sexta-feira, agosto 17, 2012

Coleção Zecharia Sitchin Livro 8 Encontros Divinos - 1º PARTE


Zecharia Sitchin
Encontros Divinos
TRADUÇÃO
Luís Fernando Martins Esteves
2004
EDITORA BEST SELLER
Dedicado à memória de meus pais, Isaac e Genia (nascida Barsky),
minha ligação com nossos ancestrais.
Sumário

1. Os Primeiros Encontros
2. Quando o Paraíso Foi Perdido
3. Os Três Que Ascenderam ao Céu
4. Os Nefilim: Sexo e Semideuses
5. O Dilúvio
6. Os Portões do Céu
7. Em Busca da Imortalidade
8. Encontros na GIGUNU
9. Visões Além da Imaginação
10. Sonhos Reais, Oráculos Fiéis
11. Anjos e Outros Emissários
12. A Maior Teofania
13. Profetas de um Deus Invisível
Conclusão: Deus, o Extraterrestre


1
OS PRIMEIROS ENCONTROS

Encontros Divinos são a experiência humana mais importante – o
máximo, o extremo do que é possível quando se está vivo, como
quando Moisés encontrou o Senhor no monte Sinai; também a
experiência final, terminal e conclusiva como quando os faraós
egípcios, que ao morrer presumiam a existência de um pós-vida
eterno, iam juntar-se aos deuses na Morada Divina.
A experiência humana de encontros divinos, conforme registrado
nas Escrituras e nos textos do Oriente Médio, é uma saga das mais
impressionantes e fascinantes. Trata-se de um drama poderoso que
envolve Céu e Terra, adoração e devoção, eternidade e moralidade
de um lado; amor e sexo, ciúme e assassinato de outro; subidas ao
espaço e jornadas ao Mundo Inferior. Um palco onde os atores são
deuses e deusas, anjos e semideuses, terrestres e andróides; um
drama expresso em profecias e visões, em sonhos e presságios,
oráculos e revelações. É a história do Homem, separado de seu
Criador, que, ao procurar restaurar seu cordão umbilical, estende a
mão na direção das estrelas.
Encontros Divinos são a experiência mais importante talvez por ter
sido também a primeira experiência humana; quando Deus criou o
homem, Homem e Deus encontraram-se no primeiro momento
dessa criação. Podemos ler no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia,
como o primeiro ser humano, "O Adão" veio à existência:
E disse Deus:
Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa
semelhança...
E Deus criou o homem à Sua imagem,
À imagem de Elohim Ele o criou.
Só podemos supor que o recém-nascido, no instante de vir à luz,
mal estava consciente da natureza e do significado daquele primeiro
encontro divino. Parece também que o homem não se deu conta de
outro encontro crucial, quando o Senhor Deus (na versão da criação
atribuída a Iavé) decidiu criar uma companheira feminina para Adão:
E fez Iavé Elohim
Cair um sono pesado sobre o Adão,
E ele dormiu.
E tomou uma das suas costelas
E fechou com carne o seu lugar.
E Iavé Elohim fez, da costela
que havia tomado do Adão, uma mulher.
O primeiro homem estava profundamente anestesiado durante os
procedimentos, e portanto ignorava o encontro divino no qual o
Senhor Iavé demonstrava seus talentos cirúrgicos. Mas Adão logo
foi informado do que acontecera, pois o Senhor Deus "trouxe a
mulher ao homem" e apresentou-a a ele. "A Bíblia então oferece
alguns comentários sobre por que homem e mulher se tomaram
"uma carne" ao casar-se e termina a história com a observação de
que tanto o homem quanto sua esposa" estavam nus, mas não
tinham vergonha". Enquanto a situação não parecia incomodar o
Primeiro Formador de Casais, por que a Bíblia sugere essa
possibilidade? Se as outras criaturas no Jardim do Éden "todo
animal do campo e toda ave do céu" estavam sem roupa, qual seria
o motivo existente que deveria causar vergonha (mas não causou)
em Adão e Eva por estarem nus? Seria porque aqueles cuja imagem
servira para criá-los usavam roupas? Esse é um ponto a ser mantido
em mente - uma pista, inadvertidamente fornecida pela Bíblia, em
relação à identidade dos Elohim.
Ninguém, depois de Adão e Eva, poderia passar pela experiência de
ser o primeiro ser humano na Terra, com o Primeiro Encontro Divino.
O que ocorreu no Jardim do Éden permaneceu como parte da
herança humana até nossos dias. Mesmo os profetas escolhidos
devem ter tido vontade de tantos privilégios, pois no Jardim do Éden
Deus falou diretamente com os seres humanos, instruindo-os a
respeito de sua nutrição: podiam comer de todas as árvores do
jardim, exceto a fruta da Árvore do Conhecimento.
A corrente de eventos que culminou com a expulsão do Paraíso
suscita uma pergunta: sendo que Adão e Eva ouviam Deus, como
Deus se comunicava com os humanos num encontro divino? Será
que os humanos enxergavam o Criador, ou apenas escutavam a
mensagem? E como faziam isso? Seria pessoalmente? Por
telepatia? Numa visão holográfica? Por meio de sonhos?
Examinaremos evidências da época para poder responder. Mas na
forma como os eventos acontecem no Jardim do Éden, o texto
bíblico sugere uma presença física divina. O local não era um hábitat
humano, era um pomar deliberadamente plantado "no Éden, no
Oriente", onde Deus" colocou o Adão que Ele formou" para servir de
jardineiro, "para cultivar e o guardar".
Foi nesse jardim que Adão e Eva, por intermédio da intervenção da
Serpente Divina, descobriram sua sexualidade depois de comer o
fruto da Árvore do Conhecimento que os tornou "conhecedores do
bem e do mal". Tendo comido o fruto proibido, "souberam que
estavam nus e coseram folhas de figueira e fizeram para eles
cintos".
Agora o Senhor Deus - Iavé Elohim na Bíblia hebraica - entra em
cena:
E ouviram a voz do Senhor Deus
que passeava no jardim, na direção do pôr-do-sol;
e esconderam-se o homem e sua mulher
da presença do Senhor Deus
entre as árvores do jardim.
Deus está fisicamente presente no Jardim do Éden, e o som de seus
passos pôde ser ouvido pelos humanos. Eles podem também ver a
divindade? A narrativa bíblica nada afirma a esse respeito; deixa
claro, entretanto, que Deus os pode ver - ou, nesse caso, não podia
vê-los porque estavam escondidos. Portanto, Deus usou a voz para
alcançá-los: "E chamou o Eterno Deus a Adão e disse -lhe: 'Onde
estás?"'.
Segue-se um diálogo (com três participantes). A história toca em
vários pontos de grande importância. Sugere que Adão podia falar
desde o início; isso traz a questão sobre qual linguagem foi usada
para a conversa de Adão com Deus. Por enquanto, vamos nos ater
à história narrada pela Bíblia. Explicou Adão a Deus o motivo de
estar escondido: "Temi porque estou nu e escondi-me", o que leva
ao questionamento do casal humano pela divindade. Na conversa
que se segue, descrita na totalidade, a verdade aparece e o pecado
de haver comido o fruto proibido é admitido (embora apenas depois
que Eva culpa a serpente pelo ocorrido). O Senhor Deus então
declara a punição: a mulher deve dar à luz em dores, Adão precisará
trabalhar a terra e com o suor de seu rosto comerá o pão.
A essa altura, o encontro se realiza frente a frente, pois não só o
Senhor Deus fez túnicas de pele para Adão e sua esposa mas
também os veste com elas. Embora a história tenha a intenção de
impressionar o leitor com o significado de estar vesti do como
"divino", ou elemento divisório entre humanos e animais, a
passagem bíblica não pode ser tratada apenas como simbólica.
Claramente indica que no início, quando o ser humano estava no
Jardim do Éden, encontrou seu Criador face a face.
Inesperadamente, Deus fica preocupado. Falando outra vez a
colegas não identificados, Iavé Elohim expressa sua preocupação:
"Eis que o homem se tem tornado como um de nós, para conhecer o
bem e o mal. E agora, quiçá ele estenda sua mão e tome também da
árvore da vida e coma, e viva para sempre".
O deslocamento de assunto é tão grande que se perde facilmente o
significado. Lidando com O Homem - sua criação, procriação,
ambiente e transgressão - a Bíblia abruptamente ecoa as
preocupações do Senhor. Nesse processo, a quase divina natureza
do Homem é outra vez realçada. A decisão de criar Adão deriva de
uma sugestão para moldá-lo "à imagem e semelhança" dos
criadores divinos. O ser resultante, criação dos Elohim, é produzido
"à imagem de Elohim". Agora, tendo comido a Fruta do
Conhecimento, o homem se tornava divino em mais um aspecto
crucial. Examinado pelo ponto de vista da divindade, "Adão se tem
tornado como um de nós", a não ser pela imortalidade. Assim, os
colegas não apresentados de Iavé colaboram na decisão de
expulsar Adão e Eva do Jardim do Éden, colocando um Querubim
com uma "flamejante espada rotativa", para evitar que os humanos
voltassem, mesmo que tentassem.
Assim, o próprio criador do Homem lhe decreta a mortalidade. Mas o
homem, sem se deixar intimidar, procura a imortalidade desde
então, mediante os Encontros Divinos.
Essa ânsia pelos Encontros seria baseada numa lembrança de
acontecimentos reais ou seria uma busca ilusória baseada em tais
mitos? Quanto das histórias bíblicas é fato e quanto é ficção?
Nas diversas versões que relatam a criação do primeiro ser humano
e a alternativa entre um Elohim plural ou um Iavé solitário como
criador(es), foi apenas uma das indicações que os editores ou
redatores da Bíblia Hebraica tiveram diante de si, além de textos
mais antigos que lidavam com o assunto. Na verdade, o capítulo 5
do Gênesis começa afirmando que o breve relato das gerações que
seguiram Adão está baseado no Livro das Gerações de Adão
(começando do "dia em que Elohim criou Adão à semelhança de
Elohim"). O versículo 14, em Números 21, se refere ao Livro de
Guerras de Iavé. Josué, 10:13 indica ao leitor mais detalhes de
eventos miraculosos no Livro de Jashar, que também é listado como
fonte conhecida em Samuel II, 1:18. São apenas referências
passageiras ao que deve ter sido uma gama bem maior de textos
antigos.
A veracidade da Bíblia hebraica (Antigo Testamento) - seja nas
histórias da criação, seja no Dilúvio e na Arca de Noé, nos
Patriarcas, no Êxodo - chegou a ser duramente criticada no século
19. Uma parte do ceticismo e descrença foi dissolvida por
descobertas arqueológicas que aos poucos validaram as histórias
bíblicas e os dados, numa ordem decrescente - do passado recente
para acontecimentos mais antigos, levando a corroboração mais e
mais para o passado, até tempos pré-históricos. Desde o Egito e a
Núbia, na África, até restos hititas na Anatólia (atual Turquia), desde
a costa do Mediterrâneo e as ilhas de Creta e Chipre no Ocidente
até as fronteiras da Índia no Oriente, em especial as terras do
Crescente Fértil, que começavam na Mesopotâmia (atual Iraque),
curvando-se para incluir Canaã (o Israel atual), foram descobertos
sítios arqueológicos um depois do outro - muitos apenas conhecidos
pelos relatos bíblicos -, textos escritos em estelas de argila ou em
papiros, e inscrições em paredes de pedra ou monumentos que
aludiam aos reinados, aos reis, aos eventos e cidades listados na
Bíblia. Além do mais, de várias formas, escritos encontrados em
locais como Ras Shamra (a cidade cananéia de Ugarit), ou mais
recentemente em Ebla, demonstraram familiaridade com as mesmas
fontes nas quais a Bíblia se apoiara. Entretanto, liberto das
tendências monoteístas da Bíblia hebraica, os escritos dos vizinhos
de Israel no antigo Oriente Médio esclareciam os nomes do "Nós" na
Bíblia hebraica. Ao fazer isso, tais textos esboçam um panorama de
tempos pré-históricos e erguem a cortina de um fascinante registro
de deuses e humanos numa série de Encontros Divinos.
Até o início de escavações metódicas na Mesopotâmia, "a terra
entre os rios" (o Tigre e o Eufrates), cerca de 150 anos atrás, a
Bíblia era a única fonte de informação a respeito dos impérios assírio
e babilônico, de suas grandes cidades e de seus reis orgulhosos.
Como estudiosos anteriores ponderavam a veracidade dos dados
bíblicos em relação a tais impérios de 3000 anos atrás, sua
credibilidade foi testada com a asserção bíblica de que os reinados
começaram ainda mais cedo, com um "caçador poderoso pela graça
de Iavé", chamado Nimrod, e que havia capitais reais (e assim uma
civilização avançada) no passado distante na "terra de Shine'ar".
Essa afirmativa estava ligada àquela ainda mais incrível da Torre de
Babel (Gênesis, 11), quando a humanidade, usando tijolos de argila,
dedicou-se a construir uma "torre que chegasse aos céus". O local
era uma planície na "terra de Shine'ar".
Tal terra "mítica" foi encontrada, suas cidades desenterradas por
arqueólogos, sua linguagem e os textos decifrados graças ao
conhecimento do hebraico e, por conseguinte, das línguas primitivas
mais antigas, o acadiano, seus monumentos, esculturas e trabalhos
de arte foram valorizados nos grandes museus do mundo. Hoje em
dia chamamos a terra de Suméria, e seu povo a chamava Shumer
(terra dos Guardiões). É para a antiga Suméria que devemos diri gir
as atenções se quisermos entender a história bíblica da Criação e o
antigo registro do Oriente Médio dos Encontros Divinos, pois foi lá,
na Suméria, que o registro desses eventos começou.
Suméria (a Shine'ar bíblica) foi a terra onde a primeira civilização
conhecida e documentada floresceu depois do Dilúvio, aparecendo
repentinamente e de uma só vez, cerca de 6000 anos atrás. Deu à
humanidade quase todas as "invenções" originais no que importa
como componente integral de uma civilização - não apenas o
primeiro tijolo (conforme mencionado acima) e os primeiros fomos,
mas também os primeiros templos e palácios elevados, os primeiros
sacerdotes e reis; a primeira roda, a medicina e a farmacologia; os
primeiros músicos e dançarinos, artífices e artesãos, mercadores e
caravanas, códigos de leis e juízes, pesos e medidas. Os primeiros
astrônomos e observatórios surgiram lá, assim como os primeiros
matemáticos. E talvez o mais importante de tudo: foi lá, por volta de
3800 a.C. que a escrita se iniciou, tomando a Suméria a terra dos
primeiros escribas, que anotaram em estelas de argila, na escrita de
caracteres impressos (cuneiforme), as mais incríveis histórias de
deuses e humanos (como essa estela: "a Criação do Homem"). Os
estudiosos encaram esses textos antigos como mitos. Nós,
entretanto, consideramos que são registros de eventos que
essencialmente aconteceram.
Os achados arqueológicos não se limitaram a confirmar apenas a
existência de Shine'ar/Suméria. Também vieram à luz antigos textos
da Mesopotâmia que rivalizavam com as narrativas bíblicas da
Criação e do Dilúvio. Em 1876, George Smith, do Museu Britânico,
juntando estelas quebradas encontradas na biblioteca de Nínive
(capital da Assíria), publicou o Gênesis Caldeu e demonstrou, além
de qualquer dúvida, que a história bíblica da Criação foi primeiro
escrita na Mesopotâmia, milênios antes.

Em 1902 L. W. King, também do Museu Britânico, em seu livro The
Seven Tablets of Creation ("As Sete Estelas da Criação"), publicou
um texto mais completo, na antiga língua da Babilônia, que requeria
sete estelas, de tão longo e detalhado. Conhecidas como a Epopéia
da Criação, ou Enuma Elish, por suas palavras iniciais, as primeiras
seis estelas descrevem a criação dos Céus, da Terra e de tudo
sobre a Terra, incluindo o Homem, num paralelo dos "seis dias" da
Criação na Bíblia. A sétima estela foi devotada à exaltação da
divindade suprema da Babilônia, Marduk, que examinava seu
magnífico trabalho (similar à narrativa bíblica do "sétimo dia", no
qual Deus "descansou de todo o trabalho que fizera"). Estudiosos
agora sabem que esses e outros "mitos" nas versões assíria e
babilônica eram traduções de textos sumérios mais antigos
(modificados para glorificar o deus supremo assírio, ou babilônio). A
História começa na Suméria, como afirma o acadêmico Samuel N.
Kramer, em seu livro publicado em 1959 com esse título.
Tudo começou, conforme podemos verificar nesses vários textos, há
muito tempo, com a amerissagem, no golfo Pérsico ou no mar da
Arábia, de um grupo de cinqüenta ANUNNAKI - um termo que
significa literalmente "Aqueles que dos Céus para a Terra vieram".
Caminharam rumo à terra seca sob a direção de E.A. ("Aquele Cuja
Casa é a Água"), um cientista brilhante, e estabeleceram a primeira
colônia extraterrestre na Terra, chamando-a de E.RI.DU ("Casa da
Construção Distante"). Outros acampamentos se seguiram para a
realização da missão dos visitantes: obter ouro pela destilação das
águas do golfo Pérsico - ouro necessário com urgência no planeta
de origem dos Anunnaki, a fim de proteger sua atmosfera com uma
camada de partículas suspensas de ouro, que evitaria a dispersão
dos gases respiráveis no espaço. À medida que a expedição se
expandia e as operações foram iniciadas, Ea adquiriu o título
adicional, ou epíteto, de EN.KI - Senhor da Terra.
Mas nem tudo correu bem. O planeta natal (chamado NIBIRU) não
estava recebendo a quantidade de ouro necessária. Uma mudança
de planos logo foi decidida, exigindo que o ouro fosse retirado da
forma mais difícil, minerando-o em AB.ZU - o Sudeste da África.
Mais Anunnaki chegaram à Terra (ao final totalizavam 600); outro
grupo, os IGI.GI ("Aqueles Que Observam e Vêem"), permaneceram
em órbita, operando cargueiros, naves e estações espaciais
(atingiam, segundo os textos sumérios, um total de 300). Para se
certificarem de que não haveria falhas, ANU ("O Celestial"), dirigente
de Nibiru, enviou para a Terra um meio-irmão de Ea/Enki, chamado
EN.LIL ("Senhor do Comando"). Era um administrador firme e
apreciador da disciplina; enquanto Enki foi enviado para
supervisionar o trabalho de extração do ouro em AB.ZU, Enlil
assumiu o comando das sete Cidades dos Deuses no E.DIN ("Casa
dos Justos"), o local onde, mais de 400 mil anos depois, floresceria a
civilização suméria. Cada cidade possuía suas funções
determinadas: um centro de controle de missão, um espaçoporto,
um centro de metalurgia; até mesmo um centro médico sob a
supervisão de NIN.MAH ("Grande Dama"), meio-irmã tanto de Enki
quanto de Enlil.
As evidências, apresentadas e analisadas por nós nos livros I a V da
série Crônicas da Terra, em especial no livro Gênesis Revisitado,
indicam uma vasta órbita elíptica para Nibiru, que dura 3.600 anos
terrestres, um período chamado SAR em sumério. Os registros
sumérios de épocas pré-históricas, chamados Listas de Reis,
mediam a passagem do tempo conforme se aplicava aos Anunnaki,
em SARS. Estudiosos que descobriram e traduziram esses textos
julgaram os dados "legendários" ou "fantásticos", já que cada
"reinado" individual durava 28.800, 36 mil ou até 43.200 anos. Mas,
na verdade, as Listas de Reis sumérios afirmam que esse ou aquele
comandante estavam encarregados de determinado acampamento
por 8 ou 10 Sars. Convertidos em tempo terrestre, esses números se
tomam o equivalente a "fantásticos" 28.800 (8 x 3.600), e assim por
diante; do ponto de vista Anunnaki, porém, foram apenas oito ou dez
anos dos anos deles, um período de tempo bastante razoável (até
mesmo curto).
Portanto, no Sars encontra-se o segredo da imortalidade dos antigos
"deuses". Por definição, um ano é o tempo que leva o planeta onde
se vive para completar uma volta em torno do Sol. A órbita de Nibiru
demora 3.600 anos terrestres, mas, para os que vivem em Nibiru,
esse período é equivalente a um ano. Textos sumérios e do Oriente
Médio falam tanto do nascimento quanto da morte desses "deuses";
só que, aos olhos dos terrestres (pois é isso literalmente o que
significa Adão, em hebraico ("Ele da Terra"), o ciclo de vida dos
Anunnaki era de tal ordem que eles eram imortais para todos os
sentidos práticos.
