domingo, julho 29, 2012

Coleção Zecharia Sitchin Livro 1 / O 12º Planeta - 3ª PARTE

SeLagash, como nós sugerimos, era uma das cidades que servia de farol deaterrissagem, então grande parte da informação fornecida por Gudea no 3º. milênioa.C. passa a fazer sentido. Ele escreveu que, quando Ninurta lhe deu instruçõespara reconstruir o sagrado recinto, um deus acompanhante forneceu-lhe os planosarquitetônicos (esboçados numa barra de pedra) e uma deusa (que "viajaraentre o céu e a terra" na sua "câmara") mostrou-lhe um mapacelestial e deu-lhe instruções sobre os alinhamentos astronômicos da estrutura.
Alémdo "pássaro preto divino", foram instalados no recinto sagrado o"terrível olho" do deus ("o grande feixe de luz que submete omundo ao seu poder") e o "controlador do mundo" (cujo som podia"reverberar por todos os lados"). Finalmente, quando a estruturaficou pronta, o "emblema de Utu" foi erguido sobre ela, de frente"para o local de levantamento de Utu", em direção ao aeroporto espacialde Sippar. Todos estes objetos luminosos eram importantes para as operações noaeroporto espacial, uma vez que o próprio Utu "apareceu alegremente"para inspecionar as instalações acabadas.
Remotasdescrições sumérias mostram freqüentemente estruturas sólidas, construídas emtempos primevos de juncos e madeira, situadas em campos por entre o gado quepastava. A suposição corrente de que estas estruturas seriam estábulos paragado é contestada pelos pilares que, invariavelmente, são mostrados projetando-sedos telhados de tais estruturas.
Oobjetivo do pilar, como se pode ver, era suportar um ou mais pares de"anéis", cuja função não é mencionada. Embora estas estruturas fossemerigidas nos campos, devemos perguntar-nos se elas foram construídas para abrigargado. Os pictogramas sumérios expressam a palavra DUR ou TUR significando("residência", "local de reunião") por meio de desenhosque, indubitavelmente, representam as mesmas estruturas mostradas já nos seloscilíndricos; mas estes tornam claro que o principal modelo da estrutura nãoeram os "chapéus' " mas a torre das antenas. Pilares similares com"anéis" foram colocados também nas entradas dos templos, nos limitesdos recintos sagrados dos deuses, e não apenas no exterior, no campo.
Seriamestes objetos antenas ligadas a equipamento de radiodifusão? Seriam os pares deanéis radares emissores, colocados nos campos para guiar os ônibus espaciaisque chegavam? Os pilares semelhantes a olhos seriam aparelhos de perscrutação,os "olhos-que-tudo-vêem" dos deuses, dos quais muitos textos falavam?



Sabemos que o equipamento ao qual estavamligados estes vários aparelhos era portátil, uma vez que os selos sumériosrepresentam "objetos divinos" semelhantes a caixas, sendotransportados por barco ou instalados em animais, que carregavam os objetosmais para o interior depois de os barcos terem atracado.



Quandovemos o aspecto dessas "caixas-pretas", vêem-nos à mente a imagem daArca da Aliança construída por Moisés sob as instruções de Deus. O cofre teriade ser feito de madeira, coberto de ouro tanto por dentro como por fora - asduas superfícies condutoras de eletricidade eram isoladas pela madeira entreelas. Um kapporeth, também feito de ouro, teria de ser colocado sobre o cofre esegurado por dois querubins moldados em ouro sólido. A natureza do kapporeth(significando, especulam os estudiosos, "cobrindo") não é clara, maseste versículo do livro do Êxodo sugere seu fim: "E eu me dirigirei a tide sobre o Kapporeth, de entre os dois Querubins".
Aconclusão de que a Arca da Aliança era fundamentalmente uma caixa decomunicações operada eletricamente é corroborada pelas instruções referentes aomodo de carregá-la. Ela devia ser transportada por meio de bastões de madeirapassados através de quatro argolas de ouro. Ninguém devia tocar no própriocofre, e, quando um israelita o fez, ele foi instantaneamente morto, como quepor uma carga elétrica de alta-voltagem.
Este equipamento aparentemente sobrenatural, quetornava possível comunicar com uma deidade embora essa deidade estivessefisicamente num outro local, tornou-se objeto de veneração, "símbolosagrado do culto". Os templos em Lagash, Ur, Mari e outros antigos locaisincluíam entre os objetos de devoção "ídolos de olho". O exemplo maisproeminente foi encontrado num "templo de olho" em Tell Brak, nonoroeste da Mesopotâmia. Este templo do 4º. milênio era assim chamado não sóporque foram desenterradas centenas de símbolos “olho", mas principalmenteporque o interior do lugar sagrado do templo tinha apenas um altar, no qualestava exposto, numa enorme pedra, um símbolo de "olho duplo".


Comtoda a certeza, este era uma simulação do atual objeto divino, o "terrívelolho" de Ninurta, ou o que estava no Centro de Controle da Missão de Enlilem Nippur, sobre o qual o antigo escriba relatou: "Seu Olho erguidoperscruta a Terra... Seu Feixe erguido pesquisa a Terra".
O planalto sem relevos da Mesopotâmia necessitava, aoque parece, da elevação artificial de plataformas nas quais o equipamentorelacionado com o espaço teria de ser colocado. Textos e representaçõespictóricas não deixam dúvidas de que as estruturas abrangem desde as maisremotas cabanas de campo até as posteriores plataformas de andares, alcançáveispor lances de escadas e rampas que conduzem de um andar mais baixo e largo atéum patamar superior mais estreito, e assim por diante. No topo do zigurate eraconstruída uma verdadeira residência para os deuses, rodeada por um pátio planoemparedado para abrigar o "pássaro" e as "armas". Umzigurate retratado num selo cilíndrico não só mostra a costumeira construçãopatamar-sobre-patamar, como também duas "antenas de anel", cujaaltura parece equivaler a três andares.


Mardukafirmou que o zigurate e o complexo do templo em Babilônia (o E.SAG.IL) foramconstruídos sob suas próprias instruções, de acordo também com a"escritura dos céus superiores". Uma barra (conhecida por Barra deSmith, de acordo com o nome de seu decifrador) analisada por André Parrot(Zigurates e a Torre de Babel) demonstrou que o zigurate de sete andares era umquadrado perfeito mas com o primeiro andar ou base tendo lados de 15 gar cadaum. Cada andar sucessivo era menor em área e em altura, exceto o último patamar(a residência do deus), que tinha uma maior altura. A altura total, todavia,era de novo igual a 15 gar, e assim a estrutura inteira não só era um perfeitoquadrado, como também um perfeito cubo.
Ogar empregado nestas medições era equivalente a 12 pequenos cúbitos -aproximadamente 6m. Dois estudiosos, H. G. Wood e L. C. Stecchini, mostraramque a base sexagesimal suméria, o no. 60, determinava todas as mediçõesprimárias dos zigurates mesopotâmicos. Assim, cada lado media 3 por 60 cúbitosem sua base e o total era de 60 gar.




Qualo fator que determinou a altura de cada patamar? Stecchini descobriu que, semultiplicasse a altura do primeiro andar (5.5 gar) por cúbitos quadrados, oresultado seria 33, ou seja, a latitude aproximada da Babilônia (32,5° N.).Calculando de modo similar, o segundo andar elevava o ângulo de observação para51°, e cada um dos quatro andares seguintes erguia esse ângulo em 6°. Osétimo andar ficava, deste modo, no topo de uma plataforma erguida a 75° acimado horizonte à latitude geográfica da Babilônia. Este patamar final acrescentava15°, permitindo ao observador erguer os olhos em linha reta, a um ângulo de90°. Stecchini concluiu que cada patamar atuava como um patamar de observatórioastronômico, com uma elevação predeterminada relativa ao arco do céu.
Claroque pode ter havido outras razões "ocultas" nestas medições. Enquantoa elevação de 33° não era muito exata para a Babilônia, era precisa paraSippar. Haveria relação entre a elevação de 6° em cada um dos quatro andares eas distâncias de 6 beru entre as cidades dos deuses? Estariam os sete andaresrelacionados de algum modo com a localização das primeiras sete colônias, oucom a posição da Terra como o sétimo planeta?
G.Martiny (Astronomisches zur babylonischen Turm) [O Astronômico para a TorreBabilônica] mostrou que estes padrões do zigurate tomavam-no adequado àsobservações celestes e que o andar mais elevado do Esagila estava voltado nadireção do planeta Shupa (que identificamos como Plutão) e a constelação Áries.




Masteriam os zigurates sido erguidos unicamente para observar as estrelas e osplanetas, ou será que tinham também a finalidade de servir as missões espaciaisdos Nefilim? Todos os zigurates estavam orientados de modo que seus cantosapontassem exatamente o norte, o sul, o leste e o oeste. Como resultado, seus ladoscorriam precisamente em ângulos de 45° em relação às quatro direções cardeais.Isto significava que um ônibus espacial estranho podia seguir certos lados dozigurate para pousar exatamente ao longo da rota de vôo, e chegar a Sippar semdificuldade!
Onome acádio/babilônico para estas estruturas, zukiratu, conotava "tubo deespírito divino". Os sumérios chamavam ESH aos zigurates; o termodesignava "supremo" ou "mais alto", o que de fato estasestruturas eram. Podia também denotar uma entidade numérica relacionada com oaspecto de "medição" dos zigurates. E significava ainda "umafonte de calor" ("fogo" em acádio e hebreu).
Atéos estudiosos que abordaram o assunto sem nossa interpretação “espacial"não puderam fugir à conclusão de que os zigurates tinham outra finalidade alémde fazer da residência de deus um edifício "construído alto". SamuelN. Kramer resumiu o consenso escolástico: "O zigurate, a torre de andares,que se tornou a marca do contraste da arquitetura de templos da Mesopotâmia...tinha por intenção servir de elo de ligação, tanto real como simbólico, entreos deuses no céu e os mortais na terra.”
Nósmostramos, todavia, que a verdadeira função destas estruturas era pôr emcontato os deuses no céu com os deuses - não os mortais - na Terra.

11
Motim dos Anunnaki

Depoisde Enlil ter chegado em pessoa à Terra, o "Comando Terra" foitransferido das mãos de Enki. Provavelmente nesta altura o nome ou epíteto deEnki foi mudado para E.A ("senhor das águas") mais do que para"senhor da terra".
Ostextos sumérios explicam que nessa remota idade, à chegada dos deuses à Terra,foi acordada uma separação de poderes: Anu devia ficar nos céus e governar oDécimo Segundo Planeta; Enlil devia comandar as terras; e Ea foi encarregadodos AB.ZU (apsu em acádio). Levados pelo significado "aquático" donome E.A, os estudiosos traduziram AB.ZU como "profundeza aquática",imaginando que, como na mitologia grega, Enlil representava o trovejante Zeus eEa era o protótipo de Poséidon, deus dos oceanos.
Noutrascircunstâncias, o domínio de Enlil é referido como o Mundo Superior e o de Ea éo Mundo Inferior; de novo, os estudiosos consideraram que os termossignificavam que Enlil controlava a atmosfera da Terra enquanto Ea eragovernante das "águas subterrâneas", o paralelo do Hades grego em queos mesopotâmios supostamente acreditavam. O nosso próprio termo abismo (abyss,em inglês), que deriva de apsu, denota águas escuras e profundas nas quaispodemos afundar e desaparecer. Deste modo, quando os estudiosos deparavam comtextos mesopotâmicos descrevendo este Mundo Inferior, traduziam-no porUnterwelt ("mundo subterrâneo", em alemão) ou Totenwelt ("mundodos mortos", em alemão). Apenas há poucos anos puderam os sumeriologistasmitigar, de algum modo, a agourenta conotação usando na tradução o termo mundobaixo.
Ostextos mesopotâmicos mais responsáveis por esta má interpretação foram umasérie de liturgias lamentando o desaparecimento de Demuzi, mais conhecido nostextos bíblicos e cananitas como deus Tamuz. Foi com ele que Inanna/Ishtarmanteve seu mais celebrado caso de amor; e quando ele desapareceu, ela desceuao Mundo Inferior para o procurar.
Aimportante obra de P. Maurus Witzel (Tammuz-Liturgen und Verwandtes) {Liturgiasde Tamuz e Aparentadas}, sobre os "Textos de Tamuz" sumérios eacádios, apenas ajudou a perpetuar esta concepção errônea. Os contos épicos daprocura de Ishtar foram tomados para significar uma viagem "ao reino dosmortos, e o seu [de Inanna] eventual regresso à terra dos vivos".
Ostextos sumérios e acádios descrevendo a descida de Inanna/Ishtar ao MundoInferior informam-nos que a deusa decidiu visitar sua irmã Ereshkingal, senhorado local. Ishtar não foi a tal local nem morta nem contra sua expressa vontade- foi lá viva e sem convite, abrindo seu caminho, ameaçando o guarda do portão:


Se tu não abrires o portão para que eu nãopossa entrar,
Eu esmagarei a porta, eu despedaçarei oferrolho,
Eu esmagarei o poste da porta, eu moverei asportas.

Uma um, os sete portões que levam à residência de Ereshkigal abriram-se paraIshtar; quando finalmente chegou, Ereshkigal viu-a e enfureceu-se, literalmente(o texto acádio diz "explodiu à sua presença"). O texto sumério, vagoacerca do objetivo da viagem ou da causa da ira de Ereshkigal, revela que Inannaesperava tal recepção. Ela preocupou-se em notificar as outras deidadesprincipais com a devida antecedência sobre sua viagem e assegurou-se de queelas dariam os passos necessários para a salvarem, caso fosse aprisionada no"Grande Abismo".
Oesposo de Ereshkigal - e Senhor do Mundo Inferior - era Nergal. A maneira pelaqual chegou ao Grande Abismo e se tornou seu senhor não só nos esclarece acercada natureza humana dos "deuses", como representa também o MundoInferior como nada mais que "um mundo dos mortos”.
Oconto, encontrado em várias versões, começa com um banquete, no qual osconvidados de honra eram Anu, Enlil e Ea. O banquete foi celebrado "noscéus", mas não na residência de Anu no Décimo Segundo Planeta. Talvez essebanquete tivesse lugar a bordo de uma nave espacial em órbita porque, quandoEreshkigal não pôde subir para se reunir a eles, os deuses mandaram-lhe ummensageiro que “desceu a longa escadaria dos céus, alcançou o portão deEreshkigal". Tendo recebido o convite, Ereshkigal instruiu seuconselheiro, Namtar:

Ascende, Namtar, a longa escadaria dos céus;
Retira o prato da mesa, toma minha parte;
O que quer que Anu te dê, traz tudo isso amim.

QuandoNamtar penetrou na sala do banquete, todos os deuses, exceto um "deuscalvo, sentado atrás", se levantaram para o cumprimentar. Namtar relatou oincidente a Ereshkigal quando regressou ao Mundo Inferior. Ela e todos osdeuses secundários do seu domínio foram insultados. Ela exigiu então que o deusofensor lhe fosse enviado para ser castigado.
Oofensor, porém, era Nergal, um filho do grande Ea. Depois de uma severareprimenda passada por seu pai, Nergal foi instruído no sentido de fazer aviagem sozinho, armado apenas de muitos conselhos paternais sobre o seucomportamento. Quando Nergal chegou ao portão, foi reconhecido por Namtar comoo deus ofensor e conduzido ao "largo pátio da corte de Ereshkigal",onde o submeteram a vários testes.
Maiscedo ou mais tarde, Ereshkigal foi tomar seu banho diário.

...Ela revelou seu corpo.
O que é normal para um homem e uma mulher,
Ele... no seu coração...
...Eles abraçaram-se,
Apaixonadamente eles dirigiram-se ao leito.

Durantesete dias e sete noites eles fizeram amor. No Mundo Superior foi dado o alarmepelo desaparecido Nergal. "Liberta-me", disse ele a Ereshkigal."Eu partirei e eu regressarei", prometeu. Mas mal tinha ele partido elogo Namtar foi ter com Ereshkigal e acusou Nergal de não ter nenhuma intençãode regressar. Mais uma vez Namtar foi enviado a Anu. A mensagem de Ereshkigalera clara:

Eu, tua filha, fui jovem;
Não conheci os jogos das donzelas...
Aquele deus que tu mandaste,
E que teve relações comigo ­ -
Envia-o a mim para que possa ser meu marido,
Para que possa recolher-se comigo.

Talveznão ainda com a vida matrimonial em mente, Nergal organizou uma expediçãomilitar e assaltou os portões de Ereshkigal, pretendendo "cortar suacabeça". Mas Ereshkigal suplicou:

Sê tu meu marido e serei tua mulher.
Eu deixar-te-ei possuir domínio
Sobre a larga Terra Inferior.
Eu colocarei a Barra da Sabedoria em tuasmãos.
Tu serás o Senhor, eu serei a Senhora.

Edepois aconteceu o final feliz:

Quando Nergal ouviu as palavras dela,
Segurou sua mão e beijou-a,
Secando as lágrimas:
Aquilo que tu desejaste para mim
Desde há meses - que aconteça agora!

Osacontecimentos narrados não sugerem uma Terra dos Mortos. Muito pelo contrário,é um local onde os deuses podiam entrar e sair, um lugar de amor,suficientemente importante para ser confiado a uma neta de Enlil e a um filhode Enki. Reconhecendo que os fatos não comprovam a concepção anterior de umaregião triste, W. F. Albright (Mesopotamian Elements in Canaanite Eschatology)[Elementos Mesopotâmicos na Escatologia Cananita] sugeriu que o domicílio deDumuzi no Mundo Inferior era um "brilhante e fecundo lar no paraísosubterrâneo chamado 'a boca dos rios' que estava intimamente associado ao larde Ea no Apsu".
Olocal ficava longe e era difícil de alcançar; com toda a certeza, tratava-­sede uma "área restrita" de algum modo, mas dificilmente um "localsem regresso". Dizia-se de Inanna, assim como de outras divindadesdominantes, que iam e voltavam deste Mundo Inferior. Enlil foi banido para oAbzu durante uns tempos depois de ter violado Ninlil. E Ea era um viajantevirtual entre Eridu na Suméria e o Abzu, trazendo ao Abzu "a habilidade.dos artesãos de Eridu" e estabelecendo ali "um santuáriosupremo" para si próprio.
Longede ser escuro e desolado, o local era descrito como resplandecente com águacorrente.

Uma terra rica, amada por Enki;
Explodindo em riquezas, perfeita naabundância...
Cujo poderoso rio corre através da terra.

Vimosas muitas representações de Ea como o Deus das Águas Fluentes. É evidente, apartir das fontes sumérias, que estas águas fluentes existem realmente não naSuméria, mas no Grande Abismo. W. F. Albright chamou a atenção para um textotratando do Mundo Inferior como a terra de UT.TU - "no oeste" daSuméria. Esse texto fala de uma viagem de Enki ao Apsu:

Para ti, Apsu, pura terra,
Onde as grandes águas fluem rapidamente,
Para o Domicílio das Águas Fluentes
A que o próprio Senhor recorre...
O Domicílio das Águas Fluentes
Enki nas puras águas estabeleceu;
No meio do Apsu,
Um grande santuário ele estabeleceu.

Segundodizem, o local ficava situado para além de um mar. Um lamento pelo "filhopuro", o jovem Dumuzi, relata que ele foi levado num barco para o MundoInferior. A "Lamentação sobre a Destruição da Suméria" descreve comoInanna conseguiu introduzir-se furtivamente a bordo de um barco que estava àespera. "Das suas possessões ela avançou navegando. Ela desce ao MundoInferior.”
Umlongo texto, pouco compreendido porque dele não foi encontrada nenhuma versãointacta, aborda uma grande disputa entre Ira (título de Nergal como Senhor doMundo Inferior) e seu irmão Marduk. Durante o curso da disputa, Nergal deixouseu domínio e confrontou-se com Marduk na Babilônia; Marduk, por outro lado,ameaçou: "Para o Apsu eu descerei, para inspecionar os Anunnaki... minhasfuriosas armas contra eles erguerei". Para alcançar o Apsu, ele deixou aterra da Mesopotâmia e viajou sobre "águas que se elevavam". Seudestino era Arali na "fundação" da terra, e os textos fornecem umapista precisa quanto à localização desta "fundação":


No mar distante,
100 beru de água [ao longe]...
O solo de Arali [é]...
É onde as Pedras Azuis causam doença
Onde o artífice de Anu
Carrega o Machado de Prata, que brilha comoo dia.

Oberu, tanto uma unidade agrária como cronológica, era provavelmente usado naúltima acepção quando estavam envolvidas viagens sobre a água. Porque equivaliaa uma hora dupla, uma centena de beru significava duzentas horas de navegação.Não temos meios de determinar a velocidade real ou média de navegação empregadanestes antigos cálculos de distância. Mas não há dúvida de que uma terra realmentedistante era alcançada depois de uma viagem por mar de mais de 3 ou 4 milquilômetros.
Ostextos indicam que Arali situava-se a oeste e ao sul da Suméria. Um barcoviajando 3 ou 4 mil quilômetros na direção de sudoeste a partir do golfoPérsico podia ter apenas um destino: as costas da África do Sul.
Sótal conclusão pode explicar os termos Mundo Inferior, significando o hemisfériosul, onde ficava a terra de Arali, quando contrastado com o Mundo Superior, ouo hemisfério norte, onde ficava situada a Suméria. Tal divisão dos hemisfériosda terra entre Enlil (a norte) e Ea (a sul) comparava-se à designação dos céussetentrionais como a Via de Enlil e os céus meridionais como a Via de Ea.
Acapacidade dos Nefilim em empreender viagens interplanetárias, orbitar a Terrae nela aterrissar devia evitar a questão sobre a possibilidade dos Nefilimsaberem da existência da África Meridional, para além da Mesopotâmia. Muitosselos cilíndricos descrevendo animais característicos da área (tais como azebra ou a avestruz), cenas da selva ou governantes envergando peles deleopardo segundo a tradição africana atestam uma "conexão africana".
Queinteresse tinham os Nefilim nesta parte de África, desviando para ela o gêniocientífico de Ea e concedendo aos importantes deuses encarregados da Terra uma"Barra da sabedoria" única?
Otermo sumério AB.ZU, que os estudiosos acreditaram que significasse"profundeza aquática", requer uma nova e crítica análise.Literalmente, o termo significava "profunda fonte primeva" - não necessariamentede águas. De acordo com as regras gramaticais sumérias, das duas sílabas de umtermo qualquer podia proceder a outra sem alterar o significado da palavra, como resultado de AB.ZU e ZU.AB significarem a mesma coisa. A pronúncia posteriordo termo sumério permite a identificação do seu paralelo nas línguas semitas,uma vez que za-ab sempre significou e ainda significa "metalprecioso", especificamente "ouro", em hebraico e nas línguasirmãs.
Opictograma sumério para AB.ZU era uma escavação profunda na Terra, com umahaste sobreposta. Deste modo, Ea não era o senhor de uma "profundezaaquática" indefinida, mas o deus encarregado da exploração dos minerais daTerra!


Defato, o grego abyssos, adotado do apsu acádio, significava também um buracoextremamente profundo no solo. Os manuais acádios explicavam que "apsu énikbu"; o significado da palavra e de seu equivalente hebraico nikba émuito preciso: trata-se de um corte ou perfuração profundos e feitos pelo homemno solo.
P.Jensen (Die Cosmologie der Babylonier) [A Cosmologia dos Babilônios] observavaem 1890 que o termo acádio Bit Nimiku (freqüentemente encontrado) não devia sertraduzido. como "casa de sabedoria", mas como "casa daprofundidade". Ele citava um texto (V.R.30, 49-50ab) que afirmava: "Éde Bit Nimiku que vinham o ouro e a prata". Outro texto (III.R.57, 35ab),salientou ele, explicava que o nome acádio "Deusa Shala de Nimiki"era a tradução do epíteto sumério "Deusa que Manuseia o BrilhanteBronze". O termo acádio nimiku, que foi traduzido por"sabedoria", concluiu Jensen, "tinha a ver com metais".Perguntado por que, admitiu ele simplesmente: "Eu não o sei".
Algunshinos mesopotâmicos exaltam Ea como Bea Nimiki, traduzido "senhor dasabedoria", a tradução correta devia ser, indubitavelmente, "senhordas minas". Tal como a Barra dos Destinos em Nippur contém dados orbitais,segue-se que a Barra da Sabedoria confiada a Nergal e Ereshkigal era de fatouma "Barra de Mineração" um "banco de dados" pertencendo àsoperações mineiras dos Nefilim.
ComoSenhor do Abzu, Ea era assistido por outro filho, o deus GI.BIL ("ele quequeima o solo"), que tinha a seu cargo o fogo e a fundição. O Ferreiro daTerra era normalmente representado como um jovem deus cujos ombros emitiamraios quentes e vermelhos ou chispas de fogo, emergindo do solo ou prestes adescer para seu exterior. Os textos afIrmam que Gibil foi embebido por Ea em"sabedoria", significando que Ea lhe ensinara técnicas de mineração.

Osminérios de metal extraídos no sudeste da África pelos Nefilim eram levadospara a Mesopotâmia por navios de carga especialmente desenhados para esse fim,chamados MA.GUR UR.NU AB.ZU ("barco para minérios do MundoInferior"). Ali, os minérios eram levados para Bad-Tibira, cujo nome significava,literalmente, "a fundação do trabalho em metal". Fundidos erefinados, os minérios eram moldados em lingotes cuja forma permaneceuinalterável ao longo do Mundo Antigo durante milênios. Estes lingotes foramrealmente encontrados em várias escavações no Oriente Médio, confirmando acredibilidade dos pictogramas sumérios como representações verdadeiras dosobjetos que eles "transcreviam"; o signo sumério para o termo ZAG("purificado precioso") era a gravura de tal lingote. Em tempos maisanteriores, esse lingote tinha claramente um orifício ao longo do seucomprimento, através do qual era inserida uma vara para transporte.

Váriasdescrições de um Deus das Águas Fluentes mostram-no flanqueado por portadoresde tais preciosos lingotes de metal, indicando que ele era também o Deus daMineração.

Osvários nomes e epítetos para a Terra de Minas africana de Ea estão repletos depistas para sua localização e natureza. Era conhecida como A.RA.LI ("localdos brilhantes veios"), a terra de onde vinham os minérios de metal.Inanna, planejando sua descida ao hemisfério sul, refere-se ao lugar como aterra onde "o precioso metal é coberto com o solo", onde é encontradono subsolo. Um texto mencionado por Erica Reiner, listando as montanhas e osrios do mundo sumério, afirmava: "Monte Arali: lar do ouro"; um textofragmentário descrito por H. Radau confirmou que Arali era a terra da qualBad-Tibira dependia para a continuidade de suas operações.
Ostextos mesopotâmicos falavam da Terra de Minas como sendo montanhosa, complanaltos e estepes cobertos de relva e luxuriante vegetação. A capital deEreshkigal nessa terra era descrita pelos textos sumérios como sendo GAB.KUR.RA("no coração das montanhas"), bem para o interior. Na versão acádiada viagem de Ishtar, o guarda do portão dá-lhe as boas­-vindas:

Entra, senhora minha,
Que Kutu rejubile com tua presença;
Que o palácio da terra de Nugia
Tenha prazer com tua presença.

