quarta-feira, novembro 30, 2011

UFOS:OS CÓDIGOS PROIBIDOS PARTE 2 ( LIVRO )

UFOS: OS CÓDIGOS PROIBIDOS PARTE 2


O MESSIAS DO ESPAÇO:

Muitos autores de textos ufológicos quiseram ver em Jesus um piloto espacial descido do céu; e muitos contatados afirmavam ter falado com ele (!) e ter descoberto a sua natureza de Messias cósmico enviado pelos ETs. Trata-se de absurdos, ainda que no Evangelho da Infância, apócrifo, se diga, de fato, que ele tinha um conhecimento extraordinário de Astronomia, enquanto nos textos russos se diz que ele trazia ao colo um misterioso pin­gente que iluminava a face como uma tela ou um celular e que "continha as palavras do pai", graças às quais podia comunicar-se com Ele.
O Evangelho da Infância ainda relata: "[51] Estava ali um filósofo, erudito em Astronomia, e perguntou ao senhor Jesus se ele nunca tinha estudado Astronomia. E o senhor Jesus respondeu-lhe o número das esfe­ras e dos corpos celestes, as suas naturezas e operações, a oposição, os aspectos triangular, quadrado e sextil, as suas ascensões e regressões, as suas posições em minutos e em segundos, e outras coisas que a razão do homem não compreende...". Sou mais levado a acreditar que os muitos relatos apócrifos, e as posteriores interpretações, algumas das quais decidi­damente discutíveis, porque provavelmente referidas na verdade a outros e depois atribuídas ao Cristo, demonstram na realidade o quanto a fascinante figura de Jesus é capaz de excitar os ânimos. Dele, exceto os evangelhos, não existem fontes secundárias não-cristãs que atestem a sua real existên­cia. A parte, uma fugaz citação em Tácito (uma frase nos Annali, XV, 45: "Cristo, que foi condenado à morte sob Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos") e, como especifica o antropólogo e ufólogo alemão Michael Hesemann, uma lacônica frase no Talmude hebraico: "As vésperas da fes­ta de Pessach, Jeshu foi pendurado" (bSanh 43a; referência que, porém deixa perplexo o rabino Yacov Emden que, no site Machov Ohr Aaron, comenta: "É extremamente difícil entender se as observações acerca do Jeshu do Talmude se referem realmente a Jesus. Muitas datas não corres­pondem e muitos eruditos observaram que existe uma discrepância muito grande entre a figura do texto real do Novo Testamento e aquela veiculada pela Igreja..."). Isso levou ao nascimento, no século XIX, nos ambientes materialistas, de uma "questão do Jesus histórico", isto é, de uma historiografia filosófica que duvidava da realidade histórica da figura de Jesus, que tinha em Carl Marx e em Ludwig Feuerbach os principais auto­res céticos (e além do mais, um messias tão mirabolante, capaz de ressus­citar mortos, multiplicar pães e peixes e caminhar sobre as águas deveria ter sido citado em todos os relatos históricos "pagãos" da época, mas, em vez disso, não há nada. Por muito menos, muitos autores latinos fizeram tratados inteiros). O filósofo Feuerbach chegou a sustentar que a vida de Jesus era apenas um mito, criado propositalmente para veicular, por meio de parábolas as novas normas comportamentais hebraicas. Inútil dizer que a publicidade cristã tentou obviamente de todos os modos desacreditar as colocações marxistas do "Jesus histórico", apelando principalmente à fé, sendo relativamente ausentes as evidências documentais. Tentando demons­trar a todo custo a existência de Cristo, alguém criou até mesmo um docu­mento de época falso muito propagandeado como autêntico pela imprensa integralista católica contemporânea. Trata-se de uma carta de Publio Lentulo, governador da Judéia, em 11 d.C., endereçada ao imperador romano Tibério.
Sobre os acontecimentos da vida de Jesus, o único testemunho, além do já citado Tácito, são os quatro Evangelhos canônicos (além dos apócrifos, cujo valor é reconhecido pela Historiografia, mas não pela Igreja). Comenta o estudioso hebraico Treves, obviamente cético em relação ao Cristianis­mo: "Esses Evangelhos não são testemunhos imediatos dos fatos, não são frutos de pesquisas históricas objetivas. São manuais de catequeses e de propaganda cristã feitos muito depois e que têm sofrido muitas correções, muitos talhos e interpolações por motivos estilísticos, políticos e dogmáticos. Contêm muitas contradições entre eles e dentro de cada um deles, e muitas inverossimilhanças e impossibilidades históricas. Uma vez que faltam do­cumentos confiáveis para reconstruir os fatos, permanecem muitas dúvidas, incertezas e divergências entre os estudiosos. Os evangelistas, escrevendo entre 70 e 150, enquanto os hebreus eram divididos e perseguidos por cau­sa das três violentas guerras, procuram conquistar a simpatia dos romanos falsificando os fatos e revertendo todas as culpas sobre os judeus. Os mais honestos entre os estudiosos não-hebreus (Conybeare, Loysy, Guignebert, Goguel) verificaram essa tendência anti-semita dos evangelistas...". E dos quatro evangelistas, apenas dois foram testemunhas oculares dos episódios de Jesus, Mateus e João; este último, segundo ele mesmo disse, esperou a velhice para escrever o seu Evangelho, para estar seguro de possuir a sa­bedoria necessária (infelizmente, a Psicologia ensina-nos o contrário, que, com o passar dos anos, as lembranças não ficam mais nítidas, mas se en­fraquecem e se distorcem). De Mateus, a crítica religiosa diz que "parece evidente a preocupação de situar Cristo no quadro de esperas religiosas do Judaísmo" (o Jesus de São Paulo será, no entanto, construído sob medida para todos, não apenas para os hebreus); ele nos deixou, na realidade, dois evangelhos, um em grego e um mais antigo em aramaico, que a Igreja considera, impropriamente, idênticos na medida em que o texto grego imita Marcos; a figura histórica de Mateus é controvertida: do seu apostolado não existe menção nos Atos dos Apóstolos.
Lucas (Lucano) de Antioquia era discípulo de São Paulo; acompa­nhava-o na propagação do Cristianismo primitivo, mas dos acontecimentos que cita no terceiro evangelho, foi testemunha apenas das histórias da Igre­ja primitiva, cujas façanhas ele sintetizou nos Atos dos Apóstolos. Marcos era discípulo de Pedro; mesmo sendo primo do apóstolo Barnabé, escre­veu o seu evangelho, em 70 d.C., copiando Mateus e Lucas. Esse trans­crever recíproco, ainda que muito pouco, explica as muitas diferenças que existem nos relatos evangélicos. Nos últimos anos, acendeu-se uma grande discussão sobre três fragmentos "originais" de Mateus, conheci­dos como "papiro Thiede", que representariam, segundo Thiede, "uma confiável documentação histórica da época de Jesus, pertencente a uma testemunha ocular". O berlinense Carsten Peter Thiede, historiador das religiões e autor da descoberta (à qual deu o seu nome, como é de costume), retroagiu a data dos fragmentos (confirmados até então como de 200 a.C.) a 70 d.C. Tal interpretação foi, porém, contestada pela ciência ortodoxa, mais especificamente pelo doutor Aristide Malnatf, do Instituto de Papirologia da Universidade Estatal de Milão que, além de ter difamado Thiede como "pseudo-papirólogo" (e tê-lo criticado duramente no II Giomo de 30 de maio de 1996), realçou o fato de que o historiador não seria real­mente um papirólogo ou um paleógrafo (a Paleografia é aquela disciplina que se propõe a datar um texto partindo das suas características gráficas): "E a primeira vez que se ocupa de Papirologia, e pelos discutíveis resultados faria bem em não insistir nela", sentenciou.





Capítulo 3
Aquilo que a Igreja Manteve Escondido

"Jacó foi escolhido como modelo pelo Anjo da face de Merkavhah (que Ezequiel contemplou em uma visão), e a seu doce e liso rosto foi impresso na Lua..."
(Do texto rabínico Tanhuma Buber.)

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O VERDADEIRO LIVRO DE ENOCH

Muitos leitores conhecem certamente o livro atribuído ao patriarca hebraico Enoch, do qual o Gênesis, 5:24, diz de maneira muito clara: que "caminhava com Elohim quando desapareceu, porque Elohim o teria toma­do". A Bíblia cristã não aprofunda o discurso, e não nos explica o que teria acontecido ao hebreu depois de capturado por Deus. Bem diferente é o discurso que surge com a leitura do evangelho apócrifo Livro de Enoch; existem três cópias dele, uma em aramaico, de tom místico e espiritual, uma em etíope e outra em eslavo. Da primeira, o arqueólogo Mario Pincherle tentou por muitos anos uma decodificação e uma releitura, sempre sob o ponto de vista espiritual; a versão etíope é um conjunto de manuscritos trazidos da Abissínia pelo explorador James Bruce em 1772, traduzida de modo confuso pelo cónego de Oxford, R;H. Charles que, não entendendo nada, afirmou que faltava a ela uma "unidade de tempo, de autoria e de doutrinas", e chegou a afirmar que o livro seria, na verdade, uma coleção de textos escritos por muitas mãos entre 200 a.C. e 100 d.C. A versão eslava foi encontrada na Rússia. A história narrada nos três livros foi con­siderada altamente perigosa pela Igreja, que produziu traduções manipula­das dela. Além disso, Santo Agostinho, em Cidade de Deus [1: 15; Cap.23] escreveu que "a Igreja recusava o Livro de Enoch pelo seu valor porque a sua imensa antiguidade não poderia coincidir com o limite dos 4.004 anos anteriores a Cristo atribuídos ao mundo desde o dia da criação". A mensa­gem original do texto é, portanto, muito diferente do que as traduções ecle­siásticas nos apresentam. Sempre se pensou que as três versões de Enoch fizessem entender a existência de duas categorias de anjos Vigilantes: os "bons", isso é os anjos que ficaram fiéis ao Senhor; e os "ruins", identificados como os "anjos caídos" ou "diabos". A tradução do texto hebraico de Giancarlo Lacerenza, que apresento em seguida, demonstra que a cosmologia Henochiana era muito mais complexa e articulada. Em uma obra minha ante­rior, UFO Projeto Gênesis, escrevi: "Atarefa dos Vigilantes seria, segundo o próprio nome, vigiar a humanidade em todo o Universo. Os da primeira categoria, seres de luzes superiores ao homem, por causa da sua natureza e sabedoria, estão em contato direto com o Altíssimo; são chamados Que­rubins, Serafins e Osanins ou Osannes (ou Ofannim, um nome que lembra os Oannes sumérios, os espaciais que levaram a civilização ao Oriente Médio antigo), eles normalmente fornecem mensagens aos humanos le­vando-os por alguns momentos para o céu ou, como especifica Enoch, 'pe­netrando nos seus quartos de dormir' (a comparação com os sequestros UFO é imediata). Quanto às Sentinelas ou Vigilantes, estes são uma raça decadente que o profeta define como 'antes santos, espíritos puros, seres vivos de vida eterna, contaminaram-se com o sangue das mulheres'; eles são os 'pais de uma estirpe de gigantes, seres perversos chamados espíri­tos malignos, exterminados pelo dilúvio'. Os Vigilantes também lembram uma específica tipologia alienígena. O nome com o qual se apresentam aos raptados é idêntico àquele usado hoje em dia pelos Greys: Watchers, Vigi­lantes. Enquanto os primeiros nos levam a pensar nos alienígenas ditos Nórdicos (altos, loiros e espirituais, queridos para os contatados), os segun­dos relembram os violentos e inexperientes intrusos dos quartos de dormir. Conforme o estudioso suíço Erich von Daeniken, 'o profeta Enoch falou de 200 guardiões do céu que desceram sobre o planeta, cujos filhos se man­tiveram na Terra, criando conflitos na tentativa de conquistar territórios; verificou-se que cada um se guardou em seu próprio reino, erguendo fortificações. Foram os filhos divinos que protegeram os palácios e as resi­dências; os trabalhos pesados, em vez disso, caíram sobre os súditos, incitados e dominados por demonstrações de força que, para os seres humanos, pareciam sobrenaturais. Em troca do fatigante trabalho comple­tado, os deuses se ofereceram para ajudá-los em caso de guerra'. A liga­ção com a Ufologia não é forçada; no texto apócrifo, conhecido como Li­vro de Enoch, vários ufólogos viram na história de uma viagem do profeta ao céu uma verdadeira e real experiência de seqüestro UFO. A bordo de uma estranha máquina voadora, guiada por um grupo de Vigilantes bons (para não confundi-los com os anjos caídos), Enoch visita outros mundos; mas, principalmente, aprende com um grupo de anjos com escafandros ('de rostos de cristal') que muitos Vigilantes, no início da humanidade, se corromperam apaixonando-se pelas mulheres da Terra, com as quais se uniram carnalmente. E mais, Enoch foi colocado a par de muitos segredos espaciais: a ordem do Cosmos e da criação, a composição das fileiras angelicais, a estrutura do universo que, segundo os alienígenas, 'é habitado, repleto de planetas e vigiado pelos anjos chamados Sentinelas ou Vigilantes'.
'Estava bendizendo o Senhor', conta Enoch na versão etíope da sua Bíblia (II - I a.C.), 'quando os anjos me chamaram e me levaram. E me portaram a um mundo cujos habitantes eram como fogo flamejante e, quan­do desejavam, apareciam como homens. Uma visão apareceu-me, nuvens envolveram-me e perdi a consciência. E, tornando-se sempre mais veloz, como uma estrela cadente e como os raios. E, naquela visão, um vento impetuoso levantou-me e me levou para o céu, e me mostraram um mar maior do que o mar da Terra. E os ventos, durante a visão, me fizeram voar e me levantaram até uma parede de cristal, circundada por línguas de fogo. Aquilo começou a me assustar. Eu entrei nas línguas de fogo e me aproxi­mei da Grande Casa, que era construída de cristal. E as paredes daquela casa eram como mosaicos de uma mesa pictórica, em pedaços de cristal; e o pavimento era de cristal. O teto era como o curso das estrelas e dos rios e, entre eles, querubins de fogo; e o céu era água. E tinha fogo que queima­va ao redor das paredes e as portas ardiam por causa do fogo. Eu vi uma outra casa, construída com línguas de fogo. O pavimento era de fogo e, sobre ele, o raio. Olhei e, dentro, vi um trono alto. E vi os Filhos dos Santos caminharem sobre as chamas ardentes; as suas vestes eram bran­cas e as suas faces transparentes como cristal.
Os Filhos dos Santos (com esse termo Enoch indica os anjos que não foram corrompidos e que ficaram fiéis a Deus) estão uniformizados militar­mente, como alguns astronautas. Declara o patriarca em um outro livro, a coleção Livros Secretos de Enoch: 'fizeram-me ver os Capitães e os Chefes das Ordens das Estrelas. Indicaram-me 200 anjos que tinham autoridade sobre as estrelas e os serviços do céu; eles voam com as suas asas e vão ao redor dos planetas. Mostraram-me as estrelas do céu. Vi como eram pesa­das conforme a sua luminosidade, sua localização no espaço e seu dia de nascimento'. Esse último acontecimento é desconcertante. Estudiosos da ar­queologia misteriosa, como Erich von Daeniken e Ulrich Dopatka, mostraram como os antigos astronautas cartografavam o Universo utilizando o mesmo sistema emuso na nossa moderna Astronomia, isto é, subdividindo as estrelas conforme o seu espectro: luminosidade, distância e elevação.
A bordo da máquina voadora, Enoch aprendeu diretamente com o che­fe dos anjos, o 'Senhor que sentava sobre um grande trono', sobre a existên­cia de um conflito entre os Filhos dos Santos e alguns Vigilantes caídos, por causa da rebelião destes últimos. O episodio é brevemente mostrado também no Gênesis (6:2), mas em Enoch é descrito de modo mais aprofundado: 'En­tre os filhos do homem existiam filhas belas e sedutoras. E os anjos, os filhos do céu, viram-nas e as desejaram e disseram entre eles: Vamos, escolhamos algumas esposas para nós, para que nos dêem filhos. E Semyaza, seu chefe, e todos os 200 desceram, nos dias de Jared, no cume do Monte Hermon. E todos as tomaram como esposas e começaram a unir-se a elas e a divertir-se com elas. E ensinaram seus vícios e encantos e a cortar raízes e a conhecer e distinguir as plantas. E elas foram fecundadas e pariram grandes gigantes, que se voltaram contra os homens e devoraram a humanidade'.
Relendo com os olhos modernos o episódio bíblico, tem-se a impres­são de se estar diante de uma raça de colonizadores, as Sentinelas ou Vigi­lantes, que traíram o objetivo inicial, provavelmente a mera observação da Terra à distância, e se misturaram aos homens, oferecendo conhecimentos e tecnologias para os quais a raça humana não estava preparada. Essa tese é confirmada pelo fato de os Vigilantes terem ensinado aos homens uma forma primitiva de tecnologia, até aquele momento desconhecida, e a arte da guerra. 'E Azazel', diz Enoch, 'ensinou aos homens a fazer espadas, escudos e couraças, e fez com que conhecessem os metais'. A corrupção da humanidade desdenhou o Senhor, que decidiu, segundo a Bíblia e os textos enoquianos, exterminar tanto os Vigilantes quanto os terrestres com o dilúvio universal. Ele tem razão também sobre os gigantes, nascidos da união dos anjos caídos com as mulheres da Terra.
Sobre essa união, alguém lançou a hipótese de se tratar de cruzamen­tos de engenharia genética. Dissemos anteriormente que os seres clonados, como a Dolly, são de dimensões maiores (e de fato, os filhos dos Vigilantes eram definidos como gigantes); além disso, em uma passagem do seu livro, Enoch acena claramente às manipulações genéticas daqueles antigos Greys: 'Um deles, Kas, o filho da serpente, ensinou aos filhos dos homens todas as agulhadas dos espíritos e as pontadas do embrião no útero'.
A lembrança da passagem dos deuses permaneceu, no campo místi­co e mitológico, em todas as culturas antigas na veneração a estranhos seres alados (como, por exemplo, o culto às esfinges aladas) ou chifrudos (diversos estudiosos, Peter Kolosimo à frente deles, viram nos "chifres" a estilização de cascos com antenas); as ações heróicas dos Vigilantes teriam inspirado não apenas a Bíblia, na qual até mesmo o episódio da queda dos anjos foi muito censurado, mas também muitos textos épicos primordiais nos relatos de lutas entre deuses.
Quase confirmando essas corajosas teses, vale a extraordinária se­melhança do nome do chefe dos anjos rebeldes, Semyaza, com Semjase, o astronauta extraterrestre com quem dizem comunicar diversos médiuns ame­ricanos e um contatador suíço. Semjase seria proveniente das Plêiades, curiosamente o mesmo grupo estrelar associado à figura de Deus, segundo, o profeta bíblico Amós e alguns credos de derivação hebraica como o culto mórmon. 'Procurem Deus e viverão. Ele fez as Plêiades e Orion', escre­veu Amós na Bíblia (5: 8)".