Os Anunnaki chegaram à Terra 120 Sars antes do Dilúvio - 432 mil
anos terrestres antes da avalanche de água no planeta; o homem -Adão - ainda não estava na Terra. Por 40 Sars os Anunnaki
enviados ao Abzu ali trabalharam na estafante mineração do ouro;
depois amotinaram-se. Um texto em acadiano (a língua-mãe do
babilônio, do assírio e do hebraico), chamado Atra Hasis, descreve o
motim e as razões para ele com detalhes vívidos. Enlil pediu
medidas disciplinares para os instigadores da rebelião. Enki preferia
a tolerância. Anu foi consultado; simpatizou com os amotinados.
Como poderia o impasse ser resolvido?
Enki, o cientista, tinha uma solução. Vamos criar um Trabalhador
Primitivo, sugeriu ele, capaz de assumir a parte penosa do trabalho.
Os outros líderes presentes perguntaram: Pode ser feito? Um
Adamu pode ser criado? Enki respondeu:
A criatura cujo nome pronunciaram já existe!
Ele encontrou a "criatura" - um hominídeo, produto da evolução
terrestre - no Sudeste africano, "sobre o Abzu". Só faltava torná-lo
um trabalhador inteligente:
Acrescentar a ele a imagem dos deuses.
Os deuses reunidos - os líderes Anunnaki - concordaram
entusiasticamente. Seguindo sugestão de Enki, chamaram Ninmah,
chefe dos médicos, para ajudar na tarefa. Disseram-lhe: "Você é a
parteira dos deuses. Crie a humanidade! Crie um Híbrido que possa
suportar a tarefa designada por Enlil, deixe que o Trabalhador
Primitivo faça força pelos deuses!".
No capítulo 1 do Gênesis, a discussão que levou a essa decisão é
resumida em um verso: "E Deus disse: façamos o homem à nossa
imagem e semelhança". E assim, com o consentimento implícito de
"nós" reunidos, a tarefa foi realizada: "E Elohim criou Adão à sua
imagem; à imagem de Elohim Ele o criou".
O termo "imagem" - elemento ou processo pelo qual o ser criado
pôde ser trazido até o nível desejado pelos Anunnaki, semelhante a
eles, exceto pela Sabedoria e Longevidade - pode ser entendido
melhor ao compreender quem ou o que era a criatura existente.
Como explicam outros textos (por exemplo, O Mito do Gado e do
Grão, conforme intitulado pelos estudiosos):
Quando a humanidade foi criada,
eles não sabiam comer o pão,
não conheciam o uso de roupas.
Comiam plantas com a boca,
como ovelhas;
Eles bebiam água das poças.
Essa é uma descrição adequada dos hominídeos, que viviam em
estado selvagem como os outros animais. Representações
sumérias, gravadas em cilindros de pedra (os chamados selos
cilíndricos), mostram tais hominídeos misturando-se com animais,
mas eretos, apoiados em dois pés - uma ilustração
(lamentavelmente ignorada por cientistas modernos) de um Homo
erectus . Foi sobre esse ser, que já existia, que Enki sugeriu "atar a
imagem dos deuses" e criar, por meio da engenharia genética, um
novo ser terrestre, o Homo sapiens.
Uma pista do processo envolvido na criação genética é dada na
Versão de Iavé (como a chamam os estudiosos), no capítulo 2 do
Gênesis, onde lemos que "E formou Iavé Elohim ao homem (Adão),
pó da terra, e soprou em suas narinas o alento da vida; e foi o
homem alma viva". No Atra Hasis e outros textos mesopotâmicos é
descrito um processo mais complexo envolvendo o ser. Foi um
processo de criação com suas frustrações e métodos de tentativa e
erro até aperfeiçoarem o método na direção da obtenção de
resultados por Enki e Ninmah (a quem alguns textos, em honra de
seu memorável papel, atribuem o epíteto NIN.TI - "Dama da Vida".
Trabalhando num laboratório chamado Bit Shimti - "Casa onde o
vento da vida é assoprado" - a "essência" do sangue de um jovem
Anunnaki foi misturada com um óvulo de hominídeo. O óvulo
fertilizado foi então inserido no útero de uma jovem fêmea Anunnaki.
Quando, depois de um período tenso de espera, um "Homem-Modelo" nasceu, Ninmah ergueu o bebê e proclamou: "Criei! Minhas
mãos conseguiram fazer!".
Artistas sumérios representaram num selo cilíndrico os
emocionantes momentos finais, quando Ninmah/Ninti ergueu o novo
ser para que todos vissem. Dessa forma, registrada num selo
cilíndrico de pedra, está a imagem do primeiro Encontro Divino!
No antigo Egito, onde os deuses eram chamados Neteru
(Guardiões) e identificados pelo símbolo hieroglífico de um machado
de mineração, o ato de criação do primeiro Homem de argila foi
atribuído ao deus de cabeça de carneiro, Khenmu (Ele que Une), de
quem o texto afirma que era o "fazedor de homens... o pai que
existia no início". Os artistas egípcios também, assim como os
sumérios antes deles, representaram graficamente o momento do
Primeiro Encontro; mostra Khenmu segurando o ser recém-criado,
auxiliado por seu filho Tot (deus da ciência e da medicina).
Adão, como uma das versões do Gênesis relata, foi realmente criado
sozinho. Contudo, uma vez que esse Homem-Modelo provou a
validade do processo de criação de "bebês de proveta", um projeto
de reprodução em massa foi cogitado. Preparando mais misturas de
TI.IT - "Aquilo que está com a vida", o "pó da terra" bíblico -geneticamente alterado para produzir Trabalhadores Primitivos de
ambos os sexos, Ninmah colocou sete porções da "argila" num
"molde de macho" e sete num "molde de fêmea". Os ovos
fertilizados puderam então ser implantados no ventre de mulheres
Anunnaki, "deusas do nascimento". Foi a esse processo de criar
sete homens e sete mulheres "Híbridos" que a "Corrente Elohista"
acredita tenha o Gênesis se referido ao afirmar que, quando a
humanidade foi criada por Elohim, "macho e fêmea Ele os criou".
Porém, como qualquer híbrido (tal como uma mula, o resultado do
cruzamento de um cavalo com uma jumenta), os "Híbridos" não
podiam procriar. A história bíblica de como o novo ser adquiriu
"Conhecimento", a habilidade de procriar, na terminologia bíblica,
cobre com uma alusão alegórica o segundo ato de engenharia
genética. O ator principal no desenvolvimento dramático não é Iavé-Elohim nem os seres criados, Adão e Eva, mas a Serpente, a
instigadora dessa crucial mudança biológica.
A palavra em hebraico para "serpente", no Gênesis, é Nahash. O
termo, entretanto, possui dois outros significados: "Ele que conhece
ou desvenda segredos"; ou poderia também significar "Ele das
minas de metal". Realmente, um símbolo sumério para Enki era uma
serpente. Num trabalho anterior (Gênesis Revisitado), sugerimos
que o símbolo associado das duas Serpentes Entrelaçadas, de onde
veio o símbolo da cura, que permanece até hoje - já na antiga
Suméria! -, tenha sido inspirado na hélice dupla de DNA, remetendo
à engenharia genética. Como mostraremos mais tarde, o uso por
Enki da engenharia genética no Jardim do Éden também remete ao
motivo da hélice dupla nas representações da Árvore da Vida. Enki
passou sua sabedoria e seu símbolo para seu filho Ningishzidda, a
quem identificamos como o deus egípcio Tot; os gregos o
chamavam de Hermes; seu cajado ostentava o emblema das
Serpentes entrelaçadas.
À medida que traçamos esses significados duplos e triplos dos
epítetos de Enki (Serpente-cobre-cura-genética), nos sentimos
tentados a lembrar a história bíblica da praga de serpentes
venenosas que caiu sobre os israelitas durante suas perambulações
pela desolação do deserto do Sinai: parou depois que Moisés
construiu uma "serpente de cobre" e a ergueu para invocar a ajuda
divina, salvando da morte os que a contemplassem.
Não é de estranhar que esse segundo Encontro Divino, quando a
humanidade recebeu a habilidade de procriar, também fosse
capturado para nós por antigos "fotógrafos" - artistas que esculpiam
a cena em negativo usando pequenos cilindros de pedra, cujas
imagens positivas apareciam quando o cilindro era girado sobre
argila úmida. Mas tais representações foram encontradas também,
além da representação da criação do Adão. Uma delas mostra"
Adão" e "Eva" sentados ao lado de uma árvore, e a serpente atrás
de Eva. Outra mostra um grande deus sentado sobre um monte em
forma de trono, de onde emana uma serpente - sem dúvida Enki. Ao
lado direito encontra-se um homem cujos galhos são em forma de
pênis, e, à esquerda, uma mulher, cujos galhos são em forma de
vagina, que segura uma pequena árvore frutífera (presumivelmente
a Árvore do Conhecimento). Observando os acontecimentos está um
grande deus ameaçador - com toda a probabilidade um Enlil
zangado.
Todos esses textos e representações, engrandecendo a narrativa
bíblica, se combinaram para pintar um quadro detalhado, um curso
de eventos com os participantes principais reconhecíveis, na saga
dos Encontros Divinos. Apesar disso, a maioria dos estudiosos
cataloga tais evidências como "mitologia". Para eles, a história dos
eventos no Jardim do Éden é apenas um mito, uma alegoria
imaginária acontecendo num lugar que não existe.
Mas, e se esse Paraíso, um lugar com árvores frutíferas
deliberadamente plantadas, existiu mesmo numa época em que em
todos os outros lugares apenas a natureza era o jardineiro? E se nos
tempos mais antigos tivesse existido o Éden, um lugar de verdade
cujos eventos foram ocorrências reais?
Pergunte a qualquer um onde Adão foi criado, e a resposta será,
provavelmente: no Jardim do Éden. Mas não foi lá que começou a
história da humanidade.
A narrativa mesopotâmica, registrada primeiro pelos sumérios,
coloca a primeira fase numa locação "sobre o Abzu" - bem mais ao
norte de onde se encontravam as minas de ouro. À medida que
vários grupos de "Híbridos" iam sendo produzidos e levados até as
minas, para cumprir o propósito pelo qual haviam sido criados, os
Anunnaki dos outros sete centros colonizadores do E.DIN também
iam pedindo tais trabalhadores. Como os Anunnaki do Sudeste da
África resistiram, irrompeu uma luta. Um texto que os estudiosos
chamam de O Mito da Picareta descreve como, liderados por Enlil,
alguns colonos se apropriaram à força de trabalhadores" criados" e
os levaram para o E.DIN, a fim de lá servir os Anunnaki. O texto
chamado O Mito do Gado e do Grão afirma explicitamente que
"quando das alturas do Céu Anu enviou os Anunnaki", grãos que
crescem, carneiros e crianças ainda não haviam sido criados.
Mesmo depois que os Anunnaki, em sua "câmara de criação",
fizeram comida para si mesmos, não ficaram saciados. Somente
Depois que Anu, Enlil, Enki e Ninmah
aperfeiçoaram o povo de cabeça negra,
a vegetação frutífera eles multiplicaram
na terra... No Edin eles os colocaram.
A Bíblia, ao contrário da crença geral, relata a mesma história. Assim
como no Enuma Elish, a seqüência bíblica (capítulo 2 do Gênesis) é,
a princípio, a formação dos Céus e da Terra; a seguir, a criação de
Adão (a Bíblia não diz onde). Elohim, então, "plantou um jardim no
Éden, a oriente" (do local onde Adão foi criado); e apenas depois
Elohim "colocou ali" (no Jardim do Éden) o "homem que formou".
E tomou Iavé Elohim a Adão
e colocou-o no Jardim do Éden
para o cultivar e guardar.
Uma boa pista sobre a "Geografia da Criação" (inventando um
termo) e, conseqüentemente, para os Encontros Divinos, é forneci da
no Livro dos Jubileus. Elaborado em Jerusalém durante a época do
Segundo Templo, era conhecido naqueles séculos como O
Testamento de Moisés, porque começava respondendo à pergunta:
Como a Humanidade poderia saber sobre aqueles eventos
primordiais que precederam até mesmo a criação do homem? A
resposta era que tudo foi revelado a Moisés no monte Sin ai, quando
um anjo da Divina Presença ditou a Moisés, por ordem do Senhor. O
nome Livro dos Jubileus, conferido por tradutores gregos, deriva da
estrutura cronológica do livro, que é baseado numa contagem dos
anos por "jubileus", cujos anos são chamados de "dias" e
"semanas".
Obviamente consultando fontes que na época estavam disponíveis
(além do Gênesis canônico), tal como os livros que a Bíblia
menciona e outros textos que as bibliotecas da Mesopotâmia
mencionam mas não foram encontrados, o Livro dos Jubileus,
usando sua enigmática contagem de "dias", afirma que Adão foi
trazido pelos anjos para o Jardim do Éden só "depois que Adão
completara quarenta dias na terra em que fora criado"; e "sua mulher
eles trouxeram no oitavo dia". Adão e Eva, em outras palavras,
foram trazidos de algum outro lugar.
O Livro dos Jubileus, que trata com os fatos que ocorreram depois
da expulsão do paraíso, fornece mais um pedaço da história,
afirmando que" Adão e sua mulher passaram adiante do Jardim do
Éden e viveram na Terra da Natividade, a terra de sua criação". Em
outras palavras, do Edin voltaram para o Abzu, no sudeste da África.
Só lá, no segundo Jubileu, foi que Adão "conheceu" Eva, e na
terceira semana do segundo Jubileu, ela deu à luz Caim, e no quarto
nasceu Abel, e no quinto nasceu uma menina chamada Avan (a
Bíblia afirma que depois Adão e Eva tiveram outros filhos e filhas:
livros não canônicos afirmam que foram 63 ao todo).
Tal seqüência de eventos, que coloca o início da humanidade não
na Mesopotâmia mas de volta à África, no Abzu, a sudeste do
continente, é agora corroborada pelas descobertas científicas sobre
o surgimento e a disseminação da espécie humana, na teoria que
coloca essa origem na África. Não apenas os mais antigos achados
de fósseis de hominídeos mas também a evidência genética em
relação à linhagem final do Homo sapiens confirmam o sudeste da
África como o lugar de onde a humanidade se originou.
Pesquisadores em antropologia e genética localizaram ali uma "Eva"
- uma única mulher da qual descenderiam todos os seres humanos -na mesma área há cerca de 250 mil anos. (Essa descoberta,
baseada no estudo do DNA mitocondrial, passado apenas pela mãe,
foi corroborada por uma pesquisa realizada em 1994 por
pesquisadores genéticos que se basearam no DNA nuclear,
transmitido por pai e mãe; depois expandiu-se, em 1995, para incluir
um "Adão" há cerca de 270 mil anos.) Foi dali que os vários ramos
de Homo sapiens (homem de Neandertal, homem de Cro-Magnon)
partiram para chegar à Ásia e à Europa.
Que o paraíso bíblico tenha sido o mesmo local estabelecido pelos
Anunnaki e aquele para onde levaram os Trabalhadores Primitivos
do Abzu, torna-se quase evidente em termos lingüísticos. Quase
ninguém mais coloca em dúvida que o nome Éden vem do sumério
E.DIN, derivado do intermediário Edinnu, do acadiano (língua-mãe
do assírio, babilônio e hebraico). Além do mais, ao descrever a
profusão de águas que saem do paraíso (um aspecto
impressionante para leitores de uma parte do Oriente Médio
totalmente dependente de chuvas num inverno curto), a Bíblia
oferece vários indicadores geográficos que também apontam para a
Mesopotâmia; afirma que o Jardim do Éden estava localizado na
cabeceira de um corpo de água que serve a confluência de quatro
rios:
E um rio saía do Éden
para regar o jardim;
e dali se espalhava
e convertia-se em quatro cabeceiras.
O nome de um é Pishon,
o que rodeia a terra
de Havilah, onde se encontra o ouro.
E o ouro daquela terra é bom:
ali se acha o cristal e a pedra de ônix.
E o nome do segundo rio é Gihon,
o que rodeia toda a terra de Kush.
E o nome do terceiro rio é Hidekel,
o que corre a oriente de Asur [na Assíria}.
E o quarto é Prath.
Sem dúvida, dois dos rios do paraíso, o Hidekel e o Prath, são os
dois maiores rios da Mesopotâmia (que originaram o nome "A Terra
entre Rios"), o Tigre e o Eufrates, como são conhecidos atualmente.
Existe concordância entre os acadêmicos sobre os nomes bíblicos
dos dois rios, que derivam do sumério (pelo intermediário acadiano):
Idilbat e Puranu.
Embora os dois rios tenham cursos separados, em alguns pontos
quase se juntando e em outros afastando-se, substancialmente
ambos nascem nas montanhas da Anatólia, ao norte da
Mesopotâmia; por se encontrarem ali as cabeceiras dos rios é que
os estudiosos têm procurado os outros dois rios. Porém não
encontraram candidatos plausíveis para o Gihon e o Pishon que
saíssem das mesmas cordilheiras. A pesquisa, portanto, passou
para terras mais distantes. Kush foi interpretada como a Etiópia ou a
Núbia, na África, e o Gihon ("O que Jorra") seria nesse caso o rio
Nilo, com suas várias cataratas. Uma boa estimativa para o Pishon
tem sido o rio Indo, identificando Havilah com o subcontinente
indiano, ou mesmo o Luristão [no Irã]. O problema com tais
sugestões é que nem o Nilo nem o Indo apresentam confluência
com o Tigre e o Eufrates, na Mesopotâmia.
Os nomes Kush e Havilah são encontrados na Bíblia mais de uma
vez, como termos de acidentes geográficos e como nomes de
nações. Na Tabela de Nações (Gênesis, capítulo 10), Havilah é
listada com Seba, Sabtha, Raamah, Sabtecha, Sheba e Dedan.
Todas eram nações com outras passagens na Bíblia que as
relacionavam com as tribos de Ismael, o filho de Abraão com a
criada Hagar, e não há dúvidas de que seus domínios localizavam-se na Arábia. Tais tradições têm sido corroboradas pelos
pesquisadores modernos, que identificaram as localizações das
tribos ao longo da Arábia. Mesmo o nome Hagar, descobriu-se ser o
de uma antiga cidade na Arábia oriental. Um estudo atual de E. A.
Knauf (Ismael, 1985) decifra conclusivamente o nome Havilah como
"Terra da Areia", identificando-a como o nome geográfico para o sul
da Arábia.
O problema com tais conclusões convincentes foi que nenhum rio na
Arábia poderia se candidatar a ser o curso de água bíblico Pishon,
pelo simples fato de que toda a Arábia é árida, terra deserta.
Poderia a Bíblia estar tão errada assim? Poderia toda a história do
Jardim do Éden e assim dos eventos e dos Encontros Divinos ser
um mito?
Começando com firme crença na veracidade da Bíblia, a seguinte
questão nos veio à mente: por que a narrativa bíblica se estende
para descrever a geografia e a mineralogia da terra (Havilah) onde o
Pishon estava; lista a terra e descreve o curso circular do rio Gihon;
meramente identifica a localização ("leste da Assíria") do Hidekel;
apenas dá o nome ao quarto rio, o Prath, sem nenhuma outra
referência adicional? Por que essa ordem decrescente de
informação?
A resposta que nos ocorreu foi que, apesar de não haver
necessidade de indicar ao leitor do Gênesis onde era o rio Eufrates,
e uma mera noção da Assíria ser suficiente para identificar o rio
Tigre (Hidekel), deveria se explicar que o Gihon - evidentemente um
rio menos conhecido naquela época - era o rio que se estendia pela
terra de Kush; e que o rio Pishon, aparentemente desconhecido,
ficava numa terra chamada Havilah, a qual, sem a menção de
acidentes geográficos, foi identificada pelos produtos que produzia.
Tais pensamentos começaram a fazer sentido quando, na década
de 1980, foi anunciado que a varredura do radar de subsolo no
deserto do Saara (no norte da África, a oeste do Egito), a partir de
satélites orbitais e medições do ônibus espacial Colúmbia, revelou
leitos secos de rios sob a areia, rios que correram um dia por essa
região. Pesquisa subseqüente do solo estabeleceu que aquela área
era bem servida de recursos hídricos, com rios principais e seus
afluentes, desde talvez 200 mil até cerca de 4.000 anos atrás,
quando o clima mudou.