Transportandopara o acádio o significado “aquele que está no coração da terra", o termoKU.TU em sua origem suméria significava também "os brilhantes terrenoselevados". Era uma região, sugerem todos os textos, de dias brilhantes,inundados pela luz do Sol. Os termos sumérios para ouro (KU:GI -"brilhante fora da terra") e prata (KU.BABBAR -"brilhante ouro") mantiveram a associação original destes metaispreciosos com o resplandecente (Ku) domínio de Ereshkigal.
Ossignos pictográficos usados na primeira escrita da Suméria revelam grandefamiliaridade não só com diversos processos metalúrgicos, mas também com o fatode as fontes de metais serem minas escavadas dentro da terra. Os termos paracobre e bronze ("pedra bonita-brilhante"), ouro ("o supremometal minerado") ou "refinado"("brilhante-purificado") eram todos pictogramas diferentes para poçode mina ("abertura/boa para metal vermelho-escuro").


Onome da terra - Arali - podia ser escrito também como uma variante dopictograma para "vermelho-escuro" (solo), de Kush ("vermelho­-escuro",mas ao tempo significando "negro"), ou dos metais aí minerados; ospictogramas descreviam sempre variantes de um poço de mina.
Amplasreferências a ouro e outros metais nos textos antigos sugerem familiaridade coma metalurgia desde os mais remotos tempos. Existiu nos primórdios dacivilização um comércio ativo de metais, resultado do conhecimento legado àhumanidade pelos deuses que, dizem os textos, se ocuparam com a mineração emetalurgia muito antes do aparecimento do homem. Muitos estudos quecorrelacionam os contos divinos mesopotâmicos com a lista de patriarcasbíblicos do período pré-diluviano salientam que, de acordo com a Bíblia,Tubal-cainera um "artífice de ouro, cobre e ferro" muito antes dodilúvio.

OAntigo Testamento reconhecia a terra de Ophir, que ficava provavelmente naÁfrica, como uma fonte de ouro na Antiguidade. Os comboios de barcos do reiSalomão desceram o mar Vermelho desde Ezion-geber (atual Elath). "E elesforam para Ophir e apanharam aí ouro." Não desejando arriscar-se a umademora na construção do Templo do Senhor em Jerusalém, Salomão combinou com seualiado Hiram, rei de Tiro, enviar uma segunda frota a Ophir por uma rotaalternativa:

E o rei tinha no mar uma armada de Tarshish
Com a armada de Hiram.
Sempre, de três em três anos, vinha a armadade Tarshish,
Trazendo ouro e prata, marfim e chimpanzés emacacos.

Afrota de Tarshish levava três anos a completar uma viagem de ida e volta. Dandoum tempo apropriado para carregar em Ophir, a viagem em cada uma das direçõesdeve ter levado bem mais de um ano. Isto sugere um caminho mais longo do que arota direta via mar Vermelho e oceano Índico, à volta da África.




Amaior parte dos estudiosos localiza Tarshish no Mediterrâneo Ocidental,possivelmente no ou próximo do atual estreito de Gibraltar. Este local seriaideal para embarcar numa viagem à volta do continente africano. Algunsacreditam que o nome de Tarshish significava "fundição".
Muitosestudiosos da Bíblia sugeriram que Ophir podia ser identificado com a atualRodésia. Z. Herman (Peoples, Seas, Ships) {Povos, Mares, Navios} reuniu provasmostrando que os egípcios obtinham vários minerais da Rodésia em tempos muitoantigos. Engenheiros de minas na Rodésia, assim como na África do Sul, muitasvezes procuraram ouro investigando provas de mineração pré-histórica.
Comose atingia a residência de interior de Ereshkigal? Como eram transportados osminérios desde o "coração da terra" até os portos do litoral?Conhecendo a segurança dos Nefilim em navegação fluvial, não devíamos nossurpreender por encontrar um rio importante e navegável no Mundo Inferior. Oconto de "Enlil e Nelil" informa-nos que Enlil foi banido para oexílio no Mundo Inferior. Quando chegou à região, teve de ser transportado porum largo rio.
Umtexto babilônico abordando as origens e o destino da humanidade refere-se aorio do Mundo Inferior como o rio Habur, o "Rio de Peixes e Pássaros".Alguns textos sumérios alcunhavam a terra de Ereshkigal de "Região dePradaria de HA.BUR".
Dosquatro poderosos rios da África, um, o Nilo, corre ao norte para oMediterrâneo; o Congo e o Níger deságuam a oeste no oceano Atlântico, e oZambeze corre desde o coração da África num semicírculo em direção ao orienteaté que atinge a costa leste. Este oferece um amplo delta com bons locais deporto e é navegável para o interior até uma distância de centenas dequilômetros.
Seriao Zambeze o "Rio de Peixes e Pássaros" do Mundo Inferior? Seriam suasmajestosas cataratas de Vitória as quedas de água mencionadas num texto como olocal da capital de Ereshkigal?
Conscientesde que muitos sítios mineiros na África do Sul "recentementedescobertos" e promissores foram locais de mineração na Antiguidade, aCorporação Anglo-Americana convocou equipes de arqueologistas paraexaminar a localidade antes que os modernos equipamentos de remoção de terrasvarressem todos os vestígios de trabalho antigo. Fazendo a reportagem de suasdescobertas na revista Optima, Adrian Boshier e Peter Beaumont afirmaram quedepararam com camadas sobre camadas de vestígios de atividades mineiras antigase pré-históricas e com ossadas humanas. A datação por carbono na Universidadede Yale e na Universidade de Croningen (Holanda) estabeleceu a idade dosobjetos, que abrange desde uns prováveis 2.000 a.C. até uns espantosos 7.690a.C.
Intrigadospela inesperada antiguidade dos achados, a equipe alargou sua zona deinvestigação. Na base de um rochedo virado para as escarpadas vertentesocidentais do pico do Leão, uma laje de cinco toneladas de hematita bloqueava oacesso a uma caverna. Vestígios de carvão de lenha datavam as operações demineração dentro da caverna de 20.000 a 26.000 a.C.
Seriapossível a mineração de metais durante a velha Idade da Pedra? Incrédulos, osestudiosos escavaram um poço num ponto em que, claramente, os antigos mineiroscomeçaram suas operações. Uma amostra de carvão de lenha aí encontrada foienviada ao laboratório de Croningen. O resultado foi uma datação do ano 41.250a.C., com uma margem, para mais ou para menos, de 1.600 anos!
Oscientistas sul-africanos sondavam, então, locais de minas pré-históricos naSuazilândia, ao sul. Nos limites das cavernas de minas desenterradas, elesencontraram ramos de árvore, folhas e relva e até penas, tudo isto,presumivelmente, trazido para dentro pelos antigos mineiros para improvisarleitos. Datando do ano 35.000 a.C., encontraram ossos fendidosque "indicam a capacidade do homem em contar naquele remotoperíodo". Outros vestígios avançavam a idade dos objetos até cerca do ano50.000 a.C.
Acreditandoque “a verdadeira idade da investida da mineração na Suazilândia é maisprovável ser encontrada na ordem do ano 70.000-80.000 a.C.", os doiscientistas sugeriram que "o sul da África... podia bem ter estado navanguarda da invenção e inovação tecnológica durante grande parte do períodosubseqüente ao ano 100.000 a.C."
Comentandoas descobertas, o dr. Kenneth Oakley, ex-antropólogo-chefe do Museu de HistóriaNatural em Londres, encontrou uma significação bastante diferente nos achados."Os achados lançam uma importante luz sobre as origens do homem... é agorapossível que o sul da África tivesse sido o lar evolucionário do homem", eo "local de nascimento" do Homo sapiens.
Comomostraremos, foi realmente aí que o homem moderno apareceu na Terra, através deuma cadeia de acontecimentos engatilhados pela procura de metais pelos deuses.
Tantoos cientistas sérios como os escritores de ficção científica sugeriram que umaboa razão para nós estabelecermos colônias noutros planetas ou asteróidespoderia ser a possibilidade de utilização de minerais raros desses corposcelestes, demasiado escassos ou demasiado dispendiosos de minerar na Terra.Poderia ter sido este o objetivo dos Nefilim ao colonizarem a Terra?
Osestudiosos modernos dividem as atividades do homem na Terra em Idade da Pedra,Idade do Bronze, Idade do Ferro, e assim por diante; nos tempos antigos, noentanto, o poeta grego Hesíodo, por exemplo, listava cinco idades - Ouro,Prata, Bronze, Heróica e Ferro. Exceto quanto à Idade Heróica, todas as antigastradições aceitavam a seqüência ouro-prata­-cobre-ferro. O profeta Daniel teveuma visão na qual viu "uma grande imagem" com uma cabeça de ourofino, peito e braços de prata, abdômen de bronze, pernas de ferro eextremidades, ou pés, de barro.
Mitoe folclore estão repletos de memórias nebulosas de uma Idade do Ouro, associadaem grande parte ao tempo em que os deuses deambulavam pela terra, seguida poruma Idade da Prata e depois pelas idades em que os deuses e os homenspartilhavam a terra - as Idades dos Heróis, do Cobre, do Bronze e do Ferro.Serão estas lendas, de fato, vagas lembranças de reais acontecimentos na Terra?
Ouro,prata e cobre são todos elementos nativos do grupo do ouro. Entram na mesmafamília na classificação periódica por peso atômico e por número; têmpropriedades cristalográficas, químicas e físicas similares: todos são moles,maleáveis e dúcteis. São os melhores condutores de calor e eletricidade detodos os elementos conhecidos.
Dostrês, o ouro é o mais durável, virtualmente indestrutível. Embora conhecidosobretudo por seu uso como dinheiro e em joalheria ou objetos finos, seu valorna indústria eletrônica é quase incalculável. Uma sociedade sofisticada precisado ouro para montagens microeletrônicas, condutores de circuitos impressos e"cérebros" de computador.
Apaixão do homem pelo ouro pode ser seguida até os inícios de sua civilização ereligião, aos seus contatos com os deuses antigos. Os deuses da Suméria exigiamque lhes fosse servida comida em travessas de ouro, água e vinho em taças deouro e que fossem vestidos com trajes dourados. Embora os israelitas tivessemabandonado o Egito tão rapidamente que não lhes sobrou tempo para deixarlevedar o pão, foram-lhes fornecidas instruções para requererem dos egípciostodos os objetos de prata e ouro disponíveis. Esta ordem, como mais tarde descobriremos,antevia a necessidade destes materiais para a construção do tabernáculo e seusequipamentos eletrônicos.
Oouro, a que chamamos o metal real, é na verdade o metal dos deuses. Falando aoprofeta Ageu, o Senhor deixou bem claro, em relação ao seu regresso para ojulgamento das nações: "A prata é minha e o ouro é meu".
As provas sugerem que a própria paixão do homem porestes metais tem suas raízes na grande necessidade dos Nefilim em obterem ouro.Os Nefilim, ao que parece, vieram à Terra à procura do ouro e dos metaisrelacionados. Podem ter vindo também para procurar outros metais raros, talcomo a platina (abundante no sul da África), que pode ativar células decombustível de uma maneira extraordinária. E não deve ser excluída apossibilidade de terem vindo à Terra sondar fontes de minerais radioativos,tais como o urânio e o cobalto - as "pedras azuis que causam doença"do Mundo Inferior, que alguns textos mencionam. Muitas representações mostramEa, como o Deus da Mineração, emitindo tão poderosos raios enquanto sai de umamina que os deuses que o aguardam têm de usar visores de proteção; em todasestas representações, Ea é mostrado segurando uma serra de rocha dos mineiros.


Embora Enki estivesse encarregado do primeiro grupo na Terra e do desenvolvimento do Abzu, o crédito de tudo aquilo que foi realizado ­como aconteceria com todos os generais - não deve ir integral apenas para ele. Aqueles que realmente executaram um trabalho, dia após dia, foram os membros inferiores do grupo, os Anunnaki.

Um texto sumério descreve a construção do centro de Enlil em Nippur. "Os Anunna, deuses do céu e da terra, estão trabalhando. O machado e o cesto de transporte, com os quais fazem os alicerces das cidades, seguram em suas mãos.”

Os textos antigos descrevem os Anunnaki como os deuses de segunda categoria que foram envolvidos na colonização da Terra - os deuses "que realizaram as tarefas". A "Epopéia da Criação" babilônica atribui a Marduk a distribuição dos encargos aos Anunnaki. (O original sumério, podemos imaginar seguramente, falava de Enlil como o deus que deu ordem a estes astronautas.)

Designados para Anu, para observarem suas instruções,

Três centenas nos céus eles estavam como uma guarda;

Para marcar os caminhos dos céus à Terra;

E na Terra,

Seis centenas ele fez residir.

Depois de ter ordenado todas as suas instruções,

Aos Anunnaki do céu e da terra

Ele distribuiu seus encargos.

Os textos revelam que três centenas deles - os "Anunnaki do céu", ou IGIGI - eram verdadeiros astronautas que ficaram a bordo da nave espacial sem aterrissarem realmente na Terra. Orbitando a Terra, esta nave espacial lançava e recebia o ônibus que viajava para a Terra.

Como chefe dos "Águias", Shamash era um convidado bem-vindo e heróico a bordo "da poderosa grande câmara no céu" dos Igigi. Um "Hino a Shamash" descreve como os Igigi observaram Shamash aproximando-se em seu ônibus:

Com teus aparecimentos, todos os príncipes estão contentes;

Todos os Igigi rejubilam por ti...

No brilho da tua luz, seu caminho...

Eles olham constantemente para teu esplendor...

Bem aberta está a porta, inteiramente...

As ofertas de pão de todos os Igigi [esperam-te]

Ficando no alto, os Igigi, evidentemente, nunca foram encontrados pela humanidade. Vários textos dizem que eles estavam "demasiado alto para a humanidade, e, como conseqüência, não estavam preocupados com o povo". Os Anunnaki, por outro lado, que aterrissaram e ficaram na Terra, eram conhecidos e reverenciados pelo gênero humano. Os textos que afirmam que "os Anunnaki do céu... são 300", afirmam também que "os Anunnaki da terra... são 600".

Ainda assim, muitos textos persistem em se referir aos Anunnaki como "os cinqüenta grandes príncipes". Uma pronúncia vulgar do seu nome em acádio, An-nun-na-ki, cria prontamente o significado “os cinqüenta que foram do céu à terra". Haverá meios de estabelecer uma ponte entre as aparentes contradições?

Relembramos o texto que relata como Marduk correu para seu pai Ea para dar conta da perda de uma nave espacial transportando “os Anunnaki que são cinqüenta" quando ela passou próximo de Saturno. Um texto de exorcismo do tempo da terceira dinastia de Ur fala dos anunna eridu ninnubi ("os cinqüenta Anunnaki da cidade de Eridu"). Isto sugere bem que o grupo de Nefilim que fundou Eridu sob o comando de Enki perfazia os cinqüenta elementos. O número de Nefilim em cada grupo que aterrissava poderia ser cinqüenta?

É, acreditamos, bastante compreensível que os Nefilim chegassem à Terra em grupos de cinqüenta. Quando as visitas à Terra se tornaram regulares, coincidindo com horários de lançamento oportunos a partir do Décimo Segundo Planeta, mais Nefilim devem ter começado a vir. De cada vez, alguns dos primeiros visitantes deviam subir num módulo da Terra e reunir-­se à nave espacial para a viagem para casa. Mas, de cada vez, deviam ficar também mais Nefilim e o número de astronautas do Décimo Segundo Planeta para colonizar a Terra aumentou dos cinqüenta do grupo de aterrissagem inicial para os "seiscentos que se estabeleceram na Terra".

Como esperavam os Nefilim levar a bom termo sua missão de conseguir na Terra os minerais desejados e enviar os lingotes de volta para o Décimo Segundo Planeta, com um número tão escasso de mãos?

Sem nenhuma sombra de dúvida, eles confiavam em seu conhecimento científico. É aí que se torna claro todo o valor de Enki, a razão de ele, e não Enlil, ter sido o primeiro a aterrissar, a razão de a ele ter sido atribuído o Abzu.

Um famoso selo agora em exibição no Museu do Louvre mostra Ea com apenas suas usuais águas fluentes, que estas parecem emanar de, ou serem filtradas através de, uma série de garrafas de laboratório.


Uma interpretação tão antiga da associação de Ea com o elemento água levanta a possibilidade de a esperança original dos Nefilim ter sido obter os minerais a partir do mar. As águas dos oceanos contêm realmente vastas quantidades de ouro e outros minerais vitais, mas diluídos em tão larga escala que são necessárias técnicas baratas e altamente sofisticadas para justificar tal "mineração aquática". Sabe-se também que os leitos do mar contêm quantidades imensas de minerais na forma de nódulos do tamanho de ameixas, viáveis apenas se alguém pudesse descer a uma grande profundidade e coletá-los.

Os antigos textos referem-se repetidamente a um tipo de barco usado pelos deuses chamado elippu tebiti ("navio afundado", que agora chamamos submarino). Vimos os "homens-peixes" que estavam associados a Ea. Será isto prova das tentativas em mergulhar nas profundezas dos oceanos e daí retirar as riquezas minerais? A Terra das Minas, como já observamos, foi primeiramente chamada A.RA.LI, "local das águas dos brilhantes veios". Pode referir-se a uma terra em que o ouro era peneirado nos rios e pode também referir-se a tentativas para obter ouro dos mares.

Se estes eram os planos dos Nefilim, claramente não deram em nada. Pouco depois de terem fundado suas primeiras colônias, às poucas centenas de Anunnaki foi atribuída uma tarefa inesperada e muito árdua: descer às profundidades do solo africano e minerar ali os minerais desejados.

Foram encontradas representações em selos cilíndricos que mostram deuses à porta daquilo que parecem ser entradas de minas ou veios de minas. Um mostra Ea numa região em que Gibil está acima da terra e outro deus labuta sob o solo, de joelhos e mãos no chão.


Em tempos posteriores, os textos babilônicos e assírios revelam que homens, novos e velhos, eram sentenciados a um duro trabalho nas minas do Mundo Inferior. Trabalhando na escuridão e recebendo farinha para comer, estavam condenados a nunca mais regressarem à sua pátria. É por este motivo que o epíteto sumério para a terra - KURNU.GI.A - adquiriu a interpretação "terra sem regresso"; seu significado literal era "terra onde deuses-que-trabalham, em profundos túneis, acumulam os veios". Ao tempo em que os Nefilim colonizaram a Terra todas as antigas fontes o atestam, o homem não habitava ainda a Terra, e, na ausência da humanidade, os poucos Anunnaki tinham de trabalhar arduamente. Ishtar, em sua descida ao Mundo Inferior, descrevia o cansado Anunnaki comendo alimentos misturados com argila e bebendo água poluída com poeira.

Com este pano de fundo, podemos entender por completo um longo texto épico chamado (segundo seu verso de abertura, como era costume) "Quando os deuses, como homens, faziam o trabalho".

Reunindo muitos fragmentos tanto das versões babilônicas como das assírias, W. G. Lambert e A. R. Millard (Atra-Hasis: The Babylonian Story of the Flood) [Atra-Hasis: A História Babilônica do Dilúvio] conseguiram apresentar um texto contínuo. Concluíram que se baseava em versões anteriores e possivelmente em tradições orais ainda mais remotas acerca da chegada dos deuses à Terra, da criação do homem e de sua destruição pelo dilúvio.

Enquanto muitos versos têm apenas valor literário para seus tradutores, nós os achamos altamente significativos, uma vez que confirmam nossas descobertas e conclusões dos capítulos precedentes. Eles explicam também as circunstâncias que levaram ao motim dos Anunnaki.

A história começa no tempo em que apenas os deuses viviam na Terra:

Quando os deuses, como os homens,

Faziam o trabalho, e sofriam a fadiga

­A lida dos deuses era grande,

O trabalho era pesado,

A angústia era muita.

Naquele tempo, relata a epopéia, as deidades principais tinham já dividido os poderes entre si.

Anu, pai dos Anunnaki, era o rei celestial;

Seu chanceler era o guerreiro Enlil.

O oficial-chefe era Ninurta,

E seu corregedor era Ennugi.

Os deuses trocaram apertos de mão,

Lançaram sortes e dividiram.

Anu subira ao céu,

[Deixado] a terra a seus súditos.

Os mares, reunidos em cadeia,

Eles deram a Enki, o príncipe.

Sete cidades foram fundadas, e o texto refere-se aos sete Anunnaki que dirigiam as cidades. A disciplina devia ter sido rígida, uma vez que, diz­-nos o texto, "os Sete Grandes Anunnaki faziam os deuses inferiores sofrer todo o trabalho".

De todos os cansativos trabalhos, o de escavação era o mais comum, árduo e odioso. Os deuses inferiores escavavam as margens dos rios para os tornar navegáveis; escavavam canais para a irrigação e escavavam também no Apsu para trazer à superfície os minérios da Terra. Embora, indubitavelmente, tivessem algumas sofisticadas ferramentas - os textos falam do "machado de prata que brilha como o dia", até debaixo do solo - o trabalho era demasiado exigente. Durante um longo período - durante quarenta "períodos", para ser exato - os Anunnaki "sofreram a exaustão", e depois gritaram: "Basta!”

Eles queixavam-se, falavam mal,

Resmungavam nas escavações.

A ocasião para o motim parece ter sido uma visita de Enlil à área de mineração. Aproveitando a oportunidade, os Anunnaki disseram uns aos outros:

Vamos enfrentar o nosso... oficial-chefe,

Para que ele nos alivie de nosso pesado trabalho.

Ao rei dos deuses, o herói Enlil,

Enervemo-lo em seu domicílio!

Rapidamente foi encontrado um dirigente ou organizador do motim. Ele era o "oficial-chefe do velho tempo", que devia ter mantido alguma divergência com o oficial-chefe da época do motim. Seu nome, lamentavelmente, está fraturado no texto, mas sua incitante inventiva é bastante clara:

Agora, proclamemos a guerra;

Planejemos as hostilidades e batalhemos.

A descrição do motim é tão vívida que nos ocorrem ao espírito cenas da tomada da Bastilha:

Os deuses consideraram suas ordens.

Eles lançaram fogo sobre suas ferramentas;

Puseram fogo em seus machados;

Eles perturbaram o deus na mineração dos túneis;

Eles seguraram-[no] enquanto se dirigiam

Ao portão do herói Enlil.

O antigo poeta dá vida ao drama e à tensão dos eventos:

Era noite, a meio caminho ia o relógio.

Sua casa estava rodeada ­-

Mas o deus, Enlil, não o sabia.

Kalkal [então] observou-o, estava perturbado.

Ele fez deslizar o ferrolho e vigiou...

Kalkal despertou Nusku;

Eles prestaram atenção ao ruído de...

Nusku despertou seu senhor ­ -

Ele tirou-o de seu leito, [dizendo:]

Meu senhor, tua casa está cercada,

A luta veio direta até tuas portas.

A primeira reação de Enlil foi pegar em armas contra os amotinados. Mas Nusku, seu chanceler, aconselhou uma assembléia dos deuses:

Transmite uma mensagem para que Anu desça;

Que Enki seja trazido à tua presença.

Ele transmitiu-a e Anu foi trazido para baixo;

Também Enki foi trazido à sua presença.

Com os grandes Anunnaki presentes,

Enlil ergueu-se... abriu sua boca

E dirigiu-se aos grandes deuses.

Tomando o motim como coisa pessoal, Enlil exigiu saber:

É contra mim que isto é feito?

Devo me comprometer em hostilidades...?

Que viram meus próprios olhos?

Aquela batalha veio direta até meu portão!

Anu sugeriu que devia ser aberto um inquérito. Investido na autoridade de Anu e dos outros comandantes, Nusku foi até aos amotinados sitiantes. "Quem é o instigador da batalha?", perguntou ele. "Quem é o provocador das hostilidades?”

Os Anunnaki mantiveram-se unidos:

Cada um de nós, deuses, declarou a guerra!

Nós temos o nosso... nas escavações;

A fadiga excessiva matou-nos,

Nosso trabalho era pesado, muita a angústia.

Quando Enlil ouviu o relato destas queixas feitas por Nusku, "suas lágrimas soltaram-se". Ele apresentou um ultimato: ou o chefe dos amotinados era executado ou ele abdicava. "Leva o cargo, retoma o teu poder", disse ele a Anu, "e eu ascenderei aos céus para ti". Mas Anu, que descera dos céus, apoiou os Anunnaki:

De que os acusamos nós?

Seu trabalho era pesado, sua angústia muita!

Todos os dias...

O lamento era pesado; nós podíamos ouvir a queixa.


Encorajado pelas palavras de seu pai, Ea também “abriu sua boca" e repetiu a conclusão de Anu. Mas ele tinha uma conclusão para oferecer: que um lulu, um "trabalhador primitivo", fosse criado!

Enquanto está presente a deusa do nascimento,

Que ela crie um trabalhador primitivo;

Que ele suporte o jugo...

Que ele sofra a fadiga dos deuses!

A sugestão da criação de um "trabalhador primitivo" que tomaria às suas costas o fardo dos Anunnaki foi rapidamente aceita. Unanimemente, os deuses votaram a criação do "trabalhador". "Homem será o seu nome", disseram eles:

Eles intimaram e pediram à deusa,

A parteira dos deuses, a sensata Mami, [e disseram-lhe:]

Tu és a deusa do nascimento, cria trabalhadores!

Gera um trabalhador primitivo,

Para que ele possa suportar o jugo!

Que ele carregue o jugo atribuído por Enlil,

Que o trabalhador suporte a fadiga dos deuses!

Mami, a mãe dos deuses, disse que iria precisar da ajuda de Ea, "com quem repousa a capacidade". Na casa de Shimti, um local semelhante a um hospital, os deuses aguardavam. Ea ajudou a preparar a mistura da qual a deusa-mãe passou a idealizar o "homem". Estavam presentes deusas do nascimento. A deusa-mãe continuou seu trabalho enquanto eram recitados encantamentos a todo o instante. Então, ela gritou triunfante:

Eu criei

Minhas mãos o fizeram!

Ela "convocou os Anunnaki, os grandes deuses... ela abriu sua boca, dirigiu-se aos grandes deuses":

Vocês me incumbiram de uma tarefa ­ -

Eu a completei...

Eu retirei vosso pesado trabalho

Eu impus vossa fadiga no trabalhador, 'homem’

Vocês lançaram o grito para um gênero - trabalhador:

Eu soltei o jugo,

Eu vos dei liberdade.