O ENOCH ESLAVO

Prosseguia: "Segundo Enoch, no espaço lá fora viveriam diversas tipologias angélicas. Além dos Vigilantes, caídos porque 'não possuíam todos os conhecimentos do Universo', isto é, eram imperfeitos, existiriam muitas hierarquias. Algumas são espirituais, como os arcanjos, os justos, os eleitos e os não dormentes, que estão diante de Deus, outras infernais, como os Grigoris (guardiões do Inferno), diabos que renegaram Deus; outras cuja melhor identificação foi como 'os homens de cabeça branca', fruto da união com os 'filhos do Senhor'. Entre estes últimos estaria tam­bém Noé cuja célebre arca que o salvará do dilúvio mandado para destruir os gigantes, na versão eslava do Livro de Enoch, aparece construída pelos anjos - e não pelos próprios filhos.
Entre tantos despontam os Osannini (da 'Ofan, globo), entidade de luz encarregada de nos encaminhar espiritualmente, depois que nós hu­manos perdemos a nossa natureza pura por causa do contato com os Vigilantes. Estes são os alienígenas que aceleraram positivamente a evolução desta civilização".
"A história", comentava ainda, "tem todos os indícios para ser consi­derada a narração de um verdadeiro rapto UFO a bordo de um disco voa­dor". Tomado "entre aqueles da geração do dilúvio" e levado ao céu "sobre um carro de fogo com cavalos flamejante e um Servo de Glória", o patriar­ca encontra "as fileiras de chama e as armadas da fúria, os ardentes shin’anim e os flamejantes querubins, os inflamados hashmallim e os fos­forescentes serafins". "E o anjo me colocou aos cuidados, dia após dia, do Trono de Glória". A presença de Enoch (que às vezes se faz chamar de Ismael) dentro da merkavhah suscita, porém, a ira de duas classes de anjos, os 'Ofannim e os Serafins, que por isso brigam com o anjo Metraton, que leva a melhor; e os outros anjos "abriram a boca e disseram: Na verdade, Enoch é digno de contemplar a merkavhah". Conduzido através dos céus, o patriarca foi informado de "todos os segredos do Universo e todas as ordens da criação" estabelecidas pelos Criadores e pelos Formadores (en­corpados em uma única figura naquela ocasião, o Formador da Criação, ou Josher bereshit). Descobre os nomes dos sete Príncipes que comandam "uma armada celeste, e cada um deles tem uma multidão de 496 mil anjos serventes", fica sabendo de uma base alienigena sobre a Lua, controlada por "Offanfel, o Príncipe que se encontra sobre o disco lunar com 88 an­jos", descobre as rotações (rahat)"dos astros nas suas órbitas"; aprende que o Altíssimo tem "muitos carros", verdadeiras astronaves que nos levam a pensar nos nossos aviões militares e que, como estes últimos, são subdivi­didos por modelo e versatilidade: vão desde os carros do querubim àqueles "do vento" (para fins de caça), desde os rápidos "carros da nuvem veloz" (que definiremos como hipersônicos) aos "carros de multidões" (aptos para o transporte tanto de batalhões, como de cargas), dos "carros da rota" (ou na verdade, os protótipos circulares como os UFO) aos "carros dos nevoei­ros" (que lembram os aviões invisíveis) e assim por diante.
Mas o elemento mais desconcertante é o momento em que foi mos­trado ao patriarca uma lista, definida comopargod ou tecido, contendo um tipo de relação genética de "todas as gerações das gerações do mundo, tanto os que foram feitos como os que serão feitos, até o final de todas as gerações". Essa é uma referência ufológica que tem um desconcertante paralelismo com a literatura moderna sobre os raptos UFOs: vários pesqui­sadores americanos sustentam que há séculos os aliens estariam mapeando geneticamente a raça humana (a hipótese foi feita até mesmo em um epi­sódio de Arquivo X). O Livro de Enoch já afirmava isso há 2 mil anos!
"Como fez Enoch para conhecer a esfericidade da Terra e a inclina­ção do seu eixo, perguntou-se o ufólogo inglês Raymond Drake. "Os anjos caídos, os Guardiões, aterrissaram sobre o Monte Hermon, em número de 200, no tempo de Yared, pai de Enoch; uniram-se às filhas dos homens; é, portanto, possível que a mulher de Yared tenha concebido Enoch de um extraterrestre, que seria responsável pela sua sabedoria transcendental e pela sua estreita afinidade com os espaciais", comentava no livro A Bíblia e os Extraterrestres, em 1974. Na verdade, não foi propriamente assim, mas Drake forneceu de qualquer modo questões interessantes. Eis como comentou a versão eslava do texto (sabe-se que nas bíblias apócrifas mui­tos detalhes anacrônicos foram mantidos): "O Livro de Enoch eslavo fala como Enoch, no primeiro mês do seu 365a ano, se encontrava sozinho em casa, adormecido sobre a cama, quando, de repente, sentiu um aperto no coração e, imediatamente, percebeu que ao seu lado estavam dois seres de estatura imensa que ultrapassava aquela dos gigantes da Terra; os seus rostos resplandeciam como o Sol, os seus olhos brilhavam como brasas ardentes e as suas bocas emitiam relâmpagos de fogo, descrição que reto­ma os seres interplanetários de hoje. Eles disseram que o Senhor os mandara para que o conduzissem ao Paraíso, o tomaram pelos braços e o levantaram até as nuvens em uma turbina, provavelmente uma astronave. De uma nave-mãe Enoch conseguiu ver lá embaixo, no Primeiro Céu, o planeta Saturno com os seus anéis; o Segundo Céu, Júpiter, envolvido pela escuridão, era a prisão para aqueles anjos que se rebelaram contra Deus. Nas proximidades do planeta Marte, Enoch contemplou o jardim do Éden e, a poucas cente­nas de milhas, nas regiões polares, teve a visão dos condenados que congelavam nos grandes icebergs glaciares. Naquele momento, Enoch começou a chamar de homens os anjos, visto que pareciam como tais. Estes o leva­ram ao Quarto Céu, o da nossa Terra. Enoch surpreendeu-se ao ver que a Terra era redonda, um fato negado pelos teólogos por milhares de anos. No Quinto Céu, Vénus, encontrou muitos soldados de aspecto humano, os Gregorios, mais altos do que os gigantes; eram os anjos caídos. Possuíam rostos resplandecentes, mas os lábios levemente fechados, como se se co­municassem telepáticamente. No Sexto Céu, Mercúrio, os anjos Lumino­sos de rosto radiante ensinaram-lhe os movimentos das estrelas e as fases da Lua. Ele se encontrou com os arcanjos que estudavam todos os seres vivos sobre a Terra e anotavam as ações das almas dos homens. No Séti­mo Céu, aquele do Sol, ele contemplou Querubins, Serafins, Tronos (talvez cosmonaves?), anjos com muitos olhos (cosmonautas em macacões espaciais?), nove legiões e as estações luminosas de 0'fannim (globos) e Hajjôt, que o estudioso Quixe Cardinale afirma se tratar de astroportos para viajantes galácticos. O Senhor enviou Gabriel, pois Enoch tremia na fronteira com o Sétimo Céu. Ele o levantou, como faz o vento com uma folha, e o fez voar em direção ao Oitavo Céu, Muzaloth, lugar de mudança das estações, e através o Nono Céu, Kuvachim, a morada dos signos do zodíaco. No Décimo Céu, chamado Aravoth, Enoch reconheceu a conste­lação da qual vieram os nossos antepassados, a estrela Altair; lá conseguiu ver que a expressão do rosto do Senhor era igual a ferro fundido e emitia relâmpagos de luz. Em seguida, o arcanjo Pravu'el, que se distinguia pelos seus conhecimentos, foi convocado; o Senhor ordenou-lhe que desse a Enoch os livros que escrevera com uma caneta para escrita rápida, para que os terrestres pudessem ter um relato da sabedoria cósmica que lhe fora reve­lada. O Livro de Enoch hebreu repete de modo substancial a versão eslava, na qual se diz que ele passou seis jubileus, 294 anos, com os anjos, sendo informado das coisas do céu e da Terra...".
Essa é a interpretação, de certa maneira, um pouco "livre" demais, que Drake oferece. Na realidade, não é certo nem a contagem das eras que Enoch passou no céu, nem que os Céus (ou melhor, os universos) por ele visitados correspondessem aos planetas do nosso sistema solar, muito menos às diversas seções do Cosmos; é muito fácil que a interpretação canónica seja posterior e tardia, alinhada aos conhecimentos astronômicos medievais, que contemplavam um céu composto por sete planetas e in­cluíam nele também o Sol. O texto hebraico original, por exemplo, refere-se ao Sétimo Céu com a palavra 'Aravôt, cujo significado não é assegurado nem mesmo no texto bíblico e que foi freqüentemente traduzido, conforme o contexto, por "nuvem" ou "céus", e na versão hebraica aparece a ex­pressão "Aravôt Raqia", firmamento no céu, sobre a qual os biblicistas patinaram e que é, em vez disso, explicada em um texto hebraico da Alta
Idade Média (comentado no século XII pelo místico Yishaq, o Cego), o Midrash Konen, que adverte para "não ler raqia', firmamento, mas qeria', rasgo". Por meio deste rasgo no céu, um tipo de buraco hiperdimensional, passavam as várias raças alienígenas; o buraco colocava em comunicação a Terra com o resto do Universo, composto, segundo os textos hebraicos sobre as origens, por "milhões de mundos"...