A descoberta no deserto do Saara nos deixou maravilhados: poderia
o mesmo ter acontecido no deserto da Arábia? Quando a versão no
capítulo 2 do Gênesis foi escrita - obviamente numa época em que a
Assíria já era conhecida -, talvez o rio Pishon já tivesse
desaparecido sob as areias com as mudanças climáticas ocorrida
nos últimos milênios.
A confirmação da validade dessa linha de pensamento teve lugar de
forma dramática em março de 1993. Foi um anúncio feito por Farouk
El-Baz, diretor do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade
de Boston, a respeito da descoberta de um rio perdido sob as areias
da península Arábica - um rio que fluía por mais de 800 quilômetros,
desde as montanhas a oeste da península Arábica até o leste,
desaguando no golfo Pérsico. Lá, formava-se um delta que cobria a
maior parte do Kuweit atual, chegando até onde se encontra hoje
Basra, misturando-se com o Tigre e o Eufrates. Era um rio que
possuía mais de quinze metros de profundidade por toda a
extensão, e em alguns trechos apresentava cinco quilômetros de
largura.
Depois da última Idade do Gelo, entre 11 mil e 6.000 anos atrás,
concluiu o estudo da Universidade de Boston, o clima na Arábia era
úmido e chuvoso o suficiente para suportar tal rio. Mas por volta de
5.000 anos atrás o rio secou por causa das mudanças climáticas que
resultaram na aridez e nas condições desérticas na península. Com
o tempo, as dunas, levadas pelo vento, cobriram o canal do rio,
obliterando toda a evidência de um rio antes caudaloso. Imagens de
alta resolução produzidas pelos satélites Landsat, entretanto,
revelaram que os padrões de dunas mudaram quando a areia
atravessou uma linha que se estendia por centenas de quilômetros,
uma linha que terminava em depósitos de cascalho no Kuweit e
perto de Basra - cascalho de rochas dos montes Hedjaz, no oeste da
Arábia. Então, inspeções terrestres confirmaram a existência de um
antigo rio.
O Dr. El-Baz deu o nome de rio Kuweit ao curso de água perdido.
Sugerimos que na Antiguidade se chamasse rio Pishon, cortando a
península Arábica, que, de fato, foi uma antiga fonte de ouro e
pedras preciosas.
E quanto ao rio Gihon, "O que rodeia toda a terra de Kush"? Kush é
listado duas vezes na Lista das Nações, primeiro com as ter ras
camito-africanas do Egito, Put (Núbia/Sudão) e Canaã; e uma
segunda vez como uma das terras da Mesopotâmia onde Nimrod
era senhor, ele "cujos primeiros reinados foram a Babilônia, Erech e
a Acádia, todos na terra de Shine'ar (Suméria)". O Kush
mesopotâmico era, com toda a probabilidade, o leste da Suméria, a
área dos montes Zagros. Era a terra natal do povo kushshu, o nome
acadiano para cassitas, que no segundo milênio a.C. desceram dos
montes Zagros e ocuparam a Babilônia. O nome antigo permaneceu
em Kushan para o distrito de Susa (o Sushan do livro bíblico de
Ester) até a época dos persas e mesmo dos romanos.
Existem vários rios dignos de nota naquela parte dos montes
Zagros, mas eles não chamaram a atenção dos estudiosos porque
nenhum partilha a cabeceira com o Tigre e o Eufrates (centenas de
quilômetros para o nordeste). Aqui, entretanto, veio outra idéia:
Poderiam os antigos estar se referindo a rios que se juntam não nas
cabeceiras, mas na confluência, no golfo Pérsico? Se isso fosse
verdadeiro, o Gihon - o quarto rio do Éden - seria um rio que se
juntaria ao Tigre, ao Eufrates e ao recentemente descoberto "rio
Kuweit" em sua foz, no golfo Pérsico!
Se o problema for encarado dessa maneira, o candidato óbvio
emerge: trata-se do rio Karun, que, sem dúvida, é o maior rio da
antiga terra dos kushshu. Com cerca de oitocentos quilômetros de
extensão, forma uma alça incomum, começando seu tortuoso curso
na serra Zardeh-Kuh, no que agora seria o sudoeste do Irã. Em vez
de fluir para o sul até o golfo Pérsico, as águas seguem "para cima"
(quando se examina um mapa moderno), rumando para o norte por
desfiladeiros profundos. Depois faz nova curva e começa a fluir para
o sul, num curso em ziguezague, deixa os elevados montes Zagros
e começa a progredir na direção do golfo. Finalmente, em suas
derradeiras centenas de quilômetros, diminui a velocidade e desliza
suavemente na direção de uma confluência com o Tigre e o
Eufrates, no delta pantanoso que estes formavam ao desembocar no
golfo Pérsico (o assim chamado Shat-el-Arab, território contestado
por Irã e Iraque).
A localização, o curso circular, as águas turbulentas e a confluência
com os outros três rios ao desaguar no golfo Pérsico, tudo nos
sugere que o rio Karun poderia bem ser o bíblico rio Gihon, que
circundava a terra de Kush. Tal identificação combinada com as
descobertas da era espacial, que localizam um grande rio na Arábia,
delimitam e identificam a localização do Jardim do Éden no sul da
Mesopotâmia, confirmam a existência física de tal lugar e formam
uma base palpável, não-mitológica, sobre as histórias de Encontros
Divinos.
A confirmação do sul da Mesopotâmia, a antiga Suméria, como o
E.DIN, o Éden bíblico original, faz mais do que apenas criar uma
congruência geográfica entre os textos sumérios e a narrativa
bíblica. Também identifica o grupo com o qual a humanidade teve
esses Encontros Divinos. O E.DIN significava a "Habitação" dos
"Justos/Divinos" (DIN). O título completo seria DIN.GIR, significando
"Os Justos das Naves Espaciais". Isso era escrito de forma
pictográfica como um foguete de dois estágios, cujo módulo de
comando podia se separar para aterrissagem. À medida que a
escrita evoluiu para a cuneiforme, esse pictograma foi substituído
por um símbolo estelar significando "Os que Vieram do Céu"; mais
tarde, na Assíria e na Babilônia, o símbolo foi simplificado para
cunhas cruzadas, e sua leitura, na linguagem acadiana, mudou para
Ilu - "Os Inefáveis".
Os textos sobre a Criação da Mesopotâmia não apenas fornecem a
resposta ao enigma sobre quem seriam as diversas divindades
envolvidas na criação de Adão, resultando em que a Bíblia
empregasse o termo plural Elohim ("Os Divinos") numa versão
monoteísta dos acontecimentos e da manutenção do "nós" em
"Vamos fazer o homem à nossa imagem e à nossa semelhança",
mas delineiam também o cenário de tudo isso.
As evidências deixam pouco espaço para duvidar de que os Elohim
do Gênesis eram os DIN.GIR dos sumérios. Foi atribuída a eles a
tarefa de criar Adão, e foram seus diversos (e muitas vezes
antagônicos) líderes - Enki, Enlil, Ninmah - o "nós" que o primeiro
Homo sapiens encontrou.
A expulsão do Jardim do Éden trouxe um final ao primeiro capítulo
desse relacionamento. Ao perder o paraíso, a humanidade ganhou o
conhecimento e a habilidade de procriar, e daí por diante estava
destinada a ligar-se com a Terra.
Com o suor do teu rosto
comerás pão,
até tu voltares para a Terra,
pois dela foste tomado.
Porquanto és pó
e ao pó hás de tornar.
Mas não foi assim que a humanidade enxergou seu destino. Tendo
sido criada à imagem e semelhança dos Dingir/Elohim, viu a si
mesma como parte do céu - os outros planetas, as estrelas, o
Universo. Luta para alcançá-los em sua morada celestial, para
conseguir sua imortalidade. A fim de obter isso, o Homem continuou
a procurar Encontros Divinos sem querubins de espadas flamejantes
a lhe bloquear o caminho.
A Primeira Linguagem
Poderiam Adão e Eva falar? E em que língua conversavam com
Deus?
Até algumas décadas atrás os estudiosos sustentavam que a fala
humana começou com os Cro-Magnon, cerca de 35 mil anos atrás, e
as línguas se desenvolveram localmente entre diversos clãs, não
mais do que 8000 a 12 mil anos atrás.
Essa não é a visão bíblica, segundo a qual Adão e Eva conversavam
em uma língua compreensível, e que antes do incidente da torre de
Babel ''toda a Terra tinha uma linguagem e um tipo de palavra".
Nos anos 1960 e 1970 as comparações levaram os estudiosos a
concluir que todos os milhares de diferentes linguagens - incluindo
as dos nativos americanos - poderiam ser agrupadas em três línguas
primárias. Mais tarde, descobertas de fósseis em Israel revelaram
que 60 mil anos atrás os homens de Neandertal podiam falar como
nós. A conclusão de que realmente existiu uma língua única há
cerca de 100 mil anos foi confirmada em meados de 1994 por
estudos atualizados da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Os avanços em pesquisa genética, agora aplicados à fala e à
linguagem, sugerem que essas habilidades, distinguindo os
humanos dos macacos, são de origem genética. Estudos genéticos
indicam que de fato existiu uma "Eva", uma mãe única de todos nós
- e que ela apareceu entre 200 mil e 250 mil anos atrás, com o "dom
de conversar" .
Alguns fundamentalistas acreditam que a língua-mãe foi o hebraico,
o idioma da Bíblia. Talvez, mas provavelmente não: o hebraico
deriva do acadiano (a primeira língua "semita"), que foi precedido
pelo sumério. Seria então o sumério a língua do povo que se
estabeleceu em Shine'ar (Suméria). Mas teria sido apenas após o
Dilúvio, já que os textos da Mesopotâmia se referem a uma língua
antediluviana. A antropóloga Kathleen Gibson, da Universidade do
Texas, em Houston, acredita que os humanos adquiriram a fala e a
matemática ao mesmo tempo. Haveria uma primeira língua dos
próprios Anunnaki, ensinada ao homem juntamente com todas as
outras tecnologias.
2
QUANDO O PARAÍSO FOI PERDIDO
A Expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden, que seria uma
quebra deliberada e decisiva dos elos entre Adão e seus criadores,
não foi definitiva, afinal de contas. Se fosse, os registros de
Encontros Divinos teriam terminado aí mesmo. Em vez disso, a
Expulsão foi apenas o início de uma nova fase nesse
relacionamento, que pode ser caracterizada como esconde-esconde,
na qual os encontros diretos se tomaram raros, e visões ou sonhos
recursos divinos.
O início desse relacionamento pós-paraíso não foi nada auspicioso;
na verdade, foi trágico. Sem intenção, trouxe a emergência de novos
humanos, o Homo sapiens sapiens. Da forma como aconteceu, tanto
a tragédia quanto suas conseqüências plantaram as sementes da
desilusão divina com a humanidade.
Não foi a Expulsão do Paraíso um assunto muito escolhido para
orações sobre a "Queda do Homem", que constituiu a verdadeira
motivação para deixar que o Dilúvio varresse a humanidade da face
da Terra. Em vez disso, foi um incrível ato de fratricídio: quando toda
a humanidade totalizava quatro (Adão, Eva, Caim e Abel), um irmão
mata o outro!
E o motivo? Relacionado a Encontros Divinos...
A história, conforme narrada pela Bíblia, começa quase como um
idílio:
E Adão conheceu Eva, sua mulher
E ela concebeu e deu à luz Caim e disse:
"Adquiri um homem com o (auxílio de) Iavé".
E tornou a dar à luz seu irmão, Abel.
E foi Abel pastor de ovelhas.
E Caim foi lavrador da terra.
Dessa forma, em apenas dois versos, a Bíblia leva o leitor a uma
fase totalmente diferente na história das experiências humanas e
estabelece o clima para o Encontro Divino seguinte. A despeito do
rompimento entre Deus e Homem, Iavé ainda observa a
humanidade. De alguma forma - a Bíblia não fornece os detalhes -,
os grãos e o gado foram dominados, com Caim tornando-se um
agricultor, e Abel um pastor. O primeiro ato do irmão é oferecer as
primeiras frutas a Iavé, em gratidão. O ato implica um
reconhecimento de que é graças à divindade que as duas formas de
alimentação se tomaram possíveis. O privilégio de um Encontro
Divino era esperado; mas...
E voltou-se Iavé para Abel e para a sua oferta;
e para Caim e para sua oferta não se voltou.
E irou-se muito Caim,
e descaiu-lhe o semblante.
Talvez alarmada por esse ocorrido, a divindade fala diretamente a
Caim, tentando dissipar sua ira e desapontamento. Mas não obteve
resultado. Quando os dois irmãos estavam sozinhos no cam po,
"levantou-se Caim contra seu irmão, Abel, e o matou".
Iavé logo estava exigindo explicações de Caim. "Que fizeste? A voz
do sangue de teu irmão está clamando a mim, desde a Terra",
protesta Iavé, em ira e desespero. Caim é punido, condenado a
vagar pela Terra, que também é amaldiçoada, perdendo a
fertilidade. Reconhecendo a magnitude de seu crime, Caim fica com
medo de ser morto por vingadores desconhecidos. "E Iavé colocou
em Caim um sinal para que não o ferissem, quem quer que o
encontrasse."
O que seria essa "marca de Caim"? A Bíblia não diz, e os
incontáveis palpites não passam disso: palpites. Nossa opinião
(exposta em Os Reinos Perdidos) é que pode ter sido uma alteração
genética, tal como privar a descendência de Caim de pêlos faciais -uma marca que seria imediatamente reconhecida por quem quer que
a encontrasse. Uma vez que essa é a marca típica dos ameríndios,
sugerimos que desde que "E saiu da presença de Iavé e habitou na
terra de Nod, ao oriente do Éden", suas perambulações levaram -no,
e a sua descendência, mais para o interior da Ásia e para o Oriente,
atravessando o Pacífico a seu tempo para estabelecer-se na
América Central. Quando suas andanças terminaram, Caim teve um
filho, a quem chamou Enoque, e construiu uma cidade "e chamou o
nome da cidade como o nome de seu filho". Temos lembrado que as
lendas astecas chamam sua capital de Tenochtitlán, "Cidade de
Tenoch", em honra aos ancestrais que vieram do Pacífico. Como
eles colocavam o som de "T" antes de várias palavras, a cidade
poderia realmente ter o seu nome derivado do de Enoque.
Qualquer que fosse a natureza da marca ou o destino de Caim, fica
claro que esse ato final no drama Caim-Abel exigiu um Encontro
Divino direto, um contato imediato entre a divindade e Caim, de
forma que a "marca" pudesse ser colocada.
Assim, conforme o desenrolar dos relacionamentos entre Homem e
Deus, foi uma ocorrência rara depois da Expulsão do Paraíso.
Segundo o Gênesis, foi apenas com o sétimo patriarca antediluviano
(numa linhagem que começou com Adão e terminou com Noé) que
os Elohim provocaram um Encontro Divino direto; estava relacionado
com Enoque, que, com a idade de 365 (um número de anos igual ao
de dias no ano), "andou com os Elohim", depois partiu "levado pelos
Elohim" para juntar-se a eles em sua habitação.
Mas ainda que Deus revelasse a si mesmo tão raramente, a
humanidade - segundo a Bíblia - continuava a "escutá-lo". Quais
seriam os canais para esses encontros indiretos?
Para descobrir a resposta a esses tempos primitivos, precisamos
buscar informações nos livros extrabíblicos, dos quais um é o Livro
dos Jubileus. Chamado pelos estudiosos de pseudepígrafe do Velho
Testamento, inclui o Livro de Adão e Eva, que sobreviveu em várias
versões traduzidas desde o armênio e o eslavo até o sírio, o arábico
e o etíope (mas não no original hebraico). Segundo essa fonte, o
assassinato de Abel por Caim foi previsto por Eva, num sonho em
que ela viu" o sangue de Abel sendo derramado na boca de Caim,
seu irmão". Para evitar que o sonho se tornasse realidade, foi
decidido "fazer para cada um deles um espaço separado, e fizeram
de Caim um agricultor, e de Abel um pastor".
Mas a separação não adiantou. De novo Eva teve o sonho (dessa
vez é chamado pelo texto de "visão"). Acordado por ela, Adão
sugere que "vão e vejam o que aconteceu a eles". "E os dois foram,
e encontraram Abel assassinado pela mão de Caim."
Os acontecimentos, conforme registrados no Livro de Adão e Eva,
então descrevem o nascimento de Seth (que significa "substituição",
em hebraico) "em lugar de Abel". Com Abel morto e Caim banido,
Seth (como o nome aparece nas traduções) era agora herdeiro do
patriarca e sucessor de Adão. E, assim, quando Adão ficou doente e
aproximou-se da morte, ele revelou a Seth "o que vi e ouvi, depois
que sua mãe e eu fomos expulsos do paraíso".
Veio a mim Miguel, o arcanjo,
um emissário de Deus.
E vi uma carruagem como o vento,
e suas rodas pareciam em fogo.
E fui carregado até
o Paraíso dos Justos
e vi o Senhor sentado;
mas Seu rosto era um fogo flamejante
que não podia ser encarado.
Embora não pudesse suportar a visão, escutou a voz de Deus
dizendo a ele que, por haver transgredido a lei do Éden, estava
destinado a morrer. Então o arcanjo Miguel levou Adão da visão do
paraíso e o trouxe de volta. Concluindo a narrativa, Adão aconselhou
Seth a evitar o pecado e a ser justo e seguir os mandamentos de
Deus e os estatutos que seriam entregues a Seth e seus
descendentes quando" o Senhor aparecer numa labareda de fogo".
Por haver sido a morte de Adão o primeiro passamento natural de
um mortal, Eva e Seth não sabiam o que fazer. Apanharam Adão
moribundo e o carregaram para a "região do paraíso", e
permaneceram ali, em frente aos portões do paraíso, até que a alma
de Adão partisse do corpo. Ficaram em estado de choque,
lamentando e chorando. Então o Sol e a Lua e as estrelas
escureceram, "os Céus se abriram", e Eva teve visões celestiais. Ao
erguer os olhos, viu "saindo dos céus uma carruagem de luz, trazida
por quatro águias brilhantes. E ouviu o Senhor instruir os arcanjos
Miguel e Uriel a trazerem panos de linho e envolverem Adão e Abel
(que ainda não fora enterrado); assim foram Adão e Abel preparados
para o enterro, "segundo a ordem de Deus, no local onde o Senhor
obteve o pó da terra" para a criação de Adão.
Existe uma riqueza de informações pertinente nessa história.
Estabelece sonhos proféticos como canal para revelações divinas,
um Encontro Divino por intermédio de telepatia ou de outro meio
subconsciente qualquer. Traz para o reino dos Encontros Divinos um
intermediário: um "anjo", um termo conhecido da Bíblia hebraica,
cujo significado literal é "emissário, mensageiro". Também traz para
o cenário outra forma de Encontro Divino, aquele da "visão", em que
a "Carruagem do Senhor" é vista - uma "visão impressionante" de
uma "carruagem como o vento", cujas "rodas estavam como que em
chamas", quando vista por Adão, e como "carruagem de luz, puxada
por quatro águias brilhantes", quando vista por Eva.
Sendo que depois do Livro de Adão e Eva outros textos
pseudepígrafes foram escritos nos últimos séculos antes da era
cristã, seria possível argumentar que suas informações, em relação
a sonhos e visões, poderiam ter sido baseadas em conhecimentos
ou crenças de uma época bem mais recente para os escritores do
que eventos antediluvianos. No caso dos sonhos proféticos (que
abordaremos mais adiante), essa possibilidade só serviria para
confirmar o uso, através dos tempos, desse canal indiscutível entre
divindades e humanos, ao longo da história conhecida.
Em relação a visões de carruagens divinas, poder-se-ia também
argumentar que o que o autor do Livro de Adão e Eva atribuiu a
tempos pré-históricos e antediluvianos também se refletiu em
eventos que ocorreram muito mais tarde, a exemplo da visão de
Ezequiel da Carruagem divina (no final do século VII a.C.), assim
como a familiaridade com muitas referências a tais veículos aéreos
nos textos mesopotâmicos e egípcios. A respeito, porém, de visões
ou observações do que atualmente chamamos de Ovni (Objetos
voadores não identificados), existem evidências físicas dos dias
antes do Dilúvio - evidências pictóricas, cuja autenticidade é
inegável.