Os Anunnaki receberam seu anúncio entusiasticamente. "Eles correram em grupo e beijaram-lhe os pés". Daí em diante seria o trabalhador primitivo, o homem, "quem suportaria o jugo".

Os Nefilim, chegando à Terra para fundar suas colônias, criaram uma espécie de escravatura não com escravos importados de outro continente, mas com trabalhadores primitivos idealizados pelos próprios Nefilim.

Um motim de deuses levara à criação do homem.

12

A Criação do Homem

A afirmativa, primeiro registrada e transmitida pelos sumérios, de que o "homem" fora criado pelos Nefilim, parece encaixar-se à primeira vista tanto na teoria da evolução, como nos dogmas judaico-cristãos baseados na Bíblia. Mas, de fato, as informações encerradas nos textos sumérios, e apenas essas informações, podem garantir tanto a teoria da evolução, como a veracidade do conto bíblico e mostrar ainda que não há, realmente, nenhum conflito entre as duas.

Na epopéia "Quando os deuses como homens", noutros textos específicos e em referências de passagem, os sumérios descreveram o homem quer como uma criação deliberada dos deuses, quer como um elo na cadeia evolucionária que começou com os eventos celestiais narrados na "Epopéia da Criação”. Defendendo firmemente a crença de que o homem fora precedido por uma era durante a qual apenas os Nefilim estavam na Terra, os textos sumérios registram momento a momento (como no caso do incidente entre Enlil e Ninlil) os acontecimentos que ocorreram "quando o homem não tinha ainda sido criado, quando Nippur era apenas habitada pelos deuses". Ao mesmo tempo, os textos descrevem também a criação da Terra e o desenvolvimento da vida vegetal e animal sobre ela, em termos que se amoldam às teorias evolucionistas correntes.

Os textos sumérios declaram que, quando os Nefilim vieram pela primeira vez à Terra, as artes de cultivo de cereal, de plantação de fruta e de criação de gado ainda não estavam estabelecidas. O relato bíblico coloca, similarmente, a criação do homem no sexto "dia" ou fase do processo evolucionário. O livro do Gênesis, do mesmo modo, faz constar que num prévio estágio evolucionário:

Nenhuma planta do campo desbravado estava ainda na terra,

Nenhuma erva que é plantada fora ainda produzida...

E o homem ainda não estava lá para trabalhar o solo.

Todos os textos sumérios indicam que os deuses criaram o homem para fazer o trabalho que era deles. A Epopéia da Criação usa palavras proferidas por Marduk para dar a explicação:

Eu produzirei um primitivo inferior;

“Homem" será seu nome.

Eu criarei um trabalhador primitivo;

Ele será encarregado do serviço dos deuses,

Para que estes possam ter seu descanso.

Os próprios termos pelos quais os sumérios ou acádios chamavam o "homem" revela-nos seu status e finalidade: ele era um lulu ("primitivo"), um lulu amelu ("trabalhador primitivo"), um awilum ("labutador"). A idéia de o homem ter sido criado para ser um servo dos deuses não chocou em nada os povos antigos, como sendo uma idéia peculiar. Nos tempos bíblicos, a deidade era "senhor", "soberano", "rei", "governante", "dono". O termo normalmente traduzido como "adoração" era, de fato, avod ("trabalho"). O homem antigo e bíblico não "adorava" seu deus - trabalhava para ele.

Mal a divindade bíblica, tal como os deuses dos contos sumérios, acabara de criar o homem, logo essa mesma divindade plantou um jardim e designou o homem para ali trabalhar:

E o Senhor Deus tomou o “homem"

E colocou-o no Jardim do Éden

Para o arar e por ele velar.

Mais adiante, a Bíblia descreve a Deidade "passeando no jardim à brisa do dia", agora que o novo ser criado estava lá para velar pelo Jardim do Éden. A que distância está esta versão dos já citados textos sumérios que descrevem como os deuses exigiam trabalhadores para que eles pudessem descansar e distrair-se?

Nas versões sumérias, a decisão de criar o homem foi adotada pelos deuses em assembléia. Significativamente, o livro do Gênesis, que pressupostamente exalta as realizações de uma única deidade, usa o plural Elohim (literalmente, "deidades") para denotar "deus", e relata uma espantosa observação:

E Elohim disse:

Façamos o homem à nossa imagem,

E semelhança.

A quem se endereçava a única mas plural deidade e quem eram os "nós" a cuja imagem plural e semelhança plural o homem iria ser feito? O livro do Gênesis não nos fornece a resposta. Depois, quando Adão e Eva comeram o fruto da Árvore da Sabedoria, Elohim emitiu um aviso aos mesmos colegas anônimos: "Observem, o homem tornou-se um de nós, para conhecer o bem e o mal".

Uma vez que a história bíblica da criação, como os outros contos dos primórdios no Gênesis, deriva de raízes sumérias, a resposta é óbvia. Concentrando a multitude de deuses numa só divindade, o conto bíblico não é senão uma versão editada dos relatos sumérios das discussões na assembléia dos deuses.

O Antigo Testamento envidou os melhores esforços para deixar bem claro que o homem nem era um deus nem viera dos céus. "Os céus são os céus do Senhor, ao gênero humano Ele deu a terra." O novo ser foi chamado "o Adão" porque ele fora criado do adama, o sol da terra. Ele era, por outras palavras, o "terráqueo".

À exceção de certo "conhecimento" e de um divino "período de vida", o Adão foi, em todos os outros aspectos, criado à imagem (selem) e semelhança (dmut) do(s) seu(s) criador(es). O uso de ambos os termos nos textos foi propositado para que não restassem dúvidas de que o homem era semelhante ao(s) deus(es) tanto física, como emocionalmente, quer externa, quer internamente.

Em todas as antigas representações pictóricas de deuses e homens é patente esta semelhança física. Embora a admoestação bíblica contra a adoração de imagens pagãs tenha dado origem à noção de que o Deus hebreu não tinha nem imagem nem semelhança, o livro do Gênesis e com ele outros relatos bíblicos atestam o contrário. O Deus dos antigos hebreus devia ser visto face a face, podia-se brigar com ele, ouvi-lo e falar-lhe; tinha cabeça e pés, mãos, dedos e cintura. O Deus bíblico e seus emissários assemelhavam-se a homens e agiam como homens, porque os homens foram criados para se assemelharem com os deuses e como eles agirem.

Mas nesta grande simplicidade reside um grande mistério. Como podia uma nova criatura ser uma virtual réplica física, mental e emocional dos Nefilim? Na verdade, como fora criado o homem?

O mundo ocidental está desde há muito aferrado à noção de que, criado deliberadamente, o homem foi posto sobre a Terra para a submeter e ter domínio sobre todas as outras criaturas. Então, em novembro de 1859, um naturalista inglês de nome Charles Darwin publicou um tratado chamado On the Origin of Species by Means of Natural Setection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life [Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida]. Resumindo quase trinta anos de pesquisas, o livro juntava aos pensamentos anteriores sobre a evolução natural o conceito de seleção natural como conseqüência da luta de todas as espécies, tanto da vida vegetal, como da vida animal, pela existência.

O mundo cristão já fora ameaçado em seus alicerces quando, a partir de 1788, notáveis geólogos começaram a exprimir sua crença na grande antiguidade da Terra, muito, muito superior aos aproximados 5.500 anos do calendário hebraico. Nem o conceito de evolução era tão exclusivo como o fato de os estudiosos anteriores terem notado tal processo, e de os eruditos gregos do longínquo século 4 a.C. terem compilado dados sobre a evolução da vida animal e vegetal.

A bomba destruidora de Darwin foi a conclusão de que todas as coisas vivas - incluindo o homem - eram produtos da evolução. O homem, contrariamente à crença até então assumida, não fora gerado espontaneamente.

A reação inicial da Igreja foi violenta. Mas, à medida que vieram à luz os fatos científicos referentes à verdadeira idade da Terra, à genética da evolução e outros estudos biológicos e antropológicos, a disposição crítica da Igreja foi-se alterando. Pareceu, por fim, que as próprias palavras do Antigo Testamento fizeram a versão do Antigo Testamento indefensável; por que, como poderia um Deus, que não tem um corpo físico e que está universalmente só, dizer, "Façamos o homem à nossa imagem e à nossa semelhança"?

Mas, verdadeiramente, seremos nós nada mais que "macacos nus"? Está o macaco apenas a uma razoável distância evolucionária do homem, e é das árvores o animal um humano que apenas terá ainda de perder a cauda e adquirir a posição vertical?

Como mostramos logo no início deste livro, os cientistas modernos chegaram a questionar as teorias simplistas. A evolução pode explicar o curso geral dos acontecimentos que causaram o desenvolvimento da vida e das formas de vida na Terra, desde a mais simples criatura unicelular até o homem. Mas a evolução não pode explicar o aparecimento do Homo sapiens, que ocorreu (virtualmente) do dia para a noite em relação aos milhões de anos que a evolução requer, e sem provas dos estágios anteriores que indicariam uma mudança gradual desde o Homo erectus.

O hominídeo do gene Homo é um produto da evolução. Mas o Homo sapiens é o produto de um súbito e revolucionário acontecimento. Ele apareceu inexplicavelmente há cerca de 300.000 anos, milhões de anos antes da época provável.

Os estudiosos não têm explicação para este fato. Mas nós temos. Os textos sumérios e babilônicos têm-na. O Antigo Testamento também.

O Homo sapiens, o homem moderno, foi realizado pelos antigos deuses.

Felizmente, os textos mesopotâmicos fornecem uma clara afirmação referente ao tempo em que o homem foi criado. A história do trabalho e conseqüente motim dos Anunnaki informa-nos que “durante 40 períodos eles suportaram o trabalho dia e noite"; os longos anos de sua árdua tarefa eram dramatizados pelos versos repetitivos.

Durante 10 períodos eles suportaram a fadiga;

Durante 20 períodos eles suportaram a fadiga;

Durante 30 períodos eles suportaram a fadiga;

Durante 40 períodos eles suportaram a fadiga.

O antigo texto usa o termo ma para denotar "período", e muitos estudiosos traduziram-no como "ano". Mas o termo tinha a conotação de "algo que se completa a si próprio e depois se repete". Para os homens na Terra, um ano equivale a uma órbita completa da Terra à volta do Sol. Como já mostramos, a órbita do planeta dos Nefilim equivalia a um shar, ou 3.600 anos terrestres.

Quarenta shars, ou 144.000 anos terrestres, depois de terem aterrissado na Terra, os Anunnaki protestaram, "Basta!". Se os Nefilim aterrissaram, como concluímos, há cerca de 450.000 anos, então a criação do homem teve lugar há 300.000 anos!

Os Nefilim não criaram os mamíferos, nem os primatas, nem os hominídeos. "O Adão" da Bíblia não era o gene Homo, mas o ser que é nosso antecessor, o primeiro Homo sapiens. Foi o homem moderno tal como o conhecemos que os Nefilim criaram.

A chave para a compreensão deste fato crucial reside no conto de um sonolento Enki, despertado para ser informado de que os deuses decidiram formar um adamu e que era sua tarefa encontrar os meios para tal. Ele replicou:

A criatura cujo nome vocês proferiram ­–

ELA EXISTE!

E ajuntou em seguida: "Apliquem sobre ela", sobre a criatura já existente, "a imagem dos deuses".

Aqui está, então, a resposta para o quebra-cabeça. Os Nefilim não "criaram" o homem do nada; pelo contrário, tomaram uma criatura já existente e manipularam-na, para "aplicar sobre ela" a "imagem dos deuses" .

O homem é o produto da evolução; mas o homem moderno, Homo sapiens, é o produto dos "deuses", uma vez que, em algum lugar há cerca de 300.000 anos, os Nefilim tornaram um homem-macaco (Homo erectus) e implantaram nele sua própria imagem e semelhança.

A evolução e os contos do Oriente Médio sobre a criação do homem não estão de modo algum em conflito. Muito pelo contrário, explicam-se e completam-se mutuamente. Porque, sem a criatividade dos Nefilim, o homem moderno estaria ainda a milhões de anos de distância da sua atual posição na árvore da evolução.

Transportemo-nos até o passado e tentemos visualizar as circunstâncias e os acontecimentos tal como eles se desenrolaram.

O grande estágio interglacial, que começou há cerca de 435.000 anos, e seu ameno clima desencadearam uma proliferação de comida e animais. Esse fato acelerou também o aparecimento e a expansão de um avançado macaco semelhante ao homem, o Homo erectus.

Quando os Nefilim os observaram, viram não só os mamíferos predominantes, mas também os primatas e, entre eles, os macacos semelhantes a homens. Não é possível que os bandos deambulantes de Homo erectus tenham se aproximado para ver os objetos faiscantes levantando-se para o céu? Não é possível que os Nefilim tenham observado, encontrado e mesmo capturado alguns destes interessantes primatas?

Vários textos antigos atestam que os Nefilim e os macacos semelhantes a homens se encontraram realmente. Um conto sumério abordando os tempos primordiais afirma:

Quando a humanidade foi criada,

Eles não conheciam a alimentação de pão,

Não conheciam o vestuário em vestes talhadas;

Comiam plantas com a boca como carneiros;

Bebiam água de um fosso.

Tal ser "humano" de comportamento animal é também descrito na "Epopéia de Gilgamesh". Aquele texto conta o que Enkidu, o "nascido nas estepes", era antes de se tornar civilizado:

Hirsuto com cabelo em todo seu corpo,

Ele é dotado de uma cabeça com cabelos como uma mulher...

Não conhece nem povo nem terra;

Tem o porte daqueles que são dos verdes campos;

Como as gazelas, ele alimenta-se de relva;

Com os animais selvagens, ele se acotovela

No lugar do bebedouro;

Com as fervilhantes criaturas na água

Seu coração se delicia.

O texto acádio não descreve só o homem-animal. Descreve também um encontro com tal ser:

Agora um caçador, um que agarra,

Encarava-o no local do bebedouro.

Quando o caçador o viu,

Sua face ficou imóvel...

Seu coração perturbou-se, toldou-se sua face,

Porque a dor entrara em sua barriga.

Houve mais que um mero temor depois de o caçador ter observado o "selvagem", este "bárbaro companheiro das profundidades da estepe", uma vez que este "selvagem" interferiu com os objetivos do caçador:

Ele encheu os fossos que eu escavara

Ele fez em pedaços as armadilhas que eu colocara;

Os animais e criaturas da estepe

Ele fiz soltar através de minhas mãos.

Não podemos pedir melhor descrição de um macaco-homem: cabeludo, hirsuto, um nômade errante que "não conhece nem povo nem terra", vestido de folhas, "como um dos verdes campos", alimentando-se de relva e vivendo entre os animais. Ainda assim ele não estava privado de uma substancial inteligência, uma vez que sabe como reduzir a pedaços as armadilhas e encher os fossos escavados para apanhar os animais. Por outras palavras, protegia seus amigos animais de serem apanhados pelos caçadores estranhos. Muitos selos cilíndricos foram encontrados descrevendo este hirsuto macaco-homem entre seus amigos animais.


Depois, enfrentando a necessidade de mão-de-obra, resolvidos a conseguir um trabalhador primitivo, os Nefilim descobriram uma solução pronta para ser usada: - domesticar um animal adequado.

O "animal" estava à disposição, mas o Homo erectus apresentou um problema. Por um lado, era demasiado inteligente e selvagem para se tornar simplesmente um dócil animal de trabalho. Por outro lado, não era realmente adequado para a tarefa. Sua estrutura física precisava ser mudada: ele tinha de se tornar capaz de segurar e usar as ferramentas dos Nefilim, andar e inclinar-se como eles para que pudesse substituir os deuses nos campos e nas minas. Precisava de um "cérebro" melhor, não como o dos deuses, mas um suficientemente desenvolvido para compreender a fala, as ordens e as tarefas a ele atribuídas. Ele precisava de suficiente inteligência e compreensão para se tornar um obediente e útil amelu, um servo.

Se, tal como o confirmam as antigas provas e a moderna ciência, a vida na Terra germinou da vida do Décimo Segundo Planeta, então a evolução na Terra devia ter prosseguido como prosseguiu no Décimo Segundo Planeta. Indubitavelmente, houve mutações, variações, acelerações e retardamentos causados por diferentes condições locais, mas os mesmos códigos genéticos, a mesma "química da vida" encontrada em todas as plantas e animais vivos na Terra deveriam ter guiado também o desenvolvimento das formas de vida na Terra na mesma direção geral seguida no Décimo Segundo Planeta.

Observando as várias formas de vida na Terra, os Nefilim e seu cientista­-chefe, Ea, precisaram de pouco tempo para compreender aquilo que se passara. Durante a colisão celeste, seu planeta semeara a Terra com sua vida. Assim sendo, o ser que estava à disposição era realmente semelhante aos Nefilim, embora numa forma menos evoluída.

Um processo gradual de domesticação através de gerações de reprodução e seleção não serviria. Era necessário um processo rápido, algo que permitisse a "produção em massa" dos novos trabalhadores. Assim se colocou o problema a Ea, que viu a resposta de imediato: "imprimir" a imagem dos deuses no ser que já tinha existência.

O processo que Ea recomendou para alcançar um rápido avanço evolucionário do Homo erectus foi, acreditamos nós, a manipulação genética.

Sabemos agora que o complexo processo biológico no qual um organismo vivo se reproduz, criando prole que se assemelha a seus progenitores, torna-se possível pelo código genético. Todos os organismos vivos - um verme, um feto, ou o homem - contêm nos cromossomos celulares corpos diminutos em forma de bastão, que guardam todas as instruções hereditárias para esse organismo particular. Quando a célula masculina (pólen, esperma) fertiliza a célula feminina, os dois conjuntos de cromossomos combinam-se e depois dividem-se para formar novas células que mantêm as completas características hereditárias das células de seus pais.

A inseminação artificial de um óvulo humano feminino é agora possível. O verdadeiro desafio reside no cruzamento entre diferentes famílias dentro da mesma espécie ou entre diferentes espécies. A ciência moderna percorreu um longo caminho desde o desenvolvimento dos primeiros cereais híbridos, do acasalamento de cães do Alasca com lobos, ou da "criação" da mula (o acasalamento artificial de uma égua com um burro), à capacidade de manipular a própria reprodução do homem.

Um processo chamado "reprodução assexuada" (cloning, em inglês, da palavra grega klon - "rebento") aplica aos animais o mesmo princípio que o do corte de uma planta para a reprodução de centenas de plantas similares. A técnica aplicada a animais foi primeiramente demonstrada na Inglaterra, onde o dr. John Gurdon substituiu os núcleos de um ovo fertilizado de sapo pelo material nuclear de outra célula do mesmo sapo. A formação bem-sucedida de sapinhos normais demonstrou que o ovo continuou a desenvolver, subdividir e criar prole não importa de onde tivesse obtido o conjunto correto de cromossomos harmônicos.

Experiências relatadas pelo Instituto da Sociedade, Ética e Ciências da Vida em Hastings-on-Hudson mostram que existem já técnicas para reprodução assexuada de seres humanos. É agora possível tomar o material nuclear de qualquer célula humana (não necessariamente dos órgãos sexuais) e, pela introdução de seus 23 conjuntos de cromossomos completos no óvulo feminino, chegar à concepção e nascimento de um indivíduo "pré-­determinado". Na concepção normal, os conjuntos de cromossomos "pai" e "mãe" emergem e depois têm de se dividir para permanecerem em 23 pares de cromossomos, levando a combinações de acaso. Mas na reprodução assexuada os rebentos são uma réplica exata da fonte do conjunto intacto de cromossomos. Possuímos já, escreveu o dr. W. Gaylin no The New York Times, o "formidável conhecimento para fazer cópias exatas de seres humanos", um número sem limite de Hitlers, Mozarts ou Einteins (se tivéssemos preservado seus núcleos celulares).

Mas a arte da engenharia genética não se limita a um único processo. Pesquisadores em muitos países aperfeiçoaram um processo chamado “fusão de células", que torna possível fundir células em vez de combinar cromossomos dentro de uma única célula. Como resultado de tal processo, células de diferentes fontes podem ser fundidas numa única "super-célula", tendo em seu interior dois núcleos e um conjunto duplo dos cromossomos emparelhados. Quando esta célula se divide, a mistura de núcleos e cromossomos pode dividir-se num padrão diferente daquele de cada célula antes da fusão. Como resultado podem surgir duas células novas, cada uma geneticamente completa, mas cada qual com um conjunto completamente novo de códigos genéticos, totalmente adulterado no que se refere às células dos antecessores.

Isto significa que células de organismos até aqui incompatíveis - digamos, de uma galinha e de um rato - podem ser fundidas para formar novas células com misturas genéticas completamente novas, que produzem novos animais que não são nem galinhas nem ratos, tal como nós os conhecemos. Posteriormente aprimorado, o processo pode também permitir-nos selecionar quais traços de uma forma de vida devem ser comunicados à célula combinada ou "fundida".

Isto levou ao desenvolvimento do largo campo do "transplante genético". É agora possível colher de certa bactéria um único gene numa célula animal ou humana, fornecendo à prole daí derivada uma característica adicional.

Devíamos julgar que os Nefilim - sendo capazes de viagens espaciais há 450.000 anos - eram também igualmente avançados, tendo-nos por comparação, no campo das ciências da vida. Devíamos julgar também que eles tinham consciência das várias alternativas pelas quais dois conjuntos de cromossomos pré-selecionados podiam ser combinados para obter um resultado genético predeterminado, e que, se o processo era semelhante à reprodução assexuada, à fusão de células, ao transplante genético ou aos métodos até agora desconhecidos para nós, eles conheciam estes processos e podiam realizá-los não só em frascos de laboratório, mas também com organismos vivos.

Encontramos uma referência a uma mistura de duas fontes-de-vida nos textos antigos. De acordo com Berossus, a deidade Belus ("senhor") ­também chamado Deus - produziu vários "seres hediondos, que foram produzidos de um princípio duplo":

O homem apareceu com duas asas, alguns com quatro e duas faces. Eles tinham apenas um corpo, mas duas cabeças, uma de homem e outra de mulher. Tanto o macho como a fêmea eram semelhantes em vários órgãos.

Podiam ser vistas outras figuras humanas com as pernas e os chifres dos bodes. Alguns tinham pés de cavalo, mas à frente eram como os homens, assemelhando-se a hipocentauros. Do mesmo modo, cresciam aí touros com cabeças de homens e cães com corpos desdobrados em quatro e caudas de peixe. E também cavalos com cabeças de cães, homens também e outros animais com as cabeças e corpos de cavalos e as caudas de peixes. Para ser breve, havia criaturas com os membros de todas as espécies de animais...

Foram preservados esboços de todos eles no templo de Belus, na Babilônia.

Os espantosos detalhes do conto podem conter uma importante verdade. É bastante provável que antes de ter recorrido à criação de um ser à sua própria imagem, os Nefilim tentassem chegar ao "serviçal manufaturado" experimentando outras alternativas: a criação de um híbrido macaco-­homem-animal. Algumas destas criaturas artificiais podem ter sobrevivido por um momento, mas foram certamente incapazes de se reproduzir. Os enigmáticos homens-touro e homens-leão (esfinges) que adornam os locais dos templos no antigo Oriente Médio podem não ter sido apenas ficções da imaginação de um artista, mas criaturas reais que saíram dos laboratórios biológicos dos Nefilim - experiências malsucedidas comemoradas na arte e em estátuas.

Os textos sumérios falam também de seres humanos deformados criados por Enki e pela deusa-mãe (Ninhursag) durante suas tentativas em idealizar um perfeito trabalhador primitivo. Um texto declara que Ninhursag, cuja tarefa era "aplicar sobre a mistura o molde dos deuses", se embriagou e "chamou Enki".

Quão bom ou quão mau é o corpo do homem?

Como meu coração me incita,

Eu posso fazer seu destino bom ou mau.

Perniciosamente, então, de acordo com este texto - mas provavelmente, inevitavelmente como parte do processo experimental -, Ninhursag produziu um homem que não podia reter sua urina, uma mulher que não podia dar à luz, um ser que não tinha nem órgãos femininos nem órgãos masculinos. Ao todo, foram dados à luz por Ninhursag seis humanos deficientes ou deformados. Enki foi responsabilizado pela criação imperfeita de um homem de olhos doentes, mãos que tremiam, fígado doente e um coração fraco, e de um segundo com doenças que acompanhavam a velhice, e assim por diante.

Mas, finalmente, alcançou-se o homem perfeito, aquele a que Enki chamou Adapa, a Bíblia, Adão, e nossos estudiosos, Homo sapiens. Este ser era tão semelhante aos deuses que um texto chegou a ponto de salientar que a deusa-mãe deu à sua criatura, homem, "uma pele como a pele de um deus", um corpo suave e sem cabelo, bastante diferente do hirsuto macaco-homem.

Com este produto final, os Nefilim eram geneticamente compatíveis com as filhas do homem e capazes de casar com elas e delas ter filhos. Mas esta compatibilidade apenas podia existir se o homem se tivesse desenvolvido a partir da mesma "semente de vida" que os Nefilim. Isto, de fato, é o que os antigos textos atestam.

O homem, no conceito mesopotâmico, assim como no bíblico, foi feito de uma mistura de um elemento divino - um sangue de deus ou sua “essência" - e o "barro" da terra. De fato, o próprio termo lulu para "homem", enquanto convenção do sentido de "primitivo", significava literalmente "um que foi misturado". Convocada para idealizar um homem, a deusa-mãe “lavou as mãos, cortou a argila com a ponta dos dedos, misturou-a na estepe". (É fascinante notar aqui as precauções sanitárias tomadas pela deusa. Ela "lavou as mãos". Encontramos também estas medidas clínicas e tais procedimentos noutros textos da criação.)

O uso da "argila" terrena misturada com o "sangue" divino para criar o protótipo do homem é firmemente declarado pelos textos mesopotâmicos. Um, relatando como Enki fora convocado para "realizar um grande trabalho de Sabedoria" - de aptidão e competência científicas -, afirma que Enki não viu grande problema em realizar a tarefa de criar serviçais para os deuses". "Isso pode ser feito!" anunciou ele. E depois deu à deusa-­mãe estas instruções:

Mistura a um âmago a argila

Do alicerce da terra,

Logo abaixo do Abzu ­

E molda-o na forma de um coração.

Eu tomarei as providências conhecendo jovens deuses,

Que darão ao barro as condições corretas.

O capítulo II do Gênesis oferece esta versão técnica:

E Javé, Elohim, idealizou o Adão

Do barro do solo;

E Ele soprou em suas narinas o hálito da vida,

E o Adão tornou-se uma alma viva.

O termo hebraico comumente traduzido como "alma" é nephesh, aquele inapreensível espírito que anima uma criatura viva e, aparentemente, a abandona quando ela morre. Sem nenhuma coincidência, o Pentateuco (os primeiros cinco livros do Antigo Testamento) exorta repetidamente contra o derrame de sangue humano e a ingestão de sangue animal "porque o sangue é o nephesh". As versões bíblicas da criação do homem equiparam, assim, nephesh ("espírito", "alma") e sangue.

