terça-feira, dezembro 13, 2011

Johannes Von Buttlar O fenomeno UFO ( LIVRO ) PARTE 2

Johannes Von Buttlar O fenomeno UFO ( LIVRO ) PARTE 2.

A fase de transição



Em meados de abril de 1959, Jessup estabeleceu contato com seu velho amigo, o oceanógrafo e arqueólogo Dr. Manson Valentine. Disse-lhe que gostaria de trocar idéias com ele a respeito de novas noções referentes à experiência de Filadélfia, das quais acabara de fazer um primeiro esboço. Em vista disso, o Dr. Valentine marcou um jantar para o dia 20 de abril. Porém, Jessup não compareceu, pois, na tarde daquele 20 de abril, aproximadamente às 18:30 horas, Morris K. Jessup foi encontrado morto no interior de seu automóvel.


A muitos milhares de quilômetros daquele local fatídico, na periferia da pequena cidade de Seymore, na Austrália, Jonathan Rainsfort, representante comercial, viu, do seu automóvel, um enorme disco prateado, que descia lentamente do céu, em direção ao ponto onde ele se encontrava. Quando chegou a uns 400 metros acima de Jonathan, o disco parou de repente, pairou no ar alguns minutos e foi embora, a uma incrível velocidade.
"Sempre tive a certeza de que todo aquele falatório em torno dos OVNIS não passava de pura bobagem, mas, agora, mudei de opinião. Porém, resta saber de onde veio aquele objeto e o que seria ele", comentou Jonathan.


Jessup tinha certeza de conhecer a resposta correta, mas, àquela altura, já estava morto. Ele dedicou grande parte da sua vida a desvendar um enorme enigma, o qual influiu até na sua morte. Pela versão oficial, ele cometeu suicídio, motivado por depressão psíquica; enquanto alguns dos seus amigos continuam afirmando que "ele sabia demais e por isso queriam eliminá-lo". Por outro lado, enquanto a Força Aérea liberava para divulgação o relatório número 14 do seu Projeto Livro Azul, visando com isso, inutilmente, desmentir as crescentes críticas da opinião pública subtraindo informações importantes, a morte de Jessup veio reforçar e consubstanciar todos aqueles clamores. Sem dúvida, com a divulgação desse relatório, a Força Aérea prestou uma contribuição substancial ao assunto OVNIS (porém, o que foi feito do relatório número 13, por exemplo?). O relatório número 14 — utilizando dados colhidos de uma pesquisa de opinião realizada pelo Batelle Memorial Institute, devidamente elaborada por um computador — contribuiu em ampla escala para os estudos dos OVNIS. O relatório continha 240 gráficos e mapas, expondo aparecimentos de OVNIS, classificando-os segundo a sua respectiva posição geográfica e outros dados essenciais, dando todos os detalhes pertinentes. Mediante análise de computador, esse estudo visou, em primeiro lugar, verificar se os discos voadores constituiriam uma forma de evolução técnica desconhecida. Em segundo lugar, procurou-se detectar pontos correspondentes, como movimento ou outras características, entre os diversos objetos voadores, a fim de, eventualmente, elaborar um modelo de OVNI.
Os relatos dós OVNIS, analisados por computador para averiguar determinadas características, foram então divididos em grupos e classificados segundo os atributos: excelentes, bons, medíocres e duvidosos. Um terço dos relatos foi classificado como "excelente", ou seja, tratar-se-ia de OVNIS legítimos, para os quais, simplesmente, inexiste explicação de espécie alguma.
Também o acontecimento que será relatado em seguida, e que até hoje ficou sem explicação, faz jus à classificação de "excelente". Embora já tenha sido mencionado no meu livro Zeitsprung ("Elasticidade no tempo"), convém citá-lo neste contexto.


Em fins de junho de 1959, na ilha de Nova Guiné, mais precisamente no âmbito da missão da Igreja Anglicana de Boainai, em Papua, houve um contato que, por muitos anos, foi lembrado e continua inesquecido pelas pessoas nele envolvidas.
Na época, a missão era chefiada pelo Reverendo William Bruce Gill, graduado pela universidade australiana de Brisbane. No seu caderno de notas, Gill descreveu, com todos os pormenores, os acontecimentos registrados em 27 e 28 de junho de 1959.
Ele estava entrando em casa quando avistou uma enorme luz no céu, em direção do poente, a cujo respeito anotou:
"Naturalmente, não me ocorreu em absoluto a idéia de qualquer coisa relacionada com discos voadores. Pensei apenas: talvez algumas pessoas possam imaginar tais coisas, eu não".
O Reverendo Gil chamou por Eric Kodawara, um dos membros da missão, apontou para a luz no céu e perguntou:
"O que você está vendo, lá em cima?"
Eric respondeu, laconicamente: "Algo parecido com uma luz".
Em seguida, o Reverendo Gill mandou Kodawara procurar o mestre-escola Steven Moi e dizer-lhe que viesse imediatamente para sua casa. Quando Steven avistou a luz, apressou-se em chamar todos os demais membros integrantes da missão que se encontravam nas redondezas. Surpresos, todos olharam para o céu e, depois, foram para o campo de esportes, situado num ponto ligeiramente mais elevado, de onde poderiam ter uma melhor visão do objeto.
Enquanto isso, Gill mandou buscar seu caderno de notas e uma caneta. Ele refletiu:
"Se alguma coisa estiver para acontecer, que seja agora. Amanhã, certamente, acordarei e pensarei que tudo isso se passou somente em sonhos e que, na realidade, não vi nada. Porém, se fizer as devidas anotações, saberei, pelo menos, que não foi um sonho".
Foram as seguintes as observações anotadas pelo Reverendo Gill em seu caderno:

"18:45 horas: Hora local; céu: camada de nuvens baixas, esparsas em alguns pontos. A noroeste, uma luz clara, branca, no céu.
18:50 horas: Mandei chamar Steven e Eric.
18:52 horas: Steven veio e confirmou: não se trata de uma estrela.
18:55 horas: Mandei Eric chamar os membros da missão. Algo está se movendo na superfície do objeto. Será um ser humano? Agora, são três figuras. Movimentam-se. Fazem alguma coisa. Foram-se embora.
19:00 horas: Voltaram as figuras 1 e 2.
19:04 horas: Tornaram a desaparecer.
19:10 horas: Céu encoberto por uma camada de nuvens, a uns 600 metros de altitude. Figuras 1, 3, 4, 2 (nesta seqüência) reaparecem. Pequeno farol azul aceso. Figuras desaparecem, Luz continua acesa. Figuras 1 e 2 voltam. Luz azul continua brilhante.
19:20 horas: Farol apagado. Figuras desaparecem.
19:20 horas: Disco penetra na camada de nuvens.
20:28 horas: Céu torna a ficar claro. Grande nuvem sobre Doguro. Disco precisamente acima de mim. Chamamos os membros da missão. Objeto aumenta de volume, parece querer descer.
20:29 horas: Mais outro objeto sobre o mar, pairando, temporariamente.
20:35 horas: Um terceiro objeto sobre a aldeia de Wadobuna.
20:50 horas: Nova formação de nuvens, OVNI grande estacionado. Enorme. Os outros aparecem e desaparecem através das nuvens; ao penetrarem a altíssima velocidade na camada de nuvens, surge um grande clarão. Nuvens à altitude de aproximadamente 600 metros. Todos os objetos voadores nitidamente perceptíveis. Nave mãe grande e fortemente perfilada.
21:05 horas: Objetos 2, 3, 4 desaparecidos.
21:10 horas: Número 1 mergulhado nas nuvens.
21:20 horas: Reaparece a nave mãe.
21:30 horas: Nave mãe afastou-se, sobre o mar, direção de Giwa.
21:46 horas: Diretamente acima de nós, aparece um novo disco, pairando.
22:00 horas: Ainda continua lá, estável.
22:00 horas: Pairando, encoberto por nuvens.
22:30 horas: Continua se movimentando, lá no alto, entre as nuvens.
22:50 horas: Céu bastante encoberto, nenhum objeto voador visível.
23:04 horas: Cai uma chuva torrencial.
Folha de anotações com as observações de objetos voadores desconhecidos, feitas entre 18:45 e 23:04 horas.

(ass.)WilliamB.Gill”.


Em aditamento, o Reverendo Gill informou ainda que, às 19:12 horas, as figuras 1 e 2 apareceram, mergulhadas em uma luz azul. O reverendo comparou a altitude das nuvens com o pico de uma montanha situada nas redondezas. Ele frisou o fato de tudo aquilo se ter passado sob a camada de nuvens e o céu ter ficado encoberto por vinte minutos.
O objeto voador desconhecido teria atravessado a camada de nuvens às 19:20 horas e, mesmo encoberto e com grandes nuvens, o céu tornou-se progressivamente claro às 20:28 horas, permanecendo nublado somente sobre a aldeia de Giwa. Quando Gill avistou um OVNI sobre essa região, chamou, pela segunda vez naquela noite, os membros da missão, pois o objeto aumentara sucessivamente de tamanho e parecia querer pousar. Também outros OVNIS vieram e desapareceram na camada de nuvens, esparsas em alguns pontos. Eles atravessaram as nuvens a altíssima velocidade, deixando o reflexo da sua luz, e em seguida tornaram a subir.
"Era uma brincadeira que, evidentemente, acharam divertida", comentou o Reverendo Gill.
Na noite seguinte, os OVNIS tornaram a visitar Boainai e deixaram uma impressão inolvidável nos membros da missão.
Gill estava dando um passeio em companhia de alguns deles, quando uma freira do hospital avistou o objeto. Isso aconteceu por volta das 18 horas. O objeto voador se aproximou do grupo, dessa vez a uma distância bem menor em relação ao dia anterior, "provavelmente nunca mais chegaria tão perto". Estava anoitecendo, e o objeto cintilante e brilhante estava nitidamente visível. Bem em cima, "no convés", como disse Gill, havia uma figura, à qual se juntaram três outras, logo a seguir. Simultaneamente, apareceram dois outros objetos menores, um deles bem acima do grupo do Reverendo Gill; o outro, sobre as colinas. O mestre-escola Ananias disse:
"Estou curioso para ver se vai pousar no campo de esportes!"
Os membros da missão acenaram com as mãos, "como a gente faz para cumprimentar alguém", e tiveram o gesto retribuído pelas figuras no convés. Aí, então, dois jovens da missão levantaram os braços acima da cabeça e tornaram a acenar; novamente, o aceno foi correspondido. Em seguida, o Reverendo Gill e Ananias Rarata acenaram também; com imensa alegria, o grupo todo pôde observar as figuras no convés do objeto voador retribuindo as saudações. Ao cair da noite, Gill mandou alguém buscar o farolete na casa da missão, e com ele fez sinais de pisca-pisca para o OVNI. Depois de certo tempo, o OVNI respondeu ao pisca-pisca de Gill, balançando-se para a frente e para trás.
Esses acontecimentos foram presenciados por 38 testemunhas, 25 das quais (entre elas cinco mestres-escolas e três
assistentes clínicos) assinaram o relatório preparado pelo Reverendo Gill.


Todavia, na época, esse não foi o único aparecimento de OVNIS sobre Papua, como revelam as anotações do Reverendo Norman E. G. Cruttwell, pertencente à missão anglicana, em Menapi. O primeiro relato de aparecimento daquela época é de T. P. Drury, na ocasião, diretor da aviação civil em Papua.
O Reverendo Gill fez as seguintes anotações a respeito de acontecimentos registrados em Papua:
"Os aparecimentos observados em Boainai representaram o ponto alto das atividades dos OVNIS, relativamente breves mas extraordinariamente intensas, sobre a região leste da Nova Guiné. Foram observados tanto pelos indígenas como pelos europeus, e comentados pelos habitantes cultos de Papua, bem como pelos indígenas analfabetos que, totalmente ignorantes da civilização ocidental, jamais ouviram falar em discos voadores".
O Prof. Allen Hynek, atualmente diretor do Centro de Pesquisas Astronômicas Lindheimer, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, referiu-se da seguinte maneira aos aparecimentos em Boainai:
"Quando, em 1961, fiz uma visita oficial ao Ministério da Aviação britânico, em função do Projeto Livro Azul, soube, pela primeira vez, de detalhes daquele caso. Então, tomei conhecimento do fato de as idéias das Forças Armadas inglesas coincidirem, em essência, com as do Projeto Livro Azul, quanto ao fenômeno dos OVNIS. Em última análise, o governo britânico (bem como outros) tinha esperanças de que a Força Aérea dos EUA viesse a eliminar de vez aquele problema. Admitiram francamente que, com os meios e as possibilidades à disposição da RAF, não teriam condições de atacar o problema... Na Inglaterra, todas as esperanças estavam concentradas nas medidas a serem tomadas pela Força Aérea americana — lamentavelmente, foram tomadas com resultado negativo. Entrementes, tive acesso ao relatório completo sobre esse caso e ainda recebi um relato verbal do Reverendo Gill, gravado em fita magnética; além disso, deram-me a gravação de uma conversa de uma hora entre o Reverendo Gill e o meu colega Fred Beckmann. Antes de avaliar esse caso, era necessário ouvir o Reverendo Gill.
"Alguns trechos da fita gravada revelam claramente que Gill fala a verdade. Ele se expressa de uma maneira fluente, científica, e descreve os detalhes com bastante discernimento e cuidado. As fitas gravadas são convincentes, tanto em seu conteúdo quanto em sua apresentação.
"Fica excluída a hipótese de, na presença de duas dúzias de testemunhas, o reverendo anglicano ter inventado uma história, propositadamente fraudulenta. As pessoas que criticam esse caso ignoram o fato de esse aparecimento ser apenas mais um, pois há cerca de sessenta casos registrados naquela época na Nova Guiné. O Reverendo Cruttwell pesquisou esses aparecimentos e fez um relato a esse respeito. Contudo, a presença de seres humanóides foi mencionada apenas em um aparecimento, justamente no caso enfocado."
Quinze dias depois, aconteceu o fato descrito a seguir na área do Pacífico, próximo a Honolulu, Havaí:
Sábado, dia 11 de julho de 1959: as tripulações de cinco aviões comerciais relataram o aparecimento de uma formação de OVNIS, a leste de Honolulu. Nessa noite, o comandante da PANAM, Wilson, estava voando de San Francisco para Honolulu, quando, às 3:02 horas, horário de Havaí, reparou numa grande luz brilhante no céu, acompanhada de algumas menores. O avião estava a uns 7 000 metros de altitude e sobrevoava uma camada de nuvens baixas, quando os objetos apareceram cerca de 300 metros acima e à esquerda do aparelho comercial.
"Meu co-piloto, Richard Lorenz, e o engenheiro de bordo, Robert Scott, não queriam acreditar no que estavam vendo quando avistaram a luz aproximando-se de nós a uma incrível velocidade. Durante uns dez segundos, continuou em seu curso ao nosso encontro e, se fosse um avião comum, ter-nos-ia ultrapassado facilmente pelo lado esquerdo. No entanto, mesmo à velocidade desenvolvida, o objeto deu uma fortíssima guinada, desviando-se de nós, manobra que nenhum avião seria capaz de executar, e sumiu. As luzes menores, uniformemente distribuídas, pareciam ou tomar parte na manobra executada pelo objeto grande ou demonstrar um vôo em formação, de alta precisão."
Wilson excluiu a eventualidade de quaisquer reflexos de luz, pois "a noite estava negra", comentou.
Ao todo, o objeto foi observado por tripulações de cinco aviões, de quatro posições de vôo diferentes, e todas elas excluíram a possibilidade de reflexos de luz.
Depois de pousar em Honolulu, Wilson declarou que, nos dezenove anos de sua carreira de aviador, jamais avistara coisa parecida e, até então, sempre duvidara da existência de OVNIS. "Mas, agora, fiquei convencido da sua existência."
Além de Wilson, outros comandantes apresentaram relatos: o Capitão Lloyd Moffat, da Canadian Pacific Airways, o Primeiro-Oficial Erwin Zedwick, da Slick Airways, os capitães Noble Sprunger e E. G. Kelley, ambos da Pan American Airways.
O relato de Wilson foi confirmado por Moffat em todos os detalhes; ele disse:
"Jamais deparei com uma coisa dessas em toda a minha vida. Cinco de nós avistaram o mesmo objeto, ao mesmo tempo".
Um porta-voz da Força Aérea informou que os cinco comandantes tiveram de preencher questionários e prestar depoimento sobre o acontecimento. Em seguida, os relatos foram encaminhados ao Alto Comando da Força Aérea, em Honolulu, bem como ao Departamento da Defesa, em Washington, D.C.


Outro fato que deixou em alvoroço o Alto Comando da Força Aérea dos EUA aconteceu em 24 de setembro de 1959 e levou-a a uma das suas mais amplas missões de perseguição a um OVNI. Este incidente passou para os autos da NICAP e foi publicado pelo Major Keyhoe.
Pouco antes do raiar do sol, às 5 horas da manhã, foi avistado um enorme OVNI, que descia lentamente do céu, nas proximidades do aeroporto de Redmond, Oregon. Robert Dickerson, oficial da polícia militar que patrulhava a periferia da cidade, foi o primeiro a avistá-lo. Era um objeto grande, brilhante, e, à primeira vista, Dickerson tomou-o por um avião em chamas, que caía ao solo.
Dickerson ficou perplexo quando, a uns 65 metros acima dele, o objeto ficou "parado'' no ar e exibiu uma forma de disco. Por alguns minutos, o estranho objeto ficou imóvel, depois subiu verticalmente, sobrevoou o campo de pouso e ficou novamente parado no canto nordeste do aeroporto. Então, Dickerson dirigiu-se incontinenti para o aeroporto, a fim de comunicar a ocorrência ao perito em segurança de vôo, Laverne Wertz.
Wertz e outros membros da FAA (Federal Aviation Administration — Administração Federal da Aviação) acompanharam o disco com binóculos durante alguns minutos. O brilho claro tornou-se um pouco mais opaco e todos distinguiram nitidamente estranhos feixes de raios amarelos, vermelhos e verdes ao redor da borda do disco. Às 5:10 horas, Wertz despachou um telex para a central de segurança de vôo, em Seattle, que o encaminhou imediatamente para a base aérea de Hamilton, Califórnia. Em poucos minutos, a Força Aérea informou que alguns caças, decolados da base aérea de Portland, já estavam a caminho, e a estação de radar da Força Aérea em Klamath Fali, Oregon, estava acompanhando o objeto em suas telas.
Em Redmond, funcionários da FAA continuaram observando o objeto com binóculos, quando ouviram os ruídos dos caças se aproximando. No entanto, tão logo os caças, vindos de cima, desceram em direção ao objeto, desapareceram os feixes de raios que envolviam o disco e apareceu um jato de luz brilhante, que saía da sua parte inferior; o disco acelerou de uma maneira indescritível e, como que impulsionado por uma catapulta, subiu verticalmente, quase colidindo com os caças. O mais próximo deles desviou desesperadamente para o lado, tentando evitar a colisão; outro entrou no remoinho provocado pela subida vertical do OVNI, o que fez com que o piloto quase perdesse o controle do aparelho. Os outros caças perseguiram o OVNI em fuga, mas apesar de acelerarem seus aparelhos ao máximo, não foi possível alcançá-lo. Quando o objeto desapareceu nas nuvens, a uns 5 000 metros de altitude, um dos caças continuou a persegui-lo com a ajuda do radar de bordo. Essa aproximação deve ter sido percebida pelo OVNI, que, nesse momento, mudou de curso; essa manobra foi acompanhada, em todos os seus pormenores, pelo radar de altitude da estação de radar da Força Aérea, em Klamath Fall.
Após os pilotos desistirem da perseguição, os operadores de radar ainda captaram nas suas telas os sinais do OVNI voando entre 2 000 e 18 000 metros de altitude, desenvolvendo velocidades elevadíssimas e evoluindo em incríveis manobras.
Logo após o retorno, quando estavam ainda sob o impacto daquela experiência assustadora, os pilotos foram convocados para um interrogatório, em caráter sigiloso. Depois de prestarem depoimento, receberam ordens escritas de não fazer nenhuma menção, tampouco discutir entre eles próprios, acerca do contato com o OVNI.
Porém, o ruído dos caças provocou nos céus de Redmond a curiosidade de seus habitantes, e muitos deles também notaram aquele brilho esquisito ao lado dos caças. Como a Força Aérea estava receosa de que a tentativa de perseguição ao OVNI se tornasse pública, logo divulgou um comunicado, dizendo que se tratava de um vôo de controle rotineiro, provocado por falsos sinais de radar. O brilho no céu foi explicado como sendo "imaginação de testemunhas nervosas".
Todavia, dentro de poucas horas, a Força Aérea passou por mais outra experiência de alta tensão, provocada por um novo aspecto desse rumoroso caso. Quando o alto comando tomou conhecimento do jato de luz que saía do "escape" do OVNI, receou que, eventualmente, se tratasse de uma energia propulsora de tipo nuclear. A essa altura, a FAA, em Seattle, ordenou a Wertz que sobrevoasse a área de Redmond e examinasse as camadas de ar quanto à sua radioatividade. A bordo de um helicóptero e munido de um contador Geiger, Wertz circulou por toda aquela área, penetrando nos diversos estratos de ar pelos quais passara o OVNI. Os resultados desses exames foram encaminhados à Força Aérea por telex, mas deixaram de ser divulgados, por muito tempo.