Vamos esclarecer o assunto: não estamos nos referindo à
representação suméria (começando com o pictograma para GIR) e
outras representações espalhadas pelo Oriente Médio, na era pós-Dilúvio. Estamos falando sobre representações de verdade -desenhos, pinturas - de uma era precedente ao Dilúvio (que ocorreu,
por nossos cálculos, por volta de 13 mil anos atrás), e não por um
tempo curto, mas por milhares e dezenas de milhares de anos!
A existência de representações pictóricas tão recuadas na pré-história não é segredo. O que é virtualmente um segredo é o fato de
que além de animais e seres humanos aqueles desenhos também
representavam Ovni.
Estamos nos referindo ao que hoje em dia é conhecido como a arte
rupestre (das cavernas); vários desenhos encontrados onde viveu o
homem de Cro-Magnon, em "cavernas decoradas", como os
estudiosos gostam de chamá-las, especialmente no sudoeste da
França e ao norte da Espanha. Mais de setenta dessas cavernas
decoradas foram encontradas (a entrada de uma está agora sob as
águas do mar Mediterrâneo) em 1993; lá, artistas da Idade da Pedra
usavam as paredes das cavernas como telas gigantes, algumas
vezes utilizando os contornos e protuberâncias naturais das paredes
para obter efeitos tridimensionais. Por vezes usavam pedras afiadas
para gravar as imagens, em outras oportunidades acrescentavam
argila para moldar e dar forma, mas a característica principal era um
estoque limitado de pigmentos - preto, vermelho, amarelo e um
marrom monótono - com os quais eles criavam trabalhos artísticos
de impressionante beleza. Ocasionalmente, representavam o ser
humano como caçador, e algumas vezes empunhando armas de
caça (setas, lanças); as representações são, em sua grande maioria,
de animais da Idade do Gelo: bisões, renas, cabritos-monteses,
cavalos, bois, vacas, felinos e aqui e ali também peixes e pássaros.
Os desenhos, relevos e pinturas muitas vezes eram feitos em
tamanho natural. Não paira dúvida sobre o artista anônimo ter
pintado exatamente o que viu. Duraram muitos milênios, de 30 mil a
13 mil anos atrás.
Em muitos casos, as cores mais vividamente coloridas estão na
parte mais profunda das cavernas - naturalmente, também eram as
partes mais escuras. Que meios os artistas usaram para iluminar o
interior das cavernas a fim de poder pintar, não se sabe, pois não
foram encontrados restos de carvão, tochas nem nada parecido. A
julgar pela ausência de restos, as cavernas não eram usadas para
habitação. Muitos estudioso, portanto, tendem a enxergar essas
cavernas decoradas como santuários, onde a arte expressava uma
religião primitiva - pintar animais e cenas de caça como uma
oferenda para os deuses, a fim de tornar bem-sucedida uma
expedição caçadora.
A tendência de interpretar a arte das cavernas como arte religiosa
também deriva de esculturas. Estas consistem principalmente em
"Vênus" - estatuetas de mulheres conhecidas, como a Vênus de
Willendorf, cuja datação é de aproximadamente 23 mil a.C. Desde
que os artistas podiam reproduzir a forma humana natural, como se
pode observar nesse achado de 22 mil anos atrás, na França,
acredita-se que as figuras com as partes reprodutoras em tamanho
exagerado deviam simbolizar ou buscar fertilidade; portanto, quando
as esculturas naturais simbolizavam "Evas", as exageradas (Vênus)
expressavam a adoração a uma deusa.

A descoberta de outra "Vênus" em Laussel, na França, do mesmo
período, reforça a divindade em vez de os aspectos humanos,
porque a fêmea está segurando, em sua mão direita, o símbolo de
um crescente. Embora alguns sugiram que ela esteja segurando
apenas um chifre de bisão, o símbolo da conexão celeste (aqui com
a Lua) fica claro, não importa de que material o crescente era feito.
Muitos pesquisadores (John Maringer em Os Deuses do Homem
Pré-Histórico) acreditam que "parece altamente provável que as
figuras femininas fossem ídolos de um culto a uma grande mãe,
praticado por uma tribo de caçadores de mamutes da Idade da
Pedra superior". Outros, como Marlin Stone (Quando Deus Era
Mulher), consideram o fenômeno o "amanhecer de um Jardim do
Éden da Idade da Pedra" e ligam essa adoração de uma Deusa-Mãe
à deusas do panteão sumério, mais tarde. Um dos nomes da deusa
Ninmah, que ajudou Enki na criação do homem, era Mammi; não
resta dúvida de que essa foi a origem para a palavra "mãe" em
quase todas as línguas. Que ela tenha se revelado há 30 mil anos é
motivo de espanto, pois os Anunnaki têm estado na Terra há muito
mais tempo, e Ninmah/Mammi entre eles.
A questão seria: como o Homem da Idade da Pedra, mais
especificamente o de Cro-Magnon, sabia da existência desses
"deuses?"
Aqui, acreditamos, entra em jogo outro tipo de desenho encontrado
nas cavernas da Idade da Pedra. Se são mencionados (o que é
raro), referem-se a eles como "marcas". Porém não se trata de
rabiscos ou linhas incoerentes. Essas "marcas" representam objetos
de formas bem definidas - formas de objetos aos quais, atualmente,
chamamos de Ovni...

A melhor forma de provar essa idéia é reproduzir essas “marcas”. A
fig. 12 reproduz representações por artistas da Idade da Pedra –
repórteres-ilustradores de seu tempo – nas cavernas de Altamira. La
Pasiege e El Castillo, na Espanha, e as de Font-de-Gaume e Pair-non-Pair, na França. Não representam, de forma alguma, a
totalidade das ilustrações desse tipo, mas aquelas que, a nosso ver,
são as mais óbvias representações de carruagens celestes na Idade
da Pedra. Como todas as representações nas cavernas decoradas
são de animais, vistos de verdade e reproduzidos com precisão
pelos artistas, não existe motivo para presumir que, no caso das
"marcas", eles representassem objetos que fossem imagens abs-tratas. Se as representações são de objetos voadores, então os
artistas os devem ter visto.
Graças a esses artistas e seu trabalho, podemos ficar seguros de
que quando Adão e Eva - numa era antediluviana - afirmaram ter
visto" carruagens celestes", estavam registrando fatos, não ficção.
Ler os registros bíblicos e extrabíblicos à luz de fontes sumérias
permite que melhoremos nosso entendimento sobre esses eventos
pré-históricos. Já examinamos tais fontes com respeito à história da
criação de Adão e de Eva no Jardim do Paraíso. Vamos agora
examinar a tragédia Caim-Abel. Por que os dois se sentiam
obrigados a oferecer os primeiros frutos das colheitas anuais para
Iavé? Por que ele prestou atenção apenas ao oferecimento de Abel,
o pastor? E por que o Senhor se apressou a tranqüilizar Caim,
dizendo que ele, Caim, reinaria sobre Abel?
As respostas encontram-se no fato de que na história da criação a
versão bíblica comprime mais de uma divindade suméria numa
única, monoteísta. Os textos sumérios que lidam com disputas e
conflitos entre agricultores e pastores são dois; ambos encerram a
chave para compreender o que aconteceu, voltando a uma época
em que nem grãos nem animais eram usados pelo homem, uma
época em que "os grãos ainda não haviam aparecido, não haviam
vegetado... quando um carneiro ainda não nascera, não havia
ovelha". Porém o "povo de cabeça negra" já fora fabricado e
colocado no E.DIN. Então os Anunnaki resolveram dar aos
NAM.LU.GAL.LU - "Humanidade Civilizada" - conhecimento e
ferramentas para a "preparação da terra" e para a "manutenção de
ovelhas"; não pelo homem, mas "pelos deuses", a fim de assegurar
que fossem saciados.
A tarefa de trazer duas formas de domesticação recaiu sobre Enki e
Enlil. Foram até o DU.KU, o "local de purificação", a "câmara de
criar" dos deuses, e criaram Lahar ("gado de lã") e Anshan ("grãos").
"Para Lahar fizeram um cercado... para Anshan, um arado e a
canga." Cilindros sumérios mostram a apresentação do primeiro
arado à humanidade - presumivelmente por Enlil, que criara Anshan,
o lavrador (embora uma apresentação por Ninurta, o filho de Enlil,
cujo epíteto era "O semeador", não deva ser descartada); e uma
cena de semeadura na qual o arado é puxado por uma parelha de
bois.
Depois de um período idílico inicial, Lahar e Anshan começaram a
brigar. Um texto chamado pelos estudiosos de O Mito do Gado e do
Grão revela que, apesar dos esforços para separar os dois ao
"estabelecer uma casa", uma forma fixa de viver para Anshan (o
lavrador) e cercados nos pastos para Lahar (o pastor), e a despei to
das colheitas abundantes e prosperidade nos carneiros, os dois
começaram a brigar. A discussão começou quando ambos
ofereceram suas abundâncias para o "celeiro dos deuses". No início,
cada um elogiava seus próprios progressos e diminuía os do outro.
Mas a discussão se tomou tão áspera que tanto Enlil quanto Enki
foram obrigados a intervir. Segundo o texto sumério, declararam
Anshan, o lavrador, o mais esforçado.
Mais explícito em sua escolha entre os dois produtores de comida e
as duas formas de vida é um texto conhecido como A Disputa Entre
Emesh e Enten, em que os dois chegam até Enlil para uma decisão
sobre qual é mais importante. Emesh é quem "faz grandes cercados
e baias"; Enten, que cava canais para irrigar as terras, afirma que ele
é o "lavrador dos deuses". Ao levar as oferendas para Enlil, cada um
procurava conseguir supremacia. Enten se vangloria de como
formou "fazenda após fazenda", e seus canais de irrigação
trouxeram" água em abundância", como ele fez o "grão aumentar
nos sulcos" e "elevar-se alto nos celeiros". Emesh lembra que ele
"fez a ovelha dar à luz o cordeiro, a cabra dar à luz o cabrito, vacas e
bezerros se multiplicaram, gordura e leite aumentaram", e também
como obteve ovos de ninhos feitos para os pássaros e apanhou
peixes no mar.
Porém Enlil rejeita as alegações de Emesh, chegando mesmo a
repreendê-lo: "Como ousa comparar-se a seu irmão Enten?", diz ele,
pois é Enten "que está encarregado de todas as águas produtoras
de vida de todas as terras". E água é o mesmo que vida,
crescimento, abundância. Emesh aceita a decisão.
As palavras exaltadas de Enlil,
cujo significado é profundo;
um veredito inalterável,
ninguém ousa transgredi-lo!
Assim, "na disputa entre Emesh e Enten, Enten, o fiel lavrador dos
deuses, tendo provado ser vencedor, Emesh seu joelho dobrou
perante Enten, ofereceu a ele uma oração" e deu-lhe vários
presentes.
É digno de nota que nas linhas citadas acima Enlil chama a Emesh
de irmão de Enten - o mesmo parentesco de Caim e Abel. Essa e
outras semelhanças entre as histórias suméria e bíblica indicam que
a primeira foi a inspiração para a última. A preferência pelo lavrador
em detrimento do pastor por parte de Enlil pode ser entendida pelo
fato de que foi ele a introduzir a agricultura, enquanto Enki ficou co m
a domesticação e a criação de animais. Estudiosos tendem a
traduzir os nomes sumérios como "inverno" para Enten e "verão"
para Emesh. EN.TEN seria traduzido por "Senhor do Descanso", a
época depois da colheita e, portanto, a estação do inverno, sem uma
referência clara a um dia específico. E.MESH ("Casa de Mesh"), por
outro lado, é claramente associada a Enlil, pois um de seus epítetos
era MESH ("Proliferação"); era ele, portanto, o deus do pastoreio.
Levando tudo em conta, parece haver pouca dúvida de que a
rivalidade Caim-Abel refletia uma rivalidade entre os dois irmãos
divinos. Vinha à tona de tempos em tempos, como quando Enlil
chegou à Terra para assumir o comando de Enki (que ficou relegado
ao Abzu), e em outras ocasiões mais tarde. Suas raízes, entretanto,
remontavam a Nibiru, seu planeta natal. Ambos eram filhos de Anu,
o governante de Nibiru. Enki era o primogênito, sendo assim o
herdeiro natural do trono. O direito de nascimento chocou-se com as
regras de sucessão; embora Enki aceitasse o resultado, a rivalidade
e a raiva muitas vezes ficavam descobertas.
Uma questão raramente formulada seria: onde Caim obteve a noção
de matar? No Jardim do Éden, Adão e Eva eram vegetarianos,
comiam apenas frutas das árvores. Nenhum animal era abatido por
eles. Longe do paraíso, existiam apenas quatro seres humanos,
nenhum deles ainda havia morrido (muito menos por violência). Em
tais circunstâncias, por que (o que motivou) "levantou -se Caim
contra seu irmão, Abel, e o matou"?
Parece que a resposta está nos deuses, não nos homens. Assim
como a rivalidade entre os irmãos humanos refletia uma rivalidade
entre os irmãos divinos, também o assassinato de um irmão pelo
outro imitava o assassinato de um "deus" pelo outro. Não de Enki
por Enlil ou vice-versa - a rivalidade deles jamais alcançou tal
veemência -, mas o assassinato de um líder Anunnaki por obra de
outro.
A história é bem documentada na literatura suméria. Os estudiosos a
chamam de O Mito de Zu. Relata eventos que ocorreram depois do
rearranjo do comando na Terra, com uma ampla produção de
minério de ouro no Abzu, sob a responsabilidade de Enki e o
processamento, fusão e refinamento no Edin, sob a
responsabilidade de Enlil. Um total de seiscentos Anunnaki estavam
envolvidos nessas atividades na Terra; outros trezentos (os IGI.GI,
"aqueles que observam e vêem") ficavam em órbita, tripulando as
espaçonaves e transportes espaciais que levavam o ouro produzido
até Nibiru. O Centro de Controle da Missão é no quartel-general de
Enlil, em Nippur; é chamado DUR.AN.KI, "A ligação Céu-Terra". Lá,
sobre uma plataforma elevada, instrumentos vitais, cartas celestes e
painéis de dados orbitais ("Tabelas de Destinos") são mantidos no
DIR.GA, um Santo dos Santos interno e restrito.
Os Igigi, reclamando que não conseguem descanso de seus deveres
orbitais, enviam um emissário a Enlil. Trata-se de um AN.ZU. "Um
Que Conhece os Céus", e é chamado de ZU como abreviatura.
Admitido no Dirga, ele descobre que as Tabelas de Destinos são a
chave para toda a missão. Em pouco tempo ele começa a ter maus
pensamentos, a "tramar a agressão": roubar as Tabelas de Destinos
e "governar os decretos dos deuses".
Na primeira oportunidade que ele tem, executa seu plano e "em seu
Pássaro", parte para esconder-se na "Montanha das Câmaras
Celestes". No Duranki, tudo parou; o contato com Nibiru foi rompido,
todas as operações cessaram. Depois de falharem vá rios esforços
para recuperar as tabelas, a perigosa missão foi entregue para
Ninurta, primogênito de Enlil e guerreiro. Batalhas aéreas com armas
que emitem raios brilhantes foram travadas. Finalmente, Ninurta
conseguiu penetrar o campo de força protetora de Zu e derrubou o
"Pássaro" de Zu. Zu foi capturado e julgado perante os "sete
Anunnaki que julgam". Foi considerado culpado e sentenciado à
morte. Seu vencedor, Ninurta, foi quem executou a sentença.
A execução de Zu é representada em esculturas arcaicas
encontradas na Mesopotâmia central (fig. 14). Tudo aconteceu bem
antes da criação do homem; mas, como esses textos mostram, a
história foi registrada e contada nos milênios que se seguiram. Se
Caim obteve daí a noção de matar, a ira de Iavé foi compreensível,
pois a execução de Zu ocorreu depois de um julgamento, enquanto
Abel foi simplesmente assassinado.
Textos sumérios, origem e inspiração para as histórias do Gênesis,
não apenas preenchem as lacunas das versões bíblicas mas
também proporcionam uma história pregressa para a compreensão
dos eventos. Mais um aspecto da experiência humana assim pode
ser explicado por registros divinos. Os pecados de Adão e Eva e
Caim são punidos com a severidade da Expulsão. Isso também
parece ser uma aplicação de uma forma de castigo dos Anunnaki
aos humanos criados. Foi uma vez aplicado ao próprio Enlil, que"
estuprou" uma enfermeira Anunnaki (que mais tarde acabou se
tornando sua esposa).
Ao combinar os dados bíblicos e sumérios, ficamos em posição de
colocar o início do homem num ciclo temporal apoiado pela ciência
moderna.
Segundo a Lista de Reis Sumérios, 120 Sars ("Anos Divinos" ou
órbitas de Nibiru), iguais a 432 mil anos terrestres, se passaram
desde a chegada dos Anunnaki à Terra até o Dilúvio. No capitulo 6
do Gênesis, no preâmbulo da história de Noé e do Dilúvio, o número
"120 anos" também é fornecido. Acredita-se geralmente que se refira
ao limite que Deus colocou para o comprimento da vida humana,
porém conforme apontamos em O 12
o.
Planeta, os patriarcas
viveram muito mais do que isso depois do Dilúvio - Sem, filho de
Noé, 600 anos; seu filho Arpakshad, 438; seu filho Shelach, 433; e
assim por diante até Terah, pai de Abraão, que viveu até 205 anos.
Uma leitura cuidadosa dos versos em aramaico, conforme
sugerimos, falava de anos divinos completados - uma contagem de
Anos Divinos, não terrestres.
Desses 432 mil anos terrestres, os Anunnaki ficaram sozinhos na
Terra por 40 Sars, até acontecer o motim. Então, cerca de 288 mil
anos terrestres antes do Dilúvio, quase 300 mil anos atrás, eles
criaram o Trabalhador Primitivo. Depois de um intervalo cuja
extensão não é mencionada nas fontes, deram ao novo ser a
habilidade de procriar e devolveram o Primeiro Casal para o sudeste
da África.
Um ponto que geralmente é ignorado, mas que achamos bastante
significativo, é que por meio das narrativas que falam da criação do
homem, do episódio no Jardim do Éden e - mais intrigante - da
história do nascimento de Caim e Abel, a Bíblia se refere aos
humanos como O Adão, um termo genérico que define uma espécie
determinada. Só no capítulo 5 do Gênesis, que começa com as
palavras "Este é o livro da genealogia de Adão", é que a Bíblia deixa
o "O". Apenas quando começa a lidar com um pai específico da
geração humana; mas, significativamente, essa listagem omite Caim
e Abel e segue da pessoa chamada Adão diretamente para seu filho,
Seth, pai de Enós. E é apenas para o filho de Seth, Enoque, que o
termo hebraico significando ser "humano" é empregado; isso é o que
significa Enós: "Ele, que é humano". Até hoje a palavra hebraica
para "humanidade" é Enoshut "o que é como, o que deriva de Enós".
A ligação entre a narrativa bíblica e sua origem suméria emerge de
forma muito interessante no nome do neto de Adão, Enós, a quem a
Bíblia considera o verdadeiro progenitor da humanidade, como
sucedeu no Oriente Médio. A lista de meses e dos deuses
associados a eles (conhecida como IV R 33), que começa com
nissan, o mês associado a Anu e Enlil (o primeiro mês do calendário
assírio babilônico), apresenta o mês de iyar com a notação sha Ea
bel tinishti - "Aquele de Ea, Senhor da humanidade". O termo
acadiano tinishti, por sua vez, tinha seu paralelo no sumério pelo
termo AZA.LU.LU, que melhor pode ser traduzido como "o povo que
serve"; mais uma vez, isso lembra - e explica - a afirmação bíblica
sobre Enós, o significado de seu nome e seu tempo.
É em relação a Enós que a Bíblia afirma (Gênesis 4:26) que foi em
seu tempo que a humanidade" começa a falar no nome de Iavé".
Deve ter sido um evento muito importante, uma nova fase na história
da humanidade, pois o Livro dos Jubileus afirma quase com palavras
idênticas que foi Enós "quem começou a chamar o nome do Senhor
aqui na Terra". O homem descobrira Deus!
