terça-feira, dezembro 13, 2011

Johannes Von Buttlar O fenomeno UFO ( LIVRO ) PARTE 1

 
Johannes von Buttlar


O FENÔMENO
UFO









Título do original: "Das UFO-Phänomen"

Copyright © 1978 by C, Bertelsmann Verlag GmbH, Munique

Tradução: Trude von Laschan Solstein Arneitz


CÍRCULO DO LIVRO S.A. Caixa postal 7413 São Paulo, Brasil
Edição integral

Licença editorial para o Círculo do Livro por cortesia da Cia. Melhoramentos de São Paulo, Indústrias de Papel




"Há um princípio que serve
de barreira contra toda
e qualquer informação, de prova
contra todo argumento
e que jamais pode falhar, a fim
de manter o homem
em permanente estado
de ignorância. Este princípio
condena, antes de pesquisar."

Herbert Spencer



À guisa de esclarecimento

Somente após vencer pesados escrúpulos e depois de sérias e profundas reflexões é que resolvi redigir este relato sobre os motivos que se ocultam por trás do mundialmente conhecido fenômeno dos objetos voadores não identificados.
É evidente que estou perfeitamente cônscio de que este assunto proporciona material explosivo para ataques e polêmicas inimagináveis, visto que ele desatrela as mais discrepantes emoções. Aliás, não há outro tema que suscite tantos preconceitos, suposições, dúvidas, afirmações, deturpações e até intrigas como este dos OVNIS l.
1 Objetos Voadores Não Identificados. (N. da T.)

No caso em foco, não há nenhum compromisso, mas apenas duas atitudes extremas a serem tomadas — a do pró e a do contra.
Existem inúmeros relatos oriundos de todas as partes do globo terrestre que falam de confrontações com objetos voadores desconhecidos. Segundo uma pesquisa, por exemplo, só na América nada menos que 15 milhões de pessoas — inclusive o próprio Presidente Jimmy Carter — afirmam ter visto os ditos OVNIS. Independentemente da maneira como o queiramos encarar, semelhante fenômeno merece atenção. E, visto que todo escritor deveria se conscientizar de que a sua missão consiste em buscar a verdade, achei por bem aceitar o desafio.
Efetivamente, neste domínio a procura da verdade está juncada de riscos e perigos e não deixa de ser uma prova de coragem e denodo, que já fez suas vítimas.
Por sua vez, a leitura deste livro exige coragem no sentido de se criarem disposições para um reposicionamento de nossos preconceitos.


Antecedentes


Na estrada que leva a Coral Gables — uma pequena cidade do interior, na Flórida, Estados Unidos —, o carro-patrulha da polícia do condado de Dade passou pela segunda vez por um veículo que ali se achava parado, de maneira descuidada.
"Aqui tem algum problema; pare o carro!", falou o policial, desconfiado, ao seu colega ao volante.
Quando, às 18:30 horas do dia 20 de abril de 1959, os policiais abriram a porta daquele carro, depararam com o corpo inerte e todo encolhido de um homem. Logo constataram a causa da morte: inalação de gases que penetraram no interior do automóvel, através de uma mangueira ligada ao cano de escapamento. Conseqüentemente, as investigações policiais concluíram que a morte se deveu ao suicídio por ingestão de monóxido de carbono. O morto foi facilmente identificado através dos documentos com ele encontrados: "Dr. Morris K. Jessup", leu um dos policiais, "nascido a 2 de março de 1900, no Estado de Indiana".
"Jessup? Você disse Jessup?", exclamou o seu colega, perplexo. "Será que é o Prof. Jessup? Estou pensando naquele Jessup que deu o que falar, por causa dos OVNIS. Mas por que justamente ele teria cometido suicídio?"
No decorrer dos anos, essa pergunta foi repetida com muita freqüência e deu ensejo às mais ridículas conjeturas e especulações; isso porque, se o suicídio de Jessup já constituía em si um enigma, esse acontecimento era realmente de estontear, pelos fatos que o antecederam, que se revelavam ainda mais incompreensíveis.
Por que o Dr. Jessup teria procurado a morte, ele que era um astrofísico diplomado e altamente qualificado?
Além de catedrático nas universidades de Michigan e Drake, onde lecionou astronomia e matemática, fora também responsável pela instalação e funcionamento do telescópio refrator, na África do Sul, o maior e mais potente existente no hemisfério meridional. Além disso, Jessup descobriu numerosas estrelas fixas, que, entrementes, foram classificadas pela Sociedade Real de Astronomia, de Londres. Os conhecimentos desse cientista eram tão vastos que até o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos deles se valeu, incumbindo-o da pesquisa de reservas potenciais de seringueiras na Amazônia.
No entanto, ao avistar um disco pulsante, uma luz que havia repentinamente surgido no céu, a vida de Jessup mudou radicalmente. Hoje em dia, já não é mais possível precisar se tal acontecimento ocorreu na África do Sul ou na região amazônica. Em todo caso, essa vivência foi decisiva para toda a sua vida, como o próprio Jessup confidenciou a um amigo, e até o levou a uma morte misteriosa, de acordo com a opinião de certas pessoas.
À medida em que crescia em todo o mundo o número de relatos de aparecimento de objetos voadores não identificados, Jessup mergulhou mais profundamente na problemática desse desconcertante fenômeno. Dedicou-se sistematicamente aos relatos dos OVNIS, que registrou, analisou e elaborou, em sua qualidade de cientista. Não tardou e ele teve a certeza de que uma porcentagem relativamente elevada desses relatos não poderia ser explicada como simples equívocos, embustes, logros, fantasmagorias, ou coisas quejandas. Em sua opinião, os OVNIS eram exatamente aquilo que o próprio nome diz: Objetos Voadores Não Identificados. E foi como logo se apresentaram a Jessup.


No verão de 1947, o conceito Objetos Voadores Não Identificados, além de inaugurar uma nova era para a humanidade estupefata, forneceu ainda um assunto explosivo para debates acalorados, que seriam travados nas décadas seguintes.
Estranhamente, essa nova era se iniciou com o aparecimento pouco espetacular de um OVNI e nem se sabe muito bem por que esse acontecimento levantou tanta celeuma e mereceu tamanha atenção. Talvez tudo aquilo se devesse ao sugestivo nome OBJETO VOADOR NÃO IDENTIFICADO, que na ocasião foi lançado e que os jornalistas do mundo inteiro exploraram sobejamente, pois esse nome oferecia uma definição que correspondia exatamente às observações que haviam sido feitas. Finalmente, os surpreendentes e assombrosos acontecimentos chegaram a ser identificados: os OVNIS são, de fato, objetos voadores não identificados! Chamavam o fenômeno de "pires voador". Como o pires normalmente não voa sozinho, os repórteres nada arriscaram ao comentar com ironia a aparição de tais objetos voadores, bastante esquisitos. Em todo caso, a sigla OVNI tornou-se a definição mais popular do aparecimento de objetos voadores não identificados no mundo inteiro.
Em 24 de junho de 1947, Kenneth Arnold, o autor dessa definição, falou aos repórteres:
"Teria sido uma deslealdade para com a minha pátria, se eu tivesse deixado de anunciar esse acontecimento".
Arnold, presidente de uma firma de extintores de incêndio, em Boise, Idaho, pilotou seu próprio avião e, na tarde daquele dia 14 de junho, às 14 horas, decolou do aeroporto de Chehalis, em Washington, D.C., rumando em direção a Yakima, Washington.
De acordo com o relato da comissão de inquérito da Força Aérea, o vôo de Arnold atrasou uma hora, por ter participado nas buscas de um avião de carga da Marinha, que deveria ter caído de uns 3 000 metros de altitude, nas imediações ou a sudoeste do monte Rainier; aproximadamente na altura do planalto sobre o qual se eleva o monte Rainier. Após cerca de uma hora de buscas inúteis, Arnold retomou a sua rota original, dirigindo-se para Yakima.
"Naquele dia, as condições atmosféricas eram tão boas, que o vôo se tornou um verdadeiro prazer", relatou Arnold. Assim, ele ajeitou seu aparelho e, bastante descontraído, refestelou-se no assento, para observar o céu e apreciar a paisagem que se descortinava lá embaixo. À sua esquerda, havia um DC-4 voando a cerca de 4 500 metros de altitude.
Dois ou três minutos depois de Arnold ter retomado sua rota original, o avião refletiu um deslumbrante raio de luz cuja fonte ele não conseguiu identificar. Da mesma forma, ao norte do monte Rainier, ele avistou, à sua esquerda, uma série de estranhos objetos voadores, que se dirigiam ao sul, voando a uma altitude de aproximadamente 3 000 metros. Como aqueles objetos se aproximaram em alta velocidade do monte Rainier, Arnold julgou que fossem aviões a jato.
Em poucos segundos, dois ou três daqueles objetos voadores sumiram, ou mudaram de rumo, apenas o bastante para serem atingidos pela luz solar; porém, como se achassem bem distantes, Arnold não conseguiu distinguir suas formas, nem a formação de vôo. Todavia, quanto mais perto chegavam do monte Rainier, mais distintos se tornavam seus contornos. No depoimento perante a comissão de inquérito, Arnold confirmou que não observou nenhuma cauda naqueles objetos voadores. No entanto, achou que seriam aviões a jato, de um tipo qualquer. No seu vôo, acompanharam mais ou menos a linha do horizonte, com diferenças que oscilavam 300 metros para cima e para baixo. Arnold chegou a essa conclusão, baseando-se na altitude do vôo dos objetos estranhos que acompanhavam seu aparelho.
Nos depoimentos, Arnold frisou que os objetos voaram em formação quase diagonal, a exemplo de um bando de gansos selvagens, dando a impressão de estarem ligados entre si; mantiveram-se em determinada direção, circunvoando os cumes das montanhas. Arnold avaliou em cerca de 40 quilômetros a distância entre seu avião e os estranhos objetos e calculou seu tamanho em aproximadamente dois terços de um DC-4. Ao sobrevoarem a serra coberta de neve, Arnold observou como o primeiro OVNI passou pelo pico sul, enquanto o último atingiu o pico norte.
O levantamento topográfico da serra feito posteriormente acusou seu comprimento como sendo da ordem de cerca de 8 quilômetros; portanto, a formação dos OVNIS teria coberto uma área de uns 8 quilômetros.
O monte Rainier está situado a cerca de 80 quilômetros do monte Adams. Arnold cronometrou a duração do vôo dos estranhos objetos entre esses dois pontos e obteve 1 minuto e 42 segundos, o que corresponde a uma velocidade de 2 600 quilômetros por hora.
"Eles voaram pelo ar cristalino como discos arremessados por cima da água", disse Arnold aos repórteres, naquela tarde do dia 14 de junho. Aliás, poucas horas após seu pouso em Yakima, estes já o bombardeavam com perguntas sobre sua aventura, pois, com o instinto aguçado próprio de todo bom jornalista, pressentiram que o tipo de mistério que agora envolvia a vida de Arnold garantiria por muito tempo excelentes manchetes.
Com quem se teria Arnold encontrado? O que seriam aqueles pires voadores?
Será que se tratava de um novo tipo de avião, mantido em segredo pela Força Aérea dos Estados Unidos, com o qual Arnold deparara por acaso? Ou seriam objetos voadores alienígenas, oriundos das profundezas do cosmo? Em todo caso, tratava-se de um fenômeno que devia ser levado a sério, pois Arnold não era nenhum idiota, mas, sim, um homem de negócios competentíssimo e piloto experimentado. Logo, o assunto prometia, e muito, oferecendo ótimas expectativas para os jornais.
A julgar pelas manchetes que falavam do acontecimento vivido por Arnold, parecia tratar-se de objetos voadores não identificados, de um fenômeno inédito, jamais visto. Mas, a rigor, não se tratava disso, porque, ao longo da história, sempre foram mencionados objetos voadores desconhecidos.
Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, foi registrado um fenômeno raro. Vez ou outra, estranhos objetos voadores em forma de disco acompanharam numerosos pilotos durante os vôos. Os pilotos dos bombardeiros das forças aliadas chamaram de "foo fighter" (fighter = combatente; foo = fantasma) os objetos que 'Mancavam acima das asas dos seus aparelhos ou os acompanhavam a pouca distância, à frente ou atrás; invariavelmente, demonstravam extraordinária facilidade de manobra e velocidade. Até as tripulações de navios de guerra observaram as evoluções aéreas desses incríveis foo fighters. Inicialmente, os Aliados acreditaram tratar-se de cargas elétricas; depois, correram rumores dizendo que os alemães ou os japoneses teriam lançado uma nova arma secreta para interferir na ignição dos bombardeiros inimigos. No entanto, quando os foo fighters deixaram de tomar qualquer atitude inamistosa, as tripulações das naves aéreas acharam que faziam parte da guerra psicológica do inimigo, que visava enervar os pilotos americanos e ingleses.
Por ironia do destino, foi somente após o fim da Segunda Guerra Mundial que a opinião pública americana soube que os pilotos alemães e japoneses tiveram contatos idênticos e que também eles pensaram tratar-se de uma arma secreta do inimigo.
Seja como for, os foo fighters foram levados a sério, a ponto de o 8.° Exército americano ordenar a primeira investigação do fenômeno. E tudo resultou numa alucinação coletiva, uma vez que nenhuma potência militar possuía os requisitos tecnológicos necessários para a produção de tais objetos voadores. Por outro lado, os foo fighters eram inofensivos, o que diminuiu sensivelmente seu interesse nos círculos do Pentágono. Em todo caso, a sua procedência continua sendo ignorada até hoje.
Após a Segunda Guerra Mundial, Charles Odom, ex-piloto de um B-17, descreveu seu contato com foo fighters, no outono — inverno europeu de 1944-45 —, sobre a Alemanha. Em sua descrição, dizia ele:
"Tinham a aparência de esferas de cristal e eram do tamanho de uma bola de basquete. Foram observados com maior freqüência sobrevoando as cidades de Munique e Viena, bem como outros alvos importantes. Nunca se aproximaram a mais de 100 metros de uma formação de bombardeiros; depois, pareciam ser atraídos por nossa formação, como por um ímã, e continuavam voando conosco, lado a lado. Após certo tempo, abandonavam a nossa formação, como faria um avião, e desapareciam".
Quanto mais Jessup se aprofundava em suas pesquisas particulares, tanto mais relatos de aparecimentos inesperados chegavam a seu conhecimento, por intermédio de amigos, colegas ou pilotos, que lhe faziam confidencias.
Estranhamente, até 1947, as observações desse tipo suscitaram pouca sensação; porém, a partir do aparecimento relatado por Arnold, as coisas mudaram: foi como uma bolha que estourasse. De repente, em todo o mundo as pessoas começaram a falar daquilo que viram ou acreditaram ter visto, inclusive de coisas que, absolutamente, jamais tinham avistado.
No entanto, aquilo que os pilotos da United Air Lines presenciaram a 4 de julho de 1947 era manifestamente a pura realidade. Eles decolaram com seus aviões comerciais de Boise, Idaho, rumo a Seattle, Washington; o Capitão-Aviador Emil J. Smith estava no comando, tendo a seu lado o co-piloto Ralph Stevens. Por mera casualidade, pouco antes de levantar vôo, ambos foram entrevistados e solicitados a dar o seu parecer a respeito dos objetos voadores não identificados. Smith respondeu prontamente que só acreditaria neles depois de vê-los com seus próprios olhos.
Oito minutos mais tarde, o avião da United Air Lines sobrevoava Emmett, Idaho, e quase atingia sua altitude de vôo, cerca de 2 400 metros, quando Smith avistou algo à sua frente, que imaginou ser um avião. Apertou então o botão dos faróis de aterrizagem para acendê-los.
Posteriormente, Smith falou aos repórteres que, de início, pensou tratar-se apenas de uma formação de aviões pequenos; porém, a seguir, percebeu que não eram aviões comuns, mas, sim, objetos voadores, planos, redondos. Como Smith e Stevens queriam ter plena certeza daquele aparecimento, chamaram a aeromoça e, sem dizer o motivo, mandaram-na olhar o céu. Imediatamente, a moça avistou os estranhos objetos voadores. Eram 21:15 horas; o céu noturno estava ainda claro e os objetos voavam diante do avião da United Air Lines, destacando-se do céu como silhuetas grandes, cinzentas e sinistras. Sua aparência era "lisa embaixo e áspera em cima", como Smith relatou mais tarde.
O Comandante Smith comunicou-se com a torre de controle de Ontário, Oregon, à qual deu sua posição e perguntou se no seu itinerário haveria algo de estranho no céu. Como a resposta da torre foi negativa, Smith concluiu que os objetos voadores deveriam se encontrar a uma distância bem maior que aquela por ele avaliada. Antes de sumirem do alcance visual dos tripulantes do avião comercial, desaparecendo na direção noroeste, os objetos pareciam fundir-se, tornando-se um só.
Porém, isso ainda não era tudo. Pois, ao desaparecer o primeiro grupo, à esquerda, em frente ao avião da United, surgiu um segundo; os objetos voavam em fila, com três bem próximos um do outro e um a pouca distância dos demais. A exemplo da primeira, também essa segunda formação desapareceu de repente, a altíssima velocidade.


Depois de receber 156 relatos oficiais, a Força Aérea dos EUA concluiu que os métodos de pesquisa até então usados pelo AMC (Air Material Command — Comando de Material Aéreo) nos estudos do problema dos discos voadores eram deficientes.
A 23 de setembro de 1947, o Tenente-General Nathan V. Twining, comandante do AMC, submeteu seu relatório, estritamente confidencial, ao comandante em exercício da Força Aérea do Exército dos EUA, qualificando como real o fenômeno dos objetos voadores não identificados e frisando que, quanto a isso, não se tratava nem de fantasmagorias nem de ficção. Isso porque tudo indicava que aqueles objetos, que tinham a forma de um disco e o tamanho de um avião, deveriam ser comandados manualmente ou por mecanismo automático ou então por controle remoto.
O relatório de Twining diz, textualmente:

1) A pedido do AC/AS-2, submetemos as seguintes conclusões, referentes aos assim chamados discos voadores, elaboradas por este comando... Em reunião realizada com a presença de colaboradores do Instituto de Tecnologia de Vôo, do Serviço de Inteligência Aérea T-2, do chefe da Divisão de Engenharia e Naves Aéreas, dos laboratórios da Usina Geradora e de Propulsão, da Divisão de Engenharia T-3, chegou-se aos seguintes resultados.

2) As partes supracitadas são de parecer que:
a) O fenômeno em apreço se trata de uma realidade e não de imaginação ou ficção;
b) existem objetos que, com toda a probabilidade, têm a forma de discos e cujo tamanho corresponde ao de aviões construídos pela mão do homem;
c) existe a possibilidade de alguns desses incidentes estarem relacionados a fenômenos naturais, como meteoros;
d) as características funcionais descritas, como, por exemplo, a extraordinária capacidade de subida vertical, a enorme mobilidade (em especial, a de rolar), a extrema habilidade na execução de movimentos que devem ser definidos como manobras de desvio, no instante da sua detecção por aviões amigos ou pelo radar, levam a supor que alguns desses objetos deveriam ser dirigidos manual ou automaticamente, ou por controle remoto.
e) A seguir, a descrição dos objetos em apreço, evidentemente válida para todos eles:
1) Superfície metálica ou refletindo a luz.
2) Salvo em poucos casos excepcionais, não existem vestígios visíveis no local onde os objetos obviamente operaram.
3) Sua forma é esférica ou elíptica, achatada embaixo e dotada de cúpula em cima.
4) Alguns relatos mencionam vôos em formação, de grande exatidão, dos quais participam de três a nove objetos,
5) Via de regra, os objetos operam em silêncio, excetuando-se três casos, nos quais foi registrado um trovejar retumbante.
6) Em geral, avalia-se em cerca de 550 quilômetros por hora a velocidade do seu vôo horizontal.

3) Recomenda-se a emissão de ordens, pelos quartéis-generais do Exército e das Forças Aéreas, estabelecendo diretrizes e determinando prioridades, graus de tratamento confidencial e códigos para uma pesquisa em profundidade do assunto.

4) Na expectativa de serem baixadas diretrizes precisas, o AMC continuará por enquanto com suas pesquisas, nelas empregando os meios a seu dispor, (assinado)
N. F. Twining, tenente-general dos Estados Unidos, comandante em exercício
Motivada por esse relatório, a Força Aérea dos EUA organizou o UFO-Projet Sign (Projeto Sinal dos OVNIs), sigiloso.



Contato mortal


Em resposta ao relatório estritamente confidencial de Twining, o Major-General L. C. Craigie ordenou a organização de um projeto da Força Aérea, com o objetivo de pesquisar o fenômeno dos objetos voadores desconhecidos.
A base aérea de Wright Patterson foi encarregada do Projeto Sinal, de caráter sigiloso, em grau 2-A, e teve o patrocínio da Divisão de Inteligência Técnica do AMC.
O Projeto Sinal, ou Projeto Pires, como também era chamado pelos seus colaboradores, iniciou suas atividades a 22 de janeiro de 1948. Sua primeira tarefa consistia em coletar todos os dados referentes a aparecimentos e fenômenos de OVNIS na atmosfera e, dentre o material coletado, selecionar os dados considerados importantes para a segurança nacional dos Estados Unidos. Em seguida, os dados deviam ser comparados, elaborados e, finalmente, apresentados a determinadas autoridades governamentais. A meta principal do Projeto Sinal consistia, portanto, em verificar se os OVNIS representavam ou não uma ameaça à segurança nacional.


Duas semanas antes de o Projeto Sinal começar a funcionar, registrou-se um aparecimento extraordinário, que quase provocou um estado de histeria coletiva. Esse acontecimento foi de tamanha amplitude que durante quase um ano deu muito trabalho ao Projeto Sinal.
A 7 de janeiro de 1948, algumas pessoas avistaram sobre Louisville, Kentucky, um objeto prateado em forma de disco, que emitia uma luminosidade avermelhada. Seu diâmetro media cerca de 80 a 100 metros; seu vôo era dirigido para o sul. Logo após o aparecimento, a polícia estadual avisou a base aérea de Fort Knox e seu respectivo aeroporto, Godman Field; quinze minutos mais tarde, o pessoal da torre avistou o OVNI. Depois de ter certeza de não se tratar de um avião nem de um balão meteorológico, o aparecimento foi comunicado ao oficial de serviço, ao oficial encarregado da Defesa e, por fim, ao comandante da base, Coronel Guy F. Hix. Este comunicou-se com o Capitão Mantell, ao qual ordenou a decolagem imediata do seu F-51, em missão de reconhecimento.
O Capitão-Aviador Thomas Mantell, de 25 anos, era um piloto altamente qualificado, veterano da Segunda Guerra Mundial, na qual se distinguiu por bravura e foi condecorado com a ordem da Cruz ao Mérito Aeronáutico. Mantell fez parte do primeiro grupo de pilotos que bombardearam alvos alemães em Cherbourg e na costa francesa do Atlântico, quando operavam em missões preparatórias para a invasão britânico-americana.
Naquela tarde do dia 7 de janeiro, além de Mantell, decolaram os tenentes Hendricks, Clements e Hammond, em perseguição ao objeto voador desconhecido. Os instrumentos de radar acompanharam o rastro dos caças, até que, às 15 horas, Mantell comunicou pelo rádio:
"Nada vejo, por enquanto; estou desviando em direção a Ohio River Falls".
Em seguida, Mantell fez os seguintes comunicados pelo rádio:

15:02 h — Visão boa — ainda não vejo nada — altitude de vôo: 9 500 metros — continuo subindo.
15:09 h — Altitude de vôo: 10 400 metros — ainda nada.
15:11 h — Agora — aqui está o objeto — em forma de disco — enorme, grande — difícil de calcular — talvez 70 metros de tamanho — parte superior com anel e cúpula — parece rotar com incrível velocidade em torno de um eixo vertical, central — altitude de vôo: 10 500 metros. Fim.

Na torre as atividades fervilhavam. Como que hipnotizados, os técnicos em radar olhavam seus instrumentos. E lá estava o objeto — um enorme disco!

15:12 h — Comunicado do piloto no flanco direito: vejo a coisa — estou fotografando-a — Mantell está no seu encalço, O objeto se encontra a uns 150 metros acima do meu aparelho. Procuro me aproximar dele, intercalou o piloto no flanco esquerdo.
15:14 h — Mantell: mais 900 metros — estou dobrando a minha velocidade — devo alcançar o objeto a todo custo. Tem aparência metálica, brilha — está mergulhado numa luz amarela, clara — muda de cor, torna-se vermelho, laranja...
15:15 h — Cheguei a uma distância de somente 350 metros — o objeto acelera — procura escapar — sobe a um ângulo de quase 45 graus.
15:16 h — Comunicado do piloto à direita: Mantell quase conseguiu pegá-lo — pode ser questão de uns poucos metros — o disco está acelerando — não posso mais acompanhá-lo — Mantell desapareceu na camada de nuvens.

Depois de perderem Mantell de vista, Hammond e Clements desistiram da caça e pediram autorização para aterrizar; a essa hora, Hendricks já havia voltado à base.
15:18 h — Mantell: o objeto é enorme — sua velocidade é incrível — agora —

Aproximadamente às 16 horas o grupo de buscas e salvamento, imediatamente mobilizado, localizou os destroços do avião sinistrado dentro de um perímetro de 1,5 quilômetro. O relógio de Mantell havia parado às 15:18 h.


Naturalmente, a imprensa noticiou esses acontecimentos com manchetes sensacionalistas, explorando-os ao máximo. Sem dúvida, uma coisa é o comportamento estranho de uma luz surgida no céu noturno, e outra é a morte de um piloto experimentado, em condições dramáticas, provocadas por um "disco voador", em plena luz do dia!
A opinião pública ficou alvoroçada e algumas pessoas, até então incrédulas, começaram a mostrar-se preocupadas. Afinal de contas, não se tratava apenas de um misterioso fato desconhecido, mas de algo potencialmente perigoso. Será que Mantell teria perseguido uma nave extraterrestre, com tripulação inimiga? Ou seria uma nova arma secreta dos russos? No ar não pairavam senão perguntas e dúvidas.
Por sua vez, a Força Aérea e a equipe de pesquisadores do Projeto Sinal também ficaram desorientadas. Pelo menos, essa seria a única desculpa para a explicação simplória apresentada à imprensa e ao público em geral, no intuito de acalmar os ânimos. O respectivo comunicado oficial, patético em sua singeleza, dizia apenas: "Mantell teria perseguido o planeta Vênus e pereceu quando dele se aproximou em demasia". Essa teoria foi simplesmente arrasada pelos astrônomos e cientistas, contra-argumentando que, naquele dia (mormente à luz do dia), o céu estava encoberto de nuvens, a ponto de tornar invisível o planeta Vênus. Então, era necessário encontrar outra desculpa menos esfarrapada; explicaram que Mantell havia perseguido um sky hook, um balão de reconhecimento. Pesquisas posteriores, realizadas pela ATIC (Air Technical Intelligence Center — Central de Inteligência Técnica Aérea), revelaram a impossibilidade da presença de um balão de reconhecimento na região, à hora do acidente, já que essa central possui a relação completa de todos os balões de reconhecimento soltos no espaço. Da mesma forma, naquele dia memorável, um engenheiro chamado Scott esteve no aeroporto de Godman Field; segundo seu depoimento, a última frase pronunciada por Mantell teria sido a seguinte:
"Meu Deus, como é enorme! Tem janelas".
Scott afirma ter ouvido novamente a fita magnética, com esse derradeiro pronunciamento de Mantell. No entanto, o relatório oficial suprimiu esse detalhe.


Não é de estranhar que o Prof. Jessup tenha se interessado de modo especial pelo caso Mantell. Todavia, a priori, ele excluiu a possibilidade de esse fenômeno se tratar de um novo tipo secreto de avião. Pois ele sabia muito bem que no mundo não havia potência capaz de produzir um objeto voador com as características observadas nos OVNIS. Para tanto, simplesmente inexistiam as condições técnicas que permitissem alcançar a facilidade nas manobras, a incrível aceleração, as guinadas de 90 graus, qualidades essas reveladas pelos OVNIS ... Não, aquilo era totalmente impossível, fora de toda e qualquer cogitação! As provas coletadas permitiam uma única conclusão: os OVNIS são de procedência extraterrestre e operam segundo uma tecnologia superior à nossa, em alguns anos-luz. Decerto, Mantell perseguiu uma dessas naves espaciais extraterrestres. Será que se teria aproximado demais dela? Teria invadido o campo magnético do sistema de propulsão daquela nave e, por conseguinte, teve seu avião destroçado?
Como revelaram posteriores relatórios confidenciais, é fato interessante que também os peritos do Projeto Sinal cogitaram de tais eventualidades, que investigaram, em sigilo.
Em sua qualidade de astrônomo, Jessup sabia do elevadíssimo grau de probabilidades da existência de vida extraterrestre, já que, na atual fase do progresso científico, equivaleria a praticamente uma loucura considerar a humanidade como sendo a única forma de vida inteligente no universo. Afinal de contas, o nosso sistema solar não é o único no seu gênero, mas, sim, apenas um entre uma infinidade de sistemas planetários espalhados nas imensidões do cosmo.


