sexta-feira, agosto 17, 2012

Coleção Zecharia Sitchin Livro 5 / OS REINOS PERDIDOS -3° PARTE


Na década de 80, dois astrónomos do Observatório Steward, da Universidade do Arizona, D. S. Dearborn e R. E. White (Archaeoastronomy aí Machu Pichu - "Arqueoastronomia em Machu Pichu"), foram ao mesmo local com instrumentos mais precisos.Confirmaram as orientações astronômicas do Intihuatana e das duas janelas no Torreón (onde a observação tinha lugar, alinhada com as protuberâncias da rocha sagrada). Eles não entraram na discussão de Müller sobre a idade da construção. Nem eles, nem Müller tentaram retornar às linhas de observação de milênios atrás da lendária estrutura megalítica, chamada de Três Janelas. Lá, acreditamos, os resultados seriam ainda mais surpreendentes.No antigo Oriente Médio o desvio causado pela Precessão exigiu reformas periódicas no calendário original sumério. Uma grande mudança, acompanhada de levantes religiosos, teve lugar por volta de 2000 a.C. com a transição do Zodíaco de Touro para o de Aries. Para espanto dos estudiosos, tais mudanças também estão evidenciadas nos Andes.Com base nos escritos de Montesinos e de outros cronistas sabemos que o antigo povo andino possuía um calendário, que sofreu repetidas reformas por vários monarcas. Numerosos es­tudos foram necessários, começando na década de 30, para con­firmar que esse povo não apenas conhecia um calendário, mas também o seguia (apesar de supostamente não usarem a escrita). Um pioneiro no campo, Fritz Buck (Inscripciones Calendarias dei Peru Preincaico - "Inscrições dos Calendários do Peru Pré-incaico" e outras obras) apresentou provas arqueológicas para apoiar tais conclusões, como um bastão que media o tempo e um vaso, encontrado nas ruínas do templo de Pachacamac, que marcava quatro períodos de doze com o auxílio de uma linha e marcas semelhantes à dos maias e olmecas.Segundo o padre Molina, os incas "começavam a contar o ano na metade de maio", alguns dias, mais ou menos, no primeiro dia lunar. "Iam para Coricancha de manhã, ao meio-dia e à noite, trazendo o carneiro que seria sacrificado no dia". Durante os sacrifícios, os sacerdotes cantavam hinos como: "O Criador, O Sol, Ó Trovão, sejam para sempre jovens e não envelheçam; dei­xem todas as coisas em paz; deixem que o povo se multiplique e que sua comida e todas as coisas continuem abundantes".Em virtude do calendário gregoriano ter sido introduzido em Cuzco só depois da época de Molina, o dia do Ano Novo, men­cionado por ele, corresponde aproximadamente a 25 de maio. Torres de observação, descritas por Garcilaso, foram descobertas em anos recentes pêlos astrônomos da Universidade do Texas e de Illinois. Eles concluíram que as linhas de observação eram apropriadas para o dia 25 de maio. Segundo os cronistas, os incas consideravam o início do ano no solstício de inverno (equi­valente ao solstício de verão no hemisfério norte). Porém esse evento não acontece em maio, mas a 21 de junho... uma diferença de trinta dias! A única explicação plausível é que o calendário e o sistema de observação nos quais se baseava eram atribuídos aos incas de um período anterior: a diferença de um mês nos resultados do desvio da Precessão dura pelo menos 2.160 anos por casa zodiacal.O Intihuatana em Machu Pichu, como mencionamos, serve para determinar não só os solstícios, mas também os equinócios (os dias e as noites são iguais quando o Sol está sobre o Equador, em Março e Setembro). Tanto os cronistas do passado quanto os modernos pesquisadores (tais como L. E. Valcarel, The Andenn Calendar - "O Calendário Andino") relatam que os incas faziam um enorme esforço para determinar os dias exatos dos equinócios e venerá-los. Esse costume deve derivar de tempos remotos, pois vimos em registros anteriores que os reis do Antigo Império estavam preocupados com a necessidade de determinar os equi­nócios.Montesinos nos informa que o 40º. monarca do Antigo Império fundou uma escola para o estudo da astronomia e da astrologia para a determinação dos equinócios. O fato de ter recebido o título Pachacutec indica que o calendário estava naqueles dias tão fora de sincronismo com os fenômenos celestiais, que sua reforma tornou-se imperativa. Essa é uma informação interes­sante, que foi negligenciada. Segundo Montesinos, foi no quinto ano de reinado desse monarca que se completaram 2.500 anos do Ponto Zero — e 2.000 anos desde o início do Antigo Império,O que estava acontecendo por volta de 400 a.C. que exigisse uma reforma do calendário? O período de 2.000 anos se iguala aos períodos dos desvios zodiacais causados pela Precessão. No antigo Oriente Médio, quando o calendário se iniciou, em Nippur, ao redor de 4000 a.C., o equinócio da primavera ocorria na casa de Aquário, ou Era de Touro. Em seguida, entrou a Era de Áries por volta de 2000 a.C., e a Era de Peixes, por volta do nascimento de Cristo.A reforma do calendário andino ao redor de 400 a.C. confirma que o Antigo Império e seu calendário devem ter começado por volta de 2500 a.C. Também sugere que tais monarcas estavam familiarizados com o Zodíaco; mas o Zodíaco era uma divisão puramente arbitrária e artificial da abóbada celeste ao redor do Sol em doze partes; uma invenção suméria adotada no Velho Mundo por todos os povos que os sucederam (até hoje). Seria possível? A resposta é: sim.

Um dos pioneiros no campo, S. Hagar, numa conferência di­rigida ao 14º. Congresso de Americanistas em 1904, "The Peruvian Asterisms and their Relation to the Ritual" ("As Constelações Pe­ruanas e sua Relação com o Ritual") demonstrou que os incas não apenas estavam familiarizados com as casas do Zodíaco (e os meses derivados delas), mas também possuíam nomes dis­tintos para elas. Tais nomes, para a surpresa dos estudiosos, mas não nossa, apresentam uma insólita semelhança aos que se ori­ginaram na Suméria. Dessa forma, janeiro, o mês de Aquário, era dedicado a Mama Cocha e Capac Cocha, a Mãe Água e Senhor da Água; março, o mês de Aries, quando a primeira lua significava na Antiguidade a véspera de Ano Novo, era chamado Katu Quilla, Lua do Mercado; abril, Touro, era dedicado a Tupa Taruca, "touro que pasta" (não havia touros na América do Sul); Virgem era Sara Mama (Mãe Milho) e seu símbolo era o membro feminino e assim por diante.Na verdade, a própria Cuzco era uma testemunha em pedra tanto da familiaridade com as doze casas do Zodíaco, quanto da antiguidade desse fato. Já mencionamos a divisão de Cuzco em doze terraços. É significativo o fato de que o primeiro terraço, na encosta do Sacsahuaman, estivesse associado a Aries. Para que Aries fosse associada ao equinócio da primavera, como demonstramos, seria necessário recuar no tempo mais de 4.000 anos.E preciso perguntar se o conhecimento de astronomia para as reformas do calendário poderia ter sido guardado e transmitido por muitos milénios sem algum tipo de escrita. Os códices maias continham, como vimos, dados astronómicos copiados e obtidos de fontes mais antigas. Arqueólogos determinaram que as barras oblongas que acompanham os soberanos (conforme as representações dos monólitos) eram, na verdade, "barras celestes" que apresentavam os glifos de certas constelações do Zodíaco (como na série de glifos ao redor da imagem de Pacal na tampa de seu sarcófago, em Palenque). Seriam essas representações clássicas copiadas de referências anteriores, talvez menos artísticas? Isso é sugerido por uma pedra esférica encontrada em Tikal (fig. 85a) na qual a imagem do Deus Sol (com barba e língua para fora) está cercada por glifos celestes.Tais pedras circulares "primitivas" com o calendário/zodíaco devem ter precedido as "pedras de calendário" astecas, várias das quais foram encontradas, e uma delas, de ouro, foi presen­teada a Cortez por Montezuma quando acreditava estar devol­vendo ao Deus da Serpente Emplumada o que era dele. Existiriam tais registros em ouro no Peru antigo? A despeito do tratamento dado pêlos espanhóis a todos os objetos de ido­latria — a fundição — especialmente se fossem feito de ouro (que mandavam fundir assim que o encontravam, como acon­teceu com a imagem do Sol, em Coricancha), pelo menos uma dessas relíquias escapou




Trata-se de um disco de ouro, com cerca de 12 centímetros de diâmetro (fig. 85b). Descoberto em Cuzco, e agora guardado no Museu do índio Americano em Nova York, foi descrito cerca de um século atrás por Sir Clemens Markham (Cuzco and Lima; The incas of Peru - "Cuzco e Lima; Os incas do Peru"). Ele concluiu que o disco representava o Sol ao centro e possuía vinte símbolos distintos ao seu redor, considerando-os como representação dos meses, em número de vinte, como no calendário maia. W. Bollaert, numa conferência perante a Sociedade Real de Antiquários, em 1860, e em estudos subsequentes, considerou o disco como "um calendário lunar, ou Zodíaco". M. H. Saville (A Golden Breastplate from Cuzco - "Um Medalhão de Ouro de Cuzco" - nas pu­blicações do Museu, de 1921), observou que seis dos símbolos representados são repetidos duas vezes, e dois são repetidos qua­tro vezes (ele os marcou de A a H); portanto, duvidava da teoria de Markham sobre os vinte meses.O simples fato que seis vezes dois é doze nos leva a discordar de Bollaert e a sugerir que esse seja um calendário zodiacal ao invés de lunar. Todos os estudiosos concordam com sua origem pré-incaica. Nenhum deles, entretanto, mostrou como se asse­melha ao calendário de pedra encontrado em Tikal — talvez porque iria alimentar a polémica sobre se houve ou não contato entre os povos centro-americanos e sul-americanos.Um pequeno bando de soldados da força de Pizarro, no co­meço de 1533, entrou na capital inca, Cuzco. O corpo principal do exército de Pizarro ainda estava em Cajamarca, onde eles mantinham Atahualpa prisioneiro. A missão do grupo enviado a Cuzco era apanhar a contribuição em ouro da capital para o pagamento do resgate exigido pêlos espanhóis, em troca da liberdade do rei.Em Cuzco, o general Quizquiz de Atahualpa permitiu que eles entrassem e examinassem vários edifícios importantes, in­cluindo o Templo do Sol. Os incas, como já mencionamos, o chamavam de Coricancha, o Recinto de Ouro, pois as paredes eram cobertas com maravilhosas placas de ouro, prata e pedras preciosas. Os poucos espanhóis que entraram em Cuzco remo­veram setecentas placas de ouro, serviram-se de outros tesouros e retornaram a Cajamarca.O grosso do exército espanhol entrou em Cuzco ao final do ano e já descrevemos o que aconteceu na cidade com os edifícios e santuários, incluindo os atos de vandalismo no Santo dos San­tos. O emblema de ouro sobre o Grande Altar foi fundido.A destruição física não conseguiu, porém, erradicar o que os incas levavam na memória. O Coricancha foi construído pelo primeiro monarca, como recordam os incas; ele iniciou como um casebre com teto de palha. Monarcas posteriores o alargaram e melhoraram, até que assumisse as dimensões e a forma final encontrada pelos espanhóis. No Santo dos Santos, relatam eles, as paredes eram cobertas do chão até o teto por placas de ouro. Garcilaso escreveu: "sobre o que eles chamavam de Grande Altar estava a imagem do Sol num disco de ouro de duas vezes a espessura do resto da parede; a imagem o representava como um rosto redondo com raios e labaredas de fogo, tudo numa só peça".Esse, de fato, foi um objeto de ouro que os espanhóis viram e apanharam. Porém, não se tratava da imagem original, que ficara sobre a parede, em frente aos raios de sol no dia designado.A descrição mais detalhada dessa peça central e as imagens que a acompanhavam foi realizada por Don Juan de Santa Cruz Fachacuti-Yumqui Salcamayhua, o filho de uma princesa da casa real inca com um nobre espanhol (por isso referem-se a ele como Santa Cruz, ou como Salcamayhua). O relato foi incluído em sua Relación (traduzido para o inglês por sir Clemens Markham), na qual ele glorifica a dinastia real inca aos olhos dos espanhóis. Ele afirmou que foi o primeiro rei da dinastia que "ordenou aos ourives que fizessem um disco achatado de ouro para representar a existência de um criador do céu e da terra". Salcamayhua ilus­trou seu texto com um desenho: tratava-se da forma rara e inu­sitada de uma oval.A primeira imagem era representada por um disco plano quan­do um determinado monarca proclamou que o Sol era o deus supremo. O formato foi alterado para oval por um inca posterior, "um grande inimigo dos ídolos"; ele ordenou a seu povo que não prestasse as honras ao Sol e à Lua; ao invés disso, o fariam ao corpo celeste representado pela forma oval; foi ele o "respon­sável pela adição de imagens ao redor do disco". Referindo-se à forma oval como "O Criador", Salcamayhua tornou claro que não representava o Sol, pois as imagens do Sol e da Lua flan­queavam a oval. Para ilustrar o que queria dizer, Salcamayhua desenhou uma grande oval flanqueada por dois círculos menores.A parte central permaneceu da mesma forma, com a oval como imagem superior, até a época do inca Huascar, um dos dois meio-irmãos envolvidos na luta pelo trono quando os espanhóis chegaram. Ele removeu a imagem oval e a trocou por "um disco redondo, com os raios do Sol". "Huascar inca colocou a imagem do Sol onde estivera o Criador". Portanto, a crença religiosa vol­tou-se outra vez para um panteão onde o Sol, e não Viracocha, era supremo. Para reforçar a ideia de que ele era o sucessor correto, Huascar adicionou ao seu nome o epíteto Inti (Sol), significando que era ele, e não seu irmão Atahualpa, o verdadeiro descendente dos Filhos do Sol originais.Explicando que a parede com cumeeira ostentando a oval como imageni principal representava "o que os pagãos acreditam" em relação aos céus e à terra, Salcamayhua desenhou um esboço grande mostrando como era a parede antes de Huascar trocar a oval pela imagem do Sol. O esboço foi preservado porque Fran­cisco de Ávila, que interrogara Salcamayhua e outros^sobre o significado da descrição, manteve o desenho entre seus papéis. Ele também rabiscou anotações ao redor do esboço, usando ter­mos quechuas e aimaras fornecidos pelos nativos, além do pró­prio castelhano. Quando essas anotações são removidas (fig. 86), é possível ver o que estava representado sobre o altar (o objeto quadriculado em baixo): símbolos terrestres (pessoas, um animal, um rio, montanhas, um lago, etc.) na parte inferior; e imagens celestiais (Sol, Lua, estrelas, a oval enigmática, etc.) na parte su­perior.Os estudiosos concordam e discordam a respeito da interpre­tação dos símbolos individuais, mas não sobre o significado geral da parede sagrada. Markham viu na parte superior "uma carta estelar, que é uma verdadeira chave para a cosmogonia simbólica e para a astronomia no Peru antigo", e estava convencido de que a ponta triangular era um hieróglifo para "céu". S. K. Lothrop (Inça Treasure - "Tesouro inca") afirma que as imagens sobre o grande altar "formam uma história cosmogônica sobre a criação dos céus e da terra, do Sol e da Lua, do primeiro homem e da primeira mulher". Todos concordam com Salcamayhua, que in­dica a representação "do que os pagãos acreditam" — a soma total das crenças e lendas religiosas; a saga do Céu e da Terra, e a união entre eles.A montagem celeste de imagens representa claramente o Sol e a Lua flanqueando o disco ovalado e grupos de corpos celestes acima e abaixo da oval. Fica claro que os símbolos representam o Sol e a Lua pelas faces convencionais desenhadas, mais as anotações em língua nativa, Inti (Sol), e Quilla (Lua).Partindo do princípio de que o Sol estava assim representado, o que significava a imagem da oval ao centro? As histórias descrevem como esse símbolo se alternava com o Sol na adoração e veneração na época dos incas. Sua identidade é claramente explicada por uma anotação: "'Illa Ticci Uuimcocha, Pachac Aca-chï", quiere áecir imagcn dei Hacedor dei eido y de Ia tierra." Ou seja, significa a imagem do Criador do Céu e da Terra.)




Mas por quê Viracocha era representado por uma oval?

Um dos principais pesquisadores sobre o assunto, R. Leh-mann-Nitsche (Coricancha: El Templo del Sol en el Cuzco y Ias Imagenes de su Altar Mayor - "Coricancha: O Templo do Sol em Cuzco e as Imagens de seu Altar Principal") desenvolveu a tese de que a forma oval representa o "Ovo Cósmico", uma ideia teogônica que encontra eco nas lendas gregas, na religião hindu, "até mesmo no Géneses". E "a mais antiga teogonia cujos detalhes não foram compreendidos por autores brancos". Foi representada nos san­tuários da divindade indo-européia Mithra, como um ovo cir­cundado pelas constelações do Zodíaco. "Talvez um dia os es­tudantes da cultura hindu reconheçam as semelhanças nos de­talhes e no culto à Viracocha, com Brahma com os sete olhos, o israelita Iaweh [...] na Antiguidade clássica, assim como com o culto esotérico, onde haviam imagens sagradas do Ovo Místico.Por que não deveria acontecer o mesmo no grande santuário de Cuzco? Lehmann-Nitsche imaginou o Ovo Cósmico como a única ex­plicação para o símbolo incomum da forma oval, pois além da semelhança com o formato de um ovo, a forma elíptica (que é difícil de desenhar com precisão) não é encontrada naturalmente na superfície da Terra. No entanto, tanto ele como outros pes­quisadores pareceram ignorar o fato de que a forma elíptica está superposta (embaixo) a um símbolo estelar. Se, como já vimos, a forma elíptica, ou oval, se aplica a mais de um corpo celeste (além dos cinco acima e dos quatro abaixo), nos lembra um tipo de oval que existe sim na natureza, não na Terra, mas nos céus: é a curva natural de um planeta ao redor do sol. Trata-se, como sugerimos, do traçado da órbita de um planeta em nosso Sistema Solar.O que a parede sagrada representa, podemos concluir, não eram constelações, distantes e misteriosas, mas nosso próprio Sistema Solar, com o Sol, a Lua, e dez planetas, perfazendo um total de doze. Vimos que os planetas do sistema solar se dividem em dois grupos. Para nossa visão, esses são os cinco planetas exteriores: Plutão, Netuno, Urano, Saturno e Júpiter (contando de fora para dentro). O grupo mais próximo representa os quatro planetas interiores: Marte, Terra, Vénus, Mercúrio. Os dois gru­pos são divididos pela vasta órbita elíptica do décimo-segundo membro do Sistema Solar. Para os incas, representava Viracocha.Devemos ficar surpresos ao perceber que essa era exatamente a visão suméria de nosso Sistema Solar? Como as representaçães vêm do céu para a Terra, um céu estrelado aparece à direita da parede e nas nuvens do lado es­querdo. Os estudiosos concordam com a anotação original, "ve­rão" (céu brilhante e estrelado) e "nuvens de inverno". Ao con­siderar o papel desempenhado pelas estações no ato criativo, a representação inca mais uma vez segue o padrão do Oriente Médio. O desvio do eixo da Terra (causando as estações) foi atribuído, na Suméria, a Nibiru, e na Babilônia, a Marduck. O conceito ampliou-se quando o salmo bíblico fala sobre o Senhor: "Vós fizestes o verão e o inverno".Abaixo do "verão" aparece um símbolo estelar e um feroz ara­mai é representado abaixo de "inverno". Há unanimidade em torno do fato de que tais imagens representam as constelações, associadas (no hemisfério sul) com essas estações, uma para o inverno, representando Leo, o Leão. Isso é impressionante por mais de um motivo. Em primeiro lugar, porque não existem leões na América do Sul. Em segundo, porque quando o calendário começou, na Suméria, em 4000 a.C., o solstício de verão ocorria quando o Sol era visto na constelação zodíaca de Leão (UR.GULA em sumério). Mas no hemisfério sul, nessa época do ano, teria sido inverno. Portanto, a representação dos incas não apenas to­mou emprestada a ideia das doze constelações do Zodíaco, como também a ordem delas na Mesopotâmia!Agora chegamos aos símbolos que — como no Enuma Elish e no Livro do Gênese — transferem as histórias da criação dos céus para a Terra: o primeiro homem e a primeira mulher, o Éden, um grande rio, uma serpente, montanhas e um lago sa­grado. Um "panorama do mundo" inca, nas palavras de Leh-mann-Nitsche. Seria mais apropriado dizer a Bíblia Pictórica dos Andes.A analogia é atual, não apenas figurativa. Os elementos nessa parte da composição pictórica poderiam servir para ilustrar as histórias bíblico-mesopotâmicas de Adão e Eva no Jardim do Éden, completados com a serpente (na parede da direita) e a Árvore da Vida (na parede da esquerda). O termo sumério E.DIN (de onde deriva a palavra Éden) era o vale do grande rio Eufrates, emanando das altas montanhas ao norte. Esta geografia está cla­ramente representada na parede da direita, onde um globo re­presentando a Terra ostenta a anotação "Pacha Mama" — Mãe Terra. Mesmo o Arco-Iris, apresentado nas histórias do Oriente Médio, sobre o Dilúvio, está ali representado.(Enquanto todos aceitamos que o globo ou círculo onde está escrito "Pacha Mama" representa a Terra, ninguém parou para imaginar como os incas sabiam que a Terra era redonda. Os sumérios, entretanto, estavam conscientes desse fato, e represen­tavam a Terra e todos os planetas corretamente).O grupo de sete pontos abaixo do símbolo da Terra tem causado inúmeros problemas aos estudiosos. Aderindo ao conceito erróneo de que os antigos visualizavam as Plêiades, enume­rando sete estrelas, alguns sugeriram que o símbolo represen­tasse essa região da constelação de Touro. Porém, se isso for verdade, o símbolo pertenceria à outra porção do painel, não à parte de baixo. Lehmann-Nitsche e outros interpretaram o símbolo como "os sete olhos do deus supremo". Mas já de­monstramos que os sete pontos, o número 7, era a designação da própria Terra na enumeração que os sumários faziam dos planetas. O símbolo "sete" está exatamente onde deveria, como símbolo do planeta Terra.A última imagem na parede sagrada é aquela do lago ligado por um canal a um corpo menor de água. A anotação diz: "Mama Cocha", Mãe Água. Todos concordamos que isso representa o lago sagrado andino, o Titicaca. Representando-o, os incas leva­ram a história da Criação dos Céus para a Terra e do Jardim do Éden para os Andes.Lehmann-Nitsche resumiu o significado e a mensagem da re­presentação na parede sobre o Grande Altar, dizendo: "leva o homem do chão para as estrelas". É duplamente impressionante o fato que conduz os incas para o outro lado da Terra.

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CIDADES PERDIDAS E ENCONTRADAS

A descoberta da história do Gênese, em sua versão original mesopotâmica, representada no Santo dos Santos do templo inca levanta uma série de indagações. A primeira, e mais óbvia, é: como os incas souberam dessa história, não só na forma como ficou mundialmente conhecida (a criação do primeiro casal, o Dilúvio), como em seus detalhes, seguindo o Épico da Criação e incluindo o conhecimento completo do Sistema Solar e da órbita de Nibiru? Uma resposta possível é que eles tenham herdado esses conhecimentos de épocas imemoriais. Ou, então, tenham ouvido de outros povos que encontraram nessas terras.Na ausência de registros escritos, como os que foram encon­trados no Oriente Médio, a chance de uma resposta depende de outra pergunta: quem eram os incas, na verdade? A Relación de Salcamayhua é um bom exemplo da tentativa dos incas de perpetuarem a propaganda do estado: a atribuição do reverenciado nome de Manco Capac ao primeiro monarca inca — inca Rocca — foi um subterfúgio para fazer o povo que haviam subjugado acreditar que o primeiro inca fosse o "Filho do Sol", recém-saído do sagrado lago Titicaca. Na verdade, a dinastia inca começara 3.500 anos depois daquele início sagrado. E a língua falada pêlos incas era o quechua, a mesma do povo do centro-norte dos Andes, enquanto o povo dos altiplanos do Ti­ticaca falava a língua armara. Essas e outras considerações con­duziram alguns estudiosos a especular que os incas chegaram, na verdade, do leste, estabelecendo-se no vale de Cuzco, que bordeia a grande planície amazônica.Isso, em si, não determina uma origem oriental, ou ligação com os incas. Enquanto a atenção ficou concentrada na repre­sentação da parede sobre o Grande Altar, ninguém se perguntou porque, entre tantos povos, com tantas imagens de deuses, co­locadas em templos e santuários, não havia nenhuma no grande templo inca, ou em qualquer outro santuário inca.Os cronistas afirmaram que um "ídolo" aparecera em algumas celebrações, mas era a imagem de Manco Capac, não de um deus. Relatam, ainda, que num determinado dia santo um sa­cerdote ia até uma grande montanha, sobre a qual estava o ídolo de um deus, e ali sacrificava uma lhama. Porém, tanto a mon­tanha, como o ídolo mencionado, pertenciam à era pré-incaica: esta citação poderia estar se referindo ao templo de Pachacamac na costa (sobre o qual já falamos).É interessante observar como os dois costumes estão alinhados com os mandamentos bíblicos da época do Êxodo. A proibição de fazer e adorar ídolos foi incluída nos Dez Mandamentos. E na véspera do Dia da Expiação, um sacerdote deveria sacrificar um "bodeexpiatório" no deserto. Ninguém jamais observou que os quipos utilizados pêlos incas para lembrar eventos — tiras de cores diferentes que tinham de ser feitas de lã, com nós em di­ferentes posições — eram na aparência e no propósito parecidos aos tzitzit, "franjas na dobra de uma faixa azul", que os israelitas íram obrigados a usar nas vestes, como forma de lembrar os mandamentos do Senhor. Existe outro aspecto, aproximando os dois povos: as linhas de sucessão, pela qual o herdeiro legal era o filho de uma meio-irmã, um costume sumário, seguido pelos patriarcas hebreus. E, finalmente, havia a prática da circuncisão na família real inca.Arqueólogos peruanos encontraram achados intrigantes nas províncias amazônicas do Peru, incluindo os restos de cidades construídas com pedras, especialmente nos vales dos rios Utcu-bamba e Maranon. São, sem dúvida, "cidades perdidas" nas zonas tropicais. Mas, em alguns casos, trata-se de locais conhecidos. Um deles foi relatado no jornal Gran Patajen, em 1985. O local mencionado fora visitado pelo arqueólogo peruano F. Kauff-mann-Doig e pelo americano Gene Savoy, vinte anos antes. O relato do jornal referia-se a vestígios de "pirâmides" no lado bra­sileiro da fronteira, a cidades perdidas como Akakor, a narrativas de nativos sobre ruínas contendo tesouros incalculáveis. Um documento que se encontra nos arquivos nacionais do Rio de Janeiro é reconhecidamente um relato do século 18 sobre uma cidade perdida nas selvas amazônicas, avistada por europeus, em 1591. O documento chega a trazer a cópia de uma inscrição encontrada lá. Foi o motivo principal para a expedição do coronel Percy Fawcett, cujo misterioso desaparecimento na selva ama-zônica ainda é objeto de artigos nas revistas científicas não-es-pecializadas.Tudo isso sem falar nas ruínas encontradas na bacia amazônica ao longo de uma trilha que atravessa o continente sul-americano da Guiana/Venezuela para o Equador/Peru. Os relatos de Hum-boldt sobre suas viagens através do continente mencionam uma lenda nativa sobre o desembarque de pessoas do outro lado da terra, na Venezuela, que teriam seguido por terra. É importante lembrar que o principal rio do vale de Cuzco, o Urubamba, não passa de um afluente do Amazonas. Grupos brasileiros oficiais têm visitado muitos locais (sem entretanto, levar adiante as es­cavações). Num local próximo à foz do Amazonas foram encon­tradas urnas de cerâmica decoradas com padrões que lembram os desenhos dos potes de Ur (o local sumério de nascimento de Abraão). Uma ilhota chamada Pacoval parece ter sido criada ar­tificialmente, servindo de base para um número de montes (que não foram escavados). Segundo L. Netto, Investigações sobre a Ar­queologia Brasileira, urnas e vasos com decoração "de superior qualidade" foram encontrados no interior do Amazonas. Acre­ditamos que existia uma rota igualmente importante, ligando os Andes com o oceano Atlântico, mais ao sul.Ainda assim, é incerto que os próprios incas utilizassem essas rotas. Uma das versões antigas atribuía o início de sua civilização a um desembarque na costa peruana. Sua linguagem quechua guarda semelhanças com termos orientais, tanto no significado das palavras quanto no dialeto. E, claramente, pertencem à raça ameríndia, o quarto ramo da humanidade que, como nos aven­turamos a sugerir, teria derivado da linha de Caim. (Um guia em Cuzco, ouvindo falar de nossos conhecimentos bíblicos, per­guntou se In-ca pode ter derivado de Ca-in, revertendo as sílabas, ou repetindo várias vezes a palavra. Nos fez pensar!)

