quarta-feira, novembro 30, 2011

A História Está Errada - Erich Von Daniken ( LIVRO )




Uma qUestão incomUm

Minha pesquisa levou apenas uns dois dias Comecei com
minha esposa, a menina dos meus olhos, e continuei com o pessoal
do escritório Fazia a todo mundo a mesma pergunta Depois perguntei
a alguns de meus parentes e, finalmente – sentindo-me um
pouco mais animado – até a pessoas desconhecidas em um restaurante
“Desculpe-me Posso lhe fazer uma pergunta?” Eu era educado
– como se deve ser – muito embora muitas pessoas perplexas
franzissem as sobrancelhas, aparentemente se perguntando: Que
diabos este cara quer? Mas, no final, fiz a pergunta a uma centena
de pessoas e isso foi suficiente
“Você já ouviu falar do Manuscrito Voynich?”
“Do quê?”
Em cem pessoas, apenas uma já tinha ouvido falar do Manuscrito
Voynich e, mesmo assim, não sabia nada relevante Manuscrito
Voynich? Não foi publicada alguma coisa a este respeito na revista
P.M., na Alemanha?1 É alguma organização secreta? Voynich? Voynich?
Contudo, há inúmeras páginas sobre esse manuscrito na Internet,
como, por exemplo, em www voynich nu, um site que fornece também
inúmeros outros links para outras fontes Centenas de tratados
já foram escritos a respeito do Manuscrito Voynich, tanto por cientistas
quanto por acadêmicos, incluindo livros – um dos melhores
é o de bretões Kennedy e Churchill: The Voynich Manuscript 2 Ele
contém toda a história deste documento desconcertante e maluco,
incluindo muito da especulação e tentativas de decifrar o texto
Honestamente falando, tudo o que poderia ser escrito a respeito
desse manuscrito já foi escrito Assim, não há sentido em repeti-lo
1 “Das geheinste Buch der Welt”
2 Kennedy and Churchill, The Voynich Manuscript.

aqui Não obstante, ainda há alguns espaços em branco no mapa
mundial do conhecimento sobre o Voynich – interconexões que eu
nunca encontrei em qualquer literatura sobre ele Nossa maneira
de pensar – assim acreditamos – caracteriza-se pela lógica e pela
informação Na realidade, somos apenas como os versos de um
livro enorme, do qual não conhecemos nem mesmo as primeiras
1 000 páginas Estamos vivendo uma única página e, em termos de
toda a composição, não conhecemos o vocabulário e nem mesmo
o alfabeto A razão atual não consegue aceitar a razão do passado
E, ao dizer isto, volto-me para as pessoas que permaneceram
inteligentes, mesmo que façam parte da Academia Meus leitores
não podem terminar como as cem pessoas às quais fiz a pergunta
anteriormente Assim, por essa razão, gostaria de lhes falar um
pouco sobre o incrível Manuscrito Voynich
o homem por trás do manUscrito
Em 31 de outubro de 1865, na cidade de Telsiai, na Lituânia,
a família Wojnicz foi abençoada com o nascimento de um filho
Os registros mostram que eles o batizaram com o nome de Michal,
mas, posteriormente, ele o mudou para Wilfryd Seu pai tinha um
cargo no governo e o enviou, primeiro, para a escola e, depois, para
a universidade, em Moscou, onde ele estudou química e graduou-se
como farmacêutico O jovem tornou-se politicamente ativo,
envolvendo-se com o movimento nacionalista polonês, que estava
lutando para libertar a Polônia dos russos Ele se juntou a um grupo
de jovens ativistas, que tentavam salvar da execução dois de seus
companheiros Isso levou à sua prisão, em 1885, e encarceramento
na solitária, em uma prisão de Varsóvia No verão de 1887, Wilfryd
ia ser transferido para um campo de prisioneiros na Sibéria Mas,
de algum modo, ele conseguiu fugir e foi – não se sabe muito bem
como – para Londres, onde ressurgiu três anos depois
Vivendo no subúrbio de Chiswick, em Londres, reuniu-se a um
grupo de fanáticos ingleses e russos exilados no final do reinado
do czar Publicavam uma revista revolucionária chamada Rússia
Livre, que Wilfrid Voynich (tendo anglicizado o seu nome) vendia
nas ruas Com a ajuda de sua namorada, Ethel Boole, trabalhou até
se tornar gerente de uma pequena livraria Em setembro de 1902,
eles se casaram – não puramente por amor, mas parcialmente por
conveniência – pois Wilfrid desejava assumir a nacionalidade britânica
e ele só podia fazer isso se casando com uma cidadã britânica
Voynich levou uma vida cheia de altos e baixos, e tinha permanentemente
pouco dinheiro O Sr e a Sra Voynich começaram
a contrabandear livros proibidos para a Rússia, e Wilfryd vivia
sempre com medo de se tornar vítima de um ataque político
Assim, ele viajava sob uma série de pseudônimos, dependendo do
país para onde ia – e com quem ia Ao voltar para Londres, abriu
uma livraria-antiquário, começando a comprar livros e manuscritos
antigos A loja logo se tornou um tesouro caótico, cheia de
pergaminhos exóticos e material impresso ao longo dos séculos A
partir da descoberta do “mais misterioso livro do mundo”, Voynich
declarava que ele o tinha descoberto em um velho castelo no sul
da Europa 3 O manuscrito ricamente colorido tinha permanecido
oculto em um cofre sem que ninguém soubesse de sua existência
A obra inteira foi escrita em pergaminho e ilustrada com inúmeros
desenhos coloridos, e ele imediatamente suspeitou que ela tivesse
sido produzida lá pela metade do século XIII
Desde aquela época, a obra ilegível ficou conhecida como O
Manuscrito Voynich
3 Voynich, “A Preliminary Sketch”
 
o qUe aconteceU depois
Pouco depois da morte de Voynich (em 19 de março de 1931),
descobriu-se que sua alegação de ter encontrado o manuscrito em
um “antigo castelo” era falsa Wilfrid tinha feito um testamento
no qual deixou o manuscrito para sua esposa, Ethel, e para sua
secretária, Anne Nill Após a morte de Ethel, Anne Nill tornou-se
a única herdeira do manuscrito Voynich, e ela confessou, em uma
carta, que só poderia ser publicada após sua morte, que Wilfrid tinha
encontrado o manuscrito em 1912, num antigo colégio jesuíta, em
Villa Mandragone Este local foi um centro de treinamento jesuíta
e possuía uma impressionante coleção de velhos manuscritos da
biblioteca do Colégio Romano Em 1870, os jesuítas temiam que
os soldados de Vitório Emanuel pudessem saquear a biblioteca
para obterem um pouco de dinheiro, de modo que a coleção foi
transferida para a Villa Mandragone, em Frascari, norte de Roma
Foi aí que Wilfryd descobriu o manuscrito, enquanto fazia uma
busca minuciosa pelas redondezas num velho caminhão Os jesuítas
precisavam de dinheiro para o trabalho de restauração de seu
prédio em ruínas, e os irmãos prontamente ofereceram ao livreiro
de Londres caixas cheias de manuscritos amarelados Voynich comprou
30 volumes antigos e os jesuítas, que se achavam astuciosos,
nunca perceberam o tesouro que tinham empurrado para as mãos
de Wilfrid Voynich
Para um antiquário como ele, que regularmente lidava com
pilhas e pilhas de textos antigos, o curioso pergaminho multicolorido
dentro do pesado caminhão marrom escuro deve ter chamado
a atenção Mas o que verdadeiramente o surpreendeu foi uma carta
que encontrou presa entre a capa e a primeira página Esta carta,
em latim, tinha sido escrita por um certo “Johannes Marcus Marci
de Cronland”, em Praga, datada de 19 de agosto de 1666 Estava
endereçada a seu amigo Athanasius Kircher e explicava que estava
enviando a ele uma obra que ninguém conseguia ler Se alguém conseguisse
decifrar o texto, escreveu ele, essa pessoa seria Athanasius
Sobre a origem do manuscrito, Marci escreveu:
Dr Raphael, tutor em idioma boêmio de Ferdinand III,
então Rei da Boêmia, me disse que o livro tinha pertencido
ao Imperador Rudolph e que este tinha presenteado o seu
portador com 600 ducados Ele acreditava que o autor fosse
Roger Bacon, o inglês 4
É aí que a história começa a ficar complicada
O Imperador Rudolph II, coroado em 1576, foi um homem
melancólico, atormentado por dúvidas e enganos, que acreditava
muito em astrólogos e magos, patrocinando-os com doações em
dinheiro Naquela época, Praga, a capital de Rudolph, era um centro
de sociedades secretas, alquimistas e ocultistas Praga era a cidade
do golem, uma cidade onde o Apocalipse (a “revelação secreta”
que segue os quatro evangelhos do Novo Testamento) era assunto
frequente nas conversas diárias O Manuscrito Voynich ajustou-se
mais do que bem a esse período, pouco antes do irrompimento da
Guerra dos Trinta Anos, bem como sendo algo que deve ter tido
grande apelo na corte de Rudolph II Infelizmente, Marci observou
ainda que, em sua carta a Athanasius, o Imperador Rudolph também
acreditava que o manuscrito era obra de Roger Bacon
a conexão Bacon
Esta “dica quente” deve ter eletrificado Wilfrid Voynich, pois
Roger Bacon (1214-1294) era considerado por muitos como gênio
universal Bacon tinha estudado em Oxford e lecionou filosofia em
Paris Foi autor de inúmeras obras, tais como Opus maius, Opus
minus, Opus tertium, e uma enciclopédia fenomenal Bacon estava à
frente de seu tempo Escreveu sobre navios do futuro, que poderiam
ser direcionados sem um leme e que poderiam ser operados por
um único homem Escreveu também sobre veículos de batalha, que
poderiam se mover sozinhos com incrível poder Também falou algumas
coisas sobre voar já naquele ano de 1256: “Máquinas voadoras
(instrumenta volandi) serão construídas serão fabricadas antes de
um tempo e é certo que o homem terá um instrumento para voar” 5
Bacon, que também criticava a autoridade moral da Igreja,
viveu em tempos perigosos Depois da publicação de sua obra final,
Compendium studii Theologiae, foi nomeado Doutor Mirabilis
por seu conhecimento linguístico e científico Aparentemente para
demonstrar sua obediência, juntou-se à Ordem Franciscana, mas
muito rapidamente entrou em conflito com seus superiores e acabou
sendo colocado sob prisão monástica
Será que é este mesmo Roger Bacon que se supõe seja o autor
do Manuscrito Voynich? Não há prova disso, mas tal possibilidade
não pode ser completamente excluída Um livro do alcance do
Manuscrito Voynich, porém, teria sido provavelmente um desafio
muito grande – mesmo para alguém tão talentoso quanto Roger
Bacon Afinal, ele contém um alfabeto completamente novo, que
desafia toda a lógica; contém também ilustrações coloridas de
plantas e utensílios que existem hoje no mundo Por outro lado,
Bacon certamente deve ter tido acesso a certos textos antigos; de
outro modo, dificilmente ele poderia ter falado sobre máquinas
voadoras clássicas em seu tratado sobre “artes secretas”6 Esse tipo
de aparelhos voadores foi, de fato, frequentemente mencionado em
documentos antigos
Os anais contam a história do rei chinês Cheng Tang, que possuía
“carros voadores”7, que não eram produzidos por seus próprios
operários, mas vinham de um povo distante chamado Chi Kung
Esta raça vivia a 40 000 Li “além do portão de jade”8 Onde quer
que fosse tal lugar, devia situar-se a pelo menos metade do diâmetro
do planeta, já que 1 “Li” corresponde a 644,40 metros (Assim,
40 000 Li corresponde a mais de 25 000 quilômetros!) Palavra por
palavra, o povo Chi Kung era assim descrito:
Eles conseguem mesmo construir carros voadores que, com
vento bom, podem cobrir grandes distâncias Na época de
Tang (por volta de 1760 a C ), o vento oeste trouxe tal carro
a Yu-Chou (Honan), onde Tang o destruiu, porque não
queria que seu povo visse tal coisa 9
O cronista chinês Kuo P’o (270-324 d C) partiu de onde seus
ancestrais pararam e escreveu: “A intricada obra do fabuloso povo
Chi Kung é verdadeiramente admirável Junto com o vento, estenderam
seus cérebros e inventaram um carro voador, que, subindo e
descendo, dependendo do caminho, trazia convidados até Tang” 10
Máquinas voadoras como essas, embora hoje possam nos parecer
um tanto bizarras, foram preservadas em desenhos e murais O
rei Cheng Tang escondia de seus súditos estas máquinas voadoras
antigas. Seu “engenheiro-chefe” Ki Kung Shi11 até tentou reproduzir
um dos carros celestiais, mas a monstruosidade voadora foi posteriormente
destruída para proteger para sempre os seus segredos
Desarmamento na Antiga China! Em sua obra Shang hai ti-shing,
o cronista Kuo P’o fala de várias ocorrências acontecidas naquela
época Seus escritos não apenas incluem relatos sobre os carros
voadores, mas também descrevem tal maquinaria
Meu pequeno desvio para a aviação antiga tem motivo Será
que Roger Bacon conhecia textos como estes? Aqueles familiarizados
com meus livros sabem que carros voadores aparecem em incontáveis
tradições históricas, porém, ninguém presta atenção nelas O rei hindu
Rumanvat, que reinou há muitos milhares de anos, tinha até uma
nave, na qual muitos grupos de pessoas podiam ser transportados de
uma só vez 12 Nos épicos hindus Ramayana e Mahabharata, há mais
de 50 passagens que claramente descrevem máquinas voadoras13,
e no etíope Kebra Negast, o Livro da Glória dos Reis, a descrição
do carro voador do Rei Salomão até inclui detalhes de velocidades
elevadas!14 E assim por diante! Aqueles que não conhecem estes
textos antigos sobre aviação deveriam ficar calados A mim, parece
que Roger Bacon precisava conhecer pelo menos uma dessas fontes
antigas – e, por essa razão, não calou a boca de jeito nenhum
Todas essas antigas tradições literárias de épocas passadas têm
um grande problema (além de muitos outros): apenas um punhado

PARTE 1 DO LIVRO : A Ameaça - Relatório Secreto Objetivos e Planos dos Alienígenas POR David M. Jacobs





David M. Jacobs

A AMEAÇA
Relatório secreto: Objetivos e Planos dos Alienígenas


Tradução de CARLOS ARAÚJO
­Editora Rosa dos Tempos
Rio de Janeiro
2002



Sumário

1
Reconhecendo o sinal

No grande filme lndependence Day, de 1996, alienígenas hostis chegam à Terra decididos a causar morte e destruição. Os seres humanos capazes se unem, derrotam o inimigo comum e salvam a Terra. Esse cenário hollyoo­diano não é novo - ele tem dominado as versões para o cinema sobre con­tatos com alienígenas desde 1951 com o lançamento do filme A coisa, no qual um único ser extraterrestre causa grandes danos a um grupo de seres humanos.
Uma versão mais pacífica sobre o contato com os alienígenas também se tornou um chavão cultural. Desde 1951, com O dia em que a Terra pa­rou, a 1977, com Contatos imediatos de terceiro grau, alienígenas benignos têm visitado a Terra para ajudar os seres humanos. Neste cenário, os extra­terrestres oferecem liderança mundial, cientistas, assistência e cooperação aos representantes da mídia. Há respeito mútuo: os seres humanos espe­ram receber avanço tecnológico dos alienígenas e os alienígenas esperam ajudar os seres humanos a viver em paz, e cooperar na construção de um mundo melhor.
Ainda outra visão da intervenção alienígena na vida humana é a idéia de que eles vêm especialmente para salvar certas pessoas escolhidas de um cataclismo, cuja hora se aproxima. Existem seitas desde a década de 1950 que acreditavam nisso. Os membros da seita Portal do Paraíso, em 1997, estavam tão convencidos de que um óvni os salvaria do apocalipse e os le­varia juntos para um reino espiritual e físico mais elevado, que seus trinta e nove membros cometeram o suicídio para facilitar a sua salvação e trans­porte.
Um exame cuidadoso do fenômeno de abdução pelos óvnis nos mostra que o contato, de fato, ocorreu - mas não tem a menor relação com esses cenários. Não houve encontros públicos, nenhum envolvimento de lide­ranças, nenhuma cobertura da imprensa. Até o momento não houve assis­tência, cooperação, guerra, morte ou apocalipse. Os contatos têm sido fei­tos nos termos dos alienígenas - e em segredo.
Nunca imaginei esse cenário em 1966, quando comecei a estudar o fenômeno dos óvnis. Nem imaginei que passaria tantos anos de minha vida envolvido com o assunto. Nunca pensei que teria de advertir meus filhos a não comentarem minhas pesquisas na escola, pois eles seriam objeto de uma zombaria implacável. Nem sonhava que minha mulher aprenderia a não mencionar meus interesses no ambiente de trabalho, pois seu patrão pen­saria que ela estava casada com um louco furioso e isso poderia prejudicar sua carreira. Quando falo sobre o assunto com meus colegas da comunida­de acadêmica, sei que eles julgam que minha capacidade intelectual está seriamente abalada. Encontro-me envolvido num assunto que aprendi a detestar e até temer.
Em primeiro lugar e acima de tudo sou um professor de história, espe­cialista na América do século XX. Eu penso e estudo o passado, mas a pes­quisa sobre o fenômeno óvni me lançou em especulações sobre o futuro. O estudo de história demonstra que a previsão de eventos é uma tarefa extre­mamente fútil e inconfiável. Ironicamente, entretanto, encontro-me na posição desconfortável de tentar adivinhar o futuro.
Minha pesquisa começou num dos mais conceituados bastiões da pesquisa histórica - o Departamento de História da Universidade de Wisconsin, onde me formei. Meu professor mais importante era Mede Curti, que criou a disciplina de história intelectual. Quando Curti se apo­sentou, estudei com Paul Conkin, que aplicava procedimentos analíticos estritos e critérios rígidos de prova para cada assunto de pesquisa. Mergu­Ihei no estudo de óvnis e recebi meu diploma de bacharel sob a orientação de Conkin. Minha tese de doutorado enfocava a controvérsia entre objetos voadores não-identificados na América, sob a perspectiva intelectual, soci­al e de história militar. Pesquisando esse tópico, passei semanas na base aérea Maxwell e na Biblioteca do Congresso lendo documentos oficiais sobre os óvnis. Viajei pelo país para entrevistar os pesquisadores mais importantes, civis e militares, que se dedicavam aos óvnis. Em 1975, a imprensa univer­sitária da Universidade de Indiana publicou uma versão ampliada de mi­nha dissertação com o título de A Controvérsia Óvni na América.
Minha pesquisa se concentrou inicialmente em visões de óvnis. A hipótese sob a qual eu trabalhava é que, se uma análise cuidadosa das apari­ções demonstrasse que os óvnis eram extraterrestres, isso seria a descoberta científica mais importante de todos os tempos. Por outro lado, se a análise concluísse que os objetos eram apenas uma compreensão errada de fenô­menos naturais, o assunto seria relegado à história da cultura popular. Conceber os óvnis como representando um potencial de conquista alienígena seria agir como um tolo ou um profeta do impossível. E eu não era ne­nhum dos dois.
Assim, juntei-me aos outros pesquisadores cujo objetivo era determi­nar se as testemunhas estavam vendo veículos anômalos, construídos artifi­cialmente e controlados de forma inteligente. Examinamos fotografias, fil­mes, traços no radar, amostras de solo e outros resíduos alegadamente deixados por óvnis. Recolhemos, juntamente com outros pesquisadores, centenas de milhares de relatos de aparições em todo o mundo. Tornei-me um investigador no campo da agora extinta Organização de Pesquisa de Fenômenos Aéreos, entrevistando testemunhas confusas, indo de porta em porta procurando outras e publicando os resultados de minhas investiga­ções em jornais especializados.
No início da década de 1970, a comunidade de pesquisadores de óvnis já havia coletado tantos relatos de aparições, que nos vimos com uma base de dados demasiadamente grande. Sabíamos a hora de uma aparição de óvni, sua duração, seus movimentos, suas mudanças de cores e o número de tes­temunhas para dar crédito à visão, bem como o efeito do objeto sobre o ambiente, os animais e os seres humanos. Cada um desses relatos era cuidadosamente investigado e documentado; em muitos casos havia múltiplos testemunhos que corroboravam as provas. O pesquisador de óvnis mais importante daquela época, J. Allen Hynek, denominou este corpo de pro­va como "riqueza constrangedora”.
É claro que havia debates internos sobre casos específicos e discussões acaloradas com os incrédulos, mas isso não poderia desacreditar a legitimi­dade do fenômeno. No final da década de 1970, a prova de que os óvnis constituíam um fenômeno verdadeiro era tão concludente que eu, junta­mente com a maioria dos pesquisadores de óvnis, não podia mais negar que as testemunhas estavam presenciando algo de extraordinário e que não era terrestre.
Como parte da nossa pesquisa, pensávamos nas ramificações dos con­tatos dos seres humanos e as espécies alienígenas. Teorizávamos sobre como esse contato poderia afetar a religião, as instituições governamentais e o lugar dos seres humanos no universo, mas pensamos muito pouco sobre a hipó­tese de o contato já estar sendo feito ou se os ocupantes dos óvnis tinham intenções hostis. Havia pouco motivo para pensar desse modo. Os óvnis se comportavam como se quisessem manter-se a distância. Evitavam con'tatos no plano formal. Não estavam aterrissando em massa. Eles apareciam voando por alguns segundos ou minutos, depois sumiam. Sua aparente "timidez" sugeria neutralidade, ou pelo menos indiferença pelos seres humanos.
Entretanto, a curiosidade e as questões sobre a motivação dos alienígenas permaneciam logo abaixo da superfície da pesquisa de óvnis. Mas, como havia tão pouca informação, a maioria dos pesquisadores não gastava mui­to tempo em especulações inúteis. E, quanto mais aprendíamos sobre os ocupantes dos óvnis, mais difícil se tornava entender suas intenções. Os relatos de óvnis e seus ocupantes, que começaram a aumentar nas décadas de 1960 e 1970, eram realmente bizarros. Os objetos perseguiam carros, desapareciam no ar e deixavam marcas nas pessoas; eles operavam secre­tamente sem nenhuma razão aparente. As testemunhas às vezes diziam ter visto "ocupantes de óvnis" fora dos óvnis. Ocasionalmente, elas relatavam encontros com "humanóides" (a palavra alienígena era muito dramática e marginal), perto de um óvni estacionado, que paralisavam os seres huma­nos e depois os examinavam. Os humanóides também eram vistos "conser­tando" um óvni ou escavando a terra; às vezes eles pareciam estar examinando o terreno ou recolhendo mudas de plantas. Algumas das atividades dos ocupantes eram consistentes com a hipótese de que eles tinham curio­sidade sobre a flora e a fauna da Terra. Em outras ocasiões, eles tinham um comportamento surpreendente. Por exemplo, não davam atenção a uma testemunha, ou subitamente pareciam estar segurando uma caixa em fren­te da testemunha e depois desapareciam.
Os relatos dessas atividades eram um desafio para os pesquisadores que tentavam encontrar algum sentido neles. Nossa idéia, entretanto, não era que os humanóides tivessem intenções hostis - de fato, eles pareciam es­tar examinando, pesquisando e acumulando conhecimento.
Quando as abduções foram relatadas pela primeira vez, como em 1961, no caso de Barney e Betty Hill, elas pareciam conformar-se à hipótese de que os alienígenas eram primordialmente curiosos. Entretanto, embora Barneye Betty Hill não fossem como os típicos charlatães "contatados" da década de 1950, que tentavam ganhar dinheiro com seus relatos, não se podia ter a certeza de que sua história não fosse inventada.
À medida que outras abduções foram sendo relatadas, os pesquisado­res de óvnis tornaram-se suspeitosos de alguma fraude. Para mim era fá­cil adotar uma atitude cética. A maioria dos abduzidos tinha pouco a apresentar como provas da realidade de suas experiências. Ao contrário de alguns dos que haviam visto óvnis, eles não tinham fotografias, traços de radar, filmes, e geralmente não havia outras testemunhas. Seus relatos eram feitos sob hipnose, o que representava um impedimento óbvio à sua credibilidade.
Por causa da natureza extraordinária das afirmações feitas pelos abduzidos, eu permaneci na retaguarda enquanto o nosso conhecimento sobre o fenô­meno aumentava. O caso de Barney e Betty Hill era típico. Eles encontraram o que agora era o alienígena cinzento "padrão", que se comunicava telepati­camente, realizou "exames" nos Hill e parecia interessado na reprodução dos seres humanos. Mais tarde, os Hill experimentaram uma forma de amnésia, e suas lembranças do incidente tiveram de ser recuperadas por meio de hip­nose. O caso Hill foi objeto de uma série de reportagens numa grande revista semanal, foi assunto de um livro que se tornou best-seller e passou a ser o caso de abdução mais conhecido em toda a história. 
Houve uma abdução ainda antes, que aconteceu a Antonio Villas Boas no Brasil, em 1957. Villas Boas, que voltara para casa para passar as férias do colégio, foi abduzido quando manejava um trator na fazenda do seu pai. Ele foi forçado a ter relações sexuais com uma criatura fêmea estranha mas com a aparência semelhante à de um ser humano. Esse caso era dema­siadamente embaraçoso e bizarro para que os pesquisadores o levassem a sério, e não foi divulgado até 1966, no mesmo ano em que o público to­mou conhecimento do caso Hill.
Somente alguns poucos casos foram divulgados durante a década de 1960 e no começo da de 1970. Um ocorreu em Pascagoula, em 1973, no qual dois homens disseram ter sido abduzidos enquanto pescavam nas margens do rio Pascagoula, no Mississípi. Durante a abdução, os alienígenas os "flutuaram" até um objeto, e uma máquina com a forma de uma bola de futebol foi passada em seus corpos, como se os tivesse examinando. Os dois homens pareciam traumatizados com o acontecimento e um deles não fa­lou publicamente do assunto por muitos anos.
Outro caso ocorreu em 1975. Travis Walton foi abduzido e faltou fisicamente ao seu ambiente por cinco dias. Momentos antes de sua abdução, seis testemunhas haviam visto Walton ter sido derrubado por uma bola de luz emanando de um óvni. As testemunhas fugiram em pânico e quando voltaram, pouco tempo depois, Walton havia desaparecido.
Li sobre esses casos e não me impressionei. Os contestadores haviam declarado (incorretamente) que Walton tinha desejado ser abduzido, tor­nando o evento ainda mais suspeito. Além disso, os alienígenas de Pascagoula não se pareciam com a descrição dada por outros abduzidos. Em 1976, eu disse, confiante e erroneamente, a J. Allen Hynek que, na minha opinião, os casos altamente divulgados de Pascagoula e de Travis Walton eram provavelmente falsos porque não pareciam se enquadrar em nosso conhecimento do fenômeno. Além disso, eles não me pareciam corretos, Concluí que as chances de esses casos serem uma fraude supera­vam as chances de aguelas pessoas terem sido abduzidas por alienígenas de outro planeta.
Em 1976, entrevistei Betty Hill, que me contou algo que não havia sido divulgado - que os seres haviam coletado amostras de esperma de Barney. Achei isso fascinante. Não apenas reforçava o número crescente de relatos sobre o interesse dos alienígenas na reprodução, mas, se a história dos Hill tivesse uma origem psicológica, por que inventar alguma coisa e não dizer a ninguém? Na minha mente o mistério das abduções se aprofundava e tornava-se mais complexo. Entretanto, ainda me concentrava no paradigma das aparições, no qual me tornara um especialista. As aparições, embora consideradas ilegítimas pelo público em geral, eram seguras e confiáveis. O número crescente de testemunhas confiáveis, contatos de radar, fotos, fil­mes e vestígios físicos nos dava uma base sólida de provas nas quais nos apoiávamos. As abduções, apesar do meu interesse, ainda careciam das provas que eu exigia para acreditar.
Eu estava cético sobre o estudo de 1979 do pesquisador veterano Ray Fowler sobre a abduzida Betty Andreasson. O caso desmonstrava que os alienígenas podiam controlar as pessoas remotamente. Eles "desligaram" - tornaram in­conscientes ou imóveis - as pessoas que estavam na casa de Andreasson en­quanto abduziam a ela e sua filha. E, durante a abdução, Betty Andreasson viu imagens confusas e inexplicáveis de lugares estranhos e animais esquisitos. Mas eu permaneci na dúvida e acreditei que as imagens que ela vira, e talvez toda a abdução, haviam sido geradas em sua mente. 
A partir de 1980, todos os relatos de abdução começavam a mostrar padrões de similaridade: imobilização, exames médicos, telepatia, amnésia e pequenos seres com grandes olhos negros. Muitos desses relatos indica­vam um interesse contínuo dos alienígenas na reprodução dos seres huma­nos. Eu havia lido alguma literatura sobre abdução, mas ainda não me con­vencera a abandonar o meu foco sobre as aparições. Os abduzidos podiam estar mentindo ou ser portadores de sérios problemas psicológicos.
Então, em 1981, Budd Hopkins publicou o livro Missing Time (Tempo perdido), um estudo no qual ele examinou sete abduzidas e concluiu que uma pessoa pode ser abduzida durante o curso de sua vida e pode desen­volver "memórias anteparo" que mascaram os eventos de abdução. Hopkins descobriu marcas de cicatrizes nos abduzidos, que eles descobriram após a abdução, e seu trabalho confirmou o interesse dos seres na reprodução. Seu livro deu aos pesquisadores de óvnis a primeira comparação sistemática das experiências de abduzidos e mostrou que o fenômeno poderia ser estudado com relação a toda a sociedade.
Um ano mais tarde, em 1982, Tracey Tormé, um amigo comum, apre­sentou-me a Budd Hopkins. Visitei Budd Hopkins em sua casa de campo em Cape Cod e me inteirei mais sobre o que ele estava fazendo. Observei quanto ele era cauteloso e conservador. Ele havia observado padrões em sua pesquisa que dificilmente poderiam ser ignorados. Os abduzidos com os quais ele trabalhava eram pessoas sérias, sóbrias e genuinamente preocu­padas com o que Ihes havia acontecido. Fiquei intrigado.
Depois de meus encontros com Hopkins, falei com Hynek e lhe disse que Hopkins estava na pista de alguma coisa importante. Hynek me ad­vertiu para ficar longe de casos de abdução, pois eram excêntricos e nos afastavam do caminho principal da análise das aparições. Eu discordei, dizendo-lhe que a pesquisa de Hopkins me parecia sólida. Hynek reite­rou sua advertência, tentando me fazer voltar para o caminho "correto" da pesquisa. Os relatos de abdução eram muito esquisitos para eIe; ele não podia sujeitá-Ios ao tipo de análise científica que usava para os rela­tos de aparições.
Embora eu houvesse adotado uma política semelhante à de Hyneck por mais de quinze anos, agora tinha de seguir as provas. Começara a entender que, se as abduções estavam realmente ocorrendo, elas poderiam represen­tar a chave para o mistério dos óvnis, pois conseguiríamos entrar nos óvnis por intermédio delas. Elas poderiam nos dar um conhecimento que o exa­me do exterior de um óvni jamais forneceria. Decidi começar a estudar eu mesmo esses casos, pois assim poderia avaliar as provas. Para essa pesquisa eu teria de aprender hipnose.
Conduzi minha primeira regressão hipnótica em agosto de 1986. Em 1992, já havia conduzido mais de trezentas regressões hipnóticas e desco­berto que a análise dos relatos de abduzidos não é fácil. Fazer as perguntas corretas e separar a realidade da fantasia é difícil e traiçoeiro; memórias falsas e fantasias poderiam levar os pesquisadores a uma terra do nunca de dese­jos e fabulações.
Em 1992, publiquei o primeiro segmento do resultado de minhas pes­quisas sob o título de A vida secreta. Nele, delineei a estrutura de uma abdução típica e a variedade de procedimentos mentais realizados com os abduzidos. Também descrevi a multiplicidade de procedimentos físicos e reprodutivos, até então desconhecidos, e consegui recriar uma experiência típica de abdução minuto a minuto, do começo ao fim. Minha pesquisa acrescentou às descobertas de Hopkins os procedi­mentos dos alienígenas sobre coleta de óvulos e extração de fetos. Ambos descobrimos que os alienígenas obrigavam as abduzidas a se relacionarem fisicamente com crianças de aparência estranha que as abduzidas diziam em geral que se pareciam com uma combinação de seres humanos e alienígenas - híbridos. Revelando esses elementos de abdução, Hopkins descobriu uma das razões centrais do porquê de os alienígenas estarem aqui. Tendo analisado minha própria pesquisa sobre os procedimentos reprodutivos dos alienígenas, sei quando eles estão coletando óvulos ou esperma. Pude identificar quando um feto era extraído ou implantado numa abduzida. Todas as aparências indicavam estarem os alienígenas empenhados em algum tipo de programa de cruzamento. Mas as razões finais para os seus procedimentos físicos e reprodutivos permaneciam um mistério.
Os procedimentos mentais eram mais espantosos. Os alienígenas quase sempre encaravam um abduzido nos olhos a uma distância de alguns centímetros e pareciam assim induzir amor, medo e raiva. Al­guns desses procedimentos de varredura mental podiam provocar in­tensa excitação sexual tanto no homem quanto na mulher. Encarando as pessoas nos olhos, os seres podiam fazer com que as mesmas vissem cenários e "filmes" determinados em suas mentes. Naquela época eu não tinha a menor idéia de como e por que isso acontecia. Agora acho que compreendo por quê.
Também fiquei confuso sobre o fato de os abduzidos serem submetidos a estranhos procedimentos de encenação e testes, nos quais atuavam num cenário com alienígenas ou verificavam que haviam operado aparelhos com­plexos, ou realizado tarefas para as quais não se lembravam de estar prepa­rados. Esses procedimentos pareciam não ter relação com o programa de cruzamento.
Os próprios alienígenas eram enigmáticos. Não sei se eles comem ou dormem, ou têm qualquer outro tipo de vida além do contexto das abduções. O mesmo foi verdade com os bebês híbridos, crianças, adoles­centes e adultos; suas vidas eram um mistério. Uma coisa era certa - os alienígenas estavam empenhados em um tremendo número de abduções. Uma pesquisa nacional, realizada pela Organização Roper em 1991, re­velou a possibilidade de um programa de abdução muito mais extenso do que imaginávamos.
A continuação de nossa pesquisa de óvnis despertou muitas outras ques­tões. A pesquisadora de óvnis Karla Turner, por exemplo, relatou em 1993 que alguns abduzidos sustentavam que militares americanos os estavam abduzindo em colaboração com os alienígenas. Em 1994, o professor de Harvard John Mack discutiu sobre o que aparentemente era um interesse dos alienígenas no meio ambiente terrestre. Os abduzidos sustentavam que cada vez mais híbridos adultos estavam envolvidos com suas abduções. Budd Hopkins descobriu que os alienígenas estavam juntando jovens abduzidos para relações duradouras. Para complicar as coisas, embora o fenômeno de abdução fosse traumático para a maioria dos abduzidos, muitos encon­traram nele desenvolvimento espiritual e expansão de sua consciência.
Como se esses assuntos não fossem bastante complexos, até recentemen­te eu não tinha nem respostas provisórias para as questões mais importantes: Qual é o objetivo do programa de cruzamento? O que constitui a sociedade e a autoridade dos alienígenas? Por que eles operam em segredo? Qual é o propósito da hibridização? Durante os primeiros vinte anos de minha pes­quisa, pensei que jamais teríamos respostas às questões fundamentais dos motivos e das intenções dos alienígenas. Tudo isso mudou agora. Nos últi­mos dez anos, recolhi informações que, tenho certeza, respondem a essas questões de modo satisfatório.
Na minha mais recente pesquisa de óvnis descobri informações que permitem aos pesquisadores dar solução ao mistério dos óvnis - pelo menos as questões de maior impacto para nós. Juntei muitas peças do quebra-ca­beça. Focalizei bem o quadro e não gostei do que vi. Pela primeira vez, em trinta anos de pesquisa desse fenômeno, estou com medo. A compreensão... trouxe-me uma profunda apreensão pelo futuro. O fenômeno de abdução é muito mais ameaçador do que eu pensava. O otimismo não é a resposta apropriada às provas, todas as quais sugerem fortemente que os planos dos alienígenas são primordialmente lucrativos para eles e não para nós. Eu sei por que os alienígenas estão aqui - e que conseqüências advirão para os seres humanos se sua missão for bem-sucedida.

