Tot seria Iavé?
Embora conhecido na Suméria, Tot não era considerado lá um dos
grandes deuses, e assim não se enquadraria no epíteto "o Altíssimo"
que tanto Abraão quanto Melquisedeque, sacerdote de Jerusalém,
usaram em seus encontros. Acima de tudo, Tot era um deus egípcio,
e (a menos que seja excluído pelo argumento de que ele era Iavé)
era um dos que Iavé iria julgar. Renomado no Egito Antigo, não
havia um faraó ignorante de sua divindade. Ainda assim, quando
Moisés e Aarão chegaram perante o faraó e lhe disseram: "Assim
disse Iavé, o Deus de Israel: Liberta meu povo para que ele festeje a
Mim no deserto", o faraó respondeu: "Quem é esse Iavé para que eu
escute sua voz e liberte Israel? Não conheço Iavé e não libertarei
Israel".
Se Iavé fosse Tot, o faraó não teria respondido isso a Moisés, e a
tarefa que ele e Aarão desempenharam teria sido muito mais fácil de
conseguir, pois bastaria dizer: "Iavé é outro nome de Tot"; além
disso, Moisés, tendo sido criado na Corte egípcia, não teria
dificuldade em saber disso... se fosse verdadeiro.
Se Tot não era Iavé, isso deixa, pelo processo de eliminação,
apenas mais um candidato: Marduk.
Que ele tenha sido um "deus altíssimo" é bem estabelecido; o
Primogênito de Enki, que acreditava que seu pai fora injustamente
privado da supremacia na Terra - uma supremacia da qual ele,
Marduk, e não Ninurta, filho de Enlil, seria o sucessor legítimo. Seus
atributos incluíam muitos - quase todos - os de Iavé. Ele possuía um
Shem, urna câmara celeste, assim corno Iavé; quando o rei
babilônio Nabucodonosor li reconstruiu o território sagrado na
Babilônia, havia um compartimento especial para a "carruagem de
Marduk, Viajante Supremo entre Céu e Terra".
Quando Marduk finalmente obteve a supremacia na Terra, não
desacreditou os outros deuses. Ao contrário, ele os convidou a todos
para residirem em pavilhões individuais no interior do recinto
sagrado da Babilônia. Havia apenas uma condição: seus poderes e
atributos específicos teriam de passar para ele - assim corno os
"Cinqüenta Nomes" de Enlil. Um texto babilônico, em sua porção
legível, apresenta as funções dos outros deuses, transferidas para
Marduk:
Ninurta = Marduk do cultivo
Nergal = Marduk do ataque
Zababa = Marduk do combate
Enlil = Marduk do senhorio e conselho
Nabu = Marduk dos números e contagens
Sin = Marduk o iluminador da noite
Shamash = Marduk da justiça
Adad = Marduk das chuvas
Esse não era o monoteísmo dos profetas e dos Salmos; era o que
os estudiosos chamam de henoteísmo - religião em que se cultua
uma única divindade, considerada suprema, mas sem negar a
existência de outros deuses. Ainda assim, Marduk não reinou muito
tempo, pois logo depois de sua ascensão a deus nacional da
Babilônia, encontrou rival nos assírios, pela instituição de Asur como
"Senhor de todos os deuses".
À parte os argumentos que já mencionamos no caso de Tot, que
negam uma identificação com qualquer divindade egípcia (afinal,
Marduk foi o grande deus Rá), a própria Bíblia especificamente deixa
de fora qualquer relacionamento de Marduk com Iavé. Em seções
que tratam da Babilônia, Iavé é mostrado como maior, mais
poderoso e supremo em comparação com os deuses dos babilônios.
Tanto Isaías (46:1) quanto Jeremias (50:2) viram Marduk (também
conhecido como Bel, em seu epíteto babilônio) e seu filho Nabu
caídos e fora de ação perante Iavé, no Dia do Julgamento.
As palavras proféticas representavam os dois deuses babilônicos
como antagonistas e inimigos de Iavé. Marduk (e por conseguinte
seu filho Nabu) não poderia ter sido Iavé.
(No que se relaciona ao próprio Asur, as Listas dos Deuses e outras
evidências sugerem que ele era uma espécie de Enlil ressurgente,
rebatizado pelos assírios de "O Que Tudo Vê", e, como tal, não
poderia ter sido Iavé.)