Quem seria esse novo humano, "homem-Enós" de um ponto de vista
científico? Seria o progenitor do que chamamos atualmente de
homem de Neandertal, o primeiro Homo sapiens verdadeiro? Ou já
seria o ancestral do homem de Cro-Magnon, o primeiro Homo
sapiens sapiens verdadeiro, que ainda caminha na superfície da
Terra como os seres humanos atuais? O homem de Cro-Magnon
(que recebeu essa denominação pelo sítio arqueológico na França
onde os restos de seu esqueleto foram encontrados) apareceu na
Europa cerca de 35 mil anos atrás, substituindo lá o homem de
Neandertal (também nomeado pela descoberta de seu esqueleto na
Alemanha), que vivia lá desde 100 mil anos. Porém, como revelam
restos de esqueletos descobertos nos anos recentes em cavernas
de Israel, o homem de Neandertal migrava através do Oriente Médio
havia pelo menos 115 mil anos, e os Cro-Magnon já viviam na área
92 mil anos antes. Onde O Adão e Eva, os primeiros humanos
criados, e Adão e Eva, os progenitores de Seth e Enós, se encaixam
nisso tudo? Que luz as Listas de Reis Sumérios e a Bíblia lançam
sobre o assunto, e como tudo se relaciona com as atuais
descobertas científicas?
Enquanto as descobertas de restos fósseis na Ásia, África e Europa
sugerem que os hominídeos surgiram primeiro no sudeste da África
e depois se espalharam para os outros continentes, possivelmente
meio milhão de anos atrás, os verdadeiros ancestrais da
humanidade atual fizeram sua aparência no sudeste da África bem
mais tarde. Os marcadores genéticos do Homo sapiens, inicialmente
estudados por meio do DNA mitocondrial, que só é transmitido pela
mulher, e depois mediante estudos de DNA nuclear, herdado de
ambos os pais (relatórios do encontro anual de abril de 1994 da
Associação Americana de Antropólogos Físicos), indicam que todos
derivamos de uma única "Eva", que viveu no sudeste da África entre
200 mil e 250 mil anos atrás. Estudos publicados em maio de 1995
sobre o cromossomo Y indicam um único ancestral "Adão", cerca de
270 mil anos atrás.
Os dados sumérios colocam a criação do Adão por volta de 290 mil
no passado - coincidindo com a escala de tempo para os dois
progenitores que a ciência moderna sugere atualmente. Por quanto
tempo ficaram lá, e depois de quanto tempo adquiriram a habilidade
de procriar, até a expulsão de volta para o sudeste africano e o
nascimento de Caim-Abel, os textos antigos não determinam.
Cinqüenta mil anos? Cem mil anos? Qualquer que tenha sido o
tempo exato, parece evidente que a "Eva" que retomara ao sudeste
africano, carregando filhos de Adão, encaixa-se bem
cronologicamente nos atuais dados científicos.
Com os primeiros humanos desaparecidos do cenário, chegou o
tempo de surgir o Adão específico e sua linhagem. Segundo a Bí blia,
os patriarcas pré-diluvianos, que viviam períodos de quase 1000
anos na maioria dos casos, apontam uma duração de 1656 anos
depois de Adão (o indivíduo específico) até o Dilúvio:
Idade de Adão quando gerou Seth 130 anos
Idade de Seth quando gerou Enós 105 anos
Idade de Enós quando gerou Cainã 90 anos
Idade de Cainã quando gerou Maalalel 70 anos
Idade de Maalalel quando gerou Jarede 65 anos
Idade de Jarede quando gerou Enoque 162 anos
Idade de Enoque quando gerou Matusalém 65 anos
Idade de Matusalém quando gerou Lamech 187 anos
Idade de Lamech quando gerou Noé 182 anos
Idade de Noé quando o Dilúvio ocorreu 600 anos
__________
Tempo desde o nascimento de Adão até o Dilúvio 1656 anos
Não houve falta de tentativas para reconciliar esses 1656 anos com
os 432 mil sumérios, especialmente porque a Bíblia lista dez
patriarcas antediluvianos desde Adão até Noé, e a Lista de Reis
Sumérios também aponta dez governantes antediluvianos; o último
deles, Ziusudra, foi também o herói do Dilúvio. Há mais de um
século, por exemplo, Julius Opert (num estudo intitulado Dier Daten
der Genesis) mostrou que os dois números partilham um fator de 72
(432.000:72 = 6000 e 1656:72 = 23), e então começou a fazer
acrobacias matemáticas para chegar a uma fonte comum para os
dois. Cerca de um século mais tarde, o "mitólogo" Joseph Campbell
(As Máscaras de Deus) observou, fascinado, que 72 representava o
número de anos em que a Terra, em sua órbita ao redor do Sol,
retarda de 1 grau (no fenômeno chamado preces são), e assim
estabeleceu uma conexão entre as casas zodiacais de 2160 anos
cada uma (72 x 30 = 2160). Essas e outras soluções engenhosas
falharam em reconhecer o erro ao comparar 432 mil com 1656
porque tratam todos os textos antigos apenas como "mitos". Se os
textos antigos fossem tratados como dados confiáveis, ter-se-ia
notado que o Trabalhador Primitivo (ainda apenas O Adão) foi criado
não 120 Sars antes do Dilúvio, mas apenas 80 Sars antes da grande
inundação, ou seja, somente 288 mil anos terrestres antes do
Dilúvio. Além do mais, como já mostramos neste capítulo, O Adão e
a pessoa Adão não eram um e o mesmo. Em primeiro lugar, houve
um interlúdio no Jardim do Éden, depois da Expulsão. Quanto tempo
durou esse interlúdio a Bíblia não diz.
Uma vez que, conforme já mostramos, a narrativa bíblica é baseada
em fontes sumérias, a solução mais simples para o problema é
também a mais plausível. No sistema matemático sumério (de base
60), o caractere cuneiforme para "1" pode significar 1 ou 60,
dependendo da posição do sinal, assim como "1" significa "um" ou
"dez" ou "cem", dependendo da posição do dígito no sistema
decimal (só que nós fazemos a distinção com facilidade pelo uso do
"0" para indicar a posição, escrevendo 1, 10, 100 etc.). Não poderia
ser que os redatores da Bíblia hebraica, vendo nas fontes sumérias
o sinal "1", o tomaram como 1 em lugar de 60?
Baseado em tal premissa, os números 1656 (o nascimento de
Adão), 1526 (o nascimento de Seth) e 1421 (o nascimento de Enós)
seriam convertidos em 99.360, 91.560 e 85.260 respectivamente.
Para determinar há quanto tempo foi, precisamos acrescentar os 13
mil anos desde o Dilúvio; os números então se tornam:
Adão nasceu 112.360 anos atrás
Seth nasceu 104.560 anos atrás
Enós nasceu 98.260 anos atrás
A solução oferecida por nós aqui leva a resultados impressionantes.
Coloca a linha de Adão-Seth-Enós exatamente na época em que os
homens de Neandertal e os de Cro-Magnon passaram pelas Terras
da Bíblia à medida que se espalharam pela Ásia e pela Europa.
Significa que o Adão individual (não o genérico) era o homem bíblico
a quem chamamos de Neandertal, e que Enós, cujo nome significa
"humano", era o termo bíblico referente ao que chamamos de Cro-Magnon - o primeiro Homo sapiens sapiens, na verdade o pai de
Enoshut, a humanidade atual.
Foi então, afirma a Bíblia, que a humanidade "começou a chamar o
nome de Iavé". O homem estava pronto para Encontros Divinos
renovados; alguns dos que ocorreriam seriam verdadeiramente
impressionantes.
3
OS TRÊS QUE ASCENDERAM AO CÉU
Os Encontros Divinos, assim como mostraram as primeiras
experiências da humanidade, podem assumir várias formas. Seja
por meio de contato direto, seja por emissários ou apenas escutando
a voz do deus, em sonhos ou visões, existe um aspecto comum a
essas experiências descritas: todas elas aconteceram na Terra.
Ainda assim havia mais uma forma de Encontros Divinos, o grau
extremo, reservada para apenas um punhado de mortais escolhidos:
ser levado para juntar-se aos deuses no Céu.
Em tempos posteriores, os faraós egípcios foram submetidos a
elaborar rituais para que, depois de mortos, pudessem apreciar sua
jornada para o pós-vida, na habitação divina. Nos dias anteriores ao
Dilúvio, indivíduos escolhidos subiram ao Céu e viveram para contar.
Um subida está narrada no Gênesis; e duas em textos sumérios.
Todas as três precisaram aceitar a asserção suméria de que existiu
uma civilização bem desenvolvida antes do Dilúvio, uma que foi
varrida e enterrada sob milhões de toneladas de lama pela onda
enorme que envolveu a Mesopotâmia. Essa afirmativa suméria não
foi colocada em dúvida por gerações mais novas. O rei assírio
Assurbanipal (686-626 a.C.) gabava-se de poder "entender as
palavras enigmáticas nas gravações em pedra dos dias antes da
Inundação", e textos assírios e babilônicos referem-se a outro
conhecimento e indivíduos sábios, de eventos e acampamentos
urbanos, muito antes do Dilúvio. A Bíblia também descreve uma
civilização avançada, com cidades, arte e artesanato, para a
linhagem de Caim. Embora tais detalhes não sejam mencionados a
respeito de Seth, a própria história de Noé e a construção da Arca
implicam um estado de coisas em que as pessoas já eram capazes
de construir embarcações.
Tal civilização expressou-se em centros urbanos na Mesopotâmia (o
centro de tais avanços) e também em artes magníficas realizadas
pelo ramo europeu de Cro-Magnon. Algumas das imagens pintadas
ou desenhadas por artistas das cavernas representam objetos ou
estruturas inexplicáveis (fig.15). Tornam-se significativos se
aceitarmos a possibilidade de que os Cro-Magnon viram (ou talvez
até viajaram em) navios marítimos - uma possibilidade que poderia
explicar como o homem atravessou os dois oceanos 20 mil ou até 30
mil anos atrás para atingir a América, vindo do Velho Mundo (lendas
dos nativos americanos sobre chegadas pré-históricas pelo oceano
Pacífico incluem a história de Naymlap, o líder de uma pequena
armada de balsas que carregava na nau capitânia uma pedra verde
por intermédio da qual recebia instruções divinas de navegação e
sobre o local de chegada).
Realmente as histórias sumérias de dois indivíduos escolhidos que
ascenderam ao Céu remontam à origem da civilização humana e
explicam como ela se desenvolveu (antes do Dilúvio). A primeira é a
história narrada que os estudiosos chamam de A Lenda de Adapa.
Um aspecto intrigante da lenda é que, antes da subida aos céus,
Adapa envolveu-se numa involuntária travessia marítima para uma
terra desconhecida, porque sua embarcação foi desviada do curso
pelo vento - um episódio talvez refletido pelas lembranças dos
primeiros americanos e nas representações rupestres do homem de
Cro-Magnon.

Adapa, segundo a lenda, era protegido de Enki. Com a permissão
para viver na cidade de Enki, Eridu (o primeiro centro de colonização
Anunnaki na Terra), "diariamente ele ia ao santuário de Eridu".
Escolhendo-o para que se tomasse um "modelo de homem", Enki
(em seu texto chamado pelas iniciais de seu epíteto, E.A.) "lhe dá
sabedoria, mas não a vida eterna". Não se trata apenas da
similaridade entre os nomes de Adapa e Adão, pois essa antiga
história de Adapa levou vários estudiosos a considerá-lo fruto da
Árvore do Conhecimento, mas não o da Árvore da Vida. O texto
então descreve Adapa como encarregado dos serviços para os
quais os Trabalhadores Primitivos foram trazidos ao Edin:
supervisiona os padeiros, assegura suprimentos de água,
supervisiona a pescaria de Eridu e como um "sacerdote de
ungüentos, limpo de mãos", cuida das oferendas e ritos prescritos.
Um dia, "no porto sagrado, o Porto da Lua Nova" (a Lua era o corpo
celeste associado a Ea/Enki), "ele subiu a bordo do veleiro", talvez
com a intenção de apenas pescar. Mas a calamidade o atingiu:
Então o vento soprou mais forte,
e, sem leme, seu barco derivou.
Com o remo ele pilotou seu barco;
(ele rumou) para o alto-mar.
As linhas seguintes na estela de argila foram danificadas, de forma
que perdemos alguns detalhes do que aconteceu, uma vez que
Adapa encontrou-se à deriva em "alto-mar" (o golfo Pérsico). À
medida que as linhas se tomam legíveis outra vez, ficamos sabendo
que uma grande tempestade, o Vento Sul, começou a soprar. De
forma aparentemente inesperada, mudou de direção e, em vez de
soprar do mar na direção da terra, soprou na direção do mar aberto.
Por sete dias a tempestade durou, carregando Adapa para uma
região desconhecida e distante. Lá, naufragado, "no local que é a
casa dos peixes, ele residiu". Não ficamos sabendo quanto tempo
ele permaneceu em terra nesse local ao sul nem como finalmente foi
salvo.
Nessa habitação celestial, de acordo com a história, Anu perguntou-se por que o Vento Sul "não soprou na direção da terra por sete
dias". Seu vizir, Ilabrat, respondeu-lhe que fora porque "Adapa, filho
de Ea, quebrou a asa do Vento Sul". Perplexo, Anu ("levantando-se
do trono") disse: "Que o apanhem e o tragam até aqui!" .
"Com aquilo, Ea, aquele que sabe o que preocupa o Céu",
encarregou-se dos preparativos para a viagem celestial. "Fez que
Adapa desmanchasse o cabelo e o vestiu com roupas de luto." Deu
a Adapa o seguinte conselho:
Você está a ponto de comparecer perante Anu, o rei;
a estrada para o Céu você tomará.
Quando se aproximar do portão de Anu,
os deuses Dumuzi e Gizzida
ao portão de Anu estarão aguardando.
Quando o virem, irão perguntar:
"Homem, por que tens essa aparência,
por quem está usando luto?".
A essa pergunta, Ea instruiu Adapa, é preciso dar a seguinte
resposta: "Dois deuses desapareceram de nossa terra, por isso
estou assim". Quando perguntarem a você quem eram os dois
deuses, é preciso dizer: "Dumuzi e Gizzida". Como esses dois
deuses cujos nomes você disse são os mesmos que guardam o
portão de Anu, irão olhar um para o outro e rir bastante, e falarão a
Anu com boas palavras sobre você.
Essa estratégia, explicou Ea, irá fazer com que Adapa passe pelo
portão e "fará com que Anu mostre sua face benigna". Uma vez no
interior, aí é que viria o verdadeiro teste de Adapa:
Enquanto você estiver perante Anu,
irão oferecer-lhe pão;
é a Morte, não coma!
Irão oferecer-lhe água;
É a Morte, não beba!
Irão oferecer-lhe uma túnica;
Vista-a.
Irão oferecer-lhe óleo;
unte a si mesmo com ele!
"Não deve negligenciar essas instruções. Faça o que eu disse",
alertou Ea.
Em pouco tempo chegou o emissário de Anu. Declarou que Anu lhe
dissera: "Adapa, aquele que quebrou a asa do Vento Sul - traga-o
até mim!". E, falando assim,
Ele fez Adapa tomar o caminho para o céu,
e para o céu ele ascendeu.
"Quando ele chegou ao céu", o texto continua, "e se aproximou do
portão de Anu", Dumuzi e Gizzida estavam lá, conforme Ea
predissera. Adapa respondeu de acordo como fora instruído, e os
dois deuses o levaram "à presença de Anu". Vendo-o aproximar-se,
Anu convidou: "Aproxime-se, Adapa. Por que você quebrou a asa do
Vento Sul?". Como resposta, Adapa contou a história de sua viagem
marítima, certificando-se de que Anu entendesse que tudo fora a
serviço de Ea. Ouvindo aquilo, a raiva de Anu deslocou-se para Ea.
"Foi ele quem fez isso!"
Um aspecto inquietante da história é a falta de clareza em relação às
verdadeiras circunstâncias da viagem por mar. Teria sido a chegada
à terra distante resultado de um acidente ou de um ato deliberado?
As linhas danificadas que lidam com essa parte dos acontecimentos
tomam essa determinação impossível; porém perdura um
sentimento de que toda a desculpa para a "asa quebrada" do Vento
Sul era alguma cobertura para um plano de Ea. Evidentemente Anu
também suspeitou de alguma coisa, pois ficou intrigado e perguntou:
Por que Ea a um humano indigno
descerra os caminhos do céu
e os planos da Terra -tornando-o importante
fazendo um Shem para ele?
Continuando seu raciocínio, Anu pergunta-se: "E quanto a nós, o
que vamos fazer com ele?".
Sendo que Adapa não tinha culpa do incidente, Anu teve o desejo de
recompensá-lo. Mandou que servissem pão, "o Pão da Vida" a
Adapa; mas Adapa, tendo escutado de Ea que seria o Pão da Morte,
recusou-o. Trouxeram água, "Água da Vida"; Adapa, avisado por Ea
que seria a Água da Morte, recusou-se a beber. Mas quando
trouxeram uma túnica, ele a colocou, e quando trouxeram óleo, ele
se ungiu.
O comportamento peculiar de Adapa intrigou Anu. "Anu olhou para
ele e riu." "Vamos, Adapa, por que você não comeu, por que não
bebeu?" Adapa respondeu: "Ea, meu senhor, me ordenou: não
comerás, não beberás".
"Quando Anu escuta aquilo, a raiva enche seu coração." Despa cha
um emissário, "um que conheça os pensamentos dos grandes
Anunnaki", para discutir o assunto com lorde Ea. O emissário,
conforme relata a estela parcialmente danificada, repete os eventos
celestiais palavra por palavra. A estela torna-se então ilegível e
ficamos sem saber a explicação de Ea para suas estranhas
instruções.
Sem se importar como terminou a discussão, Anu resolveu enviar
Adapa de volta à Terra; e como Adapa usou o óleo para se ungir,
Anu decretou que, de volta a Eridu, o destino de Adapa seria uma
linhagem de sacerdotes que realizariam a cura de doenças. No
caminho de volta:
Adapa, do horizonte do céu
ao zênite do céu lançou um olhar;
e viu sua grandeza.
A interessante pergunta de qual teria sido a forma de transporte pela
qual Adapa realizou sua viagem de ida e volta, vendo, no processo,
a espantosa imensidão dos céus, é respondida de forma indireta
pelo texto antigo, quando Anu se perguntou em voz alta por que Ea
"fez um Shem" para Adapa. Essa palavra acadiana é geralmente
traduzida por "nome". Porém, como elaboramos em O 12
o
. Planeta,
o termo (MU em sumério) obteve esse significado pela forma das
rochas eretas para "comemorar o nome" de um rei - uma forma que
imitava as pontiagudas construções Anunnaki. O que Anu se
perguntou, na verdade, foi: por que Ea forneceu um foguete a
Adapa?
As representações mesopotâmicas mostram "Homens-Águias" -astronautas com seus trajes espaciais - ladeando e saudando um
Shem com forma de foguete. Outra representação mostra dois
desses "Homens-Águias" guardando a entrada do portão de Anu
(ilustrando talvez os deuses Dumuzi e Gizzida da história de Adapa).
O lintel do portão está decorado com o emblema do Disco Alado, o
símbolo celeste de Nibiru, que estabelece a localização do portão. O
símbolo celeste de Enki, o crescente lunar, junto com a
representação de todo o Sistema Solar (uma divindade central
cercada por uma família de onze planetas) completam o cenário
celestial. Também aqui observamos os "Homens-Águias", cujas
representações sem dúvida depois inspiraram as dos anjos alados
ao lado de urna Árvore da Vida; significante é o fato de que muitas
vezes evocam a hélice dupla do DNA, um lembrete da história do
Jardim do Éden.

Os reis da Mesopotâmia, gabando-se de sua grande sabedoria,
clamaram ser "herdeiros do sábio Adapa". Tal afirmação reflete a
tradição que Adapa não apenas recebeu o status de sacerdote, mas
também a instrução científica associada ao sacerdócio, passada de
uma geração de sacerdotes para outra nos templos sagrados.
Estelas-índices, que catalogavam trabalhos literários mantidos nas
estantes da biblioteca de Assurbanipal, em Nínive, mencionam pelo
menos dois livros relacionados ao conhecimento de Adapa. Um
deles, cujo início do título está danificado, estava na estante ao lado
de "Escritos de Antes da Inundação", e sua segunda linha afirma
"...que Adapa escreveu a sabedoria ditada a ele". A sugestão de que
a sabedoria que lhe foi ditada por uma divindade é reforçada pelo
título de outro trabalho atribuído a Adapa por fontes sumérias. Era
intitulado U.SAR Dingir ANUM Dingir ENLILA - "Escritos Relativos
ao Tempo [do], Divino Anu e Divino Enlil" - e confirma as tradições
de que Adapa foi tutorado não apenas por Ea/Enki mas também por
Anu e Enlil, e que sua sabedoria cobria desde doenças curiosas até
astronomia, contagem do tempo e o calendário.