As evidências, acreditamos, indicam que as lendas e crenças do Oriente Médio — que incluem o conhecimento da história de Nibiru e dos nefelim que vieram à Terra (o panteão dos doze) — foram trazidas do outro lado dos mares pelos predecessores dos incas. Isso teria ocorrido na época do Antigo Império. Os portadores dessas histórias também eram Estranhos Do Outro Lado dos Mares, mas não necessariamente os mesmos que le­varam as lendas, crenças e civilização do Oriente Médio para a América Central.Além de todos os fatos e evidências que já fornecemos, vamos retornar a Izapa, um local próximo à costa do Pacífico, na divisa entre México e Guatemala, onde os olmecas e os maias mediram forças. Reconhecido há pouco tempo como o maior sitio arqueológico ao longo da costa do Pacífico, ao norte da América Central, apresenta 2.500 anos de ocupação, desde 1500 a.C. (uma data confirmada por radiocarbono) até 1000 d.C. Apresenta as costu­meiras pirâmides e campos de jogo. Porém, acima de tudo, sur­preende por seus monumentos de pedra esculpida. O estilo, imaginação, conteúdo mítico e a perfeição artística dessas esculturas chegou a ser chamado de "estilo Izapan", reconhecido, agora, como a fonte do estilo que se espalhou para outros locais, ao longo do costa do Pacífico, seja do México, como da Guatemala. Trata-se de arte pertencente ao início e ao meio do período pré-clássico Olmeca, adotado pêlos maias quando o local mudou de dono.Os arqueólogos da Fundação de Arqueologia do Novo Mundo, da Universidade Brigham Young, que devotaram décadas aos trabalhos de escavação e estudo do local, não têm dúvidas de que sua orientação visava os solstícios na época de sua fundação. Também outros monumentos dali foram construídos "em alinha­mento deliberado com os movimentos planetários". (V. G. Nor-man, Izapa Sculpture - "A Escultura Izapa".) Temas religiosos, cosmológicos, mitológicos se entrelaçam com acontecimentos his­tóricos, tudo expresso na escultura de pedra. Já vimos (fig. 51b) uma das muitas e variadas representações de divindades aladas. De particular interesse aqui é uma grande pedra esculpida, cuja face mede cerca de 2,8 metros quadrados, designada pelos ar­queólogos como Estela Izapa 5, encontrada em conjunto com um grande altar de pedra. A cena complexa (fig. 87) foi reconhecida por vários estudiosos como um "fantástico mito visual", relativo à "gênese da humanidade" numa Árvore da Vida, que cresce ao lado de um rio. A narrativa mítica-histórica é contada por um velho barbado sentado embaixo, à esquerda, e recontada por um homem com aparência de maia, à direita (do observador).




A cena está repleta de vegetação, pássaros, peixes, assim como de figuras humanas. Um fato curioso é que as duas figuras cen­trais representam homens com rosto e patas de elefante — um animal completamente desconhecido nas Américas. O da esquer­da é mostrado em associação com um homem olmeca de capacete, o que reforça nossa ideia de que os olmecas, representados nas colossais cabeças de pedra, eram africanos.O detalhe inferior da esquerda, quando ampliado (fig. 88a), revela claramente detalhes que consideramos pistas importantes.O homem barbado conta sua história sobre um altar que ostenta o símbolo do cortador de cordão umbilical. Esse era o símbolo (fig. 88b) pelo qual Ninti (a deusa suméria que ajudou Enki a criar o Homem) era identificada em selos cilíndricos e monu­mentos. Quando a Terra foi dividida entre os deuses, ela recebeu o domínio da península do Sinai, a fonte egípcia da famosa tur­quesa verde-azulada. Eles a chamavam de Hathor e a represen­tavam com chifres de vaca, como nessa cena da criação do homem (fig. 88c). Tais "coincidências" reforçam a conclusão de que a esteia de Izapa ilustra nada mais do que as histórias do Velho Mundo sobre a Criação e o Jardim do Éden.




E finalmente temos as representações de pirâmides com lados uniformes, como as de Gize, no Egito, esculpidas ao fundo do painel, ao lado de um rio. Na verdade, ao examinar e reexaminar o painel com milênios de idade, é preciso concordar que uma imagem vale mais do que dez mil palavras.As lendas e evidências arqueológicas indicam que os olmecas e os barbados não se detiveram às margens do oceano, mas con­tinuaram para o sul, descendo para a América Central e para o norte da América do Sul. Podem ter avançado, pois deixaram traços de sua presença em locais no interior. Com toda a pro­babilidade, devem ter prosseguido para o sul, usando barcos, a forma mais fácil de deslocamento.As lendas na região equatorial e ao norte dos Andes lembram não apenas a chegada por mar dos próprios ancestrais (tais como Naymlap), como, duas delas, falam em "gigantes". A primeira narra fatos dos tempos remotos; a outra, do tempo dos mo­chicas. Cieza de León descreve essa última: "Lá chegaram à costa, em barcos feitos de junco, tão grandes quanto navios, homens de tal tamanho que, do joelho para baixo, sua altura era tão grande quanto a altura completa de um homem comum". Eles possuíam ferramentas de metal e cavavam poços na rocha viva, mas atacavam as provisões dos nativos para obter alimento. E violavam as mulheres nativas, pois não havia mulheres entre os gigantes vindos do mar. Os mochicas representaram em cerâmica esses gigantes que os haviam escravizado, pintando seus rostos de negro (fig. 89), enquanto os próprios mochicas eram pintados de branco. Também foram encontradas nas ruínas mochicas re­tratos em argila de homens mais velhos, com barbas brancas.


Nosso palpite é que esses visitantes eram os olmecas e seus companheiros barbados do Oriente Médio, fugindo dos levantes na América Central, por volta de 400 a.C. Deixaram atrás de si um rastro de veneração atemorizada ao passar da América Cen­tral para as terras equatoriais da América do Sul. Expedições arqueológicas nas áreas equatoriais da costa do Pacífico encon­traram monólitos enigmáticos, que derivam desse período de medo. A expedição George C. Heye encontrou no Equador ca­beças gigantes de pedras com características humanas, porém com caninos enormes, como se fossem jAguares ferozes. Outra expedição encontrou em San Agostin, um local próximo à fron­teira colombiana, estátuas de pedra representando gigantes, al­gumas vezes exibindo armas ou ferramentas; as feições do rosto são as dos olmecas africanos.Esses invasores podem ter originado as lendas nativas de que os homens foram criados ali, depois do Dilúvio, por um deus-serpente, que exigia um tributo anual em ouro. Uma das cerimônias que os espanhóis recordam era uma dança ritual execu­tada por doze homens vestidos de vermelho, realizada às mar­gens de um lago ligado à lenda do Eldorado.Os nativos das terras equatoriais adoravam um panteão de doze deuses, um número significativo, e uma pista vital. Era liderado pela tríade do Deus da Criação, Deus do Mal e Deusa Mãe. Incluía a divindade da Lua, do Sol, da Chuva e do Trovão. Outro detalhe significativo é que a Deusa Lua se encontrava em posição superior à do Deus Sol. Os nomes das divindades mu­davam de local para local, mantendo, entretanto, a afinidade ce­leste. Entre os nomes estranhos, dois se destacam. O líder do panteão era chamado, em dialeto chibcha, Abira — há semelhança com o epíteto divino Abir, que significa Forte, Poderoso — e a Deusa Lua era chamada de Si ou Sian, muito parecido com o nome mesopotâmico da divindade, Sin.O panteão divino dos nativos sul-americanos traz à lembrança o do Oriente Médio e do mediterrâneo oriental — dos gregos, egípcios, hititas, cananitas, fenícios, assírios, babilónios — vol­tando ao ponto onde tudo se iniciou: aos sumérios do sudoeste da Mesopotâmia, fonte de todos os deuses e mitologias desses povos antigos.O panteão sumério era liderado por um "Círculo Olímpico" de doze, pois cada um dos deuses supremos relacionava-se a um dos doze planetas do Sistema Solar. Na verdade, os nomes dos planetas e dos deuses eram um só (exceto pelos epítetos empregados para referirem-se à divindade). Liderando o panteão, estava o líder de Nibiru, ANU, cujo nome era sinônimo de "Céu", pois residia em Nibiru, Sua esposa, também membro dos doze, era chamada de ANTU. Também nesse grupo encontravam-se os dois filhos mais importantes de ANU: E.A.("Cuja Casa é Água"), primogênito de ANU, mas não filho de Antu; e EN.LIL ("Senhor do Comando"), que era herdeiro pois sua mãe era Antu, meia-irmã de Anu. E.A. também era chamado de EN.KI ("Senhor Terra"), pois liderara a primeira missão dos anunnaki de Nibiru à Terra, estabelecendo na Terra as primeiras colônias no E.DIN ("Casa dos Justos") — o paraíso da Bíblia.Sua missão era obter ouro e para esse propósito a Terra era uma ótima fonte. O metal precioso não seria usado como orna­mento, ou por vaidade, mas como forma de salvar a atmosfera de Nibiru, colocando ouro em pó em suspensão na estratosfera do planeta. Como está gravado em textos sumérios (que men­cionamos no 12º. Planeta e nas Crônicas Terrestres), En.Lil foi en­viado à Terra para assumir o comando, quando os métodos ini­ciais de extração, utilizados por En.Ki não produziram os resul­tados esperados. Esse fato deflagrou inimizade entre os dois meio-irmãos e seus descendentes, o que levou à Guerra dos Deu­ses. Ela terminou com um tratado de paz elaborado pela sua irmã Ninti (mais tarde chamada Ninharsag). A Terra desabitada foi dividida entre os clãs em guerra. Os três filhos de En.Lil ( Ninurta, Sin, Adad), junto com os gêmeos de Sin (Shamash, o Sol, e Ishtar, Vênus) receberam as terras de Sem e Jafé, as terras dos semitas e dos indo-europeus. Sin (a Lua) ficou com as pla­nícies baixas da Mesopotâmia. Ninurta, ("Guerreiro de En.Lil" - Marte) recebeu as terras altas de Elam e da Assíria. Adad ("O Trovejador" - Mercúrio) ficou com a Ásia Menor, a terra dos hititas, e com o Líbano. Ishtar ficou com o vale do Indo. Shamash ficou com o controle do espaçoporto, na península do Sinai.Essa divisão das terras, que provocou contendas, deu a En.Ki e seus filhos as terras de Ham (com população mulata/negra) na África: a civilização do vale do Nilo e as minas de ouro do sul e do oeste da África — um local cobiçado. Grande cientista e metalúrgico, o nome egípcio de En.Ki era Ptah ("O que Trouxe Desenvolvimento" — um título que se traduziu para Hefaistos entre os gregos e Vulcano entre os romanos). Ele partilhava o continente africano com seus dois filhos, o primogênito MAR.DUK ("Filho do Monte Brilhante") e NIN.GISH.ZI.DA ("Se­nhor da Árvore da Vida"). O primeiro, os egípcios chamaram de Ra e o segundo de Thot (Hermes para os gregos), o deus da sabedoria secreta, incluindo os conhecimentos de astronomia, matemática e arquitetura de pirâmides.Foi o conhecimento implantado por esse panteão e as neces­sidades dos deuses vindos para a Terra que levaram os olmecas africanos e os barbados do Oriente Médio para o outro lado do mundo, sob a liderança de Thot.Tendo chegado à América Central, na costa do golfo — como ocorreu com os espanhóis, ajudados pelas mesmas correntes, milênios mais tarde — eles atravessaram o istmo centro-americano na costa do golfo — mais uma vez da mesma forma que os espanhóis — e velejaram pela costa do Pacífico, tomando a direção sul (América do Sul) em busca do ouro ali depositado, como fariam também os espanhóis mais tarde. Antes dos incas, dos chimus e dos mochicas, uma cultura cha­mada de Chavin floresceu nas montanhas, ao norte do Peru, entre a costa e a bacia amazônica. Um de seus primeiros exploradores, Júlio C. Tello (Chavin e outros trabalhos) chamou-a de "matriz da civilização andina". Mais uma vez nos remete de volta a 1500 a.C. A exemplo dos olmecas no México, na mesma época, essa civilização apareceu de repente, sem sinais de progresso gradativo.Abrangendo uma vasta área, cujas dimensões se expandem constantemente, à medida que novas descobertas vêm à luz, a cultura chavin parece ter sido centralizada num local chamado Chavin de Huantar, perto da vila de Chavin (deriva daí o nome da cultura). Está situada a 3000 metros de altura, na Cordilheira Blanca, a noroeste dos Andes. Lá, num vale montanhoso, onde os tributários do rio Maranon formam um triângulo, uma área de 28.000 metros quadrados foi terraplenada para a construção de estruturas complexas, cuidadosa e precisamente projetadas, de acordo com um plano que levava em consideração a topologia local (fig. 91a). Os edifícios e casas formam retângulos e qua­drados precisos e estão alinhadas de acordo com os pontos car­deais, num eixo leste-oeste. As três construções principais er­guem-se sobre terraços que as elevavam e alinhavam com a mu­ralha oeste, que corria por mais de 150 metros. Essa muralha cercava o local por três lados, deixando aberta a parte oriental com acesso para um rio, que corre para o leste, sendo tudo ele­vado em cerca de 13 metros.A maior construção ficava no lado sudoeste, medindo cerca de 73 x 76 metros, com pelo menos três níveis (veja a planta, fig. 91b). Foi construída com blocos de pedra trabalhada, bem cortados, mas sem acabamento, dispostos de forma regular e nivelados.Como indicam alguns rochedos, a parte exterior das paredes era coberta com um acabamento liso, semelhante ao már­more; algumas ainda conservam as decorações gravadas. De um terraço no lado leste, uma escadaria monumental levava a um portão imponente, que se abria para o edifício principal. O portão era flanqueado por duas colunas cilíndricas — um aspecto arquitetônico raro na América do Sul — que, juntamente com ou­tros blocos verticais, suportava um lintel de quase 10 metros, feito de um único bloco, na posição horizontal. Mais à frente, uma escadaria dupla levava ao topo da construção. Essa escadaria era construída de pedras perfeitamente cortadas e polidas, que lembram as pirâmides egípcias. Duas escadas levavam ao topo da construção, onde os arqueólogos encontraram ruínas de duas torres; o restante da plataforma não apresentava construções.




O terraço oriental, fazendo parte da plataforma do edifício, ligava-se a uma praça rebaixada, cujo acesso era feito pêlos de­graus cerimoniais. Ela era cercada em três lados por praças ou plataformas retangulares. Uma grande rocha, situada logo após o canto sudoeste da praça rebaixada, perfeitamente alinhada com as escadarias do edifício principal e seu terraço, possuía sete orifícios e um nicho retangular.A precisão externa não é nada diante da complexidade do interior. A parte interna das três estruturas apresentava corre­dores e passagens, interligadas a galerias, aposentos e escadarias, ou simplesmente conduzindo a uma parede sem saída. Ela re­cebeu o nome de labirinto. Algumas galerias foram decoradas com blocos trabalhados, aqui e ali delicadamente decorados. To­das as passagens possuem teto, formado de blocos selecionados e engenhosamente colocados, de forma a evitar sua queda ao longo dos milênios. Existem, ainda, nichos e relevos, aparente­mente sem finalidade, e poços verticais, que os arqueólogos acham que serviam para ventilação.




Para que foi construída Chavin de Huantar? O único propósito plausível parece ser a de um centro religioso, uma espécie de "Meca" antiga. Essa ideia foi reforçada por três relíquias fasci­nantes e enigmáticas encontradas no local. Uma impressiona pela complexidade de imagens, tendo sido descoberta por Tello, no edifício principal, sendo por isso chamada de Obelisco de Tello (fig. 92a,b mostra a frente e o verso). Está gravada com uma aglomeração de corpos e rostos humanos, mas dotados de garras felinas, presas, asas. Existem animais, pássaros, árvores; deuses emitindo raios parecidos com foguetes e grande variedade de desenhos geométricos. Seria esse totem um símbolo de adoração, ou obra de algum artista antigo para reunir todos os mitos e lendas numa só coluna? Ninguém ainda ofereceu uma resposta para isso.A segunda relíquia é uma escultura em pedra, chamada de Monólito Raimondi (fig. 93), balizada com o nome do arqueó­logo que a descobriu numa propriedade próxima. Acredita-se que originalmente tenha ficado no topo da pedra, no canto sudoeste da praça rebaixada, alinhada com a monumental es­cadaria. Atualmente é exibido em Lima. Trata-se de um bloco de granito com mais de 2 metros de altura, esculpido por um artista antigo com a imagem de uma divindade segurando uma arma — um raio, segundo alguns — em cada mão. Enquanto os corpos e os membros da divindade são essencialmente an­tropomórficos, o rosto não é. As feições têm intrigado os es­tudiosos porque não representa ou estiliza uma criatura local (tal como o jAguar), mas parece expressar a concepção do artista do que os peritos cautelosamente chamam de "um animal mi­tológico", talvez algo do qual o criador ouviu falar, mas nunca viu. Na nossa opinião, o rosto da divindade lembra o de um touro — um aramai inexistente na América do Sul, mas sobe­jamente representado na iconografia e nas histórias do antigo Oriente Médio. Significativamente (ainda em nossa opinião), era o "animal consagrado" a Adad, e a cadeia de montanhas que representavam o seu domínio, na Ásia Menor, até hoje é chamada de montanhas Taurus. A terceira relíquia, uma enigmática coluna, foi encontrada em Chavin de Huantar, e é chamada El Lanzón, por sua forma sin­gular em ponta de lança (fig. 94). Foi descoberta na construção do meio e lá ficou porque sua altura (3,6 metros) excede a altura de 3 metros da galeria onde se encontra. O alto do monólito, portanto, penetra pelo teto, através de uma abertura de secção qua­drada. A imagem desse monólito gerou muita especulação. Aos nossos olhos, mais uma vez, parece representar o rosto antropo­mórfico de um touro. Quem quer que tenha erguido esse monu­mento — obviamente antes da construção do edifício, erguido cla­ramente para acomodar a estátua — adoraria o Deus Touro? O elevado nível artístico das colnas — e as complexas es­truturas, que impressionaram os estudiosos e os fizeram consi­derar Chavin a "cultura matriz" do centro-norte do Peru — levou à conclusão de ter sido o local um centro religioso. Mas achados recentes em Chavin de Huantar parecem indicar que o propósito não era religioso, como se supunha, mas utilitário. As últimas escavações revelaram uma rede de túneis subterrâneos na rocha bruta — passando por todo o local, tanto sob as construções, como sob as áreas não construídas — servindo para ligar vários compartimentos subterrâneos, dispostos em forma de corrente (fig. 95).


As aberturas dos túneis deixaram perplexos seus descobrido­res, pois pareciam ligar os dois rios que flanqueavam o local, um acima (devido ao terreno montanhoso) e o outro no vale, abaixo. Alguns exploradores sugeriram que tais estruturas foram construídas com o propósito de controlar enchentes, para cana­lizar a água das montanhas depois de chuvas fortes, ou do der-retimento da neve, fazendo-as correr sob as construções, ao invés de passar entre elas. Por que os construtores fariam sua obra num local tão vulnerável?


Acreditamos que a fizeram como uma escolha intencional. Eles engenhosamente utilizaram os dois níveis de água para criar um fluxo poderoso e controlado, necessário para o processo que es­tavam levando a cabo em Chavin de Huantar. Pois ali, como em muitos outros lugares, tais dispositivos aquáticos eram utilizados para a prospecção do ouro.Encontramos mais desses engenhosos aquedutos nos Andes. Já os havíamos visto, em formas mais rudimentares, nos locais olmecas, no México. Lá, faziam parte de estruturas em aterros complexos. Nos Andes, estavam junto a obras-primas em pedra, algumas vezes em grandes locais, como Chavin de Huantar, em outras como restos isolados de pedras cortadas ou esculpidas, como este conjunto encontrado por Squier na área de Chavin (fig. 96). Ele parece ter sido concebido para alguma peça de maquinário moderno, há muito perdido.De fato, o trabalho em pedra — não os edifícios e sim o dos artefatos intactos — parece responder à pergunta sobre quem esteve em Chavin de Huantar. A habilidade artística e o estilo de escultura são surpreendentemente semelhantes aos dos olmecas, no México. Os objetos incluem um receptáculo em forma de cabeça de jAguar, um touro-felino, um condor-águia, uma pia em formato de tarta­ruga; grande número de vasos e objetos decorados com glifos criados de presas entrelaçadas — um motivo encontrado na decoração de paredes, além de objetos (fig. 97a). Havia, entretanto, blocos de pedra cobertos com motivos egípcios — serpentes, pirâmides, o olho sagrado de Ra (fig. 97b). Embora essa variedade não seja suficiente, existem fragmentos de blocos de pedra esculpidos que apresentam motivos mesopotâmicos, como as divindades com Discos Alados (fig. 97c), ou imagens (gravadas em osso) de deuses usando chapéu cónico, caracterítico dos deuses da Mesopotâmia (fig. 97d).




As divindades usando chapéus cónicos possuíam feições que lembram os traços "africanos", e tendo sido esculpidas em osso podem ser consideradas a mais antiga manifestação artística en­contrada no local. Seria possível que africanos-negróides — do Egito e da Núbia — pudessem estar na América do Sul nesses tempos antigos? Sim, por mais surpreendente que possa parecer. De fato, os representados ali, e em outros locais (especialmente numa localidade chamada Sechin), eram africanos negros, que deixaram suas marcas. Em todos esses locais, dezenas de pedras esculpidas trazem representações desse povo. Na maior parte das vezes, aparecem utilizando alguma ferramenta. Em muitas delas, o "engenheiro" é representado em associação a um símbolo usado como referência a trabalhos hídricos.


Em locais costeiros no caminho de Chavin, arqueólogos en­contraram cabeças esculpidas, não em pedra, mas em argila, repre­sentando visitantes semitas. Um deles se assemelhava tanto a uma escultura assíria, que seu descobridor, H. Ubbelohde-Doering (On the Royal Highway of the incas - "Na Estrada Real dos incas"), o apelidou de "Rei da Assíria". Mas não é certo que esses visitantes conseguiram chegar aos lugares altos — pelo menos não com vida. Cabeças esculpidas com traços semitas foram encontradas em Chavin de Huantar, porém com expressões grotescas ou mutilações, exibidas como troféus nas muralhas que circundavam a cidade.


A idade de Chavin sugere que a primeira onda de emigrantes do Velho Mundo — tanto olmecas, como semitas — chegou por volta de 1500 a.C. De fato, foi no reinado do décimo-segundo monarca do Antigo Império que, como afirma Montesinos, "che­garam notícias a Cuzco de um desembarque na costa de alguns homens de grande estaturaf... Gigantes que estão se estabele­cendo em toda a costa" e que possuíam implementos feitos de metal. Depois de algum tempo, eles avançaram para as monta­nhas. O monarca enviou mensageiros para investigar e para tra­zer novas sobre o avanço dos gigantes, com medo que se apro­ximassem da capital. Mas do jeito que as coisas aconteceram, os gigantes provocaram a ira do Grande Deus e ele os destruiu. Tais eventos ocorreram cerca de um século antes da parada do sol, entre 1400 e 1500 a.C., ou seja, na época em que foi construída a rede de estruturas hídricas em Chavin de Huantar.É preciso destacar que esse não foi o mesmo incidente relatado por Garcilaso, sobre gigantes que assolaram a terra e estupraram as mulheres — uma ocorrência da época dos moches, por volta de 400 a.C. Como já vimos, foi nessa época que os dois grupos de olmecas e de semitas estavam fugindo da América Central. O destino deles, porém, não foi diferente ao norte dos Andes. Além das cabeças grotescas de semitas encontradas em Chavin de Huantar, representações de corpos negróides mutilados foram encontradas em toda a área, especialmente, em Sechin.Assim, depois de 1000 anos ao norte dos Andes, e quase 2000 anos na América Central, a presença semita-africana teve um final trágico.Embora muitos africanos possam ter se refugiado mais ao sul, como atestam os achados em Tiahuanaco, o ramo africano-semita nos Andes e na América Central parece não ter passado além da área dominada pela cultura chavin. As histórias de gigantes atingidos pela mão divina pode conter mais do que o cerne do fato. E possível que nos Andes tenham se encontrado dois reinos de dois deuses, com uma fronteira invisível entre as jurisdições e os seres humanos subordinados.Afirmamos isso porque pela mesma área outros homens brancos haviam passado. Foram representados em bustos de pedra (fig. 100), nobremente vestidos, usando turbantes, ou tiras na cabeça com símbolos de autoridade, e decorados com o que os estudiosos chamam de "animais mitológicos". Esses bustos foram encontrados num local chamado Aija, perto de Chavin. As ex­pressões faciais, especialmente os narizes retos, os identifica como indo-europeus. Sua origem poderia ter sido a Ásia Menor e Elam, a sudeste e, a seu tempo, o Vale do Indo, mais a leste.


É possível que o povo dessas terras distantes tenha atravessado o Pacífico e tenha vindo até os Andes em tempos pré-históricos? A ligação que existe é confirmada por representações, ilustrando os feitos de um antigo herói do Oriente Médio, cujas histórias foram contadas e recontadas. Era Gilgamesh, líder de Uruk (a Erech bíblica) que reinou cerca de 2900 a.C. As histórias narram que ele saiu em busca do herói do Dilúvio, a quem os deuses garantiram (segundo a lenda mesopotâmica) a imortalidade. Suas aventuras são narradas no Épico de Gilgamesh, que foi traduzido do sumério para outras línguas do Oriente Médio, na Antigui­dade. Um de seus feitos heróicos, a luta com dois leões, derro­tados com suas próprias mãos, era a representação épica prefe­rida dos artistas antigos, como essa de um antigo monumento hitita.Surpreendentemente, a mesma representação aparece em tá­buas de pedra em Aija (fig. 101b) e num local próximo, Callejon de Huaylus (fig. 101c), ao norte dos Andes.




