quarta-feira, novembro 30, 2011

A História Está Errada - Erich Von Daniken ( LIVRO )




Uma qUestão incomUm

Minha pesquisa levou apenas uns dois dias Comecei com
minha esposa, a menina dos meus olhos, e continuei com o pessoal
do escritório Fazia a todo mundo a mesma pergunta Depois perguntei
a alguns de meus parentes e, finalmente – sentindo-me um
pouco mais animado – até a pessoas desconhecidas em um restaurante
“Desculpe-me Posso lhe fazer uma pergunta?” Eu era educado
– como se deve ser – muito embora muitas pessoas perplexas
franzissem as sobrancelhas, aparentemente se perguntando: Que
diabos este cara quer? Mas, no final, fiz a pergunta a uma centena
de pessoas e isso foi suficiente
“Você já ouviu falar do Manuscrito Voynich?”
“Do quê?”
Em cem pessoas, apenas uma já tinha ouvido falar do Manuscrito
Voynich e, mesmo assim, não sabia nada relevante Manuscrito
Voynich? Não foi publicada alguma coisa a este respeito na revista
P.M., na Alemanha?1 É alguma organização secreta? Voynich? Voynich?
Contudo, há inúmeras páginas sobre esse manuscrito na Internet,
como, por exemplo, em www voynich nu, um site que fornece também
inúmeros outros links para outras fontes Centenas de tratados
já foram escritos a respeito do Manuscrito Voynich, tanto por cientistas
quanto por acadêmicos, incluindo livros – um dos melhores
é o de bretões Kennedy e Churchill: The Voynich Manuscript 2 Ele
contém toda a história deste documento desconcertante e maluco,
incluindo muito da especulação e tentativas de decifrar o texto
Honestamente falando, tudo o que poderia ser escrito a respeito
desse manuscrito já foi escrito Assim, não há sentido em repeti-lo
1 “Das geheinste Buch der Welt”
2 Kennedy and Churchill, The Voynich Manuscript.

aqui Não obstante, ainda há alguns espaços em branco no mapa
mundial do conhecimento sobre o Voynich – interconexões que eu
nunca encontrei em qualquer literatura sobre ele Nossa maneira
de pensar – assim acreditamos – caracteriza-se pela lógica e pela
informação Na realidade, somos apenas como os versos de um
livro enorme, do qual não conhecemos nem mesmo as primeiras
1 000 páginas Estamos vivendo uma única página e, em termos de
toda a composição, não conhecemos o vocabulário e nem mesmo
o alfabeto A razão atual não consegue aceitar a razão do passado
E, ao dizer isto, volto-me para as pessoas que permaneceram
inteligentes, mesmo que façam parte da Academia Meus leitores
não podem terminar como as cem pessoas às quais fiz a pergunta
anteriormente Assim, por essa razão, gostaria de lhes falar um
pouco sobre o incrível Manuscrito Voynich
o homem por trás do manUscrito
Em 31 de outubro de 1865, na cidade de Telsiai, na Lituânia,
a família Wojnicz foi abençoada com o nascimento de um filho
Os registros mostram que eles o batizaram com o nome de Michal,
mas, posteriormente, ele o mudou para Wilfryd Seu pai tinha um
cargo no governo e o enviou, primeiro, para a escola e, depois, para
a universidade, em Moscou, onde ele estudou química e graduou-se
como farmacêutico O jovem tornou-se politicamente ativo,
envolvendo-se com o movimento nacionalista polonês, que estava
lutando para libertar a Polônia dos russos Ele se juntou a um grupo
de jovens ativistas, que tentavam salvar da execução dois de seus
companheiros Isso levou à sua prisão, em 1885, e encarceramento
na solitária, em uma prisão de Varsóvia No verão de 1887, Wilfryd
ia ser transferido para um campo de prisioneiros na Sibéria Mas,
de algum modo, ele conseguiu fugir e foi – não se sabe muito bem
como – para Londres, onde ressurgiu três anos depois
Vivendo no subúrbio de Chiswick, em Londres, reuniu-se a um
grupo de fanáticos ingleses e russos exilados no final do reinado
do czar Publicavam uma revista revolucionária chamada Rússia
Livre, que Wilfrid Voynich (tendo anglicizado o seu nome) vendia
nas ruas Com a ajuda de sua namorada, Ethel Boole, trabalhou até
se tornar gerente de uma pequena livraria Em setembro de 1902,
eles se casaram – não puramente por amor, mas parcialmente por
conveniência – pois Wilfrid desejava assumir a nacionalidade britânica
e ele só podia fazer isso se casando com uma cidadã britânica
Voynich levou uma vida cheia de altos e baixos, e tinha permanentemente
pouco dinheiro O Sr e a Sra Voynich começaram
a contrabandear livros proibidos para a Rússia, e Wilfryd vivia
sempre com medo de se tornar vítima de um ataque político
Assim, ele viajava sob uma série de pseudônimos, dependendo do
país para onde ia – e com quem ia Ao voltar para Londres, abriu
uma livraria-antiquário, começando a comprar livros e manuscritos
antigos A loja logo se tornou um tesouro caótico, cheia de
pergaminhos exóticos e material impresso ao longo dos séculos A
partir da descoberta do “mais misterioso livro do mundo”, Voynich
declarava que ele o tinha descoberto em um velho castelo no sul
da Europa 3 O manuscrito ricamente colorido tinha permanecido
oculto em um cofre sem que ninguém soubesse de sua existência
A obra inteira foi escrita em pergaminho e ilustrada com inúmeros
desenhos coloridos, e ele imediatamente suspeitou que ela tivesse
sido produzida lá pela metade do século XIII
Desde aquela época, a obra ilegível ficou conhecida como O
Manuscrito Voynich
3 Voynich, “A Preliminary Sketch”
 