Outro livro (na verdade, um conjunto de estelas) de Adapa que
estava listado nos índices da biblioteca de Nínive era intitulado
"Nave celestial que, pela sabedoria de Anu, Adapa (recebeu)". O
texto de "A Lenda de Adapa" se refere repetidamente ao fato de que
mostraram a Adapa "os caminhos do céu", permitindo que ele
viajasse da Terra para a habitação celestial de Anu. A implicação de
que Adapa conhecia um mapa de rotas celestes deve ser vista como
baseada em fatos, pois pelo menos um desses mapas foi
encontrado. Foi representado num disco de argila, sem dúvida cópia
de um artefato mais antigo, que também foi descoberto nas ruínas
da biblioteca real de Nínive e agora se encontra no Museu Britânico,
em Londres. Dividido em oito segmentos, representava (como se
evidencia ao examinarmos os pedaços não danificados, precisas
formas geométricas (algumas, tais como uma elipse, desconhe cida
nos outros artefatos antigos), setas e anotações em acadiano que se
referem a vários planetas, estrelas e constelações. Apresentando
particular interesse, existe um segmento quase intacto, cujas
notações (aqui traduzidas para o inglês) identificam, pelas instruções
de vôo, o Caminho de Enlil de um lugar montanhoso (Nibiru) para a
Terra. Além dos céus da Terra, estão quatro corpos celestes (que
outros textos identificam como Sol, Lua, Mercúrio e Vênus).
Entrementes, o vôo passa por sete planetas.
A contagem de sete planetas é significativa. Consideramos a Terra o
terceiro planeta, contando a partir do Sol: Mercúrio, Vênus, Terra.
Mas por alguém chegando dos limites do Sistema Solar, a contagem
seria a de Plutão como primeiro. Netuno seria o segundo, Urano o
terceiro, Saturno e Júpiter, o quarto e o quinto, Marte o sexto, e a
Terra seria o sétimo. Na verdade, a Terra era representada assim
(pelo símbolo de sete bolas) nos selos cilíndricos e monumentos,
muitas vezes na companhia de Marte (o sexto), como uma "estrela"
de seis pontas, e Vênus (o oitavo) como uma estrela de oito pontas.
Também significativo, embora a outro respeito, é o fato de que a rota
passa entre os planetas chamados em sumério de DILGAN (Júpiter)
e APIN (Marte). Textos astronômicos da Mesopotâmia se referem a
Marte como o planeta "em que o caminho certo está traçado", onde
uma curva foi feita como o desenho no segmento indica. Em
Gênesis Revisitado apresentamos considerações antigas e
modernas para apoiar a conclusão de que uma base espacial antiga
existiu em Marte.
Os textos que faltam ou as porções danificadas da Lenda de Adapa
podem ter lançado luz sobre um aspecto intrigante da história: se Ea
sabia o que aconteceria no Céu, qual o propósito de realizar o plano
de enviar Adapa, se no final ele ficou privado da Vida Eterna?
As histórias dos tempos antediluvianos (como a de Gilgamesh)
indicam que filhos de um humano com um deus (ou deusa) julgam
que possuem direito à imortalidade e realizam esforços enormes no
sentido de obtê-la. Seria Adapa um "semideus" assim, que não
parava de apoquentar Ea para que o dotasse de imortalidade? A
referência a Adapa como "cria de Ea" é traduzida literalmente por
alguns como "filho de Ea", nascido para Enki por uma fêmea
humana. Isso explicaria o plano de Ea para fingir que o desejo de
Adapa está sendo atendido, enquanto na verdade ele manobra para
obter o resultado oposto.
Adapa, sem dúvida, também ostentava o título de "Filho de Eridu" (o
centro de Enki). Era um título honorífico que significava inteligência e
educação por meio da instrução nas renomadas academias de
Eridu. Na época dos sumérios, os "Sábios de Eridu" eram uma
classe por si só, antigos sábios de memória abençoada. Seus
nomes e especialidades eram lista dos e registrados, com grande
respeito e reverência, em textos incontáveis.
Segundo essas fontes, os Sábios de Eridu eram sete. Em seu
estudo com fontes assírias, Rykle Borger (Die Beschwerungsserie
Bit Meshri und die Himmelfahrt Henochs, no Journal of Near Eastern
Studies) ficou intrigada com os fatos a respeito do sétimo deles,
sobre o qual afirmava O texto (além do nome e especialidade, como
todos aqueles listados) que era aquele "que subiu para o céu". O
texto assírio o chama de Utu-Abzu; a professora Borger concluiu que
ele era o "Enoque" assírio, porque de acordo com o registro bíblico,
era o sétimo patriarca antediluviano, a quem a Bíblia chama de
Enoque, e que foi levado por Deus para a Habitação Celestial.
Enquanto a narrativa bíblica oferece a Lista de Patriarcas
Antediluvianos que precederam Enoque e os que vieram depois,
fornecendo nome, idade em que o primogênito foi gerado e idade
com que morreram, sobre Enoque, o sétimo patriarca, o texto é
diferente:
E viveu Enoque 65 anos,
e gerou a Matusalém.
E andou Enoque com Deus,
depois que gerou Matusalém,
trezentos anos,
e gerou filhos e filhas.
E foram todos os dias de Enoque 365 anos.
E andou Enoque com Deus e desapareceu,
porque o tomou Deus.
Mesmo esse pequeno trecho bíblico possui mais do que mostra ao
olho em sua tradução, porque no original aramaico a afirmação é
que "Enoque andou com os Elohim" e foi levado "pelos Elohim". A
palavra hebraica, conforme já mostramos, é o equivalente a DIN.GIR
nas fontes sumérias do Gênesis. Assim, foram os Anunnaki com
quem Enoque "andou". Essa interpretação, assim como os dados
científicos que poderiam vir apenas do sistema sexagesimal de ma-temática e do calendário sumério que se originou em Nippur, são
pistas para as fontes antigas de composição, graças às quais
sabemos mais sobre Enoque do que o lacônico trecho na Bíblia.
A primeira dessas composições é o Livro dos Jubileus, que já
mencionamos anteriormente. Preenchendo os detalhes que faltam
na narrativa bíblica sobre os dez patriarcas antediluvianos, ele
afirma que quando "Enoque andou com os Elohim" ele" esteve com
os anjos de Deus seis jubileus de anos, e eles lhe mostraram tudo o
que existe na Terra e nos Céus".
Ele foi o primeiro entre os homens nascidos na Terra
que aprendeu a escrever e recebeu conhecimento e
sabedoria, e que escreveu os signos do céu de acordo
com a ordem de seus meses num livro...
E ele foi o primeiro a escrever um testemunho,
e atestou aos filhos de Adão pelas gerações na Terra,
e recontou as semanas dos jubileus e fez saber os
dias dos anos.
E colocou em ordem os meses e recontou
os sabás dos anos como os anjos contaram a ele.
E também o que ele viu numa visão em seu sonho,
o que era e o que será à medida que acontece
aos filhos dos homens ao longo de suas gerações.
Segundo essa versão do Encontro Divino de Enoque, "ele foi
retirado dos filhos dos homens" pelos anjos, que o "conduziram para
o Jardim do Éden com honra e majestade". Lá, segundo o Livro dos
Jubileus, Enoque passou seu tempo escrevendo as "condenações e
julgamentos do mundo", baseados nos quais "Deus trouxe as águas
do Dilúvio sobre toda a terra do Éden".
Ainda mais detalhes são fornecidos pelo Livro de Enoque, no qual a
história de Enoque não é parte de uma narrativa dos patriarcas, mas
o trabalho principal. Composto nos séculos que precederam a era
cristã e baseado em antigas fontes da Mesopotâmia, adorna o antigo
material com uma angelologia comum na época dos autores.
O original hebraico do Livro de Enoque está perdido, mas
certamente existiu, porque foram encontrados fragmentos,
misturados com dialeto aramaico (tendo o aramaico naquela época
se tornado a linguagem de uso diário), entre os manuscritos do mar
Morto. Muito citado e traduzido para o grego e para o latim, era
considerado escritura sagrada para quase todos os escritores do
Novo Testamento. Com tudo isso, a composição sobreviveu
principalmente devido a traduções tardias do etíope (conhecidas
como "Enoque 1") e do eslavo ("Enoque 2"), algumas vezes
chamada de O Livro dos Segredos de Enoque).
O Livro de Enoque descreve em detalhes não uma, mas duas
viagens celestiais: a primeira para aprender os segredos celestes,
voltar e transmitir a sabedoria adquirida aos filhos. A segunda foi
apenas num sentido: Enoque não retornou dela, por isso a afirmação
bíblica de que Enoque se fora, levado pelos Elohim. No Livro de
Enoque, há uma hoste de anjos que realizam as tarefas divinas.
A Bíblia afirma que Enoque "andou com os Elohim" muito antes de
ter sido levado; o Livro de Enoque fornece detalhes sobre esse
período. Descreve Enoque como um escriba com poderes
proféticos. "Antes dessas coisas, nenhum dos Filhos de Adão sabia
onde estava ele ou onde ele andava... seus dias eram com os
Sagrados." Os Encontros Divinos começaram com sonhos e visões.
"Vi em meu sono O que agora vou contar com minha língua de
carne", disse ele no início de seu envolvimento com os Divinos. Foi
mais do que um sonho, foi uma visão:
E a visão me mostrou essas coisas:
na visão, as nuvens me convidaram
e uma neblina me chamou;
o curso das estrelas e relâmpagos
me apressaram;
os ventos na visão me fizeram voar
e me ergueram,
e me levaram para o céu.
Ao chegar ao Céu, ele atingiu uma parede "construída de cristais e
cercada por línguas de fogo". Enfrentou o fogo e chegou a uma casa
construída de cristais, cujo teto imitava o céu estrelado e mostrava
os caminhos das estrelas. Em sua visão, ele viu então uma segunda
casa, maior e mais magnificente do que a primeira. Enfrentando os
fogos que a inflamavam, ele viu no interior um trono de cristal
repousando sobre línguas de fogo; "a aparência era de cristal, e as
rodas eram como o brilho do sol". Sentado sobre o trono estava a
Grande Glória, porém nem mesmo os anjos podiam aproximar-se e
contemplar Seu rosto por causa do brilho e da magnificência de Sua
glória. Enoque prostrou-se, escondendo o rosto e estremecendo.
Mas então "o Senhor me chamou com Sua própria boca e disse:
„aproxime-se, Enoque, e escute Minhas palavras"'. Então um anjo
aproximou-o e ele escutou o Senhor dizer que, por ele ser um
escriba e um justo, iria tornar-se um representante para os homens e
aprenderia segredos celestes.
Foi depois desse sonho-visão que as viagens de Enoque
aconteceram. Ele começou uma noite, noventa dias antes de seu
365
o
. aniversário. Como Enoque contou aos filhos mais tarde:
Eu estava sozinho na casa. Sentia-me perturbado,
chorando com os olhos, descansava e
adormeci em minha cama.
E apareceram a mim dois homens muito grandes,
Tal como jamais vi na Terra. Seus rostos
brilhavam como o Sol, os olhos eram como uma luz
queimando,
e o fogo saía de suas bocas.
Suas túnicas, de aparência púrpura, eram diferentes
uma da outra; e seus braços eram como asas douradas.
Estavam de pé à cabeceira de minha cama
e me chamaram pelo nome.
Acordado de seu sono, Enoque prosseguiu: "Vi claramente aqueles
dois homens em pé à minha frente". Ao contrário do primeiro sonho-visão, aquilo era mais do que uma visão; daquela vez era real!
"Levantei-me e me curvei para eles. Fui tomado pelo medo e cobri
meu rosto de terror", disse Enoque. Os dois emissários
responderam, dizendo: "Tenha coragem, Enoque, não tema, pois o
Senhor Eterno nos enviou a você. Contemple, hoje subirá conosco
para os céus".
Instruíram Enoque para que se preparasse para a jornada celestial,
dizendo a seus filhos e servos o que deveriam fazer em sua
ausência, e que ninguém deveria procurá-lo "até que o Senhor o
devolvesse a eles". Enoque convocou seus dois filhos mais velhos,
Matusalém e Regim, e disse a eles: "Não sei aonde irei nem o que
me acontecerá". Portanto, instruiu-os a serem retos e justos e a
manterem a fé no Deus Todo-Poderoso. Ainda falava com seus
filhos quando" os dois anjos o apanharam em suas asas e o
elevaram até o Primeiro Céu". Era um lugar nebuloso, e ele viu lá
"um grande mar, maior do que o mar terrestre". Na primeira parada,
Enoque conheceu os segredos da meteorologia, depois do que foi"
carregado" para o Segundo Céu, onde viu prisioneiros
atormentados; haviam cometido o pecado de "não obedecer aos
mandamentos do Senhor". No Terceiro Céu, aonde os dois anjos o
levaram em seguida, ele viu o Paraíso e a Árvore da Vida. O Quarto
Céu foi o lugar da maior parada, onde revelaram a Enoque os
segredos do Sol e da Lua, das estrelas, das constelações zodiacais
e do calendário. O Quinto Céu era o "fim do Céu e da Terra" e o
lugar de banimento dos "anjos que se ligaram a mulheres". Era um
lugar "caótico e horrível", do qual as "sete estrelas do céu" podiam
ser vistas "atadas". Foi então que a primeira parte da jornada
celestial se completou.
Na segunda parte da viagem, Enoque encontrou os vários tipos de
anjos em ordem ascendente: Querubins, Serafins e grandes
Arcanjos, sete níveis de anjos ao todo. Passando através do Sexto
Céu e do Sétimo Céu, Enoque alcançou o Oitavo Céu; lá, as estrelas
que formavam as constelações já podiam ser vistas; e à medida que
Enoque subia ainda mais, podia enxergar do Nono Céu "as moradas
celestiais dos doze signos do zodíaco". Finalmente ele atingiu o
Décimo Céu, onde foi "levado perante o rosto do Senhor", uma visão
majestosa demais para ser descrita, disse Enoque mais tarde.
Aterrorizado, Enoque "curvou-se e prostrou-se perante o Senhor". E
ouviu o Senhor dizer: "Levante-se, Enoque, não tenha medo, erga-se, fique em pé perante meu rosto e conquiste a eternidade". E o
Senhor mandou que o arcanjo Miguel trocasse as roupas terrenas
de Enoque, o vestisse com roupas divinas e o ungisse. Então o
Senhor ordenou que o arcanjo Pravuel "trouxesse os livros do
depósito sagrado e um junco para escrever rápido, e os desse a
Enoque para que ele pudesse escrever tudo que o arcanjo lesse
para ele, todos os mandamentos e ensinamentos". Durante trinta
dias e trinta noites o arcanjo Pravuel ditou e Enoque escreveu todos
os segredos dos "trabalhos do céu, da terra e do mar, e todos os
elementos, suas passagens e caminhos, e os estrondos do trovão; e
o Sol e a Lua, os caminhos e as mudanças das estrelas, as
estações, os anos, os dias e as horas" e "todas as coisas humanas,
as línguas de todas as canções humanas... e todas as coisas
apropriadas para aprender". Os escritos encheram 360 livros.
Então o próprio Senhor, deixando Enoque sentar-se a seu lado
esquerdo, ao lado do arcanjo Gabriel, disse a Enoque como o Céu e
a Terra e tudo o que há sobre ela foram criados. Então o Senhor
disse a Enoque que ele voltaria para a Terra a fim de poder relatar a
seus filhos tudo o que aprendera e para dar a eles os livros escritos
a mão, para que os passassem de geração a geração. Mas sua
estada na Terra seria de trinta dias apenas, "e depois de trinta dias
enviarei meu anjo para você, e ele irá trazê-lo da Terra, e de seus
filhos, a mim".
E assim foi, no final da estada celestial, que os dois anjos
devolveram Enoque para a sua casa, levando-o de volta a sua
cama, durante a noite. Reunindo seus filhos e todos em sua casa,
Enoque relatou a eles sua experiência e descreveu a eles o
conteúdo dos livros: medidas e descrições de estrelas, a extensão
do ciclo do Sol, as mudanças das estações devido aos solstícios e
equinócios, e outros segredos relativos ao calendário. Depois
instruiu seus filhos a ser pacientes e gentis, a dar auxílio aos pobres,
a ser justos e fiéis e a guardar todos os mandamentos do Senhor.
Enoque continuou falando e dando instruções até o último instante, e
àquela altura a notícia de sua visita celeste e ensinamentos já se
espalhara pela cidade, e uma multidão de 2.000 pessoas reunira-se
para ouvi-lo. Então o Senhor enviou uma escuridão sobre a Terra, e
a escuridão engolfou a multidão e todos os que estavam próximos a
Enoque. Na escuridão os anjos rapidamente ergueram Enoque e o
carregaram para "o céu mais elevado".
E todas as pessoas viram,
mas não puderam entender
como Enoque fora levado.
E voltaram para suas casas
aqueles que haviam visto tais coisas
e glorificaram a Deus.
E Matusalém e seus irmãos,
todos os filhos de Enoque, apressaram-se
e erigiram um altar no local
de onde Enoque fora levado aos céu.
A segunda ascensão de Enoque ao Céu, e também a última, afirma
o escriba do Livro de Enoque no final, teve lugar exatamente no dia
e hora em que ele nascera, com a idade de 365 anos.
Seria essa história da subida de Enoque ao Céu equivalente à
história de Adapa, dos sumérios, ou inspirada nela?
Determinados detalhes em ambas as histórias apontam nessa
direção. Dois anjos, a exemplo dos deuses Dumuzi e Gizzida na
lenda de Adapa, levam o terrestre "perante o rosto do Senhor". Os
trajes do visitante são mudados de terrestres para divinos. Ele é
ungido. E, finalmente, recebe grande sabedoria que ele escreve em
"livros". Nos dois casos o visitante escreve o que está sendo ditado
a ele. Tais detalhes aparecem num cenário que sem dúvida
estabelece a origem suméria da "lenda" de Enoque.
Já ressaltamos que ao atribuir os Encontros Divinos de Enoque aos
"Elohim" a narrativa da Bíblia denuncia sua fonte suméria. O sistema
sexagesimal sumério se revela em alguns números-chave na história
de Enoque, tal como nos sessenta dias de sua primeira estada no
céu e os 360 "livros" (estelas) ditados a Enoque. O mais intrigante,
entretanto, é a afirmativa de que a Habitação Divina, o local do
encontro supremo, era o Décimo Céu. Isso vai contra todas as
noções de sete céus divinos, com o sétimo como supremo, uma
noção baseada na presunção de que os povos antigos conheciam
apenas os sete corpos celestes (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte,
Júpiter, Saturno). Os sumérios, muito antes dos gregos ou romanos,
conheciam a formação completa do Sistema Solar, uma família que
eles diziam ter doze membros: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Terra,
Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão (usamos os nomes
modernos) e um décimo planeta, Nibiru, o planeta que era a
habitação de Anu, o "rei" ou "lorde" de todos os "deuses" Anunnaki.
(É digno de nota que no misticismo judeu medieval, conhecido como
Cabala, a habitação de Deus Todo-Poderoso é na décima Sefira, um
"brilho" ou local celestial, um Décimo Céu. As Sefirot (plural) eram
geralmente representadas por círculos concêntricos, muitas vezes
superpostos com a imagem de Kadmon (Adão Primordial, "O
Antigo"), cujo centro é chamado de Yessod ("Fundação"), a décima
Ketter ("Coroa" do Altíssimo). Além, estende-se o Ein Soff - espaço
infinito.
São ligações com fontes sumérias. Mas é incerto se a história de
Adapa foi refletida na de Enoque, porque podemos encontrar mais
similaridades entre Enoque e um outro sumério antediluviano,
EN.ME.DUR.ANNA ("Mestre das Divinas Tábuas da Ligação
Celestial"), também conhecido como EN.ME.DUR.AN.KI ("Mestre
das Divinas Tábuas da Ligação Céu-Terra").
Como na lista bíblica dos dez patriarcas antediluvianos, também a
Lista de Reis Sumérios, mais antiga, apresenta dez governantes
antediluvianos. Na lista bíblica, Enoque era o sétimo. Na lista
suméria, Enmeduranki era o sétimo. E como no caso de Enoque,
Enmeduranki foi levado por dois guias divinos para o céu, a fim de
aprender várias ciências. Enquanto no caso de Adapa a
possibilidade (mencionada acima) de que ele fosse o sétimo (sábio)
não é absoluta (algumas fontes da Mesopotâmia o listam como o
primeiro dos sete sábios de Eridu), a sétima posição de
Enmeduranki é certa; daí vem a opinião de alguns estudiosos de que
ele é o Enoque bíblico. Veio de Sippar, onde, em épocas
antediluvianas, ficava o Espaçoporto dos Anunnaki, com Utu
("Shamash" mais tarde), neto de Enlil, e seu comandante.