À medida que descobrimos similaridades e, por outro lado,
diferenças cruciais e aspectos contraditórios em nossa procura por
um "Iavé" que combine nos panteões do Oriente Médio, podemos
continuar fazendo isso dizendo o que Iavé disse a Abraão: Levanta
teus olhos para o céu...
O rei babilônio Hamurábi registrou assim a legitimação da
supremacia de Marduk na Terra:
Magnífico Anu,
Senhor dos Anunnaki,
e Enlil,
Senhor do Céu e da Terra
que determina o destino da terra,
determinadas para Marduk, primogênito de Enki,
estão as funções de Enlil sobre toda a humanidade
e o fez grande entre os Igigi.
Como esse texto torna claro, até Marduk, ao assumir a supremacia
na Terra, reconhecia que era Anu, não ele, o "Senhor dos
Anunnaki". Seria ele o "Deus Altíssimo" pelo qual Abraão e
Melquisedeque se saudaram mutuamente?
O signo cuneiforme para Anu (AN em sumério) era uma estrela;
possuía os significados múltiplos de "deus, divino", "Céu" e o nome
pessoal da divindade. Anu, conforme sabemos pelos textos
mesopotâmicos, ficava no "céu"; numerosos versos bíblicos também
descrevem Iavé como Aquele Que Está no Céu. Foi "Iavé, o Deus do
Céu", que ordenou que ele deixasse sua terra, afirmou Abraão
(Gênesis 24:7). "Sou hebreu, e é Iavé, o Deus do Céu, que eu
venero", disse o profeta Jonas (1:9). "Iavé, o Deus do Céu, me
mandou construir para Ele uma Morada em Jerusalém, na Judéia",
afirmou Ciro em seu edito em relação à reconstrução do Templo em
Jerusalém" (Esdras 1:2). Quando Salomão completou a construção
do (primeiro) Templo em Jerusalém, ele rezou a Iavé para que o
escutasse dos céus e abençoasse o Templo como Sua Casa,
embora admitisse Salomão que mal fosse possível que "Iavé
Elohim" viesse morar na terra, em sua Casa, "quando o céu e o céu
dos céus não são capazes de conter a Vós" (I Reis 8:27); e Salmos
repete: "Dos céus Iavé olhou para baixo, para os Filhos de Adão"
(14:2); "Do céu Iavé contemplou a Terra" (102:20); e "no Céu Iavé
estabeleceu seu trono" (103:19).
Embora Anu tenha visitado a Terra várias vezes, ele morava em
Nibiru; e como o deus que mora no Céu, tratava-se de um deus
invisível; entre as incontáveis representações de divindades em
selos cilíndricos, estátuas e estatuetas, esculturas, murais, amuletos
- a imagem dele não aparece uma só vez!
Como também Iavé era invisível e não possuía representações
pictóricas, residindo no "Céu", a pergunta inevitável que surge é:
Onde era a morada de Iavé? Com tantos paralelos entre Iavé e Anu,
será que Iavé também tinha uma "Nibiru" para morar?
A pergunta, e sua relevância para a invisibilidade de Iavé, não se
originou por nós, agora. Foi colocada com certo sarcasmo para um
sábio judeu, Rabbi Gamliel, quase 2.000 anos atrás; a resposta dada
foi surpreendente!
A conversa, traduzida para o inglês por S. M. Lehrman em O Mundo
da Midrash, segue aqui:
Quando o Rabbi Gamliel foi indagado por um herege sobre qual
seria a localização exata de Deus, percebendo que as terras são
vastas e ainda há sete oceanos, respondeu simplesmente:
- Isso eu não posso dizer.
Baseado na resposta, o outro continuou em tom de desafio:
- E chama a isso de Sabedoria, rezar diariamente para um Deus que
você não sabe onde está?
O rabino sorriu.
- Você pede que eu aponte o dedo para o lugar exato da Presença
Dele, apesar de que a tradição ensina que a distância entre o céu e
a Terra levaria uma jornada de 3.500 anos para ser percorrida.
Assim, posso perguntar o paradeiro exato de algo que está sempre
com você e que, se o perder, não viverá um só momento?
- O que é? - quis saber por fim o pagão, intrigado.
- A alma que Deus colocou em seu interior; me diga exatamente
onde está - pediu o rabino.
Perplexo, o homem sacudiu a cabeça numa negativa. Foi a vez do
rabino de parecer espantado.