EM BUSCA DAS 11 CÓPIAS

A versão hebraica é, no entanto, deixando de lado certas inserções místicas presentes na versão eslava, a mais confiável. Nela, de maneira pouco suspeita, Enoch identifica-se com freqüência com o narrador Ismael e até mesmo com o anjo que o guia na viagem. E, além disso, às vezes se afirma que o anjo seja Deus em pessoa. A imagem que o leitor comum obtém é a de um patriarca em pleno delírio de onipotência, que chega a crer-se Deus, e que no mínimo sofre de múltipla personalidade; uma tra­dução mais correta do texto original tem, porém, razão a respeito dessas contradições inseridas posteriormente pelas Igrejas com o propósito de fal­sificar a mensagem.
Não se pense, porém, que tenha sido fácil para mim chegar a uma meticulosa reconstrução do texto original. Ao conduzir esta pesquisa, ainda que ajudado por uma experiência de trabalho como bibliotecário, freqüente­mente me senti como o personagem de Dean Corso no filme de Roman Polanski O Último Portal (que roda meia Europa para confrontar três edi­ções de um texto iniciatório maldito). Jogadas fora as traduções "tradicio­nais" do texto enoquiano, cujo verdadeiro título é Sefer hêkalôt, isto é, Livro dos Santuários, foi necessário obter cópia das 11 edições impressas, baseadas em manuscritos perdidos, espalhadas nas bibliotecas de metade da Europa.
Três delas se encontram em Oxford (os códigos 1656/2, 2257/4 e 1748/2), na Bodleian Library; uma edição estampada em Lemberg; uma outra, conhecida como Bet ha-Midrasch, em Viena; duas em Jerusalém, uma das quais cuidadosamente guardada na Jewish University and National Library; outra junto à Bayerische de Mônaco, outra, quase que intocável, junto à Biblioteca Apostólica Vaticana, e, enfim, uma na Biblioteca Laurenziana de Florença e outra na Casanatense de Roma, onde acabei ficando por muito tempo por ocasião de uma entrevista televisiva feita pela transmissão Stargate com Roberto Giacobbo, que efetuava as filmagens na Biblioteca.
Além dessas 11 versões, deve ser dito que não existe uma edição crítica aceitável do texto (embora a tradução de Lacerenza contenha notas muito aprofundadas) e, aliás, reforçando, no passado foram realizadas traduções do livro muito discutíveis (sem falar dos seis capítulos falsos acrescentados posteriormente) que falsificaram integralmente o seu con­teúdo, transformando-o em um texto místico de pouco valor. E, pois, ao biblicista Hugo Odeberg (que deu o título de 3 Enoch ao livro) que se deve, em 1992, a definição errada do texto como um tardio pseudo-epígrafo, e a sua errônea inserção no contexto da literatura mística do Judaísmo tardo-antigo e da primeira idade bizantina.
Traduzir novamente o livro, recorrendo às versões originais, cruzando as versões mais confiáveis, foi um trabalho massacrante, que durou um decênio; e isto porque os primeiros erros se referem já aos nomes; tendo sido traduzidos muito mal, perdeu-se o real papel dos atores e dos figuran­tes. O verdadeiro nome de Enoch, por exemplo, era Hanôk, que significa o iniciado, e não é por acaso que no Alcorão é chamado de Idris, erudito (mas o nome esbarra também no termo Anochi, um dos nomes de Deus; já fala­mos que, depois da experiência, Enoch se considerou como um dos Elohim); o uso do nome Hanôk foi desejado: o texto configura-se como uma narrativa, em primeira pessoa, de uma experiência estática contada pelo Rabino Ismael ben Elisha, que é o verdadeiro nome do protagonista do seqüestro ao céu, um mestre tannaita que viveu, portanto, não na época da colocação bíblica, mas entre o final do século I e o início do II; Grande Sacerdote de Jerusalém, segundo a lenda (errada talvez), ele foi morto pela repressão romana após a revolta de Bar Kokvah em 135 d.C. A tradução do termo merkavah (ou merkavhah), o carro voador com o qual Enoch teria subido ao céu, é, portanto, imprópria. O termo "carro" é redutor, já que o texto utiliza as palavras qarôm shel nôgah, "carruagem de luz"; na prá­tica, o mesmo termo que os mexicanos de Tepoztlan usam para indicar os misteriosos UFOs muito luminosos, ou "naves de luz", que desde 1500 so­brevoariam a América Central e seriam guiadas por criaturas imateriais, como imaterial seria o veículo, perfeitamente coincidente com o "carro" enoquiano. O Vaticano sabe de tudo isso há dois mil anos, tanto é que Santo Agostinho, na sua Angelogia, falava de anjos de natureza imate­rial (como a merkavhah e as naves de luz), capazes de transportar-se no Universo e de poder existir milhões deles sobre a cabeça de um alfinete, quando as Igrejas ainda brigavam sobre a natureza "material" dos mes­mos, e discutiam sobre o seu sexo!
E não é só isso. O Salmo bíblico 68:18, "A cavalaria de Deus tem duas miríades (shin’na)", foi mal traduzido; a cópia do Livro de Enoch guardada na Bodleian Library de Oxford reporta exatamente shtnjm, em vez de shin'na; e shtnjm, que se pronuncia shetanim, significa os adversários, os "Satanases". Mas a idéia de que o carro do Senhor fosse guiado pelo seu adversário não agrada aos devotos comentadores rabínicos, e a palavra foi modificada com um termo de som parecido, que não significa nada, mas que tem a virtude de "cobrir" uma parte espinhosa da história, o fato de que Deus (ou melhor, os Elohim) esti­vesse "no mesmo nível" com os "diabos".
Também está errado no texto o nome do anjo que guia o patriarca hebraico no curso da sua subida ao céu; não é Gabriel e não é, nem mesmo, como na cópia da Bodleian Library de Oxford, Qafshi 'el; mas Qashfi 'el, literalmente "ira de Deus". Guardião do Sexto Acesso no livro Hêkalôt rabbati. No texto bíblico Números ele é um anjo guerreiro, de destruição, em vez de puro espírito! (e não por acaso a tradução rabínica deseja que qualquer um que tenha tentado traduzir corretamente o Livro de Enoch seja morto imediatamente, incinerado). E definitivamente um dos "diabos" que pilotavam o carro voador do Senhor. E Metraton, o anjo que o Senhor envia a Enoch para que seja salvo da fúria "do Príncipe Qashfi 'el e dos anjos que estão com ele, para que não me joguem para baixo dos céus" [1: 3], não épor certo puro espírito. "O autor evidencia de maneira muito particular o as­pecto humano", anota Lacerenza; além disso, o livro leva muitas vezes a entender que ele tenha de algum modo se fundido a Enoch, como se o patriarca, pelo fato de ter estado raptado ao céu, tenha se transformado de fato em um membro da corte celeste.
E nesta louca corrida no espaço, Enoch encontra os Guardiões dos Acessos (Shom' rê ha-petahîm) que o gnóstico Valentim chamava de arcontes, os supra-intendentes dos vários setores do Universo; e esbarra nos Primogênitos (no texto hebraico, rishôním), as primeiras gerações de anjos criados por Deus para receber conselhos sobre a criação do homem, mas que, por causa da sua oposição à criação de Adão, teriam sido destruí­dos. Sobre eles, o Midrash Gen Rabbah [5:5] diz: "Quando o Senhor esta­va para criar o homem, os anjos servidores se dividiram em duas facções. Alguns diziam: Seja criado!, outros: Não seja criado!".
Lê-se nos capítulos 6 e 7: "Quando o Santo, que bendito seja, tentou fazer-me subir ao Marôm, Ele me enviou primeiramente o anjo 'Anffel, o Príncipe (o Guardião do Sétimo Acesso; nome omitido na versão vienense); tirou-me das suas vistas e fui conduzido em grande glória sobre um carro de fogo com cavalos flamejantes e um Servo de Glória, e me elevou até a Shekinah (= presença de Deus) no alto dos céus. Assim que alcancei os Céus, as santas Hajjôt e os Ofannins, os Serafins, os Querubins e os Galgallim da merkavhah e os Ministros do Fogo Ardente perceberam o meu cheiro à distância de 365 milhões de parasangas (a milha persa que equivale a 6 quilômetros), e disseram: Que cheiro de nascido de mulher e que sensação de gota branca é essa que sobe ao alto dos Céus, entre aqueles que dividem as chamas? O Santo, que bendito seja, respondeu, dizendo a eles: Meus Ministros, Batalhões, Querubins, Ofannins, Serafins! Não se aflijam por ele: como todos os filhos do homem se esqueceram de mim e do meu grande reino, foram embora e veneram ídolos, por isso lhes foi retirada a Shekinah, e Eu a elevei ao Marôm. Mas este que tomei entre eles foi escolhido entre todos e a todos supera em coerência, justiça e retidão de ações, e o tomei como tributo do meu mundo abaixo dos céus.
Quando o Santo, que bendito seja, me pegou entre aqueles da geração do dilúvio, me fez sentar sobre as asas do sopro da Shekínah em direção ao alto do Raqia' (= rasgo no céu, como um Stargate) e me conduziu em meio às grandes residências (os Santuários) que estão no alto da 5 'Aravôt Raqia', onde se encontram o Trono da Glória da Shekinah, a merkavhah, os batalhões de chama e as armadas da fúria, os ardentes Shin 'aním (os diabos!), os flamejantes Querubins, os incandescentes Hashmallhn, os fos­forescentes Serafins. E Ele me colocou sob a guarda, dia após dia, do Tro­no de Glória". A referência aos Hashmallim (= os Luminosos), que lhe ensinarão os "movimentos das estrelas", as quais conheciam bem, é parti­cularmente interessante, na medida em que o termo hashmal está presente na Bíblia somente na visão de Ezequiel, na qual se diz que o piloto da merkavhah tem em parte o aspecto do hashmal (Ez 1: 27), indicando com isso alguma coisa luminosa ou incandescente. Tal termo, explica Lacerenza, "geralmente se refere à aura luminosa de um metal nobre, ao elétron (conforme a versão dos Setenta e a Vulgata). Os Hashmallim não seriam, porém anjos, mas simplesmente seres de hashmal. O Talmude babilônico diz que os Hashmallim são de aspecto metálico, aureolados, com uma aura luminosa e com "bocas" propulsoras das quais sai o fogo. A descrição é apropriada aos mísseis e aos discos voadores! Sobre seus pilotos, Enoch, na versão eslava, diz claramente que lhe ensinaram "os movimentos das estrelas e as fases da Lua"; portanto, dispunham de mapas estrelares, como toda boa astronave que se respeite. E diz também que os pilotos "estuda­vam todos os seres vivos da Terra", do mesmo modo que os modernos UFOnautas, que parecem observar-nos a distância!
Os detalhes que o patriarca fornece são iluminadores e nos permitem enquadrar definitivamente, sob o ponto de vista ufológico, a natureza da sua experiência. Pena que as péssimas traduções do texto, em que os Hashmallîms se tornam banais anjos de luz, tenham desviado por anos os pesquisadores Mas Enoch é categórico. As características dos Hashmallim (leia-se, "dos UFOs") são as mesmas da máquina voadora que Ezequiel viu no deserto, e que um técnico da NASA identificou, sem sombra de dúvida, como uma aeronave espacial! Eis o que realmente viu o autor do livro, uma vez levado para o espaço... E afirmo que a Igreja sempre soube disso.

OS VATICAN UFO FILES

Em 1947, um piloto civil americano avistava nove UFOs nos céus do estado de Washington e relatou q, acontecimento à imprensa, dando início, sem saber, ao interesse pela Ufologia; mas, como vimos, os dis­cos voadores não são novidades do segundo pós-guerra. E não apenas no mundo médio-oriental. O historiador latino Marco Manilio, antecipando as modernas descrições dos avistamentos de UFO, escrevia no seu Astronomicon que "existem astros que raramente aparecem e logo depois desaparecem" e que podia acontecer de se conseguir ver no céu "chamas repentinas que aparecem nas escuridões noturnas e se mostram com dife­rentes aspectos. Às vezes, de fato, as chamas parecem esvoaçar como longos cabelos de finos fios. Esse primeiro aspecto pode se transformar depois e, sumindo as crinas, modificam-se em uma massa que parece asse­melhar-se a uma barba em chamas; às vezes no lugar do fogo, alongándo­se igualmente nos dois lados, toma a forma de uma trave quadrada ou de uma coluna redonda, ou ainda, com as suas túrgidas chamas, parecem barris redondos. Outras vezes, o fogo assume uma forma que lembra o rosto de pequenas cabras (isto é, triangulares; como triangulares são os UFOs vistos nos céus europeus a partir de 1989). "No céu sereno, quando as estrelas dispersas cintilam por toda a parte, vêem-se algumas luzes precipi­tarem-se ou vagarem aqui e ali no espaço, ou então riscarem de longe, imitando velozes flechas, já que a sua fina risca se torna tênue". Nesse texto, alguém se perguntará, Manilio descreve simplesmente estrelas ca­dentes ou já alguns UFOs ante litteram. O aceno a movimentos errantes no espaço e aos traços na forma de charutos, a "trave", são iluminadores porque recorrem exata e pontualmente ao moderno estudo de casos ufológicos. O autor depois conclui: "Não se maravilhem, portanto, que ros­tos improvisados apareçam no céu e que a nave acesa resplandeça de luzes cintilantes". Já há dois mil anos, portanto, causavam, em testemunhas que olhavam de vez em quando o céu, a mesma maravilha que provocam ao caminhante nos dias de hoje. Mas não é só isso. Um outro historiador antigo, Diógenes Laércio, relata em As Vidas dos Filósofos, no capítulo 8:2, que, tendo desaparecido Empédocles, um dos seus servos disse "ter visto uma luz no céu e um reflexo de tochas"; o acontecimento foi interpre­tado pelos vários empregados, reunidos em torno do rico Pausania, como uma manifestação milagrosa. O "milagre" reaparece pelo menos 200 ve­zes nos antigos documentos do Vaticano, que pude descobrir em virtude dos meus percursos de bibliotecário, além de professor de religião, com acesso aos arquivos eclesiásticos. A Igreja, de fato, depois da queda do Império Romano, confiou aos próprios homens, frades e devotos copistas, a preservação do saber e da história. De tal modo, por muitos séculos tam­bém foram reunidos nas crônicas históricas (hoje diríamos "jornalísticas") os eventos celestes de natureza desconhecida, aos quais, conforme o humor político da época, são dados uma interpretação salvadora ou apocalíptica e demoníaca. "Nesse ano, terríveis premonições que assustaram todo o povo se verificaram em Northumberland: primeiramente, houve contínuas tempestades com raios e trovões, e depois, horrendos dragões foram vistos sobrevoando o céu. E uma grande carestia veio logo depois desses fatos extraordinários, e pouco tempo depois caíram sobre o povoado os pagãos do Norte, e destruíram a igreja de Deus e depredaram e massacraram". O episódio do ataque dos Vikings à igreja inglesa de Lindisfarne, uma ilha sobre a costa oriental da Inglaterra onde surgiu um antigo monastério, acon­teceu em 8 de junho de 793 e é contado com detalhes nas Crônicas Anglo-Saxônicas, uma série de obras analíticas de diversos autores. A referência aos "trovões" e aos "dragões" é muito intrigante, e leva a pensar na pre­sença, no céu, de instrumentos não identificáveis de aspecto aterrorizante. Na Crônica sobre a batalha do rei Clotário II, relatada no século XIX por Migne no 20o capítulo do 71o livro, lê-se: "No quinto ano do reino de Teodorico, o mesmo em que foram vistos alguns sinais, apareceram globos de fogos que corriam no céu e apareceram hastes de fogo aos milhares pelo Ocidente". Na igreja paroquial de Montemagno de Pisa, existe um diário do pároco don Simão Bisaglia que, na noite entre 30 e 31 de março de 1677, teve um extraordinário encontro aproximativo. Assim descreveu o evento, de seu próprio punho: "Recorda-se como, por volta da uma hora da madrugada, viu-se a partir do céu um raio grandíssimo partindo do meio do nascente, atravessou quase claramente o poente na forma de uma bomba artificial, e na passagem fazia um grande barulho e iluminou tanto todo o mundo que, apesar de estar escuro, parecia ser meio-dia, e durou quase o tempo de rezar o Pai-Nosso. Tinha aproximadamente um braço e meio de comprimento e foi visto por mim, padre Simão Barasaglia, ao retornar para casa com Sabatino de Domênico Lupetti e Anton Filippo de Vincenzo Meucci; 15 minutos depois se escutou um forte trovão apesar do bom tempo".
Nesses velhos relatos surgem também aparições de estranhas criatu­ras, que hoje definiríamos tranqüilamente como "extraterrestres". Um deles, representado no teto da Rocha de Angera sobre o Lago Maggiore, remonta a 1300 e mostra uma estranha criatura humanóide completamente nua, vermelha, imberbe e com orelhas enormes; o centro ufológico alemão GEP de Rudolf Henke descobriu documentos sobre um suposto rapto alienígena ocorrido em 15 de novembro de 1572, na Suíça: Hans Bouchman, um fa­zendeiro local, desapareceu naquele dia da cidade de Romerswyl sem deixar sinal. O criador de animais de 50 anos estava atravessando a floresta para retornar a casa, quando foi sugado no ar e se encontrou em um local estranho para ele, depois identificado como Milão, na Lombardia. Os milaneses vi­ram-no vagando em estado confuso. Segundo Renward Cysat, o cronista de Lucerna que interrogou o homem, Bouchman fora raptado e levado aos céus por "espíritos noturnos". Outras vezes, a culpa dessas "ascensões celestes" era atribuída aos demônios: Anne Jeffries, doméstica da família Pitt no povoado de St. Teath, na Cornualha, foi encontrada desmaiada, em um dia de 1645, pelos seus vizinhos. A mulher estava estendida no chão próxima da porta da casa em que trabalhava. Socorrida, contou ter sido raptada por pequenas criaturas parecidas com seres humanos, que a con­duziram voando na direção de um objeto luminoso e a teriam obrigado a sofrer humilhantes relações sexuais. Esse caso histórico de abdução, de seqüestro UFO, foi investigado por ninguém menos que a Santa Inquisição. Ainda, nos documentos do historiador ibérico Juan de Pedraza, datados de
1568, dizia-se que "alguns acreditam que eles entrem pelas casas enquanto as portas e janelas estão fechadas" (como os modernos seqüestradores alienígenas); outras vezes, as ascensões eram atribuídas às cortes celestes. A crença aparecia também na mística católica. O conhecido frade prega­dor Jerônimo Savonarola afirmava ter sido levado ao Paraíso pela madona, e isso não contribuiu certamente para aumentar as simpatias papais para com ele; atacado pela hierarquia vaticana, escreveu "a um amigo titubean­te" uma carta datada de janeiro de 1496 na qual procurava justificar-se, confessando: "Não estive lá corporalmente, mas foi tudo uma visão imagi­nária e todas as coisas que vi foram formadas na minha imaginação pelo ministério angélico...".
Freqüentemente, os membros da "corte celeste" comportavam-se de modo um tanto curioso, para alguns "puros espíritos". Segundo a crônica eclesiástica, uma figura identificada no arcanjo Miguel teria repetidamente aparecido em sonho ao bispo francês Aubert, em 708, pedindo-lhe para edificar uma igreja sobre o Monte Tombe. Diante da indecisão do cético eclesiástico, que não queria acreditar na materialidade daquelas visões oníricas, o anjo teve de perder a paciência e, conta a lenda, meteu-lhe um dedo na cabeça, quase literalmente, metendo na cabeça a sua vontade. Mas os dedos dos anjos, como se sabe, não são como os dedos humanos; aquele simples cutucão foi suficiente para que o crânio do bispo furasse. Os historiadores dizem que o bispo sobreviveu e que, desde então, andava por aí com a cabeça furada; o furo era de 2,5 centímetros por 2, o suficiente para deixar ver o cérebro; estamos tão certos das medidas, quanto do fato de que não se trata de uma lenda, pois o crânio transpassado de S. Aubert existe; foi recuperado, depois de mil peripécias, pelo médico Guérin durante a Revolução Francesa e está hoje guardado na catedral de Saint-Germain em Avranches, na França.
O episódio leva a muitas reflexões; de perfurações crânicas da parte ou em honra dos deuses, a "mitologia" centro-americana está cheia (Mé­xico, Bolívia, Peru), como também a egípcia e a tibetana; e ainda hoje, nos relatos dos raptos alienígenas, aparecem memórias de estranhas ope­rações no crânio das indefesas cobaias humanas. Hoje a crônica atribui essas maldades aos extraterrestres; um tempo atrás, era culpa dos diabos ou dos anjos. Mas que certos pretensos "espíritos puros" fossem outra coisa a Igreja também sabia, apesar da prudência oficial, tanto é que, em julho de 2002, o cardeal Jorge Estevez Medina recebeu um mandado do papa para "fazer uma limpeza no exército angélico para separar os verdadeiros dos falsos" (curiosamente, uma profecia francesa do século XVII previra tudo isso; um visionário anônimo deixara escrito: "Até os anjos serão perseguidos").