O Antigo Testamento oferece outra pista que sugere o papel do sangue na criação do homem. O termo adama (segundo o qual foi cunhado o nome Adão) significava originalmente não apenas qualquer terra ou solo, mas muito especificamente o solo vermelho-escuro. Tal como a palavra acádia paralela adamatu ("terra vermelho-escura"), o termo hebraico adama e o nome hebraico para a cor vermelha (adom) derivam das palavras para sangue: adamu, dam. Quando o livro do Gênesis dá nome ao ser criado por Deus - "o Adão" -, emprega um jogo lingüístico de significados duplos predileto dos sumérios. "O Adão" podia significar "aquele que é da Terra" (terráqueo), "aquele feito de solo vermelho-escuro" e "o feito de sangue".

A mesma relação entre o elemento essencial das criaturas novas e o sangue está patente nas narrações mesopotâmicas da criação do homem. A casa, semelhante a um hospital, para onde Ea e a deusa-mãe se dirigiram para produzir o homem chamava-se Casa de Shimti. Muitos estudiosos traduzem como "a casa onde são determinados os destinos". Mas o termo shimti deriva, sem dúvida e claramente, do termo sumério SHI.IM.TI, que, tomado sílaba por sílaba, significa "alento-vento-vida". Bit shimti significava, literalmente, "a casa onde o vento da vida é soprado". Isto é virtualmente idêntico à declaração bíblica.

Na verdade, a palavra acádia usada na Mesopotâmia para traduzir o sumério SHI.IM.TI era napishtu - o paralelo exato para o termo bíblico nephesh. E nephesh ou napishtu era "alguma coisa" no sangue.

Enquanto o Antigo Testamento apenas oferecia magras pistas, os textos mesopotâmicos eram bastante explícitos acerca do assunto. Eles afirmam não só que o sangue era necessário para a mistura da qual foi idealizado o homem, como especificam também que tinha de ser sangue de um deus, um sangue divino.

Quando os deuses decidiram criar o homem, seu chefe anunciou: "Sangue eu juntarei, trarei ossos à vida". "Que os primitivos sejam criados segundo seu padrão", disse Ea, sugerindo que o sangue devia ser tirado de um deus específico. Selecionando o deus:

Do seu sangue eles criaram o gênero humano

Impuseram a eles o serviço, deixaram livres os deuses...

Era um trabalho para além da compreensão.

De acordo com o conto épico “Quando os deuses como homens", os deuses chamaram então a deusa do nascimento (a deusa-mãe, Ninhursag) e pediram-lhe que realizasse a tarefa:

Enquanto a Deusa do Nascimento está presente,

Que a Deusa do Nascimento crie a prole.

Enquanto a mãe dos deuses está presente,

Que a Deusa do Nascimento crie um Lulu;

Que o trabalhador suporte a fadiga dos deuses.

Que ela crie um Lulu Amelu,

Que ele suporte o jugo.

Num texto paralelo da velha Babilônia, chamado "Criação do Homem pela Deusa-Mãe", os deuses convocam "a parteira dos deuses, a sábia Mami" e dizem-lhe:

Tu és o vento materno,

Aquela que pode criar o gênero humano.

Cria então Lulu, que ele suporte o jugo!

Neste ponto, o texto "Quando os deuses como homens" e outros textos paralelos voltam-se para uma descrição detalhada da real criação do homem. Aceitando o "serviço" a deusa (aqui chamada NINTI - "senhora que dá vida") fez algumas exigências, incluindo certos produtos químicos ("betumes do Abzu") para serem usados para "purificação" e "o barro do Abzu".

Ea não teve nenhum problema em perceber o que eram esses materiais. Aceitando, ele disse:

Eu prepararei um banho purificador.

Que seja sangrado um deus...

Com, sua carne e sangue,

Que Ninti misture o barro.

Para modelar um homem a partir da argila misturada foi também necessária assistência feminina, a gravidez e certas fases de gestação. Enki ofereceu os serviços de sua própria esposa:

Ninki, minha deusa-esposa,

Será quem terá o trabalho.

Sete deusas do nascimento

Estarão perto para lhe assistir.

Seguindo a mistura de "sangue" e "barro", a fase de gestação completaria a dádiva de uma "impressão" divina à criatura.

O destino do recém-nascido tu proferirás;

Ninki fixará sobre ele a imagem de deus;

E o que ele será é “homem”

Representações em selos assírios podem ter pretendido ilustrar estes textos, mostrando como a deusa-mãe (seu símbolo era ocortador do cordão umbilical) e Ea (cujo símbolo original era o crescente) preparando as misturas, recitando os encantamentos, apressando-se um ao outro para prosseguirem.




O envolvimento da esposa de Enki, Ninki, na criação do primeiro espécime de homem bem-sucedido faz-nos recordar o conto de Adapa, que discutimos já no capítulo anterior:

Nesses dias, nesses anos,

O sensato de Eridu, Ea,

Criou-o como um modelo de homens.

Os estudiosos conjeturavam que as referências a Adapa como um "filho" de Ea implicavam que o deus amava tanto este humano que o adotou. Mas, no mesmo texto, Anu refere-se a Adapa como o "rebento humano de Enki". Parece que o envolvimento da esposa de Enki no processo de criação de Adapa, o "modelo Adão", criou alguma relação genealógica entre o novo homem e seu deus. Era Ninki quem estava grávida de Adapa!

Ninti abençoou o novo ser e apresentou-o a Ea. Alguns selos mostram uma deusa, flanqueada pela Árvore da Vida e frascos de laboratório, segurando um ser que acabou de nascer.




O ser assim produzido e que, nos textos mesopotâmicos, é repetidamente descrito como um "homem modelo" ou o "molde", era aparentemente a criatura certa, uma vez que depois de sua criação os deuses pediram duplicatas. Este detalhe aparentemente insignificante lança, contudo, luz não só sobre o processo pelo qual a humanidade foi "criada", mas também sobre a informação conflitante contida na Bíblia.

De acordo com o capítulo I do Gênesis:

Elohim criou o Adão à Sua imagem ­

À imagem de Elohim

Ele o criou.

Masculino e feminino

Ele os criou.

O capítulo V, que é chamado o livro das Genealogias de Adão, declara que:

No dia em que Elohim criou Adão,

À semelhança de Elohim

Ele o fez. Masculino e feminino

Ele os criou.

E Ele abençoou-os, e chamou-os “Adão"

No próprio dia de sua criação.

No mesmo instante, é-nos dito que a divindade criou à sua semelhança e imagem apenas um único ser, "o Adão", e, numa aparente contradição, que tanto um macho como uma fêmea foram criados simultaneamente. A contradição parece ser mais aguda ainda no capítulo II do Gênesis, que relata especificamente que o Adão esteve só durante um tempo até que a divindade o fez dormir e criou uma mulher de sua costela.

A contradição, que tem confundido de igual modo estudiosos e teólogos, desaparece logo que percebemos que os textos bíblicos eram uma condensação das fontes sumérias originais. Estas fontes informam-nos que, depois de terem tentado criar um trabalhador primitivo pela "mistura" de macacos-homens com animais, os deuses concluíram que a única mistura que poderia dar resultado seria a fusão de macacos-homens com os próprios Nefilim. Depois de várias tentativas frustradas, um "modelo" - Adapa/Adão - foi feito. A princípio havia apenas um único Adão.

Depois do Adapa/Adão ter provado ser a criatura certa, ele foi usado como modelo genético ou "molde" para a criação de duplicatas, e essas duplicatas não eram só masculinas, como também femininas. Como mostramos anteriormente, a "costela" a partir da qual a mulher foi criada constitui um jogo de palavras com o sumério TI ("costela" e "vida"), confirmando que Eva foi feita da "essência vital" de Adão.

Os textos mesopotâmicos fornecem-nos um relato de testemunha ocular da primeira produção das duplicatas de Adão.

As instruções de Enki foram seguidas. Na Casa de Shimti, onde o hálito da vida é "soprado", Enki, a deusa-mãe e catorze deusas do nascimento estavam reunidos. Foi obtida a "essência" de um deus, e preparado o "banho purificador". "Ea limpou o barro na presença dela; ele continuou a recitar o encantamento.”

O deus que purifica o Napishtu,

Ea, falou.

Sentado à frente dela, ele incitava-a.

Depois de ela ter recitado seu encantamento,

Ela pôs sua mão no barro.

Somos agora informados do detalhado processo da criação em massa do homem. Com catorze deusas do nascimento presentes:

Ninti cortou catorze pedaços de barro;

Sete ela depositou à direita,

Sete ela depositou à esquerda.

Entre eles colocou o molde.

...O cabelo ela...

...O cortador do cordão umbilical.

É evidente que as deusas do nascimento estavam divididas em dois grupos. "As sensatas e ensinadas, duas-vezes-sete deusas de nascimento tinham-se reunido", continua o texto a explicar. Em seus ventres a deusa­-mãe depositou o "barro misturado". Há insinuações de um processo cirúrgico - a retirada ou o corte do cabelo -, da disponibilidade de um instrumento, um cortador. Agora mais nada há a fazer senão esperar:

As deusas do nascimento foram mantidas juntas.

Ninti sentou-se contando os meses.

O fatídico décimo mês aproximava-se;

O décimo mês chegou;

O período de abertura do ventre decorrera.

A face dela irradiava inteligência;

Ela cobriu a cabeça, fez o trabalho de parteira.

Ela cingiu a cintura, pronunciou a bênção.

Ela desenhou uma forma; no molde havia vida.

O drama da criação do homem, parece, foi composto por um nascimento tardio. A "mistura" de "barro" e "sangue" foi usada para induzir gravidez em catorze deusas do nascimento. Mas nove meses passaram e começou o décimo mês. "O período de abertura do ventre decorrera." Compreendendo o que era necessário, a deusa-mãe "fez o trabalho de parteira". Um texto paralelo (a despeito de sua fragmentação) revela que ela se envolveu numa espécie de operação cirúrgica:

Ninti. .. conta os meses...

O destinado décimo mês elas chamam;

A senhora cuja mão abre veio.

Com ela... ela abriu o ventre.

Sua face brilhava de alegria.

Sua cabeça estava coberta;

. . .Fez uma abertura;

O que estava no ventre veio à luz.

Exultando de alegria, a deusa-mãe deixou escapar um grito.

Eu criei!

Com minhas mãos eu o fiz!

Como foi realizada a criação do homem?

O texto "Quando os deuses como homens" contém uma passagem cujo fim era explicar por que o "sangue" de um deus tinha de ser misturado ao "barro". O elemento "divino" requerido não era simplesmente o gotejante sangue de um deus, mas algo mais básico e duradouro. O deus selecionado, dizem-nos, tinha TE.E.MA, um termo que as grandes autoridades no texto (W. G. Lambert e A. R. Millard, da Universidade de Oxford) traduzem como "personalidade". Mas o termo antigo é muito mais específico. Ele significa literalmente “aquilo que abriga aquilo que liga a memória". Mais adiante, o mesmo termo aparece na versão acádia como etemu, que é traduzido como "espírito".

Em qualquer das circunstâncias, nós estamos tratando daquela "alguma coisa" no sangue do deus que era o repositório de sua individualidade. Todas estas, estamos certos, são apenas formas de rodeios para afirmar que o que Ea procurava, quando submeteu o sangue do deus a uma série de "banhos purificadores", era o gene do deus.

O propósito da mistura deste elemento divino, integralmente, com o elemento terreno foi também lido em voz alta:

No barro, Deus e Homem serão ligados,

Numa unidade produzidos;

Para que até ao fim dos dias

A carne e o espírito

Que num deus se soltaram ­

Esse espírito numa consangüinidade seja unido;

Como seu sinal a vida proclamarei.

Para que isto não seja esquecido,

Que o "espírito" numa consangüinidade seja unido.

Estas palavras são densas, pouco entendidas pelos estudiosos. O texto declara que o sangue do deus era misturado ao barro para ligar geneticamente Deus e Homem "até ao fim dos dias", para que tanto a carne ("imagem") como o espírito ("semelhança") dos deuses ficasse impressa sobre o homem num parentesco de sangue que jamais poderia ser destruído.

A "Epopéia de Gilgamesh" relata que, quando os deuses decidiram criar uma duplicata para o parcialmente divino Gilgamesh, a deusa-mãe misturou "barro" com a "essência" do deus Ninurta. Mais adiante no texto, a poderosa força de Enkidu é atribuída ao fato de ele ter em si "a essência de Anu", um elemento que adquirira através de Ninurta, o neto de Anu.

O vocábulo acádio kisir refere-se a "essência", uma "concentração" que os deuses dos céus possuíam. E. Ebeling resumiu as tentativas de compreender o exato significado de kisir afirmando que, como “essência, ou qualquer gradação do termo, ela podia bem ser aplicada a deidades e também a mísseis dos céus". E. A. Speiser defendeu que o termo implicava também "algo que desceu dos céus". O termo carrega a conotação, escreveu ele, "que seria indicada pelo uso do termo em contextos medicinais".

Regressamos a um simples e único vocábulo de tradução: gene.

As provas dos textos antigos, tanto mesopotâmicos como bíblicos, sugerem que o processo adotado para fundir dois conjuntos de genes - os do deus e os do Homo erectus - envolvia o uso de genes masculinos como elemento divino e genes femininos como elemento terreno.

Afirmando repetidamente que a deidade criara Adão à sua imagem e semelhança, o livro do Gênesis descreve mais tarde o nascimento do filho de Adão, Seth, com as seguintes palavras:

E Adão viveu 130 anos,

E teve um rebento

À sua semelhança e imagem;

E seu nome foi Seth.

A terminologia é idêntica à usada para descrever a criação de Adão pela divindade. Mas Seth nasceu certamente a Adão por meio de um processo biológico: a fertilização de um óvulo feminino por um esperma masculino de Adão e a conseqüente concepção, gravidez e nascimento. A terminologia idêntica revela um processo idêntico, e a única conclusão plausível é que também Adão foi dado à luz pela divindade através do processo de fertilização de um óvulo feminino com o esperma masculino de um deus.

Se o "barro" no qual foi misturado o elemento divino era um elemento terreno, como insistem todos os textos, então a única conclusão possível é que o esperma masculino de um deus - seu material genético - foi inserido dentro do óvulo de uma macaca-mulher.

O termo acádio para "barro", ou antes, "barro moldável", é tit. Mas a sua articulação original era TI.IT ("aquilo que está com vida"). Em hebraico, tit significa "lama"; mas seu sinônimo é bos, que partilha uma raiz com bisa ("pântano") e besa ("ovo").

A história da criação está repleta de jogos de palavras. Já vimos os significados duplos e triplos de Adão - adama/adamtu/dam. O epíteto para deusa-mãe, NIN.TI, significava tanto "senhora da vida" e "senhora da costela". Por que não, então, bos-bisa-besa ("barro-lodo-ovo") como um jogo de palavras para o óvulo feminino?

O óvulo de um Homo erectus fêmea, fertilizado pelos genes de um deus, foi então implantado no interior do ventre da esposa de Ea; e, depois de ser obtido o "modelo", duplicatas dele foram implantadas nos ventres das deusas do nascimento, para sofrerem o processo de gravidez e nascimento.

As sensatas e ensinadas,

Duplas-sete deusas do nascimento reuniram-se;

Sete deram à luz machos, Sete deram à luz fêmeas.

A Deusa do Nascimento deu à luz

O vento do hálito da vida.

Em pares eles foram contemplados,

Em pares eles foram completados na presença dela.

As criaturas eram povo ­ -

Criaturas da deusa-mãe.

O Homo sapiens fora criado.

As antigas lendas e mitos, informação bíblica e ciência moderna são ainda compatíveis com mais um aspecto. Tal como os achados antropológicos modernos, que rezam que o homem evoluiu e apareceu no sudeste da África, os textos mesopotâmicos sugerem que a criação do homem teve lugar no Apsu - no Mundo Inferior onde se localizava a Terra das Minas. Estabelecendo paralelo com Adapa, o "modelo" do homem, alguns textos mencionam "sagrada Amama, a mulher da terra", cujo domicílio era no Apsu.

No texto da "Criação do Homem", Enki emite as seguintes instruções para a deusa-mãe: "Mistura a um âmago o barro do alicerce da Terra, logo abaixo do Abzu". Um hino às criações de Ea, que "criou o Apsu como seu domicílio", começa afirmando:

Divino Ea no Apsu

Cortou um pedaço de barro,

Criou Kulla para restaurar os templos.

O hino continua a listar os especialistas de construção, assim como aqueles encarregados dos "abundantes produtos da montanha e do mar" que foram criados por Ea - todos eles, inferimos nós, a partir de pedaços de "barro" cortados no Abzu, a Terra das Minas no Mundo Inferior.

Os textos tornam absolutamente claro que, enquanto Ea construiu uma casa de tijolos à beira da água em Eridu, no Abzu ele construiu uma casa adornada com pedras preciosas e prata. Foi lá que sua criatura, o homem, teve origem:

O Senhor do AB.ZU, o rei Enki...

Construiu sua casa de prata e lápis-lazúli;

Sua prata e lápis-lazúli, como cintilante luz,

O pai adequadamente criou no AB.ZU.

As criaturas de brilhante semblante,

Avançando do AB.ZU,

Perfilavam todas à volta do Senhor Nudimmud.

Pode-se mesmo concluir, a partir dos vários textos, que a criação do homem causou uma brecha entre os deuses. Poderia parecer que, pelo menos a princípio, os novos trabalhadores primitivos se deveriam confinar à Terra de Minas. O resultado foi que negaram-se aos Anunnaki, que trabalhavam na própria Suméria, os benefícios da nova mão-de-obra. Um desconcertante texto, a que os eruditos chamam "O Mito da Picareta", é de fato o registro dos eventos durante os quais os Anunnaki que ficaram na Suméria sob as ordens de Enlil obtiveram seu justo quinhão do povo de cabeça preta.

Procurando restabelecer a "ordem normal", Enlil empreendeu a drástica ação de cortar os contatos entre "céu" (o Décimo Segundo Planeta ou as naves espaciais) e a terra e lançou uma ação drástica contra o local "onde a carne germinava rápido".

O Senhor

Fez com que acontecesse aquilo que é apropriado.

O Senhor Enlil,

Cujas decisões são inalteráveis,

Correu verdadeiramente para separar os céus da terra.

Para que os criados pudessem avançar;

Verdadeiramente ele correu para separar a terra dos céus.

No “elo céus-terra" ele deu uma cutilada,

Para que os criados pudessem subir

Do Lugar-Onde-a-Carne-Germinava-Rápido.

Contra a "Terra da Picareta e do Cesto", Enlil criou uma maravilhosa arma chamada AL.A.NI ("machado que produz poder"). Esta arma tinha um "dente" que, "como um boi de um chifre", podia atacar e destruir grandes muros. Por todas as descrições feitas, tratava-se de um tipo qualquer de enorme e poderosa perfuradora montada num veículo do tipo moto-niveladora, que esmagava tudo quanto estivesse à frente:

A casa que se rebela contra o Senhor,

A casa que não é submissa ao Senhor,

O AL.A.NI a torna submissa ao Senhor.

Do mal..., as cabeças de suas plantas ele esmaga;

Arranca as raízes, despedaça as coroas.

Armando sua arma com "separador de terra", Enlil lançou-se ao ataque:

O Senhor convocou o AL.A.NI, deu suas ordens.

Ele colocou o separador de terra como uma coroa sobre sua cabeça,

E guiou-a até ao Local-Onde-a-Carne-Germinava-Rápido.

No buraco estava a cabeça de um homem;

Do solo, povos rompiam na direção de Enlil.

Ele mirou os cabeças pretas de modo resoluto.

Gratos, os Anunnaki fizeram seus pedidos de trabalhadores primitivos e não perderam tempo para pô-los a trabalhar:

Os Anunnaki avançaram para ele,

Levantaram suas mãos em cumprimentos,

Mitigando o coração de Enlil com orações.

Eles pediam-lhe os de cabeças pretas.

Ao povo dos cabeças pretas,

Eles deram a picareta para segurar.

O livro do Gênesis, de igual modo, informa que "o Adão" fora criado em algum lugar a oeste da Mesopotâmia e depois trazido para leste, para a Mesopotâmia, para trabalhar no Jardim do Éden:

E a divindade Javé plantou um pomar no Éden, no leste...

E Ele tomou o Adão

E colocou-o no Jardim do Éden

Para trabalhá-lo e guardá-lo.

13

O Fim de Toda a Carne

A prolongada crença do homem na existência de uma Idade de Ouro em sua pré-história não pode certamente basear-se em lembranças humanas, uma vez que o acontecimento teve lugar há demasiado tempo e o homem era demasiado primitivo para registrar qualquer informação concreta para as gerações vindouras. Se a humanidade retém, de qualquer modo, um sentido subconsciente que lhe diz que nesses dias dos primórdios o homem viveu através de uma era de tranqüilidade e felicidade, é simplesmente porque o homem não conhecia nada de melhor. E é também porque os contos dessa era foram primeiramente contados à humanidade, não pelos homens primitivos, mas pelos próprios Nefilim.

A única narração completa dos acontecimentos que sucederam ao homem após seu transporte para o domicílio dos deuses na Mesopotâmia é o conto bíblico de Adão e Eva no Jardim do Éden:

E a Divindade Javé plantou um pomar

No Éden, no leste;

E colocou lá o Adão

A quem Ele criara.

E a Divindade Javé

Fez nascer da terra

Todas as árvores que são agradáveis à vista

E boas para comer;

E a Árvore da Vida estava no pomar

E a Árvore da Sabedoria boa e má...

E a Divindade Javé tomou o Adão

E colocou-o no Jardim do Éden

Para trabalhá-lo e guardá-lo;

E a Divindade Javé

Ordenou ao Adão, dizendo-lhe:

De cada árvore do pomar comerás;

Mas da Árvore da Sabedoria boa e má,

Tu não comerás dela;

Porque no dia em que tu dela comeres, disso

Tu virás certamente a morrer.

Embora tivessem à disposição dois frutos vitais, os terráqueos estavam proibidos de tocar apenas no fruto da Árvore da Sabedoria. A divindade, nesta altura, parece não se preocupar com a possibilidade de o homem tentar alcançar o Fruto da Vida. Ainda assim, o homem não pôde respeitar nem sequer esta única proibição e seguiu-se a tragédia.

A paisagem idílica em breve cedeu lugar a dramáticos desenvolvimentos, a que os eruditos bíblicos e os teólogos chamam a "Queda do Homem". É um conto de ordens divinas desatendidas de mentiras divinas, de uma serpente velhaca (mas que diz a verdade), de castigo e exílio.

Aparecendo de lugar nenhum, a serpente desafiou os solenes avisos de Deus:

E a serpente... disse para a mulher:

A Divindade disse-te realmente

'Vós não comereis de nenhuma árvore do pomar’?

E a mulher disse para a serpente:

Dos frutos das árvores do pomar nós podemos comer;

É do fruto da árvore no meio do pomar

Que a Divindade disse:

'Vós não comereis dele, nem nela tocareis, ou morrereis'.

E a serpente disse para a mulher:

Não, com certeza vocês não morrerão;

É que a Divindade sabe

Que no dia em que dela vocês comerem,

Vossos olhos abrir-se-ão

E vocês serão como a Divindade ­ -

Conhecendo o bem e o mal.

E a mulher viu que a árvore era boa para comer

E que era agradável de ser admirada;

E a árvore era desejável para fazer cada um sensato;

E ela tomou seu fruto e comeu,

E deu também a seu companheiro, e ele comeu com ela;

E os olhos de ambos foram abertos,

E eles perceberam que estavam nus;

E eles costuraram folhas de figueira,

E fizeram para si próprios, tangas.

Lendo e relendo o conciso e, ainda assim, preciso conto, não podemos evitar perguntar-nos qual a razão de todo o conflito. Proibidos sob ameaça de morte de tocar no Fruto da Sabedoria, os dois terráqueos foram persuadidos a avançar e comer o fruto que os tornaria "conhecedores" como a Divindade. No entanto, tudo o que aconteceu foi uma súbita tomada de consciência de sua nudez.

O estado de nudez foi, de fato, um aspecto maior de todo o incidente. O conto bíblico de Adão e Eva no Jardim do Éden abre com a afirmação: "E ambos estavam nus, o Adão e sua companheira, e eles não se envergonhavam". Eles estavam, devemos perceber, em algum estágio inferior do desenvolvimento humano em relação aos humanos completamente desenvolvidos - não só estavam nus, como estavam também na total inconsciência das implicações de tal nudez.

Um exame posterior do conto bíblico sugere que seu tema é a consecução pelo homem de algum tipo de proeza sexual. A "sabedoria" retida aos olhos do homem não era uma informação científica, mas algo relacionado com o sexo masculino e feminino, porque, mal o homem e sua parceira adquiriram a "sabedoria", logo "perceberam que estavam nus" e cobriram seus órgãos sexuais.

A continuação da narrativa bíblica confirma a relação entre a nudez e a falta de conhecimento, porque a Divindade não levou muito tempo a juntar os dois:

E eles ouviram o som da Divindade Javé

Passeando no pomar à brisa do dia,

E o Adão e sua companheira esconderam-se

Da Divindade Javé entre as árvores do pomar.

E a Divindade Javé chamou o Adão

E disse: "Onde estás?”

E ele respondeu:

O teu som eu ouvi no pomar e eu tive medo porque estou nu;

E escondi-me .

E Ele disse:

Quem te disse que estás nu?

Comeste tu da árvore,

Da qual eu te ordenei que não comesses?

Admitindo a verdade, o trabalhador primitivo culpou sua companheira feminina, que por sua vez deitou a culpa sobre a serpente. Tremendamente zangado, Deus lançou feitiços contra a serpente e os dois terráqueos. Então, surpreendentemente, "a Deidade Javé fez para Adão e sua mulher vestes de peles, e vestiu-os".

Não podemos julgar seriamente que o propósito de todo o incidente, que levou à expulsão dos terráqueos do Jardim do Éden, fosse um modo dramático de explicar como é que o homem passou a usar roupas. O uso de roupas foi meramente uma manifestação exterior da nova "sabedoria". A aquisição de tal "sabedoria" e as tentativas da Divindade em privar dela a humanidade são os temas centrais dos acontecimentos.

Enquanto não for ainda encontrada uma contraparte mesopotâmica para o conto bíblico, poucas dúvidas podem restar de que o conto - tal como todo o material bíblico referente à criação e à pré-história do homem - era de origem suméria. Temos o local: o domicílio dos deuses na Mesopotâmia. Temos o intrigante jogo de palavras com o nome de Eva (“ela da vida", "ela da costela"). E temos duas árvores vitais, a Árvore da Sabedoria e a Árvore da Vida, tal como na residência de Anu.