- Se você não sabe onde a própria alma está localizada, como pode
esperar saber a moradia exata do Uno que enche o mundo inteiro
com sua glória?
Vamos examinar cuidadosamente a resposta do rabino Gamliel:
segundo a tradição judaica, disse ele, o local exato do céu onde
Deus reside é tão distante que seria necessária uma viagem de
3.500 anos...
Quão perto se pode chegar dos 3.600 anos que Nibiru leva para
completar uma volta ao redor do Sol?
Embora não existam textos específicos que descrevam a morada de
Anu em Nibiru, alguma idéia podemos tirar de textos como a história
de Adapa, de referências ocasionais e até mesmo de
representações assírias. Era um lugar... vamos pensar nele como
um palácio real - que foi acessado através de portões imponentes,
flanqueados por torres. Um par de deuses (Ninghishzida e Dumuzi
são mencionados numa das versões) montava guarda aos portões.
No interior, Anu estava sentado num trono; quando Enlil e Enki se
encontravam em Nibiru, ou quando Anu visitara a Terra, eles
flanqueavam o trono, segurando emblemas celestes.
(Os Textos das Pirâmides do Egito Antigo, descrevendo a subida no
pós-vida do faraó para sua morada celeste, carregado para o alto
por um "elevador", anunciado para o rei que partia: "Os portões
duplos do céu estejam abertos para ti, os portões duplos do céu es-tejam abertos para ti", e viram quatro deuses empunhando cetros e
anunciando sua chegada a "Estrela Imperecível".)
Na Bíblia também, Iavé foi descrito como sentado num trono,
ladeado por anjos, enquanto Ezequiel descrevia ver a imagem do
Senhor, cintilando como eletricidade, sentado num trono no interior
de um Veículo Voador, "o trono de Iavé está no Céu", afirma Salmos
(11:4); os profetas declaram enxergar Iavé sentado num trono, no
céu. O profeta Micaías ("Que é como Iavé"), um contemporâneo de
Elias, disse ao rei da Judéia que procurou um oráculo divino (I Reis
capítulo 22):
Eu vi Iavé sentado em seu trono,
e as hastes do Céu estavam perante ele,
à sua direita e à sua esquerda.
O profeta Isaías registra (capítulo 6) uma visão que ele teve "no ano
em que o rei Uzias morreu", na qual ele viu Deus sentado em seu
trono, na companhia de anjos flamejantes:
Contemplei meu Senhor sentado num trono alto e magnífico,
e a cauda do Seu manto enchia o grande saguão.
Serafins a atendiam,
cada um com seis asas:
com um par, cada um cobria o rosto,
com um par, cada um cobria as pernas,
e com um par cada um, voavam.
E um dizia para o outro:
Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos.
As referências bíblicas ao trono de Iavé vão longe: fornecem sua
localização num lugar chamado Olam. "Teu trono está estabelecido
para sempre, desde Olam Tu és", declara o livro dos Salmos (93:2).
"Iavé, estás entronado em Olam ao longo das eras", afirma o Livro
das Lamentações (5:19).
Geralmente, porém, não é assim que esses versos são traduzidos.
Na versão do rei James, por exemplo, o verso citado de Salmos é
traduzido: "Teu trono está estabelecido há muito, És como a
eternidade". O verso em Lamentações: "Tu, ó Senhor, permaneces
para sempre; Teu trono, de geração a geração". Traduções
modernas apresentam Olam como "infinito" e "interminável" (The
New American Bible), ou "eternidade" e "para sempre" (The New
English Bible), revelando uma indecisão ao considerar o termo
adjetivo ou substantivo. Ao reconhecer, entretanto, que Olam é
claramente um substantivo, a mais recente tradução pela Jewish
Publication Society adotou "eternidade", um substantivo abstrato,
como solução.
A Bíblia hebraica, rígida em relação à terminologia, tem outros
termos para afirmar o estado de "durar para sempre". Um deles é
Netzah, como em Salmos 89:47, que pergunta "Quanto tempo,
Senhor, irás esconder-Te a Ti mesmo - para sempre?". Um outro,
que significa, com mais precisão, "perpetuidade", é Ad, palavra
geralmente traduzida como "para sempre", a exemplo de "tua
semente farei durar para sempre", em Salmos 89:30. Não havia
necessidade de um terceiro termo para expressar a mesma coisa.