Esses indo-europeus não deixaram traços na América Central. Presumimos que tenham vindo pelo Pacífico até a América do Sul. Se as lendas puderem comprovar, eles fariam parte das das ondas de migrações, dos "gigantes" africanos e dos bar­bados do Mediterrâneo, sendo, portanto, os primeiros colonos mencionados na história de Naymlap. O local de desembarque teria sido a península de Santa Elena (agora no Equador) que, com a ilha de La Plata, se projeta sobre o Pacífico. Escavações arqueológicas confirmaram o estabelecimento de habitações ali, começando com a chamada Fase Valdivian por volta de 2500 a.C. Entre as descobertas do renomado arqueólogo equa­toriano Emílio Estrada (Ultimas Civilizaciones Pre-Historicas - "As últimas Civilizações Pré-Históricas") havia estatuetas de pedra com feições de nariz reto (fig. 102a), assim como, um símbolo em cerâmica (fig. 102b) que ostenta o hieróglifo hitita para "deuses" (fig. 102c).




É importante observar que as estruturas megalíticas dos An­des, assim como as que vimos em Cuzco, Sacsahuaman e Machu Pichu, localizam-se todas ao sul das linhas divinas de demarcação entre os dois reinos de deuses. O estilo dos construtores mega­líticos — seriam indo-europeus guiados por seus deuses? — que se inicia ao sul de Chavin (fig. 96) deixou sua marca para o sul, no vale do rio Urubamba, e além dele, em todas as partes onde o ouro era coletado e separado. Pedras trabalhadas como se fos­sem maleáveis, na forma de canais, compartimentos, nichos, pla­taformas parecendo escadas, mas levando ao nada; túneis con­duzindo às encostas das montanhas; fissuras na rocha alargadas na forma de corredores com paredes niveladas ou dispostas em ângulos agudos. Por todos os lados, mesmo nos locais onde os habitantes podiam obter água facilmente no rio abaixo, foram construídas elaboradas tubulações e criados canais no alto para dirigir a água de uma nascente, de um rio, ou das chuvas, numa determinada direção.A oeste-sudoeste de Cuzco, a caminho da cidade de Abancay, encontram-se as ruínas de Sayhuiti-Rumihuasi. Como outros sí­tios arqueológicos, situa-se perto da junção de um riacho menor com um rio. Existem restos de uma parede de retenção, rema­nescente de estruturas maiores um dia ali construídas, cujo nome, segundo Luis A. Pardo, num estudo dedicado ao local (Los Gran­des Monolitos de Sayhuiti - "Os Grandes Monólitos de Sayhuiti") significa, em língua nativa, "Pirâmide Truncada".A localidade é conhecida por seus vários monólitos. O mais famoso, conhecido como Grande Monólito, é uma rocha enorme, lembrando, à distância, um imenso ovo brilhante repousando sobre a colina. Mede cerca de 4,2, x 3 x 2,6 metros. Enquanto a parte do fundo foi cuidadosamente esculpida para parecer ovói­de, a parte superior foi escavada para representar um modelo, em escala, de uma área desconhecida. Podemos distinguir mi­niaturas de paredes, plataformas, escadarias, canais, túneis, rios, diversas estruturas, algumas representando edifícios com nichos e degraus entre eles, imagens de vários animais nativos do Peru, figuras humanas de guerreiros, ou deuses.Alguns enxergam nesse modelo um artefato religioso, hon­rando as divindades que eles adoravam. Outros acreditam que representa uma parte do Peru, englobando três distritos que se estendem ao sul do lago Titicaca (que eles identificam como um lago curvo gravado na pedra) e o antiquíssimo local de Tiahuanaco. Seria este um mapa gravado em pedra, ou talvez um mo­delo, em escala, elaborado pelo grande artífice que fez o pla­nejamento das estruturas a serem construídas? A resposta pode ser encontrada nas canaletas cavadas na pe­dra, de 2,5 a 5 centímetros de largura, que circundam esse mo­delo. Todas se originam num "prato" localizado na parte mais alta e descem em curvas, ou em ziguezague, até a parte mais baixa do modelo, atingindo ali orifícios arredondados de drena­gem. Alguns acreditam que tais orifícios serviam para que os sacerdotes derramassem poções (sucos de coca) como oferenda aos deuses representados na pedra. Mas se os próprios deuses fossem os arquitetos, qual seria seu propósito? Os sulcos reveladores também aparecem numa enorme rocha, cortada e esculpida com precisão geométrica (fig. 103), cuja su­perfície e os lados formam degraus, plataformas e nichos em cascata. Um dos lados foi cortado para formar pequenos "pratos" no nível superior; estão ligados a um receptáculo maior do qual desce um canal profundo, separando-se em duas partes no meio do caminho. Qualquer que tenha sido o líquido que por ali es­corria, ele caía no interior da rocha oca, dotada de um acesso na parte traseira.


Outras ruínas do local, provavelmente restos de estruturas maiores, intrigam pela complexidade e precisão geométrica dos sulcos e orifícios que ostentam. Elas poderiam servir como es­tampas e matrizes de instrumentos ultramodernos.Um dos locais mais conhecidos, a leste de Sacsahuaman, é chamado de Kenko — um nome que em língua nativa significa "Canais Curvos". A principal atração turística do local é um monólito sobre uma base, que pode ter representado um leão, ou outro animal grande, apoiado nas patas traseiras. Ele fica de frente para uma parede feita com belas cantarias, que encerram o monólito num círculo. Diante do monólito há uma enorme rocha, onde as paredes terminam como uma espécie de alicate. Na parte posterior, a rocha foi cortada, esculpida e disposta em vários níveis, ligados por plataformas alternadas. Canais em zi­guezague foram cortados na inclinação feita pelo homem, assim como o interior da rocha, oco e cheio de túneis e câmaras em labirinto. Uma fresta na rocha leva a uma abertura em forma de caverna, esvaziada com precisão geométrica para formar estru­turas, lembrando tronos e altares.Existem mais locais como esse perto de Cuzco-Sacsahuaman, ao longo do Vale Sagrado e atingindo o sudoeste, onde um lago ostenta o nome de Lago de Ouro. Um local chamado Torontoy inclui entre seus megálitos, de corte preciso, um que possui 32 ângulos. A 80 quilómetros de Cuzco, perto de Torontoy, uma cascata artificial foi feita para fluir entre duas paredes e por 54 "degraus", todos cortados na rocha natural. O local é chamado sugestivamente de Cori-Huairachina ("Onde o Ouro é Purifica­do").Cuzco significa "O Umbigo", e realmente, Sacsahuaman parece ser o maior e mais colossal desses sítios arqueológicos. Um aspecto dessa centralidade pode ser evidenciado por um local cha­mado Pampa da Anta, a cerca de 15 quilômetros a oeste de Sacsahuaman. Lá, a rocha pura foi esculpida numa série de degraus que formam um grande crescente (o nome da rocha é Quillarumi - "Pedra da Lua"). Como não há nada para se ver, a não ser o céu para o leste, Rolf Müller (Sonne, Mond una Steiner über dem Reich der Inka - "No Império dos incas") concluiu que se tratava de algum tipo de observatório, situado de forma a refletir dados astronómicos ao promontório, em Sacsahuaman.Porém, o que seria a própria Sacsahuaman, uma vez que a ideia de ter sido construída como fortaleza pelos incas está de­sacreditada? O insólito labirinto de canais e outros cortes apa­rentemente sem propósito na rocha natural, começam a fazer sentido como resultado de novas escavações arqueológicas, ini­ciadas muitos anos atrás. Embora ainda estejam longe de des­cobrir mais do que uma pequena parte das estruturas de pedra no planalto que se estende atrás da pedra lisa do Rodadero, eles revelaram dois aspectos importantes do local. Um é o fato de que paredes, canaletas, receptáculos, estruturas parecidas foram criadas em rocha sólida, e com a ajuda de cantarias perfeitas, muitas do tipo poligonal da Era Megalítica, para formar uma série de canais, uns sobre os outros, de forma a permitir que a chuva, ou água de nascentes, pudesse correr de forma regular de nível a nível.Outro foi a descoberta de uma grande área circular limitada por cantarias megalíticas, situada abaixo do solo, num nível que permite a distribuição da água, a partir do reservatório circular. Crianças ao brincarem no local descobriram que o canal que sai dessa câmara-comporta leva à Chingana, ou ao "Labirinto", es­culpido no interior da rocha atrás e abaixo dessa área circular.Mesmo antes da descoberta de todo o complexo construído nesse promontório estava claro que algum mineral, ou composto químico, correra pelo Rodadero, conferindo à pedra uma certa descoloração proveniente desse uso. Qualquer que tenha sido ò mineral — seria ouro? — ele foi derramado no grande reser­vatório circular. Do outro lado, a água era forçada pelo fluxo. Tudo lembra uma instalação de extração de ouro em larga escala. A água finalmente fluía, através da câmara-comporta, para fora do sistema, através do labirinto. Nos tanques de pedra, o que permanecia era ouro.O que, então, suportariam, ou apoiariam as paredes megalí­ticas em ziguezague, na borda do promontório? Ainda não há resposta para essa questão, exceto se presumirmos que se tratava de algum tipo de plataforma para veículos, talvez aéreos, uti­lizados para trazer o minério e levar as pepitas.Outro local, que pode ter servido a uma função semelhante de transporte, localizado a quase 100 quilômetros a noroeste de Sacsahuaman, chama-se Ollantaytambu. As ruínas arqueológi­cas localizam-se no alto de uma montanha íngreme. Dominam a vista de uma abertura entre as montanhas, que se elevam onde os rios Urubamba, Vilcanota e Patcancha se encontram. A vila que empresta o nome para as ruínas está situada na base da montanha. Ollantaytambu que dizer "Refúgio de Ollantay" e de­riva da época em que um herói inca preparou uma resistência contra os espanhóis.Centenas de degraus de pedra, de construção tosca, interligam uma série de terraços de arquitetura inca que levam às ruínas no topo. Lá, sobre o que se presumia ser uma fortaleza, existem restos de paredes feitas com pedras brutas. Ao lado do trabalho da Era Megalítica, parecem toscas e primitivas.As estruturas megalíticas iniciam-se com o muro de retenção, elaborado com belas pedras poligonais, como as que se encon­tram nas ruínas já descritas. Passando através de um portal cortado numa única rocha, alcança-se a plataforma, apoiada por um segundo muro de retenção, igual ao primeiro, mas construído com pedras poligonais maiores. Em um dos lados, a extensão da parede forma um recinto com doze aberturas trapezoidais — duas servindo como portais e dez como falsas janelas. Talvez por isso Luis Pardo (Ollamtaitampu, Una Ciudnd Megalítica - "Ol-lantaitampu, Uma Cidade Megalítica) chamou essa estrutura de "templo central". Do outro lado da parede existe um portão ma­ciço, perfeitamente detalhado , que em sua época (não atualmente) deve ter servido de acesso às estruturas principais.


É lá que se encontra o maior mistério de Ollantaytambu: uma fileira de seis monólitos colossais no terraço superior. Tais blocos variavam entre 3,3 e mais de 4 metros de altura, em média, com l a 2 metros de largura e de l a 3 metros de profundidade (fig. 105). Ficam juntos, sem argamassa ou qualquer material de união, com a ajuda de longas pedras trabalhadas, inseridas entre os blocos colossais. Nos locais onde a largura dos blocos não se iguala à largura do maior, grandes blocos poligonais cobrem o espaço, ajustando-se perfeitamente, criando uma largura unifor­me, como em Cuzco e Sacsahuaman. Na frente, entretanto, os megálitos formam uma única parede, orientada precisamente para sudoeste, cuja superfície foi cuidadosamente trabalhada para produzir uma leve curvatura. Pelo menos dois dos monólitos ostentam os restos erodidos de decorações em relevo; no quarto (contando da esquerda) o desenho é claramente o símbolo da Escadaria. Todos os arqueólogos concordam que esse símbolo, originário de Tiahuanaco, no lago Titicaca, significava a ascensão da Terra ao Céu, ou a descida do Céu à Terra.


Umbrais e saliências nas laterais do monólito e cortes seme­lhantes a degraus no topo do sexto bloco sugerem que a cons­trução não foi terminada. De fato, blocos de várias formas e ta­manhos foram encontrados na cercanias; alguns foram cortados em arestas perfeitas, com ângulos e sulcos definidos. Um deles contém uma pista significativa: um grande corte em forma de T feito na base (fig. 106). Os estudiosos, tendo encontrado tais cortes em pedras gigantes de Tiahuanaco, concordam que esse tipo de sulco era feito para manter unidos dois blocos de pedra com um grampo de metal, como precaução contra terremotos.É preciso perguntar como os estudiosos continuam atribuindo essas ruínas aos incas, que não trabalhavam nenhum metal a não ser o ouro, macio demais para manter juntos blocos colossais sacudidos por um terremoto. Igualmente ingénua é a explicação de que monarcas incas teriam construído aquele lugar colossal como casa de banhos, uma vez que banhar-se era um dos prazeres preferidos dos incas. Com dois rios correndo ao sopé das montanhas, por que elevar blocos gigantescos — alguns chegando a pesar 250 toneladas — para construir uma banheira no alto de uma colina? E tudo isso sem ferramentas de metal?


Mais séria é a explicação para as fileiras de seis monólitos. Fariam parte de uma parede de retenção, planejada, talvez, para servir de apoio a uma grande plataforma no topo da montanha. Se fosse assim, o tamanho e o peso dos blocos trazem à mente os colossais blocos usados para construir a singular plataforma de Baalbek, nas montanhas do Líbano. Em A Escada para o Céu descrevemos e examinamos com vagar aquelas plataformas megalíticas e concluímos que seriam o "local de aterrissagem": o primeiro destino de Gilgamesh — um local de aterrissagem para os "barcos aéreos" dos nefelim.As semelhanças que encontramos entre Ollantaytambu e Baalbek incluem a origem dos megálitos. Os blocos gigantescos de Baalbek foram arrastados por muitos quilômetros num vale, depois ergui­dos, transportados e colocados em seus lugares para encaixar per­feitamente com as outras pedras da plataforma. Em Ollantaytambu também os blocos gigantes foram colhidos na base da montanha, do outro lado do vale. Os pesados megálitos de granito vermelho, depois de terem sido escavados, cortados e trabalhados foram trans­portados pela encosta da montanha, através de dois riachos, até o topo, onde se erigiu a plataforma. Ali foram cuidadosamente co­locados em seus lugares e finalmente unidos.Quem construiu Ollantaytambu? Garcilaso de Ia Vega escre­veu que procedia "da época mais antiga, antes dos incas". Blas Valera afirmou: "de uma era que antecedeu a época dos incas [...] a era do panteão dos deuses pré-incaicos". Está na hora dos es­tudiosos modernos concordarem com isso.É também chegado o momento de compreender que esses deu­ses representam as mesmas divindades a quem a construção de Baalbek foi atribuída pelas lendas do Oriente Médio.Seria Ollantaytambu uma fortaleza, como Sacsahuaman pode ter sido, ou um local de aterrissagem, como foi Baalbek? Em nossos livros anteriores demonstramos que, ao determinar o local do espaçoporto e os "locais de aterrissagem", os nefelim primeiro estabeleceram um corredor de aterrissagem em aciden­tes geográficos notáveis (tal como o monte Ararat). O percurso de voo nesse corredor inclinou-se precisamente 45 graus para o equador. Depois do Dilúvio, quando o espaçoporto era na pe­nínsula do Sinai e o local de aterrissagem para espaçonaves locais era em Baalbek, o traçado segue o mesmo padrão.O Torreón de Machu Pichu possui, além das duas janelas de observação na região semicircular, outra janela enigmática (fig. 107), dotada de uma abertura em forma de escada invertida e um corte pontiagudo no topo. Nossos estudos demonstraram que uma linha da Rocha Sagrada através da fresta para o Intihuatana forma um ângulo preciso de 45 graus com os pontos cardeais, estabelecendo assim a orientação principal de Machu Pichu.
Essa orientação de 45 graus determina não apenas o projeto de Machu Pichu, mas também a orientação de outros locais an­tigos. Se desenharmos num mapa da região uma linha entre as legendárias paradas de Viracocha, desde a ilha do Sol, no lago Titicaca, a linha passa por Cuzco e continua para Ollantaytambu — num ângulo preciso de 45 graus com o Equador!




Estudos de Maria Schulten de D'Ebneth, apresentados em seu livro La Ruta de Wirakocha ("A Rota de Vira cocha"), mostram que o alinhamento de 45 graus onde se localiza Machu Pichu encai­xa-se num padrão em grade ao longo dos lados de um quadrado orientado a 45 graus (de forma que os cantos, e não os lados, apontem na direção dos pontos cardeais). Ela confessa que foi inspirada para realizar seu estudo em um desenho antigo da Relación de Salcamayhua: sobre a história das três janelas, ele desenhou um esboço (fig. 108a) para ilustrar sua narrativa, dando um nome a cada uma: Tampu-Tocco, Maras-Tocco e Sutic-Tocco.Maria Schulten percebeu que eram nomes de lugares. Quando aplicou seu quadrado deformado ao mapa da região de Cuzco-Urubamba, com o canto noroeste em Machu Pichu (aliás, Tam-pu-Tocco), descobriu que todos os outros locais caíam na posição correta. Desenhou linhas mostrando que uma reta com inclinação de 45 graus, originando-se em Tiahuanaco, combinada com qua­drados e círculos de medidas definidas, envolvia todos os locais-chave antigos entre Tiahuanaco, Cuzco e Quito no Equador, in­cluindo a importante Ollantaytambu (fig. 108b).Ela descobriu outro fato importante. Os sub-ângulos que cal­culou entre a linha central de 45 graus e locais situados a grande distância, tais como o templo de Pachacamac, indicaram que o eixo da Terra ("obliqüidade") na época em que o plano foi feito era próximo a 24 graus e 8 minutos. A pesquisadora concluiu que o trabalho foi planejado 5 125 anos antes que suas medidas fossem realizadas, em 1953, em outras palavras, remontavam a 3172 a.C.Essa é uma determinação que confirma nossa próxima con­clusão de que as estruturas megalíticas pertenceram à Era de Touro, entre 4000 e 2000 a.C. Combinando os estudos modernos com as datas fornecidas pêlos cronistas, confirma-se o que as lendas vêm afirmando.Tudo começou no lago Titicaca.

10

"A BAALBEK DO NOVO MUNDO"

Todas as lendas nos Andes, independentemente de sua versão, apontam para o lago Titicaca como o lugar onde a vida se iniciou, onde o grande deus Viracocha criou o mundo e as criaturas, onde a humanidade reapareceu depois do Dilúvio, onde os an­cestrais dos incas receberam um cetro de ouro para fundar a civilização andina. Se isso for ficção, é apoiada por um fato in­contestável: exatamente às margens do Titicaca encontramos a primeira e maior cidade das Américas.Sua magnitude, o tamanho de seus monólitos, as intrincadas gravações sobre os monumentos, suas estátuas, surpreendem to­dos os visitantes que estiveram em Tiahuanaco (como é chamado o local), desde que o primeiro cronista a descreveu para os eu­ropeus. Todos se perguntam quem construiu essa cidade, e de que forma, além de ficarem intrigados pela sua antiguidade. Ain­da assim, o maior enigma é o próprio local: um local desolado, quase sem vida, a 4 quilômetros de altitude, elevado entre os picos andinos permanentemente cobertos de neve. Por que al­guém se daria ao trabalho de levantar construções titânicas de pedra, que precisavam ser extraídas e trazidas de muitos quilômetros de distância, nesse deserto sem árvores, varrido por ven­tos fortes? Esse pensamento abalou Ephraim George Squier quando ele chegou ao lago, um século atrás. Ele escreve em Peru Illustrated ("Peru Desvendado"): "As ilhas e promontórios do lago Titicaca são, em sua maior parte, desertas. As águas escondem uma va­riedade de peixes estranhos, que contribuem para sustentar uma população escassa, numa região onde a cevada só amadurece em condições muito favoráveis e o milho, de tamanho diminuto, tem o seu desenvolvimento mais precário; onde a batata, enco­lhida às menores proporções, é amarga; onde o único grão exis­tente é o quina e onde os únicos animais nativos que servem de comida são a viscacha, a Ihama e a vicunha". Ainda assim, "nesse mundo sem árvores, se a tradição for nossa guia, foi desenvolvido o germe da civilização incaica", a partir de uma "civilização original, que esculpia suas memórias em pedras enormes, dei­xando-as na planície de Tiahuanaco, e de quem não sobrou nenhuma tradição, exceto a de que o trabalho ali executado fora obra de gigantes dos tempos antigos, que o teriam feito numa única noite".Um pensamento diferente, entretanto, atingiu Squier enquanto ele subia um promontório que dominava o lago e o antigo local. Talvez ele tivesse sido escolhido pelo seu isolamento, talvez pelas montanhas ao redor, ou por causa da vista entre os picos. De uma serra a sudoeste da planície onde o lago está situado, perto de onde as águas fluem para o rio DesÁguadero, ele podia divisar não só o lago, com suas ilhas e penínsulas ao sul, mas também os picos nevados para o leste.Squier fez um esboço do local e escreveu: "Aqui, a grande cadeia de picos nevados dos Andes explode em toda a sua ma­jestade. Dominando o lago está o vulto maciço do Illampu, ou Sorata, a coroa do continente, a maior montanha nas Américas, rivalizando em altura aos monarcas do Himalaia, ou até igua­lando-os, cuja altitude, segundo estimativas, deve se situar entre 7.600 e 8.200 metros". Mais ao sul, a cadeia de montanhas e picos "termina no grande Illimani, com 7.467 metros de altitude". Entre a cadeia ocidental, em cuja ponta Squier esteve, e as mon­tanhas gigantes para o leste, estende-se a depressão ocupada pelo lago e suas margens meridionais. "Talvez em nenhum lugar do mundo, um panorama tão diversificado e grandioso possa ser con­templado de um único ponto de observação". O grande altiplano central do Peru e da Bolívia, em sua parte mais larga, com os seus rios e lagos, planícies e montanhas, emoldurado pela cordilheira dos Andes, faz com que qualquer observador sinta-se olhando para um mapa (fig. 109).


Seriam essas características geográficas e topográficas a razão para a escolha do local — na borda de uma grande bacia plana, com dois picos que não se destacam apenas no solo, mas também no céu — assim como aconteceu com os dois picos do monte Ararat (5.180 e 3.960 metros) e as duas pirâmides de Gizé, que serviram para marcar o caminho para os anunnaki? Sem o saber, Squier levantou a analogia, pois intitulara o ca­pítulo descrevendo as ruínas antigas como "Tiahuanaco, a Baal-bek do Novo Mundo". Essa foi a única comparação na qual ele pôde pensar — comparação com um lugar que identificamos como o ponto de pouso dos nefelim, onde Gilgamesh colocou os pés, há 5 000 anos.O grande explorador de Tiahuanaco, neste século, sem dúvida foi Arthur Posnansky, um engenheiro europeu que se mudou para a Bolívia e devotou sua vida a descobrir os mistérios dessas ruínas. Em 1910 ele se queixava de encontrar, a cada visita, menos peças, pois tanto os nativos locais, como os construtores de La Paz, e até mesmo o próprio governo, arrancavam sistematica­mente os blocos de pedra, não por seu valor artístico ou arqueo­lógico, mas para utilizar como material de construção, principal­mente nas estradas de ferro. Meio século antes, Squier fizera a mesma queixa. Ele observara que a cidade mais próxima, Copa­cabana, fora construída, da igreja às casas dos habitantes, com pedras arrancadas das ruínas antigas, utilizadas como se fossem uma pedreira. Descobriu que até mesmo a catedral de La Paz fora erigida com pedras de Tiahuanaco. Ainda assim, o pouco que sobrou — principalmente por causa do tamanho — o im­pressionou a ponto de perceber que eram as ruínas de uma ci­vilização desaparecida muito antes do surgimento dos incas, uma civilização contemporânea à do Egito e às do Oriente Médio. As ruínas indicam que as estruturas e os monumentos foram construídos por um povo dotado de uma arquitetura única, per­feita e harmoniosa — mas, "sem sinais de ter tido uma infância, um período gradual de desenvolvimento". Não era de admirar, portanto, que os nativos dissessem aos espanhóis que essas es­truturas haviam sido feitas por gigantes, do dia para a noite.Pedro de Cieza de León, que viajou pelo território do Peru e da Bolívia entre 1532 e 1550, em suas Crônicas, considera as ruínas de Tiahuanaco como "o local mais antigo de todos os que já descrevi". Entre os edifícios que o impressionaram, estava uma "colina feita pelas mãos dos homens, numa grande fundação de pedra, cuja base media 275 por 122 metros e 36 metros de altura". Além, ele viu "dois ídolos de pedra, na forma de figuras humanas, com as feições esculpidas com tamanha habilidade, que pareciam ter sido criadas pela mão de um mestre". "São tão grandes que lembram pequenos gigantes e agora está claro que usavam um tipo de roupa diferente das usadas pelos nativos daquelas pa­ragens e parecem ter algum tipo de ornamento na cabeça."Nas cercanias, ele encontrou as ruínas de outro edifício, com uma parede "muito bem construída". Tudo parecia erodido e antigo. Em outro lado do sítio arqueológico, deparou-se com pedras tão grandes, "que ficamos maravilhados de pensar nelas e refletir sobre a força humana que pode tê-las transportado até o local onde hoje repousam", muitas delas "esculpidas de várias formas, algumas como um corpo humano, que poderiam ter sido ídolos".Perto do muro e dos blocos largos de pedra ele viu "muitos buracos e lugares ocos no chão", que o intrigaram, e para oeste, "outras ruínas antigas, entre elas muitos portais, com seus um­brais, lintéis e soleiras feitos de um só bloco". Ele imaginou, corretamente, que dos portais saíam rochas ainda maiores, sobre as quais eles estavam dispostos, com quase 10 metros de largura, 5 ou mais de comprimento e 2 de profundidade. Ele afirma, chocado: "todo o conjunto — o portal, os umbrais e o lintel — era feito de um único bloco de pedra". Acrescenta ainda: "o tra­balho é grandioso, suntuoso, quando se considera tudo". E: "não consigo entender com que instrumentos ou ferramentas puderam fazer isso. E' certo que para trabalhar essas grandes pedras e deixá-las como as encontramos, as ferramentas precisariam ser muito melhores do que as utilizadas atualmente pêlos índios".De todos os artefatos encontrados pêlos primeiros espanhóis, descritos com tanta sinceridade por Cieza de León, os portais colossais em monobloco ainda estão onde caíram. O local, a pouco menos de dois quilómetros a sudoeste do corpo principal das ruínas de Tiahuanaco, era considerado pêlos índios Puma-Punku como uma área separada. Porém, hoje em dia, é considerado parte da metrópole maior que circundava Tiahuanaco, uma área medindo 1,5 x 3 quilômetros.