Até as palavras da Divindade acusam a origem suméria, porque só a deidade hebraica resvalou de novo para o plural, dirigindo-se a colegas divinos que foram imaginados não na Bíblia, mas nos textos sumérios:

Então a Divindade Javé disse:

Observem, Adão tornou-se um de nós,

Para conhecer o bem e o mal.

E agora não poderia ele estender a mão

E partilhar da Árvore da Vida,

E comer, e viver para sempre?

E a Divindade Javé expulsou o Adão

Do pomar do Éden.

Como mostram muitas remotas representações sumérias, houvera um tempo no qual o homem, o trabalhador primitivo, servira seus deuses completamente nu. Ele estava nu quer servisse aos deuses sua comida e bebida, quer labutasse nos campos ou nos trabalhos de construção.




A implicação clara é que o status do homem em face dos deuses não era muito diferente daquele dos animais domesticados. Os deuses tinham meramente elevado um animal já existente para preencher suas necessidades. Teria, então, a falta de "sabedoria" significado que, nu como um animal, o ser remodelado se envolvia sexualmente como ou com os animais? Algumas antigas descrições pictóricas indicam que foi este realmente o caso.

Os textos sumérios, como a "Epopéia de Gilgamesh", sugerem que o modo como se processavam as relações físicas dá realmente conta de uma distinção entre o homem selvagem e o homem humano. Quando o povo de Uruk quis civilizar o selvagem Enkidu, "o indivíduo bárbaro das profundidades das estepes", eles recorreram aos serviços de uma "jovem do prazer" e enviaram-na para se encontrar com Enkidu no fosso de água onde ele costumava conviver com animais vários e oferecer-lhe sua "maturidade”.

Parece, a partir do texto, que o momento decisivo no processo de "civilização" de Enkidu foi a rejeição dele pelos animais com os quais convivera. Era importante, disse o povo de Uruk à jovem, que ela continuasse a tratá-lo como "tarefa de mulher" até que "suas bestas selvagens que cresciam nas estepes o rejeitassem". Porque era um pré-requisito para que Enkidu se tornasse humano, que ele se afastasse da sodomia.

A moça libertou suas bestas, desnudou seu peito,

E ele possuiu sua maturidade...

Ela o tratou, o selvagem,

Como uma tarefa de mulher.

O estratagema deu resultados claros. Depois de seis dias e sete noites, "depois de estar cheio dos encantos dela", ele recordou seus antigos parceiros de entretenimento.

Ele virou a face para suas feras; mas,

Ao verem-no, as gazelas fugiram.

As feras da estepe

Afastaram-se de seu corpo.

O relato é explícito. As relações físicas humanas produziram uma mudança tão profunda em Enkidu que os animais com que ele convivera “se afastaram". Eles não fugiram simplesmente - eles esquivaram-se ao seu contato físico.

Atônito, Enkidu ficou imóvel por um instante, "porque suas feras partiram". Mas não se devia lamentar a mudança, como nos explica o antigo texto:

Agora ele tinha visão, conhecimento mais vasto...

A prostituta diz a Enkidu:

Tu és agora sabedor, Enkidu;

Tu estás transformando-se em deus!

Os vocábulos neste texto mesopotâmico são quase idênticos aos do conto bíblico de Adão e Eva. Como a serpente predissera, partilhando da Árvore da Sabedoria, eles tornaram-se, em assuntos sexuais, "como a divindade - conhecedores do bem e do mal".

Se isto apenas significava que o homem chegara ao reconhecimento de que ter relações físicas com animais era incivilizado ou mau, por que Adão e Eva foram punidos por abandonarem a sodomia? O Antigo Testamento está repleto de admoestações contra a sodomia, e é inconcebível que a aprendizagem de uma virtude causasse a ira divina.

A "sabedoria" que o homem obteve contra os desejos expressos da divindade - ou de uma das deidades - devia ter sido de mais profunda natureza. Era algo de bom para o homem, mas que os criadores não queriam que ele tivesse.

Temos de ler cuidadosamente nas entrelinhas da maldição lançada sobre Eva para apreender o significado do acontecimento:

E à mulher Ele disse:

Eu multiplicarei muito teu sofrimento

Com tua gravidez.

Com dor darás à luz filhos,

Todavia, para teu companheiro será teu desejo...

E o Adão chamou à sua mulher "Eva”;

Porque ela era a mãe de todos os que viveram.

Este é, de fato, o acontecimento momentoso que nos é transmitido no conto bíblico: enquanto a Adão e Eva faltou "sabedoria", eles viveram no Éden sem nenhuma descendência. Tendo obtido "sabedoria", Eva adquiriu a capacidade (e a dor) de engravidar e dar à luz crianças. Só depois de o casal ter adquirido esta "sabedoria", "Adão conheceu Eva como mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim".

Ao longo do Antigo Testamento, o vocábulo "conhecer" é usado para denotar relações sexuais, na maior parte das vezes entre um homem e sua esposa com o propósito de ter filhos. O conto de Adão e Eva no Jardim do Éden é a história de um passo importante no desenvolvimento do homem - a aquisição da capacidade para procriar.

Não devia surpreender que os primeiros seres representativos do Homo sapiens fossem incapazes de se reproduzir. Qualquer que tenha sido o método usado pelos Nefilim para introduzir algum material genético na composição biológica dos hominídeos selecionados para tal fim, o novo ser era um híbrido, um cruzamento entre duas espécies diferentes, talvez relacionadas. Tal como a mula (um cruzamento entre a égua e o burro), estes mamíferos híbridos são estéreis. Através da inseminação artificial e de métodos de engenharia biológica ainda mais sofisticados, pode-se produzir a quantidade de mulas que se desejar, mesmo sem haver verdadeiras relações físicas entre o burro e a égua, mas nenhuma mula pode procriar e dar à luz outra mula.

Estariam os Nefilim, a princípio, simplesmente produzindo "mulas humanas" para satisfazer suas necessidades?

Nossa curiosidade é aumentada por uma cena representada numa gravação de rocha encontrada nas montanhas do sul do Elam. Ela mostra uma deidade segurando um frasco de "laboratório" do qual correm líquidos, uma descrição comum de Enki. Uma grande deusa está sentada ao lado dele, numa pose que indica ser uma cooperadora, mais do que uma esposa; ela não podia ser outra senão Ninti, a deusa-mãe ou Deusa do Nascimento. Os dois são flanqueados por deuses inferiores, reminiscentes das deusas do nascimento dos contos e da criação. Encarando estes criadores do homem estão várias filas de seres humanos, cuja impressionante e comum característica é a semelhança física de uns com os outros, como se fossem produtos do mesmo molde.



Nossa atenção é também chamada de novo para o conto sumério dos machos e fêmeas imperfeitos inicialmente dados à luz por Enki e pela deusa-­mãe, que eram seres assexuados ou sexualmente incompletos. Recordará este texto a primeira fase da existência do homem híbrido, um ser à imagem e semelhança dos deuses, mas sexualmente incompleto e ao qual faltava a "sabedoria"?

Depois de Enki ter conseguido produzir um "modelo perfeito" - Ada­pa/Adão -, são descritas nos textos sumérios técnicas de "produção em massa". Tratava-se da implantação de óvulos geneticamente tratados numa "linha de montagem" de deusas do nascimento com o conhecimento prévio de que metade dessas deusas produziriam machos, e a outra metade, fêmeas. Isto não só revela a técnica pela qual o homem híbrido foi "fabricado", como implica também que o homem não podia por si só procriar.

A impotência dos híbridos em procriar, descobriu-se recentemente, deriva de uma deficiência nas células reprodutoras. Enquanto todas as células contêm apenas um conjunto de cromossomos hereditários, o homem e outros mamíferos são capazes de produção porque suas células sexuais (o esperma masculino e o óvulo feminino) contêm dois conjuntos. Mas este padrão único não se encontra nos seres híbridos. Atualmente são feitas tentativas através da engenharia genética no sentido de prover os híbridos com esse conjunto duplo de cromossomos em suas células reprodutoras, tornando-os sexualmente "normais".

Terá sido isso o que o deus, cujo epíteto era "A Serpente", trouxe ao gênero humano?

A serpente bíblica não era, com certeza, uma mera e literal cobra, uma vez que podia conversar com Eva, conhecia a verdade acerca do assunto da "sabedoria" e mantinha uma posição hierárquica tão elevada que podia, sem hesitar, apresentar a divindade como mentirosa. Lembramos que nas antigas tradições, a divindade principal lutou com um adversário serpente, um conto cujas raízes remontam, indubitavelmente, aos deuses sumérios.

O conto bíblico revela muitos traços de origem suméria, incluindo a presença de outras divindades: "O Adão tornou-se como um de nós". A possibilidade dos antagonistas bíblicos - a divindade e a serpente - terem representado Enlil e Enki parece-nos inteiramente plausível.

Seu antagonismo, como descobrimos, teve origem na transferência de Enlil para o comando da Terra, embora Enki fosse o verdadeiro pioneiro. Enquanto Enlil ficava no confortável Centro de Controle da Missão em Nippur, Enki era enviado para organizar as operações mineiras no Mundo Inferior. O motim dos Anunnaki foi dirigido contra Enlil e seu filho Ninurta, e o deus que falou em nome dos amotinados foi Enki. Enki sugeriu e empreendeu a criação de trabalhadores primitivos. Enlil teve de recorrer à força para obter algumas destas maravilhosas criaturas. Como registram os textos sumérios do decurso dos acontecimentos humanos, Enki geralmente aparece como protagonista da humanidade e Enlil como seu severo disciplinador, senão seu antagonista direto. O papel de uma divindade que deseja manter os novos humanos sexualmente oprimidos e o de uma divindade desejosa e capaz de conceder ao homem o fruto da "sabedoria" se ajustam perfeitamente a Enlil e a Enki.

Uma vez mais, os jogos de palavras sumérias e bíblicas vêm em nossa ajuda. O termo bíblico para "serpente" é nahash, que significa realmente "cobra". Mas o termo deriva da raiz NHSH, que significa "decifrar, descobrir", e, assim, nahash podia também significar "ele que pode decifrar, ele que descobre coisas", um epíteto adequado a Enki, o cientista-chefe, o Deus da Sabedoria dos Nefilim.

Estabelecendo paralelos entre o conto mesopotâmico de Adapa (que obteve "sabedoria", mas não alcançou a vida eterna) e o destino de Adão, S. Langdon (Semitic Mythology) reproduziu uma descrição desenterrada na Mesopotâmia que sugere fortemente esse conto bíblico - uma serpente enlaçada numa árvore, apontando para o seu fruto. Os símbolos celestes são significativos: lá bem em cima está o planeta da Travessia, que representa Anu; próximo da serpente está o crescente lunar, representando Enki.



Muito pertinente para nossas descobertas é o fato de, nos textos mesopotâmicos, o deus que finalmente legou "sabedoria" a Adapa não ser outro senão Enki:

Larga compreensão ele aperfeiçoou para ele...

Sensatez [ele lhe dera]...

A ele, dera Sabedoria;

A vida eterna não lhe tinha ele dado.

Um conto ilustrado gravado num selo cilíndrico encontrado em Mari pode bem ser uma antiga ilustração da versão mesopotâmica do conto do Gênesis. A gravação mostra um grande deus sentado num terreno alto elevando-se de ondas de água, uma descrição óbvia de Enki. Serpentes jorrando água destacam-se de cada lado deste "trono".

Ladeando esta figura central estão três deuses que se assemelham a árvores. Aquele que está à direita, cujos ramos têm extremidades em forma de pênis, segura um recipiente onde possivelmente está contido o Fruto da Vida. O da esquerda, cujos ramos têm extremidades em forma de vagina, oferece ramos frutíferos e representa a Árvore da "Sabedoria", dádiva dos deuses da procriação.

Ao lado há ainda um outro grande deus - nossa sugestão é que se trata de Enlil. Sua raiva contra Enki é por demais evidente.


Nunca saberemos o que ocasionou este "conflito" no Jardim do Éden, mas quaisquer que fossem os motivos de Enki, o fato é que ele conseguiu aperfeiçoar o trabalhador primitivo e criou o Homo sapiens, que podia produzir sua própria descendência.

Depois que o homem adquiriu a "sabedoria", o Antigo Testamento cessa de se referir a ele como "o Adão" e adota como sujeito Adão, uma pessoa específica, o primeiro patriarca da linha do povo com o qual se preocuparia a Bíblia. Mas este amadurecimento da humanidade marcou igualmente um cisma entre Deus e o homem.

A separação dos caminhos, o homem aparecendo já não como um servo mudo dos deuses, mas como uma pessoa agindo por si mesma, é descrita no livro do Gênesis não como uma decisão tomada pelo próprio homem, mas como a imposição de um castigo pela Divindade: para que o terráqueo não adquira também a capacidade de escapar à mortalidade, ele será expulso do Jardim do Éden. De acordo com estas fontes, a existência independente do homem começou não no sul da Mesopotâmia, onde os Nefilim estabeleceram suas cidades e pomares, mas sim a leste, nos montes Zagros: "E Ele retirou o Adão e fê-lo residir a leste do Jardim do Éden".

Uma vez mais, então, a informação bíblica confirma as descobertas científicas: a cultura humana começou nas regiões montanhosas fronteiriças à planície mesopotâmica. Que pena ser a narrativa bíblica tão breve, uma vez que se trata aqui daquilo que foi a primeira vida civilizada do homem na Terra!

Expulso do domicílio dos deuses, condenado a uma vida mortal, mas capaz de procriar, o homem continuou a fazer exatamente isso. O primeiro Adão, com cujas gerações se preocupou a Bíblia, "conheceu" sua mulher Eva, e ela deu-lhe um filho, Caim, que arou a terra. Então, Eva deu à luz Abel, que foi pastor. Insinuando como motivo a homossexualidade, a Bíblia relata que "Caim lançou-se sobre seu irmão Abel e matou-o".

Temendo por sua vida, a deidade deu a Caim um sinal protetor, ao mesmo tempo que lhe ordenava que se mudasse mais para leste. Levando a princípio uma vida de nômade, Caim finalmente estabeleceu-se na "Terra de Migração, bem a oriente do Éden". Aí teve um filho a quem chamou Enoc ("inauguração"), "e ele construiu uma cidade, e deu à cidade o nome de seu filho". Enoc, por sua vez, teve filhos e netos e bisnetos. Na sexta geração depois de Caim, nasceu Lamec. A Bíblia atribui a seus três filhos a condução da civilização: Jabal "era o pai daqueles que residem em tendas e têm gado"; Jubal "era o pai de todos os que tocam a lira e a harpa"; Tubal-Caim foi o primeiro ferreiro.

Mas também Lamec, como seu antecessor Caim, se envolveu em assassínios, desta vez de um homem e de uma criança. Não erraremos se julgarmos que as vítimas não eram uns humildes estranhos, uma vez que o livro do Gênesis se demora sobre o incidente e o considera um momento decisivo na linhagem de Adão. A Bíblia declara que Lamec reuniu suas duas mulheres, mães de seus três filhos, e confessou perante elas o duplo crime, declarando: "Se Caim foi sete vezes vingado, Lamec sê-lo-á setenta vezes sete”. Esta afirmação, pouco entendida pelos estudiosos, deve ser entendida como relacionada ao problema da sucessão; consideramos isto como uma confissão de Lamec para suas mulheres, que a esperança de que a maldição sobre Caim pudesse ser redimida na sétima geração (a geração de seus filhos) não deu em nada. Agora, uma nova maldição, muito mais longa, fora imposta à casa de Lamec.

Confirmando que o acontecimento dizia respeito à linha de sucessão, os versículos seguintes informam-nos do imediato estabelecimento de uma nova e pura linhagem:

E Adão conheceu de novo sua mulher

E ela deu à luz um filho e chamou-lhe Set ["alicerce"]

Porque a divindade criou para mim

Outra semente em lugar de Abel, a quem Caim matou.

Neste ponto, o Antigo Testamento perde todo o interesse na linha maculada de Caim e Lamec. A continuação dos eventos humanos firma-se, assim, a partir daqui, sobre a linhagem de Adão através de seu filho Set e do primogênito deste, Enos, cujo nome adquiriu em hebraico a conotação genérica de "ser humano". "Foi então", diz-nos o Gênesis, "que se começou a invocar o nome da Divindade.”

Esta enigmática afirmação confundiu os estudiosos bíblicos e os teólogos ao longo dos anos. Ela é seguida por um capítulo que fornece a genealogia de Adão através de Set e Enos durante dez gerações, finalizando com Noé, o herói do dilúvio.

Os textos sumérios, que descrevem os remotos estágios em que os deuses estavam sozinhos na Suméria, descrevem com igual precisão a vida dos humanos na Suméria num tempo posterior, mas antecedente do dilúvio.

A história suméria (e original) do dilúvio conhece seu "Noé" como o "Homem de Shuruppak", a sétima cidade estabelecida pelos Nefilim quando aterrissaram no planeta Terra.

Então, em alguma época da história, os seres humanos, banidos do Éden, obtiveram permissão para regressar à Mesopotâmia, para viver ao lado dos deuses, para os servir e adorar. Tal como interpretamos a afirmação bíblica, isto aconteceu nos dias de Enos. Foi então que os deuses permitiram à humanidade o regresso à Mesopotâmia, para servir os deuses “e invocar o nome da divindade”.

Ansioso por chegar ao próximo acontecimento épico da saga humana, o dilúvio, o livro do Gênesis fornece pouca informação além dos nomes dos patriarcas que sucederam a Enos. Mas o significado do nome de cada patriarca pode sugerir os acontecimentos que tiveram lugar durante seu período de vida.

O filho de Enos através de quem se continuou a linhagem pura foi Cainam ("pequeno Caim"); alguns estudiosos tomam o nome para significar "ferreiro". O filho de Cainan era Malaleel ("orador de deus"). A ele se seguiu Jered ("ele que descendeu"); e seu filho foi Henoc ("o consagrado"), que com 365 anos, foi levado para as alturas pela divindade. Mas, trezentos anos antes, com 65 anos, Henoc tivera um filho chamado Matusalém; muitos estudiosos, seguindo Lettia D. Jeffreys (Ancient Hebrew Names: Their Significance and Historical Value) [Antigos Nomes Hebraicos: Sua Significação e Valor Histórico], traduzem Matusalém como “homem do míssil".

O filho de Matusalém chamava-se Lamec, significando "ele que foi humilhado". E Lamec teve Noé ("descanso"), dizendo: "Que este nos conforte em nosso trabalho e no sofrimento de nossas mãos na terra que a divindade amaldiçoou".

A humanidade, ao que parece, passava grandes privações à altura do nascimento de Noé. O trabalho árduo e a fadiga não a levavam a parte alguma, uma vez que a terra, que os devia sustentar, estava amaldiçoada. Estava armado o cenário para o dilúvio, o momentoso evento que iria varrer da face da Terra não só a raça humana, mas toda a vida da terra e dos céus.

E a Divindade viu que a perversidade do homem

Era grande na Terra,

E que cada desejo dos pensamentos em seu coração

Era apenas maldade em cada dia.

E a Divindade arrependeu-se de ter feito o homem

Sobre a Terra, e seu coração entristeceu.

E a Divindade disse:

Eu eliminarei da face da Terra

Os terráqueos a quem criei.

Estas acusações categóricas são apresentadas como justificativas para as drásticas medidas de "acabar com toda a carne". Mas as citadas acusações são pouco específicas, e estudiosos e teólogos não encontram respostas satisfatórias referentes aos pecados ou "violações" que tanto aborreceram a Divindade.

O uso repetido do termo carne, tanto nos versículos de acusação, como nas proclamações de julgamento, sugere, é claro, que as corrupções e as violações relacionavam-se com a carne. A Deidade preocupava-se com o perverso "desejo dos pensamentos do homem". O homem, podia parecer, tendo descoberto o sexo, tornara-se maníaco sexual.

Mas só muito dificilmente podemos aceitar que a Divindade decidisse varrer a humanidade da face da terra simplesmente porque os homens faziam demasiadas vezes amor com suas mulheres. Os textos mesopotâmi­cos falam livremente e eloqüentemente de sexo e amor entre os deuses e suas consortes, de amores ilícitos entre uma donzela e seu amante, de amor violento (como no caso de violação de Ninlil por Enlil). Há uma profusão de textos descrevendo o ato amoroso e a própria relação física entre os deuses, com suas consortes oficiais ou com concubinas não oficiais, com suas irmãs e filhas e até netas (fazer amor com estas últimas era o passatempo favorito de Enki). Tais deuses não podiam, com toda a justiça, voltar-se contra a humanidade por esta se comportar como eles próprios o faziam.

O verdadeiro motivo da Divindade não era mera preocupação com a moralidade humana. A repugnância avassaladora era causada por uma propagada degradação dos próprios deuses. Visto sob esta luz, torna-se claro o significado dos desconcertantes versículos de abertura do capítulo VI do Gênesis:

E assim aconteceu,

Quando os terráqueos começaram a aumentar em número

Sobre a face da Terra,

E lhes nasceram filhas entre eles,

Os filhos das deidades

Viram as filhas dos terráqueos

E elas eram compatíveis,

E eles levaram para eles próprios

Esposas de todas as que escolheram.

Como esclarecem estes versículos, foi nessa altura, quando os filhos dos deuses começaram a envolver-se sexualmente com a descendência dos terráqueos, que a Divindade gritou: "Basta!”

­

E a Divindade disse:

O meu espírito não protegerá o homem para sempre;

Tendo-se extraviado, ele é apenas carne.

Esta afirmação permaneceu enigmática durante milênios. Lida à luz de nossas conclusões referentes à manipulação genética na criação do homem, os versículos encerram uma mensagem para nossos próprios cientistas. O "espírito" dos deuses - a perfeição genética da humanidade - começava a deteriorar-se. O gênero humano extraviara-se, voltando assim a ser “apenas carne", mais próximo de suas origens animais simiescas.

Podemos agora compreender a ênfase colocada no Antigo Testamento na distinção entre Noé, um "homem íntegro... puro em suas genealogias" e "a terra inteira que estava corrompida". Contraindo matrimônio com homens e mulheres de pureza genética decrescente, os deuses sujeitavam-­se também à deterioração. Salientando que apenas Noé continuava a ser geneticamente puro, o conto bíblico justifica a contradição da Divindade. Tendo decidido eliminar toda a vida da face da terra, resolveu salvar Noé, seus descendentes e "todos os animais limpos" e outras feras e aves "para manter vivas sobre a face de toda a terra".

O plano da Divindade para anular seu objetivo inicial consistia em alertar Noé da catástrofe que se avizinhava e orientá-lo na construção de uma arca capaz de se manter na água, arca esta que levaria as pessoas e as criaturas que se pretendia salvar. A notícia foi dada a Noé sete dias apenas antes do início da catástrofe. De um modo ou de outro, ele conseguiu construir a arca e impermeabilizá-la, juntar todos os seres e colocá-los e à sua família a bordo e ainda abastecer a arca de provisões no tempo concedido. "E assim aconteceu, depois dos sete dias, que as águas do dilúvio estavam sobre a terra." O que veio a acontecer está mais bem descrito nas próprias palavras da Bíblia:

Naquele dia,

Todas as nascentes do grande abismo se abriram jorrando,

E os diques do céu foram abertos...

E o dilúvio esteve quarenta dias sobre a terra,

E as águas aumentaram e levantaram a arca,

E ela foi elevada acima da terra.

E as águas tornaram-se mais fortes

E aumentaram muitíssimo sobre a terra

E a arca flutuou sobre as águas.

E as águas tornaram-se excessivamente fortes sobre a terra

E todas as altas montanhas foram cobertas.

Aquelas que estão sob todos os céus:

Quinze cúbitos acima delas se manteve a água,

E as montanhas foram cobertas.

E toda a carne pereceu...

O homem e o gado e os seres rastejantes

E as aves dos céus

Foram riscados da superfície da terra;

E apenas Noé foi deixado,

E aqueles que estavam com ele na arca.

As águas mantiveram-se sobre a terra 150 dias, até que a Divindade:

Fez com que um vento passasse sobre a terra,

E as águas foram acalmadas.

E as nascentes do abismo foram represadas,

Como o foram os diques do céu;

E a chuva dos céus foi presa.

E as águas começaram a recuar sobre a superfície da terra,

Indo e vindo.

Depois de 150 dias, as águas eram menos;

E a arca descansou nos montes de Ararat.

De acordo com a versão bíblica, a provação da humanidade começou "no ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês". A arca permaneceu nos montes de Ararat "no sétimo mês, no décimo sétimo dia do mês". A subida das águas e seu gradual "recuo", suficiente para baixar o nível da água e fazer a arca descansar nos picos de Ararat, durou, então, cinco meses completos. Então "as águas continuaram a diminuir, até que os picos das montanhas" - e não apenas os dos imponentes Ararat - "puderam ser vistos no décimo primeiro dia do décimo mês", quase três meses depois.

Noé esperou mais quarenta dias. Então ele enviou um corvo e uma pomba "para ver se as águas diminuíram na superfície da terra". À terceira tentativa, a pomba voltou segurando no bico uma folha de oliveira, indicando que as águas regrediram o suficiente para permitir que se vissem as copas das árvores. Pouco depois, Noé soltou de novo a pomba, "mas ela já não regressou". O dilúvio estava terminado.

E Noé retirou a coberta da arca

E olhou, e observou:

A superfície da terra estava seca.

"Ao segundo mês, no vigésimo sétimo dia do mês, a terra secou." Noé estava com 601 anos. A provação durara um ano e dez dias.

Depois, Noé e todos os que estavam com ele na arca saíram. E ele construiu um altar e ofereceu sacrifícios de fogo à Divindade.

E a Divindade sentiu o tentador perfume

E disse em seu coração:

Não mais amaldiçoarei a terra seca

Por causa dos terráqueos;

Porque o desejo de seu coração é mau desde a juventude.

O "feliz final" está tão cheio de contradições como a própria história do dilúvio. Começa com uma longa acusação formal da humanidade por várias abominações, incluindo a degradação da pureza dos deuses mais jovens. Uma decisão grave, como foi a de fazer perecer toda a carne, é tomada e parece completamente justificada. Então, a mesma Deidade apressa-se nuns simples sete dias para se assegurar que a semente da humanidade e de outras criaturas não pereça. Quando o trauma termina, a Deidade é seduzida pelo odor da carne assada e, esquecendo sua determinação original de pôr fim à humanidade, anula todo o processo com uma desculpa, colocando a culpa dos maus desejos do homem em sua juventude.

Estas incômodas dúvidas sobre a veracidade da história dispersam-se, contudo, quando compreendemos que a narrativa bíblica é uma versão editada do relato original sumério. Como em outras circunstâncias, a Bíblia monoteísta comprimiu numa só divindade os papéis representados por vários deuses que nem sempre estavam de acordo.