Em compensação, a ATIC divulgou outra constatação: depois de profundas pesquisas e análises, chegou-se à conclusão de que inexistia qualquer prova de que os OVNIS fossem naves espaciais e, como tais, constituíssem uma ameaça à segurança nacional, ou pudessem oferecer qualquer interesse científico.
Além do mais, foi constatado que os projetos de OVNIS são dispendiosos, representando uma sobrecarga pesada e inútil para as verbas da Força Aérea, e nada produzem, além de uma publicidade altamente negativa.
"Embora a Força Aérea estabelecesse como sua meta eliminar o programa dos OVNIS como projeto especial, ela não se animou a tirar as conseqüências óbvias dessa sua deliberação, ou seja, divulgar seus autos e anunciar o encerramento do projeto, visto não se justificarem quaisquer empenhos adicionais.
"Ao invés disso, surgiu o problema das relações públicas que até chegou a constituir existência própria. Como a Força Aérea era ultra-sensível às críticas da imprensa, passou a considerar como um estado de guerra os seus desentendimentos com os pesquisadores civis do problema dos OVNIS. Para a Força Aérea, cada ataque era uma batalha; liberar seus autos, despojando-os do seu caráter sigiloso, amenizar a campanha dos OVNIS OU promover uma operação final em face dos ataques constituía para ela uma capitulação."
Foi essa a conclusão a que chegou o Prof. Jacobs, exposta em seu livro The UFO controversy in America ("A controvérsia sobre os OVNIS na América").
Todavia, poderia ter sido bastante simples o motivo que provocou todo esse comportamento esquizofrênico por parte das autoridades competentes e suas declarações altamente contraditórias, prestadas aos meios de comunicação de massa. Após anos de empenho inútil na busca de conclusões finais a respeito do fenômeno dos OVNIS e depois das tentativas fracassadas de capturar um desses objetos voadores desconhecidos, os serviços secretos militares e civis entraram numa fase de transição. As autoridades competentes não sabiam mais o que fazer. Elas não poderiam recuar, tampouco começar tudo de novo, pois qualquer dessas atitudes teria revelado sua tática de ludibriar a opinião pública, bem como suas resoluções sigilosas. Por não saberem o que fazer, ficaram numa situação precaríssima e prestavam declarações cada vez mais confusas e contraditórias.
Naquela fase, o establishment teria preferido nunca mais ouvir falar em OVNIS, discos voadores e outras coisas semelhantes. Porém, o fenômeno dos OVNIS persistiu — quisessem ou não quisessem — e a pressão exercida pela opinião pública estava aumentando.


Nem mesmo um incidente divertido concorreu para serenar os ânimos. O serviço secreto da Marinha dos EUA foi informado de que uma moça residente no Maine teria estabelecido contato com extraterrestres. Imediatamente a Marinha chamou a CIA.
Normalmente, esse órgão teria ignorado a história de um contato, alegando que este teria sido esclarecido por "escrita automática". No entanto, os rumores já se haviam espalhado a ponto de atingir o governo do Canadá, o qual designou, sem perda de tempo, Wilbert Smith, perito em OVNIS, para procurar essa moça e interrogá-la.
Em estado de transe, a moça respondeu ao interrogatório, tratando dos aspectos técnicos do vôo espacial de maneira absolutamente correta e bastante além do seu nível cultural. Ao saber do caso, a Marinha americana, por sua vez, destacou dois oficiais para investigá-lo. A moça conseguiu convencer um dos oficiais a permitir que ele próprio fosse colocado em transe, para, depois, nesse estado, estabelecer contato com extraterrestres. A experiência malogrou. De volta a Washington, os dois agentes secretos da Marinha contaram a aventura a funcionários da CIA. Em seguida, a CIA promoveu mais outra sessão de transe com o referido oficial da Marinha, a fim de estabelecer contato com extraterrestres. Nos escritórios da CIA reuniram-se dezesseis testemunhas participantes da sessão, na qualidade de observadores, e quando o oficial da Marinha entrou em transe, de fato — segundo algumas notícias — conseguiu estabelecer o almejado contato.
Evidentemente, as dezesseis testemunhas queriam uma prova. O oficial em transe mandou-as olhar pela janela, para avistar um OVNI; três homens decidiram olhar e, para grande surpresa, viram, efetivamente, um OVNI no céu. Duas testemunhas eram funcionários da CIA, e a terceira do serviço secreto da Marinha.
Naquela hora, o centro de radar do aeroporto de Washington comunicou a ausência de sinais de radar na área do aparecimento.
O novo chefe do Projeto Livro Azul, o Major J. Friend, foi informado a respeito pela CIA e participou de posteriores sessões de transe. Ele pediu que o mantivessem informado sobre qualquer desenvolvimento novo, porém nada aconteceu. Friend era de parecer que ambos, o oficial da Marinha e a moça, deveriam ser submetidos a exames minuciosos nos laboratórios parapsicológicos da Universidade Duke.
O aparecimento em questão jamais foi investigado pelo Projeto Livro Azul, e aquilo que as testemunhas de fato avistaram ficou para sempre encoberto sob um véu de mistério. A CIA não levou a sério o incidente em si, mas as pessoas nele envolvidas, como ficou comprovado, foram todas transferidas de seus cargos, a pedido da CIA.
Em 22 de fevereiro de 1960, no horário nobre, a televisão transmitiu um documentário do Pentágono, dando um resumo das pesquisas dos OVNIS, realizadas a partir de 1947, as quais mostravam inclusive a invasão pelos OVNIS das zonas de segurança militar em Washington e do Pentágono, registrada em 1952. Essa transmissão foi encerrada com uma declaração surpreendente: segundo comunicado oficial do Departamento da Defesa, não há dúvida quanto à realidade dos OVNIS, às suas tripulações, integradas por seres inteligentes, e ao fato de serem de procedência extraterrestre.

Haveria vida inteligente na Terra?



Enquanto os serviços secretos travavam sérias discussões em torno dos "extraterrestres", em que prevaleceram três pontos de vista distintos — negá-los, ridicularizá-los, capturá-los —, na madrugada de 8 de abril de 1960, precisamente às 4 horas, o radioastrônomo Dr. Frank Drake deu início às suas buscas de sinais provenientes do cosmo.
Para tanto, ele e seus colegas usaram o radiotelescópio I do Observatório de Green Bank, instalado num vale na serra dos Apalaches. Eles queriam localizar as estrelas Tau Ceti e Épsilon Eridani, na esperança de, com ondas de 21 centímetros de comprimento, captar sinais de inteligências extrair terrestres. Esse radiotelescópio, de 28 milímetros, encontra-se nas florestas das montanhas da Virgínia Ocidental, protegido contra todos os ruídos terrestres; oito antenas gigantescas, tidas entre as maiores do mundo, elevam seus copos para o céu, escutando e auscultando o universo como estetoscópios.
Considerando-se que a onda de 21 centímetros é freqüência natural da irradiação dos átomos de hidrogênio, deveria gozar da preferência de uma civilização avançada e usada em suas emissões — assim pensaram os cientistas. Desse modo, foi criado o Projeto Ozma, cujo nome romântico foi derivado da lendária rainha do distante e inacessível país de Oz.
A idéia de estabelecer contato interestelar não é nova. Já na Antigüidade, Tales de Mileto, que viveu entre 636 e 546 a.C, achava que as estrelas poderiam ser mundos alienígenas. Seu discípulo, Anaximandro, até defendeu a tese segundo a qual existiam inúmeros mundos, que aparecem e desaparecem num ciclo eterno, e Plutarco (46-125 d.C.) estava convicto de que a Lua era uma miniedição da Terra, com suas montanhas e vales habitados por demônios.
Todavia, apenas recentemente começou-se a cogitar da possibilidade de estabelecer contato com outros mundos.
Para tanto, o célebre matemático e astrônomo C. F. Gauss (1777-1855) contribuiu com uma das propostas mais fantásticas; ele advogou a implantação de um enorme triângulo retângulo, a ser formado por estradas nas matas da Sibéria, a fim de chamar a atenção dos alienígenas. Outro astrônomo, o austríaco J, J. von Littrow (1781-1840), preferiu zonas de clima mais quente e sugeriu a instalação de canais que formassem um sistema geométrico, no deserto do Saara, os quais seriam iluminados de noite, com querosene. Por sua vez, o francês C. Gros cogitou de um espelho, de proporções superdimensionais, a fim de emitir os chamados sinais "marcianos" com a ajuda da luz solar.
Com a descoberta das ondas de rádio, as idéias se tornaram mais realistas. Um dos primeiros a pretender a captação de sinais de procedência interestelar foi Nikola Tesla (1856-1943), um gênio e um dos pioneiros nesse campo. Thomas Edison fez experiências semelhantes; todavia, ambos — Tesla e Edison — se calaram quando sofreram ataques impiedosos dos eternos céticos que procuravam expô-los ao ridículo.
No decorrer de 1 500 anos, os adeptos do cristianismo consideraram a Terra como o ponto central do universo. Finalmente, tiveram de conformar-se com o fato de a Terra girar em torno do Sol; e, com isso, pelo menos, veio a ser fixado outro ponto central no universo. No entanto, tal estado de coisas prevaleceu somente até a descoberta de que o nosso Sol não passa de uma estrela entre os muitos bilhões existentes em nossa Via-Láctea. Da mesma forma, o progresso científico não parou aí, e hoje em dia sabemos que o sistema planetário da nossa Via-Láctea representa apenas um entre os muitos bilhões de sistemas.
A derradeira ilusão da singularidade de nossa existência no universo foi desfeita há mais de cinqüenta anos, quando Harlow Shapley, astrônomo da Universidade de Harvard, provou que tampouco o nosso Sol é o ponto central de nossa Via-Láctea, como até então se acreditava. Shapley não teve dúvidas em colocar o nosso sistema solar no lugar, que, de direito, ocupa, degradando-o para um obscuro subúrbio da Via-Láctea, bem distante do grande centro, ou seja, a cerca de 30 000 anos-luz. Se imaginarmos, por exemplo, o Sol do tamanho de um pequeno dado, a Terra seria do tamanho de um grão de areia, situado a um metro de distância do dado. A estrela mais próxima seria outro dado, distante 240 quilômetros. Segundo esse modelo, a civilização tecnologicamente avançada mais próxima da nossa ficaria a uma distância de talvez 30 000 quilômetros. O diâmetro da nossa Via-Láctea é de 80 000 anos-luz; no vácuo, a luz percorre cerca de 300 000 quilômetros por segundo; portanto, em um ano, vence a distância incrível de 9,46 trilhões de quilômetros aproximadamente.
A nossa nébula espiral, chamada Via-Láctea, apresenta os contornos semelhantes aos de um disco voador; porém, seus braços espirais, cuja existência foi suposta há muito tempo, apenas vieram a ser comprovados pela radioastronomia. O nosso sistema solar situa-se na periferia de um tal braço espiral e leva 223 milhões de anos para completar uma volta pela órbita do centro galáctico.
Somente na nossa Via-Láctea existem 150 bilhões de estrelas, com inúmeros planetas e seus satélites naturais. Certamente, entre esses planetas, alguns se encontram envoltos numa ecosfera, promotora da vida, Há algum tempo, algumas das nossas estrelas mais próximas foram examinadas quanto a irregularidades que indicariam a presença de planetas acompanhantes, obscuros. Também foi descoberta toda uma série desses acompanhantes obscuros.
Ao redor do Sol, dentro de um raio de até 16 anos-luz, entre as 47 estrelas conhecidas, há três anãs-brancas, as chamadas "estrelas falidas", que já gastaram toda a sua energia nuclear, bem como oito estrelas duplas e duas estrelas triplas. Por conseguinte, na nossa vizinhança mais próxima, ainda há 22 estrelas com planetas potenciais portadores de vida.
As estrelas mais próximas da Terra que oferecem as condições mais favoráveis para a evolução da vida são Épsilon Eridani, Épsilon Indi e Tau Ceti, distantes entre 10 e 11 anos-luz. Convertidas essas distâncias em quilômetros, Épsilon Eridani, situada ali anos-luz, ficaria a uma distância de "somente" 104 trilhões de quilômetros da Terra! Na atual fase do nosso progresso tecnológico, essa distância, além de astronômica, é invencível. Imagine-se a nave espacial Apollo empreendendo uma viagem a essa estrela. Comparativamente, seria como um pequeno caracol que pretendesse dar várias voltas pelo globo terrestre, arrastando-se pelo chão.
Antes da criação do Projeto Ozma, Drake havia calculado que, em princípio, seria possível captar somente os sinais emitidos por essas duas estrelas, a serem refletidos por um espelho de 200 metros, dotado de um transmissor de 1 milhão de watts.
Da mesma forma, é de se estranhar o fato de sempre supormos que civilizações extraterrestres (se é que existem!) devem ser muito mais avançadas do que a nossa. Porém, invertamos a situação: se o grau de uma civilização extraterrestre fosse inferior ao da nossa, então, muito provavelmente, ela não teria estações emissoras e receptoras. Por outro lado, se, de fato, fossem tão adiantadas em relação à civilização terrestre, teriam pouco interesse em estabelecer contato conosco, já que estariam familiarizadas com o nosso nível atual, através dos nossos programas de rádio e TV. Pela lógica, o estabelecimento de contato dar-se-ia a nível evolutivo igual e, neste caso, tornaria a ser problemático, pois, por enquanto, ambas as partes carecem de progresso técnico necessário para tanto. Assim, estamos empatados.
Considerando todos esses fatores, eram quase nulas as possibilidades de o Projeto Ozma alcançar pleno êxito, pois o radiotelescópio de Green Bank simplesmente não é suficiente para uma empresa de tal envergadura. Assim, após 150 horas de escuta ininterrupta, esforçada e inútil, o projeto foi suspenso.
Na época, Drake lembrou que na Terra a tecnologia evoluiu para o seu nível atual em um espaço de tempo relativamente breve. Uma civilização necessitaria de um século apenas para percorrer todas as etapas, desde a ignorância total no ramo das comunicações eletromagnéticas até a sua perfeição. Em comparação com a duração de uma vida humana, isso é muito tempo, mas, em escala cósmica, corresponde a apenas 10-8 da expectativa de vida de um sistema planetário.
E como, nessa base de comparação, aquilo que conta seria única e exclusivamente o decorrer do tempo cósmico, um planeta seria capaz de passar, em um só pulo, do nível da ignorância total para o do completo e perfeito domínio d?s ciências técnicas.
Tão logo uma civilização tiver alcançado tal grau de cultura técnica, ela reunirá as condições necessárias para estabelecer os primeiros contatos com civilizações análogas, vencendo, para tanto, distâncias interestelares. O planeta Terra já entrou nessa fase. E, considerando-se a constante formação de estrelas novas, seria lícito supor que, nessa mesma proporção, surgiriam civilizações tecnicamente avançadas.
Evidentemente, o número de civilizações que usam ondas de rádio depende do número das civilizações novas, que despontam a cada ano. Nesse contexto, a média da expectativa de vida das civilizações inteligentes que praticam a comunicação eletromagnética desempenha papel adicional. Se for baixa a sua expectativa de vida, muito raramente um contato pode chegar a ser estabelecido. Quanto a nós, terrestres, parece que estamos pondo em dúvida a nossa continuidade, com a autodestruição por nós praticada.
Segundo Drake, o número de civilizações acessíveis no cosmo não depende apenas do número dos planetas existentes, mas, sim, de um outro problema, bem mais importante:
"Haveria vida inteligente na Terra?"
(Esta pergunta estava escrita na parede de um planetário londrino. Um astrônomo, homem dotado de humor e espírito que visitava o local, escreveu a resposta, logo abaixo da pergunta: "Sim. Mas estou aqui somente de passagem, em visita!")
"Sejamos otimistas e suponhamos que, de fato, exista", diz Drake, "pois, neste caso, haverá comunidades inteligentes também no universo."