As ruínas impressionaram cada viajante que colocou os olhos nelas durante os últimos dois séculos. Contudo, quem as des­creveu cientificamente foram dois pesquisadores alemães, A. Stü-bel e Max Uhle (Die Ruinenstaetíe von Tiahuanaco im Hochland dês Alten Peru - "As Ruínas de Tiahuanaco no Altiplano do Alto Peru"), em 1892. As fotografias e esboços que acompanharam seu trabalho mostraram que os gigantescos blocos caídos com­punham várias estruturas de grande complexidade, como, por exemplo, o edifício a leste do local (A fig. 110 é baseada em estudos mais recentes). O edifício, que caiu, era composto de quatro partes e possuía uma enorme plataforma, com ou sem as partes que formavam um corpo só, tanto na vertical, como em outros ângulos (fig. 111). As partes individuais, quebradas, pesavam cerca de 100 toneladas cada uma. São compostas de arenito vermelho. Posnansky (Tiahuanacu: The Cradle of American Man - "Tiahuanaco: O Berço do Homem Americano") provou, de forma conclusiva, que a fonte desses blocos, pesando três ou quatro vezes mais quando formavam uma única peça, ficava na margem ocidental do lago, a 15 quilômetros de distância.



Tais blocos de pedra, alguns medindo 4x3 metros, e mais de meio metro de largura, estão cobertos de depressões, sulcos, ângulos precisos e superfícies em vários níveis. Em certos pontos, os blocos possuem depressões (fig. 112) que com certeza tinham a função de segurar grampos de metal, possivelmente, para pren­der cada secção vertical às que ficavam ao redor — um "truque" técnico que vimos em Ollantaytambu. A suposição de que tais grampos fossem feitos de ouro (o único metal conhecido dos incas), não se sustenta, pois o ouro não possui resistência. Na verdade, esses grampos eram feitos de bronze. Esse fato é conhe­cido porque foram encontrados alguns deles. Esta descoberta teve enorme significado, pois o bronze é uma liga metálica difícil de produzir, exigindo a combinação de cobre, em certa proporção (cerca de 85-90%), com estanho. Mas, se o cobre pode ser en­contrado em seu estado natural, o estanho precisa ser extraído do minério através de processos metalúrgicos complexos.


Como teria sido obtido esse bronze? Isso pode ser parte do enigma, mas também, uma pista para a sua solução.Deixando de lado a explicação costumeira de que as estruturas colossais de Puma-Panku eram um "templo", surgem as inevi­táveis perguntas. A que intrincado propósito prático serviriam? Por que despender tamanho esforço e utilizar tecnologias tão sofisticadas? O arquiteto alemão Edmund Kiss (cuja visualização de como seriam essas construções inspiraram seus planos para os monu­mentais prédios nazistas) acreditava que os montes e as ruínas ao redor da secção de quatro partes eram elementos de um porto, partindo da pressuposição de que o lago se estenderia até ali, na Antiguidade. Essa hipótese deixa aberta, e até reforça, a ques­tão: o que estava acontecendo em Puma-Punku? O que importavam os habitantes e que produtos embarcavam naquela altitude tão erma? Escavações em andamento em Puma-Punku descobriram uma série de espaços semi-subterrâneos, construídos com blocos per­feitamente trabalhados em pedra. Lembram os da praça rebai­xada em Chavin de Huantar, levantando a possibilidade de que fossem elementos — reservatórios, depósitos e compartimentos-comporta — de um sistema hídrico parecido. Outras intrigantes descobertas no local podem oferecer mais respostas. Foram encontrados blocos de pedra, completos ou que­brados, componentes de blocos maiores, extraídos, cortados em ângulos, separados e escavados de uma forma assombrosa, com uma precisão que seria difícil reproduzir, usando apenas as fer­ramentas modernas conhecidas. A melhor forma de descrever esses milagres é mostrá-los (fig. 113).




Não existe explicação plausível para essas peças, a não ser sugerir — com base em nosso atual estágio de desenvolvimento tecnológico — que fossem matrizes e formas para a confecção de intrincadas peças de metal; partes de um equipamento complexo e sofisticado, que o homem, seja nos Andes, ou em qualquer outro lugar, não poderia ter, absolutamente, na época pré-incaica.Vários arqueólogos e pesquisadores que visitaram Tiahuanaco a partir da década de 30 — como Wendell C. Bennett, Thor Heyerdahl, Carlos Ponce Sangines, entre os nomes mais conhe­cidos — apenas centraram suas discussões em torno das con­clusões de Arthur Posnansky, o primeiro a apresentar um estudo completo sobre a região. Sua vasta obra começou a ser publicada em 1914, quando apareceram os vários volumes de Una Metrópole Pré-historica en Ia America del Sur ("Uma Metrópole Pré-histórica na América do Sul"), seguida depois, em 1945, por Tiahuanaco: Cuna dei Hombre de Ias Americas ("Tiahuanaco: Origem do Homem das Americas"). Essa edição, comemorativa aos 12.000 anos de Tiahuanaco, foi honrada com um prefácio oficial do governo bo­liviano (o local terminava na margem boliviana do lago, depois da fronteira com o Peru).




Por esse motivo, depois de tudo o que foi dito ou feito sobre Tiahuanaco, a conclusão mais surpreendente (e controvertida) foi a de Posnansky. Segundo o pesquisador, a cidade tinha sido fundada há milénios, constituindo sua primeira fase quando o nível do lago estava cerca de 30 metros mais alto, num período anterior à invasão da área por uma avalanche de água — talvez o famoso Dilúvio — e milhares de anos antes da Era Cristã. Combinando as descobertas arqueológicas com estudos geológi­cos, da flora e da fauna, e com medidas de crânios encontrados em tumbas e representados em pedra, e utilizando toda a sua perícia técnica de engenheiro, Posnansky concluiu: existiram três fases distintas na história de Tiahuanaco; ela foi habitada por duas raças, pêlos mongolóides e, depois, pelos caucasianos do Oriente Médio e nunca pelo povo negróide; o lugar sofreu duas catástrofes, uma motivada por uma forte inundação e, a outra, por algum desastre de natureza não identificado.Sem necessariamente concordar com essas conclusões de im­pacto, ou com a datação estabelecida por Posnanskyí, o fato é que todos os estudiosos que o sucederam nos 50 anos após suas descobertas arqueológicas e sua monumental obra têm aceito e utilizado seus dados e suas ideias. O mapa que realizou do local (fig. 114), com medidas, orientações, e localização dos edifícios principais tem sido usado como plano básico da cidade. Algumas das estruturas em ruínas que ele apontou como importantes, realmente produziram peças arqueológicas de interesse. A aten­ção principal concentrava-se, e ainda se concentra, sobre três ruí­nas básicas.Uma delas, próxima à parte sul da área, forma uma colina conhecida como Akapana. Provavelmente, foi uma pirâmide com degraus e deve ter servido como fortaleza, conclusão a que se chega pela existência, no seu topo, de uma superfície oval escavada no centro, alinhada com cantarias, certamente para servir como reservatório de água. Presume-se que tenha sido construída para recolher água da chuva e assim garantir o fornecimento de água para os defensores, num eventual cerco à cidadela. As len­das sobre o lugar, entretanto, falavam que ali havia ouro escon­dido. No século 18, um espanhol chamado Oyaldeburo chegou a receber uma concessão de mineração para o Akapana. Ele cor­tou o lado oriental da colina para retirar a água, procurou no fundo do reservatório, destruiu estruturas de belas cantarias, e cavou fundo na colina, encontrando apenas canais e tubulações.A destruição, apesar de tudo, revelou não ser o Akapana uma colina natural, mas sim uma estrutura complexa. Escavações atuais mal arranharam a superfície da colina. Elas deram segui­mento, no entanto, ao trabalho de Posnansky, que demonstrou ser o reservatório de arenito provido de engenhosas comportas para regular o fluxo de água pelos canais de cantarias, dotados de encaixes precisos. O complexo interior do Akapana foi cons­truído de forma a permitir que a água passasse de um nível para outro, alternando secções verticais e horizontais, numa al­tura de 15 metros. Porém, como o percurso corria em ziguezague, essa distância tornava-se muito maior. Ao final, pouco abaixo do fundo do Akapana, a água, que fluía por um bico de pedra, caía num canal artificial (ou dique) com cerca de 30 metros de largura, circundando completamente o local. Seguia dali para ancoradouros ao norte e, de lá, para o lago. Se o propósito fosse apenas o de drenar a água para prevenir inundações durante a época das chuvas, um simples canal inclinado (como o que foi encontrado em Tuia) teria dado maior vazão de saída. Ali, porém, temos canais em ângulo, construídos com pedras trabalhadas e encaixadas engenhosamente de forma a regular o fluxo de água de um nível para outro. Isso indica alguma técnica de proces­samento — o uso de água corrente para lavar minérios, talvez? Chegou a ser aventada a possibilidade de algum processa­mento mineral no Akapana pela descoberta, na superfície e no solo removido do "reservatório", de grandes quantidades de "pedriscos" verde-escuros, variando em tamanho de 2 a 5 centíme­tros. Posnansky declarou que eram cristalinos. Mas nem ele, nem outros (que seja do nosso conhecimento) realizaram testes para determinar a natureza e origem dessas pedrinhas.A estrutura localizada mais ao centro da cidadela ("K", no mapa de Posnansky) possuía tantos subterrâneos e semi-subter-râneos que Posnansky achou que poderia ser um local reservado às tumbas. Por todos os lados havia secções de blocos de pedra cortados para funcionar como condutores de água. Porém, esta­vam totalmente desordenados, fato que ele atribui não apenas aos caçadores de tesouros, mas também a exploradores anterio­res, como o conde Crequi de Montfort, que durante suas escavações no local, em 1903, praticamente destruiu tudo o que estava em seu caminho, carregando muitas peças. O relatório sobre as descobertas e conclusões dessa equipe francesa foi apresentado num livro de George Courty e numa conferência no Congresso Internacional de Americanistas de 1908, pronunciada por Manuel Gonzales de Ia Rosa. A essência destas descobertas era de que havia "duas Tiahuanacos", uma de ruínas visíveis, e outra sub­terrânea e invisível.O próprio Posnansky descreveu as tubulações, canais e uma comporta (como no topo do Akapana) que encontrou entre as desarrumadas porções subterrâneas da estrutura. Ele descobriu que essas tubulações levavam a vários níveis, conduzindo talvez ao Akapana, e estavam interligadas a outras estruturas subter­râneas na direção oeste (direção do lago). Ele descreveu em palavras e desenhos (fig. 115a e 115b) algumas das estruturas subterrâneas e semi-subterrâneas que encontrou, sem esconder seu assombro pela precisão do trabalho, pelo fato de que as can­tarias eram feitas de andesita, uma rocha dura, e pela sua im­permeabilidade à água. Ao longo das juntas, especialmente nas gran­des rochas do teto, havia sido espalhada uma camada de cal puro, com cerca de cinco centímetros de espessura, que produzia um efeito estanque. Ele afirma: "Esta foi a primeira e única vez que encontramos o uso do cal em construção pré-histórica na América".


O que se passava naquelas câmaras subterrâneas e porque foram construídas daquela forma tão específica, ele não conse­guiu descobrir. Talvez contivessem tesouros. Sendo assim, há muito teriam desaparecido nas mãos dos caçadores de riquezas. De fato, ele percebeu que algumas dessas câmaras tinham sido despidas e saqueadas por mestiços iconoclastas da moderna Tiahuanaco. Partes das ruínas que escavou — pedaços de todos os tamanhos e diâmetros — podiam ser vistas na igreja próxima, ou nas pontes e dormentes da moderna estrada de ferro e até mesmo em La Paz. As indicações apontaram para a existência de grandes instalações hídricas em Tiahuanaco. Posnansky de­votou a elas um capítulo inteiro de seu último trabalho, intitulado Rydraulic Works in Tiahuanacu ("Trabalhos Hidráulicos em Tia­huanaco"). Escavações recentes descobriram mais tubulações e canais hídricos, confirmando suas conclusões.O segundo edifício impressionante de Tiahuanaco não preci­sou de muitas escavações, porque se elevava em sua majestade para que todos o vissem — um colossal portal de pedra, que se ergue sobre a uniformidade do cenário como o Arco do Triunfo em Paris, mas sem desfiles embaixo e sem ninguém para assistir e aplaudir.


Conhecido como a Porta do Sol, foi descrito por Posnansky como "o mais perfeito e importante trabalho [...]", como "um le­gado e um testemunho elegante desse povo culto e da sabedoria e civilização de seus líderes". Todos os que o viram concordam. Ele é impressionante não apenas por ter sido cortado e esculpido em um único bloco de pedra (medindo apenas 3x6 metros e pesando cerca de 100 toneladas), mas também pêlos relevos in­trincados e surpreendentes em sua superfície.Existem nichos, aberturas e relevos esculpidos geometricamente sobre a parte mais baixa do portal e na parte de trás, mas o que impressiona são as esculturas na parte superior frontal. Elas representam uma figura central, quase em três dimensões, embora se trate de um relevo, flanqueada por três fileiras de figuras aladas; imagens representando apenas o rosto da figura central, emolduradas por uma linha em meandros completam a composição.


Há consenso geral de que a figura central e dominante é a de Viracocha, segurando um cetro, ou arma, na mão direita, e um forcado na outra mão (fig. 118). Essa imagem aparece em muitos vasos, panos e peças encontrados do sul do Peru e nas terras circundantes, indicando o raio de influência que os estudiosos julgam ter tido a cultura de Tiahuanaco. Ao lado desse deus se alinham atendentes com asas, dispostos em três fileiras horizontais, oito em cada lado da representação central. Posnansky ob­servou que apenas os primeiros cinco de cada lado são esculpidos no mesmo relevo pronunciado que a divindade; os outros, si­tuados nos extremos, são menos profundos, indicando que foram esculpidos posteriormente.


Ele desenhou a figura central, os meandros abaixo dela e os quinze espaços originais em cada lado (fig. 119), concluindo que aquele era o calendário do ano de doze meses, começando no equinócio de primavera (setembro no hemisfério sul). A figura central, mostrando sua divindade de corpo inteiro, segundo Pos­nansky, representava o mês e o equinócio da primavera. Como o "equinócio" representa a época do ano em que o dia e a noite são iguais, ele concluiu que o segmento sob a figura central, que se situava no centro da linha em meandros, representava o outro mês de equinócio, ou seja, março. Ele, então, designou os meses em sucessão aos outros segmentos no interior dos meandros, observando que os dois segmentos da ponta seriam os meses extremos, quando o Sol se afasta, nos solstícios de junho e de­zembro, época em que os sacerdotes soavam as trompas para chamá-lo de volta. A Porta do Sol, em outras palavras, era um calendário de pedra.Para Posnansky, tratava-se de um calendário solar, porque não só estava aparelhado para marcar o equinócio da primavera, como também marcava os outros equinócios e solstícios. Era um calendário de 11 meses de 30 dias cada um (o número de atendentes alados sobre o meandro), mais um mês "grande" de 35 dias, o Mês de Viracocha, completando o ano solar de 365 dias. Ele deveria ter mencionado que um ano solar de doze meses, começando no equinócio de primavera, caracterizava o início do calendário do Oriente Médio, em Nippur, na Suméria, por volta de 3800 a.C.


A imagem da divindade, assim como aquelas dos atendentes alados e o rosto dos meses, é representada com traços que possuem um significado próprio, quase sempre apresentando formas geométricas. Também aparecem em outros monumentos e es­culturas de pedra, assim como em objetos de cerâmica. Posnansky os classificou pictograficamente segundo o objeto representado (animal, peixe, olho, asa, estrela etc), ou a ideia (Terra, Céu, movimento e assim por diante). Ele determinou que os círculos e ovais, dispostos numa variedade de formas e cores, represen­tavam o Sol, a Lua, os planetas, os cometas, e outros corpos celestes (fig. 120a); que a ligação entre o Céu e a Terra (fig. 120b) aparecia freqüentemente, e que os símbolos dominantes eram os da cruz e da escadaria (fig. 120c,d). Na escadaria, ele viu a "marca" de Tiahuanaco, seus monumentos e sua civilização mais recente. Na sua opinião, ali se encontrava a origem, de onde o símbolo se espalhara pelas Américas. Sabia que esse glifo era baseado nos zigurates da Mesopotâmia, mas obser­vou que não reparara antes em indícios da presença de sumé­rios em Tiahuanaco.


Tudo isso reforçou a idéia de que a Porta do Sol fazia parte de uma estrutura mais complexa em Tiahuanaco, cujo propósito e função era servir de observatório, gerando a sua mais impor­tante, e também mais controvertida, conclusão.Dados oficiais da Comissão para a Destruição e Expiação da Idolatria, criada pêlos espanhóis exclusivamente para esse fim (em­bora alguns suspeitem que se tratava de um disfarce para procurar riquezas), atestam que os homens dessa comissão chegaram a Tiahuanaco em 1625. Um relatório de 1621 do padre Joseph de Arriaga listava cerca de 5.000 "objetos de idolatria", destruídos pela força, fundidos ou queimados. O que fizeram em Tiahuanaco não é conhecido. A Porta do Sol, como mostram as primeiras fotografias, foi encontrada no século 19, quebrada no topo, com a parte da direita apoiando-se perigosamente na outra metade.Quando e por quem foi endireitada e colocada de volta perma­nece um mistério. De que modo foi quebrada, também é um dado desconhecido. Posnansky não acha que tenha sido trabalho da Comissão. Acredita que o portal escapou da ira dos espanhóis porque havia caído, ou estava escondido da vista, quando os fanáticos da Comissão chegaram. Como aparentemente foi colocado outra vez em pé, alguns se perguntam se foi recolocado em seu local original. O motivo para a suspeita recai sobre o fato de que o portal não era um edifício solitário na superfície plana, e sim parte de uma grande estrutura para o leste. A forma e tamanho dessa estrutura, chamada o Kalasasaya, era delineada por uma série de pilares ver­ticais de pedra (que corresponde ao significado do nome "Os Pilares Em Pé"), formando uma área retangular de cerca de 137 x 122 metros. Como o eixo da estrutura parece ser leste-oeste, alguns imaginam se o portal não teria ficado no centro, ao invés de na extremidade nordeste da parede oeste (onde está agora).Enquanto antes apenas o peso da estrutura seria um obstáculo para a sua remoção por quase 70 metros, como se imaginou, agora, com a descoberta de outras evidências arqueológicas, acre­dita-se que se ergue no local original, uma vez que o centro da parede oeste está ocupado por um terraço, cujo próprio centro está alinhado segundo o eixo leste-oeste do Kalasasaya. Posnans­ky descobriu ao longo desse eixo várias pedras esculpidas de forma a permitir a observação dos astros. Por isso, suas conclu­sões de que o Kalasasaya era um engenhoso observatório de astronomia são hoje aceitas como um fato.As ruínas mais atrativas do Kalasasaya têm sido os pilares que formam um recinto levemente retangular. Mas nem todos eles foram suportes da parede; alguns parecem estar associados com o número de dias do ano solar e do mês lunar. Posnansky deteve-se no estudo de onze deles (fig. 121), erigidos ao longo do terraço que se projeta do centro da parede oeste. As medidas das linhas de mira, em pedras especialmente orientadas, a orien­tação da estrutura, os leves e propositais desvios dos pontos cardeais, o convenceram de que o Kalasasaya foi construído por um povo que possuía um conhecimento ultramoderno de astro­nomia, capaz de fixar, com precisão, equinócios e solstícios.



Os desenhos arquitetônicos de Edmund Kiss (Das Sonnentor von Tiahuanaku), baseados no trabalho de Posnansky, assim como nas suas próprias medidas e avaliações, mostram (provavelmente com acerto) a estrutura interior como uma pirâmide com degraus, mas oca: uma estrutura cujas paredes exteriores elevam-se em estágios, mas apenas para cercar um pátio central aberto. A es­cadaria principal localizava-se no centro da parede oriental e os principais pontos de observação situavam-se no centro dos dois terraços largos que completavam a "pirâmide" do lado oeste (fig. 122).




Foi nesse ponto que Posnansky fez sua descoberta mais estarrecedora, com consequência explosivas. Ao medir os ângulos e as distâncias entre os dois pontos de solstício, ele percebeu que a obliqüidade da Terra em relação ao Sol, na qual eram baseados os aspectos astronómicos do Kalasasaya, não combi­nava com os 23 e 30 segundos de nossa era.A inclinação da eclíptica, como termo científico atual, para a orientação da mira astronómica do Kalasasaya, seria 23 graus, 8 minutos e 48 segundos. Baseado nas fórmulas determinadas pelos astrônomos da Conferência Internacional de Efemérides, realizada em 1911, em Paris, que levam em conta a posição geográfica e a elevação do local, isso significa que o Kalasasaya foi construído por volta de 15000 a.C.Anunciando que Tiahuanaco era a cidade mais antiga do mun­do, construída "antes do Dilúvio", Posnansky inevitavelmente despertou a ira da comunidade científica de seu tempo. Até então, segundo as teorias de Max Uhle, a data de fundação de Tiahua­naco era calculada em torno do início da era cristã.A inclinação da eclíptica não deve ser confundida (como fi­zeram alguns críticos de Posnansky) com o fenómeno da Pre­cessão. O último altera a esfera celestial no fundo (constelações de estrelas) contra o qual o Sol se levanta ou age em determinado momento, tal como o equinócio da primavera. A mudança, em­bora pequena, chega a 1 grau em 72 anos e até 30 graus (uma casa inteira do Zodíaco) em 2.160 anos. As mudanças de incli­nação resultam do quase imperceptível balanço da Terra, como se fosse um navio erguendo e abaixando em relação ao horizonte. A mudança do ângulo no qual a Terra está inclinada contra o Sol pode variar l grau em cerca de 7.000 anos.Intrigados pelas descobertas de Posnansky, os membros da Comissão de Astronomia Alemã decidiram enviar uma expedição ao Peru e à Bolívia. Dela faziam parte Hans Ludendorff, diretor do Observatório Astronômico e Astrofísico de Potsdam, Arnold Kohlschütter, diretor do Observatório Astronómico de Bonn e astrónomo honorário do Vaticano e Rolf Müller, astrónomo do Observatório de Potsdam. Todos fizeram estudos e observações em Tiahuanaco entre novembro de 1926 e junho de 1928.As investigações, medidas e constatações visuais confirmaram, em primeiro lugar, que o Kalasasaya era de fato um observatório de astronomia. Os cientistas alemães descobriram, por exemplo, que o terraço oeste com onze pilares, devido à largura, à distância e às posições dos pilares, permitia medidas precisas dos movi­mentos sazonais do Sol, levando em conta um número levemente diferente do número de dias do solstício para o equinócio, e vice-versa.Esses estudos confirmaram que em seu ponto mais contro­vertido Posnansky estava essencialmente correto: a inclinação do Kalasasaya diferia bastante do ângulo de inclinação de nosso tempo. Baseados em dados que lançam nova luz sobre o pro­blema, com observações da China e da Grécia antigas, os astrônomos sabem que sua curva de movimentos oscilatórios está correta apenas para alguns milénios atrás. A equipe de astróno­mos alemães concluiu, portanto, que os resultados poderiam in­dicar uma data para Tiahuanaco de 15000 a.C, mas também 9300 a.C., dependendo da curva utilizada.Desnecessário dizer que mesmo a data mais recente não foi aceita pela comunidade científica. Provocando críticas, Rolf Mül-ler conduziu novos estudos no Peru e na Bolívia, juntando-se a Posnansky em Tiahuanaco. Descobriram que os resultados po­deriam sofrer alterações, quando determinadas variáveis eram consideradas. Em primeiro lugar, se a observação do solstício não se realizasse do ponto escolhido por Posnansky, mas de outro lugar, o ângulo entre as extremidades do solstício (e portanto a inclinação) era levemente diferente; da mesma forma, não havia maneira de saber, com certeza, se o momento do solstício era determinado quando o Sol passava pela linha do horizonte ao meio-dia ou ao poente. Com essas variáveis, Müller publicou um relatório definitivo no importante jornal científico Baesseler Ârchiv (vol. 14), no qual expõe todas as alternativas e conclui que se o ângulo de 24 graus e 6 minutos for aceito como o mais preciso, a curva de inclinação repetiria essa leitura em 10000 ou 4000 a.C.

Posnansky foi convidado a manifestar-se sobre o assunto no 23º. Congresso Internacional de Americanistas. Aceitou, então, como correto, o ângulo de inclinação de 24 graus, 6 minutos e 528 segundos, o que deixava uma alternativa entre 10150 e 4050 a.C. Considerando o assunto como "delicado", deixou a matéria pendente, concordando que seriam necessários estudos mais aprofundados.Tais estudos de fato foram feitos, embora não diretamente em Tiahuanaco. Já mencionamos que o calendário dos incas indicava um Início na Era de Touro, e não de Aries (o carneiro). O próprio Müller, como já vimos, chegou à data de 4000 a.C. como idade aproximada das ruínas megalíticas em Cuzco e Machu Pichu. Também nos referimos às pesquisas, seguindo linhas diferentes de investigação, de Maria Schulten de D'Ebneth, que concluiu ter a Grade de Viracocha uma inclinação de 24 graus e 8 minutos, o que indicaria a época de 3172 a.C. (segundo os próprios cál­culos).