Olam, muitas vezes acompanhado do adjetivo Ad para ressaltar sua
característica duradoura, em si não é adjetivo, mas substantivo,
derivado da raiz que significa "desaparecido, misteriosamente
escondido". Os numerosos versos bíblicos nos quais aparece Olam
indicam que se acreditava ser um local físico, não uma abstraç ão.
"És de Olam", declara o salmista. Deus é de um lugar que é um
lugar oculto (portanto, Deus é invisível).
Era um lugar concebido como fisicamente existente: Deuteronômio
(33:15) e também o profeta Habacuc (3:6) falam a respeito das
"colinas de Olam". Isaías (33:14) se referiu às fontes de calor de
Olam. Jeremias (6:16) menciona os "caminhos de Olam" e as "pistas
de Olam", e chama Iavé "rei de Olam" (10:10), assim como Salmos
10:16. O Livro dos Salmos, em afirmações referentes aos grandes
portões da habitação de Anu (em testos sumérios) e para os Portões
do Céu (em antigos textos egípcios), também fala dos "Portões de
Olam", que deviam ficar abertos para acolher o Senhor Iavé quando
Ele chegar em Seu Kabod (24:7-10):
Ergam suas cabeças, ó portões de Olam,
para que o Rei do Kabod possa entrar!
Quem é o Rei do Kabod?
Iavé, forte e valente, um grande guerreiro!
Ergam suas cabeças, ó portões de Olam,
e o Rei do Kabod entrará!
Quem é o Rei do Kabod?
Iavé, Senhor dos Exércitos, é o Rei de Kabod.
"Iavé é o Deus de Olam", declara Isaías (40:28), ecoando o registro
bíblico em Gênesis (21:33) de Abraão, "chamando em nome de Iavé,
o Deus de Olam". Não é de admirar, portanto, que a Aliança
simbolizada pela circuncisão, "o sinal celeste", foi chamado pelo
Senhor, quando Ele o impôs a Abraão e seus descendentes, de "a
Aliança de Olam":
E minha Aliança estará em tua carne,
a Aliança de Olam.
(Gênesis 17:13)
Em discussões rabínicas pós-bíblicas, assim como no hebraico
moderno, Olam é um termo que significa "mundo". De fato, a
resposta que o rabino Gamliel deu à questão relativa à Habitação
Divina foi baseada em asserções rabínicas de que ela é separada da
Terra por sete céus, um mundo diferente em cada um; a jornada
para ir de uma a outra leva quinhentos anos, portanto a viagem
completa através dos sete céus do mundo chamado Terra para o
mundo chamado Habitação Divina demora 3.500 anos. Este então,
conforme dissemos, é o período que mais se aproxima dos 3.600
anos (terrestres) correspondentes a uma órbita de Nibiru. Na Terra,
para um viajante que venha do espaço, somos o sétimo planeta, e
para quem esteja em nosso planeta, Nibiru corresponderia a sete
espaços celestiais quando desaparecer em seu apogeu.
Tal desaparecimento - o significado-raiz de Olam - cria naturalmente
o "ano" de Nibiru - um tempo muito grande em termos humanos. Os
profetas, em numerosas passagens, falam dos "Anos de Olam"
como medida de um tempo muito, muito longo. Um sentido claro de
periodicidade, resultado do aparecimento e desaparecimento do
planeta, foi produzido por meio do termo "de Olam a Olam" como
uma medida de tempo definida (embora extremamente longa: "Dei a
ti esta terra de Olam a Olam", disse o Senhor a Jeremias (7:7 e
25:5). Uma possível pista para identificar Olam com Nibiru é a
afirmação, em Gênesis 6:4, de que os Nefilim, os jovens Anunnaki
que haviam vindo para a Terra de Nibiru, eram "o povo dos Shem (o
povo dos foguetes), aqueles que vieram de Olam".
Com a familiaridade óbvia dos editores da Bíblia, profetas e
salmistas com "mitos" mesopotâmicos e astronomia, teria sido
peculiar não encontrar referências ao importante planeta Nibiru na
Bíblia. Sugerimos que, sim, a Bíblia estava perfeitamente consciente
de Nibiru, e o chamava de Olam - o "planeta que desaparecia".
Será que tudo isso implica que Anu seja Iavé? Não
necessariamente...