2
"Sei que isso pode parecer Ioucura, mas...”

São as próprias abduzidas que têm as respostas às questões sobre as in­tenções dos alienígenas. Mas não é fácil para elas falar sobre as suas ex­periências de abdução. Elas aprenderam a permanecer em silêncio. Quando criança, por exemplo, uma abduzida pode ter falado com a mãe e o pai sobre o "povo pequeno" em seu quarto, que entrou através da janela fechada e a levou. Seus pais certamente a asseguraram de que se tratava apenas de um sonho, e a insistência da criança de que era real­ - "Eu estava acordada!" - não deu resultado. Finalmente, a abduzida deixou de contar aos pais.
Na escola, ela pode ter confidenciado a uma amiga e dito que viu fan­tasmas, talvez alienígenas, em seu quarto. A amiga pode ter guardado o se­gredo por algum tempo, mas logo todas as crianças da escola sabiam do fato e zombavam dela de forma implacável. A abduzida aprendeu a não falar com ninguém.
Quando adulta, ela provavelmente ficou quieta sobre suas experiências. Se contou para alguém, foi em contexto humorístico, geralmente cantaro­lando o tema musical de um filme cômico sobre ficção científica, imitando um teremim. Mas, secretamente, ela gostaria que alguém dissesse: "Sabe? Isso também aconteceu comigo.”
Quando se casou, ela não contou ao marido suas experiências, conti­nuando a mantê-Ias em segredo. Não queria que ele pensasse que era malu­ca e sabia que ele não aceitaria a realidade de sua história nem lhe daria apoio. Assim, a maioria das abduzidas aprende, no curso de suas vidas, que o melhor método de se proteger do ridículo e da zombaria é não dizer nada a ninguém. Passam a vida guardando seu segredo e escondendo seus temores.
Contatar um pesquisador de óvnis como eu é um ato de bravura. As pessoas que suspeitam que alguma coisa fora de comum está acontecendo com elas começam suas cartas se desculpando: "Sei que parece loucura, mas...", ou "Sei que o senhor rirá quando ler isso...", ou "Redigi esta carta cem vezes no meu pensamento". Precisam desesperadamente de alguém que acredite nelas, mas sabem que irão contar uma história inerentemente in­crível e temem abrir suas defesas contra maior zombaria. A maioria das abduzidas se apresenta com a questão básica: "O que está acontecendo comigo?" Algumas têm um incidente específico que as levou a me procurar: "Em 1979, eu e meu namorado vimos um óvni que se aproximou. de nós. Tudo do que me lembro é que corri e, então, estávamos em nosso carro seis horas mais tarde. Tenho pensado nesse incidente todos os dias.”
Durante a subseqüente sessão de hipnose, as abduzidas se lembram de eventos que podem ser profundamente perturbadores, estranhos e aterrori­zadores. Quando perguntadas se querem submeter-se à hipnose e reviver suas experiências, elas sempre têm uma atitude ambivalente. Embora a maioria diga que sim e algumas não tenham certeza, umas poucas dizem não - pre­ferem não saber o que está acontecendo com elas. Todas percebem que irão trocar um grupo de problemas por outro. Podem se livrar do pensamento constante sobre o que lhes está acontecendo, mas, agora que sabem, têm medo. A maioria reconhece que a consciência de seus problemas as transformou psicologicamente. Tornaram-se mais integradas, menos confusas sobre a sua. situação e emocionalmente mais fortes. Também se sentem amedrontadas e impotentes em face da súbita e indesejável intrusão física em suas vidas.
Eu me aproximo individualmente das abduzidas à procura de uma nova informação reveladora do fenômeno, embora quase todas contribuam com detalhes confirmatórios. Em mais de 700 investigações que conduzi usan­do hipnose, a coleta de óvulos me foi referida 150 vezes, exames médicos 400 vezes, procedimentos de varredura cerebral (encarar nos olhos) 375 vezes, e contatos com bebês e crianças 180 vezes. Algumas experiências me foram referidas apenas ocasionalmente. Se escuto alguma coisa apenas uma vez, e não estou muito certo da correção e veracidade da pessoa que está contando, suspendo a conclusão esperando confirmação por parte de ou­tras abduzidas.
Praticamente tudo o que descrevo nos capítulos seguintes foi confirmado muitas vezes. Entrevistei abduzidas da América do Norte e do Sul, da Europa, da África e da Ásia. Usei as transcrições das sessões hipnóticas que conduzi em 110 indivíduos da nossa população. Elas vêm de todos os setores da vida, fazendo um corte nas fronteiras éticas, raciais, de ensino, culturais, econômicas, políticas e geográficas. Algumas breves descrições destas bravas pessoas indicam a dimensão humana variada do fenômeno de abdução.
Allison Reed tinha 28 anos quando me procurou em junho de 1993. Ela e seu marido dirigiam um negócio bem-sucedido baseado em casa. Ela me encontrou enquanto eu estava de férias com minha família na ilha de Long Beach, em New Jersey. Estava preocupada em virtude de coisas estra­nhas que lhe vinham acontecendo na vida. Ela aprendera a viver com isso silenciosamente, mas recentemente seu filho de oito anos e sua filha de cin­co estavam lhe contando coisas estranhas e aterradoras que também esta­vam acontecendo a eles. Ela ficou muito alarmada quando a descrição que seus filhos lhe fizeram de suas experiências parecia se confirmar pelas mar­cas em seus corpos.
Quando seus filhos isoladamente fizeram desenhos descritivos do que Ihes estava acontecendo, Allison decidiu agir. Primeiro, ela encontrou estu­dantes amadores de óvnis que estavam convencidos de que o governo esta­va escondendo um acidente de óvnis na costa oeste. Finalmente, ela me encontrou. Eu não trabalho com crianças, pois não compreendemos o efei­to que o conhecimento de uma experiência de abdução pode causar em seu desenvolvimento. Mas concordei em estudar as estranhas experiências de Allillon. Quando Allison descobriu que também estava envolvida com abduções, tomou a firme determinação de descobrir o máximo possível a fim de impedir a ameaça que isso constituía para ela e sua família. Os fatos que ela narrou em suas sessões de regressão eram tão precisos como os de­mais que eu ouvira. Descobrimos abduções variando desde as neutras e procedurais até as traumáticas e fisicamente dolorosas. Somente após dezesseis sessões juntos é que ela me contou um evento que lhe acontecera, assim como a seu marido e seu filho de dez meses em 1986. O evento ocor­reu durante um período de cinco dias. Nós os examinamos meticulosamente pelo espaço de seis sessões.
Allison se conformara com o fato de se envolver com o fenômeno de abdução. Ela tentara impedir as abduções usando uma câmera de vídeo focalizada nela toda a noite, mas apenas com sucesso limitado. Como to­ das as abduzidas, Allison procurou uma acomodação psicológica com as abduções, pois assim poderia seguir sua vida sem ter de pensar constante­ mente no tormento que lhe ocorria e à sua família.
Vi Christine Kennedy em 1992. Com uma vida cheia de experiências fora do comum, "sonhos" e episódios, tinha 29 anos e era mãe de três fi­lhos. Quando adolescente, usara álcool para bloquear seus "terrores notur­nos". Fizera um tratamento e estava sóbria havia alguns anos quando me encontrou, continuando a freqüentar as reuniões de tratamento. Christine freqüentemente acordava com lesões no corpo. Quando tinha seis anos, acordou "sabendo" sobre relações sexuais. Ela havia visto óvnis; havia visto seres em seu quarto. Quando estava grávida de seu primeiro filho, ela se lembra de ter discutido com alguém dizendo que o bebê era "dela" e não "deles". Christine leu um artigo a meu respeito na revista OMNI e veio me procurar.
Como Allison, Christine resistiu a seus abdutores. Ela nunca se entre­ gou passivamente e sempre tentou resistir da melhor maneira que podia. Usou equipamento de vídeo e de gravação no quarto, para gravar a presen­ça dos alienígenas e tentar (em vão) impedi-Ios de levá-Ia e a seus filhos. Christine odeia os seres e tentou proteger seus filhos e a si mesma dos alienígenas, sem sucesso.
Pam Martin tem Ievado uma vida ainda mais fora do comum. Ela nas­ceu em 1944 e viveu por alguns anos num orfanato. Cresceu em New Jersey, de modo não-conformista e marginal por muitos anos. Abandonando seus estudos no oitavo grau, ela é basicamente uma autodidata, com talento para aprender arte e escrever. Quando jovem, trabalhou como taxi-girl num clube de dança, como motorista de caminhão e finalmente como auxiliar de saúde.
Como resultado de suas experiências com óvnis, Pam chegou a acredi­tar que estava vivendo uma vida "encantada” com seus "anjos da guarda”. Ela se tornou uma seguidora devotada da "Nova Era". Após uma experiên­cia de abdução particularmente nítida, Pam decidiu que os alienígenas eram definitivamente seres maravilhosos, que a visitavam vindos da constelação de Plêiades. Ela tinha certeza de que recebera "poderes" que lhe permitiam controlar o tempo e a realidade a seu bel-prazer. Quando precisava ir a al­gum lugar de carro, por exemplo, Pam achava que chegava muito antes do que seria de esperar.
Tive mais de trinta sessões com Pam e como resultado ela ficou com uma idéia menos romântica sobre o que lhe havia acontecido. Inicialmen­te, ficou desapontada, pois o que se lembrou sob hipnose não eram as ex­periências agradáveis que imaginava, mas ela agora aceita a realidade do que lhe aconteceu. Convenceu-se de que nem os anjos da guarda nem a Plêiades tiveram contato com ela e que o tempo e a realidade não podem ser controlados. O que Pam deseja agora é poder enfrentar os seres sem medo e conseguir respostas sobre as suas atividades. Seu marido lhe tem dado apoio e sente que também pode ter sido um abduzido, embora não queira se aprofundar em suas experiências.
Claudia Negrón nasceu em Porto Rico, em 1941, e veio para o continente quando tinha seis anos. Criou dois filhos sozinha, após seu divórcio em meados da década de 1970. Começou a faculdade com 22 anos. For­mou-se e agora trabalha como secretária. Fascinada pelo fenômeno dos óvnis na idade adulta, Claudia afiliou-se a um grupo de estudos de óvnis. Sua vida é cheia de abduções e ela ficou sensibilizada pela sua ocorrência. Quando os detalhes de suas abduções surgiram na hipnose, ela queria saber o máxi­mo sobre o assunto. Entretanto, Claudia é ambivalente. Por maior que seja a sua curiosidade sobre o fenômeno, ela deseja que ele não mais se repita.
Susan Steiner nasceu em Nova York, em 1950, formou-se e começou sua carreira como técnica de fotografia num estúdio em Nova York. Casou­-se em 1987 e desde então trabalha em seu próprio negócio de marketing. A princípio, Susan era extremamente cética sobre o que lhe estava acontecen­do. Como muitos abduzidos, ela desenvolvera explicações alternativas para as suas experiências de abdução, mas houve um incidente em 1985 que a impeliu a me procurar. Ela e uma amiga estavam num camping, quando viram um óvni de perto. Seguiu-se um período de medo e confusão e quando tudo passou ela não se lembrava de um período perdido de várias horas. Durante anos, Susan pensou no incidente antes de finalmente vir a mim para realizar a hipnose. Ela concluíra que seu marido não lhe daria apoio se lhe contasse que era uma abduzida.
Terry Mathews me escreveu sobre suas experiências fora do comum em outubro de 1994. Ela nasceu numa pequena cidade da Pensilvânia e criou­-se numa família de classe média alta e de pai abusivo. Presumiu que sua vida de experiências e sonhos fora do comum era de certo modo relaciona­da com as ações de seu pai. Isso foi aparentemente confirmado por um terapeuta que, por meio da hipnose, descobriu memórias reprimidas de abuso emocional e sexual. Ela se convenceu de que fora vítima de abuso sexual e submeteu-se a anos de terapia por causa disso. Sempre emocional­mente "presa", Terry rompeu acrimoniosamente com um terapeuta, quan­do ele começou a introduzir idéias sobre "vidas passadas". Embora ela seja uma pessoa muito religiosa, foi difícil para Terry associar suas experiências fora do comum com suas convicções religiosas. Ela encontrou uma via de escape à sua inquietude na literatura, e quando a encontrei estava procu­rando um editor para publicar seus romances.
Filha de um clérigo, Michele Peters pensava que algumas de suas expe­riências eram de natureza religiosa. Como Terry, ela enfrenta suas memóri­as escrevendo sobre elas e é autora de um romance inédito. Dotada de um humor sardônico e charmoso, nunca se sentiu vitimizada pelo fenômeno. Como Pam Martin, ela tinha uma estranha convicção de que estava sendo visitada pelo seu "anjo da guarda”. Pensou que tais visitações se haviam interrompido com seu casamento aos vinte anos, em 1982. Mas, aos 32, Michele acordou no meio da noite vendo luzes azuis brilhantes entrando em sua casa. Tentou acordar seu marido e não conseguiu. Levantou-se e foi até a sala, de onde olhou pela janela, mas a luz era tão brilhante que não distinguiu grande coisa. Sua próxima lembrança foi no dia seguinte, sen­tindo-se enjoada; sua camisola havia sido retirada e seu robe estava pelo avesso. Este evento assustador a impeliu a procurar pela origem de suas experiências.
Reshma Kamal nasceu na Índia e mudou-se com sua família para Mineápolis, quando criança. Casou-se com um indiano e mantém suas tra­dições indianas em casa. Quando percebeu, ainda adolescente, que coisas estranhas estavam acontecendo, dedicou-se a descobrir as origens. Sua mãe levou-a à Índia, na crença de que os curandeiros tradicionais poderiam livrá-­Ia de tais experiências, mas ela achou essa atitude irritante e ingênua. O médico da aldeia e outros amigos decidiram que ela estava fabulando as experiências para chamar a atenção dos demais, pois ela queria se casar. Anos mais tarde, o desejo de compreender suas experiências tornou-se mais forte, pois Reshma percebeu que elas também estavam acontecendo com seus cinco filhos. Ela lembrava-se conscientemente de vários detalhes e durante anos manteve um diário. Seu marido lhe dá apoio e aos filhos, mas, como ocorre com outras abduzidas, a família se sente impotente para impedir as abduções.
Encontrei Kathleen Morison quando ela assistiu a meu curso sobre "Os Óvnis e a Sociedade Americana” na Universidade Temple. Ela retornara à faculdade após uma longa ausência para receber seu doutorado. Quando o assunto do curso abordou o fenômeno de abdução, Kathleen tornou-se ir­ritada a ponto de não poder mais assistir às aulas. Ela me contou que havia alguns anos fora ao teatro assistir a uma peça na qual um dos atores flutua no ar. A cena lhe despertou memórias vagas que lhe instigaram tanto pâni­co, que ela precisou fugir para o saguão. Ali ela ficou apoiada num corri­mão para não cair, presa de pura raiva. Tivemos 26 sessões hipnóticas no curso, durante as quais ela descobriu a razão de seus temores à medida que tomou consciência das muitas invasões dos alienígenas em sua vida. Apesar de estar casada há vinte anos, Kathleen não contou ao marido, temendo que os aspectos sexuais das abduções fossem muito difíceis para ele aceitar.
Jack Thernstrom era um estudante de mestrado numa universidade. Ele me procurou para examinar alguns eventos fora do comum em sua vida, alguns dos quais interpretara como de fundo religioso. Jack lembrava-se, de modo confuso e perturbador, de estar no porão da casa e ver um peque­no ser "sair do rádio" e "serpentes que o seguiam", e de ser "violentado" no mato. Suas sessões hipnóticas foram difíceis. Ele cerrava os dentes, ficava com os músculos retesados e tremia violentamente de ansiedade durante cada sessão. Depois de dez sessões, Jack subitamente se deu conta de que não deveria partilhar suas experiências comigo, pois isso seria um tipo de violação de sua privacidade. Ele interrompeu a hipnose, embora ainda par­ticipe do meu grupo de apoio.
Budd Hopkins e eu trabalhamos com Kay Summers. Com 31 anos, ela mora no Meio Oeste e talvez seja a pessoa que mais tenha tido sessões hip­nóticas. Ela passou por toda a gama de procedimentos de abdução, sofren­do mais violência do que a maioria. Embora tenha freqüentemente sofrido uma série de traumatismos em suas abduções, incluindo, em duas ocasiões, ossos fraturados, sua disposição em face da adversidade é extraordinária. Ela insiste em levar uma vida normal e se recusa a se entregar à depressão, que freqüentemente a assedia. Seus pais são hostis à realidade do fenôme­no, e não lhe dão qualquer apoio, e ela não contou nada ao homem com quem vive, com medo de perdê-Ia. Por causa de seus problemas, Kay vive uma existência emocionalmente isolada - à parte falar comigo e Hopkins. Ela está completamente resignada com sua sorte e nos momentos de maior depressão chega a me dizer que espera que os seres a matem, pois assim se livrará deles de uma vez por todas. Faço o possível para levantar seu moral e ajudá-Ia a superar sua depressão, canalizando-a para áreas mais produti­vas de resistência. Entretanto, devo admitir que a depressão é uma reação previsível e freqüente ao fenômeno.
Todos os abduzidos neste estudo estão unidos pelo desejo de compreender o que lhes está acontecendo. Partilham o laço comum de estarem envolvi­dos com um fenômeno que a princípio não podiam entender, depois não podiam acreditar e agora não podem controlar. Todos estão determinados a dominar intelectual e emocionalmente as suas experiências.
Enquanto descrevem suas abduções, eles também descrevem freqüen­temente experiências neutras e até agradáveis. Entretanto, de longe, o tipo mais prevalecente é perturbador e traumático. Eu só posso ouvir e encorajá-los a suportar. Minha responsabilidade é ser tão honesto e compreensivo quanto possível; especulação amadorística - e enganadora - pode se en­contrar em toda parte. Eu os ajudo a compreender o que aconteceu e como eles podem prosseguir em suas vidas diante do problema. É tudo o que posso fazer. Sei que o único meio de ajudá-Ios de forma permanente seria parar com as abduções, mas isso eu não posso fazer.
Durante o processo de rememoração de suas experiências, muitos abduzidos percebem sua situação especial. Eles estão na linha de frente da investigação desse fenômeno monumentalmente importante. São os "escoteiros" que voltam e relatam o que viram e experimentaram. Como "participantes/observadores", desempenham o mais importante de todos os papéis. Eles trazem a pesquisadores como eu as peças do quebra-cabeças para que possamos armá-Ia. Não são apenas vítimas das abduções, são também heróis, pois sem os seus relatos não se conseguiria nenhum conhe­cimento profundo do que quer que esteja acontecendo dentro do fenô­meno dos óvnis.

3
Sombras da mente

Tenho recebido milhares de telefonemas e cartas de pessoas que têm lem­branças de experiências fora do comum e são grandemente perturbadas por elas. Durante anos, elas tentaram, em vão, descobrir a origem dessas me­mórias. Elas pensam que posso ajudá-Ias. É claro que o fato de uma pessoa experimentar eventos fora do comum não significa que ele ou ela seja ne­cessariamente um(a) abduzido(a). Desenvolvi um processo de triagem para eliminar aquelas pessoas que não apresentam seriedade em seus propósitos (elas podem estar meramente seguindo um palpite), as que não estão emo­cionalmente preparadas para examinar suas experiências, e as que, na mi­nha opinião, não tiveram experiências sugerindo que sejam abduzidas.
Primeiro, eu as submeto propositadamente a uma série de testes. Exijo que elas preencham um questionário sobre as experiências que as impeli­ram a aparecer, e sobre outras que não perceberam que poderiam ser parte do fenômeno de abdução (por exemplo: "Você já viu um fantasma?"). Peço-­Ihes que me enviem o questionário e me telefonem mais tarde. Analiso o questionário e decido se suas experiências são bastante significativas para justificar uma investigação mais profunda sob hipnose. Quando falo com elas novamente, tento persuadi-Ias a não examinar o que pode ser uma cai­xa de Pandora. Advirto-as severamente sobre os perigos que envolvem prosseguir com a hipnose e descobrir um evento de abdução: elas podem ficar deprimidas, ter perturbações de sono, sentir-se emocionalmente isoladas e assim por diante. De fato, elas poderiam estar trocando um grupo de pro­blemas por outro. Insisto em que falem sobre sua decisão com pessoas que lhes são próximas e depois me telefonem. Então, mando-lhes um panfleto que reitera minhas advertências a fim de que tomem a decisão com pleno conhecimento.
Cerca de 30 por cento das pessoas que me procuram decidem, nesse ponto, não se submeter à hipnose. Essa é a decisão mais correta para elas, não im­portando suas razões. Se decidem prosseguir no processo, faço-lhes outra advertência verbal sobre os perigos potenciais e, no caso de ainda quererem, marcamos uma data para a sessão. Quando chegam para a primeira sessão de regressão hipnótica, já tivemos várias conversas e elas estão conscientes dos problemas que podem resultar das regressões. Também estão conscientes de que as lembranças podem não ser exatas nem verdadeiras.
Quando finalmente chegam a minha casa, subimos as escadas para o meu escritório no terceiro andar e conversamos por uma ou duas horas antes de começar a sessão de hipnose. Concordamos sobre qual evento de suas vidas desejamos investigar durante a sessão. Pode ser, por exemplo, um período de tempo que se perdeu, ou um incidente no qual acordaram para encontrar homenzinhos em pé, ao lado de sua cama. Elas então se deitam em meu sofá e fecham os olhos, e eu começo um relaxamento induzido que lhes permite concentrar-se e enfocar. Na primeira sessão, elas ficam freqüentemente confusas, pois não atingiram ainda uma "terra de sonhos", ou por­que se sentem quase em estado normal. Elas observam que podem discutir comigo, levantar-se para ir ao banheiro e fazer o que quiserem.
Nunca sei o que vai resultar de uma sessão de hipnose. Se o hipnotiza­do se lembra de uma experiência de abdução - e ocorrem "alarmes falsos", quando parece que pode ter ocorrido uma abdução mas não ocorreu -, eu começo a fazer uma série de perguntas cautelosas, geralmente como se fos­se uma conversa informal, a partir do que eles estão dizendo. Alguns abduzidos contam suas experiências friamente, como se estivessem olhan­do o passado; outros liberam suas memórias como se estas estivessem acontecendo naquele momento. Alguns se mantêm calmos com relação ao que lhes está acontecendo, outros ficam tão assustados que se torna difícil con­tinuar, embora eu tente confortá-Ios durante a experiência. Alguns se lem­bram aos saltos, como se as memórias chegassem aos pedaços. Outros têm dificuldade em expressar as lembranças que lhes chegam em catadupas como numa inundação. Quase todos os abduzidos recordam suas experiências num misto de espanto, surpresa e familiaridade. Quando terminam, eles se lem­bram do que lhes aconteceu e conversamos por uma ou duas horas. Quando os abduzidos deixam meu escritório, já se passaram cerca de cinco horas. 
Mesmo com minhas advertências e as discussões preliminares, cerca de 25 por cento desistem nesse ponto - estão muito assustados para prosse­guir. Para os que prosseguem, eu conduzo tantas sessões de hipnose quanto possível. Eles desejam desesperadamente compreender o que houve e como isso influenciou suas vidas. Já conduzi até trinta e três sessões com uma pessoa, embora a média para os 110 abduzidos com quem trabalhei seja de seis sessões. Geralmente, evito investigar duas vezes o mesmo evento.
Meu estilo de indagação não é interrogatório. Realizo um toma-Iá-dá­-cá com os abduzidos, quando percebo que eles não se deixarão levar, mes­mo inadvertidamente. Eu os forço a pensar com cuidado sobre os fatos. Tento dar-Ihes perspectiva e a habilidade de analisar à medida que se lem­bram. Sobretudo, tento "normalizar" as lembranças, de modo que possam se liberar dos grilhões dos efeitos inconscientes e psicológicos da abdução, a fim de que possam prosseguir em suas vidas sem o pensamento fixo em sua situação. Gosto de conduzi-Ios a um ponto em que não precisem mais da hipnose para compreender o que lhes está sucedendo.
A hipnose não é fácil. Desde que uma pessoa queira ser hipnotizada, qualquer um pode praticá-Ia. A coisa se complica no momento de formu­lar as perguntas certas no tempo certo e interpretar as respostas. A dinâmi­ca ideal entre aquele que hipnotiza e o abduzido depende do grau de co­nhecimento do fenômeno de abdução por parte de quem hipnotiza, sua experiência com a hipnose e os pressupostos de seu objetivo. Além disso, o hipnotizador deve ajudar o abduzido a enfrentar as memórias, por vezes traumáticas, intervindo terapeuticamente durante a sessão para dar-lhe se­gurança. Assim, um hipnotizador/pesquisador deve ter um conhecimento profissional de hipnotismo, um conhecimento efetivo do fenômeno de abdução, uma familiaridade com as fabulações mais comuns e falsas me­mórias, e habilidade terapêutica. Infelizmente, há poucas pessoas com es­tas qualificações.
Todos os pesquisadores competentes aprendem rapidamente que a memória é inconfiável. Não é fora do comum a pessoa lembrar-se de um acontecimento traumático de forma imprecisa. Os pesquisadores têm de­monstrado que podem fazer com que algumas pessoas se lembrem de algu­ma coisa que nunca aconteceu. Uma discussão casual, mas calculada, de um evento pode inculcar "memórias" sem base na realidade. E também com o passar do tempo as lembranças se degradam, os acontecimentos se mistu­ram e a fantasia invade a realidade.
Fui extremamente afortunado por ter encontrado memórias confiáveis desde a primeira vez que conduzi uma sessão de hipnose. Melissa Bucknell, de 27 anos, uma empregada de agência imobiliária, combinou comigo, antes da sessão, investigar um incidente que ocorrera quando tinha seis anos. Ela começou descrevendo um jogo com um amigo, num campo. Ela se abai­xou para ver uma borboleta, imobilizou-se naquela posição, e sentiu-se flu­tuar em direção a um óvni. Seres de aparência estranha removeram suas roupas e a colocaram sobre uma mesa. Eles realizaram exames médicos e, para seu constrangimento, também realizaram procedimentos ginecológicos.
Depois do exame, um aIienígena com a aparência mais humana, a quem ela chama de Sanda, conduziu-a para uma sala onde ela encontrou um pequeno ser. Melissa foi forçada a tocar a cabeça do pequeno ser e imedia­tamente sentiu amor, calor e afeto emanando dele. Então, Sanda levou-a para outra sala, onde ela encontrou um conselho, de vários aIienígenas sen­tados, em torno de uma mesa. Os aIienígenas comentaram o quanto Melissa era boa, forte e brilhante e disseram que ela conservaria as mesmas qualida­des quando adulta. Depois disso ela foi levada da sala, suas roupas lhe fo­ram devolvidas e ela foi levada de volta ao campo onde estava antes.
Mais tarde naquela noite, escutei a fita da sessão. Horrorizado, descobri que Melissa havia falado tão baixo que meu microfone perdera grande parte do que ela dissera. A fita não gravara quase nada. Continuando a trabalhar com Melissa, três meses mais tarde sugeri que recapitulássemos nossa primeira ses­são de regressão, explicando-lhe que tivera um problema com o gravador.
Desta vez, Melissa estava menos segura do que acontecera. Ela disse que voara para dentro do óvni. Lembrava-se da parte ginecológica de seu exame, que mais uma vez estava constrangida para narrar. Ela con­tou como os seres a levantaram da mesa, a vestiram de novo e a levaram de volta ao campo. Mas, para minha surpresa, ela não relatou o encon­tro na sala com o pequeno alienígena cinzento, cuja cabeça tocara e cujo amor sentira. O encontro com os alienígenas em torno à mesa também foi omitido.
Eu estava perplexo. Na primeira vez, Melissa falara do pequeno alienígena com grande emoção e convicção. Agora, quando lhe perguntei so­bre o encontro, ela nem tinha certeza se havia acontecido. Então, per­guntei sobre o encontro com o conselho de pequenos aIienígenas. Melissa pensou por um segundo e disse que talvez isso tivesse acontecido com outra abduzida, que era sua amiga. Ela tinha certeza de que não aconte­cera com ela.
A experiência me ensinou uma lição valiosa porque percebi que, com toda a sinceridade e honestidade, os abduzidos podem, às vezes, lembrar-se de coisas que não são verdadeiras. Resolvi trabalhar com uma metodologia estrita que vigiasse a ocorrência de falsas memórias. À medida que minha pesquisa prosseguia e um abduzido relatava alguma coisa que eu não tinha ouvido antes, eu esperava a confirmação por outro abduzido que não co­nhecesse o testemunho. Passei a questionar cuidadosamente cada inconsistência, lacuna ou salto lógico. Passei a procurar uma cronologia completa e tentar obter um relato segundo a segundo de cada evento de abdução, sem saltos, lacunas ou omissões.
Nunca tive nem ouvi falar de outro relato de abdução no qual a abduzida tivesse sido forçada a tocar na cabeça de um alienígena para receber emo­ções amorosas. Ouvi relatos de aIienígenas sentados numa "escrivaninha” e que falam com a abduzida, mas as circunstâncias eram muito diferentes das do relato de Melissa. Além disso, Melissa nunca mais se lembrou de um evento parecido durante as suas mais de trinta sessões de abdução. Tudo isso sugere que ela pode ter absorvido inconscientemente algum fragmento de memória de sua amiga abduzida e tê-Io confundido com os detalhes de sua própria história.
Melissa me fizera um tremendo favor. Ela me ensinara sobre os perigos do testemunho hipnoticamente lembrado. Foi uma lição que aprendi com gratidão, lição que todos os hipnotizadores de abduções e pesquisadores devem aprender.