Entrementes, a nossa tecnologia progrediu a ponto de tornar possível emitir e/ou captar sinais até uma distância de 100 anos-luz. Lançando mão de alternativas suplementares, oferecidas pelas sondas espaciais ou instalações na Lua, provavelmente esse perímetro aumentaria em alguns 1000 anos-luz de distância.
Tudo isso tem sentido, enquanto se tratar da busca — isto é, da captação — de sinais. Uma comunicação recíproca, por ondas de rádio, não seria exeqüível, em vista do problema tempo, pois, sob certas condições, tal processo poderia se prolongar por muitos milhares de anos.
Embora, até o momento, da nossa parte inexista a prova da captação de qualquer mensagem extraterrena, não se exclui a possibilidade de, na nossa Via-Láctea, se multiplicarem as "ligações interestelares". O conhecido exobiólogo Prof. Carl Sagan, da Universidade Cornell, comenta a esse respeito:
"Podemos ser comparados aos habitantes de uma aldeia isolada da Nova Guiné comunicando-se com as aldeias vizinhas por sinais de tambores e mensageiros, enquanto ignoram, por completo, a existência das radiocomunicações de extensão global, que passam ao redor, acima e através da sua aldeia".
Quando o radiotelescópio de aproximadamente 330 metros da Universidade Cornell foi instalado num vale fundo das montanhas, próximo a Arecibo, em Porto Rico, o nosso alcance cósmico aumentou muito.
Por sua vez, a União Soviética instalou um radiotelescópio, com o único fim de captar sinais de civilizações extraterrestres em cinqüenta estrelas relativamente próximas da Terra. Esse projeto foi confiado ao Dr. Vr. Troitski, diretor do Instituto de Radiofísica, em Górki.
Porém, a rigor, todo tipo de buscas dessa espécie é ilusório, enquanto não forem definidos um destino certo, uma freqüência certa, os comprimentos de ondas e a energia da transmissão. Se, apesar disso, forem captados sinais, será por mero acaso.
A invenção dos raios laser (amplificação da luz, mediante a emissão induzida de radiação) e maser (amplificação de microondas, mediante a emissão induzida de radiação) ajudou na elaboração dos nossos métodos de comunicação. Quando alguns milhões de joules fossem irradiados por um refletor de 200 metros em onda de 21 centímetros de comprimento, todos os sinais deveriam vencer distâncias de até 1 000 anos-luz.
Todavia, aí está a barreira do tempo que neutraliza todos os métodos atualmente disponíveis para o estabelecimento de contato com os extraterrestres! Em vista disso, seria o caso de cogitar da telepatia como meio de comunicação interestelar. Já em 1963, por ocasião do Congresso Internacional de Astronáutica, em Paris, alguém sugeriu a telepatia como o meio de comunicação mais rápido, econômico e vantajoso, tendo a audiência recebido tal sugestão com uma estrondosa gargalhada.
Em 1974, o renomado físico nuclear Prof. John B. Hasted, do Birkbeck College, da Universidade de Londres, iniciou uma série de experiências nos campos da psicocinésia e da teleportação, cujos resultados sensacionais chegaram a ser publicados em abril de 1978. Entre outros, Hasted empregou um medidor da dilatação da resistência, ligado a objetos metálicos ou introduzido no próprio objeto de teste; pois, para Hasted, uma das regras mais importantes em todas aquelas experiências é a de não se tocar em nenhum dos objetos a serem testados.
Cada tipo de metal possui seu próprio potencial elétrico, condicionado à sua estrutura de grade. Por conseguinte, no instante em que uma influência psicocinética provocar um encurvamento, uma dilatação ou quebra, modifica-se a estrutura de grade do metal e, com isso, seu próprio potencial elétrico. E é justamente essa a alteração a ser verificada pelo medidor de resistência.
Hasted colocou peças metálicas em recipientes de vidro hermeticamente fechados, onde as expôs às influências da psicocinésia; foram dobradas, dilatadas, retorcidas ou quebradas. As pessoas que trabalhavam nessas experiências eram preferivelmente crianças, evitando-se assim a intromissão de charlatães profissionais.
Em seguida, Hasted examinou as peças metálicas expostas à psicocinésia, colocando-as sob um microscópio eletrônico e deixando-as passar pela análise espectral. Ele verificou que, pelo processo da psicocinésia, os átomos são postos em movimento, respectivamente deslocados; isso quer dizer que a estrutura nuclear das peças metálicas "tratadas" foi alterada.
Da mesma forma, em outras experiências, conseguiu-se o deslocamento de objetos no espaço mediante influências psíquicas, a teleportação. É lícito considerar simplesmente sensacional o fato de, no decorrer dessas experiências, ter-se conseguido, comprovadamente por nada menos de dez vezes, fazer desaparecer, completa ou temporariamente, peças metálicas do recipiente de vidro, perfeitamente estanque, sem alterar ou forçar o recipiente fechado. Nesse contexto, o Prof. Hasted fala de "espaços paralelos" a serem compreendidos como subuniversos, dizendo a respeito:
"Comprovamos a existência da psicocinésia e, ainda mais, da teleportação, tanto no plano nuclear como no de objetos maiores do que o átomo".
Aliás, experiências análogas estão sendo realizadas também na Inglaterra, no Canadá, nas universidades de Berkeley e Stanford, bem como na França, pela empresa Pecheyne, a cargo do Dr. Crussard.
Sob esse aspecto, começam a despontar novos métodos de comunicação, que ultrapassam os limites do contínuo espaço/tempo, atualmente conhecido. Será que esta poderia ser uma chave para a compreensão das viagens interestelares dos OVNIS?
Aliás, foi o Prof. J. A. Wheeler, da Universidade de Princeton, um dos legítimos conhecedores da teoria da relatividade de Einstein, quem falou de um espaço paralelo, um superespaço, como o denominou. No seu modelo, Wheeler sugere um método absolutamente surpreendente para vencer as distâncias no cosmo. Ele compara o cosmo a uma coroa em cuja superfície se distribuem todos os corpos celestes, enquanto a abertura, no meio, representa um outro universo, justamente aquele superespaço.
Esses dois mundos ficam lado a lado; mas, ao contrário do que acontece com o nosso universo, esse superespaço não está sujeito ao fator tempo. Hoje, amanhã, ontem, anteontem, depois — esses conceitos perderam sua validade. Lá não existem tempo nem velocidade. Se tal modelo for correto, o superespaço poderia perfeitamente servir de via mais curta para outros sistemas solares; poder-se-ia passar de uma para outra parte do universo com velocidade superior à da luz.
Naves espaciais mergulhariam nesse superespaço para, no seu destino em um outro sistema solar, retornarem à dimensão normal de espaço/tempo.
Com isso, surgiria a pergunta quanto às entradas nesse superespaço. Atualmente, já dispomos de um indício. Muito provavelmente, os chamados "buracos negros" são as entradas para essa outra dimensão. Buracos negros são as gargantas gravitacionais que restaram após a ocorrência do adensamento total e catastrófico de estrelas superdimensionais. Toda matéria e energia existentes nas imediações desaparecem dentro de um buraco negro. Desaparecem para onde? Para o superespaço?
Será que os OVNIS já estariam usando esse superespaço para vencer as distâncias astronômicas, de outra maneira invencíveis? Assim, ficaria eliminado o obstáculo, a distância, sempre citado pelos críticos, a título de argumento contra a viabilidade da chegada de visitantes alienígenas à nossa Terra.

Ceta Reticuli 1




Em 19 de setembro de 1961, Barney Hill, casado, 38 anos, funcionário dos Correios, e sua mulher Betty, quarenta anos, assistente social, resolveram tirar um dia de folga e viajar da fronteira do Canadá, pela Rodovia 3, em direção a Portsmouth, passando pelas White Mountains. Como o serviço de meteorologia previa um furacão, eles viajaram de noite a fim de voltar para casa antes de o tufão desabar. Em Colebrook, ao norte do Estado de New Hampshire, fizeram uma breve parada e continuaram viagem às 22 horas. Sob condições normais, deveriam chegar a casa aproximadamente às 2:30 horas da madrugada.
Ao sul de Lancaster, New Hampshire, avistaram uma estrela excepcionalmente brilhante no céu. Aliás, pensaram que fosse uma estrela. A estrada estava quase deserta e o luar era tão claro que até poderiam ter viajado com os faróis apagados. Quando de repente a suposta estrela mudou de curso e passou pela Lua, pensaram tratar-se de um satélite. Curiosa, Betty acompanhou-a com o binóculo, da janela do carro; a estrela parecia aumentar de tamanho e segui-los.
Barney parou; saíram do carro para melhor observar o objeto. Mais tarde, Betty disse que nunca havia visto coisa alguma igual àquela; era um objeto enorme, com várias luzes piscando. De repente, Barney sentiu um certo mal-estar e voltou correndo para o carro chamando pela mulher:
"Eles estão atrás de nós!"
Ambos entraram no automóvel e Barney pisou no acelerador, fazendo o carro andar a toda a velocidade. Ao mesmo tempo, tenso e nervoso, não parou de instruir a mulher para ficar de olho no objeto. "Deve estar diretamente acima de nós!", gritou ele.
Repentinamente, o casal avistou o objeto que tinha a altura de um "prédio de dez andares", pairando no ar, sobre a rodovia. Betty distinguiu janelas dispostas em duas fileiras, uma em cima da outra, e uma luz vermelha, em ambos os lados. Barney parou o automóvel e saiu. Betty permaneceu sentada dentro do carro. Barney correu em direção ao objeto e acompanhou com o binóculo as suas manobras de aterrizagem; Betty, apavorada, gritava para que ele voltasse. Porém, Barney ficou onde estava, como que petrificado, e viu uma espécie de escada descer lentamente da máquina. Pouco depois, ele recuperou o controle, correu para o carro e pisou no acelerador. Naquele mesmo instante, o casal ouviu um estranho zunido elétrico, que fez o automóvel vibrar. Eles próprios sentiram o corpo todo arder e ficaram tontos. A partir desse momento, Barney e Betty Hill não se lembram de mais nada. Com um novo zunido, porém diferente do primeiro, recuperaram a memória. Eles estavam andando pela estrada e tudo lhes parecia estranhamente silencioso.
Notaram uma placa à beira da estrada, indicando: "Concord a 25 km". Jamais procuraram saber como foram parar nesse local, desde Ashland, onde sua viagem foi interrompida; porém; quando se esforçaram para recordar os acontecimentos com todos os detalhes, perceberam que algo estava errado, pois na sua memória havia uma lacuna de duas horas e meia, completamente perdidas em sua consciência.
O que teria acontecido durante essas duas horas e meia?
Betty Hill lembrou nitidamente que, de repente, surgiu um objeto voador desconhecido. Além disso, sonhou que um grupo de homens uniformizados bloqueou a estrada. Esse sonho repetiu-se constantemente; mas, acordada, Betty não conseguiu se lembrar daqueles acontecimentos. Assim, acabou se dirigindo à NICAP.
Quando, em janeiro de 1964, Barney começou a sofrer de uma úlcera gástrica, o casal resolveu seguir o conselho de um funcionário da NICAP, Walter Webb, e consultar o célebre psiquiatra, Dr. Benjamin Simon, em Boston.
O Dr. Simon optou pela hipnose, a fim de chegar ao subconsciente de Barney e saber detalhes a respeito daquelas duas horas e meia perdidas na memória do casal. Ele hipnotizou Barney e Betty, separadamente, e, com ambos, tentou um bloqueio da memória através da sugestão hipnótica. Assim, eles não poderiam trocar quaisquer informações referentes à sua experiência, nem combinar o depoimento a ser prestado. Durante a hipnose, os dois tornaram a viver aquele estranho incidente, ocorrido durante as duas horas e meia que estavam perdidas no subconsciente.
As sessões foram gravadas em fita e revelaram o seguinte: eles saíram da rodovia e entraram numa estrada estreita, onde foram barrados por alguns homens de 1,50 metro de altura. Eram grotescos e diferentes; mas Betty não soube explicar por quê. Até então, o casal não havia sentido medo; porém, quando o motor do carro deixou de pegar e três dos alienígenas abriram a porta do lado de Betty, ela entrou em pânico.
"Um deles colocou a mão nos meus olhos, perdi os sentidos e tive a sensação de cair no sono, apesar de, no meu íntimo, não querer adormecer. Com os derradeiros resquícios da minha força de vontade, lutei contra aquele estado de torpor e vi que os homens estavam ali, ao redor do nosso automóvel", relatou Betty.
Enquanto arrastavam Barney e levavam Betty escada acima, ela gritou "Acorde, Barney!"
Em seguida, um dos alienígenas, ao lado de Betty, perguntou a ela, esforçando-se para falar em inglês:
— O nome dele é Barney?
Furiosa, Betty replicou:
— Não é da sua conta!
Independentemente um do outro, Barney e Betty concordaram em que os homens usavam uniforme.
Segundo o depoimento de Barney, o chefe usava uma capa preta, brilhante, com uma faixa negra pendente sobre o ombro esquerdo, que lembrava a de um capitão da Marinha. Betty ficou impressionada sobretudo com seus olhos quase negros, cuja expressão a deixava com medo. Aparentemente, os homens não tinham orelhas e a pele era de cor cinzenta. Betty achou que eles eram seres humanos ou parecidos com os humanos.
A bordo do objeto voador desconhecido, o casal foi separado. Betty ficou no primeiro recinto, enquanto Barney foi levado para o compartimento contíguo. O primeiro recinto impressionou Betty, que o descreve como se fosse "um pedaço de torta, com a ponta cortada e todas as paredes reluzindo numa luz branco-azulada".
O chefe e um outro homem, médico, como ela soube depois, levaram Betty para uma cadeira branca, na qual a fizeram sentar. Em seguida, procederam a um exame minucioso dos seus olhos, garganta, nariz, orelhas e dentes.
Em seguida, mandaram-na deitar-se sobre uma mesa de exame. Até então, todos os exames eram sem dor. Por fim, o médico aproximou-se dela com um instrumento comprido, em forma de agulha, a ser introduzido no seu umbigo, para fazer um teste de gravidez, como foi explicado a ela. Em vão, Betty implorou que não fizessem aquele teste e chorou de dor quando a agulha foi introduzida no seu ventre. Os homens ao seu redor entreolharam-se, surpresos, e o chefe apressou-se em colocar a mão sobre os olhos de Betty, quando, naquele mesmo instante, a dor cessou. Ela disse: "Soube, então, que eles não me queriam fazer mal". Com esse teste, o exame de Betty estava encerrado e disseram a ela para aguardar por Barney.
Quando o médico foi para o recinto contíguo, Betty conversou com o chefe:
"Depois de chegar a casa, vou contar o que aconteceu; ninguém acreditará nas minhas palavras, a não ser que eu possa apresentar uma prova qualquer".
O chefe perguntou a Betty o que ela queria levar. Ela olhou em volta, descobriu um livro com símbolos e perguntou se poderia levá-lo; rindo, o chefe concordou.
Naquele momento, o médico entrou no recinto, segurando a dentadura de Barney. Ele dirigiu-se para Betty e procurou tirar os dentes dela, o que não conseguiu, pois Betty não usava dentadura. Os alienígenas ficaram estupefatos! Betty tentou explicar a eles que, por razões várias, as pessoas costumam perder seus dentes, mais cedo ou mais tarde, principalmente em idade avançada. Porém, os estranhos seres ignoravam o conceito "idade" e tampouco compreenderam as explicações de Betty.
Então, foi a vez de Betty perguntar de onde procediam com sua nave espacial.
Em resposta, o chefe apontou para um mapa celeste, que, de uma ou outra forma, fazia parte da parede que estava se abrindo. Ele explicou que as linhas grossas, entre um ponto e outro, eram rotas comerciais permanentes, as linhas finas indicavam roteiros de viagens ocasionais e as linhas tracejadas, roteiros de expedições. Lamentavelmente, as estrelas no mapa não levavam nome e, portanto, para Betty, olhar o mapa não passou de "uma olhada para fora da janela". O chefe falou a Betty que, naquele mapa, havia também o nosso Sol, mas ela não sabia onde encontrá-lo. Ao todo, o mapa mostrava doze estrelas brilhantes, esferas flutuantes, que cintilavam. Todavia, o chefe ficou devendo a resposta à pergunta sobre sua procedência. Enquanto isso, Barney havia voltado.
"Fiquei muito feliz por podermos sair. No entanto, ouvi os membros da tripulação trocando opiniões."
O chefe voltou, dirigiu-se a Betty, e dela tirou o livro que lhe havia dado de presente, anunciando: "Ficou resolvido, vocês devem esquecer tudo isso".
Betty chorou de raiva e respondeu: "Não, não posso esquecer isso. Mas você me fez tantas perguntas a que eu não soube responder, por que não volta mais uma vez? Eu poderia providenciar um encontro entre você e pessoas competentes, capazes de responder às suas perguntas".
O chefe replicou que não caberia a ele tomar qualquer decisão a esse respeito e, além do mais, eles saberiam encontrar as pessoas certas, sempre que fosse preciso.
Depois disso, os alienígenas acompanharam o casal Hill até o carro, sem proferir uma palavra, e a nave espacial desapareceu, rápida e misteriosamente como chegara.
Após cuidadosa análise do caso, o Dr. Simon chegou à conclusão de que o casal Hill descrevera a sua experiência como acreditou tê-la vivido. Essa conclusão final, positiva, foi baseada no relato dos depoimentos prestados pelo casal em estado de hipnose e dos quais seguem alguns trechos, para melhor compreensão do assunto.

Dr. Simon: Agora, o Dr. Hynek falará com você e você responderá às perguntas.
Barney: Saí do carro e corri pela estrada, para baixo, para o bosque. Lá há uma luz alaranjada. Há alguma coisa ali. Se, pelo menos, eu estivesse com a minha espingarda.
Prof. Hynek: Barney, você se lembra perfeitamente de tudo aquilo. Conte-me tudo o que se passou. Você está ouvindo bem o ruído "bip-bip". Descreva-me aquele ruído com mais precisão.
Barney: Betty, olha para lá! Está lá, Betty! Meu Deus, que coisa louca. Estou atravessando a ponte, correndo. Meu Deus, meu Deus! (Barney respira com dificuldade.) Não posso acreditar. Há homens na estrada. Não, não acredito. Não! Não quero continuar. Não! Isso é impossível.
Dr. Simon: Continue, Barney. Você se lembra de tudo, perfeitamente bem.
Barney (nervoso e desesperado): Estamos subindo a rampa. Gostaria de dar umas pancadas neles, mas não posso. Não consigo mais me controlar. Devo dar-lhes umas pancadas. Meus pés batem contra qualquer coisa. Estou em um corredor. Não quero entrar aqui. Não sei onde está Betty. Nada me aconteceu. Estou me debatendo. Mas se me fizerem alguma coisa, vou bater neles, vou bater mesmo. Não sinto nada. Meus dedos estão adormecidos. Meus pés estão adormecidos. Encontro-me sobre uma mesa.
Dr. Simon: Está bem. Você pode parar aqui. Você está sobre a mesa. Você está tranqüilo, relaxado, deve descansar, até eu voltar a falar; ouça, Barney! Você não ouve nada daquilo que vou falar agora. Betty, o que aconteceu?
Betty: Estávamos andando de automóvel. De repente, Barney desvia o carro para a esquerda, os freios estão chiando. Não sei por quê. Decerto, vamos sair da estrada. Fazemos uma curva. (Pausa.) Barney procura dar partida, procura novamente dar partida, mas o motor não pega. Agora, eles se aproximam de nós, entre as árvores. Há alguma coisa com o primeiro dos homens que se dirigem para nós. Estou ficando com medo. Devo sair do automóvel, correr e esconder-me. Quero abrir a porta do carro, correr e esconder-me no bosque.
Prof. Hynek: Será que, antes daqueles acontecimentos, você viu algo parecido com aquilo?
Betty: Não.
Prof. Hynek: Essa cena é iluminada pelo luar? Você está vendo, simultaneamente, a Lua?
Betty: Tudo está mergulhado num luar muito claro, quase tão claro como a luz do dia, mas posso enxergar. Está no chão e tem uma espécie de anel envolvendo sua borda.
Prof. Hynek: Está apoiado sobre pés ou deitado no chão?
Betty: A borda fica um pouco acima do chão e de lá desce a rampa.
Prof. Hynek: Qual o tamanho dele, Betty? Compare-o com alguma coisa, Betty.
Betty: Estou procurando pensar.
Prof. Hynek: Serviria um vagão de trem, a título de comparação? É maior ou menor?
Betty: Não posso imaginar bem o tamanho de um vagão. Seu comprimento corresponde, mais ou menos, à distância entre a esquina da nossa casa e a garagem.
Prof. Hynek: O que você pensa, ao se aproximar?
Betty: Quero sair daqui — e nada mais.
Prof. Hynek: E por que você não pode sair daqui?
Betty: Não posso. O homem ao meu lado! Somente posso dizer: "Barney, acorde". Ele me pergunta se o nome do meu marido é Barney. Isto não é da conta dele. Não quero ir com ele. Não vou entrar ali. Não quero! Ele me diz para ir em frente, eles só querem fazer uns testes e, tão logo terminem, posso voltar para o automóvel.
Prof. Hynek: Eles falaram de onde vieram?
Betty: Não.
Foram aventadas as mais diversas teorias para explicar o caso do casal Hill. Por exemplo, seria lícito supor que aquele seqüestro fosse uma reação, intensamente emotiva, uma experiência imaginária, motivada pelo medo sentido diante do aparecimento de um OVNI. Da mesma forma, há um fato notável, referente tanto ao marido quanto à mulher, ou seja, o dos exames aos quais Barney e Betty foram submetidos e que se assemelharam a um teste de fertilidade. Colocaram um aparelho sobre o abdômen de Barney, enquanto Betty teve de passar pela experiência dolorosa de ter uma agulha introduzida no umbigo.
O casal era otimamente bem conceituado e muito querido entre as pessoas do seu convívio; levavam intensa vida social; porém, não tinham filhos. Será que foi esse o motivo, talvez o catalisador, de uma motivação psicológica para uma experiência imaginária? Teria esse teste, em especial, servido de fator compensativo?
Evidentemente, há muitas pessoas que acreditam piamente que tudo quanto se passou decorreu exatamente da maneira como foi exposto pelo casal Hill em estado de hipnose. Argumenta-se que uma pessoa hipnotizada não pode falar outra coisa senão a verdade simples e pura. Do mesmo modo, embora praticamente todos os que souberam do caso concordassem em que não poderia haver qualquer fraude, lamentavelmente a hipnose não vale como prova concludente. Pois, mesmo hipnotizados, Betty e Barney podiam falar somente aquilo que eles consideravam a verdade.
Seja como for, ainda persiste um detalhe surpreendente e que se refere ao mapa celeste, em três dimensões, mencionado por Betty. Sua descrição do mapa sugere, e de maneira notável, a holografia (fotografia tirada com raios laser, processo utilizado para a reprodução de objetos iluminados, mediante a reconstituição do campo de ondas da luz — aqui, na Terra, ainda em fase inicial). O mapa celeste foi reconstituído pacientemente pela astrônoma Majorie Fish, que dele fez um modelo. (Cumpre mencionar que, sob hipnose, as pessoas se lembram dos menores detalhes de uma experiência, esquecidos em estado normal.) Todavia, comparando com o nosso firmamento estrelado, nada foi identificado nessa reconstituição.
Em seguida, Majorie Fish entregou seu modelo ao Dr. Mitchell, da Universidade Estadual de Ohio, que o examinou e o submeteu a extensos estudos. Enfim, o Dr. Mitchell chegou à surpreendente conclusão:
O mapa, feito segundo as indicações dadas por Betty Hill, mostra uma parte do nosso universo, visto da estrela Ceta Reticuli 1, distante 36 anos-luz da Terra!