A vida — pouco importa sua forma — depende de combinações químicas complicadas e sujeitas a rápidas mudanças. Porém, isso não é tudo ainda; também as condições de temperatura constituem requisitos prévios essenciais. Isso porque, se, de um lado, o calor excessivo influi nas complexas combinações químicas, de outro, o frio extremo pode chegar a enrijecê-las. Assim, em ambos os casos, fica excluída a hipótese de transformações químicas. A criação de formas superiores de vida depende de três fatores, que constituem as condições prévias para sua origem e evolução:
1) Uma estrela que, por um espaço de tempo suficientemente prolongado, forneça a temperatura certa, ou seja, a esfera ecológica;
2) um planeta que, no mínimo, tenha a idade de nossa Terra, isto é, cerca de 5 bilhões de anos, a fim de permitir a origem e a evolução da vida;
3) um meio ambiente apropriado, a biosfera, para que a vida seja mantida.
Segundo as estimativas atuais, somente no âmbito do nosso sistema planetário, a Via-Láctea, já existem bilhões de estrelas, com planetas, nos quais deve haver vida. Em todo caso, é lícito supor, com segurança, a possível existência de vida e inteligência, pouco importa seu tipo, em toda parte do universo onde houver ambiente apropriado e espaço de tempo suficientemente longo para tal evolução. Aliás, dentro da Via-Láctea deveria existir vida em todas as fases de desenvolvimento; uma vida que, em comparação com a nossa, se acharia ainda "nos pródromos da criação", bem como outra, adiantada em milhões de anos e proporcionalmente superior àquela do planeta Terra. Em escala cósmica, a diferença entre 5 000 e 50 000 anos de evolução é bem pouco expressiva.
Mas, além de visar o seu próprio mundo imediato, a meta final de inteligências altamente evoluídas não seria porventura a de aceitar o desafio oferecido por mundos desconhecidos e explorar o cosmo, para estabelecer contato com inteligências alienígenas?
Para Jessup, tais especulações foram confirmadas pelos aparecimentos dos OVNIS.


Em 6 de abril de 1948, cientistas observaram um objeto voador desconhecido, de forma oval, sobre o campo de provas para armas teleguiadas de White Sands. Com base em medições feitas com teodolito, sua velocidade foi calculada em 27 000 quilômetros por hora. Quando, de repente, o OVNI subiu verticalmente, o teodolito acusou sua velocidade de subida na ordem de 40 quilômetros por 10 segundos.
Em 2 de julho de 1948, oito entre dez pessoas avistaram um OVNI que sobrevoava a localidade de Disma e aterrizou numa colina nas proximidades de St. Maries, Idaho.
Na noite daquele mesmo dia, Dannie Kelley, comentarista de rádio, avistou uma formação semelhante de OVNIS que sobrevoavam em alta velocidade sua cidade natal, Augusta». Os objetos pareciam cinzentos e voavam a uma velocidade jamais observada por Kelley em qualquer avião convencional.
Mais tarde, soube-se que OVNIS foram avistados simultaneamente em mais outros 33 Estados dos Estados Unidos, inclusive em Knoxville, onde o Prof. C. E. Grehm, da Universidade de Knoxville, observou um cilindro comprido, de aparência metálica, que voava em alta velocidade.
Em 24 de julho de 1948, às 2:45 horas da madrugada, um DC-3 da Eastern Air Lines se encontrava entre Mobile e Montgomery, Alabama, quando o Comandante Ch. Chiles e seu co-piloto J. Whitted perceberam ao mesmo tempo uma luz opaca, vermelha, cerca de 250 metros à sua frente.
"Veja lá, aí vem um novo tipo de avião a jato projetado pela Força Aérea", comentou Chiles, despreocupadamente.
O objeto voador parecia aproximar-se do DC-3 em leve vôo rasante; no último instante, desviou com uma repentina guinada para a esquerda, passou à direita do DC-3, no mesmo nível e sentido paralelo à direção de vôo do aparelho comercial.
Naquele instante, os pilotos do DC-3 calcularam a distância do objeto em cerca de 800 metros. Depois de ultrapassar o avião de carreira, o OVNI subiu em ângulo reto e desapareceu nas nuvens. As enormes ondas de pressão geradas por esse contato casual desequilibraram o pacato DC-3, fazendo-o balançar de um lado para outro. Posteriormente, Chiles e Whitted descreveram o objeto como desprovido de asas, com cerca de 35 metros de comprimento, forma semelhante a um charuto e com o dobro do diâmetro de um B-29. Os pilotos não conseguiram distinguir qualquer tipo de sistema de propulsão ou asas, mas notaram que na parte dianteira havia um objeto sobressalente, semelhante a antenas de radar. Além disso, Chiles teve a impressão de ter visto uma cabine com janelas. O objeto voador parecia possuir possante iluminação interna e, ao passar pelo DC-3, ambos os pilotos perceberam uma luminosidade azul-escura, concentrada no seu "casco" e que se espalhou ao longo de todo o comprimento; na sua esteira deixou um raio laranja.
Como se soube mais tarde, outro piloto também se encontrava com seu avião naquela mesma hora, no mesmo local; ele relatou ter observado um objeto brilhante no céu. As pessoas que se encontravam em terra também afirmaram ter avistado um objeto no céu, na mesma hora em que o DC-3 havia entrado em contato com o OVNI.
Outro incidente ocorrido dois anos antes, em 1.° de agosto de 1946, era estranhamente semelhante. O Capitão-Aviador Jack E. Puckett, ex-piloto de combate na Segunda Guerra Mundial e, desde então, assistente-chefe da Segurança Aérea do Comando Aéreo Tático, voou precisamente naquele dia, com o co-piloto e um engenheiro de vôo, a bordo de um avião de carga C-47, da sua base de Langley para McDill. A 50 quilômetros de Tampa, avistaram um grande OVNI, que a eles se dirigiu em curso de colisão.
"Cerca de 900 metros à nossa frente, desviou bruscamente e cruzou a nossa rota de vôo", relatou Puckett. "Observamos sua forma alongada, cilíndrica, e seu tamanho, que era aproximadamente o dobro de um bombardeiro B-29. Em sua esteira deixou um 'rastro' laranja e desapareceu a uma velocidade estimada em 2 500 a 3 200 quilômetros por hora."
Contudo, para os peritos da Força Aérea, o detalhe mais interessante desse contato foi a descrição do objeto feita pela tripulação do C-47, que informou ter observado "vigias" no OVNI. Seriam janelas? Isso implicaria a conclusão eventual de o estranho objeto ser tripulado por seres dotados de visão!
Três anos mais tarde, em 1.° de novembro de 1948, peritos de radar da base aérea de Goose Bay, no Labrador, captaram um esquisito objeto voador que cortava os ares a cerca de 1 000 quilômetros por hora.
Dois dias após, operadores de radar da Força Aérea japonesa acompanharam durante mais de uma hora as evoluções altamente estranhas de dois objetos voadores que pareciam estar travando um combate aéreo. Nas telas do radar, indicavam ser aviões; porém, naquela hora, não havia nenhum aparelho convencional voando na região.
Três semanas depois desses acontecimentos, peritos da vigilância aérea alemã enfrentaram um problema. Com efeito, na noite de 22 para 23 de novembro, um caça F-80, que sobrevoava Fuerstenfeldbruck, na Baviera, a 9 000 metros de altitude, teve contato com um objeto de luzes vermelho-claras, que evoluía em círculos. Ao mesmo tempo, em terra, o pessoal de radar deparou com aquele estranho objeto voador. Quando o caça dele se aproximou, o objeto vermelho-brilhante perdeu-se no espaço, subindo repentinamente; porém, antes de desaparecer da tela do radar, sua altitude de vôo pôde ser calculada em 13 000 metros.


"Todos esses acontecimentos geraram confusão", comentou mais tarde o Prof. Allen J. Hynek, do Departamento de Astronomia da Universidade Northwestern, astrofísico e conselheiro para assuntos de OVNIS, da Força Aérea dos EUA.
Os relatórios sobre OVNIS, oriundos de todas as partes do mundo, eram assinados, em sua grande maioria, por pessoas responsáveis, dignas de toda a confiança, como pilotos encarregados da segurança nas montanhas, policiais, capitães de vôo e centrais de segurança aérea militar. Tudo isso dizia respeito imediato à Força Aérea americana, responsável pela defesa aérea nacional.
Obviamente, a conclusão a que chegaram era de que a segurança nacional estava ameaçada, com a invenção sinistra de uma potência alienígena. O raciocínio militar logo aceitou e assimilou tal explanação, pois, embora tais perspectivas fossem das mais temerárias possíveis, ainda eram suscetíveis de controle.
Por outro lado, as características observadas nos OVNIS não se enquadravam na conceituação do progresso militar — e apenas uma pequena percentagem dos aparecimentos podia ser atribuída seguramente a objetos ou ocorrências de ordem astronômica.
Por esse motivo, surgiram posteriormente opiniões divergentes no âmbito do Projeto Sinal. Os debates giraram em torno dos seguintes pontos: tratar-se-ia de uma tecnologia extraterrestre, ou terrestre, mesmo desconhecida? Tratar-se-ia de naves espaciais extraterrestres ou apenas de uma psicose coletiva, uma neurose de pós-guerra?
Dentro em breve, as explicações convencionais escassearam. Restaram apenas duas possibilidades: o problema deveria ser apresentado como sendo de fundo psicológico, um subterfúgio freqüentemente empregado na ausência de explicações convincentes, ou, de fato, o fenômeno implicaria algo que ninguém estava disposto a admitir.
Sempre que a mente humana depara com fatos destoantes da sua tradicional visão do mundo, não poupa esforços para vencer tal dilema e, para tanto, prefere recorrer às suas emoções, deixando de lado seu raciocínio, que acusaria uma lacuna no seu saber.


Em 1948, o Projeto Sinal chegou a um beco sem saída; impossibilitado de oferecer qualquer explicação plausível, recorreu a seus assessores científicos, no âmbito da Força Aérea e do establishment científico dos EUA. Àquela altura, tomou-se a decisão expressa de que "não pode ser, o que não deve ser"!
Nessa fase, a Força Aérea desempenhou um papel chave, pois o mundo, ou seja, as autoridades governamentais de outras nações orientaram-se segundo as diretrizes por elas promulgadas. Hynek comentou a esse respeito: "Quando indaguei o que aqueles países estavam fazendo em relação ao fenômeno dos OVNIS, freqüentemente recebi a seguinte resposta: 'Como os EUA estão tratando do problema com toda a sua potencialidade e por todos os meios a seu dispor, os outros países, menos privilegiados, poderiam promover o assunto de uma maneira bem menos intensa. Assim, eles aguardam os resultados das pesquisas americanas' ".
Meses a fio, colaboradores do Projeto Sinal analisaram os dados coletados, como pesquisas de opinião realizadas com pilotos de aviões, rastros em telas de radar, observações feitas por cientistas e testemunhas, especificamente treinadas para esse fim.
De acordo com os resultados da pesquisa, a maioria dos OVNIS apresenta a forma de um disco, possui uma cúpula e diâmetro dez vezes maior que sua espessura, no centro. Freqüentemente, os objetos voam em formação regular e são avistados por testemunhas oculares, bem como na tela do radar. Ademais, há objetos elípticos, em forma de charutos, alguns dos quais são "biplanos", com duas carreiras de janelas, uma acima da outra. Ambos os tipos permitem extrema aceleração, voam a uma velocidade literalmente fantástica e durante o vôo evoluem em guinadas de 180 graus.
Por certo, possuem sistemas de propulsão verdadeiramente revolucionários e sem comparação superiores a todos os tipos de propulsão hoje conhecidos na Terra.
Por fim, os cientistas e oficiais encarregados da defesa que colaboravam no Projeto Sinal chegaram unanimemente à seguinte conclusão ultra-secreta: os OVNIS são naves espaciais extraterrestres, que observam a Terra, de cujos motivos não temos sequer a menor idéia. Por conseguinte, foi elaborado um relatório pormenorizado, que será submetido ao chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Hoyt S. Vandenberg. No seu trecho final, esse documento ultra-secreto, registrado sob número F-TR-2274-IA, diz o seguinte:

3) Naves espaciais extraterrestres: as especulações se referem aos pontos abaixo citados:
a) Caso exista uma civilização extraterrena, capaz de produzir objetos como os mencionados neste relatório, seria altamente provável que a sua evolução supere e em muito a nossa, no seu atual estágio. Esse argumento já foi consubstanciado por cálculos de probabilidade, dispensando hipóteses astronômicas.
b) Tal civilização poderia observar a existência de bombas atômicas na Terra, bem como a nossa atual fase de progresso acelerado, quanto à técnica dos foguetes. Em vista do passado histórico do planeta Terra, tais observações deveriam ser alarmantes para a civilização extraterrena em apreço. Por isso, cumpre-nos aguardar — mormente agora — visitas extraterrestres.
Pelo fato de as bombas atômicas representarem as ações dos humanos, que podem ser observadas com maior facilidade a grandes distâncias, seria o caso de contarmos com um nexo direto entre: a época da explosão de bombas atômicas, a época do aparecimento dos OVNIS e o tempo necessário para tais naves espaciais viajarem de seus planetas ao nosso e retornarem à sua terra natal.
Esse relatório, dirigido ao General Vandenberg, fez até a recomendação segundo a qual a Força Aérea deveria treinar pessoal especializado e competente para equacionar o fenômeno dos OVNIS. Ao mesmo tempo, recomendou-se a adoção de novas técnicas de processamento, nos campos da fotografia e do radar, a fim de se obterem exatas medições dos objetos avistados.
Dessa forma, o "gato saiu do saco", considerando-se o caráter ultra-secreto, em grau 1-A, do assunto. No âmbito do Projeto Sinal não havia mais sequer a menor dúvida de que, com muita probabilidade, os OVNIS eram naves espaciais extraterrestres, em missão de reconhecimento do planeta Terra, o qual observaram e estudaram profundamente.
Será que a opinião pública deveria ser informada dessa conclusão ultra-secreta? Os colaboradores do Projeto Sinal eram de opinião que tal informação deveria ser divulgada e tentaram convencer o General Vandenberg das vantagens de uma tal divulgação imediata, ao invés de esperar até acontecer algo de irreparável. No entanto, o general, chefe do estado-maior da Força Aérea americana, após a leitura do relatório, emitiu uma ordem contundente de "queimá-lo".
Assim, evitou-se que a verdade chegasse à luz do dia. Todavia, para essa sua decisão, o general foi motivado pelas seguintes reflexões: não se poderia cogitar de inquietar o público em geral com urna conclusão de tamanha gravidade, pois isso seria totalmente inaceitável. Além do mais, a afirmação em foco carece de toda e qualquer prova física. Afora isso, de que maneira a opinião pública deveria ser levada a compreender que nada teria a recear dos OVNIS, OS quais seriam inofensivos e deixariam de empreender ações inamistosas, quando nem os próprios peritos tinham certeza disso? A divulgação de tal matéria 'provocaria pânico. Portanto, o relatório foi consumido pelas chamas — com exceção de uma cópia "esquecida" por alguém.



Manobra de despistamento


Logo após a entrega e destruição do relatório do Projeto Sinal, o Dr. James E. Lipp, do Departamento de Armas Teleguiadas da Rand Corporation, em Santa Monica, Califórnia, submeteu seu parecer ao General-Brigadeiro Putt, na época diretor do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Força Aérea. Esse parecer tratou dos OVNIS — naves espaciais extraterrestres.
Nesse relatório, datado de 13 de dezembro de 1948, Lipp afirmou que tais objetos voadores não poderiam proceder de um planeta do nosso sistema solar, visto que somente a Terra é portadora de vida inteligente. Se, efetivamente, fossem algo real, deveriam proceder de um outro sistema planetário. No entanto, mesmo supondo que a civilização de um outro sistema planetário reunisse condições para praticar o vôo espacial, as distâncias seriam demasiadamente grandes, para permitir a concretização de tal viagem. Não obstante, Lipp não excluiu a possibilidade de visitas extraterrenas, embora as reputasse muito pouco prováveis.
E Lipp continuou argumentando:
"Se eles viessem para cá, então deveriam procurar estabelecer contato conosco".
Aliás, seu pronunciamento é realmente incompreensível no trecho em que afirma que os objetos voadores avistados não correspondem a naves espaciais, pois, justamente no seu parecer, faz ele a seguinte afirmação, que corresponde paradoxalmente às características observadas nos OVNIS:
"Por conseguinte, há duas possibilidades: 1) Poderia ter surgido um número de naves espaciais, formando um grupo. Isso aconteceria tão-somente no caso de se procurar estabelecer contato formal. 2) Inúmeros objetos voadores poderiam ter descido de uma nave mãe, girando em torno da Terra (a exemplo de um satélite), em órbita próxima da terrestre. Para tanto, pressupõe-se a existência de pequenos aparelhos voadores, semelhantes a foguetes, que operassem como satélites. Além disso, a nave mãe deveria ser verdadeiramente enorme, para carregar todos aqueles objetos".
O relatório do Projeto Sinal provocou uma mudança radical na atitude da Força Aérea com respeito aos OVNIS. E, de uma maneira bastante significativa, com essa nova orientação surgiu também um novo código, "Grudge" ("Rancor"), para o projeto sigiloso, visando aos OVNIS.
De um dia para outro, os OVNIS passaram a ser declarados como "pura bobagem". Os analistas do Projeto Rancor receberam ordens expressas de, a priori, considerar todos os aparecimentos de OVNIS como embuste, alucinação, equívoco. Algum tempo depois, o Capitão Edward Ruppelt, oficial do serviço secreto encarregado do Projeto Rancor, comentou a respeito:
"... Para toda e qualquer pesquisa séria dos discos voadores, o clima tornou-se progressivamente mais adverso. Essa mudança drástica na atitude oficial foi inexplicável e incompreensível para muita gente familiarizada com os procedimentos, no âmbito do Projeto Sinal... De uma hora para outra, tudo ficou subordinado à tese segundo a qual os OVNIS não podem... existir, Apesar disso, continuamos a receber relatos de aparecimentos de OVNIS — cerca de dez por mês —, os quais não foram confirmados nem pesquisados, mas, sim, em sua maioria, simplesmente arquivados".
A esse respeito, o Prof. A. Hynek escreveu no seu livro The UFO experience ("A experiência com os OVNIS"): "A mudança de orientação, que deu origem ao Projeto Rancor, era nada mais nada menos do que o sinal para o encerramento definitivo do problema dos OVNIS. Em certos casos, as tomadas de posição oficiais eram apenas vagamente relacionadas com os fatos reais".
Embora essa nova política em relação aos OVNIS fosse incompreensível para muita gente que lidava com o assunto, ela não deixou de ter as suas razões, e muito boas, que no entanto eram conhecidas tão-somente de um pequeno grupo, dos mais altos escalões do governo e do serviço secreto. Nos escalões inferiores reinaram a incerteza e a confusão, o que, por sua vez, explica os pronunciamentos contraditórios dos rancorosos colaboradores do Projeto Rancor. Apesar do fato de a equipe do Projeto Rancor praticamente não ter percebido como estava sendo manobrada de cima, o Capitão Ruppelt sentiu que algo estava errado.
Neste caso, "de cima" queria dizer a CIA. No entanto, embora isso possa sugerir manobras escusas, a CIA teve alguns motivos bastante válidos para demonstrar interesse no fenômeno dos OVNIS e tratar deles. A fim de elucidar essa trama, urdida pelo próprio destino, é preciso conhecer inclusive seu pano de fundo.
Como se já não bastasse o problema dos OVNIS ilustrado pela revelação de Arnold, para colocar em evidência o ano de 1947, ele adquiriu notoriedade ainda bem mais expressiva por outros motivos e bem menos ostensivos.
Naquele ano de 1947 foi organizada a CIA.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, o Presidente Harry Truman dissolveu o Escritório de Serviços Estratégicos (Office of Strategic Services — OSS), alegando que, em tempos de paz, dispensam-se manipulações políticas, bem como táticas bélicas, com relação a operações paramilitares ou psicológicas. Mas, apesar disso, Truman sentiu a necessidade de criar uma instituição cujas tarefas consistissem em coletar, analisar e coordenar informações, mormente de caráter sigiloso. Assim, em 1947 o presidente americano submeteu ao Congresso o Ato de Segurança Nacional, cuja aceitação implicou a organização da Agência Central de Inteligência — CIA. Naquele ambiente de guerra fria, carregado de tensões, os peritos em serviço secreto lograram convencer o Congresso da necessidade de se organizar uma tal agência especializada e, com a aceitação do Ato de Segurança Nacional pelo Congresso, a CIA recebeu privilégios especiais. Ela ficou isenta das medidas de controle, normalmente exercidas pelo Congresso, e, em 1949, o Ato da Inteligência Central acabou ampliando ainda mais esses privilégios. Todavia, as conseqüências mais graves resultaram de um artigo da lei de 1947 que conferia à CIA "plenos poderes para o exercício de outras funções e tarefas não imediatamente relacionadas com as de caráter informativo".
Essa formulação sucinta e inofensiva do Congresso permitiu à CIA constituir, no decorrer dos anos, a sua própria carta constitucional secreta, que, de um lado, estava em pleno acordo com as disposições do Ato de Segurança Nacional, regulamentado pelo presidente americano, ao passo que, de outro, contrariava quase literalmente o sentido inequívoco da lei que criara a CIA. Respaldando-se em algumas palavras "insignificantes" do Congresso, a CIA achou-se no direito de imiscuir-se em assuntos sigilosos, que nada tinham a ver com suas tarefas fundamentais. E assim a CIA se transformou na organização que tinha o maior poder no mundo ocidental.
Em meio à atmosfera densa da guerra fria, multiplicaram-se os aparecimentos dos OVNIS. Será que o Ocidente estava sendo ameaçado por uma nova arma secreta russa? Não seria, talvez, uma arma desenvolvida por cientistas alemães, capturados no fim da Segunda Guerra Mundial pelos soviéticos? Durante algum tempo, essas especulações estiveram bastante em voga e foram até aceitas pela CIA. Naquela época, a CIA baixou uma ordem, de caráter sigiloso, a qual ultrapassou o grau de ultra-secreto, no sentido de se pesquisar a procedência dos OVNIS. Como, nos Estados Unidos, os serviços secretos militares estão subordinados à CIA, foi ela quem recebeu automaticamente todos os dados, análises de projetos e relatórios pertinentes. Quando chegou à conclusão de que os OVNIS não eram uma invenção russa, nem de qualquer outra nação, a confusão criada por aqueles inexplicáveis objetos voadores foi tão grande, tanto na URSS como no mundo ocidental, que a CIA resolveu reestudar a situação.
O relatório final do Projeto Sinal que definiu os OVNIS como naves espaciais extraterrestres colocou a CIA diante de um fato novo, inédito. Quantas possibilidades inesperadas poderiam surgir dali!
Conquanto se tratasse sobretudo dos interesses da CIA, era lícito supor que, com um pouco de sorte, fosse bastante possível apoderar-se, de um só golpe, de uma tecnologia absolutamente nova, de noções científicas revolucionárias. Para os EUA tal aquisição teria sido de valor incalculável.
Por outro lado, não podia ser excluída a probabilidade de os soviéticos já terem capturado uma daquelas naves espaciais extraterrestres, o que representaria um golpe duro para os americanos. Logo, para a CIA constituía uma necessidade premente e indiscutível ela chegar primeiro, adiantando-se aos seus concorrentes. Naturalmente, essa mesma necessidade prevaleceu também na URSS, e, assim, iniciou-se a batalha para capturar um OVNI e trazê-lo para o solo terrestre.
Naturalmente, o grande público devia ignorar esse fato, pois, afinal de contas, não se tratava apenas de "capturar" um OVNI; além disso, era preciso despistar a URSS. Para isso, a CIA elaborou um método de usar o serviço secreto russo para semear confusão na URSS, e, simultaneamente, por todos os meios, procurar inteirar-se da tecnologia e dos sistemas daqueles OVNIS, visando a ganhar a corrida no espaço. Como os meios de comunicação de massa e a opinião pública constituíam fatores contrários aos empenhos da CIA (bem como da KGB soviética, como se soube mais tarde) em manter o assunto em estrito sigilo, ela resolveu ridicularizar ou ironizar o fenômeno dos OVNIS.
Anos mais tarde, o Almirante R. H. Hillenkoetter, na época diretor da CIA, confirmou que o grande público sempre foi desinformado a respeito dos objetos voadores desconhecidos.
Assim explica-se também a "técnica de despistar" adotada pelo Projeto Rancor. Contudo, isso era apenas o começo.
No início dos anos 50, soviéticos, americanos, canadenses e outros povos desistiram da perseguição inútil aos OVNIS e, em 1955, peritos e dirigentes dos serviços secretos dos EUA, da URSS, França e Inglaterra reuniram-se em Genebra, resolveram unanimemente adotar uma política de estrito sigilo diante da opinião pública mundial com relação ao problema dos OVNIS .
Já nos tempos do Projeto Rancor, quando começaram a circular as primeiras histórias fantásticas a respeito de contatos com tripulantes de objetos voadores desconhecidos, tanto a CIA como a Força Aérea dos EUA se mostravam altamente favoráveis à divulgação desses "fatos", pois dificilmente haveria uma maneira mais apropriada de desacreditar o fenômeno dos OVNIS perante a opinião pública.


Em 1950, a Aerojet General Corporation incumbiu o engenheiro Daniel W. Fry da instalação de instrumentos nos sistemas de comando de armas teleguiadas, no campo de provas para foguetes de White Sands, perto de Las Cruces, Novo México. Posteriormente, Fry colaborou destacadamente no desenvolvimento do sistema de comando do foguete portador Atlas e assessorou temporariamente o Instituto de Tecnologia da Califórnia. Em vista dessas suas atividades, seria o caso de supor que Fry era um realista e não um sonhador. Mas teria ele sido mesmo um realista?
Segundo o depoimento prestado por Fry, deu-se o seguinte contato sinistro:
A 4 de julho de 1950, Fry fez o seu costumeiro passeio vespertino e dirigiu-se para o antigo campo de provas estáticas da V-2. O trajeto até o centro do campo de provas era de aproximadamente 2,5 quilômetros, e, ao percorrê-lo, Fry olhou distraidamente para o céu, quando reparou que algumas estrelas estavam encobertas por um objeto. Observando aquele objeto mais detidamente, Fry percebeu que era de forma oval e que descia lentamente para o solo, onde chegou a pousar, cerca de 20 metros à sua frente. Não se ouviu nenhum barulho, além do ruído de galhos quebrando.
Fry correu em volta do objeto, cuja altura calculou em cerca de 8 metros, com um diâmetro de aproximadamente 9 metros. Nele não notou nenhuma fenda ou abertura; se fosse tripulado, os tripulantes só poderiam sair pela face superior ou inferior do estranho objeto. Fry aproximou-se e tocou na superfície metálica, aparentemente polida e de um fraco brilho violeta, quase imperceptível. A superfície era incrivelmente lisa e um pouco mais quente do que o ar. Em seguida, Fry bateu nela e sentiu um formigamento na mão e nos dedos. No mesmo instante, ouviu-se uma voz que parecia vir do infinito:
"Meu caro, acho melhor você não tocar na capa externa, pois ela ainda está quente".
Fry levou tamanho susto que recuou e acabou tropeçando, caindo no chão. Posteriormente, ele disse que ficou tão surpreso com o inglês corretíssimo falado pela estranha voz, pensou tratar-se de um cidadão americano. Porém, mal chegou a terminar este pensamento e a voz tornou a falar:
"Não, não sou americano, como você. Mas a minha presente missão exige a adoção do comportamento dos americanos. E o fato de você me ter tomado por um conterrâneo seu confirma o bom êxito dos meus esforços nestes últimos dois anos, para aprender o emprego correto de sua língua e do seu linguajar. Jamais pisei no seu planeta, pessoalmente. Antes de acostumar-me à atmosfera e à gravitação terrestres e ficar imune às bactérias das doenças do planeta Terra, deverão passar-se mais outros quatro anos. Esta nossa expedição visa, principalmente, à pesquisa da adaptabilidade do homem da Terra. Antes de mais nada, queremos verificar se o homem será capaz de assimilar, em suas idéias, concepções totalmente estranhas à sua mentalidade convencional, oriundas de mundos longínquos, perdidos no universo. Os nossos antepassados já realizaram tais expedições, séculos a fio, mas, lamentavelmente, não foram bem sucedidos. Desta vez, esperamos encontrar terreno mais positivo e pessoas mais inteligentes, pois é nossa meta ajudar os terrestres a promover seu progresso".
Fry estava ali, perplexo, plantado na areia, enquanto a voz estranha continuou falando:
"Posso imaginar como deve ser cansativo para você ouvir as minhas exposições, de pé, aí na areia. Talvez aceite passear comigo, fazendo um breve vôo. Esta cápsula espacial, teleguiada, foi construída apenas para o transporte de carga, mas, mesmo assim, há uma pequena cabine para passageiros, com algumas poltronas, Eu mesmo me encontro na central de comando, na nave mãe (como é chamada na Terra), 1 450 quilômetros acima do globo terrestre".
Quando essas palavras foram pronunciadas, uma parte da capa externa deslizou para o interior do objeto e Fry entrou por essa abertura, numa cabine de 2,70 metros de comprimento e 2,10 metros de largura; lá havia quatro poltronas enormes, anatômicas.
A voz tornou a falar, sugerindo a Fry um vôo de trinta minutos, de ida e volta para Nova York. Fry concordou, admirado; instintivamente, agarrou-se na poltrona e firmou os pés no piso. Segundos mais tarde, "a terra sumiu debaixo de nós, com incrível velocidade", conforme Fry se expressou, posteriormente. Ele não sentiu sequer a menor aceleração e, para ele, o objeto voador nem saiu do lugar; daí a expressão: "a terra sumiu debaixo de nós". Logo após a decolagem, apareceram as luzes da cidade de Las Cruces, que podiam ser vistas pelo canto esquerdo da abertura da porta, que se tornou transparente. Fry concluiu que, em dois ou três segundos, subiu cerca de 3 300 metros, mas não compreendeu por que durante a subida não sentiu a aceleração.
Ao formular sua pergunta recebeu as seguintes explicações: a força propulsora acelerando o objeto voador equivale, aproximadamente, a um campo de gravitação e age não somente sobre cada átomo da própria nave espacial, mas, ainda, sobre cada átomo-massa que se encontrar no seu interior, ou seja, o piloto e/ou o passageiro. O limite da aceleração é condicionado somente à força máxima da propulsão. Como, no entanto, essa energia é proporcional à massa e à gravitação terrestres, ela influi irrestritamente em ambos esses fatores, sendo que a energia originária entre a poltrona e o corpo permanece constante. Existe apenas uma restrição: essa energia diminui proporcionalmente à redução do campo de gravitação da Terra, com o progressivo afastamento do globo terrestre. Em vôos interestelares, com enormes distâncias a serem vencidas entre um planeta e outro e suas respectivas fontes de gravitação, torna-se necessária a geração artificial de campos de gravitação.
"Estamos acostumados com uma gravitação que não chega nem à metade daquela da Terra", concluiu a voz do espaço.
Ao sobrevoar Nova York, o objeto desceu para 32 000 metros de altitude.
"Do mar de luzes, até então um tanto embaçadas, cristalizaram-se milhões de pontos luminosos, esparsos, semelhantes a diamantes branco-azuis, sobre um fundo escuro", foi como Fry descreveu a sua "vivência no espaço".
No entanto, a parada sobre Nova York foi muito breve e a volta para White Sands deu-se com rapidez maior do que a ida.
Depois da aterrizagem, Fry saiu da nave espacial, com a cabeça um tanto zonza, tropeçou e deu alguns passos na areia, antes de olhar para trás. A porta desapareceu, mas, bem no meio do objeto voador, flamejou um brilho cor de laranja, avermelhado, até que o OVNI subiu verticalmente para o céu. A fortíssima corrente de ar gerada naquele momento empurrou Fry alguns metros para a frente e quase o fez perder o equilíbrio.
Mas, mesmo assim, ele não queria perder o objeto de vista, que desapareceu somente depois de o brilho cor de laranja ter mudado para uma tonalidade violeta-escura.
Dizem que Fry teria descrito imediatamente aquela sua vivência num relatório pormenorizado, fornecendo todos os dados técnicos. Porém, devido ao rigoroso regulamento que exigia manter em sigilo absoluto tudo quanto acontecesse em White Sands, zona militar, esse relatório só chegou a ser publicado doze anos mais tarde.
Essas histórias de contato, esses chamados encontros imediatos representam a maior barreira para a compreensão dos OVNIS, porque constituem o lado negativo de um fenômeno que se reveste de uma seriedade excepcional. Tais histórias eram responsáveis por uma espécie de religião sucedânea, que ia se formando, por um sectarismo ovniano, que acabaram desacreditando totalmente o fenômeno dos OVNIS.
Por causa disso, porém, seria lícito afirmar que todos esses relatos de contatos (dos quais existe, aliás, uma infinidade) são mentiras descaradas, que procuram tão-somente o sensacionalismo? E todos eles, sem exceção? Essa seria a explicação mais cômoda e simplificaria muita coisa. Pois, ainda.que aceitássemos um só desses "contatos imediatos" ou, pelo menos, o considerássemos como provável, as conclusões a serem tiradas tornar-se-iam de alcance imprevisível. O problema está no fato de alguns desses relatos serem bastante convincentes. Eles convencem, sim; mas, afinal de contas, não passam de relatos de "segunda mão", e o ponto principal continua sendo o de não haver nada de concreto, nada de substancial, nada de definitivo, a ser devidamente comprovado.