A medida que objetos, textos, e múmias com a imagem de Viracocha foram sendo descobertos por todo o sul do Peru e em outros locais, mais ao norte e ao sul, tornou-se possível fazer comparações com outros dados, não provenientes de Tiahuanaco. Baseado nisso, mesmo arqueólogos persistentes, como Wendell C. Bennett continuaram recuando a idade de Tiahuanaco, da me­tade do primeiro milénio d.C. até quase o início do primeiro milénio a.C.Datações por radiocarbono, entretanto, levam as datas aceitas cada vez mais para trás. No início dos anos 60, o CIAT (Centro Boliviano de ïnvestigaciones Arqueológicas en Tiwanaku) con­duziu escavações sistemáticas e realizou trabalhos de preservação no local. Seu maior feito foi a escavação e restauração de um "pequeno templo" enterrado, a leste do Kalasasaya, onde um bom número de estátuas e cabeças de pedra foram encontrados. Descobriram um pátio semi-subterrâneo, talvez um local para oferendas rituais, cercado por uma parede de pedra com cabeças esculpidas na pedra — como em Chavin de Huantar. O relatório oficial de Carlos Ponce Sangines, diretor do Instituto Arqueoló­gico Nacional da Bolívia (Description Sumaria dei Templete Semi-subterrâneo de Tiwanaku - "Sumário Descritivo do Pequeno Templo Semi-Subterrâneo de Tiahuanaco"), de 1981, afirma que as amostrás de matéria orgânica encontradas nesse local, submetidas à datação por radiocarbono, acusaram o ano de 1580 a.C. Baseado nisso, Ponce Sangines, em seu estudo Panorama de Ia Arqueologia Boliviana ("Panorama da Arqueologia Boliviana"), considera essa época como o início de Tiahuanaco.Tais datações por radiocarbono indicam a idade dos restos orgânicos encontrados no local, porém não excluem uma idade mais antiga para as estruturas de pedra. Na verdade, o próprio Ponce Sangines revela, num estudo subsequente (Tiwanaku: Space, Time and Culture - "Tiahuanaco: Espaço, Tempo e Cultura"), que uma nova técnica de datação, chamada Hidratação da Obsidiana, fornecera uma data anterior de 2134 a.C. para os objetos de obsidiana encontrados no Kalasasaya.Em relação a esse assunto é interessante ler nos trabalhos de Juan de Betanzos (Suma y Narracion de los incas - "Sumário e Histórias dos incas") de 1551, que quando Tiahuanaco foi fun­dada sob as ordens de Con-Tici Viracocha, "ele tinha vindo com um certo número de pessoas”!...] Mas, depois, quando saiu do lago, foi para um lugar próximo de lá, onde hoje existe uma vila chamada TiÁguanaco. Dizem que uma vez, quando o povo de Con-Tici Viracocha já estava estabelecido, houve escuridão na Terra". Mas Viracocha "ordenou que o Sol se movesse no curso que hoje percorre; abruptamente, ele fez o Sol começar o dia".A escuridão resultante da parada do Sol e o "começo do dia" quando o movimento continuou, sem dúvida, refere-se ao mes­mo evento que já localizamos, em ambos os lados da Terra, por volta de 1400 a.C. Deuses e homens, segundo o registro de Betanzo sobre as lendas locais, já estavam em Tiahuanaco desde tempos antigos — tão antigos quanto indicam os dados arqueoastronômicos? Mas por que Tiahuanaco foi fundada, nesse local, e nessa época antiga? Em anos recentes, os arqueólogos encontraram semelhanças arquitetônicas entre Tiahuanaco, na Bolívia, e Teotihuacán, no México. José de Mesa e Teresa Gisbert (Akapana, Ia Pirâmide de Tiwanaku - "Akapana, a Pirâmide de Tiahuanaco") observaram que o Akapana possuía um plano, ao nível do chão (quadrado com acessos proeminentes) como a Pirâmide da Lua, em Teotihuacán, e com praticamente a mesma medida da base e a mesma altura (cerca de 15 metros), a partir do primeiro degrau, que a Pirâmide do Sol e sua relação altura-largura. Em vista de nossas próprias conclusões sobre o propósito original (e prático) de Teo-tihuacán e seus edifícios, expresso pelas construções hídricas no seu interior e ao longo das duas pirâmides, os canais de agua no interior do Akapana, e através de Tiahuanaco, assumem um papel central. Tiahuanaco teria sido fundada naquele local como instalação de processamento? Se isso for verdade, o que proces­saria? Dick Ibarra Grasso (The Ruins of Tiahuanaco - "As ruínas de Tiahuanaco" e outros trabalhos) contribuiu com a visão de uma Tiahuanaco maior, abrangendo toda a parte de Puma-Panku, es­tendendo-se por quilómetros ao longo de um eixo leste-oeste, não muito diferente do "Caminho dos Mortos", em Teotihuacán, com várias vias norte-sul. A margem do lago, onde Kiss imagi­nara um porto, encontraram evidências arqueológicas de grandes paredes de retenção, que construídas em meandros criavam ma-rinas fundas onde barcos carregados pudessem aportar. Se isso aconteceu, que produtos Tiahuanaco importaria e quais expor­taria? Ibarra Grasso fala sobre a descoberta das "pequenas pedras verdes" que Posnansky encontrou no Akapana e em outros lu­gares de Tiahuanaco, vistas nas ruínas de uma pequena pirâmide parecida com o Akapana mais para o sul, onde os rochedos que serviam para retenção também haviam se tornado esverdeados; na área das estruturas subterrâneas a oeste do Kalasasaya; e entre as ruínas de Puma-Panku, em grandes quantidades.Significativamente, os rochedos nas paredes de retenção do ancoradouro de Puma-Panku também estavam verdes. Aquilo só podia significar uma coisa: exposição ao cobre, pois é o cobre oxidado que confere à pedra e ao solo a coloração verde (assim como a presença de ferro oxidado produz um tom marrom-avermelhado).Seria esse cobre processado em Tiahuanaco? Provavelmente. Contudo, isso poderia ser feito em algum lugar de mais fácil acesso e mais perto das minas de cobre. Parece que o cobre era trazido para Tiahuanaco e não extraído de lá.

O próprio significado do nome da sua localização pode dar uma pista: Tüicaca. O nome do lago vem de uma das duas ilhas ao largo da península de Copacabana. Foi ali, na ilha chamada Titicaca, contam as lendas, que os raios do Sol atingiram Tüikalla, a rocha sagrada, assim que o astro apareceu depois do dilúvio. (E por isso também conhecida como Ilha do Sol.) Foi ali, ao pé da rocha sagrada, que Viracocha entregou o cetro dourado a Manco Capac.E o que significam todos esses nomes? Titi na linguagem aimara era o nome de um metal — chumbo ou estanho, segundo os linguistas.Tüïkalla, sugerimos, significa a "Rocha do Estanho". Titicaca significava "Pedra de Estanho". E o lago Titicaca era o lago que produzia estanho.Estanho e bronze, portanto, eram os produtos pêlos quais Tia­huanaco fora fundada — exatamente no local onde ainda se en­contram as ruínas que nos encantam.

11

UMA TERRA DE ONDE VÊM OS LINGOTES

"Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó; e aquele homem era perfeito e justo, temia a Deus e repudiava o mal." Ele foi abençoado com uma grande família e milhares de ovelhas e bois. Era "o homem mais importante do Leste".

"Então, um dia, a música dos deuses veio à presença de laweh e Satã junto. laweh perguntou a Satã onde ele estivera e Satã respondeu: Perambulando pela Terra. Percorrendo-a inteira."Assim começa a história bíblica de Jó, o homem justo que foi colocado à prova por Satã até os limites de sua fé em Deus. Enquanto uma calamidade se seguia à outra, e Jó começou a questionar os caminhos do Senhor, três de seus amigos viajaram de terras distantes para confortá-lo. Enquanto Jó enumerava suas queixas e dúvidas sobre a sabedoria divina, os amigos apontavam para ele as muitas maravilhas dos céus e da terra que eram conhecidas apenas por Deus. Entre elas, estavam as maravilhas dos metais e suas origens e a engenhosidade para encontrá-los e extraí-los das profundezas da terra:Certamente existe uma fonte para a prataE um lugar onde o ouro é refinado;Onde o ferro é obtido dos minérios E o cobre é refinado das pedras.A escuridão Ele coloca fim,A utilidade ele busca nas pedras nas profundezas da obscuridade.Ele arranca o riacho de seu leito,Onde homens estranhos e esquecidos se movem.Existe uma terra de onde vêm os lingotes,Cujo subsolo está revolto em fogo;Um lugar onde estão as pedras verdes-azuladas,Que possuem os minérios do ouro.Mesmo o abutre não conhece o caminho para lá,E os olhos de um falcão não a distinguem...Lá Ele pousou Sua mão sobre o granito,Ele revirou montanhas em suas raízes.Ele cortou galerias através das rochas,E tudo o que é precioso Seus olhos enxergaram,Ele represou as fontes dos riachos,E o que está oculto Ele trouxe à luz. O homem conhece todos esses lugares? Será que o próprio homem descobriu todos os processos metalúrgicos? indagou Jó. Na verdade, desafiou seus três amigos querendo saber de onde vinha aquele conhecimento sobre minerais e metais. E onde a Sabedoria será encontrada? De onde vem a Compreensão? Nenhum homem sabe suas consequências;Sua fonte é onde nenhum mortal habita...Ouro sólido não é a medida completa,Em prata seu valor é incalculável.Para o olho vermelho de Ophir não está confinado,Nem pela preciosa cornalina ou lápis-Iazúli.Ouro e cristal não são a medida dessa terra,Nem seu valor em vasos de ouro.Coral negro e alabastro não precisam de menção;A Sabedoria está além de meras pérolas...Claramente toda essa Sabedoria vem de Deus — Aquele que o enriquecera, retirara tudo, e era capaz de recuperá-lo: Apenas Deus compreende seu cursoE sabe como está disposto.Pois Ele pode varrer os confins da Terra E enxergar tudo o que está sob os céus. A inclusão das maravilhas da mineração no discurso de Jó a seus três amigos pode não ter sido acidental. Embora nada se saiba sobre a identidade do próprio Jó, ou sobre a terra em que viveu, os nomes dos três amigos forneceram algumas pistas. O primeiro era Elipaz de Teman, do sul da Arábia. Seu nome sig­nificava "Deus é meu Ouro Puro". O segundo era Bildad de Shu-ha, um país que se supõe localizado ao sul da cidade hitita de Carcemish, cujo nome significava "Lugar de Poços Profundos". O terceiro era Zophar de Na'amah, um lugar que recebeu o nome da irmã de Tubal-Cain, "o mestre de todas as artes", segundo a Bíblia. Os três vinham de terras associadas à mineração.Ao fazer perguntas detalhadas, Jó (ou o autor do livro de Jó) demonstrou grande conhecimento de mineralogia, de mineração e de processos metalúrgicos. Seu tempo é certamente bem pos­terior ao da primeira utilização do cobre, quando se martelavam pedaços de cobre natural para fazer objetos úteis e os metais eram obtidos por mineração de matérias-primas que tinham de ser fundidas, refinadas, e moldadas. Na Grécia Clássica, no pri­meiro milénio a.C., a mineração e a metalurgia eram consideradas assuntos para quem desejava descobrir os segredos da natureza. A própria palavra metal deriva do grego metallao, que significava "buscar, encontrar coisas escondidas".Poetas e filósofos gregos, seguidos pelos romanos, perpetua­ram a divisão de Platão da história humana segundo as idades do Ouro, da Prata, do Bronze (cobre) e do Ferro, sendo a do Ouro considerada a idade ideal, em que os homens estavam mais perto dos deuses. Uma versão bíblica foi incluída na visão de Daniel. Ela começa com a argila e fornece uma escala acurada do progresso do homem. Depois de uma longa Idade Antiga da Pedra, inicia-se a Idade Média da Pedra no Oriente Médio, por volta de 11000 a.C. — logo depois do Dilúvio. Cerca de 3 600 anos mais tarde, o homem saiu das montanhas para os vales férteis, iniciou a agricultura, a domesticação de animais e o uso de metais em bruto (encontrados na forma de pepitas, sem ne­cessidade de mineração ou purificação). Os estudiosos chamam esse período de Neolítico (Idade Nova da Pedra), mas na verdade foi quando a argila — para cerâmica e outros usos — substituiu a pedra, como narra a sequência do livro de Daniel.O uso mais antigo do cobre foi na forma de pedras de cobre. Por esse motivo, muitos pesquisadores preferem chamar a tran­sição da idade da pedra para a dos metais de Calcolítico, ou Idade da Pedra de Cobre. Esse cobre era martelado até obter a forma desejada, ou submetido a um processo chamado têmpera, que consiste em ser amolecido pelo fogo. Acredita-se que esse tipo de trabalho em cobre (e mais tarde em ouro) tenha se iniciado nas terras altas, ao redor do Crescente Fértil do Oriente Médio, possibilitado devido às suas circunstâncias particulares.O ouro e o cobre são encontrados em estado natural, não ape­nas na forma de veios profundos embaixo da terra, mas também na forma de pepitas (até mesmo em pó, no caso do ouro) que as forças da natureza — tempestades, enchentes, fluxo persistente de rios e riachos — soltam das rochas. As pepitas naturais desses metais têm sido encontradas nos leitos dos rios, ou nas suas proximidades, sendo separadas da lama e do cascalho por lava­gem com água ("garimpo de baleia") ou por filtração. Embora isso não inclua a abertura de poços e túneis, o método é chamado de lavagem de aluviões. A maior parte dos peritos acha que tal mineração foi praticada nos altiplanos ao redor do Crescente Fértil da Mesopotâmia e nas costas orientais do Mediterrâneo, por volta do quinto milénio a.C., e certamente antes de 4000 a.C.(Esse é um processo que tem sido usado pelo homem através dos tempos. Poucas pessoas compreendem que os "garimpeiros" das famosas "corridas do ouro" do século 19 não eram verda­deiros mineradores, aqueles que entram na terra em busca do ouro, como aconteceu, por exemplo, na África do Sul. Na ver­dade, eles se dedicaram à lavagem de aluviões, peneirando o cascalho às margens dos rios para obter pepitas, ou pó de ouro. Durante a corrida do ouro no Yukon, no Canadá, por exemplo, "mineiros" usando uma picareta, uma calha e uma bateia chegaram a recolher um volume expressivo de ouro, mais de 28 toneladas por ano, segundo os relatos, durante os anos de pico, há um século. A produção real, provavelmente, era o dobro. É interessante notar que hoje em dia tal método de mineração con­tinua a ser praticado nas bacias do Yukon e do Klondike, obtendo centenas de quilos de ouro por ano.)É digno de observação que, embora o ouro e o cobre estivessem igualmente disponíveis em estado natural, o ouro era mais pro­curado porque, ao contrário do cobre, não oxida. O homem do Oriente Médio naqueles primeiros milénios não utilizou o ouro, limitando seu uso ao cobre. Este fenómeno geralmente não tem explicação. Acreditamos que a explicação pode ser encontrada nas noções dominantes no Novo Mundo de que o ouro era um metal pertencente aos deuses. Quando o ouro entrou em uso, no início do terceiro milénio a.C., ou vários séculos antes, foi para enfeitar os templos (literalmente, "A Casa de Deus") e para fazer utensílios para o serviço dos deuses. Só em cerca de 2500 a.C. é que começou o uso do ouro pelas casas reais, indicando uma mudança de atitude cujos motivos ainda precisam ser in­vestigados.As civilizações sumérias floresceram por volta de 3800 a,C. Descobertas arqueológicas comprovaram que seu início, tanto ao sul quanto ao norte da Mesopotâmia, se deu por volta de 4000 a.C. Essa época corresponde ao começo da verdadeira mi­neração, do processamento de minérios e da sofisticação meta­lúrgica. Este complexo e avançado setor do conhecimento, como o de outras ciências, teria sido transmitido aos povos antigos — contam as lendas — pêlos nefelim, os deuses que vieram de Nibiru para a Terra. Revendo a história do uso humano dos metais, L. Aitchison (A History of Metals - "A História dos Metais") reparou, surpreso, que os progressos alcançados na Antiguidade na área de metalurgia se devem, inevitavelmente, "aos sumérios".Os sumérios trabalhavam e utilizavam não só o cobre e o ouro, geralmente obtidos de pepitas naturais, mas também outros metais, que requeriam a extração de veios nas rochas (como a prata), ou a fundição de minérios (como o chumbo, por exemplo).A arte de produzir ligas — a combinação química na fornalha de dois ou mais metais — foi por eles desenvolvida. A marche-tagem primitiva deu lugar aos moldes e ao complexo método conhecido como Cire perdue ("cera perdida"), que permitia a mol­dagem de objetos mais complexos e úteis (estatuetas de deuses, de animais, ou de utensílios para o templo). E tudo isso foi in­ventado na Sumária. O progresso ali alcançado se espalhou para todo o mundo. Nas palavras de R. J. Forbes (Studies in Ancient Technology - "Estudos sobre Tecnologia Antiga"), "por volta de 3500 a.C. a metalurgia foi absorvida pela civilização da Mesopotâmia" (que se iniciou cerca de 3800 a.C.). Este estágio foi alcançado no Egito cerca de trezentos anos mais tarde. Mas, por volta de 2500 a.C., toda a região, entre as cataratas do Nilo e o rio Indo, voltou-se para os metais. Por volta dessa época a me­talurgia parece ter chegado à China, mas os chineses não se tor­naram verdadeiros metalúrgicos até o período Lungshan, entre 1800 a 1500 a.C.., Na Europa, os primeiros objetos de metal mal alcançam a 2000 a.C.

Antes do Dilúvio, quando os nefelim mineraram ouro no sul da África para suas próprias necessidades em Nibiru, os metais fundidos eram embarcados em submarinos para E.DIN. Nave­gando através do que agora é o mar da Arábia e golfo Pérsico, entregavam suas cargas para o processamento final em BAD.T1-BIRA, uma "Pittsburgh" antediluviana. O nome significava "Lu­gar Fundado para Metalurgia". O termo algumas vezes aparecia como BAD.TIBILA, em honra a Tibil, o deus dos metalúrgicos e artesãos; existem dúvidas se o nome do metalúrgico na linha de Caim, Tubal, deriva dessa terminologia suméria.Após o Dilúvio, a grande planície do Tigre-Eufrates onde fora o Edin ficara soterrada pela lama. Levou quase sete milénios para que secasse o suficiente para que o povo mudasse nova­mente para lá e iniciasse a civilização suméria. Embora nessa pla­nície de lama seca não houvesse pedras ou minerais, a tradição requeria que a civilização suméria e seus centros urbanos seguissem "as plantas antigas". Assim, o centro metalúrgico dos sumérios foi fundado onde Bad-Tibira estivera um dia. O fato de outros povos no Oriente Médio terem empregado a tecnologia dos sumérios e sua terminologia atesta a importância da metalurgia suméria. Em nenhuma outra linguagem se encontraram tantos termos pre­cisos referentes à metalurgia. Existem, por exemplo, nos textos sumérios, nada menos do que trinta termos diferentes para des­crever as variedades de cobre (URU.DU), processado ou não pro­cessado. Havia uma série de termos com ZAG (algumas vezes abreviado para ZA) como prefixo para descrever o brilho dos metais e KU para indicar a pureza do metal ou de seus minérios. Também eram encontrados em profusão termos indicando va­riedades e ligas de ouro, prata e cobre ( o mesmo acontecia com relação ao ferro, que teria entrado em uso apenas um milênio ou dois depois da sua introdução pêlos sumérios); chamado AN.BAR, era indicado por mais de doze termos, dependendo da qualidade do minério e do produto final. Alguns textos su­mérios eram dicionários virtuais de termos indicando "pedras brancas", minerais coloridos, sais obtidos por mineração, subs­tâncias betuminosas. Registros escritos e achados arqueológicos comprovam que comerciantes sumérios percorreram grandes dis­tâncias para conseguir metais, oferecendo em troca não apenas produtos primários, como cereais e roupas de lã, mas também produtos feitos de metal processado.Se tudo isso pode ser atribuído ao conhecimento sumério, o que falta explicar é o fato de terem sido encontrados nos seus registros terminologia e símbolos escritos (inicialmente pictográficos), referências à mineração realizada em terras distantes da Suméria. Assim, os perigos dos trabalhos nas minas da África foram mencionados num texto chamado "A Descida de Inanna para o Baixo Mundo". As provações dos que foram punidos, sendo obrigados a trabalhar nas minas da península do Sinai, foram detalhadas no Épico de Gilgamesh, quando seu compa­nheiro Enkidu foi sentenciado pelos deuses a terminar ali os seus dias. A escrita pictográfica suméria incluía uma expressiva variedade de símbolos (fig. 123) pertinentes à mineração, muitos mostrando poços de minas, de acordo com suas estruturas, ou de acordo com os minerais dali retirados.


Não fica claro, porém, onde foram encontrados esses minérios — certamente não na própria Sumária —, pois muitos nomes de lugares não foram identificados. Algumas inscrições reais apontam para terras muito distantes. Um bom exemplo é a citação do Cilindro A, coluna 16 de Gudea, rei de Lagash (terceiro milênio a.C.) no qual ele deixou gravados os materiais raros usados na construção do templo E.NINNU para seu deus: Gudea construiu o templo brilhante com metal,Tornou-o brilhante com metal.Ele construiu E.ninnu com pedra,Ele tornou-o brilhante com jóias;Com cobre misturado com estanho ele o construiu.Um artesão, um sacerdote da divina dama da terra,Trabalhou em sua fachada;Com dois palmos de pedra brilhante Ele envolveu a alvenaria,Com um palmo de diorito de pedra brilhante.Uma das passagens-chaves no texto (que Gudea repete no Cilindro B, para certificar-se de que a posteridade iria lembrar-se de suas pias conquistas) é o uso de "cobre misturado com esta­nho" para construir o templo. A falta de pedras na Suméria havia levado à invenção do tijolo de barro, com o qual os mais altos e imponentes edifícios haviam sido construídos. Mas como Gu­dea nos informa, nesse caso, pedras especialmente importadas foram usadas e até mesmo a alvenaria foi recoberta com "um palmo de diorito" e dois palmos de pedra menos rara. Para rea­lizar isso, ferramentas de cobre não são apropriadas; são neces­sárias ferramentas mais pesadas — ferramentas do aço da An­tiguidade, o bronze.

Como Gudea afirmou corretamente, bronze era uma "mistura" de cobre e estanho, não um elemento natural. Era o produto de uma liga de cobre e estanho obtida na fornalha, sendo assim totalmente artificial. A regra-base dos sumérios para essa liga era 1:6, o que significa 85% de cobre para 15% de estanho, uma excelente liga. O bronze era uma conquista tecnológica, sendo trabalhado de várias maneiras. Podia ser trabalhado apenas por moldagem, nunca a golpes de martelo ou anelamento. O estanho, para o processamento, precisava ser extraído do minério bruto (cassiterita), através de um processo de fusão e recuperação. Esse minério geralmente é encontrado em depósitos de aluvião, que resultaram do seu desprendimento do veio natural, ou da mina, por forças da natureza: chuvas fortes, enchentes, avalanches. O estanho é retirado da cassiterita geralmente por fusão, através do aquecimento do minério, numa primeira fase com coque. Mes­mo essa descrição rudimentar dos processos metalúrgicos envol­vidos torna claro que o bronze era um metal que requeria avan­çadas técnicas a cada estágio do seu processamento.Para adicionar outro detalhe intrigante, era também um metal difícil de encontrar. Fontes disponíveis — e não é certo que te­nham mesmo existido — próximas à Suméria, foram rapidamente esgotadas. Alguns textos sumérios mencionam duas "montanhas de estanho" numa terra distante, cuja identidade não fica clara. Pesquisadores como B. Landsberger (Journal of Near Eastern Studies - "Jornal de Estudos sobre o Oriente Médio", vol. 21) não rejeitam lugares longínquos como o cinturão de estanho do Ex­tremo Oriente (Burma, Tailândia, Malásia), atualmente países produtores de estanho. Também se aventou a hipótese de que, em sua busca por esse metal tão importante, os sumérios, via Ásia Menor, tenham chegado às minas ao longo do Danúbio, especialmente as da Boémia e Saxônia (onde os minérios estão esgotados há muito tempo). Forbes, no entanto, observou: "as descobertas no Cemitério Real de Ur (2500 a.C.) demonstram que os artesãos de Ur [...] dominavam a metalurgia do bronze e do cobre perfeitamente; de onde vinha o minério de estanho que eles usavam, ainda é um mistério". O mistério, na verdade, per­siste até hoje.Não só Gudea e outros reis sumérios, em cujas inscrições é mencionado o estanho, precisavam despender grandes esforços para obtê-lo. Mesmo uma deusa, a famosa Ishtar, foi obrigada a atravessar montanhas para encontrar tal lugar. Num texto conhecido como Inanna e Ebih (sendo Inanna o nome sumério de Ishtar, e Ebih o de uma cadeia de montanhas distantes, não identificada), Inanna pede permissão aos deuses superiores, dizendo:

Permitam que eu parta pela estrada dos minérios de estanho, permitam que eu aprenda sobre as minas.

Por todos esses motivos e talvez porque os deuses — os nefelim — precisassem ensinar ao homem antigo como separar o estanho do seu minério, através da fusão, o metal era considerado "sa­grado" pêlos sumérios. Sua palavra para designá-lo era AN.NA, literalmente "Pedra Celestial". O bronze, liga de cobre e estanho, era chamado ZA.BAR, "Metal Duplo Brilhante".O termo para estanho, Anna, era copiado dos hititas sem mui­tas mudanças. Porém, na linguagem acadiana, usada pêlos ba­bilónios, assírios e outros povos de língua semita, o termo passou por uma pequena mudança, para Anaku. E utilizado para signi­ficar "estanho puro" (Anak-ku). Acreditamos que a alteração reflita uma relação mais íntima do metal com os deuses nefelim, pois também foi encontrada a grafia Annakum, significando minério pertencente (ou vindo) aos anunnaki.A palavra aparece na Bíblia várias vezes. Terminando com um kh suave significava um fio-de-prumo de estanho, como apa­rece na profecia de Amos ao divisar o Senhor segurando um Anakh para ilustrar sua promessa de não desviar mais de seu povo de Israel. Como Anak, o termo significa "colar", refletindo o alto valor atingido por esse metal brilhante, uma raridade tão preciosa quanto a prata. Também significava "gigante" — um versão hebraica dos "anunnaki" da Mesopotâmia (conforme su­gerimos em nosso volume anterior). Trata-se de uma versão que suscita associações intrigantes com as lendas tanto do Velho Mun­do quanto do Novo Mundo, atribuindo isso ou aquilo aos "gi­gantes".Todas as associações do estanho com os nefelim podem ter se derivado do seu papel original de ensinar a humanidade a usar esse metal. Na verdade, a modificação pequena, porém sig­nificativa, do termo sumério AN.NA para o acadiano Anaku su­gere a passagem de um determinado período de tempo. Está documentado, em descobertas arqueológicas assim como em tex­tos, que o grande avanço na Idade do Bronze diminuiu por volta de 2500 a.C. O fundador da dinastia acadiana, Sargão de Akad, valorizava tanto esse metal que o escolheu, ao invés do ouro e da prata, para homenagear a si mesmo, por volta de 2300 a.C.