Embora a Bíblia tenha representado Iavé como reinando em sua
habitação celeste, também o considerou "rei" na Terra e de tudo que
está sobre ela - enquanto Anu claramente passa o comando da
Terra para Enlil. Anu visita a Terra, mas vários textos descrevem a
ocasião em grande parte como uma visita cerimonial de inspeção e
de Estado; não há nada ali comparável a um ato de envolvimento de
Iavé nos negócios das nações e dos indivíduos. Além do mais, a
Bíblia reconheceu um Deus que não era Iavé, um "deus de outras
nações" chamado An; sua adoração é notada nas listas (II Reis
17:31) dos deuses estrangeiros que os assírios haviam
restabelecido na Samaria, onde ele é referido como An-Melech
("Anu o Rei"). Também aparecem na Bíblia o nome pessoal, Anani,
honrando a Anu, e ainda um lugar chamado Amatot. E a Bíblia não
possui nada para Iavé que seja paralelo à genealogia de Anu (pais,
consorte, filhos), o estilo de vida (muitas concubinas) ou sua
apreciação especial pela neta, Inana, (cuja adoração como "Rainha
do Céu" - Vênus - foi considerada uma abominação aos olhos de
Iavé).
Dessa forma, a despeito das similaridades, existem também muitas
diferenças essenciais entre Anu e Iavé, impedindo que ambos sejam
considerados a mesma pessoa.
Além do mais, na versão bíblica, Iavé era mais do que "rei, senhor
de Olam" do que Anu era rei em Nibiru. Por mias de uma vez Iavé foi
chamado de EI Olam, o Deus de Olam (Gênesis 21:33) e de EI
Elohim, o Deus dos Elohim (Josué 22:22, Salmos 50:1 e Salmos
136:2).
A sugestão bíblica de que os Elohim - os "deuses", os Anunnaki -possuíssem um deus, parece totalmente incrível, mas muito lógica
se refletirmos sobre ela.
Na conclusão de nosso primeiro livro na série Crônicas da Terra (O
12
o
. Planeta), tendo contado a história do planeta Nibiru e de como
os Anunnaki (os Nefilim bíblicos) vieram para a Terra e "criaram" a
humanidade, apresentamos a seguinte pergunta:
Se os Nefilim foram os "deuses" que "criaram"
o Homem na Terra, teria sido apenas a evolução
no 12
o
. Planeta que criou os Nefilim?
Tecnologicamente avançados, capazes de viajar no espaço
centenas de milhares de anos antes de nós, chegando a uma
explicação cosmológica para explicar o Sistema Solar - como
começamos agora a fazer ao contemplar e procurar entender o
Universo -, os Anunnaki devem ter ponderado as próprias origens e
chegaram ao que chamamos Religião - religião deles, seu conceito
de Deus.
Quem criou os Nefilim, os Anunnaki, em seu próprio planeta? A
própria Bíblia fornece a resposta. Afirma que Iavé não era apenas
"um grande Deus, um grande rei entre todos os Elohim" (Salmos
95:3). Ele estava lá, em Nibiru, antes que os Anunnaki chegassem:
"Perante os Elohim, Ele se sentava em Olam", explica o Livro dos
Salmos 61:8. Assim como os Anunnaki estiveram aqui na Terra
antes de O Adão, também Iavé esteve em Nibiru/Olam antes dos
Anunnaki. O criador precede a criatura.
Já explicamos que a aparente imortalidade dos "deuses" Anunnaki
era simplesmente o efeito de sua enorme longevidade para os
nossos padrões, que resulta do fato de que um ano-Nibiru equivalia
a 3.600 anos terrestres, tudo levando ao fato de que eles nasciam,
envelheciam e morriam. Uma medida de tempo aplicável a Olam
("dias de Olam" e "anos de Olam") foi reconhecida pelos profetas e
salmistas; o que é mais impressionante na compreensão deles é que
os vários Elohim (o sumério DIN.GIR, o acadiano Ilu) na verdade
não eram imortais - mas Iavé, Deus, era. Assim o salmo 82 descreve
Deus julgando os Elohim e lembrando-lhes que eles os Elohim! - são
mortais também: "Deus se ergue na assembléia divina, entre os
Elohim Ele julga" e diz a eles:
Eu afirmo, vós sois Elohim,
todos vós filhos do Altíssimo;
mas morrereis assim como os homens,
como qualquer príncipe caireis.