A 7 de julho de 1952, a Aliança da Imprensa Norte-Americana noticiou a aterrizagem de um OVNI na República Democrática Alemã. O respectivo relato era de autoria de Oskar Linke, ex-prefeito de Gleimershausen, cidade próxima a Meiningen. Sob juramento, Linke prestou o seguinte depoimento, perante autoridades britânicas e americanas:
"Como eu pretendia evadir-me para o Ocidente, diversas vezes fui para a linha de demarcação, com a minha motocicleta, em companhia de minha filha de doze anos. Assim, os guardas soviéticos, encarregados do controle da fronteira, vieram a conhecer-nos e foram enganados quanto às nossas verdadeiras pretensões. Uma semana antes da nossa fuga, retornamos para casa de tarde, de volta de um daqueles passeios até a linha de demarcação, passando por um pequeno bosque, a uns 5 quilômetros da fronteira com a Alemanha Ocidental. De repente, minha filha apontou para uma claridade entre as árvores. Paramos, escondemos a motocicleta entre uns arbustos e aproximamo-nos lentamente daquela claridade. A uns 25 ou 30 metros à nossa frente, avistamos, numa clareira, um objeto em forma de disco, com um diâmetro de uns 8 metros. Parecia iluminado e bem no meio da sua parte superior distinguimos uma estrutura quadrada que sobressaía debaixo de outra, cupuliforme. Essa sobreestrutura era mais escura do que o próprio objeto e lembrava alumínio polido.
"Escondemo-nos atrás de uma pequena colina e observamos dois seres parecidos com homens, com cerca de 1,20 metro de altura, os quais vieram do outro lado da clareira. Vestiam roupa de uma só peça, de brilho prateado. Um deles levava no peito um objeto em forma de caixa, do tamanho de três maços de cigarros. Na frente, levava uma luz azulada, que piscava. Esses seres andavam em fila indiana, com o homem de trás tocando no capacete,-aparentemente de vidro, do homem da frente. Depois, ambos pararam. Quando um deles se virou em nossa direção, a minha filha deu um suspiro mal dissimulado; eles correram para uma abertura existente na estrutura quadrada e desapareceram no interior do objeto. Somente então reparamos nas duas fileiras de aberturas redondas, dispostas em toda a circunferência do objeto voador, que lembravam vigias. Aos poucos, a estrutura quadrada penetrou na estrutura cupuliforme e o objeto decolou. Na sua parte inferior, apareceu então mais outra estrutura quadrada, talvez fosse o sistema de propulsão. O objeto voador subiu uns 30 metros, ficou parado e, depois, continuou subindo a uma velocidade incrível."
Ao depor, sob juramento, perante autoridades britânicas e americanas, Linke manifestou sua convicção de ter avistado um novo tipo de avião russo; até aquele instante, ele jamais ouvira falar em OVNIS.


Carece de todo e qualquer fundamento a teoria segundo a qual os aparecimentos de OVNIS, em geral, e os relatos de contato, em especial, representam um derivado do nosso mundo progressivamente desumanizado e tecnológico, pois, no decorrer dos séculos, sempre houve relatos de aparecimentos de OVNIS, bem como de contatos imediatos.
Por exemplo, em 1790, Liabeuf, um policial francês, foi mandado de Paris para Alençon, a fim de esclarecer um acontecimento estranho. Vejamos o que ele relatou aos seus superiores:
"Às 5 horas da manhã do dia 12 de junho, alguns camponeses observaram um enorme globo, envolto em chamas. Inicialmente, pensaram tratar-se de um balão Montgolfier, que estava ardendo no ar; no entanto, eles ficaram admirados com a sua enorme velocidade e com os estranhos ruídos de assobio que ele emitia. O globo reduziu a velocidade, evoluiu num movimento basculante e caiu sobre o topo de uma colina, arrancando, em sua queda, toda a vegetação da área. Aliás, o calor emitido pelo objeto era intenso, a ponto de queimar arbustos e capim.
"Os camponeses conseguiram dominar o incêndio que ameaçava espalhar-se por toda a região. À noite, o globo continuava quente. Depois aconteceu algo extraordinário, poder-se-ia dizer até incrível, que foi presenciado por dois prefeitos, um físico e mais três outras autoridades locais, que confirmaram o meu relato, além de uma dúzia de camponeses, também presentes no local.
"O globo, em cujo interior caberia uma carroça, continuou perfeitamente intato após a queda. A notícia se espalhou imediatamente e de toda parte o povo acorreu ao local para ver a novidade.
"De repente, uma porta, ou algo parecido, abriu-se e dela saiu uma pessoa, com aspecto de homem, mas com trajes esquisitos, de roupa colante, apertada. Quando aquele homem viu o povo ali reunido, murmurou alguma coisa e correu para o bosque.
"Os camponeses, amedrontados, retiraram-se, salvando assim a sua vida, pois, logo em seguida, o globo explodiu, sem provocar qualquer ruído, e seus pedaços voaram em todas as direções, desintegrando-se numa espécie de pó.
"As buscas do homem misterioso foram inúteis. Ao que parece, ele dissolveu-se no ar, pois, até agora, dele não foi encontrado o menor vestígio, como se ele tivesse desaparecido deste nosso mundo.
"Será que ele não era da Terra, por ter surgido de uma maneira tão esquisita? Não entendo desse assunto, mas esse pensamento me passou de repente pela cabeça."
Esse relato foi encaminhado à Academia de Ciências, em Paris, onde cientistas de renome o receberam com o devido sarcasmo. Eles declararam, com certeza absoluta, a virtual inviabilidade de um ser vivo chegar à Terra da maneira descrita. Também se recusaram a vistoriar o local para verificar, in loco, o buraco aberto com o impacto do globo e que continuou perfeitamente visível, anos a fio.
Um ser vivo, caído do céu, e, ainda mais, nas circunstâncias descritas — não, aquilo era o cúmulo! Já não bastavam os aborrecimentos com o físico Ernst Friedrich Chladni, aliás, de capacidade comprovada? Qual teria sido o motivo que levou aquele cientista a revolucionar todas as leis da física e a afirmar que "do céu caem pedras — meteoritos"? Pois bem, ele recebeu o merecido castigo e foi alvo de ataques mordazes e zombeteiros. Aliás, o químico Antoine Laurent Lavoisier, membro da Academia Francesa, foi quem mais se desgostou com a tese lançada por Chladni, pois, dizia ele, "não é possível pedras caírem do céu, porque lá em cima não há pedras".
Mas Chladni não se deu por satisfeito e, em 1794, provou que há pedras caindo do céu, não obstante o parecer dos acadêmicos. Na realidade, por muitos anos a Academia ignorou esse fato, na vã esperança de poder negar a existência das pedras cósmicas.
Chladni — não teria sido a sorte dele igual à de Morris K. Jessup? Para Jessup, os OVNIS eram naves espaciais extraterrestres — mesmo quando os colegas o ridicularizavam e começavam a evitá-lo. O estudo de casos históricos, que mereceram seu interesse especial, reforçou ainda mais a convicção de Jessup, de que inteligências extraterrenas continuavam visitando a Terra. Para ele tornou-se progressivamente mais plausível e patente o fato de o homem sempre ter usado as idéias e expressões lingüísticas da sua época para descrever os enigmáticos aparecimentos dos OVNIS. Isto se tornou mais evidente para Jessup com os aparecimentos em massa, que foram registrados nos anos de 1896 e 1897.


As audacíssimas máquinas de voar


Na passagem do século, ou, mais precisamente, nos anos de 1896 e 1897, milhões de cidadãos americanos, no Texas e na Califórnia, ficaram admirados e perplexos com o repentino aparecimento de objetos voadores, de estranho brilho, semelhantes a enormes charutos. Isso aconteceu sete anos antes do primeiro vôo dos irmãos Wright, realizado em 1903, em Kitty Hawk, com seu avião a motor; e quatro anos e meio antes de o Conde Zeppelin maravilhar o mundo, a 2 de julho de 1900, com o seu primeiro balão dirigível, sobrevoando o lago de Constança.
Nessa época, no céu de Sacramento subiram e desceram luzes multicores em profusão, ao passo que, em Oklahoma o povo pôde admirar um veículo de cerca de 50 metros de comprimento, com asas semelhantes a rotores e um gigantesco holofote na sua parte inferior, perscrutando o solo.
No entanto, tais objetos voadores não foram observados apenas em terra firme, mas igualmente em alto-mar, onde as tripulações de navios avistaram bolas luminosas ou objetos em forma de disco que surgiam das águas e subiam aos ares. Nas costas do Japão e da China, freqüentemente foram vistos "discos" ou "rodas" estranhos, observados na Europa apenas uma vez ou outra.
Nos meses de março e abril, os relatos de tais aparecimentos aumentaram desproporcionadamente, continuando a concentrar-se nas regiões entre os Estados do Texas e Michigan. Por exemplo, o Daily Texarkanian, um jornal de Texarkana, Arkansas, noticiou, em 25 de abril de 1897, uma aventura fantástica vivida pelo Juiz Lawrence A. Byrne; era a história contada por um cidadão merecedor de toda a confiança dos seus conterrâneos: "Na sexta-feira passada, o juiz conferiu, no local, dados geodésicos levantados em um braço lateral cheio de lama do rio McKinney. Ao proceder àquele levantamento, ele chegou a uma clareira, onde, para sua grande surpresa, deparou com um objeto estranho. Ao se aproximar, percebeu que se tratava de um daqueles objetos voadores dos quais ultimamente os jornais haviam falado com tanta freqüência. Byrne avistou três homens barbudos, de estatura excepcionalmente baixa, traços fisionômicos mongóis, conversando numa língua alienígena. Os três homenzinhos olharam para Byrne e, quando notaram sua perplexidade, fizeram-lhe sinais com as mãos, convidando-o a segui-los para o interior do objeto voador, que, segundo Byrne, era de alumínio".
Será que era um sinal daqueles tempos o fato de as então chamadas "testemunhas de contato" terem sempre descrito a tripulação de tais objetos voadores como homens barbudos? Aliás, foi o Courier Herald, de Saginar, que publicou a história mais divertida de todos os "contatos" registrados naquele ano de 1897:

"Os moradores de Linn Grove declararam categoricamente que, a partir de agora, não duvidavam mais da existência de uma máquina voadora, pois, na véspera, foi observado no céu um grande objeto que se movimentava lentamente, em direção norte, e que, aparentemente, queria aterrizar. De imediato, James Evan, comerciante, F. G. Ellis, vendedor de arreios, Ben Buland, corretor, e mais outros dois homens subiram numa carroça e se dirigiram ao local em que aquele estranho objeto havia aterrizado, cerca de 6 quilômetros ao norte da cidade.
"Ao chegarem a aproximadamente 250 metros do objeto, este decolou e retomou o vôo, para o norte. Antes disso, porém, alguns dos seus passageiros ainda jogaram duas pedras grandes na direção dos seus perseguidores; as pedras foram levadas para a localidade, a título de troféus, e lá exibidas ao público. Linn Grove estava em grande alvoroço, pois quase todos os habitantes observaram o objeto, quando este sobrevoou o local."
Em 15 de abril, o Argus Leader, de Sioux Falls, Dakota do Sul, bem como vários outros jornais, noticiaram o seguinte fato, na coluna Springfield, Illinois:
"Os trabalhadores rurais Adolph Winkle e John Hulle declararam, sob juramento, que a cerca de 3 quilômetros de Springfield teria aterrizado um objeto voador, para consertos de algo parecido com aparelhos elétricos. Esses trabalhadores afirmaram ainda que teriam conversado com ocupantes daquele objeto, dois homens e uma mulher, quando souberam que, no espaço de meia hora, o objeto teria voado os 160 quilômetros, aproximadamente, que separam Quincy de Springfield".

Em 8 de maio de 1897, o Xerife J. Sumpter Jr. e seu assistente John McKenire, do condado de Garland, Arkansas, assinaram, sob juramento, um protocolo, relatando aquilo que haviam presenciado dois dias antes.
À noite, quando patrulhavam a cavalo a região na direção norte, repararam numa luz brilhante no céu, que, de repente, desapareceu. Como os dois policiais estavam à procura de marginais, evitaram levantar a voz, para não chamar a atenção. Quando cavalgaram em silêncio por algum tempo entre as colinas, a luz reapareceu repentinamente — desta vez, porém, já se encontrava bem mais próxima ao solo.
Os policiais pararam e observaram como a luz desceu progressivamente para, afinal, sumir atrás de uma colina. Então, tornaram a cavalgar e seguiram, um quilômetro mais ou menos, na direção da luz desaparecida, quando, de repente, os cavalos se espantaram e recusaram-se a prosseguir. Foi quando os dois policiais avistaram, a cerca de 35 metros, duas pessoas carregando luzes; eles apontaram suas Winchesters e gritaram:
"Quem está aí? O que está fazendo aí?"
Com uma lanterna na mão, apareceu um homem baixo, barbudo, respondendo que estava fazendo uma viagem de avião, em companhia de um casal de jovens. Os policiais distinguiram nitidamente os contornos de um objeto em forma de charuto, de uns 180 metros de comprimento, parecidíssimo com um objeto voador cuja foto havia saído outro dia nos jornais. Eles perguntaram ao estranho indivíduo por que a luz brilhante do avião estava sendo intermitentemente ligada e apagada; este informou que, desta maneira, estavam economizando energia de propulsão. Como os policiais estivessem em serviço, continuaram sua patrulha e quando, quarenta minutos depois, voltaram para o local do contato com o estranho objeto voador, não havia mais ninguém. Tampouco eles viram ou ouviram quando e como se deu a decolagem ao deixar a região.


Cabe aqui uma reflexão: será que em tudo aquilo não houve o dedo misterioso de um inventor sinistro? No entanto, em caso afirmativo, caberia perguntar onde teriam ficado o inventor e a invenção. Se tal idéia procedesse, poderia ter-se tratado tão-somente de um precursor do Conde Zeppelin, pois o primeiro dirigível rígido, o LZ 1, levantou vôo somente alguns anos após esses acontecimentos; seu comprimento era de 128 metros, possuía dois motores Daimler de 15 HP cada e atingiu a velocidade máxima de 32,4 quilômetros por hora. É provável que alguns anos antes os jornais já tivessem publicado esboços ou esquemas de aeróstatos; contudo, convém lembrar que o primeiro Zeppelin era de construção bastante rudimentar, em comparação com os objetos voadores descritos.
Há muitos elementos que apóiam a tese segundo a qual, em 1897, houve autênticos aparecimentos. Mesmo dando o devido desconto à fantasia dos observadores, sem dúvida incentivada pelas diversas notícias publicadas na imprensa contemporânea, os depoimentos prestados em diversas regiões dos EUA, a respeito de um objeto voador, revelam uma estranha coincidência. Todos eles mencionam objetos em forma de charuto, de alumínio ou metal semelhante, com agregados de propulsão; e, segundo as descrições, esses objetos pairam no ar, decolam verticalmente, voam a altíssimas velocidades e emitem uma luz brilhante, ofuscante.
Da mesma forma, ao acompanhar no mapa o noticiário de tais aparecimentos, surge um fato concreto: os locais de aparecimento e a seqüência cronológica dos respectivos relatos constituem roteiros de vôo em linha retíssima, cobrindo distâncias extensas.
Mas, se pelos relatos citados o leitor for levado a considerar esses aparecimentos em massa de objetos voadores desconhecidos um problema exclusivamente americano, estará cometendo um erro, pois não foi isso o que aconteceu.
No início da década de 30, surgiram grandes máquinas voadoras, de cor cinzenta, sem qualquer identificação, nos céus da Europa, no espaço aéreo escandinavo. Com freqüência, apareceram durante violentas tempestades sobrevoando cidades, ferrovias, praças, fortes e navios, em alto-mar, cujos motores chegaram a parar. Muitos relatos daqueles aparecimentos mencionaram máquinas enormes, dotadas de uma série de motores; e um grupo de cinco testemunhas afirmou ter avistado um avião gigantesco, de oito hélices. Naquela época, quase não havia aviões particulares na Escandinávia, e os grandes aviões comerciais estavam ainda em fase de projeto. Em 1926, o Almirante Byrd e Floyd Bennet viajaram a bordo de um Fokker trimotor, de Spitzbergen, Noruega, para o pólo norte. Esse vôo causou grande sensação na Escandinávia e a imprensa publicava constantemente as fotos desse avião. Quando, seis anos depois, as misteriosas máquinas voadoras surgiram nos céus dos países escandinavos, muitas pessoas que depuseram a esse respeito compararam-nas com o Fokker trimotor de Byrd.
Aliás, aqueles relatos mereceram toda a consideração da Força Aérea sueca, que, em 1934, despachou 24 biplanos para regiões ermas, pouco povoadas, a fim de detectar os "aviões fantasma" lá avistados. Foi organizada uma extensa ação de buscas, em terra, mar e ar, para verificar o fenômeno; contudo, essas missões eram arriscadas e árduas, a ponto de dois pilotos suecos terem sofrido acidentes com seus aviões.


Piteå, 22 de janeiro de 1934.
O pároco auxiliar, efetivo de Långtrask, relatou que nos últimos dois anos tornou a avistar misteriosas máquinas voadoras nos céus da região. Seriam os já conhecidos "aviões fantasma", dos quais, no último verão, um deles teria sobrevoado o local nada menos de doze vezes, seguindo sempre na mesma direção sudoeste-nordeste. Embora em quatro ocasiões o aparelho voasse a baixa altitude, não foi possível distinguir nele qualquer identificação, sigla ou emblema. Contudo, quando sobrevoou a casa da paróquia, a uma baixa altura, durante alguns minutos, puderam ser observadas três pessoas no interior da cabine do avião. O pároco auxiliar informou ainda que o aparelho era de cor cinzenta, com apenas duas asas, uma à direita e outra à esquerda.
Até dezembro de 1933, a imprensa praticamente não havia noticiado aquele fenômeno. Uma das primeiras notícias a respeito data de 24 de dezembro de 1933 e procede de Kalix. Dizia que, na véspera do Natal, aproximadamente às 18 horas, apareceu um objeto voador misterioso proveniente de Bottensea; sobrevoou Kalix e desapareceu na direção oeste. Os jatos de luz emitidos pelo objeto perscrutaram a região.
A 27 de dezembro de 1933, o New York Times publicou uma reportagem bem detalhada e explícita de um misterioso objeto voador que, com um ruído ensurdecedor, imitando o ribombar do trovão, deu voltas nos céus de Nova York durante uma fortíssima tempestade de neve.
Segundo essa reportagem, às 9:30 horas do dia 26 de dezembro, em toda a Manhattan ressoou o ruído dos motores de um avião que atravessava uma violenta tempestade de neve. Depois de a notícia ter sido divulgada pela NBC, foram recebidos telefonemas de todos os lados e o New York Times escreveu:

"Após a análise dos diversos telefonemas, é válido supor que o avião penetrou até a 72nd Avenue, circulou sobre o Central Park e, em seguida, continuou voando em direção à 23rd Avenue, até o Bronx".

Com isso voltou a calma, mas, somente até as 2:25 horas, quando se ouviu novamente o ronco de motores sobre o Riverside Drive e a 155th Avenue.
Os aeroportos do distrito metropolitano anunciaram o cancelamento de todos os vôos programados para aquele dia, devido ao mau tempo; tampouco houve a queda de um avião perdido na tempestade de neve.
Em 1933, os aviões ainda não eram capazes de levantar vôo sob condições atmosféricas adversas. Nenhum tipo de avião conhecido na época conseguiria se manter no ar durante uma tempestade de neve de cinco a seis horas de duração. Contudo, o avião sobre Nova York logrou tal feito; em todo caso, jamais chegou a ser identificado.
Em 4 de fevereiro de 1934, o correspondente londrino do New York Times relatou uma ocorrência semelhante, registrada nos céus de Londres.
Logo após o Natal, um "avião fantasma" tornou a surgir sobre a Escandinávia e foi avistado simultaneamente sobre a Noruega e a Suécia, ao sobrevoar, ida e volta, a fronteira entre esses dois países. De Tärnaby, na Suécia, e Langmo Vefsn, na Noruega, informações idênticas foram recebidas, motivando o envio para Tärnaby da 4.a Companhia Aérea sueca, em missão de reconhecimento.
No dia 10 de janeiro, o povo nas ruas de Tärna observou uma luz brilhante, a cerca de 350 metros de altura, que mudou de rumo e se afastou, em direção a Archeplog. Quinze minutos mais tarde, os habitantes daquela cidade ouviram ruídos no ar; saíram para a rua, a fim de verificar o que se estava passando. Em seguida, a mesma luz surgiu sobre Rortrask, a nordeste de Norsjö. Testemunhas afirmaram que, bem acima desse local, os motores pararam três vezes seguidas e o aparelho voou a uma altura tão baixa que a luz por ele irradiada inundou toda a região.
Naquele mesmo dia, em Trondheim, na Noruega, foram registradas duas "aterrizagens de aviões fantasma".
Na extremidade norte da Noruega, na noite de quarta-feira, pousou uma máquina, nos arredores da ilha de Gjeslingen, próximo a Rorvik; outra aterrizagem ocorreu perto de Kvalöy, na região de Naniudal. O comunicado procedente de Gjeslingen informava que teria surgido um jato de luz brilhante, acompanhado de forte roncar de motores. Em seguida, a máquina teria pousado sobre as águas e lá permanecido por uma hora e meia. Depois do pouso, a luz ter-se-ia apagado.
De imediato, o cruzador norueguês Adler deslocou-se para a região, mas, ao chegar lá, o objeto voador já havia partido. Muitos dos relatos de aparecimento mencionam apenas uma luz clara, brilhante, que, quase sempre, foi comparada a um holofote perscrutando o terreno.
Os ministérios da Defesa da Suécia, Noruega e Finlândia preocuparam-se com os constantes relatos de aviões fantasmas, a ponto de, em fevereiro de 1934, terem ordenado minuciosas pesquisas nas áreas atingidas. Os relatos de aparecimentos revelaram o fato indiscutível de os espaços aéreos desses três países terem sido violados, não apenas por um ou dois, mas sim por uma série de aviões. Em sua maioria, esses aparelhos eram maiores do que os aviões militares e capazes de voar sob condições atmosféricas das mais adversas, bem como sobre terreno montanhoso, por mais acidentado e perigoso que fosse. Segundo o parecer dos círculos militares, para tanto seriam necessárias bases aéreas em pleno funcionamento operacional, equipadas com pessoal técnico, peças e combustível; no entanto, apesar das buscas em conjunto realizadas pelos três países nórdicos, em parte alguma tais bases foram localizadas.
Por conseguinte, a 30 de abril de 1934, o major-general sueco Reautersward fez a seguinte declaração à imprensa:
"O estudo comparativo desses relatos indica, inequivocamente, a existência de um tráfego aéreo ilegal, no âmbito das nossas áreas de segurança militar.
"Dispomos de numerosos relatos, assinados por pessoas responsáveis, que observaram detidamente os pilotos misteriosos e sempre fizeram a seguinte constatação: os aparelhos não apresentam identificação alguma.
"Não é possível explicar este problema por alucinação.
Outrossim, resta a pergunta: quem são eles e por que motivo invadiram nosso espaço aéreo?"
Durante os dois anos seguintes, nada aconteceu; a situação era de completa calma.
Mas em 1936 os objetos voadores desconhecidos voltaram à Escandinávia, nas rotas por eles percorridas em 1934; vindos do extremo norte, dirigiram-se rumo sul, à Noruega setentrional, atravessaram a Suécia e voltaram pela mesma rota.
Após a Segunda Guerra Mundial, em 10 de junho de 1946, foram avistados objetos voadores nos céus da Finlândia que aparentavam semelhança com os foguetes V alemães. No decorrer de algumas semanas, milhares de pessoas observaram luzes, objetos em forma de charutos e máquinas voadoras com asas, não identificadas, sobre toda a Noruega e Suécia. A imprensa européia noticiou e explorou esses aparecimentos até nos seus mínimos detalhes, metamorfoseando os "aviões fantasma" dos anos 30 em "foguetes fantasma". Enfim, tais objetos voadores foram observados em toda a Europa, do extremo norte até a Grécia, ao sul, surgindo em telas dfc 4.ar, sendo fotografados e tendo sua velocidade calculada como variando entre 700 e 1 600 quilômetros por hora.
Jornais britânicos e escandinavos falaram em vôos de teste, em novos foguetes soviéticos sobre a Europa setentrional, fato prontamente desmentido por Moscou.
Em setembro daquele ano, "bolas de fogo verde" foram observadas nos céus de Portugal e um foguete com um jato de luz sobrevoou Casablanca, na África do Norte. A cidade de Oslo foi visitada por "coisas grandes, incandescentes", que caíram do céu e explodiram com ruído ensurdecedor.
O governo sueco ficou preocupado com os "foguetes fantasma" e, por fim, resolveu pedir o auxílio do governo dos EUA para o esclarecimento dos fatos; para tanto, o General James A. Doolittle, do serviço secreto, foi para lá e pesquisou o fenômeno no local. Embora Doolittle conseguisse explicar ou, pelo menos, desconversar muitos dos aparecimentos, uma percentagem elevada (mais de 20 por cento) ficou sem explicação.