Historiadores da metalurgia referem-se à escassez do supri­mento de estanho em determinada época, comprovada pelo fato de que a percentagem de estanho no processamento do bronze continuou baixando. Outra prova disso foi a descoberta de textos narrando que a maior parte dos objetos de bronze eram feitos de bronze velho, derretendo objetos antigos e adicionando cobre à liga, às vezes, reduzindo o conteúdo de estanho em até 2%.Depois, por motivos sem explicação, a situação muda abruptamente. Forbes afirma: "Só da Idade Média do Bronze em diante, vamos dizer por volta de 2200 a.C, é que aparece com mais regularidade o verdadeiro bronze, contendo altas porcentagens de estanho, e não apenas aquelas formas intrincadas usadas anteriormente".Tendo ensinado à humanidade o processamento do bronze para impulsionar as grandes civilizações do quarto milénio a.C., os nefelim novamente vêm em seu auxílio no milénio seguinte. Mas, se inicialmente o estanho foi conseguido de fontes no Velho Mundo, na segunda fase, as fontes permanecem um mistério.Eis nossa idéia ousada: a nova fonte de estanho estava no Novo Mundo.Se, como acreditamos, o estanho do Novo Mundo alcançou os centros de civilização do Velho Mundo, só pode ter vindo de um lugar: do lago Titicaca.Nossa suposição não decorre só do seu nome — que significa "lago das pedras de estanho" — mas também porque essa região da Bolívia, até hoje, milênios depois, é uma grande fonte do estanho mundial. Embora o estanho não seja raro, é considerado um mineral escasso, encontrado em quantidades comerciais, ape­nas em poucos lugares. Atualmente, 90% da produção mundial vem da Malásia, Tailândia, Indonésia, Bolívia, Congo-Brazzaville, Nigéria e China (em ordem decrescente de produção). Algumas fontes mais antigas, no Oriente Médio e na Europa, estão exau­ridas. Em todos os locais, a fonte de estanho é a cassiterita de aluvião, o minério de estanho oxidado, que se desprende de seus depósitos naturais. Em apenas dois lugares o estanho foi encon­trado no seu filão original: Cornwall e Bolívia. O primeiro está exaurido. O segundo continua a suprir o mundo com suas mon­tanhas, que parecem verdadeiras "montanhas de estanho", con­forme descrito no texto sumério de Inanna.Estas fontes abundantes de minério encontram-se a altitudes superiores a 4.000 metros, concentrando-se, principalmente, a sudoeste de La Paz (capital da Bolívia) e a leste do lago Poopo. A cassiterita de aluvião, mais fácil de obter nos leitos dos rios, vem da área costeira do lago Titicaca. Lá, o homem antigo coletava o minério pelo seu alto conteúdo de estanho, coleta que continua até hoje .Algumas das pesquisas mais confiáveis em relação à minera­ção antiga no Lago Titicaca boliviano, foram efetuadas por David Forbes (Researches on the Mineralogy of South America - "Pesquisas sobre Mineralogia na América do Sul") há mais de um século. Ele conseguiu reconstituir o cenário do tempo da Conquista, antes que as operações mecanizadas em larga escala do século 20, alterassem permanentemente a paisagem e escondessem as evidências arqueológicas. O estanho puro é extremamente raro na natureza. Por isso, Forbes surpreendeu-se quando examinou uma amostra de estanho puro no local. Uma pesquisa acurada mostrou que essa amostra não saíra do interior da mina de Oruro, mas provinha dos ricos depósitos aluviais de cassiterita. Ele rejeitou totalmente as explicações simplistas oferecidas de que o metal seria o resultado de incêndios florestais, onde o fogo teria "derretido" o minério de cassiterita. O processo para a re­tirada do estanho da cassiterita exige muito mais do que o mero aquecimento do minério. Primeiro, é necessária uma combinação com carbono (para converter o minério, SnOi + C = CO2 + Sn) e, freqüentemente, purificá-lo, através do seu aquecimento com cal.Forbes encontrou amostras de estanho na forma de metal na cabeceira do rio Tipuani, um afluente do rio Beni que flui para o leste da cordilheira próxima ao lago. Para seu assombro — em suas próprias palavras — descobriu que o local tinha pepitas de ouro e cassiterita, além de pepitas de estanho metálico. Para Forbes ficou claro: quem quer que tenha trabalhado naquela área, também sabia processar o estanho a partir de seu minério. Explorando a área a leste do lago Titicaca ficou mais impressionado pela grande proporção no local de estanho metálico, portanto, processado e fundido. A ocorrência de estanho metálico naquela área, segundo o pesquisador, "não pode ser explicada por causas puramente naturais". Para completar, encontrou perto de Sorata um bastão de bronze. Ao mandar analisar sua composição ficou sabendo que continha 88% de cobre e 11% de estanho: "bastante parecido a outros bronzes antigos da Europa e do Oriente Médio". Os locais lhe pareceram, portanto, "de períodos extremamente antigos".Forbes também ficou surpreso ao compreender que os índios dos arredores do lago Titicaca, descendentes da tribo aimara, pareciam saber como encontrar esses lugares intrigantes. Na ver­dade, o cronista espanhol Barba (1640) chegou a afirmar que seus contemporâneos haviam encontrado minas de estanho e de cobre exploradas pêlos índios; as minas de estanho ficavam "perto do lago Titicaca". Posnansky encontrou tais minas pré-incaicas a quase 10 quilômetros de Tiahuanaco. Ele e outros pes­quisadores confirmaram a presença de artefatos de bronze em Tiahuanaco e nos arredores. Na opinião de Posnansky, a Porta do Sol tinha nichos com painéis de ouro, que podiam girar nas dobradiças, ou "pontas de virar", feitas de um material que só poderia ser o bronze para suportar o peso. Ele encontrou em Tiahuanaco blocos de pedra com nichos que serviam para en­caixar grampos de bronze, como em Puma Punku. Lá ele vira um pedaço de metal, sem dúvida bronze, que "com suas pontas dentiformes parecia um dispositivo para levantar pesos". Essa peça foi vista e representada por ele num esboço feito em 1905. Seu arrebatamento foi maior na visita seguinte. Diante do saque sistemático a Tiahuanaco, tanto no tempo dos incas quanto na era moderna, pouco sobrou, mas as ferramentas de bronze encontradas nas ilhas sagradas do lago Titicaca e Coati podem dar uma ideia do que deve ter existido em Tiahuanaco. Tais achados incluem barras de bronze, alavancas, cinzéis, facas e machados — ferramentas que serviriam para o trabalho de construção, mas também para o de mineração.Na verdade, Posnansky iniciou seu tratado de quatro volumes com uma apresentação tratando da mineração em tempos pré-históricos nos altiplanos da Bolívia e, no lago Titicaca, em par­ticular. "Esses túneis nas montanhas, dizia ele, precisam ser dis­tinguidos daqueles abertos pêlos espanhóis em busca de metais preciosos, pois são anteriores aos dos conquistadores... são de períodos mais remotos, de uma raça inteligente e empreendedora... que retirou metais das profundezas da montanha, talvez preciosos.""Que tipo de metais o homem dos Andes estaria procurando nas profundezas da montanha num período tão remoto?" inda­gou o pesquisador. "Com certeza, não seria ouro, nem prata! Só um metal muito mais útil faria com que subissem aos picos mais altos da cordilheira andina: o estanho." O estanho, explica ele, era necessário para fazer uma liga com o cobre, a fim de criar "o nobre bronze". Esse era o propósito da presença do homem em Tiahuanaco, concluiu, fato confirmado pela descoberta, no interior de um raio de trinta léguas de Tiahuanaco, de muitas minas de estanho.Mas será que o homem andino precisava desse estanho para criar suas próprias ferramentas de bronze? Aparentemente, não. Um grande estudo realizado pelo especialista em metalurgia, Erland Nordenskiõld (The Copper and Bronze Ages in South América - "A Idade do Cobre e do Bronze na América do Sul"), concluiu que nem a Idade do Cobre, nem a do Bronze ocorreram ali: "não havia na América do Sul traços da idade do Bronze ou do Cobre". As ferramentas de bronze encontradas apresentavam a forma e a tecnologia empregadas no Velho Mundo. "Examinando todo o nosso material, armas e ferramentas de bronze e cobre, encon­tradas na América do Sul, precisamos confessar que não há muita coisa original. Em sua maioria estão relacionadas ao que foi en­contrado no Velho Mundo", disse ele. Apesar de relutante, ele é obrigado a admitir "que existe uma semelhança considerável entre as técnicas utilizadas nos objetos de metal encontrados no Novo Mundo e as do Velho Mundo, durante a Idade do Bronze". Significativamente, algumas ferramentas incluídas nesses exem­plos possuem cabos esculpidos com a cabeça da deusa suméria Ninti (a Senhora das Minas do Sinai), cujo símbolo são cortadores umbilicais.A história do bronze no Novo Mundo está ligada ao Velho Mundo e a história do estanho nos Andes, onde o bronze do Novo Mundo se originou, está inexoravelmente ligada ao lago Titicaca. Nesses acontecimentos Tiahuanaco representava um papel central, devido à presença dos minerais circundantes. De ou­tra forma, para que teria sido construída? Os três centros de civilizações do Velho Mundo iniciaram-se em vales férteis de rios: na planície entre o Tigre e o Eufrates, os sumérios; ao longo do Nilo, os egípcios-africanos; ao longo do rio Indo, os hindus. Sua base era a agricultura, mas o comércio se tornou possível graças aos rios, por onde chegavam as maté-rias-primas e eram exportados os cereais e outros produtos. As cidades começaram a se desenvolver ao longo dos rios e o co­mércio passou a exigir registros escritos. Foi quando as trocas floresceram, as sociedades se organizaramou e as relações inter­nacionais começaram.Tiahuanaco não se encaixa nesse padrão. Dá a impressão de estar, como afirma o ditado popular, "toda vestida, mas sem ter para onde ir". Uma grande metrópole, cuja cultura e arte in­fluenciaria toda a região dos Andes, foi construída no meio do nada, às margens de um lago pouco hospitaleiro, no topo do mundo. Mesmo levando em conta o seu minério, por que ali? A geografia pode responder a essa pergunta.É habitual iniciar-se qualquer descrição do lago Titicaca afir­mando que ele é o mais alto corpo de água navegável no pla­neta, com uma altitude de 4.224 metros. Trata-se de um lago bem grande, com uma superfície de 8 238 quilômetros qua­drados. Sua profundidade varia entre 300 e 30 metros. De for­mato alongado, possui uma extensão máxima de 193 quilô­metros e uma largura máxima de 70 quilómetros. Seu litoral recortado, fruto das montanhas que o cercam, forma numero­sas penínsulas, cabos, istmos e estreitos. O lago tem mais de duas ilhas de tamanho apreciável. Seu desenho, a noroeste-sudeste, segue o das cadeias montanhosas que o cercam (fig. 109). A leste estende-se a Cordilheira dos Andes Bolivianos, onde se situa o monte Illampu, com dois picos, na serra Sorata, e o imponente Illimani a sudoeste de La Paz. Exceto alguns rios pequenos que fluem dessa serra para o lago, a maior parte dos cursos d'água corre para o leste, descendo em direção à planície brasileira e ao oceano Atlântico, a mais de 3.000 qui­lômetros de distância. Foi ali, na margem leste do lago, onde os rios e nascentes correm para os dois lados, que os grandes depósitos de cassiterita foram encontrados.Montanhas igualmente imponentes limitam o lago ao norte. As águas das chuvas correm dali para o norte, onde vão alimentar rios como o Vilcanota — alguns o consideram como o verdadeiro formador do Amazonas — que, reunindo tributários, vai mer­gulhar no Urubamba. Todos eles se dirigem para o norte e para nordeste, em direção à bacia amazônica. No entanto, foi ali, entre as montanhas que cercam o lago, e em Cuzco, que a maior parte do ouro dos incas foi encontrado.A margem oeste do lago Titicaca, embora erma e desolada, é a mais povoada. Entre montanhas e baías e nas costas das pé-nínsulas surgiram aldeias e cidades modernas, que dividem a área com locais antigos, como Puno, considerada a maior cidade e porto lacustre do mundo, onde repousam as enigmáticas ruínas de Sillustani. Nessa localidade, os engenheiros modernos des­cobriram que qualquer estrada, rodovia, ou estrada de ferro, pre­cisa se dirigir necessariamente para o norte, ou em direção a um dos poucos desfiladeiros dos Andes abertos para a planície cos­teira do Pacífico, a quase 160 quilômetros dali.A topografia e a geografia sofrem profundas alterações quando se viaja em direção à parte sul do lago (que, como a maior parte da margem oriental, pertence à Bolívia e não ao Peru). Lá, duas das maiores penínsulas — Copacabana no oeste e Hachacache a leste — quase se encontram (fig. 125). Sobra apenas um estreito entre a porção maior do lago, ao norte, e sua parte sul, que assume feições de uma laguna (termo usado pêlos próprios es­panhóis), um corpo de águas tranquilas, se comparado às águas agitadas, varridas pelo vento, ao norte. As duas ilhas principais das lendas nativas, a Ilha do Sol (atualmente ilha Titicaca) e a Ilha da Lua (atualmente Coati) se situam ao largo do litoral norte de Copacabana.


Foi nessas ilhas que o Criador escondeu seus filhos, o Sol e a Lua, durante o Dilúvio. Foi de Titi-kala, uma rocha sagrada na ilha de Titicaca, que o Sol subiu para o céu depois do Dilúvio, de acordo com uma das versões nativas. Outra narra que os primeiros raios de Sol incidiram sobre essa rocha quando o Di­lúvio acabou. E de uma caverna sob a rocha sagrada teria saído o primeiro casal, enviado para repovoar a terra. Foi então que Manco Capac recebeu o cetro de ouro para encontrar Cuzco e iniciar a civilização andina.O rio principal que sai do lago, o DesAguadero, inicia seu curso a sudoeste. Leva as águas do Titicaca para um lago satélite, o lago Poopo, situado a 260 quilômetros para o sul, na província boliviana de Oruro. Lá existe cobre e prata até a costa do Pacífico, na fronteira da Bolívia com o Chile.É no litoral norte do lago que a cavidade cheia de água entre essas montanhas continua até encontrar terra seca, criando o vale, ou platô, onde está localizada Tiahuanaco. Em nenhum outro local do lago existe tal platô elevado. Em nenhum outro lugar existe uma laguna que se comunica com o resto do lago, tornando viável o transporte fluvial Em nenhum outro local existe uma passagem entre as montanhas como ali, com um desfiladeiro que se abre em três lados, oferecendo uma vista do lago ao norte.E em nenhum outro lugar se encontram tantos metais valiosos como ouro, prata, cobre, estanho. Tiahuanaco foi construída ali porque era o melhor local para cumprir sua função: de capital metalúrgica do Novo Mundo.Todas as formas de grafar o nome — Tiahuanaco, Tiahuanacu, Tiwanaku, Tianaku — são apenas esforços para absorver a ver­dadeira pronúncia do nome como foi transmitido pela população local. O nome original, acreditamos, era TI.ANAKU: o lugar de Titi e de Anaku — CIDADE DE ESTANHO.Nossa sugestão de que Anaku deriva do termo mesopotâmico que significa estanho, como o metal conseguido pêlos nefelim, traça uma linha direta entre Tiahuanaco, o lago Titicaca, e o Oriente Médio. Existem evidências para apoiar essa ideia.O bronze acompanhou o despertar da civilização no Oriente Médio, tendo entrado em uso, após seu processamento metalúr­gico, por volta de 3500 a.C. Mas em 2600 a.C. as reservas de estanho escassearam e quase terminaram. Repentinamente, em 2200 a.C., novos suprimentos apareceram. Os nefelim, de alguma forma, haviam encontrado os meios para resolver a crise do es­tanho e salvar a própria civilização que tinham oferecido ao ho­mem. Como isso foi conseguido? Vamos examinar alguns fatos.Cerca de 2200 a.C., quando o suprimento de estanho melhorou abruptamente, um povo enigmático entrou em cena no Oriente Médio. Os vizinhos os chamavam "cassitas" (cosseanos para os gregos, mais tarde). Não existe explicação dos estudiosos para o nome. No entanto, nos lembra a palavra cassiterita, termo que existe desde a Antiguidade para designar o minério de estanho; isso implica no reconhecimento de que os cassitas eram o povo que podia prover o minério, ou vinha de onde ele era encontrado. Plínio, o filósofo romano do primeiro século, escreveu que o estanho, chamado pelos gregos de "cassiteros", era mais valioso do que o chumbo. Afirmou que era apreciado pelos gregos desde a guerra de Tróia (de fato, Homero se refere a ele como cassiteros). A guerra de Tróia ocorreu em 1300 a.C. no extremo oeste da Ásia Menor, onde os gregos do Mediterrâneo entraram em con-tato com os hititas (ou talvez fossem parentes indo-europeus). Plínio escreve em sua Historia Naturalis: "as lendas dizem que os homens procuravam cassiteros nas ilhas do Atlântico, que é transportado em barcos feitos de vime, coberto com couros cos­turados juntos". As ilhas que os gregos chamam de Cassiteritas, "em consequência da abundância de estanho", segundo ele, "estão no Atlântico, em frente ao cabo chamado de Fim da Terra; são as seis ilhas dos deuses, que alguns povos designaram como Ilhas de Bliss". Trata-se de uma afirmação intrigante, pois os gregos aprenderam dos hititas tudo o que se referia a deuses como sendo os nefelim e ali temos um termo com todas as co­notações de Anaku.A referência, entretanto, é geralmente considerada como sendo a Scilly Islands ao largo de Cornwall, uma vez que os fenícios atingiram essa parte das ilhas Britânicas e ali encontraram esta­nho, no primeiro milénio a.C. O profeta Ezequiel, contemporâneo dele, menciona especificamente o estanho como um dos metais que os fenícios de Tiro levavam em seus navios.As referências de Plínio e Ezequiel são as mais conhecidas, embora não sejam as únicas sobre as quais um bom número de autores modernos baseou suas teorias sobre o desembarque de fenícios no continente americano nessa época. A linha de racio­cínio é a seguinte: depois dos assírios terminarem com a inde­pendência das cidades-estado fenícias no Mediterrâneo Oriental, no século 9 a.C., os fenícios fundaram um novo centro, Cartago (Keret-Hadasha, "Cidade Nova"), no Mediterrâneo ocidental, ao norte da África. Dessa nova base eles continuaram seu comércio com metais e passaram a atacar as tribos nativas para conseguir escravos. Em 600 a.C. eles circunavegaram a África à procura de ouro para o rei Necho, do Egito (imitando assim uma façanha realizada pelo Rei Salomão, quatro séculos antes). No ano 425 a.C., sob a liderança de Hanno, elejaram ao redor da África Oci­dental, fundando postos avançados para a obtenção de ouro e captura de escravos. A expedição de Hanno retornou incólume a Cartago, pois ele viveu para relatar sua viagem. Mas outros, antes ou depois dele, segundo algumas teorias, teriam sido des­viados de seu curso de navegação por correntes marítimas no Atlântico, tendo ido parar na costa americana.Deixando de lado as descobertas mais especulativas de artefatos que apontam a presença de povos do Mediterrâneo na Amé­rica do Norte, as evidências dessa presença na América Central e do Sul são mais reveladoras. Um dos poucos pesquisadores que arriscaram o pescoço nessa direção é o professor Cyrus H. Gordon (Before Columbus -"Antes de Colombo" e Riddles in History - "Enigmas da História"). Ele faz menção ao nome Brasil, asso­ciando-o com o termo semita Barzel, que significava ferro, dando, assim, crédito à chamada Inscrição da Paraíba, que apareceu ao norte do Brasil, em 1872. Seu desaparecimento logo depois, e as circunstâncias vagas da sua descoberta, induziram a maior parte dos académicos a considerar o achado uma farsa, especialmente para não ter de aceitar uma ligação evidente entre o Velho Mundo e o Novo Mundo. Mas Gordon, demonstrando coragem, discutiu a favor da autenticidade da inscrição, acreditando tratar-se de uma mensagem deixada pelo capitão de um navio fenício, se­parado do comboio por uma tempestade, que velejou para o Oriente Médio por volta de 534 a.C.O dado comum a todos esses estudos é que, em primeiro lugar, a chegada na América foi acidental, resultado de um nau­frágio ou de um desvio de curso provocado pelas correntes ma­rítimas. Em segundo lugar, que isso teria ocorrido no primeiro milénio a.C., mais provavelmente na metade do segundo milénio.Porém, estamos falando de uma época mais antiga, quase 2000 anos antes. Acreditamos, também, que a troca de mercadorias e pessoas entre o Velho e o Novo Mundo não foi acidental, e sim o resultado da intervenção deliberada dos "deuses" — os nefelim.E certo que os cassitas não eram britânicos disfarçados. Re­gistros do Oriente Médio localizam esse povo a leste da Suméria, onde atualmente fica o Ira. Eram relacionados aos hititas da Ásia Menor, assim como aos hurrianos (os horitas da Bíblia/ "O Povo dos Poços"), que teriam servido de elo geográfico e cultural entre a Suméria, ao sul da Mesopotâmia, e os povos indo-europeus, ao norte. Eles e seus predecessores, inclusive os sumérios, podem ter atingido a América do Sul ao navegar para oeste, ao redor da África, e através do Atlântico ter chegado ao Brasil, Ou, então, navegando para leste, ao redor da Indochina, e do arquipélago de ilhas, pelo Pacífico, ter chegado ao Equador e Peru. Cada caminho exigiria um mapa de navegação e de rotas marítimas.Tais mapas, concluímos, existiram de fato.A suspeita de que mapas mais antigos estivessem nas mãos de navegadores europeus, começa com o próprio Colombo. Acre­dita-se, atualmente, que ele sabia onde ia, pois obteve de Paolo dei Pozzo Toscanelli, um astrónomo, matemático e geógrafo de Florença (na Itália) cópias das cartas e mapas que ele enviara em 1474 para a Igreja e a Corte de Lisboa. Toscanelli aconselhara os portugueses a tentar uma passagem para a índia pelo oeste, ao invés de circundar a África. Abandonando séculos de dogmas geográficos petrificados, baseados no trabalho de Ptolomeu de Alexandria (século 2 d.C), Toscanelli utilizou as ideias de estu­diosos gregos pré-cristãos, como Hiparco e Eudoxo, de que a Terra era uma esfera, adotando as medidas e tamanhos deter­minados pêlos filósofos gregos, muitos séculos antes. Descobriu a confirmação para essas ideias na própria Bíblia. No livro pro­fético Esdras II, que fazia parte da Bíblia em sua primeira tra­dução latina, se falava claramente de um "mundo redondo". Tos­canelli aceitou tudo, porém calculou mal a largura do Atlântico. Ele também pensou que a terra a 6.200 quilômetros a oeste das ilhas Canárias era a ponta da Ásia. Foi onde Colombo encontrou terra, as ilhas que acreditou serem as "índias Ocidentais" — um nome equivocado que permanece até hoje.Pesquisadores modernos estão convencidos de que o rei de Portugal possuía mapas que delineavam a costa atlântica da América do Sul por mais de 1600 quilômetros para o leste, muito além das ilhas descobertas por Colombo. Essa suposição pode ser confirmada no compromisso assinado pelo Papa em maio de 1493. Ele traçava uma linha de demarcação entre as recém-descobertas ilhas espanholas, concedendo quaisquer terras a oes­te para os espanhóis, e a leste, se houvesse, para os portugueses. Essa linha norte-sul seguia a 370 milhas (595 quilômetros) a oeste das ilhas de Cabo Verde, exigida pêlos portugueses, o que en­tregava a eles o Brasil e grande parte do continente da América do Sul. Se ela, eventualmente, causou surpresa aos espanhóis, não provocou o mesmo nos portugueses, que se acredita estarem conscientes da existência desse continente.De fato, já foram encontrados muitos mapas existentes antes da primeira viagem de Colombo. Alguns (como o mapa Medi-ceano, de 1351, ou o mapa Pizingi, de 1367), mostram o Japão como uma grande ilha no Atlântico Ocidental e, significativa­mente, uma ilha chamada "Brasil", a meio caminho do Japão. Outros, ainda, continham contornos da América e da Antártica — um continente cujo relevo fora obscurecido pelo gelo, suge­rindo, por mais incrível que possa parecer, terem sido desenhados com base em dados disponíveis quando não havia a calota de gelo. Esta conformação existiu logo depois do Dilúvio, por volta de 11000 a.C., tendo durado um curto período de tempo, sub­sequente.O mais conhecido, no entanto, é o mapa do almirante turco Piri Reis, que apresenta uma data muçulmana equivalente ao ano de 1513. As anotações do almirante diziam que este mapa se baseava nos de Colombo, Por muito tempo acreditou-se que os mapas europeus da Idade Média, assim como os mapas árabes, tinham por base a geografia de Ptolomeu. Estudos feitos na vi­rada do século, porém, indicaram que os mapas europeus mais precisos, do século 14, se baseavam na cartografia fenícia, espe­cialmente nos da Marinha de Tiro (século 2 a.C.).Mas onde os fenícios conseguiram seus dados? C. H. Hapgood, num de seus melhores estudos sobre o mapa de Piri Reis e de seus antecessores (Maps of the Ancient Sea Kings - "Mapas dos Antigos Reis do Mar"), concluiu que "as evidências apresentadas pêlos mapas antigos parecem sugerir a existência, em tempos remotos [...] de uma verdadeira civilização evoluída". Mais adian­tada, inclusive, que as da Grécia ou Roma e, nas ciências náuticas, à frente das da Europa do século 18. Ele reconheceu, porém, que antes delas todas existiu a civilização mesopotãmica, retroagindo a pelo menos 6000 anos no passado. Mas certas representações nos mapas, tais como a Antártica, o intrigaram. Quem teria pre­cedido os mesopotâmios? Os estudos de Hapgood indicaram que, enquanto a maior par­te dos mapas antigos mostram terras banhadas pelo Atlântico, o de Piri Reis mostra, corretamente, a costa sul-americana do Pacífico, incluindo a cordilheira dos Andes e rios, como o Ama­zonas, desde 4 graus ao sul até cerca de 40, por exemplo, do Equador ao Peru até a metade do Chile. Surpreendentemente, ele descobriu que "o contorno das montanhas indica que elas foram observadas do mar, de um navio postado ao largo da costa, e não inventadas". O litoral sul-americano do Pacífico apre­sentava tal detalhamento que a península Paracas podia ser dis­tinguida.Stuart Piggott (Aux portes de l'histoire - "Nos Umbrais da His­tória") foi um dos primeiros a notar que o trecho da costa sul-americana do Pacífico também aparecia nas cópias europeias do Mapa-Múndi de Ptolomeu. Entretanto, não aparecia como um continente depois de um vasto oceano, mas sim como Tierra Mí­tica (uma terra mítica), estendendo-se desde a ponta sul da China, além de uma península chamada Quersoneso de Oro (Península do Ouro), até o sul, no continente que hoje chamamos de An­tártica.Essa observação instigou o famoso arqueólogo sul-americano D. E. Ibarra Grasso a fazer um estudo detalhado dos mapas an­tigos. Suas conclusões foram publicadas na obra La Representacion de America em Mapas Romanos de Tiempos de Cristo ("A Representação da América em Mapas Romanos dos Tempos de Cristo"). Como outros pesquisadores, ele concluiu que os mapas europeus da época dos Descobrimentos se baseavam no de Ptolomeu, por sua vez baseado na cartografia e geografia da Marinha de Tiro e em informações anteriores.Os estudos de Ibarra Grasso mostram que os contornos claros da costa ocidental desse "apêndice" chamado "Tierra Mítica" concordavam com o relevo da costa sul-americana do Pacífico. Era ali que as lendas situavam as aterrissagens pré-históricas o tempo todo!As cópias europeias do mapa de Ptolomeu incluíam o nome Cattigara, identificando um lugar situado no meio da "Tierra Mí­tica". Esta localização, escreve Ibarra Grasso, "corresponde à de Lambayeque, o principal centro de processamento do ouro de todo o continente americano". Não é de surpreender que seja exatamente o local onde está Chavin de Huantar, o centro pré-histórico de ouro, onde os olmecas africanos, os semitas barbados e os indo-europeus se encontraram.Será que os cassitas também desembarcaram ali, ou na baía de Paracas, mais perto de Tiahuanaco?Os cassitas deixaram um rico legado de conhecimentos sobre metalurgia, durante o terceiro e o segundo milénios a.C. Seus artefatos incluíam numerosos objetos de ouro, prata e mesmo de ferro. Porém, o metal de sua preferência era o bronze, tornando os "Bronzes de Luristan" um termo renomado entre os historia­dores da arte e arqueólogos. Os cassitas decoravam seus artefatos, frequentemente, com imagens de seus deuses (fig. 126a) e heróis legendários, entre os quais o favorito era Gilgamesh lutando con­tra os leões. Inacreditavelmente, encontramos nos Andes temas e formas artísticas idênticas. Num estudo intitulado La Religión en el Antiguo Peru ("A Religião no Peru Antigo"), Rebecca Carnon-Cachet de Girard menciona os deuses venerados pêlos peruanos, repre­sentados em vasos de cerâmica encontrados no litoral norte e central. A semelhança com os bronzes dos cassitas é impressionante (fig. 127a). Em Chavin de Huantar, onde foram encontradas estátuas com tipos hititas, também existem representações da cena de Gilgamesh e os leões. Quem quer que tenha vindo do Velho Mundo para contar e representar esta cena, fez o mesmo em Tiahuanaco. Entre os objetos de bronze achados no local, há uma placa de bronze, como a dos cassitas de Luristan, claramente representando o herói do Oriente Médio na mesma cena.