UFO ANTE LITTERAM

Em 1639, James Everell e alguns amigos estavam atravessando de barco o Muddy River; eram dez horas da noite quando uma "luz retangu­lar" parou no ar; depois começou a ziguezaguear velozmente de um ponto ao outro da costa, por cerca de duas horas. Quando o fenômeno cessou, os barqueiros americanos perceberam estupefatos que tinham subido o rio contra a corrente, sem terem remado ou velejado, como se uma força mis­teriosa os tivesse puxado. O fato foi cuidadosamente descrito pelo governa­dor John Winthrop em seu Diário. No mesmo, surge outro episódio insólito: em 18 de janeiro de 1644, às oito da noite, vários habitantes de um bairro de Boston notaram no céu uma luz "das dimensões da Lua Cheia", levantada sobre o horizonte marinho, na direção noroeste. Imediatamente depois, apa­receu outra luz, proveniente do leste. As duas luzes começavam a aproxi­mar-se e afastar-se, como um jogo absurdo, até que, por fim, mergulharam atrás da colina da ilha em frente, desaparecendo. Durante essas insólitas evoluções, muitos dos presentes ouviram uma voz gritar: "Pequeno, peque­no, venha, venha". O incrível acontecimento teria se repetido por umas 20 vezes; as luzes pareciam vir de direções diferentes, mas sempre "de uma enorme distância". Embora a história tivesse os contornos de uma alucina­ção coletiva, uma semana depois novas testemunhas assistiam a uma aná­loga dança celeste, ouvindo novamente os apelos "provenientes das profundezas dos céus". Winthrop, no seu escrito, não tentou de forma algu­ma encontrar uma explicação para o fenômeno, limitando-se a ressaltar que o fato teria sido verificado na mesma área onde, algumas semanas antes, a lancha do capitão Chaddock fora destruída por uma explosão de pólvoras na baía. Visto que Chaddock era suspeito de magia negra, e diferentemente dos seus homens, o seu corpo não foi encontrado, foi na­tural pensar em uma matriz demoníaca para as luzes aparecidas na baía.
Em 11 de março de 1643, o cronista inglês John Evelyn (1620-1706) anotava no seu Diário: "Não devo esquecer aquilo que tanto nos assom­brou na noite passada, isto é, a nuvem luminosa nas áreas, a qual se asse­melhava a uma espada, com a ponta em direção ao norte; era resplande­cente como a Lua, visto que o resto do céu estava muito limpo. A coisa começou por volta das 11 da noite e terminou por volta da uma; todo o sul da Inglaterra a viu". Em 21 de março de 1646, várias pessoas, no condado de Norfolk, avistaram "uma pilastra como uma nuvem vinda da terra, de­pois como um tipo de espada de cabo cintilante, apontada em direção ao Sol. A pilastra subiu ao céu, onde tomou a forma de uma pirâmide e acabou desaparecendo com o aspecto da ponta de um campanário, então a lança desceu novamente em direção ao solo. Tudo isso durou mais de uma hora. Por volta do mesmo período, em Brandon, foi vista uma nave aérea passar no céu". Na Holanda, no mesmo ano, uma grande frota de "naves aéreas com muitos marinheiros a bordo" tinha sobrevoado a região de Laja, en­quanto seres vestidos de branco, "com espadas brilhantes", compareceram sobre as muralhas de Thurin (Bélgica), assediada pelos franceses que, diante do estranho fenômeno, se retiraram precipitadamente. Tratou-se de mira­gens ou de reais aparições?
Difícil afirmar depois de tantos séculos; sabemos, porém, que os mes­mos fenômenos vinham assinalados também em outra parte do mundo. E não é só isso. Segundo a agência de notícias Nova China, o professor Shi Pen Lao, da Universidade de Pequim, teria encontrado nas montanhas do Hunnan, e também em uma ilha do lago Tong-t’ing, alguns baixos relevos em granito que representam seres que não são humanos, com aparelhos respiratórios, um tipo de mergulhador com trombas de elefante; as estra­nhas criaturas, das quais não se tem as imagens, teriam sido representadas tanto em pé no chão, como em cima de objetos cilíndricos que riscam o céu. Segundo a datação da Universidade de Pequim, os baixo-relevos remonta­riam a 45 mil anos atrás (este último detalhe me parece, no entanto, duvidoso e me pergunto se realmente as autoridades chinesas dariam crédito leviana­mente a revolucionárias afirmações semelhantes).
Os avistamentos UFO na Antiguidade, portanto, não eram evidente­mente menos raros do que os atuais; por certo, falava-se menos sobre isso, em comparação à velocidade de transmissão das informações da era da TV digital e da Internet; a esses enigmáticos "sinais no céu", os gregos inventores dos princípios da Física procuravam dar uma expli­cação dentro de um discurso astronômico panteísta. Diógenes Laércio, no oitavo livro de As Vidas dos Filósofos, conta, por exemplo, que uma noite, ouvindo chamar-se pelo nome, o grego Empédocles, "quando se levantara, vira uma luz no céu e um reflexo de tochas". Uma outra parte da biografia de Laércio mostra-nos que o filósofo tinha afinidade com as coisas celestes (8, II, 114), e nesse texto se afirma que ele pregava que "o Sol é um grande amontoado de fogo, e maior do que a Lua; a Lua é discóide e o céu é cristalóide. A alma assume qualquer forma de animais e plantas". Por ter vivido no século V a.C., Empédocles parecia conhecer muito, tanto sobre os nossos astros, quanto sobre a reencarnação. De onde tirara tais informações (certamente não da própria imaginação) é um mistério, a menos que lhe tivessem sido reveladas, não por um deus, mas por um ser tecnologicamente mais avançado!
E o filósofo de Agrigento parece estar em boa companhia. O Jornal, de 11 de julho de 1988, escreveu: "As tribos que habitaram o território conhecido hoje como Cazaquistão utilizavam conhecimentos de Astronomia desde o final da Idade do Bronze. Chegaram a essa conclusão os estudiosos soviéticos que analisaram um complexo formado por um túmulo rochoso, com longas e retas filas de pedras esquadradas e uma colinazinha meridiana que foi usada como observatório. O túmulo foi descoberto no Cazaquistão em uma área entre o lago Balkash e os montes Tien Shan. Uma inspeção conduzida no dia do solstício de verão mostrou que uma linha traçada de cima da linha das pedras meridionais, por meio da colinazinha meridiana, indica o ponto do nascer do Sol. Sobre o túmulo existem quatro pontos-chave, que tornam possível a determinação do tempo de descida do Sol no dia mais longo e no dia mais curto, assim como nos equinócios de outono e primavera. Os antigos necessitavam dessas informações para poder con­duzir rebanhos ao pasto e, talvez, também para fins ritualísticos. Segundo um estudioso de Alma Ata, o complexo foi construído no mesmo período de Stonehenge na Inglaterra".
A idéia de que, no nosso antigo passado, seres alienígenas tenham descido sobre a Terra, deixando uma lembrança deformada da sua passa­gem, não é própria dos ufólogos. O primeiro a formulá-la foi o astrônomo russo-americano Carl Sagan (que em seguida se converteu, por oportunis­mo político, ao mais torvo ceticismo ufológico); no volume Vida Inteligente no Universo, em 1966, já afirmava até mesmo que os sumérios tiham en­contrado os extraterrestres, porque em suas marcas estavam presentes representações completas do nosso sistema solar (que na época se acredi­tava ser composto de apenas sete planetas e que nas marcas havia 12, atualizado com algumas modernas hipóteses astronômicas); e sustentava que tal conhecimento só poderia ter sido revelado. A hipótese foi refeita justamente por um outro russo-americano, o orientalista Zecharia Sitchin, que a desenvolveu e divulgou em uma série de livros publicados a partir dos anos 1980 na América, impressos na Itália com dez anos de atraso. Estranhamente, essas mesmas idéias foram repropostas, e expostas na capa, em março de 2003, da revista mensal de divulgação científica Newton, normalmente muito pouco inclinada a dar espaço a teorias ufológicas. E é curioso notar como, no Terceiro Milênio, idéias e descobertas que há um tempo eram apenas patrimônio de "ufólogos" excluídos pela ciência oficial, tenham penetrado a tal ponto na opinião pública, a ponto de obrigar as revistas científicas a aceitá-las como críveis (contemporaneamente à Newton, a ultra-cética Focus publicou na primeira página notícias sobre os UFOs e sobre a vida extraterrestre).
O tema que desenvolvemos neste livro não está, portanto, tão "perdi­do no ar", como os UFOs de que tratamos.

O CÉU VISTO DA TERRA

"Mas, senhor Ludovico, onde encontrastes tantas idiotices?", pergun­tava o cardeal Hipólito d'Esté a Ariosto, depois de ter lido as peripécias de Orlando Furioso sobre a Lua. Hoje, quando até mesmo sobre a Lua já andamos, repetidamente, muitos cientistas e pensadores parecem ainda ra­ciocinar do mesmo modo, diante dos grandes mistérios do Universo. E isso vale de modo particular, para as crenças do variado mundo da Ufologia, no qual parecem prevalecer sempre extremismos opostos, e nunca uma via de meio mais cômoda. A Ufologia do Terceiro Milênio foi caracterizada pelo nascimento de um movimento extremista, que procura ganchos no movi­mento global, na política de extrema direita e de extrema esquerda, nas "revelações" de supostos ex-agentes secretos que, suspeitosamente, sabe­riam tudo dos ETs e que se dizem prontos para informar-nos dos seus mis­teriosos conhecimentos, desde que paguemos. No fronte oposto, talvez por vingança, assiste-se a uma radicalização de posições. E assim, somos obri­gados a ver publicados livros como aqueles do físico francês Maurice Felden, que se intitula E se Estivéssemos Sós no Universo?, ou a suportarmos as cultas elucubrações de cientistas como o cético Stephen Jay Gould, do tam­bém cético grupo Csicop, convencido de que o gênero humano nasceu "por acaso" e que, portanto, não existe vida no Universo. Somos vítimas na verdade, de um exagerado antropomorfismo em função do qual, quanto mais se tenta afastar-se do humano, entrando no Cosmos, mais se reprodu­zem modelos igualmente humanos. O psicanalista Aldo Carotenuto notou isso e realça que "a explosão demográfica e as ameaças atômicas tornam a Terra um lugar doloroso, fazendo-a parecer uma prisão. A fantasia do homem dirige-se na direção de outras terras e outros espaços, explorá-los é procurar entender se a presença humana será agradável, desejável. O ho­mem transferia para o céu, entre os deuses do Olimpo, os próprios conflitos interiores, em um espaço para fertilizar como uma descarga na qual elimi­namos os nossos lixos. Cada indivíduo, ao eliminar uma personalidade apreciável para os outros e para si mesmo, amputa aspectos seus, talvez vitais, mas vergonhosos, para depois projetá-los sobre o outro e vê-los como par­ticularmente odiosos. O estranho que mais nos inquieta é aquele que mais se assemelha a nós, que mais nos recorda o débito que temos com a nossa sombra".
E assim, segundo as nossas frustrações, imaginamos os alienígenas bons ou maus, animados por uma vontade de invasão ou de comunhão (estes dois termos foram utilizados em 1987, quando chegaram dos EUA para todo o mundo dois best sellers ufológicos, nos quais os respectivos autores apresentavam uma idêntica tipologia alienígena, aquela dos Greys, dando, porém, interpretações opostas. Os livros eram Intrusos, do artista Budd Hopkins, convencido de que a Terra era uma grande estufa para os experimentos de cruéis ETs e Communion, do escritor de ficção-científica Whitley Strieber, segundo ele raptado pelos UFOs e convencido de que os Greys queriam elevar-nos espiritualmente, em um clima de comunhão cós­mica). Estamos acostumados a repetir essas histórias, na nossa visão antropocêntrica do mundo, que evidencia a despersonalização do Eu. Em 1959, o "antipsiquiatra" Laing denunciava, em O Eu Dividido, a cega e brutal robotização feita pela Medicina, que transformava as pessoas em "autômatos ou máquinas"; essa despersonalização nos levou hoje à ciência fria, sem alma, a serviço do poder e do dinheiro. Não é, portanto, casual que os alienígenas da literatura urológica sejam violentos manipuladores da genética humana, em um século em que os progressos da clonagem são vistos como um perigo para a humanidade (em 2002, a seita dos raelianos anun­ciava triunfante ter clonado quatro seres humanos, por ordem dos ETs); e não é casual que Greys sejam descritos como frios autômatos, privados de qualquer sentimento, capazes de perceber a realidade de modo controlado, medíocre, já adequados a um status repetitivo e mecânico, aparentemente incontrolável (por isso, quando alguém se comporta de maneira bizarra du­rante um seqüestro UFO, sofre um tilt, são como computadores que, priva­dos de uma seqüência repetitiva de arquivos, se travam). Os alienígenas eram organismos artificiais para o pioneiro da Ufologia, Aimê Michel, e robôs biológicos privados de sentimentos seriam para a boa alma do coro­nel do Pentágono, Philip Corso, que disse tê-los encontrado e estudado; a idéia não deve ser excluída, porque superaria o problema das grandes dis­tâncias interestelares: para um cyborg, uma viagem no espaço de milhares de anos não seria nada. Cyborg, recordamos, é a contração de cybernetic organism, organismo manipulado e preparado biologicamente para com­pletar os esforços mais pesados, como, por exemplo, a longa permanência no espaço (o Cyborg Project, existente somente no papel, cujo objetivo era construir esses híbridos, foi apresentado em 1960, em Estocolmo, por dois cientistas americanos). Além disso, o robô humanóide teria uma percepção diferente de tempo; olharia a história evolutiva da nossa humanida­de como um breve intervalo comercial, e isso explicaria o motivo pelo qual os ETs não se revelariam ao público. Simplesmente porque usariam metros de medidas na escala cósmica, muito diferentes dos nossos. E o estudo do nosso planeta por eles poderia ter começado há apenas cinco minutos. Tam­bém poderiam até mesmo ter uma percepção do "real" totalmente diferen­te para nós. Afirma-se que os Greys têm olhos totalmente negros, ou que usam lentes de contato escuras. Poderiam talvez sofrer de acromatopsia, que para nós é uma doença dos cones dos olhos, mas que em outros mundos poderia ser normal. Em plena luz, esses seres seriam cegos, veriam o mundo em preto e branco, seguindo a gama intermediária dos cinzas, as cores para eles não teriam o menor significado (com relação a tudo, até mesmo no campo psicológico. Mas já dissemos que eles são privados de emoções. No mundo animal terrestre, ao contrário, a cor serve para a co­municação, e no mundo humano também serve para distinguir-nos uns dos outros; mas os Greys parecem fazer parte de um só, como componentes de uma única grande máquina, como os Borgs de Jornada nas Estrelas). Se estivermos certos, os seus olhos percebem o vermelho e o marrom como cinza escuro, e o verde e o azul como cinza claro (é o que diz a ciência médica que estudou a acromatopsia). Lentes graduadas corrigem, nos ter­restres, esses erros de refração; talvez seja por isso que, para se ambienta­rem melhor no nosso planeta, eles coloquem lentes de contato escuras (em uma célebre autópsia de um alienígena, transmitida em 1995 pela TV do mundo inteiro, via-se a extração dessas lentes). No mundo deles, a luminosidade deve ser muito menos difusa; como afirmava Walter Sullivan, reda­tor científico do New York Times, "os sentidos sobre um específico planeta evoluem em conformidade com o ambiente".
E nos dizem ainda mais "os reveladores" que teriam estudado os Greys, mas não sabemos se estão mentindo. Contam-nos que esses seres, na ali­mentação, teriam uma particular predileção por... sorvete de morango (sob esta "forma" o teriam encontrado sobre a Terra). Mas, cientificamente, o morango é um aldeído (está entre os principais aromáticos, entre a framboe­sa e a amora) e contém no fruto o éter metilsalicílico, que tem função sedativa (principalmente se combinado com drogas de ação diaforética: Tília cordada e Tília platyphyllos, Sambucus nigra e Salsapariglia febrijuga). O elevado conteúdo de taninos, com atividade adstringente, favoreceria também uma correta cicatrização da cútis. Isso é interessante, porque os "reveladores" afirmam também que os Greys se nutririam de sangue, que "se espalharia sobre os braços, misturando-se à pele"; em outras palavras, sofreriam de hemofilia, e precisariam de taninos. Ainda, estudos conduzidos em animais evidenciaram que a administração oral de altas doses de ácido salicílico pode causar má formação fetal, em virtude da absorção epidérmica (justamente, através da pele) do ácido salicílico; e os Greys parecem realmente fetos grandes.
Os salicílicos inibem a biosíntese da prostaglandina (PG), prostaciclina e tromboxano (TXA), por meio do bloqueio das atividades da enzima prostaglandina-endoperóxido sintase (PGHS). Tal enzima é representada por duas isoformas, conhecidas com o nome de COX-1 e COX-2, e dá origem a um antiagregante piastrínico que aumenta a fluidez do sangue, aquele sangue que parece ser vital no metabolismo extraterrestre, e cuja lembrança mitificada, nos séculos passados, pode ter dado origem aos cul­tos aberrantes dos "sacrifícios humanos" colocados no alto para chamar os deuses (os astecas, por exemplo, consideravam o sangue "água sagrada para os deuses, imolando-se para gerar o Sol").
Estamos obviamente no campo das hipóteses, embora personagens como o ex-agente da CIA John Lear continuem afirmando que os Greys mutilariam animais para extrair enzimas e criar compostos à base de san­gue (a despeito do choque anafilático que tais administrações provocam).