Manipulação


Após minucioso exame e análise dos inúmeros aparecimentos de OVNIS já na década de 60, foi possível tirar certas conclusões, pois, na época moderna dos objetos voadores desconhecidos, eles começaram a apresentar padrões nitidamente distintos. Assim, durante a Segunda Guerra Mundial, surgiram os pequenos foo fighters esféricos, posteriormente substituídos por objetos compactos, em forma de disco, sem aberturas — janelas ou portas — e sem características especiais. Em seguida, surgiu o clássico tipo dos OVNIS com janelas ou cúpula transparente; mas, durante todo esse tempo, foram avistados igualmente objetos voadores grandes, em forma de charuto.
Quando começaram a surgir discos voadores dotados de cúpula, de todas as partes do mundo vieram inúmeros relatos dos chamados "contatos imediatos de terceiro grau".
Apreciados apenas sob o aspecto teórico, os pequenos foo fighters poderiam ter sido sondas automáticas de reconhecimento, enquanto os objetos voadores em forma de disco, sem janelas nem portas, poderiam ter sido sondas de pesquisas, teleguiadas, de construção bastante sofisticada, ao passo que, no caso dos OVNIS clássicos, munidos de janelas e cúpula de observação — supondo-se que se destinassem à observação e ao reconhecimento, fossem quais fossem os olhos encarregados da execução de tais tarefas —, deveriam ser naves espaciais tripuladas.
Da mesma forma, também com relação aos contatos imediatos, características análogas foram registradas ao redor do globo. Em geral, a altura dos tripulantes e passageiros dos OVNIS foi indicada como variando entre 1 e 1,40 metro. As cabeças calvas sempre foram descritas como desproporcionalmente grandes em relação ao corpo, a boca como uma fenda ou abertura, o nariz inexpressivo, os olhos grandes e a pele de uma cor entre o branco, o cinzento e o marrom.
Na maioria das vezes, as testemunhas de tais contatos falam em membros excessivamente compridos.
Evidentemente, quanto a tais descrições, cumpre fazer certas ressalvas, considerando-se a capacidade de observação das testemunhas, o que, provavelmente, explicaria as diferenças surgidas no modo de ver e descrever esses seres alienígenas. Aliás, basta lembrar como são divergentes, muitas vezes até contraditórios, os depoimentos prestados por, digamos, dez testemunhas de um acidente de trânsito, quando todas elas teriam ou deveriam ter presenciado e observado o mesmo fato.
Além disso, caso aceitemos a existência dos OVNIS, cumpriria cogitar de mais outra eventualidade para sua procedência: eles poderiam ser oriundos de mundos diferentes, situados em outros sistemas planetários, e, portanto, apresentar-se sob diferentes aspectos externos.
Por outro lado, supondo-se que o fenômeno dos OVNIS represente apenas um problema sociopsicológico, como afirmam alguns críticos, resta encontrar a explicação para o fato de um índio americano, um astrônomo francês altamente qualificado, um aviador russo, um criador de ovelhas na Austrália, um engenheiro alemão, um astronauta do Projeto Apollo descreverem os aparecimentos dos OVNIS de uma maneira notàdamente similar. No entanto, cumpre lembrar que o motivo sociopsicológico varia, e consideravelmente, de observador para observador. Da mesma forma, os críticos deveriam explicar também por que e como um fenômeno sociopsicológico deixa as marcas do seu "trem de pouso" e outros vestígios. Aliás, tais peculiaridades excluem a eventualidade de serem os OVNIS, sempre e somente, projeções holográficas e psíquicas. Para tanto, citamos os seguintes fatos, que dispensam comentários.


Um dos mais fascinantes aparecimentos de OVNIS ocorreu em 24 de abril de 1964, no Novo México. Na tarde desse dia, um policial de 31 anos, Lonnie Zamora, notou um Chevrolet preto que, às 17:50 horas, atravessou a cidade em excesso de velocidade, na direção sul.
Naquela mesma hora, um casal com seus três filhos viu um objeto voador oviforme, aparentemente de alumínio ou magnésio, sobrevoando a baixíssima altura a estrada e seu Cadillac verde. O motorista do Cadillac ainda xingou o piloto. Logo, foi ultrapassado por um carro policial, um Pontiac branco, e comentou que, eventualmente, aquele carro estaria perseguindo o "piloto infrator das regras de trânsito".
O Cadillac parou no próximo posto de gasolina e, enquanto era abastecido, seu motorista reclamou vivamente daquele piloto sem escrúpulos; contou o caso ao dono do posto, Opal Grinder, e seu filho, Jimmy, dando detalhes do estranho avião.
Enquanto isso, Zamora se encontrava na zona sul da cidade, postado na entrada de uma rua sem saída, esperando pelo infrator, o motorista do Chevrolet preto. De repente, ele ouviu um ruído uivante, acompanhado de um brilho azul, muito claro, aparentemente oriundo de uma garganta situada em uma zona desabitada, a oeste, a uns 900 metros da cidade.
Posteriormente, Zamora lembrou ter visto uma nuvem de poeira subir, que o fez pensar na explosão de um depósito de dinamite. Como policial consciencioso, quis certificar-se da ocorrência e, por uma estrada esburacada, dirigiu-se para as colinas mais próximas, a fim de observar toda a região. A uns 650 metros, viu no fundo de uma garganta um objeto branco, que, à distância, se assemelhava a um carro, virado sobre o radiador; ao lado, estavam duas pequenas figuras, que se movimentavam.
"Tudo quanto pude distinguir foram dois macacões brancos, ao lado do objeto de cerca de 1,20 metro de altura", disse Zamora.
Ele se comunicou pelo rádio com a central de serviço, relatou a ocorrência e, ao mesmo tempo, avisou que iria até a garganta. Em seguida, dirigiu-se à garganta, mas, quando passava por uma baixada, perdeu o objeto de vista. Finalmente, parou o carro acima da garganta, a uns 30 metros do objeto, e desceu. O objeto estava a cerca de 7 metros, no fundo da garganta; porém, as duas figuras haviam desaparecido. Zamora aproximou-se cautelosamente do local e viu que "o objeto era oviforme, de cor prateada, sem janelas. Estava parado sobre um 'trem de pouso' de cerca de 1,20 metro de altura, de seis pernas, e era do tamanho de um automóvel".
De repente, o "ovo" fez um barulho infernal. Zamora pensou que o objeto estava prestes a explodir e se afastou, procurando refugiar-se entre a vegetação. Quando olhou para trás, observou que o objeto subia verticalmente. Zamora deitou-se no chão, cobriu a cabeça com os braços e esperou. Como nada aconteceu, o policial arriscou outra olhada cautelosa em direção ao OVNI e, para grande surpresa, viu como estava pairando, completamente silencioso, a uns 7 metros acima do solo. Em um dos lados do objeto, Zamora distinguiu um emblema vermelho, de uns 30 centímetros de altura, que mostrava uma lua crescente, com uma seta vertical no meio e um traço horizontal, embaixo. Em seguida, o objeto voou sobre a garganta, rumando para o sul e desaparecendo.
Zamora voltou correndo para o carro, a fim de fazer o devido comunicado para a central de serviço; porém, o rádio emudecera e levou um bom tempo para tornar a funcionar, quando, então, Zamora pediu para que o Sargento Chávez, da polícia estadual, viesse em seu auxílio. Por sua vez, Chávez, relatou:
"Quando cheguei ao local, Zamora estava um tanto fora de si. Ele me contou o que ocorrera e juntos descemos a garganta. Um arbusto havia pegado fogo e estava chamuscado; no solo macio havia seis impressões distintas, quatro delas formando uma espécie de losango, medindo 25 por 45 centímetros, e duas impressões redondas, dispostas a intervalo de alguns centímetros".
Chávez comunicou incontinenti a ocorrência às Forças Armadas, que, por sua vez, mandaram especialistas para o local, entre outros o Prof. Hynek.
Além da família no Cadillac, duas outras pessoas avistaram o objeto voador oviforme; eram elas Paul Kies e Larry Kratzer, de Dubuque, Iowa, que viajavam a mais ou menos 1,5 quilômetro do local da ocorrência, rumo a Socorro.
Por sua vez, o serviço secreto e o FBI, representado por seu agente J. Arthur Byrnes Jr., também trataram do caso, como não poderia deixar de ser. Zamora foi instruído para não mencionar o incidente e mantê-lo em segredo, principalmente quanto ao detalhe das duas figuras de branco e do emblema.
"Em todo caso, ninguém iria acreditar em suas palavras", concluiu Byrnes em suas instruções a Zamora.
Ao ser indagado a respeito, o policial, conhecido como absolutamente sério e cônscio dos seus deveres, limitou-se a responder: "Bem que eu gostaria de saber o que foi. Mas nada sei, além de ter avistado o objeto. E é só".
A Força Aérea continuou em suas pesquisas; mas jamais chegou a esclarecer o caso, apesar de suas intensas e profundas investigações.
Outro caso inexplicável aconteceu em 1965, nas imediações de Fort Myer, com o fazendeiro James Flynn, de 45 anos, criador de gado, muito estimado pelos vizinhos, que ò conheciam como homem de bem, absolutamente responsável.
No dia 12 de março, saiu com seu buggy para caçar e levou seus quatro cachorros. Ele conhecia um lugar ermo, nas Everglades, a região de brejo e pântanos no Estado da Flórida, cerca de 18 quilômetros a sudeste da reserva indígena Big Cypress. A viagem, bem como o primeiro dia no local, passaram sem qualquer novidade. No domingo seguinte, os cachorros farejaram um veado e o apanharam. Somente um deles obedeceu ao assobio do dono e voltou para junto dele. À meia-noite, os outros cachorros ainda não haviam voltado ao acampamento; James saiu com o buggy e o cachorro para procurá-los. Seguiu o rastro deixado pela caça; aproximadamente à 1 hora da madrugada, viu uma enorme luz brilhante, pairando sobre os ciprestes, a uma distância de 1,5 a 2 quilômetros. James observou como aquela luz passou três ou quatro vezes por cima das copas das árvores, voltando sempre para o ponto de partida.
Em seguida, James se dirigiu para a luz, pois queria saber o que estava se passando. A luz parecia aproximar-se lentamente do solo e, enquanto James se dirigia a ela, teve a impressão de que já estava quase tocando o chão. Nesse momento, a uma distância de uns 400 metros, ele percebeu que não se tratava de uma luz comum, pois já podia discernir os contornos de um enorme objeto em forma de disco. Com o binóculo, observou um objeto voador, semelhante a um cone achatado, cuja largura era o dobro da altura. O objeto, evidentemente de metal, parecia ser dotado de janelas, dispostas em quatro fileiras em toda a sua circunferência; cada janela media cerca de 60 centímetros quadrados e tinha uma moldura preta. A fileira de baixo ficava a uns 4 metros acima do piso do objeto, de acordo com os cálculos de James, e a distância entre a fileira superior e a cúpula devia ser de uns 2,50 metros. O diâmetro do objeto voador deveria medir cerca de 22 metros. James calculou essas medidas, comparando-as com a altura dos ciprestes.
Posteriormente, James disse que o objeto voador não apresentava siglas, emblemas ou identificação de espécie alguma. E nele nada mais pôde observar, exceto um brilho amarelo e turvo, que saía das janelas, e um brilho laranja, na parte inferior do objeto, que iluminava o solo a seu redor.
Curioso, James tornou a ligar o motor do buggy e aproximou-se do objeto. Um estranho zunido, "semelhante ao ruído de um potente transformador", como comentou James, tornou-se mais intenso, à medida que ele se aproximava do objeto. Finalmente, parou o carro, desceu e correu uns 2 metros, penetrando na zona iluminada pela parte inferior do OVNi. Imediatamente, sentiu uma forte corrente de ar proveniente do objeto. James acenou com a mão para as janelas, sem, no entanto, provocar qualquer reação. Após alguns minutos, tornou a repetir o gesto e, então, veio a resposta, em forma de um jato de luz, curto e brilhante, proveniente de uma das janelas da fileira inferior e dirigido diretamente para um ponto entre os olhos de James. Ele perdeu os sentidos.
Ao se recuperar, estava cego da vista direita e o olho esquerdo estava seriamente atingido. Conseguiu arrastar-se até o carro; seu cachorro, antes todo excitado ao avistar o objeto, já estava deitado no interior do buggy, completamente alheio a tudo. Na medida do possível, com a visão tão abalada, perscrutou a região, mas nada avistou, além dos vestígios do seu próprio rastro, ao perder os sentidos.
Um amigo índio da reserva levou James para a fazenda. Sua mulher providenciou imediatamente o internamento no hospital, onde, enfim, James percebeu que a duração do seu estado de inconsciência não fora de apenas duas ou três horas, como julgara, mas, sim, de 24 horas. Foi submetido a um exame geral, e o Dr. Harvey Stipe redigiu o seguinte relatório a respeito, que em abril de 1965 foi encaminhado à APRO:

"Hemorragias na zona posterior dos olhos, evidentemente de natureza traumática. Não foram constatadas paralisias, mas, sim, verificou-se a ausência de reações dos reflexos profundos dos nervos dos bíceps, músculos dos antebraços, joelhos, extensores, bem como dos reflexos na planta dos pés e dos músculos abdominais. Houve reação somente nos reflexos da parte interna das coxas. Depois de cinco a oito dias, os reflexos voltaram, mas de maneira irregular.
"O exame da testa revelou um inchaço acima do olho esquerdo, em cujo centro foi constatada uma depressão, com a pele esfolada, cobrindo uma área de 1 centímetro quadrado. Além disso, houve uma leve hemorragia acima do olho direito."
Depois de permanecer internado quatro dias, James ficou surdo, seus braços e pernas adormeceram; no entanto, seu estado voltou ao normal em 24 horas.
Em 16 de abril, quatro semanas após o incidente, James passou por mais um exame de controle, e todos os seus reflexos estavam normalizados, menos os dos músculos abdominais. A depressão acima do olho direito persistiu e a visão continuou fortemente obstruída. Naquela época, o Dr. Stipe já conhecia James havia 25 anos e ele escreveu à APRO, informando que, ao longo de todos esses anos, James sempre se mostrara um homem altamente responsável e de boa saúde. Da mesma forma, relatou que voltou com James ao local do incidente e lá encontrou as copas das árvores recém-chamuscadas, dentro de um perímetro que formava um círculo exato, fotografado por Stipe. As árvores, dispostas a intervalos de 2 a 5 metros, tiveram o tronco descascado, até cerca de 50 centímetros abaixo da copa, dando a impressão de que um objeto pesado havia descido nesse local.


Poucos meses após a aventura vivida por James Flynn, nos EUA, Maurice Masse, cultivador de alfazema em Valensole, departamento dos Alpes-de-Haute-Provence, França, teve uma experiência incrivelmente semelhante à de Lonnie Zamora, o policial do Novo México.
Na época, Maurice tinha quarenta anos, era pai de dois filhos e proprietário de uma destilaria de alfazema em Valensole. Durante todo o mês de junho, ele notou que suas alfazemas estavam sendo roubadas. No dia 1.° de julho de 1965, Maurice estava cuidando das plantas. Aproximadamente às 6 horas, quando acabou de fumar um cigarro e estava prestes a continuar o trabalho, ouviu um zumbido curto, penetrante. Ele se encontrava sobre um monte de pedras, nos fundos da pequena vinha que se estendia ao longo do campo de alfazema, e ficou procurando o helicóptero, cujo zumbido acreditou ter ouvido. No entanto, para sua grande surpresa, ao invés do helicóptero surgiu uma máquina esquisita; parecia-se com uma bola de rúgbi, do tamanho de um automóvel Dauphine. Ela estava parada a uns 6 metros do solo, apoiada sobre um "trem de pouso" de seis pernas e dotada de algo semelhante a um eixo central.
Ao lado daquele estranho objeto, duas figuras mexiam na sua cultura de alfazema. Furioso, Maurice observou os dois intrusos através da vinha e correu em sua direção. Um deles estava de costas para Maurice, ao passo que o outro olhava para ele. Quando Maurice se encontrava a uns 10 metros dos intrusos, um deles se virou repentinamente para ele e lhe dirigiu um pequeno objeto que segurava na mão, colocando-o, em seguida, em um estojo preso no seu lado esquerdo. No mesmo instante, Maurice ficou paralisado, sem poder mexer a cabeça, os braços, as pernas; seu corpo ficou totalmente inerte e insensível.
Posteriormente, ao ser interrogado sobre o caso, Maurice afirmou que os estranhos seres eram de estatura baixa, aproximadamente 1,20 metro, e cabeça desproporcionalmente grande, colada ao corpo, entre os ombros, quase sem pescoço, calvos e no lugar da boca tinham um buraco. Os olhos eram semelhantes aos dos humanos, exceto pelo fato de não terem pestanas; a cor da pele era igual à dos habitantes da Europa central; os ombros, pouco mais largos que a cabeça; tinham braços e pernas; porém, Maurice não soube descrever as mãos nem os pés. Os alienígenas usavam roupa de uma peça só, colante, de cor escura, levando um pequeno estojo no lado esquerdo e outro maior no lado direito.
Maurice disse ainda que, após algum tempo, eles voltaram para a máquina, de uns 2,50 metros de altura, de cujo interior continuaram a observá-lo através de uma cúpula aparentemente de vidro. Uma espécie de porta rolante fechou de baixo para cima; em seguida, o "trem de pouso" foi recolhido e a máquina decolou com um baque surdo e se afastou em silêncio. Havia subido cerca de 30 metros, quando desapareceu, de repente, como uma luz que se apaga; somente os rastros deixados no campo indicaram o rumo que ela tomou.
Somente após cerca de quinze minutos depois do contato é que Maurice conseguiu usar seus membros normalmente. Logo a seguir, foi à polícia, a fim de comunicar a ocorrência, e os primeiros reconhecimentos foram realizados por dois agentes da polícia local, Azias e Santoni. No dia seguinte, chegou o Tenente-Coronel Valnet, policial mais graduado, para tratar do caso.
A vistoria do local, sob a orientação de Valnet, revelou que, no lugar onde Maurice viu o objeto alienígena pousado no chão, a terra estava encharcada, apesar de não ter chovido ultimamente. Ademais, havia uma depressão no solo, de 1,20 metro de diâmetro; bem no meio da depressão, um buraco de 40 centímetros de profundidade por 18 centímetros de diâmetro.
Perguntado sobre se teria sentido medo, Maurice respondeu negativamente, dizendo:
"Os estranhos seres irradiavam tanta calma e paz, que não cheguei a ter nenhum medo".
Também Maurice é considerado por vizinhos, conhecidos e amigos, uma pessoa de grande responsabilidade, possuidora de bastante senso comum.
Aliás, por muitos anos, a terra sobre a qual esteve parado o objeto voador desconhecido, segundo o depoimento de Maurice, continuou pobre e estéril para o cultivo da alfazema.