Tudo isso era do conhecimento de Jessup, até nos menores detalhes, e dali ele tirou a seguinte conclusão: descontados todos os enganos, falhas de interpretação e pontos duvidosos, ainda persiste um núcleo sólido, comprovado por aparecimentos que representam o cerne do verdadeiro problema dos OVNIS. Aliás, nesse contexto, destaca-se o fato de, na época do balão, em fins do século XVIII, terem sido observadas "bolas". Em fins do século XIX, ou seja, poucos anos antes do aparecimento do primeiro Zeppelin e avião a motor, foram avistados misteriosos aviões a motor, com ou sem asas. Nos anos 30 do nosso século, eram "aviões fantasma, com vários motores" e, após o término da Segunda Guerra Mundial, os relatos de aparecimentos falaram em "foguetes" misteriosos. Com o primeiro avanço do homem no espaço cósmico, retornaram os discos clássicos, pois sempre se falou em objetos em forma de disco e charuto.
Foi nessas observações, de natureza variável, que Jessup fundamentou sua teoria, segundo a qual, sob certas circunstâncias, os visitantes extraterrestres teriam capacidade de adaptar suas naves às condições e conceituações vigentes nas diversas épocas vividas pela Terra.
O escritor e pesquisador de OVNIS americano John A. Keel avançou mais um passo ao defender a tese situando a procedência dos OVNIS e sua tripulação numa dimensão desconhecida, eventualmente psíquica. E, por não serem de um mundo material, no entender de Keel, aqueles objetos voadores podem ser manobrados sem qualquer interferência, segundo a vontade de seus pilotos. Ele diz, textualmente:
"Aparentemente, os OVNIS não existem como objetos palpáveis, fabricados; não se enquadram nas leis da natureza que nós aceitamos. Parecem ser apenas metamorfoses capazes de se adaptar à nossa inteligência. Milhares de contatos com aqueles seres levam à conclusão de que, propositadamente, nos fazem de bobos...
"Suponhamos que um mundo alienígena — seja ele de um outro planeta ou uma região em que prevaleçam outras freqüências moduladas e matéria física de outra espécie — pretenda algo aqui, na nossa Terra. Suponhamos ainda que sua noção de tempo seja totalmente diversa da nossa e que os seus habitantes tenham meios para elaborar um programa para tomar posse do nosso planeta, em uma operação que se prolongaria por milhares de anos. Enquanto estivessem fazendo os preparativos para tal invasão, eles deveriam estar empregando uma tática de guerra psicológica, de modo a nos iludir a respeito dos seus verdadeiros planos, de suas metas finais, semeando a confusão e convencendo-nos de que, na realidade, os discos voadores nem existem."
Além de provocar um certo mal-estar, essa teoria de Keel dificilmente poderia ser aceita por situar o fenômeno na esfera do sobrenatural, no mundo dos demônios, das maquinações escusas, inconfessáveis, até no âmbito da superstição, ou seja, no obscurantismo medieval. Por outro lado, é igualmente inaceitável a tese favorita dos sectários dos OVNIS: eles advogam a existência de uma "fraternidade cósmica", instituída para salvar a humanidade miserável, a qual, no desempenho dessa missão, sempre volta para a Terra. Em todo caso, tal retorno parece acontecer com admirável constância e persistência.

Por ocasião de uma entrevista à imprensa, realizada em 4 de abril, em Key West, o Presidente Harry Truman declarou que os OVNis não procedem dos EUA, tampouco de outro país qualquer do mundo. A convocação para essa entrevista deu-se quase em função de uma invasão de discos voadores registrada em 17 de março de 1950, em proporções até então jamais vistas nos EUA. Desenvolvendo altíssima velocidade:, mais de quinhentos objetos voadores em forma de disco e com brilho metálico sobrevoaram a área de segurança nacional, no Estado do Novo México. Foram vistos por três dias consecutivos, entre as 11 e as 13 horas, ao norte do Novo México, sobre a cidade de Farmington. A imprensa local noticiou o assunto com fartos detalhes e, em 18 de março, o Farmington Times estampou a seguinte manchete: "Frota de OVNIS sobre Farmington — na véspera 5 000 habitantes da cidade avistaram centenas de estranhos objetos voadores no céu", e finalizava: "Seja o que forem, para a nossa cidade, decerto, foi uma sensação enorme!"
Por sua vez, a Força Aérea deu a seguinte versão oficial do aparecimento de Farmington:
"Flocos de algodão, voando no ar".
No entanto, cumpre salientar que essa região não era propícia à cultura do algodão.
Se este já era um caso bastante problemático para o Projeto Rancor resolver, coisas muito piores ainda estavam a caminho.


Brincando de esconde-esconde



Na noite de 19 para 20 de julho de 1952, o comando do controle aéreo da capital dos EUA se alvoroçou com o aparecimento de objetos voadores desconhecidos. Às 23:40 horas um grupo de OVNIS surgiu nas telas de radar do centro de controle aéreo civil do Aeroporto Nacional de Washington; inicialmente, voaram a baixa velocidade, cerca de 160 a 200 quilômetros por hora, para, em seguida, passarem a desenvolver altíssima velocidade e sumirem, a todo o vapor.
Simultaneamente, tripulações de alguns aviões comerciais comunicaram o aparecimento de luzes misteriosas que atravessavam o espaço aéreo a velocidades variáveis. Os depoimentos prestados por testemunhas em terra confirmaram tais aparecimentos.
Os pilotos Harry Barnes, Ed Nugent, Jim Ritchey e James Copeland não acreditavam naquilo que viam. Entraram em contato com a torre de controle e souberam pelo operador de radar, Howard Cockelin, que aqueles objetos podiam ser vistos também na tela do radar.
"Posso até ver a olho nu um deles; não faço a menor idéia do que seja", disse Howard.
Tensos, os quatro pilotos acompanharam as evoluções dos OVNIS durante algum tempo em suas telas a bordo, até que Ritchey observou como um deles se acoplou a um avião comercial, que acabara de decolar. De imediato, ele se comunicou com o comandante daquele avião, um piloto experimentado, chamado Pireman, ao qual indicou a posição do OVNI, quando, de um instante para outro, os OVNIS desapareceram, sem deixar o menor rastro. Os pilotos ficaram estupefatos.
Naquele momento, Pireman comunicou-se com os colegas e informou ter visto o OVNI. Mas, antes que pudesse se aproximar do objeto, este subiu vertiginosamente e desapareceu. Quando, posteriormente, a formação dos OVNIS tornou a surgir, Harry Barnes, chefe do controle por radar, preocupado com aqueles aparecimentos, entrou em contato com o Alto Comando da Força Aérea solicitando providências: aproximadamente às 3 horas da madrugada dois caças F-94 subiram em missão de reconhecimento.
Normalmente, uma esquadrilha de caças encarregada da segurança da Casa Branca e do Capitólio se encontra estacionada na base aérea de Bolling, a cerca de 3 quilômetros de distância. No entanto, algumas horas antes do incidente, a esquadrilha foi transferida sigilosamente para o aeroporto do condado de New Castle, em Wilmington, Delaware, a 160 quilômetros de distância, em virtude de obras a serem executadas na base aérea de Bolling. Assim, jatos levaram trinta minutos para percorrer esse trajeto. Ao entrar no espaço aéreo de Washington, foram dirigidos pela torre em direção aos OVNIS; porém, tão logo deles se aproximaram, os objetos voadores sumiram com a rapidez de um raio, evitando assim toda possibilidade de contato visual, como se tivessem acompanhando as comunicações de rádio entre a torre de controle e os caças. Naquela mesma hora, testemunhas em terra falaram em "luzes" estranhas, que manobravam nos céus. Entrementes, dois OVNIS se separaram do grupo e entraram na zona aérea proibida, sobre a Casa Branca, enquanto o outro evoluiu em círculos sobre o Capitólio.
Durante a noite, os OVNIS tornaram a surgir nas telas de radar; um deles foi até observado em três estações de radar do Aeroporto Nacional e da base aérea de Maryland, 5 quilômetros ao norte de Washington. Todavia, sempre que os jatos apareciam nos céus, os OVNIS sumiam, inclusive das telas de radar.
Em compensação, chegaram os primeiros comunicados de Newport News, na Virgínia, avisando sobre o aparecimento de objetos voadores desconhecidos, descritos como luzes claras, em rotação, de tonalidades variáveis. Quando, poucos minutos depois, a base aérea de Langley, na Virgínia, comunicou o aparecimento de uma estranha luz no céu, outro caça subiu em missão de reconhecimento. A torre de controle conduziu esse jato em direção aos OVNIS, até o comandante ficar bem à frente de um deles; no entanto, o objeto sumiu quando o caça se aproximou, como "se alguém tivesse apagado a luz". Dirigido pelo radar, o comandante conseguiu permanecer acoplado durante alguns minutos ao objeto voador, então invisível para ele. Depois de o caça de reconhecimento ter pousado na base de Langley, os OVNIS tornaram a surgir sobre Washington. Houve mais outra missão de reconhecimento. No entanto, dessa vez, os OVNIS nem procuraram evitar seus perseguidores, mas, sim, com eles brincaram de esconde-esconde. No instante em que o caça chegou perto de um OVNI, para observá-lo mais detidamente, este fugiu a altíssima velocidade, mas, apenas a uma distância suficiente para não poder ser observado de perto. Nesse jogo de esconde-esconde, um dos comandantes percebeu de repente que estava cercado de OVNIS por todos os lados. Nervoso, pediu instruções à torre. Antes de recebê-las, porém, os objetos estranhos haviam levantado o cerco e se afastado do caça. Após uns trinta minutos de perseguição inútil, os caças tiveram de voltar à sua base por falta de combustível.


O acontecimento ocupou as manchetes na imprensa internacional, criou tremenda confusão e provocou desmentidos oficiais, tentando restabelecer a calma e serenar os ânimos. No entanto, com isso o fenômeno não chegou a ser explicado, pois deixaram de ser divulgadas informações convincentes a seu respeito. O Pentágono recebeu consultas de toda parte, inclusive do ex-Presidente Harry Truman.
O incidente revestiu-se de importância especial, pelo fato de testemunhas oculares no solo, no ar e diante das telas de radar terem prestado depoimentos coincidentes; até a cor dos estranhos objetos voadores foi unanimemente descrita como variando de laranja para verde e vermelho.
Por fim, pressionada pela opinião pública, a Força Aérea resolveu tomar uma atitude. O chefe do estado-maior, Tenente-General Nathan Twining, convocou uma entrevista coletiva com a imprensa. Era necessário desfazer apreensões e desmentir rumores. Foi a mais longa entrevista coletiva concedida pela Força Aérea depois do fim da Segunda Guerra Mundial; realizou-se em 29 de julho de 1952 e nela falaram, entre outros, o Major-General John A. Samford, diretor do Serviço de Inteligência da Força Aérea, o Major-General Roger A. Ramey, chefe do Comando da Defesa Aérea, e o Capitão Ed Ruppelt, do Projeto Livro Azul.
Samford iniciou a entrevista de maneira bastante habilidosa, anunciando que, segundo a Força Aérea, esses fenômenos seriam simples. As instalações de radar teriam captado luzes no solo, refletidas por uma camada de ar frio entre duas camadas de ar quente, resultando dali as chamadas inversões térmicas.
As perguntas precisas dos repórteres receberam respostas evasivas, pouco explícitas. Dessa forma, Samford anunciou a intenção da Força Aérea de encarregar um cientista autônomo das investigações dos aparecimentos registrados em Washington (e ficou nisso mesmo).
Quando os jornalistas argumentaram que alguns comandantes dos aviões comerciais tinham, de fato, visto os objetos com seus próprios olhos, Samford não soube responder e acabou admitindo que nem a Força Aérea sabe explicar tal fenômeno. Por fim, procurando uma saída honrosa, declarou que jamais astrônomo algum observou um OVNI — o que, em absoluto, não condiz com os fatos.
Em todo caso, Samford deveria ter procurado informar-se melhor sobre o assunto, antes de convocar aquela entrevista coletiva. Por exemplo, ele nada sabia dos aparecimentos de OVNIS, observados pelo seu célebre conterrâneo, o astrônomo Prof. Clyde Tombaugh, que, em 1930, descobriu o planeta Plutão e, temporariamente, assessorou o governo dos EUA em assuntos cósmicos! Certa noite, em 10 de agosto de 1949, Tombaugh avistou um OVNI do terraço de sua casa, em Las Cruces, Novo México. Aproximadamente às 22:45 horas, observou no céu um objeto escuro semelhante a um charuto e nele distinguiu pelo menos uma fileira de aberturas redondas, brilhantes, dispostas do centro para a frente. Em depoimento posterior, Tombaugh falou que também poderiam ter sido janelas quadradas.
Aliás, esse breve comentário vale tão-somente por uma nota de rodapé.
Voltemos para Samford e sua entrevista à imprensa. Ele anunciou então que a Força Aérea recebeu numerosos relatos de OVNIS, redigidos por "observadores fidedignos, expondo fatos relativamente inacreditáveis". Com isso, ele se referiu a cerca de 20 por cento de todos os relatos recebidos. Contudo, Samford frisou e repisou o ponto de os OVNIS não representarem, de maneira alguma, qualquer ameaça à segurança nacional.
Essa declaração era um tanto paradoxal, pois, na véspera daquela entrevista coletiva, começou a circular um rumor segundo o qual, em função de novas instruções baixadas pela Força Aérea, os comandantes dos aviões em missão de reconhecimento teriam de abrir fogo contra OVNIS que se recusassem a aterrizar. Assim, a "explicação de emergência" dada por Samford, quando falou em "inversões térmicas", ficou completamente desmentida; a não ser que Samford estivesse de posse das "mais recentes noções científicas", prevendo a eventualidade de "inversões térmicas" aparecerem em formação militar e poderem ser derrubadas ou obrigadas a aterrizar. Nesse caso, Samford ainda ficaria devendo a explicação do motivo por que os caças foram mobilizados para perseguir um tal "fenômeno meteorológico".
Tampouco se falou na razão pela qual, justamente naqueles aparecimentos sobre Washington, operadores de radar e técnicos experimentados teriam confundido inversões térmicas com naves espaciais extraterrestres. Nem antes, nem depois do incidente registrado sobre Washington, os peritos e pilotos fizeram tal confusão e, evidentemente, eles protestaram energicamente contra tal imputação, como, aliás, não poderiam deixar de fazê-lo. Afinal de contas, as velocidades dos objetos voadores desconhecidos computadas pelo radar passaram de 150 para 11 000 quilômetros por hora em poucos segundos, quando, simultaneamente, a velocidade do vento alcançou apenas 35 quilômetros por hora. Da mesma forma, a opinião pública também ignorou o fato de o aparecimento nos céus de Washington não ter sido o único registrado naqueles dias. A esse respeito, Samford não fez comentário algum por ocasião da entrevista coletiva, assistida por uns cinqüenta jornalistas.
Por exemplo, um relato oficial sigiloso menciona que, em 23 de julho, objetos de brilho azul-esverdeado foram avistados sobre Boston e detectados pelo radar. Um comandante de F-94 em missão de reconhecimento comunicou logo após a sua decolagem a tomada de contato visual com os OVNIS; porém, eles se evadiram manobrando a uma incrível velocidade.
Em 28 de julho, George Stock, cidadão pacato de Passaic, Nova Jersey, conseguiu bater uma foto de um objeto em forma de disco que pairava sobre sua casa, enquanto ele trabalhava no jardim. Também seu pai, acorrendo ao local, avistou o estranho objeto voador. Simultaneamente, funcionários da CIA confirmaram toda uma série de aparecimentos sobre indústrias de construção aérea, na costa oeste dos EUA. Engenheiros de uma daquelas indústrias que observaram as manobras executadas pelos objetos em forma de disco afirmaram que os discos voadores são aparelhos dirigidos por seres inteligentes.
Novamente o medo ressurgiu em toda parte. O que seria? De onde viriam aqueles objetos voadores desconhecidos? Será que os russos desenvolveram uma nova arma secreta?



"Gru-fo"


Não, nada disso, em absoluto. Os soviéticos não desenvolveram nenhuma nova arma, mas, sim, tiveram sérios problemas com os OVNIS, pois não sabiam ao certo se se trataria de uma nova arma secreta dos americanos. Valentim Akuratov, o célebre piloto russo e navegador-chefe da Aviação Polar Soviética, relatou que, quando em missão estratégica na Groenlândia, a bordo de um aparelho TU-4, deparou com um objeto voador em forma de lentilha, cor de pérola, de "contornos em ondas pulsantes".
À primeira vista, o comandante e a tripulação julgaram tratar-se dé um novo tipo de avião americano e se evadiram, penetrando nas nuvens. Ao deixar essa camada protetora, verificaram com grande surpresa que o estranho objeto voava ao lado do TU-4. Então, Akuratov queria ter certeza e, executando uma súbita manobra, aproximou-se do objeto alienígena, depois de ter sido autorizado pela base de Aderma. Todavia, no mesmo instante em que Akuratov completou sua manobra, o OVNI executou outra idêntica e tornou a acompanhar o TU-4, em vôo paralelo. Depois de voar lado a lado com o TU-4 durante quinze minutos, o OVNI mudou de rumo, ficou em frente ao TU-4, para, enfim, subir repentina e verticalmente, sumindo nos céus.
A tripulação soviética não conseguiu distinguir no estranho objeto voador nem antenas, nem asas, nem janelas, tampouco chegou a fazer idéia de como seria a sua propulsão. Akuratov comentou apenas a "velocidade impossível" em que o objeto desapareceu.
Ademais, Akuratov confirmou ter avistado vários OVNIS em vôos sobre os países bálticos e, em especial, também sobre Murmansk, Khárkov e Górki.
No afã de desvendar o mistério dos OVNIS, além de tentar estabelecer contatos perseguindo-os com seus caças, os soviéticos tomaram medidas mais drásticas, a exemplo daquelas tomadas nas colinas de Rinbinsk, 150 quilômetros ao norte de Moscou, onde também houve aparições de objetos. E justamente naquele local o aparecimento de OVNIS era um fato mais sério, pois naquela área havia uma bateria de foguetes que fazia parte da rede de defesa aérea da capital soviética. Ao avistar aqueles objetos voadores desconhecidos, o chefe da bateria perdeu a calma e deu ordem (não autorizada por seus superiores) de abrir fogo contra o gigantesco disco. Os foguetes da defesa aérea foram lançados; todos explodiram a.2 quilômetros do alvo; uma segunda descarga produziu resultado idêntico. Não chegou a haver uma terceira descarga, porque, entrementes, um número de discos menores entrou em ação e paralisou as instalações elétricas, mediante poderosos campos eletromagnéticos; tão logo os discos voadores voltaram para a nave mãe, o sistema elétrico da base voltou a funcionar.
O romeno Jon Hobana, redator científico do diário romeno Scinteia, historiou o problema dos OVNIS na URSS, apreciando-o sob os seguintes pontos de vista:

1) A era moderna dos OVNIS russos teve início em 1946.
2) Na URSS, os OVNIS apresentam as mesmas características observadas no mundo inteiro.
3) Embora os meios de comunicação de massa não divulgassem os aparecimentos dos OVNIS, há troca de informações entre os observadores do fenômeno e a opinião pública, bem como ressonância a respeito.
4) Em geral, a atitude oficial da URSS diante do problema dos OVNIS é negativa, acompanhando aquela tomada pelo Ocidente.
5) Apesar disso, na URSS prevalece a tese segundo a qual se trata de fenômenos extraterrestres. Aliás, neste contexto cabe frisar que na URSS, inclusive em círculos científicos, se cogita bem mais seriamente do que no Ocidente da eventualidade de uma procedência extraterrestre.
Da mesma forma, é pouco conhecido o fato de ser enorme o número dos aparecimentos registrados na URSS. Via de regra, o cidadão soviético não costuma denunciá-los, considerando sobretudo os trâmites burocráticos que tal denúncia implicaria. Por sua vez, a Força Aérea soviética recebe e arquiva tão-somente os autos de aparecimentos feitos por pilotos.
"Contudo, apesar do baixo número de relatos oficiais de aparecimentos, acho que no Oriente os OVNIS aparecem com a mesma freqüência com a qual surgem no Ocidente", disse Hobana.
Assim, consta que uma médica, residente nas imediações da cidade de Irkutsk, fotografou da janela do seu laboratório um disco voador no exato momento do pouso.
No verão de 1952, um objeto gigantesco em forma de charuto e medindo no mínimo 800 metros de comprimento apareceu sobre a cidade de Voronej, onde desceu para uma altitude de uns 2 000 metros e lá se manteve imóvel durante um bom tempo. Milhares de pessoas que observaram o objeto em pleno dia entraram em pânico; de repente sumiu — como uma luz que se apaga. Pouco depois, apareceram alguns aviões de combate, evidentemente em missão de reconhecimento e buscas. Poucos segundos após a volta dos aviões à base, o estranho objeto tornou a aparecer naquele mesmo ponto, sobre a cidade. Da popa do objeto saiu um enorme jato cor de laranja e o "charuto" subiu quase verticalmente, desenvolvendo incrível velocidade.
Em uma indústria de carros-tanques pesados (o local e a data exata foram mantidos em segredo), uma fortíssima explosão quase provocou uma crise internacional, devido ao fato de os soviéticos terem procurado explicar o acidente como um ato de sabotagem perpetrado por agentes americanos, quando, na realidade, foi causado pela presença de alguns objetos voadores em forma de charuto e disco, avistados sobre a indústria, uma semana antes da explosão. Várias testemunhas prestaram depoimento dizendo que, ao raiar do dia, viram uma bola de fogo caindo sobre as instalações da indústria; em seguida, houve a violentíssima explosão e apareceram "inúmeras bolas pequenas, de brilho intenso". Nas primeiras horas daquela madrugada, toda a região ficou iluminada e estremeceu com os tremores causados por uma forte onda de pressão atmosférica. Durante alguns minutos, uma espessa nuvem de pó e escombros envolveu toda a área da indústria e, quando essa nuvem se desfez, deixou atrás de si apenas uma enorme cratera cheia de escombros, no local exato onde, instantes antes, estava instalado o departamento de construção de instrumentos automáticos especiais, destinados ao lançamento de foguetes nucleares.
Após a explosão, um disco voador pairou, imóvel, por algum tempo, sobre o local do sinistro, dando a impressão de querer certificar-se do cumprimento integral daquela missão destruidora. Tão logo apareceram alguns aviões de combate, o disco evadiu-se em alta velocidade.
Todavia, para todos os implicados, o grande enigma estava no fato de ninguém ter sofrido qualquer ferimento, pois, poucos minutos antes da explosão, as sirenes da fábrica soaram o alarme e todos os operários conseguiram pôr-se a salvo. Da mesma forma, as investigações posteriores provaram que ninguém havia tocado no botão de alarme, uma vez que a chave do interruptor não fora acionada.
Aliás, o problema dos OVNIS mistificou tanto os soviéticos quanto os americanos. A CIA foi à fonte, ou seja, ao serviço secreto soviético, sob a sigla GRU ou, mais explicitamente, ao GRU — aos cuidados do Tenente-Coronel Iúri Popov (a rigor, agente da CIA; fato que somente em 1958 chegou ao conhecimento das autoridades da União Soviética).
Já nos idos de 1952, o GRU baixou uma ordem secreta (UZ-II/14), ordenando a imediata investigação do problema dos OVNIS e, para tanto, emitiu as seguintes instruções:

Parágrafo 3... fica ordenado elucidar urgentemente a procedência dos OVNIS:
a) veículos secretos de potências estrangeiras, invadindo o espaço aéreo da URSS;
b) uma atividade desinformativa, exercida por serviços secretos imperialistas;
c) sondas extraterrestres, tripuladas ou não, em missão de reconhecimento do planeta Terra;
d) um fenômeno natural, desconhecido.

Pelo visto, na União Soviética não persistiu sequer a menor dúvida quanto à realidade do fenômeno. Porém, embora não o admitissem oficialmente, os soviéticos logo se convenceram da procedência extraterrestre dos OVNIS.
Lamentavelmente, são escassos os dados de que dispomos sobre aparecimentos na URSS, registrados em datas anteriores, mormente na década de 50. Os poucos relatos que atravessaram a Cortina de Ferro deixam na maioria das vezes de mencionar detalhes exatos, como nomes, lugares, datas, etc, por se tratar de dados sigilosos. Quanto ao desastre ocorrido na indústria de carros-tanques pesados, o relato foi redigido de uma maneira amena demais para corresponder àquilo que realmente aconteceu, "à ação de deuses irados". Todavia, na União Soviética devem ter sido registrados casos autênticos, de proporções graves, a ponto de provocar medidas oficiais que, desde aquela década, levaram as autoridades soviéticas a chegar a conclusões idênticas às americanas.
Dentre os poucos casos históricos conhecidos, há o seguinte, cujo relato surgiu em 1842, nos arquivos da Comissão Arqueológica, em São Petersburgo.

"Agosto de 1663
A Sua Alteza, o Arquimandrita Nikita,
A Sua Alteza, o Estaroste Matviei,
A Sua Alteza, o Estaroste Páviel,
A Suas Altezas, os estarostes do sínodo do Convento de São Cirilo.
Respeitosas saudações a Suas Altezas, do seu dedicado servo, Ivatchko Rievskoi.
O culaque Lievka Fiódorov, residente na aldeia de Mis, entregou-me o seguinte relato, de testemunhas oculares.
Segundo esse relato, no dia 15 de agosto do ano do Senhor de 1663, um sábado, numerosos fiéis de Belosero se dirigiram para a igreja, em Robosero, e, enquanto lá estiveram, ouviram fortes ruídos nos céus; muitos deles saíram da Casa de Deus e reuniram-se na praça da igreja. O supracitado camponês, Lievka Fiódorov, encontrava-se no meio daquele povo e viu o que aconteceu. Para ele, Deus deu um sinal. Quando se aproximava o momento de os sinos tocarem o meio-dia, uma grande bola de fogo se dirigiu para Robosero, em um céu absolutamente claro, sem nenhuma nuvem. A bola de fogo veio do quadrante que nos traz o inverno e sobrevoou a igreja, em direção ao lago. Em cada um dos seus lados havia um brilho de fogo, de uns 45 centímetros de largura, e, na sua frente, emitiu dois feixes de raios penetrantes e que eram desse mesmo comprimento. De repente, o fenômeno sumiu, mas, quando os ponteiros do relógio avançaram por mais uma hora, tornou a surgir sobre o lago, em cuja direção havia desaparecido. A bola passou a uma distância de uns 500 metros quando desapareceu, do sul para o oeste. Porém, ao voltar, deixou todo mundo com muito medo, pois, durante uma hora, deslocou-se para o oeste e ficou pairando no céu, sobre Robosero. Aliás, no lago, a 1,5 quilômetro de distância, havia pescadores com seus barcos e eles sofreram bastante com as queimaduras causadas pelo intenso calor. As águas do lago ficaram iluminadas até o fundo e os peixes se refugiaram nas margens. Sob o brilho, as águas pareciam como cobertas de ferrugem."
Mais de três séculos depois, um incidente com OVNIS registrado na URSS foi relatado sem rodeios, sucintamente, na linguagem sóbria do século XX, dizendo apenas:
"Quando, na primavera de 1959, OVNIS surgiram sobre Sverdlovsk, onde está instalada uma central de comando de uma base estratégica de foguetes, semearam o pânico entre o pessoal do radar e da Força Aérea".