Memória de eventos normais

A memória normal não é bem compreendida. Os neurologistas sabem que o cérebro humano registra eventos e lhes dá um código de "prioridade". Por exemplo, a lembrança de um crime testemunhado recebe uma priori­dade superior ao passante que atravessa uma rua. O cérebro então organiza o material de acordo com o impacto sensorial. Ele primeiro coloca os com­ponentes visuais, auditivos, olfativos e tácteis na memória a curto prazo e então, se os demais componentes são importantes, os armazena em miríades de neurônios que constituem a memória de longo prazo.
O cérebro tem um sistema de recordação para lembrar de vários mo­dos: pensando sobre o evento; relacionando com outro evento para desper­tar a memória; ou ligando a memória a uma visão, um som, um cheiro ou um toque para facilitar a lembrança. A memória pode também residir no consciente de cada um, sem o mecanismo especial de lembrança, como nos casos de eventos traumáticos difíceis de esquecer.
A memória não é armazenada linearmente. Ela é armazenada num banco de dados "relacional", no qual vários fragmentos de memória são coloca­dos em vários "escaninhos" neurológicos. A data e a hora de um evento são armazenados num escaninho, o lugar em outro, os sons associados com o evento em outro, a cor e os cheiros ainda em outro escaninho, os sentimen­tos em outros e assim por diante. Cada um desses fragmentos de memória pode ser esquecido. Cada um pode se degradar e distorcer. Às vezes uma pessoa se lembra de um fragmento de memória que só faz sentido se criar inconscientemente um cenário, mesmo que esse cenário seja fictício, para incorporá-lo.
Em face das complexidades da memória, é de esperar que muitos críti­cos do fenômeno de abdução argumentem que as abduções são apenas tru­ques que a memória fabrica para as pessoas. Eles se referem à síndrome de falsa memória, às memórias anteparo e à "contaminação" pela mídia, para explicar os relatos de abdução. Eles também atacam o uso da hipnose para lembrar os eventos, sob o argumento que isso também pode suscitar me­mórias falsas. São válidas suas objeções?

A síndrome de falsas memórias

Os críticos do fenômeno de abdução acusam os abduzidos, freqüentemente encorajados por pesquisadores, de criarem, mesmo sem saber, fantasias de abdução. Que as pessoas têm falsas memórias é fora de dúvida. Em dadas circunstâncias, elas podem, por exemplo, inventar histórias complexas de abuso físico e sexual.
As falsas memórias de abuso ocorrem quando as pessoas se lembram de eventos, geralmente da infância, que não aconteceram. Entretanto, os de­talhes que as vítimas relatam podem ser extraordinários. Elas contam essas experiências com o impacto emocional de eventos reais. Alguns se lembram de cultos satânicos que os aterrorizaram e até mataram bebês em rituais de sacrifícios humanos. Quando as "vítimas" são confrontadas com os fatos (os investigadores não encontraram bebês mortos; não há bebês dados por desaparecidos na época e lugar dos casos de abusos rituais), elas fornecem explicações revoltadas - como dizer que as próprias mães eram satanistas que entregaram seus bebês para os rituais e não denunciaram a sua falta. As pessoas podem criar falsas memórias com tanta convicção e sinceridade, que conseguem enganar alguns investigadores. O descobrimento de falsas memórias de abusos sexuais pode também causar grandes transtornos emo­cionais na vida das pessoas. Famílias podem ser dilaceradas, filhos afasta­dos, ações judiciais podem ser propostas, e pessoas inocentes são acusadas e até mesmo presas injustamente.
A descoberta de falsas memórias é geralmente facilitada por um terapeuta que está convencido de que seu cliente foi abusado sexualmente (ou qual­quer outro abuso referido pelas falsas memórias), mesmo que o cliente não tenha delas nenhuma Iembrança. Por meio de persuasão insistente, o terapeuta inculca no cliente a idéia de que todos os seus problemas emocio­nais provêm da repressão de lembrança de algum trauma antigo. O terapeuta pode dizer ao cliente que, se pensar profundamente, ele se lembrará do evento traumático. A cura só pode começar, diz o terapeuta, se as lembran­ças começarem a surgir. O fato de não se lembrar significa que a vítima está reprimindo-o e a própria repressão torna-se "prova” do abuso. Presa neste redemoinho, a vítima de um terapeuta honesto mas incompetente dificil­mente conseguirá evitar o pior. Finalmente, como no caso bem divulgado de Paul Ingram e suas filhas, os sujeitos "lembram-se" do abuso.
Existem especialistas pesquisadores da síndrome de falsas memórias que têm uma longa experiência com alegações de abuso sexual e podem des­mascarar falsas memórias. Entretanto, eles começaram a ampliar sua espe­cialidade para áreas nas quais, desafortunadamente, não são competentes. O fenômeno de abdução tem se tornado um alvo irresistivel.
Por exemplo, o psicólogo e especialista em hipnose Michael Yapko escreve, em seu livro Sugestões de abuso, que o fenômeno de abdução é sim­plesmente uma questão de "fenômeno da sugestionabilidade humana”, que lhe causa "irritação e incredulidade." A psicóloga e especialista em memó­ria Elizabeth Loftus, em seu livro O mito da memória reprimida, trata as abduções como atos de irracionalidade realizados por "pessoas que de ou­tros modos são saudáveis e inteligentes". Ela cita as afirmativas do psicólo­go Michael Nash, que "tratou com sucesso" um homem que afirmava que lhe haviam tirado uma amostra de esperma durante uma abdução. Usando a hipnose e outras práticas terapêuticas, Nash acalmou o homem e o aju­dou a retornar à sua rotina diária normal, mas, lamenta Nash: "Ele saiu do meu consultório tão plenamente convencido de que havia sido abduzido quanto quando entrou." Loftus concorda com Nash de que o poder das falsas memórias desse homem fez com que ele continuasse a acreditar em sua história ridícula.
Loftus e Nash, juntamente com outros críticos, estão errados. Nem eles nem outros críticos jamais apresentaram provas de que os relatos de abdução são o produto da síndrome de falsas memórias (ou, de qualquer modo, outro motivo para as experiências sofridas pelos abduzidos). A razão pela qual eles não apresentaram essas provas reside na circunstância de não entende­rem o fenômeno de abdução. Se assim não fosse, eles perceberiam que os relatos de abdução se diferenciam da síndrome de falsas memórias em cinco pontos.
1. Em contraste com as vítimas da síndrome de falsas memórias, os abduzidos não relatam apenas experiências da infância. Eles se lembram, é claro, de eventos de abdução ocorridos na infância, pois o fenômeno de abdução começa na infância, mas também se recordam de eventos de abdução ocorridos na idade adulta. De fato, muitos relatos de abdução, diversamente dos relatos de falsas memórias, são relativos a fatos bem re­centes. Das últimas 450 abduções que investiguei, cerca de 30 por cento ocorreram nos últimos 30 dias do relato e 50 por cento no último ano. Também investiguei eventos de abdução que me foram relatados algumas horas ou alguns minutos depois de sua ocorrência.
Em 1991, por exemplo, Jason Howard, um professor de escola primá­ria, dirigia-se para um encontro de apoio a abduzidos em minha casa. Ele colocou os sapatos, que guarda junto à porta da frente de sua casa. É a úl­tima coisa que ele faz antes de sair de casa. Subitamente, já se haviam pas­sado quatro horas e Jason estava em seu quarto no andar superior. Ele me telefonou imediatamente dizendo que se lembrava vagamente de ter calça­do os sapatos e depois deitado no sofá. Quando conduzi uma sessão de hipnose sobre esse evento, Jason lembrou-se de ter calçado um sapato e ter tido uma vontade irresistivel de se deitar no sofá. Lembrou-se de que os seres pequenos apareceram em sua sala e o flutuaram através do teto, dire­tamente para o interior de um óvni que estava esperando. Seguiram-se uma série de procedimentos, incluindo coleta de esperma e seqüências de visões.
Os alienígenas o trouxeram de volta à sua casa, mas em vez de o colocarem no sofá, onde ele estava no começo da abdução, colocaram-no em sua cama no quarto de dormir do andar superior. Quando ele recobrou a consciên­cia, percebeu que alguma coisa acontecera e me telefonou. O relato imediato desse evento não se enquadra na síndrome de falsas memórias.
2. Em contraste com as vítimas da síndrome de falsas memórias, os abduzidos têm corroboração indireta dos eventos. Eu estava ao telefone com Kay Summers, cuja experiência de abdução começou enquanto está­vamos falando. Ela descreveu um barulho descomunal, às vezes associado com o início de uma abdução, e eu também ouvi o barulho ao telefone. A hipnose revelou, mais tarde, que logo depois que desligou o telefone ela foi abduzida. As falsas memórias não tomam forma simultaneamente à ocorrência de eventos atuais, durante os quais um pesquisador é um corroborador indireto.
3. Em contraste com as vítimas da síndrome de falsas memórias, os abduzidos freqüentemente se lembram de eventos sem a ajuda do terapeuta. Eles podem se lembrar de eventos que aconteceram em momentos especí­ficos de suas vidas. Eles sabem que determinado evento ocorreu e não pre­cisam da terapia para recuperar suas memórias.
4. Em contraste com as vítimas da síndrome de falsas memórias, os abduzidos desaparecem fisicamente durante o evento. O abduzido não está nos lugares habituais; as pessoas o procuram e não acham. O abduzido geralmente tem consciência de uma lacuna de duas ou três horas que nem ele nem ninguém sabe explicar. Essa corroboração física não ocorre na síndrome de falsas memórias.
5. Em contraste com as vítimas da síndrome de falsas memórias, os abduzidos podem fornecer confirmação independente da abdução. Apro­ximadamente 20 por cento das abduções incluem duas ou mais pessoas que se vêem durante o evento de abdução. Às vezes eles relatam isso ao investi­gador.
Além disso, é importante notar que, diversamente das vítimas da síndrome de falsas memórias, os abduzidos não experimentam as perturba­ções de sua vida pessoal depois que tomam consciência de sua situação. De fato, muitas vezes ocorre justamente o contrário. Quando os abduzidos se submetem à hipnose competente e compreendem a natureza de suas me­mórias, freqüentemente começam a ter controle intelectual e emocional dessas memórias. Eles se sentem mais confiantes à medida que percebem que seus pensamentos e temores inexplicáveis durante anos (por exemplo, medo de ir para o quarto à noite, lembranças de estar deitado numa mesa de uma sala estranha cercado de criaturas e se assustar diante de exames médicos) eram reações apropriadas a estímulos poderosos e desconhecidos. Rememorando os eventos, os abduzidos controlam os temores que os ator­mentavam durante anos e colocam suas vidas em ordem, embora saibam que o fenômeno de abdução não irá terminar. O conhecimento do fenô­meno de abdução os ajuda a levar uma vida mais "integrada”, em vez de sofrerem dos poderosos efeitos perturbadores tão comuns às vítimas da síndrome de falsas memórias.



Memórias anteparo de abusos sexuais

Antes que a síndrome de falsas memórias se tornasse importante, os terapeutas presumiam que os relatos de abdução se deviam a memórias re­primidas e abusos sexuais na infância. Eles postulavam que como o abuso era tão traumático, a vítima inconscientemente transformava o abuso em relatos de abdução. Para enfrentar o terror, a pessoa vivia com o trauma mais "aceitável" de ser abduzida por alienígenas.
Não há provas para essa explicação. Não existem notícias de que um relato de abdução seja "memória anteparo" de abuso sexual. De fato, ocor­re o contrário. Há provas de que as pessoas que se "lembram' de terem sido sexualmente abusadas foram, na realidade, vítimas do fenômeno de abdução.
Jack Thrernstrom se lembra de estar andando com sua irmã num quin­tal cercado atrás de sua casa quando tinha doze anos. Durante a caminha­da, Jack viu um homem com "óculos escuros" que abusou sexualmente dele. Jack não precisou os detalhes, mas se lembra de que retiraram suas roupas e expuseram seus órgãos genitais. Ele não tem certeza do que aconteceu a sua irmã, mas pensa que talvez ela tenha fugido. Ele nunca relatou o evento a ninguém, e durante os dezoito anos seguintes viveu com a memória trau­mática de que teria sido abusado sexualmente por um estranho. Quando Jack rememorou o episódio numa sessão de hipnose, o homem de óculos escuros resultou ser um alienígena, e o incidente não passava de um evento de abdução rotineiro, no qual Jack passou por um exame médico. Ele não havia sofrido abuso sexual. Jack criara uma "memória” de fragmentos do evento que, horrível como deveria ter sido, fazia mais sentido para ele como sendo um abuso sexual.
Em outro caso, "Julie" se lembrava de um evento ocorrido quando tinha dez anos. Ela estava em casa no bar do porão com seu pai e três vizinhos. Julie tem lembrança do seu pai segurando suas mãos sobre a sua cabeça enquanto os vizinhos a violentavam sexualmente. Numa regressão hipnótica essa mulher revelou que isso havia sido um evento de abdução que começara quando ela estava no bar do porão com seu pai e seus ami­gos. O pai e dois dos vizinhos foram imobilizados e colocados em estado semiconsciente ("desligados"), durante o evento. Os alienígenas levaram a ela e um vizinho, o Sr. Sylvester, do porão para um óvni. Durante o evento de abdução, ela passou por visões de contato sexual entre um ho­mem e uma mulher (ela pensa que o homem seria talvez o Sr. Sylvester). Quando o episódio terminou, os alienígenas a levaram de volta para o bar, juntamente com o vizinho. Ela não foi sexualmente violada naquela ocasião. O Sr. Sylvester, que ela detestou durante anos, resultou ser tanto vítima quanto ela.
Obviamente, nem todos os casos de abuso sexual são eventos de abdução. Uma abduzida lembra-se de ter sido violada sexualmente quando tinha treze anos. Ela não se lembra de como desceu as escadas até o quarto de seu as­saltante sexual, também adolescente, e estava confusa sobre outros deta­lhes. Suspeitando que isso poderia ser uma memória anteparo de uma abdução, ela o estudou sob hipnose. Ela se lembrou do rapaz, de como desceu as escadas, do que aconteceu no quarto e do que aconteceu depois. Ela não se lembrou de ter visto alienígenas, ter sido transportada para fora da casa ou ter estado a bordo de um óvni. Ela foi violada sexualmente e não abduzida.

Contaminação pela mídia

O seriado de televisão e os filmes Jornada nas Estrelas, em essência, torna­ram-se parte da consciência americana. Milhões de pessoas viram essas nar­rativas fictícias de humanos e alienígenas, do mesmo modo que muitas pes­soas viram relatos de abdução na televisão ou leram livros a respeito. A sociedade tem sido tão inundada com histórias sobre abdução por alienígenas que se tornou difícil para a maioria das pessoas escapar delas. Um relato de abdução "puro" está ficando cada vez mais difícil de obter. 
O problema da influência da mídia acerca dos óvnis e dos relatos de abdução têm empestado os pesquisadores de óvnis. No correr dos anos, os investigadores aprenderam a julgar cada aparição de óvni pelos seus próprios méritos, desenvolvendo uma metodologia para "separar o joio do tri­go". A credibilidade de uma testemunha, a qualidade da informação e os relatos corroborativos de outras testemunhas têm sido o critério na avalia­ção da validade de um relato. Os pesquisadores agora aplicam esse processo aos relatos de abdução.
A contaminação da mídia representa um problema para a pesquisa de abdução? Não. Embora ocorra de tempos em tempos, de fato a maioria dos abduzidos são extremamente sensíveis aos perigos das influências cul­turais. Quando eles examinam suas memórias comigo, estão profundamente conscientes da possibilidade de que talvez tenham "pescado" um incidente e o tenham incorporado em sua narrativa. Nas primeiras sessões de hipnose, a auto-censura é tão forte que se torna um problema. As pessoas não querem dizer alguma coisa que dê a impressão de que são loucas e não desejam papaguear alguma coisa que tenha sido colhida na sociedade. Elas estão tão preocupadas com essa contaminação que muito freqüentemente tenho de insistir em que verbalizem suas memórias e não as censurem.
Quando os abduzidos me dizem o que eles lembram, suas narrativas em geral têm uma riqueza de detalhes que não poderia provir da contami­nação da mídia. A mídia em geral dissemina muito pouca informação s6li­da sobre abduções. Que os abduzidos se lembrem e descrevam aspectos específicos dos procedimentos - detalhes que muitos abduzidos descre­vem mas que nunca foram publicados - é extraordinário e milita forte­mente contra as influências culturais.
Um bom exemplo de ausência de contaminação da mídia é o livro, al­tamente controvertido, de Whidey Strieber, Comunhão, em 1987. Esse li­vro ficou na lista dos bestsellers do New York Times durante trinta e duas semanas e no primeiro lugar por quase cinco meses. Strieber conta detalhes de suas experiências que não coincidem com o que diz a maioria dos abduzidos. Ele fala de ter sido transportado para uma ante-sala suja onde se sentou num banco, em meio a um grande barulho. Essa passagem altamente evocativa de seu livro foi tão impressionante quanto aterradora. Se a contaminação da mídia fosse um problema, seria de esperar que alguns dos abduzidos com quem trabalhei e que leram Comunhão descrevessem uma situação semelhante. Isso não ocorreu. Nenhum deles jamais disse ter se sentado numa sala suja ou cheia de roupa velha. Similarmente, o filme de Strieber, Comunhão, visto por milhões de pessoas, tem uma cena em que aparece um grupo de alienígenas azuis e gorduchos dançando. Nem eu nem meus colegas jamais tivemos um relato similar. Apesar da aparente ausência de contaminação da mídia, todos os pesquisadores devem adotar uma atitude vigilante a respeito. É possível que não reconheçamos a contamina­ção da mídia se a pessoa incorporar apenas um pouco dela em sua narrativa, tornando-a parte e suas “memórias”.

Eventos conscientemente lembrados

Se os relatos de abdução não são parte de uma síndrome de influências sutis e insidiosas no cérebro da pessoa, dizem os críticos do fenômeno, os abduzidos deveriam poder lembrar-se conscientemente de suas experiên­cias, bem como fornecer informações precisas aos investigadores. De fato, os abduzidos lembram-se conscientemente das abduções - às vezes frag­mentos, às vezes seqüências longas e em algumas ocasiões até o evento com­pleto. Muitas vezes esses relatos são precisos e detalhados e se enquadram de perto com os recuperados sob hipnose. Entretanto, com freqüência as memórias conscientemente lembradas são fortemente deturpadas, com de­talhes torcidos de eventos verdadeiros e memórias "concretas" de eventos que não aconteceram. As memórias conscientemente lembradas podem ser um amálgama de fragmentos de uma abdução recriada numa seqüência lógica que não reflete a realidade.
Um excelente exemplo é o caso de Marian Maguire, uma mulher de sessenta anos com duas filhas adultas que acordou numa manhã de 1992 e conscientemente se lembrou de uma situação, acontecida anos antes, na qual se encontrava com a filha durante uma abdução. Ela lembrou-se de que estava segurando a mão da filha e, juntamente com outras pessoas, de ter sido "presa" à parede com um aparelho especial. Isso foi tudo do que se lembrou conscientemente, mas ela tinha certeza de que o evento ocorrera exatamente do modo como se lembrava.
Eu nunca ouvira dizer que abduzidos fossem presos a uma parede. Al­gumas semanas mais tarde, Marian e eu exploramos o assunto numa sessão de hipnose. Durante a regressão hipnótica, Marian teve dificuldade em se lembrar de ter andado até a parede, ter sido presa ali e depois ter sido solta. À medida que eu insistia, ela se tornava insegura sobre o que realmente havia acontecido. Ela percebeu que a parede continha pequenos quadrados ne­gros. Enquanto Marian olhava para eles, eu perguntei o que ela enxergava abaixo. Eu esperava que ela mencionasse a parede ou o assoalho. Em vez disso ela disse "mãos engraçadas". As mãos continuavam nos punhos, os punhos nos braços e assim por diante. Então, ela percebeu que estava enca­rando os olhos negros do alienígena. Ela não estava presa numa parede. Estava de pé numa sala com suas filhas e um alienígena se aproximou dela e olhou fixamente bem de perto em seus olhos. Com o tempo, os olhos negros se transformaram em "grilhões" numa "parede" e a sua incapacida­de de evitá-Ias se transformou na idéia de estar "presa” neles. Durante a hipnose, os grilhões se transformaram em "quadrados". Apesar de haver uma base real para a lembrança de Marian, os detalhes de que ela se lembrava conscientemente não aconteceram.
Outro exemplo é o de Janet Morgan, mãe solteira com dois filhos que se lembrava conscientemente de uma experiência bizarra de abdução. Ela estava deitada sobre uma mesa, quando viu dois alienígenas lutando para trazer um jacaré vivo à sala. Eles colocaram o animal no chão ao lado da mesa, deitado de costas, e então, com uma faca, fizeram uma incisão, do tipo que em autópsia se chama mentopubiana, abrindo o seu corpo de alto a baixo. O coitado do jacaré gemia e olhava para Janet. Essa lembrança traumática lançou-a numa longa depressão. De início, ela não desejava reme­morar o evento hipnoticamente, pois temia que isso trouxesse de volta cer­tos detalhes que iriam aprofundar ainda mais a sua depressão. Depois de passar um ano acabrunhada com o incidente, Janet decidiu corajosamente encarar a lembrança para conseguir controlá-Ia emocionalmente.
Sob hipnose, a lembrança de Janet resultou ser parte de um complexo evento de abdução no qual os alienígenas realizaram nela muitos procedimentos diferentes. Eles fizeram um exame médico, recolheram um óvulo, forçaram-na a mergulhar numa piscina de líquido e realizaram uma varre­dura mental que lhe causou muito pavor. Então Janet encontrou-se sozi­nha numa sala, deitada numa mesa, tremendo de medo. Os alienígenas entraram pela esquerda de Janet, puxando um jacaré que colocaram no chão ao lado da mesa onde Janet se encontrava. Observando o animal, Janet começou a perceber que ele não se parecia tanto com um jacaré; ela não via a cabeça e as patas do jacaré. De fato, tratava-se de um homem dentro de um saco de dormir verde. Quando os alienígenas abriram o zíper do saco, o homem olhou para Janet e gemeu. Nunca houve jacaré. Os alienígenas não cortaram a sua barriga.
Algumas das memórias conscientemente lembradas mais comuns são dos primeiros e últimos segundos de uma abdução, quando a pessoa ain­da está em seu ambiente normal. Os abduzidos muitas vezes se lembram de acordar e ver vultos de pé ao lado da cama. Mas, em vez de se lembrar de alienígenas, recordam-se de amigos ou parentes falecidos ou figuras religiosas. Lily Martinson, por exemplo, uma corretora de imóveis, lem­bra-se do seguinte incidente, quando estava de férias com sua mãe nas Ilhas Virgens, em 1987. Adormecida em seu quarto de hotel, ela acordou e viu seu irmão falecido, de pé ao lado de sua cama; ela se lembrava per­feitamente de suas feições e achou a sua presença segura e confortadora. Quando examinamos a lembrança sob hipnose, entretanto, a descrição que Lily fez do irmão foi a de uma pessoa sem roupas, pequeno, magro, sem pêlos e com grandes olhos. Não era seu irmão. Embora tenha ficado desapontada por não ter visto seu irmão, ela ficou satisfeita em saber a verdade.
De fato, os alienígenas criaram, talvez involuntariamente, um obstácu­lo singular para esconder a verdade dos eventos. É a questão das "memórias inculcadas" - imagens que os alienígenas colocam propositadamente nas mentes dos abduzidos. Durante os procedimentos de visualização, os alienígenas podem mostrar aos abduzidos um grande número de imagens: explosões atômicas, meteoros chocando-se contra a Terra, o mundo partin­do-se em dois, degradação ambiental, desastre ecológico, pessoas mortas encharcadas de sangue e espalhadas pelo chão, e sobreviventes pedindo socorro ao abduzido. Ou os alienígenas podem criar imagens de Jesus, Maria ou outros santos. Essas imagens têm o efeito de serem tão nítidas que os abduzidos pensam que os eventos “realmente” ocorreram, ou que eles “realmente viram" as figuras religiosas. Isso pode constituir um problema, prin­cipalmente se o investigador não está familiarizado com os procedimentos de visualização e deixa de identificar as memórias inculcadas. Assim, Bety Andreasson, no livro pioneiro de Ray Fowler, O caso Andreasson, relata uma situação na qual "viu" um pássaro semelhante a uma fênix renascendo das cinzas. Ele era "real" para ela, que o relatou como uma ocorrência verda­deira. Já vi pessoas que se lembravam de figuras que se pareciam com Abrahan Lincoln usando uma cartola, homens de chapéu-coco, anjos, de­mônios e assim por diante.

Memórias lembradas durante a hipnose

A confiabilidade das memórias lembradas durante a hipnose depende não do hipnotizado, mas do hipnotizador. Usada erroneamente, a hipnose pode levar à confusão, fabulação, canalização e falsas memórias. Infelizmente, há um grande uso impróprio de hipnose na pesquisa de abdução. E, quando o evento de abdução é recuperado por um pesquisador que tem pouca experiência ou pouco treinamento nas técnicas de hipnose, tanto ele quanto o abduzido podem facilmente se iludir e acreditar que as coisas que aconte­ceram na abdução realmente se passaram.

Sugestionando a testemunha

Os céticos do fenômeno de abdução muitas vezes acusam os pesquisa­dores que usam a hipnose de "sugestionar" as pessoas para que acreditem que foram abduzidas. Dizem os críticos que há fatores culturais e psicoló­gicos que forçam as pessoas a procurar um hipnotizador, que tem interesse emocional ou intelectual em que a pessoa seja realmente uma abduzida. E, mediante: sugestões sutis e interrogatório direto, a pessoa "lembra-se" de um relato de abduçtio inteiramente inventado.
A "sugestão" é um sério problema na pesquisa de abdução, mas não da forma como os críticos afirmam. Quando pesquisadores ou hipnotizadores inexperientes escutam a história contada pelo abduzido, eles muitas vezes não distinguem as fantasias dissociadas, confabulações e falsas memórias, ou memórias inculcadas pelos alienígenas. O resultado é que a pessoa faz o hipnotizador ingênuo acreditar num cenário de abdução que, de fato, não ocorreu.
Esse tipo de sugestão, ao contrário, é mais bem exemplificada por uma situação hipotética. Suponhamos que um abduzido me procure para falar de suas alegadas experiências de abdução, e sob hipnose me conte que esteve a bordo de um óvni, se sentou no chão com alienígenas e jogou uma partida semelhante ao Monopólio, mas cujos nomes de ruas eram realmente estranhos. Se eu lhe fizer uma pergunta sobre nomes de rua, corro o perigo de cair numa sugestão ao contrário. Em meus mais de onze anos de investigação de abduções, nunca ouvi falar de alguém jogar partidas com os alienígenas e tenho de me assegurar que aquele evento realmente ocorreu como descrito, antes de me aprofundar no assunto.
Como sei que as pessoas poderão, às vezes, fabular, especialmente durante a primeira sessão de hipnose, eu imediatamente suspeitaria nesse caso que se trata de uma fabulação - embora tenha de lembrar que é sempre possível que os alienígenas tenham jogado uma partida de Mo­nopólio com o abduzido. Eu prosseguiria com minhas perguntas para determinar se isso realmente ocorreu. Eu procuraria contradições e in­consistências, examinando o incidente sob diferentes perspectivas tem­porais, perguntando coisas que aconteceram antes e depois. Pediria ao abduzido que descrevesse a seqüência de eventos segundo a segundo procurando por pequenas incoerências na narrativa. Perguntaria se os alienígenas estavam sentados ou em pé, precisamente para onde eles es­tavam olhando e exatamente para o que eles estavam olhando. Em ou­tras palavras, procuraria pelos procedimentos de visualização dos alienígenas que poderiam ter inculcado essa imagem na mente do abduzido, fazendo com que ele pensasse que havia jogado uma partida com os alienígenas quando isso não ocorreu. Se o abduzido mostrasse inconsistência nas suas respostas, eu encararia o incidente com ceticis­mo. Se ele mantivesse sua história, eu pelo menos consideraria a maté­ria como "pendente" e esperaria por uma confirmação independente do caso, por parte de outro abduzido.
Em contraste com a metodologia que delineei, o hipnotizador ingênuo, sem saber que estava sendo sugestionado, ouviria a história do jogo de Monopólio e perguntaria: "Quais os nomes das ruas?" Essa pergunta indica sutilmente a aceitação por parte do hipnotizador, o que serve para reforçar o material fabulado como "real" para o abduzido. Essa validação estimula o abduzido para mais fabulação. Uma forma inconsciente e ino­cente ocorre, e o abduzido começa a se "lembrar" de mais eventos que está só imaginando. (Esse estado mental é semelhante à "canalização", na qual a pessoa, num estado auto-alterado de consciência, acredita que está recebendo comunicações de um espírito ou entidade invisível que responde a perguntas ou aconselha com sabedoria.) O abduzido inconscientemen­te conduziu o hipnotizador e o hipnotizador reciprocamente validou o abduzido. Os dois se juntam em confirmações mútuas, fabricando uma narrativa, que pode ter um grão de verdade, mas contém preponderante­mente fantasia.