Enquanto, na França, Maurice Masse teve um contato imediato do terceiro grau com um OVNI, na Antártida pesquisadores avistaram uma luz enorme no céu que causou a paralisação total de todas as instalações elétricas da estação experimental.
Isso aconteceu com a estação experimental argentina, Deception Island, na Antártida, onde, a 3 de julho de 1965, às 10:40 horas (hora local), surgiu um gigantesco disco voador, que foi registrado em filme colorido. O brilho emitido pelo objeto era preponderantemente vermelho ou verde, variando em sua escala cromática também para o amarelo, branco, azul e laranja. Durante uns vinte minutos, o objeto executou manobras sobre a base, evoluindo em ziguezague, a incrível velocidade, para, em seguida, pairar, imóvel, num determinado ponto, a uns 5 000 metros de altitude. Durante todo esse tempo, o objeto foi avistado e observado com binóculos pelos cientistas e membros da estação experimental, no céu límpido, com a Lua no seu último quarto.
O objeto interferiu nas instalações elétricas de Deception Island, paralisando os instrumentos usados para medições do campo magnético da Terra, bem como para comunicações e recepção de radiomensagens.
Naquele mesmo dia, cientistas chilenos avistaram o mesmo objeto sobre uma outra base na Antártida; também surgiu sobre uma estação experimental argentina, nas ilhas Órcades do Sul.
O secretário de Estado da Marinha argentina e o ministro da Viação do Chile confirmaram os relatórios pormenorizados sobre essa ocorrência.
Durante os anos de 1965 e 1966 ocorreu uma série de incidentes que obrigaram a CIA a tomar providências e até preocuparam Lyndon Johnson, na época presidente dos EUA, a ponto de ordenar uma investigação imediata.
Em 1965, os astronautas James McDivitt e Ed White, ao completar a vigésima órbita em torno da Terra, a bordo do Gemini IV, avistaram entre o Havaí e as Caraíbas um objeto prateado, apresentando algo parecido com antenas, que deles se aproximou. McDivitt conseguiu bater algumas fotos do objeto, que posteriormente foram detidamente analisadas. Como o estranho objeto se aproximava sempre mais da Gemini IV, os astronautas recearam uma colisão e pensaram nas medidas a serem tomadas. No entanto, o objeto desapareceu repentinamente, sem deixar o menor traço. No momento do contato, não havia satélites nas imediações.
Por sua vez, os astronautas Frank Borman e James E. Lovell depararam com um OVNI, quando, a bordo da Gemini VII, completavam a segunda órbita ao redor da Terra e estavam sobre Antígua. Esse OVNI diminuiu a velocidade e paulatinamente ficou atrás da nave espacial, antes de desaparecer de vista.
Também os astronautas Young e Collins tiveram uma aventura semelhante, com dois objetos voadores desconhecidos, que se colocaram diante de sua nave espacial, a Gemini X, e, por algum tempo, funcionaram como seu "marca-passo".
A propósito, é desnecessário frisar o fato de todos os astronautas serem peritos e observadores altamente qualificados e, por força do seu ofício, profundos conhecedores de foguetes e satélites, de modo que fica excluída a eventualidade de qualquer engano ou equívoco a esse respeito.


Aliás, foi o envolvimento de um ex-governador da Flórida com uma aparição de OVNI que provocou os maiores comentários. Haydon Burns estava em propaganda eleitoral, visando a sua reeleição para governador da Flórida, e em 25 de abril de 1966, sobrevoou esse Estado, em companhia de sua equipe, da qual faziam parte também alguns jornalistas do Miami Herald.
Quando o governador disse: "Lá fora há um OVNI", todos foram para as janelas. Bill Mansfield, repórter do Miami Herald, cuja matéria, publicada no dia seguinte, fez manchetes em todos os EUA, pensou inicialmente em um incêndio florestal, por causa do reflexo amarelo-avermelhado, até que descobriu ser aquele reflexo o de duas luzes, em cima do avião do governador, o qual seguia a uns 400 km/h. O Governador Burns acabara de sair da cabine do comandante, que instruíra para se dirigir às luzes; elas subiram verticalmente e desapareceram nesse momento de uma forma repentina.
Obviamente, esse aparecimento foi manchete em toda a imprensa americana, principalmente pelo fato de Burns — apesar da campanha eleitoral — ter feito questão de confirmá-lo.
Em 27 de agosto de 1966, apareceu um OVNI sobre a base estratégica de foguetes de Dakota do Norte, onde foi detectado pelo radar, e causou sérios problemas. Ao ser informado do aparecimento do OVNI e da simultânea paralisação de todas as comunicações com o mundo exterior, o comandante da base ficou desesperado; o caso era agravado pelo fato de essa base possuir um tríplice sistema de segurança, projetado para evitar toda e qualquer pane. De repente, o objeto subiu verticalmente desenvolvendo uma velocidade indescritível e, ao atingir 27 quilômetros de altitude, desapareceu das telas de radar; naquele preciso instante, o sistema de comunicações voltou a funcionar.


Como a essa altura a Força Aérea não podia mais deixar de atender aos pedidos urgentes da opinião pública e às ordens do presidente dos EUA, era preciso recorrer a vários artifícios para esclarecer as estranhas aparições de objetos voadores. Devia ser algo convincente, pois o expediente de recorrer ao conceito "atmosferas de Menzel" já não surtia mais efeito, sendo até ridicularizado pelo grande público.
Menzel, que se formou astrofísico em 1924, ao atingir uma idade avançada, achou por bem tornar-se o "papa da desmistificação dos OVNIS". Para ele, tudo era mais claro do que o próprio Sol, como explicou em sua obra Our Sun ("Nosso Sol"). Fossem quais fossem os rastros observados na tela de radar, na areia ou em qualquer outra parte, Menzel atribuiu-os invariavelmente à Santa Trindade:
1) interferências atmosféricas;
2) Marte;
3) Vênus.
(Aliás, a herança literária do Dr. Menzel, falecido nessa época, foi assumida por seu amigo e discípulo Philip Klass, editor do periódico Aviation Week.)
Como, porém, as explicações de Menzel começaram a ser rejeitadas e numerosos cientistas não se mostravam mais dispostos a aceitar explanações desse gênero, a CIA recorreu a um ardil fabuloso: ela fez com que a Força Aérea dos EUA encarregasse a Universidade do Colorado da realização de um projeto autônomo para a pesquisa dos OVNIS. Para tanto, a Força Aérea liberou uma verba ridícula — 300 000 dólares —, que, logicamente, foi ultrapassada e atingiu os 500 000 dólares ao ser encerrado o projeto. O Prof. Edward U. Condon foi nomeado chefe desse projeto; salvo algumas exceções, seus colaboradores eram "peritos" nas mais diversas áreas; contudo, entre eles havia cinco pessoas sem qualquer qualificação e alguns estudantes.
Em todo caso, o resultado final já estava predeterminado desde, ou melhor, antes do início dos trabalhos. E. U. Condon, cientista “autônomo”, já tinha sua opinião preconcebida, antes de iniciar suas atividades, e a esse respeito não deixou sequer a menor dúvida tanto em entrevistas quanto em outra ocasião qualquer. O coordenador e administrador do projeto, Robert J. Low, chegou ao extremo de instruir devidamente os seus colaboradores, dirigindo-lhes um memorando. Aliás, foi por mero acaso que os aspectos peculiares dessas escandalosas maquinações se tornaram públicos. Sob o título "Pensamentos sobre o Projeto OVNI", Low redigiu uma matéria, que diz, entre outras coisas:
"...Os nossos estudos seriam realizados quase que exclusivamente por céticos, os quais, embora provavelmente não pudessem comprovar um resultado negativo, poderiam e deveriam, ao invés disso, elaborar provas impressionantes, que atestassem o caráter irreal de tais aparecimentos. Acho que, para tanto, é necessário lançar mão de um artifício que apresente o projeto à opinião pública como um estudo absolutamente objetivo. No que se refere aos cientistas, eles deveriam ser impressionados no sentido de que um grupo de céticos estivesse seriamente empenhado em trabalhar com objetividade, embora fosse praticamente nula a chance de se localizar um disco voador. Um dos caminhos para alcançar tal meta seria o de enveredar pela pesquisa, excepcionalmente cuidadosa e aprofundada, não do aparecimento, mas, sim, do observador, estudando os motivos psicológicos e sociológicos dos grupos de pessoas que relatam aparecimentos de OVNIS. Caso ressaltem esse ponto, ao invés de responder às eternas indagações acerca da realidade dos OVNIS, acho que os cientistas não demorariam em descobrir o jogo... Na fase atual, tenho certeza de que — ao manejar o assunto de maneira adequada, principalmente com a colaboração de pessoas certas para esse fim, e se formos bem-sucedidos em impressionar os cientistas da forma almejada — será possível levá-lo a bom termo, de acordo com o nosso objetivo".
Antes de criar o projeto, o Prof. Condon recomendou, especificamente, que dois peritos, os doutores Saunders e Levine, fossem designados seus colaboradores. (Posteriormente, foram co-responsáveis na publicação do memorando de Low.) Porém, quando esses cientistas não atenderam aos pedidos de Condon, mas, sim, defenderam a tese segundo a qual os OVNIS são naves espaciais extraterrestres, foram despedidos, supostamente por "incompetência".
Por sua vez, Mary Louise Armstrong, assistente de Condon na administração do projeto, pediu demissão do cargo, alegando falta de respeito de Condon. Dos doze colaboradores fixos, apenas dois continuaram com o projeto; os demais saíram, devido às constantes divergências de opiniões e intrigas.
Embora o Dr. David Saunders, atualmente professor de psicologia na Universidade do Colorado, tivesse preparado milhares de casos concretos de OVNIS para serem pesquisados minuciosamente, o relatório do Prof. Condon tratou apenas de 91. Da mesma forma, Saunders, que hoje dispõe de vasto material de dados sobre os OVNIS, pôde verificar na época que a missão confiada a Condon era, sobretudo, inspirada por objetivos políticos.
Em janeiro de 1969, as conclusões finais do projeto foram publicadas sob o título Relatório Condon; a edição de bolso abrangeu 965 páginas e a encadernada chegou a 1485 páginas. Em resumo, disse o seguinte: "Inexistem provas que justificaram a suposição de visitantes extraterrestres terem penetrado na atmosfera da Terra e, tampouco, existem provas em número suficiente para justificar a continuação dos trabalhos de pesquisas em torno do assunto".
Embora o projeto tratasse, exclusivamente, de aparições que tivessem causado qualquer tipo de problema, teve de admitir, mesmo de maneira paradoxal, que, para alguns casos, não há explicação. Dos 91 casos pesquisados, trinta tiveram de ser classificados como sendo de OVNIS legítimos.
Para tanto, citamos, como exemplo, o famoso "aparecimento McMinnville", no Oregon, bem como o resultado oficial da respectiva pesquisa:
Às 19:30 horas, quando estava em seu jardim alimentando os coelhos, a esposa do fazendeiro Paul Trent avistou um OVNI no céu. Imediatamente, ela entrou em casa para chamar o marido e buscar a câmara fotográfica. Paul Trent tirou duas fotos enquanto o objeto se deslocava na direção noroeste e mais uma quando evoluiu num movimento basculante, para o lado, e desapareceu na direção oeste.
O Relatório Condon comenta a respeito:
"Nesse aparecimento, todos os fatores geométricos, psicológicos e físicos concorrem para apoiar a afirmação de se tratar de um objeto voador, fora do comum — prateado metálico, em forma de disco, com mais de 10 metros de diâmetro e, evidentemente, não de procedência natural —, voando dentro do perímetro do campo visual de duas testemunhas".
No entanto, se a essa altura a Força Aérea e a CIA julgavam solucionada uma situação bastante incômoda com a apresentação do Relatório Condon, estavam redondamente enganada». Com isso, nada ficou resolvido, pois a crítica da opinião pública tornou-se progressivamente mais pesada e até se falou em maquinações e em métodos de pesquisas comprovadamente manipulados. Aliás, o Relatório Condon virou escândalo nos círculos científicos de todo o mundo.
Por sua vez, um grupo de estudos do AIAA (American Institute for Aeronautics and Astronautics — Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica), a maior entidade científica do mundo para a pesquisa do espaço, examinou o Relatório Condon e dele tirou as seguintes conclusões sensacionais:
Trinta por cento (!) dos casos de OVNIS, examinados em todos os seus detalhes, não puderam ser identificados.
O parecer de Condon, qualificando sem qualquer utilidade a continuação das pesquisas dos OVNIS, não condiz com os fatos reais. Da mesma forma, a sua opinião, segundo a qual, nos próximos 10 000 anos, a Terra dificilmente seria visitada por formas de vida inteligente, oriundas de regiões fora do nosso sistema solar, não pode ser considerada como um argumento convincente que ateste a inutilidade de se prosseguir com as pesquisas.
Enfim, o grupo de estudos chegou à conclusão de que tampouco os casos restantes, bem documentados, podem ser ignorados, uma vez que representam o cerne substancial da controvérsia em torno dos OVNIS, o que, por si só, justificaria o prosseguimento das pesquisas. Ao contrário do que afirma Condon, essas pesquisas poderiam oferecer bastante interesse científico.


Enquanto nos EUA, o Projeto Condon e seus escândalos provocavam um certo mal-estar, na URSS os aparecimentos de OVNIS multiplicavam-se a ponto de a KGB não ter mais condições de investigar todos os fatos e ter que chamar cientistas para examinar aqueles fenômenos. Em 18 de outubro de 1967, foi organizada a comissão cosmonáutica permanente da URSS, cuja chefia foi entregue a Porfíri Stoliarov, major-general da Força Aérea.
Ao contrário do que fez o Projeto Condon, demagógico, manipulado, essa comissão realizou pesquisas legítimas, autênticas, usando, de preferência, métodos de medição fotográficos, eletrônicos e por radar, colaborando com o Observatório Pulkovo e outros, na URSS. Aparecimentos importantes foram cuidadosamente pesquisados e analisados.
Dentre esses aparecimentos, constava o registrado em 23 de setembro de 1964, quando a tripulação e o passageiro de um TU-104 observaram um objeto metálico em forma de disco. O objeto acompanhou o avião, voando sob o aparelho e paralelamente a ele, na rota Moscou-Leningrado, e foi avistado quando o TU-104 estava sobre Bologai.
Em 26 de julho de 1965, R. Vitolniek, diretor de uma estação de observação da ionosfera, em Ogra, Letônia, observou com o telescópio um disco voador de cerca de 100 metros de diâmetro, acompanhado de três discos menores.
E o astrônomo caucasiano Anatóli Sazanov, do Observatório Astrofísico Kislovodsk, avistou, na presença de dez colegas, um objeto em forma de disco, que, em 8 de agosto de 1967, voava a enorme velocidade no céu setentrional, na direção leste.
Um incidente ocorrido em 18 de junho de 1963 foi considerado por Stoliarov de importância especial; nessa ocasião, o cosmonauta Valerii Bikovskii, a bordo do Vostok VI, foi perseguido por um objeto voador em forma de ovo. No entanto, de repente, o objeto desviou do seu curso e sumiu, desenvolvendo velocidade incrível, como relatou o cosmonauta. Aliás, a descrição fornecida por Bikovskii conferiu exatamente com aquela dada um ano depois por Lonnie Zamora, em Socorro, EUA.
Logo a seguir, a CIA tomou conhecimento do projeto soviético de pesquisa dos OVNIS, e, por sua vez, passou as informações para a NASA. ISSO provocou uma "declaração obrigatória" por parte da URSS, com a Academia Soviética de Ciências pronunciando-se formalmente: "Não existem discos voadores!"
No entanto, a comissão Stolvarov chegou a conclusões bem diferentes. Um relatório secreto de 1970 diz, entre outras coisas, que os aparecimentos e registros por radar bem documentados são tão numerosos que excluem a possibilidade de se tratar de ilusões ópticas. Pelo contrário, são objetos maciços, reais, cuja origem somente pode ser explicada por meio de contínuas pesquisas sistemáticas. Por conseguinte, é recomendada a instalação de estações de observações meteorológicas, astronômicas, geofísicas, hidrometeorológicas, bem como o lançamento de satélites de reconhecimento. Da mesma forma, a hipótese da procedência extraterrestre dos objetos voadores desconhecidos é a mais condizente com os dados coletados.

Interrogatório




Em 17 de dezembro de 1969, a Força Aérea encerrou oficialmente o Projeto Livro Azul, tendo o Relatório Condon contribuído para essa decisão. Até certo ponto, essa resolução foi influenciada também pela crítica do Prof. Hynek, que, atualmente, entre outros, ocupa o cargo de chefe do Observatório Dearborn, da Universidade Northwestern, Illinois. Em sua carta ao Coronel Raymond S. Sleeper, comandante da Divisão de Tecnologia Alienígena, Hynek constatou a incompetência e o caráter não-científico do Projeto Livro Azul, que deixou de pesquisar devidamente incidentes importantes. Porém, Hynek criticou sobretudo o pronunciamento da Força Aérea, segundo o qual os OVNIS não representariam perigo algum, e acrescentou: o fato de até hoje não ter sido registrado qualquer ato declaradamente inamistoso não exclui a possibilidade de que isso não venha a acontecer no futuro.
Enquanto a Força Aérea, com o encerramento do Projeto Livro Azul, esperava imitar a atitude dos célebres três macacos — nada ouvir, nada ver, nada falar —, relatórios mais detalhados de aparecimentos sempre mais substanciais vieram a interferir em seus propósitos.
Assim, em 14 de setembro de 1969, o aparecimento de um OVNI transformou-se num caso rumoroso. Esse fato ocorreu no cosmo e envolveu os astronautas P. Conrad, D. Gordon e E. Bean, da Apoio XII, a segunda equipe de astronautas a viajar para a Lua. Dois OVNIS acompanharam a cápsula espacial, e no comunicado para Houston Gordon chegou a comentar com o centro de controle da NASA:
"Emitem um brilho muito forte e parecem fazer sinais acendendo e apagando as luzes. Esperamos que suas intenções sejam de amizade, sejam eles quem forem".
Por este e outros motivos análogos, decerto, não é de se estranhar que, extra-oficialmente, as Forças Armadas dos
EUA continuem tratando do fenômeno dos OVNIS. Como exemplo desse fato, pode-se citar uma ordem secreta das autoridades navais, relacionada com o sistema de alerta, para a defesa do continente americano, sob o código Merint Report Procedure número OPENAV 94-P-3B, que dá instruções a respeito das medidas a serem tomadas em caso de ataques por submarinos ou outros navios de guerra, de ataques aéreos, por foguetes, aviões ou alarme prevenindo contra objetos voadores não identificados. Essa ordem secreta menciona até a forma típica de disco, com cúpula, ilustrada num gráfico; até o momento, essas instruções continuam em vigor.


Em abril de 1971, a revista altamente conceituada Industrial Research Magazine publicou os resultados de uma pesquisa de opinião referente aos OVNIS. Essa revista especializada conta entre seus leitores com mais de 300 000 peritos nos diversos ramos das ciências e da técnica. Sob o título "provavelmente, os OVNIS existem" foram publicados os seguintes detalhes dessa pesquisa:

"Pessoas com qualificações técnicas levam os OVNIS mais a sério do que órgãos governamentais e grupos de estudos. Cinqüenta e quatro por cento de todos os entrevistados estão convencidos da existência dos OVNIS, enquanto 31 por cento negam sua existência. Em sua maioria expressiva, os entrevistados acham que as informações sobre os OVNIS estão sendo retidas propositalmente e acreditam que o Relatório Condon ainda não foi a última palavra sobre o caso. Uma percentagem surpreendentemente elevada, 32 por cento, entende os OVNIS como naves espaciais extraterrestres; 21 por cento acham que se trata de fenômenos naturais. Seis em mil pessoas desconfiam que os OVNIS são inventos técnicos dos países do bloco leste".

Um ano antes, engenheiros e cientistas do Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica entendiam que o único método seguro de pesquisas seria o de empenhar esforços duradouros e intensos no aprimoramento da coleta de dados, nela empregando uma orientação altamente sofisticada. No entanto — assim acharam eles —, tal tratamento do problema não requer apenas a atenção de cientistas e engenheiros, mas também a disposição dos órgãos governamentais em aceitar as propostas razoáveis, sem medo de cair no ridículo ou sofrer calúnias.