A Lista de Reis Sumérios registra um reinado de 21.600 anos (seis
Sars) para Enmeduranki em Sippar - um detalhe bastante
significativo. Em primeiro lugar revela que, numa determinada
época, os Anunnaki selecionavam humanos qualificados para
agirem como EN - "chefe" - de um dos acampamentos
antediluvianos (nesse caso, Sippar) - um aspecto do fenômeno dos
semideuses. Em segundo, de acordo com nossa sugestão para
reconciliar os dados dos períodos de vida dos patriarcas
antediluvianos, sumérios e bíblicos, deveria ser notado que 21.600
reduzido por um fator de 60 resulta 360. Embora a Bíblia assinale
para Enoque uma presença terrestre de 365 anos, o Livro de
Enoque dá 360 como o número de livros escritos por Enoque nos
quais ele registrou a sabedoria. Esses detalhes não apenas
destacam as similaridades entre Enoque e Enmeduranki mas
também apóiam nossa solução para o tratamento de períodos de
tempo sumério-bíblicos.
O texto que detalha a subida e o treinamento de Enmeduranki foi
montado a partir de fragmentos de estelas, principalmente da
biblioteca real, em Nínive, depois publicado numa versão editada por
W. G. Lambert (Enmeduranki e Material Relacionado, no Journal of
Cuneiform Studies). A fonte básica é a gravação de eventos ante-diluvianos inscritos em estelas de argila por um rei babilônio em
apoio a sua reivindicação do trono, porque era um "herdeiro distante
da realeza, semente preservada desde antes do Dilúvio, cria de
Enmeduranki, que governava em Sippar". Tendo assim afirmado sua
impressionante linha ancestral com um dirigente antediluviano, o rei
da Babilônia continuou contando a história de Enmeduranki:
Enmeduranki era um príncipe em Sippar,
amado de Anu, Enlil e Ea.
Shamash no Templo Brilhante
nomeou-o sacerdote.
Shamash e Adad (levaram-no)
para a assembléia (dos deuses).
Shamash, conforme mencionado, era neto de Enlil e comandante do
Espaçoporto em Sippar em tempos antediluvianos e, mais tarde, do
que havia no Sinai. Sippar, reconstruída após o Dilúvio, porém não
mais um Espaçoporto, ainda era reverenciada como um elo com a
justiça celestial dos DIN.GIR ("Os Retos/Os Justos das Naves
Espaciais") e local da suprema corte. Adad (Ishkur em sumério) era
o filho mais novo de Enlil e recebera a Ásia Menor como domínio. Os
textos o descrevem como amigo da sobrinha Ishtar e do sobrinho
Shamash. Foram os dois, Adad e Shamash, que conduziram
Enmeduranki para o local onde os deuses estavam reunidos,
presumivelmente para avaliação e aprovação. Então...
Shamash e Adad o (vestiram? Purificaram?),
Shamash e Adad o prepararam
num grande trono de ouro.
Eles o mostraram como se observa
o óleo na água...
um segredo de Anu, Enlil e Ea.
Deram-lhe uma Tábua Divina,
O Kibdu, um segredo do Céu e da Terra.
Colocaram em suas mãos um instrumento de cedro,
favorito dos grandes deuses...
Eles o ensinaram a fazer
cálculos com números.
Tendo aprendido os "segredos do Céu e da Terra", especificamente
incluindo medicina e matemática, Enmeduranki foi devolvido a
Sippar com instruções para revelar ao povo seu Encontro Divino e
tomar o conhecimento disponível à humanidade, passando segredos
de uma geração de sacerdotes para outra, de pai para filho:
O sábio estudado,
que guarda os segredos dos grandes deuses,
fará seu filho escolhido comprometer-se com um
juramento
perante Shamash e Adad.
Pelas Tábuas Divinas, com um buril,
ele os instruirá
nos segredos dos deuses.
A estela com esse texto, agora mantida no Museu Britânico, possui
um pós-escrito:
Assim foi a linha de sacerdotes criada,
aqueles que possuem permissão
de se aproximar de Shamash e Adad.
Segundo essa versão da subida ao céu de Enmeduranki, sua
habitação era em Sippar (o "centro de culto" pós-diluviano de
Shamash), e foi lá que ele usou a Divina Tábua para ensinar
sabedoria secreta ao sacerdote seu sucessor. Esse detalhe cria um
elo com os eventos do Dilúvio, pois de acordo com fontes
mesopotâmicas e também com as crônicas de Berossus (um
sacerdote babilônio que no século II a.C. compilou uma "história do
mundo" na Grécia), as estelas contendo a sabedoria revelada à
humanidade pelos Anunnaki antes do Dilúvio foram enterradas, por
medida de segurança, em Sippar.
Na verdade, as duas histórias - do sumério Enmeduranki e do
Enoque bíblico - contêm ligações ainda mais fortes do que com o
Dilúvio. Ao examinar a história-atrás-da-história, chegaremos a uma
seqüência de eventos cujas principais motivações eram Sexo Divino
e cujo ápice era um plano para erradicar a humanidade.
Antes de Copérnico e da NASA
Até a publicação, por Nicolau Copérnico, de seu trabalho
astronômico De Revolutionibus Orbium Coelestium, em 1543 (e por
muitos anos depois), a ciência estabelecia que o Sol, a Lua e os
outros planetas conhecidos orbitavam a Terra. A Igreja católica, que
condenou Copérnico por essa heresia, admitiu oficialmente seu erro
apenas 450 anos mais tarde, em 1993.
Os primeiros objetos descobertos depois da invenção do telescópio
foram as quatro maiores luas de Júpiter - por Galileu, em 1610.
Urano, o planeta além de Saturno, que não pode ser visto a olho nu
da Terra, foi descoberto com a ajuda de telescópios aperfeiçoa dos
em 1781. Netuno foi descoberto além de Urano, em 1846. E Plutão,
o mais distante planeta conhecido, só foi encontrado em 1930.
Ainda assim os sumérios, milênios atrás, já representavam um
sistema solar completo, com o Sol - e não a Terra - no centro; um
sistema solar que inclui Urano, Netuno e Plutão, além de mais um
grande planeta ("Nibiru"), que passa entre Júpiter e Marte.
Foi apenas na década de 1970 que os satélites da NASA nos deram
vistas aproximadas dos nossos planetas vizinhos, e apenas em 1986
e 1989 a Voyager-2 voou ao lado de Urano e Netuno. Ainda assim,
os textos sumérios (citados por nós em O 12º. Planeta) já
descreviam os planetas exteriores exatamente como a NASA os
encontrou.
O primeiro anel que cerca Saturno só foi descoberto em 1659 (por
Christian Huygens). Ainda assim, a impressão de um selo cilíndrico
num envelope de argila envolvendo uma este Ia mostra um cenário
celestial com o Sol, a Lua (em crescente) e Vênus ("estrela" de oito
pontas), e também representa um planeta pequeno – Marte
separado de um maior (Júpiter) (por uma palha, representando o
cinturão de asteróides?), seguido por um grande planeta com anéis -Saturno!
4
OS NEFILIM: SEXO E SEMIDEUSES
O registro bíblico da pré-história humana avança num resumo rápido
das gerações que seguiram Enoque - seu filho, Matusalém, que
gerou Lamech, que gerou Noé ("Conforto"), nos conduzindo até o
evento principal - o Dilúvio. O Dilúvio foi realmente uma história de
grandes proporções, como diriam os locutores atuais, um evento
global, uma inundação tanto em termos figurativos quanto
literalmente em negócios humanos e divinos. Mas escondido atrás
da história do Dilúvio está um episódio de Encontros Divinos de uma
nova espécie - um episódio sem o qual a própria história do Dilúvio
perderia sua racionalidade bíblica.
A história bíblica do Dilúvio, a Grande Inundação, inicia-se no
capítulo 6 do Gênesis com oito versos enigmáticos. Seu propósito
presumido seria explicar às gerações futuras o que houve - como
poderia ter acontecido aquilo? - para o próprio Criador da
humanidade voltar-se contra ela, preferindo varrer o homem da face
da Terra. O quinto verso deve oferecer tanto a explicação quanto a
justificativa: "E Iavé viu que era grande a maldade do homem na
Terra e que todo impulso dos pensamentos do seu coração era
exclusivamente mau todo dia". Portanto (Gênesis, 6,6) "Arrependeu-se Iavé de ter feito o homem na Terra e pesou-lhe em seu coração".
Mas essa explicação pela Bíblia, apontando um dedo acusador para
a humanidade, apenas aumenta o mistério dos quatro primeiros
versos do capítulo, cujo assunto não é a humanidade, mas as
próprias divindades e aqueles cuja focalização era o cruzamento
entre "os filhos de Deus" e "as filhas de Adão".
Se perguntarmos o que isso tem a ver com a desculpa para o Dilúvio
como punição da humanidade, a resposta pode ser dada em uma
palavra: SEXO... Não sexo humano, mas Sexo Divino. Encontros
com propósito sexual. Os versos de abertura da história do Dilúvio
na Bíblia ecoam pecados antigos e um purgatório terrível que têm
feito a alegria dos pregadores: era uma época que estabelece um
exemplo, um tempo quando "havia gigantes sobre a Terra. Porque
como os filhos de Deus tivessem conhecido as filhas dos homens,
pariram estas".
A citação acima segue a tradução católica da Bíblia. Mas não é o
que diz o texto original. Não se refere a "gigantes", e sim a Nefilim,
que significa literalmente" aqueles que desceram", "filhos de Elohim"
(não "filhos de Deus") que vieram para a Terra dos céus. E os quatro
versos iniciais, incompreensíveis, um trecho que restou (todos os
acadêmicos concordam) de alguma fonte mais longa, tornam-se
novamente compreensíveis se não colocarmos a humanidade como
sujeito, e sim os deuses.
E foi quando começou o homem
a multiplicar-se sobre a face da Terra
e nasceram filhas a eles.
E viram os filhos dos Elohim
que as filhas dos homens eram compatíveis
e tomaram para si mulheres
de todas as que escolheram.
Os Nefilim estavam na Terra naqueles dias,
e também depois, quando esses
filhos dos Elohim coabitaram
com as filhas do homem
e lhes deram filhos.
O termo bíblico Nefilim, os filhos dos Elohim que estavam sobre a
face da Terra, é semelhante ao sumério Anunnaki ("Aqueles Que do
Céu para a Terra Vieram"); a própria Bíblia (Números 13:33) explica
isso, dizendo que os Nefilim eram "filhos de Anak" (palavra hebraica
para Anunnaki). A época que precedeu o Dilúvio era então uma
época em que os jovens machos Anunnaki começaram a fazer sexo
com jovens fêmeas humanas; sendo compatíveis, tiveram filhos com
elas - uma descendência parte mortal, parte" divina": semideuses.
Que tais semideuses tenham estado presentes na Terra é algo
amplamente mencionado em textos do Oriente Médio, seja em
relação a indivíduos (tais como o sumério Gilgamesh), seja em
longas dinastias (tal como uma dinastia de trinta semideuses no
Egito que precederam os faraós); ambas as instâncias, entretanto,
pertencem à época depois do Dilúvio. Porém, no preâmbulo bíblico à
história do Dilúvio, temos a afirmativa de que a "tomada de esposas"
dentre as fêmeas humanas pelos "filhos dos Elohim" - filhos dos
DIN.GIR começara muito antes do Dilúvio.
As fontes sumérias que lidam com épocas antediluvianas e as
origens da humanidade e da civilização incluem a história de Adapa,
e já mencionamos a questão ter sido chamada de "cria de Ea", o que
simplesmente significa que ele era um descendente humano do
Adão a quem Ea ajudou a criar, ou literalmente (como sustentam
muitos acadêmicos) um filho nascido por Ea ter tido relações sexuais
com uma fêmea humana, o que tornaria Adapa um semideus. Se
isso implicasse que Ea/Enki tivesse feito sexo com outra mulher que
não sua esposa oficial, a deusa Ninki, nenhuma sobrancelha deveria
levantar-se: vários textos sumérios destacam as proezas sexuais de
Enki. Em determinada oportunidade, ele estava atrás de Inana/
Ishtar, a neta de seu meio-irmão Enlil. Entre outras escapadas, havia
sua determinação de ter um filho com sua meia-irmã Ninmah;
quando nasceu uma filha, ele continuou o relacionamento sexual
com as três gerações seguintes de deusas.
Enmeduranki foi o sétimo, não o último (décimo) dirigente da Cidade
dos Deuses, bem antes do Dilúvio; teria sido ele tal semideus? Esse
ponto não é esclarecido pelos textos sumérios, mas suspeitamos
que sim (nesse caso, seu pai seria Utu/Shamash. De outra forma,
por que uma Cidade dos Deuses (nesse caso, Sippar) ficaria a seu
cargo, quando os seis governantes anteriores foram líderes
Anunnaki? E como pôde reinar em Sippar 21.600 anos se não fosse
um herdeiro do material genético da relativa "imortalidade" dos
Anunnaki?
Embora a própria Bíblia não diga quando começaram os
casamentos inter-raciais, a não ser para afirmar que "foi quando
começou o homem a multiplicar-se sobre a face da Terra" e a
espalhar-se na Terra, os livros pseudepígrafes revelam que o
envolvimento sexual de jovens deuses com fêmeas humanas se
tomou uma questão essencial no tempo de Enoque - bem antes do
Dilúvio (sendo que Enoque foi o sétimo patriarca dos dez que
viveram antes do Dilúvio). Segundo o Livro dos Jubileus, um dos
assuntos sobre os quais Enoque havia "testemunhado" foi em
relação a "anjos do Senhor que desceram para a Terra e que
pecaram com as filhas dos homens, aqueles que haviam começado
a unir-se, e assim a corromper-se, com as filhas dos homens". De
acordo com essa fonte, esse foi um grande pecado cometido pelos"
anjos do Senhor", uma "fornicação" "em que, contra todas as leis de
suas ordens, foram se prostituir com as filhas dos homens e
tomaram para si mesmos esposas de todas que haviam escolhido,
causando assim o começo da impureza".
O Livro de Enoque esclarece melhor o que aconteceu:
E começou a ocorrer quando os filhos dos homens
se multiplicaram, que naqueles dias lhes nasceram
filhas belas e atraentes.
E os anjos, os Filhos do Céu,
viram-nas, desejaram-nas
e disseram uns para os outros:
"Venham, vamos escolher esposas entre as
filhas dos homens e gerar filhos para nós".
Segundo essa fonte, isso não foi um desdobramento de atos
isolados, de um jovem Anunnaki aqui e outro lá, vencidos pela luxú-ria. Há uma pista de que a vontade sexual foi aumentada pelo
desejo de ter filhos; e que escolher esposas humanas era uma
decisão deliberada por um grupo de Anunnaki agindo de comum
acordo. De fato, ao examinar o texto mais adiante, podemos
entender por que a idéia se formou:
Semjaza, que era o líder, disse-lhes:
"Tenho medo de que vocês não concordem em fazer isso,
e apenas eu terei de pagar o preço por um grande pecado".
E todos responderam, dizendo:
"Vamos fazer um juramento, e todos
nos comprometemos por mútua maldição a não
abandonar esse plano e fazer essa ação".
Então todos se reuniram e comprometeram-se por juramento a
"fazer essa ação", embora fosse uma "violação da lei". À medida que
lemos, ficamos sabendo que os anjos conspiradores desceram no
monte Hermon ("Monte do Juramento"), ao sul do Líbano. "Seu
número era duzentos, aqueles que nos dias de Jarede desceram no
topo do monte Hermon." Os duzentos se dividiram em subgrupos de
dez; o Livro de Enoque fornece os nomes dos líderes de cada grupo,
"os chefes de dez". Todo o assunto foi assim um esforço bem
organizado pelos "filhos dos Elohim", privados de sexo e sem filhos,
para remediar essa situação.
Fica claro que nos livros pseudepígrafes o envolvimento sexual dos
seres divinos com as fêmeas humanas não passa de luxúria,
fornicação, depravação - um pecado dos "anjos caídos". A noção
que prevalece é de que seja o mesmo ponto de vista da Bíblia; na
verdade, não é. Os que serão culpados e, portanto, varridos da face
da Terra são os Filhos de Adão, não os filhos dos Elohim. Estes
últimos são, na verdade, lembrados com alegria, como "os
poderosos de Olam, o povo dos Shem" - o povo das naves
espaciais.
Uma idéia nova sobre a motivação, cálculos e sentimentos
provocados pelos casamentos inter-raciais e como eram julgados
pode ser espelhada numa ocorrência de certa forma similar, relatada
na Bíblia (Juízes, capítulo 21). Trata-se da narrativa de abuso da
mulher de um viajante por homens da tribo de Benjamim, quando as
outras tribos de Israel entram em guerra contra os benjaminitas.
Dizimados e apenas com algumas mulheres reprodutoras, a tribo
viu-se em perigo de extinção. A opção de casar com mulheres de
outras tribos também foi bloqueada, pois todas as tribos juraram não
dar suas filhas aos benjaminitas. Por ocasião de um festival
nacional, os benjaminitas esconderam-se ao longo de uma estrada
que levava à cidade de Shiloh; quando as mulheres de Shiloh vieram
dançando pela estrada, "cada homem pegou sua esposa" e a
carregou para seus domínios. Surpreendentemente não foram
punidos por esses raptos; na verdade, todo o incidente foi um plano
concebido pelos anciãos de Israel como uma forma de ajudar a tribo
de Benjamim a sobreviver, a despeito do boicote das outras tribos.
Seria essa atitude "faça o que tem de fazer enquanto eu olho para o
outro lado" a mesma em relação aos anjos no topo do monte
Hermon? Havia pelo menos um líder, um chefe dos Anunnaki
(Enki?) que olhou para o outro lado, enquanto outro (talvez Enlil?)
estava irritado?
Um texto sumério pouco conhecido pode ter tratado dessa questão.
Encarado como uma "estela mítica" por E. Chiera (em Textos
Religiosos Sumérios), conta a história de um jovem deus chamado
Martu que se queixava da vida sem esposa; e ficamos sabendo que
o casamento com fêmeas humanas era comum e não era pecado -desde que fosse feito com permissão, e nunca sem o consentimento
da mulher:
Em minha cidade tenho amigos,
eles tomaram esposas.
Tenho companheiros,
eles tomaram esposas.
Em minha cidade, ao contrário dos meus amigos,
eu não tomei uma esposa;
não tenho esposa, não tenho filhos.
A cidade sobre a qual Martu falava era chamada Nin-ab, uma
"cidade na grande terra colonizada". A época, dizia o texto, era o
passado distante, quando "a cidade de Nin-ab existia, Shed-tab não
existia; a tiara sagrada existia, a coroa sagrada não existia". Em
outras palavras, o sacerdócio existia, mas ainda não havia reinado.
Contudo, era uma época em que "havia coabitação... havia
nascimento de crianças".
O sumo sacerdote da cidade, segundo o texto, era um músico
realizado: possuía uma mulher e uma filha. Enquanto as pessoas se
reuniam para o festival, Martu viu a filha do sacerdote e a desejou.
Evidentemente tomá-la como esposa exigia uma permissão
especial, pois esse era um ato - para usar as palavras do Livro dos
Jubileus - contra a lei. A queixa de Martu, transcrita, dirigia-se à sua
mãe, uma deusa cujo nome não é citado. Ela quis saber se a
donzela mencionada" apreciou seu olhar". Quando chegou o
momento, os deuses deram a permissão necessária a Martu. O
restante do texto descreve como os outros jovens deuses preparam
uma festa de casamento e como os residentes de Nin-ab foram
convocados pelas batidas de um tambor de cobre para assistir à
cerimônia.
Se encararmos os textos disponíveis como versões do mesmo
evento pré-histórico, podemos visualizar o inconveniente dos jovens
Anunnaki e sua desagradável situação. Havia seiscentos Anunnaki
na Terra e mais trezentos que operavam as naves em órbita,
transportes e uma estação espacial. Havia poucas mulheres entre
eles. Havia Ninmah, a filha de Anu e meia-irmã tanto de Enki quanto
de Enlil (os três possuíam mães diferentes), chefe dos oficiais-médicos, que trouxe um grupo de enfermeiras Anunnaki (uma
representação num selo cilíndrico mostra o grupo todo). Uma delas
eventualmente se torna a consorte oficial de Enlil (e recebeu o
nome-título de NIN.LIL, "Dama do Comando"), mas só depois do
incidente de um encontro com estupro, pelo qual Enlil foi banido -um incidente que também destaca a falta de mulheres entre os
primeiros colonos Anunnaki.