A história bíblica do dilúvio era a única versão do acontecimento, apoiada apenas por mitologias primitivas fragmentadas de todo o mundo, até as descobertas arqueológicas da Mesopotâmia e a decifração da literatura acádia e suméria. A descoberta da "Epopéia da Criação" acádia colocou o conto do dilúvio do Gênesis em mais antiga e venerável companhia, mais adiante salientada pelas posteriores descobertas de textos e fragmentos mais antigos do original sumério.

O herói do relato do dilúvio mesopotâmico era Ziusudra, em sumério (Utnapishtim, em acádio), que depois do dilúvio foi levado para o domicílio celestial para aí viver feliz para todo o sempre. Quando, à procura da imortalidade, Gilgamesh finalmente alcançou o local, ele procurou o conselho de Utnapishtim sobre o tema da vida e da morte. Utnapishtim revelou a Gilgamesh, e por ele a toda a humanidade pós-diluviana, o segredo de sua sobrevivência, "um assunto oculto, um segredo dos deuses” - a verdadeira história (poderíamos dizê-lo) do grande dilúvio.

O segredo revelado por Utnapishtim era que, antes da fúria do dilúvio, os deuses reuniram-se em conselho e votaram a destruição da humanidade. O voto e a decisão foram mantidos em segredo. Mas Enki procurou Utnapishtim, o governante de Shuruppak, para informá-lo da calamidade que se aproximava. Adotando métodos clandestinos, Enki falou a Utnapishtim por detrás de um painel de juncos. A princípio, suas revelações eram secretas. Depois seu aviso e conselho foram proferidos claramente:

Homem de Shuruppak, filho de Ubar-Tutu:

Desfaz em pedaços a casa, constrói um barco!

Desiste das riquezas, procura vida!

Abandona os haveres, mantém viva a alma!

A bordo do barco tu levarás a semente de todas as coisas vivas;

O barco que tu construíres –­

Suas dimensões serão sob medida.

Os paralelos com a história bíblica são óbvios. Um dilúvio aproxima-se; um homem é avisado com antecedência; ele deve salvar-se a si próprio preparando um barco especialmente construído; com ele deverá levar e salvar "a semente de todas as coisas vivas". Ainda assim, a versão babilônica é mais plausível. A decisão de destruir e o esforço para salvar não são atos contraditórios da mesma e única deidade, mas atos de diferentes pessoas divinas. Além disso, avisar com antecedência e salvar a semente do homem é o ato arrojado de um deus (Enki) agindo em segredo e contrariamente à decisão conjunta dos outros grandes deuses.

Por que se arriscou Enki desafiando os outros deuses? Estaria preocupado, unicamente, com a preservação de suas “maravilhosas obras de arte", ou terá ele agido contra o ambiente de rivalidade e hostilidades crescentes entre ele e seu irmão Enlil?

A existência de tal conflito entre os dois irmãos é bem esclarecida na história do dilúvio.

Utnapishtim colocou a Enki a questão óbvia: como podia ele, Utnapishtim, explicar aos outros cidadãos de Shuruppak a construção de um navio de tão estranha forma e o abandono de todas as riquezas? Enki aconselhou -o:

Tu falarás assim para eles:

Soube que Enlil me hostiliza,

De modo que não posso residir em vossa cidade,

Nem colocar meu pé no território de Enlil.

Assim, ao Apsu eu descerei,

Para residir com meu Senhor Ea.

A desculpa seria que, sendo seguidor de Enki, Utnapishtim já não podia residir na Mesopotâmia e, por conseguinte, estava construindo um barco no qual tencionava navegar para o Mundo Inferior (África Meridional, de acordo com nossas descobertas) para morar com seu Senhor, Ea/Enki. Os versos que se seguem a este momento sugerem que a região sofria uma estiagem ou fome; Utnapishtim (a conselho de Enki) devia assegurar aos residentes da cidade que, se Enlil o visse partir, "a terra voltaria [de novo] a se encher dos bens da colheita". Esta desculpa fez sentido aos olhos dos outros residentes da cidade.

Assim iludida, a gente da cidade não questionou e até deu uma ajuda na construção da arca. Matando e servindo-lhes novilhos e carneiros "todos os dias" e prodigalizando-lhes "mosto, vinho tinto, azeite e vinho branco", Utnapishtim encorajou-os a trabalhar mais rapidamente. Até as crianças foram pressionadas no sentido de carregarem betume para impermeabilização.

"No sétimo dia, o barco estava pronto. O lançamento foi muito difícil, e por isso eles tiveram de mudar de lugar as pranchas de cima e de baixo, até dois terços da estrutura ter penetrado na água" do Eufrates. Então Utnapishtim pôs toda sua família e parentela a bordo do barco, levando também "tudo o que possuía de todas as criaturas vivas", assim como "os animais do campo, as feras selvagens do campo". Os paralelos com o conto bíblico - até o pormenor do prazo de sete dias para a construção ­são claros. Avançando um passo para além de Noé, Utnapishtim conseguiu, no entanto, introduzir no navio todos os artífices que o ajudaram na construção.

Ele próprio apenas deveria subir para bordo a um certo sinal, cuja natureza Enki lhe tinha também revelado: um "tempo determinado" a ser fixado por Shamash, a deidade a cargo da qual estavam os foguetes faiscantes. Esta foi a ordem de Enki:

Quando Shamash, que ordena um estremecimento ao crepúsculo,

Fizer cair uma chuva de erupções ­ -

Sobe a bordo do barco, reforça a entrada.

Ficamos conjeturando a relação entre a decolagem de um foguete espacial por Shamash e a chegada do momento para Utnapishtim subir a bordo da sua arca e trancar-se em seu interior. Mas o momento chegou; o foguete espacial causou realmente um "estremecimento ao crepúsculo"; houve uma chuva de erupções. Utnapishtim "fechou todo o barco" e "entregou toda a estrutura e seu conteúdo" para "Puzur-Amurri, o Barqueiro".

A tempestade veio "com o primeiro raio da alvorada". Houve um medonho trovão. Uma nuvem negra elevou-se no horizonte. A tempestade despedaçou as colunas das construções e dos molhes; depois os diques cederam. Seguiu-se a escuridão, "transformando em negrura tudo o que fora luz"; e "a larga terra foi quebrada como um pote".

Durante seis dias e seis noites soprou a "tempestade sul".

Reunindo velocidade enquanto soprava,

Submergindo as montanhas,

Surpreendendo o povo como uma batalha...

Quando o sétimo dia chegou,

A tempestade sul trazendo a inundação

Amainou a batalha

Que travara como um exército.

O mar aquietou-se,

A tempestade quedou-se,

A inundação cessou.

Eu olhei para o tempo.

A tranqüilidade reaparecera.

E toda a humanidade regressara à argila.

A vontade de Enlil e da assembléia dos deuses fora cumprida.

Mas, desconhecido para eles, o plano de Enki tinha também dado resultado: flutuando em tempestuosas águas havia uma embarcação contendo homens, mulheres, crianças e outras criaturas vivas.

Com a tempestade terminada, Utnapishtim "abriu uma escotilha; a luz caiu sobre sua face". Olhou à volta; "a paisagem estava tão nivelada como um telhado plano". Inclinando-se profundamente, sentou-se e chorou, "lágrimas rolando pela minha face". Ele olhou procurando uma linha de costa na extensão do mar, e não viu nenhuma. Então:

Aí emergiu uma região montanhosa;

No monte da Salvação, o barco fez uma paragem;

O monte Nisir ("salvação") reteve o barco,

Não permitindo o movimento.

Durante seis dias Utnapishtim vigiou através da arca imobilizada, presa nos picos do monte da Salvação, os picos bíblicos de Ararat. Depois, tal como Noé, enviou uma pomba à procura de um local de repouso, mas ela regressou. Uma andorinha largou vôo e veio de volta. Depois foi solto um corvo, e ele voou para longe, encontrando um local de repouso. Utnapishtim, nessa altura, libertou todas as aves e todos os animais que estavam com ele, e se encaminhou para o exterior. Construiu um altar "e ofereceu um sacrifício", tal como Noé fizera.

Mas aqui aparece, de novo, e inesperadamente, a diferença entre a única e as múltiplas deidades. Quando Noé ofereceu seu sacrifício de fogo, "Javé sentiu o tentador perfume"; mas quando foi a vez de Utnapishtim oferecer um sacrifício, "os deuses sentiram o aroma, os deuses sentiram o doce aroma. Os deuses juntaram-se como moscas sobre o sacrificado”.

Na versão do Gênesis, foi Javé quem fez o voto solene de nunca mais voltar a destruir a humanidade. Na versão da Babilônia, foi a grande deusa quem prometeu: "Eu não esquecerei... Lembrar-me-ei destes dias, nunca os olvidando".

Este não era, no entanto, o problema imediato. Quando Enlil, finalmente, apareceu em cena, não estava preocupado com alimento. Estava louco para descobrir se alguém sobrevivera. "Escapou algum ser vivo? Nenhum homem poderia ter sobrevivido à destruição!”

Ninurta, seu filho e herdeiro, apontou imediatamente um dedo suspeitoso para Enki. "Quem, além de Ea, pode arquitetar planos? Só Ea é o único que sabe de todos os assuntos." Longe de se furtar à acusação, Enki irrompeu num dos mais eloqüentes discursos de defesa jamais feitos. Elogiando Enlil por sua sabedoria e sugerindo que Enlil não podia com toda a certeza ser "irracional" - um realista - ele misturou negação com confissão. "Não fui eu quem revelou o segredo dos deuses"; "eu meramente deixei um homem, um homem 'excepcionalmente sensato', perceber por sua própria sabedoria de que se tratava o segredo dos deuses. E se de fato este terráqueo é tão sensato", sugeriu Enki a Enlil, "não ignoremos suas capacidades. Então, agora, tomem uma decisão a seu respeito!”

Tudo isto, relata a "Epopéia de Gilgamesh", era o "segredo dos deuses" que Utnapishtim contou a Gilgamesh. Ele informou então Gilgamesh do acontecimento final. Influenciado pelo argumento de Enki.

Enlil, em conseqüência, foi a bordo do navio.

Pegando-me pela mão, levou-me a bordo,

Ele levou minha mulher a bordo, fê-la ajoelhar-se a meu lado.

De pé, à nossa frente, ele tocou nossas frontes para nos abençoar:

Até aqui Utnapishtim não foi senão humano;

A partir daqui Utnapishtim e sua mulher

Estarão entre nós como deuses.

Utnapishtim residirá nas Lonjuras,

Na Boca das Águas!

E Utnapishtim concluiu sua história a Gilgamesh. Depois de ter sido levado para residir nas Lonjuras, Anu e Enlil:

Deram-lhe vida, como a um deus,

Elevaram-no à vida eterna, como a um deus.

Mas o que aconteceu à humanidade em geral? O conto bíblico termina com uma afirmação segundo a qual a Divindade permitiu e deu a bênção à humanidade para "ser fecunda e multiplicar-se". As versões mesopotâmicas da história do dilúvio terminam também com versos que abordam a procriação do gênero humano. Os textos parcialmente mutilados falam do estabelecimento de "categorias" humanas:

...Que haja uma terceira categoria entre os homens:

Que haja entre os humanos

Mulheres que concebem, e mulheres que não concebem.

Foram claramente estabelecidas novas diretrizes para as relações físicas:

Regras para a raça humana:

Que os homens... às virgens...

Que as donzelas...

Que os mancebos às virgens...

Quando o leito está feito,

Que a esposa e seu marido se deitem juntos.

Enlil fora vencido em tática. A humanidade fora salva e fora-lhe permitida a procriação. Os deuses franquearam a Terra ao gênero humano.

14

Quando os Deuses Fugiram da Terra

Que foi este dilúvio, cujas violentas águas arrasaram a Terra?

Alguns explicam a inundação em termos de enchente anual na planície do Tigre-Eufrates. Tal inundação, supõe-se, deve ter sido particularmente rigorosa. Campos e cidades, homens e animais foram riscados do mapa pela elevação das águas; e povos primitivos, vendo o acontecimento como um castigo dos deuses, começaram a propagar a lenda de um dilúvio.

Num dos seus livros, Excavations at Ur [Escavações em Ur], Sir Leonard Wooley relata como, em 1929, já pelo fim do trabalho no Cemitério Real de Ur, os operários escavaram, através de uma massa de cerâmica e tijolos esmigalhados, um pequeno poço num morro vizinho. A um metro de profundidade, chegaram a um nível de lodo duro, normalmente o solo que marca o local onde a civilização começara. Mas podiam os milênios de vida urbana ter deixado apenas um metro de estratos arqueológicos? Sir Leonard orientou seus trabalhadores para escavarem mais profundamente. Eles desceram mais um metro, e depois ainda mais 1,5 metro. Trouxeram ainda "solo virgem", lodo sem nenhum traço de habitação humana. Mas depois de escavarem através de 3,40 metros de lodo seco e de material de aluvião, os trabalhadores chegaram a um estrato contendo peças de cerâmica verde partida e instrumentos de pedra. Uma civilização mais primitiva estava enterrada a 3,40 metros de profundidade de lodo!

Sir Leonard saltou para o poço e examinou a escavação. Chamou seus ajudantes e pediu-lhes suas opiniões. Nenhum tinha uma teoria plausível. Então, a esposa de Sir Leonard observou quase casualmente: "Claro, claro, é o dilúvio!”

Todavia, outras delegações arqueológicas lançaram dúvidas sobre esta maravilhosa intuição. O estrato de lodo que não continha nenhum traço de habitação indicava, realmente, a marca da inundação; mas, enquanto os depósitos de Ur e al-'Ubaid sugeriram inundações ocorridas entre os anos 3.500 e 4.000 a.C., um depósito similar desenterrado mais tarde em Kish foi estimado como sendo formado por volta do ano 2.800 a.C. A mesma data (2.800 a.C.) foi também estimada para o estrato de lama encontrado em Erech e em Shuruppak, a cidade do Noé sumério. Em Nínive, os escavadores encontraram, a uma profundidade de cerca de 18 metros, nada menos que treze estratos alternados de lodo e areia do rio, datando dos anos 4.000 a 3.000 a.C.

Assim, a maior parte dos estudiosos acredita que aquilo que Wooley encontrou são traços de diversas inundações locais, acontecimento freqüente na Mesopotâmia, onde chuvas torrenciais ocasionais e a elevação dos dois grandes rios e suas freqüentes mudanças de curso causam tal devastação. Todos os vários estratos de lodo, concluíram os estudiosos, não abrangiam a calamidade completa que deve ter sido o monumental evento pré-histórico do dilúvio.

O Antigo Testamento é uma obra-prima de brevidade e precisão literária. As palavras estão sempre bem escolhidas para traduzir significados precisos; os versículos são sempre a propósito; sua ordem é intencional; seu tamanho não é maior do que o absolutamente necessário. É digno de nota que a história completa da criação através da expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden seja contada em oitenta versículos. O registro completo de Adão e sua genealogia, ainda que contada separadamente para Caim e sua descendência e Set, Enos e suas respectivas descendências, é feito em 58 versículos. Mas a história da grande inundação mereceu nada menos que 87 versículos. Tratou-se, do ponto de vista editorial e seguindo um critério da mesma ordem, de uma "história principal". Não um mero acontecimento local, ele foi antes uma catástrofe afetando toda a Terra, todo o gênero humano. Os textos mesopotâmicos afirmam, claramente, que os "quatro cantos da Terra" foram afetados.

Como tal, foi um marco decisivo na pré-história da Mesopotâmia. Houve os acontecimentos, as cidades e o povo anteriores ao dilúvio e os acontecimentos, as cidades e o povo posteriores ao dilúvio. Houve todos os feitos dos deuses e a realeza que eles trouxeram dos céus antes da grande inundação, e o curso dos eventos divinos e humanos quando a realeza de novo desceu à Terra depois da grande inundação. O dilúvio foi o grande divisor do tempo.

Não só as abrangentes listas de reis sumérios, como também os textos relacionados com reis distintos e seus antecessores fizeram menção ao dilúvio. Um, por exemplo, pertencente a Ur-Ninurta, relembra o dilúvio como um acontecimento recuado nos tempos:

Naquele dia, naquele remoto dia,

Naquela noite, naquela remota noite,

Naquele ano, naquele remoto ano, ­-

Em que o dilúvio tivera lugar.

O rei assírio Assurbanipal, um patrono das ciências que reuniu a gigantesca biblioteca de barras de argila em Nínive, confessou numa de suas inscrições comemorativas que encontrara e pudera ler "inscrições de pedra do tempo anterior ao dilúvio”. Um texto acádio tratando dos nomes e suas origens explica que ele cataloga nomes "de reis de depois do dilúvio". Um rei é exaltado como sendo "da semente preservada de antes do dilúvio". Vários textos científicos citam como fontes "os vetustos sábios de antes do dilúvio".

Não, de fato, o dilúvio não foi nenhuma ocorrência local ou uma inundação qualquer periódica. Foi, por todos os cálculos, um acontecimento que abalou a Terra com uma grandeza sem paralelo, uma catástrofe cujas semelhanças nem o homem nem os deuses experimentaram antes ou vieram a experimentar desde então.

Os textos bíblicos e mesopotâmicos que examinamos até aqui deixam certos quebra-cabeças por solucionar. Qual foi a provação sofrida pela humanidade, a respeito da qual Noé foi chamado "Descanso" na esperança de que seu nascimento assinalasse o fim das agruras? Qual era o "segredo" que os deuses juraram guardar, e de cuja revelação Enki foi acusado? Por que o lançamento de um veículo espacial da cidade de Sippar foi o sinal dado a Utnapishtim para entrar e fechar a arca? Onde estiveram os deuses enquanto as águas cobriram até as mais altas montanhas? E por que se enterneceram eles tanto com a carne assada oferecida em sacrifício por Noé/Utnapishtim?

À medida que avançamos para encontrar as respostas a estas e outras questões, descobriremos que o dilúvio não foi um castigo premeditado e desencadeado pelos deuses por sua exclusiva vontade. Veremos que, embora o dilúvio fosse um acontecimento previsível, foi também algo de inevitável, uma calamidade natural na qual os deuses não desempenharam um papel ativo, mas sim passivo. Mostraremos também que o segredo que os deuses juraram guardar era uma conspiração contra a humanidade ­a intenção era sonegar aos terráqueos a informação que eles, deuses, tinham em relação à avalanche de águas que se aproximava para que, enquanto os Nefilim se salvavam, a humanidade perecesse.

Nosso conhecimento cada vez maior sobre o dilúvio e os acontecimentos que o precederam provém do texto "Quando os deuses como homens". Nele, o herói do dilúvio chama-se Atra-Hasis. No segmento do dilúvio da "Epopéia de Gilgamesh", Enki chamou a Utnapishtim "o excepcionalmente sensato", que em acádio se diz atra-hasis.

Os estudiosos especularam que os textos nos quais Atra-Hasis é o herói podiam ser partes de uma história anterior do dilúvio, de origem suméria. Com o correr do tempo, foram descobertas muitas barras babilônicas, assírias, cananitas e até sumérias originais para permitirem uma maior e mais perfeita reconstituição da epopéia, um primoroso trabalho creditado principalmente a W. G. Lambert e a A. R. Millard (Atra-Hasis: The Babylonian History of the Flood) [Atra-Hasis: A História Babilônica do Dilúvio].

Depois de descrever o árduo trabalho dos Anunnaki, seu motim e a subseqüente criação do trabalhador primitivo, a epopéia relata como o homem (como sabemos também pela versão bíblica) começou a procriar e a multiplicar-se. Com o tempo, o gênero humano começou a preocupar Enlil.

A terra expandiu-se, o povo multiplicou-se;

Na terra como touros selvagens eles descansam.

O deus ficou perturbado com suas combinações;

O deus Enlil ouviu suas sentenças,

E disse aos grandes deuses:

Opressiva se tornaram as sentenças da humanidade;

Suas combinações privam-me do sono.

Enlil, uma vez mais aparecendo como executor da humanidade, ordenou então um castigo. Devíamos esperar que agora se seguisse a vinda do dilúvio. Mas não. Surpreendentemente, Enlil não menciona sequer um dilúvio ou outra provação aquática. Em vez disso, ele exige a dizimação da humanidade pela peste e pelas doenças.

As versões acádias e assírias da epopéia falam de "dores, tonturas, tremores e febre", assim como de "doenças, indisposições, pragas e peste" afligindo a humanidade e seus rebanhos e da exigência de castigo imposta por Enlil. Mas o plano não deu resultado para Enlil. Aquele "que era excepcionalmente sensato", Atra-Hasis, era, por acaso, particularmente íntimo do deus Enki. Contando sua própria história, em algumas das versões, ele diz: "Eu sou Atra-Hasis, eu vivi no templo de Ea, meu Senhor". Com "a sua mente alerta para seu Senhor Enki", Atra-Hasis apelou para ele no sentido de frustrar o plano do seu irmão Enlil:

Ea, ó Senhor, os humanos gemem;

A ira dos deuses consome a Terra.

Ainda assim, foste tu quem nos criou!

Faz com que cessem as dores, as tonturas,

Os tremores, a febre!

Até que sejam encontradas mais peças das barras fraturadas, não saberemos qual foi o conselho de Enki. Ele diz sobre alguma coisa: ".. .deixa que apareça na terra". Seu pedido foi atendido. Pouco depois, Enlil queixou-se amargamente aos deuses que "o povo não tem diminuído de número; são mais numerosos que antes"!

Ele prosseguiu, então, planejando a exterminação da humanidade pela fome. "Que os mantimentos sejam retirados do povo; em suas barrigas, que eles anseiem por frutos e vegetais!" A fome devia ser provocada por causas naturais, pela falta de chuva e da deficiente irrigação.

Que as chuvas do deus da chuva sejam retidas no alto;

Embaixo, que as águas não nasçam em suas fontes.

Que o vento sopre e queime o solo,

Que as nuvens se condensem, mas retenham a queda da água.

Até as fontes de alimentação do mar deviam desaparecer: Enki recebeu ordens no sentido de "correr o ferrolho, trancar o mar" e "guardar" sua comida longe do povo.

Em breve, a estiagem começou a espalhar a devastação.

Do alto, o calor não...

Embaixo, as águas não nasciam de suas fontes.

O ventre da terra não gerava;

A vegetação não germinava...

Os campos negros fizeram-se brancos;

A larga planície estava entulhada de sal.

A escassez resultante causou a ruína entre o povo. As condições pioravam à medida que o tempo passava. Os textos mesopotâmicos falam de seis sha-at-tam's progressivamente mais devastadores - um termo que alguns traduzem como "anos", mas que literalmente significa "passagens” e, como esclarece o texto em assírio, "um ano de Anu":

Durante um shat-at-tam eles comeram a erva da terra.

No segundo shat-at-tam eles sofreram a vingança.

O terceiro shat-at-tam veio;

Suas figuras estavam alteradas pela fome,

Suas faces apresentavam crostas...

Viviam à beira da morte.

Quando o quarto shat-at-tam chegou,

Suas faces eram verdes;

Eles caminhavam arqueados nas ruas;

Seus largos [ombros?] tornavam-se estreitos.

À quinta "passagem", a vida humana começara a deteriorar-se. Mães trancavam as portas às suas próprias filhas esfomeadas. As filhas espiavam suas mães, procurando descobrir se tinham escondido alguma comida.

À sexta "passagem", o canibalismo era desenfreado.

Quando o sexto shat-at-tam chegou,

Eles prepararam a filha para uma refeição;

Prepararam a criança para comer...

Uma casa devorava a outra.

Os textos relatam a persistente intercessão de Atra-Hasis com seu deus Enki. "Na casa do seu deus... ele pôs os pé; todos os dias ele chorava, trazendo oblações de manhã... ele invocava o nome de seu senhor", procurando a ajuda de Enki para evitar a escassez.

Todavia, Enki deve ter-se sentido preso à decisão das outras divindades, porque, a princípio, não respondeu ao apelo. Muito possivelmente, escondeu-se mesmo do seu fiel adorador, deixando o templo abandonado e navegando em seus amados pauis. "Quando o povo vivia já nos limites da morte", Atra-Hasis "colocou seu leito de frente para o rio". Mas não houve nenhuma resposta.

A visão de uma humanidade faminta e desintegrando-se, de pais devorando os próprios filhos, trouxe finalmente o inevitável - outro confronto entre Enki e Enlil. À sétima "passagem", quando os homens e mulheres que restavam eram "como fantasmas dos mortos", eles receberam uma mensagem de Enki. "Façam grande barulho na região", disse ele. Enviou depois mensageiros para ordenar a todo o povo: "Não reverenciem vossos deuses, não rezem às vossas deusas". Deveria ter início a total desobediência!

Dissimulado e encoberto por total agitação social, Enki planejou ações mais concretas. Os textos, bastante fraturados neste ponto, revelam que ele convocou uma assembléia secreta de "anciães" no seu templo. "Eles entraram... eles fizeram conselho na Casa de Enki." A princípio, Enki recriminou-se a si próprio, contando aos outros deuses como se opusera aos atos da assembléia. Depois, esboçou um plano de ação; de um modo ou de outro, o certo é que estavam envolvidos seus poderes sobre os mares e o Mundo Inferior.

Podemos coligir os pormenores clandestinos do plano a partir dos versos fragmentários: "De noite... depois de ele..." alguém teria de estar "na margem do rio a uma certa hora", talvez para aguardar o regresso de Enki do Mundo Inferior. De lá, Enki "trouxe os guerreiros da água" - talvez alguns dos terráqueos, que eram trabalhadores primitivos nas minas. No tempo marcado, foram gritadas ordens: "Avançar!... a ordem...”

Apesar das linhas desaparecidas, podemos reunir o que se passara, a partir da reação de Enlil. "Ele encheu-se de raiva." Reuniu a assembléia dos deuses e mandou seu agente de polícia capturar Enki. Então, ergueu-­se e acusou seu irmão de ter quebrado o segredo dos planos de vigia-e­-retenção:

Todos nós, grandes Anunnaki,

Chegamos juntos a uma decisão...

Eu ordenei que no pássaro dos céus

Adad deveria guardar as regiões superiores;

Que Sin e Nergal deveriam guardar as regiões médias da Terra;

Que a fechadura, a tranca do mar,

Tu [Enkil] devias guardar com teus foguetes.

Mas tu liberaste provisões para o povo!

Enlil acusou o irmão de ter partido "a fechadura do mar". Mas Enki negou que aquilo acontecera com seu consentimento:

A fechadura, a tranca do mar,

Eu guardei com meus foguetes.

[Mas] quando... escaparam de mim...

Uma miríade de peixes... desapareceu;

Eles quebraram a fechadura...

Eles mataram o guarda do mar.

Ele argumentou que capturara os culpados e os punira, mas Enlil não estava satisfeito. Exigiu que Enki "parasse de alimentar seu povo", que não mais "lhes fornecesse rações de cereais, com as quais o povo se desenvolve". A reação de Enki foi assombrosa:

O deus ficou aborrecido com a sessão;

Na Assembléia dos Deuses,

O riso subjugou-o.