o qUe aconteceU depois
Pouco depois da morte de Voynich (em 19 de março de 1931),
descobriu-se que sua alegação de ter encontrado o manuscrito em
um “antigo castelo” era falsa Wilfrid tinha feito um testamento
no qual deixou o manuscrito para sua esposa, Ethel, e para sua
secretária, Anne Nill Após a morte de Ethel, Anne Nill tornou-se
a única herdeira do manuscrito Voynich, e ela confessou, em uma
carta, que só poderia ser publicada após sua morte, que Wilfrid tinha
encontrado o manuscrito em 1912, num antigo colégio jesuíta, em
Villa Mandragone Este local foi um centro de treinamento jesuíta
e possuía uma impressionante coleção de velhos manuscritos da
biblioteca do Colégio Romano Em 1870, os jesuítas temiam que
os soldados de Vitório Emanuel pudessem saquear a biblioteca
para obterem um pouco de dinheiro, de modo que a coleção foi
transferida para a Villa Mandragone, em Frascari, norte de Roma
Foi aí que Wilfryd descobriu o manuscrito, enquanto fazia uma
busca minuciosa pelas redondezas num velho caminhão Os jesuítas
precisavam de dinheiro para o trabalho de restauração de seu
prédio em ruínas, e os irmãos prontamente ofereceram ao livreiro
de Londres caixas cheias de manuscritos amarelados Voynich comprou
30 volumes antigos e os jesuítas, que se achavam astuciosos,
nunca perceberam o tesouro que tinham empurrado para as mãos
de Wilfrid Voynich
Para um antiquário como ele, que regularmente lidava com
pilhas e pilhas de textos antigos, o curioso pergaminho multicolorido
dentro do pesado caminhão marrom escuro deve ter chamado
a atenção Mas o que verdadeiramente o surpreendeu foi uma carta
que encontrou presa entre a capa e a primeira página Esta carta,
em latim, tinha sido escrita por um certo “Johannes Marcus Marci
de Cronland”, em Praga, datada de 19 de agosto de 1666 Estava
endereçada a seu amigo Athanasius Kircher e explicava que estava
enviando a ele uma obra que ninguém conseguia ler Se alguém conseguisse
decifrar o texto, escreveu ele, essa pessoa seria Athanasius
Sobre a origem do manuscrito, Marci escreveu:
Dr Raphael, tutor em idioma boêmio de Ferdinand III,
então Rei da Boêmia, me disse que o livro tinha pertencido
ao Imperador Rudolph e que este tinha presenteado o seu
portador com 600 ducados Ele acreditava que o autor fosse
Roger Bacon, o inglês 4
É aí que a história começa a ficar complicada
O Imperador Rudolph II, coroado em 1576, foi um homem
melancólico, atormentado por dúvidas e enganos, que acreditava
muito em astrólogos e magos, patrocinando-os com doações em
dinheiro Naquela época, Praga, a capital de Rudolph, era um centro
de sociedades secretas, alquimistas e ocultistas Praga era a cidade
do golem, uma cidade onde o Apocalipse (a “revelação secreta”
que segue os quatro evangelhos do Novo Testamento) era assunto
frequente nas conversas diárias O Manuscrito Voynich ajustou-se
mais do que bem a esse período, pouco antes do irrompimento da
Guerra dos Trinta Anos, bem como sendo algo que deve ter tido
grande apelo na corte de Rudolph II Infelizmente, Marci observou
ainda que, em sua carta a Athanasius, o Imperador Rudolph também
acreditava que o manuscrito era obra de Roger Bacon
a conexão Bacon
Esta “dica quente” deve ter eletrificado Wilfrid Voynich, pois
Roger Bacon (1214-1294) era considerado por muitos como gênio
universal Bacon tinha estudado em Oxford e lecionou filosofia em
Paris Foi autor de inúmeras obras, tais como Opus maius, Opus
minus, Opus tertium, e uma enciclopédia fenomenal Bacon estava à
frente de seu tempo Escreveu sobre navios do futuro, que poderiam
ser direcionados sem um leme e que poderiam ser operados por
um único homem Escreveu também sobre veículos de batalha, que
poderiam se mover sozinhos com incrível poder Também falou algumas
coisas sobre voar já naquele ano de 1256: “Máquinas voadoras
(instrumenta volandi) serão construídas serão fabricadas antes de
um tempo e é certo que o homem terá um instrumento para voar” 5
Bacon, que também criticava a autoridade moral da Igreja,