EXTRATERRESTRES, AMIGOS OU INIMIGOS

Mas há outra coisa. Há o mito UFO, ou melhor, o ponto de vista com o qual o ser humano olha o alienígena e o imagina.
"Cada um tem um protótipo pessoal do inimigo, sobre o qual projetar ressentimentos e temores e convergir à própria agressividade", afirma Carotenuto. "O clichê do Grey invasor nos vem dos Estados Unidos, e não é casual que os americanos, que foram invasores e destruidores das civilizações autóctones, vivam com o complexo de invasão", declarou a psicóloga junguiana Giulia D'Ambrosio, que estuda os sequestros UFO. O semiólogo Roland Barthes é da mesma opinião, ele vê no marciano e no alienígena o antagônico, que recai negativamente sobre os sagrados e legítimos valores da civilização: "Indubitavelmente se denota uma metamorfose na simbologia do extraterrestre: ele foi quase sempre o inimigo, representado com conota­ções obscuras e ameaçadoras; mas se antes da tranqüilidade nas relações entre americanos e soviéticos ele tinha a sua composição totalmente terrena e antropomórfica, hoje ele é completamente estranho, estruturado assimetricamente com relação aos modelos humanos, justamente para reforçar a sua diferenciação produzida pela proveniência sideral".
O psiquiatra junguiano, Cláudio Risé, também reforça o quanto a figura dos chamados Greys, como andrógenos, sem afetividade, sem emoções, in­dica a sua peculiaridade como criaturas desconhecidas, incontroláveis, inatin­gíveis, porque pertencem a uma dimensão de "dreamy state", onde falta a vigilância da nossa consciência com os seus parâmetros cognitivos lógicos, enquanto surge o medo atávico da inadequação frente ao inclassificável.
E o psicanalista junguiano, Roberto Macchetto, evidencia como a visão dos anjos como criaturas assexuadas, ou uma espécie de elfos provenientes de um "além" desconhecido, evidencia a falta de uma comunicação entre a consciência e a inconsciência, além de uma forte atividade simbólica provocada por uma profunda necessidade de natureza emotiva, ou mesmo, aciona­da por uma alteração da funcionalidade do lóbulo temporal.
Mas, já em 1979, o ufólogo francês Jacques Pottier confessava temer a "fase sete", o "contato total" com os extraterrestres (mesmo dizendo-se convicto de que não haveria uma "guerra dos mundos"). Outro ufólogo, Leonard Striengfiled, um dos primeiros a tratar do difícil argumento dos UFO-crash, citava o encontro aproximado de "S.R." que, em outubro de 1974, avistara um "UFO com janela no pátio da sua escola", na altura do cume da árvore. A aparição improvisada agitou enormemente o sujeito que, na mesma noite, deitado em um estado parcial de transe, viu aparecer dian­te de si uma estranha criatura, com uma enorme cabeça oval, olhos amendoados, sem nariz e com uma fissura no lugar da boca".
Esse tipo de Grey (recorrente, mesmo antes da popularização de um determinado estereótipo, nos anos 1980, e até vagamente presente no filme de ficção-científica Base Lua chama Terra do inglês Nathan Juran, 1964) teria confessado telepáticamente, advertindo o humano de que logo "o le­varia embora, mas que não deveria temer isso". Um caso ainda mais inquie­tante foi aquele de Chuck Doyle que, em 10 de maio de 1975, em Florença, foi atingido por um facho de luz disparado contra ele por um disco voador que parou justo sobre o pórtico de sua casa. "Quando me tocou", contou em seguida, "foi como se me tivessem atingido com uma mangueira de água gelada. Senti-me, de repente, como um gelo. Não podia me mexer... Não estava vazio por dentro, mas tinha estranhos pensamentos na cabeça. Eram pensamentos colocados lá. E difícil de explicar. Naquele momento, via equa­ções matemáticas sem sentido e lembro ter visto o símbolo ômega, sinal de destruição. A visão seguinte foi uma imagem de mim mesmo olhando uma colina em um oceano vermelho. O céu, acima, era verde, e o terreno, embai­xo, era azul. Alguma coisa colocava esses pensamentos na minha cabeça...
A idéia dos "alienígenas ômegas", como os rebatizou, ou na verdade os visitors destruidores, graças a Hollywood e à literatura conspiratória nos anos seguintes, fez muito sucesso.
E assim, o final do segundo milênio viu, ao mesmo tempo em que renasceu o interesse pela Ufologia, a proliferação de revistas sensaciona­listas, de afirmações sobre invasores alienígenas prontos para "modificar geneticamente o planeta inteiro no decorrer de poucas gerações" e em busca do "Santo Graal";[4] nos anos 1950, acreditava-se que os ETs viessem sobre a Terra para reabastecer-se de substâncias raras para eles; a contatadora inglesa Cynthia Appleton de Birmingham afirma ter encontra­do, em 18 de novembro de 1957, um alien similar a um nórdico, que estava "em busca de titânio"; recentemente, o orientalista Zecharia Sitchin afir­mou que antigamente os alienígenas vinham à Terra para retirar o ouro. Hoje a perspectiva mudou, é o nosso corpo que está em jogo, a nossa alma, e o experimento seria em nível planetário. Com essa convicção, até mesmo jornais respeitáveis como o seríssimo Wall Street Journal disparou núme­ros sem sentido sobre os sequestros alienígenas: "3 milhões e meio somente nos Estados Unidos, depois de uma discutível sondagem; só na Itália, uma mulher a cada dez é raptada por ETs, repetiram improvisadamente os nos­sos especialistas, e assim por diante". O único resultado obtido foi ter cria­do grande confusão e desanimar o público e o poder científico. A questão, analisando bem, é sempre a mesma: pergunta-se constantemente, nos tex­tos de Ufologia, sobre as reais intenções dos alienígenas (dos quais, de fato, depois de meio século de estudos, não sabemos nada ainda). Acredita-se que se eles fossem ruins, já nos teriam invadido; afirmo, considerando que eles pertençam a uma civilização tecnologicamente mais avançada, que só poderiam ser bons. Esse raciocínio está, na verdade, baseado em premis­sas erradas; não sabemos se para os ETs o nosso planeta é realmente digno de interesse, seria terra para contato, intercâmbio, conquista, ou apenas uma gigantesca estufa para se controlar a distância (como acredita Hopkins). Como já escrevia em 1949 o cientista Arthur Clarke em History Lesson, "alguns filósofos afirmam que o alcance de elevados conhecimentos mecâni­cos não implica necessariamente um alto grau de civilização", tese comparti­lhada também por Asimov, que passou de fase na juventude, de desprezo moralista pela técnica, para depois se tornar, na maturidade, o seu apoiador mais entusiasta. Quando se fala de ciência, feita de mortos, mas também de vidas salvas, a síndrome do negativismo normalmente prevalece, e não apenas nos ambientes new age, pelas certezas que se perdem, desestabilizadas pela incerteza que avança. O mesmo Asimov imaginou um universo paralelo com humanóides de tripla personalidade, que tentavam em vão colocar-se em contato com o nosso Universo para salvá-lo daquelas catás­trofes que eles conseguiram evitar. Em seguida, em 1942, introduziu no romance Runaround as três leis da robótica, além de tudo copiadas de um outro autor, para transformar em "bons" os diferentes da época, os robôs; os ufólogos dos anos 1980 parecem ter sido influenciados por isso e imagi­naram a existência de uma "lei cósmica" estilo Jornada nas Estrelas, que impediria aos alienígenas de interferir na nossa evolução. Em Será que Sonham os Andróides com Carneiros Elétricos?, Philip Dick transfor­mou o homem em um robô e, ao falar de homens elétricos, deu-lhes uma alma sintética: era o ar que os levava a perseguir um sonho, compreender o sentido da própria existência, sentir-se parte do Universo e transformar-se com ele. Em uma palavra, ser homens. Curiosamente, é justamente aquilo que os Greys parecem querer fazer, e é por isso que vários estudiosos não os consideram seres vivos, mas "robôs biológicos", andróides. Outra vez a ficção-científica antecipa a realidade e assim esbarramos com criaturas semi-humanas que, segundo vários autores americanos, seriam a mutação de uma catástrofe nuclear (pele enrugada, ausência de pêlos, unhas e den­tes, efeitos típicos da exposição à radiação), fruto de um mau uso da tecno­logia; seres que estariam, como nós, à procura do seu Eu (ou do segredo da alma, ou do fruto proibido da vida eterna).
"Diante dos grandes enigmas", afirmava a psicologia moderna, "os cientistas sabem bem que não podem dar algumas respostas, onde todas as religiões as dão de forma exaustiva e apassivadora". Adão e Eva, ou melhor, a humanidade primogênita, tomando ao pé da letra a promessa de Deus que praticamente os nomeou seus herdeiros universais, acreditam-se já donos do mundo e se concedem a primeira transgressão; este pa­drão é também a ilusão de tudo conhecer, ou do poder de conhecer. O fenômeno dos UFOs, que subentende uma "presença externa" irreco­nhecível, coloca-nos psicologicamente em um grande mal-estar. O im­pacto sociológico com a crença ou a constatação da existência de formas de vida muito diferentes da nossa, sejam melhores ou piores, ativa no ser humano um processo bem conhecido pelos estudiosos com o nome de anomia: a queda de todos os valores que nos servem de referência. Dian­te do confronto com civilizações tecnologicamente mais avançadas, a sociedade humana, destinada a uma figura miserável, tornaria relativas todas as suas crenças (religiosas, políticas, culturais) e perderia a própria identidade, como já aconteceu no século XVI com os índios latino-ameri­canos na época do devastador encontro com a sociedade européia, mais avançada. Daqui nasce o medo com relação ao "desconhecido externo". Interessantes interrogações colocam-se aqueles autores que, por motivo de trabalho, são obrigados a, todos os dias, se confrontarem com a hipótese de um contato alienígena: os escritores de ficção-científica. No seu filosofar, eles imaginam os raciocínios mais plausíveis e lógicos dos hipotéticos extraterrestres. Um autor entre tantos, Larry Niven escreveu em 1973, no romance O Defensor: "Por que cada espécie deveria enviar contra nós uma nave de guerra?"; e depois, diante da questão sobre o comportamento dos alienígenas, "por que ir recolher amostras na Terra?", respondia-se: "Das milhares de espécies sensitivas espalhadas pela galáxia, Phssthpok e a sua raça (os Pak, fruto da fantasia), estudaram apenas a sua. Quando se chocavam com outras espécies, como, por exemplo, durante a explo­são de sistemas limítrofes na busca por matérias-primas, eles as destruí­am do modo mais rápido e seguro possível. As espécies estranhas eram perigosas, pelo menos potencialmente. Os Pak se interessavam apenas pelos Pak" (o romance de Niven contém muitas idéias interessantes, e imagina que o Adão primogênito era, na verdade, um viajante cósmico que deveria comer o fruto proibido para modificar a sua própria forma, adap-tando-se a um planeta hostil como era a Terra; a caçada pelo paraíso terrestre teria bloqueado essa mudança evolutiva, e o homem pré-históri­co teria sido obrigado, contra a sua vontade, a modificar o planeta e a adaptar-se. Um outro autor, Robert Sheckley, imagina a Terra criada em seis dias por uma alienígena que pretende testar as próprias habilidades técnicas).

ANTROPOCENTRISMO CÓSMICO

Mas se os Pak de Niven são invasores agressivos, em All the Colors of the Rainbow, conto de Leigh Brackett, publicado em italiano em 1956 com o título. I Negri Verdi (Os Negros Verdes) são os ETs que são submetidos à violência, neste caso racista, dos terrestres. Os ETs são negros de pele verde; dois deles têm a péssima idéia de aterrissar nos Estados Unidos; o macho é preso pela polícia segregacionista, a fêmea é violentada. Brackett não esconde a sua visão pessimista dos terrestres, e como não lhe dar razão? Como costumava escrever o ro­mancista Emílio Salgari, "a ciência aperfeiçoou tudo, exceto a raça, o homem mau continuou mau. Levantando a camada de verniz que a civi­lização lhe deu, encontrar-se-á sempre por baixo o homem primitivo de instintos sanguinários". Com relação à frase "Viemos em paz em nome de toda a humanidade", deixada pelos astronautas sobre a Lua, o ro­mancista de ficção-científica Ballard comentava com sarcasmo: "Se eu fosse um marciano, agora é que começaria a correr!".
O Ocidente escolheu o conhecimento, mas não sem aquele sabor an­cestral de transgressão a um mandamento divino, e, portanto, com conflito, inquietude e sentimento de culpa; sem, contudo, ter melhorado. Efetivamen­te, quem nos assegura de que a "falta de contato" com os povos do espaço não acontece justamente porque "lá fora" se percebeu a agressividade do "sábio macaco" terrestre? O presidente Jimmy Cárter, que passou a acredi­tar nos UFOs depois de ter avistado um, enviou ao espaço, com a missão Pioneer, uma mensagem registrada, na qual desejava que o nosso planeta pudesse entrar em uma "confederação galáctica"; devemos nos perguntar se a nossa raça teria sido considerada digna disso. A idéia foi elaborada por um outro prestigiado autor, H.P. Lovecraft, que foi fortemente influenciado pelos estudos de Ocultismo e Teosofia e pela leitura das obras de Lord Dunsay, que praticava viagens astrais como ritual de uma seita esotérica; o romancis­ta americano escreveu, em 5 de julho de 1927, ao amigo Farnsworth Wright: "É necessário abandonar a idéia de que conceitos como aqueles de vida orgânica, de bem ou de mal, ou outros atributos de uma raça secundária e transitória como a humanidade, tenham um peso objetivo". Diferentemente dos animais, o homem sente-se ameaçado não somente na sua integridade física, mas também no seu equilíbrio psíquico, portanto, por dentro; os aliení­genas representam um possível perigo. Os distúrbios alimentares que carac­terizam a sociedade moderna ocidental indicam, para alguns psicólogos, "uma luta contra o medo da pulsão dividida que, independentemente da vontade do Eu, poderia impor-se transformando o corpo em uma forma obscena"; e talvez não seja casual que, na infinita quantidade de tipologias alienígenas presentes nos catálogos dos ufólogos, apenas os Greys se impuseram na consciência coletiva (a imagem presente no livro de Strieber resultou alta­mente evocativa para milhões de leitores em todo o mundo): o ser disforme, dos mais violentos raptos UFOs, pode representar o renascer do medo da metamorfose do corpo. E, assim, os alienígenas acabam representando, na nossa visão do Universo, antropocêntrica e assustada, o antagônico que traz à luz as forças incontroláveis da nossa alma e o nosso teatro interior. E eis que, paradoxalmente, dando uma forma aos nossos problemas, anula-se o poder devastador e aniquilador; assim se explica a "síndrome de Estocolmo" que acontece em muitos raptos dos Greys, Strieber primeiro, a celebração da alegria por ter acontecido o "contato", mesmo se traumático; por uma "co­munhão" que, olhando bem, não é outra coisa do que uma violência física e moral que os seqüestrados pelos ETs acabam sofrendo.
Provavelmente somos nós que temos necessidade de transformar o diferente em monstruoso, para poder assim temê-lo e transformar em legíti­ma defesa a nossa agressividade. O alienígena é monstruoso somente segun­do as nossas regras estéticas; projetamos sobre o inimigo alien o pior de nós. Em sintonia com as promessas salvadoras da new age, a literatura de fícção-científica tomou em consideração a hipótese de alienígenas bons, na medida em que se assemelham fisicamente a nós (os Nam dos romances de Robert Sheckley são a imagem refletida do man, o homem). Na Ufologia, alieníge­nas "bons" são considerados nórdicos, anjos loiros de feições humanas, mas melhoradas; feios, ruins e portanto, pérfidos e monstruosos são os deforma­dos Greys, baixos e macrocéfalos, cujos traços são idênticos aos dos diabos do renascimento do demonólogo Jean Bodin.
Em A Vida no Cosmos, de 1997, sustentando que no mundo e no Univer­so cada coisa nasce da interação recíproca entre as outras espécies, o cientista Lee Smolin, especialista indiscutível em relatividade e mecânica quântica, afir­ma: "Se não podemos efetuar uma observação completa de nós mesmos, o nosso ponto de vista não pode incluir uma descrição completa do Universo inteiro. O que significa que nenhuma visão do Universo pode sozinha ser com­pleta e objetiva, a menos que tal visão pertença a uma entidade externa do Universo. Se tiramos do meio as especulações sobre aquilo que seres de fic­ção, externos ao mundo, podem conhecer, devemos concluir que, em uma teo­ria quântica do Universo como um todo, a objetividade de um único observador é impossível". Em outras palavras, poder conhecer realmente quais possam ser as reais intenções de um alienígena não nos é permitido.