Podemos imaginar o pandemônio. Enlil estava furioso. Houve acaloradas discussões com Enki e muita gritaria. "Há calúnia na sua mão!" Quando a assembléia finalmente foi chamada à ordem, Enlil voltou a erguer-se. Lembrou aos colegas e subordinados que a decisão fora unânime. Passou em revista os acontecimentos que conduziram à criação do trabalhador primitivo e lembrou as muitas vezes que Enki "violara a regra".

Mas, disse ele, havia ainda uma possibilidade de aniquilar a humanidade. Uma "inundação mortal" estava ao largo. A catástrofe vindoura tinha de ser mantida em segredo rigoroso para o povo. Ele exigiu que a assembléia jurasse sigilo e, mais importante ainda, que se "comprometesse o príncipe Enki por juramento".

Enlil abriu sua boca para falar

E dirigiu-se à assembléia de todos os deuses:

Vamos, todos nós, e façamos um juramento

Referente à mortal inundação!

Anu foi o primeiro a jurar;

Enlil jurou; seus filhos juraram com ele.

A princípio, Enki recusou-se a prestar juramento. "Por que hão de comprometer-me com juramento?", perguntou ele. "Deverei eu erguer minhas próprias mãos contra os humanos?" Mas ele foi finalmente forçado a cumprir o juramento. Um dos textos afirma especificamente: "Anu, Enlil, Enki e Ninhursag, os deuses dos céus e da terra, prestaram juramento".

A sorte estava lançada.

Que era o juramento ao qual Enki estava ligado? Ao escolher interpretá-lo, Enki jurou não revelar o segredo do dilúvio vindouro ao povo; mas não poderia ele contá-lo a uma parede? Chamando Atra-Hasis ao templo, ele o fez sentar por detrás de um painel. Depois Enki fingiu que não falava com seu devoto terráqueo, mas com a parede. "Painel de juncos", disse ele.

Presta atenção às minhas instruções.

Em todas as habitações, sobre as cidades,

Uma tempestade passará veloz.

Será a destruição da semente da humanidade...

Esta é a ordem final,

A palavra da assembléia dos deuses,

A palavra proferida por Anu, Enlil e Ninhursag.

(Este subterfúgio explica a alegação posterior de Enki, quando foi descoberta a sobrevivência de Noé/Utnapishtim, sobre o fato de ele não ter quebrado seu voto. O "excepcionalmente sensato" [atra-hasis] terráqueo descobrira o segredo do dilúvio por si próprio, interpretando corretamente os sinais.) Descrições em selos mostram um servidor segurando o painel enquanto Ea, como o Deus Serpente, revela o segredo a Atra-Hasis.



O conselho de Enki ao seu fiel servidor foi o de construir uma embarcação adaptada à água; mas quando este último replicou, "Eu nunca construí um barco... esboça para mim um desenho no solo para que eu possa ver", Enki forneceu-lhe instruções precisas referentes ao barco, suas medidas e sua construção. Baseados nas histórias da Bíblia, imaginamos esta "arca" como um enorme barco, com convés e superestruturas. Mas o termo bíblico - teba - deriva da raiz "submerso", e devemos concluir que Enki deu instruções ao seu Noé para construir um barco submersível, um submarino.

O texto acádio cita Enki exigindo um barco com “telhado por cima e por baixo", fechado hermeticamente com "resina resistente". Não deveria haver convés, nem aberturas, "para que o sol não seja visto do interior". Devia ser "como um barco de Apsu", um sulili; este é o mesmo termo usado hoje em dia em hebraico (soleleth) para designar um submarino.

"Que o barco", disse Enki, "seja um MA.GUR.GUR" - "um barco que se pode virar e revirar". De fato, só um tal barco podia ter resistido à poderosíssima avalanche de águas.

A versão de Atra-Hasis, como as outras, reitera que, embora a avalanche estivesse apenas a sete dias de distância, o povo não tinha consciência de sua aproximação. Atra-Hasis serviu-se da desculpa de que a "embarcação de Apsu" estava sendo construída para que ele pudesse partir para o domicílio de Enki e assim evitar, talvez, a ira de Enlil. Esta desculpa foi prontamente aceita, porque as coisas estavam realmente más. O pai de Noé esperava que o nascimento de seu filho assinalasse o fim de um longo período de sofrimento. O problema do povo era a estiagem: a ausência de chuva e a conseqüente falta de água. Quem em seu perfeito juízo pensaria que todos aqueles seres estavam para perecer numa enorme avalanche de águas?

Ainda assim, se os humanos não podiam decifrar os sinais, os Nefilim podiam-no. Para eles, o dilúvio não foi um acontecimento repentino; embora inevitável, eles detectaram sua vinda. Seu plano de destruição da humanidade baseou-se não num papel ativo, mas passivo dos deuses. Eles não causaram o dilúvio - apenas foram coniventes na decisão de privar os terráqueos do conhecimento de sua aproximação.

Todavia, conscientes da iminente calamidade e do impacto global, os Nefilim tomaram medidas para salvar as próprias peles. Com a terra quase a ser engolida pela água, eles podiam seguir apenas uma direção para se protegerem: o céu. Quando a tempestade que precedeu o dilúvio começou a soprar, os Nefilim tomaram a nave de ida e volta e permaneceram em órbita até que as águas da terra começaram a diminuir de volume.

O dia do dilúvio, mostraremos, foi o dia em que os deuses fugiram da Terra.

O sinal pelo qual Utnapishtim tinha de esperar, ao qual devia reunir todos os outros na arca e fechá-la, era este:

Quando Shamash,

Que ordena um estremecimento ao crepúsculo,

Fizer cair uma chuva de erupções ­ -

Sobe a bordo do navio,

Reforça a entrada!

Shamash, como sabemos, tinha a seu cargo o aeroporto espacial de Sippar. Não restam dúvidas no nosso espírito que Enki deu ordens a Utnapishtim para esperar pelo primeiro indício de lançamentos espaciais em Sippar. Shuruppak, onde Utnapishtim vivia, estava apenas a 18 beru (cerca de 180km) ao sul de Sippar. Uma vez que os lançamentos deviam acontecer ao anoitecer, não haveria dificuldade em ver "a chuva de erupções" que os foguetes partindo iriam "fazer cair".

Embora os Nefilim estivessem preparados para o dilúvio, sua vinda foi uma experiência assustadora: "O ruído do dilúvio... pôs os deuses a tremer”. Mas quando chegou o momento de deixar a Terra, os deuses “recuando, tremendo, subiram aos céus de Anu". A versão assíria da Atra-Hasis fala de deuses usando rukub ilani ("carro dos deuses") para escapar da Terra. "Os Anunnaki subiram", suas naves-foguetes, como tochas, "faziam a região resplandecer com seu brilho".

Orbitando a Terra, os Nefilim viram cenas de destruição que os perturbaram profundamente. Os textos de Gilgamesh contam-nos que, à medida que a tempestade crescia de intensidade, não só "ninguém podia ver seu companheiro", como "nem o povo podia ser reconhecido dos céus". Amontoados em suas naves, os deuses esforçavam-se para ver o que acontecia no planeta de onde acabavam de sair às pressas.

Os deuses, acovardados como cães,

Abaixaram-se de encontro à parede exterior.

Ishtar gritava como uma mulher dando à luz:

"Os vetustos dias foram infelizmente convertidos em argila..."

Os deuses Anunnaki choravam com ela,

Os deuses, humildes todos, sentavam-se chorando;

Seus lábios apertados... um e todos.

Nos textos de Atra-Hasis encontramos a repetição do mesmo tema. Os deuses escapavam e observavam simultaneamente a destruição. Mas a situação dentro de suas próprias embarcações não era também muito encorajadora. Com certeza, estavam divididos por várias naves espaciais; a barra no. 3 da epopéia de Atra-Hasis descreve as condições a bordo de uma nave em que alguns dos Anunnaki partilhavam os aposentos com a mãe-deusa.

Os Anunnaki, grandes deuses,

Estavam sentados, sedentos e famintos...

Ninti chorava e consumia sua emoção;

Ela chorava e aliviava seus sentimentos.

Os deuses choravam com ela pela Terra.

Ela estava subjugada pelo desgosto,

Tinha sede de cerveja.

Onde ela se sentava, sentavam-se os deuses chorando;

Agachados como carneiros num cocho.

Seus lábios estavam febris de sede,

Eles sofriam a sofreguidão da fome.

A própria deusa-mãe, Ninhursag, estava chocada com a violentíssima devastação. Ela deplorava o que se lhe deparava:

A deusa viu e ela chorava...

Seus lábios estavam cobertos de febre...

As minhas criaturas tornaram-se como moscas ­–

Elas encheram os rios como libélulas,

Sua paternidade foi levada pelo mar encapelado.

Podia ela, de fato, salvar a própria vida enquanto o gênero humano, que ela ajudara a criar, morria? Podia ela, realmente, abandonar a Terra, perguntava a deusa em voz alta:

Deverei eu subir aos céus,

Para residir na Casa das Ofertas,

Para onde Anu, o Senhor, ordenou que eu fosse?

As ordens para os Nefilim eram claras: abandonar a Terra, "subir aos céus". Era a época em que o Décimo Segundo Planeta estava mais próximo da Terra, nos limites do cinturão de asteróides ("céu"), como é evidenciado pelo fato de Anu ter a possibilidade de estar presente em ambas as conferências decisivas anteriores ao dilúvio.

Enlil e Ninurta - acompanhados talvez pela elite dos Anunnaki, aqueles que povoaram Nippur - estavam numa nave espacial planejando, sem dúvida, juntarem-se à nave principal. Mas os outros deuses não estavam assim tão determinados. Forçados a abandonar a Terra, compreenderam, de repente, como se envolveram com ela e com seus habitantes. Numa nave, Ninhursag e seu grupo debatiam os méritos da ordem dada por Anu. Numa outra, Ishtar gritava: "Os vetustos dias foram, infelizmente, convertidos em argila"; os Anunnaki que viajavam em sua nave "choravam com ela".

Enki encontrava-se obviamente numa outra nave espacial, ou, de outro modo, ele revelaria aos outros que conseguira salvar a semente da humanidade. Sem dúvida, ele tinha outras razões para se sentir menos deprimido, uma vez que as provas sugerem que ele também planejara o encontro em Ararat.

As antigas versões parecem sugerir que a arca foi levada para a região de Ararat unicamente pelas ondas torrenciais, e uma "tempestade do sul" conduziria certamente o barco para o norte. Mas os textos mesopotâmicos reiteram que Atra-Hasis/Utnapishtim levou consigo um "barqueiro" chamado Puzur-Amurri ("ocidental que conhece os segredos"). Para ele, o Noé mesopotâmico "passou a estrutura com todo o seu conteúdo" logo que a tempestade começou. Para que era preciso um navegador, a menos que ele tivesse de levar a arca até um destino muito específico?

Os Nefilim, demonstramos anteriormente, desde os primórdios usaram os picos de Ararat como pontos de referência. Sendo os mais altos naquela região do mundo, era de se esperar que fossem os primeiros a reaparecer de sob o manto de água. Como Enki, "o sensato, o onisciente", certamente tinha conhecimento disso, podemos depreender que instruiu seu servidor para guiar a arca para Ararat, planejando desde o início o encontro.

A versão de Berossus do dilúvio, tal como é relatada pelo grego Abydenus, declara: "Cronos revelou a Sisithros que haveria um dilúvio no décimo quinto dia de Daisios [o segundo mês] e ordenou-lhe que ocultasse em Sippar, a cidade de Shamash, todos os escritos disponíveis. Sisithros executou todas estas coisas, navegou imediatamente para a Armênia, e aí aconteceu o que o deus anunciara".

Berossus repete os detalhes a respeito da soltura de aves. Quando Sisithros (que é atra-hasis ao contrário) foi levado pelos deuses para seu domicílio, ele explicou ao povo que restou na arca, que eles estavam "na Armênia", e dirigiu-os de novo (a pé) para a Babilônia. Encontramos nesta versão não só o vínculo com Sippar, o aeroporto espacial, como também a confirmação de que a Sisithros fora ordenado que “navegasse imediatamente para a Armênia" - para a terra de Ararat.

Mal Atra-Hasis chegou, logo matou alguns animais e os assou numa fogueira. Não admira que os exaustos e esfomeados deuses “se reunissem como moscas sobre a oferenda". Subitamente, eles entenderam que a humanidade e a comida que eles faziam crescer e o gado que eles criavam eram essenciais. "Quando, por fim, Enlil chegou e viu a arca, ele estava indignado." Mas a lógica da situação e a persuasão de Enki levaram a melhor; Enlil fez tréguas com os sobreviventes da humanidade e levou Atra­Hasis/Utnspishtim em sua nave até o eterno domicílio dos deuses.

Outro fator de peso na rápida decisão de fazer as pazes com a humanidade pode ter sido a progressiva redução da inundação e o reaparecimento de terra seca e vegetação sobre ela. Concluímos já que os Nefilim tiveram aviso prévio da calamidade que se aproximava; mas o fato foi tão singular em sua experiência, que eles chegaram a recear que a Terra se tornasse inabitável para sempre. Quando chegaram a Ararat, viram que não era este o caso. A Terra era ainda habitável e, para nela viverem, eles precisavam de homens.

Que foi esta catástrofe, previsível mas inevitável? Uma importante chave para a decifração deste quebra-cabeça que é o dilúvio, é a compreensão de que ele não foi um acontecimento isolado e repentino, mas o auge de uma cadeia de acontecimentos.

Pestes invulgares afetando homens e animais e uma estiagem rigorosa precederam a provação pela água, um processo que durou, de acordo com as fontes mesopotâmicas, sete "passagens", ou shar's. Estes fenômenos só podem ser explicados por importantes mudanças climáticas. Tais mudanças devem ter estado associadas no passado da Terra com as periódicas idades do gelo e os estágios interglaciais que dominaram o passado imediato da Terra. Chuvas reduzidas, níveis decrescentes de mares e lagos e seca das fontes de água subterrânea foram os indícios de uma nova idade do gelo que se aproximava. Uma vez que o dilúvio, que terminou abruptamente com estas condições, fui seguido pela civilização suméria e pela nossa atual idade pós-glacial, a glaciação em causa só pode ter sido a última.

Nossa conclusão é que os acontecimentos do dilúvio se relacionam com a última idade do gelo da Terra e seu catastrófIco final.

Perfurando nos lençóis de gelo do Ártico e do Antártico, os cientistas puderam medir a quantidade de oxigênio contido nas várias camadas e avaliar o clima que dominava a Terra milênios atrás. Amostras recolhidas nas profundezas dos mares, tais como as do golfo Pérsico, medindo a proliferação e a degeneração da vida marinha, permitiram-lhes do mesmo modo estimar as temperaturas nas idades passadas. Baseados nestas descobertas, os cientistas estão agora certos de que a última idade do gelo começou há cerca de 75.000 anos, e que se registrou um mini-aquecimento há cerca de 40.000 anos. Há cerca de 38.000 anos, seguiu-se um período mais rigoroso, frio e seco. E depois, há cerca de 13.000 anos, a idade do gelo terminou abruptamente e o nosso clima ameno atual fez-se anunciar.

Comparando a informação bíblica e a suméria, descobrimos que os tempos inclementes, a "maldição" da Terra, começou na época do pai de Noé, Lamec. Suas esperanças de que o nascimento do filho, Noé ("descanso"), marcaria o fim das agruras foram correspondidas de modo inesperado, por meio do catastrófico dilúvio.

Muitos estudiosos acreditam que os dez patriarcas bíblicos pré-diluvianos (de Adão a Noé) têm, de um ou de outro modo, relação com os dez governantes pré-diluvianos das listas de reis sumérios. Estas listas não aplicam títulos divinos DIN.GIR ou EN aos dois últimos reis da lista de dez e tratam Ziusudra/Utnapishtim e seu pai Ubar-Tutu como homens. Eles encontram seu paralelo em Noé e em seu pai Lamec e, de acordo com as listas sumérias, reinaram um período total conjunto de 64.800 anos até a ocorrência do dilúvio. A última idade do gelo, de 75.000 até 13.000 anos atrás, durou 62.000 anos. Uma vez que as agruras começaram quando Ubar-Tutu/Lamec já reinava, os 62.000 ajustam perfeitamente aos 64.800 anos de reinado.

Além disso, as condições de extrema adversidade duraram, de acordo com a epopéia de Atra-Hasis, sete shar's, ou 25.200 anos. Os cientistas descobriram provas de um período extremamente rigoroso desde cerca de 38.000 até 13.000 anos atrás, ou seja, um período de 25.000 anos. Uma vez mais, as provas mesopotâmicas e os achados científicos modernos corroboram-se mutuamente.

Nosso empenho em decifrar o quebra-cabeça do dilúvio focaliza-se, pois, nas mudanças climáticas da Terra e, em particular, no abrupto colapso da idade do gelo há cerca de 13.000 anos.

Que poderia ter causado uma tão súbita mudança climática de tão grande magnitude?

Das muitas teorias aventadas pelos cientistas, ficamos intrigados com a sugerida pelo dr. John T. Hollin, da Universidade de Maine. Ele defendeu que o lençol de gelo do Antártico sofre uma quebra periódica e desliza para o mar, criando um abrupto e enorme macaréu!

Esta hipótese, aceita e elaborada por outros cientistas, sugere que, quando o lençol de gelo aumenta de espessura, não só retira mais calor da Terra sob o lençol de gelo, como cria também (por pressão e fricção) uma camada escorregadia e lamacenta em sua parte inferior. Agindo como lubrificante entre o espesso lençol de gelo sobre a terra sólida embaixo, esta camada lamacenta, mais tarde ou mais cedo, faz com que o lençol de gelo mergulhe, deslizando, no oceano circundante.

Hollin calculou que, se apenas metade do atual lençol de gelo da Antártida (que tem em média mais de 1,5km de espessura) deslizasse para os mares do sul, o imenso macaréu que se seguiria elevaria o nível de todos os mares à volta do mundo cerca de 18 metros, inundando todas as cidades costeiras e terras baixas.

Em 1964, A. T. Wilson, da Universidade de Vitória, na Nova Zelândia, apresentou uma teoria segundo a qual as idades do gelo teriam terminado abruptamente com estes desprendimentos de gelo não só no Antártico, como também no Ártico. Sentimos que os vários textos e fatos por nós reunidos justificam uma conclusão segundo a qual o dilúvio terá sido o resultado de tal deslize nas águas do Antártico de bilhões de toneladas de gelo, trazendo o fim abrupto para a última idade do gelo.

O acontecimento repentino desencadeou um imenso macaréu. Começando nas águas do Antártico, alastrou-se para norte em direção aos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. A abrupta mudança de temperatura deve ter criado violentas tempestades acompanhadas por torrentes de chuva. Movendo-se mais rapidamente que as águas, tempestades, nuvens e céus obscurecidos foram o prenúncio da avalanche de águas.

Exatamente estes fenômenos são descritos nos textos antigos. Quando ordenado por Enki, Atra-Hasis mandou toda a gente para dentro da arca enquanto ele próprio esperava no exterior o sinal para subir a bordo e fechar a embarcação. Fornecendo um detalhe de "interesse humano", o antigo texto diz que Atra-Hasis, embora recebesse ordens para ficar fora da embarcação, "andava dentro e fora; ele não conseguia estar sentado, não podia baixar-se... seu coração estava despedaçado; ele vomitava fel". Mas então:

...A Lua desapareceu...

A aparência do tempo mudou;

As chuvas rugiram nas nuvens...

Os ventos tomaram-se selvagens...

...O dilúvio começou, seu poder caiu sobre o povo como uma batalha;

Uma pessoa não via a outra,

Não eram reconhecíveis na destruição.

O dilúvio mugia como um touro;

Os ventos relinchavam como um burro selvagem.

A escuridão era densa;

O Sol não podia ser visto.

A "Epopéia de Gilgamesh" é específica acerca da direção da qual proveio a tempestade: veio do sul. Nuvens, ventos, chuva e escuridão precederam, de fato, o macaréu que despedaçou primeiro os "postes de Nergal" no Mundo Inferior:

Com o brilho da aurora

Uma nuvem negra levantou-se no horizonte;

Dentro dela o deus de tempestade trovejava...

Tudo o que fora brilhante se tornou escuridão...

Durante um dia a tempestade do sul soprou,

Ganhando velocidade enquanto soprava, submergindo as montanhas...

Seis dias e seis noites sopra o vento

Enquanto a tempestade do sul varre a Terra.

Quando o sétimo dia chegou,

O dilúvio da tempestade do sul amainou.

As referências à "tempestade do sul", "vento sul", indicam claramente a direção da qual chegou o dilúvio, suas nuvens e ventos, os "mensageiros da tempestade" movendo-se "sobre montes e planícies" para alcançar a Mesopotâmia. De fato, uma tempestade e uma avalanche de água originando-se no Antártico chegariam à Mesopotâmia via oceano Índico depois de terem primeiro engolido os montes da Arábia e depois inundado a planície Tigre-Eufrates. A "Epopéia de Gilgamesh" informa-nos também que, antes de o povo e sua terra terem sido submersos, as "represas da terra seca" e seus diques foram "despedaçados"; as linhas de costa continentais foram ultrapassadas e apagadas.

A versão bíblica do dilúvio declara que "o estouro das nascentes do Grande Abismo" precedeu a "abertura das comportas do céu". Primeiramente, as águas do "Grande Abismo" (que nome descritivo para os mais meridionais e gelados mares da Antártida) separaram-se de sua prisão gelada; só depois é que as chuvas começaram a cair dos céus. Esta confirmação de nossa interpretação do dilúvio é repetida, ao inverso, quando ele amainou. Primeiro, as "Nascentes do Abismo [foram] retidas"; depois, a chuva "foi presa nos céus".

Depois do primeiro e imenso macaréu, as águas "iam e vinham" em gigantescas ondas. Depois, começaram a "retroceder" e "elas eram menos" depois de 150 dias, quando a arca chegou ao local de descanso entre os picos de Ararat. A avalanche de água, tendo vindo dos mares do sul, regressava aos mares do sul.

Como podiam os Nefilim predizer quando iria o dilúvio irromper subitamente da Antártida?

Os textos mesopotâmicos, sabemos nós, relacionavam o dilúvio e as mudanças climáticas que o precederam a sete "passagens" - o que significa indubitavelmente a passagem periódica do Décimo Segundo Planeta nas proximidades da Terra. Sabemos que até a Lua, o pequeno satélite da Terra, exerce uma força gravitacional suficiente para causar as marés. Tanto os textos mesopotâmicos como os bíblicos descrevem o estremecimento da Terra quando da passagem do celestial senhor nas proximidades da Terra. Terá sido possível que os Nefilim, observando as mudanças climáticas e a instabilidade do lençol de gelo da Antártida, concluíram que a próxima, a sétima, "passagem" do Décimo Segundo Planeta iria desencadear a iminente catástrofe?

Textos antigos mostram que assim foi.

O mais notável destes textos é um de cerca de trinta linhas inscrito em miniatura cuneiforme em ambos os lados de uma barra de argila com menos de 25,4 mm de comprimento. Tal texto foi desenterrado em Ashur, mas a profusão de palavras sumérias no texto acádio não deixa dúvidas quanto à sua origem suméria. O dr. Erich Ebeling concluiu que se tratava de um hino recitado na Casa dos Mortos, e assim incluiu o texto na sua grande obra (Tod und Leben) [Morte e Vida] acerca da morte e ressurreição na Mesopotâmia Antiga.

Num exame mais acurado, contudo, descobrimos que a composição "invoca os nomes" do celestial senhor, o Décimo Segundo Planeta. Aí se elaboram os significados dos vários epítetos relacionando-os com a passagem do planeta no local da batalha com Tiamat, uma passagem que causa o dilúvio.

O texto começa por anunciar que, por todo o seu poder e tamanho, o planeta ("o herói") não deixa, ainda assim, de orbitar o Sol. O dilúvio era a "arma" deste planeta.

A sua arma é o dilúvio;

Deus cuja arma traz a morte aos perversos.

Supremo, supremo, consagrado...

Quem como o Sol, a terra atravessa;

O Sol, seu senhor, ele assusta.

Evocando o "primeiro nome" de planeta, que, infelizmente, está ilegível, o texto descreve a passagem próximo de Júpiter, em direção ao local da batalha com Tiamat:

Primeiro Nome:...

Quem a faixa circular bateu e reuniu;

Quem dividiu a Ocupadora, atirou-a para longe.

Senhor, que no tempo Akiti.

No local da batalha de Tiamat repousa...

Cuja semente são os filhos da Babilônia;

Aquele que não é perturbado pelo planeta Júpiter;

Aquele que pelo seu esplendor criará.

Aproximando-se mais, o Décimo Segundo Planeta é chamado SHILIG.LU.DIG ("poderoso chefe dos alegres planetas"). Está agora o mais próximo possível de Marte: "Pelo brilho do deus (planeta) o deus Anu (planeta) Lahmu [Marte] está vestido". Depois ele solta o dilúvio sobre a Terra:

Este é o nome do Senhor

Que do segundo mês ao mês Addar

As águas convocara para avançar.

A elaboração no texto dos dois nomes oferece uma notável informação de calendário. O Décimo Segundo Planeta passou Júpiter e aproximou-se da Terra "no tempo Akiti", quando começa o ano-novo mesopotâmico. No segundo mês ele estava mais próximo de Marte. Depois, "do segundo mês até ao mês Addar" ("o décimo segundo mês"), ele soltou o dilúvio sobre a Terra.

Isto está em perfeita harmonia com o relato bíblico que afirma que a "nascente do grande abismo jorrou" no décimo sétimo dia do segundo mês. A arca veio descansar em Ararat no sétimo mês; mais terra seca foi visível no décimo mês; e o dilúvio estava terminado no décimo segundo mês, uma vez que foi no "primeiro dia do primeiro mês" dos anos seguintes que Noé abriu a escotilha da arca.

Passando para a segunda fase do dilúvio, quando as águas começaram a diminuir, os textos apelidam o planeta de SHUL.PA.KUN.E.

Herói, Senhor Supervisor,

Que reúne todas as águas;

Que fazendo jorrar as águas

Purifica os íntegros e os perversos;

Que na montanha de picos gêmeos

Prendeu a...

...Peixe, rio, rio; a inundação descansou.

Na terra montanhosa, numa árvore, um pássaro pousou.

Dia em que... disse.

A despeito da ilegibilidade de algumas linhas danificadas, os paralelos com os contos bíblicos e outros contos mesopotâmicos do dilúvio são evidentes: a inundação cessara, a arca estava "presa" na montanha de picos gêmeos; os rios começavam de novo a correr do topo das montanhas e a levar as águas de volta para os oceanos; avistavam-se já peixes; uma ave fora solta da arca. A provação terminava.

O Décimo Segundo Planeta passara a "travessia". Aproximara-se da Terra e começava a afastar-se, acompanhado por seus satélites:

Quando o sábio gritar: “Inundação!” -

É o deus Nibiru [“Planeta da Travessia”];

É o Herói, o planeta de quatro cabeças.