Fantasias mutuamente confirmadas

O exercício da pesquisa de abdução é excepcionalmente difícil - não somente por causa da natureza do material e de como ele é recolhido, mas porque o reconhecimento e as compensações desse trabalho prati­camente não existem. Em vez disso, o ridículo e o menosprezo consti­tuem as maiores "honras". Acredito que quem coloca sua reputação em risco e se aventura nessa área merece os aplausos de todos os que dão valor à procura da verdade. Apesar disso, até os pesquisadores mais importantes às vezes caem em algumas armadilhas como as fantasias mutuamente confirmadas.
John Mack, professor de psiquiatria da Universidade de Harvard e pes­quisador de abdução, fornece um bom exemplo de fantasias mutuamente confirmadas. Crítico social conhecido nacionalmente e ganhador do prê­mio Pulitzer, Mack ficou fascinado com o fenômeno de abdução em 1990, depois que assistiu a uma palestra de Budd Hopkins. Mack rapidamente reconheceu que o fenômeno de abdução não era uma criação mental e portanto possuía uma realidade externa. Corajosamente, ele iniciou um exame completo do fenômeno, em detrimento de sua carreira em Harvard e do escárnio de seus colegas.
No livro Abdução, Mack relata uma sessão de hipnose que conduziu com "Catherine", na qual os alienígenas alegadamente mostraram a ela imagens, numa tela, de um cervo, um prado, desertos e outras "vistas natu­rais". Depois ela viu pinturas num túmulo egípcio e teve a impressão de que estava se vendo numa vida passada.

Então, eles mostraram a ela um quadro de pinturas com a tinta descas­cando. "Então mudou para mim, eu estava pintando o quadro." Mas na­quela encarnação ela era um homem, e enquanto via a cena disse: "Isso faz sentido para mim... isso não é um truque. Isso é informação útil. Isso não são eles trazendo bobagem como tudo o mais." Catherine sentia agora que sua insistência no intercâmbio de informações se afirmara.
Então, pedi a Catherine que falasse mais sobre essa sua imagem como um pintor num túmulo de uma pirâmide egípcia. Em resposta à minha per­gunta, ela forneceu uma grande quantidade de informações... sobre o ho­mem e seus métodos, e o seu ambiente. O que me impressionou foi o fato de... ela não estar tendo uma fantasia sobre o pintor. Em vez disso, ela era ele e podia "ver coisas totalmente do seu ponto de vista, e não como alguém que estivesse observando de fora”.

Catherine prosseguiu para "lembrar" muitos detalhes da vida e da pin­tura egípcia. Mais tarde, na sessão, ela disse a Mack que um alienígena lhe perguntara se compreendia o sentido da cena egípcia. Ela então percebeu que "tudo estava relacionado", canyons, desertos e florestas. "Uma coisa não pode existir sem a outra e eles estavam me mostrando uma vida passada para que eu visse que estava relacionada com aquilo, e estava relacionada com todas essas outras coisas." Catherine também se convenceu de que estava relacionada com os alienígenas. Resistir a eles significava que estaria lutan­do contra si mesma, e, portanto, não havia razão de lutar.
Mack não apenas aceita a validade desse "diálogo" como também a in­terpretação dada por Catherine. Em vez de tratar todo o episódio com ex­trema cautela e ceticismo, ele não questiona sua aceitação de uma vida pas­sada, sua impressão de relacionamento, sua impressão de que um pedido anterior de intercâmbio de informações teve resposta afirmativa e sua decisão de não resistir.
Catherine também disse a Mack que "eles estavam tentando me dominar pelo medo e por isso me assustaram tanto, porque eu ficaria saturada e superaria esta fase para iniciar coisas mais importantes". Mais uma vez, Mack aceita a conversação sem vacilar e pede-lhe que "expli­que melhor como, assustando-a mais ainda, faria com que ela superasse o medo". Essa pergunta solicita informações fora do objetivo de seu testemunho. Assim, Catherine contou a Mack os detalhes de como isso funcionava.
A narrativa de Catherine continha uma vida passada, um "diálogo", tentativas alienígenas de ajudar a abduzida, uma mensagem ambiental e desenvolvimento pessoal. Para um hábil hipnotizador de abduções, cada aspecto dessa narrativa seria suspeito. Catherine poderia facilmente ter ca­ído num estado dissociado no qual encarava suas fantasias internas como eventos externos que teriam se passado com ela.
Se as imagens de sua vida passada entre os egípcios fossem verdadei­ras, isso poderia ter acontecido durante uma seqüência de visualização, o que automaticamente significa que um procedimento mental de suges­tão estava ocorrendo. Às vezes os abduzidos combinam procedimentos de visualização, sonhos e fantasias para compor lembranças de realidade externa. Sua interpretação dessas "memórias" muitas vezes é mais depen­dente de sua credulidade pessoal do que as verdadeiras ocorrências. A menos que seja versado nos problemas que esses procedimentos mentais npresentam, o hipnotizador pode cair facilmente na armadilha de aceitar fantasias e pensamentos confusos como realidade. Mack não demonstra ceticismo a respeito dessa história. Ele admira a "articulação espontânea" de sua narrativa.
Há outros hipnotizadores de abdução que, como John Mack, se tornam presas de erros metodológicos. Como parte de uma série de treze regressões hipnóticas com abduzidos, a psicóloga Edith Fiore apresenta uma longa transcrição de um evento extraterrestre no seu livro Encontros, publicado em 1989. Fiore acredita que o ato de relatar a informação­ real ou imaginária - tem valor terapêutico, e, portanto, está mais inte­ressada no que os abduzidos pensam que aconteceu com eles do que no fato concreto ocorrido.
Ela descreve a regressão hipnótica de Dan, que se "lembra" de ter sido membro de uma força de ataque alienígena, ter destruído inimigos em outros planetas, ter visitado os planetas "Deneb" e "Markel", ter tomado uns drinques com o capitão, e outros detalhes de uma vida diária notavelmente terrestre. Um dia Dan estava diante das cascatas, olhando para as árvores. Era um dia lindo e calmo. Parecia que ele assumira o corpo de uma peque­na criança humana.

Dra. Fiore: E onde está sua nave?
Dan: Eu sou uma criança, sem nave, sem responsabilidade. Só um belo dia de verão. Nada para fazer. Todo o dia livre. Só passear.
Dra. Fiore: Agora vemos você como essa criança. Vou perguntar como você fez a conexão e como virou criança.
Dan: Duas pessoas diferentes. A criança tem todas as lembranças. É como se aposentar. Você tem a chance de não fazer nada se viver muito. Ficar num lugar bonito e agradável.
Dra. Fiore: Como você conseguiu ser essa criança? (sic) ...
Dan: Eu o encontrei naquela estrada. Na realidade o substituí.
Dra. Fiore: Agora vamos voltar para quando você se uniu a ele, vamos ver como você chegou àquela estrada.
Dan: Bêbado. Horrível, horrivelmente bêbado. Festinha boa. Na manhã seguinte... passeio na ponte. Dizer adeus.
Dra. Fiore: E então o que acontece?
Dan: Só eu hoje. Um de cada vez. Escolher um planeta. Escolher um fácil. Todo o mundo está rindo.
Dra. Fiore: Você diz que estava bêbado?
Dan: A noite passada, terrível ressaca.
Dra. Fiore: Onde você se embebedou? (sic)
Dan: No navio, no refeitório dos oficiais... Confusão, bebida.
Dra. Fiore: Que tipo de navio é esse?
Dan: Classe M. Grande. Cruzador; quatorze naves de desembarque; 3.500 tropas. Armados até os dentes.

Este interrogatório validou o que o hipnotizado estava dizendo e sutilmente confirma a sua autenticidade. Fiore diz mais tarde que as lem­branças deram a Dan uma "melhoria na sua autoconfiança e uma mara­vilhosa paz interior". E ela acredita que cada uma das experiências de que seus analisados se lembram "verdadeiramente aconteceram como eles se recordaram". Claramente, esse cenário de modo algum se ajus­ta ao cenário que conhecemos de abdução, embora existam algumas poucas semelhanças (adultos híbridos às vezes usam uniformes parami­litares).
Em vez de focalizar um incidente e reunir os dados de forma crítica e cuidadosa, Fiore alterna nove "encontros" na primeira regressão hipnótica com Dan - que nas mãos de um hipnotizador inexperiente de abduções pode resultar numa narrativa confusa e superficial. Mais ainda, Dan sabe a resposta a praticamente todas as perguntas relativas aos fatos de vida numa nave. Essa segurança do conhecimento da matéria geralmente é um forte indicador de fabulação:

Dra. Fiore: Existe alguma homossexualidade?
Dan: Alguma.
Dra. Fiore: E como isso é encarado?
Dan: Tolerado. Não favoravelmente, mas tolerado.
Dra. Fiore: Há problemas com o controle da natalidade?
Dan: Não.
Dra. Fiore: Por que é assim?
Dan: Remédios, injeções.
Dra. Fiore: Com que freqüência são aplicadas?
Dan: Cada viagem.

As chances de que isso seja uma fantasia dissociada são muito gran­des. Em 1989, quando a Dra. Fiore investigou o caso, ela poderia ser mais bem servida se instituísse critérios de credibilidade pelos quais só aceitaria material que fosse confirmado por outros que não conheces­sem o testemunho anterior. Mas Fiore e Mack eram terapeutas que não possuíam treinamento como investigadores. Seu enfoque nos relatos de abdução é muito diferente dos pesquisadores mais empiricamente orien­tados.
É importante compreender que, apesar de seus problemas metodológicos, Mack e Fiore, como outros hipnotizadores, revelam muito dos procedimentos de reprodução que constituem o cerne da experiência de abdução. Entretanto, por causa de seu treinamento, eles não estão particu larmente interessados no que aconteceu com o abduzido. Para Mack, assim como para muitos terapeutas, a investigação das circunstâncias reais das experiências de um cliente não é uma preocupação primordial. A desco­berta do que aconteceu com o abduzido é menos importante do que o cliente pensa que lhe aconteceu - a precisão e a veracidade da narrativa têm pou­ca importância. Como disse Mack: ''A questão de se a hipnose (ou qual­quer outra modalidade que nos ajude a atingir realidades fora ou além de nosso mundo físico) revela com exatidão o que de verdade 'aconteceu' pode ser imprópria. Uma questão mais útil seria se o método de investigação pode dar informações que sejam consistentes entre os que tiveram a experiência, traz convicção emocional e aumenta o nosso conhecimento dos fenômenos que sejam significativos para a vida de quem teve a experiência e a cultura maior" (itálico no original).
Assim, quando Mack conduz uma hipnose, ele primeiro explica ao cliente que está "mais interessado na sua integração com as experiências rememoradas, à medida que o processo prossegue, do que em 'saber a história’. A história... se ajustará no seu devido tempo". A verdade ou falsidade das experiências de uma pessoa - a cronologia, a lógica procedural e a percepção exata de um evento - têm papel secundário na metodologia de Mack. Mas ele declara que seu "critério para incluir ou acreditar numa observação do abduzido é simples­mente se o que está sendo narrado foi percebido como real por quem teve a experiência e se me foi comunicado sinceramente". Os fatos têm papel limi­tado, quando Mack encara um evento de abdução.
Fiore age do mesmo modo. Ela declara: "Porque minha preocupação primordial é ajudar as pessoas, não importa para mim se os pacientes/sujei­tos relatam corretamente a cor da pele dos alienígenas, por exemplo. O importante para mim é que os efeitos negativos do encontro sejam libera­dos através das regressões."
A dedicação de Mack e Fiore em ajudar os abduzidos é inquestionavelmente apropriada. Eles merecem elogios pela sua dedicação desinte­ressada, ajudando as pessoas a compreender o fenômeno de abdução. A terapia deveria ser a prioridade máxima de todos os pesquisadores. Mas a relutância deles (e de outros hipnotizadores) em separar os fatos da fantasia leva a uma aceitação ingênua de narrativas que deveriam ser encaradas com suspeita. Isso marca as suas técnicas de pesquisa e resulta em interrogatório que confirma as fantasias.
A fantasia mútua - uma forma sutil de sugestão - é um problema muito mais significativo para a pesquisa de abdução do que a formulação de perguntas sugestivas. Por exemplo, o psicólogo Michael Yapko fez uma pesquisa entre terapeutas para saber como eles pensam que a memória fun­ciona. Yapko descobriu que a maioria dos clínicos não tinha conhecimento dos problemas da memória e acreditava que a hipnose sempre revela a ver­dade. Muitos pesquisadores caem na armadilha da fantasia mútua, quan­do aceitam tudo o que o abduzido diz sob hipnose. Os pesquisadores que se filiam à Nova Era perpetuam o problema quando aceitam, sem criticar, uma larga variedade de narrativas "paranormais". Vidas passadas, vidas fu­turas, viagens astrais, aparições de espíritos, visitações de santos - tudo assume legitimidade antes mesmo de o hipnotizador crédulo começar sua pesquisa de abdução. Quando o abduzido relata hist6rias com falsas me­mórias, o hipnotizador crédulo é incapaz de reconhecê-Ias e está disposto a levá-Ias a sério.
É fácil para um hipnotizador inexperiente ou ingênuo "acreditar", pois a maioria não têm um conhecimento do fenômeno de abdução baseado em fatos. Alguns hipnotizadores chegam mesmo a se orgulhar de sua falta de conhecimento sobre a abdução. Eles argumentam que sua ignorância lhes dá uma "posição de isenção", de modo que seu interrogatório não se deixa corromper com o que eles "trazem à mesa”. Entretanto, o que eles trazem é a sua incapacidade de separar fato de ficção. Aceitando sem crítica (e não desafiando), assumindo ingenuamente que aquilo que é dito sinceramente é correto, e defendendo essa situação como "realidade", os pesqui­sadores inexperientes e ingênuos turvam as águas para os investigadores, permitem que as pessoas pensem que os eventos que aconteceram com elas não são verdadeiros, e aumentam a incredulidade do público em geral.

Fabulação de abdução

A fabulação de abdução é um problema freqüente, especialmente nas primeiras sessões de hipnose. A primeira sessão de hipnose é sempre a mais difícil, pois pode ser muito assustadora. Muitas pessoas imaginam erro­neamente que revelarão detalhes de sua vida pessoal, ou ficarão à mercê do "mau" hipnotizador. Depois que passam as primeiras sessões, entretanto, os abduzidos se sentem mais confortáveis com o hipnotizador e com a hip­nose. Como resultado, suas memórias se tornam mais fáceis de recolher e também mais nítidas.
A fabulação ocorre tipicamente em três áreas características:

1. Aparência física dos alienígenas. A área mais comum de ser distorcida é a descrição da aparência física dos alienígenas. Muitos abduzidos garan­tem que podem ver todas as partes dos corpos dos alienígenas, menos as suas faces. Muitos abduzidos pensam que os alienígenas estão distorcendo propositadamente ou limitando o seu campo de observação para impe­dir o choque de ver suas faces. A prova não confirma isso. Como o fenô­meno de abdução começa na infância, a maioria dos abduzidos vê a face dos alienígenas muitas vezes. Uma vez que o abduzido se acostume com a lembrança dos eventos e fique menos assustado com o que encontra, ele em geral vê claramente a face do alienígena.
Igualmente, a princípio os abduzidos tendem a descrever os alienígenas muito mais altos do que eles na verdade são, não percebendo que estão olhando para os alienígenas da mesa onde estão deitados. Eles tam­bém descrevem os alienígenas como sendo de cores e feições diferentes. De fato, a maioria dos alienígenas são pequenos, bem pequenos, e não têm feições distintas, exceto pelos grandes olhos. Durante uma investi­gação hipnótica competente, os abduzidos reconhecem seus erros e se corrigem sem ajuda ou sugestão do hipnotizador.

2. Conversação. Uma outra área prevalente de fabulação é o diálogo dos alienígenas. Embora a conversação dos alienígenas nos tenha dado os maiores conhecimentos sobre os métodos e objetivos do fenômeno de abdução, os pesquisadores devem ser extremamente cautelosos.
Os abduzidos relatam que toda a comunicação com os alienígenas é telepática, bem como a comunicação entre os alienígenas. Quando per­guntados sobre o que significa "telepática”, os abduzidos dizem que re­cebem uma impressão que é automaticamente traduzida em palavras, e pensam que essas palavras estão vindo dos alienígenas. Os pesquisado­res ingenuos frequentemente aceitam o diálogo dos alienígenas sem verificá-lo, não percebendo que todo ou algumas porções do diálogo podem vir da mente dos abduzidos. Os abduzidos às vezes caem no modo "canalizador" - no qual o abduzido "ouve" mensagens de sua própria mente e pensa que estão vindo de fontes exteriores - e o pesquisador deixa de perceber isso. Alguns pesquisadores basearam muito do seu conhecimento em diálogos suspeitos. Somente os pesquisadores experi­mentados podem separar os diálogos característicos da conversação dos alienígenas do diálogo fabulado.

3. Intenções dos alienígenas. A terceira área de fabulação é a interpretação das intenções e dos objetivos dos alienígenas. Por exemplo, quando per­guntados sobre o uso de um dispositivo mecânico específico durante uma abdução, a maioria dos abduzidos responde "eu não sei." Alguns, entre­tanto, dão uma resposta porque lhes parece razoável: "Esta máquina tira fotografias dos meus músculos, como uma máquina de raios X." A menos que o investigador estabeleça de modo firme e confiável que os alienígenas disseram isso ao abduzido - e que o abduzido não inventou o diálogo - deve-se reconhecer que o abduzido não sabe a função da máquina e está simplesmente completando a sua memória.
O investigador também deve ser extremamente cuidadoso com os relatos dos abduzidos sobre o que os alienígenas estão fazendo. Os alie­nígenas raramente fornecem as razões para procedimentos específicos, mas alguns abduzidos rotineiramente, sim. Novamente, terapeutas e in­vestigadores ingênuos tendem a aceitar esses relatos como são feitos.

Alguns pesquisadores reinvestigam o mesmo material repetidamente em diversas sessões de hipnose, sem perceber que, se a narrativa con­tém fabulações e distorções, ela pode entrar na memória normal como "fato". Hipnoses repetidas sobre um evento tendem a confirmar o "fato" e muitas vezes torna-se impossível distinguir o que é real e o que não é. Por outro lado, quanto mais sessões forem realizadas sobre eventos di­ferentes num abduzido com um investigador competente, maiores se­rão as possibilidades de descobrir as fabulações e estabelecer uma nar­rativa precisa.

Hipnose competente

Um hipnotizador experiente e competente faz testes para determinar até que ponto as pessoas que fazem relatos de abdução são sugestionáveis. Fa­zendo perguntas propositadamente indicativas, ele pode facilmente dizer se a pessoa é sugestionável. Na primeira sessão de hipnose, por exemplo, muitas vezes pergunto à pessoa se ela viu os queixos "largos" dos alienígenas. Pergunto se a pessoa pode ver os cantos do telhado. Pergunto se os alienígenas são gordos. As respostas a essas perguntas deveriam ser "não", de acordo com todas as provas que já recolhemos. Se a resposta é "sim", levo em conta a sugestionabilidade da pessoa, quando avalio a veracidade e a precisão do relato.
O pesquisador John Carpenter, de Springfield, Missouri, conseguiu desenvolver essa linha de interrogatório no nível de uma ciência. Ele criou uma lista de perguntas enganadoras - algumas óbvias, algumas sutis ­ para colocar imagens erradas na mente dos abduzidos. Na primeira sessão de hipnose, ele faz essas perguntas ao novo hipnotizado, que quase sempre responde "sim"; a maioria dos abduzidos se recusa a ser influenciado e qua­se sempre dá as respostas negativamente, contradizendo ou corrigindo o hipnotizador.
O primeiro incidente de abdução que recebeu publicidade generalizada foi o caso de Barney e Betty Hill, publicado em revistas e livro. Usando hipnose, o psiquiatra Benjamim Simon tentou fazer com que os Hill caís­sem em contradição e sugerir que eles haviam inventado a história. Ele nunca conseguiu que os dois caíssem em armadilhas.

Simon: A sala de operações do hospital era azul?
Barney: Não, havia luzes ofuscantes.
Simon: Você teve a impressão de que seria operado?
Barney: Não.
Simon: você teve a impressão de que estava sendo atacado?
Barney: Não.

Durante outra sessão, Simon tentou novamente insistir com Barney.

Simon: Um momento. Betty não lhe contou isso enquanto você estava dor­mindo?
Barney: Não. Betty nunca me contou isso...
Simon: Sim, mas ela não lhe disse que vocês foram levados a bordo?
Barney: Sim, ela disse.
Simon: Então ela lhe descreveu tudo o que havia a bordo e que ela foi abor­dada por aqueles homens?
Barney: Não. Ela não falou comigo que foi abordada por nenhum homem. Ela não sonhou com isso.

Em outra ocasião, Simon sugeriu a Barney a possibilidade de que o incidente poderia ser o resultado de uma alucinação. Barney discordou.
A exatidão de um relato de abdução depende, em grande parte, da ha­bilidade e da competência do hipnotizador. A memória é falível e há mui­tas influências que prejudicam a sua precisão. A hipnose, conduzida caute­losamente, pode ser uma ferramenta útil e precisa para revelar memórias de abdução. A hipnose competente pode indicar a origem das falsas memórias e desenredar a teia de memórias confusas. O resultado é preciso, consisten­te, rico em detalhes e em histórias corroborativas de abdução que desven­dam os seus segredos e aprofundam o nosso conhecimento.

As abduções são críveis?

Com os problemas de recuperação e interpretação de memória, será possí­vel que o fenômeno de abdução seja uma fantasia criada psicologicamente? A resposta é não, devido, em parte, à prova de que o fenômeno de abdução não se baseia exclusivamente na memória e nos relatos hipnóticos. Existem também provas concretas. Quando são abduzidas, as pessoas não aparecem nos lugares onde são esperadas - há quem chame a polícia, organize bus­cas, os pais ficam desesperados.
Um exemplo indireto de falta física durante uma abdução ocorreu quan­do a irmã mais nova de Janet Morgan, Beth, foi tomar conta de sua sobri­nha Kim, de seis anos, enquanto Janet saía para um encontro. Tanto Janet, uma mãe solteira que trabalhava como secretária, quanto sua filha já haviam sofrido várias abduções. Beth, que também já experimentara eventos sus­peitos mas não investigados, já havia tomado conta de Kim antes e conhe­cia seus hábitos.
Naquela noite, Kim estava sentada no sofá da sala vendo televisão e Beth resolveu tomar um banho, pois a criança estava ocupada. Ela encheu a ba­nheira e entrou na água com um romance e começou a ler. Uma "névoa mental" desceu sobre ela e Beth ficou sentada na banheira com o livro aberto na mesma página por mais de uma hora. Subitamente, ela jogou o livro fora, pulou da banheira e pensou, "Kim!" Vestiu-se apressadamente e cor­reu para ver se a criança estava bem.
Kim não estava no sofá. Beth correu todos os quartos da casa chaman­do por ela. Voltou à sala e olhou atrás do sofá e no armário. Então, procu­rou pelos quartos outra vez. Entrando em pânico, saiu para a rua, gritando por Kim. O vizinho do lado perguntou qual era o problema. Beth lhe disse que Kim havia desaparecido. O vizinho entrou na casa para procurar e encontrou Kim adormecida no sofá, bem à vista. Kim havia sido abduzida, Beth havia sido "desligada” e quando voltara a si, um pouco antes, Kim ainda não havia voltado do evento. Kim saíra da casa e sua ausência fora notada.
Muitas abduções ocorrem a mais de uma pessoa, e, para reforçar a pro­va, pessoas que nunca ouviram falar do fenômeno de abdução já foram abduzidas. Uma Allison Reed preocupada me telefonou para dizer que seus filhos, presos de pânico, estavam se lembrando de eventos de abdução, sem nnda saber do assunto. Ela e seu marido têm uma história de experiências pessoais fora do comum que sugere atividade de abdução. Na época do telefonema de Allison, em 1993, seu filho Brian tinha sete anos e sua filha Heather tinha quatro. Ambos fizeram desenhos de alienígenas e descreve­ram como flutuaram de seus quartos e através da janela para um óvni que estava esperando. As crianças relataram detalhes de incidentes que só são conhecidos pelos pesquisadores de abdução veteranos e que não poderiam ter visto na mídia. Heather, por exemplo, contou à sua mãe uma conversa que tivera com um alienígena feminino: "Ela tentou me fazer crer que era minha mãe, mas eu sei que ela estava tentando me enganar." Heather disse isso para assegurar à mãe que não se deixaria enganar e sabia muito bem quem era sua verdadeira mãe.
O fato de duas pessoas serem abduzidas juntas e verificarem a presença uma da outra durante a abdução é outra prova adicional do fenômeno. Janet Morgan e sua irmã mais velha, Karen, foram abduzidas juntas muitas ve­zes, juntamente com outros membros de suas famílias. Cada uma delas pode se lembrar independentemente da abdução e descrever em detalhe o que aconteceu à outra, sem que tenham falado antes sobre o evento.
Apesar das dificuldades no estudo do fenômeno de abdução, ele come­ça a revelar os seus segredos. Os procedimentos que os alienígenas empre­gam estão podendo ser estudados e analisados. E as razões para esses proce­dimentos são tanto deletérias quanto terrificantes.

4
O que eles fazem

Virtualmente, tudo o que os alienígenas fazem está ligado ao seu programa de abdução. Por mais absurda ou incompreensível que possa parecer, cada atividade dos alienígenas tem um motivo lógico, desde que examinada aten­tamente. Uma por uma, essas ações começaram a perder sua aura de misté­rio e a revelar seus verdadeiros propósitos.
Quando os pesquisadores tomaram conhecimento do fenômeno de abdução pela primeira vez, eles geralmente assumiam que, se ele era real, seu objetivo seria o de investigar os seres humanos. Era por isso que os alienígenas abduziam os seres humanos, realizavam os exames médicos e depois os soltavam. Como esse cenário ocorria repetidamente, os pesquisa­dores concluíram que os alienígenas estavam realizando um estudo de longo prazo e coligindo dados pacificamente. Essa convicção deu ao público um sentimento de conforto, pois sugeria um intuito científico, e conseqüente­mente não hostil.
Agora sabemos que o fenômeno de abdução como um todo não tem o objetivo de pesquisa. A prova sugere que todos os procedimentos realiza­dos pelos alienígenas se subordinam aos seus planos reprodutivos. E no cerne dos planos reprodutivos está o programa de cruzamento, no qual os alienígenas coletam óvulos humanos e esperma, incubam fetos em hospedeiras humanas para produzir híbridos alienígenas, e podem fazer com que os seres humanos se relacionem mental e fisicamente com esses híbridos para fins de seu desenvolvimento.

Unidades extra-uterinas de gestação

Um componente significativo do programa de cruzamento é a criação e desenvolvimento de unidades extra-uterinas de gestação. Somente depois de anos de pesquisas e centenas de relatos de abdução, é que fui entender este procedimento e as suas razões.
Durante anos as mulheres vêm relatando aos pesquisadores sobre pro­cedimentos misteriosos realizados nelas no curso de suas abduções. Algu­mas mulheres relatam "pressão", como se os alienígenas estivessem enchendo de ar uma zona ao redor de seus órgãos reprodutivos, pois sentem um estiramento em seus baixos-ventres, dando-Ihes uma impressão descon­fortável de inchamento. As mulheres dizem muitas vezes terem a impressão de que seus órgãos estão sendo "deslocados", ou movidos de algum modo, e elas têm a impressão de que os alienígenas estão "aumentando", ou crian­do mais espaço dentro da cavidade uterina, ou na região pélvica.
Várias abduzidas descreveram estes procedimentos ginecológicos de modo semelhante. A abduzida Barbara Archer relatou em 1988:

E eu comecei a sentir uma pressão. Como uma pressão forte.
É uma pressão difusa ou concentrada?
Nas entranhas.
Mas não (especificamente) do lado direito, do esquerdo ou no meio?
Meio, por dentro. Como se estivesse inflando, ou alguma coisa assim, eu me sentia realmente grande. Me sentia muito inchada.

Esse tipo de procedimento ocorreu muitas vezes com Lucy Sanders:

É do lado direito (da minha pelve). Está me queimando! Está queimando minhas entranhas! Eles estão me inflando! Agora ele está tirando, está batendo na minha perna e dizendo que está tudo bem, que eu posso me acalmar agora. Santo Deus!

O que você acha que eles fizeram ali, ou eles dizem?
Eu não sei. Dói, queima. Eu me sinto inflada.
o que isso significa?
Inchada.
Como um balão?
Hum, hum. Agora a impressão passou, mas eu me senti cheia de ar. Ele está empurrando meu estômago, empurrando e mexendo os dedos assim.

Laura Mills descreveu um procedimento semelhante:

O que você pensa que ele está fazendo ali?
Eu realmente não sei que porra ele está fazendo.
OK. Se tivesse de adivinhar, o que você diria que ele está fazendo?
Eu sei que parece bobagem, mas acho que eles estão querendo saber quanto espaço eu tenho na barriga, ou algo assim.
Então eles podem estar medindo, ou o que seja?
Por dentro. Como medindo o útero ou outra coisa. Não tenho certeza.

Belinda Simpson experimentou o mesmo procedimento apesar de ter feito uma histerectomia anos antes:

Tenho a impressão de que alguém está rolando alguma coisa dentro de mim...
Diga qual a sua impressão sobre o que eles estão fazendo.
Eu sinto que estou inchando... Meu lado está inchado. Parece um balão. É estranho. Sinto como se alguém estivesse soprando minha barriga, é estúpido... É bem quente, meu lado está crescendo... Algo que d6i. Tenho a impressão de que estou grávida. Tem alguma coisa empurrando bem forte do lado de meu ventre.