AS IGREJAS E OS EXTRATERRESTRES

Sempre se pensou que os militares americanos soubessem tudo sobre os UFOs, visto que, em 1947, tinham recuperado um disco voador com ocu­pantes que caíra em Roswell, no Novo México. Mas se trata de uma crença equivocada. Há alguns anos, o padre Ulderico Magni, um sacerdote muito interessado em paranormalidade, confessou-me ter dado, em 1957, uma con­ferência sobre os UFOs para os militares estadunidenses. Os americanos sabiam alguma coisa, mas a Igreja sabia muito, mas muito mais, a ponto de ditar regras. Estou sinceramente convencido de que o Vaticano[5] conhece muito bem e sabe há séculos o que são os alienígenas, de onde e como vêm. Certamente, no decorrer dos milênios, a visão que se teve desses "seres" foi a de "criaturas do Senhor", às vezes "irmãos menores", outras "anjos de Deus". O conhecimento dos muitos evangelhos gnósticos e apócrifos perdi­dos, que reproduzimos em parte aqui e dos quais existiu sempre no mínimo uma cópia guardada pelo Vaticano, permite afirmar que pelo menos os biblio­tecários chefes - e os poucos autorizados ao estude pelo papa - soubessem tudo sobre a questão. Isso explicaria por que, apenas dez anos depois da recuperação de um disco voador em Roswell, ou melhor, da "prova provada" e inexpugnável da existência dos ETs, fosse necessário que um padre católico explicasse à Força Aérea Americana que tipo de coisa eles tinham encontrado.
E o que saberia a Igreja? Que existem várias categorias de alieníge­nas ou "celestes", e isso explicavam já há dois mil anos os textos da Qabbalah e o Livro de Enoch; que os mais evoluídos tinham a forma humana, mas eram globos de luz pensantes que tinham transcendido a ma­téria (como os Oannes - 'Ofanin. Essa insólita "representação" foi de­pois feita justamente pela ficção-científica, seja nas Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury, ou em um episódio de Jornada nas Estrelas); que uma parte deles era provenientes das Plêiades (dispondo evidentemente de uma estrutura mais parafísica do que física, pois as Plêiades são inabitáveis para quem, como nós, tem um corpo baseado na química do carbono), como fora confirmado, pelo profeta Amós, que nas Plêiades estava a morada do Senhor, em uma zona altamente evocativa, de um ponto de vista simbólico para os cristãos, sendo tais estrelas dispostas em cruz. Sabiam ainda que uma raça de celestes, aquela do mundo de Arqa' ou arcontes, visitara todas as outras raças presentes no Universo (Qabbalah), e que o grupo dos Vigilantes dividira o Cosmos em setores, como uma grelha, estilo Jornada nas Estrelas (Evangelho de Valentim); que para viajar no espaço os "ce­lestes" utilizavam o tele-transporte ou "movimento instantâneo" (Angelogia) e alguns "rasgos" no Cosmos, que a Física moderna chama de "buracos negros" ou wormholes (Midrash Konen); que tais seres eram imateriais, mas podiam revestir-se com corpo material e gerar filhos com as mulheres da Terra, e que não somente nos observavam, mas até mesmo nos teriam criado, entrando em confronto com uma outra raça, aquela dos Elohim (Gênesis Rabbah, Pistis Sofia), depois de 26 tentativas infrutíferas (Bereshit Rabba); que Deus tinha, por outro lado, apreciado essa criação "contra a natureza" e infundira em nós um tipo de "alma" que nos permitira evoluir (Ipostasi dos arcontes), que havia, no entanto, uma luta entre criadores corruptos e "anjos de Deus" para que o segredo da alma não caísse nas mãos dos primeiros (Atas da Inquisição); que a Terra não era realmente única e plana (Enoch eslavo), mas que fazia parte de um universo pleno de vida (Bereshit Rabba) e que a história do mundo era muito mais anti­ga do que contavam às pessoas simples.
De tudo isso, obviamente, tanto na Didaché como também na Bíblia, não foi deixado nem existe qualquer sinal. E assim, apenas poucos afortu­nados das altas esferas sabem como as coisas aconteceram realmente. O restante das autoridades eclesiásticas ainda se pergunta sobre o fato de os alienígenas poderem existir ou não, olha o fenômeno com uma visão provincialmente antropocêntrica, que os fazem crer que o ET, se existe, deve ser, por força, espiritualmente inferior a nós, e, portanto, deve ser catequizado, pois não teria recebido a revelação de Deus.
E assim, em 8 de março de 1994, nos Estados Unidos, a estudiosa Victoria Alexander realizava uma pesquisa por conta da Fundação Bigelow, para conhecer qual seria a opinião dos representantes das comunidades católicas, protestantes e hebraicas americanas sobre o impacto que a certeza da existência de uma ou mais civilizações extraterrestres supe­riores poderia ter sobre a doutrina e a fé das respectivas congregações religiosas. Foram enviados mil formulários ao mesmo número de entidades religiosas americanas escolhidas com critério pseudo-casual; 563 para igrejas protestantes, 396 para igrejas católicas e 41 para sinagogas. Retornaram (preenchidos) 230 questionários: 134 de igrejas protestantes, 86 de igrejas católicas e 10 de sinagogas. Isso equivalia a 23% das respostas; estatistica­mente se tratava de um grande sucesso. O questionário compreendia 11 quesitos formulados de modo a evitar todos os riscos de influenciar as res­postas. No quesito: "A confirmação oficial da descoberta de uma civilização extraterrestre tecnologicamente superior levaria a efeitos negativos graves sobre os fundamentos morais, sociais e religiosos dos Estados Unidos?", a indiscutível maioria dos que responderam (77%) declarava não estarem de acordo com uma hipótese do gênero (em evidente contradição com as es­peculações da literatura ufológica, que sempre afirmou que todos os credos do planeta desapareceriam instantaneamente). Segundo quesito: "A minha congregação religiosa receberia como uma ameaça o eventual contato com uma civilização de ETs tecnologicamente avançada?". A maioria dos que responderam (67%) negava que um eventual contato com os ETs constitui­ria uma ameaça (sem, no entanto, especificar aquilo que deva ser entendido por ameaça); 16% declaravam-se indecisos; 15% concordavam. Terceiro quesito: "A descoberta de uma outra civilização inteligente levaria a colocar em discussão os conceitos fundamentais que a minha congregação religio­sa tem sobre as origens da vida?". O quesito levantava o problema da unicidade da condição humana no Universo, ou melhor, do princípio segun­do o qual o homem representa o vértice da evolução. A existência de outros seres evoluídos podia rachar a doutrina segundo a qual Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Dito isso, não surpreenderá que a maioria dos que responderam (82%) tenha declarado estar em forte desacordo. Quarto quesito: "Se existe uma civilização evoluída em alguma outra parte do Uni­verso, ela não pode não professar os dogmas fundamentais da religião". 70% estavam em forte desacordo. Quinto quesito: "As afinidades genéti­cas entre a humanidade e uma civilização extraterrestre avançada coloca­riam em discussão os atuais conceitos religiosos sobre aposição do homem no Universo?". A maioria dos teólogos (77%) era claramente contrária. Somente 12% declararam-se favorável, 14% eram indecisos. Sexto quesi­to: "Se uma civilização extraterrestre evoluída tivesse crenças religiosas profundamente diferentes das nossas, isso influenciaria de modo negativo as atuais religiões terrestres?". Em outras palavras, seria possível que as pessoas abandonassem a própria religião para se converterem à dos extra­terrestres muito mais evoluídos? Segundo certos ufólogos (por exemplo, Whitley Strieber e o pastor presbiteriano e ufólogo Barry Downing), isso seria altamente provável. Não pensam assim os teólogos, cuja maioria (70%) expressara uma forte divergência (apenas 13% declaravam-se favorável).
Sétimo quesito: "É provável que a confirmação científica do contato com uma civilização alienígena avançada ocorra no decorrer da atual geração?". Aqui os pareceres foram muito articulados. 47% divergiam, 30% não se pronunciavam. Oitavo quesito: "É pouco provável que um contato com uma civilização extraterrestre evoluída já tenha acontecido ou esteja acontecen­do hoje?".
A pergunta propunha-se a sondar o nível de conhecimentos ufológicos dos participantes. Pelos resultados, verificou-se que, apesar da grande quan­tidade de avistamentos UFOs e do multiplicar-se dos sequestros alieníge­nas, os teólogos não eram suficientemente informados sobre o tema para serem capazes de pronunciar-se com profundos conhecimentos de caso. 50% responderam que concordavam com o enunciado, 12% discordavam e 29% não sabiam o que dizer.
Nono quesito: "No caso de uma civilização extraterrestre avançada em contato conosco não professar nenhuma religião, isso colocaria em dú­vida a fé religiosa da minha congregação?".
A resposta foi quase unânime: não! A fé atual permaneceria imutável. Todavia, esse resultado parecia representar mais uma presunção teológica do que uma convicção realmente difundida. Isso pode ser deduzido a partir de alguns relatórios publicados sobre o tema, pela Brookings Institution para a NASA, por exemplo, que declarava: "A posição das maiores congrega­ções religiosas americanas, das seitas cristãs e das religiões ocidentais diante da vida extraterrestre merece uma explicação. Para as seitas fundamenta­listas, que estão proliferando no mundo, a descoberta de uma outra vida teria um efeito eletrizante. E dado que as principais seitas têm difusão inter­nacional e, às vezes, constituem uma importante fonte de notícias e de mate­riais midiáticos, seria oportuno conduzir alguns estudos no âmbito de suas sedes, igrejas e missões a respeito da vida alienígena. Além disso, considerando o eco internacional que se produziria com a descoberta de uma vida alienígena, seria muito importante levar em consideração algumas outras religiões. Se fosse descoberta uma superinteligência, os resultados da notí­cia seriam completamente imprevisíveis".
Décimo quesito: "Se uma civilização extraterrestre avançada declaras­se ser responsável pela origem da vida humana sobre a Terra, isso provocaria a crise das religiões?". 54% não concordavam.
Décimo primeiro quesito: "Afirmo que as respostas dadas às pergun­tas anteriores refletem a opinião da minha congregação religiosa?". 69% dos teólogos responderam afirmativamente. Outros forneciam duas res­postas especificando qual era a opinião pessoal e qual era a da congrega­ção. Não houve dúvida, contudo, de que a maioria daqueles que respondeu considerasse o próprio parecer como compartilhado pela inteira comunida­de à qual pertencia.
Mas a aparente segurança dos teólogos americanos da pesquisa de Alexander é discutível; caso o evento se verificasse efetivamente, muitos poderes vacilariam e, sabendo bem disso, os chefes das Igrejas talvez se comportassem realmente como suposto pelo reverendo Downing, que dis­se: "Se os nossos governantes informassem secretamente as autoridades religiosas acerca da real origem extraterrestre dos UFOs, e perguntassem às mesmas autoridades o que fazer, isto é, anunciar ou calar-se, eu tenho certeza de que a maioria do clero responderia: fiquem quietos".
A Igreja Católica, que construiu um Observatório de pesquisa radio-astronômica, não por acaso, sobre a montanha sagrada dos peles-vermelhas no Arizona (de onde os Nativos Americanos olhavam para os deuses das Plêiades), está pronta para enviar missionários ao espaço para catequizar ETs. Em 1993, o jesuíta George Coyne, diretor do programa SETI, deixou escapar que, logo depois da retomada do programa espacial americano pelos 500 anos da descoberta da América, admitira que a Igreja quisesse treinar alguns missionários para enviar ao espaço e levar a palavra de Deus a eventuais extraterrestres. A idéia dos missionários espaciais, veiculada anos atrás nas revistas de ficção-científica do escritor americano Ray Bradbury, realmente intriga as esferas eclesiásticas há muito tempo. Já em 1965, o pároco Heidtmann, da Igreja Evangélica do Rin na América, declarava: "En­quanto existirem homens, isto é, seres vivos, no Universo, a Igreja é obrigada a anunciar também para eles a mensagem da Bíblia. Cristo morreu também por eles. E se descobrirmos seres vivos no Universo será necessário fundar uma sociedade missionária universal. A questão é: existirão missionários dis­postos a isso?". A Igreja justamente não diminui a importância de uma possi­bilidade parecida, e, aliás, é provável que esteja atraída por ela.
Desde então, ela foi bem além. A Igreja Católica já organizou um manual, curiosamente ainda não traduzido na Itália e conhecido somente por muito poucos; nele explica como deverão comportar-se os missionários católicos no espaço, vivendo sobre estações orbitais, logo depois de encon­trarem ETs. E as conclusões do relatório, assinado pelos mais altos expoen­tes do mundo científico sacerdotal, é surpreendente: será encontrada uma "base teológica comum" (não necessariamente correspondente ao Cristia­nismo pregado às pessoas comuns) para tratar de igual para igual com os extraterrestres!
O livrão, publicado na França em 2000 e que significativamente se inicia­va citando Ray Bradbury, intitula-se Pergunta no122 - Deus, a Igreja e os Extraterrestres. Em um parágrafo, um dos autores, Jean Rigal, com uma extraordinária presunção, chega a declarar: "No caso de a unidade dos cris­tãos não estar ainda realizada, os astronautas de religiões diferentes serão convocados a viver concretamente a dinâmica católica das diferentes Igre­jas", o que, decodificado, significa que o Catolicismo será imposto a todos, também para quem não se reconhece nele. E para justificar a imposição violenta do Catolicismo, Rigal afirma: "É amplamente reconhecido que a mis­são eclesiástica, sobre o nosso planeta, não tem problemas de territorialida­de". O problema da "divisão do Espaço" entre as Igrejas, seguindo o modelo dos Vigilantes de Valentim, poderá provocar risos no leitor, mas não é consi­derado uma questão simples pelos altos escalões cristãos. Em 12 de abril de 2001, o patriarca ortodoxo da ex-União Soviética, por ocasião da conferência moscovita sobre o uso civil do espaço, e em concomitância com o 40o aniver­sário do primeiro vôo espacial russo, perguntou, sem usar de meias palavras, sobre a construção de uma "Jerusalém estrelar", uma astronave-santuário orbital no espaço, que se tomaria "um templo para todas as religiões" e para cuja realização teriam já sido recolhidos fundos. Sabendo do fato que a nova estação espacial russa seria chamada de "Santa Anastácia", dedicada "à padroeira dos cosmonautas e de todos aqueles que amam o espaço aberto", convencidos de que os russos e os americanos colonizariam Marte entre 2016 e 2020 e que logo o Cosmos estaria pontilhado de estações e hotéis orbitais, de vilarejos flutuantes no espaço, de colônias siderais para turistas, trabalhadores e astronautas, a Igreja russa adiantava-se, para opor-se às in­tromissões vaticanas. E assim o espaço corria o risco de transformar-se real­mente em um novo faroeste, mas não na acepção utilizada pelo presidente Clinton por ocasião da retomada do programa espacial, pois pensava tanto em uma nova fronteira para explorar, como em um novo território para con­quistar a todo o custo, destruindo as culturas que fossem encontradas.