Um vislumbre sobre os hábitos sexuais de Nibiru pode ser deduzido
das gravações, em várias Listas Divinas que os sumério e as nações
posteriores registraram em relação ao próprio Anu. Ele possuía
catorze filhos e filhas de sua esposa oficial, Antu; mas, além disso,
possuía seis concubinas, cujos filhos (presumivelmente numerosos)
de Anu não foram listados. Enlil, em Nibiru, foi pai de um filho de sua
meia-irmã Ninmah (também conhecida como Ninti nas histórias
sobre a Criação do Homem, e como Ninharsag mais tarde); seu
nome era Ninurta. Mas, embora neto de Anu, sua esposa, Bau (cujo
epíteto era GULA, "a Grande"), era uma das filhas de Anu, o que
equivale a dizer que Ninurta casara com uma de suas tias. Na Terra,
Enlil, tendo casado com Ninlil, era estritamente monógamo. Tiveram
um total de seis filhos, quatro mulheres e dois homens; o mais novo,
Ishkur em sumério e Adad em acadiano, era também citado em
algumas listas divinas como Martu - indicando que Shala, sua
consorte oficial, pode ter sido uma terrestre, filha do sumo sacerdote,
como relata a história do casamento de Martu.
A esposa de Enki era chamada de NIN.KI ("Dama da Terra") e
também era conhecida como DAM.KI.NA ("Esposa Que para a Terra
Veio"). De volta a Nibiru, ela lhe deu um filho, Marduk; mãe e seu
filho juntaram-se a Enki em viagens posteriores. Mas enquanto ele
estava na Terra sem ela, Enki não se privava... Um texto chamado
pelos estudiosos de "Enki e Ninharsag: um mito do Paraíso",
descreve como Enki perseguiu sua meia-irmã, procurando ter um
filho com ela e "derramou o sêmen no ventre dela". Porém ela só
produziu filhas, a quem Enki também achou dignas de suas
tentativas. Finalmente Ninharsag colocou uma maldição em Enki que
o paralisou e o forçou a colaborar num rápido arranjo de maridos
para as jovens deusas. Isso não deteve Enki, em outra ocasião, de
"carregar como prêmio", à força, uma neta de Enlil, Ereshkigal, de
barco, para seus domínios ao sul da África.
Todas essas instâncias servem para ilustrar a falta de mulheres
entre os Anunnaki que vieram para a Terra. Depois do Dilúvio, como
atesta a Lista de Deuses Sumérios, com a segunda e terceira
gerações de Anunnaki, um melhor equilíbrio macho-fêmea foi obtido.
Mas a falta de mulheres obviamente existiu no período ante-diluviano.
Não havia absolutamente intenção da parte da liderança Anunnaki,
quando foi tomada a decisão de criar o Trabalhador Primitivo, de
criar companheiras sexuais para os Anunnaki. Mas, nas palavras da
Bíblia, "quando os terrestres começaram a se multiplicar sobre a
face da Terra e geraram filhas", os jovens Anunnaki descobriram que
a série de manipulações genéticas haviam tornado essas fêmeas
compatíveis, e assim coabitar com elas significava filhos.
Os casamentos interplanetários exigiam uma permissão especial.
Com o código de comportamento dos Anunnaki encarando o estupro
como uma ofensa séria (mesmo Enlil, o comandante supremo, foi
sentenciado ao exílio quando estuprou a jovem enfermeira num
encontro; foi perdoado ao se casar com ela), a nova forma de
Encontros Divinos era regulada com rigidez e requeria permissão
que, segundo o texto sumério, só era dada se a fêmea humana"
apreciasse o olhar" do jovem deus.
Portanto, duzentos dos jovens Anunnaki resolveram assumir o
assunto em suas próprias mãos, fizeram um juramento de realizar
isso juntos e enfrentar os resultados como um grupo, depois foram
até as Filhas dos Homens para escolher esposas. O resultado -totalmente imprevisto quando o Adão foi criado - revelou ser uma
nova geração: os semideuses.
Enki, que deve ter sido pai de semideuses, via o desenrolar da
situação com mais indulgência que Enlil, assim como a co-criadora
do Adão, Ninmah, em sua cidade, o centro médico de Shuruppak,
onde residia o herói sumério do Dilúvio. O fato de aparecer nas
Listas de Reis Sumérios como o décimo governante antediluviano
indica que os cargos-chave eram reservados aos semideuses, que
faziam o papel de intermediários entre os deuses e as pessoas: reis
e sacerdotes. A prática se generalizou depois do Dilúvio: os reis
sempre se jactavam de ser "semente" deste ou daquele deus (e
alguns afirmam esse fato mesmo não sendo apenas para legitimar
suas pretensões ao trono).
O novo tipo de Encontros Divinos resultou numa raça nova (embora
limitada) e criou problemas não só para a liderança dos Anunnaki
mas também para a humanidade. A Bíblia reconhece as relações
sexuais como o acontecimento mais significativo nos eventos que
precederam o Dilúvio e a este conduziram, e o faz mediante o
enigmático prefácio da história do Dilúvio, com versos que recordam
o fenômeno do casamento inter-racial. O desenvolvimento é
apresentado como um problema para Iavé, uma causa para pesar e
tristeza pela criação do homem. Mas como relata o livro
pseudepígrafe, o novo tipo de Encontro Divino criou problemas
também para os parceiros sexuais e suas famílias.
A primeira ocorrência relatada diz respeito ao próprio herói do
Dilúvio e sua família - Noé e seus pais. O relatório também levanta a
questão sobre se o herói do Dilúvio (chamado Ziusudra nos textos
sumérios e Utnapishtim na versão acadiana) era ou não semideus.
Os estudiosos há muito acreditam que entre as fontes do Livro de
Enoque existe um texto perdido que foi chamado de Livro de Noé.
Sua existência foi adivinhada de vários escritos anteriores; porém o
que apenas se suspeitava tornou-se um fato verificado e certo
quando fragmentos do tal Livro de Noé foram encontrados entre os
manuscritos do mar Morto, nas cavernas da área de Qumran, não
muito longe de Jericó.
Segundo as seções relevantes do livro, quando Bath-Enós, a esposa
de Lamech, deu à luz Noé, o bebê era tão incomum que despertou
suspeitas atormentadas na mente de Lamech:
Seu corpo era branco como a neve e vermelho como um botão
de rosa, e os cabelos de sua cabeça e seus cachos
eram brancos como lã, e os olhos eram belos.
E quando ele abria os olhos, iluminava toda
a casa como o sol, e toda a casa ficava muito brilhante.
Logo após ele despertar nas mãos da parteira,
abriu sua boca e conversou com o Senhor da Justiça.
Chocado, Lamech correu até seu pai, Matusalém, e disse:
Gerei um filho estranho, diferente do Homem,
parecendo com os filhos de Deus do Céu;
sua natureza é diferente e ele não é como nós...
Parece-me que não veio de mim e sim dos anjos.
Em outras palavras, Lamech suspeitava que a gravidez de sua
esposa não tivesse sido provocada por ele, e sim por um dos "filhos
do Céu", um dos "Guardiões"!
O abatido Lamech foi a seu pai, Matusalém, não apenas para
partilhar o problema, mas para pedir ajuda específica. Nesse ponto
lembramos que Enoque, levado pelos Elohim para estar com eles,
ainda vivia e bem, residindo num "lugar entre os anjos" - não no Céu
distante, mas nos "confins da Terra". Lamech, portanto, pediu a seu
pai para que entrasse em contato com Enoque e lhe pedisse para
investigar se algum dos Guardiões havia se acasalado com a
esposa de Lamech. Ao chegar ao local, mas proibido de entrar,
Matusalém chamou seu pai, Enoque, que depois de algum tempo foi
ter com ele. Em seguida Matusalém relatou o nascimento incomum a
Enoque, e as dúvidas de Lamech sobre a identidade do pai de seu
filho. Isso confirma que o casamento inter-racial, resultando em
crianças semideusas, já existia no tempo de Jarede. Enoque revelou
a seu filho que Noé é de fato filho de Lamech; sua conformação
incomum e a mente brilhante são sinais de que "virá um Dilúvio e
uma grande destruição por um ano", mas Noé e sua família estão
destinados a ser salvos. Tudo isso, afirmou Enoque, ele sabia
porque "O Senhor me mostrou e me informou, e eu li nas estelas
celestiais".
Segundo o fragmento em hebraico-aramaico do Livro de Noé,
descoberto entre os manuscritos do mar Morto, a primeira reação de
Lamech ao ver seu filho incomum foi questionar sua esposa Bath-Enós ("Filha/cria de Enós"). Conforme traduzido por T. H. Gaster (Os
Manuscritos do Mar Morto) e por H. Dupont-Sornrner (Os Textos
Essênios de Qumran), a coluna II do fragmento de pergaminho
começa com Lamech falando sobre o instante em que viu o filho:
Pensei em meu coração que a concepção fosse
de um dos Guardiões, um dos Sagrados...
E meu coração mudou em meu interior por causa da criança.
Então eu, Lamech, me apressei e fui até Bath-Enós,
minha esposa, e disse a ela: quero que jure pelo
Altíssimo, o Senhor Supremo, o rei de todos
os mundos, o dirigente dos Filhos do Céu,
que me dirá a verdade, seja...
Se, porém, examinarmos o texto em hebraico-aramaico,
descobriremos que onde os tradutores modernos utilizam o termo
Guardião - como os tradutores vêm fazendo -, o texto original diz
Nefilim.

(A tradução equivocada da palavra como "Guardião", antes que
fosse descoberto o texto em hebraico-aramaico, resulta da confiança
nas traduções gregas, produto das traduções greco-egípcias em
Alexandria, já que eles levaram em conta o significado do egípcio
para "deus", NeTeR, significando literalmente "Guardião". O termo
apresenta uma ligação com a Suméria, ou melhor, Shumer, que
significa Terra dos Guardiões.)
Lamech, então, suspeitou que o filho não fosse dele. Pediu à sua
mulher que lhe dissesse a verdade sob juramento; ela implorou que
ele "lembrasse seus sentimentos delicados", embora a "ocasião
fosse de fato alarmante". Diante dessa resposta ambígua, ou mesmo
evasiva, ele tornou a indagar, pedindo que ela dissesse a verdade,
"não mentiras". Diante daquilo, ela disse que "ignorando meus
sentimentos delicados, juro a você pelo Altíssimo e Excelso, criador
do Céu e da Terra, que essa semente veio de você, essa concepção
foi sua, e esse fruto foi plantado por você, não por algum estranho
ou por qualquer um dos Guardiões, os seres celestiais".
Ficamos sabendo, pelo resto da história, que Lamech permaneceu
em dúvida, a despeito desses esclarecimentos. Talvez tenha ficado
pensando o que Bath-Enós queria dizer quando mencionara que
"seus sentimentos delicados" deveriam ser levados em conta.
Estaria encobrindo a verdade, afinal de contas? Conforme
descrevemos, Lamech apressa-se a procurar o pai, Matusalém, e
pedir a ajuda de Enoque para chegar ao âmago da questão.
As fontes não bíblicas concluem a história com a confiança sobre a
paternidade de Noé e a explicação de que suas aparência e
inteligência eram apenas sinais do papel que ele desempenharia
como salvador da semente humana. Quanto a nós, precisamos
ainda manter a dúvida, já que, de acordo com as fontes sumérias da
história do herói do Dilúvio, muito provavelmente Noé era um
semideus.
Os Encontros Divinos com orientação sexual começaram, de acordo
com as fontes citadas acima, na época de Jarede, pai de Enoque.
Na verdade, o próprio nome dele é explicado nessas fontes como
derivando da raiz Yrd, que em hebraico significa "descer",
recordando a descida dos conspiradores, filhos dos deuses, no
monte Hermon. Usando essa fórmula cronológica que adotamos
anteriormente, podemos calcular quando aconteceu.
Segundo o texto da Bíblia, Jarede nasceu 1196 anos antes do
Dilúvio; seu filho Enoque, 1034 anos antes do Dilúvio; depois
Matusalém, 969 anos antes do Dilúvio; Lamech, filho dele, 782 anos
antes do Dilúvio; e, finalmente, Noé, filho de Lamech, 600 anos
antes do Dilúvio. Multiplicando esses números por 60 e adicionando
13 mil anos, chegamos à seguinte tabela:
Jarede nasceu ............. 84.760 anos atrás
Enoque nasceu ........... 75.040 anos atrás
Matusalém nasceu ..... 71.140 anos atrás
Lamech nasceu .......... 59.920 anos atrás
Noé nasceu ................ 49.000 anos atrás
Mantendo em mente que esses patriarcas antediluvianos viveram
por muitos anos depois de gerarem seus sucessores, essas idades
são "fantásticas" (como os estudiosos costumam dizer) quando as
cifras são expressas em anos terrestres - mas apenas alguns anos-Nibiru quando medidos em Sars. De fato, uma das estelas com as
Listas de Reis Sumérios (conhecida como W-B 62, agora mantida no
Museu Ashmolean, em Oxford, na Inglaterra) atribui ao herói do
Dilúvio ("Ziusudra" em sumério) um reinado de 10 Sars ou 36 mil
anos terrestres até a ocorrência do Dilúvio; são exatamente os 600
anos que a Bíblia assinala como idade de Noé à época do Dilúvio
multiplicados por 60 (600 X 60 = 36.000), corroborando não apenas
a simetria entre os dois mas também nossa sugestão para
correlacionar os dados dos patriarcas antediluvianos bíblicos e
sumérios.
Desenvolvendo uma cronologia plausível para essas fontes
combinadas, poderíamos afirmar que essa nova forma de Encontros
Divinos começou há cerca de 80 mil anos, na época de Jarede.
Continuou na época de Enoque e provocou um crise familiar quando
nasceu Noé, há cerca de 49 mil anos.
Qual a verdade sobre o pai de Noé? Ele era um semideus como
Lamech suspeitara ou semente do patriarca, como garantiu a
ofendida Bath-Enós? A Bíblia afirma de Noé (seguindo a tradução
comum) que ele "foi um homem justo, perfeito nas suas gerações;
ele andou com Deus".
Uma tradução mais literal seria que "foi um homem justo, de
genealogia perfeita, que andou com os Elohim". A última frase é
idêntica àquela empregada pela Bíblia para descrever os contatos
divinos de Enoque; é preciso considerar a possibilidade de haver
algo nas entrelinhas dessa inócua afirmação bíblica.
Seja como for, é certo que, ao quebrar os próprios tabus, os jovens
Anunnaki iniciaram uma corrente de eventos que era cheia de
ironias. Tomaram as filhas dos Homens como esposas porque eram
geneticamente compatíveis; mas era uma conseqüência da
humanidade ser tão bem reformulada e aperfeiçoada que a
humanidade foi condenada a ser exterminada... Não foram as
mulheres humanas que tiveram atração pelos jovens Anunnaki, mas
o contrário; ironicamente, a humanidade foi quem teve de pagar o
preço e enfrentar o castigo porque "Iavé arrependeu-se de ter feito o
homem na Terra" e resolveu "varrer o Adão, que criei, da face da
Terra".
Porém o que deveria ser o Último Encontro, revelam as fontes
sumérias, foi desfeito por uma disputa entre irmãos. Na Bíblia, o
deus que decide varrer a humanidade da face da Terra é o mesmo
que depois trama com Noé para anular essa decisão. Na versão
original mesopotâmica, os eventos novamente se desenrolam contra
o cenário da rivalidade Enlil/Enki. O "Caim" e o "Abel" divinos
continuavam em desarmonia - com a diferença de que a vítima não
era nenhum dos dois, mas o Ser que haviam criado.
Porém, se esse novo tipo de Encontro Divino - o sexual - levou à
quase destruição da humanidade, foi outro tipo de Encontro Divino -o sussurrado - que levou à salvação.
5
O DILÚVIO
A história do Dilúvio, a Grande Inundação, é parte do folclore e da
memória comum em todas as partes do mundo. Seus elementos
principais são os mesmos em todos os lugares, não importa qual
seja a versão ou os nomes-epítetos dos principais envolvidos no
assunto: deuses zangados resolvem varrer a humanidade da face da
Terra, utilizando uma inundação global, porém um casal é poupado
e salva a espécie humana.
A não ser por um relato do Dilúvio, escrito em grego pelo sacerdote
caldeu Berossus, no século III a.C. conhecido pelos estudiosos por
menções fragmentárias nos textos dos historiadores gregos, o único
registro escrito desse evento importante está na Bíblia Hebraica.
Mas em 1872 a Sociedade Britânica de Arqueologia Bíblica foi
informada, no meio de uma palestra de George Smith, que entre as
estelas do Epopéia de Gilgamesh, descoberto por Henry Layard na
biblioteca real de Nínive, a antiga capital Assíria, havia algumas
estelas (fig. 21) contendo uma história similar à da Bíblia. Por volta
de 1910 foram encontradas partes das outras recensões (como os
estudiosos chamam as versões em outras línguas do Oriente
Médio). Ajudaram a reconstruir outro grande texto mesopotâmico, o
Épico de Atra-hasis, que narrava a história da humanidade desde
sua criação até sua quase aniquilação pelo Dilúvio. Pistas
lingüísticas e outras nesses textos indicam uma fonte suméria
anterior, cujas partes foram descobertas e começaram a ser
publicadas em 1914. Embora o texto completo em sumério esteja
por ser descoberto, a existência de tal protótipo anterior a todos os
outros, incluindo a versão bíblica, mostra, sem sombra de dúvida,
que os demais foram baseados nele.
A Bíblia apresenta Noé, o herói da história do Dilúvio, separado com
sua família para ser salvo, "como homem justo, de perfeita
genealogia; com os Elohim ele andou". O texto mesopotâmico pinta
um quadro mais compreensivo do homem, sugerindo que ele fosse
filho de semideuses, e possivelmente (como Lamech suspeitara) ele
mesmo um semideus. Isso esclarece o verdadeiro significado de
"andar com os Elohim". Entre os muitos detalhes que o texto
mesopotâmico fornece, o papel do sonho corno uma forma de
Encontro Divino se toma evidente. Existe também um precedente
para a recusa da divindade em mostrar o rosto a um mortal que o
procura - Deus é ouvido, mas não visto. E isso é um testemunho
vívido, o primeiro relato de um Encontro Divino único nos anais do
Oriente Médio a bênção dos humanos pela divindade, no tocar físico
da testa.
Na versão bíblica, a mesma divindade que resolve varrer o homem
da face da Terra age contraditoriamente, para evitar a perda da
humanidade, ao criar uma forma de salvar o herói e sua família do
Dilúvio. No texto original sumério e em suas versões mesopotâ-micas, mais de uma divindade está envolvida; corno em outras
instâncias, Enlil e Enki emergem nos papéis de protagonistas: Enlil,
mais rígido, irritado com os casamentos inter-raciais com as Filhas
dos Homens, quer colocar um fim à humanidade; Enki, mais flexível,
pensando na humanidade corno os "Criados", planeja salvar uma
família escolhida.
Além do mais, o Dilúvio não se trata de uma calamidade universal
engendrada por um deus irritado, e sim de uma catástrofe natural
utilizada por Enlil para alcançar o fim desejado. Foi precedida por um
longo período de piora do clima, com o aumento do frio, a redução
das chuvas e colheitas deficientes - condições que identificamos em
O 12
o
. Planeta como o final da Idade do Gelo, iniciada cerca de 75
mil anos atrás e terminada abruptamente há 13 mil anos. Sugerimos
que a massa de gelo acumulada na Antártica provocou enormes
pressões sobre a camada inferior, fazendo com que derretesse e
deslizasse para fora do continente: isso teria causado uma enorme
onda, vinda do sul, que inundou as massas terrestres ao norte. Com
seus IGI.GI ("Os Que Observam e Vêem") orbitando a Terra e uma
estação climática no extremo sul da África, os Anunnaki sabiam do
perigo. Como a passagem seguinte de Nibiru pela Terra estava
próxima, perceberam que o aumento gravitacional provocado por
essa passagem poderia disparar a calamidade.

CONTINUA......

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