Algumas abduzidas acham que a introdução de ar no seu corpo é simi­lar à laparoscopia, uma técnica que os médicos empregam para tratamento de endometriose e outros problemas ginecológicos. Eu suspeito que talvez a inchação signifique que os alienígenas estão introduzindo ar como parte do procedimento para coletar óvulos. Mas decidi colocar esses casos em "compasso de espera” e aguardar por maiores informações que revelassem o objetivo de tais procedimentos.
É de notar que a ocorrência de histerectomia é comum entre as abdu­zidas. Durante os meus dez anos como pesquisador de abdução, já traba­lhei com diversas mulheres que tiveram de se submeter a uma histerectomia ou sofriam de problemas ginecológicos resultantes de suas abduções. Várias mulheres me contaram que os cirurgiões que realizaram suas operações comentaram sobre a posição peculiar de seus ovários, que pareciam "em­purrados" para o lado, ou "pressionados" na direção de suas trompas de Falópio. Algumas mulheres relatam cicatrizes anômalas nos ovários, o que é consistente com a teoria de que os alienígenas às vezes coletam óvulos diretamente dos ovários. Outra mulher relatou a ocorrência de cicatrizes vaginais para as quais nem ela nem seu ginecologista tinham explicação. Outras se queixam de dores, inflamações e problemas ginecológicos de um modo geral.
As dores ginecológicas tiveram um papel importante no primeiro caso de abduzida que conduzi durante hipnose. Melissa Bucknell tinha vinte e sete anos e uma atividade sexual intermitente. Sob regressão hipnótica, ela falou de "implantes" colocados nela durante abduções. Numa manhã de março de 1987, ela levantou-se com dores ginecológicas tão fortes que mal conseguiu sentar-se e me disse que tinha certeza de que os alienígenas havi­am colocado um "implante" nela. (Minha pesquisa mostrava que os im­plantes são geralmente colocados no nariz ou nos ouvidos.) Eu a levei imediatamente a um ginecologista, Dr. Daniel Treller, que graciosamente anuiu em atendê-Ia em caráter de emergência.
O exame feito por Treller confirmou que a pelve de Melissa estava in­flamada e ele solicitou um exame de ultra-som. A equipe de ultra-som achou rapidamente a anomalia. Do lado direito de seu ovário direito, mas sem tocá-Io, havia um corpo estranho, aparentemente uma massa desconheci­da. Era pequena, mas parecia "orgânica" e não devia estar ali. A equipe de ultra-som, surpresa, chamou Treller, que também ficou espantado. Nenhum deles jamais havia visto algo semelhante. Suspeitando tratar-se de uma gra­videz ectópica, Treller encomendou um exame de sangue para determinar se Melissa estava grávida. O exame de sangue foi negativo.
Melissa, entrementes, insistia que essa massa era um "implante" alie­nígena e não queria removê-Io ou tocá-Io de qualquer modo. Ela estava muito teimosa nesse ponto. Não queria que ele fosse sondado e imediata­mente rejeitou todas as sugestões contrárias. Finalmente, para alívio de Melissa, o Dr. Treller sugeriu que ela voltasse dentro de uma semana para ver se a massa havia se movido ou "crescido". Quando deixamos o hospital, Melissa disse que não queria mais voltar e que não queria que o implante fosse mexido, apesar da dor que causava.
Nas semanas seguintes tentei convencer Melissa a fazer um novo ultra­-som, mas ela recusou. Finalmente, consegui demovê-Ia. Ela fez outro exa­me de ultra-som, que revelou o espaço onde estava o corpo estranho, mas este havia desaparecido. Dr. Treller estava admirado e notou que o fenôme­no se havia "resolvido" espontaneamente. Melissa ficou enormemente ali­viada, pois não teria de remover o corpo estranho. Seu caso permaneceu sem solução durante anos. Eu teria de analisar vários outros casos que pareciam disparatados para finalmente formular uma teoria lógica sobre o que teria acontecido.
Em março de 1992, Lydia Goldman me falou de um episódio extraordinário. Desde 1989, eu já conduzira sete sessões com essa mulher charmosa e habilidosa de sessenta anos, e ela veio a se convencer que estivera envolvi­da em fenômeno de abdução durante toda a sua vida.
No começo de 1992, Lydia acordou um dia com a impressão distinta de que estava grávida. Isso seria impossível, não somente em virtude de sua idade, mas porque não tivera relações sexuais, além de se ter submetido a uma histerectomia radical havia muitos anos. Entretanto, seus seios come­çaram a intumescer, ela teve retenção de água e náuseas. Lydia reconheceu os sintomas, pois já passara por eles quando tivera seus filhos. Depois de algumas semanas, o lado direito de sua pelve ficou esticada. Para seu hor­ror, ela começou a sentir algo se movendo como se fosse um feto.
Ela estava ficando louca ou havia algo dentro dela? Lydia relutava em visitar seu ginecologista porque pensava que estava "abortando". Mas o incômodo persistiu e ela marcou uma consulta. Alguns dias antes da data aprazada, Lydia acordou "sabendo" que agora tudo estava bem; sua barriga não estava mais distendida, não sentia nada mais se mexendo e os sintomas haviam desaparecido. Ela cancelou a consulta.
Quando Lydia me contou esse episódio, eu fiquei admirado. Naquela época, os pesquisadores de óvnis sabiam que os alienígenas coletavam óvu­los humanos e esperma para fertilizá-los in vitro, e adicionavam material genético alienígena, para então colocar o embrião híbrido alterado in utero. Presumivelmente, a pessoa teria de ter um útero onde o embrião seria im­plantado. Mas eu havia realizado regressão hipnótica em muitas mulheres que haviam sido abduzidas quando já haviam atingido a menopausa, ou haviam feito ligadura de trompas, ou tinham tido seu útero e seus ovários removidos. Eu sempre achara que os alienígenas realizavam com elas pro­cedimentos reprodutivos diferentes daqueles realizados em mulheres ainda férteis.
Lydia e eu decidimos fazer uma regressão hipnótica dos eventos ocorri­dos na noite anterior ao dia em que ela acordou sentindo-se grávida. Ela se lembrou de que dormira na casa de sua filha, na Flórida, quando ocorreu a abdução. Depois de descrever um segmento típico de um evento de abdução, Lydia começou a narrar os exames.

O que você pensa que eles estão fazendo internamente agora? Você pode dizer?
Eles estão segurando alguma coisa como quem segura um bebê, com as duas mãos, mas não é um bebê. É como um, não sei... não posso nem imaginar.
(Gentilmente) Parece um bebê, ou não?
Parece uma lagosta. Não posso imaginar. Não posso nem imaginar. Minhas pernas estão levantadas e eles o estão posicionando na minha frente. Sabe, quase como se eles estivessem colocando um saco.
Então eles estão inserindo algo?
Não sei... parece redondo, leve e colorido, eu diria do tamanho de uma laranja.
Então, é grande.
E eles estão segurando-o... dá a impressão de estarem carregando um bebê, como algo de precioso... estão colocando dentro de mim... a idéia é terrivelmente repulsiva, suja. Me deixa muito perturbada.
E eles estão colocando isso em você?
Estão fazendo isso parte do meu corpo... eu tenho a impressão, e eu estou bem machucada ali - quente e machucada. E acho isso extremamente repulsivo. Isso é uma unidade sólida, totalmente integrada. Há alguma coisa nela. Eu tenho a impressão de que é como um saco, e eles o inseriram dentro de mim. E meu sentimento geral é que não quero isso em mim.
Então onde você pensa que eles inseriram isso?
Na vagina.
Mas isso ficaria no local onde o útero ficava?
Talvez. Talvez. Não sei.
Você sente que é nessa área que eles estão trabalhando?
De fato, tenho a impressão de que há um peso sobre a minha bexiga, como se estivesse pingando. E nos últimos oito meses eu me senti as­sim... eu pensei, bem, estou envelhecendo e meus músculos não são tão fortes como eram... eu sempre pensei que se ficasse de pé muito tempo sentiria necessidade de me deitar, para corrigir a posição. Aquela sensa­ção de que há uma pressão e de que fica pingando. Mas nunca me senti como agora. Agora mesmo, estou tendo a sensação de ardência no abdome - e calor. Tanto calor. Minhas costas doem.
Eles dizem algo a você? Eles explicam o que estão fazendo, ou ficam silenciosos?
Eu acho extremamente repulsivo... e não quero isso. E eu agora sou dona do meu nariz. Isso é uma coisa que tenho de resolver.
Essa é a impressão que você tem?
Não é que eu estivesse dizendo não. Eu não diria não para eles. Tenho o sentimento de que estou aqui para servir, mas não gosto disso. Estou de certo modo dizendo a eles que acho isso muito repulsivo. Mas eles não perguntaram se eu quero fazer isso. Eu não gosto disso nem um pouco e estou muito perturbada.
Eu espero que você tenha dito isso para eles. Eles não têm o direito de fazer isso com você, Lydia. Então, é perfeitamente normal que você esteja perturbada.
(Chorando) Acho que isso foi a pior coisa que já me aconteceu... Você sabe o que eles estão me obrigando a fazer? Tenho de mudar para me conformar com isso. O modo pelo qual o meu corpo funciona está sendo perturbado agora, e tenho de me conformar para ser compatível, criar uma atmosfera condutiva para essa coisa... Ela está desequilibrando todo o meu corpo.
Enquanto eu escutava Lydia, lembrei-me de uma abduzida na menopausa que me falara sobre sentir-se grávida e alguma coisa "dando ponta­pés" no seu abdome. Agora eu sabia. Compreendi que os alienígenas obri­gam as mulheres a carregar os bebês, mesmo quando elas não têm mais útero. Em vez de implantar o embrião num útero, os alienígenas poderiam estar inserindo uma unidade de gestação extra-uterina - um saco capaz de in­cubar um feto sem ter de ligá-Io às paredes uterinas. Os alienígenas colo­cam a unidade numa área perto do útero, ou talvez no espaço que o útero ocupava originalmente, ou atrás da bexiga, ou perto de um ovário.
Isso me levou a reconsiderar a situação de Melissa. O "implante" que a preocupava provavelmente não era um dispositivo tecnológico, como eu pensara, mas um implante fetal extra-uterino perto do ovário. Sob essa luz, a insistência de Melissa em não removê-Io tornou-se compreensível - ela sabia inconscientemente que não devia perturbar o feto.
Agora outros casos problemáticos começaram a fazer sentido. A intro­dução de ar, acompanhada por uma sensação de intumescimento e de que os órgãos estavam se "mexendo", era uma preparação do espaço no qual os alienígenas colocavam a unidade de gestação extra-uterina; eles praticamente criavam um vazio para a sua colocação.
As implicações desses casos eram inquietantes. Qualquer que fosse o estágio reprodutivo ou as capacidades das abduzidas, elas podiam sempre ajudar a produzir bebês. Elas poderiam "armazená-Ios" no útero ou na unidade de gestação extra-uterina. Além disso, essa unidade de gestação extra-uterina servia para "camuflar" o fenômeno. Ela não afeta a produção de hormônios das gônadas, que normalmente aparecem nos testes de gra­videz.
O uso extensivo de mulheres como hospedeiras de bebês híbridos am­plifica o papel do programa de cruzamento. Seu objetivo é enorme. Teori­camente, os alienígenas produziram centenas de milhares ou talvez milhões de descendentes.
Protegendo a gravidez

Quando uma abduzida fica grávida, o que pode impedi-Ia de abortar? Ou o que a impede de visitar um ginecologista que descobrirá a unidade de gestação extra-uterina e a removerá? Tornou-se claro, durante os anos de minha pesquisa, que os alienígenas evitam essas providências removendo as "provas" antes que a abduzida possa fazer algo. Muitas vezes as abduzidas relatam que marcaram um aborto e encontraram somente um útero vazio, durante a sua realização. Quando o procedimento vai ser feito, os alienígenas já removeram o feto.
Claudia Negrón, uma mulher que criara dois filhos antes de voltar ao colégio para obter seu diploma de bacharel, descreve o processo de remo­ção que ocorreu durante uma de suas abduções. Primeiro ela viu um longo instrumento que os alienígehas inseriram nela.
Objeto estranho. Não sei se é de metal ou... Eles o usam para fazer bebês. Eles colocam aquelas coisas juntas num laboratório. Depois o inserem no útero de modo que cresce e vira um bebê. Num certo momento, eles monitoram, sabem o seu progresso; em outro, eles voltam, levam você a bordo e removem o feto, que não está completamente desenvolvido, mas grande o suficiente para ser reconhecível. Eles o removem, levando para esse lugar. Já vi isso antes. Um tipo de fluido, eles os guardam nesse fluido, um fluido quente. É como um tanque e tem um bocado de fluido, tem muito do que é essencial, não sei, alguma coisa para fazer com que cresçam e se mantenham vivos.”
É lógico que os alienígenas controlam os pensamentos das abduzidas para proteger a gravidez. Mas eles monitoram e gravam tudo que uma pes­soa pensa vinte e quatro horas por dia, ou escutam seletivamente? Se eles monitoram continuamente, então tudo o que uma abduzida pensa teria de ser recebido, gravado, avaliado e possivelmente providenciado. Não existe prova de que exista esse nível de monitoramento. Por exemplo, os alienígenas são atraídos por qualquer coisa diferente no corpo da abduzida: uma cica­triz de apendicectomia, uma mudança na cor do cabelo, uma tatuagem e assim por diante. Eles inspecionam cuidadosamente a área que mudou e perguntam à pessoa o que isso significa e como aconteceu. Se eles ficassem continuamente monitorando, provavelmente saberiam as respostas.
Assim sendo, os alienígenas têm de monitorar seletivamente. Se a abduzida pensa em cosméticos ou compras, não há reação. Mas, se a abduzida pensa em aborto, gravidez, bebês e implantes, esses pensamentos resultam em ações, se houver tempo. Quando levei Melissa para fazer um teste de ultra-som no ginecologista, os alienígenas não tiveram tempo de remover o "corpo estranho" implantado no seu corpo. Tudo aconteceu no espaço de uma hora.
Como os alienígenas controlam os pensamentos? Provavelmente, eles o fazem por meio de implantes. A maioria das abduzidas têm implantes alienígenas, que descrevem há anos, alojados nas fossas nasais, possivelmente perto do nervo óptico ou da glândula pituitária, ou na orelha. As abduzidas com implantes sofrem a vida inteira de problemas nasais, sangramento do nariz, congestão nasal, diminuição da audição, zumbidos e sangramento do ouvido. Os médicos têm observado tecidos cicatrizados anômalos e ori­fícios nas passagens nasais das abduzidas.
Existem também implantes que são colocados nas pernas, nos braços e no pescoço das abduzidas. Algumas abduzidas têm observado implantes no cérebro. Claudia Negrón descreve que recebeu esse tipo de implante du­rante um incidente em 1983.

Ele tem uma espécie de instrumento na mão. Parece, parece uma agulha, uma agulha hipodérmica, mas não é. (É) longa. Tem uma ponta compri­da e ele insere no meu ouvido, até bem fundo. E parece que vai bem dentro do cérebro, faz com que todo o meu cérebro se mexa, não sei, balança toda a minha cabeça. Ele disse que é importante. Ele comunica, ele diz: "Isso é importante", que tem de fazer isso.
Ele diz por que é importante, ou fala vagamente?
Ele diz que é importante para mim, mas na verdade eu tenho a sensação de que é mais importante para ele do que para mim. Acho que estão inserindo alguma coisa na minha cabeça. É realmente, realmente pequenino, muito pequeno, seja lá o que for. E ele diz que ninguém saberá que está ali.
Você reage a isso?
Não estou dizendo nada. Só estou sentindo a dor. Como que imobiliza­da por essa dor. Ele diz que não vai doer.
Mas está doendo.
Mas está. Ele diz que não vai durar muito. Ele diz que depois não vou sentir nada. Nem vou saber que está ali. Ouvi alguma coisa estourar no meu ouvido. Oh. Oh!.. Perguntei a ele para que é isso, por que eles estão fazendo isso. Ele diz - ele não fala, só manda o seu pensamento. É como se ele projetasse os pensamentos para mim, e ele diz que eles têm de saber, eles têm de saber como eu vejo o mundo, como vejo as coisas, como interpreto as coisas, como elas ocorrem, e esse é o meio de monitorar isso. Isso diz a eles onde estou em todos os momentos. Eles sabem como eu reajo a cada situação e a cada momento. Ele diz que é importante para eles. Diz que é importante para a pesquisa deles. Eles têm de saber isso... pois querem saber como as crianças vão ser. Eles querem saber o que esperar quando elas crescerem. É tudo para as crianças?

A função exata dos implantes não é clara, mas podemos fazer algumas especulações a partir das informações. Trata-se de complexos dispositivos multifuncionais que podem monitorar ou afetar os níveis hormonais para lactação, menstruação, ovulação e gravidez. Eles também devem servir de meio de localização das abduzidas. Os implantes no ouvido, na cavidade e nas fossas nasais podem servir a uma variedade de objetivos.
O que está claro é que os alienígenas chegam a extremos para proteger uma gravidez. Se a abduzida tem algum pensamento sobre aborto, eles in­tervêm. Muitas vezes os alienígenas somente admoestam energicamente as abduzidas para não perturbarem a gravidez, mas essa providência tem su­cesso limitado. Embora muitas abduzidas digam que não desejam interfe­rir na gravidez, a maioria das mulheres que estão conscientes de sua gravi­dez mostram choque e horror, e superam quaisquer escrúpulos que possam ter sobre a terminação da gravidez.
O caso de Kathleen Morrison é um bom exemplo. Embora ela não es­tivesse sexualmente ativa e tivesse sofrido uma histerectomia anos antes, Kathleen suspeitava que tivesse uma gravidez extra-uterina e marcou uma consulta com o Dr. Treller. Alguns dias antes da data marcada, ela foi abduzida e submetida a um exame ginecológico, enquanto um alienígena se comunicava com ela ao mesmo tempo mediante procedimentos de en­carar seus olhos e varredura cerebral.

O que você pensa que ele está fazendo, quando realiza o procedimento de olhar nos seus olhos?
Bem, eu penso que ele está fazendo uma leitura do meu corpo e ele fez um passe rápido em minha mente mas - O.K, ele vai mais fundo. Ele vai me dar uma palavra e eu devo reagir a ela. "Treller", e eu respondo que eu vou ver o médico. Ele pergunta se eu não me sinto bem, e digo que estou tendo problemas. E tenho a sensação de que... minha mente também disse alguma coisa com o efeito de... e eu quero saber o que está acontecendo. Eles querem saber o que eu quero dizer com isso. Minha resposta é: "Bem. voce sabe...”
Quando você diz "você sabe", como ele responde a isso?
A palavra que me ocorre é GELO. A atitude muda. Eu tenho a impres­são de que antes disso eles eram... um pouco mais gentis, e a face se desanuviou... sinto um calor na área da vagina. Está ficando estranho quando eu digo que não sei se é calor ou frio de gelar... minha pergunta é: "O que você quer?" E a coisa é: "Precisamos ter certeza de que tudo está O.K." "Mas não está O.K. e por isso é que eu vou visitar um médi­co." "Você deveria nos avisar." Tenho a sensação de que deveria avisá-Ios, mas não sei como fazer isso. Eu não o faria.
O que você pensa que eles estão fazendo ali?
Colhendo... óvulos.
Eles estão do seu lado direito?
Sim. Tem um do meu lado direito. Ele está colocando uns quadros na minha cabeça.
E o que você está vendo?
Uma creche cheia de crianças. Não as nossas aqui, mas as de lá. Ele também tenta formar uma estrutura familiar como a gente conhece.
O que você quer dizer com isso?
Eles não estão bem. Deve haver dois - que parecem mais velhos - com um grupo de crianças pequenas.
Dois seres cinzentos ou híbridos?
Às vezes uma mistura (um cinzento e um híbrido, Kathleen diria mais tarde).
Os seres mais velhos seriam uma mistura, ou coisa assim?
Certo. É como o conceito deles sobre a vida de família aqui. Eu quase quero dizer que é um cenário reconstruído de um piquenique...
Quando você vê a unidade familiar junta, o que eles estão fazendo?
É como a reconstrução de um piquenique. Mas eles não têm bancos de piquenique ou coisa que o valha. É como se eles estivessem no ambiente de um tipo de parque. Ficando em grupo, caminhando, sentando... (eles estão) falando. Eles querem fazer alguma coisa com os seres mais jovens, os pequenos, mas é uma forma, sem substância. É uma situação seme­lhante a um parque, mas não há árvores ou riachos, ou grama, mas a impressão que a gente tem é de simulação - um exercício teatral­ - então, eles me fazem uma pergunta.
O que eles perguntam?
"Como você pode fazer isso com eles?" É relacionado com a gravura.
Não entendo... fazer o que a eles?
Eu sei de que eles estão falando. Tudo bem, quando eles estavam me perguntando antes, sabe, sobre o fato de eu ir ao médico e tudo o mais, eu disse porque eu não me sentia bem. Eu queria saber o que estava acontecendo. E sei que tenho uma gravura na minha mente, que, se alguma coisa estava ali, não estaria mais ali, e é sobre isso que eles estão perguntando. Como eu podia fazer aquilo, como eu poderia tirar alguma coisa que era deles.
Mas você não está tirando nada.
Bem, não estou, mas... é alguma coisa que eu estava querendo enfrentar, um - "E se?", e eles pegaram por aí. Foda-se! A gente nem consegue ter os próprios pensamentos.
Certo. Então você estava pensando que se houvesse alguma coisa ali você a teria retirado?
Certo. Teria de sair.
Eles estão dizendo como é que você tiraria alguma coisa que é deles?
Como eu poderia fazer isso a esses seres pequeninos - essas criancinhas? Como eu faria mal a eles? Eu teria alguma coisa removida. Eu não conseguiria ser como eles - onde eles estão. QUE SE FODAM!
Então, quando você vê um retrato com criancinhas como um exemplo do que é bom e maravilhoso, você vai desarrumar tudo?
Certo. A viagem da culpa. Eu sinto que estraguei tudo monumentalmente.




Relações sexuais

Durante anos as abduzidas têm relatado serem forçadas a manter relações sexuais com outro abduzido a bordo de um óvni. Esses relatos são especial­mente espantosos. Depois que os alienígenas coletam esperma e óvulos e emprenham a mulher com o embrião, parece que não há motivos para for­çar os humanos a terem relações sexuais. Uma teoria popular é que os alienígenas estão interessados nos aspectos emocionais do sexo. Eu desco­bri o que pode ser uma razão mais simples para esta prática.
As relações sexuais ocorrem depois que um alienígena realiza varredura cerebral, criando intensa excitação tanto no homem quanto na mulher. Nesse ponto, os alienígenas colocam o homem e a mulher juntos e o casal inicia relações sexuais. Então, logo antes da ejaculação, eles os separam e o ho­mem ejacula num recipiente.
Durante a regressão hipnótica, os abduzidos têm descrito uma varieda­de de estados emocionais no curso das relações sexuais. Alguns ficam neu­tros. Alguns gostam, pois os alienígenas os sugestionam para imaginar que estão fazendo amor com a pessoa amada. Muitos se sentem culpados e humilhados. Às vezes o homem tem remorsos de estar fazendo isso a uma mulher. Lucy Simpson relata o caso de um homem que lhe disse "desculpe-­me", quando os alienígenas os separaram. Mas os alienígenas parecem não dar a menor atenção a essas reações emocionais. Ele se concentram apenas em provocar uma reação fisiológica normal para fazer com que o homem ejacule.
Embora os alienígenas rotineiramente coletem esperma por meio de um recipiente junto ao pênis do homem, aparentemente esta técnica não é per­feita. A prova sugere que, em determinadas situações, este procedimento e até mesmo a masturbação não funcionam.
Joel Samuelson, um homem de neg6cios tranqüilo de quarenta anos, de Pittsburgh, Pensilvânia, relatou um evento extremamente confuso, no qual os alienígenas colocaram um dispositivo em seu pênis para coletar es­perma. Então, alguns minutos depois, eles o levaram para outra sala, obri­garam-no a ter relações sexuais com uma mulher e coletaram seu esperma. Enquanto eu ouvia essa narrativa, ocorreu-me que, embora seja possível ejacular duas vezes em rápida sucessão, o tempo entre as duas ejaculações foi tão pouco que Joel não deveria ter gerado muito mais esperma. Além disso, ele teve a impressão de que a primeira tentativa mecânica falhara. Desta forma, parece que a maioria das relações sexuais entre humanos a bordo de óvnis tenha por objetivo a coleta de esperma e não necessaria­mente provocar emoções sexuais.
Os abduzidos são muitas vezes obrigados a produzir mais esperma, quando os meios mecânicos não funcionam ou enguiçam. Terry Mathews ajudou a masturbar manualmente quatro homens, enquanto estavam dei­tados nas mesas. Cada vez os alienígenas fizeram coleta de esperma. Outro exemplo vem de Cada Enders, que teve de ajudar os alienígenas a fazer coleta de esperma em um homem velho que era "impotente".

Eles não conseguem fazê-Io reagir como querem. Então, eles me pedem que ajude. Eu digo: "Não compreendo." Eles estão dizendo: "É como você já fez antes." Eles estão pedindo que faça algo, e eu não estou entendendo bem o que eles me pedem. "Vocês nunca me fizeram essas perguntas antes, por que estão me perguntando isso?" Estou de pé no meio deles e eles estão me rodeando. Formam um círculo a minha volta. Estou sentindo que vou fazer uma cena, gritar e ter um troço... Eles estão me dizendo que não vai ser ruim, basta fazer, e vai acabar logo...
Você compreende perfeitamente o que eles estão pedindo?
Não completamente. Só que eles querem fazer uma coleta de esperma nesse velho e não conseguem. E eles tentaram o que fazem normalmente e não funcionou. E por alguma razão eles têm a impressão de que eu gostaria de... Mas eu ainda não percebi, até que vejo o que eles estão pedindo que eu faça. Eles estão só dizendo: "Vai ser diferente, mas não se preocupe", ou coisa que o valha.
E o que acontece depois?
Eu estou meio confusa, enquanto a gente caminha.
Você caminha de volta para o salão?
É. E há dois deles na minha frente e dois atrás de mim. E a gente conti­nua andando no salão... e há esse quarto do lado. Há mais outros ali... estou tendo lembranças de um velho... ele está sentado no canto da mesa, só sentado. Não está se mexendo. Ele é mais velho... talvez perto de uns sessenta. Dá para ver que ele é mais velho, não é gordo, mas a pele é diferente. Não é como um jovem... parece que ele quer se levantar e sair logo. Parece que ele não pode se mexer...
Você consegue ler seus pensamentos um pouco?
Sim, e parece que eles começam, eles estão fazendo algo que o faz ficar entesado, algum tipo de desejo sexual ou coisa assim. Parece que ele está mudando... parece que ele não está mais pensando em ir embora. Ele nem percebe que todos eles estão rodeando-o. É como se ele estivesse tendo fantasias ou algo parecido... parece que eles estão me pedindo que toque seus genitais. E eu não estou cooperando, mas eles fazem com que minhas mãos se movimentem de qualquer maneira... eu estou tendo imagens de que eu de algum modo gosto dessa pessoa. Eu não com­preendo isso. Que talvez eu realmente ame essa pessoa.
E o cara parece conhecido?
Não. Estou pensando, por que estou sentindo isso? Então, parece que eu nem ligo para outros pensamentos. Nem percebo que eles estão ali. Eu não me lembro de como comecei a fazer sexo oral, só me lembro de um flash e eu estava pensando, "Eu não quero estar fazendo isso", mas minha cabeça fica indo para cima e para baixo e eu não posso parar. Eu sinto... como se as suas mãos estivessem ao lado de minha cabeça, empurrando-a para cima e para baixo, mas não como se eu me sentisse forçada, mas de modo natural. Mas, então, senti como se eu quisesse parar, mas não posso parar... Parece que finalmente consegui tirar minha cabeça. Estou só me sentindo nauseada.
O que eles fazem com ele, quando você retira sua cabeça?
Parece que estou pensando que eles esperam que vá ejacular, pois parece que é isso que estão tentando fazer com ele. Eu não sei mesmo. É como se todos estivessem rodeando a ele. Parece que eles estão satisfeitos com o resultado, pois conseguiram o que queriam.
Então, o procedimento foi bem-sucedido.
Sim. Parece que eu não fiquei ali muito tempo. Eles estão me dizendo que vou esquecer. Porque eu estou realmente furiosa. Estou pensando: "Como é que isso aconteceu?", e a gente vai caminhando pela sala.
A coleta de esperma é tão importante que os alienígenas não aderem às “regras” aceitas, que proíbem sexo entre parentes. “Carole” estava viajando pelo Arizona com dois amigos e um primo em primeiro grau, quando to­dos foram abduzidos. Depois de seu exame médico, Carole foi excitada sexualmente e levada para outro quarto. Os alienígenas então trouxeram seu primo e os dois tiveram relações sexuais - para extrema culpa e vergo­nha de Carole. Os alienígenas os separaram quando seu primo começou a ejacular e fizeram a coleta do seu esperma. Mais uma vez, o objetivo de forçar relações sexuais entre humanos parece ser a coleta de esperma.
Uma conseqüência indesejada de relações sexuais para coleta de esper­ma pode fornecer os motivos para outro aspecto curioso do fenômeno de abdução. As mulheres abduzidas têm relatado que ficam grávidas em cir­cunstâncias impossíveis; elas não tiveram relações sexuais com ninguém e, entretanto, estão grávidas. Elas levam o parto a termo e têm um bebê sau­dável e normal. Uma mulher se lembra de ter visto uma luz brilhante en­quanto dirigia; depois houve um período de cuja duração ela não se lem­bra. Ela ficou grávida e depois do nascimento da criança referia-se à mesma como o "filho das estrelas." Ouvindo a história do seu nascimento, seu fi­lho, agora com doze anos, ficou convencido de que viajara para o útero de sua mãe num "raio de luz". Pelo menos algumas dessas "imaculadas con­cepções" 'são provavelmente o resultado de erro de cálculo, e, como os alienígenas são seres viventes, eles também cometem erros. Se, durante a abdução, o homem começa a ejacular alguns segundos antes que os alie­nígenas o separem da mulher, ela pode facilmente ficar grávida.
Embora as relações sexuais entre dois humanos seja primordialmente para coleta de esperma, há outro cenário sexual. Os abduzidos relatam ter estabelecido relacionamentos íntimos com outros humanos que os aliení­genas arranjam durante a abdução. Um garoto e uma menina se encon­tram a bordo de um óvni, continuam a se ver durante abduções e desenvol­vem uma amizade. Tornando-se adolescentes, eles começam a ter relações sexuais a bordo. Às vezes eles sabem os seus nomes e às vezes inventam nomes para o outro. Terry Matthews conheceu um garoto chamado Ben Anderson, com quem teve um profundo relacionamento enquanto menina e adoles­cente, durante suas abduções. Em uma ocasião, ela esperava encontrá-Io, mas os alienígenas lhe disseram secamente que ele havia morrido e que "nós temos outra pessoa para você encontrar". Quando ela ficou perturbada, eles lhe disseram que não era culpa deles que o rapaz tivesse morrido num aci­dente de automóvel.
Em certas ocasiões, dois abduzidos se encontram numa situação de não­-abdução e têm uma sensação de familiaridade, e sentem uma forte atração um pelo outro. Por exemplo, Dena e Ray viram imediatamente que se per­tenciam, quando se encontraram. Eles não tinham nenhuma idéia de como e por que se sentiam desse modo, mas a atração foi tão forte que eles se divorciaram de seus respectivos cônjuges e se casaram. A hipnose revelou que eles tinham tido uma longa relação sexual quando adolescentes, e que aconteceu exclusivamente durante abduções.
Budd Hopkins, que primeiro identificou esse fenômeno, sugeriu que a alcovitagem de dois abduzidos indica que os alienígenas estão realizando um estudo dos relacionamentos dos abduzidos, tanto social quanto sexual. Isso pode ser realmente o caso. É também possível que os dois abduzidos possuam certas propriedades genéticas que os alienígenas desejam que se­jam transmitidas aos seus filhos.

Controlando os seres humanos

Um aspecto intrigante do fenômeno de abdução é o uso da varredura men­tal para excitar sexualmente as mulheres. Na varredura mental, que nor­malmente ocorre imediatamente após o exame médico inicial, um alienígena alto coloca seu rosto bem próximo ao rosto da abduzida e a encara intensa­mente. O alienígena pode provocar uma variedade de sentimentos e fazer com que a abduzida imagine situações específicas, por ele escolhidas. Um dos procedimentos mais comuns é o alienígena induzir sensações sexuais que vão aumentando gradativamente até que a abduzida atinja o orgasmo.
A questão se põe: Por que as sensações sexuais são estimuladas durante a varredura mental? Para chegarmos a essa resposta, precisamos saber o que faz o alienígena alto, que realiza a varredura mental, no momento do or­gasmo da abduzida. Ele imediatamente interrompe seu procedimento de olhar fixamente nos olhos da abduzida, abre as pernas da abduzida e come­ça os procedimentos ginecológicos. O procedimento mais freqüente durante o orgasmo é a coleta de óvulos. A indução do orgasmo não parece estar ligada a qualquer interesse em testar a reação sexual. Ao contrário, a prova sugere que os alienígenas precisam dos efeitos fisiológicos do orgasmo ­ tumescência, expansão, lubrificação e talvez ovulação - para facilitar os procedimentos ginecológicos que estão realizando. Embora o papel do or­gasmo seja controverso, a médica (e abduzida) Gloria Kane teve certeza de que, durante a varredura mental, o alienígena estava provocando a libera­ção de um óvulo de seu ovário.

Quando eu tinha... dezesseis anos, eles me disseram que estavam alteran­do o modo como eu funcionava por dentro, logo depois da minha menstruação, que eles estavam alterando o meu modo de funcionar para que eu ficasse como um coelho. Eu ficaria excitada sexualmente e então produziria ou liberaria um óvulo... eles queriam que eu ficasse excitada o bastante para ovular daquele jeito.

A ovulação deve ocorrer num determinado tempo para o programa de cruzamento. Os híbridos ensinaram a outros híbridos as minúcias necessá­rias para liberar os óvulos. Christine Kennedy lembra-se de um evento no qual um híbrido discutiu com três outros sobre o modo de induzir a ovu­lação.