OS “OUTROS" UFOS

"Se é verdade que existem, sem dúvida nenhuma, milhões de mundos habitados, existem milhões de milhões de estrelas", Jean Charon escrevia em 1967. Todavia, para alguns ufólogos não é ponto pacífico que os UFOs sejam astronaves extraterrestres. Em torno ao que é justamente definido como "uma hipótese", existem várias linhas de pensamento que brigam entre si. Acontece, quase sempre, de se ver na televisão calorosos debates, com enfurecidas brigas entre céticos e crentes; trata-se de batalhas cujo êxito final é incerto, e é justamente por isso que, por emoção, somos levados a assistir a eles, a participar em teoria, psicologicamente convencidos de que, intervindo, temos o poder de influenciar de algum modo os eventos. Na verdade, as coisas não são bem assim, e isso porque na Ufologia exis­tem diversas correntes. Embora a principal e mais lógica hipótese explicativa sobre o fenômeno UFO seja aquela dos visitantes alienígenas, confirmada já em 26 janeiro de 1953, em uma carta da Defesa americana à editora Henry Holt (que tencionava publicar um memorial do veterano dos marines Donald Keyhoe, ufólogo e extraterrestrialista convicto), nos dias de hoje a pesquisa parece ter dado um passo atrás em vez de avançar, e assim exis­tem poucas teorias novas, normalmente passadas em silêncio (quando não são utilizadas quase como um dogma por pesquisadores já cristalizados em um a priori; o pioneiro da Ufologia francesa Joel Mesnard indicava como caminho, entre o reducionismo e a credulidade, "a via de meio, aquela dobom senso, da prudencia e da razão"). Tais discussões acontecem, provavelmente, pela falta de visão mais ampla, na qual o fenômeno dos UFOs seria como um diamante com muitas faces e, portanto, muitos aspectos, todos provavelmente coexistentes. Nos últimos anos, com o aprofunda­mento de urna particular manifestação luminosa conhecida como "as luzes de Hessdalen" (nome do vale norueguês onde elas têm sido vistas desde pelo menos 1981 e que, mesmo confundidas no passado com discos voado­res, mostram principalmente uma natureza ligada à física atmosférica ter­restre), as luzes sísmicas e atmosféricas tornaram à moda. Das primeiras é preciso dizer que existe uma teoria, chamada de Stress Tectônico ou TST,[6] que relaciona os abalos sísmicos com as aparições UFOs: é cientificamen­te plausível que rochas sob tensão, que se encontram dentro da crosta ter­restre, emitam radiações eletromagnéticas que podem chegar à superfície assumindo a forma de globos de luzes. O fenômeno, chamado também de piezeletricidade, foi efetivamente documentado em muitos episódios. O astrofísico Franco Pacini notou uma correlação do fenômeno após uma suposta onda de avistamentos UFOs que aconteceu no mar Adriático em 1978; globos de luzes foram vistos saindo do mar e se registraram terremo­tos; a imprensa da época sensacionalizou muito sobre os acontecimentos e se falou até de marinheiros mortos de medo com a aparição de discos voadores; uma recente pesquisa do Centro Ufológico Nacional redimensionou notavelmente a natureza "alienígena" desses fenômenos. Outros globos foram avistados em 2002 na Turquia; nesse caso, também as luzes anteci­param um terremoto; a jornalista portuguesa Fina d'Armanda vasculhou nos antigos arquivos da Gazzeta de Lisboa histórias de testemunhos que remontam a 1700.
A teoria do Stress Tectônico foi usada também pelo britânico Paul Devereux que, em 1982, no livro Earth Lights, reforçou como os avista­mentos UFO da Grã-Bretanha (e muitas luzes fantasmagóricas em casas consideradas assombradas) eram localizados junto a falhas geológicas. Tal hipótese foi divulgada nos Estados Unidos, desde os anos 1970, principalmente pelo cientista Michael Persinger, psicólogo e fisiologista da percepção na Laurentian University, e também com algumas diferenças habituais, pelo grupo Vestigia de New Jersey, que reelaborou a teoria com cânones diferentes. Mas, segundo Chris Rutkowski, astrônomo da Universidade de Manitoba no Canadá, não existe nenhum resultado experimental indiscutível que confirme essa teoria. Um teste conduzido pela Laurentian University com a psicóloga Susan Blackmore, da Universi­dade inglesa de Bristol (conhecida pelos seus estudos céticos sobre os fenômenos paranormais) não teve um êxito satisfatório. O experimento foi organizado pelo programa científico Horizon (transmitido pela emissora inglesa BBC); procurava demonstrar que o lóbulo temporal era a região cerebral onde nasciam aparições, vozes e monstros alienígenas. A observa­ção de um objeto luminoso não identificável (uma estrela, um planeta, con­fundidos com um UFO), coincidindo com o fenômeno de Stress Tectônico e a presença de corrente gerariam, na mente de uma testemunha leiga, aluci­nações sobre sequestros UFOs, afirmava Persinger. Essa coincidência de eventos anormais poderia ser desencadeada, de modo mais banal, por va­riações do campo magnético (Persinger afirmava ter identificado, no Canadá, uma zona onde várias mulheres contavam ter sofrido raptos alienígenas; o local do crime era suspeitosamente no centro de um intenso campo magnéti­co). Mas o experimento patrocinado pela televisão não atendeu às expectati­vas. Susan Blackmore, isolada em um quarto, com os sentidos artificialmente bloqueados, os olhos e orelhas fechados, na verdade sentiu-se apenas presa e levantada; primeiramente irritada e depois assustada (muito pouco, em comparação aos clichês das abduções). Além disso, o sujeito encontrava-se em condições diferenciadas; eram artificiais tanto as privações senso­riais quanto os efeitos produzidos por um campo magnético aplicado direta­mente sobre a cabeça; tais condições nem sempre foram constatadas nos casos de sequestros UFOs. O inglês Albert Budden, pesquisador de medi­cina ambiental, associou essas alucinações aos efeitos dos campos elétri­cos e eletromagnéticos, causados por transmissores de radiofreqüências ou por fios de alta tensão, "sobre pessoas que sofrem de alergia múltipla e hipersensibilidade elétrica". Tais sujeitos deveriam ter vivido um trauma inicial, como, por exemplo, ter sido atingido por um raio na juventude ou ter sido submetido à desfibrilação. A imaginação do seqüestro UFO seria, por­tanto, para Budden, "uma mensagem de que o nosso físico estressado envi­aria de forma simbólica". E certo que essa teoria é muito mais interessante, articulada e motivada do que a "explicação" fornecida pelo professor Buckhout, da Universidade de Brooklin, muito citado inconvenientemente pelos céticos dos anos 1970, que tendiam a explicar de maneira muito reducionista os sequestros alienígenas como "parte da imaginação" e os avistamentos no céu como "percepções óticas equivocadas". Com relação às hipóteses das visões ufológicas produzidas pela nossa mente, vale a pena recordar os escritos do etno-farmacologista americano Terence McKenna, que em 1971 se submetera voluntariamente à administração de drogas alu­cinógenas (e, aliás, tomou-se um apoiador entusiasta delas); utilizando determinados cogumelos mexicanos, era capaz de ter visões de discos voado­res. Ao explicar as sensações de abdução, falou-se também de "influências do geomagnetismo terrestre". Essa hipótese é fascinante, mas não é com­provada, na medida em que não existem estatísticas confiáveis que a sus­tente.
Devo também ressaltar que vivi por dez anos em uma cidadezinha onde havia um quarteirão cujos edifícios estavam a poucos metros de enor­mes torres de alta tensão (existia também uma pequena central elétrica), mas, mesmo sendo bem conhecido pela minha atividade de ufólogo e tendo investigado pelo menos uma centena de casos locais, nunca ninguém me contou sobre um seqüestro UFO.
No campo da Física, temos também estudos de correlações entre UFOs e o "pôr-do-sol" (a primeira pesquisa foi conduzida por Michel Monnerie em 1975, posteriormente revista, depois que o autor se converteu ao ceticismo); comentando um estudo de Jean-Claude Dufour sobre a dis­tribuição dos avistamentos com relação às fases lunares, que mostrava uma correlação entre as noites sem Lua, baseados em 150 casos ocorridos em 1969 e em 481 do flap[7] 1973-1974, o astrônomo franco-americano Jacques Vallée deduziu uma "lei horária" que evidenciava um pico de avis­tamentos às 22 horas e um outro sucessivo uma hora antes do amanhecer.

MITO UFO E UFOS-CÉTICOS

Em Paris, em novembro de 1954, o físico atômico Charles Noel Martin, em uma comunicação na Academia das Ciências sobre os efeitos a longo prazo dos testes de explosão termonuclear, tocou no discurso UFO. Segun­do o cientista, o cogumelo atômico das explosões, fortemente ionizado e em fase de fragmentação, espalhado pelos ventos por todo o planeta, poderia ser a causa do fenômeno UFO. Especificando, a ionização podia ser a origem da formação dos globos de plasma, confundidos com discos voado­res pelas pessoas. O tempo não lhe daria razão, e em seguida avançariam outras teorias. Sociólogos como Bernard Dubois e Jean-Noel Kapferer, não por acaso, publicados pela supercética editora Nouvelles Editions Rationalistes, em 1980 rotularam os UFOs como uma "crença irracional" (na Itália, seguiu os seus passos o colega Francesco Alberoni). James Oberg, técnico da NASA e membro da associação racionalista Csicop, acredita que o fenômeno seja inconsistente, na medida em que "existem dados não confiáveis de que qualquer resultado de um de seus estudos não teria signi­ficado"; o cosmólogo Gerard de Vaucoulers, membro da Academia Nacio­nal das Ciências americana e antigo colaborador do papa da Ufologia, o astrônomo Joseph Alien Hynek (com ele analisou, por vários dias, a docu­mentação sobre os encontros de aproximações com alienígenas recolhida pelo matemático francês Aimê Michel), acredita que os relatórios UFOs mostrem apenas específicas propriedades da consciência humana; Arthur C. Clarke, conhecido autor de ficção-científica, além de pai do satélite para telecomunicação, foi freqüentemente visto como um crente (e isso porque as declarações apresentadas em seu documentário foram montadas de maneira distorcida), mas o seu ceticismo está bem expresso no livro O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke, publicado em 1980 e editado na Itália apenas quatro anos depois: "Segundo a minha opinião, o fenômeno dos UFOs precisa ser certamente colocado de lado por uma dezena de anos. Os UFOs poderão simplesmente acabar, como as bruxas na Idade Média, quando ninguém mais acreditar nisso. Esta seria uma prova bem convincente do fato de que são um fenômeno puramente psicológico. Ou se descobriria que são causados por alguns fenômenos até agora desco­nhecidos e totalmente inexplicáveis, talvez do tipo das esferas de fogo, fe­nômenos até mesmo negados por alguns cientistas céticos sobre o assun­to...". Clarke não foi um bom profeta, embora em diversas ocasiões tenha sido um "futurólogo" improvisado, e o fenômeno continua a manifestar-se e a ser estudado também em âmbito acadêmico. E é, sobretudo ali, que se chegou a amadurecer uma hipótese dita sociopsicológica; reconhecida no já citado Michel Monnerie, criador do Résufo, uma rede de observação fotográfica composta de ufólogos e leitores da revista francesa do setor, Lumières Dans la Nuit, da qual era redator (uma tentativa análoga será levada acabo nos anos 1990, com maior êxito, mas com menor seriedade, no México. Os OVNIS Vigilantes, do jornalista Jaime Maussan e de Daniel Muñoz, recolheram centenas de filmagens UFO, apenas uma pequena par­te autêntica). Temendo que fosse roubada a idéia, Monnerie escreveu rapi­damente o livro Et si les OVNIS n'existaient pas? (E se os UFOs não existissem?), propondo uma explicação psicológica para o fenômeno, ainda que uma boa parte dos casos por ele investigada fosse tratada apenas por telefone, sem uma verdadeira pesquisa de campo. Monnerie teve um gran­de sucesso: pois a sua crítica vinha não apenas dos aparentemente céticos, mas dentro do ambiente ufológico teve um efeito bombástico, que aos poucos levou a uma divisão entre os que apoiam a hipótese extraterrestre (ETH) e aqueles do HPS (a sociopsicológica, aguerridos em modo particular na Europa a partir da metade dos anos 1980 em diante; esnobados quase total­mente pelos Estados Unidos, onde sempre fez grande sucesso em primeiro lugar o ETH e, em segundo, a hipótese parafísica: os UFOs viriam das dimensões paralelas). Embora os sociopsicológicos levem a crer que as UFO-testemunhas são levadas a elaborações projetivas (na verdade, tro­cam inocentemente alguma coisa convencional por UFO, o que é verdade em 90% dos casos, mas não na totalidade), o cético Pierre Lagrange, do Centro de Sociologia da Inovação na Ecole des Mines de Paris, declarou recentemente à filósofa Stefania Genovese (graduada na Universidade Estatal de Milão com uma tese sobre o mito UFO) que "a teoria do mito extraterrestre é tão infalsificável quanto a conspiração ufológica", e, por­tanto, não é científica. O próprio Lagrange acusou os sociopsicológos de utilizarem, desde os anos 1970, as ciências sociais para reduzir os UFOs ao campo das ilusões e erros de percepção, reafirmando como a "Sociologia vinha sendo aplicada sem reduzir os UFOs a um mero fenômeno psico-sociológico e como o HPS não cresceu em paralelo com a evolução das ciências sociais", afirmando, enfim, como os sociólogos não levaram em conta a literatura cética dos ufólogos reducionistas. O inteligente especia­lista, além disso, criticou os ufólogos da nouvelle vague, a nova geração, considerando-os muito próximos dos "velhos" colegas extraterrestrealistas por eles criticados; prejudicando os primeiros, apresentaram novos precon­ceitos, talvez porque, desiludidos se converteram ao racionalismo ou por­que queriam reconhecimento (por vontade de protagonismo?). Ufólogos monneristas, como Gérald Barthel e Jacques Brucker, tiveram a aprovação do astrofísico racionalista Evry Schatzman (um dos mais ferozes inimigos da Ufologia) quando desacreditaram a maciça onda de avistamentos UFOs que aconteceu na França em 1954; Schatzman escreveu um prefácio entu­siasta no volume La Grande Peur Martienne, dos ufólogos monneristas, publicada em Paris em 1979; mas, falar de "folclore ufológico" é errado para Lagrange - há anos a Sociologia não reduz mais o folclore (nele se incluiriam também os discos voadores) a um conjunto de experiências psi­cológicas influenciadas por um mito.
Um outro autor cético, Bertrand Méheust, recentemente também mudou de opinião após uma onda de sinais na Bélgica, entre 1989 e 1990, constatando o abuso do HPS; um terceiro cético, o estudioso inglês Hilary Evans, afirmou de maneira correta que "o estudo de Bertrand Méheust sobre os UFOs e a ficção-científíca abrem uma perturbante dimensão mos­trando o quanto seriam estreitamente unidos os relatos modernos de avistamentos com as velhas histórias de ficção científica, a um nível que desafia a coincidência", concluindo também de forma correta que isso "não pode, porém, ser explicado como uma relação de causa e efeito".
Um estudo recente da Universidade de Londres, publicado na revista Cognitive Neuropsychiatry, procurou entender se os avistamentos de UFOs e alienígenas e os sequestros seriam sintomas de uma síndrome psiquiátrica. Os autores Katharine Holden e Christopher French examinaram quatro áreas das neurociências, nas quais caberiam a experiência de sequestros UFOs: a paralisia no sono, as falsas memórias, as personalidades inclinadas a fantasias, os distúrbios psicopatológicos. Não foram, no entanto, encon­tradas provas que sustentem essa tese. O artista e ufólogo Budd Hopkins teriajá conduzido experimentos análogos, junto com a psicóloga Aphrodite Clamar: hipnotizou 19 testemunhas e as submeteu a um teste; o resultado foi que elas tinham perfeita sanidade mental. Uma associação ufológica americana privada, o FUFOR, entregou uma série de perfis psicológicos de sequestros feitos pelos UFOs à doutora Lisa Slater, sem revelar que se tratava de supostas abduções; a médica sentenciou que se tratava de pes­soas mentalmente sadias, embora com déficits psicológicos típicos de quem tivesse sofrido uma violência física, como um estupro. O psicólogo austría­co Alexander Keul também confirmou, no âmbito de um "Projeto diagnós­tico" conduzido na Áustria e na Grã-Bretanha, que as UFO-testemunhas não estão sujeitas a patologias psiquiátricas, mas são pessoas absolutamen­te normais, apesar de os ufólogos Josiane e Jean d'Aigure, da Revue des Soucoupes Volantes, contagiados pelo crescente monnerismo, terem pro­posto uma leitura psicanalítica dos sequestros UFOs.
Mas, indubitavelmente, nas experiências de "contato", pode existir uma contaminação, como também existe um "mito UFO". O pesquisador americano Martin Kottmeyer, graduado justamente com uma tese sobre o assunto, levantou um processo de "fabulização", de invenção, ligado a um programa de televisão sobre um dos mais célebres casos de sequestros UFO - aquele ocorrido com Betty Hill em New Hampshire, em 20 de setembro de 1961. Kottmeyer descobriu que 12 dias antes da hipnose re­gressiva conduzida pelo doutor Benjamin Simon, e que levara a mulher a reconstruir as fases relevantes (e aparentemente apagadas pela sua me­mória) do seqüestro alienígena, a emissora televisiva PBS transmitira um episódio do telefdme de ficção científica, The Outer Limits, com David McCallum, intitulado Bellero Shield, no qual se via um alienígena de olhos enormes, sem orelhas, cabelos ou nariz, muito similar àquele que a mulher, em hipnose, afirmava ter visto. Teria também sido seqüestrado com Betty, o seu marido Barney; no telefilme, o alienígena se comunicava "analisando os olhos"; sob hipnose, recordando o seqüestro, Barney (que, acordado, se lembrava apenas de um avistamento UFO e depois tinha um "vazio tempo­ral") reconstruiu os alienígenas e disse: "Sim. Não se comunicarão comigo. Apenas os olhos estão se comunicando comigo". Segundo Kottmeyer, isso indica que o processo hipnótico levou o casal a "construir" a história enriquecendo-a de aspectos particulares tirados da televisão (também poderia ser; o caso há anos suscita duras polêmicas entre os que o sustentam e os seus detratores). O estudioso Thomas E. Bullard (no seu UFO Abductions de 1987) afirmou como, depois do episódio, os "olhos falantes" tornar-se-iam recorrentes na literatura sobre sequestros UFOs, enquanto antes eles eram ausentes (a psicóloga Edith Fiore pesquisou diversos casos desse tipo). Tais contaminações poderiam ter raízes ainda mais profundas: o antropólogo americano Douglas Price-Williams, da UCLA, afirma que existem surpreen­dentes correlações entre os rituais de iniciação xamânicas e as experiências de sequestros alienígenas. Acredito, porém, que ainda tenha que ser entendi­do qual das duas tradições teria sido predominante sobre a outra; sabemos que os xamãs buriates, por exemplo, afirmam poder viajar no espaço por meio de canais cósmicos, há séculos, muito antes que se "descobrissem" os discos voadores. Quem sabe não esteja escondida na nossa mente a me­mória atávica de antigas experiências não propriamente terrestres?