Representações de "anjos", os seres alados "mensageiros dos deu­ses" (o termo bíblico MaYachim, literalmente, quer dizer "emissários") aparecem nos objetos artísticos de todos os povos antigos. A arte dos hititas (fig. 128a) é permeada de mensageiros alados. Incrivel­mente, na Porta do Sol, eles ladeiam a divindade principal (fig. 128b). É significativo o fato de que, ao reconstruir os eventos ocor­ridos nas Américas, na Antiguidade, em Chavin de Huantar — onde acreditamos terem se reunido os reinos dos deuses de Teotihuacán e Tiahuanaco — vamos encontrar as feições olmecas no lugar das mesopotâmicas no painel dos deuses alados (fig. 128c).






Em Chavin de Huantar a divindade indo-européia era o Deus Touro, um animal mítico para outros povos. Porém, embora o touro não existisse então na América do Sul — até ser trazido pelos espanhóis — alguns pesquisadores encontraram, em co­munidades nativas perto de Puno, no lago Titicaca, e em Pucara (uma parada legendária na rota entre Viracocha e Cuzco), a ado­ração pelo touro em cerimónias religiosas anteriores aos tempos da Conquista (f. C. Spahni, "Lieux de cuite precolombiens" em Zeitschrift für Ethnologie, 1971). Em Tiahuanaco, e ao sul dos Andes, esse deus era representado segurando um raio em uma das mãos e um cetro de metal na outra. Esta imagem aparece também em pedra, em cerâmicas e em tecidos. É uma combinação conhecida de símbolos do Oriente Médio, onde o deus chamado Ramman ("O Trovejador"), entre os babilônios e assírios, Hadad ("Retumbante"), entre os semitas ocidentais, Teshub ("Soprador de Vento") entre os hititas e cassitas, era representado em pé sobre um touro — o animal consagrado a ele — segurando uma ferramenta de metal numa mão e um raio forcado na outra (fig. 129a).Os sumérios, de onde se originou o panteão do Velho Mundo, chamam esse deus de Adad ou ISH.KURC Aquele das Montanhas Distantes") e o representavam com uma ferramenta de metal e um raio forcado (fig. 129b). Um dos epítetos para ele era ZABAR DIB.BA — “Aquele que consegue o bronze e divide" — uma pista elucidativa.



Ele era o deus Rimac na costa sudoeste do Peru; Viracocha nos altiplanos andinos. Sua imagem com a ferramenta de metal em uma das mãos e o raio forcado na outra aparece por todos os lugares e o símbolo de um raio se encontra em muitos mo­numentos. Pode até mesmo aparecer na forma de um touro, como foi encontrado a sudoeste do lago Titicaca por Ribero e von Tschudi (fig. 129c). Os peritos que estudaram o nome de Viracocha em diversas variantes, concordam que seu componente significa "Senhor/Supremo" quem da "Chuva/Tempestade/Raio11 é "Fa­zedor/Criador". Um hino inca o descreve como o deus "que veio no trovão e nas nuvens de tempestade". Essas são quase as mes­mas palavras pelas quais essa divindade, o Deus da Tempestade, era reverenciado na Mesopotâmia, O disco dourado de Cuzco (fig. 85b) representa uma divindade com o revelador símbolo do raio forcado.Em alguma época naqueles tempos remotos, o deus Ishkur/Teshub/Viracocha colocou seu símbolo do raio forcado na encosta de uma montanha, na baía de Paracas (fig. 130), para que todos o vissem do ar e do oceano. Exatamente naquela baía, identificada pelo grupo de Hapgood no mapa de Piri Re'is como a baía que servira de porto aos navios que levavam o estanho e o bronze de Tiahuanaco para o Velho Mundo. O símbolo pro­clamava:


ESTE É O REINO DO DEUS DA TEMPESTADE!

Como afirma o livro de Jó, existe realmente "uma terra de onde vêem os lingotes, cujo subsolo está revolto em fogo... Um lugar tão alto entre as montanhas, que mesmo um abutre não conhece o seu caminho, e os olhos de um falcão não o distin­guem". Era a terra onde os deuses, que providenciaram os metais vitais ao homem, "colocaram sua mão no granito... reviraram as montanhas até as raízes...e cortaram galerias através das pedras".

12

DEUSES DAS LÁGRIMAS DE OURO

Em alguma época depois de 4000 a.C, o grande Anu, líder de Nibiru, veio à Terra numa visita oficial.

Não era a primeira vez que ele se aventurava nessa árdua jornada espacial. Cerca de 440.000 anos antes disso — meros 122 anos em Nibiru — seu primeiro filho, Enki, liderara o pri­meiro grupo de nefelim, cinqüenta no todo, que descera na Terra, a fim de obter o ouro necessário a esse planeta abençoado. Em Nibiru, a natureza e o uso das tecnologias haviam conseguido diminuir e danificar a atmosfera do planeta, necessária não só à respiração, como ao ambiente para evitar que o calor interno se dissipasse no espaço. Apenas o uso de partículas de ouro em suspensão na estratosfera de Nibiru seria capaz de evitar que ele virasse um planeta congelado e sem vida.Enki, um brilhante cientista, aterrissou no golfo Pérsico e es­tabeleceu sua base — Eridu — à beira-mar. Seu plano era obter ouro nas próprias águas do golfo. Porém, conseguiu muito pouco e a crise em Nibiru se agravou. Cansado das promessas de Enki, que dizia poder reverter a situação, Anu desceu à Terra para ver as coisas de perto. Com ele veio seu herdeiro aparente, Enlil. Embora não fosse o primogênito, Enlil tinha direito à sucessão porque sua mãe, Antu, era meia-irmã de Anu. Ele não possuía os conhecimentos científicos de Enki, mas era um excelente administrador. Não do tipo fascinado pelos mistérios da natureza, mas daquele que acreditava em compromissos assumidos e fazia o que era necessário para cumpri-los. E o que era preciso fazer? Os estudos apontavam para a mineração. Era preciso buscar o ouro onde era abundante: no sul da África.Discussões acirradas em torno do projeto irromperam entre os meio-irmãos rivais. Anu chegou a pensar em ficar ele mesmo na Terra e deixar seus filhos como regentes de Nibiru. Mas esta idéia causou mais discórdia. Finalmente, foram traçados os li­mites. Enki iria para a África e organizaria a mineração. Enlil ficaria em E.DIN (Mesopotâmia), construindo as instalações para o refino do minério e tratando do embarque do ouro para Nibiru. Anu retornou ao planeta dos nefelim. Essa foi sua primeira visita.Houve, então, uma segunda visita, provocada por outra emer­gência. Quarenta anos depois da primeira aterrissagem, os ne­felim, que haviam recebido a missão de trabalhar nas minas de ouro, se amotinaram. Quanto daquilo fora gerado pelas árduas jornadas de trabalho, e quanto refletia a inveja e o atrito entre os dois irmãos, ninguém sabe. O fato é que os nefelim, liderados por Enki, se amotinaram, recusando-se a continuar trabalhando, e mantendo Enlil como refém por ter se negado a resolver a crise.Todos esses eventos foram registrados e milênios mais tarde foram narrados aos terrestres, para que soubessem como tudo começara. Um Conselho dos Deuses foi convocado. Enlil insistiu para que Anu viesse à Terra presidir o Conselho e julgar Enki. Na presença dos líderes reunidos, Enlil narrou os acontecimentos e acusou Enki de liderar o motim. Mas quando os amotinados contaram sua história, Anu condoeu-se deles: eram astronautas, não mineiros, e a carga de trabalho realmente ficara insuportável.Quem iria, então, fazer o trabalho? Como poderiam sobreviver em Nibiru sem o ouro necessário? Enki apresentou uma solução: criar trabalhadores primitivos, que se encarregariam de realizar a parte difícil do trabalho! Á sua espantada platéia ele relatou que vinha desenvolvendo uma experiência com a ajuda do oficial médico Ninti/Ninharsag. Já existia na Terra, no leste da África, um ser primitivo — um homem-macaco. Esse ser deveria ter se desenvolvido na Terra a partir de uma Semente da Vida de Ni­biru, que passara para a Terra, provavelmente, durante uma re­mota colisão com Tiamat. Havia compatibilidade genética. Faltava, apenas, aprimorar esse ser, fornecendo alguns dos próprios genes do nefelim. Seria uma criatura à imagem e semelhança do nefelim, capaz de manejar ferramentas e inteligente o suficiente para obedecer ordens.E foi assim que LULU AMELU — o "Trabalhador Mestiço" — nasceu num frasco de laboratório, fruto da manipulação ge­nética e da fertilização do óvulo de uma mulher-macaco. Os hí­bridos não podiam procriar; mulheres nefelim precisavam servir toda vez como deusas-portadoras. Mas Enki e Ninharsag foram aperfeiçoando o ser, corrigindo os erros, até conseguir o modelo perfeito. Eles o chamaram de Adam — "Aquele da Terra". Com ajudantes produtivos, o ouro foi produzido em abundância. Os sete acampamentos primitivos se transformaram em cidades e os nefelim — 600 na Terra, 300 em estações orbitais — foram se acostumando a uma vida de ócio. Alguns, apesar da objeção de Enlil, tomaram as filhas dos homens como esposas e tiveram filhos com elas. Para os nefelim, obter o ouro era agora uma tarefa sem lágrimas; para Enlil aquilo começou a parecer uma missão pervertida.

Tudo terminou com o Dilúvio. Por um bom tempo as obser­vações científicas avisaram que a calota de gelo da Antártica tornara-se instável; que outra passagem de Nibiru próxima à órbita na Terra, entre Marte e Júpiter, poderia, por sua atração gravitacional, deslocar essa tremenda massa de gelo, despren­dendo-a do continente e criando uma onda enorme pelo planeta, o que alteraria os oceanos e a temperatura da Terra e produziria tempestades terríveis. Consultando Anu, Enlil deu a ordem: pre­parem as naves para abandonar a Terra!"Mas e os homens?", perguntaram Enki e Ninharsag. "Deixem que morram", respondeu Enlil, obrigando os nefelim a guardar segredo, para não deixar o desespero dos homens interferir nos preparativos para a partida. Relutante, Enki também jurou. Po­rém, fingindo falar com uma parede, instruiu seu fiel seguidor Ziusudra a construir um Tibatu, um submarino, no qual ele, sua família, muitos animais poderiam sobreviver ao movimento das águas, e assim impedir que a vida na Terra se extinguisse. Ele forneceu um navegador para trazer o submarino até o monte Ararat, o pico duplo mais aparente do Oriente Médio.Os textos da Criação e do Dilúvio, ditados pêlos nefelim aos sumérios, oferecem mais detalhes do que os da Bíblia, que foram resumidos e alterados. Quando a catástrofe ocorreu, não havia só semideuses na Terra. Algumas das principais divindades, membros do círculo sagrado dos Doze, eram, de certa forma, humanos: Nannar/Sine, Ishkur/Adad, filhos mais novos de Enlil, haviam nascido na Terra; da mesma forma, os dois filhos de Sin: Utu/Shamash e Inanna/Ishtar. Enki e Ninharsag (com quem ele teria partilhado sua "Operação Noé") juntaram-se aos outros para sugerir que os nefelim não saíssem da Terra para sempre, mas permanecessem em órbita terrestre para ver o que aconteceria. De fato, após o maremoto inicial, e o término das chuvas, os picos da Terra começaram a aparecer, os raios do Sol atraves­saram as nuvens, formando vários arco-íris pelo céu.Enlil, percebendo que a Humanidade havia sobrevivido, ficou a princípio enraivecido. Mas depois acalmou-se. Compreendeu que os nefelim poderiam permanecer na Terra e que, se deseja­vam reconstruir suas instalações e continuar extraindo ouro, o homem — a quem caberia proliferar e prosperar — não deveria mais ser tratado como escravo e sim como sócio.Na época antediluviana, o espaçoporto para as idas e vindas dos nefelim e seus suprimentos, assim como para o transporte do ouro beneficiado, ficava na Mesopotâmia, em Sippar. Porém, agora, todo o vale fértil entre o Tigre e o Eufrates estava coberto de lama. Assim, usando o Monte Ararat de dois picos, como ponto focal do corredor de aterrissagem, ergueram duas mon­tanhas artificiais às margens do Nilo — as duas pirâmides de Gize — para servir como faróis de aterrissagem para um aero­porto pós-diluviano na península do Sinai. Ele ficava mais perto, ainda, das minas africanas de ouro.Os humanos, para que pudessem sobreviver e multiplicar-se, tornando-se mais úteis aos nefelim, foram agraciados com determinadas condições para criar uma civilização em três estágios. Inicialmente, vieram de Nibiru sementes vitais para a sobrevivência; espécies nativas de plantas. Depois, os animais foram domesticados e o homem aprendeu a técnica da cerâmica e dos metais. Esta última atividade tinha grande importância, pois dela dependia o suprimento necessário de ouro aos nefelim, uma vez que as velhas minas tinham sido inundadas e cobertas de lama e sedimentos.Desde o Dilúvio, Nibiru aproximara-se outra vez da Terra e materiais vitais foram recebidos, mas pouco ouro fora entregue. Era necessário, portanto, localizar os antigos filões no meio da lama, fazer túneis nas montanhas, cortar poços, explodir rochas. A Humanidade precisava de ferramentas para isso. Ferramentas resistentes para extrair o que os nefelim conseguiam com suas armas de raios. Felizmente, a enorme quantidade de água sobre a Terra tivera, também, uma ação positiva. Ela expusera o lodo, lavara-o, enchera os leitos dos rios com pepitas de ouro, mistu­radas ao cascalho e à lama. Esse ouro constituía uma nova fonte, mais fácil de extrair, mas muito mais difícil de encontrar e trans­portar, pois o local onde essas pepitas eram abundantes ficava do outro lado da Terra: entre as cadeias montanhosas em frente ao grande oceano, uma riqueza incalculável em ouro ficara ex­posta. Jazia ali, pronta para ser apanhada, se os nefelim fossem até lá e encontrassem alguma forma de embarcar o ouro.Com a aproximação de Nibiru da Terra, o grande Anu e sua esposa Antu resolveram fazer uma visita formal à Terra, para ver como andavam as coisas. O que haviam conseguido forne­cendo à humanidade os dois metais sagrados, AN.NA e AN.BAR, com os quais podiam agora fabricar ferramentas? O que haviam conseguido expandindo as operações para o outro lado do mun­do? Estariam os depósitos cheios de ouro, pronto a ser embar­cado, como afirmavam os relatórios? As Listas de Reis Sumérios, com as várias dinastias e capitais da primeira civilização do Oriente Médio, começam a récita com a frase.1- "Depois que o Dilúvio varreu a Terra, quando a Realeza foi trazida dos céus, esteve primeiro em Kish". A arqueologia confirma a antiguidade dessa cidade suméria. De seus vinte e três governantes, um ostentava um nome-epíteto, que indicava ser ele um metalúrgico. Afirma-se claramente que o vigésimo segundo líder, Enmenbaragsi, era o "que ficou, como espólio, com a arma moldada de Elam". Elam, nos planaltos a leste e sudoeste da Suméria, de fato, era um dos locais onde a metalurgia se iniciara. A menção de um espólio, uma arma moldada, con­firma as evidências arqueológicas de uma metalurgia completa-mente desenvolvida no antigo Oriente Médio, por volta de 4000 a.C.Mas "Kish foi atormentada com armas", talvez pêlos mesmos elamitas cuja terra fora invadida. E Realeza, a capital, foi trans­ferida para uma nova cidade chamada Uruk (a Erech bíblica). Um de seus doze reis, o mais conhecido, foi Gilgamesh, de fama heróica. Seu nome significava "para Gibil, deus da Fundição e do Molde [dedicado]". A metalurgia, ao que parece, era impor­tante para os governantes de Uruk. Um deles usava a palavra ferreiro para descrever seus predicados. O primeiro governante, cujo reinado se iniciou quando Uruk não era mais do que uma área sagrada, possuía o prefixo MÊS — "Mestre Fundidor" — como parte do nome. A inscrição sobre ele era invulgarmente longa:Mes-kiag-gasher, filho do divino Utu,Tornou-se alto sacerdote de Eanna, assim como rei...Meskiaggasher foi para o Mar Ocidental e avançou na direção das Montanhas.Essas informações são importantes pelo fato de serem exten­sas, uma vez que nelas costuma constar, apenas, o nome do rei e a extensão de seu reinado, e eventualmente algum feito me­morável. Que mar Meskiaggasher, o "Mestre Fundidor", atraves­sou e a que montanhas chegou, jamais saberemos ao certo. Mas as palavras indicam o outro lado do mundo.Podemos entender a urgência em trazer a metalurgia para Uruk, a fim de aperfeiçoá-la. Isso estava relacionado à visita ofi­cial de Anu, talvez para impressioná-lo, mostrando que tudo estava correndo bem e que Uruk, construída em sua honra, de­monstrava progressos em metalurgia. No centro da área sagrada foi construído, então, um templo de muitos estágios, com os cantos em metal. O nome que recebeu, E.ANNA, certamente sig­nificava "Casa de Anu", ou "Casa de Estanho". Os textos gravados, com detalhes do protocolo e do programa da visita real a Uruk, indicam um local coberto de ouro.Foram encontradas tábuas em Uruk com anotações do escriba sobre a visita: eram cópias de textos sumérios antigos, legíveis até certo ponto. Anu e Antu aparecem sentados no pátio do templo, sendo homenageados por uma procissão de deuses, car­regando o cetro de ouro. Entrementes, deusas preparam o quarto do visitante ilustre no E.NIR — "Casa do Brilho" — coberto com o "trabalho artesanal do ouro do Mundo Inferior". À medida que ia escurecendo, um sacerdote subiu ao alto do zigurate para observar no céu o espetáculo do nascimento de Nibiru, "Grande Planeta do Céu de Anu". Depois de entoar os hinos apropriados, os visitantes lavaram as mãos em bacias de ouro e foi servida uma refeição noturna em sete bandejas de ouro; cerveja e vinho, em jarros do mesmo metal, mitigaram a sede dos convidados. Depois de mais hinos louvando o "Planeta do Criador", o "Planeta que é o Herói dos Céus", os visitantes foram conduzidos por uma procissão de deuses carregando tochas para o seu "recanto de ouro", a fim de passar a noite.De manhã, turíbulos de ouro foram enchidos pelos sacer­dotes durante os sacrifícios, enquanto os deuses acordavam para um desjejum elaborado, servido em pratos preciosos. Quando chegou o momento de partir, as divindades visitantes foram levadas por uma procissão de deuses, acompanhados por sacerdotes cantando hinos, até o ancoradouro, onde esta­vam atracados os navios. Saíram da cidade através do Portão Nobre, prosseguiram pela Avenida dos Deuses, e chegaram ao "Porto Sagrado", à "Doca do Navio de Anu", que iria levá-los pelo "Caminho dos Deuses". Numa capela chamada Casa de Akitu, Anu e Antu procuraram incluir as novas minas de ouro em seu itinerário. Depois, Anu e Antu juntaram-se aos Deuses da Terra em orações, recitando as bênçãos sete vezes. Então, "de mãos dadas", os deuses partiram.Se na época dessa visita oficial os anunnaki já estivessem pro­curando ouro no Novo Mundo, será que Anu e Antu teriam incluído as novas minas no itinerário? Será que os nefelim na Terra estariam tentando impressioná-los com os novos progres­sos, as novas perspectivas, as promessas de suprir Nibiru com o metal vital em quantidade suficiente, de uma vez por todas? Se a resposta for sim, a existência de Tiahuanaco, e muito mais, pode ser explicada. Se, na Sumária, uma cidade especial, com um recinto sagrado, além de uma Avenida dos Deuses e Portos Sagrados, fora construída para a visita dos deuses supre­mos, poderíamos presumir que o mesmo fora realizado no co­ração das Terras Novas. E, como em Uruk, esperaríamos encon­trar ali um observatório para determinar o momento do apare­cimento de Nibiru no céu noturno, seguido pelo de outros pla­netas.Apenas tal paralelismo, acreditamos, pode explicar a necessi­dade do observatório do Kalasasaya, por sua precisão, e por sua época, por volta de 4000 a.C. Apenas uma visita oficial dessa natureza, sugerimos, seria capaz de explicar a elaborada arquitetura de Puma-Punku, seus ancoradouros reais, e o recinto sa­grado decorado com placas de ouro. Pois foi exatamente o que os arqueólogos encontraram em Puma-Punku: evidências indis­cutíveis de que placas de ouro cobriam não apenas porções do portão (como eram os painéis traseiros da Porta do Sol, em Tia­huanaco), mas todas as paredes, entradas e cornijas. Posnansky encontrou e fotografou fileiras de pequenos orifícios em muitas paredes de acabamento polido e ern blocos de pedra revestidos, que "serviam para apoiar as placas de ouro que os cobriam com cravos, também de ouro." Quando ele fez uma conferência sobre o assunto na Sociedade Geográfica, em abril de 1943, mostrou um desses blocos com cinco cravos de ouro ainda aparecendo (os outros tinham sido arrancados pêlos saqueadores que remo­veram as placas).A possibilidade de ter sido construído em Puma-Punku, em épocas remotas, um edifício com paredes, teto e cornijas reco­bertos de ouro, exatamente como o de E.NIR, em Uruk, é mais significativa quando descobrimos que os baixos-relevos que de­coravam os portões cerimoniais no local, assim como algumas das gigantescas estátuas do Grande Deus, em Tiahuanaco, eram recobertos de ouro. Posnansky descobriu e chegou a fotografar no local os orifícios dos cravos, "com cerca de 2 milímetros de diâ­metro", "arredondados nas bordas". O portão, que ele chamou de Portal da Lua, possui relevos de Viracocha, e o rosto do Deus, com meandros "incrustados com ouro...", o que "fazia ressaltar o hieróglifo principal pelo seu grande brilho".

Não menos importante foi a descoberta de Posnansky de que os olhos dos deuses eram feitos com pequenos pedaços circulares de turquesa. Ele conta: "encontramos muitos desses pedaços de turquesa perfurados no centro, em Tiahuanaco". Isso o levou à conclusão de que não só os gonzos no portão eram dessa pedra, mas também as estátuas gigantes, representando os deuses em Tiahuanaco, eram recobertas de ouro no rosto, tendo no local dos olhos turquesas incrustadas.A descoberta é notável, porque não existem turquesas — uma pedra azul semipreciosa — na América do Sul. As suas minas mais antigas, do final do quinto milénio a.C., estão localizadas no Sinai e Ira. Para completar, essas técnicas de incrustação da turquesa eram características do Oriente Médio, não sendo en­contradas em nenhum outro local das Américas — e, com certeza, não naquela época.

Virtualmente, todas as estátuas encontradas em Tiahuanaco representam deuses vertendo três lágrimas em cada olho. As lágrimas são incrustações de ouro, como pode ser visto em es­tátuas agora em exibição no Museu del Oro, em La Paz. Uma das grandes estátuas é famosa. Ela foi apelidada El Fraile (fig. 131a) e possui 3 metros de altura, tendo sido esculpida, como as outras gigantescas estátuas de Tiahuanaco, em calcário, o que indica origem no período mais antigo de Tiahuanaco. A divin­dade segura uma ferramenta serrilhada na mão direita; as três lágrimas estilizadas em cada olho, indubitavelmente, eram in­crustadas com ouro, podendo ser identificadas claramente (como no esboço da fig. 131b). Três lágrimas semelhantes podem ser vistas no rosto da estátua conhecida como a Cabeça Gigante (fig 131c). Ela foi quebrada pêlos caçadores de tesouro, baseados na crença de que os construtores de Tiahuanaco, possuindo "o se­gredo de fabricar a pedra", não a tinham esculpido na pedra, mas sim moldado por um processo mágico,, que permitia escon­der ouro em seu interior.


Essa crença pode ter sido gerada pelas lágrimas de ouro que os deuses vertiam. Uma prática que poderia explicar, tam­bém, os motivos dos povos andinos chamarem as pepitas de ouro de "lágrimas dos deuses". Como todas as estátuas repro­duzem a mesma divindade representada na Porta do Sol, onde ela aparece vertendo lágrimas, foi chamada de "O Deus Que Chora". Diante das evidências que encontramos, sentimo-nos autorizados a usar o nome "Deus das Lágrimas de Ouro". Um monólito gigantesco, esculpido num local próximo (Wancai), representa a divindade com um capacete cónico e pontudo — o típico capacete dos deuses mesopotâmicos — e com raios ao invés de lágrimas (fig. 132), claramente identificando-o como o Deus da Tempestade.


Um dos blocos recobertos de ouro em Puma-Punku apresen­tava "misteriosas cavidades" e um canal profundo num canto para prender um funil. Posnansky achou que a peça fizesse parte do altar de sacrifícios. Entretanto, uma das várias localidades próximas a Tiahuanaco, onde algumas pedras permanecem, for­mam uma mini-Puma-Punku. Ali foram encontrados muitos ar-tefatos de ouro. Seu nome é Chuqui-Pajcha, o que em aimara significa "onde o ouro líquido é recolhido", sugerindo a existência de processamento de ouro no local, ao invés de altar de sacrifícios.O ouro era abundante e fácil em Tiahuanaco e nos locais pró­ximos, fato que fica evidente não apenas através das lendas, his­tórias, nomes de lugares, mas também das descobertas arqueo­lógicas. Muitos ornamentos e objetos de ouro, classificados por estudiosos como clássicos de Tiahuanaco por sua forma (imagens estilizadas do Deus das Lágrimas de Ouro, escadarias, cruzes), foram encontrados em localidades próximas, assim como em ilhas, no decurso de escavações realizadas nas décadas de 30, 40 e 50. Dignas de nota foram as missões arqueológicas patro­cinadas pelo Museu Americano de História Natural (sob o co­mando de William C. Bennet), pelo Museu Americano Peabody de Arqueologia e Etnologia (sob o comando de Alfred Kidder II), pelo Museu de Etnologia da Suécia (sob a liderança de Stig Rydén, com Max Portugal, então curador do Museu Arqueoló­gico de La Paz.)Os objetos incluíam xícaras, vasos, discos, tubos e pinos (um deles ostentava uma cabeça na forma de uma pluma de três ramificações). Objetos de ouro encontrados em escavações mais antigas realizadas nas duas ilhas sagradas, Titicaca (Ilha do Sol) e Coati (Ilha da Lua), foram descritos por Posnansky em seu Guia General ("Guia Geral") de Tiahuanaco e seus arredores, e também por A. F. Bandelier (The Manás of Titicaca and Koati - "As Ilhas de Titicaca e Coati"). As descobertas no grande lago ocorreram, em sua maioria, em sítios de ruínas não identificadas, situados nas vizinhanças da Rocha Sagrada e de suas cavernas. Os estudiosos divergem sobre a sua época: alguns apontam o período mais antigo de Tiahuanaco; outros, o tempo dos incas, uma vez que esse povo esteve na ilha para adorar e construir santuários, durante o reinado de Mayta Capac, o quarto gover­nante inca.