Ele está dizendo alguma coisa para os outros.
Quando ele diz algo, ele olha para os outros, ou para o outro lado?
Eles estão olhando para ele. Ele está afastando meus ovários.
Qual a sua posição na mesa? Deitada, pernas estendidas, pernas levantadas?
Não, eles colocaram meus pés naquelas coisas... que levantam.
Certo. Então, eu presumo que seus joelhos estão para cima e que suas pernas estão abertas e tudo o mais?
Hum, hum (sim). Não posso mexer meus pés.
Ele está apertando seu ovário.
Hum, hum.
Agora, quando ele fala com os outros caras, você pode pegar um pouco do que ele diz, um pensamento aqui, outro ali?
Eles vão me fazer ovular.
É o que ele diz?
Hum, hum. Ele fala sobre um óvulo, mas não sei se é "tire o óvulo". Acho que não. Não posso ver meus braços... mexendo.
Seus braços mexendo? Como?
Eu podia mexer meus braços.
Você estava se debatendo?
Queria dar um pau no filho da puta.
Bom. Então você tem algum movimento.
Não posso fazer nada com eles. Deixei cair. Ele prendeu meu braço, e os outros dois estão do outro lado da mesa. Eles o seguiram.
Então, ele não está mais pressionando seu ovário quando faz isso?
Hum, hum (não). Tenho a impressão de que agora querem me agradar. Ele está dizendo alguma coisa. Como eu vou querer fazer isso, ou coisa que o valha...
Você fala com ele, responde?
Não, porque... ele está me acalmando, está vindo bem perto do meu rosto.
Quanto perto ele fica?
Bem perto. Eu o sinto tocando minha testa.
O que acontece?
Ele faz com que eu chegue ao orgasmo. Filho da puta!
Quando isso acontece... ele está só perto de você, tocando sua testa?
Com sua cabeça. Ele estava me encarando. Ele está fazendo a mesma merda que eles sempre fazem.

A capacidade que os alienígenas têm de olhar nos olhos das abduzidas e efetuar uma grande variedade de mudanças na função cerebral é extraordiná­ria. Inicialmente, isso parecia quase sobrenatural ou místico, como se Svengali estivesse olhando para Trilby, dominando-a para fazer tudo o que ele queria. Mas o místico e o sobrenatural não fazem parte do fenômeno de abdução. Os alienígenas usam seu conhecimento avançado da fisiologia humana para nos controlar e finalmente para se assegurarem de que os humanos aceitem o programa de cruzamento e as outras partes de seus planos.
A habilidade dos alienígenas de controlar os seres humanos é o resulta­do da manipulação do cérebro humano. Por exemplo, quando os alienígenas se aproximam dos olhos do abduzido, para começar o procedimento de fitar seu olhar, quase imediatamente o abduzido sente os efeitos físicos e emocio­nais. Uma forma de explicar isso é que os alienígenas usam o nervo óptico para penetrar nas vias neurais do cérebro. Excitando o nervo óptico, o alienígena consegue "viajar" nas vias neurais, através do quiasma óptico até o corpo gênico lateral, e dali ao córtex visual no fundo do cérebro. Dali, ele pode viajar para o córtex visual secundário e continuar nos locais dos lobos parietais e occipitais e no hipotálamo. Através dessa rota, o alienígena pode estimular as vias neurais, viajar para muitos sítios neurais e causar o "lança­mento" de neurônios em qualquer lugar que desejar.
Os estímulos cerebrais permitem que os alienígenas produzam uma variedade de efeitos. Se os alienígenas podem se conectar com as vias neurais, podem reconstituir as memórias dos abduzidos. Podem injetar novas ima­gens diretamente no córtex visual, ultrapassando as observações normais da retina, dando às pessoas a ilusão de que estão "vendo" coisas que passa­rão a ficar armazenadas em sua memória, como lembranças de abdução. Eles podem penetrar em locais dentro do sistema límbico e causar emoções fortes como medo, raiva e afeto. Eles podem criar sensações de excitação sexual que se acumulam em orgasmo. Podem criar um tipo de amnésia que ajuda a manter o segredo.
Usando o nervo óptico, os alienígenas podem, de fato, penetrar o siste­ma nervoso autônomo da medula espinhal e se ramificar no sistema nervo­so parassimpático, dando-lhes acesso praticamente a qualquer órgão. Os abduzidos falam freqüentemente de terem sensações físicas nos seus genitais, na bexiga e em outras zonas, quando os alienígenas realizam procedimen­tos de varredura mental. As reações fisiológicas para ereção e ejaculação nos homens e tumescência, expansão e lubrificação nas mulheres podem ser geradas artificialmente desta forma.
É claro que não se sabe como os alienígenas atingem o nervo óptico, mas existem algumas pistas. Quando começa a varredura mental ou qual­quer procedimento de olhar nos olhos, o abduzido não pode desviar ou fechar os olhos; eles devem ficar fixos e abertos. O abduzido é obrigado a olhar fixamente os olhos do alienígena. A maioria dos abduzidos relatam que os olhos do alienígena são marrons, escuros ou negros, e opacos. Ou­tros descrevem o que lhes parece líquido dentro dos olhos dos alienígenas. Outros freqüentemente vêem uma estrutura móvel ou trêmula dentro dos olhos que gera "luz". É possível que o mecanismo, que emite luz, atinja o nervo óptico para iniciar a jornada dos alienígenas através das vias neurais.
Alguns abduzidos sentem quando o contato se faz. Allison Reed mui­tas vezes sentia a ligação física do alienígena com seu cérebro durante a varredura mental.

O que ele está fazendo aí dentro?
Estou meio cansada. Aquela coisa está chegando novamente. Não dá para ver, mas posso sentir, é como... e passa por tudo. Não sei, passa por toda a parte, como uma luz azul. É entre a cabeça e meu cérebro, é claro que não posso ver, só sentir. Agora não estou sentindo quase nada. Eu me sinto bem, relaxada...
A luz azul vem dos olhos dele ou de um instrumento?
Não, não gosto de chamar isso de luz, porque não é uma luz o que a gente vê, é mais uma energia. Não dá para ver, geralmente nesses lugares a gente vê certas coisas, mas sente mais do que vê. Os sentidos mais importantes não são o olfato e o tato, é mais o sexto sentido quando se está lá. Vem dele, não é um instrumento, é uma energia. De certo modo, ele pode fazer com que essa energia penetre a minha cabeça.

Semelhantemente, Courtney Walsh, uma jovem que segue a carreira nas ciências biológicas, "sentiu" quando suas vias neurais foram estimuladas.

Não, tem um sentido de, é difícil descrever, como alguma coisa que está perfurando ali. A gente pode sentir as diversas vias nervosas... mas de fato até é uma sensação agradável. Eu posso sentir... uma sensação como... pequenas correntes de energia pululando dentro da minha cabeça.

Jack Thernstrom, um estudante de mestrado de ciências físicas, teve uma reação semelhante e sentiu que o alienígena estava penetrando fisicamente a sua mente.

Agora ele está olhando para o meu rosto novamente, e desta vez é como uma faca futucando minha mente.
É uma sensação de... uma situação fisiológica, o que está acontecendo?
É pura dor mental.
O que você pensa que ele está fazendo?
Tenho a impressão de, como se ele estivesse tentando por diversos cami­nhos - é quase uma sensação física, como se houvesse cabos e cordões entrelaçados, finos como fios de cabelo, mas bem esticados. Parece que nunca passei por isso... ele está apertando ali, e encontrando caminhos entre eles para chegar a um certo ponto. É uma sensação de uma faca perfurando e forçando caminho entre as coisas... alguma coisa entre ativo e passivo... não é como abrindo e vendo o que está lá dentro, é como um emaranhado de fios, e alguém os está puxando e separando para ver onde cada um deles está ligado.

Alguns abduzidos visualizam pensamentos e imagens esparsas, enquanto os alienígenas atravessam as suas vias neurais, como se a "viagem" enervasse essas vias neurais, como um "subproduto" do procedimento. Uma mulher viu a estrutura de uma casa, uma carruagem, o cabelo de uma peruca, al­guém lavando a cabeça de um manequim (sem corpo) num tanque, um iceberg, em um fiorde, o telhado de uma casa velha no inverno, duas crian­ças, uma gravura antiga com dois políticos. Outro abduzido imaginou um pente, dentes, números, letras, parte de um rosto, um homem se despencando de um edifício, um pássaro voando, o corte de uma faca, uma perna, o buraco de um rato, um relógio de bolso e batatas.
Uma vez ligado às vias neurais do abduzido, o alienígena essencialmen­te tem liberdade de fazer o.que quiser. O abduzido não tem mais controle dos seus próprios pensamentos. Os alienígenas podem exercer poder abso­luto sobre as mentes e os corpos dos abduzidos. Eles podem fazer os abduzidos pensar, sentir, visualizar ou qualquer coisa que quiserem.
A capacidade que os alienígenas têm de atingir as vias neurais das abduzidas não é automática. Eles rodam e torcem suas cabeças para achar o melhor ângulo para fisgar o nervo óptico. Eles imobilizam a cabeça da abduzida de modo que ela não faça nenhum movimento que possa pertur­bar o enlace. Kathleen Morrison teve uma varredura mental fora do co­mum, na qual o primeiro alienígena não conseguiu fazer o enlace adequa­do. Depois que o primeiro alienígena tentou por vários minutos sem sucesso, outro alienígena o substituiu e ela pôde rapidamente sentir os efeitos da varredura mental a que estava acostumada.
Mas outra abduzida resistiu com sucesso ao enlace mental. Reshma Kamal descobriu que tinha mais controle muscular do que o normal e o usou para impedir uma conexão neural. Ela mexeu rapidamente os olhos para frente e para trás, enquanto repetia uma frase religiosa em árabe. O primeiro alienígena tentou fazer contato e não conseguiu. Ele distraiu a sua atenção causando-lhe uma dor de cabeça e ameaçou não levá-Ia de volta à sua casa, mas ela se recusou a ceder. Outro alienígena o substituiu e au­mentou as ameaças. Ainda assim ela recusou-se, embora começasse a se sentir tonta de tanto mexer os olhos. Um terceiro alienígena tentou; e ainda um quarto. Eles não conseguiram impedi-Ia de mover os olhos. Finalmente, eles desistiram e disseram que continuariam o procedimento na próxima abdução.
As abduzidas dizem que, de alguma forma, sabem que os procedimen­tos mentais são relacionados aos híbridos. As abduzidas sugerem que os alienígenas gravam as informações e, então, as transferem para as mentes dos híbridos a fim de que eles aprendam como os seres humanos vivem e sentem. Existem também procedimentos nos quais os híbridos transferem informações diretamente dos humanos para suas mentes. Um alienígena ligou Allison Reed a uma fêmea híbrida adulta com cabos, e, enquanto as duas se sentavam em frente uma da outra, Allison pôde perceber que seus pensamentos e suas lembranças fluíam dela para a híbrida. A híbrida "ab­sorveu' os pensamehtos e experiências de Allison e aparentemente colheu algum benefício com o procedimento.
Os procedimentos mentais devem ser vistos em relação aos planos de reprodução dos alienígenas. Sem a capacidade de manipular a mente hu­mana, os alienígenas não poderiam controlar física e mentalmente os abduzidos, e o programa de cruzamento não seria viável na sua forma atual. As abduzidas muitas vezes se sentem mais violentadas pelos procedimentos mentais do que pelos reprodutivos. Elas sabem que seus pensamentos pri­vados não lhes pertencem e que podem ser "ligadas" e manipuladas. Em­bora freqüentemente eu tente assegurar-Ihes que, apesar do que aconteceu, seus pensamentos são livres, elas sabem que isso não é inteiramente verdade.
Quem são esses seres poderosos que controlam os humanos? Em que tipo de sociedade eles vivem? Por meio dos relatos de abdução, pudemos juntar os fatos que fornecem algumas respostas a essas questões de suma importância.

5
O que eles são

Os abduzidos pintaram um quadro bastante claro de como os alienígenas se comportam. Eles se apresentam aos abduzidos de uma forma muito pro­fissional - uma sociedade cooperativa operando como uma fábrica efi­ciente. Mas os alienígenas também têm sido muito reticentes com relação à sua "vida pessoal" e à sociedade em que vivem. Entretanto, através dos anos eles têm deixado "vazar" algumas informações e gradativamente começou a se delinear um retrato de sua vida e de sua sociedade.

De onde eles vêm?

Os alienígenas vêm do espaço sideral, de outra dimensão, ou de um uni­verso paralelo? No começo os pesquisadores acreditavam que o espaço si­deral era a explicação mais lógica: os alienígenas voaram para aqui vindo de Marte, Vênus ou algum outro local no nosso sistema solar. Mas, à medida que os cientistas aprendiam mais sobre o nosso sistema solar, parecia certo que a Terra era aí o único planeta com vida inteligente. Assim sendo, os pesquisadores concluíram que os alienígenas deveriam vir de outro sistema solar. Mas mesmo o mais perto deles está a anos luz de distância e voar até aqui seria uma tarefa inglória, mesmo à velocidade da luz.
O problema de como os óvnis podem chegar à Terra tem sido uma "barrei­ra” intelectual para muitos pesquisadores, e os cientistas desenvolveram várias teorias através dos anos para superar esses obstáculos. O astrônomo e pesquisa­dor de óvnis J. Allen Hynek postulou que os óvnis vêm de algum outro lugar através de um "plano astral". De alguma forma, "eles desejam" estar aqui como se viajassem através de padrões de pensamento. O pesquisador de óvnis Jacques Vallee e outros têm sugerido que os óvnis vêm de uma realidade alternativa que a humanidade de alguma forma chama de consciência; essa realidade alternati­va que se presume existir ao lado da nossa. Outros pesquisadores têm formula­do a hipótese de que os alienígenas "saltam" para fora de universo paralelo, que pode ser feito de antimatéria ou outra substância.
O dilema intelectual - como conciliar viagens espaciais com o conhecimento científico corrente - tem sido o assunto-chave que impediu a co­munidade de astrônomos de explorar seriamente o fenômeno óvni. Entre­tanto, este dilema intelectual é um problema espúrio. Em vez de perguntar de onde são os alienígenas e como chegaram aqui, é mais apropriado per­guntar: As pessoas estão realmente vendo os objetos anômalos artificialmente construídos e inteligentemente controlados que estão relatando? As pessoas estão tendo realmente as experiências e a abdução que descrevem? A ques­tão não é como os alienígenas chegaram aqui, mas se eles estão aqui. Este "como" é finalmente um detalhe técnico. É claro que os abduzidos pergun­taram aos alienígenas de onde eles vêm. E as respostas indicam que eles são verdadeiramente de outros planetas, de algum lugar do universo conheci­do. Como existem bilhões de estrelas e portanto bilhões de planetas possí­veis, essa explicação parece razoável e o testemunho dos abduzidos parece corroborá-Ia.
Quando os abduzidos perguntam aos alienígenas sobre a sua "casà', eles às vezes apontam para o céu; eles não falam sobre universos paralelos, via­gens no tempo, dimensões ou outras "locações" exóticas. Em um dado momento, Michele Peters, uma mulher com dois filhos que mora em New Jersey, teve uma conversa com um alienígena híbrido adulto:

Eu perguntei de onde eles vinham e ele disse que vinha do norte. Eu me sentei e olhei para ele... Ele apontou para as estrelas, e disse: “... é mais ou menos lá em cima, mas você não pode ver. Com um telescópio dá para ver estrelas ao redor; três pequenas estrelas e um planeta; então, há um grupo e é isso. É parecido com uma hélice." Primeiro há três estrelas pequenas, depois o planeta, depois um grupo. E depois o planeta deles. É realmente muito longe!

Kathleen Morrison viu-se com um híbrido adulto olhando para o espaço de uma janela. O híbrido explicou-lhe que a viagem através das estre­las era realizada em etapas.

Ele está apontando para a constelação de outras coisas. Não somente a constelação como nós as conhecemos, mas para pontos lá bem longe. Parece que há uma ligação entre os sistemas que estão tão longe no espaço. Eu não sei. Tudo o que penso disso é que se você estiver atraves­sando um rio existem pedras e você pula de uma pedra para a próxima e dali para a próxima pedra, e esta é a melhor analogia que eu posso imaginar. Mas foi assim que ele apontou para fora, como se fossem pedras onde ele pisaria.

Outros abduzidos têm descrito terem estado no espaço e olhado para a Terra embaixo. O seu óvni entrou em outro universo.
Muitos abduzidos relatam ter estado num lugar com a aparência de um deserto. Apesar de o sentido desse cenário não ser claro, a indicação é de que tal terreno pode ser o ambiente da pátria dos alienígenas. Suzan Steiner se lembra de um incidente quando estava num desses ambientes, caminhan­do sobre a areia.

O céu é como se fosse avermelhado. Existe alguma coisa que parecem nuvens, mas é um tipo de nuvem suspensa no ar, muito baixa, não são como cúmulos vindos das nuvens. São nuvens que parecem feitas de penas. E são como se tivessem várias cores, como se fossem multicoloridas, elas estão penduradas no ar quase como se fossem nuvens de algodão-doce ou cabelo de anjo. Parece cabelo de anjo pendurado no ar. De certo modo. parece que estâo por toda parte. Parece que lá há três sóis no céu. Um deles tem uma coisa pequena que parece... não sei como se chama, mas parece que está rodando em torno de um dos sóis. Os outros dois não têm isso. Os outros dois são simples. Nós começamos andando neste lugar e então...
Você estava andando sobre a areia?
Certo. Mas é como areia dura. Não é como areia da praia, é mais dura do que isso. Mas definitivamente trata-se de areia, mas não como a areia da praia. Então, nós estamos andando e ele segura a minha mão, ele toma a minha mão e parece que estamos subindo uma escada de degraus, mas não há degraus. Nós simplesmente estamos flutuando e flutuamos na direção deste edifício, com aquelas portas enormes de vidro.
Ela flutuou até o edifício onde dois seres altos, vestidos com robes, a encontraram. Ela continuou e passou pelos procedimentos normais dos alienígenas.
Não sabemos ainda de onde os alienígenas vêm e como eles chegam aqui; mas um quadro está surgindo, sempre dos relatos de abduzidos, do que é a vida dos alienígenas nas naves espaciais que parecem tê-Ios trans­portado.

O Organograma

Os alienígenas parecem ter uma cadeia de comando bastante delineada, com funções claramente definidas a bordo de sua nave. No meu livro A vida secreta, ressaltei que os alienígenas cinzentos mais baixos agem como assis­tentes dos cinzentos mais altos. Os alienígenas mais baixos trazem as abduzidas para o óvni, tiram suas roupas, acompanham-nas aos quartos de "exames", e até realizam certos procedimentos não especializados. Os alienígenas mais baixos raramente têm conversas mais longas, e o que eles comunicam é limitado geralmente a paliativos e palavrns de calma às abduzidas assustadas.
Os pesquisadores agora sabem que o alienígena a quem as abduzidas às vezes chamam de "doutor" ou "especialista” freqüentemente aparece na abdução depois que os alienígenas mais baixos já realizaram o exame médi­co da abduzida. Por ser mais alto, ele conduz os procedimentos mais com­plicados. Ele faz a coleta de esperma e retira os óvulos. Implanta embriões nas abduzidas e alguns meses mais tarde extrai os fetos. Conduz procedi­mentos de varredura mental nos quais pode extrair memória ou informa­ção do abduzido e pode também induzir excitação sexual e orgasmo. Ele desempenha os procedimentos de visualização, durante os quais pode fazer com que o abduzido reviva eventos de sua vida, ou pode criar novos "even­tos" para que o abduzido os experimente.
Os alienígenas mais altos aparentemente têm mais personalidade que os mais baixos. Eles podem estabelecer um diálogo com o abduzido, mas permanecem reticentes sobre os objetivos da abdução e os procedimentos específicos.
Há indícios de maior diferenciação de tarefas - de acordo com o sexo. Não vi nenhum relato de seres menores fêmeas; todas as fêmeas parecem ser da variedade mais alta. Os alienígenas fêmeas desempenham as tarefas especializadas, incluindo procedimentos ginecológicos, urológicos e visua­lização; ocasionalmente, realizam varredura mental e procedimentos de olhar nos olhos fixamente. A maior distinção é que os alienígenas fêmeas cuidam dos descendentes híbridos. Eles trazem os bebês para o importante relacio­namento que devem ter com as abduzidas. E também supervisionam e di­rigem as atividades dos híbridos crianças e adolescentes.
Essa diferenciação de tarefas pode ser entendida como o resultado da percepção cultural das abduzidas, mas a descrição dos alienígenas fêmeas milita contra isso. As fêmeas não têm nenhum atributo físico do seu sexo, como seria de esperar na concepção cultural do ser humano que relata tais descrições. Elas não têm seios ou qualquer das características sexuais secun­dárias que sejam observadas pelas abduzidas. Em vez disso, as abduzidas dizem que os alienígenas fêmeas parecem ser "mais bondosos", "mais gen­tis", "mais graciosos" ou "femininas" de uma forma pouco definida. Apesar da inconsistência de sua descrição, as abduzidas têm absoluta certeza de que esses alienígenas são fêmeas.
Em minha pesquisa inicial, enfoquei os seres cinzentos porque essa é a forma predominante de vida que os abduzidos vêem. Entretanto, agora é importante notar que os abduzidos também relatam outros subgrupos. Às vezes eles relatam seres pequenos com uma cor diferente de pele - bronze­ada ou branca são as mais freqüentes. Eles também descrevem característi­cas faciais variáveis, tanto nos seres altos quanto nos seres mais baixos. De longe a diferenciação mais proeminente é na aparência geral. Existem os cinzentos comuns, mas também há os "nórdicos", com forma de répteis, com forma de "insetos", ou seres altos vestindo robes ou aventais, sempre seres altos.
Como a maioria dos alienígenas são pequenos e cinzentos, durante anos eu pensei que os nórdicos eram exemplos de fabulação ou o desejo de trans­formar os alienígenas feios em humanos bonitos, louros e de olhos azuis. Depois de ouvir muitos relatos sobre esses alienígenas com aparência mais humana, concluí que as provas sugerem claramente que os nórdicos são mais provavelmente híbridos adultos, ou produto de cruzamento de humanos com alienígenas. Os híbridos são crucialmente importantes e descreverei os seus papéis mais tarde.
Os relatos de formas de "répteis" ou "insetos" podem ser simplesmente uma questão de escolha de palavras, e alguns abduzidos aplicam esses termos descritivos aos alienígenas a quem outros abduzidos podem descrever como cinzentos "comuns". Assumindo, entretanto, que os seres em forma de rép­teis e insetos são realmente tipos diferentes, é de notar que os abduzidos qua­se sempre os vêem como alienígenas cinzentos, nunca sozinhos, e que as tare­fas que desempenham são sempre tarefas que estão dentro da matriz normal dos alienígenas. Eles geralmente realizam as funções mais especializadas do alienígena mais alto. As abduzidas freqüentemente expressam repulsa ou medo desses alienígenas, às vezes caracterizando-os como “mesquinhos” ou “maus”, embora elas não apresentem os motivos dessas opiniões.
Embora não tenhamos ainda delineados os papéis dos seres "com for­ma de répteis", aqueles com forma de "insetos" são os que apresentam mais importância. As abduzidas têm relatado a presença de um alienígena que parece ter uma "posição" mais alta e têm o status de supervisor dos alienígenas mais altos. Ele é muito alto e geralmente usa uma capa ou um robe longo com um colarinho alto. Geralmente é descrito com aparência de inseto, e parece mais ou menos como um louva-a-deus em atitude de oração ou uma formiga gigante. Ele examina somente de vez em quando os abduzidos e mais freqüentemente realiza processos de varredura mental. Quando se comunica telepaticamente com os seres humanos, sua conversa é fre­qüentemente mais substantiva, e ele às vezes é mais aberto na informação que fornece. Mas geralmente fica no fundo, observa os procedimentos de abdução e pode dar ordens aos seres mais altos.
A existência de seres com tarefas específicas sugere uma "sociedade" hierárquica e a probabilidade de um "corpo governamental", com uma cadeia de comando de cima para baixo vindo dos seres com aparência de inseto para os alienígenas cinzentos mais baixos. Outros alienígenas pare­cem agir de uma forma mais subserviente em relação aos alienígenas com aparência de insetos. Se este é o caso, podemos formular a hipótese de que eles possuem a maior autoridade para todo o programa de cruzamento, e, portanto, pode ser o grupo que o iniciou.
Os abduzidos freqüentemente comentam que os alienígenas mostram uma mentalidade de "colméia". Os alienígenas mais baixos, especialmente, são parecidos, vestem-se da mesma forma e agem juntos, e a bordo do óvni nada fazem que possa sugerir características de personalidade individual. Toda a atividade individual é dirigida ao objetivo da abdução e realizada de um modo clínico e desapaixonado. Os alienígenas cinzentos mais altos parecem ter mais individualidade, e os alienígenas com aparência de inse­tos e vestidos de robes parecem ter mais ainda.
Embora os alienígenas possam ter desentendimentos e atritos entre si, geralmente apresentam um comportamento unido e positivo aos abduzidos. Eles constantemente dizem para os abduzidos o quanto é importante o pro­grama e como estão agradecidos pela "ajuda” dos abduzidos.

Habilidades de comunicações

Os alienígenas se comunicam telepaticamente com os seres humanos e en­tre si. Quando os abduzidos descrevem o processo de comunicação, dizem que recebem uma impressão nas suas mentes e que automaticamente a con­vertem em suas próprias palavras para compreensão. A maior parte do tempo os abduzidos parecem compreender muito bem a mensagem dos alienígenas. Entretanto, há sutileza e uma grande variedade de expressões que os huma­nos podem usar - cinismo, ironia, sarcasmo, drama. Isso parece ser limitado para os alienígenas, assim como a variedade de expressões comunica­tivas, que pode ser transmitida com movimentos faciais sutis, é quase inexistente.
Muito freqüentemente os abduzidos podem "bisbilhotar" as conversas entre os alienígenas, que geralmente se relacionam com os procedi­mentos na abdução. A "escuta" das conversas entre os alienígenas parece que depende da proximidade. Os abduzidos relatam que não "escutam" cacofonia de sons dentro do óvni; somente "escutam" quando estão na distância correta.
Os alienígenas, entretanto, parecem "ouvir" e compreender tanto a comunicação quanto o pensamento dos humanos. Relatos de abduzidos sugerem fortemente que os alienígenas parecem saber o que os humanos estão pensando. Por exemplo, vamos tomar a situação de uma mulher abduzida a quem foi dado um bebê híbrido para segurar. Ela resiste a essa ordem e comunica aos alienígenas que jogará a criança no chão, mas a abduzida relata que os alienígenas "sabem" que ela não fará isso.

Postura emocional

A maioria das abduzidas descreve que os alienígenas têm uma postura emo­cional reduzida e "controlada”. Eles geralmente são calmos e reservados. Quando aparentam alguma emoção, agem satisfeitos, contentes e gratifi­cados, mas não alegres; eles podem agir como se estivessem irritados, inco­modados e perturbados, mas não zangados. Extremos de emoção não pare­cem fazer parte da sua formação mental.
Essa variedade restrita da emocional idade pode ajudar a explicar por que os alienígenas forçam as abduzidas a interagir fisicamente com as crianças e com os bebês híbridos. As abduzidas relatam que este relacionamento faz com que bebês normalmente passivos se tornem mais ativos, como se as abduzidas de alguma forma tivessem "dando carga” aos bebês ou lhes trans­mitindo mais energia.
É claro que, pelos relatos de abdução, os alienígenas não podem prover as necessidades dos bebês. Eles próprios já declararam isso. O caso de Reshma Kamal é um bom exemplo. Durante uma abdução, o alienígena fêmea pe­diu a Reshma que segurasse um bebê, mas ela resistiu e questionou a neces­sidade do procedimento:

Ela vai me mostrar como é. Está pegando a criança. Está tentando segurá-Ia abraçando, mas é como se ela não soubesse. Agora me pede que faça isso e eu digo que não. Ela coloca o bebê de volta. Eu estou pergun­tando o que é que eles fazem com esses bebês, de onde eles vêm. Ela estádizendo que eu não preciso me preocupar com isso, que os bebês preci­sam ser afagados, do contrário eles não vão crescer direito. Ou o que quer que seja. Eu estou dizendo a ela que ela não tem de se preocupar que eles não cresçam direito, porque eles já não são direitos. Ela não parece gostar do modo como eu sinto. Ela está explicando alguma coisa para mim.
O que ela está dizendo?
Ela pensa que pode me fazer compreender alguma coisa, e eu me com­portarei melhor... eu sei que ela está tentando me fazer cooperar. Eu estou pensando que, quanto mais a chatear, mais informação ela me dará. Agora ela está me dizendo que eles precisam desses bebês. O que nós precisamos ensinar-Ihes é emoção, sentimento, que os alienígenas não podem ensinar. Ela está me explicando que eles podem alimentar e vestir os bebês, podem fazê-Ios crescer fisicamente, mas não podem dar a esses bebês desenvolvimento emocional, que eles precisam de mim para ajudá-Ios a fazer isso. Eu não entendo isto... ela está dizendo que há uma grande necessidade desses bebês. Ela está dizendo alguma coisa sobre esses bebês não serem exatamente como eles ou não serem exatamente como nós. Mas eles precisam ter emoção... ela parece um pouco frustra­da comigo porque não estou cooperando. Eu só estou em pé ali com os braços cruzados e digo a ela que não vou fazer nada.
Tentando fazer Reshma cooperar, o alienígena fêmea a leva para um incubatorium. Um quarto com centenas de receptáculos e fetos.
Ela está esperando para ver minha reação. Eu estou perguntando a ela por que eles estão fazendo isso, e como os bebês sobrevivem assim, e digo como eu gostaria que nós tivéssemos alguma coisa assim e aí não precisa­ríamos passar pelas dores do parto. Ela está dizendo para mim que, se nós fizermos isso, esses bebês não vão ter emoções, do mesmo modo que os bebês dela, e é por isso que eles precisam da nossa ajuda. Esses bebês podem crescer fisicamente... mas emocionalmente estão mortos... Eles precisam de nós para isto - acalentar os bebês. E eu estou perguntando a ela por que eles precisam fazer tudo isso.
Boa pergunta. Qual é a resposta que ela dá então?
Ela não está dizendo nada. É como se ela não acreditasse que eu ainda quero saber mais... ela está dizendo que esses bebês não podem funcio­nar exatamente como eles fazem na sociedade deles, nem podem funcionar se estiverem em uma sociedade exatamente como a nossa... então, ela está dizendo que nós temos de trabalhar juntos para que esses bebês não sejam desperdiçados. Eles não podem trabalhar sozi­nhos nesses bebês porque, da maneira como eles funcionam, o bebê não pode funcionar. E eles também não podem deixar os bebês co­nosco porque os bebês não são como nós. Eles precisam entretanto de alguma coisa deles e alguma coisa nossa... ela parece realmente muito frustada comigo. Ela não está dizendo nada. Somente está dizendo que nós precisamos fazer isso... Ela diz que no devido tempo eu vou saber. Eu suspeito dela e pergunto: "Então você quer os meus filhos?" E ela diz que não da maneira que eu penso, para adotá-Ios ou coisa que o valha. Não há uso para eles. É tudo o que da diz. Eu estou zangada e estou dizendo a ela que, se eles guardam os bebês pendurados na parede daquele jeito, é claro que eles não terão nenhuma emoção. Ela está dizendo que, se eles guardassem esses bebês em nosso ventre por nove meses, então haveria confusão demais. Assim, é melhor tirar os bebês quando estão muito pequenos e a gente não sabe, e trazer a gente de volta para ajudá-Ios. Eles têm de tirá-Ios da caixa e eu não sei o que eles estão fazendo. Estou olhando para todas essas caixas na parede. Ela está perguntando se eu posso ajudá-Ia. Eu digo não.

Mais tarde, embora Reshma não quisesse fazê-Io, ela condescendeu e segurou um bebê. É raro que uma abduzida possa resistir ao que lhe está sendo pedido.