A ordem de captura




Cerca de dez anos antes, precisamente a 24 de abril de 1949, um OVNI fora avistado sobre White Sands, o campo de provas para foguetes americanos, no Novo México. Naquele tempo, uma equipe de cientistas chefiada pelo comandante naval R. B. McLaughlin trabalhava em White Sands.
Aproximadamente às 10:30 horas daquele dia, os cientistas, orientados por McLaughlin, preparam o lançamento de um enorme balão de nível constante, cujo diâmetro ultrapassava os 30 metros. O céu estava absolutamente limpo e já havia sido lançado um balão meteorológico para verificar os ventos em altitude menor. Alguns cientistas acompanharam o vôo daquele balão, a uma altitude de 3 500 metros, quando um deles levantou sua voz e alto e bom som chamou a atenção de todos para um segundo objeto no céu que voava acima e à esquerda do balão meteorológico. Para sua grande surpresa, os cientistas avistaram um objeto voador, prateado e elipsóide, e um deles mudou a mira do seu teodolito, que até então observava o balão meteorológico, para focalizar o OVNI, acompanhando-o durante um minuto. Enfim, o OVNI subiu e em poucos segundos desapareceu de vista. Em seguida, os cientistas avaliaram com o teodolito a altura do vôo do objeto em 80 quilômetros quando foi avistado e a ele atribuíram velocidade de 43 000 quilômetros por hora.
No seu relatório sobre esse aparecimento o Comandante McLaughlin escreveu: "Tenho certeza de que se tratou de um OVNI e, além disso, de que esses discos são naves provenientes de outros mundos e comandadas por inteligências vivas".
As autoridades militares liberaram o depoimento de McLaughlin para divulgação, sem censurá-lo (por descuido?). Todavia, aconteceu que, de maneira totalmente inesperada, o Comandante McLaughlin foi transferido de White Sands para o destróier Bristol.
Em 10 de setembro de 1951, houve um incidente dramático nos EUA, que acabou de vez com o Projeto Rancor. O comandante, um major da Força Aérea, e o passageiro de um T-33 observaram um objeto voador de cerca de 10 a 15 metros de diâmetro, sobre Fort Monmouth, em Nova Jersey. Estava pairando no ar, sob o avião, e as testemunhas descreveram-no como esférico, prateado, plano e não reflexível. A tentativa do comandante no sentido de descer e fazer parar o objeto falhou, pois o objeto permaneceu pouco tempo sob o T-33, em seguida tomou rumo sul, deu uma guinada de 120 graus e se dirigiu para o oceano.
Exatamente àquela mesma hora, um operador da Central de Radar do Corpo de Sinalização do Exército, em Monmouth, estava demonstrando as instalações de radar a um grupo de oficiais da Força Aérea. Ele acompanhou na tela de radar um objeto desconhecido que desenvolvia velocidade de 800 a 1 200 quilômetros por hora; no entanto, logo a seguir o objeto desapareceu em vôo ultra-rápido, evoluindo em manobras sinuosas.
No dia seguinte, tornaram a ser detectados objetos voadores não identificados no Centro de Radar, em Monmouth, os quais apresentavam as mesmas características de vôo observadas na véspera. Só que, desta vez, não se tratava de um fenômeno isolado, mas, sim, de objetos que não paravam de surgir e sumir, movimentando-se com tamanha rapidez, que o operador de radar encontrou sérias dificuldades para acompanhá-los.
Esses aparecimentos causaram sensação em Monmouth. Um certo número de oficiais da Força Aérea pôde presenciá-los "in natura" na tela do radar; o operador do radar ficou fora de si e solicitou por escrito a elucidação do caso. Uma cópia daquele ofício foi recebida pelo diretor do serviço secreto da Força Aérea, o Major-General C. B. Cabell, o qual, por sua vez, solicitou informações pormenorizadas do Projeto Rancor, da Força Aérea. Ele chegou a enviar a Fort Monmouth o Tenente Jerry Cummings (chefe do Projeto Rancor) e seu superior, o Tenente-Coronel N. R. Rosengarten (chefe do Departamento de Armas Aéreas e Teleguiadas da ATIC — Central de Inteligência Técnica Aérea) para as devidas investigações do incidente.
Ao término daquelas investigações, Cummings e Rosengarten declararam oficialmente que os objetos avistados teriam sido balões e ecos de radar, falsos, anormais, provocados por condições atmosféricas fora do comum. Nessa ocasião, Cabell também foi informado a respeito do Projeto Rancor, tendo Cummings exposto os seus pontos fracos. Além disso, Cabell soube que o Projeto Rancor recebia constantemente relatos de aparecimentos vistos por testemunhas oculares absolutamente sérias e responsáveis. Toda aquela problemática em torno dos OVNIS fez com que Cabell ordenasse à ATIC a substituição do Projeto Rancor por um outro projeto, para prosseguir as pesquisas daqueles estranhos objetos.
A chefia desse novo projeto foi confiada ao capitão da Força Aérea Edward J. Ruppelt, oficial muito competente e portador de altas condecorações recebidas durante a Segunda Guerra Mundial.
Por sua vez, David M. Jacobs, professor de história da Universidade Temple, de Filadélfia, estudou a fundo os derradeiros motivos dos projetos OVNIS, patrocinados pela Força Aérea americana. Segundo as conclusões de Jacobs, a Força Aérea resolveu reorganizar o Projeto Rancor, promovendo sua reformulação ao entregar sua chefia a Ruppelt e dotando-o de verbas mais amplas. Os métodos de Ruppelt, partindo da estaca zero e adotando processos de organização completamente novos, bem como o número progressivamente crescente de aparecimentos nos primeiros meses de 1952, levaram a Força Aérea a abandonar o Projeto Rancor e a transformá-lo para funcionar como uma organização autônoma.
E quando o projeto mudou sua diretriz, mudou também de nome: passou a se chamar Projeto Livro Azul e seu chefe, Ruppelt, recebeu apoio adicional dos departamentos especiais de eletrônica, análise, radar e reconhecimento da ATIC. A partir de então, esses órgãos trabalharam diretamente com o Projeto Livro Azul. Ademais, a ATIC encarregou o Instituto Batelle Memorial de Columbus, Ohio, da execução de estudos estatísticos, em especial da promoção de pesquisas de opinião. Em maio de 1953, os resultados desses esforços conjugados foram submetidos à Força Aérea, com o relatório especial número 14 do Projeto Livro Azul.
Naquela época, Joseph Kaplan, físico na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e membro da Assessoria Científica da Força Aérea, visitou o Projeto Livro Azul, na base aérea de Wright Patterson, em Dayton, Ohio. Kaplan tinha certeza de que seriam necessárias medições exatas dos OVNIS, que, lamentavelmente, àquela altura ainda não haviam podido ser feitas. Assim, ele sugeriu que se fizesse uma análise do espectro cromático dos OVNIS, mediante uma grade especial de difração. Em seguida, o espectro poderia ser examinado no laboratório e comparado com as linhas espectrais de objetos conhecidos, como estrelas, planetas, meteoros,
Essa sugestão encontrou aceitação calorosa, tanto por parte da ATIC quanto do Projeto Livro Azul, e no decorrer de 1952 toda uma série de grades de difração e aparelhos fotográficos foram testados quanto ao seu aproveitamento, sob as condições mais variadas. Enquanto o plano de Kaplan estava ainda em fase de evolução, Ruppelt preconizou o emprego de telas de radar, segundo uma sugestão de Cabell, e, para tanto, entrou em contato com o Departamento de Defesa Aérea, o qual, no âmbito dos EUA, teve ao seu dispor cerca de trinta câmaras de telas de radar. Os oficiais no comando foram devidamente instruídos por Ruppelt. Também a Comissão de Defesa Aérea foi informada a respeito e dela foi solicitada a devida autorização para a elaboração de planos, visando o emprego de câmaras de tela de radar. No desempenho dessas tarefas, Ruppelt obteve também a colaboração de vários cientistas do Laboratório de Pesquisas Cambridge, assessores técnicos da Força Aérea, os quais, por sua vez, encomendaram o uso de instalações receptoras automático-acústicas, em regiões de alta incidência de OVNIS.
Visto que o próprio Pentágono deveria ser permanentemente informado sobre as atividades do Projeto Livro Azul, o Major Dewey Fournet foi designado oficial de ligação. (Anos mais tarde, Fournet declarou que a Força Aérea reteve sistematicamente dados e relatos de aparecimentos de OVNIS.) No desempenho de suas atribuições, Fournet assistiu a todas as deliberações importantes no decorrer de 1952 e tornou-se a fonte de informações de maior relevo do Pentágono sobre o Projeto Livro Azul.
Com o passar do tempo, a Força Aérea outorgou a Ruppelt poderes progressivamente mais amplos, na sua qualidade de chefe daquele projeto, bem como aceitou as sugestões, por ele submetidas, para as modificações a serem introduzidas nas pesquisas dos relatos sobre OVNIS. Assim, o edital da Força Aérea 200-5, de 5 de abril de 1952, instruiu todos os oficiais do serviço secreto, em todas as bases aéreas, no mundo inteiro, a telegrafarem, incontinenti, informando sobre relatos de aparecimentos, primeiro à ATIC e a todas as centrais de comando da Força Aérea e, em seguida, remeterem pelo correio relatórios detalhados à ATIC; cópias desses relatórios foram submetidas, inclusive, ao chefe do serviço secreto da Força Aérea, em Washington. A nova diretriz da
Força Aérea facultou a todo colaborador do Projeto Livro Azul o contato direto com toda e qualquer base aérea, sem passar pela rotina burocrática. Com esse novo método, a ATIC recebeu rapidamente todos os relatos de OVNIS e o Projeto Livro Azul teve prioridade absoluta sobre qualquer outro. Os oficiais do serviço secreto tiveram ordem de encaminhar todos os relatos de aparecimentos ao Projeto Livro Azul e seus colaboradores eram autorizados a deliberar, a seu critério, quais os casos a serem investigados.
Desnecessário frisar que um fenômeno fictício, imaginário, jamais teria recebido tanta atenção. Tampouco a CIA esteve alheia ao fato de se tratar de um fenômeno bastante real e não queria ficar atrás do KGB na corrida pela aquisição de novos conhecimentos.
Pela ordem JANAP 146 (B) (Joint Army Navy Air Publication — Publicação conjunta do Exército, Marinha e Força Aérea), baixada em setembro de 1951 e dezembro de 1953, ficou claramente ilustrado o quanto o problema dos OVNIS foi cercado de salvaguardas para manter seu caráter estritamente sigiloso; sob as penas de multa de 10 000 dólares e prisão de até dez anos, os integrantes destas três armas, bem como os comandantes da aviação civil, estavam proibidos de publicar qualquer relato sobre OVNIS. Pelo edital da Força Aérea 200-2 (posteriormente reclassificado sob número 80-17), ficou estabelecido, entre outros, que só podiam ser publicadas notícias falsas e relatos não autênticos de OVNIS; enquanto todos os relatos autênticos deviam ser considerados de caráter sigiloso e encaminhados à instância superior.
Esse edital estabeleceu ainda que quaisquer provas materiais deveriam ser submetidas, de preferência, por via aérea, à ATIC, em Dayton, Ohio, sendo considerados como tais:
1) fragmentos de objetos voadores desconhecidos, segura e/ou eventualmente oriundos destes;
2) fotos de tela de radar, mostrando manobras de vôo e velocidades desenvolvidas pelos discos voadores;
3) fotos autênticas de discos voadores.


Para azar da Força Aérea dos EUA e da CIA, foi justamente na década de 50 que houve um número excessivamente grande de aparecimentos convincentes, que dificilmente puderam ser mantidos em segredo; assim, a opinião pública desconfiou das versões oficiais e especulou que algo estava errado. Conseqüentemente, o Projeto Livro Azul teve de tratar do esvaziamento do problema dos OVNIS, tarefa nada fácil, pois havia alguns casos difíceis de digerir, em função dos seus aspectos peculiares.
Assim, aconteceu que em 20 de janeiro de 1951, às 20:30 horas, o Capitão Lawrence W. Vinther, da Mid Continent Airlines, foi instruído pela torre de controle do aeroporto da cidade de Sioux a investigar "de perto" uma "luz muito clara" sobre o aeroporto. Cumprindo as ordens, Vinther e seu co-piloto, F. Bachmeier, decolaram a bordo de um DC-3, em direção à "luz", até que, de repente, ela desceu, quase verticalmente, sobre o aparelho de Vinther, passou por ele silenciosamente e depois se deslocou em alta velocidade, cerca de 60 metros acima do nariz do DC-3. Ambos os pilotos torceram o pescoço, a fim de descobrir a direção da luz, até que acabaram verificando que, na fração de um segundo, ela devia ter dado uma guinada de 180 graus; pois, quando tornaram a avistá-la, voava a cerca de 60 metros, em curso paralelo com o DC-3, acompanhando seu rumo. Era uma noite clara de luar, possibilitando aos dois pilotos uma boa visão do OVNI, de tamanho equivalente a um B-29, cuja forma lembrava um charuto.
A luz branca parecia emanar de uma depressão existente no casco do objeto, o qual, poucos segundos depois, perdeu altura, passou por baixo do avião comercial e desapareceu. Um funcionário civil da Força Aérea, que se encontrava a bordo do DC-3 como passageiro, também avistou o objeto e confirmou a descrição dada pelos pilotos.
Em 2 de julho de 1952, às 11:10 horas, D.C. New-house, oficial naval, e sua mulher estavam passeando de carro nos arredores de Salt Lake, ali quilômetros de Tremonton, Utah, quando avistaram no céu uma formação de objetos esféricos, brilhantes.
Newhouse estava bem familiarizado com diversos tipos de aviões, já que estava lotado no Depósito de Suprimentos da Força Aérea, em Oakland, onde prestava serviço como fotógrafo naval. Assim, reconheceu imediatamente que não se tratava de uma esquadrilha aérea, visto que os objetos eram esféricos e pareciam voar a velocidade supersônica.
Newhouse pegou sua filmadora de 16 mm, colocou a teleobjetiva e rodou uns 13 metros de filme, focalizando os doze ou catorze objetos voadores. Antes de terminar a filmagem, focalizou um dos objetos que saiu da formação e voou em direção oposta; quando Newhouse quis tornar a focalizar a formação, ela havia desaparecido.
Depois de revelar o filme, Newhouse despachou-o para o Projeto Livro Azul, para apreciação e estudos. Durante três meses, foi examinado a fundo pelos peritos, que o analisaram sob todos os aspectos possíveis e imagináveis, quando, por fim, foi reconhecido como autêntico, excluindo-se toda e qualquer eventualidade de fraude. O Laboratório de Interpretações de Fotos Navais (PIL), o laboratório de elaboração de fotos da Marinha, dedicou mais de mil horas de trabalho à análise desse filme. As representações gráficas de cada uma das 1 600 imagens parciais do filme revelaram o movimento relativo e a aberração da intensidade luminosa dos objetos. Com base nessas análises, ficou excluída qualquer cogitação de se tratar de objetos convencionais. Em seu parecer por escrito, o PIL frisou de maneira indiscutível que, a respeito dos "objetos filmados, se tratava de objetos voadores desconhecidos, sob controle inteligente".
Já em 15 de agosto de 1950, foi rodado o filme de Montana, mostrando dois objetos voadores desconhecidos sobre Great Falls, Montana. Também esse filme passou por uma profunda análise pelo PIL, que o classificou como autêntico, excluindo-se toda e qualquer fraude.
Se esses filmes já eram suficientemente sensacionais, outros casos, como os descritos em seguida e que preocuparam bastante os especialistas do Projeto Livro Azul, foram considerados pelo Prof. Morris K. Jessup prova inquestionável da realidade dos OVNis.
Entre esses casos, cita-se um incidente ocorrido em 15 de julho de 1952, com o comandante da PANAM, William B. Nash, e seu co-piloto, W. Fortenberry, decerto o mais emocionante de todos quantos esses dois pilotos viveram no decorrer de sua carreira de aviador. Na tarde daquele dia, voavam de Nova York para Miami, a bordo de um velho DC-4.
A visibilidade era excepcionalmente boa e, voando a uma altitude de 2 500 metros, o aparelho aproximou-se de Newport News, Virgínia. Nash explicou as características especiais daquela região a seu co-piloto, que fazia este trecho pela primeira vez. Ao cair da tarde, os dois aviadores viram à distância as luzes de Norfolk e Newport News.
Os ponteiros do relógio de bordo marcavam 21:12 horas, quando Nash e Fortenberry avistaram à frente um estranho brilho e, logo em seguida, seis discos metálicos que pareciam incandescentes e deles se aproximavam com incrível velocidade. Os discos voavam a cerca de 1,5 quilômetro abaixo do DC-4 e aparentavam possuir um diâmetro de 33 metros, em comparação com os objetos no solo, cerca de 650 metros abaixo dos discos.
Os seis objetos voadores desconhecidos apresentaram uma formação de esquadrilha, encontrando-se o objeto líder no ponto mais baixo, ao ser detectado pelo avião comercial. De repente, diminuiu a velocidade, provocando um breve desequilíbrio nos dois discos que o seguiam. Os dois pilotos do DC-4 também tiveram a impressão de que aqueles dois discos teriam quase colidido com o disco à sua frente, porque o respectivo comando ou foi recebido ou percebido muito tarde. Durante a "operação de frear", o brilho claro dos objetos mudou para uma luminosidade opaca. Em seguida, como que obedecendo a um comando única, todos os seis objetos mudaram de curso e simultaneamente de direção, evoluíram com uma guinada de 150 graus e desapareceram. Logo em seguida, mais dois objetos surgiram sob o DC-4, para, dentro de dois a três segundos, entrarem em formação e voarem para a frente, quando seu brilho se tornou mais intenso do que o dos demais.
Imediatamente, Nash e Fortenberry comunicaram o acontecimento à torre de controle em Norfolk, Virgínia. Depois, calcularam a velocidade do vôo dos objetos desconhecidos, com o auxílio de um instrumento Dalton especial. A partir do instante de seu aparecimento observado pelos pilotos do DC-4 até seu desaparecimento, os objetos estranhos percorreram cerca de 75 quilômetros em quinze segundos, o que equivaleria a 18 000 quilômetros por hora, uma velocidade incrível, fato também mencionado pelos perplexos pilotos nos seus respectivos relatórios confidenciais para o serviço secreto. Todavia, por ocasião de suas entrevistas à imprensa, Nash e Fortenberry, receosos de seus dados merecerem pouca credibilidade por parte do grande público, falaram tão-somente em "algo acima de 1 500 quilômetros por hora".
Para surpresa dos pilotos do DC-4, os peritos em armas aéreas não estranharam os dados por eles indicados, a respeito da velocidade fantástica e das incríveis manobras aéreas desenvolvidas pelos OVNIS. Para Nash e Fortenberry, os objetos voadores avistados eram naves aéreas, dirigidas por controle remoto, vindas do cosmo. E ambos os pilotos foram unânimes em confirmar que nenhum organismo físico humano reuniria condições para suportar as manobras aéreas executadas por aqueles objetos com a rapidez de um raio.


Em 5 de agosto de 1952, pouco antes da meia-noite, nos céus, sobre a então base aérea de Haneda, hoje Aeroporto Internacional de Tóquio, teve início um dos aparecimentos mais sensacionais registrados no Extremo Oriente.
Dois funcionários da segurança aérea, do plantão noturno, atravessaram a pista de asfalto, dirigindo-se para a torre de controle. De repente, observaram uma luminosidade excepcionalmente clara sobre a baía de Tóquio. Quando perceberam que aquela luminosidade estava em movimento, correram para a torre a fim de, em companhia de dois colegas em serviço, observá-la mais detidamente com os binóculos.
A luminosidade parecia emanar de um vulto escuro, esférico. O OVNI aproximou-se lentamente do aeroporto, onde parou, pairando no ar. Nesse momento, eles notaram uma segunda luminosidade, menos intensa, no solo, projetada pela sombra escura. 0 objeto deslocou-se na direção leste e desapareceu, para novamente retornar e desaparecer; depois, voltou mais uma terceira vez.
Os encarregados da segurança aérea na torre comunicaram-se com o comando de radar, o qual, por sua vez, informou ter avistado o objeto em suas telas. Durante cinco minutos, o OVNI foi acompanhado pelo radar enquanto sobrevoou a baía de Tóquio. Pouco depois da meia-noite, um caça F-94 decolou da base aérea de Johnson, com instruções de observar o mais perto possível o estranho objeto, e o piloto conseguiu aproximar-se dele. Durante um minuto e meio, seu aparelho de radar captou o OVNI; em seguida, este desapareceu repentina e velozmente. Pouco mais tarde, os encarregados da segurança aérea e os operadores de radar também conseguiram detectar o OVNI, antes que sumisse definitivamente.


Na noite de 23 de novembro de 1953, um caça F-89 decolou da base aérea de Kinross, Michigan, em perseguição a um OVNI sobre o lago Superior. A bordo estavam o comandante, Tenente Felix Moncla, e o observador de radar, Tenente R. Wilson; devidamente instruído pela estação de radar no solo, Moncla perseguiu o objeto voador desconhecido a 800 quilômetros por hora.
Alguns minutos mais tarde, um observador de radar da estação de radar GCI (Ground Control Intercept — Interceptação Controlada de Terra) notou um fato surpreendente: repentinamente, os pontos de radar do caça e do OVNI se fundiram na tela, formando um só ponto. Quando, por fim, esse único ponto saiu da tela — o OVNI afastou-se a enorme velocidade —, imediatamente o observador de radar a bordo pediu socorro. Possivelmente, pensou o pessoal em terra, houve uma colisão e a tripulação do caça ainda teve tempo para abandoná-lo, descendo de pára-quedas.
Comandos de buscas e salvamento americanos e canadenses, sobrevoaram a região, procurando os tripulantes do avião desaparecido, baseando-se em seus eventuais escombros ou traços de combustível. Ao raiar o dia, as buscas foram intensificadas, com o emprego adicional de barcos; porém, jamais foi encontrado qualquer vestígio do caça ou dos seus tripulantes.


Em 29 de junho de 1954, às 17 horas, o avião comercial Centaurus, da BOAC, levantou vôo do aeroporto de Idlewild, em Nova York, dirigindo-se para Londres, sob o comando de James Howard, um dos pilotos mais experientes da BOAC. Alguns passageiros já estavam dormindo quando, pouco depois das 21 horas, o Comandante Howard observou alguns OVNIS: um objeto grande, acompanhado de um número de objetos menores. Ele levou o fato ao conhecimento do seu co-piloto, que também já havia avistado o estranho fenômeno. Os objetos voavam a uma distância de 8 quilômetros do Centaurus, em curso paralelo, na mesma direção. O objeto grande ficou no centro e os menores giravam constantemente ao seu redor. Flanquearam o Centaurus durante um percurso de 12 quilômetros. De vez em quando, o objeto grande parecia mudar o ângulo de vôo, simulando, assim, mudanças nos contornos dos objetos; ao mesmo tempo, os objetos menores não paravam de mudar de posição.
Howard entrou em contato com a base aérea de Goose Bay, em Labrador, indagando se, porventura, haveria aviões militares ou outros aparelhos na área. A resposta foi negativa; porém, Goose Bay informou que providenciaria um vôo de reconhecimento. Entrementes, o oficial de navegação George Allen, o operador de rádio Douglas Cox, o primeiro engenheiro Dan Godfrey e o segundo engenheiro Bill Stewart repararam nos objetos voadores desconhecidos; foram também notados pela aeromoça que, no seu depoimento posterior, afirmou jamais ter visto algo semelhante nos dois anos de sua carreira.
Pouco antes do aparecimento do caça em missão de reconhecimento, os objetos menores se afastaram. O oficial de navegação, que os havia observado atentamente, disse ao comandante do Centaurus que os objetos menores sumiram no interior do objeto grande. Enfim, Howard comunicou pelo rádio ao caça o desaparecimento do objeto grande a uma incrível velocidade.
Além dos oito tripulantes do Centaurus, catorze passageiros observaram aquele incidente fora do comum. Durante dezoito minutos, enquanto percorriam 80 quilômetros, os OVNIS acompanharam o Centaurus em vôo paralelo.
Howard depôs a respeito:
"Era um objeto voador maciço, disso tenho certeza, guiado e dirigido por uma inteligência; uma espécie de 'nave mãe' que, de uma maneira ou de outra, fazia parte dos 'satélites acompanhantes', de tamanho menor. Para tanto há uma só explicação, a saber: deve ter sido um tipo de nave espacial proveniente de um mundo alienígena".


Ao meio-dia de 1.° de julho de 1954, a tela de radar da base aérea de Griffith, Nova York, captou um estranho sinal. Imediatamente, um jato tipo F-94 subiu e foi dirigido pela torre para o local do aparecimento. Ao mesmo tempo, o observador de radar a bordo do F-94 acompanhou o objeto à sua frente, na tela do radar. Dois minutos depois da decolagem, o comandante do caça detectou um objeto brilhante, em forma de disco, bem no alto, acima do seu aparelho; ele mudou de curso e subiu em direção ao OVNI. Porém, nada aconteceu, até que o observador de radar se dirigiu ao OVNI, pedindo para que se identificasse. O estranho objeto voador tornou-se progressivamente mais visível; a distância entre ele e o jato diminuiu; em seguida, o objeto parou e permaneceu imóvel. Subitamente, o sistema de propulsão do jato parou; o calor na cabine do comandante se intensificou instantaneamente, apesar de os instrumentos de bordo não acusarem nenhum incêndio no aparelho. O comandante quis se comunicar com a base, mas não conseguiu. Ele gritou para o observador de radar, mandando-o abandonar o aparelho e, segundos depois, sentiu um choque; quase sem fôlego e com os olhos lacrime jantes, acionou o assento de ejeção e lançou um derradeiro olhar sobre o enorme objeto redondo, antes de descer ao solo. Os pára-quedas deixaram os dois tripulantes nas imediações da cidade de Walesville, Nova York; o F-94 caiu sobre duas casas e um automóvel e na queda matou duas crianças e dois adultos.


Às 22 horas de 13 de agosto de 1956, a central de radar do controle aéreo em Lakenheath, Inglaterra, foi avisada por uma estação de controle de radar, a 40 quilômetros da distância, acerca de um "sinal" que se deslocava a 7 000 quilômetros por hora. Simultaneamente, o objeto voador — que fazia parte daquele "sinal" — foi avistado sob um DC-47, que voava a 2 000 metros de altitude. Por fim, as duas estações de radar detectaram o objeto nas suas telas. Em seguida, estabeleceram contato com diversas unidades de radar, para fins de comparação e controle mútuo.
Tudo isso provocou a decolagem de um caça noturno do tipc nf Havilland Venom, em missão de reconhecimento, dirigido pelo radar para o local onde o OVNI fora avistado. De início, o piloto comunicou pelo rádio que o objeto estava na tela de radar a bordo, bem como diretamente à sua frente. No entanto, logo depois o OVNI se colocou atrás do caça e lá permaneceu obstinadamente, acompanhando todas as manobras executadas pelo caça. Durante uns dez minutos, a estação no solo observou o OVNI na tela de radar, junto com o caça noturno, até que o comandante deste foi forçado a aterrizar por falta de combustível.
Um segundo caça noturno foi enviado em substituição ao Venom, mas teve que voltar logo depois por defeito mecânico. Finalmente, o OVNI tomou rumo norte e sumiu das telas de radar.
Ao mesmo tempo, o pessoal em terra observou a olho nu o objeto voador e descreveu-o como um objeto redondo, de brilho claro. Os observadores de radar detectaram-no e acompanharam-no na tela, como um objeto maciço. O comandante do caça avistou-o tanto na tela de radar a bordo quanto com seus próprios olhos.
"No caso de Lakenheath, estavam envolvidos dois observadores de radar que trabalhavam independentemente um do outro: um piloto militar e um funcionário da torre de controle", comentou o Prof. Dr. Allen J. Hynek, assessor científico do Projeto Livro Azul. "Este é o caso mais intrigante e incomum de todos quantos constam dos relatos dos aparecimentos por radar. O comportamento evidentemente racional e inteligente do OVNI permite supor tratar-se de um invento de procedência desconhecida, o que, aliás, seria a melhor explicação possível para esse aparecimento", concluiu o Prof. Hynek.