Acreditamos que tais afirmações, sugerindo que o Senhor Iavé criou
não apenas o Céu e a Terra mas também os Elohim, os "deuses"
Anunnaki, têm sua parte num enigma que intrigou gerações de
estudiosos bíblicos. Trata-se do motivo pelo qual o primeiro verso da
Bíblia, que fala sobre o início de tudo, não começa com a primeira
letra do alfabeto, mas com a segunda. A significância e o simbo lismo
de iniciar o Início com o próprio começo deve ter parecido óbvia
demais para os compiladores da Bíblia; ainda assim, foi o que
escolheram transmitir para nós:
Breshit bara Elohim
et Ha'Shamaim v' et Ha' Aretz
Habitualmente traduzido como: "No início Deus criou o Céu e a
Terra".
Como as letras hebraicas possuem valores numéricos, a primeira
letra, Aleph (da qual deriva a primeira letra grega, Alfa), possui o
valor numérico de "um, o primeiro" - o começo. Por que será, então -estudiosos e teólogos já se perguntaram -, que a Criação começa
com a segunda letra, Beth, cujo valor é "dois, segundo"?
Enquanto os motivos permanecem desconhecidos, o resultado de
iniciar o primeiro verso do primeiro livro da Bíblia com a letra Aleph
teria sido impressionante, pois transformaria a sentença em:
Ab-reshit bara Elohim,
et Ha'Shamaim v' et Ha' Aretz.
O Pai-do-Começo criou os Elohim, os Céus e a Terra.
Com essa pequena mudança, simplesmente começando com a letra
que inicia tudo, um Criador do Tudo, onipotente e onipresente
emerge do caos inicial: Ab-reshit "O Pai do Começo". As melhores
mentes científicas do mundo moderno apresentaram a teoria do Big
Bang para o início do Universo - mas ainda precisam explicar o que
causou o Big Bang. Se o Gênesis começasse como deveria, a Bíblia
- que oferece uma história precisa da Evolução e adere à mais
sensível cosmogonia - também nos teria dado a resposta: o Criador
que estava lá para criar tudo.
E tudo de uma vez, Ciência e Religião, Física e Metafísica,
convergem numa única resposta que se identifica com o
monoteísmo judaico: "Sou Iavé, não há nenhum além de mim!". Este
é um credo que os profetas tinham, e nós depois deles, desde a
arena de deuses até o Deus que abraça o Universo.
Só se pode especular por que os editores da Bíblia, que os
estudiosos acreditam terem canonizado a Torá (os cinco primeiros
livros da Bíblia) durante o cativeiro na Babilônia, omitiram o Alef.
Seria para evitar ofender os babilônios (porque a afirmação de que
Iavé teria criado os deuses Anunnaki acabaria por excluir Marduk).
Mas, acreditamos, não devemos duvidar de que em determinada
época a primeira palavra do primeiro verso da Bíblia se inicie com a
primeira letra do alfabeto. Isso certamente se baseia nas afirmações
do Livro das Revelações (O Apocalipse Segundo São João, no Novo
Testamento), no qual Deus anuncia que:
Eu sou o Alta e o Ômega,
o Início e o Fim,
o Primeiro e o Último.
A afirmação, repetida três vezes (1:8, 21:6, 22:13), se aplica à
primeira letra do alfabeto (por seu nome grego) para o Início, o
Primeiro Divino; e a última letra (grega) do alfabeto até o Fim, até
que Deus seja o Último de Todos, assim como foi o Primeiro de
Todos.
Se tivesse sido esse o caso para o início do Gênesis, é confirmado,
segundo acreditamos, pela certeza de que as afirmações no Livro
das Revelações remontam às escrituras hebraicas das quais os
versos paralelos de Isaías (41:6, 42:8, 44:6) são proclamações nas
quais Iavé afirma ser absoluto e único:
Eu, Iavé, fui o Primeiro,
e o Último serei também!
Eu sou o Primeiro
e sou o Último;
não existem Elohim sem Mim!
Eu sou Ele,
Eu sou o Primeiro,
e sou também o Último.
São essas afirmações que ajudam a identificar o Deus bíblico pela
resposta que Ele mesmo deu quando perguntado: Quem, ó Deus, és
Tu? Foi quando ele chamou Moisés para fora da Sarça Ardente,
identificando a Si mesmo apenas como o "Deus de teu Pai, o Deus
de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó". Tendo recebido sua
missão, Moisés lembrou que quando ele chegasse aos Filhos de
Israel e dissesse: "O Deus de vossos antepassados me enviou, e
eles me dirão: Qual é o nome Dele? O que digo a eles?".