Biologia básica alienígena

Toda a vida na Terra exige combustível para existir. As plantas obtêm com­bustível do sol e do solo, os animais da planta e de material animal. Pode­ríamos presumir que os alienígenas funcionassem de forma similar. Os re­latos dos abduzidos, entretanto, sugerem que eles não têm boca, dentes, esôfago, aparelho digestivo, abdome ou orifício para eliminação de excrementos. Nenhum abduzido jamais relatou que os alienígenas estivessem comendo ou num local que para os seres humanos seria definido como refeitório. Quando a abduzida Lynne Miller perguntou diretamente aos alienígenas se eles comiam, após uma pausa um deles respondeu: "Não precisamos consumir nenhuma das matérias que vocês comem.”
Até agora, como os alienígenas obtêm combustível é um mistério. Mi­nha pesquisa anterior mostrou que a biologia dos alienígenas é diferente da humana, mas sem nenhum sinal óbvio de ingestão de comida, e se poderia facilmente imaginar que estes seres seriam como robôs, fabricados por uma matriz com o poder de força interno. Uma das experiências de Allison Reed deu-me a chave do quebra-cabeça. Durante uma abdução de quatro dias e meio, um híbrido levou Allison para encontrar o acompanhante que estava com ela desde o começo da abdução. O híbidro erroneamente levou Allison a um quarto que aparentemente era "fora dos limites". Era um grande quarto circular e tinha um teto abobadado. Allison viu aproximadamente quaren­ta tanques com líquidos e um arranjo circular ao redor da sala. Ela ouviu um som de vibração e viu uma luz amarela que vinha do centro do quarto no teto.

Então o que acontece depois? Você entrou ali. Você observa esta cena.
A luz do centro desaparece. Eu estou em pé ali por um momento. Num dado momento, a luz do centro de certo modo se recolhe. E entra no teto... agora esses tanques, eles estão embutidos de certo modo como se estivessem "na frente", e então a água, eu digo a água, o líquido, escorre. Só escorre. Eu não sei para onde escorre. Sei que escorre. Pode ser absor­vido - eu não sei.
Você sente um som de gargarejo ou alguma coisa?
Eu sinto uma espécie de sussurro. Eles estão sentados num ângulo e, cada vez que um se move para frente, há um sussurro, assim, então vai para frente e o líquido é dissipado. Foi embora. Como se fosse uma manguei­ra que vem de cima.
É o que acontece quando a luz desaparece?
Certo. Primeiro a luz desaparece, a parte amarela e redonda no centro, mas é como se fosse intermitente... eles não se sentam juntos e é como se um estivesse em cima do outro... é mais, assim, irregular, um aparece ali do lado. Alguns ficam mais tempo e vão embora.
E, então, o que acontece?
Bem, alguns deles começam a sair. Eles saem.
Como eles saem?
Eles se levantam, andam e vão embora.
Eles atravessam? Não abrem a porta?
Hum, hum (não).
Em outras palavras, passam através do vidro?
Certo. Do mesmo modo que fazem na minha casa.
E eles estão surpresos porque a viram ou vão fazer suas tarefas? O que fazem quando saem?
Eles simplesmente passam junto de mim. Andam e vão embora. Eu estou esperando aqui. Isso não é estúpido? Eu estou esperando ali por esse cara cinzento. Eu sou tão estúpida! O que faço agora? Estou me lembrando disso e gostaria de bater na minha cabeça. Eu sou tão idiota! Em qual­quer outro tempo eu estou chateado e quero fugir, mas agora estou em pé esperando por ele!

Quando o acompanhante de Allison chegou perto dela, ele ficou cho­cado ao vê-Ia. Para ele o choque foi mais forte porque ela estava vestindo roupas híbridas. Ele rapidamente disse a Allison que eles teriam de voltar para o quarto dos chuveiros e devolver as roupas.

Depois que consegui entender que poderia ter causado problemas para mim mesma, eu disse a ele: "O que vocês estão fazendo? O que vocês estão fazendo ali?" Eu penso naquilo, você sabe... Ele fala como se dissesse: "Comendo e dormindo", como uma coisa muito simples. Parece simples demais para estar certo, mas é isso que eu entendo.

Se isto é verdade, o que sugere é que os alienígenas obtêm o seu com­bustível por meio de absorção da pele em vez de ingestão. A teoria de ab­sorção é apoiada por relatos de fetos flutuando em tanques no incubatorium. Muitos fetos não têm cordão umbilical, sugerindo que eles não recebem nutrição de uma placenta. Um alienígena disse à Diane Henderson, do sul de Illinois, que os fetos estavam no líquido para "alimentação", e que aqui­lo era "nutritivo". Eles deram a Pam Martin a mesma explicação. Um alienígena levou-a ao incubatorium e explicou a função do ambiente líqui­do no qual os fetos estavam flutuando. Ele disse a ela que os fetos "recebiam tudo" do líquido.
Susan Stainer foi a uma creche onde um alienígena lhe apresentou um bebê. Primeiro os alienígenas a dirigiram para ter contato de pele com o bebê, esfregando a sua cabeça e o abdome. Depois eles queriam que ela alimen­tasse o bebê, mas ela se recusou. Como eles não podiam forçá-Ia a ali­mentar o bebê, trouxeram uma tigela com o líquido marrom e uma espé­cie de "pincel", e disseram a ela que pintasse o bebê com o líquido marrom. Ela perguntou qual era o sentido daquilo. Eles disseram que era para "nu­trição".
Assim, qualquer que seja o processo biológico específico ainda desco­nhecido, agora sabemos que os alienígenas obtêm combustível de forma diferente da dos humanos, que a sua pele tem uma função única e que eles convertem "comida” em energia de modo muito diferente. Mas esses são vislumbres acerca da vida e da biologia dos alienígenas, e a razão pela qual não sabemos mais é que os alienígenas não querem que saibamos. Eles implementaram uma política de segredo que efetivamente nos impede de compreender tanto a eles quanto a suas intenções. O segredo é a pedra-de-­toque que serve de fundamento ao fenômeno de abdução. O sucesso dos planos dos alienígenas depende disso.

6
Por que eles são secretos

Por que os óvnis não aterrissam no gramado da Casa Branca? Por que os tripulantes alienígenas não saltam e dizem: "Leve-me ao seu chefe?" Por que eles não fazem contato formal? Essas questões óbvias, que as pessoas têm levantado durante anos, merecem estudo cuidadoso. Entretanto, as próprias questões são problemáticas, porque são baseadas na presunção de que os alienígenas desejam tornar-se conhecidos, estabelecer contatos com os seres humanos e falar com os nossos líderes. Esta presunção é incorreta. As provas em torno dos óvnis e do fenômeno de abdução indicam forte­mente não a transparência, mas o segredo como um objetivo.
Por que os alienígenas desejam manter os óvnis e o fenômeno de abdução um segredo? O segredo beneficia os alienígenas e confunde os seres huma­nos. Ele esconde os fatos e dá margem a especulações infundadas. É o res­ponsável por um debate prolongado e rancoroso entre os favoráveis e os contrários à legitimidade do fenômeno. O segredo também tem uma influ­ência negativa muito forte sobre os abduzidos. Faz com que tanto eles quanto o público questionem a sua sanidade. Sem o segredo não existiria nenhu­ma controvérsia sobre os óvnis e a abdução.
Todavia, milhões de pessoas no mundo inteiro têm observado os óvnis. Numerosas fotografias, filmes e vídeos dos óvnis têm passado pelo teste da análise científica. Os traços no radar têm sido provas por muitos anos. Como podemos reconciliar tantas provas conhecidas com uma política de segredo?
Afinal de contas, as aparições de óvnis não comprometem o segredo. É impossível basear uma análise dos objetivos e motivações dos alienígenas simplesmente nas aparições dos óvnis e ocasionalmente de seus ocupantes. Devemos concluir então que os alienígenas ditam ativamente os termos pelos quais podemos estudá-Ios. Eles decidiram não aterrissar no gramado da Casa Branca. Eles decidiram não fazer qualquer contato "aberto". Na década de 1960, o grande pesquisador francês de óvnis Aimé Michel sucintamente intitulou isso de "o problema do não-contato".

As Primeiras Hipóteses: de 1940 a 1960

Uma aparição - qualquer aparição - poderia parecer inconsistente com a política de segredo. Se os alienígenas, que são tecnologicamente superio­res, desejam manter seu segredo, pode-se argumetltar que eles poderiam impedir as testemunhas de vê-Ios. Mas, a partir da década de 1940, os pes­quisadores' lutam com o quebra-cabeça do porquê de os óvnis não fazerem contato formal. Eles ofereceram várias hipóteses sobre o não-contato. As primeiras teorias centravam-se na hostilidade humana, na não-interferên­cia ética, no reconhecimento e em várias combinações destas três hipóteses.
A hipótese dos "seres humanos hostis" sugeria que os óvnis eram clan­destinos porque temiam ser agredidos pelos humanos. Episódios de pilo­tos de aviões a jato encontrando óvnis em pleno ar e desejando atirar, ou realmente atirando neles, deram credibilidade à idéia de que os alienígenas acreditavam que éramos uma espécie hostil que constituía uma ameaça às suas aeronaves.
A hipótese dos "seres humanos hostis" esteve particularmente em voga, quando a América estava sob a influência da mentalidade militar da Se­gunda Guerra Mundial, da guerra da Coréia e da Guerra Fria, e foi muito influenciada pelas idéias antropológicas da época em que o homem era inerentemente agressivo e guerreiro. Assim sendo, a primeira reação da humanidade a uma visitação extraterrestre, pelo menos do ponto de vista institucional, seria o uso das forças armadas para controlar ou destruir os óvnis. Uma espécie alienígena presumivelmente avançada e pacífica evita­ria um conflito adotando a política de manter-se a distância. Como disse o analista James Lipp, da Força Aérea, em 1949: "É difícil acreditar que qualquer raça tecnologicamente realizada viria aqui, se jactaria de suas habili­dades de modo misterioso e então simplesmente iria embora." Lipp suge­riu que "a falta de propósito aparente nos vários episódios também é espantosa. Somente um motivo pode ser subscrito: que os homens do es­paço estão 'testando' nossas defesas sem desejar ser beligerantes".
Esta teoria recebeu a sua primeira expressão popular com o filme, de 1951, O dia em que a Terra parou, no qual um óvni aterrissa perto da Casa Branca e os militares americanos o cercam imediatamente com armas e tan­ques. Um soldado nervoso atira e fere um extraterrestre, quando este sai do disco voador. Quando o alienígena escapa, ele completa a sua missão na Terra vivendo incógnito entre os seres humanos. A ausência de contato aberto era vista como uma reação preventiva contra a nossa inerente hostilidade.
Os primeiros pesquisadores também postularam a explicação do "reco­nhecimento" à política de segredo dos alienígenas. Donald Keyhoe, pes­quisador pioneiro de óvnis, no seu livro de 1950, Os discos voadores são re­ais, apresentou a idéia de que "a Terra tem estado sob observação periódica de outro planeta, ou planetas, há pelo menos dois séculos". Estas inspeções são "parte de uma pesquisa de fundo e continuarão indefinidamente. Ne­nhuma tentativa de contato com a Terra parece evidente. Deve existir al­gum impedimento desconhecido para que se faça o contato, mas o mais provável é que o plano dos homens do espaço não esteja completo". De acordo com Keyhoe, se nós tivéssemos explorando outro planeta, não farí­amos contato até que as nossas observações estivessem completas: "Se des­cobríssemos que a outra espécie era hostil e belicosa, então seguiríamos para o próximo planeta."
Elaborando sobre a teoria de Keyhoe, o investigador de óvnis canaden­se Wilbert Smith estipulou, em 1953, que, quando os ocupantes dos óvnis descobrirem que somos um povo guerreiro, irão embora, porque somos "muito primitivos para os níveis deles". Para Smith e outros pesquisadores, os ocupantes dos óvnis eram antropólogos praticando uma política de não­-interferência, quando encontravam uma sociedade tribal ainda não desco­berta. De acordo com essas teorias, os alienígenas tinham uma responsabi­lidade moral de proteger a humanidade dos problemas que o contato entre espécies distintas poderia trazer. Entretanto, Smith sugere a Keyhoe que os alienígenas interviriam diretamente se os humanos se tornassem demasia­damente agressivos:

Suponhamos, por exemplo, que nossos pilotos descobrissem uma civi­lização perdida na Amazônia. Nós a investigaríamos do ar para ver quanto avançada ela era, antes de arriscar um contato direto. Se ela estivesse um século ou dois antes de nós, empenhada em guerras seccionais, nós possivel­mente a deixaríamos sem incomodá-Ia - a menos que ela tivesse alguma coisa de que precisássemos muito. Mas ela poderia estar somente uma déca­da ou duas antes de nós. Neste caso pelo menos a estudaríamos cuidadosa­mente no futuro... mas se por qualquer razão ela constituísse um perigo para o resto do mundo, teríamos de controlá-Ia, pela razão - ou pela ameaça do uso da força.

Aime Michel combinou as hipóteses dos "humanos hostis" e a da não­interferência em 1956, quando sugeriu que os ocupantes dos óvnis não nos contatavam porque isso poderia ser fisicamente perigoso para eles. Michel dizia que os humanos são um povo violento e, "considerando o nosso pas­sado sanguinário, não seria justificado para eles pensar que a melhor prote­ção é uma 'cortina de ferro"'? Mas, explicou Michel, os alienígenas tam­bém têm uma razão egoísta para não nos contatar: "O contato seria um mau negócio para eles. Far-nos-ia aprender muito mais do que eles apren­deriam e de todos os modos reduziria a sua margem de superioridade sobre nós. E suponhamos que desvendássemos o segredo de suas máquinas. Iría­mos usá-Ias com o mesmo conhecimento e a mesma prudência?" Todavia, Michel pensou que o contato ocorreria "quando fizer mais bem do que mal". Ele notou com aprovação que eles tinham "respeito pelos outros", porque "nunca tentaram interferir em nossas vidas".
Aime Michel sugeriu mais tarde que os alienígenas haviam deliberadamente evitado o contato por causa do mal que isso causaria à vida e às instituições humanas - e os alienígenas nos suplantariam num modelo darwiniano de sobrevivência do mais capaz. Entretanto, o contato poderia ocorrer sem nosso conhecimento, disse Michel, porque os alienígenas são tão superiores e clandestinos que "seríamos tão incapazes de perceber a sua atividade ou analisar os seus motivos como um rato de ler um livro".
Na década de 1950, apareceu um elemento altamente perturbador no debate sobre o sentido do não-contato - os infames contatados. Essas pessoas afirmavam que estavam tendo interações continuadas com amigá­veis "irmãos do espaço". Eles se encontravam com os alienígenas em vários lugares, incluindo restaurantes, estações de ônibus e locais isolados. Isso era contato. E, embora a maioria dos pesquisadores sérios de óvnis rapidamen­te desmascarassem os contatados como fraudulentos, muitas pessoas acre­ditaram nas suas histórias e concluíram que os alienígenas já tinham feito contato e em conseqüência o debate sobre a natureza secreta do fenômeno dos óvnis era sem sentido. Os contatados perderam a sua popularidade na década de 1960, mas, desde aquela época, os críticos e céticos têm aponta­do para eles como exemplo de como aqueles que estudam os óvnis podem ser facilmente enganados.
Na década de 1960, a hipótese dos "humanos hostis" diminuiu, mas a do reconhecimento permaneceu forte. Escrevendo em 1962, Coral Loren­zen, co-diretora da Organização de Pesquisas de Fenômenos Aéreos, fez da hipótese do reconhecimento uma parte do programa de satélite. Lorenzen dizia que os óvnis estavam realizando na Terra uma pesquisa "geográfica, ecológica e biológica, acompanhada por um reconhecimento militar de todas as defesas terrestres do mundo". De acordo com Lorenzen, esta atividade aumentou a partir do primeiro satélite com órbita terrestre, o Sputinik, em 1957, e "com as sucessivas sondas espaciais lançadas pelos homens, o que parece que despertou um maior interesse e exame da Terra pelos nossos 'vi­sitantes', se de fato eles são reais".
Os pesquisadores Richard Hall, Ted Bloecher e Isabel Davis, da Comissão Nacional de Investigação de Fenômenos Aéreos, sugeriram em 1969 que não havia contato formal, porque os alienígenas não entendiam nossa civilização. "Mesmo na matéria simples da aproximação física com os seres humanos, o comportamento dos óvnis é acima de tudo contraditório; eles parecem demonstrar uma mistura de cautela e curiosidade." Os óvnis não contatam os humanos porque "os extraterrestres (...) podem ainda estar tão espantados com os nossos comportamentos e motivos como nós continua­mos a estar também espantados com os deles".
Entretanto, existia uma contradição real entre as hipóteses e os eventos diários. Milhares de pessoas continuavam vendo os óvnis; os investigadores coletavam milhares de relatos de aparições de grande e baixa altitudes, e até de óvnis aterrissados; e também havia um aumento do número de relatos sobre "ocupantes", nos quais as testemunhas diziam que haviam visto alienígenas dentro ou perto de um óvni. O caso Barney e Betty Hill, no começo da década de 1960, também ajudou a teoria de que os óvnis esta­vam fazendo contato clandestino. Esta atividade significava que os óvnis estavam se mostrando com algum propósito? Qual era o propósito?

As hipóteses posteriores: de 1970 a 1990

Na década de 1970, alguns pesquisadores começaram a postular a teoria de que os óvnis estavam se revelando lentamente, para que os humanos pu­dessem se acostumar gradativamente à idéia da visitação de alienígenas. Presumivelmente, a revelação súbita seria muito perturbadora para todas as instituições humanas. Seguir-se-iam medo, depressão e desespero. Pro­vavelmente, aumentaria o número de suicídios. Outros tipos de catástrofe, como o pânico generalizado, a desagregação das instituições, crises governamentais, se seguiriam, levando ao caos social e à anarquia. A revelação gradual serviria para "amortecer o choque" do contato e reduzir os distúr­bios; os alienígenas não queriam chocar os humanos mostrando-se de for­ma tão abrupta.
Assim sendo, os alienígenas permitiriam que os humanos vissem as aparições de óvnis como um "amortecedor de choque". Os pesquisadores formularam hipóteses explicando que as aparições nos permitiram alcan­çar uma melhor forma de consciência sobre os alienígenas, de modo cons­tantemente controlado, como a temperatura controlada por um termostato. Parte das intenções dos alienígenas era fazer com que a idéia dos óvnis como objetos extraterrestres se infiltrasse gradativamente na cultura popular. Assim, teorizavam os pesquisadores, os alienígenas estavam nos tratando com extremo cuidado, enquanto monitoravam o conhecimento de nossa socie­dade a respeito de sua presença.
O pesquisador de óvnis, Jacques Vallee expôs a versão dessa teoria no livro O colégio invisível (1975). As aparições e desaparições isoladas de um único óvni e as ondas de aparições tinham significado especial para Vallee. Essas manifestações de óvnis faziam parte de um sistema de controle proje­tado pelos alienígenas para "estimular o relacionamento entre as necessida­des da consciência dos homens e as crescentes complexidades do mundo que ele deve compreender". Isso conduziria ao que Vallee chamou de "um novo comportamento cósmico".
Para Vallee, o fenômeno dos óvnis se situava em algum lugar entre os mundos físico e psíquico. Estava ligado à consciência do homem e era ne­cessário para condicionar a humanidade a uma mudança na visão do mun­do, presumivelmente sobre o universo e o lugar do homem nele. As apa­rições e desaparições dos óvnis eram parte de um regime para condicionar os humanos, embora Vallee tenha sido vago em relação ao propósito do condicionamento.
Desenvolveram-se teorias similares. Uma idéia popular entre pesquisado­res junguianos de óvnis era que os óvnis seriam manifestações duma realidade alternativa que existia entre o psíquico e o objetivo. As pessoas, individual­mente, chamavam psiquicamente essas formas para que se materializassem através de um reino "imaginário". Enquanto estavam aqui, elas eram "reais" e objetivas, mas desapareciam quando entravam num outro reino.
O grande número de aparições de "ocupantes" no final da década de 1970 e no início da 1980 deu vazão às hipóteses de "reino psíquico". Os ocupantes pareciam comportar-se de modo incompreensível. Evitavam contato, deixavam de se comunicar, pareciam inspecionar pessoas que fica­vam paralisadas, e, então desapareciam dentro de seus óvnis e levantavam vôo. As testemunhas informavam de óvnis voando perto de seus carros, emparelhando ou "caçando" eles. Outros relatos descreviam objetos sim­plesmente se materializando diante das testemunhas e, então, desaparecen­do sem que o observador os tivesse visto ir embora.
O célebre pesquisador de óvnis e astrônomo J. Allen Hynek lutou com os problemas de não-contato e a maneira absolutamente absurda como os óvnis se comportavam. Quando os óvnis começavam o que parecia ser uma forma de contato - serem vistos de tempos em tempos, emparelhando com carros e aviões, assustando pessoas, não dando aos humanos um "gesto de boa vontade" -, isso não fazia sentido. Por que os óvnis e seus ocupantes exibiam um comportamento tão estranho?
Hynek especulou que os óvnis residem num universo paralelo ou em uma outra dimensão e "penetraram" através da Terra. Talvez eles venham no "transporte astral" em que poderiam "desejar" estar na Terra. Qual­quer que seja o caso, a facilidade com que eles vêm à Terra sugere que os óvnis podem fazer o que quiserem sem ter de estabelecer um contato for­mal. O biólogo e pesquisador de óvnis Frank Salisbury resumiu essas atitudes em 1964 dizendo: "Os extraterrestres podem simplesmente ter suas razões para não desejar estabelecer contato formal, e ... nós, no está­gio em que estamos de nosso desenvolvimento, simplesmente não pode­mos imaginar estas razões."
Embora abundem teorias - a Terra é uma estação de reabastecimento para óvnis viajando para outros lugares, a Terra é um ponto turístico para os alienígenas passearem -, no final da década de 1980 a maioria dos pesquisadores havia deixado de especular sobre o não-contato. Não existi­am provas suficientes nas quais pudessem basear uma hipótese viável.
Então, no começo da década de 1990, John Mack reacendeu o debate postulando que o propósito do não-contato era "convidar, lembrar, permear nossa cultura de baixo para cima, bem como de cima para baixo, e abrir a nossa consciência de modo a impedir uma conclusão que é diferente dos modos pelos quais nós tradicionalmente pensamos". Os humanos devem procurar por provas da existência dos alienígenas de outras maneiras além das puramente racionais. "Nós temos de abraçar a realidade do fenômeno e dar um passo adiante, reconhecendo que vivemos em um universo dife­rente daqueles em que fomos ensinados a acreditar."
Acredito que estas hipóteses anteriores sejam inadequadas para expli­car o fenômeno dos óvnis. Como a maioria da especulação sobre o fenô­meno, os pesquisadores tem baseado suas hipóteses sobre o não-contato em provas que são na sua maioria circunstanciais. Mais ainda, a maioria das teorias tem colocado o não-contato num contexto centrado nos seres hu­manos: os alienígenas ou têm medo dos humanos ou desejam ajudá-Ios. Como Ptolomeu presumiu que a Terra era o centro do sistema solar, a maioria dos pesquisadores também presume que os alienígenas vêm à Terra porque percebem a singularidade e a importância dos humanos. Isto é o que ensina a tradição judeu-cristã.
Na verdade, a maioria das teorias tradicionais de contato formal tem suas raízes no antropomorfismo judeu-cristão. Estas teorias geralmente pre­sumem que as espécies alienígenas teriam um forte interesse no complexo processo de pensamento, na tecnologia e na civilização dos seres humanos. Os alienígenas nos respeitariam e partilhariam o seu conhecimento cientí­fico e tecnológico conosco; os seres humanos se juntariam aos alienígenas como numa comunidade de planetas. Estas presunções têm sido baseadas não em provas, mas nas idéias e no processo de pensamento derivado da sociedade e da cultura na qual vivem seus defensores.

Hipóteses correntes e abduções

O fenômeno de abdução tem sido sempre mais secreto do que o fenômeno de aparição de óvnis. Os pesquisadores investigaram aparições de 6vnis por quatorze anos, antes que encontrassem um caso de abdução. Passaram-se outros vinte e cinco anos, antes que compreendessem que as abduções eram enormemente generalizadas e constituíam o foco central do fenômeno óvni.
Quando começaram a investigar as abduções, os pesquisadores primeiro assumiram que elas ocorriam uma vez com os adultos. As abduções sugeriam mais curiosidade do que manipulação por parte dos alienígenas. À medida que os abduzidos se lembravam de fragmentos de eventos, os pesquisadores decidiram que os alienígenas estavam "estudando" ou "experimentando" as pessoas. Os alienígenas haviam terminado o seu exame secreto da Terra e agora voltavam a sua atenção para o estudo dos seres humanos.
À medida que o número de relatos de abdução aumentou, muitos pes­quisadores adotaram o argumento ético da não-interferência e assumiram que os alienígenas conduziam seu estudo em segredo, a fim de não pertur­bar a vida do abduzido. As lembranças de abdução são tão traumáticas que poderiam interferir negativamente no bem-estar psicológico do abduzido. Além disso, os pesquisadores assumiram que os alienígenas davam aos abduzidos sugestões pós-hipnóticas para não lembrar um evento, a fim de que o mesmo ficasse enterrado no inconsciente do abduzido.
Outros pesquisadores hipotetizaram que um abduzido não se lembra­ria da abdução porque as defesas naturais da mente humana haviam repri­mido o evento traumático. A mente humana não poderia agüentar a impossi­bilidade e o terror de uma abdução por alienígenas; em vez de confrontar os eventos horríveis, a mente guardava as memórias muito profundamente dentro de si própria e somente deixava que pequenos fragmentos conse­guissem "sangrar". Os investigadores tinham de usar a hipnose para recuperar estas memórias reprimidas.
O argumento de que os alienígenas operam em segredo, a fim de não perturbar a vida dos abduzidos, poderia ter mérito se não fosse o fato de que a perturbação em suas vidas é enorme, mesmo sem a lembrança cons­ciente das experiências de abdução. Se os alienígenas de fato "estivessem preocupados em não causar perturbações pessoais, não abduziriam as pes­soas em primeiro lugar ou, pelo menos, não tão freqüentemente no curso das suas vidas.
As hipóteses de que os abduzidos reprimem as memórias para enfren­tar trauma de uma abdução também têm problemas comprobatórios. Os mecanismos de reflexão de memórias traumáticas são altamente discutí­veis e, mesmo que a hipótese fosse verdade, a freqüência das abduções milita contra a repressão de cada caso. Há muitos eventos de abdução que não são traumáticos e que também não são lembrados. Além disso, os pesquisadores não encontraram relatos de procedimentos pós-hipnóticos que os alienígenas pudessem usar para "enterrar" o evento de abdução. Se esses procedimentos existissem, os pesquisadores os viriam em cada abdução relatada.
Embora a neurologia exata não seja conhecida, é mais provável que os alienígenas armazenem os eventos de abdução diretamente no sistema de memória de longo prazo do abduzido, ultrapassando a memória de curto prazo e evitando o mecanismo que permite a sua reconstituição. A hipnose restaura o dispositivo que permite que as memórias venham à tona. Disse­ram a Reshma Kamal que os alienígenas não "apagam" completamente as memórias porque há aspectos delas que devem ser guardados pelos abduzidos para futura referência. Assim as memórias permanecem intactas, mas ina­cessíveis por meio da lembrança normal.
Durante anos, o fenômeno de abdução permaneceu escondido por baixo de camadas diretas e indiretas de proteção - crenças sociais, hostilidade científica, lembrança consciente incompleta, fabulação em testemunho reconstituído hipnoticamente e manipulação da memória induzida pelos alienígenas. Diversamente das aparições de óvnis, não existem traços de radar, fotografias, filmes ou videoteipes da abdução. A prova é primordialmente testemunhal, com um artefato ocasional. Somente uma coisa é certa: qual­quer que seja a razão para isso, a estratégia de segredo dos alienígenas tem sido enormemente bem-sucedida. A maioria das pessoas que tiveram uma vida inteira de experiências de abdução permanecem inconscientes do que lhes aconteceu. Elas negariam como loucura qualquer sugestão de que esti­veram envolvidas com o fenômeno de abdução, mesmo que tivessem sido abduzidas algumas horas antes.

Métodos de proteger o segredo

O ponto inicial do segredo é evitar que o abduzido se lembre do que acon­teceu, uma estratégia que é mais compreensiva do que simplesmente indu­zir a amnésia. Primeiro, todos aqueles próximos ao evento de abdução não devem ter consciência do que está acontecendo. Assim, os alienígenas roti­neiramente imobilizam, tornam inconsciente ou alteram a percepção das testemunhas potenciais de abdução. Com efeito, eles "desligam" as pessoas próximas de maneira que não possam interferir nos eventos. Os maridos, as esposas, os amigos, os passantes - todos ficam inconscientes da abdução.
Segundo, o abduzido é separado de um grupo. Por exemplo, se ele está num piquenique, irá dar uma "caminhadà' e não voltará por uma hora e meia; quando volta, ele explica vagamente que "se esqueceu do tempo", e seus amigos ignoram o incidente. Assim os alienígenas mantêm o segredo quando abduzem alguém em meio a um grupo de pessoas.
Terceiro, para tornar a recuperação da memória mais difícil, os aliení­genas esmaecem o que o abduzido ainda tiver de memória, injetando lem­branças confusas e "falsas" na sua mente. Por exemplo, se a pessoa é abduzida na cama, pode se lembrar de um "sonho" nítido e realista. Outras abduções podem produzir "memórias anteparo" e animais encarando o abduzido ­corujas, veados, macacos, esquilos. Um abduzido pode pensar que viu um "anjo", um "demônio", ou um parente falecido em pé ao lado da cama. A sociedade fornece uma variedade de explicações e os abduzidos as escolhem e as incorporam dependendo da sua formação e da sua cultura.
O segredo se estende ao aspecto físico da abdução, e "esconder" a re­moção de um abduzido é parte integral disso. Quando a pessoa é abduzida do seu meio ambiente normal, relata que flutuou diretamente através de uma janela fechada, ou através de uma parede, ou através do teto ou do telhado para um óvni que estava esperando. Entretanto, as pessoas que es­tão do lado de fora raramente vêem isso, porque os alienígenas de alguma maneira fazem com que eles, os abduzidos e o óvni, fiquem "invisíveis" durante a abdução.
As abduções muitas vezes ocorrem em automóveis e os alienígenas tam­bém, nessa situação, guardam segredo. Quando a pessoa está dirigindo, os alienígenas fazem com que o carro pare, de forma que o abduzido possa caminhar para o óvni que está esperando ao lado da estrada (às vezes o abduzido flutua diretamente através do pára-brisa). Tipicamente, os alienígenas esperam até que não haja mais carros na estrada, ou obrigam o abduzido a se dirigir para uma estrada deserta e ali esperar pela abdução. Freqüentemente, os alienígenas levam o carro com o abduzido, resolvendo o problema de deixar um veículo abandonado no acostamento da estrada.

Ameaças ao segredo

A política de segredo ainda não foi implementada perfeitamente. Apa­rentemente, os alienígenas não podem manter um segredo total. Há teste­munhas que vêem óvnis. Traços de sua existência foram deixados em forma de marcas no chão e efeitos físicos no ambiente. Muitos abduzidos têm lem­branças conscientes de suas experiências. Os abduzidos tomam consciência do "tempo perdido". Eles apresentam cicatrizes inexplicáveis e outras "pis­tas" físicas. Além desses sintomas da atividade de abdução, a política de segredo tem muitas outras vulnerabilidades.
O primeiro ponto vulnerável é o artefato mecânico implantado em muitos abduzidos. Andar com um implante pode ser arriscado. O sistema de monitoração, que alerta os alienígenas das tentativas de remover o im­plante, não funciona numa situação de emergência. Pelo que sei, em pelo menos vinte ocasiões, os abduzidos, que não tinham conhecimento de suas experiências de abdução, espirrara para fora um implante ou o expeliram de outro modo. Potencialmente, a perda pode comprometer o segredo. Os alienígenas têm sido "sortudos", pois esse não é o caso; o abduzido incons­ciente e confuso presume que o objeto se introduziu acidentalmente ("o vento deve ter jogado isso no meu nariz"). O abduzido pode se sentir com­pelido a descartar o objeto. Por exemplo, uma jovem expeliu um objeto de duas polegadas, parecendo um plástico amarelo, de dentro da sua vagina, o que, é claro, a deixou chocada e amedrontada. Ela "sabia" que tinha de se livrar do objeto imediatamente. Ela o jogou na privada e, então, deu des­carga três vezes para ter certeza de que havia desaparecido. Depois, sentiu-­se melhor.
Para manter o segredo dos alienígenas, é importante não ser fotografa­do ou gravado em fitas de vídeo. Eles são extremamente cautelosos, para fazer com que o abduzido desligue qualquer equipamento fotográfico, que possa detectá-Ios, antes de uma abdução. Se necessário, podem causar uma falha de energia na casa ou na vizinhança, para evitar que um equipamento colocado para fotografá-Ios possa trabalhar. Eles não querem ser vistos.