Em 13 de junho de 1971, o físico altamente qualificado Prof. James E. McDonald, do Instituto de Física Atmosférica da Universidade do Arizona, foi encontrado morto, com uma bala na cabeça, próximo à ponte sobre o Canyon del Oro, no deserto do Arizona.
Suicídio — foi a versão oficial, a exemplo daquela dada no caso de Jessup. Porém, McDonald era um cientista muito bem conceituado, e sua palavra era ouvida e respeitada também na ONU.
Da mesma forma que Jessup, McDonald também se empenhou com muita coragem na tentativa de decifrar o fenômeno dos OVNIS. Pesquisou aparecimentos de objetos registrados no mundo inteiro, e não se importou em arriscar o seu renome de cientista nos círculos científicos oficiais. A exemplo de Jessup, McDonald tinha certeza de que os OVNIS eram naves espaciais extraterrestres, em missão de reconhecimento e observação da Terra e seus habitantes. Um dos aparecimentos qualificados por McDonald como de interesse especial ocorreu em fins do outono de 1967, na Austrália.
Em 31 de outubro de 1967, Spargo, um criador de ovelhas, partiu às 21 horas de Konjonup, onde fez o pagamento semanal a uma turma de tosquiadores e pretendia viajar até Boyup Brook, para também lá pagar o seu pessoal.
Ele viajava na estrada pouco movimentada, sob um céu límpido, estrelado, quando, de repente, seu automóvel parou, sem qualquer motivo aparente. Os faróis não funcionavam, o rádio estava mudo; enfim, toda a instalação elétrica deixou de funcionar repentinamente. Sem saber o que fazer, ficou imaginando como não foi jogado fora do carro, quando este, andando a uma velocidade de 100 quilômetros por hora, parou de repente.
Ali estava ele, sozinho, sem saber por quê. A única coisa de que estava ciente era um raio de luz ofuscante, numa paisagem de colinas, apontando para o céu. Era um raio de luz, em cujo foco ficou preso.
Por fim, Spargo notou que a luz vinha de cima, proveniente de um objeto voador em forma de disco, que pairava uns 35 metros acima do solo, sobre a copa de uma árvore. O objeto deveria ter um diâmetro de 10 metros e aquele feixe de luz ofuscante, dirigido contra Spargo, provinha de um tubo instalado na parte inferior do objeto.
Da mesma maneira repentina como parou, o automóvel tornou a se movimentar; mas Spargo não se lembrou de tê-lo freado, tampouco soube explicar como o pôs em marcha.
Em seguida, Spargo parou o carro, conscientemente, e perscrutou o céu; mas nada havia, além das estrelas. Sacudiu a cabeça, incrédulo, subiu no carro e prosseguiu viagem para Boyup Brook, onde comunicou a ocorrência à polícia.
Posteriormente, Spargo foi submetido a exames e interrogatório profundos pelo psiquiatra Dr. Paul Zeck. Ele contou ao médico que se sentiu preso pela luz emitida através do tubo, que ele descreveu como sendo brilhante e tendo 1 metro de diâmetro. Teve a impressão de que o automóvel estava sendo submetido a um minucioso exame pelo feixe de luz. Além disso, achou que ele próprio havia sido observado por ou através daquele tubo. Além dos contornos, Spargo nada distinguiu naquele estranho objeto voador.
Ele se sentiu compelido a olhar para o interior do tubo. Mas por quê? Ele não fazia a menor idéia a esse respeito.
"Pelo que me lembro, não pensei em coisa alguma", relatou Spargo. "Estive lá e simplesmente fixei o olhar naquele tubo esquisito. De repente, ele ficou escuro, como se alguém tivesse apagado a luz. O objeto voador mudou de cor e, repentinamente, se movimentou a uma velocidade indescritível, na direção oeste. Perdi-o de vista em poucos segundos."
Ao ser indagado pelo Dr. Zeck se teria ouvido ruídos, Spargo lembrou-se de não ter ouvido absolutamente nada.
"É estranho", comentou ele, "pois, normalmente, quando a gente pára o carro de noite, ouvem-se sapos coaxando, grilos cantando e muitos outros ruídos. No entanto, naquela noite, tudo estava calmo, quieto, sem o menor ruído. Foi estranho mesmo!", concluiu.
Esse incidente deve ter durado cinco minutos, já que, ao chegar a Boyup Brook, Spargo notou como seu relógio, sempre certíssimo, estava atrasado cinco minutos. Deve ter ficado parado.
Além de Spargo, ainda outros criadores e tosquiadores de ovelhas observaram o OVNI, de acordo com o artigo publicado no West Australian, em 1.° de novembro de 1967.
Novamente no mês de outubro, mas desta vez no dia 11, de 1973, Charles Hickson, operário de estaleiro, 45 anos, e seu colega Calvin Parker, dezenove anos, estavam sentados, depois do serviço, no quebra-mar de um estaleiro abandonado, em Pascagoula, Missouri, para pescar. Eram quase 17:30 horas, quando a pescaria foi interrompida de maneira repentina e inesperada por um forte assobio, "como de vapor saindo de uma caldeira", como Hickson o descreveu posteriormente.
Boquiabertos, os dois pescadores notaram duas luzes pulsantes, brilhantes, que se aproximavam lentamente do chão; era como se estivesse para pousar, a uns 13 metros deles, bem no meio de uma área abarrotada de automóveis velhos e sucata.
Incrédulos, Hickson e Parker ficaram observando o estranho objeto, de uns 2,50 metros de altura e 13 metros de diâmetro. As luzes se apagaram e em seu lugar surgiram duas aberturas, ou janelas. Em seguida, o objeto abriu-se, "não como uma porta", disse Hickson mais tarde, e de lá saiu uma luz branca, amarelada. A essa altura, notaram também que o objeto voador não estava pousado no solo, mas, sim, pairando no ar, a uns 50 centímetros do chão. O aparecimento de três figuras estranhas na abertura deixou-os perplexos. Imediatamente se dirigiram para os dois homens, flutuando no ar, e ficaram acima deles. Dois desses seres agarraram Hickson pelo braço, o que fez com que ele sentisse "algo como uma pontada"; o outro segurou Parker. Posteriormente, Hickson contou que se sentiu como se estivesse paralisado, podendo mexer apenas os olhos. Desse modo, ele pôde observar de perto os estranhos seres. Tinham pernas, que, no entanto, não se moveram e, segundo as palavras de Hickson, seus pés se pareciam com "pés de elefante". Deixavam pender seus braços e as mãos eram como garras, ou pegadores.
"Naquela hora, senti muito medo", admitiu Hickson, "mas Parker, todo espantado, ficou completamente fora de si."
Os estranhos seres tinham cerca de 1,50 metro de altura, porém a cabeça não apresentava a menor semelhança com a de homem; era colada entre os ombros, sem pescoço. A "pele" era toda enrugada, com rugas profundas nos braços e no rosto.
"Não acredito que fosse mesmo uma pele, embora lembrasse a de um elefante, em virtude das rugas e da cor cinzenta. No local da boca e dos olhos da gente, tinham umas fendas, e o nariz estava apenas esboçado", disse Hickson em seu depoimento. "Talvez pudessem ser robôs", concluiu.
Parker, por sua vez, desmaiou no instante do contato direto, enquanto Hickson passou totalmente consciente os 45 minutos do incidente. Ele relatou que, no instante em que o tocaram, sentiu-se não-sujeito às leis da gravidade. Os seres alienígenas levaram-nos para a nave espacial, que pairava no ar. Hickson disse que, além de um breve zunido emitido por um dos seres, não ouviu som algum. No interior da nave, Hickson e Parker foram separados.
Num recinto de cerca de 3 metros quadrados,, Hickson ficou flutuando no ar, imóvel. Um "olho óptico" saiu de um ponto qualquer da parede e pairou sem nenhum apoio no ar, ao longo do seu corpo. Enquanto isso, dois seres alienígenas viravam-no ininterruptamente para todos os lados, deixando-o nas posições e nos ângulos mais variados, até que o "soltaram no ar", num ângulo de 45 graus, com os pés apontando para o chão.
Depois disso, eles sumiram, e Hickson ficou sozinho durante ai&um tempo. Quando voltaram, pegaram-no e o transportaram para o quebra-mar da mesma maneira como foram buscá-lo.
"Lá tornei a ver Calvin Parker. Ele estava ali, com o rosto virado para o rio e os braços estendidos. Parecia-se com uma estátua. Tive a impressão de que estavam me colocando no chão, e quando meus pés finalmente tocaram o solo, acabei sentindo alguma coisa. No entanto, as minhas pernas cederam. Não sei bem por quê, talvez fosse por medo", concluiu Hickson.
Ele tentou se arrastar até Parker, mas, antes de se aproximar do companheiro, tornou a ouvir o assobio agudo e, quando olhou em torno de si, a abertura no objeto voador havia sumido e as luzes azuis voltaram a pulsar e a brilhar; de repente o objeto desapareceu. Parker sofreu um choque e Hickson teve de lhe dar alguns tapas no rosto, para que voltasse a si.
"Ele não parou de gritar e de se debater de medo. Estava totalmente fora de si e demorou para voltar ao normal e ter condições de entender o que eu estava falando, quando lhe assegurei que a nave havia desaparecido realmente", disse Hickson.
Inicialmente, os dois operários combinaram manter em segredo essa experiência, "pois ninguém iria mesmo acreditar naquilo". No entanto, finalmente acabaram procurando o xerife de Pascagoula e, na ausência dele, falaram com seu substituto, o Capitão Ryder. No começo, Ryder suspeitou tratar-se de uma fraude, mas algo no timbre da voz de Parker deixou-o atento e pediu para que fossem até a central distrital, onde Hickson e Parker solicitaram que fossem submetidos a um teste com o detector de mentiras. Parker ainda estava sob o efeito do choque. Ambos foram interrogados separadamente pelo Xerife Diamond e o Capitão Ryder e, depois, levados para uma sala repleta de dispositivos de escuta e gravadores registrando toda a conversa entre eles. Em seguida, os policiais ouviram as gravações e não tiveram a menor dúvida de que os operários falavam a verdade. Tampouco eles se envolveram em contradições durante os inúmeros interrogatórios. Hickson e Parker foram ainda examinados por professores das mais diversas disciplinas, entre eles o Prof. James A. Harder, da Universidade da Califórnia, físico especializado em hipnose. Harder hipnotizou-os e chegou à conclusão de que o relato era de uma experiência real. Tampouco o detector de mentiras conseguiu derrubar os depoimentos. Quanto às faculdades mentais e qualidades morais, o exame efetuado por psicólogos classificou-os como homens equilibrados, simples, honestos, inteligentes, embora sem educação superior.


Em 5 de novembro de 1975, um grupo de lenhadores encerrou a jornada e preparava-se para deixar o local de trabalho, situado cerca de 18 quilômetros ao sul de Heber, no Arizona. O caminhão que levava os trabalhadores descia pela floresta, quando avistaram um brilho saindo da vegetação. Inicialmente, pensaram ser os últimos raios do sol passando sobre as colinas; no entanto, após sair da espessa vegetação viram um OVNI pairando acima de uma clareira. Todos começaram a gritar em uníssono, e o motorista Mike Rogers, de 28 anos, parou o caminhão.
O objeto voador em forma de disco tinha cerca de 7 metros de diâmetro. Pairava uns 5 metros acima do solo e a uns 10 metros do caminhão, e emitia um brilho quente, que iluminava todo o ambiente com seu reflexo dourado.
Um dos lenhadores, Travis Walton, pulou do caminhão e correu para o OVNI, enquanto os companheiros, horrorizados, gritavam: "Está louco! Volte!"
Mas Travis não lhes deu ouvidos e, agachado na espessa vegetação, aproximou-se do objeto, até que ouviu um ruído forte, agudo. Nesse momento, ele se pôs de pé; no entanto, no mesmo instante perdeu os sentidos; um jato de luz forte, brilhante, emitido pelo objeto, atingiu-o no peito.
O motorista gritou: "Vamos, fechem a porta!", e foi embora, acelerando ao máximo. Ao atingir uma distância segura, parou o caminhão. Os homens notaram um brilho claro entre as árvores, que se apagou instantaneamente. Em seguida, voltaram para o local onde estava o OVNI em busca de Travis, que havia desaparecido sem deixar o menor vestígio.
Cinco dias depois, Travis voltou totalmente exausto, confuso e com visíveis picadas de injeção no braço. Ele disse que o deixaram a uns 10 quilômetros do lugar onde apareceu o OVNI. Sem condições de lembrar os detalhes do incidente, foi hipnotizado e interrogado na presença de vários médicos, entre eles os doutores Howard Kandell, Joseph Saltz, Jean Rosenbaum e Robert Gamelin. Ao término de uma sessão de oito horas, soube-se que, depois de perder os sentidos, Travis acordou sobre uma mesa metálica, com fortes dores na cabeça e no peito; ele julgou encontrar-se num hospital. Três seres de cerca de 1,50 metro de altura estavam ao redor daquela mesa, debruçados sobre ele. Seus rostos eram finos, as cabeças calvas e os olhos grandes, castanhos, amendoados. A pele era branca, da cor da cal; os cinco dedos da mão não tinham unhas.
Travis não soube dizer por quanto tempo se prolongou o exame, pois, "embora tivesse recuperado os sentidos, ainda tive um sono profundo. Quando acordei, estava na estrada, perto do local onde avistamos o OVNI". Após o encerramento dos exames e consideradas devidamente as circunstâncias especiais que envolveram o caso, os médicos concluíram que Travis devia ter falado a verdade.
Os cinco colegas de trabalho de Travis — Dwayne Smith, Alan Dalis, Kenneth Peterson, Mike Rogers e John Goulette — foram unânimes em declarar que ele correu em direção ao OVNI; em seguida, um jato de luz azul, intenso, saiu do objeto e atingiu Travis no peito. Ele deve ter sofrido um choque, como que causado por uma corrente de alta tensão, pois foi lançado ao ar e caiu a alguns metros do local. "A última coisa que percebemos foi seu vulto; em seguida, ele havia sumido, simplesmente sumido."


O exobiólogo Prof. Carl Sagan afirma ser matematicamente impossível um OVNI assumir o papel de um visitante do cosmo, da mesma forma como é impossível, matematicamente, Papai Noel visitar cada lar na véspera de Natal, no prazo de oito horas, a não ser que Papai Noel seja mais veloz do que a luz, o que para a ciência é impossível.
Dando maiores detalhes, Sagan cita os seguintes argumentos contra a tese segundo a qual os OVNIS seriam naves espaciais extraterrestres:
"Comecemos supondo a existência de 1 milhão de estrelas, com seus respectivos planetas e suas civilizações avançadas. Continuemos supondo que, sob condições favoráveis, a duração da vida de uma tal civilização seja de 10 milhões de anos. Se cada uma dessas civilizações estivesse disposta a despachar para o espaço, anualmente, uma só nave espacial em missão de reconhecimento e se tais missões culminassem com um só contato, isso equivaleria à chegada de 1 milhão de naves espaciais a um ponto qualquer. Na nossa Via-Láctea, há, no mínimo, 10 milhões de planetas que despertariam algum tipo de interesse para uma tal visita. Portanto, supondo-se que um único OVNI visitasse a Terra uma vez por ano, seria fácil calcular o contingente de OVNIS necessário para cada um daqueles mundos:
"Fazendo-se os cálculos nessa base, cada civilização deveria despachar 10000 naves espaciais por ano, ou seja, em outras palavras, dentro da nossa Via-Láctea, 10 milhões de naves espaciais deveriam partir anualmente dos seus respectivos pontos de origem".
Segundo Sagan, isso é totalmente impossível. Para ele, mesmo supondo-se a existência de uma civilização muito superior à nossa, seria ilusório um contingente de 10000 naves espaciais que decolassem em missões de reconhecimento e das quais uma só acabasse chegando até a nossa Terra.
É nesse ponto que Sagan, aliás tão sábio, está errado. Primeiro, é lícito argumentar que uma civilização de cosmonautas devesse começar explorando suas imediações, ou seja, estrelas vizinhas, dentro de um perímetro de, digamos, até 20 anos-luz. Para tanto, seria pequeno o contingente de naves espaciais a serem lançadas ao espaço. Segundo, uma civilização possuidora de progresso, tecnológico em fase tão avançada, no caso de ela querer empreender explorações além da sua vizinhança imediata, certamente iria prepará-las mediante um planejamento rigoroso, do qual fariam parte, por exemplo, a escuta de sinais de rádio, de radiocomunicações, a análise espectral de estrelas e outros corpos celestes. Se tal civilização fosse bem sucedida nessas buscas preparatórias, muito provavelmente voltaria sempre para o mundo habitado por ela descoberto, a fim de prosseguir os seus estudos e pesquisas.
Da mesma forma, não deixa de ser um tanto paradoxal a certeza de Sagan, admitindo-se que, milênios atrás, a Terra foi visitada por astronautas alienígenas. Se já recebeu tais visitas, por que não deveria recebê-las agora?


Em 18 de setembro de 1976, aproximadamente às 22:30 horas, assustados moradores da periferia de Teerã chamaram a torre de controle do aeroporto metropolitano, para relatar um fenômeno extraordinário avistado no céu.
Embora, àquela hora, os pilotos ainda não tivessem observado nada, transmitiram o comunicado recebido à base aérea de Shahrokhi, onde, no entanto, o fenômeno já era conhecido. Por algum tempo, as telas do radar mostraram um objeto voador desconhecido, localizado uns 130 quilômetros ao norte de Teerã; aliás, seu brilho era tão intenso que pôde ser observado a olho nu.
Dois caças Phantom F-4 saíram em perseguição ao OVNI; no entanto, à medida em que se aproximavam do objeto, todos os sistemas de comunicação a bordo, bem como os de controle eletrônico, navegação e incêndio, deixaram de funcionar. Confusos, os comandantes dos Phantoms desistiram da perseguição e decidiram voltar à base; no mesmo instante todos os sistemas voltaram a funcionar.
Nesse ínterim, a torre de controle comunicou que o objeto estava se deslocando lentamente na direção noroeste, e os caças foram novamente instruídos para persegui-lo. Com base nas medições por radar, o OVNI devia ter o tamanho de um Boeing 707. Com o auxílio de binóculos foi até possível discernir luzes brilhantes, verdes, vermelhas, laranja e azuis.
De repente, do objeto grande saiu um menor, que se dirigiu ao encontro dos Phantoms. Um dos comandantes entrou em pânico por recear uma colisão e soltou um foguete AIM-9 contra o objeto. No mesmo instante todos os sistemas eletrônicos a bordo deixaram de funcionar. Em seguida, o caça fugiu em direção ao deserto, longe de Teerã, enquanto o outro Phantom subiu verticalmente e pôde observar como o pequeno objeto em forma de disco retornou para o grande, brilhante.
Os Phantoms não tiveram a menor possibilidade de se aproximar do OVNI, pois tão logo ultrapassavam um certo limite, os instrumentos falhavam. Por fim, tiveram de desistir da perseguição e voltar à base, por falta de combustível.
Como, dificilmente, Papai Noel teria brincado de sobrevoar Teerã, fazendo as suas peripécias no céu, e como, segundo Sagan, tampouco aquele objeto estranho era um OVNI, o que era, então?
Supondo-se que se tratasse de naves espaciais extraterrestres, os OVNIS nem precisariam ultrapassar a velocidade da luz para viajar de uma estrela a outra, pois, segundo a teoria da relatividade restrita de Einstein, chega-se a conseqüências surpreendentes, como:
A tripulação de uma nave espacial que voasse a uma velocidade próxima à da luz beneficiar-se-ia com a chamada "dilatação do tempo". Por força desse fenômeno, tudo se passa em ritmo mais lento para os cosmonautas, não segundo o seu cronômetro, mas, sim, em função das batidas cardíacas, do metabolismo, do tempo de desintegração dos átomos do organismo, bem como dos da nave espacial. Assim, o processo de envelhecimento é consideravelmente retardado em comparação com o demonstrado pelas pessoas que ficaram na Terra.
A dilatação do tempo equivale a uma viagem no tempo para o futuro. Isso quer dizer que a tripulação de uma nave espacial, locomovendo-se a uma velocidade próxima à da luz, poderia atravessar a via-láctea, o nosso sistema solar, em tempo inferior ao da duração de uma vida humana.
Todavia, quando voltassem para o planeta natal, pousariam num tempo correspondente a 200 000 anos no futuro, de acordo com a contagem de tempo terrestre, a não ser que uma civilização altamente avançada conseguisse elaborar um processo que permitisse neutralizar esse enorme salto no tempo, esse incrível fuso horário verificado na volta.
Em conseqüência da teoria da relatividade restrita, seria até possível viajar por todo o universo no decorrer de uma só vida humana. Da mesma forma, ao se retornar de uma dessas viagens, o salto no tempo seria tão grande a ponto de, sob certas condições, não existir mais o sistema solar do qual partiram os viajantes pelo tempo.
Na atual fase do nosso progresso, são totalmente inimagináveis as condições tecnológicas para a construção de uma nave espacial dotada de uma velocidade próxima à da luz. Por conseguinte, é inútil especular sobre os princípios que agem no fantástico poder de propulsão dos OVNIS: as forças antigravitacionais (mediante a manipulação de campos gravitacionais), a energia eletromagnética, a ação de fótons antimatéria ou outros fatores análogos. Somente nos resta especular.
Quanto a esse ponto, Sagan constatou de maneira bastante acertada:
"Civilizações superiores à nossa em centenas, milhares ou milhões de anos deveriam estar a par de ciências e tecnologias avançadíssimas, em comparação com as nossas, superando-as a ponto de, a essa hora, podermos concebê-las tão-somente como magia. Não se trata de simplesmente contrariar todas as leis da física; trata-se, sim, de que nós não conseguimos compreender como eles aplicariam as leis da física a fim de obter esses incríveis progressos tecnológicos".