E disse Deus a Moisés:
Ehié-Asher-Ehié
assim dirás aos Filhos de Israel:
Ehié me enviou.
E disse ainda Deus a Moisés:
Assim dirás aos Filhos de Israel:
Iavé, o Deus de vossos pais,
o Deus de Abraão, o Deus de Isaac,
o Deus de Jacó,
enviou-me a vós.
Este é meu nome em Olam,
este é meu memorial para todas as gerações.
(Êxodo 3:13-15)
A afirmação Ehié-Asher-Ehié tem sido assunto de discussão, análise
e interpretação por gerações de teólogos, estudiosos da Bíblia e
lingüistas. A tradução do rei James afirma: "Eu sou o que sou. .. Eu
sou enviou-me para vocês". Outras traduções mais modernas
adotam "Eu sou quem sou... Eu sou enviou vocês". A tradução mais
recente pela Sociedade de Publicações Judaicas prefere deixar
intacto o hebraico, acompanhado por uma nota de rodapé:
"significado incerto do hebraico".
A chave para compreender a resposta dada durante esse Encontro
Divino são os tempos gramaticais empregados. Ehié-Asher-Ehié não
é uma frase em tempo presente, mas no futuro. Em termos simples,
ela afirma: "Seja quem for que serei, serei". O nome divino é
revelado a um mortal pela primeira vez (na conversa, Moisés recebe
a informação de que o Nome sagrado, o Tetragrama IHVH não fora
revelado nem a Abraão) e combina os três tempos da raiz que
significa "Ser" - Aquele que era, é e será. É uma resposta e um
nome que reafirmam o conceito bíblico de Iavé como existindo
eternamente - Um que foi, que é e que continuará sendo.
Uma forma freqüente de afirmar a natureza duradoura do Deus
bíblico é a expressão "És de Olam a Olam". Geralmente é traduzida:
"És Eterno". Isso traduz o sentido da afirmação, mas não seu
significado preciso. Literalmente, sugere que a existência e o reino
de Iavé se estendem de um Olam a outro - que Ele era "rei, senhor"
não apenas de um Olam que era equivalente ao Nibiru dos
mesopotâmicos -, mas de outros Olamin, de outros mundos!
Nada menos do que onze vezes, a Bíblia se refere a habitação,
domínio e "reino" usando o termo Olamin, o plural de Olam - uma
habitação, um domínio, um reino que abrange vários mundos. É uma
expansão do domínio de Iavé além da noção de um "deus nacional",
para aquela de "Juiz de todas as nações; além da Terra e além de
Nibiru, para o "Céu dos Céus" (Deuteronômio 10:14, I Reis 8:27, II
Crônicas 2:5 e 6:18), que abrange não apenas o Sistema Solar mas
até as estrelas distantes (Deuteronômio 4:19, Eclesiastes 12:2).
ESTA É A IMAGEM DE UM VIAJANTE CÓSMICO.
Tudo - os "deuses" planetários celestes, Nibiru que remodelou nosso
Sistema Solar e refaz a Terra em suas passagens mais próximas, os
"Elohim" Anunnaki, as nações dos homens, os reis – são
manifestações d‟Ele e instrumentos d‟Ele, realizando um plano
divino, universal e eterno. De certa forma, somos todos Anjos d‟Ele,
e quando a hora chegar para que os terrestres viajem no espaço e
imitem os Anunnaki em algum outro mundo, estaremos também
cumprindo nosso futuro destino.
É a imagem de Senhor universal que é mais bem apresentada na
oração/hino Adon Olam, que é recitada como canção majestosa nos
serviços religiosos das sinagogas, no Sabá e em cada dia do ano.
Senhor do Universo, que reinou
antes de tudo que existe foi criado.
Quando, por Sua vontade, todas as coisas foram escritas,
"Soberano" era Seu nome então pronunciado.
E quando, no tempo, todas as coisas cessarem,
Ele ainda reinará em majestade.
Ele era, Ele é, Ele permanecerá,
Continuará gloriosamente.
Incomparável, único Ele é,
Ninguém pode partilhar Sua Unidade.
Sem começo, sem fim.
O poder do domínio é d‟Ele para exercer.

FIM..

Um comentário:

Zequias tavares disse...

Bom conteúdo, pena que faltou o altruísmo, pois tudo o que é bom deveria ser compartilhado altruísticamente.