Portugal, 4 de setembro de 1957.
Às 19:21 horas, quatro caças decolaram da base militar de Ota para um vôo noturno de navegação; foi um vôo de rotina, dirigindo-se até Granada, na Espanha, e de volta para Portalegre e Coruche, a 8 000 metros de altitude. O Comandante José Lemos Ferreira chefiou a missão, que contou com a participação de mais três pilotos. A noite era bem clara, com um céu estrelado. O primeiro trecho do percurso foi concluído normalmente, sem qualquer novidade. Ao sobrevoar Granada, os aparelhos mudaram de rumo, iniciando a volta para Portalegre. Nesse momento, o Comandante Ferreira notou no horizonte, à sua esquerda, uma luz extraordinariamente intensa, que observou durante alguns minutos, para depois avisar pelo rádio os outros aparelhos. O piloto que voava à esquerda de Ferreira já a havia notado.
O núcleo do estranho objeto mudava constantemente de cor, variando de um verde escuro para azul, amarelo e vermelho. De repente, ele aumentou até cinco a seis vezes o seu tamanho original. E, antes de os pilotos se terem dado conta, diminuiu para um ponto amarelo, quase imperceptível. Esse fenômeno se repetiu por várias vezes; durante todo o tempo, o objeto não mudou de posição em relação aos caças a jato, mantendo-se a uns 40 graus à sua esquerda. O Comandante Ferreira não pôde verificar a maneira como se processou a mudança no tamanho do objeto: se teria sido causada pelo movimento ou acontecida em estado estável. Após mudar constantemente de tamanho, durante seis a sete minutos, o objeto desapareceu no horizonte, cerca de 90 graus à esquerda do caça.
Pouco antes de chegar a Portalegre, às 22:38 horas, o Comandante Ferreira resolveu tomar a direção de Coruche e, quando os caças deram uma guinada de 50 graus para a esquerda, lá estava novamente o objeto voador desconhecido, em sua posição anterior, inalterada, de 90 graus. Nesse momento, o Comandante Ferreira tinha certeza absoluta de não se tratar de um objeto estável; dele emanou um brilho vermelho-claro e sua posição ficou bem abaixo da altitude de vôo dos caças.
Quando, já por alguns minutos, os pilotos estavam no seu novo rumo, de repente observaram como um objeto menor saiu do grande e, antes de se refazerem da surpresa, mais três objetos semelhantes surgiram à direita do OVNI grande, deslocando-se, como seus satélites, a velocidades variáveis.
Ao sobrevoarem Coruche, o OVNI grande desceu de repente em vôo rasante e, naquele mesmo instante, subiu verticalmente, a incrível velocidade, ao encontro dos jatos. Os pilotos ficaram pasmados e quase saíram de formação para evitar uma colisão com o estranho objeto. No entanto, quando os caças cortaram o trajeto da subida vertical do OVNI, este se afastou em companhia dos seus satélites.
A duração do incidente foi de aproximadamente quarenta minutos e todos os pilotos afirmaram unanimemente que não havia explicação natural para o surgimento desses fenômenos. Aliás, o Comandante Ferreira pediu para que se dispensassem as costumeiras explicações de rotina (como Vênus, balão, avião ou coisa parecida), formando o refrão de praxe, com o qual se encerra todo aparecimento de OVNI.
Naturalmente, a Força Aérea manteve estrito sigilo a respeito de todos esses acontecimentos; e deles a opinião pública só tomou conhecimento anos mais tarde depois do término do Projeto Livro Azul.
Já em 1953, a CIA resolveu tomar uma atitude drástica a fim de evitar que a verdade sobre os OVNIS fosse divulgada. Aliás, para isso, concorreu um incidente extraordinário, que envolveu até o Secretário da Marinha Dan Kimball.
Em abril de 1952, Kimball e todo o seu estado-maior voaram para o Havaí. A bordo do segundo avião da comitiva estava o Contra-Almirante Arthur Radford. De repente, surgiram dois objetos voadores esféricos. Desenvolviam altíssima velocidade e dirigiram-se para o aparelho em que se encontrava Kimball, em torno do qual deram algumas voltas e se afastaram em direção ao segundo avião naval, que seguia o primeiro a 80 quilômetros de distância. Lá, repetiu-se a manobra: o objeto voador desconhecido deu várias voltas em torno do avião em que se encontrava Radford, antes de se afastar a uma "incrível velocidade", calculada pelos pilotos em torno de 3 000 quilômetros por hora.
Logo após a sua chegada ao Havaí, Kimball despachou o relato do caso para o departamento da Força Aérea encarregado das pesquisas do fenômeno dos OVNIS. De volta a Washington, Kimball mandou seu ajudante-de-ordens averiguar junto à Força Aérea o que havia sido feito a respeito. A Força Aérea e a CIA deram a entender a Kimball que, caso ele desejasse manter-se no seu cargo, seria preferível não fazer perguntas e esquecer que tinha avistado qualquer coisa.
Essa atitude fez com que Kimball procurasse Calvin Bolster, almirante naval e chefe do Escritório de Pesquisas Navais, que, por sua vez, ordenou uma investigação minuciosa de todos os aparecimentos de OVNIS registrados no âmbito da Marinha. A ordem de Bolster foi executada e as investigações levaram à conclusão final de que os OVNIS constituem um fenômeno real, verdadeiro, pois são objetos voadores, desconhecidos, controlados.
No outono americano de 1952, a Marinha entregou esse trabalho, inclusive a conclusão final, à Força Aérea, que, por sua vez, solicitou à Marinha nada mais empreender a respeito, enquanto ela não tivesse concluído suas próprias análises, através do Projeto Livro Azul. A operação subseqüente empreendida pela CIA mereceu os seguintes comentários do major naval da reserva Donald E. Keyhoe, Comissão Nacional de Investigações de Fenômenos no Espaço Aéreo e, durante muitos anos, diretor da NICAP (National Investigation Committee on Aerial Phenomena):
"Embora o caso Kimball parecesse devidamente controlado, a CIA estava ciente de que ainda persistia a possibilidade de novos desentendimentos com a Marinha, que a essa altura estavam fora dos domínios da Força Aérea. Em tais circunstâncias, havia uma só atitude a tomar: assumir o controle total e absoluto de todas as pesquisas realizadas pela Força Aérea e impor a mais rigorosa censura, a fim de acabar de vez com a crença nos OVNIS por parte do grande público. Para isso a CIA convocou cientistas e representantes da Força Aérea para um congresso no Pentágono, para uma análise sigilosa do material de prova referente aos OVNIS. Aliás, todos os cientistas convocados para aquele congresso eram declaradamente céticos e a maioria deles nada sabia sobre o assunto, que consideravam pura bobagem. Uma vez de posse de plenos poderes, a CIA teve condições para, a seu critério, reter ou manipular o material de provas, orientando assim os cientistas no sentido de darem pareceres totalmente negativos. A chefia da CIA não teve dúvidas quanto a essa operação".
Esse congresso, sob o controle da CIA, foi realizado de 14 a 18 de janeiro de 1953 e cognominado de "Painel Robertson", uma referência ao presidente da mesa, o Prof. Dr. H. P. Robertson, físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que também era perito em sistemas de armas e funcionário da CIA. Da mesa desse congresso fizeram parte, entre outros, P. G. Strong, agente da CIA, O General Garland, chefe do serviço secreto da ATIC, OS funcionários da CIA, Dr. H. Marshall Chadwell e Ralph L. Clark, o físico Prof. Samuel A. Goudsmit e Thornton Page, professor de astronomia da Universidade de Chicago. O congresso contou também com a presença de Ruppelt, Fournet e Hynek.
A CIA fez questão de que o Painel Robertson negasse, em seu relatório final, a existência dos OVNIS, considerando que os relatos de aparecimento amplamente divulgados constituiriam "empecilho aos canais de comunicações e perigo à segurança nacional". Cogitou-se até de que, em caso de guerra, a URSS eventualmente pudesse manipular e aproveitar tal situação. Além disso, no relatório final do Painel Robertson toi traçado um programa, dando diretrizes sobre o modo de se marginalizar e ironizar o fenômeno dos OVNIS, visando com isso a desestimular o interesse da opinião pública no assunto. Da mesma forma, os veículos de comunicação de massa, como rádio, TV, filmes e imprensa, deveriam ser mobilizados para desacreditar os relatos de aparecimentos.
Em data posterior, o Major Dewey Fournet comentou:
"Fomos ludibriados. A CIA não queria informar a opinião pública. Ela procurou subtrair material de provas. Tudo aquilo foi encenado por seus agentes, e os cientistas foram levados a opinar segundo os critérios da CIA. EU sabia que os agentes da CIA nada haviam feito, além de executar as ordens recebidas, mas apesar disso, fiquei irritado e mostrei minha irritação em uma ou duas ocasiões".
Os verdadeiros intentos da CIA e da Força Aérea foram comentados por Keyhoe:
"Quando a Força Aérea ficou sabendo que os OVNIS eram naves espaciais, a central de comando da Força Aérea estava decidida a capturar um daqueles engenhos. Foi o próprio General Sory Smith, substituto do diretor de informações, quem me confirmou isso pessoalmente. E o Major Jeremias Boggs, oficial do serviço secreto, admitiu francamente que os pilotos da Força Aérea tiveram ordens expressas de capturar um OVNI. É lógico que fizemos tudo quanto nos foi possível para pegar um daqueles objetos voadores. Os nossos pilotos foram instruídos para fazer praticamente tudo para capturar um OVNI".
Será que Keyhoe merece crédito? Quanto a isso, a própria Força Aérea dos EUA diz:
"... Nós, da Força Aérea, conhecemos o Major Keyhoe como relator responsável e preciso. A sua ligação, de muitos anos, e sua colaboração com a Força Aérea na pesquisa dos objetos voadores desconhecidos qualificam-no como uma das maiores capacidades no assunto... Tanto a Força Aérea quanto o Projeto Livro Azul, a ela subordinado, conhecem as conclusões finais apresentadas pelo Major Keyhoe e segundo as quais os discos voadores procedem de um outro planeta. A Força Aérea jamais contestou tal tese. Alguns membros do Congresso acham que existe um fenômeno natural, alienígena, ainda totalmente desconhecido por nós. Porém, no caso de serem efetivamente reais as manobras aéreas, evidentemente controladas, conforme foram relatadas por numerosos observadores experimentados, resta-nos, como única explicação válida, a procedência interplanetária daqueles engenhos.

(ass.) Albert M. Chop
Serviço de Imprensa da Força Aérea"



A rede


Diversas nações, em especial a União Soviética, os Estados Unidos, o Canadá, a Inglaterra, a França e a Holanda, procuraram desvendar o mistério técnico dos OVNIS. Por essa razão, a Força Aérea dos EUA intensificou suas tentativas de capturar um daqueles objetos alienígenas. Todavia, a URSS foi a nação que mais se empenhou nessa tarefa. Após as contínuas falhas registradas nas tentativas de captura, tanto os soviéticos como os americanos resolveram tomar medidas mais rigorosas e instruíram seus pilotos no sentido de abrir fogo contra os OVNIS avistados, na esperança de atingir um ou outro e forçá-lo a aterrizar com o sistema de propulsão ainda intato. Por isso, em 1957, o Senador Lee Metcalf dirigiu à Força Aérea uma consulta, indagando se os pilotos ainda continuavam perseguindo os OVNIS. A resposta do quartel-general, dada pelo Major-General Joe W. Kelly, dizia: "Caças da Força Aérea ainda continuam a perseguir os OVNIS, por razões de segurança nacional e objetivando conhecer seus detalhes técnicos".
O Major Keyhoe soube do incidente relatado a seguir, que lhe havia sido contado em particular por um elemento ligado à Força Aérea:
"Também abrimos fogo contra OVNIS; por exemplo, certa manhã, lá pelas 10 horas, uma estação de radar instalada nas imediações de uma base de caças captou sinais de um OVNI, que se aproximava a 1200 quilômetros por hora. O objeto diminuiu a velocidade para 150 quilômetros por hora e, logo a seguir, dois F-80 saíram em sua perseguição. Um dos F-80 conseguiu se aproximar do OVNI, à altitude de 1000 metros, mas nesse momento o objeto voltou a aumentar a sua velocidade; no entanto, o piloto do F-80 conseguiu chegar a cerca de 450 metros do objeto. A forma do objeto era, definitivamente, a de um disco. Quando o piloto do F-80 acelerou ao máximo, o OVNI escapou. À distância de uns 950 metros, o piloto abriu fogo, para tirar o objeto do céu, mas não acertou o alvo e o OVNI desapareceu".
Também o alto comando soviético teve esperanças de forçar um OVNI a aterrizar, sem destruí-lo por completo. Em 24 de julho de 1957, por exemplo, baterias da defesa antiaérea instalada nas Kurilas abriram fogo contra uma formação de OVNIS. Os objetos brilhantes se afastaram velozmente sem serem atingidos.
A Força Aérea do Canadá chegou a planejar a construção de um campo de pouso para OVNIS, nas imediações de Suffield, Alberta, colaborando para tanto com a Comissão de Pesquisas para a Defesa. Os canadenses esperavam convidar os OVNIS a aterrizar nesse campo, emitindo sinais especiais, a título de convite específico. Esse projeto sigiloso era chamado de Projeto Segundo Andar.
Um porta-voz da Real Força Aérea britânica (RAF) fez a seguinte declaração: os trabalhos de pesquisa realizados ao longo de cinco anos acabam de ser encerrados; todavia, os respectivos resultados não serão divulgados, pois provocariam, muita controvérsia; além do mais, não seria possível dar explicações bastante esclarecedoras, sem revelar detalhes "ultra-secretos".
No entanto, por sua vez, o Marechal Lorde Dowding, comandante supremo da RAF, usou de discrição bem menor, ao declarar:
"A existência dessas máquinas está comprovada e eu a aceito, implicitamente".
Em 16 de janeiro de 1957, o almirante americano Delmer Fahrney confirmou:
"Relatos fidedignos mencionam que se trata de objetos que penetram em nossa atmosfera, a velocidade muito elevada e sob o controle de seres racionais, inteligentes".
Aliás, foi justamente o porta-voz de imprensa do Projeto Livro Azul que admitiu o seguinte:
"Uma coisa é absolutamente certa: estamos sendo observados por seres do cosmo".
E o Capitão Ruppelt, ex-chefe do Projeto Livro Azul, que na época foi obrigado a concordar com seus colaboradores, comentou algum tempo depois:
"Seria esta a verdade? Será que um OVNI pode, sem mais nem menos, aterrizar no rio Potomac, bem em frente à porta do chefe do estado-maior? Uma estação de radar, no solo, detectar um OVNI, um caça subir para captá-lo, o piloto chegar a observá-lo com seus próprios olhos, até perdê-lo de vista, quando o objeto dele se afasta a uma velocidade incrível; todos esses fatos não são uma prova da existência desses objetos? Ou um piloto de caça abrir fogo contra um OVNI e persistir em sua versão do fato, mesmo sob ameaça de responder a processo movido contra ele na justiça militar? Seria essa a verdade?"


Jessup ficou mais solitário. Ele sabia que naves espaciais extraterrestres estavam observando a Terra e que, em todos os tempos, vez ou outra, surgiram nos céus do nosso planeta. Pelos relacionamentos e ligações que ele mantinha, sabia também que as Forças Armadas chegaram a tirar conclusões semelhantes. Porém, a opinião pública, bem como seus colegas, deixaram de ser informados a respeito. Pelo contrário, Jessup foi até criticado e censurado pelo fato de dar demasiada importância aos OVNIS, chegando a negligenciar seus deveres profissionais. Ele caiu no ostracismo. No entanto, seus críticos ignoraram aquilo que motivou as suas declarações; eles não sabiam que ele se achava na obrigação de informar a opinião pública.
Jessup escreveu um livro, publicado em 1955 pela Citadel Press, Nova York, intitulado The case for the UFO — Pleito a favor dos OVNIs. Com essa publicação teve início aquele caso estranho, misterioso, em que Jessup ficou sempre mais envolvido. A partir de então, começou a receber cartas, escritas à mão e assinadas por um certo Carl M. Allen, mas, como remetente, no envelope, constava Carlos Miguel Allende. Aquelas cartas tratavam da procedência dos OVNIS, bem como de alguns episódios ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial, dos quais Jessup teve conhecimento, pois participou de alguns deles. Possivelmente, foi por causa disso que Jessup tomou essas cartas mais a sério do que deveria. O missivista (Allen ou Allende) referiu-se a uma suposta experiência da Marinha, que teria sido realizada em outubro de 1943, no porto naval de Filadélfia e em alto-mar.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Departamento de Pesquisas Navais dos EUA solicitou, em caráter urgente, sugestões de cientistas autônomos, para o desenvolvimento de métodos de camuflagem para navios de guerra. Na época, um cientista, cujo nome jamais foi revelado, teria procurado aquele departamento a fim de demonstrar a "camuflagem perfeita"; e, como se tratava de um dos cientistas mais renomados dos EUA, as suas idéias foram aceitas e testadas em experiências práticas. O cientista referiu-se aos "efeitos da teoria do campo unificado", de Einstein, "segundo a qual seria possível, mediante um campo eletromagnético, manipular um objeto, não somente tornando-o invisível, mas, ainda, transferindo-o no espaço e no tempo". Assim, o Eldridge teria navegado várias vezes entre Filadélfia e Norfolk, no intervalo de uns poucos minutos. Foi a esse respeito que Allende escreveu a Jessup:
"No decorrer das experiências levadas a efeito em outubro de 1943, o destróier Eldridge, da Marinha dos EUA, com toda a sua tripulação, chegou a sumir do porto naval de Filadélfia, em função de um campo magnético, na forma de um elipsóide rotativo. Tal campo magnético, com um raio de 90 metros, envolveu, por completo, o destróier. Dentro desse perímetro, os seres humanos perceberam os seus semelhantes tão-somente como fantasmas, mergulhados em um nada, sem fundo, nem limites. De fora, diretamente nos limites daquele campo magnético, não consegui distinguir coisa alguma, além dos contornos, nitidamente perfilados, do casco uu'-navio dentro da água".
Segundo Allende, teria sido possível transformar a estrutura molecular da matéria e, com isso, fazer sumir o Eldridge e tudo o que se encontrava a bordo. Em sua correspondência, Allende descreveu o destino atroz reservado aos tripulantes daquele destróier; muitos deles seriam transformados em tochas humanas ou enlouqueceriam e se jogariam ao mar; os pouquíssimos sobreviventes daquela catástrofe teriam sido internados em hospitais psiquiátricos. Para a Marinha, aquela experiência foi um malogro total, pois, após a sua conclusão, o navio não pôde mais ser manobrado.
Jessup publicou aquelas cartas de Allende e, com isso, mobilizou o Pentágono. Um oficial entregou ao Almirante Randon Bennett, chefe do Departamento de Pesquisas Navais, o livro de Jessup, bem como notas, comentando seu conteúdo, de autoria de três pessoas distintas, referente às cartas de Allende. Quando Bennett perguntou do que se tratava, o oficial respondeu, laconicamente: "Da experiência de Filadélfia".
Em seguida, Bennett discou imediatamente um número secreto e, duas horas mais tarde, funcionários do Pentágono, militares, cientistas renomados e personalidades-chave do FBI e da CIA reuniram-se para uma conferência de cúpula sigilosa.
Ainda naquele mesmo dia, agentes do FBI voaram para New Kensington, Pensilvânia, local de onde foram remetidas as cartas fatídicas, a fim de localizar o remetente Allen, aliás, Allende. Alguns residentes daquele lugar se lembraram de um homem baixinho, de aparência latina, que morou com um casal de velhos, chamado Carter, proprietário de um sítio na periferia de Kensington, onde residiram durante os últimos quarenta anos. Quando os agentes do FBI lá chegaram, Allende e os Carters haviam sumido. A polícia local informou que os Carters eram considerados gente boa, mas de vida muito solitária, pois raríssimas vezes iam para a aldeia e, nos quarenta anos que lá passaram, não fizeram sequer um amigo, nem tiveram contato com seus vizinhos mais próximos. Aliás, o próprio chefe de polícia de Kensington surpreendeu-se, posteriormente, com o resultado daquelas investigações. Ao serem indagados a respeito da aparência física do casal, os ex-vizinhos responderam, quase estereotipicamente: "Um casal de morenos, como Allende. Gente estranha!" No entanto, ninguém soube explicar por que foram considerados "gente estranha".
Finalmente, os agentes do FBI desistiram das investigações inúteis em torno de Allende. Aliás, eles nem haviam sido informados do motivo pelo qual tiveram de empreendê-las. Diz-se que, além do então chefe do FBI, J. Edgar Hoover, e dois dos seus colaboradores mais íntimos, ninguém soube coisa alguma a respeito dos verdadeiros motivos acerca do caso Allende.
Em 1957, o Departamento de Pesquisas Navais tornou a convocar Jessup a Washington, a fim de interrogá-lo a respeito das pessoas que comentavam seu livro, indagando se eram conhecidas dele. O Prof. Jessup respondeu que não as conhecia e repetiu seu depoimento anterior, dizendo que jamais entrara em contato com Allende, pessoalmente; fato, aliás, já conhecido da Marinha.


São esses os detalhes essenciais desse caso misterioso — ou seja, dessa suposta experiência, que nunca foi realizada, mas que sempre volta à tona como fato verídico.
As pesquisas levadas a efeito com todo o cuidado pelo autor revelaram as seguintes circunstâncias: tudo aquilo era uma mera encenação, bem-feita, pelo serviço secreto, em função da resolução do Painel Robertson, visando a eliminar Jessup e torná-lo inofensivo. Pois, na época, era praticamente inadmissível um cientista de renome ter condições de publicar fotos e fatos do fenômeno dos OVNIS, os quais deveriam ser mantidos em sigilo. Por essa razão, Jessup representava um perigo potencial e Allende foi "inventado", para enganar Jessup e levá-lo a aceitar como fato verdadeiro uma fraude cuidadosamente dotada de falsa aparência científica. Como era previsto, Jessup mergulhou sempre mais a fundo em suas pesquisas e investigações da suposta experiência de Filadélfia e, com isso, acabou se perdendo de todo.
Allende, que na época não pôde ser localizado, vive hoje em dia no México e admitiu francamente que tudo aquilo era uma encenação, montada pelo serviço secreto. Da mesma forma, uma experiência vivida por Ralph Mayher, assessor da NICAP e que, em absoluto, não representa um caso isolado, revela claramente o grau de interesse do serviço secreto no fenômeno dos OVNIS, pois jamais os agentes da CIA esmoreceram em suas buscas de material de OVNIS, a ser usado ou subtraído, de acordo com as conveniências da hora, ditadas pelos conceitos vigentes. Trata-se do seguinte. Em 1957, agentes da CIA solicitaram de Mayher a produção de um £Ume de OVNIS, para, supostamente, ser submetido à Força Aérea, para fins de estudos e análise técnica. Prometeram a Mayher que o filme lhe seria devolvido, junto com o resultado da análise a ser feita pela Força Aérea; porém, o que Mayher recebeu de volta foi apenas uma parte do seu filme, do qual ainda foram cortados os trechos de maior interesse,
Aliás, os agentes da CIA eram "fregueses ocasionais" da NICAP, em Washington, onde apareciam vez ou outra em busca de material confidencial.


Certamente, sempre houve céticos, tanto ontem como hoje, que interpretam toda idéia de uma política de camuflagem, levada a efeito por autoridades competentes, como pura imaginação e mania de perseguição dos fanáticos dos OVNIS. Da mesma maneira, os céticos indagam, e com toda a razão, por que os OVNIS — supondo-se que, de fato, se trate de naves espaciais extraterrestres — nunca aterrizaram e estabeleceram contato com os terrenos.
A essa altura, estamos chegando ao aspecto mais bizarro e, aparentemente, inacreditável de todo o fenômeno dos OVNIS. Francamente, eu preferiria deixar de mencionar este aspecto particular do assunto, sem, com isso, ferir sua integridade científica, ou seja, calar a respeito dos "dose encounters of the third kind" — contatos imediatos do terceiro grau —, tratando da presença na Terra de seres vivos, extraterrestres...
Lamentavelmente, não é lícito omitir fatos, porque não agradam à pessoa ou não se enquadram na opinião preconcebida da gente. Por um lado, ficamos decepcionados com relatos de tripulantes de OVNIS, quando, por outro, provavelmente, ouvimos com atenção e interesse relatos que falam de outros contatos com os objetos voadores desconhecidos. Por quê?
O nosso raciocínio, de gente normal, rejeita a própria idéia de "seres parecidos com o homem", suscetível de provocar escárnio, troça e piadas sobre os "homúnculos verdes". Assim, todo o conceito dos OVNIS cai em descrédito. Sim, talvez os OVNIS existam de fato; mas existiriam os tais humanóides? Caso eles, efetivamente, não passem de fantasmagorias, então também os próprios aparecimentos de OVNIS devem ser produtos de pura fantasia. No entanto, esses aparecimentos foram confirmados e os depoimentos a seu respeito reafirmados por tantas testemunhas fidedignas que dificilmente poderiam ser tachadas de adulterações...
"Será que todas essas pessoas foram contaminadas por um vírus alienígena, que não ataca o povo comum? Qual seria essa doença estranha, que vitima pessoas de todas as camadas sociais, não obstante o grau de sua cultura ou sua posição na sociedade?" — é o que pergunta o Prof. J. Allen Hynek no seu livro The UFO experience ("A experiência com os OVNIS").
O exame rigoroso das pessoas que dizem ter vivido "contatos" revela dois grupos distintos:
O primeiro grupo é integrado por pessoas que jamais se interessaram pelo fenômeno dos OVNIS e nele se envolveram por puro acaso. Na maioria das vezes, ficam espantadas com o chamado "contato imediato" e falam muito a contragosto sobre o assunto; geralmente, não tiram conclusões, nem procuram explorar sua vivência para fins lucrativos ou sensacionalistas. Após o incidente, muitas vezes obra do puro acaso, elas voltam ao anonimato do qual saíram, por uns poucos instantes, para se projetarem na luz dos refletores do noticiário. Pouquíssimas vezes, as pesquisas e investigações de suas vivências por especialistas chegam a revelar contradições ou fraudes. Na maioria dos casos, os depoimentos relativos a tais contatos são incontestáveis e resistem firmemente aos métodos de pesquisas, como hipnose, detector de mentiras, drogas da verdade. Todavia, tudo isso não vale como prova absoluta da veracidade dos fatos relatados. Aliás, os chamados contatos imediatos em geral envolvem freqüentemente várias pessoas de uma só vez.
Para os integrantes do segundo grupo, os OVNIS representam a própria razão de sua vida. Após seus contatos imediatos, eles se sentem como o profeta no deserto, eleitos para anunciar a "salvação de todos os mundos". Sem a menor inibição, mas, com toda a pompa, falam de suas viagens (de sonho), através do espaço, em companhia de Rheda, o de olhos azuis, ou Árkon, o louríssimo, de cabelos compridos, e das "obscuras mensagens dos irmãos onipresentes". Em companhia de adeptos, exercem o ofício de sumo sacerdote, no seu clube de OVNIS proferem discursos, escrevem livros contando suas experiências, organizam seitas, aceitam homenagens que lhes são prestadas em congressos especiais, sabem muito bem lidar com a imprensa e acabam ganhando muito dinheiro. Entre outros, produzem fotos de OVNIS, lançando ao ar tampas de latas de lixo, ou utilizando-se outros artifícios.
Em tais condições, seria o caso de se supor haver harmonia entre toda essa gente. No entanto, como diz o provérbio, "dois bicudos não se beijam". Acontece que há brigas constantes entre os diversos grupos, pois eles jamais rezam pela mesma cartilha de "salvação". E, em última análise, a mensagem magna — não obstante toda a encenação, com vestes amplas e pomposas e apesar de todas as comparações do esplendor extraterrestre com a Terra maldita — se reduz à transmissão de uma "mensagem extraterrestre" profana, revelando uma semelhança bastante suspeita com um pseudo-saber, mal digerido e adquirido nas bancas de jornais.
O incidente relatado a seguir, bastante estranho, registrado no verão europeu de 1944, quando metade da Europa estava sob os escombros da Segunda Guerra Mundial, mostra os excessos aos quais aquelas "mensagens extraterrestres" podem levar.
Todas as manhãs, nos arredores de Londres, dentro do recinto fechado do parque de um terreno urbano, cuidadosamente isolado e protegido de olhares curiosos, seis moças, de físico avantajado e completamente nuas, expunham-se aos raios do sol matinal. Na expectativa de conceberem, deitavam-se em camas de lona, abriam as pernas e ficavam lendo a Bíblia. Ao pôr-do-sol, tornavam a vestir suas roupas e, sem proferir palavra, deixavam o parque. Seus lugares eram tomados por outras moças nuas, que se expunham ao luar. Esse estranho ritual era motivado pela crença de Lady R, segundo a qual era possível moças virgens serem fecundadas com o sêmen de seres cósmicos, vindos para a Terra através dos raios do Sol e da Lua. Contudo, lamentavelmente, a concepção cósmica, assim preparada, deixou de produzir o efeito desejado.
Aliás, alguns integrantes do segundo grupo já acertaram seus relógios com o "tempo cósmico" (seja lá o que isso possa significar), Eles contam o tempo em anos-luz, e "por experiência própria", como afirmam, conhecem a vida amorosa dos habitantes do planeta Vênus, bem como suas naves espaciais.
Apesar de todas essas aberrações e não obstante o fato de, por causa disso, o fenômeno dos OVNIS, em sua totalidade, ficar exposto ao ridículo, não nos compete julgar essas pessoas com severidade demasiada, pois, no fundo, elas são inofensivas. Aliás, os motivos de seu comportamento dispensam a análise de um psiquiatra, já que, evidentemente, se prendem a um estado de solidão, a complexos, à ânsia de aparecer, à espera de um salvador, à simples necessidade do indivíduo de ir em busca de uma religião substituta. Deveríamos dispensar compreensão e tolerância a essa gente, visto que, em última análise, esses seus excessos podem ser explicados também pelo atual estado da nossa sociedade, em fase de progressiva desumanização.
Sem dúvida, para o nosso assunto interessam sobretudo os integrantes do primeiro grupo. É evidente como seus relatos, de tripulantes de objetos voadores, realçam características idênticas às observadas no mundo inteiro. Pouco importa o lugar de onde procedem, mas o fato é que esses relatos sempre mencionam seres parecidos com os humanos, de baixa estatura, que trajam roupa brilhante, lembrando um macacão, e capacetes, na maioria dos casos, transparentes. Em geral, as testemunhas conhecem bem o local da ocorrência; muitas vezes, estavam ocupadas em seus afazeres quando tiveram sua atenção voltada para o objeto desconhecido. O número de relatos de contatos imediatos está distribuído eqüitativamente entre pessoas de ambos os sexos e, com freqüência, neles se acham envolvidas também crianças.
Baseado em tais relatos, Hynek chegou a verificar um determinado comportamento uniforme, revelado pelos "ovninautas":
"Eles coletam provas de terra e pedras, que levam para seu objeto voador, a exemplo de como os astronautas terrestres coletaram provas de pedras lunares. Estão interessados nos habitantes da Terra, em suas instalações e veículos e até já foram observados levando consigo coelhos, cães e adubo artificial..."
"Ajudaria muito", diz Hynek, "se fosse possível detectar uma diferença básica entre os contatos imediatos do terceiro grau e os demais. Porém, não há tal diferença. Pouco importa onde esses contatos acontecem — nas Américas, na Austrália ou na França —, pois as circunstâncias descritas são basicamente idênticas."
Aliás, o Prof. Hynek classificou os contatos imediatos da seguinte maneira:

Contato imediato do primeiro grau: aparecimento de um OVNI, a grande distância;
Contato imediato do segundo grau: aparecimento de OVNI, nas proximidades imediatas;
Contato imediato do terceiro grau: contato com os tripulantes do OVNI, dentro ou fora do objeto alienígena.