ALIENÍGENAS E FICÇÃO CIENTÍFICA

A ficção científica realmente incrementou o mito dos ETs? O roman­cista Brian Aldiss lembra que, depois do lançamento em órbita do primeiro Sputnik, as vendas das revistas de ficção científica caíram vertiginosamen­te; seria legítimo esperar o contrário. Mesmo condenando a idéia méheustiana, na qual os livros de pulp fiction teriam condicionado nos anos 1950 os nossos avós (aconteceu realmente?), um mito UFO certamente existe. Deve-se também dizer que fora dos Estados Unidos, nem sempre os livros de bolso de Amazing Stories estiveram disponíveis; apenas na Itália houve uma notável produção de histórias em quadrinho da Itália fascista e pós-fascista baseadas em temáticas espaciais. Por exemplo, em 1936 chegou à Itália Topolino e o Mistério do Homem Nuvem, publicado de ls de dezembro de 1936 até 3 de abril de 1937, com tiras diárias, que antecipava, ou melhor, baseava-se em temas de certas experiências nazistas (nos quadrinhos chamados diplomaticamente de "alemães") sobre máquinas voadoras a pro­pulsão atômica, capazes de paralisar todos os instrumentos elétricos ao redor e de se esconder nas nuvens, exatamente como os UFOs.
Renato Vesco, que acreditava em uma matriz terrestre dos discos voadores (armas secretas dos anglo-canadenses), encontrou um texto em um livro de ficção científica de 1908, A Guerra Infernal, de Louis Giffard, no qual o autor preconiza com incrível habilidade a passagem dos discos voadores com estas palavras: "Ninguém pode até o momento estabelecer as reais dimensões e a verdadeira proveniência dessas misteriosas aerona­ves que quase sempre efetuam evoluções e se apresentam como uma coi­sa redonda e escura que lembra o casco das tartarugas. A velocidade delas é tal que o olho não tem nem mesmo o tempo de tomar-lhe a forma. Libe­ram, às vezes de repente, sinais luminosos...". A ficção científica tem, por­tanto, antecipado a Ufologia, e em muitas ocasiões alimentou um verdadeiro e próprio mito UFO, mas certamente não nos termos absolutos pretendidos pelos sociopsicólogos (por exemplo, em 3 de janeiro de 1957, a popularíssima Urania publicou o romance urológico Atenção, Discos Voadores!, de B.R. Bruss, mas nem por isso no período imediatamente sucessivo houve na Itália uma onda de histerismo UFO). A doutora Stefania Genovese explica: "Mes­mo hoje é difícil identificar uma real diferenciação semântica entre ficção e mito. O escritor Hilary Evans, por exemplo, afirmou, há pouco tempo, como todos estamos necessariamente envolvidos em um tipo de mito de fábula (referindo-se ao significado antigo do termo) quando se está comprometido com um caso de avistamento UFO, no qual as mesmas descrições do evento vivido, narradas por testemunhas e recolhidas pelos pesquisadores contri­buem necessariamente para enfatizar e propagar o aspecto mitológico. Justa­mente porque cada um de nós tem consigo a sua bagagem projetiva-receptiva, ele está já predisposto a dar uma conotação a uma experiência incomum oudesconcertante com conotações pré-lógicas, que porém oferecem uma coerência criada pelo homem e entorno do homem. O caso dos cônjuges Betty e Barney Hill é um exemplo mais do que convincente desse mecanis­mo; a história deles transformou-se indubitavelmente em um mito, perpetuando-se no tempo, e repetindo-se toda vez que se fala deles e se tenta reconstruir o seu caso. Nós vivemos sempre em uma relação mística, por­que para formá-la concorrem tanto a realidade humana quanto a cósmica, que se solidificam em uma relação de dependência recíproca. Não por acaso, o filósofo F. Jesi fala de uma realidade em que o horizonte é uma máquina mitológica legível como o espaço, da qual tomamos a mesma dis­tância, e de cujo centro incompreensível não podemos nos retirar porque somos continuamente estimulados por ele, estabelecendo uma relação de dependência e de ciclo contínuo.
Em consideração a isso, compreende-se que a classificação do fenô­meno UFO como mito, não apenas parece redutiva, mas, algumas vezes, infelizmente despropositada.
Na verdade, a natureza humana alimenta, por sua necessária influên­cia, a função mítica de tudo aquilo com que se relaciona e se delimita o próprio viver: até o sociólogo Pierre Lagrange afirmou recentemente: 'Quase sempre são os próprios interrogadores ufólogos que criam e difundem sem saber o sinônimo UFO = MITO. E isso não é bom, porque dessa forma fica­ram, de modo inexorável, presos em uma explicação redutiva, conveniente, vetando outras evidências e possíveis estudos sobre o fenômeno'. Tudo isso talvez indique que os modernos pesquisadores de Ufologia se servem normalmente de uma forma de recusa psicológica, quando não admitem que o mito UFO não existe por si só, enquanto ele é parte integrante da sua Weltanschauung[8] e do seu modo de vida, no qual os sujeitos, em colabora­ção e confronto recíproco, interagem na produção de suas crenças? Sobre isso, repenso muito sobre o que me disse um dia o físico Tullio Regge a respeito do fenômeno dos plasmas luminosos de Hessdalen: 'E certamente uma pesquisa complexa e fascinante, será necessário ver se os pesquisadores in loco conseguirão manter aquele necessário distanciamento para analisá-lo sem se deixarem envolver pelos seus antropocentrismos pessoais, ou sugestionarem o ambiente social e também natural que os circunda'.
Concluindo, hoje a pesquisa de uma abordagem objetiva sobre os UFOs leva inevitavelmente à consideração da obsolescência da categorização mítica; todavia, isso não significa renegar completamente uma abordagem psico-etno-social, que torna também importante uma premissa obrigatória mas não determinante. Assim, é necessário constatar que essa redefinição do campo topológico-psicológico, colocada durante um caso UFO, exorta a uma redefinição dos instrumentos de pesquisa e muda de modo potencial, mas inevitável, o mérito indiscutível da prova, como obrigação dos próprios cientistas.
NA BUSCA DA ALMA

É contra as abduções (ou IR-4) que os sociopsicólogos apontam prin­cipalmente o dedo: os céticos de hoje pensam em um fenômeno tipicamen­te americano (até mesmo a revista Focus confirmou isso em março de 2003). Para Méheust, está relacionado com toda a fantasmagoria de espíritos, demônios, experiências xamânicas, por ele definida como "folclore flutuante", que depois de 50 anos de incubação e graças à ficção científica se encarnou no mito dos seqüestradores alienígenas. Ron Westrun, da Western Michigan University, afirma, sem erro, que quanto mais a mídia trata em detalhes dessas histórias, mais se enriquecem os sucessivos rela­tos. Thomas Bullard, etnólogo e folclorista da Universidade de Indiana, aponta o dedo sobre os alienígenas que não se deixam ver, se recusam a revelar às testemunhas sobre si mesmos e enchem a cabeça dos raptados com tantas mentiras e falsas previsões e, com razão, considera os 300 casos investiga­dos nos anos 1980 pelo FUFOR americano apenas a ponta do iceberg. Mesmo compartilhando uma explicação psicológica, percebe que as analo­gias entre os relatos são muitas a ponto de desafiar a tese dos arquétipos junguianos[9] presentes em cada um de nós e que, portanto, tais processos continuam um enigma, que tem a ver com uma mitologia transpessoal muito difícil de explicar. Também não se sabe explicar por que as abduções têm tanto em comum com o folclore, a mitologia e a religião (inclusas as experiências de pré-morte, estudadas pelo parapsicólogo Scott Rogo, ou os seques­tros psíquicos). Isso o leva a pensar em uma experiência mais subjetiva do que "externa", mas para ser vista com muito cuidado.
Um parecer diverso tem o psiquiatra prêmio Pulitzer, John Mack, gra­ças ao qual o estudo dos IR-4 chegou a uma reviravolta, passando das mãos dos ufólogos às dos cientistas. O pesquisador da Havard, que por suas teorias acabou sendo processado, não apenas utilizou a psicanálise unida à hipnose regressiva para recuperar as memórias "canceladas" daqueles aconteci­mentos, como também uma forma de terapia respiratória dita holotrópica, inventada pelo tchecoslovaco Stanislav Grov que, usada com determinadas músicas, nos permitiria perceber seres que não fazem parte da nossa realidade consensual. Segundo Mack, muitos raptados tiveram experiências de vidas passadas ou dupla identidade, seja alienígena ou humana, e não neces­sariamente proveniente de planetas distantes, mas de dimensões paralelas. "Os alienígenas", declarou, "chegaram aos raptados por uma fonte que con­tinua desconhecida para nós. Ainda não conseguimos compreender comple­tamente as suas finalidades e os seus métodos. Parece claro, no entanto, que eles foram obrigados a vir até nós, a aparecer na forma física de modo que nos fosse possível conhecê-los". Os seus estudos, que sacudiram profunda­mente o mundo acadêmico, foram, porém, contestados pelo seu amigo Carl Sagan, cientista UFOcético falecido alguns anos atrás, que declarou que Mack fora tomado pelo entusiasmo e ressaltava a inconsistência dos parâmetros usados pelo psiquiatra, como, por exemplo, a paralisia durante o sono. Segun­do Sagan, "8% dos americanos sofriam dela sem terem sido seqüestrados pelos UFOs"; para o cético, durante aquela fase sentiam estímulos sexuais e estranhas presenças no quarto, originadas pelas lendas medievais sobre pe­sadelos e possessões, as quais se acreditava que violentassem as pessoas no sono; mas os UFOs não teriam nada a ver com isso. Efetivamente, Mack recebeu críticas de vários locais; o escritor de ficção científica Rudy Rucker criticou de modo violento no jornal Washington Post o seu best-seller Rapiti [Raptados], ressaltando que "a sua terapia de hipnose e de regressão agrava os distúrbios psíquicos em vez de curar".
Não obstante isso, as recentes pesquisas científicas levam-nos a afir­mar que o fenômeno seja decididamente real. Michael Milburn, psicólogo da Universidade de Massachusetts, descobriu que o comportamento sexual dos seres humanos é regulado pelo equilíbrio de dopamina e serotonina; a primeira está ligada ao desejo sexual, enquanto altos níveis de serotonina encorajam a seletividade na união; os níveis mais baixos são associados a escolhas menos discriminadas e a comportamentos sexuais mais agressi­vos. E é interessante a constância com que, depois de um seqüestro UFO, se registra um aumento anormal da serotonina nos abduzidos, o que leva a pensar que os alienígenas estejam selecionando a raça humana por cruza­mentos (que é também a tese de Budd Hopkins, convicto de que os ETs estão conduzindo testes de hibridismo para criar uma nova raça de habitan­tes para este planeta. Hopkins notou que muitos sequestros dos quartos de dormir acontecem às 2h45 da madrugada. Afirmo que para isso existe uma explicação: às 3h da madrugada o sangue circula em modo lento e normal­mente o sono é pesado, impedindo as vítimas de se rebelarem.
Tenho acompanhado diversos casos de sequestros UFO, e acredito que uma parte mínima dessas histórias seja real.
Nos textos da Santa Inquisição já se falava disso; além disso, fato tão estranho quanto recorrente, os sequestros interrompiam-se quando o sujei­to conseguia modificar a própria atenção de vigília. Em uma outra obra, sobre os casos no mundo islâmico, escrevi: "Todas as vezes em que os Greys tentaram seqüestrar um terrestre e este, por sorte, conseguiu con­centrar-se mentalmente (com rezas, meditações ou mentalizando uma pre­cisa vibração sonora ou uma luz), o seqüestro interrompeu-se, como se esses seres interagissem mais com a nossa mente do que com o nosso corpo". Sobre isso recolhi documentações provenientes do mundo islâmico e do ocidental, e também anteriores à guerra. Em todos os casos, os se­qüestrados foram hipnotizados e no momento em que, felizmente, suprimi­ram a própria mente do controle dos seqüestradores, estes, percebendo a sua impotência, abandonaram a cobaia humana. Esse fato se repete com freqüência nas narrativas eclesiásticas, e tem provavelmente uma explicaçãobem precisa. Como disse antes, o comportamento dos Greys, durante os sequestros, tem sempre e de maneira mecânica o mesmo idêntico esque­ma. Esse é um comportamento típico de uma máquina, de um robô cujo programa foi pré-programado. No momento em que a cobaia rompe o es­quema, tendo comportamentos não previstos, o computador mental dos Greys sofre uma pane (como quando o nosso PC procura um programa que tínhamos removido e não o encontra, e trava alertando-nos com a men­sagem "not found").
Também amadureci a idéia de que os Greys procuram aquela alma (independentemente do que seja: energia vital, força de evolução, fantasia, emotividade, amor) que eles, robóticos, demonstram não ter e que, segundo os evangelhos gnósticos, foi inserida no homem na noite dos tempos, não pelos Elohims criadores e condenados, mas por aquela facção "angelical" em constante luta com esses últimos, artífice da caçada deles pelo "Paraí­so", movida pela compaixão pelo destino do homem.
É claro, a alma é um conceito filosófico, derivada do Hinduísmo;[10] ana vem na verdade do sânscrito, respirar; mas certamente os Greys não estão interessados no corpo do homem, em saber qual é a nossa composição química. Em milhares de anos de sequestros alienígenas, deveriam conhecer-nos até os ossos. Procuram, portanto, outra coisa, talvez a alma para a vida eterna. O mítico Gilgamesh perdeu a imortalidade quando, enquanto dormia, uma serpente lhe roubou a planta que continha o segredo. A história retoma também no Gênesis (Asimov, que infelizmente era ateu, condenava de maneira amarga este sonho: "Tanta gente não consegue aceitar a morte, mas crê que alguma coisa em nós deva manter-se eterna. Particularmente, não sei o motivo disso. Considerado o número limitado de indivíduos felizes, por que os seres humanos deveriam buscar algo de diferente aliviando o pensamento com a idéia de que a vida é apenas temporária?"). Mas talvez os Greys procurem aquele algo mais que nos permitiu, a partir do macaco sensível, transformar-nos em colonizadores do espaço por meio de um incontrolável e criativo processo evolutivo. A alma que eles desejam poderia ser a nossa sensibilidade artística e científica, que nos permite sobreviver sempre e em toda situação, contra qualquer dificuldade (diferentemente dos Greys, que podem ser os últimos sobreviventes de uma raça pós-atômica em via de extinção; já disse que a ausência de pelagem, cílios, dentes, unhas, cabelos, além da pele escurecida e os olhos protegidos, são típicos de uma contínua exposição às radiações).
O franciscano herético Richard Rohr, do Novo México, afirma que "alma é uma palavra que foi objeto de confusão; em grego se dizpsyche; o significado original, dizem, era borboleta, o que leva a intuir o quanto seja difícil e efêmero capturar uma alma. Nas igrejas ocidentais, a alma era entendida como aquela parte de nós que sobe aos céus ou desce para o
Inferno, e a tarefa dos sacerdotes era salvá-la. Isso, no entanto, não cor­respondia ao seu significado histórico. A alma histórica era, muito mais, aquela parte de nós que tem a ver com a profundidade". É talvez justo esta profundidade intelectual e sentimental que falta aos Greys. Não por acaso estariam destruindo-se. Aquela mesma alma faz de cada um de nós um indivíduo único e irreproduzível (apesar de tantas mentiras sobre a clonagem); os Greys parecem, ao contrário, dispor de uma mente coletiva e comunitá­ria, como as aranhas alienígenas do filme Dark City. A intuição não existe e o erro que comete um deles será cometido por todos para sempre, pelo infinito. E é exatamente isso o que estão fazendo. Há milhares de anos continuam procurando as mesmas coisas no lugar errado. Buscam um prin­cípio abstrato, como a criatividade, na química do nosso corpo.
Nessa questão, é clara a nossa superioridade sobre os alienígenas. A diferença tecnológica que nos separa não é diretamente proporcional a uma evolução espiritual, que nós temos e eles não.

Nota do Editor

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Quaisquer referências de internet contidas neste trabalho são as atuais, no momento de sua publicação, mas o editor não pode garan­tir que a localização específica será mantida.


[1] N.E.: Sugerimos a leitura de As Dores de Amor de Sócrates, de Kay Hoffman, Madras Editora.
[2] N.E.: Sugerimos a leitura de Os Superdeuses, de Maurice M. Cotterell, que trata desse assunto. Ver também: A Agenda Pleiadiana, de Barbara Hand Clow, ambos da Madras Editora.
[3] N.E.: Sugerimos a leitura de Celebrando os Solstícios, de Richard Heinberg, Madras Editora.
[4] N.E.: Sugerimos a leitura de A Linhagem do Santo Graal, de Laurence Gardner, Madras Editora.
[5] N.E.: Sugerimos a leitura de Os Enigmas do Vaticano, de Alfredo Lisoni, e A Biblioteca de Nag Hammadi, de James M. Robinson, ambos da Madras Editora.
[6] N.T.: No Brasil não se usa o termo Stress Tectônico, mas Trato de Sistemas Transgressivo; mas por ser um termo muito específico, optamos por manter a denominação proposta pelo autor.
[7] N.T.: Com o termo flap indica-se um breve, mas intenso período de avistamento UFOs localizado em uma área geográfica muito pequena como, por exemplo, um município.
[8] N. E.: Visão de mundo.
[9] N.E.: Sugerimos a leitura de Arquétipos Junguianos, de Anne Brenan e Janice Brewi, Madras Editora.
12 N.E.: Sugerimos a leitura de Mitologia Hindu, de Aghorananda Saraswati, Madras Editora.

Um comentário:

Anônimo disse...

ISSO É INTERESSANTISSIMO,AMO ESSE TIPO DE ESTUDO,JA TENHO OUTROS,É UMA PENA QUE NAO POSSO TER ESSE PRA MIM ESTUDAR...