As descobertas de artefatos de ouro e bronze em Tiahuanaco e arredores não deixam dúvidas de que o ouro é anterior ao bronze (que continha estanho) naquela área. Posnansky foi en­fático em relegar o bronze ao terceiro período de Tiahuanaco. Ele fala da presença de grampos de bronze, usados para reparar estruturas, na época dourada. Como as minas nas montanhas próximas mostram sinais claros de que os minérios de estanho e o ouro foram obtidos nos mesmos locais, é provável que a descoberta do ouro de aluvião e sua mineração levaram à per­cepção da presença de cassiterita no local. Os dois estão mistu­rados nos mesmos leitos de rios e riachos. Um relatório oficial da Bolívia (Bolívia and the Opening ofthe Panamá Canal - "A Bolívia e a Abertura do Canal de Panamá"), de 1912, afirmava que tanto o rio Tipuani como o rio que corre do monte Illampu, além do minério de estanho, "ambos eram famosos pela presença de cas­calho contendo grandes quantidades de ouro", em profundidades de até 90 metros. Significativamente, "a proporção de ouro au­menta com a profundidade do cascalho". O relatório observa também que o ouro do rio Tipuani era de 22 a 23,5 quilates — quase ouro puro! A lista de localidades bolivianas com ouro de aluvião é quase inesgotável, mesmo depois de todos os séculos de exploração espanhola. Entre 1540 e 1750, só os espanhóis extraíram da Bolívia o equivalente a 2 milhões e 800.000 quilos de ouro.Antes de sua independência, no século 19, a Bolívia era co­nhecida como Alto Peru e fazia parte dos domínios sul-americanos dos espanhóis. Os recursos minerais não respeitavam fron­teiras políticas e já descrevemos em capítulos anteriores as ri­quezas em ouro, prata e cobre que os espanhóis encontraram no Peru. Os europeus acreditavam que o "Filão Mãe" de todo o ouro nas Américas se localizava nos Andes peruanos.Uma olhada no mapa dos recursos minerais da América do Sul oferece uma visão clara. Três faixas de várias larguras com veios de ouro, prata e cobre serpenteiam ao longo de uma in­clinação noroeste-sudoeste, desde a Colômbia, ao norte, até o Chile e Argentina, ao sul. Ao longo dessas faixas encontram-se as mais famosas fontes desses minerais, algumas encaradas como verdadeiras montanhas de metal puro. As vagarosas forças da natureza e, sem dúvida, a verdadeira avalanche de água do Dilúvio, provocaram o afloramento dos minérios, expondo-os, carregando-os montanha abaixo para os leitos dos rios. Como a maioria dos grandes rios da América do Sul flui dos Andes para o leste através da planície amazônica até o oceano Atlântico, não é de se admirar que o ouro e o cobre sejam abundantes naquele lado do continente.Mas é nos veios encontrados nos Andes que se situam as grandes fontes de minerais, seja de aluvião ou de minas. Quando se observam no mapa todas as faixas entrelaçadas, representando os veios, com cada metal em uma cor, o desenho nos faz pensar nas duplas hélices da estrutura do DNA, do­brando-se para o interior de si mesma e serpenteando ao redor do RNA, numa imitação das correntes da vida e da heredita­riedade dos seres vivos sobre a Terra. No interior dessas faixas encontram-se até mesmo minerais raros — platina, bismuto, manganês, volfrâmio, ferro, mercúrio, enxofre, asbestos, co­balto, arsénico, chumbo, zinco — e o mais importante para técnicas modernas, e antigas de fundição e purificação de me­tais, o carvão mineral e o petróleo.Alguns dos depósitos mais ricos de ouro, trazidos pelas cor­redeiras dos rios, estão localizados a leste e ao norte do lago Titicaca. Lá, na cordilheira Real, que envolve o lago do nordeste a sudeste, uma quarta faixa junta-se às outras, é a faixa de es­tanho, na forma de cassiterita. Ela fica proeminente na margem oriental do lago, curva-se para oeste, ao longo da bacia de Tiahuanaco, depois corre para o sul, em curso quase paralelo ao rio DesÁguadero. Junta-se às outras três faixas perto do Oruro e do lago Poopo e desaparece ali.Quando Anu e sua esposa chegaram para ver todas as riquezas minerais, a área sagrada de Tiahuanaco, seu revestimento de ouro, os portos, estavam em seu lugar. Quem foi recrutado e trazido pelos nefelim para construir tudo isso, em 4000 a.C? Nessa época, o povo das planícies altas ao redor da Suméría já trabalhava de forma rudimentar a pedra e os metais. Mas a verdadeira tecnologia metalúrgica, incluindo a moldagem, as construções elevadas, o há­bito de realizar planos arquitetônicos, a determinação da orientação estelar, estava nas mãos dos sumérios.A figura central que aparece na área sagrada semi-subterrânea de Tiahuanaco é barbada, assim como muitas das cabeças de pedra esculpidas na parede do recinto que ostenta dignitários desconhecidos. Muitos deles usam turbantes, como os dos dig­nitários sumérios.


É preciso, então, perguntar: onde e quando os incas, continuando os costumes do Antigo Império, adquiriram as regras de sucessão dos sumérios (ditadas pelos nefelim)? Por que em algumas oca­siões, os sacerdotes incas invocavam o Céu, pronunciando as pa­lavras Zi-Ana, e a Terra, pronunciando as palavras Zi-ki-a, termos sem significado nos dialetos quechua e aimara (segundo S. A. Lafone Quevado, Enscn/o Mitológico - "Ensaio Mitológico"), — mas que em sumério significam "Vida Celestial" (ZI.ANA) e "Vida na Terra" (ZI.KI.A)? Por que os incas conservaram dos tempos do Antigo Império o termo Anta para indicar metais, em geral, e cobre, em particular? O termo AN.TA, em sumério, representava uma clas­se de minérios: AN.NA, indicava estanho e AN.BAR, o ferro.Esses termos sumérios (empregados por seus sucessores) refe­rentes à metalurgia foram complementados pela descoberta de pic-tografias sobre mineração. Arqueólogos alemães, liderados por A. Bastian, encontraram tais símbolos gravados em pedra, às margens do rio Manizales, na região aurífera central da Colômbia (fig. 134a). Uma expedição organizada pelo governo da França, liderada por E. André, explorando leitos de rios na região oriental, encontrou símbolos semelhantes (fig. 134b) esculpidos em rochas de cavernas que tinham sido ampliadas artificialmente. Muitos petróglifos, en­contrados nos centros auríferos andinos, nas rotas entre eles, ou nos lugares onde o termo Uru aparece como nome-componente, incluem símbolos que lembram a escrita cuneiforme ou pictográfica dos sumérios. Um deles é a cruz radiante, (fig. 134c) representada em petróglifos a noroeste do lago Titicaca — um símbolo que os sumérios usaram para indicar o planeta Nibiru.


Adicione-se a isso a possibilidade de alguns sumários vindos para a região do lago Titicaca terem sobrevivido, chegando seus descendentes até os tempos modernos. Seriam eles apenas algu­mas centenas, vivendo até hoje em algumas ilhas do lago, vele­jando em barcos de totora, o junco sul-americano. Os aimaras e os kollas, que constituem a maioria dos habitantes da região, consideram esses remanescentes de povos mais antigos, como estrangeiros de outras terras, a quem chamam de Uru. Este nome significa, acredita-se, "Os Antigos". Seriam eles assim chamados por alguma associação com a antiga capital da Suméria, Ur?

Segundo Posnansky, os urus tinham cinco divindades ou Samptni: Pacani-Malku, significando "Grande Senhor"; Malku, significando "Senhor"; e deuses da Terra, das Águas e do Sol. O termo malku provém, obviamente, do Oriente Médio, onde sig­nificava (como ainda significa em hebreu e árabe) "rei". Um dos poucos estudos sobre os urus, realizado por W. La Barre (Ame­rican Anthropologist - "O Antropólogo Americano", vol. 43), relata os "mitos" desse povo sobre sua origem: "Nós, o povo do lago, somos os mais velhos dessa Terra. Há muito tempo estamos aqui, desde antes do tempo em que o Sol ficou escondido... Antes do Sol se esconder já estávamos há muito tempo nesse lugar. Então vieram os kolla[...] Eles usaram nossos corpos para sacrifícios, quando fizeram as fundações dos templos[...] Tiahuanaco foi construída muito antes da época da escuridão".Já estabelecemos anteriormente que o Dia da Escuridão, "quan­do o Sol se escondeu", ocorreu por volta de 1400 a.C. Foi um evento planetário, que deixou traços nos registros dos povos dos dois lados da Terra. Essa lenda uru, ou memória coletiva, diz que Tiahuanaco foi construída antes desse evento e que os urus estavam lá há muito tempo.Até hoje, as tribos aimara, que vivem nas cercanias do lago, navegam em seus barcos de totora, que aprenderam a fazer, di­zem, com os urus. A semelhança desses barcos com os barcos de junco dos sumérios é impressionante, tanto que Thor Heyer-dahl mandou fazer uma réplica, chamando-o de Kon-Tiki (um epíteto de Viracocha). Nesse barco ele fez viagens para provar que os antigos sumérios poderiam ter atravessado os oceanos.A extensão da presença suméria/uru nos Andes pode ser con­firmada por outros fatos. A palavra uru significa "dia", tanto em aimara, como em quechua, o mesmo significado que possuía na Mesopotâmia ("luz do dia"). Existem outros termos andinos, como uma/mauu para água, khun para vermelho, kap para mão, enu/ienu para olho, makai para sopro, claramente, de origem me-sopotâmica. Esta semelhança levou o pesquisador Fábio Patron (Nouvelles etudes sur lês langues americaines ~ "Novos estudos sobre as linguagens americanas") a concluir: "está demonstrado sobe­jamente que as linguagens quechua e aimara dos nativos do Peru possuem uma origem suméria-assíria".O termo uru aparece como componente de vários nomes de localidades e acidentes geográficos na Bolívia e no Peru: por exemplo, o importante centro de mineração Oruru; o Vale Sa­grado dos incas Urubamba ("planície/vale dos urus"); o famoso rio Urubamba, além de muitos outros. Na verdade, no centro do Vale Sagrado, ainda vivem, em cavernas, remanescentes da tribo que se considera descendente dos urus do lago Titicaca. Esses nativos se recusaram a deixar as cavernas para morar em casas, alegando que, se dali saíssem, a montanha cairia e o mundo acabaria.Há outros elos aparentes entre a civilização da Mesopotâmia e os urus dos Andes. Corno explicar, por exemplo, o fato de que, como Tiahuanaco, a capital suméria, Ur, também estava cercada por um canal, com um porto ao norte e um a sudoeste, levando ao rio Eufrates, e mais além? E as semelhanças entre o Recinto de Ouro do templo principal, em Cuzco, onde as paredes eram recobertas com placas de ouro, com os de Puma-Punku e de Urukl E mais: que justificativa existiu para a "Bíblia Ilustrada" no Coricancha, representar Nibiru e sua órbita? Havia outros costumes que levaram os espanhóis recém-che-gados a enxergar nos nativos, os descendentes das Dez Tribos de Israel. Também as cidades costeiras e seus templos lembraram aos conquistadores as áreas sagradas e os zigurates da Suméria. E como explicar os tecidos incrivelmente ornados dos povos do litoral em frente à Tiahuanaco, únicos nas Américas, exceto se comparados com os tecidos sumérios, especialmente com os Ur, renomados na Antiguidade pelas suas cores e desenhos exó­ticos? Como explicar, ainda, as representações dos deuses com capacetes cónicos, uma deusa com o Cortador Umbilical como o de Ninti? Ou um calendário como o da Mesopotâmia e um Zodíaco como o dos sumérios, com Precessão e doze casas? Sem levar em conta as evidências mostradas nos capítulos anteriores, parece que todos os pedaços do quebra-cabeça andino começam a encaixar-se, quando admitimos a mão dos nefelim e a presença dos sumérios (sozinhos ou com seus vizinhos) nessa região por volta de 4000 a.C. As lendas da ascensão do Criador e de seus dois filhos, a Lua e o Sol, da rocha sagrada na Ilha do Sol (Titicaca), não poderiam ser uma lembrança da partida de Anu e de seu filho Sin com seu neto Shamash — tendo feito uma viagem curta de barco de Puma-Punku para uma espaço-nave dos nefelim? Naquela noite memorável em Uruk, assim que Nibiru foi visto, os sacerdotes acenderam tochas como sinal para as vilas circun­dantes. Estas, por sua vez, acenderam fogueiras como sinal para as vilas próximas e logo toda a terra da Sumária ficou iluminada para celebrar a presença de Anu e Antu e o avistamento do Planeta dos Deuses.As pessoas da época talvez não tenham percebido que esta­vam diante de um sinal celestial — que ocorre só a cada 3.600 anos terrestres —, mas sabiam ser um fenômeno único em suas vidas. A humanidade não se cansara de esperar o retorno do planeta e com razão recorda daquele período como a Era de Ouro, não só pela abundância do metal, mas porque culminou com um período de paz e progresso inigualáveis na Terra.Mas nem bem Anu e Antu haviam retornado a Nibiru, a har­monia na Terra já estava sendo quebrada. Em cerca de 3450 a.C, segundo nossos cálculos, ocorre o incidente da Torre de Babel: um artifício usado por Marduck/Ra para obter primazia para sua cidade, a Babilónia, na Mesopotâmia. Embora frustrado por Enlil e Ninurta, esse recurso engenhoso para envolver a huma­nidade na construção de uma torre arrojada que iria até o céu provocou a decisão dos deuses de dispersar a humanidade e confundir suas linguagens. E, a até então civilização única, com sua linguagem própria, viu-se, de repente, dividida. Depois de um período caótico, que durou 350 anos, a civilização do Nilo, com sua linguagem e escrita rudimentar, foi formada. Isso acon­teceu, segundo os estudiosos, por volta de 3100 a.C.Frustrado em seus esforços para assumir a supremacia na Su-méria civilizada, Marduk/Ra voltou-se para a civilização egípcia, tentando usurpar a liderança de seu irmão Thoth. A partir de então, Thoth passou a ser um deus sem povo. Por sugestão de alguns seguidores, escolheu habitar os Novos Reinos — na Amé­rica Central.Sugerimos ainda mais: esse fato não aconteceu "por volta de 3100 a.C.", mas exatamente em 3113 a.C. — a época, o ano, e até mesmo o dia em que os povos centro-amertcanos começam a "contagem longa".Contar a passagem do tempo ancorando o calendário num evento importante não é incomum. O calendário cristão conta os dias a partir do nascimento de Cristo. O calendário muçulmano começa com a Hégira, quando Maomé fugiu de Meca para Me-dina. Além de vários outros exemplos, podemos mencionar, ain­da, o calendário judaico, que é na verdade o antigo (e primeiro) calendário de Nippur, a cidade suméria dedicada à Enlil. Ao contrário do que se pensa comumente, a contagem judaica dos anos (ano 5755, em 1995) não é a do "começo do mundo", mas sim a do início do calendário Nipuriano, em 3760 a.C. — o ano, presumimos, da visita de Anu à Terra.Por que não podemos aceitar a sugestão de que a chegada, a seu novo reino, de Quetzalcoatl, a Serpente Alada, foi o evento importante para ancorar o início da "contagem longa", o calen­dário centro-americano? Particularmente, se levarmos em conta o fato de que foi esse deus o introdutor do calendário entre os povos da região? Tendo sido destronado por seu próprio irmão, Thoth (conhe­cido nos textos sumérios como Ningishzidda, Senhor da Arvore da Vida) se transformou no aliado natural dos adversários de seu irmão, os deuses enlilitas e seu chefe, Ninurta. Está escrito que, quando Ninurta pediu a Gudea que construísse um zigu-rate-templo em sua honra, foi Thoth (Ningishzidda) quem desenhou os planos. Teria sido ele, também, que especificou os materiais raros a serem usados e ajudou a fornecê-los. Como amigo dos enlilitas, ele teve de ser amigável com Ishkur/Adad e com seu reino andino,, na região do Titicaca: provavelmente foi um hóspede bem recebido.


De fato, encontramos evidências de que um Deus Serpente, e seus seguidores africanos, ajudaram no desenvolvimento das ins­talações metalúrgicas ao redor de Tiahuanaco. Alguns monólitos e esculturas da época entre os períodos I e II de Tiahuanaco foram decorados com símbolos da serpente — um símbolo raro e desconhecido em Tiahuanaco. Algumas figuras com traços ne-gróides, apesar de bastante danificadas, foram encontradas em locais próximos (fig. 135), assim como dois bustos colossais, com os mesmos traços, foram removidos e colocados como decoração à entrada da igreja da vila de Tiahuanaco pêlos nativos (fig. 136).Posnansky, irritado com as críticas à sua "fantástica" datação, não tentou precisar a data da transição do Período I, quando o arenito foi usado na construção e nas esculturas, para o Período II, mais sofisticado, quando a andesita, pedra dura, começou a ser utilizada. Porém, o fato de que essa mudança marcou, tam­bém, a alteração do interesse de Tiahuanaco do ouro para o es­tanho, sugere o período de 2500 a.C. Se, como acreditamos, os deuses enlilitas (Adad, Ninurta), guardiães do Oriente Médio, estavam fora, ocupados com a instalação da colónia dos cassitas, isso explicaria a usurpação do poder nessa época por Inanna/Is-htar, que lançou forte ofensiva contra Marduk/Ra para vingar a morte do seu amado esposo Durnuzi (causada, segundo ela, por Marduk).


Foi nessa época, provavelmente como consequência da insta­bilidade dos novos reinos, que os deuses resolveram criar uma civilização afastada — nos Andes. Enquanto Tiahuanaco se con­centraria na produção de estanho, haveria fontes inesgotáveis de ouro ao longo das encostas andinas. Era necessário, apenas, fornecer ao homem andino a tecnologia necessária para apanhar o ouro.E foi assim, por volta de 2400 a.C., data assinalada por Mon-tesinos, que Manco Capac recebeu o cetro de ouro no Titicaca e foi enviado para a região de Cuzco.Qual teria sido o propósito desse cetro mágico? Um dos mais completos estudos a esse respeito é Corona Incaica ("Coroa inca"), de Juan Larrea. Analisando artefatos, lendas e representações pictóricas dos reis incas, ele concluiu que o cetro de ouro era um machado, Yuari, que foi chamado de Tupa-Yuari ("Machado Real") (fig. 137a). Seria uma arma ou uma ferramenta?A resposta está no Egito. O termo egípcio para "deuses", "di­vino", era Neteru, significando "Guardiães". Esse, entretanto, era o mesmo significado de Suméria (na verdade, Shumer), chamada "Terra dos Guardiães". Nas primeiras traduções de textos bíblicos para o grego, o termo Nefelim (aliás, anunnaki) tomou o sentido de "Guardiães". O hieróglifo para esse termo era um machado (fig. 137b). E. A. Wallis Budge (The Gods of the Egyptians - "Os Deuses dos Egípcios") concluiu, num capítulo especial intitulado "O Machado Como Símbolo Divino", que este objeto era feito de metal. Ele menciona que o símbolo — como o termo Neter — provavelmente, fora emprestado dos sumários. Podemos verifi­car esse aspecto na figura 133.



Dessa forma teve início a civilização andina: fornecendo ao homem dos Andes o machado com o qual ele poderia minerar ouro.As histórias de Manco Capac e dos irmãos Ayar, com certeza, marcaram o final da fase mesopotâmica e do ouro em Tiahuanaco. Houve, então, um hiato de tempo. Durou até que o lugar voltasse à vida como centro mundial de estanho. Os cassitas chegaram e transportaram o estanho, ou o bronze já pronto, através do Pacífico. Com o tempo, desenvolveram-se outras rotas, como se pode ver pela existência de habitações com abundância de pontas de bronze encontradas numa rota ao longo do rio Beni até a costa atlântica do Brasil, e com a ajuda das correntes oceânicas, até o Mar da Arábia, o Mar Vermelho, Egito, golfo Pérsico e Mesopotâmia. Poderia haver, e provavelmente havia, uma rota pelo Antigo Império, através do rio Urubamba, como indicaram os locais megalíticos e a descoberta de estanho puro em Machu Pichu. Essa rota leva ao Amazonas e à ponta noroeste da América do Sul, depois, através do Atlântico, para a África Ocidental e o Mediterrâneo.Então, à medida que os centro-americanos atingiram um certo grau de civilização, uma terceira, e mais rápida alternativa, foi oferecida pela estreita faixa que servia como ponte de terra entre o oceano Pacífico e o Atlântico, via mar do Caribe. Esta rota seria seguida, tempos mais tarde, na direção contrária, pelos con­quistadores.A terceira rota, da civilização olmeca, deve ter se tornado a preferida depois de 2000 a.C., como fica evidenciado pela pre­sença de traços do Mediterrâneo pois em 2024 a.C. os nefelim, liderados por Ninurta, temendo que o espaçoporto do Sinai fosse tomado por seguidores de Marduk, destruíram-no com armas nucleares.Sem se deter, a nuvem mortal seguiu para o leste, atingindo a região da Mesopotâmia, devastando a Suméria e sua última capital, Ur. Como se o destino tivesse traçado, a nuvem se desviou para o sul, poupando a Babilónia. Sem perder tempo, Marduk atacou à frente de um exército de cananitas e amoritas, seus seguidores, declarando-se rei da Babilônia.Foi então, acreditamos, que foi tomada a decisão de levar os seguidores africanos da civilização de Thoth/Quetzalcoatl a criar um reino na América Central.Um dos raros estudos académicos, admitindo que os olmecas eram negróides africanos, é o de Leo Wiener, professor de línguas na Universidade de Harvard. Em seu livro, África and the Discovery of America ("A África e o Descobrimento da América"), ele conclui — baseado em características raciais e outras, principalmente em análise linguística — que a língua olmeca provinha do grupo linguístico Mande, da África Ocidental, entre o rio Niger e o Congo. Porém, escrevendo em 1920, antes que a ver­dadeira época da presença dos olmecas na América fosse esta­belecida, ele levantou a hipótese de que os olmecas teriam sido trazidos para o território centro-americano por mercadores ára­bes da Idade Média.Meio século depois outro grande estudo académico, Unexpected Faces in Ancient America ("Rostos Inesperados na América Anti­ga"), de Alexander von Wuthenau, deu novo passo para a so­lução do problema. Enriquecido com uma profusão de fotografias de representações de feições semíticas e negróides de herança centro-americana, o estudo encontra o primeiro elo entre o Velho e o Novo Mundo no reinado do faraó egípcio Ramsés III (século 20 a.C.). Para Wuthenau, os olmecas seriam ps cuchitas da Núbia (a principal fonte do ouro egípcio). Outros africanos, diz ele, poderiam ter vindo em "navios fenícios e judeus", entre 500 e 200 d.C. Ivan van Sertima retoma o assunto em They Carne Before Columbus ("Eles Vieram Antes de Colombo"), aceitando a solução cuchita. Segundo Sertima, quando os reis negros de Kush ascenderam ao trono do Egito, na vigésima segunda di­nastia, no século 18 a.C., eles, negociando com prata e bronze, talvez por naufrágio vieram a dar na América Central.Essa conclusão se originou da datação das cabeças gigantes dos olmecas, mas hoje sabemos que esse povo começou a voltar em 2000 a.C. Quem, então, seriam esses africanos? Sustentamos que os estudos linguísticos de Leo Wierner são correios, mas não a sua época. Quando se comparam as feições das colossais cabeças olmecas (fig. 138a) com as dos africanos ocidentais (como a desse líder da Nigéria, o general I. B. Banagida - fig. 138b), a lacuna de milhares de anos não interfere na seme­lhança óbvia. É dessa parte da África que Thoth poderia ter tra­zido seus seguidores especialistas em mineração, pois lá existe em abundância ouro, estanho, e cobre para fabricar bronze. A Nigéria é conhecida por suas estatuetas de bronze — moldadas segundo a nossa conhecida técnica da Cera Perdida — há milênios. Pesquisas recentes dataram através do carbono esse objetos e alguns remontam a 2100 a.C.


É na África Ocidental, que um país — Gana — ostentou por séculos o nome Costa do Ouro. Era isso o que produzia — uma fonte de ouro conhecida desde o tempo dos fenícios. Temos ali, também, o povo ashanti, renomado por suas habilidades em ou­rivesaria. Entre seus trabalhos estão pesos de ouro em forma de pequenas pirâmides com degraus (fig. 139) — numa terra onde não existia esse tipo de estrutura.Acreditamos que, quando a ordem do Velho Mundo foi con­testada, Thoth assumiu a tarefa de levar seus seguidores para uma nova terra, criando uma nova civilização com outro tipo de mineração.Com o tempo, como demonstramos, os olmecas mudaram para o sul, a princípio, para a costa mexicana do Pacífico, depois, atravessaram o istmo e penetraram na América do Sul. Seu último destino foi a área Chavin. Lá, encontraram os mineradores de ouro de Adad, o povo do cetro de ouro.A idade de ouro dos Novos Reinos não durou para sempre. Os locais olmecas no México sofreram destruições; os próprios olmecas e seus companheiros barbados tiveram um fim brutal. A cerâmica mochica representa gigantes escravizados e deuses alados lutando com lâminas de metal. O Antigo Império teste­munhou guerras tribais e invasões. E, nos planaltos do Titicaca, as lendas aimaras relembram invasores marchando para as mon­tanhas da costa e matando homens brancos que ainda se encon­travam por lá.Seriam esses acontecimentos um reflexo dos conflitos entre os nefelim, nos quais, eles envolveram cada vez mais a Humani­dade? Ou tudo teria começado depois que os deuses foram em­bora — velejando pelo mar, depois subindo aos céus? Qualquer que tenha sido o acontecimento, é certo que naquela época as ligações entre os Velhos e os Novos Reinados foram quebradas. No Velho Mundo, as Américas tornaram-se uma té­nue lembrança — pistas nesse ou naquele escritor clássico, his­tórias da Atlântida transmitidas por sacerdotes egípcios, mapas insólitos representando continentes desconhecidos. Seria tudo mito, ou existiria mesmo uma terra de ouro e estanho além dos Pilares de Hércules? Com o tempo, os Novos Reinos tornaram-se os Reinos Perdidos para os ocidentais.Nos Novos Reinos, o passado brilhante tornou-se apenas uma memória legendária com o passar dos séculos. Mas as memórias não morrem e as histórias ficam, contando como tudo começou, os feitos de Quetzalcoatl e Viracocha e de como um dia eles ainda voltarão.

THE LOST REALMS

Ao encontrarmos cabeças gigantes, paredes megalíticas, cida­des abandonadas, um portão solitário com seu Deus que chora, temos vontade de perguntar: será que os povos americanos ti­nham razão ao nos contar que os deuses tinham estado entre eles e que um dia voltariam ? Pois até que o homem branco aparecesse outra vez, trazendo apenas massacre, o povo do Andes, onde tudo começou, estava ali a olhar para os recintos dourados vazios e a esperar, contra tudo e contra todos, ver novamente seu alado Deus das Lágrimas de Ouro.Novas pesquisas e descobrimentos vem surgindo para uma nova consciência para a humanidade, através dos estudos de Zecharia Sitchin que contribuem para um despertar de consciência. A partir dessas informações e de tantas outras que pudemos reuni-las e verificar um pequeno e importante “quebra-cabeças” que surgiu devido a nossos estudos de muitos anos. A importância dessas informações será compreendida ou não pelo grau de consciência de cada um, pois existe uma reunião de informações entre o velho e o novo mundo, pois essas informações estão por ai a fora e é só reuni-las e chegar a essas conclusões no qual chegamos e como essas informações estão agindo e criando uma nova realidade no planeta e em toda a humanidade.



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