Como, ao que parece, na maioria dos casos os contatos imediatos envolvem seres parecidos com os humanos, é lícito argumentar que esse detalhe específico prejudica, e muito, a credibilidade de todo o fenômeno. Mesmo que estivéssemos dispostos a aceitar a procedência extraterrestre dos tripulantes dos OVNIS, não seria exigir demais admitirmos ainda a sua semelhança com os habitantes do planeta Terra? Porventura, não seria demais que seres inteligentes — cuja evolução se deu num mundo distante do nosso muitos anos-luz (considerando que, dentro do nosso sistema solar, a Terra, certamente, é o único planeta habitado) — apresentassem características físicas iguais às nossas, como braços, pernas, olhos, nariz, boca e até órgãos genitais?
Por outro lado, alguns cientistas acham que deveríamos aceitar como fato consumado justamente aquelas analogias na aparência física externa de seres inteligentes procedentes de outros mundos. Aliás, o Prof. Roland Puccetti, colaborador do renomado periódico científico The Philosophical Quarterly and Analyses, escreveu o seguinte a esse respeito, no seu livro Inteligência extraterrestre:
"O princípio da convergência na evolução admite uma semelhança pronunciada entre nós e seres extraterrestres. Como acontece no nosso caso, também eles seriam descendentes de feras que vivem em terra firme e, portanto, propensos a agredir fisicamente seus próximos, enquanto se expõem ao perigo de também eles, por sua vez, sofrerem agressão e ferimentos. Considerando que eles seriam de uma espécie biológica diferente da do Homo sapiens, mas com ele parecido, inexiste qualquer motivo defensável a favor da tese que nega a eventualidade de tais sociedades extraterrestres se caracterizarem por uma ampla uniformidade dos seus integrantes individuais, quanto à sua força física e inteligência, embora existam diferenças essenciais e fundamentais entre essas diversas sociedades".
Puccetti parte da idéia de circunstâncias externas análogas levarem à evolução de aspectos e órgãos análogos, em seres vivos geneticamente distintos. Essa convergência significaria que, em todos os planetas do cosmo, existiriam seres vivos capazes de se adaptar ao seu meio ambiente. Por conseguinte, sua constituição orgânica deveria se assemelhar à dos seres que habitam o planeta Terra, isto é, haveria plantas com uma espécie de talo e folhas e "animais" de membros e cabeça. No decorrer do tempo, as formas superiores de vida aperfeiçoariam a faculdade de transmitir as sensações e o raciocínio, chegando, finalmente, a equacionar os seus problemas.
Chegaram a essas mesmas conclusões também o bioquímico Joshua Lederberg, prêmio Nobel, o bioquímico Dr. Joseph Kraut, da Universidade da Califórnia, e o conhecido biólogo Dr. Robert Bieri. Portanto, a idéia de humanóides extraterrestres não é assim tão aberrante. Apesar disso, os relatos de contatos imediatos com extraterrestres sempre nos deixam um tanto perplexos e insatisfeitos.



O contato fantástico, vivido por Antônio Villas Boas




Na tarde de 22 de fevereiro de 1958, Antônio Villas Boas prestou o seguinte depoimento, na cidade do Rio de Janeiro, no consultório médico do Dr. Fontes e na presença do jornalista João Martins, testemunha:
"Meu nome é Antônio Villas Boas, tenho 23 anos, sou agricultor, vivo com minha família numa fazenda de nossa propriedade, situada nas imediações da cidade de São Francisco de Sales, Estado de Minas Gerais, perto dos limites do Estado de São Paulo. Tenho dois irmãos e três irmãs, todos eles morando na vizinhança; outros dois irmãos meus já faleceram. Todos os homens da família trabalham na fazenda, cujas terras abrangem campos extensos e muitas plantações a serem cuidadas. Para lavrar a terra, temos um trator com motor a gasolina, marca International, com o qual trabalhamos em duas turmas, uma diurna, outra noturna, na época do plantio. De dia, trabalham os nossos empregados; de noite, costumo trabalhar sozinho ou, às vezes, junto com meus irmãos. Sou solteiro, tenho boa saúde, trabalho duro, faço um curso por correspondência e estudo sempre que posso. Para mim foi um sacrifício viajar até o Rio, pois estão precisando de mim lá na fazenda. No entanto, considerei meu dever relatar os acontecimentos extraordinários nos quais fui envolvido. Farei de bom grado tudo quanto os senhores acharem que devo fazer e também me prontifico a depor perante autoridades civis e militares.
"Tudo começou na noite de 5 de outubro de 1957. Naquela noite, tivemos visita, razão pela qual fomos dormir somente lá pelas 23 horas, bem depois da hora de costume. Eu estava no meu quarto, em companhia do meu irmão João. Fazia bastante calor naquela noite e, por isso, abri a janela, que dá para o terreiro, quando lá vi uma luz brilhante, que iluminava todo o ambiente. Era uma luz bem mais clara do que a do luar e não consegui distinguir sua procedência. Mas, evidentemente, deveria ser refletida do alto, bem em cima, pois me deu a impressão de holofotes dirigidos para baixo e iluminando a nossa fazenda toda. Porém, lá no céu, eu não pude distinguir coisa alguma. Chamei meu irmão, para ele também ver aquela luz; mas, pacato e comodista como ele só, não se incomodou e achou melhor dormirmos. Em seguida, fechei as venezianas e fomos dormir, No entanto, aquela luz não me saía da cabeça e nem me deixava pregar os olhos, de modo que, sentindo uma curiosidade imensa, tornei a levantar-me e a abrir as venezianas, para ver o que se passava lá fora. A luz continuava inalterada, no mesmo lugar. Fiquei de olhar fixo naquela luz quando, de repente, se deslocou para perto da minha janela. Assustado, bati as venezianas, com tamanho barulho que acordei o meu irmão que já tinha adormecido. Dentro do quarto escuro, ele e eu acompanhamos a luz que entrava pelas venezianas: vímo-la deslocar-se em direção ao telhado, por onde penetrou, então, pelas frestas entre as telhas, Por fim, a luz desapareceu e não voltou mais.
"Em 14 de outubro houve o segundo incidente. Deve ter ocorrido entre 21:30 e 22 horas; não posso precisar a hora exata, pois estava sem relógio. Trabalhei com o trator em companhia de um outro dos meus irmãos. De repente, avistamos uma luz muito clara, penetrante, a ponto de fazer doer a vista. Quando a vimos pela primeira vez, despontou grande e redonda, como uma roda de carroça, na ponta norte do campo, cuja terra lavramos; era de um vermelho claro e iluminou uma grande área. Distinguimos alguma coisa dentro daquela luz, mas não posso precisar o que era, pois fiquei com a vista totalmente ofuscada. Pedi a meu irmão que me acompanhasse até lá, para ver de perto o que havia. Mas ele se negou a me acompanhar. Então, fui sozinho. Quando me aproximei da luz, ela se deslocou repentina e ultravelozmente para a ponta sul do campo, onde ficou novamente parada. Corri atrás da luz, que, então, tornou a voltar para onde estava antes. Tornei a correr atrás da luz, mas ela fugiu de mim, repetindo essa sua manobra umas vinte vezes e não permitindo que eu chegasse perto dela. Então desisti de pegá-la e voltei para junto de meu irmão. Por uns poucos minutos, a luz ficou imóvel, à distância; ela parecia emitir raios intermitentes, em todas as direções, que me fizeram pensar nos raios do sol poente. Em seguida, desapareceu tão repentinamente, que tive a impressão de ter sido apagada. No entanto, não tenho certeza absoluta de as coisas, realmente, se terem passado dessa maneira, pois não sei mais se durante todo o tempo mantive meu olhar fixo na luz. Talvez tenha desviado o olhar por algum instante, ocasião em que ela poderia ter subido de repente.
"No dia seguinte, 15 de outubro, trabalhei sozinho com o trator. Era uma noite fria e o céu noturno, claro, estava salpicado de estrelas. Precisamente à 1 hora vi uma estrela vermelha, de aparência igual à de uma daquelas grandes estrelas bem claras. No entanto, percebi logo que não se tratava de uma estrela, pois aumentou progressivamente de tamanho e parecia se aproximar de mim. Dentro de alguns instantes, tornou-se um objeto brilhante, da forma de um ovo, que se dirigiu a mim a uma velocidade incrível. Sua aproximação era tão veloz que já estava sobre o trator antes de eu poder pensar no que deveria fazer. De repente, o objeto ficou parado e desceu até uns 50 metros acima da minha cabeça. O trator e o campo ficaram iluminados, como mergulhados em plena luz do dia. A luz dos faróis do meu trator ficou completamente ofuscada por aquele brilho penetrante, vermelho-claro. Senti um medo horrível, pois não podia fazer idéia do que seria aquilo. Eu queria fugir com o trator, mas, em comparação com a velocidade daquele objeto, sua marcha era lenta demais e foram inúteis todos os meus esforços para acelerá-lo. Da mesma forma, pular do trator e tratar de fugir a pé, correndo na terra recém-lavrada, tampouco me teria adiantado qualquer coisa; ademais, desse jeito, eu me teria arriscado a fraturar uma perna.
"Enquanto fiquei lá, uns dois minutos, hesitante, sem saber o que fazer, a luz tornou a se deslocar e parou a uns 10 a 15 metros à frente do meu trator, para, então, lentamente, pousar no solo. Aproximou-se de mim, mais e mais, até que consegui distinguir que se tratava de uma máquina fora do comum, quase redonda, com pequenas luzes vermelhas dispostas em toda a sua circunferência. À minha frente, havia um enorme farol vermelho, que ofuscou minha vista quando o objeto desceu. Agora distinguia nitidamente os contornos da máquina; ela era parecida com um ovo alongado, apresentando três picos, um no meio e um de cada lado; eram picos metálicos, de ponta fina e base larga; não pude distinguir sua cor, por causa da forte luz vermelha em que estavam mergulhados. Em cima havia algo girando a alta velocidade, que, por sua vez, emitia uma luz vermelha, fluorescente.
"No instante em que a máquina desacelerou para pousar, as rotações da peça giratória diminuíram e a luz se tornou — assim me parecia — verde. Naquele momento, a peça giratória era como um prato ou uma cúpula achatada; não sei se realmente era assim ou apenas me impressionou como sendo assim, enquanto estava em movimento. Aliás, aquela peça giratória jamais parou, por um segundo sequer, mantendo-se em rotação permanente, mesmo depois de o objeto voador encontrar-se no solo.
"Porém, a maioria desses detalhes só notei um pouco mais tarde, porque, logo de início, fiquei nervoso demais para percebê-los, E quando, alguns metros acima do solo, a parte de baixo do objeto se abriu e dele saíram três suportes metálicos, perdi os últimos resquícios do meu autocontrole. Evidentemente, estava descendo o trem de pouso, para suportar o peso do objeto na aterrizagem. Mas eu não estava disposto a esperar para ver do que se tratava. Durante esse tempo todo, o trator estava com o motor ligado e, então, pus o pé no acelerador, desviei-o do objeto voador e tentei escapar, mas após avançar alguns metros, o motor parou e os faróis se apagaram. Eu não sabia por quê, pois o motor estava ligado e os faróis estavam acesos. Dei partida, mas o motor negou. Em vista disso, pulei do trator, que estava atrás do objeto, e me meti a correr. Porém, um minúsculo ser estranho, que mal chegava à altura dos meus ombros, pegou no meu braço. Desesperado, apliquei-lhe um golpe, que o fez perder o equilíbrio, largar o meu braço e cair para trás. Novamente, tentei correr, quando, instantaneamente, três outros seres alienígenas pegaram-me por trás e pelos lados, segurando meus braços e minhas pernas e levantando-me do solo, sem que eu pudesse esboçar sequer o menor gesto. Tentei me livrar deles, mas me seguraram firme e não me deixaram escapar. Aí, então, gritei por socorro, maldisse-os e exigi que me soltassem. Meus seqüestradores devem ter ficado espantados ou curiosos com os gritos, pois, enquanto me levavam para o objeto voador, toda vez que abria a boca, me olhavam na cara, sem, no entanto, afrouxar a garra com que me prendiam. Tirei essa conclusão da sua atitude para comigo e, com isso, fiquei um pouco aliviado. Carregaram-me até a máquina, que estava pousada uns 10 metros acima do solo, sobre os suportes metálicos já descritos. Na parte traseira do objeto voador havia uma porta, que se abria de cima para baixo, e, assim, serviu de rampa. Na sua ponta havia uma escada de metal, do mesmo metal prateado das paredes da máquina, e que descia até o solo. Os meus seqüestradores alienígenas tiveram dificuldades em me fazer subir aquela escada, que só dava para duas pessoas, uma ao lado da outra, e, além do mais, não era firme, mas, sim, móvel, balançando fortemente a cada uma das minhas tentativas de me livrar dos meus captores. De cada lado havia um corrimão, da espessura de um cabo de vassoura, no qual me agarrei, para não ser levado para cima, o que fez com que eles tivessem de parar, a fim de tirar as minhas mãos daquela peça. No entanto, também o corrimão era móvel, e quando desci por aquela escada, tive a impressão de ser de elos de corrente.
"Por fim, conseguiram me levar para o interior do objeto, onde me deixaram em um pequeno recinto quadrado. A luz brilhante do teto metálico refletia-se nas paredes de metal polido; era emitida por numerosas lâmpadas quadradas, embutidas debaixo do teto, ao redor da sala.
"Deixaram-me de pé, no chão. A porta de entrada, junto com a escada recolhida, levantou-se e se fechou. O recinto estava iluminado como se fosse pela luz do dia, mas, mesmo sob essa luz brilhante, não se percebia o lugar da porta, que, depois de fechada, ficou totalmente integrada à parede. Um dos cinco seres presentes apontou com a mão para uma porta aberta e me fez compreender que eu deveria segui-lo para aquele recinto contíguo. Obedeci, já que não havia outro jeito.
"Prosseguimos então para aquele recinto, que era maior do que o outro e semi-oval. Lá, as paredes brilhavam como as da sala anterior. Creio que me encontrava bem no setor central da máquina, pois no meio havia uma coluna redonda, aparentemente maciça, mais estreita no meio. Dificilmente aquela coluna estaria ali apenas a título de enfeite. A meu ver, ela suportava o teto. Os únicos móveis existentes eram uma mesa de desenho esquisita e várias cadeiras giratórias, parecidas com as nossas cadeiras de balcão de bar. Todos os objetos eram de metal. A mesa e as cadeiras tinham um só pé no centro, que, na mesa, era firmemente fincado na base; nas cadeiras, o pé era ligado a três reforços laterais salientes, por um anel móvel e embutido no piso. Assim, as cadeiras tinham movimento livre para todos os lados.
"Os seres alienígenas continuaram a me segurar e, evidentemente, conversavam a meu respeito. Quando digo conversavam é bom frisar que aquilo o que deles ouvi não teve sequer a menor semelhança com sons humanos, Tampouco, posso imitar sua fala. De repente, pareciam ter chegado a uma decisão. Todos os cinco começaram a me despir. Eu me defendi o melhor que pude, gritei, xinguei. Eles pararam, me olharam e tentaram fazer-me compreender que queriam passar por gente educada. No entanto, mesmo assim, continuaram a me despir, até que fiquei completamente nu; e, apesar dos meus violentos protestos, debatendo-me fortemente durante todo aquele processo, não chegaram a me machucar nem a rasgar qualquer peça de minha roupa.
"Por fim, lá estava eu, completamente pelado e com um medo horrível, pois não sabia o que fariam em seguida. Um dos meus seqüestradores aproximou-se de mim, segurando algo que me parecia uma espécie de esponja, com a qual passou um líquido em todo o meu corpo. Era uma esponja bem macia, não uma daquelas esponjas comuns, e o líquido era bem claro e inodoro, porém mais viscoso do que a água. Primeiro, pensei que fosse um óleo, mas não pode ter sido, porque a minha pele não ficou oleosa, nem gordurosa; quando passaram aquele líquido no meu corpo, senti um frio intenso, pois, além de a noite estar fria, naqueles dois restos, no interior da máquina, a temperatura era bastante baixa. Sofri por ficar despido, mas sofri ainda mais depois de me terem passado aquele líquido, e tremi como vara verde, de tanto frio que senti. No entanto, o líquido secou logo e, pouco mais tarde, já não senti mais nada.
''Então, três dos meus seqüestradores me levaram para a porta, do lado oposto daquela pela qual entrei no interior da máquina. Um deles tocou em algo bem no centro da porta, que, em seguida, se abriu para os dois lados, como uma porta de encaixar, de bar, feita de uma só folha, do piso ao teto. Em cima, havia uma espécie de inscrição com letreiros luminosos vermelhos; os efeitos da luz deixaram aqueles letreiros salientes, destacados da porta em 1 ou 2 centímetros. Eram totalmente diferentes de quaisquer dos símbolos ou caracteres que conheço; procurei gravá-los em minha memória, mas já os esqueci.
"Em companhia de dois dos seres alienígenas, ingressei em uma pequena sala quadrada, iluminada como os demais recintos; a porta fechou-se atrás de mim. Quando olhei para lá, nada havia de porta, somente uma parede igual às outras.
"De repente, a parede tornou a se abrir e pela porta entraram mais dois seres; levavam nas mãos dois tubos de borracha vermelha, bastante grossos, cada um medindo mais de 1 metro. Uma das pontas do tubo estava ligada a um recipiente de vidro em forma de taça; na outra ponta havia uma peça de embocadura, parecida com uma ventosa, que colocaram sobre a minha pele, debaixo do queixo, onde ainda tenho uma mancha escura, que ficou como cicatriz. Antes de o alienígena iniciar sua operação, comprimiu o tubo de borracha fortemente com a mão, como se dele quisesse expelir todo o ar. Logo no início, não senti dores, nem comichão, mas notei apenas que minha pele estava sendo sugada; em seguida, senti que ela ardia e tive vontade de me cocar; enfim, descobri que a pele ficou machucada, ferida. Depois de me terem colocado o tubo de borracha, vi como a taça se encheu lentamente do meu sangue até a metade. Aí, então, pararam; retiraram o tubo de borracha e substituíram-no pelo outro. Sofri nova sangria; dessa vez, no outro lado do queixo. Os senhores podem verificar uma mancha escura, igual à que já lhes mostrei. Daquela vez, a taça ficou cheia até a borda. Terminada a sangria, os homens retiraram o tubo de borracha e também nesse lugar a minha pele ficou ferida, ardendo e me deixando com coceira. Depois disso, eles saíram, fecharam a porta e eu fiquei sozinho naquela sala.
"Por um bom tempo, ninguém se preocupou comigo e fiquei a sós por mais de meia hora. Naquela sala não havia móveis, exceto uma espécie de cama, sem cabeceira nem moldura. Como aquela cama era curva, com uma saliência bem no meio, não era muito cômoda, mas, pelo menos, era macia, como se fosse feita de espuma e coberta com uma fazenda grossa, cinzenta, também macia.
"Como me senti cansado depois de tudo o que passei, sentei-me naquela cama. No mesmo instante, senti um cheiro forte, estranho, que me causou náuseas; tive a impressão de inalar uma fumaça grossa, cortante, que me deixou quase asfixiado. Talvez fosse isso mesmo, pois, quando examinei a parede pela primeira vez, notei uma quantidade de pequenos tubos metálicos com uma das pontas tapadas embutidos na parede, à altura da minha cabeça. Semelhantes a um chuveiro, apresentavam múltiplos furinhos, pelos quais saiu uma fumaça cinzenta, que se dissolveu no ar. Daí, o mau cheiro. Senti-me bastante mal e fiquei com ânsias de vômito; fui para um canto da sala e vomitei. Em seguida, pude respirar sem dificuldades, porém continuei a me sentir mal com aquele cheiro.
"Fiquei bastante deprimido. O que será que eles pretendiam de mim?
"Até aquela hora não fazia a menor idéia de como seria a aparência daqueles alienígenas. Os cinco usavam macacões bem colantes, de uma fazenda grossa, cinzenta, muito macia e, em alguns pontos, colada com tiras pretas. Cobrindo a cabeça e o pescoço, usavam um capacete da mesma cor, mas de material mais consistente — não sei de que era —, reforçado atrás, com estreitas tiras de metal. Esse capacete cobria toda a cabeça, deixando à mostra somente os olhos, que pude distinguir através de algo parecido com um par de óculos redondos. Os homens estranhos fixaram-me com seus olhos claros, que me pareciam azuis. Acima dos olhos, o capacete tinha duas vezes a altura de uma testa normal. Provavelmente, sobre a cabeça, debaixo do capacete, usavam mais alguma coisa. A partir do meio da cabeça, descendo pelas costas e entrando no macacão, à altura das costelas, notei três tubos redondos de prata, dos quais não sei dizer se eram de borracha ou metal. O tubo central descia pela coluna vertebral; à esquerda e à direita desciam os dois outros tubos, até uns 10 centímetros abaixo das axilas. Não vi nenhuma depressão ou protuberância que indicasse uma ligação entre esses tubos e um recipiente ou instrumento escondido debaixo do macacão.
"As mangas do macacão eram estreitas e compridas; os punhos continuavam em luvas grossas, de cinco dedos, da mesma cor, que, obviamente, dificultavam o movimento das mãos. Percebi como os homens mal conseguiam tocar com as pontas dos dedos a parte interna da mão. Contudo, isso não os impediu de me segurar com bastante firmeza e manipular habilmente os tubos de borracha enquanto me fizeram a sangria.
"Quanto aos seus macacões, creio que eram uma espécie de uniforme, pois todos os tripulantes usavam um escudo do tamanho de uma rodela de abacaxi, que se ligava a uma estreita cinta sem fivela através de uma tira de pano prateado ou metálico. Nenhum dos macacões tinha bolsos ou botões. As calças eram compridas e colantes e continuavam numa espécie de sapatos de tênis, sem, no entanto, mostrar onde terminava a calça e começava o sapato. Todavia, a sola dos sapatos deles era de 4 a 7 centímetros de espessura; era bem diferente da dos nossos sapatos. Nas pontas, os sapatos eram levemente encurvados para cima, mas não como a gente vê nas personagens dos contos de fadas. Os alienígenas se movimentavam hábil e rapidamente; só que o macacão parecia interferir um pouco nos movimentos do corpo, pois eles me impressionaram como figuras um tanto rígidas. Todos eles eram do meu tamanho, menos um, que não chegava à altura do meu queixo. Eram fisicamente fortes, mas não a ponto de me meterem medo; lá na minha terra, eu não teria dúvida em brigar com qualquer um deles.
"No meu entender, passou-se uma verdadeira eternidade, quando então um ruído na porta interrompeu as minhas meditações. Virei-me para lá e vi uma moça aproximando-se de mim. Lentamente, veio ao meu encontro. Estava totalmente nua, descalça — como eu. Fiquei perplexo e, aparentemente, ela achou divertida a expressão do meu rosto. Era muito formosa, completamente diferente das outras mulheres que conheço. Seus cabelos eram macios e louros, quase da cor de platina — como que esbranquiçados — e lhe caíam na nuca, com as pontas viradas para dentro. Usava o cabelo repartido ao meio e tinha grandes olhos azuis, amendoados. Seu nariz era reto. Os ossos das faces, muito altos, conferiam às suas feições uma aparência heterogênea, deixando o rosto bem mais largo do que o das índias sul-americanas e, com o queixo pontudo, ele ficava quase triangular. Tinha os lábios finos, pouco marcados, e suas orelhas (que cheguei a ver mais tarde) eram exatamente como as das nossas mulheres terrestres. Tinha o corpo mais lindo que jamais vi em moça alguma, com os seios bem formados, firmes e altos, cintura fina. Os seus quadris eram largos, as coxas compridas, os pés pequenos, as mãos finas e as unhas normais. Ela era de estatura bem baixa, e sua cabeça mal chegava aos meus ombros.
"Essa moça se aproximou de mim, em silêncio; fitou-me com seus olhos grandes, expressando expectativa, dizendo que estava esperando algo de mim. De repente, ela me abraçou e começou a esfregar seu rosto contra o meu, enquanto apertava o corpo contra o meu. Tinha a pele alvíssima das nossas mulheres louras e os braços cheios de sardas. Senti somente o cheiro de seu corpo, tipicamente feminino, sem nenhum perfume na pele ou nos cabelos.
"A porta tornou a se fechar. A sós com aquela moça, que não me deixou a menor dúvida quanto a seus desejos, fiquei muito excitado. Considerando a situação em que me encontrava, isso parece um tanto improvável, mas creio que foi por causa do líquido que passaram no meu corpo. Devem tê-lo passado de propósito. Só sei que não consegui mais refrear meu apetite sexual. Jamais isso me acontecera. Enfim, acabei não pensando em mais nada, peguei a moça e retribuí suas carícias. Era um ato normal e ela comportou-se como qualquer outra mulher, mesmo após várias repetições do ato. Depois, ela ficou cansada e respirou com dificuldade. Eu ainda continuei em estado de forte excitação, mas ela recusou meu amor. Quando percebi a recusa, fiquei desiludido. Pensei, era esse o papel que me coube desempenhar: o de um touro de raça, selecionado para promover um cruzamento experimental. Fiquei um tanto zangado, mas não mostrei emoção alguma, pois, apesar de tudo, tive uma experiência bastante agradável. Porém, eu não trocaria uma das nossas moças por ela, porque prefiro uma para conversar e que entenda o que a gente fala. Além disso, seu grunhido, em alguns momentos, deixou-me irritado. Tampouco ela sabia beijar, a não ser que as leves mordidas no meu queixo valessem por um beijo. Em todo caso, não tenho certeza de nada disso. Só achei esquisito que os cabelos de suas axilas e aqueles em outro lugar fossem vermelho-sangue.
"Pouco depois de nossos corpos se terem separado, a porta se abriu e um dos homens alienígenas chamou a moça. Antes de sair da sala, ela virou-se para mim, apontou, primeiro, para sua barriga, depois, com uma espécie de sorriso, para mim e, por último, para o céu — acho que foi para o quadrante sul. Depois, ela saiu. Interpretei esse gesto como uma advertência, prenunciando sua volta, quando, então, ela me levaria consigo, para onde quer que fosse. Até hoje estou tremendo de medo, ao pensar que, se e quando retornarem e me seqüestrarem de novo, estarei definitivamente perdido. De jeito algum estaria disposto a me separar da minha família e abandonar a minha terra.
"Àquela altura, um dos alienígenas voltou com a minha roupa, que tornei a vestir. Devolveram-me tudo, menos o meu isqueiro, que bem poderia ter caído ao chão, durante a luta com meus seqüestradores. Voltamos para o outro recinto, onde três dos tripulantes estavam sentados nas cadeiras giratórias, grunhindo um para o outro (acho que conversavam). Aquele que veio me buscar juntou-se a eles e me deixou sozinho. Enquanto eles falavam, procurei gravar na memória todos os detalhes ao meu redor e observar minuciosamente tudo quanto ali se passava. Assim, reparei que dentro de uma caixa com tampa de vidro que estava sobre uma mesa havia um disco parecido com um mostrador de relógio; havia um ponteiro e, no lugar dos números 3, 6 e 9, uma marcação negra. Somente no lugar em que normalmente está o número 12 havia quatro pequenos símbolos negros, um ao lado do outro. Não sei para que serviria isso, mas foi assim que o vi.
"Primeiro, pensei que aquele instrumento fosse uma espécie de relógio, pois, vez ou outra, um dos alienígenas o fitava. No entanto, dificilmente seria um relógio, pois, durante todo o tempo, os ponteiros permaneceram imóveis.
"Aí, então, tive a idéia de pegar naquela coisa e levá-la comigo, a título de prova da minha aventura. Com aquela caixa, o meu problema teria sido resolvido. Quem sabe, quando os homens notassem meu interesse por aquele objeto, talvez me fizessem presente dele. Tratei de me aproximar dele, aos poucos, e, quando eles não me olhavam, puxei-o da mesa com as duas mãos. Pesava certamente uns 2 quilos. Porém, eles não me deram tempo nem para olhá-lo de perto, pois, com a rapidez de um raio, um dos homens empurrou-me para o lado, tirou a caixa das minhas mãos e, furioso, tornou a colocá-la no lugar.
"Recuei até a parede mais próxima e fiquei parado, imóvel. Normalmente, não costumo sentir medo, mas, naquela situação, achei melhor ficar quieto, pois já sabia que eles me tratavam bem somente quando meu comportamento era do agrado deles. Para que, então, correr um risco, sem qualquer chance de êxito ou proveito? Portanto, fiquei parado ali, à espera de que as coisas acontecessem.
"A moça não apareceu mais, nem despida, nem vestida; mas descobri onde ela deveria estar. Na parte dianteira do recinto grande havia mais uma porta, um pouco entreaberta, e, vez ou outra, dava para ouvir o ruído de passos dirigindo-se de um lado para outro. Como todos os demais tripulantes estavam naquele recinto grande, os passos que ouvi somente poderiam ter sido da moça. Suponho que essa parte dianteira se tratava da cabine de navegação da máquina; porém, não tenho condições de prová-lo.
"Enfim, um dos homens levantou-se e me fez um sinal para segui-lo. Os demais nem me olharam e, assim, atravessamos a pequena ante-sala, até a porta de entrada, já aberta e com a escada descida. No entanto, ainda não descemos, mas o homem me fez compreender que eu devia acompanhá-lo até a rampa que havia em ambos os lados da porta; ela era estreita, mas permitiu dar uma volta completa ao redor da máquina. Primeiro, fomos para a frente e lá vi uma protuberância metálica sobressaindo da máquina; na parte oposta havia essa mesma protuberância. A julgar por sua forma, concluí que talvez fosse o dispositivo de controle para a decolagem e pouso da máquina. Devo admitir que jamais vi aquele dispositivo em funcionamento, nem quando a máquina levantou vôo, razão pela qual não sei explicar sua função.
"Em frente, o alienígena apontou para os picos de metal, ou melhor, as esporas metálicas já mencionadas. As três estavam firmemente ligadas à máquina; a do meio, diretamente com a parte dianteira. As três esporas tinham a mesma forma, base larga, diminuindo para uma ponta fina e sobressaindo horizontalmente. Não posso avaliar se eram do mesmo metal da máquina; elas brilhavam como metal incandescente, mas não irradiavam nenhum calor. Um pouco acima das esporas metálicas havia luzes vermelhas; as duas laterais eram pequenas e redondas, ao passo que a da parte dianteira era enorme. Eram os possantes faróis, que já descrevi.. Acima da rampa, ao redor da máquina, estavam dispostas inúmeras lâmpadas quadradas, embutidas no casco da máquina. Seu brilho vermelho refletiu-se na rampa, a qual, por sua vez, terminava em uma grande placa de vidro grosso, que entrava fundo no revestimento de metal. Como não havia janelas em parte alguma, julguei que aquela vidraça serviria para olhar o mundo lá fora, mesmo que não desse boa visão, pois, visto de fora, o vidro parecia bastante turvo.
"A meu ver, as esporas metálicas na frente dianteira deveriam estar relacionadas com a força de propulsão, pois, quando a máquina levantou vôo, seu brilho ficou muito intenso e se confundiu por completo com o da luz do farol principal.
"Após a vistoria da parte frontal da máquina, voltamos para a parte traseira (que apresentava uma curvatura bem mais pronunciada do que a da dianteira), mas, antes disso, paramos mais uma vez, quando o alienígena apontou para cima, onde estava girando a imensa cúpula em forma de prato. Ao girar lentamente, mergulhava numa luz esverdeada, cuja fonte não consegui detectar; simultaneamente, emitia um som parecido com assobio, lembrando o ruído de um aspirador ligado ou de ar que entrasse por numerosos pequenos orifícios.
"Quando, mais tarde, a máquina decolou, as rotações da cúpula se aceleraram progressivamente, até desaparecer por completo, e, em seu lugar, permanecer apenas um brilho de luz vermelho-clara. Ao mesmo tempo, o ruído cresceu para um estrondoso uivar e, com isso, para mim não havia dúvida de que a velocidade da rotação da cúpula determinava o volume do som do ruído.
"Depois de me ter mostrado tudo, o alienígena me levou para a escada metálica e me deu a entender que eu estava livre para sair. Ali estava ele, apontando, primeiro, para si próprio, depois, para mim e, finalmente, para o quadrante sul, lá no céu. Em seguida, fez sinal de que ia recuar e desapareceu no interior da máquina.
"A escada metálica foi se encurtando, com um degrau se empilhando sobre o outro, como em uma pilha de lenha, e, ao chegar lá em cima, a porta se levantou — quando aberta, formava a rampa —, até ficar embutida na parede da máquina e tornar-se invisível. As luzes das esporas metálicas do farol principal e da cúpula ficaram progressivamente mais intensas com o aumento das rotações. Lentamente, a máquina subiu, em linha vertical, recolhendo, ao mesmo tempo, seu trem de pouso; em seguida, a parte de baixo do objeto parecia tão lisa, como se de lá jamais tivesse saído coisa alguma.
"O objeto voador subiu devagar, até uns 30 a 50 metros de altura; lá parou por alguns segundos, enquanto sua luminosidade se tornava mais intensa. O ruído de uivar tornou-se mais forte, a cúpula começou a girar a uma velocidade enorme, ao passo que sua luz foi se transformando progressivamente, até ficar vermelho-clara. Naquele instante, a máquina inclinou-se ligeiramente para o lado, ouviu-se uma batida rítmica e, repentinamente, desviou-se para o sul, desaparecendo de vista uns poucos segundos depois.
"Finalmente, voltei para o meu trator. À 1:15 horas fui levado, contra a minha vontade, para o interior da máquina alienígena, de onde saí às 5:30 horas da madrugada. Portanto, me deixaram preso durante quatro horas e quinze minutos. Bastante tempo.
"Nada falei dessa minha experiência a ninguém, a não ser à minha mãe, a única pessoa com quem me abri. Ela achou melhor jamais ter contato com gente assim. Não tive coragem de falar coisa alguma ao meu pai. Já lhe havia falado anteriormente sobre a luz na cúpula, mas ele não acreditou em minhas palavras e achou que tudo aquilo era pura imaginação. Mais tarde, resolvi escrever ao Sr. João Martins, contando o que houve; para tanto fui motivado pela leitura do seu artigo publicado em novembro próximo passado, na revista O Cruzeiro, solicitando que os leitores lhe enviassem qualquer relato referente a discos voadores. Se eu tivesse dinheiro, já teria viajado para o Rio em data anterior, mas, como não tinha, foi preciso aguardar sua resposta e a oferta de financiar parte das minhas despesas de viagem."