Na tarde do dia 20 de setembro de 1977, às 16 horas, os habitantes da cidade soviética de Petrozavodsk, às margens ocidentais do lago Onega, avistaram um disco enorme, "do tamanho de um campo de futebol", como o descreveram. O incidente era aterrador e foi testemunhado por grande parte da população local.
Nikolai Milov, correspondente da TASS, agência oficial soviética de notícias, entrevistou centenas de habitantes de Petrozavodsk e todos disseram que o OVNI dirigiu cinco jatos de luz intensa sobre a cidade e que durante todo o tempo, ou seja, doze minutos em que o objeto ficou pairando sobre Petrozavodsk, a cidade esteve envolvida por aquela luz.
Os jatos de luz provocaram buracos nas vidraças das janelas, bem como nos paralelepípedos, como pôde ser constatado posteriormente. Funcionários públicos recolheram as vidraças queimadas que apresentavam buracos de diversos tamanhos para que fossem submetidas a exame em laboratórios de pesquisas.
Muitos dos habitantes ficaram histéricos de medo, pois acreditaram ver nos céus uma arma atômica americana prestes a explodir a qualquer momento, e gritaram: "É o fim!"
Assim como tantos outros cidadãos, também Iúri Gromov, diretor da estação meteorológica de Petrozavodsk, foi testemunha do incidente e relatou ter observado como um objeto menor se separou do maior e, em seguida, ambos desapareceram nas nuvens. A esse respeito, o geofísico soviético Alexei Zolotov, de renome internacional, comentou: "A meu ver, foi um típico OVNI".
Por enquanto, devemos contentar-nos com o fato de o fenômeno dos OVNIS não representar um problema de conhecimento, mas, sim, de experiência, e, ao passo que dificilmente a experiência pode ser transmitida, o conhecimento, ao contrário, pode sê-lo.
Para as pessoas que já viveram um contato com um OVNI, essa experiência deveria ser transmitida; no entanto, evidentemente, elas a rejeitam e preferem continuar com o seu ceticismo. Contudo, por enquanto nada há além da experiência, diante da qual o conhecimento deve capitular. Apesar desses fatos, é lícito esperar que mais cedo ou mais tarde o conhecimento e a experiência deverão convergir para um mesmo ponto.


Anexo: Tomada de posição no mais alto nível



Como encaram os políticos e cientistas internacionais o problema dos visitantes do espaço extraterrestre e o que pensa a população dos países do mundo inteiro a esse respeito? Enquanto na Alemanha Federal o assunto é simplesmente descartado como "superstição provinciana" ou "palavrório inútil", nos EUA mais da metade da população acredita na existência dos OVNIS. Como revelou uma pesquisa de opinião pública, mais de 15 por cento das pessoas residentes nos EUA avistaram OVNIS; e até o Presidente Jimmy Carter acredita neles.
"Tenho certeza de que os OVNIS existem", disse o presidente, "pois eu vi um deles."
Por sua vez, o chanceler alemão Helmut Schmidt evidentemente é um tanto cético — talvez por falta de experiência própria — e não quer comentar.o assunto.
Quando o chefe da agência de notícias ARD, amigo do autor, dirigiu ao Secretário de Estado Klaus Boelling, seu ex-colega, três perguntas relacionadas com o aparecimento de OVNIS, Boelling encarregou Bruns, porta-voz da chancelaria alemã, de dar respostas evasivas. Por outro lado, o Ministério da Defesa e o novo ministro de Pesquisa e Tecnologia, Dr. Volker Hauff, mostraram-se bem mais acessíveis. As declarações destes dois órgãos ministeriais, da Defesa e da Pesquisa, representam a primeira tomada de posição por parte do governo alemão, a respeito do fenômeno dos OVNIS, a ser considerada como válida.
Há dez anos, quando esse assunto passou a ser tratado oficialmente no Parlamento alemão, o então Ministro da Viação Georg Leber achou por bem liquidar com uma piada a pergunta do deputado da União Democrática Cristã (CDU), Johann Peter Josten, que indagava a respeito dos fatos referentes aos OVNIS até então conhecidos do governo alemão. Posteriormente, por escrito, o então Secretário de Estado Wittrock declarou que o sentido da pergunta não era bem claro, dizendo:
"Acontece que, tão logo cheguem a ser conhecidos fatos referentes a objetos voadores, esses objetos deixam de ser desconhecidos e se tornam conhecidos".
(Isso lembra o pronunciamento do Prof. J. Allen Hynek, feito em 28 de agosto de 1970, por ocasião de uma conferência em Londres, quando discutia os métodos polêmicos usados pelo Projeto Livro Azul para a identificação dos OVNIS: "Um objeto não identificado foi classificado como identificado e, com isso, passou a ser 'identificado*"!)
O sucessor de Leber no Ministério da Defesa, Dr. Hans Apel, prestou uma declaração mais substancial, divulgada pelo chefe da sua assessoria de informações e imprensa:
"Pelo fato de os OVNIS não oferecerem interesse específico na República Federal da Alemanha, evidentemente deixam de ser feitas pesquisas a seu respeito, tanto pelo Ministério da Defesa, como por outros órgãos governamentais".
Até agora, o Dr. Apel não sentiu necessidade de formar uma opinião a respeito, mas comentou: "No meu entender, tampouco seria uma questão de fé". É possível que esse fenômeno seja uma peculiaridade dos EUA.
De uma forma bem mais explícita e extensa, o novo ministro da Pesquisa e Tecnologia, o jovem e simpático Dr. Volker Hauff, respondeu às três perguntas formuladas pela agência noticiosa ARD:

1) O que acha do fenômeno dos OVNIS?
2) Acha que há algo de real a esse respeito?
3) Teria o governo federal tratado do assunto, em qualquer data passada ou presente?

O Dr. Hauff deu as seguintes respostas:

1) Decerto, há uma infinidade de aparecimentos objetivos ou subjetivos de objetos voadores, cuja identidade não pôde ser definida pelos observadores. Porém, na presente fase do nosso progresso científico, não temos condições para comprovar cientificamente a afirmação freqüente de que se trata de objetos voadores artificiais.
Há mais de dez anos, foi concluída uma extensa pesquisa americanal, que abrangia relatos de aparecimentos registrados no decorrer de 21 anos. Noventa por cento2 dos casos puderam ser explicados como fenômenos naturais; os restantes deram margem a interpretações várias, mas não  justificaram a tese da origem extraterrestre do fenômeno.
1 Refere-se ao Relatório Condon.
2  Na realidade eram 70%.

Recentemente, surgiu a tendência de transferir para o âmbito da parapsicologia os fenômenos dos OVNIS, que não encontraram explicação natural. Sob esse aspecto, o fenômeno dos OVNIS não passaria de um dos numerosos "fenômenos PSI"1, tratados pela parapsicologia. Ignoro as condições dessa disciplina para definir, pelo menos, alguns aparecimentos de OVNIS como inequivocamente objetivos ou como seguramente de origem não natural, mas, sim, extraterrestre.
1 PSI: termo genérico, que, além da percepção extra-sensorial, compreende ainda os efeitos físicos paranormais. (N. da T.)

2) Para falar a verdade: não.
3) Nesses últimos dez anos, o meu ministério recebeu duas consultas, indagando se este órgão promove a pesquisa dos OVNIS e se recomendaria a realização de tais estudos por organizações internacionais. Como se pode depreender pelas minhas declarações a respeito da primeira pergunta, essas consultas tiveram resposta negativa.


A carta que o chefe da agência de notícia ARD dirigiu ao Secretário de Estado Klaus Boelling deu margem bem ampla para uma eventual resposta do chanceler alemão:
"Ficar-lhe-ia muito grato se pudesse conseguir do senhor chanceler um pronunciamento, mesmo negativo, nos moldes de ...'bobagem'... 'não me interessa'... ou coisa parecida. Da mesma forma, gostaria de ouvir também a sua opinião pessoal, pelo que lhe agradeço antecipadamente".
Obviamente, o assessor de imprensa encarregado do assunto ficou aliviado por não ter encontrado e falado pessoalmente com o chefe da ARD e, assim, simplesmente mandou lhe dizer através da sua secretária: "Recebemos a sua carta sobre o assunto dos OVNIS e preferimos não fazer pronunciamento a respeito".
Vejamos o diálogo entre o assessor de imprensa e a secretária da ARD:

Secretária: É por falta de tempo?
Assessor: Sim! A agenda do senhor chanceler está tomada e não permite qualquer pronunciamento, agora.
Secretária: Devo interpretar essa informação no sentido de que, em outra ocasião, poderíamos voltar ao assunto?
Assessor: Não! Não vale a pena, pois há também motivos técnicos a serem considerados. O assunto ainda não nos é bastante familiar para respondermos às suas perguntas; os preparativos para tal resposta levariam muito tempo e implicariam muita pesquisa.
Secretária: Tampouco o Sr. Boelling estaria disposto a responder-nos?
Assessor: Não. É favor transmitir a seu chefe lembranças do Sr. Boelling.

Será que, do ponto de vista oficioso alemão, o fenômeno dos OVNIS representaria uma peculiaridade, dizendo respeito tão-somente aos EUA, só porque o Presidente Carter está convicto da existência de objetos voadores extraterrestres?
Em 1973, três anos antes de se eleger presidente, Carter falou franca e livremente por ocasião de um dos seus discursos no Lions Club, em Thomaston, Geórgia, seu Estado natal:
"Foi um fenômeno bem estranho, mas umas. vinte pessoas que estavam comigo o avistaram", disse Carter. "Foi a coisa mais estranha que já vi em toda a minha vida. Foi muito claro, mudou de cores e era do tamanho da Lua. Observamo-lo por uns dez minutos, mas nenhum de nós conseguiu saber do que se tratava realmente. Contudo, uma coisa ficou certa: jamais darei risada de gente dizendo que viu OVNIS no céu".
Por sua vez, Lillian, mãe de Carter, de 79 anos, lembrou: "O OVNI impressionou Jimmy; ele ficou impressionado mesmo e várias vezes me falou do assunto. Afinal de contas, ele sempre foi um rapaz responsável, com as suas duas pernas firmemente plantadas no chão. E aquilo que viu — a meu ver — é tão real como o dinheiro no banco".
Outro amigo da família confirmou que Jimmy Carter entende dessas coisas.
"Jimmy é cientista", comenta, "e é especialista em técnica nuclear. Sabe distinguir perfeitamente bem entre um meteoro, uma constelação de astros ou qualquer outro fenômeno da natureza e um fenômeno extraterrestre, que tem a sua origem alhures, além do nosso mundo."
Pouco tempo após a sua experiência impressionante, Jimmy Carter declarou: "Se e quando eu for para a Casa Branca, vou providenciar para que todos os dados sobre aparecimentos de OVNIS existentes neste país sejam divulgados para o conhecimento geral e se tornem acessíveis aos cientistas".
Jack Acuff, chefe de um setor da NICAP, fez o seguinte comentário a respeito dessa declaração:
"Se, em qualquer tempo, um presidente dos EUA vier a liberar os dados sobre OVNIS até agora inéditos, conservados em caráter sigiloso nos arquivos nacionais, isso constituiria uma sensação para o mundo científico e reverteria em grande proveito para o povo em geral. É da mais alta importância uma personalidade da categoria de Carter ter prestado tal declaração".
Entrementes, Carter já cumpriu boa parte de seu mandato, mas o mundo ainda está esperando pelo cumprimento da promessa. Embora ele ordenasse à NASA o início de uma nova série de pesquisas sobre os aparecimentos de OVNIS, os arquivos secretos ainda continuam fechados.
Frank Press, assessor do Presidente Carter para assuntos científicos, disse numa entrevista sobre o recém-surgido interesse acerca dos OVNIS nos EUA que o seu departamento não pára de receber consultas de todas as camadas da população e eles não têm condições para responder a elas. Portanto, no seu entender, a NASA deveria ser instruída para reassumir as atividades desse setor.
A NASA, por sua vez, contra-argumentou, lembrando como é dispendiosa a pesquisa dos OVNIS e achando que, inicialmente, uma comissão competente deveria examinar o assunto para saber se tais despesas seriam justificadas. Dave Williamson, o encarregado da NASA para projetos especiais, continua relutante; ele insiste em, primeiro, reunir provas convincentes para, depois, prosseguir com as pesquisas dos OVNIS.
"O que precisamos", disse Williamson, "é um homúnculo verde ou um pedaço de metal de um OVNI, para que possamos continuar a trabalhar."
Segundo Williamson, sem tais provas, a pesquisa dos OVNIS ficaria em um dilema, como aquele em torno do monstro de Loch Ness, na Escócia.
Evidentemente, não é possível conseguir um homúnculo verde; mas, em compensação, haveria fragmentos metálicos, supostamente oriundos de OVNIS destroçados. Em 1967, tais fragmentos foram encontrados na praia de Ubatuba, Estado de São Paulo, Brasil, e em Dakota do Sul, EUA, e atribuídos a OVNIS que explodiram no ar. A explosão desses objetos foi observada por várias testemunhas e os fragmentos recolhidos foram analisados rigorosamente nos laboratórios da Dow Chemical Company, do Centro de Pesquisas Atômicas Oak Ridge, no Tennessee, e da Universidade do Colorado. De maneira indiscutível, essas análises definiram os fragmentos metálicos como sendo de magnésio.
Em 1968, a edição de junho da revista Industrial Research Magazine publicou um artigo que tratava do assunto:
"Esses fragmentos foram analisados e qualificados como sendo de magnésio superpuro; aliás, uma escolha bem compreensível, considerando-se a proporção existente entre a resistência e o peso do magnésio e as exigências estruturais dos discos voadores".
Nesse ínterim, o Instituto de Pesquisas dos OVNIS, em Evanstone, EUA, recebeu para estudos e apreciação novos filmes de OVNIS, rodados no México, na Guatemala e nas Bahamas.
Na França, numerosos supostos OVNIS foram avistados nas telas de radar. O Ministério da Defesa francês nega-se a responder se caças Mirage teriam perseguido os OVNIS nos céus da França, mas, apesar dessa recusa, dizem que as autoridades francesas responsáveis pela segurança nacional estariam tratando seriamente da questão dos OVNIS.
Numa entrevista o ex-ministro do Exército francês, Robert Galley, declarou:
"Nossos pilotos comunicaram aparecimentos e também a nossa gendarmaria avistou tais fenômenos. Porém, entrementes, a Força Aérea francesa convenceu-se de que os OVNIS não representam ameaça bélica".
Por esse motivo, os fenômenos estariam sendo estudados pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais (Centre Nationale d'Études Spaciales), cujos trabalhos são da máxima importância para todo o país.
Durante muito tempo, a ONU vem sendo censurada por não conseguir resolver os problemas existentes na Terra. Todavia, chegou a hora de ela também tratar de problemas evidentemente procedentes de outros mundos, e assim a Assembléia-Geral da ONU aceitou a proposta do ex-primeiro-ministro de Granada, Eric Gairy, para incluir na ordem do dia o "reconhecimento de intrusos extraterrestres. Por conseguinte, no próximo período de sessões, a ONU deve debater a proposta de constituir uma comissão encarregada de realizar e coordenar pesquisas dos OVNIS.
Foi considerado importante estabelecer contato regular entre a Terra e seres originários de outros planetas; e para tanto a ONU seria o órgão competente. Mais de 120 países membros da ONU estavam presentes quando o ex-primeiro-ministro de Granada censurou os diversos países por manterem debaixo de um espesso véu "esses incidentes preocupantes", ocultando-os. "Quanto a isso", disse ele, "cumpre tomar urgentes medidas corretivas".
Aliás, espera-se que o secretário-geral da ONU, Kurt Waldheim, assuma uma atitude positiva a esse respeito, como atitude semelhante se espera que tome também o Presidente Carter.
Por sua vez, o Dr. D. William Hauck, diretor do Centro Internacional de Comunicações Referentes a OVNIS, relatou :
"Pouco depois de terem falhado os empenhos de Kurt Waldheim em eleger-se presidente da Áustria, perguntei-lhe se as autoridades de seu país iriam reprimir os relatos de aparecimentos de OVNIS. De acordo com suas declarações, a qualquer tempo o governo austríaco liberaria informações importantes, tão logo delas tomasse conhecimento".
Com Kurt Waldheim no cargo de secretário-geral da ONU, seria lícito esperar pela concretização de um esforço internacional em prol da solução do problema dos OVNIS. Evidentemente, tais esforços teriam como condição prévia a disposição das diversas nações de coordenarem suas respectivas noções a fim de conscientizarem os países membros da ONU da importância internacional desse conhecimento.
"Quanto a mim, estaria pronto a colaborar prazerosamente sob a égide da ONU, com qualquer um dos países membros, para combater a atitude oficial de manter o assunto em caráter sigiloso", disse o Dr. Hauck.
Será que os países da Europa oriental estariam dispostos a liberar seus dados? Existiriam pronunciamentos oficiais feitos por autoridades comunistas?
Atualmente, não se tem conhecimento de tomadas de. posição por parte dos governos ou de declarações de partidos comunistas da Cortina de Ferro. Por outro lado, cientistas desses países manifestaram suas opiniões com notável franqueza.
Assim, o Prof. Dr. Felix Zigel, do Instituto de Aeronáutica de Moscou, declarou:
"Existem relatos bem documentados de aparecimentos de OVNIS registrados na URSS. Dificilmente se trataria de ilusões ópticas, considerando-se que tais ilusões não costumam aparecer em filmes e telas de radar. Por conseguinte, a hipótese mais segura é a de que os OVNIS são veículos de civilizações extraterrestres".
Essa opinião é compartilhada pelo presidente da Academia Soviética de Ciências, o Prof. V. C. Kuprevic, que, por sua vez, disse:
"Quem sabe, talvez esses seres de outros planetas já estejam visitando a nossa Terra, mas não queiram estabelecer contato conosco. Por quê? Suponho que essas inteligências já tenham ultrapassado a nossa atual fase de progresso que, comparados a eles, não passemos de trogloditas".
O Prof. Ananoff, perito em foguetes, pronunciou-se da seguinte maneira:
"Não me recuso a acreditar nos discos voadores. Não seria nada estranha a existência de outros seres no universo, além dos terrestres".
Da mesma forma, o Prof. Vladarov, da Academia de Pesquisas Espaciais de Moscou, chegou à conclusão de que os OVNIS não são alucinações, nem fenômenos naturais de ordem astronômica, geológica ou meteorológica, mas, sim, dispositivos de vôo estruturados nas mais diversas formas e feitos de uma matéria concreta, por nós desconhecida.
Segundo a opinião dos países ocidentais, a URSS estaria seriamente empenhada numa intensa pesquisa dos OVNIS, embora, em 1978, a Academia de Ciências soviética considerasse tais empenhos como "não científicos". Todavia, na apreciação das pesquisas soviéticas no campo de "fenômenos não científicos, parapsicológicos", convém atribuir tal declaração oficial a motivos políticos. Na realidade, a Comissão Pan-soviética de Cosmonáutica é um grupo secreto de estudos dos OVNIS que colabora com a Força Aérea soviética; além desse grupo, vários cientistas, principalmente os doutores Modest Agrest e Felix Zigel, realizam pesquisas particulares no campo dos objetos voadores não identificados.
A China continental até usa a sua enorme rede radiotransmissora para comunicar aparecimentos de OVNIS mediante simples sinais de códigos. Os americanos captaram numerosos sinais em código provenientes do continente chinês e os chineses mantêm seu espaço aéreo sob rígido controle.
Ao que parece, nos EUA já se tornou tradicional a preocupação com o fenômeno dos OVNIS por parte dos políticos e em especial dos presidentes, sem que isso represente um "problema americano", pois, comprovadamente, é um fenômeno de alcance internacional. Aliás, em novembro de 1954, o então Presidente Dwight D. Eisenhower constatou:
"Ponho em dúvida a tese segundo a qual os discos voadores seriam procedentes de um só planeta".
O Presidente John F. Kennedy, posteriormente vítima de um atentado, avançou mais um passo quando, em fevereiro de 1961, declarou:
"Cheguei a ter certeza de que naves espaciais de outros mundos chegam até nós".
E seu irmão Robert, igualmente assassinado, deixou por escrito a sua opinião sobre esse fenômeno:
"Estou acompanhando com grande interesse todos os relatos de objetos voadores não identificados e espero que, um dia, tenhamos maiores detalhes a respeito. Eu recomendaria o prosseguimento da pesquisa desse fenômeno, na esperança de chegarmos a esclarecer os fatos verdadeiros que envolvem os discos voadores".
O sucessor de John F. Kennedy, o Presidente Lyndon Johnson, quando ainda senador, tratou do problema dos OVNIS até em caráter oficial e, em julho de 1960, respondeu a uma carta a ele dirigida:
"...O seu material de OVNIS, muito interessante, foi entregue por mim ao pessoal do PIS. Como deve ser do seu conhecimento, dei ordens para acompanharem minuciosamente as últimas evoluções registradas naquele campo e de me manterem continuamente informado a respeito de todos os aparecimentos importantes de OVNIS".
Nelson Rockefeller, ex-vice-presidente dos EUA, fez as seguintes declarações sobre os OVNIS, durante um de seus mandatos de governador do Estado de Nova York:
"O povo americano deveria ser informado de todo assunto de interesse nacional e, assim, é de importância vital para a nossa democracia que a opinião pública seja esclarecida a esse respeito, imediata e completamente".
E Barry Goldwater, general reformado da Força Aérea e ex-candidato à presidência dos EUA, admitiu francamente:
"Tenho certeza de que, por várias vezes, a Terra foi visitada por inteligências extraterrestres. Comandantes navais e de aviões comerciais relataram casos de OVNIS que deles se aproximaram até alguns metros, para, então, tomarem rumo oposto, a uma velocidade indescritível, e desaparecerem. Embora eu, pessoalmente, jamais tivesse avistado um OVNI, acredito na palavra deles".
Esta certeza sofreu um rude ataque por parte do semanário alemão Der Spiegel, que em 24 de abril de 1978 publicou uma matéria intitulada "Os OVNIS estão chegando" e redigida com implacável espírito de crítica, por um autor (lamentavelmente) anônimo; nele se lê, entre outras coisas:

"...porém, a essa hora, a superstição entra numa nova fase áurea, quase medieval.
"Hoje em dia, nos países industrializados do Ocidente, muitas pessoas renegam suas grandes esperanças no progresso científico, com uma veemência inimaginável dez anos atrás; são os desiludidos com a era das ciências, os que redescobriram o misticismo de Hermann Hesse, o zen-budismo ou a meditação transcendental.
"A recaída no irracionalismo, como fenômeno coletivo manifesto, pode ser avaliada tanto pelas listas dos best sellers, como pelo retorno do culto aos OVNIS..."

Contudo a revista Der Spiegel está enganada ao achar por bem estigmatizar a "recaída no irracionalismo", por ela censurada, e o retorno do mundo ocidental à "superstição", salientando que tal retorno seria exclusivo do Ocidente, pois em 1968 o semanário soviético Soviet Weekly publicou os pronunciamentos de vários cientistas soviéticos:

"É lícito afirmar com certeza que o problema dos OVNIS assumiu caráter global e, por conseguinte, também requer métodos de pesquisa em escala global..."
"Desde há muito, teria sido possível solucionar o problema, através da colaboração científica internacional, se não fosse o sensacionalismo e as teses irresponsáveis e não-científicas levantadas a respeito dos discos voadores..."
"Lamentavelmente, há cientistas, tanto aqui como ali — na URSS e nos EUA —, que contestam a existência do problema, ao invés de colaborar na sua solução..."
"Não se pode excluir a eventualidade de tal solução provocar mudanças radicais no nosso atual modo de pensar."

Em 1967, representantes dos mais diversos países dirigiram-se ao então Secretário-Geral U Thant, ao qual levaram suas preocupações com os OVNIS. Portanto, U Thant sabia muito bem que esse fenômeno não era uma especialidade peculiar dos países industrializados do Ocidente, mas, sim, um fenômeno global, pois não foi à toa que ele declarou na ONU:
"Paralelamente à Guerra do Vietnam, os OVNIS são o problema mais importante da ONU".
Numa carta, de 5 de junho de 1967, dirigida a U Thant, o físico Dr. James E. McDonald, professor do Departamento de Meteorologia do Instituto de Física Atmosférica da Universidade do Arizona, cientista altamente qualificado, já falecido, solicitou o empenho de U Thant, no sentido de a ONU tomar imediatamente as medidas necessárias para a elucidação do fenômeno dos OVNIS.

"Universidade do Arizona
Tucson, Arizona, 85 721
Instituto de Física Atmosférica Exmo. Sr. U THANT

M.D. Secretário-Geral da ONU Edifício da ONU
NOVA YORK - N.Y.
5 de junho de 1967

Prezado senhor:
Permita-me reiterar-lhe os meus agradecimentos por V. Sa. me ter propiciado a entrevista com o Grupo dos Assuntos do Espaço Exterior, da ONU, a realizar-se em 7 de junho p. f., para debater aspectos internacionais dos problemas dos OVNIS.
Anexo, entrego-lhe uma cópia da declaração a ser submetida a esse grupo no próximo dia 7. Nessa declaração faço o resumo dos motivos pelos quais recomendo uma ação imediata e urgente da ONU, com referência ao problema dos OVNIS. Por tratar-se de um assunto de grande envergadura, tal resumo pode apenas esboçar, em linhas gerais, a evidente natureza dos fenômenos dos OVNIS e a maneira como poderia ser atacado, sob o ponto de vista da ciência. A meu ver, o empenho sério e resoluto da ONU na coleta de dados sobre esse problema, o qual provocaria o interesse científico de todos os países membros, representaria uma medida essencial, visando a neutralizar o medo de cair no ridículo, presentemente um dos fatores principais que concorrem para manter era sigilo os relatos de aparecimentos de OVNIS e subtraí-los ao conhecimento público. A ONU poderia e deveria tornar-se bem mais atuante, a fim de provocar o interesse científico acerca dos OVNIS no mundo inteiro.
Como se pode depreender da minha declaração ao Grupo de Assuntos do Espaço Exterior, cuja cópia segue em anexo, sou de opinião que se deveria cogitar seriamente da hipótese segundo a qual, de uma forma ou outra, esses objetos não convencionais são naves espaciais extraterrestres. Acabei dando crédito a essa hipótese, somente depois de ter estudado o problema profundamente. Contudo, mesmo após um ano de estudos intensivos, ainda continuo considerando tal possibilidade como meramente hipotética; porém, cumpre-me frisar que minhas pesquisas revelaram essa hipótese como sendo a única aceitável para explicar o número surpreendente de aparecimentos em todo o mundo de objetos semelhantes a máquinas, como foram observados de perto e a baixa altura.
Estou ao inteiro dispor de V. Sa. ou de seus colegas para, a qualquer momento, prestar a minha colaboração no que possa ser útil, consoante a minha experiência própria. O problema dos OVNIS é um assunto eminentemente científico, de alcance internacional. A meu ver, a ONU tem a responsabilidade, bem como o dever, de acelerar os estudos científicos do problema, em escala global. Muitos pesquisadores responsáveis, preocupados com o assunto, acham perfeitamente concebível a idéia de, nos últimos.anos, os OVNIS terem exercido uma espécie de controle internacional. Se houvesse uma só possibilidade, mesmo a mais remota, de tal idéia estar correta, a nossa atual ignorância da finalidade e meta de tais medidas de controle deveria ser mudada, e imediatamente, para o conhecimento em grau máximo daquilo que realmente se passa. No caso de o fenômeno ser de outra natureza, também deveríamos tratar de esclarecê-lo. A nossa atual ignorância, atual negligência, atual mania de ridicularização constituem características lamentáveis da nossa atitude coletiva, diante de um problema que, quem sabe, poderia ser de importância prioritária para todos os povos da Terra.
A meu ver, urge examinar minuciosamente essas ocorrências.

Atenciosamente
James E. McDonald."

O astrofísico e cientista Dr. Jacques Vallée, especialista em computadores, residente nos EUA, onde, durante quatro anos, foi colaborador do Prof. Allen Hynek, escreveu no seu livro The invisible college ("O colégio invisível").

1) Os objetos que chamamos de OVNIS não são objetos, nem voam. Têm condições para se materializar, como mostram as últimas fotos, e desobedecem às leis do movimento, como nós as conhecemos.
2) Ao longo de toda a história, os OVNIS sempre foram observados e tiveram (ou proporcionaram) a sua explicação própria, no âmbito da sua respectiva fase cultural. Na Antigüidade, os tripulantes eram considerados deuses; na Idade Média, magos; no século XIX, gênios científicos. (Nota: aliás, a antiga arte oriental apresentou-os como seres humanos, alados, ou seres mistos, com cabeça de pássaro, em posição de saudação.) E, por fim, nos tempos modernos, aparecem como viajantes interplanetários.
3) Os relatos dos OVNIS não são, necessariamente, motivados por visitas de viajantes extraterrestres. O fenômeno bem que poderia ser a ilustração de uma tecnologia bastante mais complexa. No caso de o tempo e o espaço não serem tão simples em sua estrutura, como, até agora, os físicos julgavam que fossem, a pergunta "De onde vêm?" poderia perder todo o seu significado, pois eles poderiam ser oriundos de um local no tempo. No caso de a consciência poder manifestar-se fora do corpo, o campo para hipóteses tornar-se-ia ainda bem mais amplo.

"Por que os cientistas se calam?", pergunta Vallée. "Muitos astrônomos deveriam possuir conhecimento idêntico ao meu, acumulado no decorrer do meu tempo de serviço no observatório de Paris, quando detectamos objetos voadores não identificados e deles até tiramos fotos, assim como os filmamos."
Em retrospectiva, Valiée comenta a respeito do problema dos OVNIS:
"Em alguns países europeus, o projeto americano a respeito dos OVNIS foi acompanhado com vivo interesse. Os ingleses demonstraram calma e reserva; na França, a decisão americana era aguardada com ansiedade; a política oficial francesa estava disposta a defender o ponto de vista dos EUA. Os autos europeus, relativos a esse assunto, continham matéria explosiva. Muitos aparecimentos estavam excepcionalmente bem documentados e pesquisas do mais alto nível foram realizadas de uma maneira bem mais cuidadosa e profissional do que as feitas pela Força Aérea dos EUA. Aquilo não era milagre, considerando-se que algumas das testemunhas eram políticos do primeiro escalão. Num país ocidental, um chefe de Estado quase teria chegado a testemunhar um pouso na sua propriedade rural; o veículo a pousar foi descrito nos seus menores detalhes por membros do círculo mais íntimo desse político. Em outras palavras, o caso não foi abafado pelos órgãos da polícia central, nem por cientistas fidedignos, mas, pelo contrário, as investigações foram feitas por especialistas do serviço de segurança, do mais alto nível..."
Um dos relatos desse aparecimento informa que, ao percorrer aquela propriedade rural, o motorista do chefe de Estado percebeu algo parecido com um avião e que estava manobrando para pousar, bem à sua frente, na estrada. Ele freou o automóvel. O objeto passou a poucos metros acima do carro, provocando uma forte vibração vertical. Alguns segundos mais tarde, o objeto voltou, na direção oposta, e tornou a causar o mesmo efeito de vibração vertical. Quando, em seguida, retomou sua posição anterior, sobre as árvores, mudou de posição com a rapidez de um raio, evoluindo numa guinada de 90 graus e dirigindo-se para oeste.
O relato continua, dizendo: a testemunha é de absoluta confiança.
"Conseguimos averiguar que o objeto tinha a aparência de um prato de sopa virado para baixo; era dotado de uma carlinga, no centro, e de vigias; seu diâmetro media cerca de 20 metros. Tal observação não é nenhuma piada. Nem a Força Aérea, nem as autoridades acadêmicas competentes dos EUA conseguiram imaginar o alcance do problema na Europa ocidental. Da mesma forma, provavelmente na URSS esse caso tenha suscitado interesse ainda maior do que o despertado nos próprios países da Europa ocidental."
É pena Vallée ter deixado "no ar" esse sensacional incidente europeu — supondo que, de fato, tenha ocorrido —, pois suprimiu todos os dados, como nomes, locais e datas. Isso é tanto mais lamentável, em virtude de Vallée ser intencionalmente reputado como um dos peritos mais bem informados no campo dos OVNIS e, por conseguinte, ter as melhores condições de prestar as devidas informações.
Além do mais, sua constatação, "Os OVNIS não são objetos, nem voam. Têm condições para se desmaterializar...", não está bem clara, excetuando-se a desmaterialização, pois:
Em muitos aparecimentos de OVNIS relatados, o objeto parece desaparecer de um momento para outro. Assim, indiscutivelmente, os chamados aparecimentos "duros" (quando um objeto metálico duro está perfeitamente visível) surgiriam na atmosfera terrestre, como materializações temporárias; enquanto os chamados aparecimentos "moles" surgiriam quando o objeto se mostra como uma luz embaçada, configurando uma fase da sua materialização. Sob esse aspecto, os OVNIS não se enquadrariam no nosso conceito tradicional de uma nave espacial, na qualidade de um engenho confeccionado que conserva sua estrutura material e mecânica em viagens interestelares.
Mas, mesmo assim, tratar-se-ia de um objeto voador — visto que voam na atmosfera planetária. E, na maioria dos relatos a seu respeito, efetivamente se comportam como objetos voadores.
Para uma nave espacial que realiza viagens interestelares, teria pouco sentido conservar sua estrutura, em vista da vastidão que separa os sistemas solares no espaço, do tempo e da imensidade inconcebível das distâncias. Por essa razão, as viagens interestelares serão exeqüíveis apenas no momento em que as naves espaciais forem capazes de voar a uma velocidade próxima à da luz. Atualmente, não se conhece — pelo menos aqui na Terra — propulsão alguma que permita tal aceleração, condição prévia para tais viagens.
Naves espaciais que viajam de estrela para estrela obviamente implicam noções científicas, com as quais, por enquanto, nem ousamos sonhar. Tais noções revolucionárias bem que poderiam permitir cortar caminho através de outras dimensões do espaço e do tempo. Muito provavelmente, a desmaterialização da nave espacial é uma condição prévia para tal meta. E nesse modelo se enquadram perfeitamente os OVNIS, a julgar tanto por seus aspectos externos quanto por seu comportamento.


Na realidade, o que são os OVNIS? A esse respeito, as opiniões continuam francamente divergentes. A seguir, algumas opiniões, por exemplo, a do Dr. Ernest H. Taves, médico e psicanalista de Nova York: "De dia e de noite, há OVNIS à nossa volta, surgem fenômenos no céu, esperando serem descobertos. O observador avista tais fenômenos e, por vezes, até os classifica de maneira correta, como planetas, o reflexo de estrelas, miragens, efeitos meteorológico-ópticos, aurora boreal, estrelas cadentes, aviões, balões, papel brilhante que o vento levou para as alturas, maços de capim soltos, raios de bola, fogo-de-santelmo, nuvens, lua encoberta de névoa, poços petrolíferos em chamas, satélites reentrando na atmosfera terrestre, pára-quedas, testes com foguetes, reflexos de holofotes, aves, nuvens de insetos, papagaios, faixas de condensação, miniaviões, bolhas, pirilampos, ilusões de óptica, poeira, etc, etc... De fato, o campo dos OVNIS passou a ser propriedade particular de lunáticos e fanáticos religiosos".
Assim falou o Dr. Taves. Até hoje, a Igreja ainda não emitiu nenhum conceito. Somente o Dr. Hutten, conselheiro eclesiástico e chefe da Central para Assuntos de Conceituação do Mundo, em Stuttgart, respondeu a uma consulta do autor, confirmando que continua mantendo sua opinião, emitida anteriormente:
"As ciências humanas foram enriquecidas por uma ciência nova, a chamada 'ufologia', que é um paralelo cósmico do espiritismo".
O Dr. Hutten classifica a onda dos OVNIS proveniente dos EUA como um dos "diversos e amplos movimentos contestadores provocados pela secularização".
"A qualquer momento", afirma o Dr. Hutten, "a ufologia tornar-se-á uma mensagem de salvação, adquirindo aspectos cristãos."
Outra teoria proclama a inauguração de um "advento cósmico", em função do contato estabelecido entre os exércitos planetários e os habitantes da Terra. Segundo essa cartilha, se os terrestres adotassem o conselho dos planetários e, sobretudo, encerrassem os testes com a bomba atômica, chegariam a compartilhar a "grande federação cósmica", garantindo um comércio cósmico e um futuro sem guerras, pobreza ou miséria.
"Se é que há centenas de pousos de OVNIS, como acreditam diversas pessoas, por que não deixaram sequer o menor vestígio da sua presença, além de provas a serem confeccionadas por qualquer colegial?" indaga Philip J. Klass, redator-chefe do periódico americano Aviation Week and Space Technology — Magazines.
Por sua vez, R. Leo Sprinkle, professor de psicologia da Universidade de Wyoming, responde da seguinte maneira à pergunta sobre a existência dos OVNIS:
"Isso me faz lembrar aquela história da moça da Irlanda que me perguntou se eu acreditava em fadas. 'Não', respondi, 'porém, elas existem.' O mesmo acontece com os OVNIS. Pouco importa como sejam, mas, sem dúvida, eles existem".


Agradecimentos



Agradeço a colaboração de todos os que, direta ou indiretamente, contribuíram para a redação deste livro, destacando-se entre esses as entidades americanas Centro de Estudos dos OVNIS, NICAP, APRO e MUFON, a Força Aérea dos EUA, o periódico Flying Saucer Review, Londres; DUIST, a República Federal da Alemanha, bem como (voluntária ou involuntariamente) a CIA e o KGB.
Agradeço, em especial, o trabalho pioneiro e destemido do Prof. Dr. J. Allen Hynek e do major reformado Donald E. Keyhoe, realizado num campo que, lamentavelmente, ainda continua polêmico.
Da mesma forma, cumpre-me citar, entre outros, os senhores Charles Bowen, Dr. Walter K. Buehler, Gordon Creighton, W. Raymond Drake, Prof. Dr. David Michael Jacobs, John A. Keel, Coral e Jim Lorenzen, Aimé Michel, Prof. Dr. David Saunders, Dr. Jacques Vallée e Karl L. Veit.
Sobretudo, confesso-me grato pelo apoio que tive, em tempos difíceis, por parte dos meus amigos — a Baronesa Ellida von Stetten, Richard Giese, o nosso "Nippi", e, em particular, o meu amigo certo de muitos anos, Timothy Good — e da minha esposa Elis, que sempre me auxiliaram com a sua palavra e a sua ação.
E, não por último, consigno um voto de agradecimento àqueles "audacíssimos discos voadores", sem os quais este livro jamais teria sido escrito.

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