O deus cuja arma é a Tempestade Inundação,

Voltar-se-á para trás;

Para seu local de repouso ele baixará.

(O planeta que recuava, afirma o texto, voltava depois a atravessar a via de Saturno no mês de Ululu, o sexto mês do ano.)

O Antigo Testamento refere-se freqüentemente ao tempo em que o Senhor fez com que a Terra fosse coberta pelas águas do abismo. O salmo 29 descreve o "chamamento", assim como "o regresso" das "grandes águas" pelo Senhor:

Ao Senhor, vocês filhos dos deuses,

Dão glória, reconhecem poder...

O som do Senhor está sobre as águas;

O Deus de glória, o Senhor,

Trovejou sobre as grandes águas...

O som do Senhor é poderoso,

O som do Senhor é majestoso,

O som do Senhor quebra os cedros...

Ele faz o [monte] Líbano dançar como um bezerro,

O [monte] Sarião salta como um jovem touro.

O som do Senhor acende chamas de fogo;

O som do Senhor estremece o deserto...

O Senhor ao dilúvio [disse]: “Regressa!”

O Senhor, como rei, está no trono para sempre.

No majestoso salmo 77 - "Alto para Deus eu gritarei" - o salmista recorda o aparecimento do Senhor e seu desaparecimento em tempos anteriores:

Eu calculei os Vetustos Dias,

Os anos de Olam...

Eu lembrarei os feitos do Senhor,

Recordarei tuas maravilhas na antiguidade...

O teu curso, ó Senhor, está determinado;

Nenhum deus é tão grande como o Senhor...

As águas viram-te, ó Senhor, e arrepiaram-se de medo;

Tuas faíscas cortantes avançaram.

O som do teu trovão rolava;

Relâmpagos iluminaram o mundo;

A Terra estava agitada e tremia

[Então] nas águas estava teu curso,

Tuas vias eram nas profundas águas;

E tuas pegadas desapareceram, desconhecidas.

O salmo 104 exalta os feitos do senhor celestial, relembra o tempo em que os oceanos inundaram os continentes e foram obrigados a recuar:

Tu fizeste a Terra fixar-se com constância,

Para todo o sempre ficar imóvel.

Com os oceanos, como com vestes, tu a cobriste;

Acima das montanhas permaneceu a água.

A uma tua repreensão, as águas fugiram;

Ao som do teu trovão, elas partiram às pressas.

Foram para cima das montanhas, depois para baixo, para os vales,

Para o lugar que tu para elas criaste.

Uma fronteira para não ser ultrapassada, tu estabeleceste;

Para que elas não voltem a cobrir a Terra.

As palavras do profeta Amós são ainda mais explícitas:

Desgraçados de vós que desejam o Dia do Senhor;

Para que vos serve ele?

Porque o Dia do Senhor é escuridão e não luz...

Converte a manhã em sombra de morte,

Faz o dia escuro como noite;

Chama as águas do mar para avançarem

E verte-as sobre a face da Terra.

Estes eram, então, os acontecimentos que tiveram lugar “em vetustos dias". O "Dia do Senhor" era o dia do dilúvio.

Mostramos já que, aterrissando na Terra, os Nefilim associaram os primeiros reinos nas primeiras cidades com as idades zodiacais, dando aos zodíacos os epítetos de vários deuses associados. Sabemos agora que o textos descoberto por Ebeling forneceu informações de calendário não apenas para os homens, mas também para os Nefilim. O dilúvio, informa-nos o texto, ocorreu na "Idade da constelação de Leão":

Supremo, Supremo, Consagrado;

Senhor cuja brilhante coroa com terror é carregada.

Supremo planeta: um assento ele estabeleceu

À frente da confinada órbita do planeta vermelho [Marte].

Diariamente no Leão ele está incendiando;

Sua luz anuncia brilhantes realezas na Terra.

Podemos agora entender também um verso enigmático nos rituais de ano-novo, afirmando que era "a constelação de Leão que media as águas do abismo". Estas declarações fixam o tempo do dilúvio dentro de uma organização definida, porque, embora os astrônomos não possam hoje em dia assegurar precisamente o local em que os sumérios colocaram o início de uma casa zodiacal, a tabela das épocas que se segue é considerada bastante exata.

60 a.C. até 2.100 d.C. - Era de Peixes

2.220 a.C. até 60 a.C. - Era de Áries

4.380 a.C. até 2.220 a.C. - Era de Touro

6.540 a.C. até 4.380 a.C. - Era de Gêmeos

8.700 a.C. até 6.540 a.C. - Era de Câncer

10.860 a.C. até 8.700 a.C. - Era de Leão

Se o dilúvio ocorreu na Idade de Leão, entre os anos 10.860 a.C. e 8.700 a.C., então a data do dilúvio está dentro de nossa tabela. De acordo com a ciência moderna, a última idade do gelo terminou abruptamente no hemisfério sul há cerca de 12.000 a 13.000 anos e no hemisfério norte, 1.000 ou 2.000 anos mais tarde.

O fenômeno zodiacal de precessão oferece uma corroboração ainda mais integral de nossas conclusões. Concluímos anteriormente que os Nefilim aterrissaram na Terra 432.000 anos (120 shar's) antes do dilúvio, na Idade de Peixes. Em termos de ciclo precessional, 432.000 anos compreendem dezesseis ciclos completos, ou grandes anos, na "idade" da constelação do Leão.

Podemos agora reconstruir a tabela completa para os acontecimentos que nossas descobertas abrangem.

Anos atrás Acontecimentos

445.000 - Os Nefilim, conduzidos por Enki, chegam à Terra vindos do Décimo Segundo Planeta. Eridu - Estação Terra I - é fundada na Mesopotâmia do Sul.

430.000 - Os grandes lençóis de gelo começam a recuar. Clima acolhedor no Oriente Médio.

415.000 - Enki move-se para o interior, funda Larsa.

400.000 - O grande período interglacial se alastra globalmente. Enlil chega à Terra, estabelece Nippur como centro de controle da Missão. Enki estabelece rotas marítimas para a África do Sul, organiza operações de mineração de ouro.

360.000 - Os Nefilim estabelecem Bad-Tibira como seu centro metalúrgico de fusão e refinação. Sippar, o aeroporto espacial, e outras cidades dos deuses são construídas.

300.000 - O motim dos Anunnaki. O homem - o "trabalhador primitivo” - é criado por Enki e Ninhursag.

250.000 - "Precoce Homo sapiens" multiplica-se, espalha-se para outros continentes.

200.000 - A vida na Terra registra regressão durante o novo período glacial.

100.000 - O clima registra de novo um aquecimento. Os filhos dos deuses tomam as filhas do homem por esposas.

77.000 – Ubar-Tutu/Lamec, um humano de descendência divina, assume o reino em Shuruppak sob o patrocínio de Ninhursag.

75.000 - A "maldição da Terra", uma nova idade do gelo, começa. Tipos regressivos de homem deambulam pela Terra.

49.000 - O reino de Ziusudra ("Noé"), um "fiel servidor" de Enki, tem seu início.

38.000 - O rigoroso período climático das "sete passagens" começa a dizimar a humanidade. O Homem de Neanderthal da Europa desaparece; só o Homem do Cro-Magnon (estabelecido no Oriente Médio) sobrevive. Enlil, desiludido com a humanidade, procura sua morte.

13.000 - Os Nefilim, conscientes do iminente macaréu que seria desencadeado pela aproximação do Décimo Segundo Planeta, juram deixar perecer a humanidade. O dilúvio devasta a Terra, terminando abruptamente a idade do gelo.

15

A Realeza na Terra

O dilúvio, uma experiência traumatizante para a humanidade, não o foi menos para os "deuses", os Nefilim.

Nas palavras das listas de reis sumérias, "o dilúvio varrera tudo", e um esforço de 120 shar's foi arrasado de um momento para o outro. As minas da África do Sul, as cidades da Mesopotâmia, o centro de controle em Nippur, o aeroporto de Sippar - tudo jaz enterrado sob a água e a lama. Flutuando em sua nave de ida e volta por sobre a Terra devastada, os Nefilim aguardaram impacientemente a diminuição das águas para colocarem de novo pé em terra firme.

Como iriam eles sobreviver a partir de agora na Terra quando suas cidades e instalações tinham todas desaparecido, e até sua mão-de-obra, o gênero humano, estava totalmente destruída?

Quando os assustados, exaustos e famintos grupos de Nefilim finalmente aterrissaram nos picos do "monte da Salvação", ficaram nitidamente aliviados ao descobrir que homens e animais não pereceram por completo. Até Enlil, primeiro enraivecido por descobrir que seus objetivos foram parcialmente frustrados, depressa mudou de opinião.

A decisão da Divindade foi de ordem prática. Confrontados com suas próprias e medonhas situações, os Nefilim puseram de lado seus preconceitos em relação ao homem, arregaçaram as mangas e não perderam tempo em comunicar à humanidade as artes de cultivo de cereais e criação de gado. Uma vez que a sobrevivência dependia, sem dúvida, da velocidade com que a agricultura e a domesticação animal deviam ser desenvolvidas para mantê-los e promover uma rápida multiplicação do gênero humano, os Nefilim aplicaram seu avançado conhecimento científico à tarefa.

Não tendo consciência das informações que podiam ser selecionadas a partir dos textos bíblicos e sumérios, muitos cientistas que estudaram as origens da agricultura chegaram à conclusão de que sua "descoberta" pela humanidade há cerca de 13.000 anos estava relacionada com o clima neo-termal ("novamente quente") que se seguiu ao fim da última idade do gelo. Todavia, muito antes dos estudiosos modernos, a Bíblia relacionou também os começos da agricultura com as conseqüências do dilúvio. "Sementeira e colheita" eram descritas no Gênesis como as dádivas divinas concedidas a Noé e a sua descendência como parte do acordo pós-­diluviano entre a Divindade e o gênero humano:

Porque enquanto houver dias na Terra,

Lá não cessará

A sementeira e a colheita,

O frio e o calor,

O verão e o inverno,

O dia e a noite.

Tendo-lhes sido legado o conhecimento da agricultura, "Noé foi o primeiro agricultor, e plantou uma videira": ele tornou-se o primeiro lavrador pós-diluviano envolvido na deliberada e complicada tarefa da plantação.

Também os textos sumérios atribuem aos deuses a concessão à humanidade tanto da agricultura como da domesticação de animais.

Pesquisando os inícios da agricultura, os estudiosos modernos descobriram que esta se manifestou primeiramente no Oriente Médio, mas não nas férteis e facilmente cultiváveis planícies e vales. Pelo contrário, a agricultura teve seu início nas montanhas, fazendo um semicírculo de fronteira com as planícies baixas. Como puderam os lavradores deixar os terrenos planos e limitar suas plantações e colheitas aos terrenos montanhosos mais difíceis?

A única resposta plausível é que as terras baixas eram ainda inabitáveis na época em que se iniciou a agricultura; há 13.000 anos as regiões baixas não estavam ainda suficientemente secas das águas do dilúvio. Passaram­-se milênios até que as planícies e vales secassem o suficiente para permitir ao povo descer das montanhas que rodeiam a Mesopotâmia e estabelecer-­se nos terrenos baixos. Isto, de fato, é o que o livro do Gênesis nos conta: muitas gerações depois do dilúvio, gente chegando "do Oriente" - das áreas montanhosas a leste da Mesopotâmia - "encontrou uma planície na terra de Shin'ar [Suméria] e aí se estabeleceu".

Os textos sumérios declaram que Enlil espalhou primeiramente cereais "na região de montes" - nas montanhas, não nas planícies - e tornou possível o cultivo nas montanhas mantendo afastadas as águas da cheia. "Ele trancou as montanhas como que com uma porta." O nome da terra montanhosa a oriente da Suméria, E.LAM, significava' 'casa onde a vegetação germinou". Mais tarde, dois dos ajudantes de Enlil, os deuses Ninazu e Ninmada, estenderam o cultivo de cereais aos terrenos baixos para que, eventualmente, "a Suméria, a terra que não conhecia o cereal, viesse a conhecer o cereal”. Os estudiosos, que demonstraram agora que a agricultura começou, com o cultivo de trigo selvagem como uma fonte de trigo e cevada, são incapazes de explicar como é que os mais antigos cereais (como os que foram encontrados na caverna de Shanidar) já estavam uniforme e altamente especializados. Milhares de gerações de seleção genética são necessárias (pela natureza) para adquirir até mesmo um modesto nível de sofisticação. Ainda assim, o período, tempo ou localização em que um processo tão gradual e prolongado possa ter acontecido na Terra ainda não foi encontrado. Não há explicação para este milagre botânico-genético, a menos que o processo não fosse de seleção natural, mas de manipulação genética artificial.

O espelta, um tipo de trigo de grão duro, constitui um mistério ainda maior. Ele é produto de "uma invulgar mistura de genes botânicos"; não é nem um desenvolvimento de uma fonte genética nem a mutação de uma fonte. É, definitivamente, o resultado da mistura dos genes de várias plantas. Toda a teoria de que o homem, nuns poucos milhares de anos, mudou os animais através da domesticação é, também ela, questionável.

Os estudiosos modernos não têm respostas para estes quebra-cabeças nem para a questão de caráter geral do porquê da transformação do semi-círculo montanhoso do Antigo Oriente Médio numa fonte contínua de novas variedades de cereais, plantas, árvores, frutas, vegetais e animais domesticados.

Os sumérios tinham, porém, a resposta para esta questão. As sementes, diziam eles, foram uma dádiva enviada à Terra por Anu, de seu domicílio celeste. Trigo, cevada e cânhamo foram trazidos à Terra do Décimo Segundo Planeta. A agricultura e a domesticação de animais foram dádivas concedidas à humanidade por Enlil e Enki, respectivamente.

Não só a presença dos Nefilim, como também as chegadas periódicas do Décimo Segundo Planeta às proximidades da Terra parecem ficar atrás das três fases decisivas da civilização humana pós-diluviana: a agricultura, cerca de 11.000 anos a.C., a cultura neolítica, cerca de 7.500 anos a.C., e a súbita civilização do ano 3.800 a.C. tiveram lugar em intervalos de 3.600 anos.

Parece que os Nefilim, passando os conhecimentos ao homem em doses determinadas, o fizeram em intervalos que se conjugavam com os periódicos regressos do Décimo Segundo Planeta às vizinhanças da Terra. Foi como se este tipo de inspeção no campo, ou alguma espécie de consulta pessoal - possível apenas durante o período "janela", que permitia as aterrissagens e decolagens entre a Terra e o Décimo Segundo Planeta ­devesse acontecer entre os "deuses" antes que pudesse ser dada outra "ordem de avançar".

A "Epopéia de Etana" fornece uma vaga idéia da discussão que aconteceu. Nos dias que se seguiram ao dilúvio, diz-se:

Os grandes Anunnaki que decretam o destino

Sentaram-se, trocando opiniões referentes à Terra.

Eles que criaram as quatro regiões,

Que estabeleceram as colônias,

Que vigiaram a Terra,

Eram demasiado elevados para a humanidade.

Os Nefilim, dizem-nos, chegaram à conclusão de "que precisavam de um intermediário entre eles e a massa humana. Eles seriam, decidiram os Nefilim, como deuses - elu em acádio, significando “os supremos". Como uma ponte entre eles, os senhores e a humanidade, introduziram a "realeza" na Terra: indicaram um governador humano que devia assegurar o serviço humano aos deuses e transmitir os ensinamentos e leis desses mesmos deuses ao povo em geral.

Um texto abordando o assunto descreve a situação antes que a tiara ou a coroa fossem postas numa cabeça humana, ou um cetro fosse empunhado; todos estes símbolos de realeza - e ainda o cajado de pastor, símbolo de integridade e justiça - "jazem depositados ante Anu no céu". Depois de os deuses chegarem a uma conclusão, a "realeza" desceu dos céus à terra.

Tanto os textos sumérios como os textos acádios afirmam que os Nefilim retiveram a "senhoria" sobre as terras e fizeram a humanidade reconstruir primeiro as cidades pré-diluvianas exatamente onde elas se situavam originalmente e tal qual foram planejadas: "Que os tijolos de todas as cidades sejam colocados em locais dedicados, que todos os [tijolos] descansem em lugares sagrados". Eridu foi, então, a primeira cidade a ser reconstruída.

Os Nefilim ajudaram o povo a planejar e a construir a primeira cidade real e depois abençoaram-na. "Possa a cidade ser o ninho, o lugar onde a humanidade repousará. Que o rei seja um pastor!”

A primeira cidade real do homem, dizem-nos os textos sumérios, foi Kish. "Quando a realeza de novo desceu, a realeza estava em Kish". Infelizmente, as listas de reis sumérias estão mutiladas exatamente onde estava inscrito o nome do primeiríssimo rei humano. Todavia, sabemos que ele iniciou uma longa linha de dinastias, cujo real domicílio se transferiu de Kish para Uruk, Ur, Awam, Hamazi, Aksak, Acádia e depois para Ashur e Babilônia e outras capitais mais recentes.

A bíblica "Barra de Nações" catalogou do mesmo modo Nimrud ­o patriarca dos reinos de Uruk, Acádia, Babilônia e Assíria - como descendendo de Kish. Nela está gravada a expansão da humanidade, suas terras e reinos, como uma conseqüência da divisão da humanidade em três ramos, logo depois do dilúvio. Assim, descendendo dos três filhos de Noé e recebendo seu nome, haviam os povos e as terras de Sem, que habitaram a Mesopotâmia e as terras do Oriente Médio; os de Cam, que povoaram a África e partes da Arábia; e os de Jafé, os indo-europeus na Ásia Menor, Irã, Índia e Europa.

Estes grandes grupamentos constituíam, indubitavelmente, três das "regiões" cujo estabelecimento os grandes Anunnaki debateram. A cada uma das três regiões foi associada uma das deidades principais. Uma destas regiões, é claro, é a própria Suméria, dos povos semitas, o local em que se ergueu a primeira grande civilização do homem.

As outras duas tornaram-se também locais de uma florescente civilização. Por volta do ano 3.200 a.C. - cerca de meio milênio depois do florescimento da civilização suméria -, governo, realeza e civilização faziam sua primeira aparição no vale do Nilo, conduzindo, na época, a grande civilização do Egito.

Nada se sabia sobre a primeira grande civilização indo-européia até cerca de 50 anos atrás. Mas hoje, está já firmemente provado que uma civilização avançada, abrangendo grandes cidades, uma agricultura desenvolvida, um comércio florescente, existiu realmente no vale do Indo em tempos antigos. Isto aconteceu, acreditam os estudiosos, cerca de 1.000 anos depois do início da civilização suméria.



Textos antigos e provas arqueológicas atestam os íntimos elos culturais e econômicos entre estas civilizações nos vales dos dois rios e a antiga civilização suméria. Além disso, tanto a prova direta como a circunstancial convenceram a maior parte dos eruditos de que as civilizações do Nilo e do Indo não só estavam ligadas, como eram, de fato descendentes da civilização anterior da Mesopotâmia.

Os mais imponentes monumentos do Egito, as pirâmides, descobriu-se serem simulações dos zigurates da Mesopotâmia sob um revestimento de pedra, e há razão para crer que o engenhoso arquiteto que desenhou os planos das grandes pirâmides e supervisionou sua construção era um sumério venerado como um deus.



O antigo nome egípcio para sua terra era "Terra Elevada", e sua memória pré-histórica rezava que "um deus muito alto que surgira nos mais remotos dias" encontrara a terra egípcia situada sob água e lodo. Ele empreendeu, então, grandes trabalhos de reforma, elevando o Egito acima do nível das águas. A "lenda" descreve nitidamente o vale baixo do rio Nilo na seqüência do dilúvio. Este vetusto deus (podemos mostrá-lo) não era outro senão Enki, o engenheiro-chefe dos Nefilim.

Embora, até ao momento, se conheça relativamente pouco da civilização do vale do Indo, sabemos que, também ela, venerava o número doze como o supremo número divino; que, também ela, representava seus deuses como seres de aparência humana usando toucados com chifres; e que, ela também, venerava o símbolo da cruz - o sinal do Décimo Segundo Planeta.




Se estas duas civilizações eram ambas de origem suméria, por que razão eram diferentes as suas línguas escritas? A resposta científica diz que as línguas não são diferentes. Isto foi admitido já em 1852, quando o rev. Charles Foster (The One Primeval Language) [A Língua Primeva] habilmente demonstrou que todas as línguas antigas até então decifradas, incluindo a remota língua chinesa e outras línguas do longínquo Oriente, tinham suas raízes numa mesma e única fonte primeva - que logo em seguida se descobre ser suméria.

Pictogramas similares não só tinham significados semelhantes (que podiam ser uma coincidência lógica), como possuíam os mesmos significados múltiplos e até os mesmos sons fonéticos, o que sugere origens comuns. Mais recentemente, os eruditos mostraram que as primeiríssimas inscrições egípcias empregavam uma linguagem que era indicativa de um desenvolvimento escrito anterior. O único local em que uma linguagem escrita conhecera um desenvolvimento escrito anterior fora na Suméria.

Temos assim uma única linguagem escrita que, por alguma razão, foi diferenciada em três idiomas: o mesopotâmico, o egípcio/hamita e o indo-europeu. Tal diferenciação pode ter ocorrido por si própria durante separações cronológicas, geográficas e de distância. Ainda assim, os textos sumérios atestam que ela ocorreu como resultado de uma deliberada decisão dos deuses, uma vez mais iniciada por Enlil. As histórias sumérias acerca do assunto encontram paralelismos com a conhecida história bíblica da Torre de Babel, na qual nos é dito que “toda a Terra era de uma só língua e das mesmas palavras". Mas, depois de as gentes se terem estabelecido na Suméria, terem aprendido a arte da moldagem de tijolos, terem construído cidades e erguido altas torres (zigurates), eles planejaram construir para si próprios um shem e uma torre para o lançarem. Por isso mesmo "foi que o Senhor confundiu a língua da Terra".

A elevação deliberada do Egito de sob as lamacentas águas, a evidência lingüística e os textos sumérios e bíblicos apóiam nossa conclusão que defende que as duas civilizações-satélites não se desenvolveram por acaso. Muito pelo contrário, foram planejadas e trazidas à luz do dia por decisão deliberada dos Nefilim.

Receando, evidentemente, os perigos de uma raça humana unificada na cultura e nos objetivos, os Nefilim adotaram a política imperial: "Divide e impera". Porque, enquanto a humanidade atingia níveis culturais que incluíam até mesmo tentativas de navegação aérea - depois do que "tudo o que eles planejarem, nada mais lhes será impossível realizar" -, os Nefilim eram uma espécie em declínio. Por volta do 3º. milênio a.C., os filhos e os netos, para não falar dos humanos com parentesco divino, ultrapassavam em número os grandes e vetustos deuses.

A acesa rivalidade entre Enlil e Enki foi herdada por seus filhos principais, e seguiram-se ferozes lutas pela supremacia. Até os filhos de Enlil, como vimos em capítulos anteriores, lutaram entre si, assim como o fizeram os filhos de Enki. Tal como aconteceu na história humana registrada, soberanos tentaram manter a paz entre seus filhos dividindo a terra entre os herdeiros. Em pelo menos uma circunstância conhecida, um filho (Ish­kur/Adad) foi deliberadamente enviado por Enlil para ser a principal deidade local na Terra da Montanha.

Com o correr dos tempos, os deuses tornaram-se soberanos, cada um guardando ciosamente o território, a indústria ou a profissão sobre o qual lhe fora concedido domínio. Reis humanos eram os intermediários entre os deuses e a humanidade que crescia e se alastrava. As afirmações de reis antigos, segundo as quais eles foram para a guerra, conquistaram novas terras, ou subjugaram povos longínquos "sob as ordens do meu deus", não devem ser tomadas levianamente. Textos e mais textos tornam bem claro que as coisas se passaram literalmente assim. Os deuses retinham os poderes de direção dos negócios estrangeiros, uma vez que estes negócios envolviam outros deuses noutros territórios. Assim, eram eles que possuíam a última palavra em assuntos de guerra e paz.

Com a proliferação de povos, Estados, cidades e vilas tornou-se necessário encontrar meios de relembrar ao povo quem era seu soberano particular, ou "o Supremo". O Antigo Testamento apresenta o problema de fazer o povo aderir ao seu deus e não "se aviltar atrás de outros deuses". A solução foi o estabelecimento de muitos locais de culto e a colocação dos símbolos e imagens dos deuses "corretos" em cada um desses locais.

Começava a idade do paganismo.

A seguir ao dilúvio, informam-nos os textos sumérios, os Nefilim organizaram longos conselhos tendo por tema o futuro de deuses e homens na Terra. Como resultado destas deliberações, "criaram as quatro regiões". Três delas - a Mesopotâmia, o vale do Nilo e o vale do Indo - foram fundadas pelo homem.

A quarta região era "sagrada", um termo cujo significado original literal era "dedicada, restrita". Dedicada unicamente aos deuses, era uma "terra pura", uma área à qual apenas se podia chegar com autorização; ultrapassá-la podia levar a uma rápida execução pelas "medonhas armas" brandidas por ferozes guardas. Esta terra ou região tinha o nome de TIL.MUN (literalmente, "o local dos mísseis"). Era a área restrita em que os Nefilim restabeleceram sua base espacial depois de a base de Sippar ter sido literalmente apagada do mapa pelas águas do dilúvio.

Uma vez mais, a área foi colocada sob as ordens de Utu/Shamash, o deus encarregado dos foguetes faiscantes. Antigos heróis como Gilgamesh empenharam-se em alcançar esta Terra de Vida, para serem levados por um shem ou uma Águia até o domicílio celestial dos deuses. Relembremos aqui a súplica de Gilgamesh a Shamash:

Deixa-me entrar na terra, deixa-me erguer o meu Shem...

Pela vida de minha deusa-mãe que me gerou,

Do fiel e puro rei, meu pai ­–

Que meus passos se encaminhem para a terra!

Antigos contos - e até mesmo a história registrada - evocam esforços incessantes do homem no sentido de "alcançar a terra", encontrar a "Planta da Vida" e adquirir a bênção eterna entre os deuses do céu e da terra. Esta ânsia é comum a todas as religiões cujas raízes profundas mergulham na terra da Suméria - todos viveram sempre na esperança de que a justiça e a integridade perseguidas na Terra fossem seguidas de uma "pós-vida” em algum lugar num domicílio divino celeste.

Mas onde ficaria esta inapreensível e etérea terra de divina união?

A resposta a esta questão pode ser dada. As pistas estão aí. Mas por detrás delas assomam outras questões. Os Nefilim foram encontrados desde então? E o que acontecerá quando eles forem de novo encontrados?

E se os Nefilim eram os "deuses" que "criaram" o homem na Terra, foi apenas a evolução que criou os Nefilim no Décimo Segundo Planeta?