viveu em tempos perigosos Depois da publicação de sua obra final,
Compendium studii Theologiae, foi nomeado Doutor Mirabilis
por seu conhecimento linguístico e científico Aparentemente para
demonstrar sua obediência, juntou-se à Ordem Franciscana, mas
muito rapidamente entrou em conflito com seus superiores e acabou
sendo colocado sob prisão monástica
Será que é este mesmo Roger Bacon que se supõe seja o autor
do Manuscrito Voynich? Não há prova disso, mas tal possibilidade
não pode ser completamente excluída Um livro do alcance do
Manuscrito Voynich, porém, teria sido provavelmente um desafio
muito grande – mesmo para alguém tão talentoso quanto Roger
Bacon Afinal, ele contém um alfabeto completamente novo, que
desafia toda a lógica; contém também ilustrações coloridas de
plantas e utensílios que existem hoje no mundo Por outro lado,
Bacon certamente deve ter tido acesso a certos textos antigos; de
outro modo, dificilmente ele poderia ter falado sobre máquinas
voadoras clássicas em seu tratado sobre “artes secretas”6 Esse tipo
de aparelhos voadores foi, de fato, frequentemente mencionado em
documentos antigos
Os anais contam a história do rei chinês Cheng Tang, que possuía
“carros voadores”7, que não eram produzidos por seus próprios
operários, mas vinham de um povo distante chamado Chi Kung
Esta raça vivia a 40 000 Li “além do portão de jade”8 Onde quer
que fosse tal lugar, devia situar-se a pelo menos metade do diâmetro
do planeta, já que 1 “Li” corresponde a 644,40 metros (Assim,
40 000 Li corresponde a mais de 25 000 quilômetros!) Palavra por
palavra, o povo Chi Kung era assim descrito:
Eles conseguem mesmo construir carros voadores que, com
vento bom, podem cobrir grandes distâncias Na época de
Tang (por volta de 1760 a C ), o vento oeste trouxe tal carro
a Yu-Chou (Honan), onde Tang o destruiu, porque não
queria que seu povo visse tal coisa 9
O cronista chinês Kuo P’o (270-324 d C) partiu de onde seus
ancestrais pararam e escreveu: “A intricada obra do fabuloso povo
Chi Kung é verdadeiramente admirável Junto com o vento, estenderam
seus cérebros e inventaram um carro voador, que, subindo e
descendo, dependendo do caminho, trazia convidados até Tang” 10
Máquinas voadoras como essas, embora hoje possam nos parecer
um tanto bizarras, foram preservadas em desenhos e murais O
rei Cheng Tang escondia de seus súditos estas máquinas voadoras
antigas. Seu “engenheiro-chefe” Ki Kung Shi11 até tentou reproduzir
um dos carros celestiais, mas a monstruosidade voadora foi posteriormente
destruída para proteger para sempre os seus segredos
Desarmamento na Antiga China! Em sua obra Shang hai ti-shing,
o cronista Kuo P’o fala de várias ocorrências acontecidas naquela
época Seus escritos não apenas incluem relatos sobre os carros
voadores, mas também descrevem tal maquinaria
Meu pequeno desvio para a aviação antiga tem motivo Será
que Roger Bacon conhecia textos como estes? Aqueles familiarizados
com meus livros sabem que carros voadores aparecem em incontáveis
tradições históricas, porém, ninguém presta atenção nelas O rei hindu
Rumanvat, que reinou há muitos milhares de anos, tinha até uma
nave, na qual muitos grupos de pessoas podiam ser transportados de
uma só vez 12 Nos épicos hindus Ramayana e Mahabharata, há mais
de 50 passagens que claramente descrevem máquinas voadoras13,
e no etíope Kebra Negast, o Livro da Glória dos Reis, a descrição
do carro voador do Rei Salomão até inclui detalhes de velocidades
elevadas!14 E assim por diante! Aqueles que não conhecem estes
textos antigos sobre aviação deveriam ficar calados A mim, parece
que Roger Bacon precisava conhecer pelo menos uma dessas fontes
antigas – e, por essa razão, não calou a boca de jeito nenhum
Todas essas antigas tradições literárias de épocas passadas têm
um grande problema (além de muitos outros): apenas um punhado

Um comentário:

Ediene disse...

Me falaram com muito interesse do Erich Von Daniken, entao vim pesquisar a respeito, gostaria de entender melhor tudo o que vc escreveu, do que se trata exatamente?