Notas clínicas e relatório sobre o exame médico, assinado pelo Dr. Olavo Fontes:

Dados pessoais
Antônio Villas Boas, branco, solteiro, fazendeiro, residente em São Francisco de Sales, Minas Gerais.

Ficha clínica
Conforme seu depoimento, ele deixou a máquina em 16 de outubro de 1957, às 5:30 horas. Seu estado físico era de bastante fraqueza, pois nada tinha comido desde as 21 horas da véspera, e, enquanto esteve na máquina, vomitou diversas vezes. Voltou para casa exausto e dormiu quase o dia todo. Ao acordar, às 16:30 horas, sentiu-se bem e tomou uma refeição regular. No entanto, já naquela noite e nas noites seguintes, não conseguia dormir. Ele ficava muito nervoso, fortemente excitado, e, sempre que conseguia pegar no sono, sonhava com os acontecimentos da noite anterior, como se tivesse de reviver tudo aquilo. A essa altura despertava com um grito e tinha a sensação de estar outra vez preso por seus seqüestradores.
Após ter passado repetidamente por aquela experiência, desistiu de tentar dormir naquela noite e procurou passá-la lendo e estudando. No entanto, tampouco logrou realizar esse intento, pois não conseguia concentrar-se naquilo que estava lendo; seus pensamentos sempre voltavam e giravam em torno dos acontecimentos daquela noite fatídica. Ao raiar o dia, ele estava completamente confuso, correndo de um lado para outro, fumando um cigarro após outro. Sentiu-se cansado, exausto. Teve vontade de comer alguma coisa, mas acabou tomando somente um cafezinho; logo em seguida, sentiu-se mal, vomitou; a ânsia de vômito e as fortes dores de cabeça continuaram durante todo o dia. Como ele estava absolutamente sem apetite, rejeitou qualquer alimento.
Também a segunda noite após o incidente, ele a passou em claro e no mesmo estado físico. Ainda sentiu seus olhos arderem, mas as dores de cabeça cederam.
No segundo dia, continuou com ânsia de vômito e sem apetite, porém não vomitou mais, provavelmente porque nada comeu. Os olhos lhe ardiam mais e começaram a lacrimejar constantemente, embora não fosse constatada qualquer inflamação do tecido conjuntivo, nem fossem achados sintomas de outra irritação da vista ou impedimento da visão. Na terceira noite, o paciente conseguiu dormir normalmente. A partir de então, ele sentiu uma excessiva necessidade de sono, que perdurou por mais de um mês. Chegou a cochilar até durante o dia, pouco importando onde se encontrasse ou o que estivesse fazendo; cochilava mesmo enquanto conversava com outras pessoas. Para adormecer, bastava ficar quieto algum tempo. Durante aquele estado de sonolência, seus olhos continuavam a arder e a lacrimejar. Quando, no terceiro dia, as ânsias de vômito cederam, seu apetite voltou e ele comeu normalmente. Seus olhos pioravam, quando expostos ao sol, e, assim, procurou evitar toda claridade. No oitavo dia, quando já estava trabalhando no campo, sofreu uma ligeira efusão de sangue no antebraço; no dia seguinte, o hematoma infeccionou, formando pus e provocando coceiras. Depois de sarar, no lugar do hematoma ficou um círculo vermelho. Cerca de quatro a dez dias mais tarde, de repente e sem qualquer ferimento prévio, semelhantes lesões dermatológicas apareceram nos antebraços e nas pernas. Começavam com uma pústula, aberta ao meio, que provocava fortes coceiras e levava de dez a vinte dias para sarar. O paciente referiu que essas pústulas, depois de sarar, deixavam cicatrizes, com manchas vermelhas escuras à sua volta.
Ele informou que anteriormente jamais havia sofrido de eczemas ou irritações cutâneas, tampouco de hematomas, contusões ou feridas abertas (segregando sangue); quando estas últimas apareciam, vez por outra, eram tão leves que nem chegava a notá-las. No décimo quinto dia após sua experiência, surgiram duas manchas amareladas, mais ou menos simetricamente dispostas, à direita e à esquerda do nariz, e o paciente comentou a respeito: "Aquelas manchas eram esbranquiçadas, como se a pele estivesse carente de irrigação sangüínea". Depois de uns dez dias, as manchas desapareceram tão de repente quanto surgiram. Ao lado das cicatrizes deixadas pelas pústulas, esporadicamente surgidas nos braços, ao longo desses últimos meses, ainda ficaram duas pequenas feridas abertas. Os demais sintomas descritos não tornaram a aparecer, até o momento. Atualmente, o paciente se sente bem e ele próprio considera bom o seu presente estado de saúde.
Ele nega a ocorrência de sintomas, como febre, diarréia, hemorragias, icterícia, durante a fase aguda da sua doença ou logo em seguida. Tampouco referiu depilação no corpo ou rosto, ou queda de cabelos, de outubro até hoje. Na fase da sonolência, sua capacidade de trabalho não ficou notadamente diminuída. Da mesma maneira, não se registrou qualquer diminuição na sua libido, na sua potência ou visão, como não teve anemia, nem pústulas na boca.

Anamnésia
Quanto a doenças infantis agudas, o paciente referiu ter sofrido de sarampo e varicela, sem complicações. Não teve doenças venéreas. Em anos passados, sofreu de uma colite, que não incomoda mais.

Exame médico
Trata-se de pessoa do sexo masculino, de cor branca, cabelos pretos, macios, olhos escuros. Ausência de sintomas de males agudos ou crônicos.
Biótipo: pernas compridas, leptossômico.
Fácies: atípico, altura média (1,64 metro, sem sapatos), esbelto, porém forte e de musculatura bem desenvolvida.
Estado de nutrição: nenhum sintoma de carência de vitaminas; nenhuma má formação ou anomalia física.
Pêlos do corpo e características sexuais: normais.
Dentes: em bom estado de conservação.
Gânglios: não palpáveis externamente.
Mucosas: todas um tanto pálidas.

Exame dermatológico
Foram constatadas as seguintes alterações patológicas: 1) À direita e à esquerda do queixo, duas pequenas manchas, hipercromáticas, quase redondas; uma delas é do tamanho de uma moeda de dez centavos; a outra é maior e de contornos irregulares. Ali, a pele parece ser mais fina e delicada, como que recém-formada ou um tanto atrofiada. Inexistem pontos de referência para determinar o tipo e a idade daquelas duas manchas. Tudo quanto se pode dizer a respeito resume-se no seguinte: são cicatrizes de feridas superficiais, na pele, relacionadas com efusão de sangue, datando, no máximo, de uns doze meses e, no mínimo, de um mês. É lícito supor que se trata de manchas da pele, as quais, provavelmente, desaparecerão dentro de alguns meses. Além dessas manchas, não foram constatadas outras manchas similares ou marcas na pele.
2) Foi notada a presença de cicatrizes deixadas por feridas na pele (datando de alguns meses, no máximo) na parte externa da mão, nos antebraços e nas pernas. O exame revelou tratar-se de pequenas pústulas ou feridas cicatrizadas, com desprendimento da pele, as bordas esfoladas, o que permite concluir por seu aparecimento em data recente. Duas dessas pústulas, no braço direito e no esquerdo, ainda não chegaram a sarar; apresentam-se como pequenos nós ou bubões, salientes, avermelhados; são mais duros do que a pele ao seu redor, causam dor quando comprimidos e, no seu centro, segregam um líquido amarelado, seroso. A pele circundante apresenta alterações inflamatórias. Vestígios de pequenos arranhões, feitos pelas unhas do paciente, permitem supor que se trata de urticária.
Quanto às alterações patológicas constatadas, cumpre mencionar que todas as cicatrizes e alterações dermatológicas se encontram no centro de uma área hipercromática, de cor lilás-clara, um sintoma completamente fora do âmbito das nossas experiências, razão pela qual não é possível avaliar a importância ou o significado de tais áreas. Como o médico examinador não é dermatologista, carece das condições necessárias para a devida diagnose desse sintoma e, assim, limita-se a descrever as alterações em apreço, que, aliás, também foram documentadas por fotos.

Estado neurológico
Orientação no espaço e tempo: boa.
Reações sensoriais, afecções: dentro do normal.
Atenção espontânea e estimulada: normal.
Percepções e associações mentais: reações normais.
Memória a longo e a curto prazo: boa.
Memória visual: extraordinária; detalhes relatados verbalmente são, de imediato, esboçados ou ilustrados pelo próprio paciente.
Ausência de quaisquer sintomas diretos ou indiretos de uma doença mental.

(ass.) Olavo Fontes, doutor em medicina
Rio de Janeiro, 22 de fevereiro de 1958.


Em resumo, o Dr. Fontes tornou a salientar que, logo no início dos exames, soube que Antônio não tem qualquer disposição psicopática. Ao prestar depoimento, nem por uma só vez ele caiu em contradições ou perdeu o autocontrole. Quando, por algumas ocasiões, hesitou em responder a uma pergunta, revelou comportamento normal de um indivíduo que não quer responder a determinadas perguntas, sobre circunstâncias fora do comum. Toda vez que isso aconteceu, ele disse, simplesmente: "Não sei" ou "Não sei explicar isso", mesmo sabendo que tais evasivas poderiam pôr em dúvida a credibilidade do seu relato.
Aliás, Antônio disse ao jornalista João Martins que se sentiu sem jeito para falar de certos detalhes, mormente daqueles relacionados com a experiência com a moça. Quanto a esse particular, Antônio não estava disposto a voluntária e espontaneamente dar maiores detalhes e foi preciso usar de muita persistência para que desse pormenores a esse respeito.
Aliás, tais manifestações emocionais correspondem perfeitamente àquilo que seria de se esperar de um homem psicologicamente normal, da procedência e do nível de cultura de Antonio.
Tampouco, Antônio revelou inclinações para a superstição, o misticismo; não considerou os tripulantes do objeto voador como anjos, super-homens ou demônios, mas, sim, achou que se tratava simplesmente de homens provenientes de outras regiões, de um outro planeta. Ele explicou essa idéia pelo fato de o tripulante que o acompanhou ao deixar o objeto voador ter apontado, primeiro, para ele, depois, para o solo e, por fim, para o céu. Além disso, durante toda a sua permanência a bordo, Antônio observou como os tripulantes usavam uniformes e capacetes fechados; dali ele concluiu que o ar normalmente aspirado por eles deve ser diferente do da Terra.
Quando o jornalista João Martins disse a Antônio que, caso seu relato viesse a ser divulgado, muitas pessoas iriam considerá-lo um louco ou um impostor, ele não se impressionou absolutamente diante de tais perspectivas, mas disse apenas:
"Nesse caso, convidaria as pessoas que falam tais coisas a irem até minha terra e solicitar-lhes-ia que se informassem sobre a minha pessoa. Logo saberiam do conceito de que desfruto lá, se sou considerado um homem direito, ou não".
Decerto, João Martins tinha toda a razão acerca da sua previsão, pensando que, para muita gente, Antônio seria considerado um pobre louco. No entanto, supondo que Antônio tivesse inventado aquela história, qual seria sua motivação? Dificilmente ele auferiria lucros financeiros, os quais nem almejara, como ficou comprovado mais tarde. Por outro lado, com essa história Antônio tampouco conseguiria qualquer autopromoção para satisfazer suas eventuais vaidades e ânsias de se tornar uma celebridade, visto que, desde o início, João Martins deixou bem claro que não poderia publicá-la. (Por muito tempo, a censura proibiu a publicação de reportagens que expusessem tais casos.)
Será que complexos de inferioridade ou quaisquer frustrações sexuais teriam motivado Antônio a inventar essa história? Tal eventualidade não vem ao caso, em vista do resultado do exame psicológico feito pelo Dr. Fontes. Antônio era um rapaz tímido e reservado, mas isento de complexos e psicoses produzidos por frustrações. Hoje em dia, Antônio está casado e vive muito feliz com a mulher e os filhos na fazenda. Ele continua afirmando que o incidente se deu tal qual foi por ele descrito e, fora disso, não quer saber mais nada a respeito. Antônio jamais tomou drogas ou tóxicos.
Na América do Sul, o assunto dos OVNIS sempre ocupou um ponto central no interesse geral, por causa dos numerosos aparecimentos registrados. Portanto, seria lícito supor que também Antônio tivesse tomado conhecimento daquele fenômeno, em data anterior. Assim, é provável que essa experiência tenha se passado em sua imaginação, no seu mundo imaginário, para, em seguida, sair desse plano e, para ele, tornar-se uma realidade objetiva?
Se fosse esse o caso, então a força de imaginação daquele fazendeiro simples seria digna de toda a admiração. Naturalmente, não se pode excluir a possibilidade de uma quimera.
Seja como for, ainda resta um fator importante, até agora não mencionado, que, em absoluto, não se enquadra no enredo de uma fraude: tanto o Dr. Fontes como também outros médicos — como o especialista Dr. Walter Buehler, radicado no Rio de Janeiro — constataram, sem sombra de dúvida, que os sintomas observados em Antônio foram causados indiscutivelmente por contaminação radioativa. Para tanto há uma só explicação; Antônio penetrou no âmbito de uma fonte de radiação. Aí acaba toda e qualquer imaginação, inclusive a mais fértil.
Em 24 de maio de 1978, o autor manteve o seguinte telefonema internacional com o cirurgião Dr. Walter K. Buehler, residente no Rio de Janeiro, um dos médicos que examinaram Antônio Villas Boas:
Buttlar: Fala Buttlar, da Alemanha. Desculpe, doutor, por incomodá-lo pelo telefone internacional; mas, será que posso fazer-lhe algumas perguntas sobre o caso de Antônio Villas Boas, que há uns tempos foi examinado pelo senhor?
Buehler: Pois não. Estou às suas ordens.
Buttlar: Minha primeira pergunta: o senhor acha que Antônio, de fato, falou a verdade?
Buehler: Acho que sim; absolutamente.
Buttlar: Outra pergunta: o senhor, Dr. Buehler, acha que a experiência de Antônio foi uma vivência real ou uma quimera que, para ele, se tornou realidade?
Buehler: Não tenho sequer a menor dúvida de que foi um acontecimento real.
Buttlar: E agora, a minha terceira e última pergunta: dizem que Antônio teria sido contaminado por radiação. O senhor confirma?
Buehler: Até agora não foi divulgado o fato de o Dr. Fontes ter examinado Antônio com um contador Geiger e de, naquele exame, ter ficado inequivocamente exposto a radiações de fundo.
Buttlar: No local do pouso do OVNI?
Buehler: Não! Não foi no local, mas, sim, no próprio Antônio. Ademais, quando visitei Antônio na sua fazenda, seu irmão confirmou o aparecimento.
Buttlar: Muito obrigado, Dr. Buehler!


Absolutamente autêntico


Embora, na época, o caso de Antônio Villas Boas dificilmente chamasse a atenção do órgão responsável pela segurança nacional, houve ainda dois outros acontecimentos que mereceram as atenções desse órgão.
Na madrugada do dia 3 de novembro de 1957, dois soldados faziam sua ronda de patrulha no Forte de Itaipu, próximo à cidade portuária de Santos, quando um deles avistou uma luz alaranjada sobre o mar. Para grande surpresa deles, a luz aumentou progressivamente e estava se aproximando do forte. Aos poucos, a surpresa dos patrulheiros se transformou em medo, quando o objeto, no céu escuro, estava tomando forma e se tornando cada vez mais maciço; logo a seguir, eles pressentiram que se tratava de algo fora do comum. O objeto continuou em seu curso, até ficar exatamente acima dos dois soldados, quando um sinistro brilho avermelhado, emitido por um enorme casco redondo, inundou o solo e as peças de artilharia que lá se encontravam. Os soldados olharam para cima e ficaram boquiabertos com a visão do monstro, do tamanho equivalente a um DC-3, que os ameaçava de uma altitude de 100 metros. De repente, ouviram um estranho zunido e ao mesmo tempo foram envolvidos numa onda de extremo calor. Um dos soldados caiu no chão, enquanto o outro conseguiu escapar, escondendo-se à sombra da carreta de um canhão. Seus gritos chamaram a atenção do pessoal que se encontrava no forte, onde, de repente, todas as luzes se apagaram. Na escuridão, os soldados saíram correndo, tropeçando, para ver o que estava acontecendo e prestar socorro. Enquanto isso, no forte, era providenciada a ligação do gerador de emergência, que parou de funcionar pouco tempo depois de ser acionado.
Poucos minutos após o primeiro grito de socorro, alguns soldados já se encontravam fora do forte tentando localizar os dois colegas. Ao mesmo tempo, avistaram o OVNI, que, naquele momento, já havia se distanciado, pairando sobre o oceano. Mesmo assim seu brilho ainda iluminava o céu noturno ao desaparecer sobre o Atlântico, deixando assim uma prova brilhante e ofuscante da sua presença.
Em seguida, os dois soldados afetados foram levados sob escolta para o Rio de Janeiro, na época capital federal, e lá internados no hospital. Eles sofreram queimaduras de segundo e terceiro graus, mas o fato mais estranho é que as regiões afetadas eram justamente as partes protegidas pelas roupas.
Em 16 de janeiro de 1958, o Almirante Saldanha, navio brasileiro de pesquisas navais, colaborou no projeto do Ano Geofísico Internacional e, para tanto, estava ancorado ao largo da ilha da Trindade, antiga base naval durante a Segunda Guerra Mundial e que fora transformada pelo governo brasileiro em estação de pesquisas oceanográficas e meteorológicas.
O Almirante Saldanha encontrava-se naquela região desde inícios de janeiro de 1958 e, no dia 16 desse mês, estava pronto para zarpar. Entre tripulantes, técnicos e cientistas havia cerca de trezentas pessoas a bordo, dentre elas J, T. Veiga, capitão reformado da Força Aérea, o professor de geologia, Fernando, pesquisadores navais de elevado gabarito, cientistas, bem como um perito em fotografia submarina chamado Almiro Baraúna.
Pouco antes do meio-dia, quando o Almirante Saldanha estava prestes a levantar âncora, Almiro ainda bateu umas fotos com sua Rolleiflex, quando, de repente, na popa e na proa, se ouviram gritos: "Olha o disco!" E, de fato, no céu havia um disco de brilho esverdeado, de uns 8 metros de altura e 40 metros de diâmetro. Todos viram como o objeto sobrevoou a ilha e a altíssima velocidade mudou de rumo e se afastou na direção leste—nordeste.
Imediatamente, Almiro levantou sua câmara e conseguiu bater duas fotos, antes de o objeto desaparecer. Poucos segundos depois, o disco voador voltou, evoluindo em ampla curva, e Almiro conseguiu fotografá-lo exatamente no momento em que se encontrava mais próximo do navio e mostrava nitidamente seu enorme vulto saturnino. Ao todo, Almiro bateu seis fotos, das quais as duas primeiras ficaram demasiadamente expostas à luz, a terceira ficou perfeita, a quarta e a quinta ficaram estragadas naquele momento de alta tensão e a sexta ainda fixou bem o disco sinistro, antes de este desaparecer definitivamente sobre o oceano.
Após detida análise das fotos e dos seus respectivos negativos pelos laboratórios da Marinha de Guerra, para o aproveitamento de material fotográfico, o então Presidente Juscelino Kubitschek autorizou a liberação das fotos para publicação como absolutamente autênticas.
O relatório oficial (documento confidencial n.° 0098/M-20) do Almirante-de-Esquadra Antônio Maria de Carvalho, chefe do Alto Comando Naval, diz o seguinte, entre outras coisas:

§ I - V: "...Enfim, foi registrado mais outro alarme de OVNIS, às 12:15 horas do dia 16 de janeiro de 1958; dessa vez, aconteceu a bordo do Almirante Saldanha, ancorado ao largo da ilha da Trindade. O navio estava prestes a zarpar, e a pinaça, usada para a travessia até a terra, estava sendo recolhida por membros da tripulação, quando, de popa a proa, soou o alarme dos OVNIS".
§ I - VI: "Um fotógrafo profissional, civil, que se encontrava a bordo, postado na popa, fotografando o recolhimento da pinaça, teve sua atenção chamada para o disco voador, do qual bateu as quatro fotos anexas..."
§ I - VII: "Após o aparecimento, Almiro Baraúna, o fotógrafo, retirou o filme da câmara, na presença do Capitão-de-Corveta Carlos Alberto Bacelar e outros oficiais. Posteriormente, o fotógrafo foi até o laboratório montado no navio de pesquisas, em companhia do Capitão Bacelar. O filme foi revelado dentro de dez minutos; em seguida, os negativos foram examinados por Bacelar. No seu relatório, Bacelar confirmou que os negativos ainda estavam molhados ao lhe serem entregues para exame, e neles reconheceu o OVNI em apreço".
§ I - VIII: "Em seguida, os negativos foram mostrados a membros da tripulação, testemunhas oculares do aparecimento. Eles confirmaram que o objeto nas fotos era idêntico ao que avistaram no ar".

Com autorização do Ministério da Marinha, o depoimento abaixo, prestado pelo Capitão-de-Corveta Carlos Alberto Bacelar, foi liberado para publicação pela imprensa:

1) Efetivamente, um objeto voador não identificado foi avistado por um número de pessoas presentes no convés do Almirante Saldanha. Eu, pessoalmente, não testemunhei aquele aparecimento, porque, no preciso instante, me encontrava no interior da minha cabine. Porém, imediatamente, fui chamado para a ponte.
2) O incidente provocou forte comoção, como, aliás, não poderia deixar de acontecer, e, muitas pessoas, alarmadas com os gritos das testemunhas, correram para o convés.
3) Almiro Baraúna, fotógrafo profissional, estava no convés com a sua câmara e, após a ocorrência, ficou em estado de exaustão nervosa. Permaneci a seu lado o tempo todo, porque queria presenciar a revelação do filme.
4) Tão logo Almiro se recuperou, mais ou menos uma hora após o ocorrido, o filme foi revelado no laboratório fotográfico, a bordo...
5) O Sr. José Theobaldo Veiga, capitão reformado da Força Aérea, acompanhou atentamente, com um farolete de pilha, a revelação do filme, enquanto eu, lá fora, esperei que terminasse. Em seguida, vi o filme, recém-revelado e ainda molhado e, após cuidadoso exame, cheguei à seguinte conclusão: a seqüência do vôo do objeto nas fotos coincide com as paisagens que, pouco antes do aparecimento, foram fotografadas por Almiro Baraúna, a bordo do navio...
6) Como foi previamente combinado, procurei Almiro Baraúna no Rio e, por duas vezes, o acompanhei até o ministro da Marinha.
7) Chamei a atenção do fotógrafo para o fato de ser estritamente proibida a publicação das fotos sem autorização oficial, e informei-o de que ele seria avisado, tão logo as autoridades competentes resolvessem liberá-las para divulgação.
8) Almiro Baraúna cedeu os negativos ao Ministério da Marinha, que os entregou a mim, algum tempo depois, para serem devolvidos ao fotógrafo. Quando lhe entreguei os filmes, avisei que — com certas restrições — poderia dispor daqueles negativos, a seu critério.
9) A meu pedido e usando papel fotográfico por mim colocado à sua disposição, Almiro fez seis séries completas das quatro fotos e dezesseis ampliações dos detalhes do objeto voador.
10) Pela quarta vez, em quarenta dias, esse incidente veio comprovar a presença de OVNIS sobre a ilha da Trindade.
Em 24 de fevereiro de 1958, o ministro da Marinha, Almirante Alves Câmera, fez os seguintes comentários numa entrevista à United Press:
"A Marinha brasileira está envolvida num segredo importante, que não pode ser discutido em público, visto que, para tanto, não há explicação alguma. Até agora, não acreditei nos discos voadores, mas a prova fotográfica apresentada por Almiro Baraúna convenceu-me da sua existência".
E, naquele mesmo dia, o Capitão-de-Fragata Moreira da Silva falou:
"Não quero discussão a respeito da pessoa do fotógrafo que bateu as fotos do OVNI, que foi observado por uma série de personagens conhecidas. Contudo, posso garantir que as fotos são autênticas e o filme foi revelado imediatamente a bordo do Almirante Saldanha. Confirmo ainda que, além do mais, os negativos foram examinados por diversos oficiais, imediatamente após a revelação e não — conforme se disse — oito dias mais tarde. Fica excluída toda e qualquer eventualidade de truque fotográfico.
"Com base na análise dos negativos e dos detalhes relatados por numerosas testemunhas oculares a bordo, os peritos conseguiram calcular a velocidade mínima do OVNI como sendo da ordem de 1 200 quilômetros por hora; essa velocidade aumentou consideravelmente, quando o objeto voador acelerou.
"Outrossim, soube-se, mais tarde, que toda a instalação elétrica a bordo do navio de pesquisas falhou com o aparecimento do OVNI.
"Pouco importa qual seja a nossa atitude diante dos OVNIS, pois persiste o fato de ter ocorrido um fenômeno que, além de documentado por fotos, ainda foi confirmado pelo depoimento escrito de 48 testemunhas oculares presentes no convés."


continuaaa.....

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