Protegendo os fetos

A mais significativa área de vulnerabilidade dos alienígenas, aquela que de longe tem o maior impacto na manutenção do segredo - é o implante de um feto em gestação. Como a produção de descendentes é o objetivo pri­mário das abduções, o implante fetal e a sua extração são momentos críti­cos. Virtualmente, todas as abduzidas têm tido embriões implantados e depois de um período de semanas ou meses o feto é removido. Sem a fase de implantação e de extração fetal do programa, todo o fenômeno de abdução ficaria prejudicado e talvez inoperante. É absolutamente essencial que o feto seja protegido de um aborto durante essa fase.
O implante fetal é precisamente onde a segurança tem mais possibili­dade de ser comprometida. Uma vez que a mulher está impregnada, ela continua a sua vida normal, mas está carregando o feto. Embora poucas abduzidas tenham consciência do feto, são elas - e não os alienígenas ­ que têm o seu controle durante a gravidez. Para os alienígenas, essa mu­dança de controle crucial ocorre num momento perigoso. Se a mulher per­cebe que está carregando um feto inserido nela pelos alienígenas, pode de­cidir terminar a gravidez. De fato, muitas abduzidas têm procurado abortar. O monitoramento dos alienígenas geralmente revela um aborto planejado, de modo que o feto pode ser removido antes disso, mas outros métodos de proteção são implementados.
Outro meio de assegurar proteção ao feto é enganar a mulher por meio de um implante de uma unidade extra-uterina gestacional. A unidade não muda a forma, o tamanho ou a cor do útero e muitas vezes não provoca uma reação hormonal característica. Assim, a abduzida tem pouca indica­ção de que está grávida e não toma nenhuma providência para terminar a gravidez.
Outro subterfúgio é permitir que a mulher sexualmente ativa pense que está grávida. Existe sempre a possibilidade real de que a gravidez seja o re­sultado normal de relações sexuais, mesmo que o casal tenha tomado medidas anticoncepcionais. Se a mulher decide terminar a gravidez, geral­mente há tempo suficiente entre a decisão e os testes necessários para que os alienígenas removam o feto. Na maioria dos casos, no momento em que a mulher chega para o aborto, o feto desapareceu. Geralmente, o diagnós­tico do médico é pseudociese, aborto espontâneo, absorção ou amenorréia secundária. A mulher não faz nenhuma conexão entre o "desaparecimen­to" do feto e o fenômeno de abdução.



Razões para o segredo

A questão crítica ainda permanece: Por que os alienígenas são tão secretos? A resposta pode ser encontrada nos motivos e propósitos do programa de cruzamento. Como o feto deve ser protegido, o método mais efetivo de evitar que a abduzida saiba da sua gravidez é conservá-Ia secreta para ela. Em resposta à pergunta de Lucy Sanders, um alienígena foi surpreendente­mente direto. Ele disse a ela:

Nós temos o nosso próprio interesse, porque estamos removendo o seu óvulo e usando-o para nossos propósitos genéticos. Sabemos que isso vai ser muito perturbador para a fêmea humana, porque ela é um órgão reprodutivo entre duas espécies, ela é a hospedeira para a reprodução, e nós somente removemos aqueles de que precisamos.

Quando Lucy lhe perguntou o que isso significava, ele respondeu:

Às vezes usamos a fêmea humana como hospedeira para propósitos reprodutivos genéticos. Sentimos que, se a fêmea da espécie sabe que está sendo usada como uma hospedeira, pode desejar remover o que sente que não é seu. Assim, nós colocamos um vazio (bloco) muito forte no seu processo de memória, de modo que ela não tenha nenhuma idéia de que o implante foi colocado ali. Faremos a mesma coisa com você, quando, como no passado, implantarmos em você.

Achamos que é melhor para a fêmea não deixar o implante nela. Somos capazes de levar o feto a termo usando nossas próprias fêmeas, mas, antes do primeiro trimestre, ele deve ser removido a fim de que a fêmea huma­na não perceba que é hospedeira de um implante.
Achamos que, psicologicamente, dentro do primeiro trimestre, se a fêmea hospedeira não sabe do implante, seguirá sua rotina normal e isso não tem um efeito debilitante sobre o feto. Depois da remoção, coloca­mos outro branco na memória da fêmea humana hospedeira, pois assim podemos repetir o mesmo procedimento e ela estará acostumada a ele.
Além da proteção do feto, existem outras razões para o segredo. Se as abduções são, como todas as provas indicam, um fenômeno intergeracional, no qual os filhos das abduzidas são abduzidos, então um dos objetivos dos alienígenas é a geração de mais abduzidos.
Será que todos os filhos das abduzidas são incorporados ao fenômeno? A prova sugere que a resposta é "sim". Se uma abduzida tem filhos com um não-abduzido, as chances são de que toda a sua descendência venha a ser também abduzida. Isto significa que através do crescimento normal da população, divórcio, casamento, e assim por diante, a população de abduzidos crescerá rapidamente através das gerações. Quando esses filhos crescerem e se casarem e tiverem seus próprios filhos, todos eles, independentemente do fato de se casarem ou não com abduzidos, também serão abduzidos.
Para proteger a natureza intergeracional do programa de cruzamento, ele deve ser mantido em segredo para as abduzidas, pois assim elas continua­rão a ter filhos. Se as abduzidas soubessem que o programa é intergeracional, poderiam decidir não ter filhos. Isso faria com que uma parte crítica do programa se interrompesse, o que os alienígenas não podem Pérmitir.
A razão final para o segredo é a expansão do programa de cruzamento. Para se integrar lateralmente na sociedade, os alienígenas devem ter certeza de que as abduzidas vão se relacionar com os não-abduzidos, a fim de produzir crianças abduzidas. Se as abduzidas tivessem consciência do progra­ma, poderiam se decidir a não ter filhos de jeito nenhum ou somente se relacionar com outros abduzidos. Assim, o número de uniões, para efeito de ter filhos entre abduzidas e não-abduzidos, iria declinar, colocando em perigo o progresso do programa de cruzamento.
O programa de cruzamento deve ser mantido secreto não somente para as mulheres mas também para os homens e a sociedade em geral. Quando Claudia Negrón tinha seis anos, uma jovem menina híbrida explicou-lhe pelo menos uma parte do programa.

Eu pergunto a ela por que eles estão fazendo isso. Ela diz que é para o bem de todos e que eles têm de fazer isso. É muito importante e eu não sou a única. Há muitos... e um dia eu vou saber do que se trata, mas não agora. Porque, se eles contarem para as pessoas do que se trata, então o seu projeto estará arruinado. Então, por enquanto, eles têm de manter o projeto secreto. Eu pergunto a ela que tipo de projeto é esse. Ela diz que é para fazer um mundo melhor, para fazer um lugar melhor.

Poderia se argumentar que, uma vez que temos provas do programa de cruzamento, o segredo ficou efetivamente comprometido. Mas esse não é o caso. A muralha de segredo dos alienígenas somente será penetrada quan­do muitas pessoas dentro da nossa sociedade, talvez a maioria, perceberem completamente o que está acontecendo a elas e compreenderem as impli­cações para si mesmas e seus descendentes. Passados cinqüenta anos de conhecimento público das aparições e das abduções pelos óvnis, o debate continua sobre se o fenômeno é "real", e a comunidade científica se recusa a estudá-lo.
Assim, no momento presente, a política de segredo dos alienígenas foi e continua a ser enormemente bem-sucedida, apesar dos milhões de relatos de aparições e de abduções por óvnis. A grande maioria dos abduzidos têm as memórias de suas experiências trancadas nas mentes, entrelaçadas por um labirinto de sonhos, fábulas, falsas memórias e imagens induzidas ­exatamente onde os alienígenas desejam que elas fiquem. E, se os abduzidos recuperarem essas experiências, enfrentarão restrições sociais, ridículo, in­credulidade e condescendência.
O segredo não é necessário para proteger a sociedade do "choque" da revelação do "contato". Nem é necessário para proteger a vida do indiví­duo contra perturbações. O segredo é necessário para proteger o programa de cruzamentos dos alienígenas. É uma medida defensiva. Não contra a hostilidade de seres humanos violentos e amedrontados. Mas contra a hos­tilidade de uma população hospedeira que iria ser contra o fato de ser vítima de um programa generalizado de exploração fisiológica.
Agora podemos compreender por que os alienígenas não aterrissam no gramado da Casa Branca. Se eles fizessem isso, as razões pelas quais vieram à Terra poderiam ser descobertas, e eles poderiam não ter a possibilidade de continuar com seus programas de cruzamentos. A maioria das teorias de segredo passadas tem assumido que os alienígenas mantinham segredo para esconder a sua existência. Agora está claro que a razão primária para o se­gredo é manter suas atividades escondidas, e para tal eles têm de manter a sua existência em segredo.
Como é escondido, o fenômeno de aLdução, essencial para o progra­ma de cruzamento, tomou enormes proporções. E tanto o seu propósito quanto a sua magnitude têm implicações profundamente perturbadoras para o futuro.

7
Infiltração

Durante muitos anos, os pesquisadores de óvnis pensaram que as abduções eram eventos raros, que aconteciam com adultos que estavam no lugar er­rado e no momento errado. O caso de Barney e Betty Hill parecia ser um bom exemplo da teoria do "aqui há um, segura-o!" Nos últimos anos, en­tretanto, os pesquisadores perceberam que o fenômeno da abdução dura por toda uma vida e permeia tudo.
Agora sabemos que as abduções começam na infância. Há mães escre­vendo que foram abduzidas com seus bebês. Algumas abduzidas até rela­tam que os alienígenas as visitam na sua cama de hospital, logo depois ou antes de darem à luz. Também sabemos que o fenômeno da abdução con­tinua na idade madura. Mais importante, sabemos que os abduzidos expe­rimentam toda uma vida de abduções. Todos os abduzidos que meus cole­gas e eu investigamos tiveram muitos eventos de abdução durante suas vidas.
Então, quantas pessoas foram abduzidas? Esta pergunta é praticamente impossível de responder, principalmente porque as pessoas não se lembram de todas as suas abduções. Mas, apesar desta dificuldade, sabemos que o fenômeno de abdução é largamente generalizado. Meu colega Budd Hopkins e eu recebemos milhares de cartas e telefonemas de abduzidos relatando suas experiências. Outros pesquisadores espalhados em nossa sociedade já trataram ou ouviram falar de dezenas de milhares de casos de abdução. Apesar disto, o número de pessoas que procuram os pesquisadores não re­presenta quantas pessoas podem ter sido abduzidas porque, como já referi, a maior parte dos abduzidos não toma consciência de suas experiências.

Abduzidos inconscientes

Apesar de os abduzidos inconscientes constituírem uma população silenciosa que confunde a exatidão das estatísticas, eles fornecem uma excelente "verifica­ção da realidade" para o fenômeno de abdução. Podemos comparar os relatos feitos pelos abduzidos antes que eles tomassem consciência de suas abduçães com aqueles feitos depois de serem hipnotizados por um terapeuta competen­te. Como um grupo, os abduzidos inconscientes relatam, de forma consisten­te, um padrão similar de experiências, antes de terem consciência das abduçães.
Quando inconscientes, eles explicam suas estranhas experiências de modo aceitável pela sociedade. Por exemplo, um abduzido inconsciente explicará suas visitaçães noturnas e meio esquecidas como de "anjos da guarda". Um abduzido inconsciente pode pensar que viu "fantasmas" e que a sua casa é "mal-assom­brada”. Uma mulher me disse que ela e a sua família se mudaram várias vezes para fugir de fantasmas, mas todas as casas em que morou eram mal-assombradas.
Os abduzidos inconscientes freqüentemente relatam ter visto figuras reli­giosas ou o próprio demônio. Relatam que tiveram uma comunicação intensa e profunda com um animal. Descrevem experiências "fora do corpo" inespera­das ou indesejáveis, que ocorrem sem trauma ou meditação. Eles viajam no "plano astral", de onde olham para baixo e vêem os telhados da sua vizinhança.
O caso de uma estudante de doutorado é típico. Ela me disse ter visto fantasmas, óvnis e ocorrências estranhas durante toda a sua vida. Em um evento espetacular, quando ainda era criança, ela olhou para fora da janela do seu quarto e viu um óvni aterrissando no seu quintal. Su­bitamente, sua mãe, assustada, apareceu correndo no seu quarto, gri­tando que os alienígenas iam levá-Ios e que eles tinham de se esconder. A estudante não se lembra de mais nada do incidente. Eu lhe perguntei o que ela pensava sobre esses eventos fora do comum. Ela respondeu que a mãe lhe dissera que: isso faz parte da vida, que a vida tem o seu lado misterioso e que suas experiências faziam parte do seu desenvolvi­mento. Ela conseguiu, assim, classificar como "normal" toda uma vida de eventos extraordinários.

Estimativas informais de magnitudes

Budd Hopkins redigiu um questionário para a revista OMNI, em 1987, projetado para tentar coletar dados sobre a incidência de abduções. Os lei­tores da OMNI devolveram mais de quatro mil questionários. O médico Bruce Maccabee e os pesquisadores de óvnis Don Berliner e Rob Swiatek, do Fundo para a Pesquisa de Óvnis, analisaram 450 deles e concluíram que cerca de 4% dos questionados masculinos e 11% dos questionados femini­nos poderiam ter sido abduzidos.
Em 1987, comecei também a coletar dados sobre incidência de abdu­zidos. Desenvolvi uma pesquisa simples para universitários, baseada no ques­tionário da OMNI. Com o passar dos anos, refinei a pesquisa e continuei a solicitar que os estudantes respondessem aos questionários. Em 1991, eu havia coletado mais de 1.200 respostas, principalmente de estudantes de 18 a 23 anos. Esses se classificavam em três categorias: possível abduzido, duvidoso ou não-abduzido. Baseei as categorias no meu conhecimento das experiências fora do comum que os abduzidos me haviam contado, antes que soubessem que estavam envolvidos com o fenômeno. Os resultados da minha análise sugerem que 5,5% dos questionados eram de "possíveis" abduzidos, e 15,5% eram de "duvidosos". Esses números são extraordina­riamente altos.
Existem muitas outras estimativas informais. As provas sugerem enfati­camente que a maioria, se não a totalidade, dos "contatos imediatos" com aparições de óvnis é o começo ou o fim de eventos de abdução. Mesmo as aparições de altitude podem ser indicativos de abduções. As estatísticas do Instituto Gallup sobre aparições de óvnis têm variado de 9% a 14%, desde a década de 1950. Se uma percentagem dessas aparições mascara abduções, então o número é alto.

A pesquisa Roper

Em 1991, Robert Bigelow, um filantropo e financiador de pesquisa de óvnis, e outro pesquisador interessado propuseram a Budd Hopkins e a mim uma pesquisa formal para estimar o número de pessoas na América que poderi­am ter sido abduzidas. Nós concordamos.
Conhecíamos o desafio. Deveríamos construir a pesquisa de maneira a obter um grande número de informações e superar os problemas da falta de memórias conscientes de abduçães. Então, teríamos de encontrar uma orga­nização de pesquisa para realizar a tarefa. Depois de entrevistar as maiores organizações de pesquisa, escolhemos a Organização Roper, porque ela se entusiasmou com o projeto. Finalmente, teríamos de ser muito cautelosos e conservadores na análise dos resultados.
No verão de 1991, Roper realizou uma pesquisa geral com um grupo de adultos, escolhido ao acaso, nos Estados Unidos. Foi uma pesquisa de porta em porta em que o entrevistador visitou as casas das pessoas e es­creveu as respostas em um questionário. As questões sobre abduções eram parte de outras perguntas sobre as experiências pessoais e políticas das pessoas. Não houve perguntas sobre preferência de produtos. Uma per­gunta era especificamente designada para identificar as pessoas que se sentiam compelidas a responder de modo positivo independentemente dos fatos. Roper inventou a palavra trondant e nós perguntamos se essa palavra tinha algum significado para os entrevistados. Se uma grande percentagem de pessoas respondessem que trondant tinha algum significa­do, saberíamos que as respostas aos questionários deveriam ser suspeitas.
A pesquisa normalmente cobre um grupo de cerca de 1.600 pessoas, o que é considerado grande bastante para fornecer um resultado positivo na maioria das pesquisas nacionais. Entretanto, dada a natureza controvertida da pesquisa de abdução, desejamos usar um grupo maior para aumentar a margem de se­gurança. O número final de entrevistados foi de 5.947 pessoas, o que daria uma margem de erro de apenas 1,4%. A pesquisa Roper, então, tornou-se a maior e mais precisa pesquisa desse tipo jamais realizada. É importante lembrar que não era uma pesquisa de opinião, mas uma pesquisa sobre n experiência das pessoas, o que a tornava diferente das pesquisas dessa natureza. 
No resultado inicial, o número de abduzidos potenciais era muito alto - embaraçosamente alto:

. 18% haviam acordado paralisados com uma figura estranha no quarto.
. 15% haviam visto uma figura medonha.
. 14% haviam deixado o seu corpo.
. 13% tinham lacunas temporais.
. 11% haviam visto um fantasma.
. 10% haviam flutuado no ar.
. 8% haviam visto luzes estranhas no ar.
. 8% tinham cicatrizes estranhas.
. 7% haviam visto um óvni.
. 5% sonhavam com óvnis.
. 1% disse que a palavra trondant tinha um significado especial.

O pequeno número de respostas positivas à pergunta trondant significa que a pesquisa não pesou para aqueles que tinham a necessidade de responder positivamente. A Organização Roper eliminou das estatísticas finais todos os questionários com as respostas positivas à pergunta trondant.
O resultado da pesquisa Roper indica que milhões de americanos podem ter sido abduzidos. Budd Hopkins e eu sabíamos que o fenômeno da abdução era generalizado, mas esses números eram assustadores. Por esse motivo, adota­mos uma atitude conservadora em relação aos dados coligidos. Isolamos as cin­co perguntas que haviam constado da pesquisa anterior, como indicadores confiáveis de atividades de abdução, e incluímos na amostra final somente aquelas pessoas que responderam de forma positiva a quatro das cinco questões.
A análise final indica que 2% da população americana - cinco milhões de americanos - experimentaram eventos consistentes com aque­les que os abduzidos experimentaram antes de saber que eram abduzidos. Mesmo que esse número seja até 75% mais alto do que a ocorrência real, ainda assim haveria mais de um milhão de pessoas que poderiam ter sido abduzidas. Uma coisa é clara: a pesquisa Roper confirmou a prova, menos formal e circunstancial, de que há um tremendo número de pessoas que teve experiências de abdução. E podemos concluir, por conseqüência, que o fenômeno de abdução é generalizado e atinge qua­se toda a sociedade.
Além das conclusões gerais, a pesquisa Roper apresentou os resultados por idade, sexo, raça, situação geográfica, estado social e forneceu dados desses subgrupos. Uma importante subanálise enfoca a idade, e uma segunda enfoca os consultados a quem a organização chamou ativistas político-sociais. Essas pessoas, qualquer que seja a sua orientação política, estão conscientes dos pro­blemas sociais e desejam influir na sua solução. Por exemplo, eles escrevem car­tas de protesto para o seu Conselho Escolar Local, candidatam-se a cargos po­líticos, ou demonstram qualquer outro tipo de responsabilidade social. Eles têm maior percentagem de ensino superior e sua renda (38.700 dólares) é maior, comparada com a renda da população em geral (28.300 dólares).
Os resultados das duas subanálises são mostrados nas tabelas seguintes. A primeira resume as respostas por grupo de idade, mostrando que o grupo de 18 a 29 anos respondeu mais positivamente aos cinco indicadores de abdução do que qualquer outro. Isso parece ir contra a lógica, porque a possibilidade de pessoas mais idosas terem tido experiências de abdução é muito maior.



Relação entre os cinco indicadores de experiência por idade



(Amostra Total)







Idade



Geral
18-29
30-44
45-59            60 +
60+
Acordando paralisado com





impressão de ver figura estranha
18%
22%
21%
17%             10%
10%
Tempo perdido
13%
14%
13%
13%             10%
10%
Sensação de estar voando
10%
11%
13%
10%              8%
8%
Bolas de luz no quarto
8%
11%
9%
7%                5%
5%
Cicatrizes inexplicáveis
8%
14%
7%
6%                5%
5%










A segunda subanálise refere-se aos ativistas político-sociais. Este grupo não deveria ter tido experiência com eventos bizarros, pois são as pessoas que se colocam de forma proeminente em relação ao público. Entretanto, não só elas têm maior percentagem em todas essas questões, mas esta per­centagem é significativamente maior.








Relação entre os cinco indicadores de experiência e ativismo político-social
(Amostra Total)
                                      
                                       Geral                 Ativistas Político-Sociais
Acordando paralisado com


impressão de ver figura estranha
   18%
                      28%
Tempo perdido
    13%
                     17%
Sensação de estar voando
   10%
                     18%
Bolas de luz no quarto
    8%
                     11%
Cicatrizes inexplicáveis
    8%
                       9%


Estimativas de freqüência

A pesquisa da Organização Roper fornece dados sobre a incidência do fe­nômeno de abdução, mas não sobre a sua freqüência. Sabemos que a abdução ocorre durante toda a vida do abduzido. Entretanto, a estimativa da sua freqüência é muito difícil. O problema primordial e mais importante é que os abduzidos não se recordam da vasta maioria de suas experiências de abdução. Para coletar dados sobre a freqüência de abdução, pedi a vários abduzidos que estabelecessem uma tabela com a freqüência desses eventos. Esses abduzidos tinham passado por um número significativo de sessões hipnóticas comigo para serem sensíveis a "marcos", que indicam fortemente a atividade de abdução. Seis abduzidos anotaram cuidadosamente os eventos que aconteceram com eles. Confirmamos alguns desses eventos através de regressões hipn6ticas e continuaremos no decorrer do tempo a investigar outros eventos.

Freqüência de abduções 

Abduzida                        Período            Eventos      No. Investigado

Karen Morgan                  1 ano                  9                        7
25 jan. 88 - 22 jan 89 

Kathleen Morrison            1 ano                13                       7
1994 

Christine Kennedy         3 meses e meio     8                       5
out. 92 - 19 fev. 93  

Allison Reed                      1 ano                 33                     11
20 jul. 93 - 22 jul. 94 

Gloria Kane                       8 meses             54                     11
4 jul. 88 - 28 fev. 89 

Kay Summers                    1 mês                14                      
13 nov. 93 - 14 dez. 93 


O esforço tabular revela dados instigantes. Christine Kennedy, por exem­plo, estabeleceu uma correlação entre o seu ciclo menstrual e a tabela de eventos de abdução: quando não existiam eventos de abdução, o seu ciclo era de 28 dias; quando, entretanto, existia um período de abdução, o seu ciclo diminuía para até 24 dias. Allison Reed fez uma correlação entre suas experiências de abdução e o nível de açúcar no sangue (sendo diabética, ela media o seu nível de açúcar no sangue todos os dias); muitas vezes subia depois de uma abdução, a ponto de ficar três ou quatro vezes superior ao nível normal para ela. Gloria Kane descobriu que as suas abduções aumentavam de freqüência durante a ovulação e diminuíam durante a menstrua­ção (embora a ovulação e a menstruação não fossem os únicos determinantes das abduçães).
A mulher que representa o extremo em fenômenos de abdução é Kay Summers, que mora no Meio Oeste e trabalha como vendedora numa loja. Através de contatos telefônicos constantes, pude anotar os muitos eventos de abdução que ocorreram com ela. Ela teve mais de 100 abduções durante o período de um ano ou uma média de um a cada três dias. O efeito sobre Kay foi devastador e ela vive em estado de desespero. Ela recebe muito pouco apoio dos seus amigos e da família, que se recusam a acreditar e, mesmo quando acreditam, se recusam a acreditar na espantosa freqüência.
Muitas vezes cansada e deprimida por falta de sono e pelo trauma da abdução, Kay aprendeu a se dissociar psicologicamente da experiência en­quanto está acontecendo, do mesmo modo que uma criança também pode se desligar durante abuso físico ou sexual repetido. De qualquer modo, ela vive uma montanha-russa emocional. Quando as abduçães diminuem, ela começa a recuperar a sua disposição, mas, quando recomeçam, cai em de­pressão. Em 1997, suas abduçães continuaram. Budd Hopkins e eu inves­tigamos muitas das suas experiências, incluindo mais de 50 das últimas.
Embora a freqüência com que Kay é abduzida seja extrema, não é tão fora do comum como pensávamos originalmente. Nos últimos anos, mui­tos abduzidos têm relatado acelerações significativas no ritmo de suas abduções. A tendência normal tem sido no sentido de um maior número de experiências para cada abdução. O menor número de abduçães anuais que me foi relatado é nove. Se a média for de somente cinco por ano, e se o fenômeno começa na infância e continua na idade adulta até a velhice, os números se multiplicam rapidamente. Se uma pessoa tem quarenta anos, ela já pode ter tido mais de duzentas abduçães, e muitas outras para ocor­rer. Isso é confirmado por muitos dos abduzidos que anotaram e fizeram uma tabela de suas abduções por um período de vários anos. Charles Petrie, que trabalha numa gráfica como impressor, manteve um diário de suas experiências e lembra-se conscientemente de mais de duzentas abduçães até a idade de 38 anos. Sua vida tem sido dedicada a descobrir o que lhe está acontecendo.
A conclusão da pesquisa Roper e da nossa própria é que, sem dúvida, um grande número de pessoas está experimentando um número enorme de abduções. Os alienígenas investiram e continuam a investir uma tremenda quantidade de tempo e energia no programa de abdução. Muitas pessoas pensam que as abduções são um "estudo" ou uma "experiêncià', e que os alienígenas estão "aprendendo" sobre nós. Os números indicam o contrá­rio. A fase de aprendizado e experiência, se foi o caso, na sua maior parte jáfoi ultrapassada. Assim sendo, as provas indicam claramente que os aliení­genas estão conduzindo um programa geral e sistemático de exploração fisio­lógica dos seres humanos.

8
As espécies híbridas - crianças

A produção de uma espécie híbrida parece ser um meio para atingir o ob­jetivo dos alienígenas. Até agora os pesquisadores foram incapazes de des­cobrir qualquer outro propósito para o fenômeno dos óvnis e de abdução e para o programa de cruzamentos. Por que os alienígenas estão produzin­do híbridos? Isso há muito tempo tem sido um dos mistérios fundamentais das pesquisas sobre óvnis e abdução. Até agora tínhamos poucas informa­ções sobre as quais pudéssemos fundar uma teoria. Mas para responder a esta questão é necessário compreender tanto a idéia da hibridização quanto a da natureza da vida híbrida.

Produzindo híbridos

Durante anos os pesquisadores postularam que os alienígenas são uma raça em extinção e devem passar os seus genes para os híbridos, a fim de manter sua "vida”. Esta teoria assume que os alienígenas não podem se reproduzir ou não podem reproduzir em número suficiente para manter a viabilidade de sua espécie. Embora descartada como ficção científica por muitos pes­quisadores de óvnis, as provas sugerem que pode haver mérito nesta teoria.
O caso de Allison Reed dá alguma credibilidade a essa teoria. No seu evento de abdução, que durou quatro dias e meio, um alienígena a levou para uma sala do tipo "museu" na qual ela viu artefatos em prateleiras jun­tamente com "hologramas", de tamanho natural, mostrando vários seres. O alienígena que a acompanhava explicou-lhe o que essas figuras represen­tavam e por que a hibridização estava sendo realizada.
Cada uma das figuras do holograma tinha algum tipo de "falha”. A primeira tinha aparência alienígena, com seus olhos negros característicos e o corpo magro; mas também tinha o ventre inflado, com bolhas parecen­do inflamações purulentas. O próximo holograma parecia mais humano, tinha cabelos louros e olhos parecidos com os de um homem, mas não ti­nha genitais e sua pele era extremamente pálida, como a de um "albino". O holograma final era um grupo de seres pequenos, com cerca de um metro e meio de altura. Eram muito brancos e Allison recebeu a comunicação de que eles eram "mentalmente fracos ou alguma coisa desse tipo".
O acompanhante de Allison lhe disse que o fato mais importante sobre esses seres é que nenhum deles podia reproduzir. Pareciam ser fracassos de tentativas anteriores de hibridização. ''A raça humana não é a ptimeira que eles encontraram, ou com a qual tentaram trabalhar", disse ela. "Nós so­mos apenas aqueles mais compatíveis e com quem eles podem obter resul­tados, porque não podem-se sustentar por muito tempo, pois eles (os alienígenas) são o resultado de mistura genética, alteração, manipulação, ou outra palavra assim.”

O pequeno para quem você está olhando não pode reproduzir?
Não. Nenhum deles. Eles não podem reproduzir - nenhum deles. Então, além das partes que fracassaram como aquele branco sem habili­dade mental... de certa forma, eles não conseguiram chegar lá. Mas, fora disso, os três de quem eu falei não podem se agüentar. Minha compreen­são é que, através da sua evolução, digamos, eles chegaram ao ponto em que a sua própria reprodução é um problema. Mais ou menos como a síndrome do cruzamento do cavalo com o jumento, em que você obtém uma mula sem sexo. E aí houve um negócio que saiu errado. Eu não sinto que aconteceu imediatamente. De alguma forma, eles conseguiram reproduzir, mas como são o resultado de uma alteração genética, através dos anos e das gerações, isso diminuiu. Acho que é mais ou menos como quando os homens simplesmente ficam estéreis depois de anos e anos, o que quer que seja...
Ele lhe diz como eles eram antes da alteração genética?
Não, ele não especifica isso...  Só afirma que ele e o seu povo cinzento são o resultado de manipulação genética de alguma espécie superior, penso eu, que tentou fazer o papel de Deus e misturou e reproduziu sei lá o quê. É o que ele me diz... Ele e seu povo foram criados por meio de alteração genética e de uma inteligência mais desenvolvida... eu não sei para que eles foram criados. Mas o que entendi é que foram criados para um propósito e, através dos anos, não conseguiram mais se reproduzir. Pelo que ele me disse... não foram eles que começaram isso. Eles são um resultado, como os híbridos são, de alguma coisa. De uma inteligência mais desenvolvida. Foi o que captei dele. Eu acho. Isso é só o que ouvi.)

Essa explicação sugere que os alienígenas tentaram um programa de reprodução antes de virem à Terra e que eles têm períodos de tentativas e erros. A idéia de que os seres cinzentos eram eles mesmos produtos de ex­periência de hibridização também foi confirmada durante uma das abduções de Reshma Kamal. O alienígena parecido com um inseto disse a ela que os alienígenas cinzentos eram produto de tentativas anteriores de hibridização com humanos, mas o programa era defeituoso e deixou os alienígenas cin­zentos sem a capacidade de reprodução. Então, os alienígenas com aparência de insetos começaram um novo programa de hibridização humana com técnicas diferentes, que têm levado mais tempo, mas têm sido mais frutífe­ras. Qualquer que seja o caso, os seres humanos têm sido mais apropriados para eles. Nós podemos reproduzir e eles podem reproduzir por nosso in­termédio.